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Teorema dos Resíduos for Dummies

T3ru0
Eu não tenho a pretensão de lhe ensinar formalmente o Teorema dos Resíduos.
Este arquivo é apenas um guia prático de como utilizar esta ferramenta matemática.
Possivelmente haverá alguma imprecisão que um matemático vá reclamar, contudo,
meu intuito é apenas compartilhar um pouco do que eu aprendi estudando por conta
própria. Aqui vale uma nota de agradecimento especial a Wan Zonneveld (moderador
do grupo Fatos Matemáticos), Ron Gordon (dono do site Residue Theorem and Friends)
e Zaid Alyafeai (colaborador do site Advanced Integrals), pois muito do que eu aprendi
foi vendo as resoluções deles.
Ideia Básica

A ideia chave é utilizar uma função de variável complexa e um caminho no plano


de Argand-Gauss (contorno) para facilitar o cálculo de integrais. Esta tática facilita muito
a solução de problemas, pois há ferramentas como a Desigualdade ML (Estimation
Lemma) e o cálculo de resíduos que nos permitem “pular” algumas etapas de
integração. Fazendo com que no geral nos preocupemos apenas com os pontos de
singularidade da função. Para facilitar o entendimento, vamos analisar o seguinte
exemplo:

Exemplo 1:

dz

1 + z²
−∞

O primeiro passo é determinar o contorno adequado.


Inicialmente, pensemos em contornos que já contenham
os limites de integração da integral que desejamos
calcular (há problemas mais complexos que essa
lógica pode ser alterada, porém, por hora fiquemos
com isso em mente para simplificar). Para este
exemplo, consideremos o semicírculo com raio
tendendo a infinito. Ademais, por convenção, o contorno segue o sentido anti-horário.

Em seguida, analisemos se os pontos de singularidade estão dentro, fora ou sob


o contorno escolhido, pois dependendo teremos uma abordagem distinta para cada
situação. Se ele estiver fora, não será incluído no cálculo dos resíduos; se estiver dentro,
ele será incluído no cálculo dos resíduos; e se estiver sob a linha de integração, teremos
que deformar nosso contorno (para entender deformação de contorno veja o Exemplo
3). Neste caso, temos que nossos pontos de singularidade são z = ±i.

Temos que a integral de linha fechada é dada pela soma dos outros caminhos
que lhe compõem. No exemplo, temos que:
R
∮ f(z)dz = ∫ f(z)dz + ∫ f(z)dz
γR −R

Para calcular ∮ f(z)dz, vamos utilizar o Teorema dos Resíduos que diz que o
resultado da integral fechada é dado por:

𝑅𝑒𝑠í𝑑𝑢𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑓(𝑧)
∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = 2𝜋𝑖 ∑ 𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑑𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜 𝑑𝑜 = 2𝜋𝑖 lim ∑(𝑧 − 𝑧𝑘 )𝑓(𝑧)
𝑧→𝑧𝑘
𝑐𝑜𝑛𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑘=1

Para o exemplo:
𝑧−𝑖
∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = 2𝜋𝑖 (lim )=𝜋
𝑧→𝑖 (𝑧 − 𝑖)(𝑧 + 𝑖)
Para ∫𝛾 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 temos que parametrizar a curva que desejamos utilizar como
𝑅
contorno e então calculá-la ou então podemos utilizar a Desigualdade ML que diz que:
𝑏 𝑏 𝑏
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ |∫ 𝑓(𝛾(𝑡))𝛾 ′ (𝑡)𝑑𝑡| ≤ ∫ |𝑓(𝛾(𝑡))| |𝛾 ′ (𝑡)|𝑑𝑡 ≤ 𝑀 ∫ |𝛾 ′ (𝑡)|𝑑𝑡 = 𝑀 𝑙(𝛾𝑅 )
𝛾𝑅 𝑎 𝑎 𝑎

Para o exemplo consideremos a parametrização do tipo 𝑧 = 𝑅𝑒 𝑖𝑡 𝑒 𝑑𝑧 = 𝑖𝑅𝑒 𝑖𝑡


𝜋 𝜋
𝑖𝑅𝑒 𝑖𝑡 𝑖𝑅𝑒 𝑖𝑡
∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = lim ∫ 𝑑𝑡 = ∫ [ lim ] 𝑑𝑡 → 0
𝛾𝑅 𝑅→∞ 1 + (𝑅𝑒 𝑖𝑡 )² 𝑅→∞ 1 + (𝑅𝑒 𝑖𝑡 )2
0 0

Alternativamente, pela Desigualdade ML:


𝜋
|𝑖𝑅𝑒 𝑖𝑡 | 𝜋
𝑅 𝜋𝑅
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ lim ∫ 𝑖𝑡 2
𝑑𝑡 ≤ lim ∫ 2
𝑑𝑡 = lim 2 →0
𝛾𝑅 𝑅→∞ 0 |1 + (𝑅𝑒 ) | 𝑅→∞ 0 𝑅 − 1 𝑅→∞ 𝑅 − 1

Obs:
1 1
|1 + 𝑅 2 | ≥ |1 − 𝑅 2 | ∴ ≤
|1 + 𝑅 | |1 − 𝑅 2 |
2

Portanto, juntando todos os resultados:



𝑑𝑧
∫ =𝜋
1 + 𝑧²
−∞

Singularidades com multiplicidade maiores que 1 (Integral de Cauchy):

A fórmula da Integral de Cauchy pode ser expressa como:


𝑓(𝑧) 2𝜋𝑖
∮ 𝑑𝑧 = 𝑓 (𝑛−1) (𝑎)
(𝑧 − 𝑎)𝑛 (𝑛 − 1)!

Exemplo 2:

𝑑𝑧

(1 + 𝑧 2 )2
−∞

Este exemplo pode ser resolvido de maneira similar ao primeiro, sendo o


ponto de diferenciação o cálculo do resíduo.

