INSTRUMENTOS DE MEDIDA ELÉTRICA 

Edson Corrêa da Silva e Flavio César Guimarães Gandra  1. OBJETIVO 
Neste capítulo mostraremos ao aluno os princípios básicos de funcionamento e construção de instrumentos  analógicos de medida elétrica bem como a utilização de alguns instrumentos, inclusive digitais. 

2. INTRODUÇÃO TEÓRICA 
2.1. GALVANÔMETRO  O galvanômetro é um instrumento muito sensível cuja característica principal é ter um ponteiro que  sofre uma deflexão quando por ele passa uma corrente elétrica (Figura 1). 

Figura 1: Estrutura básica de um galvanômetro.  Quando  uma  corrente  elétrica  atravessa  a  bobina  esta  interage  com  o  campo  magnético  do  imã  e  esta  interação depende do valor e sentido da corrente. Observamos, então, o aparecimento de um torque sobre  a  bobina  que  provoca  uma  deflexão  no  ponteiro.  Esta  deflexão  é  proporcional  à  corrente  elétrica  e    é  contrabalançada por uma mola até que o ponteiro atinja uma posição de equilíbrio.  corrente ® campo ® torque ® deflexão  Todo  galvanômetro  apresenta  características  intrínsecas  importantes,  as  quais  determinam  os  limites  de  sua  utilização.  A  primeira  delas  é  a  sua  resistência  interna  r  que  vem  da  maior  ou  menor  dificuldade  apresentada  à  passagem  de  corrente.  A  segunda  é  a  corrente  máxima  ig  suportada  pelo  galvanômetro. Toda vez que uma corrente elétrica percorre um fio (bobina) este se aquece por efeito Joule.  Há então um limite para o valor da corrente que pode passar pelo galvanômetro sem danificá­lo, isto é, sem  que  o  fio  da  bobina  possa  ser  danificado  por  alta  temperatura.  Além  disso,  a  bobina  vai  mover­se  e  a  estrutura  mecânica  que  a  suporta  é  muito  delicada,  impondo  torques  pequenos.  Os  galvanômetros  utilizados  no  laboratório  suportam  correntes  máximas  da  ordem  de  22,5 mA  (0,9 μA/div),  têm  resistência  interna Ri=150 W, e sua precisão é de 1% do f.e. (fundo de escala). Pode ser colocada ainda uma proteção  que eleva seu f.e. para aproximadamente 2mA mas mantendo a mesma Ri (veja item 5.3.1).  2.2. AMPERÍMETRO  Amperímetros  são  instrumentos  construídos  com  a  finalidade  de  medir  correntes  elétricas.  Como  vimos  na  seção  anterior,  galvanômetros  são  dispositivos  úteis  para  construirmos  aparelhos  de  medida  de  corrente.  Na  construção  de  um  amperímetro  usando  um  galvanômetro  temos  a  limitação  da  corrente  máxima  ig.  Se  quisermos  construir  um  amperímetro  para  medir  correntes  maiores  que  a  máxima  do  galvanômetro disponível devemos associar em paralelo à ele um resistor de valor Rs  (resistor shunt) a ser  determinado.  Na Figura 2, if  representa a corrente máxima que poderá ser lida no amperímetro e é chamada de  corrente  de  fundo  de  escala  pois  à  sua  passagem  o  ponteiro  deve  apresentar  a  maior  deflexão.  O  que  deve ser feito na construção de um amperímetro é:  1. selecionar um galvanômetro adequado (com r e ig  conhecidos);  2. Associar ao ponteiro uma escala e graduá­la em unidades de  corrente elétrica usando para tal correntes  padrão (correntes de  valores conhecidos por outros processos);  3.  Escolher  os  valores  adequados  das  resistências  "paralelo"  para  conseguir  as  correntes  de  fundo  de  escala desejadas.

