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SUMÁRIO

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 ...................................................................... 13


TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ................................................................................... 15
TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ............................................................... 32
CAPÍTULO 1- DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS ECOLETIVOS (ART. 1°A ART. 5º) ..................... 32
CAPÍTULO li - DOS DIREITOS SOCIAIS (ART. 6° A ART. 11) .................................................................. 186
CAPÍTULO Ili - DA NACIONALIDADE (ART. 12 A ART. 13) .................................................................. .... 212
CAPÍTULO IV-DOS DIREITOS POLÍTICOS (ART. 14 A ART. 16)............................................................. 225
CAPÍTULO V- DOS PARTIDOS POLÍTICOS (ART. 17)............................................................................. 251
TÍTULO Ili - DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO ...................................................................................... 258
CAPÍTULO 1- DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA (ART. 18 A ART. 19)............................... 258
CAPÍTULO li- DA UNIÃO (ART. 20 A ART. 24)....................................................................................... 269
CAPÍTULO Ili - DOS ESTADOS FEDERADOS (ART. 25 A ART. 28)........................................................... 294
CAPÍTULO IV- DOS MUNICÍPIOS (ART. 29 A ART. 31 ) .......................................................................... 310
CAPÍTULO V - DO DISTRITO FEDERAL EDOS TERRITÓRIOS (ART. 32 A ART. 33) ............................. .... 323
SEÇÃO 1- DO DISTRITO FEDERAL................................................................................................. 323
SEÇÃO li - DOS TERRITÓRIOS....................................................................................................... 327
CAPÍTULO VI - DA INTERVENÇÃO (ART. 34 A ART. 36) .......... ....... ...... ....... ............. .............................. 328
CAPÍTULO VII - DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ART. 37 A ART. 43) ....................... ....................... ... .... 338
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .................................................................................................. 338
SEÇÃO li - DOS SERVIDORES PÚBLICOS ...................................................................................... 400
SEÇÃO 111 - DOS SERVIDORES PÚBLICOS DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO
FEDERAL EDOS TERRITÓRIOS...................................................................................................... 441
SEÇÃO IV - DAS REGIÕES ............................................................................................................. 444
TÍTULO IV - DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES................................................................................. 445
CAPÍTULO 1- DO PODER LEGISLATIVO (ART. 44 A ART. 75) ................................... .............................. 445
SEÇÃO 1- DO CONGRESSO NACIONAL .............. ................. ......... .. .................. ... ........................ .. 445
SEÇÃO 11 - DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL........................................................... 453
SEÇÃO 111 - DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ............. .............. ....... .................... ............................. 464
SEÇÃO IV - DO SENADO FEDERAL................................................................................................ 466
SEÇÃO V- DOS DEPUTADOS EDOS SENADORES......................................................................... 471
SEÇÃO VI - DAS REUNIÕES........................................................................................................... 488
SEÇÃO VII - DAS COMISSÕES....................................................................................................... 491
SEÇÃO VIII - DO PROCESSO LEGISLATIVO.................................................................................... 496
SUBSEÇÃO 1- DISPOSIÇÃO GERAL............................................................................................... 496
SUBSEÇÃO 11- DA EMENDA À CONSTITUIÇÃO.............................................................................. 500
SUBSEÇÃO 111- DAS LEIS.................. ...... ..... ......................................................... ..... ................... 505
SEÇÃO IX- DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA........................ ........... 542
CAPÍTULO li - DO PODER EXECUTIVO (ART. 76 A ART. 91). ............... ................................................... 554
SEÇÃO 1- 00 PRESIDENTE E DO VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA ........................ .................... 554
SEÇÃO li - DAS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA.................................................... 562
SEÇÃO Ili - DA RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA......... .. ............................... 569
SEÇÃO IV - DOS MINISTROS DE ESTADO ...................................................................................... 579
SEÇÃO V - DO CONSELHO DA REPÚBLICA EDO CONSELHO DE DEFESA NACIONAL .................... 581
SUBSEÇÃO 1- DO CONSELHO DA REPÚBLICA.. ............................................................................ 581
SUBSEÇÃO li - DO CONSELHO DE DEFESA NACIONAL... ............................................................... 584
CAPÍTULO Ili - DO PODER JUDICIÁRIO (ART. 92 A ART. 126)................ ........................... ............ ......... 587
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ......... ...................................................... ............................... .... 587
SEÇÃO li - DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.............................................................................. 636
SEÇÃO 111- DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA... .......... ............ ...... ...... .... .................... ........... 688
SEÇÃO IV - DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS EDOS JUÍZES FEDERAIS ................................ 695
SEÇÃO V- DOS TRIBUNAIS E JUÍZES DO TRABALHO.. .................................................................. 708
SEÇÃO VI - DOS TRIBUNAIS EJUÍZES ELEITORAIS .............................. ...................... ................... 716
SEÇÃO VII- DOS TRIBUNAIS EJUÍZES MILITARES ........................................................................ 719
SEÇÃO VIII - DOS TRIBUNAIS EJUÍZES DOS ESTADOS.................................................................. 722
CAPÍTULO IV - OAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA (ART. 127 A ART. 135) ..................................... 726
SEÇÃO 1- DO MINISTÉRIO PÚBLICO ... .. .. ..................................... .... ...................... .......... ....... ...... 726
SEÇÃO li - DA ADVOCACIA PÚBLICA.............................................................. ....... .. .. ...... .............. 744
SEÇÃO Ili - DA ADVOCACIA........................................................ ................................. ...... ............ 750
SEÇÃO IV - DA DEFENSORIA PÚBLICA ................................................. .. ....................................... 752
TÍTULO V - DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS..................................... 758
CAPÍTULO 1- DO ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO (ART. 136 A ART. 141). ................. ... ..... 758
SEÇÃO 1- DO ESTADO DE DEFESA............. ... ................. ...... ........ .............. ........................ ........... 758
SEÇÃO li - DO ESTADO DE SÍTIO ......... .......................................................................................... 762
SEÇÃO Ili - DISPOSIÇÕES GERAIS.......... ...................... ................................................................. 764
CAPÍTULO li- DAS FORÇAS ARMADAS (ART. 142 A ART. 143) ................................ .. ..................... ..... 765
CAPÍTULO Ili - DA SEGURANÇA PÚBLICA (ART. 144) ....... ......................................................... .......... 772
TÍTULO VI - DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO .............................................................................. 777
CAPÍTULO 1- DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL (ART. 145 A ART. 162)............................. ............. 777
SEÇÃO 1- DOS PRINCÍPIOS GERAIS.............................................................................................. 777
SEÇÃO li - DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR..... ...... ......................... ............................. 786
SEÇÃO Ili- DOS IMPOSTOS DA UNIÃO................................................. ......................................... 802
SEÇÃO IV - DOS IMPOSTOS DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL.. ......................................... 807
SEÇÃO V - DOS IMPOSTOS OOS MUNICÍPIOS............................................................................... 815
SEÇÃO VI - DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS.............................................. ............. 818
CAPÍTULO li - DAS FINANÇAS PÚBLICAS (ART. 163 A ART 169) .................................................... ...... 822
SEÇÃO 1- NORMAS GERAIS. ........ ...... ............................................................... ............ ................ 822
10
SEÇÃO 11- DOS ORÇAMENTOS .... ........ .... .. .. .. .. ...... .. .. .. .. ...... ........... .. ................................ ....... ..... 825
TÍTULO VII - DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA ....................................................................... 840
CAPÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS GERAIS DA ATIVIDADE ECONÔMICA (ART. 170 A ART. 181) ...... ... ........ 840
CAPÍTULO li- DA POLÍTICA URBANA (ART. 182 A ART. 183) ........................................ ....... ..... ............ 851
CAPÍTULO 111 - DA POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA REFORMA AGRÁRIA (ART. 184 A
ART. 191)........ .... ............................................................................ ............. .. .... ...... .. ................ 856
CAPÍTULO IV - DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (ART. 192) .... ...... .............. ...... .... .. ...... ..... ...... .. ... 864
TÍTULO VIII - DA ORDEM SOCIAL ...................................................................................................... 866
CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÃO GERAL (ART. 193) ............ .. ........ .. .. .... ..... ..... ......... .... .. .............. ................. 866
CAPÍTULO li - DA SEGURIDADE SOCIAL (ART. 194 A ART. 204) ........... ................................................ 867
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÔES GERAIS ..................... ................................ ............................................. 867
SEÇÃO li - DA SAÚDE ................ .. ............ .... ..... ........ .... .......... ........ .. ......... .... ......... ....... ............... 883
SEÇÃO Ili - DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.................................... ........... ............................................ 891
SEÇÃO IV - DA ASSISTÊNCIA SOCIAL.... ... ................ .................................................................... 899
CAPÍTULO Ili - DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO (ART. 205 A ART. 217) ......................... 905
SEÇÃO 1- DA EDUCAÇÃO.................................... ........................................................... .......... .... 905
SEÇÃO li - DA CULTURA................................................................................................................ 915
SEÇÃO Ili - DO DESPORTO................................................................................ .. ............ .... ........ .. 921
CAPÍTULO IV- DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (ART. 218 A ART. 219) .......... ......................... . 923
CAPÍTULO V- DA COMUNICAÇÃO SOCIAL (ART. 220 A ART. 224) .......................................... .. ........... 925
CAPÍTULO VI - DO MEIO AMBIENTE (ART. 225) .................................................................................... 932
CAPÍTULO VII - DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE, DO JOVEM E DO IDOSO (ART. 226 A
ART. 230) ............... ........ ... .. ................ ............. .... ................ ................... .... ........... .. .. ............. ..... ........ 938
CAPÍTULO VIII - DOS ÍNDIOS (ART. 231 A ART. 232)............................................................................. 948
TÍTULO IX - DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS (ART. 233 A ART. 250) ............ ............. 958
TÍTULO X - ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS (ART. 1° A ART. 114)......... 965

LEI Nº 9.868, DE 10 DE NOVEMBRO DE 1999 ........................................................................................................ 1007


CAPÍTULO 1 - DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE
CONSTITUCIONALIDADE (ART. 1º) ...... ...... .................................................................................. ...... .. .. 1007
CAPÍTULO 11- DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ART. 2° A ART. 12) ......................... .... 1011
SEÇÃO 1- DA ADMISSIBILIDADE EDO PROCEDIMENTO DA AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE.... ............................ ...... .. ..... ................................................................ 1011
SEÇÃO 11 - DA MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA OE INCONSTITUCIONALIDADE.................... 1024
CAPÍTULO li-A - DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (ART. 12-A A 12-H) ..... 1027
SEÇÃO 1- DA ADMISSIBILIDADE E DO PROCEDIMENTO DA AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO.......................................................................... ........... 1027
SEÇÃO li - DA MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR
OMISSÃO .. .............. ............... ....................................................... .... ........ .... ...... ........ .... .............. 1032
SEÇÃO Ili - DA DECISÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO ............ 1034
CAPÍTULO Ili - DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE (ART. 13 A ART. 21) ................. 1036
SEÇÃO 1- DA ADMISSIBILIDADE E DO PROCEDIMENTO DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE
CONSTITUCIONALIDADE......................................................................... ....................................... 1036
11
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SEÇÃO li - DA MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE.......... 1040
CAPÍTULOIV - DA DECISÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E NA AÇÃO
DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE (ART 22 A ART 28) ........................................................ 1041
CAPÍTULO V - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS (ART 29 A ART 31) .............................................. 1052

LEI Nº 9.882, DE 3 DE DEZEMBRO DE 1999 (ART. 1° AART. 14)........................................................................... 1055

LEI Nº 12.562, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011 (ART. 1° A ART. 13)....................................................................... 1085

12
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
FEDERATNA DO BRASIL DE 1988

• PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para
instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais,
a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e
comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promul-
gamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

1. BREVES COMENTÁRIOS

O p reâmbulo, embora seja parte integrante das constituições e possua a mesma origem
e sentido dos demais dispositivos, costuma ser distinguido por sua eficácia e pelo papel que
desempenha. Os posicionamentos existentes acerca da natureza jurídica do preâmbulo podem
ser reunidos em três concepções.
De um lado, situam-se a teses da natu reza normativa, nos termos das quais o preâm-
bulo é compreendido como um conjunto de preceitos com eficácia jurídica idêntica à dos
demais enunciados normativos consagrados no texto da constituição. Para esta perspectiva,
o preâmbulo é dotado de força normativa e, portanto, serve como parâmetro para o controle
de constitucionalidade.
De outro, encontram-se as teses da natureza não normativa, para as quais o preâmbulo,
por ser destituído de valor normativo e de força cogente, não pode ser invocado como pa-
râmetro para a declaração de inconstitucionalidade de leis e atos normativos. Nesse sentido,
Jorge Miranda (2000) observa que o preâmbulo não é uma declaração de direitos, não cria
direitos ou deveres, não forma um conjunto de preceitos, nem pode ser invocado enquanto
tal, de forma isolada. Esse o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (ADI
2.076/AC; MS 24.645-MC/DF).
As concepções que negam o caráter normativo do preâmbulo podem ser subdivididas
em dois grupos. No primeiro, encontram-se as que situam o preâmbulo não no domínio
do direito, mas da política ou da história, atribuindo-lhe tão somente um caráter político-
ideológico (tese da irrelevância jurídica). No segundo, localizam-se aquelas para as quais
13
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 19B8

o preâmbulo participa das características jurídicas da constituição e, embora não possua


caráter normativo, desempenha uma função juridicamente relevante. Ao indicar a intenção
do constituinte originário e consagrar os valores supremos da sociedade, ele serve de vetor
interpretativo, ou seja, fornece razões contributivas para a interpretação dos enunciados
normativos contidos no texto constitucional (tese da relevância interpretativa ou jurídica
específica ou indireta) (NOVELINO, 2018).

2. BIBLIOGRAFIA CITADA

• MIRANDA, Jorge (2000). Manual de direito constitucional. 4. ed. Coimbra: Coimbra. Tomo li.

• NOVELINO, Marcelo (2018). Curso de direito constitucional. 13. ed. Salvador: JusPodivm.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Vunesp - Defensor Público - MS/2014) No que se refere à interpretação da natureza jurídica do
preâmbulo da Constituição, segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar
que:
a) o preâmbulo da Constituição é normativo, apresentando a mesma natureza do articulado da Constitui-
ção e, consequentemente, serve como paradigma para a declaração de inconstitucionalidade.
b) o preâmbulo da Constituição não constitui norma central, não tendo força normativa e, consequente-
mente, não servindo como paradigma para a declaração de inconstitucionalidade.
c) o preâmbulo da Constituição possui natureza histórica e política, entretanto, se situa no âmbito
dogmático e, consequentemente, serve como paradigma para a declaração de inconstitucionalidade.
d) o preâmbulo da Constituição possui natureza interpretativa ou unificadora e traz sentido às categorias
jurídicas da Constituição e, portanto, trata-se de norma de reprodução obrigatória nas Constitu ições
estaduais.

02. (FUNDEP.MPE-MG.Promotor de Justiça Substituto.2017) Analise as seguintes assertivas relativas ao


preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CR/88):
1. O preâmbulo da CR/88 não pode, por si só, servir de parâmetro de controle da constitucionalidade
de uma norma.
li. A invocação de Deus no preâmbulo da CR/88 torna o Brasil um Estado confessional.
Ili. O preâmbulo traz em seu bojo os valores, os fundamentos filosóficos, ideológicos, sociais e econômicos
e, dessa forma, norteia a interpretação do texto constitucional.
IV. A invocação de Deus no preâmbulo da CR/88 é norma de reprodução obrigatória nas Constituições
Estaduais.
Está CORRETO somente o que se afirma em
A) 1e ll
B) 1 e Ili

C) li e Ili
D) Ili e IV

14
"' 01 B 02 B
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Df1988 Arl. 1°

•TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS


Art. 1!! A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municí-
pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

1- a soberania;

li - a cidadania

Ili - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o plural ismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de represent antes eleitos
ou diretamente, nos ter mos desta Constituição.

I. BREVES COMENTÁRIOS

República federativa do Brasil

Forma de Estado Federação

Forma de Governo República

Sistema de Governo Presidencialista

Regime de Governo Democrático

No caput do art. 1° estáo consagrados p rincípios materiais estruturantes que consti-


tuem diretrizes fundamentais para toda a ordem constitucional, a saber: princípio republicano;
princípio federativo; e, princípio do Estado democrdtico de direito.
O princípio republicano vem sendo consagrado entre nós desde a Constituição de 1891,
instituidora da República e do Estado Federal em substituiçáo à Monarquia e ao Estado Uni-
tário adotados pela Constituiçáo de 1824. A República, enquanto forma de governo associada
às ideias de coisa pública e igualdade, tem como critérios distintivos a representatividade, a
temporariedade, a eletividade e a responsabilidade política, civil e penal dos governantes.
A representatividade está relacionada ao caráter representativo dos governantes, inclusive do
Chefe de Estado. A temporariedade (ou periodicidade) impõe a alternância no poder dentro de
um período previamente estabelecido, de modo a impedir o seu monopólio por uma mesma
pessoa ou grupo hegemônico ligado por laços familiares. A eletividade está ligada à possibi-
lidade de investidura no poder e acesso aos cargos públicos em igualdade de condições para
todos que atendam os requisitos preestabelecidos na Constituição e nas leis. A responsabili-
dade do governante decorre de uma ideia central contida no princípio republicano segundo a
qual todos os agentes públicos sáo igualmente responsáveis perante a lei, porquanto em uma
República náo deve haver espaços para privilégios. A forma republicana de governo postula
ainda que o debate de ideias na esfera pública seja sempre pautado por razões públicas, com
o respeito e valorizaçáo das diferentes concepções ideológicas, filosóficas e religiosas.
O princípio federativo tem como dogma fundamental a autonomia político-adminis-
trativa dos entes que compõem a federaçáo. A federaçáo é uma forma de Estado na qual há
mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território e sobre uma mesma população.
15
Arl. 1º TÍTULO 1- OOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia, sendo o poder
de cada um deles atribuído pela Constituição. Decorrente do princípio federativo, o princípio
da indissolubilidade do pacto federativo ("união indissolúvel dos Estados e Municípios e
do Distrito Federal") veda aos Estados o direito de secessão. Caso ocorra qualquer tentativa
de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira, é permitida a inter-
venção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (CF, art. 34, I).
A noção de Estado democrático de direito está indissociavelmente ligada à realização
dos direitos fundamentais, porquanto se revela um tipo de Estado que busca uma profunda
transformação do modo de produção capitalista, com o objetivo de construir uma sociedade
na qual possam ser implantados níveis reais de igualdade e liberdade (STRECK, 2009). Na
busca pela conexão entre a democracia e o Estado de direito, o princípio da soberania popular
se apresenta como uma das vigas mestras deste novo modelo, impondo uma organização e
um exercício democráticos do Poder (ordem de domínio legitimada pelo povo). Outra ca-
racterística marcante deste modelo de Estado é a ampliação do conceito meramente formal
de democracia (participação popular, vontade da maioria, realização de eleições periódicas,
alternância no Poder) para uma dimensão substancial, como decorrência do reconhecimento
da força normativa e vinculante dos direitos fundamentais, os quais devem ser usufruídos por
todos, inclusive pelas minorias perante a vontade popular (pluralismo, proteção das minorias,
papel contra majoritário do Poder Judiciário ...).
Os fundam entos devem ser compreendidos como os valores estruturantes do Estado
brasileiro, aos quais foi atribuído um especial significado dentro da ordem constitucional,
sendo a dignidade da pessoa humana considerada o valor supremo do nosso ordenamento
jurídico. Os princípios nos quais esses fundamentos se materializam desempenham um im-
portante papel, seja de forma indireta, atuando como diretriz para a elaboração, interpretação
e aplicação de outras do ordenamento jurídico, seja de forma direta, quando utilizados como
razões para a decisão de um caso concreto.
A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. Supre-
mo, por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna; independente, por não ter
de acatar, na ordem internacional, regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar
em igualdade com os poderes supremos dos outros povos. (CAETANO, 2003). Portanto, a
soberania deve ser analisada em dois âmbitos distintos. A soberania externa se refere à repre-
sentação dos Estados, uns para com os outros, na ordem internacional; a soberania interna é
responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. Por
ser um instituto dinâmico, a soberania não possui atualmente o mesmo conteúdo de outras
épocas. A evolução do Estado de Direito formal para o Estado Constítucional Democrático
fez com que, no plano interno, a soberania migrasse do soberano para o povo, exigindo-se
uma legitimidade formal e material das Constituições. No plano externo, a rigidez de seus
contornos foi relativizada com a reformulação do princípio da autodeterminação dos povos
e o reconhecimento do Estado pela comunidade internacional.
A cidadania, enquanto conceito decorrente do princípio do Estado Democrático de
Direito, consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo
em outras áreas de interesse público. (BASTOS, 1995). O tradicional conceito de cidadania
vem sendo gradativamente ampliado, sobretudo após a Segunda Grande Guerra Mundial.
16
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 1°

Ao lado dos direitos políticos, compreendem-se em seu conteúdo os direitos e garantias


fundamentais referentes à atuação do indivíduo em sua condição de cidadão.
Dentre os fundamentos do Esrado brasileiro, a dignidade da pessoa humana possui
um papel de destaque. Núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo, constitui
o valor constitucional supremo e, enquanto tal, deve servir, não apenas como razão para a
decisão de casos concretos, mas principalmente como diretriz para a elaboração, interpreta-
ção e aplicação das normas que compõem a ordem jurídica em geral, e o sistema de direitos
fundamentais, em particular. Como consequência da consagração da dignidade humana
no texto constitucional impõe-se o reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um
reflexo da ordem jurídica, mas, ao contrário, deve constituir o seu objetivo supremo, sendo
que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser
humano e de sua personalidade. O indivíduo deve servir de "limite e fundamento do domínio
político da República", pois o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado
(CANOTILHO, 1993). A positivação constitucional impõe que a dignidade, apesar de ser
originariamente um valor moral, seja reconhecida também como um valor tipicamente jurídi-
co, revestido de normatividade: sua consagração como fundamento do Estado brasileiro não
significa uma atribuição de dignidade às pessoas, mas sim a imposição aos poderes públicos
do dever de respeito e proteção da dignidade dos indivíduos, assim como a promoção dos
meios necessários a uma vida digna (NOVELINO, 2008).
O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado
brasileiro impede a concessão de privilégios econômicos condenáveis, por ser o trabalho, en-
quanto ponto de partida para o acesso ao mínimo existencial e condição de possibilidade para
o exercício da autonomia, imprescindível à concretização da dignidade da pessoa humana. A
partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade à qual pertence, o indivíduo
se sente útil e respeitado. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa
remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo, o indivíduo acaba tendo sua dignidade
violada. Por essa razão, a Constituição consagra o trabalho como um direito socialfundamental
(CF, an. 6°), conferindo-lhe proteção em diversos dispositivos. A liberdade de iniciativa, que
envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato, é um princípio
básico do liberalismo econômico (SILVA, 1997). Além de fundamento da República Federativa
do Brasil, a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem
econômica (CF, art. 170), sendo constitucionalmente "assegurado a todos o livre exercício de
qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos
casos previstos em lei" (CF, art. 170, parágrafo único). Segundo a jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal, "o princípio da livre iniciativa não pode ser invocado para afastar regras de
regulamentação do mercado e de defesa do consumidor" (RE 349.686).
O pluralismo político, antes de ser uma teoria, consiste em uma situação objetiva, na
qual estamos imersos. Nossas sociedades são pluralistas, isto é, são sociedades com vários
centros de poder (BOBBIO, 2009). Do ponto de vista normativo, o reconhecimento cons-
titucional do pluralismo como um dos fundamentos do Estado brasileiro impõe a opção
por uma sociedade na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas.
O pluralismo político deve ser compreendido em um sentido amplo, de modo a abranger
não apenas a dimensão político-partidária (CF, art. 17), mas também a religiosa (CF, art.
17
Art. 1° TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

19), a econômica (CF, art. 170), a de ideias e de instituições de ensino (CF, art. 206, III), a
cultural (CF, arts. 215 e 216) e a dos meios de informação (CF, art. 220). Este fundamento
é concretizado, ainda, por meio do reconhecimento e proteção das diversas liberdades, dentre
elas, a de opinião, a filosófico-religiosa, a intelectual, artística, científica, a de comunicação,
a de orientação sexual, a profissional, a de informação, a de reunião e de associação (CF, art.
5°, IV, VI, IX, X, XIII, XIV, XVI e XVII).
O parágrafo único, do art. 1° da CRFB/88, reconhece e endossa a resposta democrática
segundo a qual o povo é o autêntico titular do Poder Constituinte Originário, poder de
natureza política encarregado de elaborar a constituição de um Estado. A doutrina jusposi-
tivista aponta três características que o diferenciam dos poderes constituídos. Trata-se de um
poder inicial, por não existir nenhum outro antes ou acima dele; autônomo, por caber apenas
ao seu titular a escolha do conteúdo a ser consagrado na Constituição; e incondicionado, por
não estar submetido a nenhuma regra de forma ou de conteúdo. Já na concepção de viés
jusnaturalista do Abade Emmanuel Joseph Sieyes, autor da obra "O que é o Terceiro Estado?"
e um dos principais teóricos do Poder Constituinte, este se caracteriza por ser incondicionado
juridicamente pelo direito positivo, apesar de sua submissão aos princípios do direito natural;
permanente, por continuar existindo mesmo após concluir a sua obra; e inalienável, por sua
titularidade não ser passível de transferência, haja vista que a nação nunca perde o direito
de querer mudar sua vontade.
Ao lado do Poder Constituinte Originário, existem outras espécies que, embora tenham
a constituição como fundamento, também costumam ser denominadas de "constituintes".
O Poder Constituinte Decorrente é aquele conferido pela Constituição aos Estados-
-Membros para que possam se auto-organizar (CF, art. 25 e ADCT, art. 11). Nas palavras
de Anna Cândida Ferraz (1979), possui "um caráter de complementariedade em relação à
Constituição" e tem por finalidade "perfazer a obra do Poder Constituinte Originário nos
Estados Federais, para estabelecer a Constituição dos seus Estados componentes." Por ser
instituído e limitado pela Constituição da República, suas características são diametralmen-
te opostas às do Poder Constituinte Originário. Trata-se de um poder jurídico, limitado e
condicionado juridicamente.
O Poder Constituinte Derivado é o responsável pelas alterações no texto constitucional
segundo as regras instituídas pelo Poder Constituinte Originário. Caracteriza-se por ser um
poder instituído, jurídico, limitado e condicionado pelo direito. A Constituição de 1988 esta-
beleceu a possibilidade de sua manifestação por meio de reforma (CF, art. 60) ou de revisão
constitucional (ADCT, art. 3°).

PODER CONSTITUINTE

Originário Decorrente Derivado

Poder responsável pela cria- Poder atribuído aos Esta- Poder consagrado na cons-
ção da Constituição de um dos-membros para elaborar tituição para a modificação
Estado. A posição dominan- suas próprias constitu ições. de suas normas por meio de
Conceito
te na doutrina é que possui emendas, seja de reforma
natureza política (poder de (Poder Reformador), seja
fato). de revisão (Poder Revisor).

18
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Arl. 1°

PODER CONSTITUINTE

Originário Decorrente Derivado

- Visão positivista : • Instituídos - por serem poderes criados pela constitui-


• Inicial - por inaugurar ção. Possuem natureza jurídica (poder de direito).
uma nova ordem jurídica. • Limitados - por encontrarem limites estabelecidos pelo
• Autônomo - por caber texto constitucional.
a penas ao seu titular a • Condicionados - por terem suas manifestações confor-
escolha da ideia de direito macias pela constituição, seja na forma, seja no conteúdo.
a ser consagrada.
• Incondicionado - por
não ser conformado por
nenhuma norma procedi -
Caracte- mental ou material.
rísticas - Visão jusnaturalista:
• Incondicionado juridi-
camente - por não en-
contrar limites no direito
positivo anterior.
• Permanente - por não se
exaurir com o seu exercí-
cio.
• Inalienável - por ter uma
titularidade, que perten-
ce ao povo, intransferível

O titular do Poder Cons-


Obser- tituinte é se mpre o povo,
vação mas o seu exercício se dá
- -
por meio de representantes.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 11. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de f undado
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabil idade di sciplinar, civil e penal do
agente ou da aut oridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado.

• STF-Súmula vinculante n!! 14. É direito do defensor, no interesse do repre sentado, ter acesso amplo
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

• STF -Súmula n!! 70. É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para co-
brança de tributo.

• STF -Súmula n!! 323. É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para paga-
mento de tributos.

• STF -Súmula n!! 547. Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampi-
lhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais.

19
Art. 1° TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

3. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (IESES. TJ-RO. Titular de Serviços de Notas e Registros - Remoção.2017) A República Federativa do
Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federa l, constitui-se
em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos, EXCETO
A) Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa
B) Bipartidarismo
C) A dignidade da pessoa humana
D) A soberania e a cidadania

02. (IESES. TJ-RO. Titular de Serviços de Notas e Registros - Provimento.2017) Conforme prevê a Cons-
tituição Federal, é correto afirmar que a República Federativa do Brasil constitui-se em Estado De-
mocrático de Direito e tem como f undamentos
A) A soberania; a prevalência dos direitos humanos; a dign idade da pessoa humana; os valores sociais
do trabalho e da livre iniciativa; a defesa da paz .
B) A soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa; o pluralismo político.
C) A soberania; a prevalência dos direitos humanos; a dignidade da pessoa humana; a solução pacífica
dos conflitos; o pluralismo político.
D) A soberania; a garantia do desenvolvimento nacional; a dignidade da pessoa humana; os valores sociais
do trabalho e da livre iniciativa; a defesa da paz .

03. (CONSULPLAN. TJ-MG. Titular do Serviço de Notas e Registro-Provimento.2017) São f un damentos


da República Federativa do Brasil, EXCETO
A) O pluralismo político .
B) A soberania .
C) A cidadania.
D) A erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais.

04. (CESPE. TRT-7. Analista Judiciário - Área Judiciária.2017} A respeito das características do poder
constituinte e de sua configuração em originário ou derivado, assinale a opção correta
A) A criação de novos te rritórios federais é exemplo do exercício do poder constituinte derivado decor-
rente.
B) A outorga e a convenção são formas de expressão do poder constituinte originário.
C) A tese da existência de hierarquia entre normas constitucionais decorrentes do exercício do poder
constituinte originário é aceita pelo STF.
D) O sistema constitucional brasileiro admite a teoria da dupla revisão.

05. (VUNESP. TJ-SP. Juiz Substituto.2017} Modernamente, pode-se afirmar sobre o Poder Constituinte
Originário
A) O Poder Constituinte que se expressa historicamente estará sempre condicionado pelos valores sociais
e políticos que levaram à sua deflagração e pela ideia de direito decorrente do processo civilizatório
B) como expressão do poder fático, é prévio ao direito constituído e, assim, não se limita por condicio-
nantes pré-constituintes
C) para a preservação da cláusula democrática, o Poder Constituinte Origin ário deve se submeter a
referendo popular
D) o Poder Constituinte é fato essencialmente político e, portanto, in suscetível de condicionantes jurídicos
no plano do direito material

ffl 01 B 02 B 03 D 04 B 05 A

20
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 2°

Art. 2!! São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo
e o Judiciário.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Inspirado na obra de Locke, Montesquieu escreveu o clássico tratado L'Esprit des !ois
(1748). Após constatar, com base na "experiência eterna", que todo aquele que é investido
no poder tende a dele abusar até que encontre limites, o escritor francês sustenta que a
limitação a um poder só é possível se houver outro poder capaz de limirá-lo (CAETANO,
2003). A descrição da Constituição inglesa como exemplo de limitação do poder pelo poder,
segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho (2007) pode ter tido a intenção oculta, em razão
das cautelas exigidas pela época, de "recomendar a divisão do poder como remédio contra
o absolutismo e como garantia da liberdade", especialmente se assegurada a independência
do Judiciário. No final do Século XVIII, este princípio transformou-se em dogma com a
célebre consagração no art. 16 da declaração dos direitos do homem e do cidadão, na qual
ficou estabelecido que "toda sociedade na qual não é assegurada a garantia dos direitos, nem
determinada a separação dos poderes, não possui uma constituição."
A doutrina liberal do início do século XIX preconizava uma rigorosa separação de fun-
çóes a serem atribuídas com exclusividade a cada órgão da soberania. Esta rígida separa-
ção, baseada na interpretação do esquema extraído por Locke e Montesquieu da prática
constitucional britânica, todavia, mostrou-se inadequada (CAETANO, 2003). Canotilho
(1993) constata que atualmente há uma tendência de se considerar que a teoria da separação
dos poderes engendrou um mito, consistente na atribuição a Montesquieu de um modelo
teórico reconduzível à teoria dos três poderes rigorosamente separados, no qual cada poder
recobriria uma função própria sem qualquer interferência dos outros. Todavia, prossegue o
constitucionalista português, "foi demonstrado por EISENMANN que esta teoria nunca
existiu em Montesquieu [... ]. Mais do que separação, do que verdadeiramente se tratava
era de combinação de poderes: os juízes eram apenas «a boca que pronuncia as palavras da
lei»; o poder executivo e legislativo distribuíam-se por três potências: o rei, a câmara alta e
a câmara baixa, ou seja, a realeza, a nobreza e o povo (burguesia). O verdadeiro problema
político era o de combinar estas três potências e desta combinação poderíamos deduzir qual
a classe social e polírica favorecida."
A ideia de limitação da soberania por meio da repartição das competências distribuídas
por diversos órgãos perdeu boa parte de seu valor, pois o princípio não apresenta a mesma
rigidez de outrora, porquanto a ampliação das atividades estatais impôs novas formas de
inter-relação entre os poderes, de modo a estabelecer uma colaboração recíproca. Nesse
sentido, José Afonso da Silva (1997) ensina que "A 'harmonia entre os poderes' verifica-se
primeiramente pelas normas de cortesia no trato recíproco e no respeito às prerrogativas e
faculdades a que mutuamente todos têm direito. De outro lado, cabe assinalar que nem a
divisão de funçóes entre os órgãos do poder nem sua independência são absolutas. Há in-
terferências, que visam ao estabelecimento de um sistema de freios e contrapesos, à busca
do equilíbrio necessário à realização do bem da coletividade e indispensável para evitar o
arbírrio e o desmando de um em detrimento do outro e especialmente dos governados." Por
seu turno, João Maurício Adeodato (2009) identifica três fatores importantes e estreitamente
21
Art. 2° TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

conexos responsáveis por tornar obsoleta a tradicional separação de poderes: "a progressiva
diferenciação entre texto e norma, a crescente procedimentalização formal das decisões e o
aumento de poder do judiciário."
A Consríruíção de 1988, além de protegê-lo como cláusula pétrea (CF, are. 60, § 4°,
III), estabeleceu toda uma estrutura institucional de forma a garantir a independência entre
eles, matizada com atribuições de controle recíproco. Nesse prisma, a separação dos poderes
não impede o controle de atos do Legislativo e do Executivo pelo Poder Judiciário. A inde-
pendência entre os poderes tem por finalidade estabelecer um sistema de "freios e contrape-
sos" para evitar o abuso e o arbítrio por qualquer dos Poderes. A harmonia se exterioriza no
respeito às prerrogativas e faculdades atribuídas a cada um deles. Conforme destacado pelo
Ministro Sepúlveda Pertence (STF -ADI 98), para fins de controle de constitucionalidade
é necessário extrair da própria Constituição o traço essencial da atual ordem, por não haver
uma "fórmula universal apriorística" para este princípio.

2 . INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/755 - Nomeação de dirigentes: aprovação legislativa e fornecimento de informações protegidas


por sigilo fisca l
O Plenário, por ma ioria, j ulgou parcialmente procedente ped ido formu lado em ação direta para
declarar a inconstitucionalidade da expressão "empresas públicas, sociedades de economia mis-
ta" constante do art . 1º, bem assim da íntegra do inciso IV do art. 2º e do art. 3º, todos da Lei
11.288/99 do Estado de Santa Catarina. A norma impugnada estabelece condições e critérios a
serem observados pa ra o exercício de cargos de direção da Administração Indiret a da referida
un idade federativa. Quanto ao art. 1º da aludida lei catarinense, o Tribunal confirmou a orien-
tação fixada no julgamento da medida cautelar no sentido da impossibilidade de a Assembleia
Legislativa manifestar-se sobre a indicação de dirigentes de empresa pública e de sociedade de
economia mista feita pelo Poder Executivo. Assentou, contudo, não haver óbice relativamente
aos dirigentes de autarquias. No tocante ao inciso IV do art. 2º e ao art. 3º, o Colegiado aduziu
que os preceitos extrapolariam o sistema de freios e contrapesos autorizado pela Constituição.
Asseverou que os artigos em questão, além de determinarem o fornecimento de informações
protegidas por sigilo fiscal como condição para a aprovação prévia pelo Poder Legislativo dos
titulares de determinados cargos, criariam mecanismo de fiscalização pela Assembleia Legislativa
que se estenderia após a exoneração dos ocupantes dos citados cargos. Reputou, ainda, violado o
princípio da separação dos Poderes (CF, art. 2!!) em virtude da outorga à Assembleia Legislativa de
competências para fiscalizar, de modo rotineiro e indiscriminado, a evolução patrimonial dos postu-
lantes de cargos de direção da Administração Indireta do Estado-membro e de seus ex-ocupantes,
bem como as atividades por eles desenvolvidas nos dois anos seguintes à exoneração. Destacou
que essas atribuições não teriam relação com as funções próprias do Legislativo. ADI 2225/SC, Rei.
Min. Dias Toffoli, 21.8.2014. Pleno.

• STF/765 -ADC 33-DF. Rei. Min . Gil mar Mendes


Ação declaratória de constitucionalidade. Medida Cautelar. 2. Julgamento conjunto com as ADls
4.947, 5.020 e 5.028. 3. Relação de dependência lógica entre os objetos das ações julgadas em
conjunto. LC 78/93, Resolução/TSE 23.389/13 e Dec. Legislativo 424/13, este último obj eto da
ação em epígrafe. 4. O Plenário considerou que a presente ADC poderia beneficiar-se da instrução
levada a efeito nas ADls e transformou o exame da medida cautelar em ju lgamento de mérito.
5. Impossibilidade de alterar-se os termos de lei complementar, no caso, a LC 78/93, pela via do
decreto legislativo. 6. Ausência de previsão constitucional para a edição de decretos legislativos
que visem a sustar atos emanados do Poder Judiciário. Violação à separação dos poderes. 7. O DL
22
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 2°

424/13 foi editado no mês de dezembro de 2013, portanto, há menos de 1 (um) ano das eleições
gera is de 2014. Violação ao princípio da anterioridade eleitoral, nos termos do art. 16 da CF/88. 8.
Inconstitucionalidade formal e material do Dec. Legislativo 424/13. Ação Declaratória de Constitu-
cionalidade julgada improcedente.

• STF/745 -AgRg no RE 788.170-DF. Rei. Min. Cármen Lúcia


Agravo regimental no recurso extraordinário. Administrativo e constitucional. Intervenção excepcional
do Poder Judiciário na implementação de políticas públicas: possibilidade.( ... ).

• STF/756 -ADI: diário oficial estadual e iniciativa de lei


O Plenário confirmou medida cautelar e julgou procedente pedido formulado em ação direta para
declarar a inconstitucionalidade da Lei 11.454/00, do Estado do Rio Grande do Sul. A lei, de iniciativa
parlamentar, disciplina as matérias suscetíveis de publicação pelo Diário Oficial do Estado, órgão
vinculado ao Poder Executivo. O Tribunal consignou que, no caso, estaria configurada a inconsti-
tucionalidade formal e material do ato normativo impugnado. Afirmou que a edição de regra que
disciplinasse o modo de atuação de órgão integrante da Administração Indireta do Estado-membro
somente poderia advir de ato do Chefe do Poder Executivo estadual. Haveria, ademais, na edição da
norma em comento, nítida afronta ao princípio constitucional da separação dos Poderes, na medida
em que, ao se restringir a proibição de publicações exclusivamente ao Poder Executivo, teria sido
criada situação discriminatória em relação a um dos Poderes do Estado-membro. ADI 2294/RS, Rei.
Min. Ricardo Lewandowski, 27.8.2014. Pleno.

• STF/765 - ADI e emenda parlamentar - 1


O Plenário, por maioria, confirmou medida acauteladora e julgou procedente pedido formulado
em ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 2Q da Lei 10.385/95 do Estado do Rio
Grande do Sul. O artigo impugnado decorre de emenda parlamentar ao texto de iniciativa do Poder
Judiciário. Considera, de efetivo exercício, "para todos os efeitos legais, os dias de paralisação dos
servidores do Poder Judiciário, compreendidos no período de 13 de março de 1995 a 12 de abril
de 1995, mediante compensação a ser definida pelo próprio Poder". O Tribunal asseverou que a
jurisprudência do STF admitiria emendas parlamentares a projetos de lei de iniciativa privativa dos
Poderes Executivo e Judiciário, desde que guardassem pertinência temática e não importassem
em aumento de despesas. O cotejo entre o Projeto de Lei 54/95, apresentado pelo Poder Judiciá-
rio gaúcho e a Proposta de Emenda Parlamentar 4/95, que dera origem à norma ora impugnada
evidenciaria que a emenda não guardaria pertinência temática com o projeto originário - reajuste
de vencimentos dos servidores do Poder Judiciário gaúcho. Ao fundamento de que o preceito
desrespeitaria os limites do poder de emenda, o Tribunal entendeu haver ofensa ao princípio da
separação de Poderes (CF, art. 2!!). Por se tratar de iniciativa de competência do Poder Judiciário,
inviável à assembleia legislativa gaúcha propor emendas que afetassem a autonomia financeira e
administrativa do Poder Judiciário, sob pena de exercer poder de iniciativa paralela. ADI 1333/RS,
Rei. Min. Cármen Lúcia, 29.10.2014. Pleno.

• STF/760 - ADI e vício material

O Plenário confirmou medida cautelar e julgou procedente pedido formulado em ação direta para
declarar a inconstitucionalidade da Lei 14.235/03 do Estado do Paraná. A norma citada proíbe o
Poder Executivo estadual de iniciar, renovar e manter, em regime de exclusividade, as contas dos
depósitos que especifica, em qualquer instituição bancária privada, e adota outras providências. O
Tribunal asseverou que a norma questionada teria intentado revogar o regime anterior, estabelecido
pela Lei 12.909/00, além de desconstituir os atos e contratos firmados com base em suas normas.
Destacou, ainda, que o art. 3!! da Lei 14.235/03, ao afirmar que "cabe~á ao Poder Executivo revogar,
imediatamente, todos os atos e contratos firmados nas condições previstas no art. l!! desta lei",
teria violado os princípios da separação dos Poderes e da segurança jurídica. ADI 3075/PR, Rei. Min.
Gílmar Mendes, 24.9.2014. Pleno.

23
Art. 3° TÍTULO l - DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CESPE. DPE-AC. Defensor Público.2017) Assinale a opção que, seg undo o entendimento do STF,
representa respeito à independência dos Três Poderes
A) Proi bição, por lei mun icipal, de cobrança de tarifa de assinatura básica no que concerne aos serviços
de água e gás .
B) Decisão judicial que se imiscui nos critérios utilizados na convocação de sessão extraordinária em
câmara de vereadores.
C) Criação, por constituição estadua l, de órgão de controle administrativo do Poder Judiciário do qual
participem representantes de outros poderes ou entidades.
D) Imposição pelo Poder Judiciário à administração pública de obrigação de fazer, visando à execução
de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais.
E) Cr iação de le i estadua l que confere à Assembleia Legislativa a atribuição de demitir dirigentes de
agência reguladora.