2
𝑑𝑧 𝑑 𝑧−𝑖 𝜋
∫ = 2𝜋𝑖 [lim ( ) ] =
(1 + 𝑧 2 )2 𝑧→𝑖 𝑑𝑧 (𝑧 − 𝑖)(𝑧 + 𝑖) 2
−∞
Ponto de singularidade em cima do contorno (deformação do contorno):

Exemplo 3:

sin(𝑧)
∫ 𝑑𝑧
𝑧
0

Primeiramente notemos que por causa da paridade da função, a integral pode


ser reescrita como:

1 sin(𝑧)
∫ 𝑑𝑧
2 𝑧
−∞

Consideremos 𝑒 𝑖𝑧 ao invés de sin(𝑧) para facilitar as contas e ao final separemos


a parte imaginária obtida. Ademais, também consideremos o seguinte contorno:

Portanto:
−𝜖 𝑅
∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧
𝛾𝑅 𝛾𝜖 −𝑅 𝜖

Como não há resíduos dentro do contorno ∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = 0.

Calculando ∫𝛾 𝑓(𝑧)𝑑𝑧:
𝑅

𝜋 𝑖𝑡 𝜋 𝜋
𝑒 𝑖𝑅𝑒
∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = lim ∫ 𝑖𝑡
𝑖𝑅𝑒 𝑖𝑡 𝑑𝑡 = lim 𝑖 ∫ 𝑒 𝑖𝑅(cos(𝑡)+𝑖𝑠𝑖𝑛(𝑡)) 𝑑𝑡 = 𝑖 ∫ lim 𝑒 𝑖𝑅 cos(𝑡) 𝑒 −𝑅 sin(𝑡) 𝑑𝑡 = 0
𝛾𝑅 𝑅→∞ 𝑅𝑒 𝑅→∞ 𝑅→∞
0 0 0

Calculando ∫𝛾 𝑓(𝑧)𝑑𝑧:
𝜖

0 𝑖𝑡 0
𝑒 𝑖𝜖𝑒
∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = lim ∫ 𝑖𝑡 𝑖𝜖𝑒 𝑖𝑡 𝑑𝑡 = 𝑖 ∫ 𝑑𝑡 = −𝑖𝜋
𝛾𝜖 𝜖→0 𝜖𝑒
𝜋 𝜋

Note que:

−𝜖 𝑅
𝑒 𝑖𝑧
lim lim [∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧] = ∫ 𝑑𝑧
𝑅→∞ 𝜖→0 −𝑅 𝜖 𝑧
−∞

Juntando todos os resultados:



cos(𝑧)
∫ 𝑑𝑧 = 0
∞ 𝑧 ∞
𝑒 𝑖𝑧 −∞ sin(𝑧) 𝜋
∫ 𝑑𝑧 = 𝑖𝜋 ∴ 𝑙𝑜𝑔𝑜 ∫ 𝑑𝑧 =
𝑧 ∞ 𝑧 2
−∞ sin(𝑧) 0
∫ 𝑑𝑧 = 𝜋
𝑧
−∞
Integrais Trigonométricas:

Para integrais trigonométricas cujos os limites de integração vão de 0 𝑎 2𝜋 ou


então de −𝜋 𝑎 𝜋, podem ser tradas com o Teorema dos Resíduos considerando uma
circunferência de raio unitário, isto é, um contorno tal que |𝑧| = 1.

Exemplo 4:
2𝜋
(1 + 2 cos(𝑥))𝑛 cos(𝑛𝑥)
∫ 𝑑𝑥 ; 𝑛 > 0
3 + 2cos(𝑥)
0

Primeiro, para facilitar nossos cálculos, vamos considerar 𝑒 𝑖𝑛𝑥 ao invés de


cos(𝑛𝑥) e depois separemos a parte real do resultado. Além disso, vamos também
escrever o restante dos termos em suas formas exponenciais:
𝑛
2𝜋 𝑒 2𝑖𝑥 + 𝑒 𝑖𝑥 + 1
2𝜋 2𝜋
𝑛
(1 + 2 cos(𝑥)) cos(𝑛𝑥) ( ) 𝑒 𝑖𝑛𝑥 𝑛
(𝑒 2𝑖𝑥 + 𝑒 𝑖𝑥 + 1 ) 𝑒 𝑖𝑥
𝑒 𝑖𝑥
∫ 𝑑𝑥 = ∫ 𝑑𝑥 = ∫ 𝑑𝑥
3 + 2cos(𝑥) e2𝑖𝑥 + 3𝑒 𝑖𝑥 + 1 e2𝑖𝑥 + 3𝑒 𝑖𝑥 + 1
0 0 0
𝑒 𝑖𝑥
Agora façamos a mudança de variável do tipo 𝑧 = 𝑒 𝑖𝑥 e consideremos uma
circunferência de raio unitário como nosso contorno.

−3 + √5
(𝑧 − 2 ) (𝑧² + 𝑧 + 1 )𝑛
1 (𝑧 2 + 𝑧 + 1 )𝑛 2𝜋𝑖
∮ 𝑑𝑧 = lim
𝑖 z² + 3𝑧 + 1 𝑖 𝑧→−3+√5 z² + 3𝑧 + 1
|𝑧|=1 2
2𝜋
(1 + cos(𝑥))𝑛 cos(𝑛𝑥) 2𝜋 𝑛
∫ 𝑑𝑥 = (3 − √5)
3 + 2cos(𝑥) √5
0

Obs: perceba que a outra singularidade da função não está compreendida dentro do
contorno selecionado, logo, não há contribuição para o cálculo dos resíduos.

