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SEL 183

Proteção em Sistemas
Eletroenergéticos
Proteção em sistemas eletroenergéticos 1

SEL 183 – Proteção em Sistemas Eletroenergéticos

Prof. Denis Vinicius Coury

Filosofia de proteção dos sistemas elétricos

Princípios fundamentais dos principais tipos de relés


convencionais:
Relés de corrente, tensão e potência
Relés diferenciais, de freqüência, de tempo e
auxiliares
Relés de sobrecorrente
Relés direcionais
Relés de distância e com canal piloto

Transformadores de corrente e potencial

Redutores de medida e filtros

Relés Universais

Localizadores de faltas em linhas de transmissão

Novas tendências e artigos científicos


Proteção em sistemas eletroenergéticos 2

Bibliografia Recomendada

PHADKE, A. G.; THORP, J. S. – Computer relaying for

power systems, John Wiley & Sons Inc., ISBN 0 471


92063 0.

Power system protection – Digital protection and


signallig, Edited by Electricity Training Association –
IEE, Vol. 4, ISBN 085296 838 8.

JOHNS, A. T.; SALMAN S. K. – Digital protection for


power systems, Peter Peregrinus Ltd., ISBN 0 86341
195 9.

Protective relays – Application guide, GEC


Measurements.

PHADKE, A. G.; HOROWITZ, S. H. – Power system


relaying, Research Studies Press Ltd, ISBN 0 863 801
854.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 3

UNGRAD, H.; WINKLER, W.; WISZNIEWSKI, A. –


Protection techniques in electrical energy systems,
Marcel Dekker, Inc., ISBN 0 8247 9660 8.

Protective relaying theory and applications, W. A.


Elmore ABB Power T & D Company Inc., ISBN 0 8247
9152 5.

CAMINHA, A. C. – Introdução à proteção dos sistemas


elétricos, Editora Edgard Blücher Ltda., 1983.

CLARK, HARRISON K. – Proteção de sistemas


elétricos de potência, Universidade Federal de Santa
Maria, 1979.

GERS, J.M. ; HOLMES, E.J. – Protection of electricity


distribution networks, The Institution of Electrical
Engineers, London, UK, 1998.

Periódicos científicos que dizem respeito ao assunto.


Proteção em sistemas eletroenergéticos 4

Proteção em Sistemas Eletroenergéticos

Em oposição à garantia de economia e qualidade do


serviço, além de vida útil razoável das instalações, as
concessionárias enfrentam perturbações e anomalias de
funcionamento que afetam as redes elétricas e seus órgãos
de controle.

I Considerações gerais

SEP Proteção eficaz e confiável

Atributos cada vez mais exigidos crescimento,


complexidade e interligamentos dos SEP

1.1 Pode-se prevenir os defeitos

Manutenção preventiva e operação adequada

Previsão de isolamento adequado

Coordenação adequada de pára-raios

Proteção de elementos com cabos aterrados

Proteção contra a ação destruidora de animais,


terra, lixo, etc.
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1.2 Pode-se diminuir a ação do defeito:

Limitando as correntes c.c. (reatores)

Projetando elementos de circuito mais resistentes


capazes de suportar os efeitos mecânicos e
térmicos das correntes de defeito

Isolando com presteza o elemento defeituoso

Aumentando a estabilidade do sistema

Analisando o funcionamento adequado do sistema


– estatísticas do defeito.

II Função e importância da proteção

Relés de proteção provocar, sem demora, o


desligamento total do elemento defeituoso.

Estudo da proteção Ä considerações:


Elétricas – características do sistema de potência
Econômicas – custo do equipamento principal versus
custo relativo do sistema de proteção
Físicas – facilidades de manutenção, distância entre
os pontos de ação dos relés, etc.
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III Causas dos defeitos

Ar c.c. por aves, roedores, galhos de árvores, etc.

Rigidez dielétrica afetada por ionização provocada por


frio ou fogo.

Isoladores de porcelana curto-circuitados ou rachados

Isolação de trafos e geradores afetados pela umidade

Descargas atmosféricas

Surtos de chaveamento

IV Efeitos indesejáveis do c.c. (caso persista)

Redução da margem de estabilidade

Danos aos equipamentos vizinhos à falha

Explosões

Efeito cascata

V Quadro estatístico dos defeitos

Quadro I - Levantamento estatístico ocorrido na Central


Electricity Generating Board – Inglaterra
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Maior ocorrência de defeitos: Linhas de transmissão

Quadro II – Levantamento dos tipos de faltas sobre

linhas de transmissão fornecido pela Boneville Power


Association (BPA) e Swedish State Power Boord (1951
– 1975)

Quadro I – Ocorrências de faltas sobre os componentes


EQUIPAMENTO DEFEITO (%)
Linhas aéreas 31,3
Proteção 18,7
Transformadores 13,0
Cabos 12,0
Seccionadores 11,7
Geradores 8,0
Diversos 2,1
TC’s e TP’s 1,8
Equipamento de controle 1,4
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Quadro II – Incidência dos tipos de defeitos sobre linhas de


transmissão
Tipo dos BPA SSPB
defeitos 500KV 400 KV 200 KV
Fase - Terra 93% 70% 56%
Fase - Fase 4% 23% 27%
Fase – Fase - Terra 2%
Trifásico 1%
} 7% } 17%

VI Classificação dos relés

Tipo construtivo: eletrodinâmico, disco de indução,


elemento térmico, fotoelétrico, digital, etc.

Natureza do parâmetro ao qual o relé responde:


corrente, tensão, potência, freqüência, pressão,
temperatura, etc.

Grandezas físicas de atuação: elétricas, mecânicas,


térmicas, óticas, etc.

Método de conexão do elemento sensitivo: direto no


circuito primário, através de TP’s e TC’s.

Grau de importância: principal ou intermediário


Proteção em sistemas eletroenergéticos 10

Tipo de contatos: NA ou NF

Tempo de atuação: instantâneo ou temporizado

Tipo de fonte para atuação do elemento de controle:


CA ou CC

Aplicação: geradores, transformadores, linhas de


transmissão, etc.

VI Características funcionais da proteção por

relés

Sensibilidade: capacidade de a proteção responder às


anormalidades nas condições de operação e aos c.c.
para os quais foi projetada.

I
K = cc min
I pp

K – fator de sensibilidade
Ipp – valor mínimo da corrente de acionamento do relé
Valor usual: 1,5 a 2
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Seletividade:

isolar completamente o componente defeituoso;

desligar a menor porção do SEP e

reconhecer condições onde a imediata operação é

requerida daqueles onde nenhuma ou um retardo na


operação é exigido.

Velocidade de atuação: minimiza o vulto dos defeitos e


risco de instabilidade

Confiabilidade: é a probalidade de um componente, um


equipamento ou um sistema satisfazer uma função
prevista, sob dadas circunstâncias.
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VIII O relé elementar

Contato móvel fechará o circuito operativo quando:

Fe > Fm
Se I > Ia o circuito deve ser interrompido, onde Ia é

a corrente de atuação, de pick-up, de acionamento ou


operação do relé.

Pelos princípios de conversão eletromecânica temos:

Fe ≅ KI 2
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Fe força eletromagnética
K leva em consideração a taxa de variação da
permeância do entreferro, número de espiras e
ajusta as unidades convenientemente.

Força da mola:

Fm = Kx
Há, pois, no relé:
Elemento sensor
Elemento comparador
Elemento de controle

Ia
Id

Ii

t1 t2 t3 t4

t1 I começa a crescer
t2 I atinge o valor da corrente de acionamento Ia
t3 - t2 o disjuntor atua abrindo o circuito
t3 a corrente começa a decrescer
Proteção em sistemas eletroenergéticos 14

t4 Fe < Fm o relé abre o seu circuito


magnético

Relação de recomposição:

Id
Kd =
Ia

( Kd varia na prática entre 0,7 – 0,95)

Fr Força residual

Fr = ( Fe − Fm ) > 0
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Feo força eletromagnética de atuação: e + Fmo


Fmo esforço inicial da mola
e compensação de atrito do eixo, etc.

IX Qualidades requeridas de um relé

ser tão simples e robustos o quanto possível

ser tão rápidos o quanto possível

ter alta sensibilidade e poder de discriminação

realizar contatos firmes

manter a sua regulagem

ter baixo custo

A título de comparação são dados valores tirados de


uma proposta de fabricante, em valores relativos:

relé de sobrecorrente, instantâneo, monofásico 1,0 pu


relé de sobrecorrente, temporizado, trifásico 3,5 pu
relé de sobrecorrente, temporizado, direcional 6,5 pu
relé com fio piloto 12,0 pu
relé de distância, de alta velocidade 56,0 pu
relé digital, incluindo software 56,0 pu
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X Critérios de existência de falta

Defeito ou falta acidental afastamento das


condições normais de operação

Um curto-circuito traduz-se por:

altas correntes e quedas de tensão

variação da impedância aparente

aparecimento de seqüência negativa e seqüência


zero de tensão e/ou corrente

diferenças de fase e/ou amplitude entre a corrente


de entrada (Ie) e saída (Is) em um elemento

∴ se Id = (Ie – Is) possuir valor elevado há defeito

É baseado nessas condições


que, na prática, serão indicados os relés
aplicáveis a cada caso.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 17

XI Atributos dos sistemas de proteção

1 D12 D21 2 D23 3


P

T T
R R

O sistema pode ser subdividido em:


1- Disjuntores (D)
2- Transdutores (T)
3- Relés (R) e baterias

Processo

Decisão tomada pelos relés abertura dos disjuntores


desconexão da L. T. do restante do sistema e
eliminação da falta.

Todo o processo 30 a 100 ms.


Relé D23 também detecta a falha no ponto P, porém deve ser
seletivo de modo a não operar.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 18

XII Zonas de proteção

~
Zona 3
Zona 1 Zona 5
Zona 2 Zona 4 Zona 6

Cada zona contém um ou mais elementos do sistema


Zona 1 – proteção do gerador e transformador
Zona 2 – proteção do barramento de AT
Zona 3 – proteção da LT
Zona 4 – proteção do barramento de BT
Zona 5 – proteção do transformador
Zona 6 – proteção do barramento de distribuição

Cada disjuntor está incluído em duas zonas de proteção


vizinhas
Os disjuntores ajudam a definir os
contornos da zona de proteção.

Aspecto importante: as zonas vizinhas se sobrepõem.


Esta sobreposição garante que
nenhuma parte do sistema fique sem proteção.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 19

Problema: se ocorrer falha dentro da zona de


sobreposição maior porção será isolada.

∴ Região de sobreposição é feita a menor possível.

Exemplo:

a) Consideremos o sistema de potência mostrado na


figura abaixo com fontes geradoras além das barras
1, 3 e 4. Quais são as zonas de proteção nas quais
este sistema poderia ser dividido? Que disjuntores
operariam para falhas em P1 e em P2?
b) Se forem adicionados três disjuntores no ponto 2,
como seriam modificadas as zonas de proteção?

1 3
P1 P2
2
A C

B
4
Proteção em sistemas eletroenergéticos 20

XIII Proteção de retaguarda

Encarrega-se da proteção no caso da proteção primária


falhar.

1 5
F P G
2
A B

T R
D C
4

3 E H

Para uma falta em P, a proteção primária (principal)


deve abrir os disjuntores F e G.

Um método de proteção de retaguarda duplicar a


proteção primária completamente.

Outra opção:

Função de proteção de retaguarda remota

Se F não atuar transferir a responsabilidade a A, D e H


(elimina uma porção maior do sistema)
Proteção em sistemas eletroenergéticos 21

Outra condição:

O sistema de retaguarda deve dar ao sistema primário


tempo suficiente para atuar normalmente

Retardo de tempo de coordenação: necessário para


coordenar a operação dos sistemas
primário e de retaguarda

Outra opção:
Sistema local de proteção de retaguarda: B, C e E
(barra 1). Também chamado de sistema de
proteção de falha de disjuntor.

Problema: subsistemas comuns a ambos.

Deve então ser considerada alguma forma de


proteção de retaguarda remota para um bom
dimensionamento do sistema de proteção.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 22

XIV Relés de corrente, tensão e potência

14.1 Relés de indução eletromagnética

Usam o princípio de um motor de indução.

Operam em C. A.

Posição do contato móvel = temporizador

O entreferro é uma fração de polegada

Se a corrente na bobina de operação for senoidal:

Φ1 = φ1 sen wt
Proteção em sistemas eletroenergéticos 23

Φ 2 = φ 2 sen (wt + θ )

Φ = fluxo máximo produzido


θ = defasagem provocada pelo anel
w = freqüência angular da corrente aplicada
Devido à indutância desprezível no rotor:

, ,
iφ1 iφ2 em fase com eφ1 eφ2 (e = dφ/dt)

dφ1
iφ1 ≅ ≅ φ1w cos wt
dt
dφ 2
iφ 2 ≅ ≅ φ 2 w cos(wt + θ )
dt

Força líquida:

F = F2 − F1 ≅ φ 2iφ1 − φ1iφ 2
Proteção em sistemas eletroenergéticos 24

Substituindo:

F ∝ wφ1φ 2 [sen (wt + θ ) cos wt − sen wt cos(wt + θ )]

Simplificando:

F ∝ Kφ1φ 2 sen θ

A força sob o disco é constante (embora as


grandezas de entrada sejam senoidais) e
proporcional ao seno do ângulo entre os dois
fluxos.

Relé livre de vibrações


Proteção em sistemas eletroenergéticos 25

14.2 Relés de indução de duas grandezas de

entrada

Substitui-se o anel de defasagem por duas grandezas


atuantes.

1. As duas grandezas de atuação são correntes:

T = K1I1I 2 sen θ − K 2

2. As duas grandezas de atuação são tensões:

T = K1V1V2 sen θ − K 2

3. Uma é a tensão e a outra a corrente

T = K1I1V1 sen θ − K 2

Estrutura magnética simétrica: φ proporcional a I.

Defasagem entre os fluxos = defasagem entre as


grandezas atuantes.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 26

Consideremos (quadratura entre as grandezas):

Fmáx ⇒ sen θ = 1 ⇒ θ = 90 0
F = KI1I 2 sen θ

Para o relé atuar em conjugado máximo para qualquer θ:

Posição de I2 p/ Cmáx Filtro defasador


+C I1

-C I2 I1’
τ
θ

φ I1 I2

I1’

Ref.

T = KI1′ I 2 sen (θ + φ )

O processo mais simples de alterar o ângulo de máximo


torque inerente, num relé de duas grandezas, é inserir entre
qualquer das grandezas atuantes e sua bobina de operação
um filtro defasador.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 27

Tmáx → sen (θ + φ ) = 1
θ + φ = ±900
θ =± 900 − φ
1424 3
τ

φ - deslocamento de fase introduzido

τ - definidor do conjugado máximo (catálogo do fabricante)

Tmáx cos(θ - τ) = 1 Ä θ = τ
Tnulo cos(θ - τ) = 0 Ä θ = τ ± 900

Finalmente:

T = KI1′ I 2 cos(θ − τ )

Surge o conceito de direcionalidade


(C+ I2 variando desde 0o a 180o)

τ é denominado ângulo de conjugado máximo do

relé.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 28

14.3 Equação universal dos relés

T= K1I 2 + K 2V 2 + K 3VI cos(θ − τ ) + K 4


{ 123
K1I1I 2 cos(θ −τ ) K 2V1V2 cos(θ −τ )

K1, K2, K3 e K4 podem ser igualados a zero.

14.4 Relés de sobrecorrente (ajuste)

Relés não direcionais que respondem a amplitude de


suas correntes. Sendo Ipa corrente do enrolamento
secundário do TC previamente definida e Ifa corrente
de falta.

Descrição funcional:
Im(I)

T1 T2
 If 
 Ip 
Bloqueio Re(I)

 If > Ip → disparo
Disparo
 If < Ip → bloqueio
Proteção em sistemas eletroenergéticos 29

Há nomalmente dois tipos de ajuste:


a) ajuste de corrente – ajuste de tapes
Pelo posicionamento do entreferro, tensionamento
da mola de restrição, pesos, tapes de derivação da
bobina, etc.
b) ajuste de tempo – ajuste do dispositivo de tempo
DT por meio de dispositivos de temporização
diversos.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 30

Embora esses ajustes possam ser feitos de forma


independente, a interdependência é mostrada nas
curvas tempo-corrente, fornecidas no catálogo do
fabricante.

Ip - Este ajuste é feito através de tapes do


enrolamento de atuação.
If>Ip - Função potencial inversa da amplitude da
corrente.

Ajuste de tempo – característica no tempo pode ser


deslocada:
½ - produz a mais rápida atuação no tempo
10 - produz a mais lenta atuação no tempo

Proteção de Sobrecorrente

Correntes elevadas em SEP ⇒ causadas por faltas

Tipos mais comuns de proteção


o Chaves termomagnéticas
Arranjos mais simples
Baixa tensão
Proteção em sistemas eletroenergéticos 31

o Fusíveis
Proteção de LTs BT e transformadores distrib.
o Relés sobrecorrente
Dispositivo mais comum para se lidar com
correntes excessivas
Devem operar em situações de sobrecorrente
e sobrecarga

Tipos de relés de sobrecorrente


o a) Corrente definida
o b) Tempo definido
o c) Tempo inverso

a) b) c)
t t t

t1

I I I

Relés de corrente definida


o Opera instantaneamente quando corrente atinge
valor predeterminado
o Ajuste: na S/E mais distante da fonte o relé opera
com valor baixo de corrente e vice-versa
Proteção em sistemas eletroenergéticos 32

o O relé com ajuste mais baixo opera primeiro e


desconecta a carga no ponto mais próximo à falta
o Possui baixa seletividade em altos valores de
corrente c.c.
o Dificuldade em distinguir corrente de falta entre 2
pontos quando a impedância entre eles é pequena
se comparada à da fonte
o Não são usados como única proteção de
sobrecorrente, mas sim como unidade instantânea
onde outros tipos de proteção estão em uso

Relés de tempo definido


o Ajuste variado ⇒ trata com diferentes níveis de
corrente, usando diferentes tempos de operação
o Ajuste: disjuntor mais próximo à falta é acionado no
tempo mais curto
o Disjuntores restantes são acionados
sucessivamente, com atrasos maiores, em direção
à fonte
o Tempo de discriminação: diferença entre os
tempos de acionamento para a mesma corrente
Proteção em sistemas eletroenergéticos 33

o Desvantagem: faltas próximas à fonte (correntes


maiores) são isoladas em tempo relativamente
longo
o Ajuste de atraso de tempo é independente do valor
de sobrecorrente requerido para operação do relé
o Muito usados quando impedância da fonte é
grande se comparada àquela do elemento a ser
protegido (níveis de falta no relé são similares aos
níveis no elemento protegido)

Relés de tempo inverso


o Operam em tempo inversamente proporcional à
corrente de falta
o Vantagem: tempos de acionamento menores
podem ser obtidos mesmo com correntes altas,
sem risco de perda de seletividade
o Geralmente classificados conforme sua curva
característica (indica a velocidade de operação):
Inversa
Muito inversa
Extremamente inversa
Proteção em sistemas eletroenergéticos 34

Ajuste dos relés de sobrecorrente


o Possuem geralmente um elemento instantâneo e
um elemento de tempo na mesma unidade
o Ajuste envolve seleção de parâmetros que definem
a característica tempo-corrente requerida
o Ajuste das unidades instantâneas
Mais eficaz quando as impedâncias dos
elementos protegidos são maiores que a da
fonte
Vantagens
• Reduzem o tempo de operação para
faltas severas no sistema
• Evitam perda de seletividade quando há
relés com características diferentes
(ajusta-se a unid. instant. para operar
antes de cortar a curva característica)

I
Proteção em sistemas eletroenergéticos 35

• Critério de ajuste: depende do elemento


a ser protegido:

1) Linhas entre subestações:


- Considerar no mín. 125% da corrente simétrica para
nível de falta máx. na próxima S/E
2) Linhas de distribuição:
- Considerar 50% da corrente máx. de c.c. no ponto do
relé ou
- Considerar entre 6 e 10 vezes a máx. taxa do circuito
3) Transformadores:
- Unid. instant. no primário do trafo deve ser ajustada
entre 125 e 150% da corrente c.c. no barramento de BT,
referida ao lado AT
- Valor elevado a fim de evitar perda de coordenação
com as altas correntes inrush
Proteção em sistemas eletroenergéticos 36

Cobertura das unidades instantâneas protegendo


linhas entre subestações

ZAB

ZS A B
x
~
50

I pickup Z source
ki = e kS =
I end Z element
V
I pickup =
Z S + XZ AB
Onde:
V = tensão no ponto do relé
ZS = impedância da fonte
ZAB = impedância do elemento a ser protegido
X = percentagem da linha protegida

V Z S + Z AB Z S + Z AB − Z S k i
I end = k =
e i Z + XZ ⇒ X=
Z S + Z AB S AB Z AB k i
Proteção em sistemas eletroenergéticos 37

ZS k S (1 − k i ) + 1
Mas k S = ⇒ X= (*)
Z AB ki

Exemplo 1:
Se ki = 1,25 e kS = 1
Então X=0,6 ou seja, a proteção cobre 60% da linha.