02. (CESPE. PC-GO. Delegado da Polícia Civil.2017) Assinale a opção correta a respeito da organização
dos poderes e do sistema de freios e contrapesos no direito constitucional pátrio
A) Adotada por diversos países, entre eles o Brasil, a ideia de tripartição dos poderes do Estado em
segmentos distintos e autônomos entre si - Legislativo, Executivo e Judiciário - fo i concebida por
Aristóteles
B) A atividade legislativa e a de julgar o presidente da República nos crimes de responsabilidade são
funções típicas do Poder Legislativo.
C) Constitui exemplo de mecanismo de freios e contrapesos a possibilidade de rejei ção, pelo Congresso
Nacional, de medida provisória editada pelo presidente da República.
D) As expressões poder, função e órgão são sinônimas .
E) A CF adotou o princípio da indelegabilidade de atribuições de forma absoluta, inexistindo qualquer
exceção a essa regra.

HH 01 D 1 02 e 1

Art. 32 Const ituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

1- construir uma sociedade livre, j usta e so lidária;

li - garantir o desenvolvimento naciona l;

Ili - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regi onais;

IV- promover o bem de todos, sem precon ceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
out ra s formas de discriminação.

1. BREVES COMENTÁRIOS

A Constituição brasileira de 1988, inspirada no art. 9° da Constituição portuguesa de


1976, inovou em relação às nossas constituições anteriores ao estabelecer os objetivos fun-
damentais que visam à promoção e concretização dos fundamentos da República Federativa
do Brasil (CF, art. 1°). Diversamente dos fundamentos, que são valores estruturantes do
Estado brasileiro, os objetivos fundamentais consistem em algo exterior a ser perseguido.
Consagrados em normas-princípio, estabelecem finalidades a serem promovidas pelos po-
deres públicos, os quais têm o dever de empreender, na maior medida possível, os esforços
necessários para alcançá-los.
24
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 3°

A construção de uma sociedade justa e solidária (princípio da solidariedade) e a busca


pela redução das desigualdades sociais e regionais estão associadas à concretização do prin-
cípio da igualdade material (igualdade de fato), legitimando, portanto, a adoção de políticas
afirmativas (ações afirmativas ou discriminações positivas) por parte do Estado.
A erradicação da pobreza é uma das muitas concretizações do princípio da dignidade da
pessoa humana, por estar indissociavelmente relacionada à promoção de condições dignas de
vida. Com o objetivo de viabilizar a todos os brasileiros acesso a níveis dignos de subsistência,
foi instituído pela EC 31/2000 o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, cujos
recursos são aplicados em ações suplementares de nutrição, habitação, educação, saúde, reforço
de renda familiar e outros programas de relevante interesse social voltados para melhoria da
qualidade de vida (ADCT, art. 79). O prazo de vigência, inicialmente previsto até o ano de
2010, foi prorrogado por prazo indeterminado pela EC 67/2010.
A promoção do bem de todos, sem quaisquer formas de preconceito e discriminação,
está diretamente relacionada à proteção e promoção da dignidade da pessoa humana e ao
respeito às diferenças, como exigência do pluralismo.
Este rol é apenas exemplificativo, ou seja, os objetivos fundamentais não se exaurem
naqueles expressamente enumerados.
r-------------- --- ----------------------------------~
fundamentos
Atenção: É bastante usual em provas objetivas serem invertidos os (CF, art. 1º),
com os objetivos fundamentais (CF, art. 3º) e os princípios que regem o Brasil em suas relações
internacionais (CF, art. 4º), razão pela qual tais dispositivos merecem uma leitura atenta por parte
dos concursandos.

~---------------------------------------------------~
2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (COMPERVE. MPE-RN. Técnico do Ministério Público -Área Administrativa.2017) Os objetivos fun -
damentais da república brasileira são metas que o Estado deve promover com força vinculante e
imediata, servindo como norte a ser seguido em toda e qualquer atividade estatal. Nessa acepção, a
Constituição Federal aponta, expressamente, como objetivo fundamental a promoção
A) do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo e cor.
B) de uma sociedade livre, justa e solidária com repúdio ao racismo e ao terrorismo.
C) da erradicação da miséria e da marginalização e da redução da desigualdade nacional.
D) da autodeterminação dos povos e dos direitos humanos .

02. (CONSULPLAN . TJ-MG. Titular do Serviço de Notas e Registro-Remoção.2017) Constituem objetivos


fundamentais da República do Brasil, EXCETO
A) A construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
B) A garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e da marginalização e a redução
das desigualdades sociais e regionais.
C) A promoção do bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor idade e quaisquer outras
formas de discriminação.
D) A defesa da paz, o repúdio ao terrorismo e a independência nacional.

a 01 A 1 02 D 1

25
Art. 4° TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Art. 42 A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguin-
tes princípios:

1- independência nacional;

li - prevalência dos direitos humanos;

Ili - autodeterminação dos povos;

IV - não-intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;


VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da huma nidade;

X- concessão de asilo político.

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política,


social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-
-americana de nações.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Os princípios elencados no art. 4° da Constituição estabelecem orientações e limites para
as condutas a serem adotadas pelo Brasil perante outros Estados e organismos internacionais.
Inspirada na Constituição portuguesa de 1976, a sistematização desses princípios pode ser
creditada à atuação decisiva de destacados internacionalistas para os quais a democratização
era algo que se impunha não apenas no âmbito interno, mas também no da política inter-
nacional. Para Flávia Piovesan (2009), esta inovação introduzida pela Constituição de 1988
insere-se no contexto contemporâneo marcado pela tendência de constitucionalização do
Direito Internacional e de internacionalização do Direito Constitucional.
José Afonso da Silva (2014) identifica quatro inspirações para este rol de princípios que
devem reger o Estado brasileiro em suas relações internacionais: a de caráter nacionalista,
expressa nas ideias de independência nacional, de autodeterminação dos povos, de não in-
tervenção e de igualdade entre os Estados; a de caráter internacionalista, revelada na deter-
minação de prevalência dos direitos humanos e de repúdio ao terrorismo e ao racismo; a de
caráter pacifista, exteriorizada nos dispositivos que determinam a defesa da paz, de solução
pacífica dos conflitos e a concessão de asilo político; e a de caráter comunitarista, observada
nas ideias de cooperação entre os povos para o progresso da humanidade e no estímulo à
formação de uma comunidade latino-americana de nações.
O princípio da independência nacional costuma ser considerado pela doutrina como
"a face externa da soberania ou, simplesmente, a soberania externa." George Galindo (2014)
explica que enquanto a soberania nacional se afirma no plano interno, a independência nacio-
nal o faz no plano internacional. Embora haja quem considere sua consagração desnecessária,
por ser um princípio que está inserido no conceito de soberania, há uma diferença relevante
a ser notada. O dispositivo que consagra a soberania nacional como um dos fundamentos da
26
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE'1988 Arl. 4°

República Federativa do Brasil (CF/88, art. 1°, I) refere-se exclusivamente ao Estado brasileiro,
tanto em sua relação com outros Estados e organismos na ordem internacional (soberania exter-
na), quanto no que se refere a sua supremacia perante os cidadãos na ordem interna (soberania
interna). Já o que contempla a independência nacional como um dos princípios que regem o
Brasil em suas relações internacionais deve ser compreendido como uma norma que impõe ao
Estado brasileiro não apenas o dever de atuar no plano internacional de modo compatível com
sua própria soberania, mas, sobretudo, o dever de respeito à independência dos demais Estados
soberanos. Trata-se, portanto, de uma diretriz vinculante a ser observada em sua polírica externa.
O princípio da prevalência dos direitos humanos impõe ao Estado brasileiro deveres
no âmbito interno e externo. Internamente, impõe não apenas a plena integração dos tratados
e convenções internacionais de direítos humanos ao ordenamento jurídico pátrio, mas tam-
bém a devida observância das normas consagradoras desses direitos. No plano internacional,
exige o engajamento no processo de elaboração de normas protetivas dos direitos humanos,
bem como o dever de adotar posições políticas e jurídicas contrárias aos Estados que não
os respeitam (PIOVESAN, 2014). Com base neste princípio, o Supremo Tribunal Federal
já indeferiu pedido de extradição por considerar que o ordenamento jurídico do Estado
requerente era incapaz de assegurar aos réus as garantias necessárias para um "julgamento
imparcial, justo, regular e independente." Afirmou-se que o Tribunal não pode atuar com
indiferença diante de "transgressões ao regime das garantias processuais fundamentais", pois
a Constituição de 1988 impõe ao Estado brasileiro o "dever de sempre conferir prevalência
aos direitos humanos" (Ext. 633/CH).
O princípio da autodeterminação dos povos impõe o dever de respeito ao direito que
todas as nações possuem de definir o próprio sistema político e de escolher o modo mais
adequado para seu desenvolvimento econômico, social e cultural (PIOVESAN, 2014). A
autodeterminação dos povos é também uma norma do Direito Internacional contemporâneo,
consagrada nos principais tratados e convenções internacionais de direitos humanos, dentre
eles, a Carta da ONU de 1945! e o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. 2 O
Comitê de Direitos Humanos da ONU esclarece, em sua Recomendação Geral n. 12 (1984),
que "o direito à autodeterminação é de particular importância porque sua realização é uma
condição essencial para a eficaz garantia e a observância dos direitos humanos individuais e
para a promoção e o fortalecimento desses direitos."
O princípio da não intervenção impõe ao Estado brasileiro um dever de abstenção, a
ser cumprido na maior medida possível, que o impede de intervir, direta ou indiretamente,
em assuntos internos ou externos de outros países. A vedação constitucional abrange tanto
intervenções militares, como interferências no plano político, econômico e cultural. 3 No

1. Artigo 12. Os objetivos das Nações Unidas sã o: [... ] 2) Desenvolver relações de amizade entre as nações baseadas
no respeito do princípio da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas
apropriadas ao fortal ecimento da paz universa l;
2. Artigo 1º. 1. Todos os povos têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito, deter minam livremente
seu estatuto político e asseguram livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.
3. Nesse sentido, o disposto no artigo 19 da Carta da Organização dos Estados America nos (OEA) : "N enhum Esta-
do ou grupo de Estados tem o direito de intervi r, direta ou indiretamente, seja qual for o motivo, nos assuntos

27
TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

plano internacional tem sido admitida, em determinados casos, a denominada "intervenção


humanitária", em especial, quando autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU.
O princípio da igualdade entre os Estados impõe ao Brasil a adoção, no plano interna-
cional, de posições e medidas que favoreçam o igual tratamento jurídico a todos os Estados
soberanos. Galindo (2014) observa que a igualdade jurídica entre os Estados se manifesta em
três níveis. A igualdade formal impõe o dever de tratamento igualitário dos Estados perante
os órgãos judiciais internacionais. A igualdade legislativa significa, por um lado, que os Es-
tados só podem ser obrigados àquilo que consentiram; por outro, que devem o mesmo peso
e representação nos processos decisórios em órgãos internacionais e na aplicação das normas
de direito internacional. A igualdade existencial, por seu turno, confere aos Estados o direito
de existir ("integridade territorial"), de escolher o modo de sua existência ("independência
política") e, como consequência, de participar do sistema internacional.
O princípio da defesa da paz impõe dois deveres de natureza distinta: o de caráter
negativo exige que o Estado brasileiro se abstenha de provocar conflitos armados; o de caráter
positivo exige a adoção de medidas voltadas ao restabelecimento ou à manutenção da paz. Nas
hipóteses de conflitos armados, o Estado brasileiro deve apoiar o acionamento dos sistemas
de segurança coletiva, e não as intervenções promovidas por um país ou grupo de países. A
adoção de medidas por organizações internacionais é a que se revela mais compatível com os
princípios da não intervenção e da igualdade entre os Estados. A manutenção da paz é um
dos propósitos das Nações Unidas que, para esse fim, deve "tomar, coletivamente, medidas
efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura
da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do
direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar
a uma perturbação da paz". (Carta da ONU, artigo 1 (1)). No âmbito regional, a Organização
dos Estados Americanos estabelece a garantia da paz com um dos propósitos essenciais para
a realização dos princípios em que se baseia e para o cumprimento de suas obrigações em
conformidade com a Carta das Nações Unidas (Carta da OEA, artigo 2 (a)).
O princípio da solução pacífica dos conflitos exige que, na maior medida possível,
o Estado brasileiro busque resolver suas comendas internas e externas sem o uso da força e
apoie a adoção de medidas não coativas para a resolução de controvérsias internacionais. 4 A
Carta da ONU elenca, em seu artigo 33 (1), as seguintes medidas a serem adotadas pelas
partes para a solução de controvérsias: "negociação, inquérito, mediação, conciliação, arbi-
tragem, solução judicial, recurso a entidades ou acordos regionais, ou a qualquer outro meio
pacífico à sua escolha."

internos ou externos de qualquer outro. Este princípio exclui não somente a força armada, mas também qualquer
outra forma de interferência ou de tendência atentatória à personalidade do Estado e dos elementos políticos,
econômicos e culturais que o constituem ."
4. George Gal indo {2014) esclarece que, "historicamente, no direito internacional, a expressão mais empregada não
é a solução pacífica dos 'conflitos', mas a solução pacífica das 'controvérsias'. A opção tomada em 1988 mostra-se
paradoxal se a própria Constituição é tomada como referência. No preâmbulo está disposto 'e comprometida, na
ordem interna e internaciona l, com a solução pacífica das controvérsias'. No vocabulário jurídico internacional, o
termo conflito normalmente é utilizado para referir-se ao uso da força armada; por sua vez, controvérsia denota
uma disputa ou diferença que não envolve necessariamente a questão arm ada ."

28
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 4°

O princípio do repúdio ao terrorismo e ao racismo atua como uma diretriz vincu-


lante para as relações do Brasil com outros Estados e com organizações internacionais. O
princípio opera no sentido de impor a adoção de posturas, no plano internacional, voltadas à
combater esses tipos de práticas e de impedir sejam firmadas relações políticas ou comerciais
com países que estimulem ou não adotem medidas para combatê-las. Nos termos do artigo
2° da Lei nº 13.260/2016, o terrorismo consiste na prática de determinados atos 5 por um ou
mais indivíduos, "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia
e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado,
expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública." O racismo,
por sua vez, "é teoria e comportamento destinados a realizar e justificar a supremacia de
uma raça sobre outra" (SILVA, 2014).
Como ideologia baseada na convicção de existência de uma hierarquia racial, este não
se confunde com o preconceito, compreendido como uma intolerância ou sentimento hostil
de um indivíduo em relação a determinadas pessoas ou grupos pelo simples fato de terem
origem, crenças ou características (físicas, culturais ...) diferentes das suas.
O princípio que assegura a concessão de asilo político visa à proteção de indivíduos
outras nacionalidades contra perseguições, por parte de seu país de origem, motivadas por
razões de natureza política. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela
ONU em 1948, estabelece que "roda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar
e de beneficiar de asilo em outros países", salvo nos casos de processo decorrente de crime
de direito comum ou de atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
(artigo 14 (1) e (2)). A Convenção Americana dos Direitos Humanos, por sua vez, é mais
restritiva por delimitar o direito de obter asilo aos casos "de perseguição por delitos políticos
ou comuns conexos com delitos políticos". (artigo 22 (7)). O asilo e o refúgio sáo medidas
unilaterais, destituídas de reciprocidade e voltadas à proteção da pessoa humana, mas que
não se confundem. Flávia Piovesan (2014) elenca as seguintes diferenças entre o asilo (em
sua acepção regional latino-americana) e o refúgio (em sua acepção global):
"o refúgio é, pois, medida essencialmente humanitária, enquanto o asilo é medida
essencialmente política. O refúgio abarca motivos religiosos, raciais, de naciona-
lidade, de grupo social e de opiniões políticas, enquanto o asilo abarca apenas os
crimes de natureza política. Para o refúgio basta o fundado temor de perseguiçio,
enquanto para o asilo há a necessidade da efetiva perseguição. Ademais, no refúgio
a proteção como regra se opera fora do país, já no asilo a pro teção pode se dar no
próprio país ou na embaixada do país de desi:ino (asilo diplomático). No refúgio há
cláusulas de cessação, perda e exclusão constantes da Convenção sobre o Estatuto

5. Lei 13.260/2016, art. 2º, § 1º São atos de terrorismo: 1 - usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou
tra zer cons igo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios
capazes de causar danos ou promover destruição em massa; [...]IV-sabotar o funcionamento ou apoderar-se,
com violência, grave ameaça a pessoa ou servindo-se de mecan ismos cibernéticos, do controle total ou parcial,
ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações
fer roviárias ou rodoviárias, hosp itais, casas de sa úde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais
onde funcio nem serviços públicos essenciais, instalações de geração ou transm issão de energia, instalações mi-
litares, instalações de exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições bancárias e sua rede
de atendimento; V- atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa.
29
Art. 4° TÍTULO 1- DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

dos Refugiados de 1951 , já no asilo inexistem tais cláusulas. Outra distinção está na
natureza do aro de concessão de refúgio e asilo - enquanto a concessão de refúgio
apresenta efeitos declaratórios, a concessão de asilo apresenta efeito constitutivo,
dependendo exclusivamente da decisão do país."

Por fim, o princípio da integração latino-americana impõe ao Estado brasileiro a


adoção de medidas de natureza econômica, política, social e cultural voltadas à formação
de uma comunidade de nações da América Latina. Para Marcos Augusto Maliska (2014), o
termo "integração" deve ser compreendido como uma autorização, concedida pelo legislador
constituinte originário, para a busca de uma integração supranacional, e não apenas para
uma de uma associação de Estados nos moldes tradicionais do direito internacional, ou seja,
com a observância dos princípios clássicos da soberania.

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Princípios Fundamentais Objetivos Fundamentais Princípios das Relações


(Art. 1!!) {Art. 32) Internacionais (Art. 42)

1- Soberania 1- Construir uma sociedade li- 1- Independência Nacional


li - Cidadania vre, justa e solidária li - Prevalência dos Direitos Hu-
Ili - Dignidade da pessoa huma- li - Garantir o desenvolvimento manos
na nacional Ili-Autodeterminação dos povos
IV - Valores sociais do trabalho Ili - Erradicar a pobreza e a mar- IV - Não-intervenção
e da livre in iciativa ginalização e reduzir as desigual-
V - Igualdade entre os Estados
dades sociais e regionais.
V - Pluralismo político VI - Defesa da Pa z
IV - Promover o bem de todos,
sem preconceitos de origem, ra- VII - Solução pacífica dos con-
ça, sexo, cor, idade e quaisquer flitos
outras formas de discriminação VIII - Repúdio ao terror ismo e
* DICA : Por se tratar de uma ao raci smo
ação estatal, sempre começa IX. Cooperação entre os povos
com verbo. para o progresso da humanidade
X. Concessão de asilo político.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (CESPE. PC-PE. Agente de Polícia. 2016) Assinale a opção correta acerca dos princípios fundamentais
que regem as relações do Brasil na ordem internacional conforme as disposições da CF
A) Em casos de profunda degradação da dignidade humana em determinado Estado, o princípio funda -
mental internacional da prevalência dos direitos humanos sobrepõe-se à própria soberania do Estado
B) O princípio da independência nacional conduz à igualdade material entre os Estados, na medida em
que, na esfera econômica, são iguais as condições existentes entre eles na ordem internacional
C) O princípio da não intervenção é absoluto, razão por que se deve respeitar a soberania de cada um
no âmbito externo e por que nenhum Estado pod e sofrer ingerências na condução de seus assuntos
internos
D) Em razão do princípio fundamental internacional da concessão de asilo político, toda pessoa vítima
de perseguição, independentemente do seu motivo ou de sua natureza, tem direito de gozar asilo
em outros Estados ou países
E) A concessão de asilo político consiste não em princípio que rege as relações internacionais, mas em
direito e garantia fundamental da pessoa humana, protegido por cláusula pétrea.
30

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E 1988. Art 4°

02. (IESES. TJ-PA. Titular de Serviços de Notas e de Registros- Provimento. 2016) A República Federativa
do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios, EXCETO
A) Concessão de asilo político
B) Independência nacional
C) Repúdio ao terrorismo e ao racismo
D) Intervenção em países em guerra

03. (LEGALLE. Câmara de Vereadores de Guaíba-RS. Procurador.2017) Os primeiros quatro artigos da


Constituição Federal Brasileira apresentam os princípios fundamentais que norteiam o ordenamento
jurídico nas suas mais diversas nuances de cidadania. Um dos princípios destinados às relações inter-
nacionais da República Federativa do Brasil pode ser expresso como o(a) _____ .
Qual das alternativas NÃO preenche corretamente a lacuna do fragmento acima?
A) Prevalência dos direitos humanos.
B) Óbice de asilo político.
C) Autonomia dos povos.
D) Repúdio ao terrorismo.
E) Defesa da paz.

#H 01 A 02 D 1 03 B 1

3. BIBLIOGRAFIA CITADA NO TÍTULO I:

• ADEODATO, João Maurício (2009). "Adeus à separação dos poderes?". Leituras complementares de
constitucional: Teoria da Constituição. Marcelo Novelino [org.]. Salvador: JusPodivm, p. 283-292.

• BASTOS, Celso Ribeiro (1995). Curso de direito constitucional. 16. ed. São Paulo: Saraiva.

• BOBBIO, Norberto (2009). O futuro da democracia. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra .

• CAETANO, Marcello (2003). Manual de ciência política e direito constitucional. 6. ed. Coimbra: Al -
medina. Tomo 1.

• CANOTI LHO, José Joaquim Gomes (1993). Direito constitucional. 6. ed. Coimbra: Almed ina.

• FERRAZ, Anna Cândida da Cunha (1979). Poder constituinte do Estado-membro. São Paulo: RT.

• FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves (2007). Do processo legislativo. 6. ed. São Paulo: Saraiva.

• GALINDO, George Rodrigo Bandeira (2014). "Comentário ao artigo 49, incisos 1, 111, IV, V, VI e VII".
Comentários à Constituição do Brasil. CANOTILHO, J. J. Gomes; MENDES, Gilmar F.; SARLET, lngo W.;
STRECK, Lenio L. (Coords.). São Paulo: Saraiva/Almedina, p. 150-174.

• MALISKA, Marcos Augusto (2014). "Comentário ao artigo 49, parágrafo único". Comentários à Cons-
tituição do Brasil. CANOTILHO, J. J. Gomes; MENDES, Gilmar F.; SARLET, lngo W.; STRECK, Lenio L.
(Coords.). São Paulo: Saraiva/Almedina, p. 181-183.

• NOVELINO, Marcelo (2008) . "O conteúdo jurídico da dignidade da pessoa humana". Leituras comple-
mentares de direito constitucional: direitos humanos e direitos fundamentais. 3. ed. Marcelo Novelino
[org.]. Salvador: JusPodivm, p. 153-174.

• PIOVESAN, Flávia (2009). "Comentário ao artigo 49". Comentários à Constituição Federal de 1988.
Paulo Bonavides et alii [Coord.]. Rio de Janeiro: Forense, p. 40.

31
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

• ___ {2014). "Comentário ao artigo 49, incisos li, Ili, VIII, IX e X". Comentários à Constituição do Brasil.
CANOTILHO, J. J. Gomes; MENDES, Gilmar F.; SARLET, lngo W.; STRECK, Lenio L. (Coords.). São Paulo:
Saraiva/Almedina, p. 153-181.

• SILVA, José Afonso da (1997). Curso de direito constitucional positivo. 14. ed. Malheiros: São Paulo.

• ___ (2014). Comentário contextual à Constituição. 9. ed . São Paulo: Malheiros.


• STRECK, Lenio Luiz (2009). Hermenêutica jurídica e(m) crise: Uma exploração hermenêutica da cons-
trução do Direito. 8. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado.

•TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS


•CAPÍTULO 1- DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5!! Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igua ldade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

1. BREVES COMENTÁRIOS

O ordenamento jurídico, ao mesmo tempo em que guarnece o Estado com instrumentos


necessários à sua ação, protege certos interesses dos indivíduos contra a intromissão estatal.
A maior parte dos setenta e oito incisos do art. 5° concretiza um dos cinco princípios con-
sagrados no caput, quais sejam: o princípio da inviolabilidade do direito à vida; o princípio
da igualdade; o princípio geral de liberdade; o princípio da segurança jurídica e o princípio da
proteção ao direito de propriedade.
Os direitos individuais são prerrogativas fundamentais atribuídas aos particulares em face
do Estado e de outros particulares, visando à proteção de valores como a vida, a liberdade,
a igualdade, a segurança e a propriedade. As garantias individuais são instrumentos criados
para assegurar a proteção e efetividade dos direitos fundamentais. Não são, portanto, um
fim em si mesmo, mas um meio a serviço de um direito substancial. Os direitos e garantias
individuais, sem embargo de estarem contemplados sistematicamente no art. 5° da Cons-
tituição, não se restringem a ele, sendo possível identificar outros direitos e garantias desta
espécie ao longo do texto constitucional.

I+ (TJ/RS-Juiz de Direito- RS/2012) Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (Constituição Federal, art. 59, caput).
Estabeleça a distinção entre direitos e garantias individ uais segundo a doutrina.

Os direitos coletivos, por sua vez, estão basicamente consagrados nos Capítulos I e II do
Título II, não obstante a expressa referência aos direitos e deveres coletivos constar apenas
do primeiro Capítulo. Dentre os "direiros coletivos" nele consagrados estão as liberdade de
reunião (CF, art. 5°, XVI) e de associação (CF, art. 5°, XVII a XXI). A rigor, o exercício
desses direitos é que pressupõe a atuação de uma pluralidade de sujeitos, mas a titularidade
32
1ijij/~jj1jijut4 • ti;lãQij:ujjíiji3ij#;biMi•jt1:j;LMll ii€iH
1 1 1

continua sendo de cada um dos indivíduos. Coletivos, portanto, são os instrumentos de


exercício e não os sujeitos dos direitos.
Com relação aos destinatários dos direitos e garantias individuais, uma interpretação
literal do dispositivo excluindo os estrangeiros não residentes, revelar-se-ia incompatível com
a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1°, III). Por isso, deve-se fazer uma interpretação
extensiva no sentido de assegurar tais direitos e garantias, a todas as pessoas que se encontrem
no território brasileiro.
A orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que a condição
jurídica de estrangeiro aliada ao fato de não possuir domicílio no Brasil não inibe, só por si,
o acesso aos instrumentos processuais de tutela da liberdade nem subtrai o Poder Público do
dever de respeitar as prerrogativas de ordem jurídica e as garantias de índole constitucional
que o ordenamento positivo brasileiro assegura a qualquer pessoa (HC 94.477/PR). Nesse
sentido, revela-se ilegítima a adoção de tratamento arbitrário ou discriminatório por parte
do Estado brasileiro a qualquer indivíduo, independentemente de sua origem ou domicílio
(HC 94.016-MC/SP; RE 215 .267).
Vale notar ainda que, embora originariamente os direitos e garantias fundamentais te-
nham sido pensados em referência às pessoas físicas, na atualidade é incontestável a pos-
sibilidade de também serem titularizados por pessoas jurídicas, inclusive de direito público,
sobretudo, no caso dos direitos fundamentais de natureza procedimental. (STF - AC 2.395-
MC/PB; STF - AC (QO) 2.032/SP).

1. 1. Direito à vida

1.1.2. Âmbito de proteção


O conceito de vida, para fins de proteção constitucional, está relacionado à existência
física do ser humano. A inviolabilidade do direito à vida assegurada pela Constituição não se
refere, portanto, a toda e qualquer forma de existência, mas tão somente à vida humana em seu
sentido biológico, cuja proteção começa antes mesmo do nascimento e termina com a morte.
A inviolabilidade, consistente na proteção do direito à vida contra violaçóes por parte
do Estado e de terceiros, não se confunde com a irrenunciabilidade, característica distintiva
dos direitos fundamentais que os protege inclusive em face de seu próprio titular.
O direito à vida costuma ser compreendido em uma dupla acepção. Em sua acepção
negativa, consiste no direito assegurado a todo e qualquer ser humano de permanecer vivo.
Trata-se, aqui, de um direito de defesa que confere ao indivíduo um status negativo (em sentido
amplo), ou seja, um direito à não intervenção em sua existência física por parte do Estado e
de outros particulares. A acepção positiva costuma ser associada ao direito a uma existência
digna, no sentido de ser assegurado ao indivíduo o acesso a bens e utilidades indispensáveis
para uma vida em condições minimamente dignas.
Por fim, vale lembrar que o direito fundamental à vida deve ser pensado não apenas sob
a perspectiva do indivíduo, enquanto posição jurídica de que este é titular perante o Estado
(dimensão subjetiva), mas também do ponto de vista da comunidade, enquanto bem jurídico
essencial que impõe aos poderes públicos e à sociedade o dever de adotar medidas de proteção
33
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

contra práticas que atentem contra o direito à vida e de promoção dos meios indispensáveis
a uma vida humana com dignidade e qualidade (dimensão objetiva).

1.1.3. Restrições (intervenções restritivas)


O direito à vida, apesar de sua importância axiológica e de ser pressuposto elementar para
o exercício de todos os demais direitos, não possui um caráter absoluto. Em casos de colisão
com o mesmo bem jurídico rimlarizado por terceiros ou, ainda, com outros princípios de
peso relativo (ou seja, diante do caso concreto) maior, o direito à vida poderá sofrer restrições
no seu âmbito de proteção.
Na Constituição de 1988, única restrição expressamente prevista é a possibilidade de
imposição de pena de morte em caso de guerra declarada (CF, art. 5°, XLVII, a).
Há, no entanto, outras hipóteses de intervenções que, apesar de não terem previsão
expressa, são consideradas legítimas por encontrarem justificação em outros princípios de
hierarquia constitucional (cláusula de reserva implícita).
No âmbito infraconsticucional, podem ser mencionadas como formas de intervenção
legírima no âmbito de proteção do direito à vida as hipóteses de excludente de antijurídi-
cidade (CP, arts. 23 a 25). É o caso, por exemplo, de um policial que atira com a intenção
de causar a morte de um sequestrador quando este for o meio extremo e último para salvar
a vida do refém (PIEROTH; SCHLINK, 2012).
O Código Penal prevê, ainda, duas hipóteses expressas não punibilidade do aborto (CP,
art. 128). No caso do aborto terapêutico (ou aborto necessário), permitido quando a má-for-
mação do feto coloca em risco a vida da gestante (CP, art. 128, I), trata-se, a rigor, de uma
causa excludente de antijurídicidade ("estado de necessidade"), na qual a intervenção restritiva
é legítima por proteger o direito à vida da gestante. No aborto sentimental, permitido quando
a gravidez é resultante de estupro (CP, art. 128, II), o legislador fez uma ponderação entre o
direito à vida do feto e a liberdade sexual/dignidade da pessoa humana da mãe, atribuindo
um peso maior a esses direitos.
A Primeira Turma do Supremo conferiu interpretação conforme à Constituição aos arti-
gos 124 a 126 do Código Penal, nos quais tipificado o crime de aborto, para excluir do seu
âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre
de gestação. A maioria dos ministros entendeu que a criminalização, na hipótese, viola o
princípio da proporcionalidade, por não proteger devidamente a vida do feto nem impactar
no número de abortos praticados no país, bem como direitos fundamentais da mulher. Nos
termos do voto do Relator, Ministro Roberto Barroso, a criminalização é incompatível com:
"os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo Estado a manter
uma. gestação indesejada; a autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas
escolhas existenciais; a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu
corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez; e a igualdade da mulher, já que homens não
engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da
mulher nessa matéria" (HC 124.036).
No julgamento da ADPF 54/DF o Plenário do STF declarou, por maioria, a inconsti-
tucionalidade da interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo
34
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1938 Art. 5°

seria conduta tipificada como aborto pelo Código Penal (CP, arts. 124, 126 e 128, I e II).
Outro importante precedente do STF é a ADI 3.510/DF, na qual o Tribunal declarou a
constitucionalidade dos dispositivos da Lei 11.105/2005 (Lei de Biossegurança), por considerar
que a permissão legal para utilização de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos e
de pesquisa não pode ser caracterizada como uma intervenção violadora do direito à vida. A
medida restritiva adotada pelo legislador foi considerada constitucionalmente fundamentada,
por se tratar de um meio adequado e necessário para fomentar o direito à vida e à saúde das
pessoas portadoras das mais variadas doenças ainda sem tratamento e sem cura.

1.2. Direito à igualdade


O reconhecimento da igualdade pelo direito vem trilhando um caminho de constante
evolução ao longo da história. Esta trajetória ascendente pode ser dividida em duas etapas
cuja análise, ainda que em breves notas, permite compreender melhor as concepções de
igualdade e os termos utilizados para designá-las.
A primeira fase, inaugurada com a consagração da igualdade pelas declarações de direitos,
coincide com o surgimento do constitucionalismo clássico e com a instauração do Estado
Liberal-Burguês. No Antigo Regime, por não serem as pessoas concebidas como iguais, os
direiros e deveres dos indivíduos eram decorrentes do grupo social ao qual pertenciam e não
de sua natureza humana. Coube às revoluções liberais, ocorridas nos fins do século XVIII,
extirpar os privilégios de origem estamental e afirmar a igualdade de todos perante a lei
que, por sua generalidade e abstração, converteu-se no símbolo maior desta nova conquista
(SARMENTO, 20066).
Nesta etapa inicial, o reconhecimento do direito à igualdade ocorre em termos mera-
mente formais, no sentido de exigir idêntico tratamento a todos que se encontrem na mesma
situação. Para esta concepção formal, correspondente à noção de que rodos os homens são
iguais, não importa o conteúdo do tratamento dispensado, nem as condições ou circunstâncias
de cada indivíduo. Reduzido a este sentido, o princípio da igualdade se converte, de certo
modo, numa simples exigência de generalidade e de prevalência da lei em face da jurisdição
e da administração (SARLET et alii, 2012).
A segunda fase tem início no século XX, com o advento do Estado social. A crescente
intervenção estatal nas relações sociais, econômicas e culturais veio acompanhada por uma
releitura do princípio da igualdade. A concepção formal de igualdade, embora tenha signifi-
cado um avanço importante, mostrou-se incompleta e insuficiente para definir quem deveria
receber um tratamento igual ou desigual e em que medida isso deveria ocorrer. Quando um
determinado tratamento igual ou desigual deve ser considerado justo? Qual deve ser o critério
utilizado para valorar uma relação de igualdade ou desigualdade? A constatação de que o
mero dever de igual tratamento para indivíduos ou situações com as mesmas características
essenciais acaba por permitir diferenciações arbitrárias e injustas levou ao delineamento dos
contornos de uma concepção material de igualdade, direcionada também ao conteúdo das
normas criadas pelo legislador.
O princípio da igualdade material tem sido tradicionalmente associado à proposição
"o igual deve ser tratado igualmente e o desigual desigualmente". Nesse sentido, a lição de
35
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Rui Barbosa (2003) ao afirmar que "a regra da igualdade não consiste senão em quinhoar
desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam", pois, "tratar com desigual-
dade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante , e não igualdade
real." Embora a clássica fórmula aristotélica não forneça nenhum critério conteudístico para
um juízo de valor sobre a relação de igualdade ou de desigualdade, a concepção material
pressupõe a adoção de critérios distintivos justos e razoáveis. Nesta perspectiva, o princípio
da igualdade tem sido relacionado à proibição de arbítrio, de modo a vedar tratamentos
arbitrariamente desiguais para situações essencialmente iguais, assim como tratamentos
idênticos para situações essencialmente desiguais.
O termo igualdade material também tem sido empregado para designar as exigências
decorrentes da igualdade de fato , no sentido de impor aos poderes públicos o dever de ado-
tar medidas concretas para a redução ou compensação de desigualdades existentes no plano
fático . Aqui, a igualdade é concebida como "um objetivo a ser perseguido através de ações e
políticas públicas" e que, por conseguinte, "demanda iniciativas concretas em proveito dos
grupos desfavorecidos" (SARMENTO, 2006). Os princípios que consagram a igualdade de
fato e a igualdade de direito tendem a entrar em rota de colisão, pois a adoção de medidas
voltadas à promoção da igualdade no plano dos fatos pressupõe uma desigualdade de trata-
mento jurídico, ao passo que a igualdade de tratamento pelo direito tem como consequência
a manutenção das desigualdades de fato. É o que Robert Alexy (2008) denomina de paradoxo
da igualdade ("aquilo que segundo um princípio é um tratamento igual é segundo o outro
um tratamento desigual, e vice-versa").

1.2.1. O direito à igualdade na Constituição de 1988


A Constituição de 1988 contempla o direito geral à igualdade em suas duas concepções
normativas. O princípio da igualdade formal está expressamente consagrado no caput do art. 5°
através da fórmula de matriz liberal "rodos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza". O princípio da igualdade material, por sua vez, pode ser extraído do mesmo dispo-
sitivo na parte em que este prevê a "inviolabilidade do direito [...] à igualdade". No sentido de
proibição de arbítrio, esta concepção é reforçada por dispositivos que conferem ou exigem, como
medida de justiça, tratamentos diferenciados em razão do gênero (CF, arts. 40, § 1°, Ili; 201,
§ 7°), da capacidade física (CF, arts. 40, § 4°, I; art. 201, § 1°) ou da condição econômica (CF,
arts. 5°, LXXIV e LXXVI; 145, § 1°). As exigências decorrentes da igualdade de fato podem
ser deduzidas do dispositivo que consagra a redução das desigualdades sociais e regionais como
um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (CF, art. 3°, III).
Diversos direitos específicos de igualdade também foram assegurados no texto cons-
titucional.
Dentre os direitos fundamentais, contemplou-se a igualdade entre homens e mulheres
(CF, art. 5°, I); entre trabalhadores urbanos e rurais, independentemente do sexo, idade,
cor, estado civil ou tipo de trabalho (C F, art. 7°, XXX, XXXII e XXXIV); entre brasileiros
natos e naturalizados, salvo nos casos previstos pela própria Constituição (CF, art. 12, § 2°);
e, entre os votos de cada eleitor (CF, art. 14, caput).
No Capítulo referente à administração pública, consagrou-se a igualdade de acesso a
cargos, empregos e funções públicas, bem como de participação em obras, serviços, compras
36
•MMiiiiijí(;M•Dil#R1l:l!iHããnã;tiiiM1 111i:i;tMl•nifü:l:1 Art. 5°

e alienações feitos pela administração pública direta e indireta (CF, are. 37, I e XXI). A juris-
prudência do Supremo Tribunal Federal considera legítima a fixação de critérios de admissão
para cargos públicos desde que atendidos dois requisitos: previsão legal (RE 417.019-AgR; AI
523.254/DF-AgR; RE 307.112-AgR/DF) e justificativa da exigência decorrente da narnreza
das atribuições do cargo a ser preenchido (Súmula 683; RE 523.737-AgR; ADI 3.443). O
Tribunal também considera razoável utilizar a idade do candidato (preferência para o mais
idoso) como critério de desempate para fins de promoção por merecimento, haja vista que
esta é qualificada positivamente pela própria Constituição que a adota como critério para
solucionar os casos de empate nas votações para o cargo de Presidente da República (MS
24.509/DF) . Nos casos de vantagens ou benefícios ilegítimos, a jurisprudência está conso-
lidada no sentido de que não pode o Poder Judiciário, a pretexto de impor a observância
do princípio da igualdade, atuar como legislador positivo (STF - Súmula Vinculante 37;
STF - RE 402.748-AgR).
Dentre as limitações ao poder de tributar, vedou-se o tratamento desigual emre contri-
buintes que se encontrem em situação equivalente (CF, arr. 150, II); a instituição de tributo
pela União que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção
entre os entes federativos (CF, are. 151, I); e, ainda, que Estados, Distrito Federal e Muni-
cípios estabeleçam tratamentos diferenciados em razão da procedência ou destino de bens e
serviços uns dos outros (CF, art. 152).
No Título que trata da ordem social, assegillou-se a igualdade de acesso às ações e serviços
de saúde (CF, art. 196); de condições para o acesso e permanência na escola (CF, art. 206);
de gênero, para o exercício dos direitos e deveres referentes à sociedade conjugal (CF, art.
226, § 5°); de direitos processuais, para os adolescentes que estiverem respondendo por ato
infracional (CF, art. 227, § 3°, IV); e, de direítos e qualificações entre filhos havidos ou não
da relação do casamento, ou por adoção (CF, are. 227, § 6°).
Com vístas a promover a igualdade de fato, a Constituição, além de estimular a adoção
de determinadas medidas para reduzir as desigualdades sociais e regionais (CF, ares. 43, 165,
§ 7°, e 170, VII), impôs deveres de agir específicos, tais como, o de proteção do mercado
de trabalho da mulher mediante incentivos específicos (CF, arts. 7°, XX) e o de reserva de
vagas em cargos e empregos públicos para pessoas com deficiência (CP, art. 37, VIII).

1.2.2 . A dimensão objetiva e subjetiva do direito à igualdade


O direito à igualdade, assim como outros direitos fundamentais, também apresenta uma
dupla dimensão.
Em sua dimensão objetiva, a igualdade pode ser compreendida como um princípio ma-
terial estruturante do Estado brasileiro que impõe aos poderes públicos deveres de naturezas
distintas: I) o de caráter negativo, que os impede de estabelecer diferenciações injustificadas,
odiosas ou preconceituosas (proibição de arbítrio); e, II) o de caráter positivo, que impõe tanto
(II.a) a adoção de tratamento igual para os iguais e desigual para os desiguais como medida
de justiça, quanto (II.b) a adoção de medidas voltadas à redução das desigualdades sociais e
regionais (igualdade de fato). As normas voltadas à promoção da igualdade de fato, mesmo
quando não conferem direitos subjetivos judicialmente sindicáveis, servem como fundamento
para restrições a outros direicos fundamentais e, nos casos em que os poderes públicos não
37
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

adotam as medidas necessárias para atender à sua finalidade, podem ser utilizadas como
parâmetro na Ação Direita de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO).
Em sua dimensão subjetiva, a igualdade confere a indivíduos e grupos posições jurídicas
tanto de caráter negativo, enquanto direito à proteção contra igualizações ou diferenciações
arbitrárias (direito de defesa), como de caráter positivo, enquanto direito a exigir determina-
das prestações materiais ou jurídicas destinadas à redução ou compensação de desigualdades
de fato (direito a prestações). É o caso, por exemplo, das normas que asseguram às pessoas
com deficiência a reserva de vagas em cargos e empregos públicos e o direito à aposentadoria
especial (CF, are. 37, VIII e are. 40, § 4°, I, respectivamente).