Como tratar a função logarítmica:

O logaritmo complexo é definido como Log(𝑧) = 𝑙𝑜𝑔|𝑧| + 𝑖 arg(𝑧). Se


𝑦
considerarmos 𝑧 = 𝑥 + 𝑦𝑖, então Log(𝑧) = log(√𝑥 2 + 𝑦 2 ) + 𝑖 arctan (𝑥 ). Apesar de log(𝑧)
ter uma singularidade quando 𝑧 → 0, esta função não entra no cálculo dos resíduos, pois
ela é classificada como singularidade não isolada e não pode ser removida igual aos
exemplos anteriores. Ao invés disso, esta singularidade é classificada como um ponto
de ramificação (branch point) e deve ser contornado com deformações do caminho de
integração.

Para o cálculo dos resíduos utilizamos apenas o argumento principal de 𝑧 que


pode ser definido de ] − 𝜋; 𝜋] ou então ]0; 2𝜋] dependendo da situação.
Exemplo 5:

log(z)
∫ 𝑑𝑧 ; 𝑎 > 0
𝑧 2 + 𝑎²
0

Portanto:
−𝜖 𝑅
∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧
𝛾𝑅 𝛾𝜖 −𝑅 𝜖

(𝑧 − 𝑎𝑖)log(𝑧) 2𝜋𝑖 𝜋 𝑖𝜋
∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = 2𝜋𝑖 ( lim )= log(𝑎𝑖) = [log(𝑎) + ]
𝑧→𝑎𝑖 (𝑧 − 𝑎𝑖)(𝑧 + 𝑎𝑖) 2𝑎𝑖 𝑎 2
𝜋
|log(𝑅𝑒 𝑖𝑡 )| 𝑖𝑡
𝜋
𝑙𝑜𝑔2 (𝑅)
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ lim ∫ |𝑖𝑅𝑒 |𝑑𝑡 ≤ ∫ lim 2 2
𝑅𝑑𝑡 → 0
𝛾𝑅 𝑅→∞ 0 |(𝑅𝑒 𝑖𝑡 )2 + 𝑎2 | 0 𝑅→∞ 𝑅 − 𝑎

𝜋
|log(𝑟𝑒 𝑖𝑡 )| 𝑖𝑡
𝜋
𝑙𝑜𝑔2 (𝑟)
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ lim ∫ |𝑖𝑟𝑒 |𝑑𝑡 ≤ ∫ lim 2 2
𝑟𝑑𝑡 → 0
𝛾𝜖 𝑟→0 0 |(𝑟𝑒 𝑖𝑡 )2 + 𝑎2 | 0 𝑟→0 𝑟 − 𝑎

−𝜖 𝑅
log(z) log(z) + 𝑖𝜋
∫ 2
𝑑𝑧 = ∫ 𝑑𝑧
−𝑅 𝑧 + 𝑎² 𝜖 𝑧 2 + 𝑎²

Portanto:
∞ ∞
2log(z) + 𝑖𝜋 𝜋 𝑖𝜋 log(z) 𝑖𝜋² 𝜋 𝑖𝜋
∫ 2
𝑑𝑧 = [log(𝑎) + ] ↔ 2 ∫ 2
𝑑𝑧 + = [log(𝑎) + ]
0 𝑧 + 𝑎² 𝑎 2 0 𝑧 + 𝑎² 2𝑎 𝑎 2

log(z) 𝜋
∫ 2
𝑑𝑧 = log(𝑎)
0 𝑧 + 𝑎² 2𝑎

Há um artifício muito comum para questões envolvendo logaritmos que é o


seguinte: se tivermos uma integral do tipo log n (𝑧) 𝑓(𝑧), então vamos escolher um
contorno do tipo fechadura (key-hole) e a função log n+1(𝑧) 𝑓(𝑧) para computar seus
𝑅+𝜖𝑖
resíduos, uma vez que teremos um par de integrais do tipo ∫𝜖𝑖 log n+1 (𝑧) 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 +
−𝜖𝑖
∫𝑅−𝜖𝑖 log n+1(𝑧) 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 e já que o logaritmo complexo utiliza o argumento de z, teremos

então que ∫0 {log n+1(𝑧) − (log n+1 (𝑧) + 2𝜋𝑖)𝑛+1 }𝑓(𝑧)𝑑𝑧.

Além disso, quando trabalhamos com integrais que envolvam log n (𝑧), teremos
também outros termos a serem computados com potências menores da função
logarítmica, sendo assim podemos trabalha-las em função de seus resíduos ao invés de
resolvê-las diretamente.
Exemplo 6:

𝑙𝑜𝑔3 (𝑧)
∫ 𝑑𝑧
0 (𝑧 2 + 1)(𝑧 + 1)²

Consideremos então o seguinte:


𝑙𝑜𝑔𝑛 (𝑧)
𝐼𝑛 (𝑧) = 2 𝑒 𝐽 (𝑧) = ∫ 𝐼𝑛 (𝑧)𝑑𝑧
(𝑧 + 1)(𝑧 + 1)2 𝑛
0

Portanto:
𝑅+𝜖𝑖 −𝜖𝑖
∮ 𝐼𝑛 (𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝐼𝑛 (𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝐼𝑛 (𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝐼𝑛 (𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝐼𝑛 (𝑧) 𝑑𝑧
𝜖𝑖 𝑅−𝜖𝑖 𝛾𝑅 𝛾𝑟

(𝑧 − 𝑖)𝑙𝑜𝑔𝑛 (𝑧) (𝑧 + 𝑖)𝑙𝑜𝑔𝑛 (𝑧) 𝑑 (𝑧 + 1)2 𝑙𝑜𝑔𝑛 (𝑧)


∮ 𝐼𝑛 (𝑧)𝑑𝑧 = 𝑅𝑛 = 2𝜋𝑖 {lim + lim + lim [ ]}
𝑧→𝑖 (𝑧 2 + 1)(𝑧 + 1)2 𝑧→−𝑖 (𝑧 2 + 1)(𝑧 + 1)2 𝑧→𝑖 𝑑𝑧 (𝑧 2 + 1)(𝑧 + 1)2

