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02-03-2015

O Método Clínico Piagetiano

UC de Psicologia do Desenvolvimento da Criança e do Adolescente

Faculdade de Psicologia
Universidade de Lisboa

História
 Os interesses de Piaget começaram por ser
na área da biologia e da filosofia, acerca dos
mecanismos da adaptação e da construção do
conhecimento
 Durante estudos nas Universidades de
Zurique e Paris, desenvolveu interesse pela
psicanálise e psicologia clínica, entrevistando
alguns pacientes psiquiátricos

 Em Paris, trabalhou na adaptação dos testes de


inteligência de Cyril Burt, ficando fascinado com as
respostas “erradas” das crianças
 Desenvolveu daí o seu “método clínico”, para a análise
do raciocínio das crianças

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O método clínico
 É um método semi-estruturado, que se distingue tanto da
observação naturalista como do método dos testes padronizados
 É sempre aplicado individualmente
 Baseia-se na apresentação de um material físico, sobre o qual se
vão colocar problemas acerca da sua transformação ou
manipulação
 A aplicação parte sempre de uma hipótese relativa às respostas
que se vai obter e, regra geral, de um protocolo de aplicação
 Pretende deixar a criança responder livremente, para demonstrar
o seu raciocínio, mas a observação do comportamento também é
importante em certos casos
 Pode também, em certas provas, recorrer-se ao desenho
 É essencial perguntar sempre acerca das bases do raciocínio
(Como sabes? Porque dizes isso?)

As provas piagetianas (exemplos)


Conservação dos Líquidos Provas de Conservação

Prova das 3 montanhas

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A técnica
 Depois de obtida a primeira resposta, prossegue-se o questionamento,
para tentar
• Perceber melhor o processo de pensamento da criança
• Verificar se ela não poderá dar uma resposta diferente
 Para isto, o entrevistador tem de ser mentalmente muito activo na
situação, interpretando as respostas da criança e improvisando o que
vai perguntar a seguir

 Para Piaget, o importante era o conhecimento visto como necessário,


não sujeito a qualquer dúvida

 Antes disso, há um período de transição e de oscilações, e é


importante perceber em qual a criança está

 Daí o papel essencial das contraprovas, em que se sugere à criança


uma resposta diferente
• Ontem fiz a mesma pergunta a outro menino da tua idade, que me disse
que… Quem achas que tem razão, tu ou ele?

Cuidados adicionais
 É necessário assegurar previamente que a criança está à vontade e não
ansiosa
 Conversar inicialmente com a criança, mostrar o material e deixá-la
manipular
 Não apresentar a situação como um “teste”, mas apenas para saber o que
a criança pensa, não havendo respostas certas nem erradas
 Adoptar a perspectiva da criança e nunca “corrigir” as suas respostas, por
mais absurdas que sejam
 Colocar a linguagem a um nível que a criança consiga entender claramente
 O problema da sugestão da resposta qualitativa não é muito grave (afinal,
vai-se sugerir o contrário), mas é um problema grave se se sugere
justificações
 Não aceitar literalmente tudo o que a criança diz, pois ela pode estar só a
repetir algo em que não acredita; mudar os dados do problema se se
suspeitar disso, ou apresentar uma contraprova
 A aplicação correcta e proveitosa do método exige muita atenção e treino;
Piaget falava em 2 anos…