Exemplo 2:
O efeito da redução da impedância da fonte ZS na cobertura
da proteção instantânea pode ser notada, usando-se um
valor de ki = 1,25 na equação (*):

Zs (Ω) ZAB (Ω) IA (A) IB (A) % coberta

10 10 100 50 60
2 10 500 83 76
Proteção em sistemas eletroenergéticos 38

Ajuste das unidades de tempo nos relés de


sobrecorrente
o Tempo de operação pode ser atrasado para
garantir que, na presença de uma falta, o relé não
atuará antes de outra proteção mais próxima à falta
o Diferença de tempo de operação para os mesmos
níveis de falta ⇒ margem de discriminação

Margem de
Discriminação B

o Ajuste dos parâmetros:


DIAL: representa o atraso de tempo que
ocorre antes do relé operar
• ↓ DIAL ↓ tempo de trip
Proteção em sistemas eletroenergéticos 39

TAP: define a corrente de pickup do relé


• Precisa permitir margem de sobrecarga
sobre a corrente nominal:
TAP ≥ (1,5 Inom) / RTC

valor pode variar dependendo da
aplicação (distribuição, relés de falta p/
terra, linhas AT, etc).

Os procedimentos podem ser definidos pela seguinte


expressão (alternativa ao uso das curvas em papel):

k .β
t= α
 I 
  − 1
 IS 

t = tempo de operação do relé (s)


k = DIAL ou ajuste multiplicador de tempo
I = corrente de falta (A)
Is = TAP ou corrente de pickup selecionada
α , β = determinam a inclinação da característica do relé
Proteção em sistemas eletroenergéticos 40

Para relés de sobrecorrente padrão:

Tipo de relé α β
Inverso 0,02 0,14
Muito inverso 1,00 13,50

Extremamente inverso 2,00 80,00

Dada a característica do relé ⇒ calcula-se a resposta no


tempo para dado DIAL k, TAP e outros valores da equação.

Coordenação com fusíveis


o Fusível opera ⇒ linha permanece aberta
o Necessário prevenir operação do fusível
o Dilema: seletividade X continuidade do sistema
Proteção em sistemas eletroenergéticos 41

14.5 Relés de tensão


Equação de conjugado da forma:

T = K1V 2 − K 2

Tem funcionamento similar aos relés de corrente.

O emprego típico é:
a) relé de máxima – efetua a abertura do disjuntor
quando a tensão no circuito (V) for maior que a tensão de
regulagem (Vr)
b) relé de mínima – caso contrário, por exemplo
quando V < 0,65 Vr
c) relé de partida ou aceleração – usado para curto-
circuitar degraus de resistência em dispositivos de partida,
para aceleração de motores.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 42

A armadura móvel pivoteia em torno do eixo de modo a


bascular a ampola de mercúrio, estabelecendo assim o
contato entre os terminais.

14.6 Relé de balanço de correntes

Tipo muito usual, tanto para fins de sobrecorrente, como


de unidade direcional.

Equação de conjugado, supondo I1 e I2 em fase:

T = K1I12 − K 2 I 22 − K 3
Proteção em sistemas eletroenergéticos 43

Relé no limiar da operação (T = 0):

K1 K3
I2 = − 2
I1
K 2 K 2 I1

Se desprezarmos o efeito da mola K3 :

K2
I1 = I2
K1
Voltando a equação do relé no limiar da operação (T =0)
e supondo I2 = 0:

K3
I1 =
K1
(limiar da operação)
Proteção em sistemas eletroenergéticos 44

I1

T+

T-
k3
k2
k1 tg −1
k1

I2

O efeito da mola é significativo somente nos baixos


níveis de corrente.

14.7 Relés estáticos e semi-estáticos

O desenvolvimento de transistores SCR com alto grau


de confiabilidade conduziu a construção de relés que
utilizam estes elementos.

Relés estáticos são extremamente rápidos e não


possuem partes móveis.

Vantagens básicas com relação a relés


eletromecânicos:
Alta velocidade de operação
Proteção em sistemas eletroenergéticos 45

Carga consideravelmente menor para


transformadores de instrumentos
Menor manutenção

Relés semi-estáticos

Ao invés da estrutura eletromecânica pode-se usar duas


estruturas retificadoras atuando sobre um sensível relé
de bobina móvel.

Ir

Relé
(Bobina)

Io Ir Io

Z
I U

Se chamarmos a corrente de operação de Io e a corrente


de restrição de Ir (proporcional a uma tensão aplicada
sobre um resistor Z), e k3 sendo uma constante
semelhante à ação de uma mola, virá:
Proteção em sistemas eletroenergéticos 46

2
C = k1 I 0 − k 2 I r2 − k 3

Escolhendo-se convenientemente o tape no


enrolamento intermediário do TC pode-se obter três
características diferentes:

Zc
Z G

θ R
• • •
K4K3 K3 2K3

U
a) Relé de impedância (Z), se K4=0 e K ≤ I
3

U
b) Relé de condutância (G), se K4=1 e K − I ≤ I
3

c) Relé de impedância combinada (Zc), se K4=K4 e

U
− K4I ≤ I
K3
Proteção em sistemas eletroenergéticos 47

O relé de condutância fornece excelente cobertura para


faltas com arco voltaico, no entanto, limita o emprego a
linhas com ângulo θ de até 60 graus.

Uma solução intermediária é a característica


denominada ohm deslocado ou impedância combinada
(Zc)

Como resultado as pontes fazem a comparação dos


dois membros da equação e, quando o conjugado
gerado por I for maior que o proporcionado pela
restrição (U/K3 – K4 I), uma corrente de desequilíbrio
percorrerá o relé de bobina móvel e o disjuntor do trecho
de linha correspondente será operado.

Relés estáticos

Relé de sobrecorrente estático


Consta basicamente de um certo número de módulos em
circuitos independentes denominados:
Módulo básico ou conversor de entrada:
o Faz a adaptação das correntes vindas dos TCs
do circuito principal
o Em geral, transforma as correntes em tensões
através de um resistor
Proteção em sistemas eletroenergéticos 48

Módulo de ajuste da corrente:


o Constituído por uma tensão de referência
o Enquanto a corrente for inferior ao nível ajustado
não há condução. Se a corrente aumenta
ultrapassando a tensão de referência, é iniciada
a condução
Módulo de ajuste de tempo:
o Consta, por ex., de resistores variáveis que
modificam o tempo de carga dos capacitores e
portanto a temporização desejada
Módulo de sinalização e comando:
o No qual diversos sinais de alarme e disparo do
disjuntor podem ser obtidos, após a passagem
por circuitos de amplificação convenientes
Módulo de alimentação

Relé de distância estático


Consistem em circuitos transistorizados que
desempenham funções lógicas e de temporização.
Um exemplo de função de temporização é mostrado na
figura:
Proteção em sistemas eletroenergéticos 49

ENTRADA 6 SAÍDA
9

6ms

9ms

Funcionamento:
Se uma entrada de 6ms ou mais se apresenta ao relé
ocorrerá uma saída. Além disso, mesmo depois de
removido o sinal de entrada, o sinal de saída permanece
durante 9ms.
Se o sinal de entrada tem duração inferior à 6ms,
nenhum sinal de saída ocorrerá.

Todos os tipos de característica (ohm, mho, reatância,


etc.) são obtidas medindo-se o ângulo de fase entre duas
tensões.
No interior do relé as correntes são transformadas em
tensões por meio de transactors (transformador com núcleo
de ar que produz uma tensão secundária proporcional à
corrente primária).
Proteção em sistemas eletroenergéticos 50

A impedância própria do transactor (ZT) estabelece o


alcance da característica.
A unidade mho executa as medidas considerando
primeiramente as tensões de entrada senoidais em baixo
nível, tal que as formas de onda se assemelhem a ondas
quadradas.
Suas partes positiva e negativa são separadas e aplicadas
a diferentes blocos de funções “E”.

14.8 Relés direcionais

Relé de duas grandezas: tensão e corrente

Capaz de distinguir entre o fluxo de corrente em uma


direção ou outra

Devido a natureza indutiva da bobina corrente Iv


atrasada em relação à tensão ( ângulo α).

Bobina de corrente Bobina de tensão


I Iv
I
τ V
θ

α V

IV
Proteção em sistemas eletroenergéticos 51

θ aumenta movendo I no sentido anti-horário


T aumenta Tmáx ⇒ τ= θ

θ diminui movendo I no sentido horário


T diminui Tmin ⇒ I coincide com Iv

A característica real de funcionamento de um relé de


duas grandezas:

Conj. positivo

90o τ
Conj. negativo I
θ
V
Imínimo α

IV T = KVI cos(θ − τ )

A linha divisória entre os conjugados negativo e positivo


está deslocada da origem indicando a mínima corrente
necessária para atuar o relé no ângulo de máximo torque.

14.8.1 Relés direcionais de potência

Respondem a certa direção do fluxo de corrente sob


condições aproximadamente equilibradas.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 52

τ = 0, Iv 90o em atraso com relação a V

I
Imínimo

V
Iv
C- C+ Bobina de corrente Bobina de tensão

P = VI cosθ

Se alterar τ para 0º:

Torque positivo ⇒ I a ± 90o em relação a V.

Torque negativo ⇒ I entre 90o e 270º.

Respondem ao fluxo de potência normal ⇒ conj. máx.


quando fp unitário percorre o circuito.

Têm usualmente características temporizadas para


impedir sua operação durante as momentâneas
reversões de energia.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 53

14.8.2 Relés direcionais para proteção contra C. C.

Curtos-circuitos envolvem correntes atrasadas com


relação ao fp unitário ⇒ relé deve desenvolver
conjugado máximo para tais condições

Algumas conexões mais usuais (com fp=1):

a Ia a Ia a Ia

Vac
Vbc + Vac

Vbc
c 90o b c 30o b c 60o b

Alimentação de relé direcional de curto-circuito: relação


de fase para fp = 1

Exemplo: conexão 90o, ângulo de atraso de 45º.


Proteção em sistemas eletroenergéticos 54

Ia b
Cmáx
c

Vbc Ia

C+
Vbc
C-

Obs.: Estes tipos de relés são geralmente usados para


suplementar outros tipos de relés (sobrecorrente,
distância) que irão decidir se se trata de um curto-
circuito de fato.
Não são temporizados nem ajustáveis, mas operam
sob baixos valores de corrente e têm boa sensibilidade.

XV Relés diferenciais, de freqüência,

de tempo e auxiliares

15.1 Relés diferenciais

Opera quando o vetor da diferença de duas ou mais


grandezas elétricas excede uma quantidade pré-
estabelecida.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 55

2 tipos: - diferenciais amperimétricos


- diferenciais à porcentagem (percentual)

15.1.1 Relé diferencial amperimétrico


Relé de sobrecorrente instantâneo conectado
diferencialmente, cuja zona de proteção é limitada pelos
TCs.
Erros sistemáticos neste tipo de proteção:
casamento imperfeito dos TCs;
componente contínua da corrente de c.c.;
erro próprio dos TCs;
corrente de magnetização de transformadores

If
Elemento
protegido
I1 I2

Bobina de
I1 – I2
operação
Proteção em sistemas eletroenergéticos 56

Elemento protegido:

trecho de circuito de transmissão

enrolamento de um gerador ou motor

seção de barramento

transformador:
- diferença de fase deve ser compensada
- corrente de magnetização inicial

Sentido das correntes:

Defeito interno Defeito externo

∗ No caso de transformadores conectados em ligações


Y-∆ poderá existir diferença de fase entre as correntes
primárias e secundárias. Tal fenômeno pode ser compensado
pela conexão inversa dos TCs ou pela utilização de TCs
auxiliares.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 57

15.1.2 Relé diferencial percentual

Versão modificada do relé de balanço de correntes

Elemento
protegido

I1 I2

Bobina de
I1 – I2 operação

Bobinas de retenção
ou restrição

I1
Elemento
protegido

I1 I2

I1 I1 – I2
Bobina de
Bobina de operação
retenção I2

N2 N1 K3

Corrente efetiva na bobina de retenção: (I1+I2)/2


Proteção em sistemas eletroenergéticos 58

Corrente na bobina de operação: (I1-I2)

Para uma falta externa: (ou sob corrente de carga


normal)
I1 = I2 Retenção: (I1 + I1)/2 = I1
Operação: I1 – I1 = 0
∴ plena retenção

Para uma falta interna: I2 torna-se negativo


Retenção: (I1 – I2)/2 a retenção será
enfraquecida
Operação: I1 + I2 operação fortalecida
∴ relé ativado

Se I2 = 0
Retenção: I1/2
Operação: I1
∴ o torque de operação será o dobro
do torque de retenção
Proteção em sistemas eletroenergéticos 59

Para o referido relé podemos escrever a equação


universal dos relés:
2
 I1 + I 2 
C = K1 ( I1 − I 2 ) − K 2 
2
 − k3
 2 

Fazendo-se K3 = 0, no limiar da operação (C = 0),

temos:

 I1 + I 2  K 2
I1 − I 2 =  
 2  K1
(equação de uma reta na forma y = ax)

Voltando a equação universal dos relés sem


desprezar a força da mola (C = 0):
2
 I1 + I 2 
k1 ( I1 − I 2 ) = k 2 
2
 + k3
 2 
2
k  I + I  k3
(I1 − I 2 ) = 
2 2 1 2
 +
k1  2  k1
Proteção em sistemas eletroenergéticos 60

Se

 I1 + I2  k3
  → 0 ⇒ I1 − I2 =
 2  k1
mostrando o efeito da mola apenas para baixas correntes.

I1 – I2
+C
OPERA
-C

NÃO OPERA

k2
tg −1
k3 k1
k1 α

(I1 + I2)/2

Ajustes:

 k3 
a) valor inicial:  k 
 1
Compensa o efeito da mola, atritos, etc.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 61

 tg −1 k 2 
b) declividade:  k 
 1
Na prática, é da ordem de 5-20% para geradores e de
10-40% para transformadores

Qual o relé mais sensível:


Amperimétrico ou percentualV

Exemplo:

40 A 50 A

10 A
I1 I2

F
Elemento
protegido
1000/5 1000/5
If
(TC com erro)

Corrente de falta: 10000 A

TC introduz um erro de 20%


Proteção em sistemas eletroenergéticos 62

Relé amperimétrico: para evitar a operação para uma


falta externa sensibilidade mínima ≥ 10 A.

Relé percentual: Operação: 10 A


Retenção: (40+50)/2= 45 A.

Considerando a curva característica do relé


(declividade de 25%):

I1 – I2
Ponto para uma falta
(operação) 10 +C externa de 10000 A,
20% de erro em um dos TC’s
8
-C
6
25%
4

10 20 30 40 (I1 + I2)/2
Proteção em sistemas eletroenergéticos 63

15.2 Relés de freqüência

Quedas de freqüência não podem ser toleradas


Rejeição de carga feita em degraus sucessivos,
permitindo a recuperação da frequência nominal do
sistema

Para uma freqüência menor que a nominal, a corrente


ISF é preponderante em relação à ICF , defasando IEF de
um ângulo menor que 90 graus em relação à ISF e vice-
versa.

R
IS IC
circuito oscilante
paralelo
f quadro móvel
C
F

indutor fixo IE = IS+IC

indutor variável

Indutor variável permite ajustar convenientemente o


circuito oscilante, tal que o quadro móvel tenha conjugado
nulo quando IS e IE são defasadas de 90 graus.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 64

f xL xc IL IC
V f xL xc IL IC

IEf
ISf
IEN
ISN
IEF
ISF

ICF ICN ICf

C = I S I E cos( I S , I E )

Conjugado na freqüência de regulagem N (60 Hz):

C = I SN I EN cos 90°
F < N ⇒ a bobina se deslocará num dado sentido
(ângulo menor que 90o)

F > N ⇒ a bobina se deslocará no sentido contrário


(ângulo maior que 90o)

15.3 Relés de tempo, auxiliares ou intermediários

Relés de tempo
Função: definir a ação de outros relés
Valor de retardo regulável
Proteção em sistemas eletroenergéticos 65

Disponíveis em corrente alternada ou contínua


Ampla temporização:
Até 20s em relés de corrente contínua
De 25 a 90s para mecanismos tipo relojoaria
> 90s para motores com engrenagens
Relé de tempo com circuito RC

+
Contato de comando

Bobina do
Mola
R relé
Contatos
do relé
C

Fechamento do contato de comando: alimenta o


relé e carrega o capacitor
Abertura do contato de comando: capacitor
descarrega sobre a bobina do relé, retardando o
retorno à posição de repouso
Resistência R: regula a temporização e evita
descarga oscilante do capacitor
Proteção em sistemas eletroenergéticos 66

Relés auxiliares ou intermediários


Repetidores: destinados principalmente à
multiplicação do nº de contatos do relé principal
Contatores: para manobrar um ou mais contatos de
grande poder de corte ou fechamento
São essencialmente instantâneos, robustos, do tipo
corrente ou tensão, com contatos normalmente
abertos e/ou fechados

XVI Relés de distância

16.1 Introdução

Estes relés geralmente usam estruturas de alta


velocidade e temporizadores.

Recebe este nome porque mede a distância


(impedância) entre o local do relé e o ponto de falta.

Torque positivo ⇒ níveis de impedância abaixo


de um valor específico.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 67

Na prática de aplicação desses relés, alguns erros de


medida, quedas de tensão outras que a dos condutores,
além da impedância Z considerada, podem provocar a
imperfeita correspondência do que foi exposto.

16.2 Causas pertubadoras na medição

Ruído presente nas ondas.

Insuficiência ou inexistência de transposição dos


condutores na L. T. (5 a 10% de erro esperado).

Variação da impedância ao longo das linhas em paralelo


(não homogeneidade do solo).

Erros nos redutores de medida de corrente e tensão em


conseqüência da saturação dos núcleos sob os grandes
valores das correntes de defeito (erro de 3% ou
superior).

Erros originados pelas variações de temperatura


ambiente.

A própria construção do relé.

Algumas compensações são propostas


para que possa atuar de forma confiável.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 68

16.3 Diagrama R-X

Será usado para mostrar as características de


funcionamento dos relés de distância.

A P B
Q F
~
ZF

R
Zl

Diagrama R–X (segundo a figura anterior):

Zl

P P
Q ZF Q
R

Para curto-circuito:
VF e IF – medidas do relé
θF – ângulo entre V e I
VF
P P = Z F θ F = RF + jX F
Q Q IF
Proteção em sistemas eletroenergéticos 69

A impedância de carga pode cair em qualquer dos


4 quadrantes (depende de P e Q).

Relés a distância: podem distinguir entre um


local de falta e outro (independente do módulo
da corrente).