A i f 

i g  G  i  s  Rs  r 

Figura 2: Esquema de um amperímetro.  Para cumprir o requisito do ítem 3 precisamos encontrar uma expressão que forneça Rs  como função de i f,  ig  e  r.  O  valor  adequado  de  Rs  deve  ser  encontrado  de  forma  que  quando  passar  uma  corrente  if  pelo  amperímetro (Figura 2) deve passar ig  pelo galvanômetro. Então, da Figura 2: 

i f  = i  + i  g  s
e  Vg  = Vs  Aplicando a Lei de Ohm: 

(1) 

r i  = R  i f  - i  . g  s  g 
e  substituindo 

(


(1) então:  (2) 

R  = s 

r.  g  i  i f  - i  g

Se  quisermos  construir  um  amperímetro  para  vários  fundos  de  escala,  com  o  mesmo  galvanômetro,  utilizamos uma série de Rs  adequadas e uma chave seletora (Figura 3). O arranjo das resistências pode ser  diferente dependendo do projeto do amperímetro. Usaremos alguns amperímetros que possuem diferentes  terminais para diferentes fundos de escala ao invés de chaves seletoras. 

G  A  Rs1  Rs2  Rsn 

r  B  K 

Figura 3: Amperímetro com vários fundos de escala.  K é a chave seletora e A, B são terminais de ligação.  Uma alternativa para dois fundos de escala, nesse caso, seria utilizar dois terminais negativos A e B e um  terminal positivo, ou vice­versa, e dois resistores R1  e R2  conforme o esquema  (Figura 4). 

R1  ­  +  A 

R2  ­ B 

Figura 4: Um esquema de amperímetro.  8 

A tensão nos dois ramos do circuito é, em cada caso, a mesma. Assim teríamos para o terminal A: (r + R2)ig  =  R1.i 1, para uma corrente de fundo de escala  if1  = i1+ig; e para o terminal B: r.ig  = (R1  + R2).i 2, para uma  corrente de fundo de escala  i f2  = i2+ig. Conhecido o galvanômetro (r, ig) e as correntes de fundo de escala i f1  e if2  desejadas é possível calcular R1  e R2  a partir das duas equações. O amperímetro possui, então, uma  resistência  interna resultante.  Há  uma   polaridade  em  seus  terminais  pois  é  relevante  o  sentido  em  que  a  corrente  elétrica  vai  atravessá­lo.  Note  que  a  resistência  equivalente  do  amperímetro  é  menor  que    a  resistência  interna  do  galvanômetro  r.  O  amperímetro  deve  então  ser  ligado  em  série  com  o  ramo  do  circuito em que queremos conhecer a corrente.  2.3. VOLTÍMETRO  Voltímetros  são  instrumentos  construídos  com  a  finalidade  de  medir  tensões  elétricas.  Também  podemos  construir  voltímetros  a  partir  de  galvanômetros.  Sempre  que  uma  corrente  i  percorre  um  galvanômetro  as  extremidades  deste  ficam  sujeitas  a  uma  tensão  dada  por  r  x  i.  Igualmente  ao  caso  do  amperímetro, há uma tensão máxima suportável pelo galvanômetro que é dada por  Vg  = r.ig  (3) 

Se desejamos construir um voltímetro para medir tensões maiores  do que Vg  do galvanômetro disponível,  devemos    associar  a  ele  um  resistor  em  série  R    (resistor  multiplicador).  Para  escolher  o  valor  de  R    m m adequado à obtenção de uma tensão de fundo de escala Vf  consideremos que, neste caso, a corrente que  passa pelo galvanômetro (e que passa também por Rm  é ig. Do circuito dado pela Figura 5 vemos que  ) Vf  = Vg  + Vm  e  como  Vg  = r.ig  e   Vm  = Rm.ig, temos: 

R m  =

V  - r.i g  f  i g 

(4) 

Vf  A  G  Vg  r  Rm  Vm  B 

Figura 5: Esquema de um voltímetro.  Se quisermos  construir um  único voltímetro para vários  fundos de escala calculamos pela eq. (4) todas as  Rm  adequadas, as quais podem ser  selecionadas por uma chave externa K (Figura 6). Na calibração das  escalas (acopladas ao ponteiro) de um voltímetro também podemos usar correntes padrão.  Os valores que  são  marcados  na  escala  não  são,  todavia,  os  valores  das  correntes,  mas  sim,  o  seu  produto  com  a  resistência elétrica total do voltímetro R, com R = Rm  + r, para cada fundo de escala. Deve­se observar que  um  voltímetro  (na  medida  de  tensão  contínua)  também  apresenta  uma  polaridade  e  uma  resistência  interna.O  voltímetro  deve  ser  ligado  em  paralelo  ao  ramo  do  circuito  em  que  deseja­se  conhecer  a  tensão. 