1.2.3. Âmbito de proteção e intervenção


A abordagem do direito à igualdade exige uma metódica diferenciada, pois diversamente
de outros direitos fundamentais que contemplam um âmbito de proteção material específico
(vida, liberdade, privacidade e propriedade), este não possui nenhum conteúdo constitucional
predeterminado. Por ser a igualdade um conceito relacional, a análise envolvendo supostas
violações pressupõe uma comparação entre indivíduos, grupos, coisas ou situações atingidos
pela norma. Por outro lado, a verificação da isonomia de tratamento pressupõe medidas com
origem em comum, isto é, emanadas de um mesmo órgão estatal ou de um mesmo particular.
Se, por exemplo, duas empresas aéreas conferem vantagens distintas a seus funcionários ou se
duas Assembleias Legislativas estaduais legislam de forma diversa sobre determinado tema,
a priori, não há uma desigualdade de tratamento juridicamente relevante.
O princípio da igualdade não exige que o legislador trate todos exatamente da mesma forma,
mas também não permite toda e qualquer diferenciação. A fórmula clássica de Aristóteles, que
constitui a "coluna vertebral" do princípio da igualdade, costuma ser utilizada como ponto de
partida para um meio-termo entre esses dois extremos. A partir desta perspectiva, a intervenção
no direito à igualdade ocorre quando se confere um tratamento igual a situações essencialmente
desiguais ou um tratamento desigual a situações essencialmente iguais (SARLET et alii, 2012).
Para ser considerada legítima, a intervenção deve ter uma justificação constitucionalmente
adequada, ou seja, é necessário que a medida adotada passe pelo teste da proporcionalidade.
De um lado, o princípio da igualdade impõe o dever jurídico de igual tratamento a
indivíduos, grupos, coisas ou situações que pertençam a uma mesma categoria essencial. A
verificação daquilo que é essencialmente igual exige um ponto de referência que permita
a comparação. Pode-se questionar, por exemplo, os critérios estabelecidos por normas de
trânsito para tratar de modo desigual automóveis, motos e caminhões ou por normas de
ocupação urbana em relação a hotéis, bares e restaurantes. Não tem sentido, no entanto,
discutir a desigualdade de tratamento conferida a automóveis e hotéis se não houver um
pomo de referência entre eles (PIEROTH; SCHLINK, 2012). O dever de igual tratamento
não significa, porém, que o legislador tenha que tratar todos exatamente da mesma forma.
A instituição de um imposto com valor idêntico para todos seria extremamente injusta por
equiparar os contribuintes independentemente de sua condição financeira. A imposição de
penas para todas as pessoas não teria qualquer sentido. Um serviço militar obrigatório para
crianças seria incompatível com a sua finalidade. A igualdade absoluta em relação a todas as
posições jurídicas produziria, portanto, normas injustas, sem sentido e incompatíveis com
38
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

sua finalidade, razão pela qual o legislador não só pode como deve "estabelecer o serviço
militar somente para adultos, penas somente para os criminosos, impostos baseados no nível
de renda, assistência social somente para os necessitados e condecorações somente para os
cidadãos distinguidos" (ALEXY, 20086).
De outro lado, o princípio da igualdade impõe o dever jurídico de tratamento desigual a
indivíduos, grupos, coisas ou situações essencialmente desiguais. A exigência de igual respeito
e consideração só é atendida quando se confere um tratamento distinto para aqueles que são
diferentes. Atribuir idênticos direitos e deveres a crianças, adultos e idosos seria um tratamen-
to desigual e injusto. Para que o princípio da igualdade mantenha uma tendência favorável
ao tratamento isonômico e não se converta numa simples exigência de fundamentação de
normas, Alexy (20086) propõe uma assimetria entre o dever de igual tratamento e o dever
de tratamento desigual, estabelecida através da exigência de uma fundamentação para este
último. Esta assimetria, segundo o jurista alemão, "tem como consequência a possibilidade
de compreender o enunciado geral de igualdade como um princípio da igualdade, que prima
facie exige um tratamento igual e que permite um tratamento desigual apenas se isso for
justificado por princípios contrapostos."
A violação ao direito à igualdade pode ocorrer por ação ou por omissão. Em sua acepção
negativa (direito de defesa), a igualdade é violada quando são estabelecidas igualizações ou
diferenciações arbitrárias, isto é, pautadas por critérios injustificados, odiosos, discriminató-
rios ou preconceituosos. Embora o dever de "tratar igualmente os iguais e desigualmente os
desiguais" não contenha, em si mesmo, nenhum parâmetro para definir o que é valorativa-
mente igual ou desigual, a igualdade material só se realiza quando adotados critérios justos
e razoáveis (proibição de arbítrio). Nas palavras de Oscar Vilhena Vieira (2006), o princípio
da igualdade é uma espécie de "regulador das diferenças" que atua para "discernir entre de-
sigualizações aceitáveis e desejáveis e aquelas que são profundamente injustas e inaceitáveis."
Em sua acepção positiva, o direito à igualdade é violado nos casos de omissão dos poderes
públicos quando não são adotadas, de modo adequado e suficiente, as medidas constitucio-
nalmente exigidas para a redução de desigualdade sociais ou regionais (igualdade de fato) .

J.2.4. Os destinatários do dever de igualdade


A expressão "todos são iguais perante a lei" (igualdade perante a lei), tradicionalmente
consagrada nas constituições ocidentais, foi compreendida por um longo período no seu sentido
literal, isto é, como um dever de tratamento isonômico a ser observado apenas no momento da
aplicação do direito. Nos termos desta visão, o princípio se dirigia apenas aos órgãos adminis-
trativos e jurisdicionais, não vinculando o legislador quando da elaboração das leis.
Com o reconhecimento definitivo da força normativa da constituição e da vinculação
do legislador aos direitos fundamentais, característica marcante do constitucionalismo con-
temporâneo inaugurado em meados do século passado, esta interpretação restritiva restou
superada. Muito embora a expressão "perante a lei" ainda seja empregada em diversos textos
constitucionais, hoje prevalece o entendimento de que o princípio da igualdade se dirige não
apenas aos poderes encarregados da aplicação da lei, mas também ao legislador no momento
da criação do direito. O termo igualdade na lei tem sido adotado para fazer referência à
vinculação de todos os poderes públicos, inclusive o legislador, ao princípio da igualdade.
39
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Por certo, os principais destinatários dos deveres decorrentes do direito à igualdade são
os órgãos estatais. Todavia, nos países em que se admite a eficácia horizontal dos direitos
fundamentais - como é o caso do Brasil -, o dever de respeito ao direito à igualdade se impõe
também aos particulares, ainda que esta vinculação se manifeste com menor intensidade,
uma vez que nas relações contratuais a igualdade deve ser sopesada com a autonomia da
vontade, princípio basilar do direito privado.

1 .2.5. Ações afinnativas


As ações afirmativas consistem em políticas públicas ou programas privados desenvolvidos,
em regra, com caráter temporário, visando à redução de desigualdades decorrentes de discrimi-
nações (raça, etnia) ou de uma hipossuficiência econômica (classe social) ou física (deficiência),
por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. São,
portanto, medidas destinadas a promover o princípio da igualdade material (igualdade de faro).
A adoção de políticas positivas deve ser precedida de uma profunda análise das condições
e peculiaridades locais, bem como de um estudo prévio sobre o tema, sendo que sua legiti-
midade dependerá da observância de determinados critérios, sob pena de atingir, de forma
indireta e indevida, o direito dos que não foram beneficiados por elas (discriminação reversa).
Para que um determinado grupo seja beneficiário legírimo de uma ação afirmativa, deve
ser comprovada a impossibilidade de sua integração num futuro próximo. Conforme obser-
vado por Roberta Kaufmann (2007) em valioso estudo sobre o tema, "é preciso demonstrar
que a discriminação contra aquele grupo determinado atua de maneira poderosa, a impedir
ou a dificultar substancialmente o acesso das minorias a determinadas esferas sociais, como
o mercado de trabalho e a educação".
Por outro lado, a adoção de ações afirmativas, em geral, deve ter um prazo de duração
(temporariedade), devendo tais políticas ser extintas quando atingidos os seus objetivos. No
entanto, a observância deste critério não será cabível em hipóteses específicas, tais como a de
políticas positivas desenvolvidas em relação a grupos indígenas ou pessoas com deficiência.
O sistema de cotas ("reserva de vagas") é apenas um dos mecanismos de proteção de
minorias hipossuficientes, ao lado de vários outros, tais como bolsas de estudo, reforço
escolar, programas especiais de treinamento, cursinhos pré-vestibulares, linhas especiais de
crédito e estímulos fiscais diversos.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade de
ações afirmativas adotadas, com base em critérios étnicoraciais e/ou socioeconômicos, para
a concessão de bolsas de estudo ou para ingresso em cursos de nível superior (ADPF 186/
DF; ADI 3.330/DF; RE 597.285/RS).
No mesmo diapasão, o Tribunal declarou a constitucionalidade de dispositivo legal,
reservando 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos
efetivos e empregos públicos no âmbito da Administração Pública Federal Direta e Indireta
para os candidatos que se autodeclararem pretos ou pardos. O colegiado também considerou
legítima a utilização, além da autodedaraçáo, de critérios subsidiários de heteroidentificação,
desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla
defesa (STF -ADC 41/DF).
40
'cONSTITUIÇÁO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 19811 Arl. 5°

1.3 . Direito à liberdade


A liberdade costuma ser referida em dois sentidos diversos. A liberdade positiva - tam-
bém denominada de liberdade política ou liberdade dos antigos ou liberdade de querer - pode
ser definida como a "situação na qual um sujeito tem a possibilidade de orientar seu próprio
querer no sentido de uma finalidade sem ser determinado pelo querer dos outros". A liber-
dade negativa - conhecida também como liberdade civil ou liberdade dos modernos ou
liberdade de agir - é a "situação na qual um sujeito tem a possibilidade de agir sem ser
impedido, ou de não agir sem ser obrigado por outros" (BOBBIO, 1997).
A Constituição de 1988 consagrou, ao lado do d ireito geral à liberdade, vários direi-
tos de liberdade específicos nos diversos incisos do art. 5°, os quais serão estudados nos
respectivos dispositivos.

1.4 . Direito de propriedade

1.4.J. Âmbito de proteção


A Constituição assegura, prima facie, o direito de propriedade (CF, art. 5°, XXII),
tanto de bens móveis e imóveis, como de bens materiais e imateriais (CF, art. 5°, XXVI
a XXXI). Por ter o seu estatuto fundamental previsto no texto constitucional, a proprie-
dade é uma instituição submetida ao regime do direito público. A garantia do direito de
propriedade impede intervenções desprovidas de fundamentação constitucional em seu
âmbito de proteção.

1.4.2. Restrições (intervenções restritivas)


O direito de propriedade está submetido a diversas restrições constitucionais diretas e
indiretas que limitam seus caracteres tradicionais. O caráter absoluto é afastado pelo prin-
cípio da função social da propriedade (CF, art. 5°, XXIII). O caráter exclusivo é limitado
pelas requisições civis e militares (CF, arts. 5°, XXV e 139, VII). O caráter perpétuo pela
possibilidade de desapropriação (CF, art. 5°, XXIV), usucapião (CF, arts. 183 e 191), ex-
propriação-sanção e confisco (CF, art. 243). A análise específica das restrições a este direito
fundamental será feita nos dispositivos constitucionais respectivos.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CESPE. Instituto Rio Branco. Diplomata. 20161 Entre os estrangeiros, apenas os residentes no Brasil
fazem jus aos direitos e garantias fundamentais inscritos no texto constitucional

02. (Planejar Consultoria. Pref. de Lauro de Freitas. Procurador Municipal. 2016) Dentre os direitos
fundamentais, assinale os quais correspondem aos direitos de 4ª dimensão
A) Direito ao meio ambiente
B) Direito a democracia direta, ao pluralismo e à informação, biotecnologia
C) Direito a segurança e a paz
D) Direito à segurança, solidariedade
E) Direito ao meio ambiente equilibrado e a biotecnologia

41
Art. 5° TiTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

03. (CESPE. TJDFT. Juiz Substituto. 2016) Em atenção aos direitos e garantias fundamentais da Consti-
tuição brasileira, assinale a opção correta
A) A constituição consagra expressamente a teoria absoluta do núcleo essencial de direitos fundamentais
B) Direitos fundamentais forma lmente ilimitados, desprovidos de reserva legal, não podem sofrer res-
trições de qualquer natureza
C) O gozo da titularidade de direitos fundamentais pelos brasileiros depende da efetiva resid ên cia em
território nacional
D) Há direitos fundamentais cuja titularidade é reservada aos estrangeiros
E) A reserva legal estabelecida para a inviolabilidade das comunicações telefônicas é classificada como
simples, e para a identificação criminal reserva qualificada

04. {CONSULPLAN. TRF-2. Técnico Judiciário.2017) lliel e Anel travaram intenso debate a res peito da rele-
vância da distinção, para a República Federativa do Brasil, do conceito de nacionalidade, em especial
sob o prisma da fruição de direitos e garantias individuais. Para lliel, os direitos e garantias individuais
são privativos dos brasileiros, natos ou naturalizad os. Anel, por sua vez, acresceu que somente quem
tem direitos políticos possui direitos e garantias individuais." À luz do disposto na Constituição da
República, é correto afirmar que
A) somente a afirmação de lliel está incorreta.
B) as afirmações de lliel e Anel estão totalmente incorretas.
C) somente a afirmação de Anel está incorreta.
D) as afirmações de lliel e Anel estão totalmente corretas.

m, 01 E 02 B 03 D 04 B

1- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

1. BREVES COMENTÁRIOS
A Constituição consagrou, ao lado do direito geral à igualdade (CF, an. 5°, caput), o
direito específico de igualdade entre homens e mulheres (CF, art. 5°, I). O princípio da
igualdade entre homens e mulheres não impede a adoção de tratamentos diferenciados em
razão do gênero, desde que pautados por critérios justos e razoáveis (proibição de arbítrio) 6
ou voltados à redução ou compensação de desigualdades fáticas (igualdade de Jato) .7

6. STF- RE 489.064-ED, rei. Min. Ellen Gracie (DJE 25.09.2009): "A adoção de critérios diferenciados para o licencia-
mento dos milita res temporários, em razão do sexo, não viola o princípio da isonomia"; STF - RE 498.900-AgR, rei.
Min . Cármen Lúcia (DJ 07.12.2007): "A jurisprudência deste Supremo Tribuna l firmou entendimento no sentido
de que não afronta o princíp io da isonomia a adoção de crité rios distintos para a promoção de integrantes do
corpo feminino e masculino da Aeronáutica".
7. STF - ADI 4.424/DF e ADC 19/DF, voto do Min. Luiz Fux: "A Lei Maria da Penha ref lete, na realidade brasileira, um
panorama moderno de igualdade material, sob a ótica neoconstitucionalista que inspirou a Carta de Outubro de
1988 teórica, ideológica e metodologica mente. [... ] Lo nge de afrontar o princípio da igualdade entre hom ens e
mulheres (art. 52, 1, da Constituição), a Lei nº 11.340/06 estabelece mecanismos de equiparação entre os sexos,
em legítima discrim inação positiva que busca, em última análise, corrigir um grave problema social. Por óbvio,
todo discrímen positivo deve se basear em parâmetros razoáveis, que evi tem o desvio de propósitos legítimos
para opressões inconstitucionais, desbordando do estritamente necessário para a promoção da igualdade de
fato. Isso porque somente é possível t ratar desigualmente os desiguais na exata medida dessa desigualdade."

42
ld•l~~iiiiilfíQ l Q;J4R 11:Jl[!lâ4 lã;ffiiMl lll:Ji&111•11Pt:J:j
1 1 1 1

No texto constitucional são encontrados alguns dispositivos que estabelecem um tra-


tamento diferenciado, como no caso da licença gestante/paternidade (CF, art. 7°, XVIII e
XIX), na aposentadoria (CF, art. 40, § 1°, III, a e b; art. 201, § 7°, I e II) e no serviço militar
(CF, art. 143, § 2°).

li - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

1. BREVES COMENTÁRIOS

O princípio da legalidade tem como objetivo limitar o poder do Estado impedindo sua
utilização de forma arbitrária. Para isso, a Constituição confere ao Legislativo, órgão máximo
de expressão da vontade popular, a função precípua de criar leis, as quais devem ser pautadas
pelo critério da razoabilidade e elaboradas em conformidade com os preceitos constitucionais.
Celso Basros (1995) destaca o duplo significado atribuído ao princípio: garante o par-
ticular contra os possíveis desmandos do Executivo e do próprio Judiciário; e, representa o
marco avançado do Estado de direito, procurando conformar os comportamentos às normas
jurídicas das quais as leis são a suprema expressão.
O princípio da legalidade exige, para sua plena realização, a elaboração de lei em sentido
estrito, veículo supremo da vontade do Estado, elaborada pelo Parlamento. Todavia, quando
a Constituição preceitua que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei" (CF, art. 5°, II), admite-se a criação de lei em sentido amplo (CF, art.
59). Observadas as limitações materiais e formais estabelecidas pela Constituição, as espécies
normativas compreendidas no art. 59 da Constituição podem criar direitos e impor deveres.
São restrições excepcionais ao princípio da legalidade as medidas provisórias (CF, art. 62)
e os estados de legalidade extraordinária, quais sejam, o estado de defesa (CF, art. 136) e o
estado de sítio (CF, art. 137).
O princípio da legalidade possui uma abrangência mais ampla que o princípio da reserva
legal. Enquanto o primeiro consiste na submissão a todas as espécies normativas elaboradas
em conformidade com o processo legislativo constitucional (leis em sentido amplo), o princípio
da reserva legal incide apenas sobre campos materiais específicos, submetidos exclusivamente
ao tratamento do Poder Legislativo (leis em sentido estrito).
Quando a. Constituição exige a regulamentação integral de sua norma por lei em sentido
formal, trata-se de reserva legal absoluta; se, apesar de exigir a edição desta espécie normati-
va, permite que ela apenas fixe os parâmetros de atuação a serem complementados por ato
infralegal, trata-se de reserva legal relativa.
No que se refere à intervenção do legislador no âmbito de proteção dos direitos fundamen-
tais, fala-se ainda em reserva legal simples, quando a Constituição se limita a autorizar a inter-
venção legislativa sem fazer qualquer exigência quanto ao conteúdo ou à finalidade da lei; ou
em reserva legal qualificada, quando as condições para a restrição vêm fixadas na Constituição,
que estabelece os fins a serem perseguidos e os meios a serem utilizados (MENDES, 2006).
O princípio da reserva legal vem sendo gradativamente convertido pela doutrina cons-
titucionalista no princípio da reserva legal proporcional. Este exige, além da admissibilidade
43
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

constitucional da restrição eventualmente fixada a um determinado direito, a compatibilidade


da restrição com o princípio da proporcionalidade. Deve-se averiguar: I) a legitimidade dos
meios utilizados e dos fins perseguidos pelo legislador; II) a adequação dos meios para a
consecução dos objetivos almejados; e III)a necessidade de sua utilização.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STJ -Súmula n!l 319. O encargo de depositário de bens penhorados pode ser expressamente recusado.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe - Procurador Federal/2013) Relativamente ao princípio da reserva legal e ao princípio da


legalidade, julgue os itens subsequentes.
1. Como decorrência do princípio da legalidade, a organização e o funcionamento da administração
federal somente podem ser disciplinados por lei.
li. Segundo o princípio da reserva legal, todas as pessoas, órgãos e entidades sujeitam-se às diversas
espécies legislativas descritas na CF.

02. (UEG - Delegado de Polícia - GO/2013) O art. S!l da Constituição Federal institui o combate ao poder
arbitrário do Estado, ao preceituar que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude de lei. Por força desse dispositivo, institui-se o princípio da legalidade que
apresenta, segundo os teóricos, notas distintivas do princípio da reserva legal. Dentre os aspectos
diferenciadores entre ambos, observa-se que
a) o princípio da reserva legal é um princípio abstrato, de aplicação ampla, que determina que os co-
mandos jurídicos que impõem comportamentos gerais originem-se de espécies normativas constitu-
cionalmente previstas .
b) o princípio da legalidade é um princípio abstrato, de aplicação ampla, à generalidade das matérias,
que submete a atuação estatal às espécies normativas constitucionalmente previstas, dependentes
de processo legislativo.
c) o princípio da legalidade é um princípio abstrato, de aplicação restrita a matérias especificadas cons-
titucionalmente, que submete a atuação estatal a espécies normativas constitucionalmente previstas,
dependentes de processo legislativo.
d) o princípio da reserva legal é um princípio concreto, de aplicação ampla e geral, que determina que
os comandos jurídicos que impõem comportamentos forçados originem-se de espécies normativas
constitucionalmente previstas.

03. (UEPA- Delegado de Polícia - PA/2013-Adaptada) Dos Direitos e Garantias Fundamentais na Cons-
tituição de 1988: Ninguém será obrigado a fazer alguma coisa, mesmo que tal conduta esteja prevista
em lei.

04. (Cespe - Procurador Federal/2013 - Adaptada) Relativamente ao princípio da reserva legal e ao


princípio da legalidade, julgue os itens subsequentes. Segundo o princípio da reserva legal, todas as
pessoas, órgãos e entidades sujeitam-se às diversas espécies legislativas descritas na CF.

OS. (MPU. MPU. Técnico Administrativo. 2015) Só a lei pode obrigar a pessoa a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa.

m, 01 EE 1 02 B 03 E 04 E 05 C

Ili - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

44
ifNl~iiiiiOíf;Ji••til;lã@il:l•rífíiiãnãifíiiMim•:l;Uillnl@t:1
1. BREVES COMENTÁRIOS

Este dispositivo consagra uma concretização do princípio da dignidade da pessoa humana


(CF, art. 1°, III), na dimensão que impõe o dever de respeito. Esta acepção consagra um
direito de caráter negativo, por exigir que os poderes públicos e particulares se abstenham
de praticar condutas violadoras da dignidade do ser humano.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante nº 11. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processua l a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (UEPA- Delegado de Polícia - PA/2013-Adaptada) Dos Direitos e Garantias Fundamentais na Cons-
tituição de 1988: A tortura será admitida, desde que para a promoção da segurança da sociedade e
do Estado.

02. (UEL- Delegado de Polícia - PR/2013 -Adaptada) Sobre as diferenças entre os direitos e as garantias
de direitos fundamentais, considere as afirmativas a seguir: A vedação de tratamento desumano ou
degradante é garantia do direito à vida e também do direito à integridade física .

03. (UFPR- Defensor Público- PR/2014) Quanto ao posicionamento dos Tribunais Superiores, é corret o
afirmar:
a) Entende o Supremo Tribunal Federal que a cobrança de taxa de matrícula em universidades públicas
é constitucional em face da necessidade de comparti lhamento do custeio da educação no âmbito do
Estado e da sociedade civil.
b) O entendimento sumulado do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que, no processo adminis-
trativo disciplinar, é indispensável a defesa técnica por meio de advogado, a fim de garantir o direito
de defesa administrativamente.
e) Segundo o Supremo Tribunal Federal, a Constituição Federal de 1988 fez previsão expressa a respeito
da prisão civil do devedor de pensão alimentícia e do depositário infiel, sendo esta última ainda lícita,
em decorrência do princípio da legalidade e da supremacia da norma constitucional.
d) De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, só é lícito o uso de algemas em casos
de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria e alheia, por parte
do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a
que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.
e) No âmbito do acesso à justiça, o Superior Tribunal de Justiça entende que não faz jus ao benefício da
justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos, mesmo que demonstre sua incapacidade
de arcar com os encargos processuais, por não ser esta titular deste direito fundamental.

p o1 E 02 C 03 D

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

45
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

1. BREVES COMENTÁRIOS

1.1. Âmbito de proteção


Como forma de reação ao regime ditatorial anterior, a Constituição de 1988 assegurou,
dentre suas cláusulas pétreas, a liberdade de manifestação do pensamento. Esta liberdade,
segundo a lição de Celso Bastos (2000), consiste no "direito de exprimir e divulgar livremente
o seu pensamento. É o direito de não ser impedido de exprimir-se. Ao titular da líberdade
de expressão é conferido o poder de agir, pelo qual contará com a abstenção ou com a não
interferência de quem quer que seja no exercício do seu direito."
A Constituição veda expressamente qualquer tipo de censura à livre manifestação do
pensamento, cujo exercício é assegurado independentemente de licença (CF, art. 5°, IX).
Qualquer forma de censura institucionalizada imposta sem justificação constitucional será
caracterizada como uma intervenção violadora do âmbito de proteção desta liberdade.
O direito de outrem de se expressar, de pensar, de criar obras biográficas - que dizem
respeito não apenas ao biografado, mas a toda a coletividade, pelo seu valor histórico - , não
pode ser tolhido pelo desejo do biografado de não ter a obra publicada. Com base nesse
entendimento, o Supremo Tribunal Federal conferiu interpretação conforme aos artigos 20 e
21 do Código Civil, no sentido de considerar inexigível o consentimento de pessoa biografada
relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo igualmente desnecessária
a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de familiares, em caso de pessoas
falecidas ou ausentes (ADI 4.815/DF).

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


Em determinadas hipóteses, a manifestação do pensamento pode atingir direitos fun-
damentais de terceiros, tais como a honra e a imagem (CF, art. 5°, X), razão pela qual a
identificação de quem emitiu o juízo é necessária, a fim de que seja viabilizada eventual
responsabilização nos casos de manifestação abusiva.
A vedação do anonimato, cláusula restritiva expressa consagrada no próprio dispositivo
(CF, art. 5°, IV), tem por finalidade atuar de forma preventiva, desestimulando manifestações
abusivas do pensamento, assim como de forma repressiva, permitindo o exercício do direito
de resposta e a responsabilização civil e/ou penal (CF, are. 5°, V). Em se tratando de matéria
divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social, o direito de resposta
ou de retificação do ofendido está regulamentado pela Lei nº 13.188/2015.
A vedação constitucional do anonimato impede a utilização de manifestações não iden-
cificáveis como fundamento para a instauração de inquérito policial ou como prova proces-
sual lícita (CF, art. 5°, LVI). 8 Não obstante, delações anônimas - e.g., "Disque-denúncia" - e
bilhetes apócrifos podem ser úteis para que as autoridades públicas tomem conhecimento de

8. STF- ln q. 1.957/PR, voto do Min. Celso de Mello: "Os escritos anônimos - aos quais não se pode atribuir caráter
oficial - não se qualificam, por isso mesmo, co mo atos de natureza processual. Disso resulta, pois, a impossibi-
lidade de o Estado, tendo por único fundamento causal a existência de tais peças apócrifas, dar início, somente
com apoio nelas, à persecutio criminis." No mesmo sentido, STF - HC 106.664-MC, rei. M in. Celso de Mel lo.

46
CONSTITUI ÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

determinados fatos. Em tais casos, cabe-lhes apurar, por dever funcional, a veracidade da
informação. A averiguação sumária, a ser feita com a devida cautela, deve ter por objetivo
"viabilizar a ulterior instauração de procedimento penal em torno da autoria e da materia-
lidade dos fatos reputados criminosos, desvinculando-se a investigação estatal (ínformatio
delicti), desse modo, da delação formulada por autor desconhecido" (STF - MS 24.369/DF).

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/752 - ADI: liberdade de expressão e dignidade da pessoa humana - 1


O Plenário, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em ação direta de inconstitucio-
nalidade ajuizada contra o § l!! do art. 28 da Lei 12.663/12. Lei Geral da Copa. Após o início do
julgamento, o Tribunal acolheu proposta da Min . Cármen Lúcia para que houvesse a conversão do
exame da medida cautelar em julgamento de mérito da ação direta, razão pela qual a Procurado-
ria-Geral da República emitiu parecer em sessão. A Corte esclareceu que o principal fundamento
da ação seria a impossibilidade de a legislação impor restrições à liberdade de expressão, além das já
constitucionalmente previstas. Ressaltou que o constituinte não concebera a liberdade de expressão
como direito absoluto, insuscetível de restrição, fosse pelo Judiciário, fosse pelo Legislativo. Mencio-
nou que haveria hipóteses em que a liberdade de expressão acabaria por colidir com outros direitos
e valores também constitucionalmente protegidos. Explicou que essas tensões dialéticas precisariam
ser sopesadas a part ir da aplicação do princípio da proporcionalidade. Afirmou que a incidência
desse princípio se daria quando verificada restrição a determinado direito fundamental ou quando
configurado conflito entre distintos princípios constitucionais, o que exigiria a ponderação do peso
relativo de cada um dos direitos por meio da aplicação das máximas que integrariam o mencionado
princípio da proporcionalidade. Realçou que se deveria perquirir se, em face do conflito entre dois
bens constitucionais contrapostos, o ato impugnado afigurar-se-ia adequado, ou seja, apto para
produzir o resultado desejado. Além disso, verificar-se-ia se esse ato seria necessário e insubstituível
por outro meio menos gravoso e igualmente eficaz, e proporcional em sentido estrito, de modo
que se estabelecesse uma relação ponderada entre o grau de restrição de um princípio e o grau
de realização do princípio contraposto. ADI 5136/DF, Rei. Min. Gilmar Mendes, 1!!.7. 2014. Pleno.

• STF/752 - ADI: liberdade de expressão e dignidade da pessoa humana - 2


O Plenário sublinhou que as restrições impostas pelo art. 28 da Lei Geral da Copa trariam limi-
tações específicas aos torcedores que comparecessem aos estádios em evento de grande porte
internacional e contariam com regras específicas para ajudar a prevenir confrontos em potencial.
Consignou que o legislador, a partir de juízo de ponderação, teria objetivado limitar manifestações
que tenderiam a gerar maiores conflitos e a atentar não apenas contra o evento em si, mas, prin-
cipalmente, contra a segurança dos demais participantes. Recordou que várias dessas restrições
já haveriam, inclusive, sido inseridas no Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/03) pela Lei 12.299/10,
que dispõe sobre medidas de prevenção e repressão aos fenômenos de violência por ocasião das
competições esportivas. Asseverou que, ao contrário do que defendido na inicial, o dispositivo im-
pugnado não constituiria limitação à liberdade de expressão . Salientou, contudo, que seria vedada
qualquer espécie de censura inj ustificada e desproporciona l à liberdade de expressão. Vencidos os
Mins. Marco Aurélio e Joaquim Barbosa (Presidente), que julgavam procedente o pedido e davam
interpretação conforme a Constituição para assentar a inconstitucionalidade da interpretação que
limitasse a manifestação de vontade apenas à defesa da dignidade da pessoa humana. Pontuavam que
o direito à liberdade de expressão preservaria o indivíduo e impediria que o Est ado moldasse, à sua
vontade, os seus pensamentos . Frisavam que, se outros direitos fossem respeitados, não haveria razão
para restringir a expressão do público nos jogos da Copa do Mundo ao que os seus organizadores e o
Governo entendessem como adequado. Em acréscimo, o Presidente enfatizava que o finan ciamento
público direto e indireto teria sido condição necessária para a realização da Copa do Mundo. Portanto,
não faria sentido limitar o plexo de liberdades constitucionais justamente das pessoas que teriam
custeado o evento. ADI 5136/DF, Rei. Min. Gilmar Mendes, 12.7.2014. Pleno.
47
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

• STF/768 - Dano moral e manifestação de pensamento por agente político -1


O Plenário iniciou julgamento de recurso extraordinário em que se discute a existência de direito a
indenização por dano moral em razão da manifestação de pensamento por agente político, consi -
derados a liberdade de expressão e o dever do detentor de cargo público de informar. Na espécie, o
recorrente - Ministro de Estado à época dos fatos - fora condenado ao pagamento de indenização
por danos morais em virtude de ter imputado ao ora recorrido responsabilidade pela divulgação do
teor de gravações telefônicas obtidas a partir da prática de ilícito penal. O Ministro Marco Aurélio
(relator) deu provimento ao recurso para reformar o acórdão recorrido e julgar improcedente o pedi-
do formalizado na inicial. A princípio, destacou que, diferentemente do regime aplicável aos agentes
públicos, o regime de direito comum, aplicável aos cidadãos, seria de liberdade quase absoluta de
expressão, assegurada pelos artigos 59, IV e XIV, e 220, "caput", e § 29, ambos da CF. No sistema
constitucional de liberdades públicas, a liberdade de expressão possuiria espaço singular e teria
como único paralelo, em escala de importância, o princípio da dignidade da pessoa humana, ao qual
relacionado. O referido direito seria alicerce, a um só tempo, do sistema de direitos fundamentais e
do princípio democrático, portanto, genuíno pilar do Estado Democrático de Direito . RE 685493/SP,
Repercussão geral - mérito, Rei. Min. Marco Aurélio, 20.11.2014. Pleno.

• STF/768- Dano moral e manifestação de pensamento por agente político - 2


Segundo a jurisprudência do STF, as restrições à liberdade de expressão decorreriam da colisão com
outros direitos fundamentais previstos no texto constitucional, dos quais seriam exemplos a proteção
da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem de terceiros (CF, art. Sº, X). Porém, ainda que
fosse possível a relativização de um princípio em certos contextos, seria forçoso reconhecer a preva-
lência da liberdade de expressão quando em confront o com outros valores constitucionais, raciocín io
que encontraria diversos e cumulativos fundamentos. Assim, a referida liberdade seria uma garantia
preferencial em razão da estreita relação com outros princípios e valores constitucionais fundantes,
como a democracia, a dignidade da pessoa humana e a igualdade. Nesse sentido, o livre desenvolvi-
mento da personalidade, por exemplo, um dos alicerces de vida digna, demandaria a existência de
um mercado livre de ideias, onde os indivíduos formariam as próprias cosmovisões. Outrossim, sob o
prisma do princípio democrático, a liberdade de expressão impediria que o exercício do poder político
pudesse afastar certos temas da arena pública de debates, na medida em que o funcionamento e a
preservação do regime democrático pressuporia alto grau de proteção aos juízos, opiniões e críticas,
sem os quais não se poderia falar em verdadeira democracia. RE 685493/SP, Repercussão geral -
mérito, Rei. Min. Marco Aurélio, 20.11.2014. Pleno.

• STF/768 - Dano moral e manifestação de pensamento por agente político - 3


O relator afirmou que, por outro lado, os agentes públicos estariam sujeitos a regime de menor li-
berdade em re lação aos indivíduos comuns, tendo em conta a teoria da sujeição especial. Portanto,
a relação entre eles e a Administração, funcionalizada quanto ao interesse público materializado no
cargo, exigiria que alguns direitos fundamentais tivessem a extensão reduzida . Desse modo, no rol
de direitos fundamentais de exercício limitado alusivos aos servidores públicos estaria a liberdade de
expressão, por exemplo, no que diz com o dever de guardar sigilo acerca de informações confidenciais
(CF, art. 37, § 72). No caso em comento, entretanto, o que estaria em debate não seria a liberdade de
expressão nas relações entre o servidor e a própria Administração Pública, à qual estaria ligado de
forma vertical. Buscar-se-ia definir a extensão do direito à liberdade de expressão no trato com os
administrados de modo geral e presente a coisa pública. Dentre os servidores públicos, se destacariam
os agentes políticos - integrantes da cúpula do Estado e formadores de políticas públicas-, compe -
tindo-lhes formar a vontade política do Estado. Aqueles agentes estatais deveriam, portanto, gozar
de proteção especial, o que seria estabelecido pela própria Constituição, por exemplo, no tocante aos
integrantes do Poder Legislativo (CF, artigos 25; 29, VIII; e 53, "caput"). RE 685493/SP, Repercussão
geral - mérito, Rei. Min. Marco Aurélio, 20.11.2014. Pleno.

• STF/768 - Dano moral e manifestação de pensamento por agente político - 4


De igual modo, os agentes políticos inseridos no Poder Executivo, embora não possuíssem imunidade
48
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

absoluta quando no exercício da função, deveriam também ser titulares de algum grau de proteção
conferida pela ordem jurídica constitucional. Isso se daria por dois motivos . Primeiramente, porque
existiria evidente interesse público em que os agentes políticos mantivessem os administrados ple-
namente informados a respeito da condução dos negócios públicos, exigência clara dos princípios
democrático e republicano. Em outras palavras, haveria o dever de expressão do agente público
em relação aos assuntos públicos, a alcançar não apenas os fatos a respeito do funcionamento das
instituições, mas até mesmo os prognósticos que eventualmente efetuassem. Consequentemente,
reconhecer a imunidade relativa no tocante aos agentes do Poder Executivo, como ocorreria com os
membros do Poder Legislativo, no que tange às opiniões, palavras e juízos que manifestassem publi-
camente, seria importante no sentido de fomentar o livre intercâmbio de informações entre eles e a
sociedade civil. Em segundo lugar, por conta da necessidade de reconhecer algum grau de simetria
entre a compreensão que sofrem no direito à privacidade e o regime da liberdade de expressão.
No ponto, o STF admitiria a ideia de que a proteção conferida à privacidade dos servidores públicos
situar-se-ia em nível inferior à dos cidadãos comuns, conforme decidido na SS 3.902 AgR-22/SP. O
argumento seria singelo: aqueles que ocupassem cargos públicos teriam a esfera de privacidade re-
duzida. Isso porque o regime democrático imporia que estivessem mais abertos à crítica popular. Em
contrapartida, deveriam ter também a liberdade de discutir, comentar e manifestar opiniões sobre
os mais diversos assuntos com maior elasticidade que os agentes privados, desde que, naturalmente,
assim o fizessem no exercício e com relação ao cargo público ocupado. Seria plausível, portanto, no
contexto da Constituição, reconhecer aos servidores públicos campo de imunidade relativa, vinculada
ao direito à liberdade de expressão, quando se pronunciassem sobre fatos relacionados ao exercício da
função pública. Essa liberdade seria tanto maior quanto mais flexíveis fo ssem as atribuições políticas
do cargo que exercessem, excluídos os casos de dolo manifesto, ou seja, o deliberado intento de pre-
judicar outrem. RE 685493/SP, Repercussão geral- mérito, Rei. Min. Marco Aurélio, 20.11.2014. Pleno.

• STF/768 - Dano moral e manifestação de pensamento por agente político - 5


O relator asseverou que, consideradas as premissas expostas, restaria analisar se teria havido, ou não,
extrapolação no caso em comento, afinal, a integração entre norma e fatos mostrar-se-ia particularmen-
te relevante quando se tratasse do conflito entre proteção à personalidade e liberdade de expressão.
No caso dos autos, o recorrente teria declarado, em entrevistas veiculadas em matérias jornalísticas, a
suspeita de que o recorrido teria promovido a distribuição de fitas cassete obtidas por intermédio de
interceptação telefônica ilícita, suposição que seria confirmada ou desfeita no curso de inquérito policial
sob a condução da polícia federal. Da análise dos fatos, surgiriam três certezas: a) as afirmações feitas
pelo recorrente teriam sido juízos veiculados no calor do momento, sem maior reflexão ou prova das
declarações; b) em nenhuma entrevista teria sido explicitada acusação peremptória de que o recorrido
teria praticado o crime de interceptação ilegal de linhas telefônicas; ao contrário, as manifestações seriam
sempre obtemperadas no sentido da ausência de certeza quanto ao que apontado; e c) as afirmações
feitas pelo recorrente, então Ministro das Comunicações, teriam ocorrido no bojo das controvérsias a
envolver a privatização da telefonia no País, fenômeno capitaneado pelo Ministério que comandava.
Assim, o nexo de causalidade entre a função pública exercida pelo recorrente e as declarações divulgadas
a levantar suspeitas sobre o recorrido, o qual detinha negócios com a Administração Pública Federal e,
mais especificamente, em seara alcançada pelo Ministério das Comunicações, deixaria nítida a natureza
pública e política da disputa. Por fim, e ante a motivação consignada, tudo o que se acrescentasse ao
campo da calúnia, da injúria, da difamação e das ações reparatórias por danos morais seria subtraído
ao espaço da liberdade. Obviamente, imputações sabidamente falsas não poderiam ser consideradas
legítimas em nenhum ordenamento jurídico justo. Porém, o desenvolvimento da argumentação revelaria
não ser esse o quadro retratado na espécie. O julgamento foi suspenso por pedido de vista. RE 685493/
SP, Repercussão geral - mérito, Rei. Min . Marco Aurélio, 20.11.2014. Pleno.

• STF/741 - EDcl no ARE 734.067-RS. Rei. Min. Cármen Lúcia


Embargos de declaração no recurso extraordinário com agravo. Conversão em agravo regimental.
Constitucional e processual civil. l. Liberdade de expressão: direito de crítica. Constitucionalidade.
2. Litisconsortes passivos. Provimento do recurso de um deles: extensão aos demais. Honorários
advocatícios indevidos. (... ).
49
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {IBADE.SEJUOH-MT.Advogado.2017) Sobre os direitos e deveres individuais e coletivos assegurados


pela Constituição Federal, assinale a alternativa correta
A) Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, desde que com
autorização e não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local.
B) É livre a manifestação do pensamento, não se admitin do o anonimato.
C) As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais não têm aplicação imediata, devendo
ser regulamentadas por lei complementar.
D) É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, independentemente das qualificações
profissionais que a lei estabelecer.
E) A expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação é livre, estando contudo
sujeita à censura ou licença.

02. {CESPE.MPE-RR.Promotor de Justiça.2017) Considerando que a liberdade de expressão é uma im-


portante garantia fundamental protegida pela CF em seu artigo 5.2, inciso IV, julgue os itens a seguir.
1. Segundo entendimento do STF, a CF permite a manifestação pública pela descriminalização de deter-
minados tipos penais sem que se configure apologia ao crime.
li. A liberdade de expressão protege discursos racistas e antissemitas, desde que eles não incitem a
violência, de acordo com entendimento do STF.
Ili. Lei que proíba manifestações anônimas deverá ser declarada inconstitucional por violação à liberdade
de expressão.
Assinale a opção correta:
A) Apenas o item I está certo.
B) Apenas o item li está certo.
C) Apenas o item Ili está certo.
D) Todos os itens estão certos.

tm o1 B 02 A

V- é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano


material, moral ou à imagem;

1. BREVES COMENTÁRIOS

Ver comentário ao dispositivo anterior.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (MPF. Procurador da República. 2015) O direito de resposta, apesar de mecanismo voltado à proteção
dos direitos de personalidade, é também um instrumento de mídia colaborativa, em que o público é
convidado a colaborar com suas próprias versões de fatos e a apresentar seus próprios pontos de vista;

02. (FAPEC. MPE-MS. Promotor de Justiça. 2015) Considere as seguintes afirmações sobre o direito
fundamental à imagem :
1. A imagem retrato é o direito relativo à reprodução gráfica (retrato, desenho, fotografia, filmagem
etc.) da figura humana, mas não envolve o direito às partes do corpo e a voz.
li. A imagem atributo pode ser aplicada à pessoa jurídica, quer através da proteção à marca ou do pro-
duto.
50
IM•J~~illlll[ífil1l19;)3Qll:Jil!rlâ4 1lã;Lill¼l 1i1l:f;&ill 1l:f Pt:J:I Art. 5°

Ili. A imagem atributo é o direito relat ivo a reprodução gráfica da figura humana.
IV. O direito à imagem envolve o direito identidade, ou seja, de ter a sua imagem como forma de sua
identidade.
Estão corretas
a) 1e IV
b) 1e li
c) li e IV
d) li e Ili
e) Ili e IV

03. (LEGALLE. Câmara de Vereadores de Guaíba-RS. Procurador.2017) De acordo com o artigo 5º da


Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qua lquer natu reza, garantin do-se
aos brasileiros, EXCETO
A) o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano materia l, moral ou à
imagem.
B) O acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.
C) A livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente
de censura ou licen ça .
D) A liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar.

• 01 e 02 e 03 A

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício


dos cultos religiosos e garant ida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

l. BREVES COMENTÁRIOS
l. 1. Âmbito de proteção
A liberdade de consciência consiste na adesão a certos valores morais e espirituais,
independentes de qualquer aspecto religioso, podendo se determinar no sentido de crer em
conceitos sobrenaturais propostos por alguma religião ou revelação (teísmo), de acreditar na
existência de um Deus, mas rejeitar qualquer espécie de revelação divina (deísmo) ou, ainda,
de não ter crença em Deus algum (ateísmo).
Como pode ser observado, o âmbito de proteção da liberdade de consciência abrange a
liberdade de crença. Esta, por sua vez, é garantida inclusive em entidades civis e militares
de internação coletiva, nas quais a Constituição assegura a prestação de assistência religiosa
(CF, are. 5°, VII).
A liberdade de culto é uma das formas de expressão da liberdade de crença, podendo ser
exercida em locais abertos ao público, desde que observados certos limites, ou em templos,
aos quais foi assegurada a imunidade fiscal (CF, an. 150, VI, b).