O diagrama R-X pode ser construído com ohms


primários ou secundários (sem ou com uso de TP’s
e TC’s).

16.4 Relé de impedância ou ohm

Por definição, é um relé de sobrecorrente com restrição


por tensão:

K3 V I
Proteção em sistemas eletroenergéticos 70

Equação de conjugado:

C = k1I 2 − k 2V 2 − k3
Para passar de uma região de conjugado negativo (não-
operação) para uma região de conjugado positivo do relé
(operação) passa-se obrigatoriamente por C=0 (chamado
limiar de operação).

Para C = 0 vem:

k 2V 2 = k1I 2 − k3

( )
2
V k1 k3
÷ k2 I ⇒ 2 =
2

I k2 k2 I 2
V k1 k3
=Z = − (*)
I k2 k2 I 2
Desprezando o efeito da mola (k3 = 0), vem:

k1
Z= = constante
k2
Equação do círculo com centro na origem,
representado em um plano Z = R+jX.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 71

Se k3=0, a equação (*) torna-se

V k
=Z = 1
I k2
que é da forma

V 1 k2
I = = V =V ou também y = ax
Z Z k1
representando uma linha reta no plano I-V

−1 k2
tg
k3 k1
k1 V

A característica no plano R-X (desprezando K3):


Proteção em sistemas eletroenergéticos 72

Z
θ
R
Região de
operação

Limiar da
operação

- O relé é ajustado para um curto valor de Z


(pode ser alterado mudando-se K1 e K2);
- Opera sempre que enxergar um valor
menor ou igual ao ajustado;
- O relé é então insensível ao ângulo θ entre
V e I ⇒ não é inerentemente direcional.

Porém, as características do relé de impedância e


direcional podem ser combinadas para se obter um
relé direcional:
Proteção em sistemas eletroenergéticos 73

X Máx.
X torque

não dispara
dispara
+ figura = R
R anterior
não dispara
C+
Unidade
C- Unidade de direcional
impedância

T = K1VI cos(θ − τ ) − k 2

Os contatos da unidade direcional estarão em série


com os contatos de disparo do relé de impedância
ou impedirão a atuação deste por algum meio, tal
como abrir o circuito da bobina de tensão do relé
de impedância.

Ainda complementando um relé de impedância


para funcionar como relé de retaguarda:
Proteção em sistemas eletroenergéticos 74

X
+ torque

t3 t
t2
- torque t1
τ t3
t2
-R Z1 Z2 Z3 R
t1

l1 l2 linha
Unidade
direcional
-X

Admitamos
Z1 = 80% do comprimento; T1 = 0
Z2 = 120% do comprimento; T2 = 0,5s
Z3 = 200% do comprimento; T3 = 1,0s
Se a falta ocorre em:
Z1 as três zonas sentem –> tempo de abertura t1
Z2 Z2 e Z3 sentem –> tempo de abertura t2 (<t3)
Z3 Z3 sente –> tempo de abertura t3

16.5 Relé de reatância

É por definição, um relé de sobrecorrente com restrição


direcional.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 75

C = k1I 2 − k 2VI cos(θ − τ ) − k3


Considerando τ = 90o, temos:
C = k1I 2 − k 2VI sen θ − k3
Na eminência de operação (C = 0), e desprezando o
efeito da mola (k3 = 0):

2
k1I = k 2VI sen θ 2 (÷ k I ) 2

k1 V
= sen θ = Z sen θ = X ou
k2 I
k1
X= = cte.
k2

No plano R-X representa uma reta paralela ao eixo R.


Proteção em sistemas eletroenergéticos 76

Não atua
k1/k2 R arco -C

Atua Z +C
Z
τ
θ

Tem restrições por ser de característica aberta.

Independência quanto ao valor de resistência de arco.

X < k1/k2 torque positivo


X > k1/k2 torque negativo

Pode distinguir distância baseando-se apenas na


componente reativa da impedância.

Vantagem: o relé é insensível à variação de resistência


no circuito. Atuaria para um defeito mesmo que a
resistência do arco fosse grande.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 77

Desvantagem: Não é direcional. Atua para qualquer


carga com reatância menor que o ajustado. Por isso
este relé é acoplado a um relé de admitância.

Relé de impedância angular


Não é geralmente usado como relé de distância, mas
constitui parte importante de muitos esquemas que
utilizam relés de distância, como os relés de disparo por
falta de sincronismo e diversos outros.

C = k1I 2 − k 2VI cos(θ − τ ) − k3


Similar ao relé de reatância, mas com τ ≠ 90º na

condição de máximo torque.

X X
C+

τ R
C-
R
C- τ
C+

τ = + 45º τ = - 45º

Para τ = 0º⇒ relé de resistência (reta paralela ao eixo X)


Proteção em sistemas eletroenergéticos 78

16.6 Relé MHO ou de admitância

É basicamente um relé direcional com retenção por


tensão, cuja equação de conjugado é:

C = k1VI cos(θ − τ ) − k 2V 2 − k3
C = 0:

k 2V 2 = k1VI cos(θ − τ ) − k3
( ÷ K2VI)
V k1 k3 1
= Z = cos(θ − τ ) −
I k2 k 2 VI
k3 = 0

V k1
= Z = cos(θ − τ )
I k2
k1
Z = cos(θ − τ )
k2

A equação representa um círculo passando pela origem,

com diâmetro k1/k2 e inclinação de . τ


Proteção em sistemas eletroenergéticos 79

τ → condição de fabricação do relé.

Z k1/k2 não dispara

Z
dispara
τ

C+ Z cai dentro
C- Z cai fora

Tamanho do círculo é aproximadamente independente


do valor da tensão e corrente aplicados ao relé.

O relé desenvolve torque positivo (desligamento)


quando Z cai dentro da característica e torque negativo
V
quando Z fica fora da mesma, onde Z = ∠0 o
I

Instalando dois ou três relés mho, podemos garantir


proteção instantânea para a seção de linha adjacente
bem como proteção de retaguarda retardada para as
linhas adjacentes.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 80

Vantagens com relação ao relé de impedância:


Direcionalidade inerente
Melhor acomodação de uma possível resistência de
arco do que no relé de impedância. Constata-se que
para proteger um mesmo trecho de linha sob dada
resistência de arco, o relé abrange menor área no
plano R-X. Isto é vantajoso quanto à menor
sensibilidade às possíveis oscilações do sistema.

Relé mho de três zonas:

Z3

Z2
Z1

R
Proteção em sistemas eletroenergéticos 81

A zona Z1 é instantânea.

Z2 e Z3 são temporizados.

16.7 Relé de impedância modificado

Característica deslocada no plano R-X através de


artifício de polarização.

Conjugado:

C = k1I 2 − k 2 (V − CI )2 − k3

Artifício de compoundagem: faz com que o relé de


impedância tenha sua característica deslocada no plano
R-X, de modo a oferecer resultados semelhantes aos do
relé mho no que diz respeito à acomodação de certa
resistência de arco voltaico. Isso é feito polarizando-se a
bobina de tensão com uma componente CI proporcional
à corrente aplicada no relé.

Para C = 0 e k3 = 0, desenvolve-se a expressão


vetorial:
2 2
k1 I − k 2 V − CI = 0
Proteção em sistemas eletroenergéticos 82

[
k1 I 2 − k 2 V 2 − 2CVI cosθ + C 2 I 2 = 0 ]
(÷ I 2 )
V 2 2CVI C 2I 2 
k1 − k 2  2 − 2 cosθ + 2  = 0
I I I 
[
k1 − k2 Z 2 − 2CZ cosθ + C 2 = 0 ]
E como Z 2 = R 2 + X 2 e Z cosθ = R
[
k1 − k 2 R 2 + X 2 − 2CR + C 2 = 0 ]
[
k1 − k 2 ( R − C ) 2 + X 2 = 0 ]
2
 k1 
(R − C ) 2 2
+ X =  
 k2 

Equação de um círculo com centro

k1
deslocado C da origem e com raio igual a .
k2
Proteção em sistemas eletroenergéticos 83

X X’

Rav

Z Z’

A tensão CI é gerada forçando uma corrente I por


uma impedância C e somando este valor a V,
ligando CI em série.

O ângulo de fase e a magnitude de C determinam


a direção e a magnitude, respectivamente, do
movimento do centro do círculo.

Outros artifícios mostram que podemos colocar


a característica em qualquer ponto R-X.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 84

Transformadores de Corrente - TCs

Conectam relés e/ou aparelhos de medidas ao


sistema de potência

Basicamente constituídos de um núcleo de ferro,


enrolamento primário (geralmente o próprio condutor
primário do sistema) e enrolamento secundário

Primário

Secundário

Adaptam a grandeza a ser medida às faixas de


utilização da aparelhagem correspondente

Problema: saturação resultante das componentes DC


e AC da corrente de defeito → requerem maior cuidado
que os TPs
Proteção em sistemas eletroenergéticos 85

Caracterização de um TC (ABNT)
Corrente e relação nominais
Classe de tensão de isolamento nominal
Freqüência nominal
Classe de exatidão nominal
Carga nominal
Fator de sobrecorrente nominal
Limites de corrente de curta duração para efeitos
térmico e dinâmico

Corrente e relação nominais


Corrente nominal secundária = 5A (norma)
Correntes nominais primárias = 5, 10, 15, 20, 25,
30, 40, 50, 60, 75, 100, 125, 150, 200, 250, 300,
400, 500, 600, 800, 1000, 1200, 1500, 2000, 3000,
4000, 5000, 6000 e 8000 A

Classe de tensão de isolamento nominal


Definida pela tensão do circuito ao qual o TC será
conectado (tensão máxima de serviço)

Freqüência nominal
50 e/ou 60 Hz
Proteção em sistemas eletroenergéticos 86

Classe de exatidão
Erro máximo de transformação esperado,
respeitando-se a carga permitida
TCs de proteção devem retratar com fidelidade as
correntes de defeito sem sofrer os efeitos da
saturação
Erro de ângulo de fase: geralmente desprezado

Circuito equivalente:

I1
Z’1 = K2.Z1 Z2

I’1 = I1/K I’O I2

Z’m E2 Vt ZC

Onde:
I1 = valor eficaz da corrente primária (A);
I’1 = corrente primária referida ao secundário;
K = N2/N1 = relação de espiras secundárias para
primárias;
Z1 = impedância do enrolamento primário;
Z’1 = idem, referida ao secundário;
Proteção em sistemas eletroenergéticos 87

I’0 = I0/K = corrente de excitação referida ao


secundário;
Z’m = impedância de magnetização referida ao
secundário;
E2 = tensão de excitação secundária (V);
Z2 = impedância do enrolamento secundário (Ω);
I2 = corrente secundária (A);
Vt = tensão nos terminais do secundário (V);
Zc = impedância da carga (Ω).

Curva de magnetização
Obtida experimentalmente pelo fabricante
Relaciona E2 e I’O
Permite determinar a tensão secundária a
partir da qual o TC começa a saturar (PJ)

ES 10% EPJ
EPJ
Tensão de excitação

50% IPJ
secundária

I’O
IPJ Corrente de
excitação secundária
Proteção em sistemas eletroenergéticos 88

Ponto de Joelho (PJ) é definido como aquele


em que, para se ter aumento de 10% em E2,
precisa-se aumentar 50% em I’O .
Classificação - ABNT
Baseada na máxima tensão eficaz que pode
manter em seus terminais secundários sem
exceder o erro I’O/I2 especificado de 10 ou
2,5%.
Ex.: Seja um TC: B 2,5 F10 C100
- Baixa impedância secundária
- Erro máx. de 2,5%
- Fator de sobrecorrente 10 In
- Capaz de alimentar a carga de
100VA
Portanto deve-se especificar a tensão
secundária máxima (E2 = ES) a partir da qual o
TC passa a sofrer os efeitos da saturação,
deixando de apresentar a precisão da sua
classe de exatidão.

Carga nominal
Zt = R + jX , Zt = ZC + Z2 + ZL
Catálogo → Z2 e ZC
Deve-se adicionar a impedância dos cabos ZL
Proteção em sistemas eletroenergéticos 89

Fator de sobrecorrente nominal


Expressa a relação entre a máxima corrente com a
qual o TC mantém sua classe de exatidão e a
corrente nominal
ABNT: 5, 10, 15 ou 20 In

Limite de corrente de curta duração para efeito


térmico
Valor eficaz da corrente primária que o TC pode
suportar por tempo determinado, com o
enrolamento secundário curto-circuitado, sem
exceder os limites de temperatura especificados
para sua classe de isolamento.
Geralmente é maior ou igual à corrente de
interrupção máxima do disjuntor associado.

Limite de corrente de curta duração para efeito


mecânico
Maior valor eficaz de corrente primária que o TC
deve suportar durante determinado tempo, com o
enrolamento secundário curto-circuitado, sem se
danificar mecanicamente, devido às forças
eletromagnéticas resultantes.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 90

Seleção de TCs pela curva de magnetização


Curva ES X I’O fornecida pelo fabricante
Método: construir curva mostrando a relação entre
as correntes primária e secundária para um tap e
condições de carga especificada.

Procedimento:
a) Assumir um valor qualquer para IL (ou I2)
b) Calcular VS de acordo com a equação
VS = IL (ZC+Z2+ZL)
c) Localizar o valor de VS na curva para o tap
selecionado e encontrar o valor correspondente
da corrente de magnetização Ie ou I’O
d) Calcular IH = I1 = (IL + Ie)n referida ao lado
primário
e) Obtido um ponto da curva IL X IH , repetir o
processo para obter outros valores de IL e IH
f) Depois de construída, a curva deverá ser
checada para confirmar se a máxima corrente
primária de falta está fora da região de
saturação do TC. Se não, repete-se o processo
mudando o tap do TC até que a corrente de falta
esteja contida na zona linear da característica.
Proteção em sistemas eletroenergéticos 91

Precauções quando trabalhando com TCs


Secundário aberto → sobretensões elevadas
o Alta tensão desenvolvida pela corrente primária
através da impedância de magnetização
Circuitos secundários devem sempre ser fechados
ou curto-circuitados

Transformadores de Potencial – TPs

Enrolamento primário conectado em derivação com o


circuito elétrico

Enrolamento secundário destinado a reproduzir a


tensão primária em níveis adequados ao uso em
instrumentos de medição, controle ou proteção

Posição fasorial substancialmente preservada

Caracterização de um TP
Tensão primária nominal e relação nominal
o ABNT: classes de isolamento de 0,6 a 440kV
o Tensões primárias nominais de 115V a 460kV
o Tensões secundárias de 115 ou 120V
o Seleciona-se a relação normalizada para uma
tensão primária igual ou superior a de serviço
Proteção em sistemas eletroenergéticos 92

Classe de tensão de isolamento nominal


o Depende da máxima tensão de linha do circuito
Freqüência nominal
o 50 ou 60Hz
Carga nominal
o Potência aparente (VA) indicada na placa e com
a qual o TC não ultrapassa os limites de
precisão de sua classe
o ABNT: cargas de 12.5, 25, 50, 100, 200 e 400VA
Potência térmica nominal
o Máxima potência que o TC pode fornecer em
regime permanente, sob tensão e freqüência
nominais, sem exceder os limites de elevação de
temperatura especificados
o Não deve ser inferior a 1,33 vezes a carga mais
alta do TC

TPs capacitivos
Tamanho do TC → proporcional à tensão nominal
TC capacitivo → solução econômica
Menor precisão que o TC de núcleo de ferro
Divisor de tensão capacitivo
Impedância XL variável
o Minimiza a queda de tensão do circuito auxiliar
Proteção em sistemas eletroenergéticos 93

o Faz com que a tensão na carga esteja em fase


com a tensão do sistema

C1 XL

VP T
C2 VC2 VS VB ZB
GE Power Management

The Universal Relay


The Engine for Substation Automation

Marzio P. Pozzuoli

Entire contents copyright © 1998 by


General Electric Power Management.
All rights reserved.
The Universal Relay - The Engine for Substation Automation
Marzio P. Pozzuoli Open Communications Protocols
GE Power Management In today’s open systems the ability to share data seam-
Markham, Ontario, Canada lessly through company-wide networks is the key to increas-
ing efficiency and reducing costs as well as enhancing