R1  A  G  r  K  R2  B 

Rn
Figura 6: Voltímetro com fundo de escala variável.  2.4. OHMÍMETRO  O  ohmímetro  é  o  instrumento  que  serve  para  a  medida  de  resistências  elétricas.  Ele  também  pode  ser  construído a partir de um galvanômetro, somente deve­se, neste caso, utilizar uma fonte de tensão interna  9 

(bateria)  de  força­eletromotriz  adequada.  As  resistências,  que  podem  ser  selecionadas  pela  chave  K  (Figura 7), servem para trocar os fundos de escala. 

E  ­  +  R1  Rn  K  G r 

Rx 
Figura 7: Esquema de um ohmímetro.  Quando  uma  resistência  de  valor  desconhecido  Rx  é  colocada  nos  terminais  do  ohmímetro,  uma  corrente  que lhe é proporcional percorre o instrumento. Na calibração da escala do ponteiro, ao invés de fazê­lo em  termos  de  correntes,  o  fazemos  em  termos  de  unidades  de  resistência  elétrica  pois  a  f.e.m.  da  fonte  é  constante. Assim 

R x a

E  i x 

ATENÇÃO: os ohmímetros devem sempre medir as resistências desligadas do circuito.  2.5. MULTÍMETROS  São instrumentos que servem para medir tensões, correntes e resistências elétricas através de uma  chave  seletora.  Tais  instrumentos  são  construídos  com  apenas  um  galvanômetro.  A  chave  seleciona  diferentes  resistores  ligados  em  série  ou  em  paralelo  com  o  galvanômetro  segundo  as  conveniências.  A  chave tem ainda a função de acionar a pilha, ou bateria, no caso de medidas de resistências.  2.6. OUTROS INSTRUMENTOS  Além  dos  descritos  anteriormente  há  outros  instrumentos  de  medida  elétrica  que  não  utilizaremos  neste curso. Entre eles temos o watímetro e o osciloscópio. Estes são instrumentos que permitem medidas  de  tensões  alternadas,  freqüências  e  certos  tipos  de  sinais  elétricos.  O  princípio  de  funcionamento  dos  osciloscópios é diferente daquele que mostramos nos itens anteriores onde a unidade básica na construção  dos instrumentos é um galvanômetro.  Utilizaremos também no curso multímetros digitais. A leitura dos resultados, nesse caso, não é feita  analogicamente através da deflexão de um ponteiro acoplado a uma bobina. A leitura é feita em um display  após comparação feita eletronicamente pelo circuito do aparelho. 

3. CUIDADOS BÁSICOS 
Alguns  cuidados  são  essenciais  na  utilização  de  instrumento  de  medida  elétrica,  em  especial  aqueles que usam galvanômetros:  1.  Nas  medidas  de  tensões  e  correntes  contínuas  é  preciso  cuidar  para  não  ligar  os  instrumentos  com polaridade invertida. Isso fatalmente irá danificar o instrumento;  2. Antes de utilizar um instrumento sempre é necessário conhecer a ordem de grandeza da tensão  ou  da  corrente  que  se  vai  medir.  É  conveniente  sempre  iniciar  uma  medida  utilizando  o  maior  fundo  de  escala disponível;  3.  Ao  ligar  fontes  de  tensão  contínua  em  circuitos  elétricos  contendo  dispositivos  tais  como  capacitores, voltímetros e amperímetros tomar cuidado com as polaridades desses elementos.  4.  SEMPRE:  voltímetros  em  paralelo  e  amperímetros  em  série.  Note  que  se  ligarmos  um  amperímetro  em  paralelo  com  uma  fonte,  estaremos  provocando  um  curto  circuito  com  riscos  de  dano ao amperímetro e à fonte. 

4. PROJETOS DE MULTÍMETROS 
Antes  de  realizar  um  experimento  você  vai  fazer  algumas  contas  ilustrativas  de  projetos  de  medidores elétricos e responder a algumas questões sobre os instrumentos e os processos de medida.  4.0. PROJETOS  1. Dado um galvanômetro com corrente máxima 15 mA e resistência interna 20 W:  a) construa um amperímetro para medir fundos de escala de 50, 100 e 200 mA. Use a equação (2).  Faça um diagrama do instrumento.  10 