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


A liberdade religiosa envolve questões polêmicas relacionadas, principalmente, ao dever
de neutralidade do Estado. A interferência estatal no âmbito de proteção desta liberdade
sem uma justificação constitucional legítima - e.g., adotando medidas que beneficiem ou
51
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

prejudiquem determinadas religiões - deve ser considerada uma intervenção violadora do


direito. A complexidade do tema se torna ainda mais acentuada em países de forte tradição
religiosa - como é o caso do Brasil -, nos quais a distinção entre manifestações culturais e
religiosas nem sempre possui uma nítida linha divisória que permita identificar se se trata
de intervenção violadora ou de restrição.
Uma intervenção no âmbito de proteção da liberdade religiosa só será considerada legí-
tima se tiver uma justificação constitucional. Diante da inexistência de reserva legal expressa,
a medida estatal deve ser apta para fomentar outro valor constitucionalmente protegido e a
menos gravosa dentre as similarmente eficazes para atingir o fim almejado. Caso o princípio
constitucional promovido pela medida forneça, diante do caso concreto, razões mais fortes
que o princípio da liberdade religiosa, a intervenção restritiva deve ser considerada legítima.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FADURPE-Advogado/Pref. lgarassu - 2012 -Adaptada) Todos são iguais perante a lei, asseguran-
do-se a cada cidadão exercer livremente crenças religiosas e/ou convicções filosóficas e/ou políticas,
desde que sejam em locais apropriados para tais fins, como templos e plenários.

01 E

VII - é assegurada, nos termos da lei, a presta çã o de assistência religiosa nas entidades civis
e militares de internação coletiva;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Este dispositivo consagra uma garantia específica da liberdade de crença e de culto con-
sagradas no art. 5°, VI da CRFB/88.
No âmbito das Forças Armadas, o serviço de assistência religiosa está disciplinado na
Lei 6.923/1981, recepcionada pela Constituição de 1988.
Nas entidades hospitalares públicas e privadas, bem como nos estabelecimentos prisionais
civis e militares, a prestação de assistência religiosa está regulamentada pela Lei 9.982/2000.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FGV. TJ-BA. Técnico Judiciário. 2015) Em matéria de direitos e garantias fundamentais relacionados
à religiosidade, a Constituição da República de 1988 prevê que:
a) ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa, que não pode ser invocada para
eximir-se de obrigação legal a todos imposta;
b) é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de
internação coletiva;
c) é violável a liberdade de consciê ncia e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos reli-
giosos e vedada a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
d) é vedado, em qualquer hipótese, ao poder público estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subven-
cioná-los ou embaraçar-lhes o funcionamento;
e) o ensino religioso é de matrícula obrigatória e constitui disciplina dos horários extraordinários das
escolas públicas de ensino fundamental.

52
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

02. (FGV. OAB. Exame XIX. OAB. 2016) José, internado em um hospital público para tratamento de saúde,
solicita a presença de um pastor para lhe conceder assistência religiosa. O pedido, porém, é negado
pela direção do hospital, sob a alegação de que, por se tratar de institu ição pública, a assistência
não seria possível em face da laicidade do Estado. Inconformado, José consulta um advogado. Após
a análise da situação, o advogado esclarece, com correto embasamento constitucional, que
A) a negativa emanada pelo hospital foi correta, tendo em vista que a Constituição Federal de 1988, ao
consagrar a laicidade do Estado brasileiro, rejeita a expressão religiosa em espaços públicos
B) a direção do hospital não tem razão, pois, embora a Constituição Federal de 1988 reconheça a laici-
dade do Estado, a assistência religiosa é um direito garantido pela mesma ordem constitucional
C) a correção ou incorreção da negativa da direção do hospital depende de sua consonância, ou não,
com o regulamento da própria instituição, já que se está perante direito disponível
D) a decisão sobre a possibilidade, ou não, de haver assistência religiosa em entidades públicas de saúde
depende exclusivamente de comando normativo legal, já que a temática não é de estatura constitucional

01 B 02 B

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica
ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação lega l a todos imposta e recusar-se a
cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

1. BREVES COMENTÁRIOS
O dispositivo consagra a escusa de consciência , impedindo a privação de direitos daque-
les que invocam o imperativo de consciência para se eximir de determinadas obrigações legais.
A objeção deve surgir a partir de um pensamento suficientemente estruturado, coerente
e sincero. Para ser considerada legítima, a recusa não pode decorrer de mero capricho ou
de interesses mesquinhos, devendo ser baseada em "convicções seriamente arraigadas no
indivíduo, de tal sorte que, se o indivíduo atendesse ao comando normativo, sofreria grave
tormento moral", por se tratar de uma conduta incompatível com algo irrenunciável para
ele (MENDES et alii, 2007).
A prestação alternativa não possui cunho sancionatório, mas, em caso de recusa ao seu
cumprimento, a Constituição prevê a imposição de uma pena restritiva de direitos: a perda
ou suspensão dos direitos políticos (CF, art. 15, IV).
O exemplo clássico é do serviço militar, obrigatório nos termos da lei, exceto para mu-
lheres e eclesiásticos. A Constituição confere competência às Forças Armadas para, na forma
da lei, atribuir serviço alternativo aos que alegarem imperativo de consciência, em tempo de
paz, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar (CF, art. 143, § 1°). A
contrario sensu, o imperativo de consciência não poderá ser invocado em tempo de guerra,
hipótese em que o serviço militar obrigatório se caracteriza como uma restrição diretamente
constitucional à liberdade de consciência e de crença.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CESPE. TRE-PI. Analista Judiciário -Área Administrativa. 2016) No que se refere aos direitos e às
garantias fundamentais, assinale a opção correta
A) Não poderá ser conhecido habeas corpus impetrado em benefício alheio por indivíduo destituído de
sanidade mental que não esteja representado ou assistido por outrem
53
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

B) Dado o direit o à estabilidade sindical, assegurado pela CF, é vedada a dispensa do empregado sindi-
calizado a partir da posse no cargo de direção ou representação sindical e até um ano após o término
do mandato
C) As hipóteses de perda ou suspensão de direitos políticos estão previstas na CF em rol exemplificativo
D) Se uma obrigação imposta a todos contrariar convicção de natureza filosófica de determinado indi-
víduo, esse in divíduo pode invocar o direito à escusa de consciência
E) Se uma obrigação imposta a todos contrariar convicção de natureza filosófica de determinado indi-
víduo, esse in divíduo pode invocar o direito à escusa de consciência

11H 01 D 1

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de com unicação, inde-


pendentemente de censura ou licença;

1. BREVES COMENTÁRIOS
A Constituição veda a censura administrativa ou a necessidade de licença prévia para
o exercício da liberdade de expressão intelectual, artístíca, ciemífíca ou de comunicação.
Entretanto, isso não significa que tais manifestações sejam imunes à apreciação judicial, a
qual poderá ser provocada para solucionar as colisões com outros interesses constitucional-
mente protegidos.

2. INFORMATNOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/752- RE-RG 795.467-SP. Rei. Min. Teori Zavascki


Administrativo e constitucional. Recurso extraordinário . Inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil
(0MB). Pagamento de anuidades. Não-obrigatoriedade. Ofensa à garantia da liberdade de expressão
(art. 59, IX, da CF). Repercussão geral configurada. Reafirmaçã o da jurisprudência. 1. O Plenário do STF,
no julgamento do RE 414.426, firmou o entendimento de que a atividade de músico é manifestação
artística protegida pela garantia da liberdade de expressão, sendo, por isso, incompatível com a CF a
exigência de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil, bem como de pagamento de anuidade, para
o exercício de tal profissão. 2. Recurso extraordinário provido, com o reconhecimento da repercussão
geral do tema e a reafirmação da jurisprudência sobre a matéria.

3. BIOGRAFIAS: AUTORIZAÇÃO PRÉVIA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO

• É inexigível o consentimento de pessoa biografada relat ivamente a obras biográficas literárias ou


audiovisuais, sendo por igual desnecessá ria a autorização de pessoas retratadas como coadj uvantes
ou de familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes. ADI 4815/DF, Rei. Min. Cármen Lúcia,
10.6.15. Pleno. (lnfo STF 789}

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (TRF-2.TRF-Z.Juiz Federal.2017) Marque a opção correta


A) O direito fundamental à isonomia não é ferido pelos certames públicos para cargos de carreira policial,
de escrivão, de agente de segurança e de carcerei ro, entre outros, que exigem altura mínima de 1
metro e 60 cm como condição para o ingresso.
B) A proteção constitucional à liberdade de consciência e de crença assegura o direito de não ter religião,
e impede que o Poder Público embarace o funcionamento de qualquer culto, sendo inconstitucional
exigência de que instituições religiosas se submetam a limites sonoros em suas reuniões.

54
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

C) Todos os brasileiros têm assegurado o direito de receber dos órgãos púb licos informações de seu
interesse ou interesse geral, salvo nos casos em que decretado o segredo de justiça.
D) O direito constitucional de petição pode ser condicionado ao pagamento de custas módicas ou no
máximo razoáveis, daí ser inconstitucional, como já decidiu o STF, o estabelecimento de taxa judiciária
cobrada sobre o valor da causa, sem limitação expressa.
E) O fato de ser livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação não
impede que tal direito seja limi tado pelo legislador, permitindo-se, por exemplo, a proteção da repu-
tação das demais pessoas, da segurança nacional, da ordem pública e da saúde.

02. (CESPE. TRE-PE. Técnico Judiciário - Área Administrativa.2017) A respeito dos direitos e deveres
individuais e coletivos, assinale a opção correta
A) É livre a manifestação do pensa mento, seja ela exercida por pessoa conhecida ou por pessoa anônima.
B) Ningu ém pode fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
C) Todos poderão reunir-se pacificamente, em locais abertos ao público, desde que haj a prévia autori-
zação do poder público.
D) É plena a liberdade de associação para fins lícitos, inclusa a de caráter paramilitar.
E) A expressão de atividade artística é livre, não estando sujeita a censura ou licença.

@,j 01

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

1. BREVES COMENTÁRIOS
1. 1. Âmbito de proteção
A Constituição protege a privacidade (gênero), garantindo a inviolabilidade intimidade,
da vida privada, da honra e da imagem das pessoas (espécies). Quanto mais próximo das ex-
periências definidoras da identidade do indivíduo, maior deverá ser a proteção dada ao direito.
A esfera privada abrange as relações do indivíduo com o meio social nas quais não há in-
teresse público na divulgação. Abrange, por exemplo, informações fiscais ou bancárias. A esfera
íntima se refere ao modo de ser de cada pessoa, ao mundo intrapsíquico aliado aos sentimentos
identitários próprios (autoestima, autoconfiança) e à sexualidade. Compreende informações
confidenciais e segredos pessoais como, por exemplo, as anotações constantes de um diário.
A honra consiste na reputação do indivíduo perante o meio social em que vive (honra
objetiva) ou na estimação que possui de si próprio (honra subjetiva), estando sua proteção
limitada pela veracidade do fato imputado. Excepcionalmente, porém, admite-se o "segredo
da desonra", o qual impede a divulgação de determinados fatos que, apesar de verdadeiros,
são detratores da honra individual (BARROSO, 2007).
A indenização por danos morais decorrentes de uma violação à honra é assegurada para
pessoas físicas e jurídicas (honra objetiva). Nos termos da Súmula 227/STJ, "a pessoa jurídica
pode sofrer dano moral". Por sua vez, o artigo 52 do Código Civil estabelece que "aplica-se
às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade".
O direito à imagem impede, prima facie, sua captação e difusão sem o consentimento da
própria pessoa, salvo em hipóteses nas quais outros valores constitucionalmente consagrados
55
Arl. 5° TÍTULO li- DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

justifiquem sua limitação. A proteção a este direico é autônoma em relação à honra, sendo
ilícita a utilização da imagem sem o consentimento de seu titular, salvo quando houver justa
causa. São extremamente comuns os casos envolvendo, de um lado, a liberdade de informação
jornalística e, de outro, o direito à imagem. Nessas hipóteses, assim como ocorre em todos
os casos de colisões de princípios, é necessário analisar as circunstâncias fáticas e jurídicas
envolvidas à luz de alguns critérios objetivos que devem pautar a ponderação. Conforme
assinalado pelo Min. Raul Araújo, em decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça,
"para verificação da gravidade do dano sofrido pela pessoa cuja imagem é utilizada sem
autorização prévia, devem ser analisados: (i) o grau de consciência do retratado em relação
à possibilidade de captação da sua imagem no contexto da imagem do qual foi extraída; (ii)
o grau de identificação do retratado na imagem veiculada; (iii) a amplitude da exposição do
retratado; e (iv) a natureza e o grau de repercussão do meio pelo qual se dá a divulgação. De
outra parte, o direito de informar deve ser garantido, observando os seguintes parâmetros:
(i) o grau de utilidade para o público do fato informado por meio da imagem; (ii) o grau de
atualidade da imagem; (iii) o grau de necessidade da veiculação da imagem para informar
o foto; e (iv) o grau de preservação do contexto originário do qual a imagem foi colhida"
(Resp 794.586; Informativo 493/STJ).
Não estão compreendidos no âmbito desta proteção constitucional, além dos atos pratica-
dos em público com o desejo de torná-los públicos, os fatos pertencentes ao domínio público,
as informações passíveis de serem obtidas licitamente de outra forma e os atos administrativos
praticados por agentes públicos (CF, art. 37, caput).

1.2. Interceptação ambiental


A interceptação ambiental consiste na captação de imagem ou diálogo, feita por terceiros,
sem o consentimento dos interlocutores. Tais gravações podem ser utilizadas como prova
lícita quando inexistir expectativa de privacidade como, por exemplo, no caso de imagens
captadas por câmeras de segurança. Presente tal expectativa, a admissibilidade como prova
dependerá de prévia autorização judicial para a captação. Do contrário, poderá servir ape-
nas como notitia criminis, impondo às autoridades responsáveis o dever-poder de adotar as
medidas investigatórias necessárias.
São vedadas interceptações ambientais com violação de confiança decorrente de re-
lações interpessoais ou profissionais, como, por exemplo, a gravação feita por terceiro de
conversa realizada entre o advogado e seu cliente. Nesse sentido, o acórdão da Quinta Câmara
do Tribunal de Justiça de São Paulo no qual determinada a exclusão de parte das gravações
veiculadas pelo programa "Fantástico", exibido pela Rede Globo, no trecho em que captado
o diálogo entre Suzane Von Richthofen e seu advogado sem o conhecimento da gravação.

1.3. Restrições (intervenções restritivas)


Em que pese a Constituição consagrar a inviolabilidade (prima facie) da intimidade, da
vida privada, da honra e da imagem das pessoas, intervenções no âmbito de proteção do
direito à privacidade serão consideradas legítimas quando: I) adequadas para fomentar ou-
tros princípios constitucionais; II) necessárias, por não haver outro meio similar com igual
eficácia; e III) proporcionais em sentido estrito, por fomentarem princípios constitucionais
56
ld•J~~iiii•llíffl l nt;JMQll:illtlâi Ji;till91 IJ:J;Mill JIPl:J:I
1 1 1 11 1 Art. 5°

que, diante das circunstâncias do caso concreto, fornecem razões mais fortes que as oferecidas
pelo direito à privacidade.
Há inúmeros casos nos quais a segurança e/ou o interesse público justificam uma inter-
venção no direito à privacidade. Em geral, são consideradas restrições legfrimas ao direito
de imagem sua divulgação dentro de um contexto jornalístico ou em eventos de interesse
público, científico, histórico, didático ou cultural. Também é considerada legítima a capta-
ção da imagem por radares eletrônicos de trânsito e câmeras de segurança, inclusive quando
instaladas nas ruas e espaços públicos.
Um dos casos de restrição mais emblemáticos é a possibilidade de quebra do sigilo de
dados bancários, fiscais, telefônicos e informáticos. A legitimidade da intervenção estatal no
âmbito de proteção do direito dependerá, dentre outros fatores, da autoridade responsável
pela adoção medida.
No caso de informações de natureza privada, a medida somente pode ser determinada
por autoridade judicial competente ou por comissão parlamentar de inquérito (federal ou
estadual), não sendo admitida a requisição direta por membros de Tribunais de Contas nem
do Ministério Público, sob pena de violação do direito à privacidade.
Em se tratando de dados bancários relativos a recursos públicos, todavia, os princípios
da publicidade e da transparência legitimam a intervenção dos referidos órgãos sem a neces-
sidade de intermediação judicial. Nesse sentido, o Plenário do Supremo Tribunal Federal
considerou legítima, com fundamento no princípio da publicidade dos atos administrativos, a
requisição de dados relativos a transações bancárias subsidiadas pelo erário público feita pelo
parquet ao Banco do Brasil (MS 21.729). O mesmo entendimento foi adotado pela Segunda
Turma ao assentar que o sigilo de informações necessário à preservação da intimidade é
relativizado quando há interesse da sociedade em conhecer o destino dos recursos públi-
cos. Asseverou-se que ante a existência de indícios da prática de ilícitos penais envolvendo
verbas públicas, cabe ao Ministério Público, no exercício de seus poderes investigatórios,
requisitar os registros de operações financeiras relativos aos recursos movimentados a partir
de conta corrente de titularidade de prefeitura municipal. Consignou-se que tal requisição
compreende, por extensão, o acesso aos registros das operações bancárias sucessivas, ainda
que realizadas por particulares, por objetivar garantir o acesso ao real destino dos recursos
públicos (STF - RHC 133.118/CE).
No mesmo diapasão, a Primeira Turma entendeu ser inoponível o sigilo bancário ao
Tribunal de Contas da União nas hipóteses de operações fundadas em recursos de origem
pública (MS 33.340).
Os dispositivos que autorizam o fornecimento de informações sobre movimentação
bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, sem prévia
autorização judicial (LC 105/2001), foram declarados constitucionais pelo Supremo (ADI
2.390). Alterando o posicionamento anterior, o Tribunal consignou que a transferência de
tais informações à Receita Federal, não caracteriza quebra de sigilo bancário. Quanto ao
tema, foi fixada a seguinte tese (STF - RE 601.314 RG/SP):
"O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois
realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva,
57
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária
para a fiscal."

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 11. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de t erceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilid ade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado.

• STF -Súmula nº 714. É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério


Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a hon ra de
se rvidor público em razão do exercício de suas funções .

• STJ -Súmula nº 37. São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do
mesmo fato.

• STJ -Súmula n!! 221. São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publi-
cação pela imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.

• STJ -Súmula nº 227. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

• STJ -Súmula nº 281. A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de
Imprensa.

• STJ -Súmula nº 326. Na ação de indenização por dano moral, a condenação em montante infe rior ao
postulado na inicial não implica sucumbência recíproca.

• STJ -Súmula nº 362. A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a
data do arbitramento.

• STJ -Súmula n9 387. É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.

• STJ -Súmula n!! 388. A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.

• STJ -Súmula n!! 403. Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada
de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• Injúria: ofensa recíproca e perdão judicial. Em virtude da incidência do perdão ju dicial (CP, art. 107,
IX), a Primeira Turma extinguiu ação penal e declarou extinta a punibilidade de deputa do federal
acusa do da suposta prática de crime de injúria. No caso, o acusado teria publicado em rede social
declarações ofensivas à honra de governador de estado-membro. A publicação teria sido capturada
por "print screen" e extraída do perfil pessoal do acusado. [... ] Dessa maneira, o ofend ido não só,
de forma reprovável, provocara a injúria, como também, em tese, praticara o mesmo delito, o que
gerara a retorsão imediata do acusado. Sendo assim, estariam configuradas as hipóteses de perdão
jud icial, nos termos do art. 140, § 1º, do CP ("Art. 140 - Injuria r alguém, ofendendo-lhe a dignidade
ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. § 1!! - O ju iz pode deixar de aplicar a
pena: 1 - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; li - no caso de
retorsão imediata, que consista em outra injúria"). Logo, não haveria razão moral para o Estado punir
quem injuriou a pessoa que provocou . (STF, lnfo 838).
58
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FGV. DPE-MT. Analista Advocacia. 2015) Pedro, de 22 anos, ajuizou ação de investigação de pater-
nidade em face de Paulo, que já contava com 65 anos de idade. Em provas, req uereu a realização
de prova pericial que exigia o fornecimento de sangue pelos envolvidos no processo. Como Paulo
negou-se a fornecer alguns poucos mililitros do seu sangue para a rea lização do exame, o juiz da causa
determinou a sua condução coercitiva, pela força policial, a um laboratório, local em que a extração
do sangue seria feita de forma compulsória.
De acordo com a sistemática constitucional, o juiz agiu de maneira
a) correta, pois o princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional não permite que alguém se negue
a contribuir com a Justiça
b) incorreta, pois os direitos dos idosos sempre têm preeminência quando em conflito com direitos de
in divíduos maiores e capazes
c) correta, pois o direito de Pedro ao conhecimento da identidade de seu pai encontra-se ao abrigo do
princípio da dignidade da pessoa humana
d) in correta, pois a extração compulsória do sangue de Pau lo viola o seu direito à intimidade
e) correta, pois a ínfima quantidade de sangue a ser extraída de Paulo gera uma lesão de peso inferior
ao direito de Pedro ao conhecimento de sua ascendência

02. (CESPE. TCE-PA. Auditor de Controle Externo-Área Procuradoria. 2016) O Tribunal de Contas da União
(TCU), ao realizar auditoria em institu ição bancária constituída sob a forma de empresa estatal visando
o fomento econômico e social, requisitou diretamente à citada empresa o fornecimento de dados ban-
cários relacionados a operação financeira firmada com pessoa ju rídica de direito privado mediante o
emprego de recursos de origem pública . Julgue os itens a seguir, a respeito dessa situação hipotética.
O fornecimento dos dados requisitados não viola o direito fundamental à intimidade e à vida privada.

i@:1 01 D 1 02 C

XI-a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentiment o
do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante
o dia, por determinação judicial;

1. BREVES COMENTÁRIOS

1. 1. Âmbito de proteç:ão
A inviola,bilidade do domicílio é uma das posições jurídicas específicas que integram o
direito à privacidade como um todo. Conforme o ambiente - público ou privado - em que
a pessoa se encontre, a privacidade poderá receber maior ou menor proteção. Os atos prati-
cados em locais reservados gozam de uma proteção mais imensa que os ocorridos em Locais
públicos. De todos os locais, aquele que recebeu o maior grau de proteção constitucional foi
a casa, considerada asilo inviolável do indivíduo.
O conceito jurídico de casa deve ser entendido de forma bastante ampla, abrangendo não
apenas a moradia, mas também qualquer espaço habitado e locais nos quais é exercida uma
atividade de índole profissional com exclusão de terceiros, tais como escritórios, consultórios,
estabelecimentos industriais e comerciais.
No caso de veículos automotores, apenas quando destinados à habitação do indivíduo,
devem ser observados os requisitos constitucionais referentes ao domicílio. Do contrário, a
59
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

apreensão de objetos e documentos em seu interior é equiparada à busca pessoal, dispensada


autorização judícial quando houver fundada suspeita de nele estarem ocultados elementos
necessários à elucidação dos fatos investigados (STF - RHC 117.767/DF).

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


A Constituição estabelece, no mesmo dispositivo que protege a inviolabilidade do domi-
cílio, algumas cláusulas restritivas ao âmbito de proteção do direito. Ao contrário da proteção
à inviolabilidade domiciliar que deve ser interpretada extensivamente, as intervenções previstas
no dispositivo constitucional, enquanto exceções, devem ser interpretadas restritivamente.
Com exceção das situações emergenciais previstas no texto constitucional (flagrante
delito, desastre ou para prestar socorro), a invasão do domicílio somente poderá ocorrer du-
rante o dia e por determinação judicial (reserva constitucional de jurisdição), o que impede a
violação por autoridade administrativa, membro do Ministério Públíco ou mesmo Comissão
Parlamentar de Inquérito.
Nos termos da tese fixada pelo Supremo (RE 603.616 RG/RO), "a entrada forçada em
domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada
em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa
ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal
do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados." O Tribunal entendeu que
a ocorrência de crime permanente interior do domicílio, como no caso do delito de tráfico
de drogas, viabilizaria o ingresso pelas forças policiais, independentemente de determinação
judicial, por estar caracterizada a situação de flagrância. Entende-se como dia o período com-
preendido entre 6 e 18 horas (critério cronológico) ou, para alguns, o período compreendido
entre a aurora e o crepúsculo (critério físico-astronômico) .
A autoexecutoriedade conferida à administração tributária para invadir estabelecimen-
tos comerciais e industriais cedeu lugar diante da consagração da inviolabilidade do domicílio.
Caso não haja consentimento do proprietário, o ingresso do agente fiscal no estabelecimento
dependerá de prévia autorização judicial, sob pena de serem consideradas ilícitas as provas
obtidas. Nesse sentido, a jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (HC 82.788/
RJ; HC 79.512/RJ).
No plano infraconstitucional, o legislador ordinário autorizou o "ingresso forçado em
imóveis públicos e particulares, no caso de situação de abandono, ausência ou recusa de
pessoa que possa permitir o acesso de agente público, regularmente designado e identifi-
cado, quando se mostre essencial para a contenção das doenças" (Lei 13.301/2016, are. 1°,
§ 1°, IV). Trata-se, a nosso ver, de intervenção legírima no âmbito de proteção do direito,
por necessária e adequada à promoção da saúde pública que, no caso em tela, tem um peso
relativo maior que o direito à privacidade (NOVELINO, 2018).

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA
Tráfico de drogas. Flagrante. Domicílio como expressão do direito à intimidade.
Asilo Inviolável. Exceções constitucionais. Interpretação restritiva. Invasão de domicílio
pela polícia. Necessidade de justa causa.
60
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

Não configura justa causa apta a autorizar invasão domiciliar a mera intuição da autorida-
de policial de eventual traficância praticada por indivíduo, fundada unicamente em sua fuga
de local supostamente conhecido como ponto de venda de drogas ante iminente abordagem
policial. REsp 1.574.681, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, DJ 30.5.2017. 6ª T. (Info 606).

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. TRT-1. Juiz do Trabalho. 2016)Sobre a garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio,
é INCORRETO afirmar
A) Sem o consentimento do morador, a autoridade policia l pode entrar no domicílio, durante o dia, para
apreensão de coisa litigiosa
B) O juiz pode ordenar o ingresso no domicílio, à noite, para promover a prisão em flagrante delito
C) Em caso de tragédia ambiental, o domicílio poderá ser invadido a qualquer momento
D) Correndo iminente perigo de vida o morador, a qualquer do povo é lícito invad ir o domicílio para
socorrê-lo
E) O juiz pode ordenar o ingresso no domicílio, à noite, para apreensão de coisa litigiosa

02. {CESPE. TCE-PR. Auditor. 2016) Com base na CF e no entendimento do STF, assinale a opção correta
quanto aos direitos e garantias fundamentais e aos partidos políticos
A) A legislação brasileira veda a extradição se, para o crime cometido pelo extraditando, a legislação do
país requerente previr pena perpétua, ainda que tal pa ís se comprometa a comutá -la em prisão de,
no máximo, trinta anos
B) o TCU não tem competência para julgar as contas dos partidos políticos ou dos seus gestores, os quais
estão submetidos ao controle da justiça eleitoral
C) A licitude da ent rada forçada em domicílio, sem mandado judicial, depende de haver fundadas razões,
que devem ser posteriormente informadas, de que ocorre situação de flagrante del ito dentro da casa,
sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e pena l do agente ou da autoridade e de nu lidade dos
atos praticados
D) os direitos, as vedações e a forma de investidura do MP junto aos tribuna is de conta s não estão pre-
vistos na CF, devendo ser objeto de lei complementar
E) Se o estatuto da associação previr, ainda que de forma genérica, que a ela caiba representar j udicial
e extrajudicialmente os seus associados em todas as ações jud icia is, será desnecessária a autorização
expressa dos associados nesse sentido em demanda específica

03. (CONSULPLAN. TJ-MG. Oficial Judiciário.2017) Considerando o previsto na Constituição Federal,


assinale a alternativa INCORRETA
A) A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do mora -
dor, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante a noite, por
determinação judicial.
B) A obtenção de certidões em repartições públicas, pa ra defesa de direitos e esclarecimento de situações
de interesse pessoal, é assegurada a todos, independentemente do pagamento de taxas.
C) O direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica .
D) O prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período.

04. (FGV.TRT-12.Técnico Judiciário - Área Administrativa.2017) Osmar estava em sua residência e foi
informado de que deveria permitir a entrada de um policial que estava portando um mandado judicial
de busca e apreensão, a ser cumprido justamente em sua residência. À luz da sist emática constitu-
cional, é correto afirmar que o ingresso na residência de Osmar, sem o seu consentimento, para o
cumprimento do referido mandado
61
Art. 5° TÍTULO li- DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

A) poderia ocorrer em qualquer dia ou horário.


B) deveria ocorrer em certo horário, que deve ser indicado pela autoridade judicial.
C) deveria ocorrer à noite, se autorizado pela autoridade judicial.
D) não poderia ser realizado à noite, ainda que Osmar seja muito perigoso.
E) não poderia ocorrer no fi nal de semana.

~ 01 E 1 02 C 1 03 A 1 04 D [

XII - é inviolável o sigilo -da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que
a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

1. BREVES COMENTÁRIOS
1. 1. Âmbito de proteção
O âmbito de proteção da inviolabilidade do sigilo de correspondência abrange não
apenas o ato ou efeito de se corresponder, mas também o conteúdo da mensagem transmitida.
A inviolabilidade do sigilo de dados foi consagrada pela primeira vez em uma Constitui-
ção brasileira. A despeito das divergências doutrinárias acerca de sua extensão e abrangência,
o Plenário do Supremo Tribunal Federal já consignou que o artigo S.°, XII da Lei Maior
não protege os dados em si mesmos, mas apenas sua comunicação (RE 418.416). No mesmo
sentido, o entendimento adotado pela Primeira Turma ao considerar legítima a solicitação
por autoridade policial, independentemente de autorização judicial prévia, dos "numerários
que utilizaram a Estação de Rádio-Base na região, em período adstrito ao lapso delitivo"
(HC 124.322 AgR).
A comunicação telefônica consiste na "transmissão, emissão, receptação e decodifica-
ção de sinais linguísticos, caracteres escritos, imagens, sons, símbolos de qualquer natureza
veiculados pelo telefone estático ou móvel (celular)" (BULOS, 2007).
O termo inviolável não deve ser entendido corno uma impossibilidade absolu_ta de in-
tervenção no âmbito de proteção, mas a necessidade de existência de razões suficientemente
fortes a justificá-la (princípio da convivência das liberdades públicas).

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


A interceptação da comunicação consiste na sua interrupção ou intromissão por ter-
ceiro, sem o conhecimento de um (ou ambos) dos interlocutores. A interceptação de uma
comunicação epistolar, telegráfica, de dados é vedada prima facie, por violar a liberdade de
comunicação pessoal. Esta não se confunde com a gravação clandestina, aquela feita por
um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais, tampouco com a quebra do sigilo
de dados bancários, fiscais, telefônicos ou informáticos, consistente no acesso ao conteúdo
de informações contidas em extratos bancários, declarações de Imposto de Renda, registro
de ligações telefônicas e arquivos de computadores.
No tocante à inviolabilidade do sigilo das comunicações telefônicas a Constituição impõe
três requisitos indispensáveis para sua interceptação: 1) ordem judicial (reserva constitucional
62
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5º

de jurisdição), sendo defeso ao Ministério Público e às Comissões Parlamentares de Inquérito


determinar o "grampo telefônico"; 2) para fins de investigação criminal ou instrução proces-
sual penal; e, 3) na forma e nas hipóteses estabelecidas por lei (Lei 9.296/1996).
Haverá violação do âmbito de proteção do direito quando a intervenção ocorrer sem a
observância dos requisitos constitucionalmente exigidos. As provas decorrentes exclusivamente
de interceptações não fundamentadas constitucionalmente também devem ser consideradas
ilícitas por aplicação da doutrina norte-americana dos frutos da árvore envenenada ("fruits of
poisonous tree doctrine"). Nesse sentido, o posicionamento adotado pelo Supremo no HC 72.588.

O STF admite a utilização de escuta telefônica produzida com autorização judicial e para
fins de investigação criminal como prova emprestada em processo administrativo disciplinar
(RMS 28.774), tanto contra os mesmos indivíduos em relação aos quais foi obtida, como
contra outros servidores públicos cujos supostos ilícitos teriam despontado quando da colheita
dessa prova. (Inq 2.424-QO-QO). Admite-se, ainda, o compartilhamento em persecução
criminal diversa (HC 128.102 MC).
O sigilo profissional do advogado (CF, art. 5°, XIV) impede, ainda, que seja autorizada a
interceptação da comunicação telefônica entre o acusado e seu defensor, salvo se este também
estiver envolvido em atividade criminosa.
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de habeas corpus
preventivo impetrado por funcionário de uma empresa telefônica responsável pela execução
da quebra de sigilo que se recusara a cumprir determinação judicial para apurar incidente
de natureza civil, admitiu ser possível, em situação de extrema excepcionalidade, imercep-
ção telefônica no âmbito civil, "quando não houver outra medida que resguarde direitos
ameaçados e o caso envolver indícios de conduta considerada criminosa" (HC 203.405-MS).

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• RHC 115.983-RJ. Rei. Min. Ricardo Lewandowsk. Recurso ordinário em "habeas corpus". Constitu-
cional e processual penal. Delito de homicídio. Busca e apreensão de cartas amorosas enviadas pela
recorrente a um dos corréus com quem mantinha relacionament o extraconjugal. Art. 240, § 12, f, do
CPP. Violação do direito à inviolabilidade de correspondência . Não ocorrência. Garantia que não é
absoluta. Autoria intelectual evidenciada por outras provas colhidas na instrução criminal. Ausência
de demonstração do efetivo prejuízo. Impossibilidade de revolvimento do conjunto tático -probatório
na via estreita do "habeas corpus". Soberania dos veredictos proferidos pelo tribunal do júri. Trânsito
em julgado da condenação. Impossibilidade de admitir-se o writ con stitucional como sucedâneo de
revisão criminal. Recurso improvido. 1. A jurisprudência desta Corte consagrou o entendimento de
que o princípio constitucional da inviolabilidade das comunicações (art. 52, XII, da CF) não é absoluto,
podendo o interesse público, em situações excepcionais, sobrepor-se aos direitos individuais para
evitar que os direitos e garantias fundamentais sejam utilizados para acobertar condutas criminosas.
li. A busca e apreensão das cartas amorosas foi realizada em procedimento autorizado por decisão
judicial, nos termos do art. 240, § lQ, f, do CPP. Ili. A condenação baseou-se em outros elementos
de prova, em especial nos depoimentos de testemunhas, reproduzidos em plenário, sob o crivo do
contraditório. IV. Esta Corte assentou o entendimento de que a demonstração de prejuízo, "a teor do
art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta, eis que,( ... ) o âmbito
normativo do dogma fundamental da disciplina das nulidades "pas de nullité sans grief" compreende
as nulidades absolutas" (HC 85.155/SP). V. Não cabe a este Tribunal, na via do remédio constitucional,
decidir de modo diverso, ainda mais quando se analisa a questão sob a ótica do preceito fundamental
63
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

da soberania dos veredictos, assegurado ao Tribunal do Júri na alínea c do inciso XXXVIII do art. 5g
da Carta Magna. VI. O "habeas corpus", em que pese configurar remédio constitucional de largo
espectro, não pode ser utilizado como sucedâneo da revisão criminal, salvo em situações nas quais
se verifique flagrante ilega lidade ou nulidade, o que não é o caso dos autos. VII. Recurso ordinário
improvido. (lnfo 718)

• RHC 115.983-RJ. Rei. Min. Ricardo Lewandowsk. [...] 1. O princípio da inviolabilidade das comunicações
não é absoluto, podendo o interesse público, em situações excepcionais, sobre por-se aos direitos indi-
viduais para evitar que os direitos e garantias fundamentais sejam ut ilizados para acobertar condutas
criminosas. li. A busca e apreensão das cartas amorosas foi realizada em procedimento autorizado por
decisão judicial (CPP, art. 240, § lQ, f). Ili. A condenação baseou-se em outros elementos de prova ... IV. A
demonstração de prejuízo é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta. V. Não cabe
a este Tribunal, na via do reméd io constitucional, decidir de modo diverso, ainda mais quando se analisa
a questão sob a ótica do preceit o fundamenta l da soberania dos veredictos, assegurado ao Tribunal do
Júri na alínea c do inciso XXXVIII do art. 59 da Carta Magna. VI. O "habeas corpus" não pode ser utilizado
como sucedâneo da revisão criminal, salvo quando se verifique flagrante ilegalidade ou nulidade. (lnfo 718)

• Sigilo e fisca lização tributária - 4 O Plenário, em conclusão de julgament o e por maioria, reputou im-
procedentes os pedidos formulados em ações diretas de inconstitucionalidade ajuizadas em face de
normas federais que possibilitam a utilização, por parte da fiscalização tributária, de dados bancários
e fiscais acobertados por sigilo constitucional, sem a intermediação do Poder Judiciário (LC 104/2001,
art . lQ; LC 105/2001, artigos 1º, § 32 e 4 Q, 32, § 3Q, 5º e 6º; Decreto 3.724/2001; Decreto 4.489/2002;
e Decreto 4.S4S/2002) - v. Informativo 814. (STF, lnfo 815) .

• Fornecimento de informações financeiras ao fisco sem autorização judicial- S O art. 6º da LC 105/2001


não ofende o direito ao sigilo bancário, porque realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio
do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requ isitos objetivos e o translado do
dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Por sua vez, a Lei 10.174/2001 não atrai a aplicação
do princípio da irretroatividade das leis tribu t árias, tendo em vista o caráter instrumental da norma,
nos termos do artigo 144, §1º, do CTN . (STF, lnfo 815).

• Sigi lo bancário e nulidade A Segunda Turma negou provimento a recurso ordinário em "habeas corpus"
no qual se pleiteava a anulação de condenação criminal lastreada em prova produzida no âmbito da
Receita Federal do Brasil por meio da obtenção de informações de instituições finan ceiras sem prévia
autorização judicial de quebra do sigilo bancário. A Turma reiterou o que decidido na ADI 2.390/DF
(acórdão pendente de publ icação, v. Informativos 814 e 815), no sentido de assentar a constituciona-
lidade das normas que permitem o acesso direto da Receita Federal à movimentação financeira dos
contribuintes (LC 105/2001, artigos 52 e 6º; Decreto 3.724/2001; e Decreto 4.489/2002). (STF, lnfo 822).

3. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (CESPE. TJ-RJ. Juiz Substituto.2017) Com base no texto consti tucional e na jurisprudência do STF
acerca dos direitos e garantias fundamentais, individ uais e coletivos, assinale a opção correta
A) Ainda que sem autorização judicia l, admit e-se o ingresso no período noturno de agente policial em
escritório de advocacia para a instalação de equipamento de captação de sinal acústico.
B) Dado o dever fundamental de pagar tributos, não é oponível o sig ilo de informações bancárias à
administração tributária.
C) A crimina lização da prática de atos li bidinosos e da pederastia em q uartéis está contida no CPM, mas
não foi acolhida pela CF.
D) É inconstitucional a prisão do depositário infiel, salvo daquele a quem a legislação impuser a respon-
sabilidade de reter tributos.

02. (CONSULPLAN. TRF-2. Oficial de Justiça.2017) Técio gravou a conversa que teve com Tício e infor-
mou esse fato ao seu amigo Mévio, advogado com profundos conhecimentos na área do direito

64
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

constitucional, especialmente em matéria de liberdades fundamentais. Na ocasião, Técio questionou


Mévio sobre a juridicidade do seu comportamento. Assinale, dentre as alternativas a seguir, a única,
apresentada por Mévio, que se mostra harmônica com a ordem constitucional e a interpretação
sedimentada no âmbito do Supremo Tribunal Federal
A) Técio poderia ter gravado a conversa que teve com Tício para utilizá-la como prova de defesa ou em
decorrência de investida criminosa.
B) Técio jamais poderia ter gravado a conversa sem o conhecimento de Tício, sob pena de flagrante
afronta à intimidade deste último.
C) Técio somente poderia gravar a conversa que teve com Tício, qualquer que fosse o seu teor, se esti-
vesse autorizado por este último ou munido de autorização judicial.
D) Apesar de Tício ter conversado voluntariamente com Técio, este último só poderia gravar a conversa,
restrigindo a intimidade daquele, caso a lei o autorizasse expressamente.

03. (FCC. TRE-SP. Técnico Judiciário-Área Administrativa.2017} Seria incompatível com as normas cons-
titucionais garantidoras de direitos e garantias fundamentais
A) o estabelecimento de restrições, por lei, à entrada ou permanência de pessoas com seus bens no
território nacional.
B) a reunião pacífica, sem armas, em loca l aberto ao público, independentemente de autorização, me-
diante aviso prévio à autoridade competente.
C) a suspensão das atividades de associação por decisão judicial não transitada em julgado.
D) a interceptação de comunicações telefônicas, para fins de investigação criminal, por determinação
da autoridade policial competente.
E) a entrada na casa, sem consentimento do morador, em caso de flagrante delito, durante a noite.

04. (IBAOE. SEJUDH-MT. Advogado.2017) Estatui o artigo 5º, XII, da CRFB/88: "é inviolável o sigilo da
correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo,
no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de inves-
tigação criminal ou instrução processual penal". Sobre o tema, assinale a alternativa correta
A) A administração penitenciária, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional
ou de preservação da ordem jurídica, pode, sempre excepcionalmente, e desde que respeitados os
direitos previstos na Lei de Execuções Penais, proceder à interceptação das correspondências reme-
tidas pelos sentenciados.
B) A gravação ambiental de conversa entre presos durante o banho de sol viola o sigilo das comunicações
telefônicas.
C) A apreensão de computador para a extração de dados gravados no hard disk viola a norma prevista
no artigo S.º, XII, da CRFB/88.
D) A utilização em processo j udicial de gravaçã o telefônica realizada por terceiro, sem autorização judicial,
permitida tão somente pela vítima de extorsão praticada por detento mediante contato telefônico,
é ilícita.
E) O direito ao sigilo da correspondência é absoluto, razão pela qual o Poder Públi co não pode quebrar
o sigilo da correspondência postal.

05. (CESPE.TRT-7.Analista Judiciário - Área Administrativa.2017) Embora a CF preveja a inviolabilidade


das comunicações telefônicas, é admitida a interceptação das comunicações telefônicas, na forma
da lei, para fins de investigação criminal ou
A) instrução processual penal, mediante autorização judicial, ou investigação de ato de improbidade
administrativa, por determinação do Ministério Público.
B) instrução processual penal, mediante autorização judicial, por determinação de comissão parlamentar
de inquérito regularmente instaurada, ou investigação de ato de improbidade administrativa, por
determinação do Ministério Público.

65
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

C) instrução processual penal, mediante autorização judicial.