U
tilities and manufacturers have been speculating open connectivity between a company’s related functional
on the feasibility of a Universal Relay™ for a num- areas. This is especially true in the utility industry, where
ber of years. The ultimate goal for a Universal organizations have been grappling with a range of propri-
Relay, from both a technology and economic standpoint, is etary hardware and software products that can be neither
a unified, modular substation solution that can be net- integrated nor upgraded at a reasonable cost and/or
worked and seamlessly integrated with existing hardware effort. Special communications interfaces or gateways must
and/or software regardless of the vendor or communica- be used to connect any new equipment to an existing data
tions network. network if a utility wants to expand beyond its proprietary
A key driving force behind the need for the Universal equipment.
Relay is implementation cost. By having a platform that is The effort to achieve a common protocol that provides
open enough to keep pace with today’s technology and high-speed peer-to-peer communications as well as device
maintains the modularity and flexibility to allow for future interoperability for substation automation is being driven
upgrades, utilities can not only preserve their intitial tech- in North America by a select group of international utili-
nology investment, they can substantially reduce long-term ties as well as the manufacturers. This is being done
implementation costs in the substation environment. No through EPRI (Electric Power Research Institute) in con-
more stranded relay investments. junction with the relevant standards-related groups in the
Although listing the attributes of a Universal Relay in IEEE and IEC committees.
theoretical terms is a relatively easy task, for developers the With the progress being made by EPRI in establishing
challenge has been in defining the necessary logistical open-systems communication protocols, hardware and soft-
requirements for the ideal Universal Relay. What building ware from different vendors can be linked and progressive-
blocks are needed to make it as open as possible given ly integrated over time, thereby providing a means to cost-
today’s advancements in technology? How do you design a effectively upgrade as needs and technology develops.
relay with the flexibility to cover every foreseeable protec- The proposed solution for the substation is implement-
tion application - today and in the future? ed based on existing standards. These standards include
As daunting a proposal as this may seem, one need the Manufacturing Message Specification (MMS) and
only look at the evolution of PC technology to see how this Ethernet as the data link and the physical layer. The intent
can be achieved. In just a few short years, the PC has is that the substation communication will be UCA (Utility
become the general purpose or ‘universal’ tool and indis- Communications Architecture)-compliant in order to elim-
pensable engine of the information age. inate gateways, and allow maximum interconnectivity
It is worthwhile to note the key concepts which have among devices at minimum cost.
made the PC a general purpose tool - i.e. a common hard- The development and increasing application of the
ware and software platform, a scalable, modular and proposed solution has the potential for saving millions of
upgradable architecture, and a common human-machine- dollars in development costs for utilities and manufactur-
interface (HMI) - are also the key requirements for a uni- ers by eliminating the need for protocol converters (both
versal relay. hardware and software) when integrating devices from dif-
However, until recently, an essential element that has ferent manufacturers. Also because of the high-speed peer-
been missing from the Universal Relay equation is the to-peer communications LAN (local area network) a great
development of a communication standard within the utili- deal of inter-device control wiring can be eliminated by
ty industry. PC technology overcame that hurdle a number performing inter-device control signaling over the LAN.
of years ago to the point where PCs are so open, they can
function in virtually any environment, communicate with UCA Version 2
any other device on a network, and run almost any soft-
ware application without the need for customized inter- EPRI’s UCA™ Version 1 protocol was introduced in
faces or configurations. 1991 and represented the first comprehensive suite of
The utility industry has now followed suit with the open communication protocols to meet the specific needs
development of an international standard that is bringing of the electric utility industry. In 1997, the new UCA
the Universal Relay to the forefront as the utility’s general Version 2 standard substantially expands the versatility of
purpose tool and indispensable engine of the substation UCA by including internet compatibility and specifying a
environment. common interface standard for electric, gas and water utili-
ty systems.
*Universal Relay is a trademark of GE Power Management UCA2, in being able to provide an interface to differ-
ent vendors’ products, ensures that equipment from multi-
ple sources can interface. In addition, it can support exist- technology and the evolution of microprocessors, as well as
ing and future network protocols. the proliferation of numerical/digital relays within the
EPRI’s work to date in this area has established that an industry.
open communication protocol allows utilities to improve One only need look at the PC industry to see that the
operating and business decisions based on real-time avail- power and performance of microprocessors have increased
ability of data, combine different local and wide area dramatically while prices have decreased. In fact, the tech-
media with minimal modification costs, reduce system nology is now at the point where the performance require-
implementation time and cost through using standardized ments of a distance relay and the cost/performance
utility devices and eliminate redundant storage, since infor- requirements of a feeder relay can be met by the same
mation can be accessed wherever it resides. microprocessor and digital technology.
With communication protocols well on their way to The proliferation of numerical relays, also has allowed
becoming standardized, a major stumbling block to the manufacturers to develop and perfect software for protec-
Universal Relay has been removed. It is now time for it to tive relaying devices across a power system.
move from the drawing board into the hands of the utilities. By leveraging the advancements of microprocessor and
digital technology, and combining those with the array of
The evolution of the relay existing and proven software developments, the ‘universal
relay’ becomes the logical outcome.
When GE Power Management embarked on an ambi- Just as the PC is a general-purpose tool that can per-
tious design program to develop a “next generation” family form numerous tasks by running different application pro-
of protection relays, it relied on the same concepts and grams on the same platform, so can a numerical relay built
technologies that have driven the desktop personal com- on a common platform become a general purpose or ‘uni-
puter (PC) market to such phenomenal heights in terms of versal’ protection device by running different protection
performance and cost effectiveness to make it a general software for the apparatus being protected.
purpose or “universal” tool and the engine of the informa- As a general purpose tool, there are a number of
tion age. essential functional blocks that must be incorporated into
The aim of the program was to provide utilities with a the design of a Universal Relay.
common tool for protection, metering, monitoring and
control across an entire power system, one that would Universal Relay building blocks
serve as the universal engine for substation automation.
In order to understand where the technology stands Most modern numerical, microprocessor based relays
today, perhaps it’s best to look at the evolution and func- are comprised of a core set of functional blocks:
tionality of protective relays over the years.
IEEE defines a protective relay as “ a relay whose func- A. Algorithmic and control logic processing, usually per-
tion is to detect defective lines or apparatus or other power formed by the main ‘protection’ microprocessor and often
system conditions of an abnormal or dangerous nature and referred to as the CPU (central processing unit). Most
to initiate appropriate control circuit action” (IEEE 100- numerical relays have multiple processors for different
1984). This definition could best be classified as general functions.
rather than ‘universal’ in nature. B. Power system current and voltage acquisition, usually
Traditionally, manufacturers of protective relay devices performed by a dedicated digital signal processor (DSP)
have produced different designs that are specific to the in conjunction with an analog-to-digital data acquisition
protection of generation, transmission, distribution and system and interposing current and voltage transformers.
industrial equipment. This approach has its roots from the
days of electromechanical and solid-state relay designs, C. Digital inputs and outputs for control interfaces, usually
where the widely varying complexities associated with each required to handle a variety of current and voltage ratings
type of protection had to be implemented in proprietary as well as actuation speed, actuation thresholds and differ-
hardware configurations. For example, there was a signifi- ent output types (e.g. Form-A, Form-C, Solid-State).
cant difference in cost and complexity between an overcur-
D. Analog inputs and outputs for interfacing to transducer
rent relay used for feeder protection and a distance relay
and SCADA (Supervisory Control & Data Acquisition) systems,
used for protection of EHV (extreme high voltage) lines.
usually required to sense or output dcmA currents.
This leads us to an essential requirement of a Universal
Relay. A Universal Relay must at minimum, be capable of E. Communications to station computers or SCADA systems,
providing protection for all the sectors of the power system usually requiring a variety of physical interfaces (e.g.
- from simple overcurrent protection for feeders to high- RS485, Fiber Optical, etc.) as well as a variety of protocols
speed distance protection for EHV lines. More importantly, (e.g. Modbus, DNP, IEC-870-5, UCA 2.0, etc.)
it must offer a cost-effective solution for both.
F. Local Human Machine Interface (HMI) for local opera-
Development milestones tor control and device status annunciation.

One key contributor to the feasibility of the universal G. Power supply circuitry for control power, usually
relay design has been the advancements made in digital required to support a wide range of AC and DC voltage
inputs (e.g. 24-300 VDC, 20-265 VAC).
The design of a universal relay requires an architecture ture used in the design of GE Power Management’s
that can accommodate all of the above functional blocks in Universal Relay - a 19-inch rack-mount platform, 4 rack
a modular manner and allow for scalability, flexibility, and units in height, capable of accepting up to 16 plug-in mod-
upgradability in a cost effective manner for all applications. ules.
The biggest challenge for relay designers is the ‘cost Modules plug into a high-speed data bus capable of
effective manner’. The risk they have faced in the past is
creating an architecture with all of the above attributes
where the base cost of the platform is too high for the
more cost sensitive applications such as feeder protection.
Today, this has been resolved as a result of cost reduc-
tions inherent in the production of a common platform
for all applications. Like the PC industry, common compo-
nents such as power supplies, network cards and disk dri-
ves continue to drop in price, while delivering ever-increas-
ing performance levels.
While protective relay production is nowhere near the
volume of PCs, a next generation relay platform based on a
modular architecture which can accommodate all applica-
tions will yield significant development and manufacturing
cost reductions.

The Universal Relay Architecture


In defining what a Universal Relay needs to do, it is
important to understand the architectural elements that
perform the above mentioned functions.
Figure 2 - A working example of the modular architecture found in a
Modularity Universal Relay.
On the hardware side, modularity is achieved through
a plug-in card sys-
tem similar to that data transfer rates as high has 80 Mbytes/sec. The
found in program- High-Speed Data Bus high-speed bus should be completely asynchronous,
mable logic con- thus allowing modules to transfer data at rates appro-
trollers (PLCs) as priate to their function. This is crucial in order to
well as PCs. A key maintain a simple, low-cost interface for all modules.
P C D D A C The bus should be capable of supporting both paral-
element in the O P S I N O
successful perfor- lel and serial high-speed communications simultane-
W U P G A M ously (up to 10Mbps serial) which allows those mod-
mance of such a E I I M
system is the high- ules which must transfer data as quickly as possible to
R O O S use the high-speed parallel bus (80 Mbytes/sec),
speed parallel bus
which provides the while others can use the serial bus to avoid communi-
modules with a
LED modules cation bottlenecks.
common power One of the key technical requirements of such a
Display system for protective relaying applications is that the
connection and module
high-speed data modules must be capable of being completely drawn
interface to the Keypad out or inserted without disturbing field wiring which
master processor MODULAR HMI module is terminated at the rear of the unit (see Figure 3).
(CPU) as well as Modularity can also be applied at the sub-mod-
to each other.
Figure 1 shows Figure 3- Plug-in modules can be
POWER = Power Supply Mode removed or inserted without dis-
such a system with turbing wiring.
CPU = Main Microprocessor Module
all the core func-
DSP = Digital Signal Processor & Magnetics
tional blocks
DIGIO = Digital Input/Output Module
implemented as
ANAIO = Analog I/O Module
modules.
COMMS = Communications Module
Figure 2 rep-
resents a physical
Figure 1 - System configuration showing a high-speed data
realization of the bus and modules with a common power connection and high-
modular architec- speed data interface to the zcpu.
ule level (Figure 4). Configurable input/output (I/O) Upgradability and Enhancements
combinations can accept plug-in sub-modules, which
means that each sub-module can be configured for virtual- Another obvious benefit of this architecture is the abil-
ly any type of I/O interface desired, to meet both present ity of users to upgrade or enhance their relay simply by
and future demands. This gives the relay a ‘universal’ inter- replacing or adding modules. For example:
face capability. * Upgrading from a twisted pair copper wire communi-
cations interface to high-speed fiber optics communi-
cations.
* Enhancing a transformer protection application
by adding an Analog I/O (ANIO) module with the
sub-modules to detect geomagnetic induced currents,
sense and adapt to tap-position, perform on-load tap-
changer control, or detect partial discharge activity.
* Upgrading the CPU module for more powerful
microprocessor technology allowing for more sophisti-
cated and protection algorithms (e.g. “Fuzzy Logic”,
“Neural Networks”, “Adaptive”).
* Enhancing the metering capability of the relay by
adding a second DSP module with current and voltage
transformer sub-modules capable of revenue class
Figure 4 - Configurability at a sub-module level. metering accuracy.
* Enhancing the control capabilities by adding a Digital
I/O (DIGIO) module with customized labeling to cus-
Scalability and flexibility tomize the reporting of events.
A modular architecture of this type allows for both * Enhancing the HMI capabilities by adding an LED
scalability and flexibility. In particular, scalability is found module with customized labeling to customize event
in the ability to configure the relay from minimum to max- reporting.
imum I/O capability according to the particular require-
ments. The flexibility lies in the ability to add modules con- Modular Software
figured with the desired sub-module I/O. This allows for
Scalability and flexibility issues are not exclusive to
maximum flexibility when interfacing to the variety of con-
hardware.
trol and protection applications in the power system
Software must be able to support the same features. In
(Figure 5).
fact, the software has its own form of modularity based on
functionality. These include:

* Protection elements
* Programmable logic and I/O control
* Metering
* Data and Event capture/storage
* Digital signal processing
* HMI control
* Communications

The key advancement in software engineering that has


come to dominate the software industry is Object Oriented
Programming and Design (OOP/OOD). This involves the
use of ‘objects’ and ‘classes’. By using this concept one can
create a protection class and objects of the class such as
Time Overcurrent (TOC), Instantaneous Overcurrent
(IOC), Current Differential, Under Voltage, Over Voltage,
Under Frequency, Distance Mho, Distance Quadrilateral,
etc. These represent software modules that are completely
self-contained or ‘encapsulated’ (Figures 6a and 6b).
The same can be done for metering, programmable
logic and I/O control functions, HMI and communica-
Figure 5 - An example showing minimum and maximum module tions or, for that matter, any functional entity in the system.
I/O capability. Therefore, the software architecture is able to offer
scalability and platform also potentially reduces engineering and commis-
flexibility: scal- sioning costs through simplified wiring diagrams, reduced
Protection
CLASSES ability in that drafting expenses, simplified commissioning and test pro-
Metering the number of cedures, as well as reduced learning time when applying
Control objects in an the device to different applications.
application are The key element which results from a common plat-
HMI scalable (e.g. form approach in simple terms is that of a ‘common look
Comms multiple IOC and feel’ across the entire family of applications - the ideal
elements); flex- scenario for substation automation.
DSP
ibility in that
objects can be The Universal Relay’s role in substation automation
combined to
create custom As mentioned earlier, utilities worldwide have been
combinations clamoring for a standard that will allow different devices
to suit the from different manufacturers to communicate with a com-
application mon protocol and to interoperate. Now that the standard
(e.g. TOC, issue is being resolved, one can look to add value by net-
IOC, Distance working protective relaying devices. This is achieved by
Application Software leveraging their ability to communicate among themselves
(i.e. peer-to-peer) and to the station interface.
Protection Class Since the Universal Relay offers a modular hardware
Common and software architecture that is scalable, flexible, and
Core • TOC
Software upgradable, as well as advanced peer-to-peer communica-
• IOC tions, it can accommodate the requirements of any substa-
• Distance
Objects

tion automation proposal.


Figures 6a and 6b - The
• Differential In addition, the configurable object oriented software
OOP/OOD concept uses objects • Frequency can handle both new and legacy communications proto-
and classes to create self-con- • Volts/Hz
tained software modules.
cols, which means a Univeral Relay can coexist in today’s
• etc. environments, as well as handle any future migration to
Ethernet or other future technology without incurring the
Underfrequency and Directional IOC). significant investments normally associated with system
In combining these attributes - modularity, scalability, conversions or upgrades.
flexibility, upgradability and modular software - the capabil- As performance and functional requirements evolve to
ity is there to run a wide variety of applications on a com- take advantage of the new possibilities brought about by
mon platform. Figure 7 shows the concept of a common high-speed peer-to-peer communications the Universal
platform Universal Relay capable of running multiple Relay can just as easily evolve to remain in-step with users’
applications. requirements and budgets.

The benefits
Overall, the Fiber
Optic
ability to standard- Hub #1

ize on one hard- HUB


Fiber BRIDGE
ware configura- Optic
Hub #2

tion that can


address the major-
ity of specific
applications is a OTHER
VENDORS ROUTER
major potential IEDs

WAN

benefit to users. LINE


DIFFERENTIAL
DISTANCE
RELAY
TRANSFORMER FEEDER CONTROLLER
ENTERPRISE
NETWORK

As a common plat-
form, the SUBSTATION AUTOMATION USING
Universal Relay EPRI MMS/ETHERNET & GEPM IEDS

can be used to
run any variety of Figure 8 - Schematic of entire Universal Relay setup, from workstation to relays.
the appropriate
application soft-
ware.
Figure 7 - The elements of the Universal Relay Standardizing
platform on a common
TÉCNICAS DIGITAIS APLICADAS AO PROBLEMA DE LOCALIZAÇÃO DE
FALTAS EM LINHAS DE TRANSMISSÃO

DENIS VINICIUS COURY


LUIZ REINALDO GAUTIER
Departamento de Engenharia Elétrica
Universidade de São Paulo
Escola da Engenharia de São Carlos
13.560-250 - São Carlos - SP-BRASIL

Resumo- Localizadores de faltas são dispositivos uma linha de transmissão. Esta prática permite uma
designados para determinar a localização do ponto de diminuição nos serviços de manutenção e uma rápida
incidência de faltas em linhas de transmissão dos sistemas restauração da operação após a ocorrência de uma falta
elétricos de potência. Esta localização possibilita uma permanente na linha, contribuindo assim para a melhoria da
restauração mais rápida da operação de um sistema elétrico, continuidade de fornecimento de energia anteriormente
garantindo melhor qualidade na continuidade de referida. Por outro lado, um localizador é também muito
fornecimento de energia. Este trabalho apresenta um estudo útil para estimação de faltas transitórias, que podem causar
comparativo entre duas abordagens distintas para pontos fracos nos sistemas de distribuição e transmissão, e
localização digital de faltas. Um dos métodos utiliza dados que resultariam em futuros problemas ou faltas
disponíveis apenas em um único terminal, enquanto que o permanentes.
outro, utiliza dados provenientes dos dois terminais da linha Diversas abordagens utilizando a tecnologia digital
de transmissão. As teorias fundamentais de ambas as foram desenvolvidas e diferentes princípios já foram
técnicas são estudadas e simulações computacionais de uma aplicados ao problema da localização de faltas em linhas de
linha de transmissão são utilizadas para seus testes. transmissão. Estas técnicas geralmente usam as tensões e
correntes dos barramentos como dados de entrada. Estas
Abstract- Fault locators are devices designed to pinpoint the abordagens podem então ser classificadas de acordo com o
location of the fault on transmission lines of electric power modo de obtenção dos dados em técnicas com dados
systems. This location allows a fast restoration of the power provenientes de um único terminal e com dados
system operation, contributing to a high level of continuity provenientes de dois terminais da linha de transmissão.
on power delivery. This work shows a comparative study Algoritmos que fazem uso de dados de apenas um dos
between two digital fault locator approaches. The methods terminais da linha de transmissão são geralmente baseados
differ on the nature of input data. One of the methods uses no cálculo da impedância com relação ao ponto de falta e a
data available from only one end, while the other uses data partir deste cálculo a distância da falta pode ser deduzida.
from the both ends of the transmission line. The Saint e Paithankar (1979) propuseram uma técnica de
fundamental theories of the two techniques are studied, and localização de faltas baseada no cálculo da razão entre a
computational simulations of the transmission line are reatância de falta e a reatância total da linha. No entanto, as
utilized for the tests. estimativas de localização da falta não são precisas se existe
contribuição de corrente de falta pelas fontes conectadas em
1 - INTRODUÇÃO ambos os terminais da linha e se for levada em conta a
resistência de falta. Takagi et al. (1982) apresentaram uma
Sistemas elétricos de potência devem garantir um técnica com proposta de redução dos erros causados pelos
fornecimento confiável de energia com o mais alto grau de fatores citados anteriormente e suas equações são
continuidade possível. Faltas podem ocorrer em qualquer apresentadas mais adiante. Um localizador de faltas foi
ponto de um sistema elétrico de potência; no entanto, os implementado comercialmente pela Toshiba Corporation
elementos mais afetados pelas faltas são as linhas de fazendo uso destes princípios. Wiszniewski (1983), Saha e
transmissão aéreas devido a sua extensão física e por Erikson (1985) e Cook (1986) propuseram métodos
constituírem as partes mais expostas do sistema. Além baseados nos cálculos de impedância usando um fator
disso, devido à sua dimensão e ao ambiente em que se distribuição da corrente de falta para compensação dos
encontram, as linhas são as partes do sistema elétrico que erros descritos anteriormente.
apresentam maior dificuldade para manutenção e Se as impedâncias das fontes são conhecidas, o processo
monitoramento. de localização da faltas com informação de apenas um dos
Um localizador digital de faltas tem por função a terminais da linha pode ser sensivelmente
determinação do ponto exato de ocorrência de uma falta em melhorado(Erikson et al.,1985).
Quando são utilizados dados dos dois terminais, torna-se
possível superar alguns problemas comuns associados com 2.1 - Detecção da Falta
a localização de faltas. Apesar destas técnicas precisarem As amostras usadas pelo método, provenientes de um
de um meio de comunicação para transmissão de dados registrador digital de faltas, normalmente incluem dados de
para o terminal onde será realizado o processamento, estas pré-falta e pós-falta. Portanto, é necessário que se
necessidades de comunicação são bastante simples (e determine o ponto amostral onde a falta tem início (através
descontínuas), uma vez que o algoritmo opera de forma off- de comparação com o ciclo de pré-falta), de modo a se
line. Schweitzer (1982), Jeayasurya e Rahman (1989); obter dois conjuntos de dados: um formado por um ciclo de
Girgis et al.(1992) e Aggarwal et al. (1993) propuseram valores pré-falta e outro por um ciclo de valores pós-falta.
técnicas usando corrente e tensão em regime permanente
provenientes dos dois terminais da linha em conjunção com 2.2 - Extração dos fasores fundamentais
equações da linha, onde a distância de falta passa a ser a Os valores de corrente e tensão das ondas pós-falta
única incógnita a ser calculada. Deve ainda ser ressaltado podem apresentar transitórios variando de altas freqüências
que a localização da falta só poderá ser determinada até níveis CC e, embora os mesmos sejam atenuados por
precisamente se as medições em ambos os terminais forem transdutores e filtros passa-baixa, estas ondas ainda podem
sincronizadas ou se este parâmetro for levado em conta no conter componentes significativos.
equacionamento. Assim, a referida sincronização pode ser Com a finalidade de executar a filtragem digital, foi
alcançada através de software especializado ou ainda utilizada a teoria da Transformada Discreta de Fourier
através de métodos que utilizam GPS (Global Positioning (Oppenheim, 1975) que produz a magnitude e o ângulo de
Satellites - Phadke,1993). Coury(1992) propôs a extensão fase dos fasores fundamentais de tensão e corrente. Tal
da teoria de localização de faltas para linhas de transmissão método é bastante eficaz para a rejeição de componentes de
com três terminais. alta freqüência e providencia uma boa filtragem dos
Este trabalho apresenta um estudo comparativo da componentes de baixa freqüência, especialmente o
técnica desenvolvida por Takagi (1981), hoje bastante componente CC.
utilizada na prática e do princípio que utiliza dados de
ambos os terminais, manipulando equações de linha. As 2.3 - Obtenção dos componentes superpostos
teorias fundamentais de ambas as técnicas serão estudadas e Uma ocorrência de falta em uma linha de transmissão
simulações computacionais de um modelo de linha de pode ser considerada como sendo equivalente à
transmissão faltosa são utilizadas para seus testes. Efeito de superposição de uma tensão no ponto de falta, a qual é igual
parâmetros tais como distância e tipo de falta, resistência de e oposta à tensão pré-falta em regime permanente. As
falta, capacidade das fontes, taxa amostral e comprimento componentes de tensão e corrente pós-falta podem ser então
da linha são analisados. Deve ser ressaltado que os métodos consideradas como compostas por componentes pré-falta
em questão fazem uso de dados provenientes de em regime permanente e componentes introduzidas pela
registradores digitais de falta instalados nas subestações. falta.
Tais registradores apresentam, por vezes, as ondas faltosas Os componentes superpostos representam a diferença
com elevado grau de ruído. Assim, para implementação das entre os valores de pós-falta e os valores de pré-falta em
referidas técnicas, algumas subrotinas essenciais são regime permanente.
necessárias, tais como filtragem digital, estimação dos
instantes de ocorrência de falta, sincronização dos dados 2.4 - Transformação Modal
(para o caso de utilização de dados dos dois terminais), etc., Como mencionado anteriormente, o método de
antes da aplicação da teoria fundamental de localização de localização de faltas com dados provenientes de um
faltas propriamente dita. terminal faz uso de componentes modais de tensão e
corrente ao invés de valores totais. Isto permite que o
2 - LOCALIZADOR DIGITAL DE FALTAS COM sistema trifásico seja tratado como três sistemas
DADOS PROVENIENTES DE UM ÚNICO monofásicos independentes, simplificando assim
TERMINAL DA LINHA consideravelmente os cálculos necessários. Os valores de
fase são transformados em três modos desacoplados: um
Este tópico descreve a implementação prática de um modo Terra e dois modos Aéreos, pela teoria dos modos
algoritmo para localização de faltas baseado no método de naturais (Wedephol,1963)
Newton-Raphson para uma linha de transmissão de alta
tensão. O método faz uso das ondas de tensão e corrente 2.5 - Teoria Fundamental e Equacionamentos do
apenas de um terminal local, as quais são posteriormente Localizador
filtradas através da técnica da Transformada Discreta de A teoria fundamental para localização de faltas é
Fourier (TDF), a fim de se obter as medidas dos fasores de descrita primeiramente para uma linha monofásica (Takagi
corrente e tensão em regime permanente. A técnica também et ali, 1981). Toma-se como exemplo uma falta no ponto F
utiliza componentes superpostos e modais de tensão e que está distante d km do terminal S da linha de transmissão
corrente, ao invés de valores de fase para o cálculo da SR representada na Figura 1(a).
distância da falta. O estágio inicial do algoritmo é a
obtenção dos dados digitalizados de tensão e corrente do L
terminal local onde os procedimentos terão lugar. Alguns
dos passos principais do algoritmo serão descritos a seguir.
d
V’F = A(d)V’S-B(d)I’S (4)
I”FS = C(d)V”S-D(d)I”S (5)
I’ S F V ’F I’ R
S R
onde A(d), B(d), C(d) e D(d) são as quatro constantes para
V ’S I’ FS I’ F R V ’R
a porção SF da linha, definidas para um sistema distribuído
I’ F
RF como:

A(d) = D(d) = cosh(λd) (6)


B(d) = ZC senh(λd) (7)
Figura 1(a) - Rede faltosa
C(d) = senh(λd)/ZC (8)
Aplicando-se a teoria da superposição em redes lineares,
separa-se uma rede faltosa em duas redes derivadas: uma onde λ é a constante de propagação e ZC é a impedância
rede pré-falta e uma rede em que a falta foi isolada, característica da linha.
representadas respectivamente pelas Figuras 1(b) e 1(c). Os vetores faltosos V’S e I’S são obtidos diretamente no
terminal local S, enquanto que os vetores para a rede de
IS falta isolada V”S e I”S são obtidos através da diferença entre
IR
S R os vetores pós-falta e os vetores pré-falta, como descrito
anteriormente,
VS VR
V”S ≅ V’S - VS (9)
I”S ≅ I’S - IS (10)

Figura 1(b) - Rede pré-falta Portanto, a equação (3) pode ser rescrita apenas com
vetores obtidos localmente, como:
V”S V”R
F A(d)V’S-B(d)I’S=-RF{1+K(d)}{C(d)V”S-D(d)I”S} (11)
S R
I”S I”R
I”FS I”FR
RF
o que leva a

A(d)VS′ − B(d)IS′
IF
RF{1 + K(d)} = − (12)
F VF
C(d)V"S −D(d)I"S

Como a impedância de falta é puramente resistiva, isto


Figura 1(c) - Rede com a falta isolada implica que RF é uma variável real. A razão K(d) também
será real com a condição de que a linha de transmissão seja
Seja V’F o vetor de tensão em F, e seja IF’ o vetor de sem perdas, e as impedâncias das fontes nos dois terminais
corrente na resistência de falta RF na rede faltosa. Temos da linha sejam puramente indutivas. Tudo isto implica que
então, o lado esquerdo da equação (12) será real. Portanto, o lado
direito da equação (12) também deverá ser real para que
V’F = RF . I’F sentença seja verdadeira.
= -RF (I”FS+I”FR) (1) A equação básica do localizador é então definida como:

sendo V’F o fasor de tensão pós-falta no ponto F, I’F o A(d)VS′ − B(d)IS′


fasor de corrente pós-falta no ponto F, I”FS igual a corrente Imag[ ]=0 (13)
C(d)V"S −D(d)I"S
da linha de F para S e I”FR igual a corrente de F para R,
ambas definidas na rede com a falta isolada.
Uma nova variável K(d) é definida como onde Imag[.] representa a parte imaginária de uma variável
complexa. A solução d da equação (13) é a distância do
I" FR ponto da falta ao terminal local. Como a equação (13) não é
K(d) ≅ (2) uma equação linear, é necessário uma técnica de solução
I" FS iterativa. É então utilizada a técnica Newton-Raphson
aplicada ao problema da localização da falta.
Pode ser observado que a razão K(d) é uma função da A equação básica obtida contém a distância (d)
distância d à falta. A substituição da equação (2) na equação desconhecida, fasores filtrados de tensão e corrente obtidos
(1) produz: localmente e parâmetros da linha. Assim, o processo de
localização da falta pode ser realizado sem nenhum dado de
V’F = -RFI”FS(1+K(d)) (3) terminal remoto. Não são necessários canais de
comunicação entre os terminais. A equação básica não
V’F e I”FS podem ser estimados pelos vetores medidos inclui a resistência de falta RF.
localmente, utilizando a Teoria dos Quadripólos, As características do localizador de falta para uma linha
monofásica são obviamente aplicáveis para uma linha
trifásica. A equação básica pode então ser estendida para calculada pelo equipamento localizado no terminal local
uma linha trifásica. Seja (.)(W) uma quantidade modal. Então através de equações de linha dada por (17). Esta abordagem
para uma falta fase-terra a equação fica, elimina a necessidade de sincronização dos dados através
de uma linha de comunicação exclusiva, podendo esta
 V ′ (1) + VF′ ( 2) + VF′ ( 3)  sincronização ser efetuada através do software do próprio
Im ag ( j) F ( j) 
=0 (14) localizador ( Coury e Aggarwali, 1991).
 C (d) VS′′ − D (d)I S′′ 
( j) ( j)

j=1,2,3 VS = cosh (λL)VR - ZC senh (λL)IR (17)


e para uma falta fase-fase,
onde L = comprimento da linha
 VF′ − VF′
(2) ( 3)

Im ag  ( j) ( j) 
=0 (15) A avaliação da equação (17) fornece o ângulo de fase
 C (d) VS′′ − D (d)IS′′ 
( j) ( j)
entre as tensões dos terminais local e remoto para os dados
j=1,2 de pré-falta. Este ângulo, por sua vez, é usado para
providenciar uma referência de tempo comum para os
As tensões modais em F são estimadas pela equação dados de tensão amostrados em cada terminal. Através dele,
(16). uma sincronização perfeita dos dados pode ser obtida.
V’F(W) = A(W)(d)V’S(W)-B(W)(d)I’S(W) (16)
W=1,2,3 3.4 - Teoria fundamental e equacionamentos do
localizador
3 - LOCALIZADOR DIGITAL DE FALTAS COM Esta seção descreve os princípios fundamentais da
DADOS PROVENIENTES DOS DOIS TERMINAIS técnica de localização de faltas utilizando fasores de tensão
DA LINHA e corrente trifásicos dos dois terminais da linha (Girgis et
ali, 1992), considerando-se o sistema descrito pela Figura
Será descrito a seguir um algoritmo para localização de 1(a).
faltas utilizando dados dos dois terminais da linha de Admitindo-se que os fasores trifásicos de tensão e
transmissão de alta tensão, representada pela Figura 1(a). O corrente nos barramentos S e R estão sincronizados, então
algoritmo baseia-se na utilização dos fasores fundamentais os vetores trifásicos de tensão nos barramentos S e R
trifásicos de corrente e tensão de ambos os terminais. podem ser representados em função dos vetores trifásicos
Portanto, a existência de um mecanismo de comunicação de de corrente, pelas equações (18) e (19).
dados entre os terminais e o processador se faz necessária.
Deve ser ressaltado que a abordagem desenvolvida V’S=V’F+d Zabc I’S (18)
utiliza os fasores fundamentais obtidos de ambos os V’R=V’F+(L-d) Zabc I’R (19)
terminais, assim, estes valores devem ser sincronizados em
relação à uma referência de tempo comum. onde:Zabc = matriz impedância da linha trifásica.

3.1 - Detecção do instante de ocorrência da falta Subtraindo-se equação (19) de (18) fica:
Aqui a detecção da falta é introduzida com o mesmo
propósito do método utilizando dados de um terminal, com V’S-V’R+L Zabc I’R=d Zabc [I’S+I’R] (20)
a diferença de que são determinados os pontos iniciais da
ocorrência da falta em ambos os terminais. São então A equação (20) pode ser rescrita, considerando o
obtidos dois conjuntos com um ciclo de dados de pré e pós- sistema trifásico, da forma:
falta relativos a cada terminal.
Ya  M a 
3.2 - Extração dos fasores fundamentais Y  =  M d ou Y=Md (21)
O processo é idêntico ao descrito na seção 2.2, sendo a  b  b
filtragem efetuada em ambos os terminais.  Yc   M c 

3.3 - Sincronização dos dados onde:


Como o algoritmo envolve utilização de dados dos dois

∑Z
terminais da linha de transmissão, é de extrema importância
YSj = VSj′ − VRj′ + L I′
ji Ri
(22)
que os fasores de tensão e corrente em ambos os terminais i=a,b,c
estejam relacionados por uma referência de tempo comum.
Uma sincronização para a referência de tempo nos dois Mj = ∑Z
i=a,b,c
ji ( I Si′ + I ′Ri ) (23)
terminais pode ser conseguida através de um canal de
ligação contínuo entre os terminais, mas esta solução seria p/ j=a,b,c
muito dispendiosa. Na prática, os dados de pré-falta de com Zji = matriz 3x3 da impedância série
corrente e tensão em um dos terminais podem ser usados
para providenciar uma referência comum (sincronização) A equação (21) representa três equações complexas ou
com relação aos dados gravados no outro terminal. Por seis equações reais para uma incógnita (d), que é a distância
exemplo, a tensão pré-falta no terminal remoto pode ser da falta em relação a um terminal da linha.
Deve ser ressaltado que para o caso prático as equações citados. Os algoritmos foram testados para uma variedade
(18) e (19) devem levar em consideração as equações de de condições da linha de transmissão considerada, com o
linha longa e a transformação modal para desacoplamento objetivo de cobrir grande parte das situações comuns à uma
descrita anteriormente deve ser utilizada (Coury, 1992). linha de transmissão de alta tensão. Primeiramente, foram
O algoritmo proposto independe do tipo de falta e da testados diferentes tipos de faltas em diversas localizações
resistência de falta para seus equacionamentos. da linha. Posteriormente, o mesmo foi testado para
variações na resistência de falta, capacidade das fontes, taxa
4 - TESTES REALIZADOS PARA OS amostral utilizada e comprimento total da linha. A maior
LOCALIZADORES DE FALTAS ESTUDADOS parte dos testes foi realizada a uma taxa amostral de 4 kHz.

O modelo do sistema de potência estudado é mostrado na 4.1 - Testes da técnica baseada em dados provenientes
Figura 2. de um único terminal
L = 200 km

S R Os resultados obtidos são apresentados a seguir, de


acordo com os grupos apresentados anteriormente para as
~ 1 ∠ 0°
1 ∠ 10°
~ duas técnicas de localização de falta.
A margem de erro dos cálculos é expressa como uma
20 GVA 5 GVA
tensão nominal - 400 KV porcentagem do comprimento total da linha e é dada pela
expressão:
Figura 2 - Modelo do sistema de potência estudado
% erro =| distância estimada -distância real |x100% (24)
O sistema corresponde a uma linha de transmissão de 400 comprimento da linha
kV e 200 km de extensão, interligando duas estações
geradoras de 20 GVA e 5 GVA, respectivamente. Os dados E a faixa de busca é dada por:
para teste dos algoritmos foram obtidos através do software
TEER, que simula os sinais de uma linha de transmissão F=| distância estimada -distância real | (25)
sob condição de curto-circuito (Johns e Aggarwal,1976). A
resposta do algoritmo para uma falta a-terra é ilustrado na
Figura 3. 4.1.1 - Determinação do instante de ocorrência da falta
fase a

4
fase b
fase c
Conforme explicitado na seção 2.1, a determinação do
ponto de ocorrência da falta é baseada na comparação das
amostras de cada fase da linha com as amostras
Corrente na barra P [kA]

2
correspondentes, um ciclo anterior. Após a ocorrência de
0 três amostras consecutivas com variações significativas, a
ocorrência da falta é identificada. Nos testes realizados, o
-2 atraso máximo ocorrido para a detecção desse instante foi
de 3 amostras. Este atraso não exerce nenhuma
-4 conseqüência, direta ou indireta, sobre a precisão do
algoritmo.
0 20 40
tempo [ms]
4.1.2 - Extração dos fasores fundamentais das ondas de
tensão e corrente através da TDF
fase a
fase b
fase c A TDF extrai as componentes fundamentais das ondas
400
ruidosas de tensão e corrente dos dados pós-falta. Através
dos testes realizados pode-se afirmar que a técnica de
Tensão na barra P [kV]

200
filtragem proposta é bastante eficaz para a finalidade a que
0 foi incorporada ao algoritmo.

-200 4.1.3 - Cálculo da distância da falta em relação ao


terminal local
-400

0 20 40 O passo final foi a aplicação do Método Newton-


tempo [ms] Raphson para a obtenção da distância da falta em relação ao
terminal local. O método foi aplicado utilizando-se as
Figura 3 - Ondas típicas de corrente e tensão para equações (14) e (15) descritas anteriormente. Para a maioria
uma falta fase-terra com um ciclo de dados pré-falta dos casos, as soluções convergiram em 3 iterações. Um
processo iterativo é mostrado na Figura 4 para uma falta
Deve ser ressaltado que a saída do referido software AT a 122 km do terminal emissor, para a linha considerada.
simula os registradores digitais de falta anteriormente
meio da linha para alguns tipos de faltas ainda está em um
nível aceitável. Testes também foram feitos para
resistências altas, de 100 a 150Ω. Para estes valores, o
algoritmo apresentou um desempenho altamente
comprometido, o que o invalidou. Esta dependência com a
presença da resistência de falta é esperada em métodos
utilizando dados de um único terminal, como já explicitado
anteriormente.

4.2.6 - Efeito da capacidade da fonte

A Tabela 3 ilustra algumas estimações para diferentes


Figura 4 - Processo iterativo de solução de uma valores de capacidade da fonte local (50,10 e 5 GVA).
falta fase terra à 122 Km do terminal local S (RF=0Ω) Como pode ser observado a precisão do método não é
afetada pela variação de tal parâmetro.

Tabela 1 - Efeito do tipo de falta (T-terra, A,B,C-fases


envolvidas na falta, RF=0Ω) Tabela 2 Efeito de resistências de falta de 30 e de 10 Ω

Distância Real Dist.Estim.-km Faixa de Tipo de


km (%erro) Busca-km Falta RF- Dist. Real Dist.Estim.-km Faixa Tipo
05 5.205 (0.10) 0.20 AT ohms km (%erro) de de
Busca- Falta
05 4.922 (0.04) 0.08 ABC km
20 20.998 (0.50) 0.99 BT 30 Ω 20 30.98 (5.49) 10.98 AT
20 20.278 (0.14) 0.27 AB 30 Ω 65 99.88 (17.44) 34.88 BC
40 38.946 (0.53) 1.05 CT
30 Ω 115 120.34 (2.67) 5.34 CT
40 38.802 (0.60) 1.19 BCT
30 Ω 160 209.91 (24.9) 49.91 ABC
85 85.510 (0.26) 0.51 ABT
10 Ω 20 26.575 (3.29) 6.57 AT
85 85.521 (0.26) 0.52 BC
10 Ω 65 52.931 (6.03) 12.06 BC
99 95.234 (1.88) 3.76 BCT
10 Ω 115 133.11 (9.02) 18.11 CT
99 101.00 (1.00) 2.00 AT
135 136.64 (0.82) 1.64 ACT 10 Ω 160 204.23 (22.1) 44.23 ABC
135 142.24 (3.62) 7.24 BT
160 161.90 (0.95) 1.90 BC
4.2.7 - Efeito da taxa amostral utilizada
160 153.25 (3.37) 6.74 CT
Testes foram realizados para taxas amostrais de 1kHz e
180 173.29 (3.35) 6.70 AC
2 kHz, mantendo-se a mesma margem de erros registrados
180 184.71 (2.36) 4.71 AB para a taxa amostral de 4 kHz.