b) construa um voltímetro para medir fundos de escala de 1,5 V e 10 V. Use a equação (4). Faça um  diagrama do aparelho.  2.  Dado  um  galvanômetro  de  resistência  interna  4 W e  corrente  máxima  2  mA,  construa  um  multímetro  para  medir  correntes  até  10  mA  e  tensões  até  500  mV.  Use  as  equações  (2)  e  (4).  Faça  um  diagrama do dispositivo.  4.1. QUESTÕES  1.  Por  que  na  construção  de  amperímetros  usa­se  associar  resistores  em  paralelo  ao  galvanômetro? E por que na construção de voltímetros a associação é em série ?  2.  Por  que  os  instrumentos  de  medida  elétrica  que  são  construídos  a  partir  de  galvanômetros  apresentam  polaridade em seus terminais ?  3.  Por  que  ao  construir  um  ohmímetro  usamos  uma  bateria  interna  enquanto  não  a  necessitamos  para voltímetros e amperímetros ?  4.  Por  que  um  amperímetro  deve  ser  ligado  em  série  e  um  voltímetro  em  paralelo  ao  ramo  do  circuito que se quer medir ?  5.  Em  termos  de  suas  resistências  internas  indique  quando  amperímetros  e  voltímetros  são  mais  precisos.  4.2. UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS  Você vai dispor de dois resistores R1  e R2  de valores desconhecidos  com os quais você vai realizar  algumas medidas simples. Para cada um deles proceda da maneira indicada abaixo:  1. Coloque a fonte de tensão em um valor não maior do que 6 V utilizando um voltímetro analógico  para  isso.    Mantenha  esse  valor  fixo.  Cuidado  para  não  alterar  mais  essa  tensão.  Cuidado  com  a  polaridade! Procure utilizar vermelho no + e preto no ­ .  2.  Aplique  essa  tensão  ao  resistor  R,  para  duas  resistências  diferentes.  Meça  a  tensão  V  com  o  voltímetro. Desligue o voltímetro sem alterar mais nada. Ligue o amperímetro adequadamente para medir a  corrente i que percorre o resistor. Com os valores V e i para o resistor R, calcule o valor da sua resistência  elétrica  usando  a  definição  de  resistência  R  =  V/i.  Encontre  o  desvio DR  da  medida  com  propagação  de  erros e utilizando os desvios avaliados das escalas dos instrumentos, 

D  = R

V  æ D V ö æ Di ö ç ÷ +ç ÷ i  è V  ø è i  ø

3. Meça R ± DR também com o ohmímetro.  4. Indique R ± DR a partir dos dados fornecidos pelo fabricante (código de cores, Seção 5.4.1).  5. Encontre as precisões DR/R (x 100%) de cada um dos 3 resultados para cada resistor. Calcule o  quanto sua medida se afasta daquelas dadas pelo ohmímetro e pelo fabricante: 

R seu  - R  R 

x100  . Discuta  % 

esses resultados, compare as precisões, procure justificativas para as diferenças. 

5. DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS EM USO NOS LABORATÓRIOS DE F329 
5.1. TERMOS GERAIS  CC = corrente contínua  fe = fundo de escala, isto é, o valor de corrente ou tensão lido no mostrador quando o ponteiro está  defletido o máximo permitido.  Classe de precisão ou precisão = porcentagem do fe.  Exemplo:  1% fe  significa  um  erro  de  medida  correspondente  a  1%  do  fe  da  escala  utilizada.  Se  medimos  10V na escala de 30V, o erro é 1% de 30= 0,3V; logo a medida é representada por   V= 10,0 ± 0,3 Volts (i.e.  o erro relativo é 3% (=0,3/10)) .  5.2. PROCEDIMENTOS  ­  Nas  medidas  de  tensão  e  corrente,  comece  sempre  pela  escala  menos  sensível,  isto  é,  selecione  a  escala  com  maior  fe  para  realizar  uma  medida  inicial  para,  só  então,  reduzi­la  ao  valor    adequado.  Sempre que possível, use uma escala em que a leitura se efetue com o ponteiro acima de 50% da escala  para minimizar o erro.  ­ Observe sempre a polaridade do instrumento, ligando o terminal que vem do positivo da fonte ao borne  marcado com +. Habitue­se a ligar fios vermelhos no positivo e pretos no negativo.  ­  Amperímetros  (que  idealmente  têm  resistência  interna  muito  baixa)  são  sempre  ligados  em  série  ao  circuito (ou seja, fazendo a ligação entre dois elementos do circuito) no qual se quer determinar a corrente.  ­ Voltímetros (que idealmente têm resistência interna infinita) são sempre ligados em paralelo à carga (ou  circuito ou fonte) para saber a tensão existente entre os dois pontos de interesse.  ­ Para medir resistores com ohmímetro, retire o resistor do circuito.  11 