D) instrução processual penal, mediante autorização judicial, ou por determinação de comissão parla -
mentar de inquérito regu larmente instaurada.

mi 01 B 1 02 A 1 03 D 1 04 A I OS C 1

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações


profissionais que a lei estabelecer;

1. BREVES COMENTÁRIOS
O dispositivo que consagra a liberdade de exercício profissional se consubstancia, se-
gundo a tradicional classificação formulada por José Afonso da Silva (2004), em uma nor-
ma constitucional de eficácia contida, com aplicabilidade direta, imediata, mas passível de
restrição por lei ordinária. Assim, esta liberdade é assegurada de forma ampla enquanto não
sobrevier a legislação regulamentadora. Nesse sentido, o entendimento adotado pelo Supremo
Tribunal Federal em diversos julgados, dentre eles, o MI 6.113-AgR: "O art. 5°, XIII, da
CR é norma de aplicação imediata e eficácia contida que pode ser restringida pela legislação
infraconstitucional. Inexistindo lei regulamentando o exercício da atividade profissional dos
substituídos, é livre o seu exercício."

1.1. Âmbito de proteção


A escolha do trabalho é uma das expressões fundamentais da liberdade humana. Seus
fundamentos sáo: de um lado, o princípio da livre iniciativa, que conduz necessariamente à
livre escolha do trabalho; de outro, a própria condição humana, cumprindo ao homem dar
um sentido a sua existência (BASTOS, 1995).
O direito ao trabalho é um direito social fundamental (CF, art. 6°), cuja importância
é destacada por diversos dispositivos constitucionais e a proteção é assegurada, de forma
específica, pelo art. 7° da Constituição de 1988. A liberdade de exercício profissional, que
por sua vez pressupõe a liberdade de escolha da profissão, consiste em um direito individual
fundamental (CF, art. 5°, XIII).
O Supremo Tribunal Federal considerou a exigência legal do diploma de curso superior
de jornalismo para o exercício da profissão uma intervenção violadora da liberdade jornalís-
tica. Nos termos da ementa restou consignado que "no campo da profissão de jornalista, não
há espaço para a regulação estatal quanto às qualificações profissionais" (RE 511.961/SP).

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


O dispositivo constitucional que consagra a liberdade de exercício profissional (CF,
art. 5°, XIII) determina a observância das qualificações profissionais estabelecidas por lei.
Tendo em vista esta limitação do conteúdo à determinação das qualificações profissionais
necessárias, trata-se de uma reserva legal qualificada.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem adotado preponderantemente como
vetor interpretativo para a verificação da constitucionalidade das leis regulamemadoras do
66
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

exercício profissional o risco trazido à coletividade: "quanto mais arriscada a atividade, maior
o espaço de conformação deferido ao Poder Público" (RE 603.583).
r---------- - --- ----- - - ------------ -- --- --- - -- -- - -- --~
ATENÇÃO: É recorrente a utilização deste inciso como exemplo em questões objetivas refe-
rentes à classificação de normas constitucionais.
~----------------------- ----- ------- ------- ---- ---- -·
2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/765 - RE-RG 808.424-PR. Rei. Min. Marco Aurélio


Registro profissional ou de pessoa jurídica. Inadimplemento. Automaticidade da perda. Possui reper-
cussão geral a controvérsia alusiva à constitucionalidade do artigo 64 da Lei n. 5.194, de 1966, sob o
ângulo da liberdade fundamental do exercício da profissão e do devido processo legal, considerada
a previsão de cancelamento automático do registro em conselho profissional, sem prévia oitiva do
associado, ante a inadimplência da anuidade por dois anos consecutivos.

• STF/757 - Regulamentação de atividade profissional e competência legislativa


O Plenário julgou procedente pedido formulado em ação direta para declarar a inconstitucionalidade
da Lei 8.107/92 e dos decretos 37.420/93 e 37. 421/93, todos do Estado de São Paulo. As normas
regulamentam a atividade de despachante perante os órgãos da Administração Pública estadual.
O Colegiado asseverou que os diplomas estabelecem requisitos para o exercício da atividade
profissional, o que implicaria violação da competência legislativa da União, à qual cabe priva-
tivamente editar leis sobre direito do trabalho e sobre condições para o exercício profissional.
Pontuou que o art. SQ, XI li, da CF teria caráter nacional, e não se admitiriam diferenças entre os
entes federados quanto a requisitos ou condições para exercer atividade profissional. Frisou que
as normas em comento teriam imposto limites excessivos ao exercício do ofício de despachante
e submetido esses profissionais liberais a regime jurídico assemelhado ao de função delegada da
Administração Pública, em confronto material com a Constituição. ADI 4387/SP, Rei. Mín. Dias
Toffoli, 4.9.2014. Pleno.

• STF/762 - ADI 4.387-SP. Rei. Min. Dias Toffoli


Ação direta de inconstitucionalidade. Lei 8.107, de 27 de outubro de 1992, e Dec.s 37.420 e 37.421,
todos do Estado de São Paulo. Regulamentação da atividade de despachante perante os órgãos da
Administração Pública estadual. Competência legislativa privativa da União (art. 22, 1e XVI, da CF/88).
Ratificação da cautelar. Ação julgada procedente. 1. A Lei estadual 8.107/92, a pretexto de prescre-
ver regras de caráter administrativo acerca da atuação dos despachantes junto aos órgãos públicos
estaduais, acabou por regulamentar essa atividade, uma vez que estabeleceu os próprios requisitos
para seu exercício. Violação da competência legislativa da União, a quem compete privativamente
editar leis sobre direito do trabalho e sobre condições para o exercício de profissões . A norma de
que trata o art. SQ, XIII, da Carta Magna, que assegura ser "livre o exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer", deve ter caráter
nacional, não se admitindo que haja diferenças entre os entes federados quanto aos requisitos ou
condições para o exercício de atividade profissional. 2. O Estado de São Paulo, conforme se verifica
nos arts. ]Q e 32 da lei impugnada, impôs limites excessivos ao exercício da profissão de despachante
no âmbito do Estado, submetendo esses profiss ionais liberais a regime jurídico assemelhado ao de
função delegada da administração pública, afrontando materialmente o disposto no art. s2, inciso
XIII, da Carta Magna . 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {Cespe - Analista Técnico-administrativo - MDIC/2014) Considerando as disposições da CF sobre


direitos e garantias fundamentais, direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, direitos de
nacionalidade, direitos políticos e partidos políticos, julgue os itens que se seguem. Sendo a liberdade
67
Arl. 5° TÍTULO li - OOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

profissiona l norma constitucional programática, não pode a lei infraconstitucional impor condições
ao seu exercício.

02. (Cespe - Analista Legislativo - Consultor Legislativo - Câmara dos Deputados/2014 - ADAPTADA)
A respeito de princípios fundamentais e de direitos e garantias fundam entais:
1. Tem eficácia contida o dispositivo constitucional que estabelece a lib erda de de exercício profissional.
li. Historicamente, os direitos fundamentais de primeira dimensão pressupõem dever de abstenção
pelo Estado, ao contrá rio dos direitos fundamentais de segunda dimensão, que exigem, para sua
concretização, prestações estatais positivas.

03. (Cespe - Analista Legislativo - Consultor Legislativo - Câmara dos Deputados/2014 - ADAPTADA)
Julgue os itens seguintes, re lativos aos direito s e garantias fundamentais: Se o poder público tiver a
intenção de condicionar o exe rcício de determinada profissão a certas exigências, e se tais exigências
forem estabelecidas mediante lei formal, elas serão constitucionais, pois o Estado tem discricionarie-
dade para eleger as restrições que entenda cabíveis para todos os ofícios ou profissões, desde que o
faça por lei federal.

04. (FGV. OAB. Exame XVI. 2015) O diretor de RH de uma multinacional da área de telecomunicações, em
reunião corporativa, afirmou que o mundo globalizado vem produzindo grandes inova ções, exigindo
o re conhecimento de novas profissões desconhecidas até então. Feitas essas considerações, solicitou
à diretoria que alterasse o quadro de cargos e funções da empresa, incl uindo as seguintes profissões:
gestor de mídias sociais, gerente de marketing digital e desenvolvedor de aplicativos móveis. O presi-
dente da sociedade empresária, posicionando-se contra o pedido formulado, alegou que o exercício
de qualquer ativ idade laborativa pressupõe a sua devida regulamentação em lei, o que ainda não
havia ocorrido em relação às referidas profissões.
Com base na teoria da eficácia das normas co nstitucionais, é correto afirma r que o preside nte da
sociedade empresária
a) argumentou em harmonia com a ordem constitucional, pois o dispositivo da Constituição Federal
que afirma se r livre o exercício de qualq ue r traba lho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabe lecer, possu i eficácia limitada, exigindo regulamentação legal para que
possa produzir efeitos.
b) apresentou argumentos contrários à ordem constitucional, pois o dispositivo da Constituição Federal
que afirma se r livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer, possui eficácia contida, de modo que, inexisti ndo lei que regula-
mente o exercício da atividade profissional, é livre o seu exercício.
c) apresentou argumentos contrários à ordem constituciona l, pois o dispositivo da Constituição Federal
que afirma se r livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabele cer, possui eficácia plena, já que a liberdade do exercício profissional
não pode ser restringida, mas apenas amp liada.
d} argumentou em harmonia com a ordem constitucional, pois o dispositivo da Constituição Federal
que afirma se r livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profission ais que a le i estabelecer, não possui nenhuma eficácia, devendo ser objeto de mandado de
inj unção para a sua devida regulamentação.

05. (CESPE. TRF-5. Juiz Federal. 2015) Com relação aos di reitos e garantias fundamentais, assinale a opção
co rreta conforme o entendimento do STF
a) Vio la as garantias do livre exercício do trabalho, ofício ou profissão a exigência, pela fazenda pública,
de prestação de fiança para a im pressão de notas fiscais de contribuintes em débito com o fisco.
b) A proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos veda o re laxamento da prisão
processual por excesso de prazo .
c) O direito a ampla defesa não engloba o acesso aos documentos em procedimento investigatório
realizado por órgão co m competência de polícia judiciária.
68
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Arl. 5°

d) Deve ser resguardado o nome do servidor público na publicitação dos dados referentes a sua remu -
neração, porquanto tal divulgação viola a proteção constitucional à intimidade.
e) No âmbito processual criminal, a garantia do juízo natural impede a redistribuição de processos na
hipótese de criação de varas especializadas em razão da matéria.

dJJ 01 E 1 02 ee 1 03 E 04 B 05 A

XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando


necessário ao exercício profissional;

1. BREVES COMENTÁRIOS

1.1. Âmbito de proteção


O direito fundamental à informação, enquanto corolário do sistema democrático e do
modelo republicano, caracteriza-se como instrumento indispensável à fiscalização e respon-
sabilização do governo.
A liberdade de informação abrange os direitos de informar, de se informar e de ser informado.
O direito de informar, enquanto prerrogativa constitucionalmente assegurada de trans-
mitir uma informação, não deve ser confundido com a liberdade de manifestação do pensa-
mento (CF, art. 5°, IV), consistente no direito de emitir uma opinião sobre determinado tema.
Por sua importância na construção de uma sociedade democrática, o direito de transmitir
informação recebe uma proteção constitucional específica para os casos em que é exercido
profissionalmente por intermédio dos meios de comunicação social (CF, arts. 220 a 224). A
forma institucionalizada deste direito é conhecida como liberdade de imprensa. 9
O direito de se informar consiste na faculdade conferida ao indivíduo de buscar infor-
mações sem obstáculos ou de restrições desprovidas de fundamentação constitucional (CF,
art. 5°, XIV) . Com o objetivo de garantir a ampla divulgação para a sociedade de notícias
de interesse público, a Constituição de 1988 resguardou o sigilo da fonte quando necessário
ao exercício profissional (CF, art. 5°, XIV). A proteção constitucional conferida a este sigilo
visa, portanto, a evitar coações e arbitrariedades por parte dos poderes públicos contra pro-
fissionais da imprensa. 10

9. STF - ADI 4.4S1-MC-REF, re i. Min. Ayres Britto (02.09. 2010): "Programas humorísticos, charges e modo carica-
tural de pôr em circulação ideias, opiniões, frases e quadros espirituosos compõem as atividades de 'imprensa',
sinônimo perfeito de 'informação jornalística'(§ 12 do art. 220) . Nessa medida, gozam da plenitude de liberdade
que é assegurada pela Constituição à imprensa. Dando-se que o exercício concreto dessa liberdade em plenitude
assegura ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer pessoa, ainda que em tom áspero, contundente,
sarcástico, irônico ou irreverente, especialmente contra as autoridades e aparelhos de Estado. Respondendo,
penal e civilmente, pelos abusos que cometer, e sujeitando-se ao direito de resposta a que se refere a Constituição
em seu art. 52, inciso V. A crítica jornalística em geral, pela sua relação de inerência com o interesse público, não
é aprioristicamente suscetível de censura. Isso porque é da essência das atividades de imprensa operar como
formadora de opinião pública, lócus do pensamento crítico e necessário contraponto à versão oficial da s coisas,
conforme decisão majoritária do STF na ADPF 130. Decisão a que se pode agregar a ideia de que a locução 'hu mor
jornalístico' enlaça pensamento crítico, informação e criação artística".
10. STF- lnq 870/RJ, rei. Min . Celso de Mello (j. 08.04.1996): "a proteção constitucional que confere ao jornalista
o direito de nã o proceder à disclosure da fonte de informação ou de não reve la r a pessoa de seu informante

69
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

Por seu turno, o direito de ser informado consiste na faculdade de receber dos órgãos
públicos informações de interesse particular, coletivo ou geral (CF, art. 5°, XXXIII).

A Constituição de 1988 instituiu o habeas data com o intuito de assegurar o acesso a


informações de interesse particular relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou
bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público, (CF, art. 5°, LXXII).
No julgamento da ADPF 130/DF, o Supremo Tribunal Federal declarou a não-recepção
da Lei de Imprensa (Lei 5.250/1967) pela arual ordem constitucional.

1.2. Restris;ões (intervens;ões restritivas)


A liberdade de informação será violada quando sofrer uma intervenção não fundamen-
tada constitucionalmente, ou seja, que não encontre uma justificação baseada em direitos
fundamentais de taceiros - e.g., o direito à privacidade (CF, art. 5°, X) - ou em interesses
coletivos de hierarquia constitucional.
A Constituição estabeleceu diretamente algumas cláusulas restritivas expressas. Em re-
lação ao direito de receber informações de interesse particular, ou de interesse coletivo
ou geral, foram ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade
e do Estado (CF, art. 5°, XXXIII).
Durante a vigência do estado de sítio poderão ser impostas, na forma da lei, restrições
ao sigilo das comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa (CF, art.
139, III). Trata-se de uma hipótese de reserva legal simples.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC - Analista Judiciário - Área Administrativa -TRT 19/2014) Astolpho Lucio Gregório Coragem,
jornalista de um dos mais importantes veículos de comunicação do País, denuncia, de forma veemente,
em longa reportagem, atos de corrupção praticados em órgão público da alta Administração federal,
sem reve lar a sua fonte. De acordo com a norma constit ucio nal vigente,
a) o jornalista sofrerá processo disciplinar e ação de improbidade por se utilizar de informações de fonte
não revelada.
b) por se tratar de crime contra a Administração pública, o jornalista é obrigado a revelar sua fonte de
informações .
c) o jornalista não é obrigado a revelar sua fonte de info rmações.
d) o jornalista tem o dever de revela r ao Ministério da Defesa e ao Poder Judiciário sua fonte de infor-
mações em processo protegido pelo segredo de justiça.
e) em razão da prerrogativa de foro das autoridades envolvidas nos atos de corrupção noticiados, o
jornalista é obrigado a revelar sua fonte de informações.

• 01 e

desautoriza qualquer medida tendente a pressionar ou a const ranger o profissional da Imprensa a indicar a
origem das informações a que teve acesso, eis que - não custa insistir os jorna listas, em tema de sigilo da
fonte, não se expõem ao poder de indagação do Estado ou de seus agentes e não podem sofrer, por isso
mesmo, em função do exercício dessa legítima prerrogativa constitucional, a imposição de qualquer sanção
penal, civil ou administrativa".
70
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE° 1988 Art. 5º

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa,


nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

1. BREVES COMENTÁRIOS

1. 1. Âmbito de proteção
A locomoção é um dos aspectos fundamentais da liberdade física do homem e engloba
não apenas o direito de ir e vir, mas também o de permanecer.
Nas hipóteses de intervenção ilegal ou abusiva na liberdade de locomoção poderá ser
impetrado um habeas corpus (CF, art. 5°, LXVIII). A ação constitucional é cabível tanto nos
casos de efetiva violação (habeas corpus reparatório), como naqueles em que houver ameaça
à liberdade de locomoção (habeas corpus preventivo).

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


A Constituição estabelece diretamente a possibilidade de restrições à liberdade de loco-
moção durante a vigência do estado de sitio, quando poderão ser impostas a obrigação de
permanência em localidade determinada e a detenção em edifício não destinado a acusados
ou condenados por crimes comuns (CF, art. 139, I e II).
A liberdade de locomoção, além das limitações inerentes a sua própria natureza, poderá
ser restringida quando houver uma fundamentação baseada em outros princípios de hierarquia
EÓnstitucional. Como assinalado em decisão proferida pelo STF, "não há direito absoluto à
liberdade de ir e vir (CF, art. 5°, XV) e, portanto, existem situações em que se faz necessá-
ria a ponderação dos interesses em conflito na apreciação do caso concreto." (HC 94.147).
São consideradas restrições legítimas, por exemplo, a imposição legal de penas privativas de
liberdade ou a autorização legislativa conferida à Administração Pública para disciplinar a
forma de circulação das pessoas em determinados locais, como ocorre na regulamentação
do uso de vias e logradouros públicos.
A Constituição estabelece, ainda, uma cláusula de reserva legal para os casos de entrada,
permanência e saída do país. Nesse sentido, a exigência legal de visto do estrangeiro para
ingresso em território brasileiro (Lei 13.445/2017, art. 6°).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (IESES - Cartórios -TJ - MS/2014-ADAPTADA) No que tange aos dos direitos e deveres individuais
e coletivos fixados no artigo quinto da Constituição Federal de 1988 pode-se afirmar: Será livre a
locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.

Hlf 01 '

XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, inde-
pendentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada
para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

71
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

1. BREVES COMENTÁRIOS
1. 1. Âmbito de proteção
A liberdade de reunião é um direito individual de expressão coletiva, pois, apesar de
ter como fundamento um interesse coletivo, é imputável ao indivíduo (SILVA, 2005). Trata-se
de um direito de aspecto eminentemente instrumental, que visa a assegurar a livre expressão
das ideias, incluindo-se, em seu âmbito de proteção, o direito de protestar.
O direito de reunião protege não apenas a pretensão de estar com outras pessoas, como
também de convocar, preparar e organizar uma manifestação. Este direito fundamental tem,
por um lado, uma dimensão negativa, consubstanciada no dever de não-interferência do
Estado em seu exercício; por outro, uma dimensão positiva, presente no dever do Estado de
"proteger os manifestantes, assegurando os meios necessários para que o direito à reunião seja
fruído regularmente. Essa proteção deve ser exercida também em face de grupos opositores
ao que se reúne, para prevenir que perturbem a manifestação" (MENDES et alii, 2007).
A liberdade de reunião pode ser exercida em qualquer local (reservado ou aberto ao
público) independentemente de autorização dos poderes públicos.

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


No próprio dispositivo constitucional que consagra a Liberdade de reunião há duas espécies
de restrições estabelecidas com a estrutura de regras: uma de caráter material consistente
na exigência de que a reunião seja pacífica e sem armas; outra, de caráter formal, consistente
na observância da precedência na escolha do local e na exigência de p révio aviso à autoridade
competente (STF - RE 466.343/SP; RE 349.703).
Também se constitui em uma restrição diretamente estabelecida pela Constituição, ain-
da que consagrada expressamente em outro dispositivo, a possibilidade de suspensão desta
liberdade durante a vigência de estado de sítio (CF, are. 139, IV). O princípio da liberdade
de reunião poderá ser restringido, ainda, no caso de decretação do estado de defesa pelo
Presidente da República (CF, art. 136, § 1º, I, a).
Ao lado das hipóteses supramencionadas, outras restrições poderão ser impostas, de acor-
do com as circunstâncias fáticas e jurídicas do caso concreto, por princípios de hierarquia
constitucional, como, por exemplo, a liberdade de locomoção (CF, are. 5°, XV), no caso de
reuniões que inviabilizem o tráfego em determinadas vias.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (MPU. MPU. Técnico Administrativo. 2015) É incondicional o direito à reunião com fins pacíficos em
local aberto ao público.

02. (FCC. TJ-PE. Juiz de Direito. 2015) Em relação aos direitos e garantias individuais, revela-se de extrema
importância a problemática atinente aos regimes de tratamento das liberdades. Entre eles, desta-
ca-se o regime preventivo mediante autorização prévia. Nessa modalidade, o exercício do direito de
liberdade fica submetido, em virtude de previsão legal, à condição de haver prévio consentimento
por parte da autoridade administrativa competente. A instituição de tal regime é vedada, segundo a
Constituição brasileira, em relação aos seguintes direitos:
a) liberdade de reunião em locais públicos e liberdade de trabalho, ofício ou profissão
72
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

b) liberdade de associação e liberdade de trabalho, ofício ou profissão


c) liberdade de in iciativa econômica e liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica
e de comunicação
d) liberdade de iniciativa econômica e liberdade de associação
e) liberdade de reunião em locais públicos e liberdade de expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação

03. (VUNESP. TJ-SP. Titular de Notas e Registros - Remoção. 2016) Sobre o direito de reunião previsto
no art. 5!!, XVI, da Constituição Federal, é correto afirmar que todos podem reunir-se pacificamente,
A) em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra re-
união anteriormente convocada para o mesmo lo ca l, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade
competente
B) sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente
C) sem armas, em locais abertos ao público, mediante prévia autorização, desde que não frustrem outra
reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade
competente
D) sem armas, em locais abertos ou não ao público, independentemente de autorização, desde que não
frustrem outra reun ião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio
aviso à autoridade competente

1%H o, E j 02 E j 03 B

XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilita r;

1. BREVES COMENTÁRIOS
1. 1. Âmbito de proteção
A liberdade de associação, assim como a liberdade de reunião, é um direito individual de
exercício coletivo. Ambas têm em comum a pluralidade de participantes e o fim previamente
determinado. A principal diferença é que a reunião possui uma duração limitada (caráter
episódico), enquanto a associação tem um caráter permanente.
Trata-se de um direito com caráter negativo que impede a intervenção estatal na sua
criação e funcionamento (CF, art. 5°, XVIII) e veda que qualquer pessoa seja compelida a se
associar ou a permanecer associada contra a própria vontade (CF, art. 5°, XX, e art. 8°, V).

1.2. Restrições (intervenções restritivas)


No próprio dispositivo que consagra a liberdade de associação está estabelecida, como
restrição expressa ao âmbito de proteção deste direito, a vedação de associações para fins
ilícitos e de caráter paramilitar.
A Constituição prevê, ainda, a possibilidade de suspensão das atividades ou a disso-
lução compulsória de uma associação por decisão judicial, quando desaparecer algum dos
requisitos para sua constituição. É o caso, por exemplo, de uma associaçáo criada para fins
lícitos, mas que se dedica à prática de atividades ilícitas. Para que uma associação possa ser
compulsoriamente dissolvida, a Constituição exige o trânsito em julgado da decisão judicial
(CF, art. 5°, XIX).
73
TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA
• ADPF: associação e legitimidade ativa. As associações que representam fração de categoria profissional
não são legitimadas para instaurar controle concentrado de constitucionalidade de norma que extrapole
o universo de seus representados. Com base nessa orientação, o Plenário, em conclusão de julgamento
e por maioria, desproveu agravo regimental em arguição de descumprimento de preceito fundamental,
na qual se discutia a legitimidade ativa da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages).
Na espécie, a referida associação questionava dispositivo da LC 35/1979 (Lei Orgânica da Magistratura
Nacional). A Corte assentou a ilegitimidade ativa da mencionada associação. Manteve o entendimento
firmado na decisão agravada de que, se o ato normativo impugnado repercute sobre a esfera jurídica
de toda uma classe, não seria legítimo permitir-se que associação representativa de apenas uma parte
dos membros dessa mesma classe impugnasse a norma, pela via abstrata da ação direta. (STF, lnfo 826).

3. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. {ACAFE - Delegado de Polícia - SC/2014) Acerca dos Direitos e Garantias Fundamentais, conforme
expressamente exposto na Constituição da República Federativa do Brasil-CRFB/88, pode-se afirmar,
exceto:
a) É inviol ável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunica-
ções telefônicas, salvo por ordem judicial, nas hipóteses e na fo rma que a lei estabelecer para fins
de investigação criminal ou instrução processual penal.
b) É plena a libe rdade de associação para fins lícitos, inexistindo vedações.
c) É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos
da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.
d) Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente
de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local,
sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
e) No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.

02. (FAPEC. MPE-MS. Promotor de Justiça. 2015) Sobre o direito de associação é correto afirmar que
a) Possui base contratual
b) Tem caráter provisório
c) Necessita de cinco ou mais pessoas para ser exercido
d) A associação não pode representar judicialmente seus filiados
e) A associação pode sofre interferências do Estado a qualquer momento

03. (CEPERJ. Pref. De Saquarema-RJ. Procurador Jurídico. 2015) Determinado grupo de cidadãos, preo-
cupado com a violência local, decide organizar os vizinhos em grupos de vigilância que utilizam apitos
para avisar se no local tudo está tranquilo. Após tais medidas, os índices de violência tornam-se inex-
pressivos. Entusiasmados com o ocorrido, pretendem sofisticar a organização buscando a autorização
legal para que os líderes do movimento possam portar armas e organizam o movimento de forma
hierárquica; criam, ainda, obstáculos materiais para o ingresso nas ruas da comunidade; passam, ainda
a cobrar pelos serviços de segurança . Nos termos da Constituição Federal
a) as associações são completamente livres na sua organização
b) ocorre a vedação de associação com ca ráter paramilitar
c) as associações não podem incentivar a autodefesa
d) associações de cidadãos não podem usar instrumentos de aviso
e) ocorre a autorização plena para a cobrança de serviços de segurança

hH 01 B 02 A 03 B

74
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autori-


zação, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades sus-
pensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a p.ermanecer associado;

1. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. TRT-24. Técnico Judiciário -Área Administrativa.2017} Framboesa pretende criar a associação
"X" e Ludmila pretende criar a cooperativa "S". Consultando a Constituição Federa l, ela s verificaram
que
A) a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas, independem de autorização, sendo
vedada a interferência estatal em seu funcionamento.
B) a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas, dependem de autorização, mas é vedada
a interferência estatal em seu funcionamento.
C) somente a criação de associações depende de autorização, sendo, inclusive, permitida a interferência
estatal em seu funcionamento.
D) somente a criação de associações depende de autorização, sendo, porém, vedada a interferência
estatal em seu funcionamento.
E) somente a criação de cooperativa depende de autorização, sendo, porém, vedada a interferência
estatal em seu funcionamento.

02. (FCC. TRE-SP. Analista Judiciário - Área Administrativa.2017) A constituição de associação que pre-
tenda, independentemente de autorização governamental, dedicar-se ao estudo da forma de governo
monárquica, com vistas a defender sua implantação no Brasil, percebendo, para tanto, auxílio técnico
e financeiro de associações estrangeiras simpáticas à causa, será
A) compatível com a disciplina da liberdade de associação na Constituição da República.
B) incompatível com a Constituição da República , por possuir a associação fim ilícito.
C) incompatível com a Constituição da República, no que se refere à possibilidade de recebimento de
auxílio financeiro de entidades estrangeiras.
D) incompatível com a Constituição da República, por possuir a associação carát er paramilit ar.
E) compatível com a Constituição da República, desde que obtenha autorização governamental para sua
constituição e funcionamento.

03. (MPT. MPRT. Procurador do Trabalho.2017} Considerando os direitos e garantias fundamentais pre-
vistos na Constituição da República, assinale a alternativa INCORRETA
A) As associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por
decisão judicial, exigindo-se, em ambos os casos, o trânsito em julgado.
B) A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do mo-
rador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por
determinação judicial.
C) É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer
para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.
D) Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente
de autorização, desde que não frustrem outra reunião ant eriormente convocada para o mesmo local,
sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
E) Não respondida.
75
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

04. (NUCEPE. SEJUS-PI. Agente Penitenciário.2017) Sobre os direitos individuais e coletivos constitucio-
nalmente previstos, assina le a alternativa CORRETA
A) As associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por
decisão judicial, exigindo-se, nos dois casos, o trânsito em julgado.
B) Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, mediante prévia
autorização da autoridade competente, e desde que não frustrem outra reunião anteriormente con-
vocada para o mesmo local.
C) Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, não podendo, em razão da garantia do direito de
herança, a obrigação de reparar o dano ser estendida aos sucessores.
D) Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir presta ção
al ternativa, fixa da em lei.
E) No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá, desde que previamente per-
mitido por decisão judicial, usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário remuneração
pelo uso do bem.

w 01 A 1 02 A 1 03 A 1 04 A

XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para


representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

1. BREVES COMENTÁRIOS

As associações podem representar, judicial ou extrajudicialmente, seus filiados (CF, art.


5°, XXI). Para isso, além da autorização expressa, exige-se que a matéria seja pertinente aos
fins sociais da própria entidade. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,
trata-se de hipótese de representação processual (RE 192.305).
No caso de ação proposta por associação os beneficiários do título executivo "são aqueles
que, residentes na área compreendida na jurisdição do órgão julgador, detinham, antes do
ajuizamento, a condição de filiados e constaram da lista apresentada com a peça inicial."
Esse o entendimento adotado pelo Supremo, ao fixar a seguinte tese em sede de repercussão
geral (STF - RE 612.043/PR):
A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito
ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados,
somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador,
que o fossem em momento anterior ou até a dara da propositura da demanda,
constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento
(Tema 499).

Para a impetração de mandado de segurança coletivo, em defesa de seus associados, é


suficiente a autorização genérica contida no estatuto da associação. Trata-se de hipótese de
legitimação extraordinária (ou substituição processual) atribuída às associações pela própria
Constituição (CF, art. 5°, LXX). Nesse sentido, o STF sumulou o entendimento de que "a
impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados
independe da autorização destes" (Súmula 629/STF). Ainda segundo o Tribunal, "a entidade
de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada
interesse apenas a uma parte da respectiva categoria" (Súmula 630/STF).
76
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• RE-RG 612.043-PR. Rei. Min. Marco Aurélio. Ação coletiva. Substituição processual. Art. 5!!, XXI, da
CF. Alcance temporal. Data da filiação. Possui repercussão geral a controvérsia acerca do momento
oportuno de exigir-se a comprovação de filiação do substituído processual, para fins de execução de
sentença proferida em ação coletiva ajuizada por associação - se em data anterior ou até a formali-
zação do processo. {ln/o 657)

• STF/746 -Associações: legitimidade processual e autorização expressa - 5. A autorização estatutária


genérica conferida a associação não é suficiente para legitimar a sua atuação em juízo na defesa
de direitos de seus filiados, sendo indispensável que a declaração expressa exigida no inc. XXI do
art. 5!! da CF seja manifestada por ato individual do associado ou por assembleia geral da entida-
de. Por conseguinte, somente os associados que apresentaram, na data da propositura da ação
de conhecimento, autorizações individuais expressas à associação, podem executar título judicial
proferido em ação coletiva. Com base nessa orientação, o Plenário, em conclusão de julgamento,
e por votação majoritária, proveu recurso extraordinário no qual se discutia a legitimidade ativa de
associados que, embora não tivessem autorizado exp licitamente a associação a ajuizar a demanda
coletiva, promoveram a execução de sentença prolatada em favor de outros associados que, de modo
individual e expresso, teriam fornecido autorização para a entidade atuar na fase de conhecimento. Em
preliminar, ante a ausência de prequestionamento quanto aos arts. 5!!, XXXVI, e 82, Ili, da CF, o Tribunal
conheceu em parte do recurso. No mérito, reafirmou a jurisprudência da Corte quanto ao alcance da
expressão "quando expressamente autorizados", constante da cláusula inscrita no mencionado inc. XXI
do art . 52 da CF. Asseverou que esse requisito específico acarretaria a distinção entre a legitimidade
das entidades associativas para promover demandas em favor de seus associados (CF, art. 52, XXI) e
a legitimidade das entidades sindicais (CF, art. 82, Ili). O Colegiado reputou não ser possível, na fase
de execução do título judicial, alterá-lo para que fossem incluídas pessoas não apontadas como be-
neficiá rias na inicial da ação de conhecimento e que não autorizaram a atuação da associação, como
exigido no preceito constitucional em debate. Ademais, a simples previsão estatutária de autorização
geral para a associação seria insuficiente para lhe conferir legitimidade. Por essa razão, ela própria
tivera a cautela de munir-se de autorizações individuais. RE 573232/SC, repercussão geral - mérito,
Red. p/ac. Min. Marco Aurélio, 14.5.2014. Pleno.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (MPE-SC- Promotor de Justiça - SC/2013) Estando o cidadão brasileiro de fato e de direito filiado a
alguma entidade associativa, esta terá legitimidade para representá-lo judicial e extrajudicialmente,
não havendo, por isso, necessidade de autorização expressa para tanto.

• 01 E

XXII - é garantido o direito de propriedade;

1. BREVES COMENTÁRIOS

1. 1. Âmbito de proteção
A Constituição assegura, prima Jacie, o direito de propriedade, tanto de bens móveis e
imóveis, como de bens materiais e imateriais. A garantia do direito de propriedade impede
intervenções em seu âmbito de proteção desprovidas de fundamentação constitucional.
77
Arl. 5º TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CETREDE. JUCEC. Advogado. 2015) A norma constante do art. 5Q, XXII da CF/88, in verbis, "é garantido
o direito de propriedade", é norma
a) De eficácia plena
b) De eficácia limitada
c) De eficácia contida
d) Subsidiária
e) Programática.

01 e

XXII! - a propriedade atenderá a sua função social;

1. BREVES COMENTÁRIOS

O princípio da função social da propriedade autoriza a imposição, dentro de certos limites,


de medidas restritivas à garantia deste direito, mas não permite intervenções que não sejam
constitucionalmente justificadas, tais como: I) invasões de terras por movimentos sociais
organizados, ainda que a pretexto de promover a reforma agrária (STF -ADI 2 .213-MC/
DF); II) a supressão legislativa da instituição da propriedade privada; e III) a expropriação
arbitrária da propriedade, sem a observância do devido processo legal (STF - MS 23.949/DF).
Ao legislador ordinário é conferida uma margem de ação para definir o conteúdo e impor
limites ao exercício do d ireito, sempre com observância do núcleo essencial, constituído pela
utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. As restrições impostas,
em especial a exigência de cumprimento da função social, não autorizam seja a propriedade
colocada, única e exclusivamente, a serviço do Estado e da comunidade (MEN DES, 2006).
No Título VII, que trata da "ordem econômica e financeira", a Constituição dispõe sobre
a função social da propriedade urbana (CF, art. 186) e rural (CF, art. 182, § 2°). No caso de
propriedades que não cumprem sua função social, as principais restrições estabelecidas no
texto constitucional são as hipóteses de desapropriação e a forma de pagamento das respec-
tivas indenizações (CF, arr. 182, § 4°, III e arr. 184).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (TRT-8. TRT-8. Juiz do Trabalho Substituto. 2015) Em relação aos direitos e garantias fundamentais,
assinale a alternativa INCORRETA
a) Embora seja inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegu rado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de cu lto e a suas liturgias, esta
li berdade não pode rá ser invocada para eximir-se de obrigação legal a todos imposta, bem como para
recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei
b) É direito de todos, nos termos da le i, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares
de internação coletiva
c) Não obstante seja inviolável o direito ao sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas, de
dados e das comunicações te lefônicas, sua exceção é admissível, em relação à última hipótese, desde
que decorrente de ordem judicial, se destinada à investigação criminal ou instrução processual penal
78
•Biil~iiii•!1ífJ • f;•;l#41):IIMli# IMMMl 111•:j;fJ.1il•ll@H
1 1 1 Ar!. 5°

d) O direito de propriedade é garantido constitucionalmente, permitindo ao seu titular, o exercício livre


e irrestrito do direito de gozo, uso e disposição do bem
e) Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes
da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
na forma da lei

02. (FCC. TRT-3. Analista Judiciário -Área Administrativa. 2015) Em relação ao direito de propriedade,
a Constituição Federal em seu art. 5º
a) proscreveu o uso da propriedade particular pelo Poder Público de modo absoluto
b) limita a função social da propriedade à pequena propriedade rural, impedindo sua desapropriação
c) ao assegurar o direito de propriedade impede que o Poder Executivo Municipal desaproprie aproprie-
dade privada que cumpre sua função social
d) não aplica o conceito de propriedade a outra que não seja a propriedade de bens imóveis, os únicos
que devem atender à sua função social
e) assegura simultaneamente o direito à propriedade e que esta cumprirá sua função social

• 01 D 1 02 E 1

XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade


pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os
casos previstos nesta Constituição;

1. BREVES COMENTÁRIOS
A desapropriação é a transferência compulsória da propriedade particular por determi-
nação do Poder Público, nos casos de necessidade pública, utilidade pública ou interesse
social. Conforme ensina Hely Lopes Meirelles (1992), a desapropriação "é forma originária
de aquisição da propriedade, porque não provém de nenhum título anterior, e, por isso, o
bem expropriado torna-se insuscecível de reivindicação e libera-se de quaisquer ônus que
sobre ele incidissem precedentemente, ficando os eventuais credores sub-rogados no preço."
O procedimento para desapropriação deve ser estabelecido por lei federal (CF, art. 22,
II). No caso de processo judicial de desapropriação por interesse social de imóveis rurais,
para fins de reforma agrária, o procedimento contraditório especial, de rito sumário, deverá
ser estabelecido por lei complementar (CF, art. 184, § 3°).
Todos os entes federativos (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) podem ser
sujeitos ativos da desapropriação mediante declaração de utilidade pública. A desapropriação
de bens públicos é permitida, observadas duas condições. O domínio do imóvel deve pertencer
a um ente menor, ou seja, bens de domínio dos Estados e do Distrito Federal somente podem
ser desapropriados pela União e bens de domínio dos Municípios, pela União e pelos Estados.
Em regra, exige-se autorização legislativa, salvo se houver acordo entre os entes envolvidos, no
qual devem ser fixadas as respectivas responsabilidades financeiras em relação ao pagamento
das indenizações correspondentes (DL 3.365/1941, art. 2°). A indenização a ser paga na de-
sapropriação deve ser prévia, justa e em dinheiro, exceto nas hipóteses em que a propriedade
não cumpre sua função social (desapropriação-sanção). Neste caso, em se tratando de imóveis
urbanos a indenização ocorrerá com pagamento mediante títulos da dívida pública de emis-
são previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em
79
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais
(CF, art. 182, § 4°, III). Se o imóvel for rural, a indenização será em títulos da dívida agrária,
com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei (CF, art. 184).
A transferência do bem ao expropriante ocorre apenas depois do pagamento definitivo do
preço, o que não impede a imissão imediata na posse, mediante depósito prévio de impor-
tância estabelecida em laudo de perito. A indenização integralizada é devida na oportunidade
em que o domínio (e não a posse provisória) se transfere ao expropriante, com definitividade
(STJ - REsp 28.262/SP).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula n!! 652. Não contraria a Constituição o art. 15, § 1!!, do DL. 3.365/41 (Lei da Desapro-
priação por Utilidade Pública).

• STJ -Súmula n!! 12. Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e moratórios.

• STJ -Súmula n!! 56. Na desapropriação para instituir servidão administrativa são devidos os juros
compensatórios pela limitação de uso da propriedade.

• STJ -Súmula n!! 67. Na desapropriação, cabe a atualização monetária, ainda que por mais de uma
vez, independente do decurso de prazo superior a um ano entre o cálculo e o efetivo pagamento da
indenização.

• STJ -Súmula n!! 69. Na desapropriação direta, os juros compensatórios são devidos desde a antecipada
imissão na posse e, na desapropriação indireta, a partir da efetiva ocupação do imóvel.

• STJ -Súmula n!! 113. Os juros compensatórios, na desapropriação direta, incidem a partir da imissão
na posse, calculados sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente.

• STJ -Súmula n!! 114. Os juros compensatórios, na desapropriação indireta, incidem a partir da ocu-
pação, calculados sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente

• STJ -Súmula n!! 131. Nas ações de desapropriação incluem-se no cálculo da verba advocatícia as
parcelas relativas aos juros compensatórios e moratórias, devidamente corrigidas.

• STJ -Súmula n!! 141. Os honorários de advogado em desapropriação direta são calculados sobre a
diferença entre a indenização e a oferta, corrigidas monetariamente.

3. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• Compelir o magistrado a colher com primazia determinada prova em detrimento de outras pretendidas
pelas partes se, pela base do conjunto probatório tiver se convencido da verdade dos fatos (CPC/1973,
"Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros ele-
mentos ou fatos provados nos autos"). Com base nessa orientação, a Segunda Turma, por maioria,
negou provimento a recurso extraordinário no qual se discutia a inclusão das perdas do proprietário
decorrentes da desvalorização de sua propriedade e de seus produtos, no valor da justa indenização
para satisfazer o direito de propriedade (CF, art. 5!!, XXII e XXIV), independentemente da reavaliação
do material fático-probatório. (STF, lnfo 817) .

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {IBFC.EBSERH.Advogado.2017) Analise os itens a seguir e considere as normas da Constituição Federal


sobre a garantia de sigilo para assinalar a alternativa correta
80
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

A) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, mediante
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na própria Constituição, sendo
vedado tal ato por inte resse social.
B) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e poste rior indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos
na própria Constituição.
C) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro ou isenções, ressalvados os casos
previstos na própria Constituição.
D) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro ou títulos, ressalvados os casos
previstos na própria Constituição.
E) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse socia l, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressa lvados os casos previstos na
própria Constituição.

02. (IBFC.EBSERH-HUGG-UNIRIO.Advogado.2017) Analise os ite ns a seguir e considere as normas da


Constituição Federal sobre a garantia de sigilo para assinalar a alternativa correta
A) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, mediante
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na própr ia Constituição, sendo
vedado tal ato por interesse social.
B) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidad e ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos
na própria Constituição.
C) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilida de pública, ou po r
interesse social, mediante justa e posterior indenização em dinheiro ou ise nções, ressalvados os casos
previstos na própria Constituição.
D) A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
inte resse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro ou títu los, ressalvados os casos
previstos na própria Constituição.
E) A lei estabelecerá o procedimento para desapro pria ção por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na
própria Constituição.