4.1.4 - Efeito dos Diferentes Tipos de faltas Tabela 3 Efeito da variação da capacidade da fonte S
(Rf=0 Ω)
A Tabela 1 apresenta uma série de estimações de
localizações de vários tipos de faltas para a linha de Capacidade Dist. Real Dist. Estim.-km Faixa Tipo
transmissão considerada (Figura 2), com uma resistência de Fonte km (%erro) de de
falta de 0Ω. Pode ser observado que o erro máximo ocorre S(GVA) Busca- Falta
para faltas próximas ao terminal remoto de linha. km
Nos testes realizados em diferentes localizações da linha 50 05 5.136 (0.07) 0.13 AT
de transmissão, observou-se que as estimações mais 10 05 5.329 (0.16) 0.32 AT
precisas foram encontradas para faltas localizadas entre o 5 05 5.569 (0.28) 0.56 AT
terminal local e o meio da linha, com um erro ao redor de 50 99 94.57 (2.21) 4.42 ABC
2,5%. 10 99 94.24 (2.38) 4.75 ABC
5 99 94.50 (2.25) 4.5 ABC
4.1.5 - Efeito da resistência de falta 50 195 193.91 (0.5) 1.09 ACT
10 195 193.6 (0.70) 1.4 ACT
Para avaliar o efeito da resistência de falta no modelo 5 195 193.12 (0.9) 1.88 ACT
proposto, foram realizados testes com resistência de 30Ω e
de 10Ω, mostrados na Tabela 2. 4.2.8 - Efeito do comprimento da linha de transmissão
Nestes casos, houve um aumento generalizado na
margem de erro do algoritmo, principalmente para uma
resistência de 30Ω. No entanto, a margem de erro até o
Foram realizados testes para uma linha idêntica a da piores resultados a medida que a posição da falta se desloca
Figura 2, mas com comprimento de 100 km e 400 km em direção ao terminal remoto.
respectivamente.
Em ambos os casos, a margem de erro foi praticamente 4.2.3 - Efeito da resistência de falta
a mesma do caso com a linha de 200 km descrita nos itens
anteriores. Os testes realizados até aqui consideraram uma
resistência de falta nula. Foram realizados testes com
4.2 - Testes da técnica baseada em dados provenientes resistência de falta de 30Ω e 10Ω, vistos na Tabela 5, para
dos dois terminais a configuração da Figura 2.
Em ambos as situações houve um aumento nas margens
Testes realizados para esta técnica também utilizam de erro, chegando a extremos de 8 % em alguns casos. No
dados de entrada gerados pelo pacote TEER e se referem ao entanto, estas margens ainda são aceitáveis e não invalidam
mesmo sistema descrito anteriormente pela Figura 2. o algoritmo. As porcentagens de erro mantiveram-se em um
Os resultados obtidos nas etapas de detecção do instante limite de 2,5 % para a grande maioria dos testes. Mesmo
de falta e extração dos fasores fundamentais foram para testes com resistências mais altas, de 100 a 150 Ω, o
similares aos conseguidos para o algoritmo com dados de algoritmo produziu um resultado satisfatório.
um terminal, descritos nas seções 2.1 e 2.2,
respectivamente, não sendo necessário mencioná-los Tabela 4 - Efeito do tipo de falta (T-terra, A,B,C-fases
novamente. envolvidas na falta, Rf=0Ω)
Distância Dist. Estim.-km Faixa de Tipo de
4.2.1 Sincronização de dados Real (%erro) Busca-km Falta
Para sincronização foram testados casos em que o (km)
instante de detecção em um terminal diferenciava-se de 2 05 4.83 (0.08) 0.17 AT
até 5 amostras com relação ao do outro terminal. Através da 05 5.87 (0.44) 0.87 ABC
teoria empregada no procedimento descrito anteriormente, 20 20.60 (0.30) 0.60 BT
foi possível a estimação desta variação no tempo e a 20 19.11 (0.44) 0.89 AB
sincronização de dados foi efetuada. Para todos os casos 40 40.93 (0.47) 0.93 CT
simulados, conseguiu-se uma sincronização perfeita em 40 40.86 (0.43) 0.86 BCT
relação à um eixo de referência comum. 85 85.52 (0.26) 0.52 ABT
85 84.61 (0.20) 0.39 BC
4.2.2 -Cálculo da distância da falta em relação ao terminal
99 99.31 (0.16) 0.31 BCT
S
99 99.12 (0.06) 0.12 AT
135 134.90 (0.05) 0.10 ACT
A distância d é obtida através da solução da equação
(21). Novamente, para este caso, a margem de erro será 135 134.63 (0.18) 0.37 BT
expressa como uma porcentagem do comprimento total da 160 159.17 (0.41) 0.83 BC
linha, dado pela expressão representada na equação (24) e a 160 159.06 (0.47) 0.94 CT
faixa de busca dada pela equação (25). 180 178.81 (0.59) 1.19 AC
A avaliação do algoritmo obedecerá os mesmos critérios 180 180.88 (0.44) 0.88 AB
adotados para o algoritmo anterior, ou seja, serão avaliadas Tabela 5 - Efeito de resistências de falta de 30 e de 10 Ω
diferentes condições de falta, capacidade das fontes, taxa
amostral e configurações de linha. Ambos os algoritmos RF Dist. Real Dist.Estim.-km Faixa de Tipo
foram submetidos a um mesmo conjunto de testes, ohms km (%erro) Busca- de
permitindo uma melhor comparação entre seus km Falta
desempenhos. 30 Ω 20 15.38 (2.31) 4.62 AT
30 Ω 65 56.53 (4.23) 8.47 BC
4.2.3 - Efeito dos diferentes tipos de faltas 30 Ω 115 117.97 (1.48) 2.97 CT
30 Ω 160 176.11 (8.06) 16.11 ABC
Estimações de localizações ao longo da linha para 10 Ω 20 18.02 (0.99) 1.98 AT
diferentes tipos de faltas podem ser vistas na Tabela 4.
10 Ω 65 62.23 (1.38) 2.77 BC
Estes cálculos foram obtidos para a linha de transmissão
representada na Figura 2, com uma resistência de falta de 10 Ω 115 114.39 (0.31) 0.61 CT
0Ω. Deve ser notado que a porcentagem de erro ficou em 10 Ω 160 164.89 (2.44) 4.89 ABC
torno de 0,5 %, chegando à 1,2 % para casos isolados. Estes
casos não são significativos. 4.2.4 - Efeito da capacidade da fonte
Os piores casos obtidos foram para faltas não
envolvendo terra. Para os demais casos, a margem de erro A Tabela 6 mostra estimações também para diferentes
manteve-se bastante baixa, com os menores erros relativos valores de capacidade da fonte local (50, 10 e 5 GVA).
às faltas fase-terra, onde foram registrados erros de 0,01 %. Como no caso do algoritmo anterior, a precisão do método
Diferentemente do algoritmo para dados de um terminal, não é afetada pela variação deste parâmetro.
o algoritmo para dados de dois terminais não apresentou
Tabela 6 Efeito da variação da capacidade da fonte S considerando-se resistências de faltas mais elevadas (100 a
(Rf=0 Ω) 150 Ω). Diferentemente do algoritmo anterior, este não
apresenta piores resultados a medida que a posição da falta
Capacidade Dist. Real Dist.Estim.-km Faixa Tipo se desloca em direção ao terminal remoto. Estas situações
Fonte S- km (%erro) de de atestam a superioridade de tal método. Assim, quando
GVA Busca- Falta
km
canais de comunicação estão disponíveis, métodos de
localização de faltas em linhas utilizando dados de ambos
50 05 4.84 (0.08) 0.16 AT
terminais devem ser utilizados. Estes métodos não
10 05 4.88 (0.06) 0.12 AT
necessitam comunicações de alta velocidade e podem ser
5 05 4.36 (0.32) 0.64 AT implementados através de modem. Deve ainda ser
50 99 101.82 (1.4) 2.82 ABC ressaltado que as técnicas utilizando dados de ambos os
10 99 97.89 (0.55) 1.11 ABC terminais apresentam uma melhor estimativa da localização
5 99 95.9 (1.53) 3.07 ABC de falta, sem qualquer suposição ou informação
50 195 194.7 (0.15) 0.3 ACT concernente a rede externa, tais como impedância das
10 195 194.25 (0.4) 0.75 ACT fontes.
5 195 194.12 (0.4) 0.88 ACT

4.2.5 - Efeito da taxa amostral utilizada AGRADECIMENTOS

Novamente testes foram realizados para as taxas Os autores gostariam de agradecer o apoio
amostrais de 1kHz e 2kHz. Nestes casos também foram financeiro prestado pelo CNPq (Conselho Nacional de
mantidas as margens de precisão se comparadas ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para o
desempenho utilizando a taxa amostral de 4 kHz. desenvolvimento deste projeto.

4.2.6 - Efeito do comprimento da linha de transmissão


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Foram simulados casos para a linha da Figura 2 com
comprimento de 100 e 400 km, como no caso do algoritmo AGGARWAL, R.K.; COURY, D.V.; JOHNS, A.T.;
utilizando dados de um terminal. KALAM,A (1993) ”A Practical Approach to Accurate
De uma forma geral, este método também é insensível Fault Location on Extra High Voltage Teed Feeders”.-
aos comprimentos de linha de transmissão testados. IEEE Transactions on Power Delivery,Vol. 8,N°
3,Julho.
5 - CONCLUSÃO
COOK, V.(1986) “Fundamental Aspects of Fault Location
A correta estimação da localização de faltas nas linhas Algorithms Used in Distance Protection”, Proceedings
de transmissão é importante para auxiliar na rápida IEE, 133, Part C,No 6, Setembro, pp359-368.
restauração do sistema e análise de faltas, resultando na
melhoria da qualidade na continuidade da potência COURY, D.V., AGGARWAL,R.K.(1991) “A New
fornecida. Algorithm for Fault Classification and Fault Location
O artigo em questão apresenta um estudo comparativo on Three Terminal Lines”, The 26th Universities
de dois métodos distintos de localização de faltas, tendo Power Engineering Conference, Brighton Polythecnic,
como diferenciação a procedência dos dados: de apenas um Brighton, UK.
terminal e de ambos os terminais da linha de transmissão.
No que diz respeito ao método implementado que utiliza COURY,D.V.(1992) “A Practical Approach to Accurate
dados de apenas um dos terminais da linha, efeito das Fault Location on EHV Teed Feeders” PhD Thesis
diferentes localizações, tipos de faltas, resistências de University of Bath, UK.
faltas, capacidade das fontes e taxa amostral utilizada foram
testados. Nos testes realizados considerando-se faltas ERIKSON, L. SAHA,M.M., ROCKEFELLER,G.D (1985)
sólidas, observou-se que as estimações mais precisas foram ”An Accurate Fault Locator with Compensation for
encontradas para faltas entre o terminal local e o meio da Apparent Reactance in the Fault Resistance Resulting
linha, com erros ao redor de 2.5%. No entanto, foi também from Remote End Infeed” IEEE Trans. on Power
observado que para testes com a existência de resistências Apparatus and Systems, Vol 104, No 1, pp424-436.
de faltas (10 a 30 Ω), o algoritmo perde esta precisão,
culminando em desempenho altamente comprometido para GIRGIS, A.A.; HART, D.G.; PETERSON, W.L.(1992)”A
resistências de faltas mais elevadas (100 a 150 Ω). A maior New Fault Location Technique for Two- and Three-
vantagem associada a este método é que canais de Terminal Lines” - IEEE Transactions on Power
comunicação não são necessários. Delivery, Vol. 7, N° 1.
O método que utiliza informação de ambos os terminais
da linha foi testado para as mesmas situações descritas JEAYASURYA, B.; RAHMAN, M.A (1989) ” Accurate
anteriormente. As porcentagens de erro mantiveram-se em Fault Location of Transmission Lines Using
um limite de 2.5% para a grande maioria dos testes, mesmo Microprocessors”, IEE Fourth International
Conference on Developments in Power System
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JOHNS, A.T.; AGGARWAL, R.K.(1976).”Digital


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PROTEÇÃO RÁPIDA DE LINHAS DE TRANSMISSÃO COM O USO DE EQUAÇÕES DIFERENCIAIS

RENATA ARARIPE DE MACÊDO1 DENIS VINICIUS COURY2

Departamento de Engenharia Elétrica


Escola de Engenharia de São Carlos - ESSC-USP
CP 359 - CEP 13560-970 FONE: (016) 273-9363
FAX (016)273-9372 São Carlos - SP
rmacedo@sel.eesc.sc.usp.br1 coury@sel.eesc.sc.usp.br2

RESUMO – Este trabalho apresenta uma implementação de proteção rápida para linhas de transmissão
de alta tensão. O algoritmo proposto calcula a distância em que a falta ocorreu na linha através da
equação diferencial da mesma. A determinação numérica da distância da falta é feita pelo cálculo dos
parâmetros de linha, ou seja, a sua resistência e indutância. Para este esquema, as tensões e correntes
trifásicas foram empregadas como entradas. O software “Alternative Transients Program” - (ATP) é
usado para gerar os dados referentes a uma linha de transmissão (440 kV) em condições de falta. O
objetivo dos testes foi demonstrar que o algoritmo converge em menos de dois ciclos e que pode
analisar corretamente várias situações de faltas sobre a linha de transmissão protegida. Os resultados
utilizando-se da técnica proposta demonstram que o método apresenta bastante precisão e rapidez no
cálculo da distância da falta para efeitos de proteção.

ABSTRACT - This work presents a proposal for fast protection of high voltage transmission lines. The
proposed algorithm calculates the distance that the fault occurred in the line through its differential
equation. The numerical determination of the fault distance is made through the calculation of the line
parameters: its resistance and inductance. For this scheme, the three-phase voltage and current signals
were used as inputs. The software Alternative Transients Program - (ATP) was used to generate the
data related to the transmission line (440 kV) in faulted condition. The objective of the tests was to
prove that the algorithm converged in less than two cycles, analyzing several situations of faults
correctly on the protected line. Results using the technique demonstrate that the method presents high
precision in the calculation of the fault distance for protection purposes.

Key Words - System Protection, Digital Protection, Differential Equation.

comumente refletem a presença da falta no sistema são


1 Introdução os sinais de tensão e corrente, obtidos nos terminais do
relé. Normalmente estes parâmetros são usados em relés
A função do sistema de proteção é detectar faltas ou de distância na proteção de linhas de transmissão. Estes
condições anormais no sistema elétrico de potência, e calculam a impedância aparente entre a localização do
removê-las o mais rápido possível. Este sistema deve relé e a falta. Como a impedância por quilômetro da
retirar de operação apenas o elemento sob falta, visando linha de transmissão é considerada constante, através do
a continuidade do fornecimento de energia elétrica. A cálculo da impedâcia aparente, o relé aponta a distância
interrupção no fornecimento de energia elétrica deve da falta na linha.
então ser minimizada ou, se possível, evitada. Dentre as A escolha do algoritmo mais adequado para a
características mais desejáveis de um sistema de proteção está , dentre outras coisas, baseada no tempo no
proteção destacam-se: rapidez, seletividade, qual o algoritmo leva para extinguir a falta no sistema.
sensibilidade e confiabilidade. Este deve ser o menor possível reduzindo, assim, a
O relé é o dispositivo lógico do sistema de proteção. possibilidade de instabilidade transitória do sistema,
Este detecta as condições anormais, e inicia sua operação danos aos equipamentos e riscos pessoais.
para a abertura ou não dos disjuntores adequados, a ele Este trabalho apresenta o desenvolvimento de um
associados. O relé deve ser capaz de estabelecer uma algoritmo baseado na modelagem do sistema de
lógica entre os parâmetros do sistema e tomar uma transmissão por meio de equações diferenciais,
decisão correta de abertura. Os parâmetros que mais formuladas através dos parâmetros resistência e

1
indutância da linha de transmissão a ser protegida. Nesta foram utilizados em todos os estudos. Os dados obtidos
abordagem não é necessário que a entrada do algoritmo através do software ATP foram:
seja puramente senoidal, admitindo a presença de
harmônicos e componentes CC presentes na linha como R0 = 1.86230 Ω
parte da solução do problema, quando da ocorrência de
uma falta ou algum distúrbio no sistema. R+ = 0.03852 Ω
Os fundamentos teóricos utilizados para o
desenvolvimento do algoritmo são citados na literatura L0 = 2.23 mH
em trabalhos de Phadke & Thorp (1994), e por Johns &
Salman. (1995). Outros trabalhos podem ser citados
L+ = 0.741 mH
como referências: Mann & Morrison (1971), sugeriram
um algoritmo para o cálculo da impedância da linha
A topologia utilizada nas simulações é de um
baseado na predição dos valores de pico das formas de
sistema de transmissão perfeitamente transposto.
onda de tensão e corrente de entrada. Ranjbar & Cory
A falta foi aplicada entre os terminais P e T da linha
(1975), propuseram um melhoramento no método que
simulada e os dados foram obtidos no terminal P do
utilizava o modelo de uma linha de transmissão RL-série
sistema. A topologia do sistema estudado e é apresentada
que resultava em uma equação diferencial de 1a ordem,
na Figura 1.
com seus limites de integração definidos previamente.
Esta técnica também foi estudada por Smolinsk (1979) e
80 km
Breingan, Chen & Gallen (1979). Jeyasuray &
Q
T
Smolinski (1983), apresentam um estudo comparativo P 1.10o
entre diversos tipos de algoritmos para a determinação 9 GVA

da impedância aparente da linha, e baseado nestes R

estudos, concluíram que a combinação de filtros com o o


1.120
10 GVA
algoritmo baseado na equação diferencial da linha 0.910o
9.5 GVA
apresenta o melhor resultado na implementação deste em 150 km 100 km
tempo real. O algoritmo introduz alguns erros que são
analisados por Phadke & Thorp (1994), onde sugere-se a FIGURA 1 - Sistema elétrico analisado
eliminação destes através de uma pré filtragem das
estimativas. Outros autores tais como, Gilbert, Undren e Para a aplicação em questão, foram utilizadas
Sackin (1977), estudaram diversos algoritmos e amostras de tensão e corrente trifásicas de pré e pós-falta
concluíram a eficácia do modelo baseado na equação com relação ao barramento P a uma taxa amostral de 1
diferencial da linha. Akke e Thorp (1998) apresentam kHz, sendo a freqüência do sistema de 60 Hz. Assim,
um novo método de filtragem digital das estimativas foram realizadas simulações das situações que o relé
para a eliminação de erros introduzidos no algoritmo. experimenta na prática, tais como faltas dentro e fora de
Mais recentemente a aplicação de técnicas de sua zona de proteção.
Inteligência Artificial na detecção e localização rápida de Este artigo mostra alguns aspectos relacionados à
faltas em linhas tem sido objeto de estudo. proteção de distância em linhas de transmissão, e
descreve as simulações realizadas, apresentando
resultados bastante satisfatórios.
2 O sistema de potência analisado

Neste artigo utilizou-se o software ATP (ATP - Rule 3 Derivação da equação diferencial da linha
Book, 1987) para a modelagem do sistema elétrico
estudado e a obtenção do conjunto de dados para análise O propósito do algoritmo estudado é descrever a
e testes. Foi utilizada a representação da linha de dinâmica de uma linha de transmissão sob falta através
transmissão com parâmetros distribuídos, que permite de sua representação por uma equação diferencial.
uma simulação detalhada do sistema elétrico, Deve-se assumir que o comprimento da linha seja tal que
possibilitando a utilização de seus resultados na a capacitância shunt possa ser negligenciada, ficando a
implementação do algoritmo estudado. linha composta apenas por resistência e indutância.
O software ATP permite a representação detalhada A linha de transmissão trifásica, sob falta, pode ser
da linha de transmissão através das características dos modelada através da equação de 1a ordem:
condutores e suas respectivas disposições geométricas (1)
nas torres de transmissão, além da modelagem das di
V=Ri+L
diversas manobras e defeitos que afetam o mesmo, dt
buscando uma aproximação com uma situação real.
A linha de transmissão utilizada para o cálculo dos onde L e R são a indutância e a resistência da linha, e V e
parâmetros foi uma linha típica da CESP de 440kV. Esta i são a tensão e a corrente medidas no relé,
linha corresponde ao trecho Araraquara – Baurú. Os respectivamente. A equação (1) representa uma linha de
dados de seqüência obtidos, através do software ATP, transmissão curta, na qual este estudo foi baseado. Para
2
linhas médias e longas compensações extras são que são os fatores multiplicadores da resistência e
necessárias. Para resolver a equação (1) foram indutância, respectivamente para uma falta na linha,
introduzidos os parâmetros que limitarão a solução. podem ser escritos na forma:
Assumindo uma falta na linha PT, ilustrada pela figura 1,
a uma distância k do relé, os valores instantâneos da [ ( )]
 di di 
va = kr R + ia + R 0 − R + i0 + kl  L+ a + L0 − L+ 0  ( ) (8)
tensão e da corrente podem ser calculados pela equação  dt dt 
(2), para uma linha trifásica: e a expressão pode ser escrita na forma geral como:
 va   ia   ia  (2) dil (9)
    d   v = k r ir + kl
 vb  = k r R ib  + k l L  ib  dt
v  i  dt  
 c  c  ic  Onde:
onde va, vb e vc, ia, ib e ic são as tensões e correntes v = va (10)
ir = R ia + (R − R )i0
trifásicas nas respectivas fases a, b e c da linha, e os + 0 +
parâmetros kr e kl são o comprimento relativo da linha
para a resistência e a indutância, respectivamente. Para il = L+ ia + (L0 − L+ )i0
uma falta na linha PT, estes parâmetros assumirão um
valor entre 0 e 1, que representa a distância entre a falta e
a localização do relé, que em condições ideais seriam
iguais. 3.2 Falta fase-fase-terra ou fase-fase
As matrizes R e L são as matrizes resistência e
indutância para a linha modelada, respectivamente. Considerando uma falta entre as fases a e b, a uma
Assumindo uma transposição perfeita, tem-se: distância k, envolvendo ou não a terra, a sua equação
pode ser representada pela expressão:
 Rs Rm Rm   Ls Lm Lm  (3)
 va  i  d i  i  d i 
  = k r R +  a  + k r L+  a  + k r (R 0 − R + ) 0  + k l (L0 − L+ )  0 
(11)
R =  Rm Rm  L =  Lm Lm 
e
Rs Ls  vb   ib  dt  ib   i0  dt  i0 

 Rm Rm R s   Lm Lm Ls 
e na sua forma geral
onde os índices s e m significam própria e mútua, dil (12)
respectivamente. Os índices 0 e + são utilizados na v = k r ir + k l
dt
representação do sistema através das componentes de
seqüência zero e positiva, respectivamente. Onde:
A relação entre os parâmetros são: v = v a − vb (13)
(4)
L+ = Ls - Lm ir = R + (ia − ib )
R + = Rs - R m
il = L+ (ia − ib )
L0 = Ls – 2Lm
R+ = Rs - 2Rm
De (4) , segue que:
(5) 3.3 Falta trifásica
3Lm = L0 – L+
3Rm = R0 – R+ Para uma falta trifásica a uma distância k do relé, desde
que a falta seja simétrica, a equação (6) pode ser rescrita
Foram usadas as equações (4) para rescrever a
da forma:
equação (1) como:
v a  i a  i a  i0  i0 
va  ia  ia  (14)
(6) v  = k R + i  + k L+ d i 
  b r  b l
dt  
b (
v  = k R + i  + k L+ d i  + k R 0 − R +
r )
 0 l( )
i  + k L0 − L+ d i 
dt  
0  b r  b l
dt  
b

v c  i c  i c  i0  i0  vc  ic  ic 

Com a corrente de seqüência zero igual a: Definimos os componentes αβ por:


i0 = (ia + ib + ic)/3 (7)  va  (15)
 vα    onde 2 1 −1 −1

  = M  vb  M=  2 2

3  0
A seguir serão derivadas a equações para os tipos de v  3 − 3
faltas estudados.  β v  2 2 
 c

3.1 Falta fase-terra. As três quantidades a, b, c são convertidas em duas


novas quantidades ortogonais entre si, ficando a equação
Assumindo uma falta fase-terra, ocorrendo na fase a e a geral da forma:
uma distância k do relé, o valor instantâneo da tensão va,
que é a tensão da fase a no ponto do relé, pode ser
calculada usando a equação (8). Os parâmetros kr e kl,
3
computacionalmente. Uma vantagem é a redução de
 vα  i  d i  (16)
  = kr R +  α  + kr L+  α  armazenamento de dados requeridos (Chen, C. H.
v  i  dt  iβ 
 β  β (1988)).