­ Para mudar a escala do multímetro, antes desligue um de seus fios depois gire o seletor.  5.3. INSTRUMENTOS DISPONÍVEIS  5.3.1.  Galvanômetro (Yokogawa)  Para  corrente  contínua  (CC)  com  zero  central,  indicando  a  polaridade  da  corrente.  Extremamente  sensível, permite medidas até 22,5 μA com escala indo de ­25 a +25 e 0,9  μA/div.  Características:  Classe de precisão: 1% do fundo de escala (fe)  Sensibilidade: 0,9 μA/div. = 22,5 μA fe  Ri = 150 W (resistência interna)  Dispositivo  de  proteção:  externo,  elevando  fe  p/  2mA  e  deixando  Ri  em  torno  de  150 W.  Este  dispositivo consiste de resistência paralela de 1,5 W (fio resistivo) e um resistor de 150 W em série.  5.3.2.   Miliamperímetro  Somente para CC, exige polaridade correta e apresenta várias escalas:  Yokogawa: 10, 30, 100, 300 e 1000 mA, com o comum no + . Cada um dos bornes indica a corrente  de  fundo  de  escala  selecionada  em  múltiplos  de  10  ou  de  3.  O  mostrador  tem  2  escalas,  de  0  a  1000 para fe selecionado múltiplo de 10 e outra de 0 a 300, para fe selecionado múltiplo de 3.  Precisão: 1% fe  Ri (valores aproximados): 4,4W para 10mA fe; 1,4W para 30mA fe; 0,4W para 100mA fe; 0,2W para  300mA fe; 0,07W para 1000mA.  Simpson: 1, 5, 10, 25, 50, 100, 250, 500, 1000 mA, com bornes indicando os polos + e ­. O fundo de  escala  é  selecionado  através  da  chave  seletora.  O  mostrador  tem  3  escalas,  de  0  a  1000  para  fe  selecionado  múltiplo  de  10;  de  0  a  250,  para  fe  selecionado  múltiplo  de  25;  e  de  0  a  500  para  fe  múltiplo de 5.  Precisão: 3% fe  Ri: ?  5.3.3.   Voltímetro  Somente para CC e, da mesma forma que o miliamperímetro, exige polaridade correta. A leitura das  escalas se faz da mesma forma que no miliamperímetro (da respectiva marca).  Yokogawa: Apresenta 5 escalas, com fe para 0.3, 1, 3, 10 e 30 Volts, e comum no +.  Precisão: 1% fe.  Ri = 10 kW/V , isto é, para fe=1V, Ri=10kW, para fe=30V, Ri= 300 kW, etc.  Simpson: Apresenta 10 escalas, com fe para 1, 2.5, 5, 10, 25, 50, 100, 250, 500 e 1000 Volts, com  bornes + e ­. O fe é selecionado através da chave.  Precisão: 3% fe  Ri = 1kW/V, isto é, para fe=1V, Ri=1kW, para fe=250V, Ri=250 kW, etc.  5.3.4.   Microamperímetro  Somente para CC, exige polaridade correta com escalas de 30, 100, 300, 1000 e 3000 μA. Cuidado  com a Ri das diferentes escalas.  Yokogawa: Escalas de 30, 100, 300, 1000 e 3000 μA.  Precisão: 1% fe  Ri  (valores  aproximados):  4800W para  30  μA  fe;  6500W para  100  μA  fe;  2600W para  300  μA  fe;  850W para 1000 μA fe; 300 W para 3000 μA fe.  Simpson: Escalas de 50, 100, 250, 500 e 1000 μA.  Precisão: 3% fe  Ri  (valores aproximados): 2100W para 50μA fe;  1040W para 100μA fe; 665W para  250μA fe;  375W para 500μA fe; 197W para 1000μA fe.  5.3.5. Multímetro digital  O multímetro digital pode realizar medidas de tensão, corrente e de resistência.  Para selecionar a  medida desejada gire o botão seletor mas com pelo menos uma das pontas de prova desligada. O  display possui três e 1/2 dígitos, isto é, tem no máximo 1,XXX  ou 1X,XX algarismos significativos. O  erro  de  leitura  é  de  1%  da  leitura  mais  1  para  o  dígito  menos  significativo.  Ex:  se  a  leitura  é  V=  10,00 Volts, o erro é  1% (de 10V)+ (valor do último digito) = 0,1 + 0,01 = 0,11 Volts  5.4. RESISTORES  5.4.1. Resistores fixos ­ código de cores  Os  resistores  usados  em  eletrônica  são  codificados  com  4  cintas  de  cores  sendo  a  última  a  da  C  precisão.  As  duas  primeiras AB  indicam  os  dois  dígitos  significativos,  a  terceira C  o  expoente  em  10  e  a  quarta D a precisão. 12 