AH o, E 1 02 E

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade
particular, ass.egurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;

1. BREVES COMENTÁRIOS

A requisição consiste na ocupação ou uso temporário, por autoridades públicas, de bens


ou serviços, em casos de necessidades transitórias da coletividade. A competência para legislar
sobre requisições é privativa da União (CF, art. 22, III).
O Poder Público poderá usar de propriedade particular por meio de requisições civis -
em caso de iminente perigo públíco (CF, art. 5°, XXV), de decretação de estado de defesa
(CF, art. 136, § 1°, II) ou de estado de sítio (CF, are. 139, VII) - ou, em tempo de guerra
(CF, art. 137, II), de requisições militares. A indenização só será devida posteriormente ao
uso e se houver algum dano.
81
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (UNIUV. Pref. Jaguariaíva-PR. Advogado. 2015) De acordo com o texto da Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988, é CORRETO afirmar que "no caso de iminente perigo público, a auto-
ridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização
ulterior[ ... ]". Essa indenização necessita da comprovação
a) Do dano
b) Do emprego de violência
c) Da subjetividade da autoridade pública
d) Da relação de nexo com a ação premeditada pelo causador do iminente perigo público
e) Da exigibilidade de conduta diversa

HH 01 A

XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família,
não se rá objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva,
dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de
suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz
humanas, inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que
participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;

1. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• Direito penal. Venda de CDs e DVDs falsificados. Tipicidade. Recurso repetitivo. É típica, formal e
materialmente, a conduta de expor à venda em estabelecimento comercial CDs e DVDs falsificados,
prevista no art. 184, § 2!!, do CP. Não é possível aplicar o princípio da adequação social à conduta
de vender CDs e DVDs falsificados, considerando que tal conduta não afasta a incidência da norma
penal incriminadora de violação de direito autoral, além de caracterizar ofensa a direito constitucio-
nalmente assegurado (art. SQ, XXVII, da CF). O fato de, muitas vezes, haver tolerância das autoridades
públicas em relação a tal prática não significa que a conduta não seja mais tida como típica, ou que
haja exclusão de culpabilidade, razão pela qual, pelo menos até que advenha modificação legislativa,
incide o tipo penal, mesmo porque o próprio Estado tutela o direito autoral. Não se pode considerar
socialmente tolerável uma conduta que causa sérios prejuízos à indústria fonográfica brasi le ira e aos
comerciantes legalmente instituídos, bem como ao Fisco pelo não pagamento de impostos. REsp
1.193.196, rei. Min. Maria T. A. Moura, j. 26.9 .2012. 3ª S. (lnfo 505)

• ADI e arrecadação de direitos autorai s -3 O Plenário, por maioria, julgou improcedentes os pedidos
formu lados em ações di retas de inconstitucionalidade propostas em face da Lei 12.853/2013, que
alterou ou introduziu dispositivos na Lei 9.610/1998, ao reconfigurar a gestão coletiva de direitos
autorais. Na espécie, questionava-se a constituciona lidade da norma ante os princípios e as regras
constitucionais concernentes ao exercício de direitos privados e à libe rdade de associação -v. Info r-
mativo 823. O Tribunal assentou que a Constituição garante o direito exclusivo do autor à utilização,
à publicação ou à reprodução de suas obras (CF/1988, art. 5!!, XXVI I). Entretanto, a proteção da
propriedade intelectual, sobretudo dos direitos autorais, teria suas particularidades. Em primeiro
lugar, a titularidade de determinada obra seria, em geral, co mparti lhada pelos diversos indivíduos
que participaram da sua criação. Em segundo lugar, a ausência de suporte físico para delimitar o

82
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

domínio intelectual criaria dificuldades de monitoramento da utilização da obra, principalmente na


sua execução pública. Essas duas particularidades tornariam o mercado de obras intelectuais refém
de elevados custos de transação. Em linha s gerais, a gestão coletiva de direitos autorais compreende
o exercício e a defesa das prerrogativas legais inerentes à criação intelectual por intermédio de
associações formadas por titulares desses direitos . Esse modelo de gestão reduziria as dificuldades
operacionais geradas tanto pela cotitularidade das obras quanto pelos custos de monitoramento
de sua execução. A gestão coletiva de direitos autorais envolveria um "tra de-off" socialmente re-
levante. Esse conflito de escolha diria respeito, 5 por um lado, à viabilização da própria existência
do mercado, ao reduzi r os custos de transação decorrentes da cotitularidade e da imate ria lidade da
propriedade intelectual, e, por outro, à delegação de poder de mercado aos titulares de direito, em
especial às entidades de gestão coletiva, ao induzir a precificação conjunta das obras intelectuais.
O escopo da norma ora questionada teria sido: a) transparência, ao criar obrigações claras para
a gestão coletiva; b) eficiência econômica e técnica, ao permitir que artistas tenham o direito a
serem informados sobre seus direitos e créditos; c) modernização, ao reorganizar a gestão coletiva
e racionalizar a estrutura das associações que a compõem; d) regulação, ao manter a existência
de um único escritório central subordinado ao Ministério da Justiça; e e) fiscalização, ao respon-
sabilizar o Ministério da Justiça pela fiscalização da gestão coletiva. A Corte anotou que a maior
transparência da gestão coletiva de direitos autorais, na forma proposta pela norma impugnada,
consubstanciaria finalidade legítima segundo a ordem constitucional, na medida em que buscaria
eliminar o viés rentista do sistema anterior. Com isso, promoveria, de forma imediata, os interes-
ses tanto de titulares de direitos auto rais quanto de usuários e, de forma mediata, bens jurídicos
socialmente relevantes ligados à pro priedade intelectual como a educação e o entrete nimento, o
acesso à cultura e à informação. (STF, lnfo 845).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (IBFC.EBSERH.Advogado.2017) Considere as normas da Constituição Federal sobre direitos e ga rantias
fundamentais e assinale a alternativa INCORRETA
A) São assegurados, nos termos da lei, o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obra s
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
associativas.
B) São assegurados, nos termos da lei, a proteção às participações individuais em obras coletivas e à
reprodução da imagem e voz humanas, incl usive nas atividades desportivas.
C) São assegurados, nos termos da lei, o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais e associativas.
D) São assegurados, nos termos da lei, a proteção às participações individuais em obras coletivas, ex-
cluídas as atividades desportivas.
E) São assegurados, nos termos da lei, o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais.

02. {IBFC.EBSERH-HUGG-UNIRIO.Advogado.2017) Considere as normas da Constituição Federal sobre


dire itos e garantias fundamentais e assinale a alternativa INCORRETA.
A) São assegurados, nos termos da lei, o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
associativas.
B) São assegurados, nos termos da lei, a proteção às participações individuais em obras coletivas e à
reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas.
C) São assegurados, nos termos da lei, o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais e associativas.
83
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

D) São assegurados, nos termos da lei, a proteção às participações individ uais em obras coletivas, ex-
cluídas as atividades desportivas.
E) São assegurados, nos termos da lei, o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras
que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais.

BJ:. 01 D 102 D 1

XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua uti-
lização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de
empresas e a outros signos distintivos, tendo em vi sta o interesse social e o desenvolvimento
tecnológico e econômico do País;

1. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STJ -Súmula n!! 63. São devidos direitos autorais pela retransmissão radiofôn ica de mú sicas em
estabelecimentos comerciais.

• STJ -Súmula n!! 228. É inadmissível o interd ito proibitório para a proteção do direito autoral.

XXX - é garantido o direito de herança;


XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira
em benefício do cônjuge ou dos filhos bra sileiros, sempre que não lhes seja mais favoráve l a lei
pessoal do "de cuju s";

1. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. {FUNECE.UECE.Advogado.2017) É exemplo de direito fundamental individual de primeira dimensão
arrolado no text o constitucional o direito à
A) saúde.
B) educação.
C) herança.
D) moradia.

W;h 01 e 1

XXXII - o Est ado promoverá., na forma da lei, a defesa do consumidor;


XXXlll -todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular,
ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabili-
dade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Como decorrência do sistema democrático e do modelo republicano, todo indivíduo
tem o direito público subjetivo de solicitar a órgãos públicos informações de seu interesse
particular, coletivo ou geral.
Trata-se de um instrumento indispensável na fiscalização e responsabilização do governo. A Lei
12.527/2011 estabelece os procedimentos a serem observados pela União, Estados, Distrito Federal
e Municípios, com o objetivo de garantir o acesso à informação consagrado nesse dispositivo.
84
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

A Constituição de 1988 instituiu o habeas data com o intuito de assegurar o acesso a


informações de interesse particular relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou
bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público (CF, art. 5°, LXXII).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF-Súmula vinculante n!! 14. É direito do defensor, no interesse do representado, te r acesso amplo
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa .

3. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• Segredo de justiça e divulgação do nome do réu e da tipificação do crime em sítio eletrônico de tribunal.
No caso de processo penal que tramita sob segredo de justiça em razão da qualidade da vítima (criança
ou adolescente), o nome completo do acusado e a t ipificação legal do delito podem constar entre os
dados básicos do processo disponibilizados para consulta livre no sítio eletrônico do Tribunal, ainda
que os crimes apurados se relacionem com pornografia infantil. A CF, em seu art. SQ, XXXIII e LX,
erigiu como regra a publicidade dos atos processuais, sendo o sigilo a exceção, visto que o interesse
individual não pode se sobrepor ao interesse público. Tal norma é secundada pelo disposto no art. 792,
caput, do CPP. A restrição da publicidade somente é admitida quando presentes razões autorizadoras,
consistentes na violação da intimidade ou se o interesse público a determinar. RMS 49.920-SP, Rei.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 10.8.2016. SY T. (lnfo 587)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (IMA. Pref. de Penalva-MA. Advogado.2017) Nos t ermos da Constituição Federal de 1988, acerca
dos direitos e garantias fundamentais, é CORRETO afirmar que
A) Conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas a qualquer pessoa,
constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público
B) Qualquer cidadão é pa rte legítima para propor ação popular que vise a anula r ato lesivo ao patri-
mônio público ou privado de entidades de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e social, ficando o autor, salvo comprovada má -fé, isento
de custas judiciais e do ônus da sucumbência
C) Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de inte-
resse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabil ida de, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado
D) Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime próprio, praticado antes
da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afin s,
na forma da lei

iiH o, e

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegal idade ou
abuso de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento


de situações de interesse pessoal;

85
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

1. BREVES COMENTÁRIOS

Ver comentário ao art. 5°, LXXIV

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF-Súmula vinculante nº 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de


dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

• STJ -Súmula nº 373. É ilegítima a exigência de de pósito prévio para adm issibilidade de recurso ad-
ministrativo.

3. INFORMATNO DE JURISPRUDÊNCIA

• Concurso público: mérito de questões e anulação - 2. O Min. Luiz Fux, relator, denegou a ordem
e cassou a liminar anteriormente deferida, no que foi acompanhado pel as Ministras Rosa Weber e
Cármen Lúcia. De início, ressaltou que não t eria sido comprovada a liquidez e a certeza do direito do
impetrante. Isso porque a anulação, por via j udicial, de questões de prova objetiva de concurso público,
com vi stas à habilitação para participar em fase posterior do certame, pressuporia a demonstração
de que o requerente estivesse apto à etapa seguinte, caso essa anulação fosse estendida à totalidade
dos can didatos, consoante os princípios constitu ciona is da isonomia, da impessoalidade e da eficiên-
cia. Assim, explicou que a situação jurídica do requerente deveria ser analisada não só com base na
pontuaçã o individual em cada fase do cert ame, mas ta mbém em fu nção da classificação que atingiria
em cad a uma delas, sendo indispensável, para a espécie, verificar a posição de cada um dos demais
aspirantes ao cargo. Sublinhou que essa comprovação deveria decorrer de certidão obtida j untamente
à comissão organizadora do co ncurso (CF, art. SQ, XX XIV, b) ou, se negada em sede administ rativa,
por ordem judicial, nos moldes da lei do mandado de segurança. Nesse contexto, advertiu que, em
hipóteses análogas, haveria utilização imoderada da estreita via do "writ". Elucidou que o pleito do
impetrante poderia ser deferido por meio de ação de cognição exauriente, em tutela antecipada . MS
30859, rei. Min. Luiz Fux, 13.3.2012. 1~ T. (lnfo 658)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01 . (CPCON. Pref. de Patos-PB. Advogado.2017) Conforme preceitua o inciso XXXIV, do artigo 5º, da
Constituição Federal de 1988, "são a todos assegurados, independentemente do pagamento de ta xas"
A) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos e a obte nção de certidõ es em repa r-
tições públicas.
B) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de
poder.
C) a obtenção de certidões em repartições públicas e a defesa de direitos ou contra ilega lidade ou abuso
de poder.
D) a defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de pod er e a defesa de direit os e esclarecimento
de situações de i nteresse pessoal.
E) a obtençã o de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situa ções
de interesse pessoal e a defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.

11!1 01 B

XXXV - a lei não excluirá da aprecia ção do Poder Judiciário lesão ou am eaça a direito;

86
CON.STITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

1. BREVES COMENTÁRIOS
O direito de acesso à justiça (princípio da inafastabilídade da apreciação juris-
dicional) foi ampliado pela Constituição de 1988, de forma a abranger não apenas a via
repressiva ("lesão"), mas também a via preventiva ("ameaça a direito"). Ressalvadas hipóteses
excepcionais previstas originariamente na própria Constituição, bem como questões exclu-
sivamente interna corporis, não há matéria que possa ser excluída da apreciação do Poder
Judiciário. A rigor, a Constituição veda a possibilidade de exclusão da alegação de lesão ou
ameaça, uma vez que o direito de ação não se vincula à efetiva procedência do pedido. Não
se deve confundir "negativa de prestação jurisdicional com decisão jurisdicional contrária à
pretensão da parte." (STF - AI 135.850-AgR).
Nas palavras de Luiz Guilherme Marinoni (2006) observa que "o direito de acesso à
jurisdição - visto como direito do autor e do réu - é um direito à utilização de uma presta-
ção estatal imprescindível para a efetiva participação do cidadão na vida social, e assim não
pode ser visto como um direito formal e abstrato - ou como um simples direito de propor
ação e de apresentar defesa -, indiferente aos obstáculos sociais que possam inviabilizar o
seu efetivo exercício. A questão do acesso à justiça, portanto, propõe a problematização do
direito de ir a juízo - seja para pedir a cutela do direito, seja para se defender - a partir da
ideia de que obstáculos econômicos e sociais não podem impedir o acesso à jurisdição, já
que isso negaria o direito usufruir de uma prestação social indispensável para o cidadão viver
harmonicamente na sociedade."
Em relação aos destinatários do dever de observância deste direito, em que pese o disposi-
tivo constitucional se referir à "lei", o princípio não se dirige apenas ao legislador, mas a todas
as autoridades. Qualquer tipo de exigência que possa inviabilizar, direta ou indiretamente,
o acesso à jurisdição caracteriza uma violação ao princípio. Não se pode exigir, portanto, o
exaurimento de vias extrajudiciais como pré-condição para o acesso ao Poder Judiciário
(STF - MS 23.789), exceto nos casos referentes à disciplina e às competições desportivas,
os quais serão admitidos no âmbito judicial após o esgotamento das instâncias da justiça
desportiva (CF, art. 217, § 1°).
A exigência de prévio requerimento administrativo não se confunde com o exauri-
mento desta via. Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, "a instituição
de condições para o regular exercício do direito de ação é compatível com o art. 5°, XXXV,
da Constituição", sendo que, "para se caracterizar a presença de interesse em agir, é preciso
haver necessidade de ir a juízo." Assim, o Tribunal decidiu que "a concessão de benefícios
previdenciários depende de requerimento do interessado, não se caracterizando ameaça ou
lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, ou se excedido o prazo legal
para sua análise" (STF -RE 631.240/MG). No mesmo diapasão, o STF já havia considerado
legítima, para fins de cabimento do habeas data, a exigência de recusa de informações por
parte da autoridade administrativa (Lei 9.507/1997, arr. 8°, parágrafo único e Súmula 2/
STJ), uma vez que sem resistência à pretensão não há interesse de agir (STF - RHD 22/
DF; RHD 24/DF).
Na arbitragem são as partes envolvidas que optam, por vontade própria, pela retirada da
solução do conflito do âmbito jurisdicional. Não há, portanto, qualquer incompatibilidade
87
Ar!. 5° TÍTULO li - 00S DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

com o princípio do acesso à jurisdição, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal


(SE 5.206-AGR/EP).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 28. É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de
admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.

• STF-Súmula nº667. Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada
sem limite sobre o valor da causa.

• STF -Súmula n!! 684. É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso
públ ico.

• STJ -Súmula n!! 202. A impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona
à interposição de recurso.

• STJ -Súmula n!! 481. Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos
que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais.

3. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/727 -ARE-RG 738.109-RS. Rei, Min. Teori Zavascki


Processual civil e constitucional. Recurso extraordinário com agravo. Suspensão de ação individual
em razão de ajuizamento de ação civil pública com a mesma fina lidade. Matéria infraconstitucional.
Ausência de repercussão geral (art. 543-A do CPC). 1. A controvérsia a respeito da viabilidade da
suspensão de ação individual, por força de propositura de ação coletiva é de natureza infraconstitu-
cional não havendo, portanto, matéria constitucional a ser analisada. 2. Não há violação ao art. 5!!,
XXXV, da CF, por suposta omissão não sanada pelo acórdão recorrido ante o entendimento da Corte
que exige, tão somente, sua fundamentação, ainda que sucinta, nem aos seus incisos 11, XXXVI, LIV e
LV, em razão de necessidade de revisão de interpretação de norma infraconstitucional. 3. A matéria
infraconstitucional util izada como razão de decidir pelo acórdão recorrid o tendo sido confirmada,
definitivamente, pelo STJ, torna-se imutável e, sen do suficiente para sua manutenção, faz incidir o
óbice da Súm. 283/STF. 4. Norma definidora de princípios fundantes da República, por ser disposição
demasiado genérica, é insuficiente para infirmar o juízo formu lado pelo acórdão recorrido. 5. É cabí-
vel a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral quando não há matéria
constitucional a ser apreciada ou quando eventual ofensa à CF se dê de forma indireta ou reflexa. 6.
Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543-A do CPC.

• Direito processual civil. Competência. Antecipação dos efeitos da tutela. Ato praticado pela admi-
nistração judiciária com base em decisão do CJF. Servidores públicos federais do Poder Judiciário.
Não usurpa a competência do STJ a decisão de juiz de primeira instância que, antecipando os efeitos
de tutela jurisdicional requerida no bojo de ação ordinária, suspende ato praticado não pelo CJF,
mas pela Administração Judiciária com base em decisão do CJF e relacionado não a juízes federais,
mas a servidores públicos federais do Poder Judiciário. A Corte Especial, na Rei 1526, já decidiu que
os atos praticados pelo Conselho da Justiça Federal {CJF) no exercício de sua competência não podem
ser suspensos por antecipação de tutela deferida em ação ord inária por juiz de primeiro grau, sob
pena de subversão ao sistema de controle administrativo, que passaria a ser supervisionado pelos
próprios destinatários, ma lferindo a disciplina do art. li'!, § li'!, da Lei 8.437/92. A mesma restrição,
contudo, não pode ser estendida à hipótese em que o j uízo de primeiro grau suspenda, em sede de
antecipação dos efeitos da tutela, ato praticado não pelo CJF, mas pela Administração Judiciária com
base em decisão do CJF. A circunstância de a matéria em debate ter sido examinada e disciplinada,
de alguma forma, pelo CJF não transforma, por si só, o STJ em único órgão jurisdicional competente
para a apreciação da causa a ser julgada exclusivamente em sede de mandado de segurança, sob

88
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

pena de impedir que o jurisdicionado escolha meio processual que entenda mais adequado, de acordo
com as matérias de fato e de direito deduzidas, em que haja, inclusive, se for o caso, fase probató•
ria. Ademais, restringir a competência apenas ao STJ resultaria em evidente cerceamento ao direito
constitucional de ação ante a dificuldade imposta para o seu exercício, infringindo, em seu alcance,
a garantia inscrita no art. 52, XXXV, da CF. Além disso, a suspensão por juízo de primeira instância
em sede de antecipação dos efeitos da tutela de ato que beneficie a magistratura federal, como
ocorreu no caso julgado na mencionada Rei 1526, subverteria o sistema de controle administrativo,
o que não acontece na hipótese em que o ato suspendido tenha como beneficiários não magistrados,
mas servidores públicos federais do Poder Judiciário. Rei 4.209, rei. Min. João Otávio de Noronha, j.
7.11.2012. Corte Especial. {lnfo 508)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe - Analista Judiciário -Área Administrativa - TRT 10/2013 - Adaptada) Julgue os itens sub-
secutivos, a respeito de direitos e garantias fundamentais : Estará em conformidade com a CF lei que
condicione o acesso ao Poder Judiciário ao esgotamento das vias administrativas, pois a CF autorizou
a existência da jurisdição condicionada ou instância administrativa de cunho forçado.

02. (FCC - Técnico Judiciário - Administrativa - TRT 1/2013) Dentre os direitos assegurados na Consti·
tuição Federal que regem os processos judiciais está o direito
a) à inafastabilidade do controle j urisdicional de lesão ou ameaça a direito.
b) de a parte formular pedido e deduzir defesa independentemente de constituir advogado.
c) à produção de quaisquer provas, em qualquer tem po e procedimento, ainda que obtidas por meios
ilícit os, em decorrência do princípio constitucional da ampla defesa.
d) de deduzir pedido e apresentar defesa, por via oral, independentemente do tipo de procedimento
aplicado ao caso.
e) a juízo ou tribunal de exceção.

03. (ESAF. AGU. Procurador da Fazenda Nacional. 2015) Como resposta ao 11 de setembro, o governo dos
Estados Un idos lançou ampla ofensiva contra o terrorismo, denominada de "Guerra ao Terror". Vários
acusados de práticas terroristas ou de apoio foram presos e levados à prisão de Guantánamo Bay,
em Cuba . Durante largo espaço de tempo, a condição desses prisioneiros, nacionais ou estrangeiros,
restou legalmente indefinida até que a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que eles poderiam
impetrar habeas corpus e impugnar judicialmente os motivos para a prisão, ainda que alguns deles
não possuíssem nacionalidade norte-americana. A Constituição Federal de 1988 se ocupa do tema,
dispondo em alguns momentos sobre guerra e estabelecendo consequências. Tomando-se por base
o direito constitucional brasileiro, é correto afirmar que
a) em caso de guerra somente o Supremo Tribunal Federal retém competência constitucional para julgar
ações contra lesão a direito
b) na hipótese de estado de beligerância, a competência originária para dirimir conflitos surgidos em
razão desse estado é do Tribunal Regional Federal que tiver jurisdição sobre o órgão militar que tomou
a decisão
c) na hipótese de lesão a direito individual praticado por ato administrativo de autoridade militar, o juiz
natural é o Tribunal Superior Militar, ainda que se trate de lesão a direito de civil
d) a Constituição Federal de 1988 autoriza, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a criação
de Tribunal específico, formado por civis e militares na ativa em posição equiparada ao generalato, com
jurisdição para tratar, entre outros temas, de lesão a direito individual ou coletivo, em caso de guerra
e) o princípio da inafastabilidade da apreciação pelo Judiciário de lesã o ou ameaça a direito autoriza
que, mesmo em caso de guerra, o Judiciário mantenha sua jurisdição

ml o1 E 1 02 A 1 03 E

89
TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;

l. BREVES COMENTÁRIOS
Consagrado na grande maioria dos ordenamentos jurídicos modernos com a finalidade
de resguardar a incolumidade de situações definitivameme consolidadas de modo a preservar
a segurança jurídica, o princípio da não retroatividade sempre esteve presente em nossos
textos constitucionais, com exceção da "Constituição polaca" de 1937.
Tecnicamente, a formulação deste princípio consagra a proteção da clássica trilogia:
direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada. A previsão de não retroatividade na
Constituição da República (CF, art. 5°, XXXVI) e na Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (DL 4 .657/1942, art. 6°) produz consequências distintas. Quando prevista apenas
na lei, impede a interpretação com efeitos retro-operantes, mas não se dirige com caráter
obrigatório ao legislador. Consagrado na Constituição, vincula o intérprete e impede, como
regra geral, a elaboração de leis com efeitos retroativos.
Dentre as hipóteses de leis que podem atingir no presente os efeitos de atos praticados
no passado, encontram-se as leis penais, quando mais benéficas para o réu (CF, an. 5°, XL)
e as leis interpretativas.
Por ser objetivo do princípio da não retroatividade a proteção do indivíduo em face do Estado,
são admitidas normas com efeitos retroativos em benefício do particular (STF - RE 184.099/DF).
No tocante ao direito adquirido, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que:
I - não cabe sua alegação contra a mudança de regime jurídico;

II - a irredutibilidade de vencimentos é uma "modalidade qualificada" de direito


adquirido;

III - o princípio da irretroatividade das leis não pode ser invocado pelo ente estatal
que a editou (STF - Súmula 654);

V - "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que
os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo
de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada,
em rodos os casos, a apreciação judicial" (STF - Súmula 473).

Os direitos adquiridos não podem ser invocados em face de uma nova constituição, salvo
quando esta expressamente os resguardar (STF -ADI 248/RJ). De acordo com o entendi-
mento majoritário, o poder constituinte originário não encontra limitações no plano jurídico.
Os dispositivos de uma nova Constituição se aplicam imediatamente, alcançando os
"efeitos futuros de fatos passados" (retr·oatividade mínima). Para desconstituírem "fatos
consumados no passado" (retroatividade máxima) ou mesmo "prestações anteriormente
vencidas e não pagas" (retroatividade média), é necessária declaração constitucional ex-
pressa neste sentido.
Em relação à observância de direitos adquiridos por emendas constitucionais (CF, art. 60,
§ 4°, IV), o posicionamento majoritário na doutrina é no sentido de que o direito adquirido
pode ser alegado em face de uma norma constitucional feita por emenda. Trata-se, portanto,
90
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

de uma limitação material imposta não apenas ao legislador ordinário, mas também ao poder
reformador. Em período anterior à Constituição de 1988, o STF adotava o posicionamento
no sentido de que a vedação era dirigida apenas ao legislador infraconstitucional. Nos últimos
anos, todavia, a maioria dos Ministros da Corte tem se manifestado no sentido de que o
respeito aos direitos adquiridos se impõe também ao legislador constituinte derivado (ADis
3.133/DF, 3.143/DF e 3.184/DF; ADis 2.356-MC e 2.362-MC).
Ato jurídico perfeito é o que reuniu todos os elementos necessários a sua formação,
encontrando-se apto a produzir seus efeitos. Não precisa estar exaurido, basta estar consumado.
O respeito ao ato jurídico perfeito impõe-se a todas as espécies de atos normativos e de leis,
inclusive às de ordem pública.
A coisa julgada deve ser entendida não como um efeito da sentença, mas como uma
especial qualidade que imuniza os efeitos substanciais desta visando garantir a estabilidade da
tutela jurisdicional. Em virtude da ausência de qualquer distinção em nível constitucional, a
proteção dada pela Lei Maior engloba a coisa julgada material e a formal, não se estendendo,
todavia, à denominada coisa julgada administrativa (STF - RE 144.996). A coisa julgada
formal produz apenas efeitos endoprocessuais, tornando a sentença insusceptível de reexame
e imutável dentro do mesmo processo. É pressuposto da coisa julgada material, que torna
imutáveis os efeitos produzidos pela sentença no mesmo ou em qualquer outro processo
(CINTRA et alii, 1995).
No tocante à coisa julgada inconstitucional, mesmo antes da previsão pelo Novo
Código de Processo Civil, 11 já se admitia o cabimento de ação rescisória para desconstituir
decisão transitada em julgado, quando baseada em interpretação constitucional diversa da
fixada pelo Supremo Tribunal Federal, sob o fundamento de que a manutenção de soluções
divergentes enfraquece a força normativa da constituição e contraria o princípio da máxima
efetividade (RE 328.812 AgR). O Tribunal faz um distinguishing em relação ao contido no
Verbete nº 343, aplicável apenas à divergência quanto à interpretação de textos legais, não
de enunciados constitucionais.
Permanece válido o entendimento de que quando a decisão judicial transitada em jul-
gado estiver em harmonia com a jurisprudência do Supremo à época, posterior mudança de
entendimento não autoriza o ajuizamento de ação rescisória. A nosso ver, a previsão contida
no artigo 525, § 15 do Código de Processo Civil não afastou a tese fixada na Sessão Ad-
ministrativa realizada após o julgamento do Recurso Extraordinário nº 590.809/RS: "Não
cabe ação rescisória quando o julgado estiver em harmonia com o entendimento firmado pelo
Plenário do Supremo à época da formalização do acórdão rescindendo, ainda que ocorra posterior
superação do precedente."

11. CPC/2015, art. 525, § 12. Para efeito do disposto no inciso Ili do§ l Qdeste artigo, considera-se também inexigível
a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional
pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em apl icação ou interpretação da lei ou do ato normativo t ido pelo
Supremo Tribunal Federa l como incomp atível com a Constituição Federal, em co ntrole de co nstitucionalidade
concentrado ou difuso. [... ] § 14. A decisão do Supremo Tribunal Federal referi da no § 12 deve ser anterior ao
trânsito em julgado da decisão exequenda; § 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em
julgado da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão
proferida pelo Supremo Trib unal Federal.

91
Arl. 5° TÍTULO li - OOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante nº 01. Ofende a garantia constitucional do ato jurídico pe rfeito a decisão
que, sem ponderar as circu nstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo
constante de termo de adesão instituído pe la Lei Complementar 110/2001.

• STF -Súmula vinculante nº 9. O disposto no artigo 127 da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal)
foi recebido pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no
caput do artigo 58.

• STF-Súmula nº 473. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá- los, por motivo de conveni ência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação j udicial

• STF-Súmula nº 654. A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. Sº, XXXVI, da Constituição
da República, não é invocável pela entidade estatal que a ten ha editado.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA
• Direito processual civil. Ação rescisória. Valor dos honorários advocatícios. Não cabe ação resci-
sória para discutir a irrisoriedade ou a exorbitância de verba honorária. Apesar de ser permitido
o conhecimento de recurso especial para discutir o "quantum" fixado a título de verba honorária
quando exorbitante ou irrisório, na ação rescisória essa excepcionalidade não é possível já que nem
mesmo a injustiça manifesta pode ensejá-la se não houver violação ao direito objetivo. Interpretação
que prestigia o carát er excepcionalíssimo da ação resci sória e os valores constitucionais a que visa
proteger (efetividade da prestação jurisdicional, segurança ju rídica e estabilidade da coisa julgada -
art. Sº, XXXVI, da CF). REsp 1.217.321, rei. p/ac. Min. Campbell Marques, j. 18.10.2012. 2~ T. (lnfo 509)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (FGV. DPE-RO. Analista Jurídico. 2015) Pedro e Ernesto, renomados advogados, tra varam um intenso
debate a respeito das garantias constitucionais do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. Por fim,
convergiram a respeito da constituciona lidade de uma única tese, dentre as inúmeras que haviam
sido debatidas, qua l seja
a) no momento em que o servidor público toma posse no cargo, surge o direito adquirido ao regime
juríd ico então vigente, de modo que as alterações posteriores não podem alcançá-lo
b) a ordem de vocação hereditária deve observar as normas vigent es à época da abertura do inventário,
não podendo ser invocada a lei anterior, vigente à época do óbito
c) a garantia do direito adquirido, enquanto projeção direta da dignidade humana, é oponível ao próprio
Constituinte originário
d) o preenchimento dos requisitos para a aposentadoria faz surgir o direito adquirido, ainda que o re-
querimento seja formu lado após a vigência da lei que os modificou
e) os efei tos futuros de contrato celebrado sob a égide da lei anterior devem ser regidos pela lei vigente
à época em que se projetem na realidade

02. (CESPE. FUB. Assistente em Administração. 2015) O direito à razoável duração do processo deve
observar tanto a segurança jurídica quanto o direito de acesso à jurisdição efetiva, prevenindo, com
isso, que, a pretexto de maior celeridade, seja inviabilizada a tutela jurisdicional do direito material

03. (CESPE. TCU. Procurador do Ministério Público. 2015) Acerca da jurisprudência do STF relativa ao
direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada, assinale a opção correta
a) Sob o pretexto de que as normas que tratam de regi me monetário têm natureza institucional e es-
tatutária, não é possível admitir a incidência imediata de novo índice de correção monetária sobre
contratos ainda em curso, visto que estes estão protegidos pela cláusula do ato jurídico perfeito

92
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

b) Reconhecido ao servidor público, por sentença judicial, determinado percentual de acréscimo remu -
nerató rio, ta l decisão deixará de ter eficácia a partir do momento em que o referido percentual vier
a ser incorporado definitivamente aos seus ganhos por reajuste posterior
c) Se for comprovada a existência de controvérsia jud icial relevante sobre a aplicação de preceito fun -
damenta l que se considere vio lad o, o STF poderá, no j ulgamento de arguição de descumprimento de
preceito fundamental , determinar que juízes e t ribunais suspendam os efeitos de dec isões jud iciais,
ou de qualquer outra medida que apresente relaçã o com a matéria objeto da arguição, mesmo que
decorrentes da coisa julgada
d) Não existe direito adquirido em face da CF, nem mesmo diante de norma constitucio nal de rivada
e) Como consequência do postula do de que "não existe direito adqu irido a regime jurídico", o servidor
público deve suportar a mudança de determinada fó rmula de composição remuneratória que levar
à redu ção da sua re muneração total

04. (FCC. TJ-PE. Juiz de Direito. 2015) Considere as segu intes assertivas:
1. A edição de novo diploma legal que determine a redução dos valores das indenizações a sere m pagas
a título de seguro obrigatório por danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre
(Seguro DPVAT) apresenta vício de inconstitucionalidade material, pois afronta a proteção constitu-
cional ao direito ad quiri do e o princípio da proibição de retrocesso social.
li. Ainda que preceito norm ativo introd uzido por Emenda Constituciona l dete rmine, a propósito, a
aplicação do regime geral da previdência social, os servidores públicos que, após a sua promulgação,
continuem a exercer exclusivamente cargo comissionado seguem submetidos ao regime de previdên-
cia dos servidores públicos t itulares de ca rgo efetivo, em face da proteção constitu cio nal ao direito
adquirido.
Il i. Não ofende a proteçã o constitucional ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito a desconstituição
de penhora regularm ente efetivada em razão da superveniência do preceito constituci onal que garante
a impenhorabilidade da peque na propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família.
IV. Não ofende a proteção constitucional ao direito ad quirido e ao ato ju rídico perfeito a desconstitui-
ção de penhora regularmente efetivada em razão da superveniência do diploma legal que garante a
impenhorab ilidade dos imóveis residencia is juridicamente qualificados como bem de família.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) 1 e li
b)
c) 1e IV
d) li e Ili
e) 111 e IV

QJ,j 01 D 02 C 03 B 04 E

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;

1. BREVES COMENTÁRIOS

Este dispositivo consagra o princípio do juiz natural que, em seu aspecto substantivo,
não se satisfaz apenas com o juízo competente e objetivamente capaz: exige imparcialidade
e independência dos magistrados (DIDIER JR., 2007). Nas palavras de Renato Brasileiro
de Lima (2009), este princípio "deve ser compreendido como o direito que cada cidadão
tem de saber, previamente, a autoridade que irá processar e julgá-lo caso venha a praticar
uma conduta definida como infração penal pelo ordenamento jurídico.Juiz natural, ou juiz
93
Art. 5° TÍTULO ll - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

legal, dentre outras denominações, é aquele constituído antes do fato delituoso a ser julgado,
mediante regras taxativas de competência estabelecidas pela lei."
Tribunal de exceção é aquele constituído para o julgamento de um determinado fato.
A definição do juízo competente deve ser feita previamente, por meio de normas gerais e
abstratas, com base em critérios impessoais e objetivos. Não se admite a designação de um
juízo ex post facto ou ad personam (juízos ad hoc).
A criação de varas especializadas, a competência determinada por prerrogativa de função
(STF - Súmula 704), a instituição de câmaras de férias em tribunais e as hipóteses de desa-
foramento previstas no Código de Processo Penal não caracterizam uma ofensa ao princípio
do juiz natural, tendo em vista que em todas as situações as regras são gerais, abstratas e
impessoais.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FGV.OAB.XXIV Exame de Ordem.2017) Atos generalizados de violência e vandalismo foram praticados
nas capitais de alguns estados do país, com ações orquestradas pelo crime organizado. Identificados
e presos alguns dos líderes desses movimentos, numerosos políticos, com apoio popular, propuseram
a criação, pela forma juridicamente correta, de um juízo especial para apreciação desses fatos, em
caráter temporário, a fim de que o julgamento dos líderes presos se reve le exemplar. Ao submeterem
essa ideia a um advogado constitucionalista, este afirma que, segundo a ordem jurídico-constitucional
brasileira, a criação de tal juízo
A) é constitucional, pois o apoio popular tem o condão de legitimar a atuação do poder público, ainda
que esta seja contrária ao ordenamento jurídico vigente.
B) é inconstitucional, em razão de vedação expressa da Constituição da República de 1988 à criação de
juízo ou tribunal de exceção.
C) necessita de previsão legislativa ordinária, já que a criação de juízos é competência do Poder Legis-
lativo, após iniciativa do Poder Judiciário.
D) pressupõe a necessária alteração da Constituição da República de 1988, por via de emenda, de maneira
a suprimir a vedação ali existente.

01 B

XXXVII I - é reconhec ida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:

a) a plenitude de defesa;

b) o sigi lo das votações;

c) a soberania dos veredictos;

d} a competência para o julgamento dos crimes dolosos co ntra a vida;

1. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• Súmula vinculante n!! 45: "A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro
por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual".

• STF -Súmula n!! 721. A competência constitucional do tribunal do jú ri prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual.
94
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

2. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• HC 107.457-MT. Rei. Min. Cármen Lúcia. "Habeas corpus". Constitucional e processual penal. Pro-
núncia. Anulação. Recurso em sentido estrito interposto pelo corréu. Comunicabilidade dos efeitos.
Absolvição no julgamento popular. Ape lação interposta pelo Ministério Público e pela defesa. "Re-
formatio in pejus". lnocorrência. Competência "ratione materiae". Questão de ordem pública. Possi-
bilidade de re conhecimento a qualquer momento. Procedimento do tribunal do júri. Especificidade.
1. A anulação da decisão de pronúncia impede a validação dos atos subsequentes, inclusive aqueles
desenvolvidos no Tribunal do Júri. 2. A decisão proferida por juiz absolutamente incompetente não
produz efeitos e, por conseguinte, não demarca nem vincula a atuação daquele indicado para fazê -lo.
3. A competência penal em razão da matéria insere-se no rol de questões de ordem pública, podendo
ser alegada ou reconhec ida a qualquer momento. 4. O procedimento do tribunal do júri possui regra s
próprias, de modo que a aplicação das normas gerais sujeita-se à constatação de inexistirem dispo-
sitivos específicos regu lando o assunto. 5. A conexão e a continência importam unidade de processo
e de julgamento, pelo que, não havendo conexão ou continência entre os crimes dolosos contra a
vida e os outros ilícitos de jurisdição federal, o júri organizado na instância federal comum não tem
competência para apreciar os primeiros, que são conduzidos na esfera estadual, nem tampouco os
demais ilícitos (descaminho e formação de quadrilha armada}, porque são afetos ao juiz singular fede-
ral. 6. O Tribunal do Júri é um órgão complexo, notabilizado pela sua heterogeneidade (juiz togado e
leigos), sendo que a realização de suas atividades não se resume à atuação dos jurados, pelo que, não
tendo competência o ju iz federal para organizar e conduzir o tribunal do júri, não pode ser validada
a decisão do colegiado popular. 7. Ordem denegada. (lnfo 685)

• Nulidade. Júri. Ausência de defesa. "ln casu", o paciente foi condenado à pena de 14 anos de reclusão,
como incurso no art. 121, § 22, 1e IV, do CP. Sustenta-se a nulidade do processo por ausência de defesa
técnica efetiva, pois o patrono do paciente, na sessão plenária do júri, teria utilizado apenas quatro
minutos para proferir sua sustentação oral. Invoca a aplicação da Súm. 523/STF, asseverando que,
após a sustentação proferida, deveria ter a magistrada declarado o réu indefeso, dissolvendo o conse-
lho de sentença e preserva ndo, assim, o princípio do devido processo legal. O min . rei. observou que
a matéria objeto da impetração não foi suscitada e debatida previamente pelo tribunal "a quo", raz ão
pela qual o "habeas corpus" não deve ser conhecido, sob pena de supressão de instância . Contudo,
entendeu a existência de ilegalidade flagrante, visto que emerge dos autos que a atuação do defensor
do paciente, na sessão de julgamento do tribunal do júri, não ca racterizou a insuficiência de defesa,
mas a sua ausência . Como se verificou, o defensor dativo utilizou apenas quatro minutos para fazer
toda a defesa do paciente. É certo que a lei processual penal não estipu la um tem po mínimo que deve
ser utilizado pela defesa quando do julgamento do júri. Contudo, não se consegue ver razoabilidade
no prazo utilizado no caso concreto, por mais sintética que tenha sido a linha de ra ciocínio utilizado.
O art. 5!!, XXXVIII, da CF assegura a plenitude de defesa nos julgamentos realizados pelo tribunal
do júri. Na mesma linha, o art. 497, V, do CPP estatui ser atribuição do juiz presidente do tribunal
do júri nomear defensor ao acusado, quando considerá-lo indefeso, podendo, neste caso dissolver
o conselho e designar novo dia para o julgamento, com a nomeação ou a constituição de novo
defensor. Cabia, portanto, a intervenção do juiz presidente, a fim de garantir o cumprimento da
norma constitucional que garante aos acusados a plenitude de defesa, impondo-se que esta tenha
caráter material, não apenas formal. Diante dessa e de outras considerações, a Turma con cedeu a
ordem de ofício, para anular o processo desde o ju lgamento pelo tribunal do júri e determinar outro
seja realizado e ainda o direito de responder ao processo em liberdade, até decisão fina l transitada
em julgado, salvo a superveniência de fatos novos e concretos que justifiquem a decretação de nova
custódia. HC 234.758, rei. Min. Sebastião Reis Jr., j. 19.6.2012. Sf! T. {lnfo 500)

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. SEGEP-MA. Procurador do Estado. 2016) Deputado Estadua l de certo Estado é suspeito da
prática de homicídio doloso, com etido após a diplomação. A Constituição desse Estado prevê ser o
95
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

Órgão Especial do Tribunal de Justiça competente para julgar, originariamente, os Deputados Estaduais
pela prática de crimes comuns. Na hipótese de o Deputado vir a ser denunciado pe lo cometimento
do crime, será competente para julgá-lo o
A) Órgão Especial do Tribunal de Justiça, cuja competência, nesse caso, prevale ce sobre a competência
genérica do Tribunal do Júri, podendo a Assembleia Legislativa susta r o andamento do processo, ta l
como previsto pela Constituição Federal em favor dos Deputados Federais
B) Tribunal do Júri, cuja competência, nesse caso, prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecido pela Constituição Estadual, não podendo a Assembleia Legislativa sustar o andamento
do processo, já que aos Deputados Estaduais não se aplicam as imunidades processuais previstas na
Constituição Federal em favor dos Deputados Federa is
C) Tribunal do Júri, cuja competência, nesse caso, prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecido pela Constitu ição Estadual, não podendo a Assemble ia Legislativa sustar o andamento
do processo, já que aos Deputados Estaduais não se aplicam as imunida des materiais previstas pela
Constituição Federal em favor dos Deputados Federa is
D) Tribunal do Júri, cuja competência, nesse caso, prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecido pela Constituição Estadual, podendo a Assembleia Legislativa sustar o andamento do
processo, tal como previsto pela Constituição Federal em favor dos Deputados Federais
E) Órgão Especial do Tribunal de Justiça, cuja competência, nesse caso, preva lece sobre a competência
genérica do Tribunal do Júri, não podendo a Assembleia Legislativa sustar o andamento do processo,
já que aos Deputados Estaduais não se aplicam as imunidades processuais previ stas pela Constituição
Federa l em favor dos Deputados Federais

02. (IDECAN.SEJUC-RN.Agente Penitenciário.2017) A Constituição da República reco nhece a institu ição


do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados, EXCETO
A) Sigilo das votações .
B) Plenitude de defesa.
C) Soberania dos veredictos.
D) Participação de parentes do réu.

ffl 01 C 02 D 1

XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL- a le i penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;

1. INFORMATNO DE JURISPRUDÊNCIA

• Organização criminosa e enquadramento legal-4. Em seguida, aduziu-se que o crime previsto na Lei
9.613/98 dependeria do enquadramento das condutas especificadas no art. 1º em um dos seus incs. e
que, nos autos, a denúncia aludiria a delito cometi do por organização criminosa (VII). Mencionou-se
que o parquet, a partir da perspectiva de haver a defin ição desse crime mediante o acatamento à
citada Convenção das Nações Unidas, afirmara estar compreendida a espécie na autorização nor-
mativa. Tendo isso em conta, entendeu-se que a assertiva mostrar-se-ia discrepante da premissa
de não existir crime sem lei ant erior que o definisse, nem pena sem prévia cominação lega l (CF, art.
5º, XXXIX). Asseverou-se que, ademais, a melhor doutrina defenderia que a ordem jurídica brasileira
ainda não contemplaria previsão normativa suficiente a concluir-se pela existência do crime de or-
ganização criminosa. Realçou-se que, no rol taxativo do art. 1º da Lei 9.613/98, não constaria sequer
menção ao delito de quadrilha, muito menos ao de estelionato -também narrados na exordia l. Assim,
arrematou-se que se estaria potencializando a referida Convenção para se pretender a persecução
penal no tocante à lavagem ou ocultação de bens sem se ter o del ito antecedente passível de vir a
96
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

ser empolgado para tanto, o qual necessitaria da edição de lei em sentido formal e material. Esten-
deu-se, por fim, a ordem aos corréus. HC 96007, rei. Min. Marco Aurélio, 12.6.2012. li! T. (lnfo 670)

• Direito penal. Cola eletrônica. Atípicidade da conduta. A "cola eletrônica", antes do advento da Lei
12.550/11, era uma conduta atípica, não configurando o crime de estelionato. Fraudar concurso
público ou vestibular através de cola eletrônica não se enquadra na conduta do art. 171 do CP (cri-
me de estelionato), pois não há como definir se esta conduta seria apta a significar algum prejuízo
de ordem patrimonial, nem reconhecer quem teria suportado o revés. Assim, caso ocorresse uma
aprovação mediante a fraude, os únicos prejudicados seriam os demais candidatos ao cargo, já que a
remuneração é devida pelo efetivo exercício da função, ou seja, trata-se de uma contraprestação pela
mão de obra empregada, não se podendo falar em prejuízo patrimonial para a administração pública
ou para a organizadora do certame. Ademais, não é permitido o emprego da analogia para ampliar o
âmbito de incidência da norma incriminadora; pois, conforme o princípio da legalidade estrita, previsto
no art. Sº, XXXIX, da CF e art. 1º do CP, a tutela penal se limita apenas àquelas condutas previamente
definidas em lei. Por fim, ressalta-se que a Lei 12.550/11 acrescentou ao CP uma nova figura típica
com o fim de punir quem util iza ou divulga informação sigilosa para lograr aprovação em concurso
público. HC 245.039, rei. Min. Marco A. Bellizze, j. 9.10.2012. Si! T. (lnfo 506)

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (FCC. PC-AP. Agente da Polícia Civil.2017) A Constituição Federal de 1988, ao tratar dos direitos e
deveres individuais e coletivos
A) assegura-os aos brasileiros residentes no país, mas não aos estrangeiros em trânsito pelo território
nacional, cujos direitos são regidos pelas normas de direito internacional.
B) prescreve que a natureza do delito praticado não pode ser critério para determinar o estabelecimento
em que a pena correspondente será cumprida pelo réu.
C) atribui ao júri a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, assegurando a
plenitude de defesa, a publicidade das votações e a soberania dos veredictos.
D) excepciona o princípio da irretroatividade da lei penal ao permitir que a lei seja aplicada aos crimes
cometidos anteriormente a sua entrada em vigência, quando for mais benéfica ao réu, regra essa que
incide, inclusive, quando se tratar de crime hediondo.
E) determina que a prática de crime hediondo constitui crime inafiançável e imprescritível.