2𝜋
|log n (𝑅𝑒 𝑖𝑡 )| 2𝜋
𝑅log n (𝑅)
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ lim ∫ 2 |𝑖𝑅𝑒 𝑖𝑡 |𝑑𝑡 ≤ ∫ lim 𝑑𝑡 → 0
𝛾𝑅 𝑅→∞ 0
|((𝑅𝑒 𝑖𝑡 )2 + 1)((𝑅𝑒 𝑖𝑡 ) + 1) | 0 𝑅→∞ 𝑅4

0
|log n (𝑟𝑒 𝑖𝑡 )| 𝑖𝑡
𝑟|log n (𝑟)|0
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ lim ∫ 2 |𝑖𝑒 |𝑑𝑡 ≤ ∫ 𝑟→0
lim 𝑑𝑡 → 0
𝛾𝑟 𝑟→0 2𝜋
|((𝑟𝑒 𝑖𝑡 )2 + 1)((𝑟𝑒 𝑖𝑡 ) + 1) | 2𝜋 |(𝑟² + 1)(𝑟 + 1)2 |

𝑅+𝜖𝑖 −𝜖𝑖 ∞
𝑙𝑜𝑔𝑛 (𝑧) − (2𝜋𝑖 + log(𝑧))𝑛
∫ 𝐼𝑛 (𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝐼𝑛 (𝑧) 𝑑𝑧 = ∫ 𝑑𝑧
𝜖𝑖 𝑅−𝜖𝑖 0 (𝑧 2 + 1)(𝑧 + 1)²

Juntando todas as partes, temos que:



𝑙𝑜𝑔𝑛 (𝑧) − (2𝜋𝑖 + log(𝑧))𝑛
𝑅𝑛 = ∫ 𝑑𝑧
0 (𝑧 2 + 1)(𝑧 + 1)²

Portanto:

𝑅4 = −8𝜋𝑖𝐽3 + 24𝜋 2 𝐽2 + 32𝜋 3 𝑖𝐽1 − 16𝜋 4 𝐽0


𝑅3 = −6𝜋𝑖𝐽2 + 12𝜋 2 𝐽1 + 8𝜋³𝑖𝐽0 𝑅4 𝑅3 𝜋𝑅2
↔ 𝐽3 = − + +
𝑅2 = −4𝜋𝑖𝐽1 + 4𝜋²𝐽0 8𝜋𝑖 2 2𝑖
{ 𝑅1 = −2𝜋𝑖𝐽 0

Com isso evitamos de calcular diretamente 𝐽0 , 𝐽1 , 𝐽2 e também não precisamos


determinar 𝑅1 . Calculando os resíduos de 𝑅4 , 𝑅3 𝑒 𝑅2 , podemos concluir que:

𝑙𝑜𝑔3 (𝑧) 7𝜋 4
∫ 𝑑𝑧 = −
0 (𝑧 2 + 1)(𝑧 + 1)² 128

Nota: se fosse tomado o eixo real negativo para usar como ramificação, o argumento
principal de seu logaritmo pertenceria ao intervalo ] − 𝜋; 𝜋].
Ainda com relação à função logarítmica, é importante ressaltar que quando
trabalhamos com Análise Complexa, devemos tratar potências não inteiras de uma
variável como a exponencial do logaritmo desta variável mais seu argumento, isto é,
𝑧 𝑎 = 𝑒 𝑎(log(z)+i arg(z)) .

Exemplo 7:

𝑧𝑎
∫ 𝑑𝑥 ; 𝑐𝑜𝑚 |a| 𝑒 |b| ∈ (0; 1)
𝑧 2 + 2𝑧𝑐𝑜𝑠(𝜋𝑏) + 1
0

𝑅+𝜖𝑖 −𝜖𝑖
∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧
𝜖𝑖 𝑅−𝜖𝑖 𝛾𝑅 𝛾𝑟

∞ ∞
𝑅+𝜖𝑖 −𝜖𝑖
𝑒 𝑎(log(z)+0i) − 𝑒 𝑎(log(z)+2𝜋i) 2𝜋𝑎𝑖
𝑧𝑎
∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝑑𝑧 = (1 − 𝑒 ) ∫ 𝑑𝑧
𝜖𝑖 𝑅−𝜖𝑖 𝑧 2 + 2𝑧𝑐𝑜𝑠(𝜋𝑏) + 1 𝑧 2 + 2𝑧𝑐𝑜𝑠(𝜋𝑏) + 1
0 0

2𝜋
(𝑅𝑒 𝑖𝜃 )𝑎
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ lim ∫ 𝑖𝑅𝑑𝜃 → 0
𝛾𝑅 𝑅→∞ 0 (𝑅𝑒 𝑖𝜃 )2 + 2(𝑅𝑒 𝑖𝜃 ) cos(𝜋𝑏) + 1
0
(𝑟𝑒 𝑖𝜃 )𝑎
|∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧| ≤ lim ∫ 𝑖𝑟𝑑𝜃 → 0
𝛾𝑟 𝑟→0 2𝜋 (𝑟𝑒 𝑖𝜃 )2 + 2(𝑟𝑒 𝑖𝜃 ) cos(𝜋𝑏) + 1

𝑧 𝑎 (𝑧 + 𝑒 𝑏𝜋𝑖 ) 𝑧 𝑎 (𝑧 + 𝑒 −𝑏𝜋𝑖 ) sin(𝜋𝑎𝑏) 2𝜋𝑎𝑖


∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = 2𝜋𝑖 [ lim𝑏𝜋𝑖 𝑏𝜋𝑖 −𝑏𝜋𝑖
+ lim 𝑏𝜋𝑖 −𝑏𝜋𝑖
] = −2𝜋𝑖 𝑒
𝑧→−𝑒 (𝑧 + 𝑒 )(𝑧 + 𝑒 ) 𝑧→−𝑒 −𝑏𝜋𝑖 (𝑧 + 𝑒 )(𝑧 + 𝑒 ) sin(𝜋𝑏)