R = AB 10  , D=precisão, [em ohms]  ouro = ­1  preto = 0  marrom = 1  vermelho = 2  laranja = 3  amarelo = 4 

verde = 5  azul = 6  violeta = 7  cinza = 8  branco = 9 

Precisão :  branco = 1%  prata = 10%  ouro = 5% 

Observação: em itálico os valores usuais para o coeficiente C.  Exemplos :  A  marrom  amarelo  vermelho  B  preto  violeta  vermelho  10  D  vermelho  ouro  laranja  ouro  prata  prata 

Ex  01:  Ex  02:  Ex  03: 

AB  à  10   x  à  47   x  à  22   x 

10  2  10  = 10  =
1  10­  = 3 

D  R  ± 5% =  1000 ± 50 W ± 10% =  47000 ± 470 W ± 5% =  2,2 ± 0,22 W

que escritos rigorosamente em termos de algarismos significativos seriam:  2 (100 ± 5)10 W, (470 ± 5)10  W e (2,2 ± 0,2) W. Note que os valores comerciais existentes no mercado seguem aproximadamente uma progressão  aritmética de razão 1,2 , que nos dá os valores para AB de: 10, 12 , 15, 18, 22, 27, 33, 39, 47, 56, 68 e 82.  A  potência  que  o  resistor  pode  dissipar  como  energia  térmica  está  associada  ao  tamanho  e  ao  material  usado  na  fabricação  do  mesmo.  Em  geral  utilizamos  resistores  de  1/2  ,  1  e  2  watts  [W]    no  laboratório.  5.4.2.  Reostato  Reostatos  são  resistências  variáveis.    Podem  ser  de  dois  tipos:  de  resistência  variável  continuamente e de resistência variável descontinuamente.  O reostato de resistência variável continuamente baseia­se no fato de a resistência de um condutor  ser diretamente proporcional ao seu comprimento. O reostato é um simples fio metálico AB tal que se pode  colocar no circuito o fio todo, ou uma parte dele. Para realizarmos comodamente essa operação, o reostato  possui  um  cursor  C  (Figura  8).    O  circuito  é ligado  a  uma  extremidade fixa  A  do  condutor  e  ao  cursor  C.  Desse modo a corrente percorre sempre a parte AC do reostato.  A resistência dessa parte AC varia com o  comprimento  AC.    Mudando­se  o  cursor  para  uma  posição  AC’  tal  que    seja  maior  que  AC,  coloca­se  no  circuito  uma  resistência maior.   Mudando­se  o  cursor  para  AC”  tal  que    seja  menor  que  AC,  coloca­se  no  circuito uma resistência menor.  Em particular, quando o cursor está em B, a resistência de todo o reostato  está no circuito; quando ele está em A, o reostato está fora de circuito. Quando se usa um reostato, não se  sabe  exatamente  qual  a  resistência  que  está  sendo  colocada  no  circuito.  Só  se  sabe  o  máximo  que  se  pode colocar. 

Figura 8: Esquema de um reostato (resistência variável continuamente)  5.4.3.  Resistência de década  Também  é  uma  resistência  variável,  mas  de  variação  descontínua.  Além  disso,  este  aparelho  possui  knobs  com  os  quais  se  varia  o  valor  da  resistência  de  forma  indexada,  de  modo  que  se  sabe  exatamente qual a resistência que está sendo colocada no circuito.  Cada knob corresponde  a um  múltiplo  ­1  0  1  2  3  de uma potência de 10 (por exemplo, 10  , 10  , 10  , 10  , 10  ), de onde vem o nome “resistência de década”.

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