Bh 01 D

XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;

XLII - a prática do racismo constitu i crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de


reclusão, nos termos da lei;
XLlll-a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura,
o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

1. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• HC 106.163-RJ. Rei. Min. Gilmar Mende. "Habeas corpus". Porte ilegal de arma de fogo desmuniciada.
(A)tipicidade da conduta. Controle de constitucionalidade das leis penais. Mandatos constitucionais
de criminalização e modelo exigente de controle de constitucionalidade das leis em matéria penal.
Crimes de perigo abstrato em face do princípio da proporciona lidade. Legitimidade da criminalização
do porte de arma desmuniciada. Ordem denegada . 1. Controle de constitucionalidade das leis penais.
1.1. Mandatos Constitucionais de Criminalização: A CF contém significativo elenco de normas que, em

97
Ar!. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

princípio, não outorgam direitos, mas que, antes, determinam a criminalização de condutas (CF, art. SQ,
XLI, XLII, XLIII, XLIV; art. 7Q, X; art. 227, § 4Q). Em todas essas normas, é possível identificar um mandato
de criminalização expresso, tendo em vista os bens e valores envolvidos. Os direitos fundamentais não
podem ser considerados apenas como proibições de intervenção ("Eingriffsverbote"), expressando
também um postulado de proteção ("Schutzgebote" ). Pode-se dizer que os direitos fundamentais
expressam, não apenas uma proibição do excesso ("Ubermassverbote"), como também podem ser
traduzidos em proibições de proteção insuficiente ou imperativos de tutela ("Untermassverbote") .
Os mandatos constitucionais de criminalização, portanto, impõem ao legislador, para seu devido
cumprimento, o dever de observância do princípio da proporcionalidade como proibição de excesso
e proibição de proteção insuficiente. 1.2. Modelo exigente de controle de constitucionalidade das leis
em matéria penal, baseado em níveis de intensidade: Podem ser distinguidos 3 (três) níveis ou graus
de intensidade do controle de constitucionalidade de leis penais, consoante as diretrizes elaboradas
pela doutrina e jurisprudência constitucional alemã: a) controle de evidência ("Evidenzkontrolle");
b) controle de sustentabilidade ou justificabilidade ("Vertretbarkeitskontrolle"); c) controle material
de intensidade ("intensivierten inhaltlichen Kontrolle"). O Tribunal deve sempre levar em conta que
a Constituição confere ao legislador amplas margens de ação para eleger os bens jurídicos penais e
avaliar as medidas adequadas e necessárias para efetiva proteção desses bens. Porém, uma vez que
se ateste que as medidas legislativas adotadas transbordam os limites impostos pela Constituição-o
que poderá ser verificado com base no princípio da proporcionalidade como proibição de excesso
("Ubermassverbot") e como proibição de proteção deficiente ("Untermassverbot")-, deverá o Tribunal
exercer rígido controle sobre a atividade legislativa, declarando a inconstitucionalidade de leis pena is
transgressoras de princípios constitucionais. 2. Crimes de perigo abstrato. Porte de arma . Princípio
da proporcionalidade. A Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento) tipifica o porte de arma como
crime de perigo abstrato. De acordo com a Lei, constituem crimes as meras condutas de possuir,
deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, emprestar, remeter,
empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo. Nessa espécie de delito, o legislador penal
não toma como pressuposto da criminalização a lesão ou o perigo de lesão concreta a determinado
bem jurídico. Baseado em dados empíricos, seleciona grupos ou classes de ações que geralmente
levam indesejado perigo ao bem jurídico. A criação de crimes de perigo abstrato não representa, por
si só, comportamento inconstitucional por parte do legislador penal. A tipificação de condutas que
geram perigo em abstrato, muitas vezes, acaba sendo a melhor alternativa ou a medida mais eficaz
para proteção de bens jurídico-penais supraindividuais ou de caráter coletivo, como, por exemplo,
ambiente, saúde etc. Portanto, pode o legislador, dentro de suas amplas margens de avaliação e de-
cisão, definir quais as medidas mais adequadas e necessárias à efetiva proteção de determinado bem
jurídico, o que lhe permite escolher espécies de tipificação próprias de um direito penal preventivo.
Apenas a atividade legislativa que, nessa hipótese, transborde os limites da proporcionalidade, poderá
ser tachada de inconstitucional. 3. Legitimidade da criminalização do porte de arma . Há, no contexto
empírico legitimador da veiculação da norma, aparente lesividade da conduta, porquanto se tutela
a segurança pública (art. 6º e 144, CF) e, indiretamente, vida, liberdade, integridade física e psíquica
do indivíduo etc. Há inequívoco interesse público e social na proscrição da conduta. É que a arma de
fogo, diferentemente de outros objetos e artefatos (faca, vidro etc.) tem, inerente à sua natureza, a
característica da lesividade. A danosidade é intrínseca ao objeto. A questão, portanto, de possíveis
injustiças pontuais, de absoluta ausência de significado lesivo deve ser aferida concretamente e não
em linha diretiva de ilegitimidade normativa. 4 . Ordem denegada. (lnfo 679)

• Lei 8.072/90 e regime inicial de cumprimento de pena - 3. Ressaltou que a Corte, ao analisar o HC
97256, declarara "incidenter tantum" a inconstitucionalidade dos arts. 33, § 4Q, e 44, caput, da Lei
11.343/06, na parte em que vedada a substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos em condenação pelo delito de tráfico. Ponderou que a negativa de substituição, naquele
caso, calcara -se exclusivamente na proibição legal contida no referido art. 44, sem qualquer menção
às condições pessoais do paciente, o que não seria possível. Afirmou que o legislador facultaria a
possibilidade de substituição com base em critérios objetivos e subjetivos, e não em função do tipo
penal. Ressaltou que se a Constituição quisesse permitir à lei essa proibição com base no crime em

98
H•i/~i•ii•!IW•••Dilã41i:l!iüiã iãihiiMl11 1:j;M111i)IPM:1
1 1 Ar!. 5°

abstrato, teria incluído a restrição no tópico inscrito no art. 59, XLIII, da CF. Desse modo, a convolação
de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos deveria sempre ser analisada independen-
temente da natureza da infração, mas em razão de critérios aferidos concretamente, por se tratar
de direito subjetivo garantido constitucionalmente ao indivíduo. Sublinhou que, à luz do precedente
citado, não se poderia, em idêntica hipótese de tráfico, com pena privativa de liberdade superior
a quatro anos - a impedir a possibilidade de substituição por restritiva de direitos-, sustentar a
cogência absoluta de que o cumprimento da reprimenda se desse em regime inicialmente fechado,
como preconizado pelo§ 12 do art. 22 da Lei 8.072/90. Consignou que a Constituição contemplaria
as restrições a serem impostas aos incursos em dispositivos da Lei 8.072/90, e dentre elas não se
encontraria a obrigato riedade de i mposição de regime extremo para início de cumprimento de
pena. Salientou que o art. 5º, XLIII, da CF, afastaria somente a fiança, a graça e a anistia, para, no
inciso XLVI, assegurar, de forma abrangente, a individualização da pena. HC 111840, rei. Min. Dias
Toffoli, 14.6.2012. Pleno. {lnfo 670}

• Indulto. Tráfico ilícito de drogas. É pacífico o entendimento do STJ de não ser possível o deferimento
de indulto a réu condenado por tráfico ilícito de drogas, ainda que tenha sido aplicada a causa de
diminuição de pena prevista no art. 33, § 4!!, da Lei 11.343/05, já que remanesce a tipicidade do
crime. O STF já asseverou a inconstitu ci onalidade da concessão do indulto ao condenado por tráfico
de drogas, independentemente do "quantum" da pena imposta, diante do disposto no art. Sº, XLIII,
da CF. HC 161825, rei. Min. Alderita Oliveira {des. conv. TJ-PE), j. 15.8.2012. 6~ T. (lnfo 502)

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. TRT-24. Oficial de Justiça Avaliador Federal.2017) Marinete ficou extremamente chateada
ao chegar na sua empregadora, a empresa H, para mais um dia normal de trabalho e encontrar seu
computador com uma nova tela de descanso. Esta tela possuía diversos macacos segurando placas
com dizeres racistas. Inconformada com o fato, resolveu descobrir tudo a respeito do racismo do qual
foi vítima. Assim, começando pela Constituição Federal, Marinete descobriu que a prática do racismo
A) constitui crime inafiançável e imprescritível, previsto no capítulo inerente aos direitos e deveres
individuais e coletivos.
B) constitui crime inafiançável com prazo prescricional de dez anos, previsto no capítulo inerente aos
direitos e deveres individuais e coletivos.
C) constitui crime inafiançável com prazo prescricional de vinte anos, previsto no capítulo inerente aos
direitos e deveres individuais e coletivos.
D) não está prevista na Carga Magna.
E) constitui crime imprescritível, mas afiançável mediante condições prevista no capítulo inerente aos
direitos e deveres individuais e coletivos.

02. (FCC. TRT-11. Analista Judiciário - Área Administrativa.2017) Durval foi alvo de racismo em seu
trabalho. Ao consultar a Constituição Federal, descobriu que a prática de racismo constitui crime
A) inafiançável, apenas, sujeito à pena de detenção, nos termos da lei .
B) inafiançável, apenas, suj eito à pena de reclusão, nos termos da lei.
C) imprescritível, apenas, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.
D) inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de detenção, nos termos da lei.
E) inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

03. (IDECAN. SEJUC-RN. Agente Penitenciário.2017 - ADAPTADA) A lei considerará crimes inafiançáveis
e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
99
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

04. (FAFIPA.Fundação Araucária-PR.Advogado.2017) Assinale a alternativa CORRETA nos termos do artigo


SQ da Constituição Federal sobre direitos e garantias fundamentais.
A) A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
com a única ressalva de caso de flagrante delito ou durante o dia, por determinação judicial.
B) Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de in-
teresse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, se ndo
este direito pleno, não podendo haver qualquer espécie de sigilo.
C) Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados em cada casa
do Congresso Nacional, por maioria absoluta dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais.
D) A lei considerará crimes inafiançáveis a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, o t errorismo e os definidos como crimes hediondos, sendo tais crimes prescritíveis.

AH 01 A 1 02 E 1 03 C 1 04 D

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

1. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FUNIVERSA. SAPeJUS-GO. Agente de Segurança Prisional. 2015) Caracteriza(m)-se pela imprescri-
tibilidade e pela inafiança bilidade
a) a prática de tortura .
b) a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democrático.
c) os crimes hediondos.
d) o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.
e) os crimes contra a dignidade sexual que importem em violência ou grave ameaça .

02. (CONSULPAN.Pref. de Sabará - MG.Advogado.2017) De acordo com a Constituição da República


Federativa do Brasil, constituem crimes imprescritíveis
A) O terrorismo e o racismo.
B) Os crimes hediondos, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo.
C) A tortura e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado
Democrático.
D) De racismo e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado
Democrático.

Hli 01 B 1 02 D

XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano
e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;

l. BREVES COMENTÁRIOS
Todas as constituições brasileiras, com exceção da Carta de 1937, consagraram o prin-
cípio da pessoalidade (ou personalização , ou incontagiabilidade ou intranscendência)
da pena, seguindo a tradição jurídica dos países ocidentais. A garantia constitucional prevista
100
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

no inciso XLV, do artigo 5° da Constituição de 1988, embora originariamente voltada à


contenção dos processos de criminalização (CARVALHO, 2014), tem se projetado em ou-
tras searas, sendo aplicada, inclusive, às relações entre pessoas jurídicas de direito público
(STF - ACO 1.289 AgR/AC).
A norma comida na primeira parte do dispositivo possui duas dimensões.
Em sua dimensão negativa, impede quaisquer sanções de natureza penal que extrapo-
lem o âmbiro estritamente pessoal do infrator, vedando-se, portanto, a imposição de pena
a terceiros. Nesse sentido, revela-se incompatível com a proibição de transmissibilidade da
pena decisão judicial que impõe, a título de prestação de serviços à comunidade, a doação
de sangue pelo condenado ou por outrem. Tal determinação tem a estrutura de regra, por
estabelecer um dever definitivo a ser observado na exata medida de sua prescrição. Ainda
sob o prisma negativo, proíbe a imposição de responsabilidade penal objetiva.
Em sua dimensão positiva, considerada a necessidade de definição dos limites da res-
ponsabilidade individual, impõe o dever de expor circunstanciadamente as condutas res-
ponsáveis pelo ilícito, bem como de narrar com clareza o grau de participação dos acusados
(CARVALHO, 2014).
A norma contida na segunda parte do dispositivo (CF, art. 5°, XLV) prevê a possibilidade
de a lei estender aos sucessores, até o limite do valor do patrimônio transferido, a reparação
de danos e a decretaçáo do perdimento de bens. Tais efeitos patrimoniais civis decorrentes
da condenação, transmissíveis nos termos das normas de sucessão inter vivos e causa mortis,
não se confundem com as sanções penais de natureza pecuniária (multa, perda de bens e
prestação pecuniária), as quais são personalíssimas, intransmissíveis e intranscendentes. Em
se tratando de bens transferidos em vida, o perdimento só deve ser decretado nos casos de
alienação com fraude a credores ou à execução.

2. INFORMATNO DE JURISPRUDÊNCIA
• Execução penal. Falta grave. Sanção coletiva. Por violação da determinação expressa no art. 45, § 32,
da LEP (que proíbe a aplicação de sanções coletivas) e ao art. 52, XLV, da CF (princípio da responsabi-
lidade pessoal), a Turma anulou a punição aplicada ao paciente pela prática de falta grave. No caso,
vários detentos estavam dentro de uma viatura, cujo interior foi danificado durante o transporte,
mais especificamente a tela de proteção de uma das lâmpadas do corredor direito. Questionados
sobre o responsável pelo dano, todos os presos permaneceram silentes. Com esses fatos, a Justiça
estadual entendeu que todos deveriam ser responsabilizados pelo fato ocorrido e aplicou a punição
por falta grave aos detentos transportados naquela oportunidade. Nesse contexto, a Turma anulou
a referida punição, reconhecendo que não houve a individualização da conduta a ponto de poder
atribuir ao paciente a responsabilidade pelo dano provocado na viatura. HC 177.293, rei. Min. Maria
T. A. Moura, j. 24.4.2012. 6ª T. (lnfo 496)

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (COMPERVE. MPE-RN. Técnico do Ministério Público - Área Administrativa.2017) O Estado Demo-
crático de Direito, conquista da Modernidade, traz intrínseca a ideia de direitos e garantias funda-
mentais aplicáveis a todos os indivíduos. Nesse sentido, a Constituição brasileira prevê, como direito
fundamental, que
A) nenhum brasileiro será extraditado, mesmo o naturalizado, na hipótese de crime comum, praticado
antes da naturalização.

101
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

B) a prisão civil por dívida está excluída do ordenamento jurídico.


C) nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decre-
tação do perdimento de bens ser estendida a seus sucessores.
D) a irretroatividade se aplica à seara penal, ainda que em prejuízo do réu .

02. (FCC. TRT-11. Analista Judiciário -Área Judiciária.2017) O pai de Almir, Adalberto, faleceu deixando
dívida referente à reparação de danos decorrente de condenação criminal que lhe foi imposta. Almir,
preocupado com seu patrimônio, consultou a Constituição Federal para saber se seus bens respondem
pela dívida deixada pelo seu pai e descobriu que
A) nenhuma pena passará da pessoa do condenado, não podendo a obrigação de reparar o dano ser
estendida aos sucessores e contra eles executadas, salvo nos ca sos que envolvam credores menores
de idade, situação na qual responderão o patrimônio particular e o transferido, ilimitadamente.
B) nenhuma pena passará da pessoa do condenado, não podendo a obrigação de reparar o dano ser
estendida aos sucessores e contra eles executada, pois deixa de existir com a morte do condenado.
C) a pena poderá passar da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano ser estendida
aos sucessores e contra eles executada, ilimitadamente, respondendo o seu patrimônio particular e
o patrimônio transferido.
D) a pena poderá passar da pessoa do condenado, podendo, a obrigação de reparar o dano por ele
causado, ser estendida não apenas aos sucessores, mas a todos os parentes, ilimitadamente.
E) nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano ser, nos
termos da lei, estend ida aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio
transferido.
HH 01 e 02 E

XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:


a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

l. BREVES COMENTÁRIOS
O dispositivo consagra o princípio da individualização da pena, nos termos do qual
a fixação, aplicação e execução das sanções devem ser definidas, de modo justo e propor-
cional, tendo em conta aspectos objetivos (natureza e circunstâncias do delito) e subjetivos
(características pessoais do infrator) do crime.
A aplicação do princípio ocorre em três planos distintos: legislativo, judicial e executório.
No plano legislativo, dirige-se ao legislador no momento da fixação dos limites mínimos e
máximos da pena, do regime de cumprimento e dos benefícios concedíveis ao infrator. No plano
judicial, direciona-se ao magistrado no momento da aplicação da pena in concreto, quando
deverá definir a sua quantidade conforme os parâmetros fixados por lei, o regime inicial de seu
cumprimento (aberto, semiaberto e fechado) e verificar a possibilidade de o condenado gozar
de algum tipo de benefício (e.g., substituição da pena privativa de liberdade por uma restritiva
de direitos ou suspensão condicional da pena). Por fim, no plano executório, impõe-se no
momento da execução penal quando, após o trânsito em julgado da condenação, será definido
o estabelecimento prisional do cumprimento, tendo em conta a natureza do delito, a idade e o
sexo do apenado (CF, art. 5°, XLVIII), assim como seu comportamento carcerário.
102
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

Nos termos do Enunciado nº 56 da Súmula Vinculante do Supremo, "A falta de esta-


belecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional
mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS".
No julgamento do referido Recurso Extraordinário, foram firmadas as seguintes diretrizes:
Constitucional. Direito Penal. Execução penal. Repercussão geral. Recurso ex-
traordinário representativo da controvérsia. 2. Cumprimento de pena em regime
fechado, na hipótese de inexistir vaga em estabelecimento adequado a seu regime.
Violação aos princípios da individualização da pena (art. 5°, XLVI) e da legalidade
(art. 5°, XXXIX). A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manu-
tenção do condenado em regime prisional mais gravoso. 3. Os juízes da execução
penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto e aber-
to, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos
que não se qualifiquem como "colônia agrícola, industrial" (regime semiaberto) ou
"casa de albergado ou estabelecimento adequado" (regime aberto) (are. 33, § 1°,
alíneas "b" e "c"). No entanto, não deverá haver alojamento conjunto de presos dos
regimes semiaberto e aberro com presos do regime fechado . 4. Havendo déficit de
vagas, deverão ser determinados: (i) a saída antecipada de sentenciado no regime
com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado
que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii)
o cumprimento de penas restricivas de direito e/ou escudo ao sentenciado que
progride ao regime aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas
propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado. 5. Apelo ao
legislador. A legislação sobre execução penal atende aos direitos fundamentais dos
sentenciados. No entanto, o plano legislativo está tão distante da realidade que
sua concretização é absolutamente inviável. Apelo ao legislador para que avalie
a possibilidade de reformular a execução penal e a legislação correlata, para: (i)
reformular a legislação de execução penal, adequando-a à realidade, sem abrir mão
de parâmetros rígidos de respeito aos direitos fundamentais; (ii) compatibilizar os
estabelecimentos penais à atual realidade; (iii) impedir o contingenciamento do
FUNPEN; (iv) facilitar a construção de unidades funcionalmente adequadas -
pequenas, capilarizadas; (v) permitir o aproveitamento da mão-de-obra dos presos
nas obras de civis em estabelecimentos penais; (vi) limitar o número máximo
de presos por habitante, em cada unidade da federação, e revisar a escala penal,
especialmente para o tráfico de pequenas quantidades de droga, para permitir o
planejamento da gestão da massa carcerária e a destinação dos recursos necessá-
rios e suficientes para tamo, sob pena de responsabilidade dos administradores
públicos; (vii) fomentar o trabalho e estudo do preso, mediante envolvimento de
entidades que recebem recursos públicos, notadamente os serviços sociais autô-
nomos; (viii) dest inar as verbas decorrentes da prestação pecuniária para criação
de postos de trabalho e estudo no sistema prisional. 6. Decisão de caráter aditivo.
Determinação que o Conselho Nacional de Jusriça apresente: (i) projeto de estru-
turação do Cadastro Nacional de Presos, com etapas e prazos de implementação,
devendo o banco de dados conter informações suficientes para identificar os mais
próximos da progressão ou extinção da pena; (ii) relatório sobre a implantação
das centrais de monitoração e penas alternativas, acompanhado, se for o caso, de
projeto de medidas ulteriores para desenvolvimento dessas estruturas; (iii) projeto
para reduzi r ou eliminar o tempo de análise de progressões de regime ou outros
benefícios que possam levar à liberdade; (iv) relatório deverá avaliar (a) a adoção
de estabelecimentos penais alternativos; (6) o fomento à oferta de trabalho e o
estudo para os sentenciados; (e) a facilitação da tarefa das unidades da Federação
na obtenção e acompanhamento dos financiamentos com recursos do FUNPEN;
(d) a adoção de melhorias da administração judiciária ligada à execução penal. 7.
103
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Estabelecimento de interpretação conforme a C onstituição para (a) excluir qualquer


interpretação que permita o concingenciamento do Fundo Penitenciário Nacional
(FUNPEN), criado pela Lei C omplementar 79/94; b) estabelecer que a utilização
de recursos do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN) para finan ciar centrais
de monitoração eletrônica e penas alternativas é compatível com a interpretação
do art. 3° da Lei Complementar 79/94. 8. C aso concreto: o Tribunal de Justiça
reconheceu, em sede de apelação em ação penal, a inexistência de estabelecimento
adequado ao cumprimento de pena privativa de liberdade no regime semiaberto
e, como consequência, determinou o cumprimento da pena em prisão domiciliar,
até que disponibilizada vaga. Recurso extraordinário provido em parte, apenas
para determinar que, havendo viabilidade, ao invés da prisão domiciliar, sejam
observados (i) a saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas;
(ii) a liberdade eletronicamente monitorada do recorrido, enquanto em regime
semiaberto; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao
sentenciado após progressão ao regime aberto (RE 641.320).

O Supremo Tribunal Federal, alterando o entendimento anteriormente adotado em


sua jurisprudência, decidiu que "conflita com a garantia da individualização da pena [...] a
imposição, mediante norma, do cumprimento da pena em regime integralmente fechado"
(HC 82 .959).
Também com base no princípio, declarou a inconstitucionalidade parcial de dispositivos
da Lei 11.343/2006 (parte final do art. 44 e expressão análoga 'vedada a conversão em penas
restritivas de direitos', constante do § 4° do art. 33) que vedavam a substituição da pena
privativa de liberdade pela pena restritiva de direitos e, em seguida, determinou ao Juízo da
execução penal que avaliasse as condições objetivas e subjetivas da convolação em causa, na
concreta situação do paciente (HC 97.256).
A Constituição, após estabelecer a individualização da pena, elencou cinco espécies de
sanções criminais: I) privação ou restrição da liberdade; II) perda de bens; III) multa; IV)
prestação social alternativa; e V) suspensão ou interdição de direitos. Trata-se de rol exem-
plificativo ("a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes ..."),
passível de ampliação por lei ordinária.
As penas privativas da liberdade, consistentes no encarceramento do indivíduo, são
diferenciadas conforme a gravidade do delito: a de reclusão, prevista para crimes mais graves,
deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto; a de detenção, cominada para
delitos menos graves, deve ser cumprida em regime semiaberto, ou aberto, salvo necessidade
de transferência a regime fechado (CP, art. 33); a de prisão simples, prevista na Lei das Con-
travenções Penais, deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em estabelecimento especial ou
seção especial de prisão comum, em regime semiaberto ou aberto (DL 3.688/194 1, art. 6°).
Não se confundem com essas, as penas restritivas da liberdade, consistentes em limitações
impostas à liberdade de locomoção do indivíduo. Dessa espécie, por exemplo, as ordens de
confinamento em locais determinados, as proibições de viajar sem autorização judicial, as
proibições de frequentar certos lugares e as determinações de recolhimento ao domicílio
durante a noite.
A perda de bens e valores, enquanto sanção penal, é pena restritiva de direitos consistente
na retirada de parte do patrimônio licitamente adquirido pelo condenado em favor do Fundo
104
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Arl. 5º

Penitenciário Nacional. O valor náo pode ultrapassar o montante do prejuízo causado ou do


provento obtido pelo agente ou por terceiro, em consequência da prática do crime (CP, art.
45, § 3°). Hipótese distinta é a decretação da perda, como efeito da condenação, dos instru-
mentos ou produtos do crime em favor da União (CP, art. 91), os quais possuem origem e
natureza ilícitas. Quando esses não forem encontrados ou estiverem localizados no exterior,
poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime
(CP, art. 91, § 1°). A perda de bens pode ocorrer, ainda, nos casos de enriquecimento ilícito
resultante de atos de improbidade administrativa (Lei 8.429/1992, ares. 6° e 12).
A multa é pena de natureza pecuniária consistente no pagamento ao fundo penitenciá-
rio da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa (CP, art. 49). Diferencia-se da
prestação pecuniária, pena restritiva de direitos, introduzida pela Lei nº 9.714/1998, cujos
valores fixados pelo juiz são destinados às vítima do crime, aos seus dependentes ou a enti-
dades públicas ou privadas com destinação social (CP, art. 45, § 1°) .
A prestação social alternativa é denominada no Código Penal de "prestação de ser-
viços à comunidade ou a entidades públicas" e consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao
condenado, conforme suas aptidões, a serem cumpridas à razão de uma hora de tarefa por
dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. Tal
pen a é aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade (CP, art.
46, §§ º a 4°).
A suspensão de direitos atinge aqueles que estão sendo exercidos, ao passo que a interdi-
ção afeta o exercício futuro, ambos em caráter temporário. As penas dessa natureza: 1) proi-
bição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; II)
proíbição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial,
de licença ou autorização do poder público; Ili) suspensão de autorização ou de habilitação
para dirigir veículo; IV) proibição de frequentar determinados lugares; e V) proibição de
inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos (CP, art. 47).
Ampliando as espécies de sanções criminais elencadas pela Constituição, a Lei nº
11.343/2006, que instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad),
estabeleceu penas de advertência sobre os efeitos das drogas e de medida educativa de com-
parecimento a programa ou curso educativo (art. 28, I e III).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF-Súmula vinculante nº 9. O disposto no artigo 127 da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal)
fo i recebido pe la ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite tempora l previsto no
caput do artigo 58.

• STF -Súmula vinculante n9 26. Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por
crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da
Lei n28.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os
requisitos objetivos e subj etivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamen-
tado, a realização de exame criminológico.

• STF-Súmula nº 716. Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imedia-


ta de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
105
Ar!. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

• STF-Súmula nº 717. Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sentença
não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.

• STJ -Súmula nº 491. É ina dmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional.

3. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• HC 114.568-ES. Rei. Min. Dias Toffoli. "Habeas corpus". Penal. Tráfico de ento rpecent es . Crime pra-
ticado durante a vigência da Lei 11.464/07. Pena inferior a 8 anos de reclusão. Obrigatoriedade de
imposição do regime inicial fechado. Declaração incidental de inconstitucionalidade do§ lº do art. 2º
da Lei 8.072/90. Ofensa à garantia constitucional da in dividua lização da pena (inc. XLVI do art. 5º da
CF). Fundamentação necessária (CP, art. 33, § 3º, c/c o art. 59). Poss ibilidade de fixação, no caso em
exame, do regime semiaberto para o início de cumprimento da pena privativa de liberdade. Ordem
concedida. 1. Verifica-se que o delito foi praticado em 10.10.09, já na vigência da Lei 11.464/07, a
qual instituiu a obrigatoriedade da imposição do regime inicialmente fechado aos crimes hediondos
e assemelhados. 2. Se a CF menciona que a lei regulará a individualização da pena, é natural que ela
exista. Do mesmo modo, os critérios para a fixação do regime prisional inicial devem-se harmonizar
com as garantias constitucionais, sendo necessário exigir-se sempre a fundamentação do regime
imposto, ainda que se trate de crime hediondo ou equiparado. 3. Na situação em análise, em que a
paciente, condenada a cumprir pena de cinco (5) anos de reclusão, ostenta circunstâncias subjetivas
favoráveis, o regime prisional, à luz do art. 33, § 2Q, b, deve ser o semiaberto. 4. Tais circunstâncias não
elidem a possibilidade de o magistrado, em eventual apreciação das condições subjetivas desfavoráveis,
vir a estabelecer regime prisional mais severo, desde que o faça em razão de elementos concretos e
individualizados, aptos a demonstrar a necessidade de maior rigor da medida privativa de liberdade
do indivíduo, nos termos do§ 3º do art. 33, c/c o art. 59, do CP. 5. Embora as instâncias ordinárias
tenham indicado elementos que, no seu entendimento, eram aptos a demonstrar a necessidade de
imposição do regime mais severo à ora paciente, não foi conc retamente justificada a necessidade da
imposição do regime mais gravoso. 6. Ordem concedida. (lnfo 687)

• HC 109.137-MS. Rei. Min. Dias Toffoli. " Habeas corpus" substitutivo de recurso ordinário constitu-
cional. Art. 102, li, a, da CF. Inadequação da via eleita ao caso concreto. Writ extinto por inadequação
da via eleita. Flexibilização circunscrita às hipóteses de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou
teratologia. Alteração do regime prisional estabelecido e negativa de substituição da pena privativa
de liberdade por restritiva de direitos. Possibilidade. Obrigatoriedade de imposição do regime inicial
fechado. Declaração incidental de inconstitucionalidade do § 12 do art. 22 da Lei 8.072/90. Ofensa
à garantia constitucional da individualização da pena (inciso XLVI do art. 52 da CF). Fundamentação
necessária (CP, art. 33, § 39, c/c o art. 59). Constrangimento ilegal patente. Ordem concedida de ofício.
1. Impetração manejada em substitu ição ao rec urso ordinário constitucional prescrito no art. 102,
li, a, da CF, a qual esbarra em decisão do HC 109.956, a inadmissibilidade do "habeas corpus" que
tenha por objetivo substituir o recurso ordinário. "Writ "não conhecido. 2. Nada impede, entretanto,
que esta Suprema Corte, quando do manejo ina dequado do "habeas corpus" como substitutivo (art.
102, li, a, da CF), analise a questão de ofício nas hipóteses de flagrante ilegalida de, abuso de poder
ou teratologia. 3. Com o advento da nova lei de Drogas (Lei 11.343/06), vedou-se, por efeito do que
dispõe o seu art. 44, a possibilidade de conversão das penas privativas de liberdade em penas res-
tritivas de direitos precisamente em casos como o ora em exame, relativos à prática de tráfico ilícito
de entorpecentes. Dita vedação foi afastada no HC 97256, com declaração incidental de inconstitu-
cionalidade da proibição da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. 4.
Esta Corte Constitucional, no julgamento do HC 108840, igualmente removeu o óbice constante do
§ 12 do art. 2º da Lei 8.072/90, com a redação dada pela Lei 11.464/07, o qual determina que "[a]
pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicia lmente em regime fechado", declarando,
de forma incidental, a inconstitucionalidade da obrigatoriedade de fixação do regime fechado para
o início do cumprimento de pena decorrente da condenação por crime hediondo ou equiparado. 5.
Ordem concedida de ofício para determina r ao j uízo da execução que analise os requisitos necessários

106
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

à substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos, ou pela conjugação dessa
com a de mu lta, nos moldes do que alude o art. 44 do CP, bem como que fixe, à vista do que dispõe o
art. 33, §§ 2º e 3Q, do CP, o regime inicial condizente . 6. "Writ" extinto por inadequação da via eleita .
Ordem concedida de ofício. (lnfo 691)

1. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CONSULPAN . Pref. de Sabará - MG.Advogado.2017) São penas previstas no âmbito do estado de-
mocrático de direito brasileiro, EXCETO
A) Perda de bens.
B) Trabalho forçado.
C) Interdição de direitos.
D) Privação da liberdade.

HH 01 B 1

XLVII - não haverá penas:

a) de morte, sa lvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;

b) de caráter perpétuo;

c) de trabalhos forçados;

d) de banimento;

e) cruéis;

1. BREVESCOMENTÁRIOS
A vedação de determinadas práticas punitivas, uma das principais conquistas do direito
penal liberal, está presente no ordenamento jurídico brasileiro, em diferentes amplitudes,
desde a Constituição imperial de 1824, quando "abolidos os açoites, a tortura, a marca de
ferro quente, e todas as mais penas cruéis" (are. 179, XIX).
A Constituição de 1988, após estabelecer um rol aberto de sanções penais a serem
legalmente impostas (art. 5°, XLVI), consagrou o princípio da humanidade das sanções
criminais (are. 5°, XLVII). Tal vedação decorre diretamente do princípio da dignidade
da pessoa humana (CF, art. 1°, III), harmonizando-se com a proibição de tratamentos
desumanos e degradantes (CF, art. 5°, III) e com o dever de respeito à integridade física e
moral dos presos.
A pena de morte, mantida pela Constituição e pelo Código do Império, foi executada
pela última vez no Brasil em 1855. As posteriores Constituições republicanas de viés demo-
crático vedaram a imposição da pena capital, salvo nos casos de guerra externa. Durante
os períodos ditatoriais, as ressalvas foram ampliadas. A Constituição de 1988 veda a impo-
sição da pena de morte, salvo no caso de guerra externa, a qual poderá ser declarada pelo
Presidente da República na hipótese de agressão estrangeira. Para isso, é necessária a prévia
autorização pelo Congresso Nacional ou, quando a agressão ocorrer no intervalo das sessões
legislativas, o seu referendo (CF, art. 84, XIX). O dispositivo é regulamentado pelo Código
Penal Militar, prevista a execução por fuzilamento (DL 1.001/1969, art. 56). Nos termos
107
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, incorporada ao ordenamento interno


pelo Decreto nº 678, "não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam
abolido" (art. 4°, § 3°).
A pena de caráter perpétuo contraria uma das finalidades das sanções penais, qual
seja, a ressocialização. O Estado tem o dever de adotar medidas de assistência ao apenado,
objetivando orientar o retorno à convivência em sociedade (Lei 7.210/84, art. 10). A vedação
prevista no texto constitucional não se restringe às penas privativas de liberdade, abrangendo
qualquer tipo de sanção penal.
A Constituição não faz referência às medidas de segurança. Diversamente das penas,
cujo tempo de cumprimento não pode ser superior a trinta anos (CP, art. 75), no caso dessas
medidas o Código Penal, determina a internação ou o tratamento ambulatorial por tempo
indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação
de periculosidade (art. 97, § 1°). Para Sala de Carvalho (2014), "esta modalidade de respos-
ta estatal deve estar restringida nos mesmos termos quantitativos (art. 75, Código Penal)
e qualitativos (hipóteses de substituição do internamento e alta progressiva) que orientam
as penas." A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, interpretando os dispositivos
penais de forma sistemática e teleológica, à luz da vedação constitucional de penas de caráter
perpétuo, decidiu que a medida de segurança deve ficar restrita ao período máximo de trinta
anos (HC 84.219/SP).
Outro pomo polêmico envolve a possibilidade de compatibilizar a vedação constitucional
com a previsão contida no "Estatuto de Roma" de pena de prisão perpétua. Para alguns,
a proibição contida no artigo 5°, XLVII, "b" é dirigida apenas ao legislador interno, não
impedindo a submissão de cidadãos brasileiros às penas impostas por cortes supranacionais.
Para outros, a compatibilização somente seria possível com a comutação da pena, como
ocorre nos casos de extradição.
Por fim, vale notar que a vedação da pena de banimento, consistente na retirada forçada
do condenado da comunidade a qual pertence, não impede a expulsão de estrangeiro (Lei
13.445/2017, art. 54), hipótese que também encontra fundamento em norma originária da
Constituição (CF, art. 22, XV).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 26. Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por
crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2Q da
Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os
requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamen-
tado, a realização de exame criminológico.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CETREDE. JUCEC. Procurador Autárquico. 2015) Segundo a CF/88, haverá, no direito brasileiro, pena
a) De morte, no caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX
b) De caráter perpétuo
e) De trabalhos forçados
108
CONSTITUIÇÃO OA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

d) De banimento
e) Cruel

02. (IDECAN.SEJUC-RN.Agente Penitenciário.2017) Nos termos da Constituição Federal de 1988 a pena


de banimento
A) é vedada no Brasil.
B) equivale à perda de bens.
C) aplica -se aos crimes hediondos.
D) depende de regulamentação em lei.

01 A 02 A

XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do


delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respe ito à integridade física e moral;

1. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 11. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
j ustificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado .

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STJ/543 - Controle jurisdicional de políticas públicas relacionado a inúmeras irregularidades


estruturais e sanitárias em cadeia pública. Constatando-se inúmeras irregularidades em cadeia
pública - superlotação, celas sem condições mínimas de salubridade para a permanência de
presos, notadamente em razão de defeitos estruturais, de ausência de ventilação, de iluminação
e de instalações sanitárias adequadas, desrespeito à integridade física e moral dos detentos,
havendo, inclusive, relato de que as visitas íntimas seriam realizadas dentro das próprias celas e
em grupos, e que existiriam detentas acomodadas improvisadamente -, a alegação de ausência
de previsão orçamentária não impede que seja julgada procedente ação civil publica que, entre
outras medidas, objetive obrigar o Estado a adotar providências administrativas e respecti-
va previsão orçamentária para reformar a referida cadeia pública ou construir nova unidade,
mormente quando não houver comprovação objetiva da incapacidade econômico-financeira
da pessoa estatal. De fato, evidencia-se, na hipótese em análise, clara situação de violação à ga-
rantia constitucional de respeito da integridade física e moral do preso (art. Sº, XLIX, da CF) e aos
princípios da dignidade da pessoa humana e do mín imo existencial. Nessas circunstâncias - em
que o exercício da discricionariedade adm in istrativa pelo não desenvolvimento de determinadas
políticas públicas acarreta grave vulneração a direitos e garantias fundamentais assegurados pela
Constituição-, a intervenção do Poder Judiciário se justifica como forma de implementar, concreta
e eficientemente, os va lores que o constituinte elegeu como "supremos de uma sociedade fraterna,
plura lista e sem preconceitos fundada na harmonia social", como apregoa o preâmbulo da CF. Há,
inclusive, precedentes do STF e do STJ endossando a possibilidade de excepcional controle judicial
de políticas públicas. Além disso, não há, na intervenção em análise, ofensa ao princípio da sepa -
ração dos poderes. Isso porque a concretização dos direitos sociais não pode ficar condicionada
à boa vontade do Administrador, sendo de suma importância que o Judiciário atue como órgão
109
Art. 5° TÍTULO li - OOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

controlador da atividade administrativa. Seria distorção pensar que o princípio da separação dos
poderes, originalmente concebido com o escopo de garantia dos direitos fundamentais, pudesse
ser utilizado como óbice à realização dos direitos sociais, igualmente importantes. Tratando-se de
direito essencial, incluso no conceito de mínimo existencial, inexistirá empecilho jurídico para que
o Judiciário estabeleça a inclusão de determinada política pública nos planos orçamentários do
ente político, mormente quando não houver comprovação objetiva da incapacidade econômico-
-financeira da pessoa estatal. Ademais, também não há como falar em ofensa aos arts . 4Q, 6Q e 60
da Lei 4.320/64 (que preveem a necessidade de previsão orçamentária para a real ização das obras
em apreço), na medida em que a ação civil pública analisada objetiva obrigar o Estado a realizar
previsão orçamentária das obras solicitadas, não descon sidera ndo, portanto, a necessidade de pre-
visão orçamentária das obras. Além do mais, tem-se visto, recorrentemente, a invocação da teoria
da reserva do possível, importada do Direito alemão, como escudo para o Estado se escusar do
cumprimento de suas obrigações prioritárias. Não se pode deixar de reconhecer que as limitações
orçamentárias são um entrave para a efetivação dos direitos sociais. No entanto, é preciso ter em
mente que o princípio da reserva do possível não pode ser utilizado de forma indiscrimi nada. Na
verdade, o direito alemão construiu essa teoria no sentido de que o indivíduo só pode requerer
do Estado uma prestação que se dê nos limites do razoável, ou seja, na qual o peticionante atenda
aos requisitos objetivos para sua fruição . Informa a doutrina especializada que, de acordo com
a jurisprudência da Corte Constitucional alemã, os direitos sociais prestacionais estão sujeitos
à reserva do possível no sentido daquilo que o indivíduo, de maneira racional, pode esperar da
sociedade. Ocorre que não se podem importar preceitos do direito comparado sem atentar para
Estado brasileiro. Na Alemanha, os cidadãos já dispõem de um mínimo de prestações materiais
capazes de assegurar existência digna. Por esse motivo, o indivíduo não pode exigir do Estado
prestações supérfluas, pois isso escaparia do limite do razoável, não sendo exigível que a socieda-
de arque com esse ônus. Eis a correta compreensão do princípio da reserva do possível, tal como
foi formulado pela jurisprudência germânica. Todavia, situação completamente diversa é a que se
observa nos países periféricos, como é o caso do Brasil, país no qual ainda não foram asseguradas,
para a maioria dos cidadãos, condições mínimas para uma vida digna . Nesse caso, qualquer pleito
que vise a fomentar uma existência minimamente decente não pode ser encarado como sem razão,
pois garantir a dignidade humana é um dos objetivos principais do Estado brasileiro. É por isso
que o princípio da reserva do possível não pode ser oposto a um outro princíp io, conhecido como
princípio do mínimo existencial. Desse modo, somente depois de atingido esse mínimo existencial
é que se poderá discutir, relativamente aos recursos remanescentes, em quais outros projetos se
deve investir. Ou seja, não se nega que haja ausência de recursos suficientes para atender a todas
as atribuições que a Constituição e a Lei impuseram ao estado. Todavia, se não se pode cumprir
tudo, deve-se, ao menos, garantir aos cidadãos um mínimo de direitos que são essenciais a uma
vida digna, entre os quais, sem a menor dúvida, podemos incluir um padrão mínimo de dignidade às
pessoas encarceradas em estabelecimentos prisionais. Por esse motivo, não havendo comprovação
objetiva da incapacidade econômico-financeira da pessoa estatal, inexistirá empecilho jurídico para
que o Judiciário determine a inclusão de determinada política pública nos planos orçamentários do
ente político. REsp 1.389.952-MT, Rei. Min. Herman Benjamin, j . 3.6.2014. 2~ T.