Portanto:

𝑧𝑎 sin(𝜋𝑎𝑏) 𝑒 2𝜋𝑎𝑖 sin(𝜋𝑎𝑏)
∫ 2
𝑑𝑧 = −2𝜋𝑖 ( ) =
𝑧 + 2𝑧𝑐𝑜𝑠(𝜋𝑏) + 1 sin(𝜋𝑏) 1 − 𝑒 2𝜋𝑎𝑖 sin(𝜋𝑎) sin(𝜋𝑏)
0

Como tratar funções trigonométricas inversas:

As funções trigonométricas inversas não podem ser utilizadas diretamente para


o cálculo dos resíduos, pois elas podem ser expressas como funções logarítmicas e,
portanto, são classificadas como ramificações.

arcsin(𝑧) = −𝑖 𝑙𝑜𝑔 (𝑖𝑧 + √1 − 𝑧 2 )


arccos(𝑧) = −𝑖 log (𝑧 + √𝑧 2 − 1)
𝑖 1 − 𝑖𝑧
arctan(𝑧) = log ( )
2 1 + 𝑖𝑧
Para endereçar este problema, comumente fazemos uma mudança de variável
para que as funções trigonométricas inversas sejam substituídas por uma outra que
permita a utilização do Teorema dos Resíduos (e.g. considere 𝑧 = sin(𝑥), então
arcsin(𝑧) → 𝑥).

Uma solução alternativa é utilizar a Regra de Leibniz (Diferenciação Sob o Sinal


da Integral) para obter uma outra função que não seja uma ramificação.

Exemplo 8:

arctan(√𝛽 2 + 𝑧 2 )
∫ 𝑑𝑥; 𝛽 > 𝛼 > 0
−∞
(𝛼 2 + 𝑧²)√𝛽 2 + 𝑧 2

Note que podemos reescrever a integral utilizando a Regra de Leibniz:


∞ ∞ 1
arctan(√𝛽 2 + 𝑧 2 ) 1 𝑑𝑝 𝑑𝑧
𝐼= ∫ 𝑑𝑥 = ∫ ∫ 2 2 −2 + 𝛽 2 + 𝑧 2 )
(𝛼 2 + 𝑧²)√𝛽 2 + 𝑧² 𝑝² (𝛼 +𝑧 )(𝑝
−∞ −∞ 0

Pelo Teorema de Fubini-Tonelli podemos inverter a ordem de integração,


obtendo assim uma função que pode ser calculada facilmente pelo Teorema dos
Resíduos.

Portanto:
𝑅

∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝑓(𝑧) + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧


−𝑅 𝛾𝑅


𝜋
𝑑𝑧 𝑖𝑅𝑒 𝑖𝜃 𝑑𝜃
2𝜋𝑖 (∑ 𝑙𝑖𝑚 (𝑧 − 𝑧0 )𝑓(𝑧)) = ∫ + lim ∫
𝑧→𝑧0 (𝛼2 + 𝑧2 )(𝑝−2 + 𝛽2 + 𝑧2 ) 𝑅→∞ 0 (𝑎2 + (𝑅𝑒 𝑖𝜃 )2 )(𝑝−2 + 𝛽2 + (𝑅𝑒 𝑖𝜃 )2 )
−∞


1 1 𝑑𝑧
𝜋{ 2
− }= ∫ +0
𝛼(𝑝−2 + 𝛽 − 𝛼2 ) (𝛽2 − 𝛼2 + 𝑝−2 )√𝑝−2 + 𝛽2 (𝛼2 + 𝑧2 )(𝑝−2 + 𝛽2 + 𝑧2 )
−∞

Sendo assim, só precisamos integrar em função de 𝑝:


1
1 1 1
𝐼 = 𝜋∫ 2 { −2 2 2
− } 𝑑𝑝
𝑝 𝛼(𝑝 + 𝛽 − 𝛼 ) (𝛽 − 𝛼 + 𝑝−2 )√𝑝−2 + 𝛽 2
2 2
0

𝜋 √𝛽 2 − 𝛼 2 √𝛽 2 − 𝛼 2 √1 + 𝛽 2
𝐼= [𝑡𝑎𝑛−1 (√𝛽 2 − 𝛼 2 ) + 𝑡𝑎𝑛−1 ( ) − 𝑡𝑎𝑛−1 ( )]
𝛼√𝛽 2 − 𝛼 2 𝛼 𝛼

Contornos Retangulares:

Contornos deste tipo normalmente são utilizados para o cálculo integrais


hiperbólicas, sendo que é necessário utilizar uma ideia um pouco diferente da
apresentada até então. Lembra que no início eu havia dito que era para escolhermos
caminhos que já contemplassem os limites de integração? Pois bem, nestes casos nós
iremos utilizar tanto uma função diferente da que desejamos computar a integral, como
foi no caso do logaritmo, bem como limites de integração diferentes. Contudo, após
alguns algebrismos, nós iremos a resposta para a integral desejada.

Exemplo 9:

𝑤
∫ 𝑑𝑤
2 𝜋²
−∞ (𝑤 +
4 ) sinh(𝑤)

Para calcular esta integral consideremos o seguinte:

1
𝑓(𝑧) =
𝑧 𝑐𝑜𝑠ℎ(𝑧)

Obs: as arestas do retângulo correspondem


πi πi πi πi
a: (R; 2 ) ; (R; − 2 ) ; (−R; 2 ) e (−R; − 2 )