5 Resultados obtidos
3.4 A solução da equação diferencial Uma extensiva série de testes realizados com o algoritmo
apresentaram respostas de acordo com o esperado. A
Para as faltas do tipo fase-terra, fase-fase e fase-fase-
estimativa da localização da falta, ou seja, o cálculo da
terra, tem-se a solução da equação geral (9) pela regra
distância através da resistência e da indutância, mostrou
trapezoidal. Os dois parâmetros desconhecidos kl e kr
ser um critério coerente com as expectativas do
são estimados por estas equações , utilizando-se três
algoritmo. Por motivo de brevidade, somente alguns
amostras consecutivas, n-2, n-1 e n. As estimativas são:
resultados serão apresentados. As figuras abaixo
^
kr =
(il − il )(vn −1 + vn − 2 ) − (il − il )(vn + vn −1 ) (14) resumem os resultados obtidos.
(ir + ir )(il − il ) − (ir + ir )(il − il )
n n −1 n −1 n −2
n Algumas estimativas de localização para uma falta
n −1 n −2 n −1 n −1 n −1 n−2
fase-terra são ilustradas nas figuras 2, 3, 4 e 5, que
( ) ( )
n n

^ h − irn − irn −1 (vn −1 + vn − 2 ) + irn −1 + irn − 2 (vn + vn −1 ) (15) ilustram uma resposta típica do algoritmo, com e sem
k ln =
( )( ) (
2 irn −1 + irn − 2 il n − il n −1 − irn + irn −1 il n −1 − il n − 2)( ) filtragem, para faltas a 30 km (20% da linha) e 105 km
(70% da linha), onde se variou a resistência de falta (1 e
A solução da equação diferencial, resultará na 80 Ω ). É observado uma diferença de estimativa entre os
distância em que a falta ocorreu na linha em termos gráficos de kr e kl. Como esperado, esta diferença se
percentuais. Os valores de kr e kl serão valores numéricos acentua profundamente na existência de valores mais
entre 0 e 1, conforme citado anteriormente, e indicarão a altos de resistência de falta (figura 5). Assim, os
existência da condição ou não de trip do disjuntor. A resultados que melhor satisfazem o problema são os
solução para falta trifásica é similar a representada valores do kl, uma vez que são imunes as variacões da
acima. resistência de falta.
Foi desenvolvido um programa computacional em
linguagem Fortran para testar o princípio descrito KL
anteriormente para a proteção digital baseada na 0,206 Filtro

modelagem da linha de transmissão.


0,204

4 Filtragem das estimativas


KL - 20% da linha

0,202

O uso direto das equações descritas anteriormente não 0,200

produz uma estimativa aceitável para ser usada em relés


0,198
digitais por possuírem convergência em tempos
normalmente superiores a dois ciclos. Assim, foi feita 0,196
uma filtragem das respostas do algoritmo,
proporcionando um diagnóstico mais rápido das 0,194
0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045
estimativas. Para isso foi usado um filtro de mediana de Tempo(s)
5ª ordem na localização da falta.
O filtro de mediana é uma técnica de processamento FIGURA 2: Estimativa do kl a 20% da linha sem filtragem (sólido) e
digital de sinais que é útil para supressão de ruídos em com filtragem (tracejado) com resistência de falta de 1 Ω .
imagens. O filtro consiste em uma janela móvel de
dados englobando um número ímpar de amostras. A
amostra central da janela é substituída pela mediana do KR
Filtr
conjunto dentro da janela, rejeitando totalmente os
0,210
valores extremos das amostras e suavizando o gráfico.
Uma solução alternativa consiste em calcular a função 0,208
acumulativa local sobre a metade do valor numérico
KR - 20% da linha

amostrado. Esta avaliação do histograma é vantajosa 0,206

apenas quando é usado uma janela de 5x5 amostras ou


0,204
mais, Pratt, W.K. (1978).
Melhores resultados foram obtidos usando-se 0,202
estimativas recursivas para valores medianos para
amostras consecutivas. Os filtros digitais recursivos são 0,200
0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,050
assim denominados por que há uma realimentação da Tempo(s)
entrada, portanto a saída será dependente tanto da
seqüência de entrada quanto das saídas anteriores. Em FIGURA 3: Estimativa do kr a 20% da linha sem filtragem (sólido) e
alguns casos, filtros recursivos são mais eficientes com filtragem (tracejado) com resistência de falta de 1 Ω .
4
KL
FILTRO
KL
0,58
0,94 Filtro
0,56
0,92
0,54
0,90

KL - 50% da linha
0,52

0,88
KL - 70% da linha

0,50

0,86 0,48

0,84 0,46

0,82 0,44

0,80 0,42

0,40
0,78

0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045


0,76
0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 Tempo(s)
Tempo(s)
FIGURA 7: Estimativa do kl a 50% da linha sem filtragem (sólido) e
FIGURA 4: Estimativa do kl a 70% da linha sem filtragem (sólido) e com filtragem (tracejado) para falta fase-fase.
com filtragem (tracejado) com resistência de falta de 80 Ω .

KL
FILTRO
0,98

0,96
KR
2,25 FiltroR
0,94

2,20 KL - 90% da linha 0,92

0,90
2,15
KR - 70% da linha

0,88
2,10
0,86

2,05
0,84
0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045 0,050
2,00 Tempo(s)

1,95
0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045
FIGURA 8: Estimativa do kl a 90% da linha sem filtragem (sólido) e
X axis title com filtragem (tracejado) para falta fase-fase-terra.

FIGURA 5: Estimativa do kr a 70% da linha sem filtragem (sólido) e


com filtragem (tracejado) com resistência de falta de 80 Ω . Deve ser ressaltado que a filtragem das estimativas
resultam em uma rápida convergência dos valores de kl e
As figuras 6, 7 e 8 apresentam o gráfico do cálculo kr calculados pelo algoritmo. A filtragem mencionada
do kl em relação ao tempo com resistência de falta de possibilita o uso de tal filosofia para proteção de
10 Ω para uma falta do tipo fase-terra, fase-fase e fase- distância rápida de linhas de transmissão. Deve ainda
fase-terra, a 45 km (30% da linha), 75 km (50% da linha) ser mencionado que as estimativas são mais precisas
e 135 km (90% da linha), respectivamente. para faltas até 50% do comprimento da linha, para
valores de kl. No entanto, de uma forma geral para
diferentes distâncias, resistências de falta e tipos de falta
kl
Filtro a filosofia descrita pode ser empregada para proteção
0,32 rápida de linhas de transmissão.
0,31
6 Conclusões
KL - 30% da linha

0,30

0,29 A técnica apresentada neste trabalho mostra a utilização


0,28 de uma modelagem dos parâmetros da linha de
0,27
transmissão, através de um algoritmo de equações
diferenciais, para o cálculo da localização da falta.
0,26
Pela apresentação do algoritmo estudado, os
0,25
0,010 0,015 0,020 0,025 0,030 0,035 0,040 0,045
resultados não são afetados pela presença de harmônicos
Tempo(s) ou componentes CC introduzidos no sistema quando da
ocorrência da falta. Esta técnica pode ser aplicada para
FIGURA 6: Estimativa do kl a 30% da linha sem filtragem (sólido) e qualquer tipo de falta com ou sem a presença de
com filtragem (tracejado) para falta fase terra. resistência de falta.
Conforme esperado, a presença de resistência de
falta modifica apenas os valores do kr. Este fato não
5
afeta a decisão do algoritmo na abertura dos disjuntores Ranjbar, A.M. e Cory, B.J. (1975) An improved method
a ele associados, pois na tomada de decisões só é levado for the digital protection of high voltage
em consideração os valores de kl . transmission line, IEEE Transaction on Power
Para os tipos de falta testados, a estimativa da Apparatus and Systems, Vol. PAS-94, p. 544-550.
localização da falta através dos parâmetros kl, mostrou-se
Gilbert, J.G. ; Undren, E.A. e Sackin, M. (1977) Evaluation
altamente satisfatória para a finalidade de proteção.
of Algorithms for Computer Relaying, IEEE PES
O trabalho mostrou que a resposta do algoritmo
Summer Meeting, Mexico City, Mex., July 17-22.
converge em menos de 2 ciclos de pós-falta, após a
filtragem das estimativas, imprimindo maior velocidade Smolinski, W..J. (1979) An algorithm for digital
de resposta para os relés digitais. impedance calculation using a single PI section
transmission line model, IEEE Transaction on
Power Apparatus and Systems, Vol. PAS-98, p.
Agradecimentos 1546-1551.
Os autores gostariam agradecer ao Departamento de Breigan, W.D. ; Chen M.M. e Gallen T.F. (1979) The
Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia de São laboratory investigation of digital systems for
protection of transmission lines, IEEE Transaction
Carlos /Universidade de São Paulo (USP/EESC) pelas
on Power Apparatus and Systems, Vol. PAS-98, p.
facilidades proporcionadas quando do desenvolvimento 350-368.
deste trabalho, bem como ao apoio financeiro recebido
Jeyasuray, B. e Smilinski W.J. (1983) Identification of a
por parte da CAPES – Conselho de Aperfeiçoamento do
best algorithm for digital distance protection of
Pessoal de Ensino Superior. transmission line, IEEE Transaction on Power
Apparatus and Systems, Vol. PAS-103, p. 3358-
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Transaction on Power Apparatus and Systems, Vol. C.H. Chen
PAS-90, No. 1, Jan/Fev., (1971).
.

6
A COMPLETE SCHEME FOR FAULT DETECTION, CLASSIFICATION AND LOCATION IN
TRANSMISSION LINES USING NEURAL NETWORKS

M Oleskovicz1
D V Coury1
R K Aggarwal2
1
University of São Paulo, Brazil
2
University of Bath, United Kingdom

INTRODUCTION used to set up the ANN topology, train it and obtain the
weights as an output. The Neuralworks software
Protective relaying aims to safeguard expensive provides a flexible environment for research and the
equipment such as generators, transformers, cables, and application of techniques involving ANNs. Moreover,
also to maintain the system integrity that is necessary the supervised Backpropagation algorithm was utilised
for a continuous and economical supply of electric during the training process.
power. If a fault occurs, it should be isolated as quickly
as possible to preserve the stability of the rest of the GLOBAL VIEW OF THE SCHEME
system. Protective relays for transmission lines
normally use voltage and current input signals in order With digital technology being ever increasingly adopted
to detect, classify and locate faults in a protected line. In in power substations, more particularly in the
the case of a disturbance, the relay will send a trip signal protection field, distance relays have experienced
to a circuit breaker in order to disconnect the faulted some improvements related to efficient filtering
line. In an interconnected system, the rest of the methods as well as a shorter decision time (10). The
network can then continue working normally or at least trip/no trip decision has been improved compared to
under close to normal conditions. electromechanical/solid state relays. However, the relay
characteristics in most of the cases remain fixed.
With the recent advances of Artificial Neural Network
(ANNs) techniques, different architectures have been Considering a global scheme for transmission line
suggested in the literature to solve problems related to protection, it is necessary, as mentioned, to detect the
power systems. Neural networks are useful for power fault situation. Following that, fault classification and
system applications because they can be trained with the fault location (zone 1, 2 or 3) should be indicated.
off-line data. An overview of the application of ANNs As highlighted, this work proposes an alternative
to power systems can be found in reference (1). method utilising ANN to perform such tasks. The reach
Concerning the application in the protection field, some for protection zones 1, 2 and 3 are set 95%, 130% e
pattern recognition approaches to fault identification 150% of the protected transmission line, respectively.
should be mentioned such as (2) and (3). Moreover, As different operation conditions were used in the
references (4)-(6) show some approaches concerning training process, an adaptive behaviour was attributed to
fault classification using ANNs. In (7), an ANN the relay concerning fault location in the protection
approach to distance protection is also proposed. It was zones.
shown that this scheme improves the protection system
selectivity, adapting to the actual power system In order to evaluate the applicability of the proposed
condition. scheme, a simulation of the transmission line in a
faulted condition was set up. This work makes use of a
This work presents an Artificial Neural Network (ANN) digital simulator of faulted EHV (Extra High Voltage)
approach to simulate a complete scheme for distance transmission lines known as ATP, as mentioned earlier.
protection of a transmission line. In order to perform It should be mentioned that although the technique
this simulation, the distance protection task was described is based on Computer Aided Design (CAD),
subdivided into different neural network modules for practical considerations such as the Capacitor Voltage
fault detection, fault classification as well as fault Transformer (CVT), anti-aliasing filters (Cut Frequency
location in different protection zones. A complete 300 Hz) and quantisation (assuming a 12-bit ADC) on
integration amongst these different modules is then system fault data were also included in the simulation.
essential for the correct behaviour of the proposed The data obtained was very close to that found in
technique. The three-phase voltages and currents practice. The technique also considers the physical
sampled at 1 kHz, in pre and post-fault conditions, were arrangement of the conductors, the characteristics of the
utilised as inputs for the proposed scheme. The conductors, mutual coupling and the effect of earth
Alternative Transients Program (ATP) (8) software was return path. Perfect line transposition was assumed. The
used to generate data for a 400 kV transmission line in a 440 kV transmission line used to train and test the
faulted condition. The NeuralWorks software (9) was proposed ANNs is shown in Figure 1. This study takes

1
layer, 9 units in the hidden layer and one output layer
D E F G with 2 units - architecture ANN1 24-9-2, Table 1). This
~
TL1 TL2 TL3
~
module should recognise between the fault situation
Relay (reverse or forward) and a normal network situation.
1.050o 0.95-10o
10 GVA 9,5 GVA
The ANN 1 expected outputs (D1 and D2) are
80 Km 150 Km 100 Km represented in Table 1. When a fault situation is
detected (reverse or forward fault) the last voltage and
TL = 440 kV current samples are transferred to the classification
Figure 1: Power system analysed module (ANN2).

into account phase to earth faults, phase to phase faults, START


phase-phase to earth and three phase faults. DETECTION SCHEME Voltage and current
Voltage and current post-fault values, measured at bus E samples

and sampled at 1 kHz, were utilised as data inputs. The •••


data set was composed by various fault situations
ANN1
considering different fault locations, fault resistances
and fault inception angles. It should be pointed out that
D1 D2
for the training process approximately 333, 138 and
1,000 (for each type of fault) different fault cases was Fault No
detected?
utilised for detection, classification and location
schemes respectively. CLASSIFICATION SCHEME Yes

Last voltage and current samples


used in the detection module
The NeuralWorks software was used to set up the ANNs
topologies, train them and obtain the appropriate •••

weights. The data used by the neural networks learning


algorithms were divided into two parts: one used for ANN2

training (called the total training set), and another one


used for tests (test set). In the experiments carried out in C1 C2 C3 C4

this work, the total training set is further subdivided Last voltage and current samples used in
into training and a validation set. The size of the the classification module

training and validation sets are 80% and 20% from the LOCATION SCHEME •••
total training set, respectively. Concerning the
training/validation data set, the fault conditions utilized
in the ANN scheme were in a random fashion. Phase-earth Phase-phase Phase-phase- Three phase-
faults faults earth-faults faults
••• ••• ••• •••
The training and test sets were used by the ANN
modules through data windows. Four samples of the
three phase voltages and currents from bus E were
utilised as inputs. In the data windows, when a new
L1 L2 L3 L1 L2 L3 L1 L2 L3 L1 L2 L3
sample becomes available, the oldest value is discarded
ANN3 ANN4 ANN5 ANN6
and the new sample value is included.

Several different topologies for the MLP (Multi Layer Figure 2: A complete scheme for fault detection,
Perceptron) neural networks were tried for all modules classification and location in transmission lines using
described. The supervised algorithm known as Norm- neural networks
Cum-Delta Learning Rule (9) was used. It is a variation
of the cumulative Back-Propagation learning rule, According to Fig.2, ANN2 (architecture ANN2 24-16-
which is immune to changes in the epoch length. As an 4) should classify the involved phases in a reverse or
alternative to the sigmoid transfer function, the forward fault situation. The ANN2 distinguishes 10
hyperbolic tangent transfer function was utilised in this types of faults as illustrated in Table 1. The ANN2
work. During the training process, different learning expected answers C1, C2, C3 and C4 are also pointed out
rate values, situated between 0.01 to 0.4 were used in in the table for the different types of faults.
the hidden and output layers. The same occurred with
Momentum (0,001 - 0,2 interval). After the final decision concerning the classification
module, the sampled data are directed to one of four
After training, the ANN architectures were converted to artificial network architectures in the location module
a C code and a complete algorithm was developed. In (ANN3 24-48-44-3, ANN4 24-44-40-3 , ANN5 24-44-
the proposed algorithm, all modules were connected in a 40-3 or ANN6 24-24-20-3). ANN3 will be responsible
sequential form as show in Figure 2. The process starts for phase – earth fault location (phase A or B or C to
with the fault detection module (24 nodes in the input
TABLE 1 – The ANNs expected answers
DETECTION SCHEME CLASSIFICATION SCHEME LOCATION SCHEME
ANN2 (24-16-4)
Situation D1 D2 Fault situation C1 C2 C3 C4 Fault situation L1 L2 L3
Normal 0 0 A-E 1 0 0 1 Zone 1 1 0 0
Reverse fault 1 0 B-E 0 1 0 1 Zone 2 0 1 0
Forward fault 0 1 C-E 0 0 1 1 Zone 3 0 0 1
AB 1 1 0 0
AC 1 0 1 0
BC 0 1 1 0 ANN3 (24-48-44-3)
ANN1 (24-9-2) AB-E 1 1 0 1 ANN4 (24-44-40-3)
AC-E 1 0 1 1 ANN5 (24-44-40-3)
BC-E 0 1 1 1 ANN6 (24-24-20-3)
ABC 1 1 1 0

earth). ANN4 and ANN5 will be responsible for phase – 1 (one). The other values were considered as uncertain
phase, and phase – phase to earth fault location (fault cases.
phases AB, AC, BC, and fault phases AB or AC or BC It should also be mentioned that the detection network
to earth) respectively. The location of the three-phase architecture chosen has a final outcome after repeating
fault will be performed by the ANN6. For the location the output for two consecutive windows. The
modules, the outputs (L1, L2 and L3) are associated to classification and location network architectures will
protection zone 1, 2 or 3 as shown in Table 1. confirm their outputs after repeating four consecutive
windows.