πi πi
Sendo os outros pontos: (0; 0); (0; − ) ; (0; )
2 2

Portanto:
𝜋𝑖 𝜋𝑖 𝜋𝑖 𝜋𝑖
𝑅+ −𝑅− −𝑅+ 𝑅−
2 2 2 2

∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧


𝜋𝑖 𝜋𝑖 𝜋𝑖 𝜋𝑖 𝛾 πi 𝛾 πi
𝑅− −𝑅+ 𝑅+ −𝑅− ( ) (− 2 )
2 2 2 2 2

𝑧−𝑅
𝑤=
𝑖
𝜋𝑖 𝜋
𝑅+
2 2
𝑑𝑤
lim ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = lim 𝑖 ∫ →0
𝑅→∞ 𝑅→∞ (𝑤𝑖 + 𝑅)𝑐𝑜𝑠ℎ(𝑤𝑖 + 𝑅)
𝜋𝑖 𝜋
𝑅− −2
2

𝑧+𝑅
𝑤=
𝑖
𝜋𝑖 𝜋
−𝑅− −
2 2
𝑑𝑤
lim ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = lim 𝑖 ∫ →0
𝑅→∞ 𝑅→∞ (𝑤𝑖 − 𝑅)𝑐𝑜𝑠ℎ(𝑤𝑖 − 𝑅)
𝜋𝑖 𝜋
−𝑅+ 2
2

Agora, vamos calcular as integrais correspondentes às linhas roxas. Observe que


apesar de serem quatro, eu já as juntei em duas, uma vez que o raio das
semicircunferências tende a zero:
𝜋𝑖
𝑤=𝑧−
2
𝜋𝑖
−𝑅+
2 −𝑅 ∞
𝑑𝑤 1 𝑑𝑤
lim ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = lim ∫ =− ∫
𝑅→∞ 𝑅→∞ 𝜋𝑖 𝑖 𝜋𝑖
𝜋𝑖 𝑅 (𝑤 + 2 ) 𝑖𝑠𝑖𝑛ℎ(𝑤) −∞ (𝑤 + 2 ) 𝑠𝑖𝑛ℎ(𝑤)
𝑅+
2

𝜋𝑖
𝑤=𝑧+
2
𝜋𝑖
𝑅−
2 𝑅 ∞
1 𝑑𝑤 𝑑𝑤
lim ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = lim ∫ =− ∫
𝑅→∞ 𝑅→∞ 𝜋𝑖 𝑖 𝜋𝑖
𝜋𝑖 −𝑅 (𝑤 − 2 ) (−𝑖)𝑠𝑖𝑛ℎ(𝑤) −∞ (𝑤 − 2 ) 𝑠𝑖𝑛ℎ(𝑤)
−𝑅−
2

Portanto:
𝜋𝑖 𝜋𝑖
−𝑅+ 𝑅−
2 2 ∞
2 𝑑𝑤
lim ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 =− ∫
𝑅→∞ 𝑖 𝜋²
−∞ (𝑤 +
𝑅+
𝜋𝑖
2
−𝑅−
𝜋𝑖
2
4 ) 𝑠𝑖𝑛ℎ(𝑤)
( )
Calculando os resíduos:
𝜋𝑖 𝜋𝑖
𝑧−0 𝑧− 2 𝑧+ 2
∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = 2𝜋𝑖 lim + 𝜋𝑖 lim + 𝜋𝑖 lim = 2𝜋𝑖 − 4𝑖
𝑧→0 𝑧𝑐𝑜𝑠ℎ(𝑧)
𝑧→ 𝑧𝑐𝑜𝑠ℎ(𝑧) 𝑧→− 𝑧𝑐𝑜𝑠ℎ(𝑧)
𝜋𝑖 𝜋𝑖
2 2
Logo:
∞ ∞
2 𝑑𝑤 𝑑𝑤
− ∫ = 2𝜋𝑖 − 4𝑖 ∴ ∫ =𝜋−2
𝑖 𝜋2 𝜋2
−∞ (𝑤 + 4 ) sinh(𝑤) −∞ (𝑤 + 4 ) sinh(𝑤)

Obs: Note que as integrais ∫𝛾 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫𝛾


πi πi
𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 não foram computadas e que os
(2) (− 2 )

resíduos sinalizados em vermelhos forma divididos por 2. Isso ocorre, porque


ao contrário do Exemplo 3 as singularidades foram tratadas de tal forma que
elas estão dentro do contorno, por isso faz se necessário calculá-las, porém por
causa do sentido em que as integrais estão orientadas, elas terão o mesmo valor
que cada resíduo dividido por dois devido a parametrização do semicírculo. Em
resumo, em situações em que faz se necessário deformar o contorno já que as
singularidades estão sob a linha de integração de tal forma que ele englobe as
singularidades, podemos considerar apenas o setor (que neste caso era metade
da circunferência) de seu resíduo ao invés de calcular o resíduo completo e a
integral da curva (Desigualdade ML).

Sei que pode parecer mágica a escolha do caminho e a função auxiliares para
computar as integrais desejadas, mas com prática isto se torna intuitivo.
Valor Principal de Cauchy:

Este método permite encontrar valores para algumas integrais impróprias que
de outro modo não estariam definidas. Pode parecer apenas um “malabarismo
matemático” não formalizado e que não tem serventia alguma, porém, especialmente
para Análise Complexa é muito útil, pois algumas integrais reais acabam por ser
resolvidas com a ajuda deste método.

O Valor Principal de Cauchy pode ser representado como:

Para um número 𝑏 finito como:


𝑐 𝑏−𝜀 𝑐

𝑃𝑉 ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = lim+ [ ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧]


𝜀→0
𝑎 𝑎 𝑏+𝜀

Para um número 𝑎 tendendo ao infinito:


𝑎 −𝜀 𝑎

𝑃𝑉 lim ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = lim lim+ [ ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧]


𝑎→∞ 𝑎→∞ 𝜀→0
−𝑎 −𝑎 +𝜀

Exemplo 10:

sin(𝑎𝑧)
∫ 𝑑𝑧
e2πz − 1
0

Para calcular esta integral consideremos o seguinte:

𝑒 𝑖𝑎𝑧
𝑓(𝑧) =
e2πz − 1

Portanto:
𝑅 𝑅+𝑖 𝜀+𝑖 𝑖𝜀

∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 + ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧


𝜀 𝑅 𝑅+𝑖 𝑖−𝑖𝜀 𝛾(1) 𝛾(2)

𝑧−𝑅
𝑧→ :
𝑖
𝑅+𝑖 1
𝑒 𝑖𝑎(𝑧𝑖+𝑅)
lim ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = lim 𝑖 ∫ 𝑑𝑧 → 0
𝑅→∞ 𝑅→∞ e2π(𝑧𝑖+𝑅) − 1
𝑅 0
𝑧 → 𝑧 − 𝑖:
𝜀+𝑖 ∞
−𝑎
𝑒 𝑖𝑎𝑧
lim lim ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = 𝑃𝑉 (−𝑒 ∫ 2πz 𝑑𝑧)
𝑅→∞ 𝜀→0+ e −1
𝑅+𝑖 0

𝑧
𝑧→ :
𝑖

𝑖𝜀 0 1
𝑒 −𝑎𝑧 cos(πz) − isin(πz) −𝑎𝑧
lim+ ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = 𝑃𝑉 (𝑖 ∫ 2πiz 𝑑𝑧) = 𝑃𝑉 (− ∫ 𝑒 𝑑𝑧)
𝜀→0 e −1 2sin(πz)
𝑖−𝑖𝜀 1 0

𝑖𝜀 1
1 𝑖 (1 − 𝑒 −𝑎 )
lim+ ∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = 𝑃𝑉 (− ∫ cot(πz)𝑒 −𝑎𝑧 𝑑𝑧) +
𝜀→0 2 2 𝑎
𝑖−𝑖𝜀 0

Calculando as curvas:
3𝜋
2 𝑖𝑡 )
𝑒 𝑖𝑎(𝑖+𝜀𝑒 𝑖𝑒 −𝑎 𝑖𝑡
∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = lim+ ∫ 𝑖𝑡
𝑖 𝜀𝑒 𝑑𝑡 = −
𝜀→0 e2π(𝑖+𝜀𝑒 ) − 1 4
𝛾(1) 2𝜋

0 𝑖𝑡 )
𝑒 𝑖𝑎(0+𝜀𝑒 𝑖
∫ 𝑓(𝑧) 𝑑𝑧 = lim+ ∫ 𝑖𝑡
𝑖 𝜀𝑒 𝑖𝑡 𝑑𝑡 = −
𝜀→0 e2π(0+𝜀𝑒 ) −1 4
𝛾(2) 𝜋
2

Cbs: note que a parametrização depende do ponto em torno do qual estamos fazendo
a curva. Pode ser que isto tenha ficado óbvio para você leitor, mas enquanto eu estava
aprendendo o Teorema dos Resíduos isto não havia ficado claro e, portanto, eu acabava
tendo problemas na hora de resolver exercícios.

Como não há singularidades dentro do contorno ∮ 𝑓(𝑧)𝑑𝑧 = 0. Portanto, juntando


todos os resultados obtidos:
∞ 1
−𝑎 )
𝑒 𝑖𝑎𝑧 𝑖(1 + 𝑒 −𝑎 ) 1 𝑖 (1 − 𝑒 −𝑎 )
𝑃𝑉 [(1 − 𝑒 ∫ 2πz 𝑑𝑧] − + 𝑃𝑉 (− ∫ cot(πz) 𝑒 −𝑎𝑧 𝑑𝑧) + =0
e −1 4 2 2 𝑎
0 0

Separando a parte imaginária da parte real:



−𝑎 )
sin(πz) (1 + 𝑒 −𝑎 ) (1 − 𝑒 −𝑎 )
(1 − 𝑒 ∫ 2πz 𝑑𝑧 = −
e −1 4 2𝑎
0

∞ 𝑎
sin(πz) cot (2) 1
∫ 2πz 𝑑𝑧 = −
e −1 4 2𝑎
0
Cálculo de Séries Utilizando o Teorema dos Resíduos:

Sabemos que pelo Teorema dos Resíduos (Não, eu não vou demonstrar que tal
propriedade é válida, só vou lhe apresentar, se for de seu interesse procure a
demonstração: http://www.supermath.info/InfiniteSeriesandtheResidueTheorem.pdf).

∑ [𝑓(𝑛)|𝑛 𝑛ã𝑜 é 𝑠𝑖𝑛𝑔𝑢𝑙𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑓] = − ∑[𝑟𝑒𝑠í𝑑𝑢𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝜋 cot(𝜋𝑧) 𝑓(𝑧) 𝑛𝑎𝑠 𝑠𝑖𝑛𝑔𝑢𝑙𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑓 ]


𝑛=−∞

Como corolário da primeira fórmula, temos que:


∑ (−1)𝑛 𝑓(𝑛) = − ∑[𝑟𝑒𝑠í𝑑𝑢𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝜋 csc(𝜋𝑧) 𝑓(𝑧) 𝑛𝑎𝑠 𝑠𝑖𝑛𝑔𝑢𝑙𝑎𝑟𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑓 ]


𝑛=−∞

Exemplo 11:

1

𝑛2 + 𝑎²
𝑛=−∞

1 𝜋 cot(𝜋𝑧) 𝜋 cot(𝜋𝑧) 𝜋
∑ = − [ lim (𝑧 − 𝑎𝑖) 2 2
+ lim (𝑧 + 𝑎𝑖) 2 2
] = coth(𝜋𝑎)
𝑛2 + 𝑎² 𝑧→𝑎𝑖 𝑧 +𝑎 𝑧→−𝑎𝑖 𝑧 +𝑎 𝑎
𝑛=−∞

Exemplo 12:

(−1)𝑛
∑ ;𝑎 ∈ ℝ ∖ ℤ
(𝑛 + 𝑎)²
𝑛=−∞

(−1)𝑛 𝑑 𝜋 cot(𝜋𝑧) 𝜋 2 cos(𝜋𝑎)
∑ = − lim [(𝑧 + 𝑎)2 ]=
(𝑛 + 𝑎)² 𝑧→−𝑎 𝑑𝑧 (𝑧 + 𝑎)2 𝑠𝑖𝑛²(𝜋𝑎)
𝑛=−∞

Nota Final:

Eu não entrei em detalhes a respeito de outros tipos de contornos como sector


circular, contorno de Hankel, dog-bones, contorno triangulares, etc. No entanto,
acredito que com estes conceitos básicos você já consiga resolver diversos tipos de
integrais e se quiser se aprofundar no assunto conseguirá entendê-los por conta
própria quando for procurar mais informações.

Eu deixe de lado o assunto sobre Séries de Laurent, porque eu raramente as uso


e por isso não tenho tanta familiaridade assim para poder dissertar sobre.
Exercícios:
Básico:
2𝜋 ∞
𝑑𝜃 ln(𝑥)
∫ ∫ 𝑑𝑥
5 − 3sin(𝜃) 𝑥² + 4
0 0
2𝜋
𝑑𝜃 ∞
∫ 𝑑𝑥
3 − 2 cos(𝜃) ∫
0 (1 + 𝑥 2 )𝑛+1
2𝜋 −∞
𝑑𝜃
∫ Intermediário:
5 − 4𝑠𝑖𝑛(𝜃)
0
2𝜋 ∞
𝑑𝜃 cos(𝑎𝑥) − cos(𝑏𝑥)
∫ ∫ 𝑑𝑥
2 − cos(𝜃) 𝑥²
0 0

2𝜋
cos(2𝜃) cos(𝜋𝑧)
∫ 𝑑𝜃 ∫ 𝑑𝑧
5 + 4𝑐𝑜𝑠(𝜃) z²sin(𝜋𝑧)
0 0

𝑥² 2𝜋
∫ 4
𝑑𝑥 cos(𝑛𝜃)
𝑥 + 5𝑥 + 6 ∫ 𝑑𝜃
−∞ 1 + 2𝑝𝑐𝑜𝑠(𝜃) + 𝑝²
∞ 0
cos(3𝑥)
∫ 𝑑𝑥 ∞
𝑐𝑜𝑠(2𝑥)
(1 + 𝑥 2 )² ∫ 𝑑𝑥
−∞
∞ −∞ (𝑥 2 + 1)(𝑥 2 + 4)4
𝑥 2 cos(2𝑥) ∞
∫ 𝑑𝑥 arctan(𝛼𝑥) arctan(𝛽𝑥)
(1 + 𝑥 2 )² ∫ 𝑑𝑥
−∞
∞ 𝑥²
0
∫ cos(𝑥 2 ) 𝑑𝑥 2𝜋
0 ∫ cos(cos(𝑥) + 1) cosh(sin(𝑥)) 𝑑𝑥

0
∫ sin(𝑥 2 ) 𝑑𝑥

0 𝑑𝑥
∞ ∫ ; 𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒 𝑛 é 𝑜 𝑎𝑛𝑜 𝑎𝑡𝑢𝑎𝑙
1 − cos(x) 𝑥𝑛 +1
∫ 𝑑𝑥 0
𝑥²
0 ∞

arctan(𝑥)
𝑑𝑥 ∫ 𝑑𝑥
0 𝑥2 + 2𝑥𝑐𝑜𝑠(𝜃) + 1
∫ 3
𝑥 +1 ∞

0 𝑥2
∫ 𝑑𝑥
√𝑥 𝑥
−∞ (2 + 2
−𝑥 + 1)2
∫ 𝑑𝑥
𝑥3+1 1
0
√2 + 𝑢 𝑑𝑢
∫ 𝑙𝑜𝑔 ( )
∞ √2 − 𝑢 𝑢√1 − 𝑢²
𝑥 −𝑎 0
∫ 𝑑𝑥 ; 𝑎 > 0
1+𝑥
0
Desafios:

1) Considere a seguinte integral e considere o valor de 𝑛 como o ano atual.


2𝜋 2𝜋

∫ … ∫ √𝑤²1 + ⋯ + 𝑤²𝑛 𝑑𝜃1 … 𝑑𝜃𝑛 ; 𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒 𝑤𝑘 = 𝑘(1 + 𝑒 𝑖𝜃𝑘 )


0 0

2) (Questão de Vasile Mircea Popa) Encontre o valor desta integral, se necessário,


1
deixe em termos de funções conhecidas; e.g. 𝛤 ( ).
4

log(𝑥 + 1)
∫ 𝑑𝑥
𝑥4 − 𝑥2 + 1
0

3) Econtre o Valor Princiapl de Cauchy:


1
𝐿𝑜𝑔(𝑥 + 𝑎)
∫ 𝑑𝑥
−1
(𝑥 + 𝑏)√1 − 𝑥²

4) Encontre o valor de:


∞ 2
sin(𝜋𝑥)
∫( 2 ) 𝑑𝑥
(𝑥 − 1)(𝑥 2 − 9)(𝑥 2 − 25)
−∞

5) (Questão de Srinivasa Raghava) Prove que, se:


∞ [sin(𝑚𝑥) + cos(𝑥)]𝑥 ∞ [sin(𝑥)
+ cos(𝑚𝑥)]𝑥
∫ 𝑑𝑥 = 𝛷(𝑚) ∫ 𝑑𝑥
−∞ sinh(𝑚𝑥) −∞ sinh(𝑚𝑥)

Então

𝜕𝛷(𝑚) 𝑑𝑚 2 𝜋 4
lim [∫ (𝛷(𝑚) ) ] = cosh ( )
𝑘→∞ 1 𝜕𝑚 𝑚 3𝜋 2
𝑘

6) Resolva:
1
1 1+𝑥 2𝑥 2 + 2𝑥 + 1
∫ √ log ( 2 ) 𝑑𝑥
𝑥 1−𝑥 2𝑥 − 2𝑥 + 1
−1