SOME RESULTS FOR THE PROPOSED


SCHEME CONCLUSION

A test set was created to analyse the performance of the The use of an ANN as an alternative method for fault
proposed algorithm. A total of 405 different cases for detection, classification and location tasks for
each type of fault was utilised in the test set. transmission line protection was investigated in this
work. The approach uses voltage and current samples as
The test set was formed by the following variables: fault inputs. This study took into account phase to earth
locations (km) - 88, 105, 115, 125, 135, 145, 155, 165, faults, phase to phase faults, phase-phase to earth and
175, 185, 195, 202, 208, 212, 218, 222, 223, 225, 238, three phases faults.
243, 248, 253, 258, 263, 268, 273, 278, 282, 288, 293,
The results obtained show that the global performance
298, 302, 308, 313, 318, and 320; fault resistances (Ω) - of the ANN architectures was highly satisfactory
phase-earth: 30, 60, 90 and, phase-phase: 0.3, 0.6, and
concerning precision and velocity of response for all
0.9; fault inception angles (o) - 20, 50, and 80.
modules described. Considering the tested cases for the
detection module, the ANN outputs converged to the
As in the training process, four samples for voltages and correct levels very quickly after up to 5 ms of the fault
currents (pre and post-fault values) from bus E, sampled
occurrence. This module also works as a direction
at 1 kHz, were utilised as inputs. In all the tests, the
discriminator recognising between reverse and forward
detection module was able to correctly recognise a
faults on a transmission line. The classification module
normal condition as well as a fault condition (100% of was able to discriminate correctly the phases involved in
correct answers). the fault in between 4 and 9ms after the fault
occurrence. Finally, considering the three protection
Table 2 presents the results observed concerning the
zones, the results clearly show that this approach leads
performance of the complete scheme. It can be observed
to a reliable location of the faults considering all types
from the table the percentage of correct answers (C.A.)
of faults (with times between 8 to 15 ms after fault
as well as the processing time for each module. It can be occurrence). It should be pointed out that the ANN relay
observed that the detection, classification and location estimated the expected response in approximately 98 %
modules presented a very high percentage of correct
of the 4,050 patterns tested considering changes in the
answers.
operational conditions of the system. The total number
of errors observed corresponds to 2% and they are
Concerning the time spent by the process, it is estimated
relative to incorrect responses that are situated in the
that the complete scheme (detection, classification and ANNs transition zones. An extension of the relay
location) can operate in an average time of 13 ms after primary protection zone to 95% of the line length was
the fault occurrence.
implemented, enhancing system security and improving
It should be pointed out that for all modules, 0-0.3 the performance considering ordinary relays.
interval was considered as a network response equal to
0 (zero) and 0.7-1 interval as network response equal to

3
TABLE 2- Correct answers and processing time for detection, classification and location modules
Percentage (%) of Correct Answers (C.A.) and processing time for each module
MODULE Proces. Phase to earth Phase - phase Phase - phase Three - phase
time faults faults to earth faults faults
C.A. 100 100 100 100
Detection 2 ms 71.94 75.97 82.14 84.44
4050 patterns tested 3 ms 23.29 22.96 16.79 15.56
4 -5 ms 4.77 1.07 1.07 -
C.A. 99.92 100 99.26 98.52
4 ms 24.20 - - -
5 ms 37.94 4.36 6.18 -
Classification 6 ms 31.36 18.96 12.92 -
4050 patterns tested 7 ms 5.60 17.53 31.28 30.37
8 ms 0.58 35.23 35.48 26.91
9 ms 0.24 13.33 10.54 24.70
10-17 ms - 10.62 2.86 17.54
C.A. 94.65 94.00* 95.97 92.84
8 ms 0.61 - 0.31 -
9 ms 4.12 5.00 6.50 -
10 ms 14.10 11.00 15.53 5.03
Location 11 ms 19.60 21.00 27.01 17.61
3240 patterns tested 12 ms 21.13 21.00 23.46 21.07
13 ms 17.39 19.00 13.89 28.63
14 ms 12.34 10.00 5.02 13.59
15 ms 4.42 3.00 2.76 3.72
16-18 ms 0.94 4.00 1.49 3.19
* Preliminary results. Phase-phase fault location are still in tests

It should also be noted that in all the tested cases, the networks for T. L. ultra high-speed fault detection and
average operation time of the global scheme is 13 ms classification”, IPST’97 - International Conference on
after the fault occurrence. Power Systems Transients, 412-417.
3. Su W B, Mao P L, Bo Z Q, Aggarwal R K and Johns
It should be remembered that this process involved
A T, 1997, “A fault detection technique for compositive
training and testing different network configurations for
transmission circuits using artificial neural networks”,
the modules involved until satisfactory performance was
UPEC’97 - 32nd Universities Power Engineering
achieved and this was a time consuming process. It must
Conference, 1, 291-294.
however be pointed out that this tool opens a new
4. Kezunovic M and Rikato I, 1996, “Detect and
dimension in relay philosophy which should be widely
Classify faults using neural nets”, IEEE Computer
investigated, allowing one to solve some of the various
Applications in Power, 42-47.
problems related to the distance protection of
5. Aggarwal R K, Xuan Q Y and Johns A T, 1997,
transmission lines. “Fault classification for double-circuits using self-
organisation mapping neural network”, UPEC’97 - 32nd
ACKNOWLEDGMENTS Universities Power Engineering Conference, 2, 440-
The authors wish to acknowledge the Department of 443.
Electrical Engineering - University of São Paulo and the 6. Keerthipala W W L, Wai C T and Huisheng W, 1997,
Department of Electronic and Electrical Engineering – “Neural network based classifier for power system
University of Bath for research facilities provided to protection”, Electric Power Systems Research, 42, 109-
conduct this research project as well as to FAPESP – 114.
Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São 7. Coury D V and Oleskovicz M, 1998, “Multi-layer
Paulo for the financial support given. Our neural networks applied to distance relaying”,
acknowledgements also extend to NeuralWare – Aspen International Journal of Electrical Power and Energy
Technology for facilities related to NeuralWorks Systems, Elsevier Science, 20 (8), 539-542.
software. 8. “Alternative Transients Program Rule Book”, Leuven
EMTP Center (LEC), 1987.
REFERENCES 9. “NeuralWorks Professional II/PLUS” software -
Version 5.23, NEURALWARE, a subsidiary of Aspen
1. Dillon T S and Niebur D, 1996, “Neural networks Technology, Inc., 1998.
applications in power systems”, CRL Publishing, 10. Phadke, AG and Thorp J S, “Computer Relaying for
London, England. Power Systems”, John Wiley and Sons, 1988.
2. Al-Hasawi W M, Abbasy N H and Mansour M M,
1997, “Using fault induced transients and neural
IMPROVING THE PROTECTION OF EHV TEED FEEDERS USING LOCAL AGENTS

D V Coury1 J S Thorp2 K M Hopkinson2 K P Birman2


1
University of São Paulo, Brazil, 2Cornell University, USA

INTRODUCTION participating in the same application. An agent can


The protection of multi-terminal lines is not as simple also learn from the environment; the term “intelligent”
as that of two-terminal lines. They usually experience is sometimes applied to such agents, particularly if the
additional problems caused by the intermediate infeed learning method involves artificial intelligence tools, or
from the third terminal, an outfeed, different line neural networks.
lengths to the tee point, etc. The limitations of non- Agents can be further subdivided based on their
pilot distance relays for their protection have been mobility. Mobile agents can literally travel from one
acknowledged for decades. These limitations lead to the location to another while maintaining their state and
traditional distance relaying approach to experience functionality. One imagines such an agent as moving
severe underreach and overreach problems. The relay through a network in search of certain data, or for
first zone reach may not even extend beyond the tee locations having certain attributes. In contrast, local
point in some underreach cases (1),(2). agents are placed by the owner and then remain in the
An approach based on adaptive relaying to face such a same location throughout their computational lives.
situation and some fundamental concepts concerning it Both kinds of agents normally have the ability to
was presented by Rockefeller (3). Horowitz et al (4) communicate with one another making mobility a
define adaptive relaying as a protection philosophy lesser benefit than it might appear at first glance.
which permits and seeks to make adjustments to In the present paper, we consider the simplest kinds of
various protection functions in order to make them agents: local, non-intelligent ones. Our work seeks to
more attuned to prevailing power system conditions. demonstrate advantages stemming from the rapid
An adaptive setting concept for two and three terminal response time made possible by placing a
lines, which can respond to changes in the network computational task close to the point where an action or
conditions, was proposed by Xia et al (5), (6). Stedall et measurement is needed, and the simplicity of the power
al (7) also proposed an investigation into the use of systems architecture afforded by the ability to send code
adaptive setting techniques for improved distance back- to general purpose computing platforms. The basic idea
up protection. is that by doing so, new control paradigms can be
This paper discusses the adaptation of the settings of introduced and executed efficiently, without changing
distance relays for multi-terminal lines employing the basic computing architecture of the power systems
agents. Agents are software processes capable of network.
searching for information in networks, interacting with The use of agents raises security considerations that go
pieces of equipment and performing tasks on behalf of beyond those encountered in traditional software
their owners (relays). Moreover, they are autonomous systems. Among the issues that need to be considered
and cooperative. Very few publications concerning the are the mechanism for installing agents and for
application of agents in the protection field have been communicating parameter updates to them, the means
reported in the literature. Tomita et al (8) proposed a by which a computing platform or agent authenticates
cooperative protection system utilizing agents. Relay incoming messages, and the enforcement of agent
agents were constructed, and the cooperation of the resource restrictions, such as the use of scarce
main agents was simulated for primary, backup and computational cycles or space in databases and file
adaptive protection. systems. Prior to deploying agents in mission-critical
Results illustrating the improved performance of the settings, one would need satisfying answers on all of
adaptive method proposed compared to conventional these fronts. Preliminary work towards policies
fixed settings are presented in the following sections. addressing these issues can be found in (10).

AGENT TECHNOLOGY THE PROPOSED COMMUNICATION


A software agent is a computer program that takes STRUCTURE AND THE POWER SYSTEM
independent action based on events in the surrounding STUDIED
environment (Genesereth (9)). Under the control of
some application that owns the agent, it is sent forth or The communication structure (middleware)
placed at some site within a network where it takes The computing infrastructure in which our agent
local actions on behalf of its owners. Agents are community will operate is a subject of active
dynamic entities. For example, an agent can exhibit speculation at the time of this writing. The existing
dynamically changing behavior, receiving updated power grid communication infrastructure is composed
parameter settings from the owner or from other agents of a hodgepodge of equipment ranging from high-end
fiber optic cables with large data bandwidth to crude Transformer (CT) and anti-aliasing filters on system
systems with limited data transfer capabilities to fault data were also included in the simulation.
nothing at all. Few utility communications lines are
interconnected. However, this picture will change as Terminal 1 30km
100 km 100km
utilities deploy ever more elaborate control
mechanisms, demanding increasingly rich
communication frameworks, steps that can easily be ~ ~
o Terminal 2 o
foreseen as part of the battle to improve operating 1.0 /_0 0.9 /_-8
efficiencies. 400 kV
The relay scheme proposed here has modest network 80km

resource requirements compared to what we believe


Terminal 3
will be available in the near future. It is expected that
the need for greater communication will result in a 1.0 /_ -5o
Utility Intranet (UI) that would interconnect control ~
areas and their dependent entities using a relatively
high capacity network similar to the Internet but
physically separate from it and dedicated to the power Figure 1 The three-ended system utilized for tests
systems application. However, we caution that
predictions of network bandwidth requirements and A 400 kV system with tee configuration is shown in
total network capacity can be deceptively reassuring. Fig. 1. The different line lengths are presented in the
History has shown a tendency for networked figure, as well as the voltage levels at the busbars. This
applications to use all bandwidth made available to work focuses on line-to-ground faults, since most faults
them. in power system transmission lines are of this type.
To evaluate the feasibility of employing agents and The protection system associated with this
network communication in power-systems relay configuration was simulated for conventional non-pilot
protection, we need to understand the reliability and protection as well as a portion of the agent based
latency requirements of the relays. By doing so, we can relaying approach proposed. Digital distance relays
determine whether or not a proposed combination of with three zone quadrilateral characteristics located at
network hardware and communication protocols can terminals 1, 2 and 3 were simulated. DFT (Discrete
meet the protection system's needs. Relays play a Fourier Transform) routines were utilized in order to
critical role in power grid operations with low tolerance filter the faulted waves. Circuit breakers were
for failures. One can identify that situations in associated with the relays in order to isolate the line in
communication between agents used for relay control case of an internal fault.
might need to take place in as little as 10 ms, a latency
realm leaving little time to recover from data AGENT RELAYS
transmission failures. It is therefore critical to ask
whether available technology can meet those Fig.2 presents the agent mechanism for protection
requirements. purposes. It can be initially divided into an adaptive
In order to face some of the network limitations, pre-fault approach and a post-fault transfer trip action.
communication protocols like Cornell's Spinglass have The mechanism utilizes local agents at terminals 1, 2
been developed by Birman et al (11). Spinglass allows and 3 communicating with each other.
the user to achieve high levels of reliability using
protocols that probabilistically mask latency Adaptive Pre-fault Approach
fluctuations and message loss. Spinglass could be
optimized for use in power relaying and might form a The main purpose of the proposed agent mechanism is
powerful infrastructure for improved protection to carry out the adaptation of the settings of distance
schemes. relays for multi-terminal lines in order to ensure correct
performance over a wide variety of operation
The three-ended system utilized conditions.
In order to simulate the real system encountered in Initially, local agents for terminals 1, 2 and 3 can be
practice, this work makes use of a digital simulator of defined as:
faulted transmission lines known as PSCAD/EMTDC
(Electromagnetic Transients and Controls Simulation Operation Agent: This is a local agent, which monitors
Engine) (12). It should be mentioned that although the operating condition at a terminal. The following
the technique described is based on Computer Aided parameters related to the system condition must be
Design (CAD), practical considerations such as the obtained from on-line measurements and/or
Capacitor Voltage Transformer (CVT), Current calculations:
• Pre-fault busbar voltages RESULTS OBTAINED UTILIZING AGENT
• Power transfer angles TECHNOLOGY
• Source impedances
Adaptive Pre-fault Approach Results
Breaker Status Agent: This local agent monitors
changes in the system topology based on circuit breaker Distance relaying techniques have attracted
status. considerable attention for the protection of transmission
The two local agents, shown in Fig.2, must lines. The principle of this technique measures the
communicate with the Coordination Agent, as defined impedance at a fundamental frequency between the
in item 3. relay location and the fault point, thus determining if a
fault is internal or external to a protection zone. The
Coordination Agent: The coordination agent collects relationship between voltage and current is used for this
information, makes decision, and disseminates purpose. This relationship is disturbed when there is
information to the other two Coordination agents. The infeed or outfeed. As mentioned earlier, this can make
Coordination Agent at each terminal can then choose the relay experience severe underreach or overreach
the correct relay characteristic, based on the problems, especially considering non-pilot protection
information received. schemes for three terminal lines. Another situation that
has to be taken into account is when the tap is not
We propose that a group of settings be calculated off- working for some reason. The setting of distance relays
line, and that these parameters be renewed from time to must reflect all the situations described earlier. Fig.
time as the system condition changes beyond a certain 3(a) shows the typical non-pilot distance protection
limit, based on the Coordination Agent information. with the first zone for a three terminal line at the
Then, when a fault occurs the relay will operate close to condition represented in Fig. 1. As shown in the figure,
its ideal characteristic. only approximately 20 from 210 km obtained
instantaneous trip from the three ends of the lines in
First Zone Transfer Trip the case of an internal fault. Fig. 3(b) illustrates the
improvement that can be found with the adaptive
This action takes place after the fault occurrence. In scheme utilizing Agents that is proposed in this work.
order to decrease the clearance time, when a fault is The instantaneous trip area increased to approximately
detected in the first zone of any of the relays located at 67 km (more than three times the non-pilot condition)
the three terminals, a trip signal is sent through the for the same situation. As mentioned before, the
communication network to the other two ends. A First proposed adaptive scheme can alter settings to ensure
Zone Local Agent coordinates the first zone transfer better performance over a wide variety of operation
trip. conditions.

Clearance Time
First
Zone In order to highlight the efficiency of the proposed
Agent
scheme, this section presents a figure comparing the
clearance time for the conventional non-pilot protection
as well as for the proposed scheme utilizing Agents.
Fig. 4 presents the clearance time for the three-ended
COORDINATION
AGENT line shown in Fig. 1. Line-to-ground faults are applied
to different locations on leg 1-T, considering different
fault inception angles and fault resistance of 10 ohms.
The figure shows the average clearance time
considering legs 1, 2 and 3 for the non-pilot protection
Breaker Operati- as well as the proposed scheme considering three
Status on
Agent Agent
different traffic conditions. A considerable decrease in
clearance time considering the proposed scheme can be
data request
observed.
-INTERFACE WITH THE POWER SYSTEM-
It should be noted that an opening time of
Connection to the other two terminals approximately three cycles for the circuit breaker
utilized was considered. It isolates the fault by
Figure 2 Agent mechanism in one terminal for protection
interrupting the current at or near a current zero. A
purpose coordination delay for zone two of the order of 0.3 s
was also utilized.
CONCLUSION

An application of agents acting within a Figure 4 Average clearance time for the three legs
communication structure to adaptive relay settings for considering non-pilot protection and the scheme proposed
multi-terminal lines was presented in this paper.
Results illustrating the performance of the new method The results showed that the new approach would alter
proposed compared to conventional fixed settings were adaptive settings to ensure correct performance over a
shown. The new approach based on agents was divided wide variety of operation conditions, which is an
in an adaptive pre-fault approach and a post-fault improvement compared to fixed settings for the relays.
transfer trip action. In order to test the proposed Moreover, a considerable decrease in clearance time
scheme, a digital simulation of a faulted transmission compared to conventional non-pilot protection was
line was performed utilizing the PSCAD/EMTDC observed.
software. The protection system associated with this It should then be emphasized that the new approach is
configuration was also simulated both for conventional not only a solution for a well-known problem, but also
non-pilot protection as well as for the Agent based a very attractive alternative to improve the performance
relaying. of protection systems.

ACKNOWLEDGMENTS
Terminal 2
Terminal 1 T
The authors acknowledge the research support by
~
subcontract No. 35352-6085 with Cornell University
under WO 8333-04 from the Electric Power Institute
and the U.S. Army Research Office. Our
acknowledgments also extend to DARPA/RADC grant
20km F30602-99-1-6532 as well as FAPESP (Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo -Brazil).
Terminal 3
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