• Sistema carcerário: estado de coisas inconstitucional e violação a direito fundamental. O Plenário


concluiu o julgamento de medida cautelar em ADPF em que discutida a configuração do chamado
"estado de coisas inconstitucional" relativamente ao sistema penitenciário brasileiro. Nessa mesma
ação também se debate a adoção de providências estruturais com objetivo de sanar as lesões a pre-
ceitos fundamentais sofridas pelos presos em decorrência de ações e omissões dos poderes públicos.
Deferiu-se medida cautelar para (i) que, observados os artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos
e 7.5 da Convenção lnteramericana de Direitos Humanos, realizassem, em até 90 dias, audiências de
custódia, viabilizando o comparecimento do preso perante a autoridade jud iciária no prazo máximo
de 24 horas, contadas do momento da prisão e (ii) que a União que liberasse as verbas do Fundo
Penitenciário Nacional - Funpen, abstendo-se de realizar novos contingenciamentos. ADPF 347 MC/
DF, Rei. Min. Marco Aurélio, 9.9.15. Pleno. (lnfo STF 798)

110
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (VUNESP. PC-CE. Inspetor de Polícia. 2015) A Constituição Federal assegura que
a) a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e
o sexo do apenado.
b) não haverá pena de interdição de direitos.
c) a lei considerará os crimes hediondos inafiançáveis e imprescritíveis.
d} não será concedida extradição de estrangeiro por crime comum.
e) a lei penal não retroagirá, ainda que para beneficia r o réu.

02 . (MPF. MPF. Procurador da República. 2015) Assinale a alternativa incorreta:


a) O conceito de "re lação especial de sujeição" deve ser entendido como parâmetro interpretativo
exclusivo no que diz respeito às restrições de direitos fundamentais dos presos
b] Segundo o STF, as pessoas jurídicas de direito público podem ser titulares de direitos fundamentais
c) O STF entendeu ser possível a coleta de material biológico da placenta, com o propósito de fazer exame
de DNA para averiguar a paternidade do nascituro, mesmo diante da oposição da mãe, ponderando,
dentre outros, o direito à intimidade da presa e o direito à honra e à imagem de po liciais federais
acusados de seu estupro
d) O STF afastou a coisa julgada em ação de investigação de paternidade, considerando que o princípio
da segurança jurídica não pode prevalecer em detrimento da dignidade da pessoa humana, sob a
perspectiva dos direitos à identidade genética e à personalidade do indivíduo

- 01 A 102 A 1

L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos
durante o período de amamentação;

LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, prati-
cado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins, na forma da lei;

1. BREVES COMENTÁRIOS
A extradição é definida pela Lei de Migração como "a medida de cooperação inter-
nacional entre o Estado brasileiro e outro Estado pela qual se concede ou solicita a entrega
de pessoa sobre quem recaia condenação criminal definitiva ou para fins de instrução de
processo penal em curso" (Lei 13.445/2017, art. 81).
A extradição de brasileiro nato é vedada pela Constituição (CF, arr. 5.0 , LI), não poden-
do ocorrer nem mesmo se o extraditando for também nacional do Estado requerente (STF
- HC 83.113 MC/DF). No caso de perda da nacionalidade originária brasileira, contudo,
deixa de existir o referido óbice (STF - Ext 1.462/DF).
Em que pesem as semelhanças, a extradição também não se confunde com a hipótese de
entrega ("surrender") prevista no Estatuto do Tribunal Penal Internacional (ETPI). Os dois
institutos possuem natureza e finalidades diversas, não havendo impedimento à entrega de
um brasileiro nato ao TPI. Nos termos do Estatuto, o "surrender" consiste "na entrega de
uma pessoa por um Estado ao Tribunal", enquanto a extradição consiste na "entrega de uma
pessoa por um Estado a outro Estado, conforme previsto num tratado, numa convenção ou
111
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

no direito interno" (ETPI, art. 102). Caso haja concorrência de pedidos, a entrega deverá ter
preferência sobre a extradição (ETPI, art. 90, 2). Outro aspecto que evidencia a diferença
entre os dois institutos é a possibilidade de a execução penal ocorrer no próprio Estado que
fizer a entrega, caso haja acordo entre este e o TPI, hipótese impensável em se tratando de
extradição. No que se refere à sua finalidade dos dois institutos, a vedação da extradição
de nacionais costuma ser estabelecida basicamente por duas razões. A primeira, para evitar
o risco do julgamento de um nacional pela justiça de outro Estado sem a imparcialidade
e as garantias penais e processuais adequadas, o que não é o caso das normas previstas no
Estatuto. A segunda, para impedir que o nacional seja processado e julgado com base em
normas elaboradas sem a sua potencial participação. Este obstáculo não pode ser levantado
em relação ao TPI, por se tratar de uma jurisdição internacional da qual o próprio Brasil faz
parte e para a qual manifestou voluntariamente sua adesão.
A extradição de brasileiro naturalizado requerida por Estado estrangeiro (extradíção
passiva) é admitida em duas hipóteses: I) nos casos de crime comum praticado antes da na-
turalização; ou II) quando for comprovado envolvimento com tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins, na forma da lei, independentemente de o crime ter sido praticado antes ou
depois da naturalização (CF, are. 5.0 , LI). De acordo com o entendimento sumulado pelo
Supremo Tribunal Federal, "não impede a ext radição a circunstância de ser o extraditado
casado com brasileira ou ter filho brasileiro" (Súmula 421/STF).
A extradição também se distingue das medidas administrativas de retirada compulsória para
o país de nacionalidade ou de procedência do migrante ou do visitante, ou para outro que o
aceite, em observância aos tratados dos quais o Brasil seja parte (Lei nº 13.445/2017, art. 47).
Na repatriação ocorre a devolução do indivíduo em situação de impedimento para o
país de procedência ou nacionalidade (Lei nº 13.445/2017, art. 49).
A deportação , por seu turno, consiste na retirada compulsória de pessoa que se encontre
em situação migratória irregular em território nacional. A adoção dessa medida adminis-
trativa é vedada se configurar extradição não admitida pela legislação brasileira (Lei nº
13.445/2017, arts. 50 e 53).
Na expulsão , o migrante ou visitante é retirado compulsoriamente do território nacional
e impedido de reingressar por prazo determinado. A adoção de tal medida administrativa
somente poderá ocorrer no caso de condenação transitada relativa à prática de (I) crime de
genocídio, crime contra a humanidade, crime de guerra ou crime de agressão, nos termos
definidos pelo Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional; ou (II) crime comum
doloso passível de pena privativa de liberdade, consideradas a gravidade e as possibilidades
de ressocialização em território nacional. (Lei nº 13.445/2017, are. 54).
Por não consubstanciarem lei penal, os tratados de extradição têm aplicação imediata ,
independentemente de o crime em que se funda a extradição ser anterior a eles. Não se aplica,
nesta hipótese, disposto no artigo 5°, XL da Constituição.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula n!! 421. Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com
brasileira ou ter filho brasileiro

112
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• Ext 1.165-Espanha. Rei. Min. Gilmar Mendes. Extradição instrut ória . 2. Tráfico de entorpecentes e
lavagem de dinheiro. 3. Ausência de documentação referente ao delito de lavagem de dinheiro. 4.
Requisitos da dupla tipicidade e punibilidade atendidos quant o ao crime de tráfico de entorpecen-
tes. 5. Extraditando que responde a processo penal no Brasil por crime diverso daquele que versa o
pedido de extradição. 6. Discricionariedade do Chefe do Poder Executivo para ordenar a extradição
ainda que haja processo penal instaurado ou mesmo condenação no Brasil (art. 89, parte final, da
Lei 6.815/80). 7. Ped ido de extradição deferido parcialmente. {lnfo 655)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. TRT-24. Técnico Judiciário-Área Administrativa.2017) Silmara, brasileira naturalizada, verificou
a Constituição Federal brasileira a respeito de possível extradição de brasileiro nat uralizado. Assim,
constatou que, dentre os direitos e deveres individua is e coletivos, está previsto que
A) nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes
ou depois da naturalização, ou de comprovado envolvimento em milícia armada e grupos guerrilheiros.
B) a extradição de qualquer brasileiro, seja ele naturalizado ou não, consta em diversas hipóteses taxa-
tivas do artigo 59 da Carta Magna.
C) a extradição de qualquer brasileiro, seja ele naturalizado ou não, somente poderá ocorrer em caso
de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afi ns.
D) nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes
da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
na forma da lei.
E) a extradição de qualquer brasileiro, seja ele naturalizado ou não, somente poderá ocorrer em caso
de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, envolvimento em
milícia armada e grupos guerrilheiros e prática de ato de terrorismo.

2. (CESPE. TRT-7. Analista Judiciário - Área Administrativa.2017) Caio, nascido na Itália, filho de mãe
brasileira e pai italiano, veio residir no Brasil aos dezesseis anos de idade. Quando atingiu a maioridade,
Caio optou pela nacionalidade brasileira. A partir das informações dessa situação hipotética, assinale
a opção correta
A) Caio poderá ser extraditado se tiver praticado delito comum antes de sua opção pela nacionalidade
brasileira, embora seja brasileiro nato.
B) O fato de Caio ser brasileiro nato impede a sua extradição, em qualquer hipótese.
C) Caio poderá vir a ser extraditado pela prática de del ito hediondo ou tráfico ilícito de entorpecentes
posterior à naturalização, em razão de sua naturalização ser secundária.
D) Se Caio tiver praticado delito comum no exterior, antes de sua naturalização, ele poderá ser extradi-
tado, pois não é brasileiro nato.

03. (IDECAN.SEJUC-RN.Agente Penitenciário.2017) Quanto à Constituição Federal de 1988, ana lise as


afirmativas a seguir.
1. Às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante
o período de amamentação.
li. A pena será cumprida em est abelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e
o sexo do apenado.
Il i. Será vedada ação privada nos crimes de ação pública, mesmo se esta não for intentada no prazo legal.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
A)
B) Ili

113
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

C) 1e li
D) 1e Ili

M 01 o 102 B 103 e 1

UI - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Nos moldes das modernas constituições democráticas, a Carta de 1988 vedou a extradição
de estrangeiro quando o crime praticado for político ou de opinião.
O Supremo Tribunal Federal já assentou que no caso de entrelaçamento (contaminação)
de crimes de natureza política e comum a extradição deve ser indeferida (STF - Ext. 994;
Ext. 493; Ext. 694).
Não obstante, tendo em consideração o princípio da preponderância, a extradição po-
derá ser concedida quando o fato constituir, principalmente, infração à lei penal comum
ou quando o crime comum, conexo ao delito político, constituir o fato principal (Lei nº
13.445/2017, art. 82, § 1°).
Nas hipóteses de atentado contra chefe de Estado ou quaisquer autoridades, bem como
de crime contra a humanidade, crime de guerra, crime de genocídio e terrorismo, o Supremo
Tribunal Federal poderá deixar de considerar o fato como crime político (Lei nº 13.445/2017,
art. 82, § 1°).
No polêmico julgamento envolvendo a extradição do ativista italiano Cesare Battisti,
o STF consignou que a decisão proferida pela Corte não vincula o Presidente da República,
cabendo-lhe decidir sobre a entrega ou não do extraditando ao Estado requerente, com
observância dos termos do tratado de extradição celebrado entre o Estado requerente (Ext
1.085).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {VUNESP. TJ-MS. Juiz Substituto. 2015) Considerando as normas da Constituição Federal que tratam
da extradição, assinale a alternativa correta
a) O estrangeiro pode ser extraditado, havendo vedação apenas em relação aos crimes político e de
opinião, ressalvas estas que não são incompatíveis com a situação de asilado político do estrangeiro
no país
b) O brasileiro naturalizado pode ser extraditado pela prática de crime comum antes da naturalização,
sendo necessário, porém, para esse fim, que haja anulação da naturalização
c) O cidadão português não pode ser extraditado por crime de terrorismo, independentemente de
quando foi cometido, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já assentou que este se equipara ao
crime político
d) O brasileiro nato não pode ser extraditado, exceto se t iver nacionalidade primária do país no qual o
crime foi cometido e se houver recíprocidade estabelecida em tratado internacional
e) Os crimes que podem ensejar a extradição de estrangeiro não se sujeitam à prescrição

02. (FCC. TRT-23. Oficial de Justiça Avaliador Federal. 2016) "A" é um cidadão inglês naturalizado brasileiro
que foi condenado por crime de tráfico de drogas na Inglaterra. "B" é um cidadão irania no que pediu

114
CONSTITUI ÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Arl. 5°

asilo ao Brasil por ter cometido crime de opinião em seu país, ao fazer oposição ao governo do Irã.
Considerando que ambos resi dem no Brasil e também o que dispõe a Con stituição Federal de 1988
a respeito da extradição
A) "A" e "B" poderão ser extrad itados
B) "A" não poderá ser extraditado porque o Brasil não concede a extradição de cidadão naturalizado
brasileiro por prática de crime de tráfico de drogas e "B" poderá ser extraditado, uma vez que foi
condenado por crime de opinião, e não por crime político
C) "B" poderá ser extrad itado porque o Brasil não concede asilo a estrangeiro que tenha cometido crime
de opinião, mas "A" não poderá ser extraditado porque o Brasil não concede a extradição de cida dão
naturalizado brasileiro por prática de crime de tráfico de drogas
D) "/:\' não poderá ser extraditado porque o Brasil não prevê a possibilidade de extradição pa ra brasileiros
naturalizados e " B" não poderá ser extraditado porque o Brasil não concede extradição por crime de
opi nião
E) "B" não poderá ser extraditado porque o Brasil não concede extradição por crime de opinião, mas
"A" poderá ser extraditado, ainda que o crime tenha sido praticado depois da naturalização

03. (IESES. TJ-PA. Titular de Serviços de Notas e de Registros-Provimento. 2016) Sobre os direitos e
deveres individuais e coletivos é INCORRETO afirmar que
A) Será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião
B) É plena a liberdade de associação para fins licitas, vedada a de caráter paramilitar
C) A prática do raci smo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos
termos da lei
D) A lei não prejudicará o direito ad quirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada

idH 01 A 1 02 E 1
03 A 1

LIii - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Ver comentário ao inciso XXXVII deste artigo.

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Os estudos sobre o princípio do devido processo legal têm como ponto de partida a
experiência constitucional americana do due process of law, que, por sua vez, é reconduzida
aos esquemas garantísticos da Magna Carta (CANOTILHO, 2000). Para que a privaçáo de
direitos ligados à liberdade ou à propriedade seja considerada legítima, exige-se a observân-
cia de um determinado processo legalmente estabelecido, cujo pressuposto é uma atividade
legislativa moldada por procedimentos justos e adequados.
A Constituição de 1988 consagrou o princípio do devido processo legal em suas duas
acepções: processual e material.
Em sua acepção processual (devido processo legal em sentido formal) , o princípio ga-
rante a qualquer pessoa o direito de exigir que o julgamento ocorra em conformidade com
regras procedimentais previamente estabelecidas. Em outras palavras: a privaçáo da liberdade
115
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS-

ou de bens só será legítima se houver a observância do processo estabelecido pela lei como
sendo o devido. O procedural due process tem como principal destinatário o juiz.

A teoria substantiva (devido p rocesso legal substantivo ou substantive d ue process)


está ligada à ideia de um processo legal justo e adequado, materialmente informado pelos
princípios da justiça, com base nos quais os juízes podem e devem analisar os requisitos
intrínsecos da lei (CANOTILHO, 2000). Sob este prisma, representa uma exigência de fair
triai, no sentido de garantir a participação equânime, justa e leal dos sujeitos processuais
(STF - AI 529.733). O devido processo legal substantivo se dirige, em um primeiro mo-
mento, ao legislador, constituindo-se em um limite à sua atuação, que deverá pautar-se p elos
critérios de justiça, razoabilidade e racionalidade. Como decorrência deste princípio surgem
o postulado da proporcionalidade e algumas garantias constitucionais processuais, como o
acesso à justiça, o juiz natural, a ampla defesa, o contraditório, a igualdade entre as partes e
a exigência de imparcialidade do magistrado.

Ao destacar a necessidade de existência de uma técnica processual adequada para os casos


conflitivos concretos, sob pena de omissáo violadora do direito fundamental à efetividade da
tutela jurisdicional, Marinoni (2010) destaca ser incabível "entender que há direito funda-
mental à tutela jurisdicional, mas que esse direito pode ter a sua efetividade comprometida
se a técnica processual houver sido instituída de modo incapaz de atender ao direito material.
Imaginar que o direito à tutela jurisdicional é o direito de ir a juízo através do procedimento
legalmente fixado, pouco importando a sua idoneidade para a efetiva tutela dos direitos, seria
inverter a lógica da relação entre o direito material e o direito processual. Se o direito de ir a
juízo restar na dependência da técnica processual expressamente presente na lei, o processo
é que dará os contornos do direito material. Mas, deve ocorrer exatamente o contrário, uma
vez que o primeiro serve para cumprir os desígnios do segundo."

O princípio do devido processo legal é o núcleo material comum de todas as garantias


relacionadas à efetividade e à justiça, não apenas dos processos judiciais, mas também dos
administrativos. É exatamente a aplicação das garantias constitucionais processuais ao pro-
cesso administrativo que faz dele um verdadeiro processo e não um mero procedimento.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 03. Nos processos perante o Tribunal de Cont as da União asseguram-se
o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão
inicial de aposentadoria, reforma e pensão

• STF-Súmula vinculante n!! 14. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

• STF-Súmula n!! 19. É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo
em que se fundou a primeira.

• STF-Súmula n!! 653. No Tribunal de Contas estadua l, composto por sete conselheiros, quatro devem
ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo chefe do Poder Executivo estadual, cabendo

116
idill~iiiii)iiW111tdhlãR1M•iQ44 1iã;Lii®J1111 :@J.il• 1iiPfH Ar!. 5°

a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro à
sua livre escolha.

• STF -Súmula n!! 347. O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a consti-
tucionalidade das leis e dos atos do Poder Público.

• STF -Súmula n!! 6. A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qualquer
outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele tribunal,
ressalvada a competência revisora do Judiciário.

• STJ -Súmula n!! 265. É necessária a oitiva do menor i nfrator antes de decretar-se a regressão da
medida socioeducativa.

• STJ -Súmula n!! 347. O conhecimento de recurso de apelação do réu independe de sua prisão.

3. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• REsp. Guia. Preparo. Número. Processo. A discussão diz respeito à aplicação de precedente (AgRg
no REsp 924942) firmado pela Corte Especial nas hipóteses em que o recurso especial foi interposto
na vigência das resoluções ns . 4 e 7/07 e 1/08 do STJ, as quais não fizeram previsão expressa da exi-
gência de anotação na origem do número do processo na guia de recolhimento do preparo do apelo
especial. É que, no precedente mencionado, a Corte Especial consolidou o entendimento de efeitos
retroativos, determinando, no caso de todos os recursos especiais manejados a partir da vigência
da Res. 20/04 do STJ, o preenchimento da guia de preparo do recurso com os detalhes da anotação
do código de receita e do número do processo na origem. Todavia, naquele precedente, a demanda
foi discutida quando estava em vigor a Res. 12/05, que, ao contrá rio das resoluções 4 e 7/07 e 1/08
do STJ, trazia expressa aquela exigência. No caso "sub examine", remetido pela 4~ Turma à Corte
Especial, o recurso especial fo i interposto em 25.6.2008, na vigência da Res. 1/08, que foi omissa
quanto à necessidade de preencher a guia com o número do respectivo processo. E, considerando
que ao recurso especial aplicam-se as regras vigentes na data de sua interposição (princípio "tempus
regit actum"), não há como obstaculizar seu transito por ausência de preenchimento do número do
processo na referida guia quando sua interposição ocorrer na vigência das resoluções ns. 4 e 7/07 e
1/08 do STJ. Além disso, se a norma não foi expressa quanto a essa exigência, não pode o intérprete
sê-lo, sob pena de afronta aos princípios constitucionais da legalidade e do devido processo legal,
abarcando os da razoabilidade e da inafastabilidade da tutela jurisdicional (CF, art. 5º, li, XXXV e LIV}
além dos da segurança jurídica e da proporcionalidade. Com essas e outras considerações, a Corte
Especial deu provimento ao agravo regimental, determinando a conclusão dos autos ao relator para
novo exame do recurso especial. AgRg no REsp 1.105.609, rei. Min . Raul Araújo, j. 1º.2.2012. Corte
Especial. (lnfo 490)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CESPE. DPU. Defensor Público Substituto. 2015) Não viola a cláusula do devido processo legal a
exigência de arrolamento prévio de bens para fins de admissibilidade de recurso administrativo.

02. (FUNIVERSA. SEAP-DF. Agente de Atividades Penitenciárias. 2015) De acordo com a CF e o entendi-
mento do STF, o direito do réu à observância, pelo Estado, da garantia pertinente ao due process of
law traduz expressão concreta do direito de defesa

p o1 E 02 C

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são asse-
gurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

117
Ar!. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

1. BREVES COMENTÁRIOS

O contraditório, entendido como a ciência bilateral dos atos do processo com a possibi-
lidade de contrariá-los, é composto por dois elementos: informação e reação, sendo esta me-
ramente possibilitada em se tratando de direitos disponíveis. A audiência bilateral é requisito
indispensável para garantir a justiça das decisões, pois "somente pela soma da parcialidade
das partes (uma representando a tese e a outra, a antítese) o juiz pode corporificar a síntese,
em um processo dialético" (CINTRA et alii, 1995).
A ampla defesa é uma decorrência do contraditório ("reação"). É assegurada ao indivíduo
a utilização, para a defesa de seus direitos, de todos os meios legais e moralmente admitidos.
Não caracteriza uma violação a esta garantia o simples indeferimento de uma diligência
probatória considerada desnecessária ou irrelevante (STF -AI 559.958; RE 345.580).
No processo penal, para a plena realização e observância desta garantia, devem ser as-
seguradas tanto a defesa técnica exercida por advogado, quanto a autodefesa, "com a
possibilidade dada ao acusado de ser interrogado e de presenciar rodos os atos instrutórios"
(CINTRA et alii, 1995). A ausência do acusado, ainda que preso, na audiência de instrução,
poderá acarretar a nulidade absoluta dos atos instrutórios aos quais foi negado o direito de
presença pessoal (STF - HC 86.634; HC 93.503-MC).
A Lei 11.900/2009, alterando o Código de Processo Penal (arts. 185 e 222), passou a
permitir, excepcionalmente e mediante decisão judicial fundamentada, o interrogatório do
réu preso por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de
sons e imagens em tempo real, desde que a medida seja necessária para atender às finalidades
previstas no§ 2° do art. 185 do CPP.
Não obstante a Constituição de 1988 ter assegurado a ampla defesa também no processo
administrativo, não se exige a observância dessa garantia durante a sindicância, por ser mera
medida preparatória (STF - MS 22.791).
O contraditório e a ampla defesa também não são oponíveis em se tratando de elementos
colhidos em auditoria do Tribunal de Contas para fins de denúncia (STF - Inq. 1.070).
Todavia, segundo o consagrado pelo STF na Súmula vinculante 3, "nos processos perante
o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da
decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o inte-
ressado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria,
reforma e pensão."
Alterando posicionamento anterior, (STF - RREE 169.077, 210.246, 210.135, 246.271,
286.513 e ADI 1.049) o STF adotou o entendimento de que a exigência de depósito prévio
para a interposição de recurso administrativo é inconstitucional por violar a garantia da ampla
defesa e o direito de petição, assegurado independentemente do pagamento de taxas (CF,
art. 5°, XXXIV) (STF - RE 388.359/PE). Este entendimento originou a edição da Súmula
vinculante 21 do STF, segundo a qual "a exigência de depósito ou arrolamento prévios de
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo" é inconstitucional.
Por se tratar de um procedimento investigatório e inquisitorial e não de processo judicial
ou administrativo, assim como por ser um mero indiciamento e não uma acusação formal, o
118
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

entendimento majoritário na doutrina e jurisprudência sempre foi no sentido de que a garantia


do contraditório e da ampla defesa não se aplica no âmbito do inquérito policial (STF -
HC 82.354). Todavia, já era observada uma tendência interpretativa do STF no sentido de
garantir aos investigados e indiciados a máxima efetividade constitucional no que concerne
à proteção do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, sendo assegurada a
amplitude deste direito mesmo em sede de inquéritos policiais e/ou originários (STF - HC
92.599-MC). Após reiteradas decisões permitindo o acesso de defensor aos autos de inqué-
rito policial (STF - HC 88.520), o STF edicou verbete nos seguintes termos: "É direito do
defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já do-
cumentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia
judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa" (Súmula vinculante 14/STF).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante nº 03. Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se
o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão
inicial de aposentadoria, reforma e pensão .

• STF -Súmula vinculante nº 05. A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a Constituição.

• STF-Súmula vinculante n!! 14. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

• STF-Súmula vinculante nº 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de


dinheiro ou bens para adm issibilidade de recurso adm inistrativo.

• STF -Súmula vinculante nº 24. Não se tipifica crime material cont ra a ordem tributária, previsto no
art. 12, incisos I a IV, da Le i nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

• STF -Súmula vinculante n2 28. É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de
admissibilidade de ação judicial na qual se pret enda discutir a exigibilidade de créd ito tributário.

• STF-Súmula n!! 19. É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo
em que se fundou a primeira.

• STF -Súmula nº 21. Funcionário em estágio probatório não pode ser exonerado nem demitido sem
inquérito ou sem as formalidades legais de apuração de sua capacidade.

• STF -Súmula nº 705. A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a assistência do
defensor, não impede o conhecimento da apelação por este interposta.

• STF -Súmula nº 707. Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contra-ra -
zões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.

• STF-Súmula nº 708. É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia
do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.

• STF -Súmula n!! 712. É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência
do júri sem audiência da defesa .

119
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

• STJ -Súmula n!! 127. É ilega l condicionar a renovação da li cença de veículo ao pagamento de mult a
da qual o infrator não foi notificado.

• STJ -Súmula n!! 196. Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, perm anecer revel, será
nomeado curador especial, com legitimidade para apresentação de embargos.

• STJ-Súmula n!! 342. No procedimento pa ra aplicação de medida socioeducativa, é nula a desistência


de out ras provas em face da confissão do adolescente.

• STJ -Súmula n!! 265. É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a regressão da
medida socioeducativa.

• STJ -Súmula n!! 312. No processo administrativo para imposição de multa de trân sito, são necessá rias
as notificações da autuação e da aplicação da pe na decorrente da infração.

• STJ -Súmula n!! 347. O conhecimento de re curso de apelação do réu independe de sua prisão.

• STJ -Súmula n!! 373. É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de re curso ad-
mini st rativo.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/765-ADI: norma processual e competência legislativa da União


O Plenário julgou procedente pedido formulado em ação direta para dec larar a inconstitucionalidade
do art. 7!! e §§ da Lei 6.816/07 do Estado de Alagoas. O dispositivo criara como requisito de admis-
sibilidade, para a interposição de recurso inominado no âmbito dos juizados especiais, o depósito
prévio de 100% do valor da condenação. O Tribunal sublinhou que a norma atacada versaria so-
bre admissibilidade recursai e, consequentemente, teria natureza processual. Dessa forma, seria
evidente a inconstitucionalidade formal por ofensa ao art. 22, 1, da CF. Ademais, a mencionada lei
dificultaria ou invia bilizaria a interposição de recurso para o conselh o rec ursai. Assim, vulneraria os
princípios constitucionais do acesso à jurisdição, do contraditório e da ampla defesa, contidos no art.
52, XXXV e LV, da CF. ADI 4161/A L, Rei. M in. Cármen Lúcia, 30.10.2014. Pleno.
Reclamação: direito à informação e sessões secretas do STM
Determinou-se ao Superior Tribunal Militar que dê fiel e integral cumprimento à ordem conced ida
no julgamento do RMS 23036 (para que os impetrantes tivessem acesso a regi stro document ais de
sessões do STM ocorridas na década de 1970). Não obstante, fe ito um novo requerimento, o STM o
deferira somente ao que se refere às sessões públicas. A decisão proferida no julgamento do cit ado
RMS não limito u o acesso dos então impetrantes a documentos e arquivos fo nográficos relacionados
apenas às sessões públ icas dos julgamentos do STM . Naquela ocasião, pelo contrário, a Corte assen-
tou não haver campo para a discricionariedade da Administração em rest ringir o amplo acesso que
os então recorrentes deveriam ter aos docume ntos gerados a partir dos julgamentos ocorridos no
período em referência. Conferiu, assim, induvidosa amplitude àquela decisão e concluiu que o ato
impugnado estava em evidente descompasso com a ordem constitucional vige nte, que erigiu o direito
à informação ao "status" de direito fun da ment al. A autoridade reclamada deve permitir o acesso
do reclamante aos documentos descritos no requerimento administrativo objeto da im petração em
questão, ressa lvados apenas aqueles indispen sáveis ao resg uardo de interesse público legítimo e à
defesa da intimidade e aqueles cujo sigilo se imponha para proteção da sociedade e do Est ado, o que
há de ser motivado de forma explicita e pormenoriza da pelo reclamado, a fi m de sujeitar esse exame
administrativo ao controle judicial. Rei 11949, Rei. Min. Cármen Lúcia, j. 15.3.2017. Pleno. (lnfo 857)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS
1. (IESES. TJ-RO. Titular de Serviços de Notas e Registros - Provimento.2017) Sobre os direitos e ga-
rantias fundamentais previstos pela Constitui ção Federal, é correto afirma r

120
tRnMiii•iií(;)•i•tlilãQ•i:i!lítiiU•lâilfüN,• H:J;tMll11ifl:f:i
1 Ar!. 5°

A) A todos os litigantes, exceto no âmbito administrativo, são assegurados a razoável duração do processo
e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
B) É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, vedada a fixação de restrições ou exigên-
cias de qualificação profissional diversas daquelas já estabelecidas pela norma constitucional.
C) Aos li tigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
D) É livre a man ifestação de pensa mento, constitucionalmente assegurado o anonimato para proteção
geral dos cidadãos contra retaliações em virtude de eventuais denúncias.

02. (MP-PR. MP-PR. Promotor de Justiça Substituto.2017) Assin ale a alt ernativa INCORRETA
A) O direito de defesa é assegurado pela Constituição da República como pretensão à tutela jurídica, e
nele estão contidos os direitos de informação (que obriga o órgão julgador a informar à parte contrária
os atos praticados no processo e sobre os elementos dele constantes), de manifestação (que assegura
ao defendente a possibilidade de manifestar-se oralmente ou por escrito sobre os elementos táticos
e jurídicos constantes do processo) e de ver seus argumentos considerados (que se resume no dever
de o julgador deles tomar conhecimento).
B) O Suprem o Tribunal Federal entende que a real ização do direito de defesa por parte do advogado,
dativo ou não, envolve a apresentação de trabalho idôneo para a finalidade, devendo ser considerada
nula a def esa que não arroste os elementos básicos da acusação.
C) Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa
quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o inte-
ressado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma
e pensão.
D) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Consti-
tuição.
E) É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens pa ra admissi-
bilidade de recurso administrativo.

03. (FAUEL. Câmara de Maria Helena-PR. Advogado.2017) Acerca dos direitos e garantias f undamentais,
assinale a alternativa correta
A) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar ofende a Constituição.
B) É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissi-
bilidade de recurso administrativo.
C) Só é lícita a prisão civil de depositário infiel quando se trata r de depositário nomeado pelo juízo.
D) É constitucional a exigência de depósito prévio como requis ito de admissibil idade de ação judicial na
qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário .

• 01 C 02 A 03 B

LVI - são in admissíve is, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

1. BREVES COMENTÁRIOS
A funçáo da prova no processo, segundo a liçáo de Barbosa Moreira (2005),"consiste em
proporcionar ao juiz conhecimentos de que ele precisa a fim de reconstituir mentalmente
os fatos relevantes para a soluçáo do litígio." O direito à prova, por não ser ilimitado ou
absoluto, encontra restrições legais e constitucionais.
No direito brasileiro, o antigo sistema da admissibilidade de provas ilícitas ("male cap-
tum, bene retentum'J, a partir de meados da década de 70 foi substituído pela regra atual,
121
Arl. 5° TÍTULO 11 - 00S DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

consagrada expressamente na Constituição de 1988. A inadmissibilidade de provas ilícitas,


cuja origem remonta à decisão da Suprema Corte norte-americana proferida no Caso Weeks
vs. United States em 1914, consiste em uma das mais expressivas projeções concretizadoras
da garantia constitucional do due process of law (STF - HC 93.050). Este princípio impede
que uma prova obtida ilicitamente seja juntada aos autos do processo. Caso isso ocorra, a
prova de deverá ser desentranhada sob pena de nulidade da sentença que a utilizou corno
fundamento.
No processo penal, admite-se em certos casos a prova ílícíta pro reo com fundamento
no princípio da proporcionalidade. O mesmo não ocorre, todavia, em favor da sociedade,
conforme o entendimento adotado pelo STF, in verbis: "objeção de princípio - em relação à
qual houve reserva de Ministros do Tribunal - à tese aventada de que à garantia constitucio-
nal da inadmissibilidade da prova ilícita se possa opor, com o fim de dar-lhe prevalência em
nome do princípio da proporcionalidade, o interesse público na eficácia da repressão penal
em geral ou, em particular, na de determinados crimes: é que, aí, foi a Constituição mesma
que ponderou os valores contrapostos e optou - em prejuízo, se necessário da eficácia da
persecução criminal - pelos valores fundamentais, da dignidade humana, aos quais serve
de salvaguarda a proscrição da prova ilícita: de qualquer sorte - salvo em casos extremos de
necessidade inadiável e incontornável- a ponderação de quaisquer interesses constitucionais
oponíveis à inviolabilidade do domicílio não compete a posteriori ao juiz do processo em
que se pretenda introduzir ou valorizar a prova obtida na invasão ilícita, mas sim àquele a
quem incumbe autorizar previamente a diligência" (HC 79.512).
Com fundamento na teoria dos frutos da árvore envenenada (fruits of the poisonous
tree doctrine), as provas derivadas, diretamente ou indiretamente, de provas ilícitas também
ficam contaminadas pela ilicitude (STF - HC 69.912). Todavia, o STF tem entendido que
no caso de existência de provas autônomas suficientes para fundamentar, por si sós, a respon-
sabilidade penal do réu, a decisão condenatória não deve ser anulada (HC 74.599). Também
não haverá contaminação quando, apesar de possuir um vínculo com a prova ilícita, a prova
derivada puder ser descoberta idoneamente de outra maneira (teoria da descoberta inevitável).
Neste caso, cumpre-se verificar se, de fato - e não apenas teoricamente - a prova derivada
seria descoberta no caso concreto sem qualquer tipo de vício.

2. QUESTÕES D E CONCURSOS
01. (FCC. PC-AP. Oficial de Polícia Civil.2017) Considere as seguintes situações:
1. Provas de autoria de crime hediondo obtidas mediante interceptação telefônica determinada por
Delegado de Polícia.
li. Provas de prática de crime obtidas med iante cumprimento, durante o dia, de mandado judicial de
busca e apreensão de documentos, executado pela Polícia Civil, no domidlio de parente do autor do
crime.
Ili. Provas de prática de crime obt idas no âmbi t o de investigação penal, mediante quebra de sigilo ban-
cário determinada por ordem judicial.
Consideram-se provas ILÍCITAS, inadm issíveis no processo, as referidas APENAS em
A)
B) 1 e li
C) li e Ili

122
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA 00 BRASIL DE 1988 Art. 5°

D) li
E) Ili

02. (FMP Concursos. MPE-RO. Promotor de Justiça Substituto.2017) Quando a CRFB/88, em seu art. Sº,
LVI, traz a proibição de provas obtidas por meios ilícitos, podemos afirmar que
A) está vedando a utilização, como meio probatório, de t oda e qualquer prova ilícita.
B) está vedando apenas as provas ilícitas obtidas com a violação de normas processuais.
C) o que pret ende é evitar que se utilizem provas obtidas por meios ilícitos, contrariando os direitos
fundamentais.
D) apenas assegura a utilização das melhores provas para a obtenção da verdade dos fatos.
E) a previsão contida no art. Sº, LVI, diz respeito apenas a instrumentos probatórios em procedimentos
cíveis.

~ 01 A 1 02 C 1

LVII - ninguém será considerado culpado at é o trânsito em julgado de sentença penal conde-
natória;

1. BREVES COMENTÁRIOS

A presunção de inocência (ou presunção de não-culpabilidade) tem por finalidade evitar


juízos condenatórios precipitados, protegendo pessoas potencialmente culpáveis contra even-
tuais excessos das autoridades públicas.
No plano internacional, tal garantia encontra-se positivada em valiosos documentos. A
Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, cunhada no período da Re-
volução Francesa, estabelece que "todo homem é inocente até que seja declarado culpado"
(DUDHC/1789, art. 9). Após o fim da Segunda Grande Guerra, a presunção adquire status
de direito humano fundamental ao ser consagrada na Declaração Universal dos Direitos
Humanos, nos seguintes termos: "Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se pre-
suma sua inocência enquanto não se prove sua culpabilidade conforme a lei" (DUDH/1948,
art. 11.1). Posteriormente, é também incorporada ao Pacto Internacional de Direitos Civis e
Políricos de 1966 e à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, segundo a qual "toda
pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se
comprove legalmente sua culpabilidade" (CADH/1969, are. 8, parágrafo I).
No direito penal e processual penal, a presunção de não culpabilidade (CF, are. 5. 0 , LVII)
proíbe o Estado de tratar o indivíduo como culpado ames da definitiva afirmação de sua
responsabilidade criminal. Enquanto na pronúncia a dúvida milita em favor da sociedade (in
dubio pro societate), na decisão final, havendo fundada incerteza, o réu deve ser absolvido (in
dubio pro reo). A comprovação inequívoca da culpabilidade compete ao Ministério Público.
Descabe exigir do acusado a demonstração de sua inocência.
A constitucionalidade da execução provisória da pena tem sido objeto de idas e vindas na
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Durante as duas primeiras décadas do atual
regime constitucional, admitiu-se a possibilidade de imposição da pena com base em decisão
condenatória de segundo grau, mesmo quando existente recurso especial ou extraordinário
pendente de julgamento (HC 72.061).
123
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

Em 2009, firmou-se orientação em sentido contrário. O Tribunal, por sete votos a qua-
tro, considerou a prisão formalizada antes do trânsito em julgado do decreto condenatório
incompatível com o texto consrítucional e com as garantias fundamentais asseguradas ao
réu (HC 84.078).
O tema foi revisitado em 2016, sendo fixado o entendimento de que execução de decisão
penal condenatória proferida em segundo grau de jurisdição, embora sujeita a recurso especial
ou extraordinário, não viola a presunção de inocência. No julgamento do Habeas Corpus nº
126.292/SP, o dispositivo constitucional foi interpretado, pela maioria dos ministros, como
princípio, ou seja, como um mandamento a ser cumprido na maior medida possível, de
acordo com as circunstâncias fáticas e jurídicas existentes. Prevaleceu o entendimento de se
tratar de um direito sem caráter absoluto, cujo âmbito de proteção é passível de conformação
pelo legislador ordinário. A despeito de a garantia impedir seja o réu considerado culpado
antes do trânsito em julgado da decisão, a definição do que significa tratar como culpado
depende de intermediação legislativa.
Passados oitos meses, no julgamento das liminares pleiteadas nas Ações Declaratórias de
Constitucionalidade nºs 43/DF e 44/DF, o Plenário do Supremo Tribunal Federal manteve
tal entendimento ao consignar que o disposto no artigo 283 do Código de Processo Penal
não impede a execução da pena após o esgotamento das instâncias ordinárias.

Referida presunção não obsta a decretação ou a manutenção de prisão cautelar (STF


- HC 84 .078), se demonstrada a necessidade concreta e presentes os requisitos autorizado-
res previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal, quais sejam, prova da existência
material do crime e indício suficiente de autoria. Tendo em vista a excepcionalidade da
medida, os fundamentos dessa espécie de prisão "devem ser reavaliados a qualquer tempo,
a fim de evitar-se o cumprimento da pena sem sentença transitada em julgado" (STF -
HC 98.233).
A garantia também impede seja lançado o nome do réu no rol dos culpados antes do
trânsito em julgado da decisão condenatória (STF - HC 80.174). Em sede de Repercussão
Geral, o STF fixou a tese de que "a existência de inquéritos policiais ou de ações penais sem
trânsito em julgado não pode ser considerada como maus antecedentes para fins de dosimetria
da pena" (RE 591.054). Entretanto, no Habeas Corpus nº 94.620/MS, julgado em 24 de
jun ho de 2015, os ministros sinalizaram a possibilidade de rever a tese firmada quando da
apreciação de recurso extraordinário a ser oportunamente submetido ao Tribunal.
No plano administrativo, a presunção de não culpabilidade veda a exclusão de candidato
de concurso público pelo simples fato de responder a inquérito ou ação penal sem trânsito
em julgado da sentença condenatória (STF - RE 559.135 AgR). No caso de policiais civis
ou militares, tendo em vista a natureza da função exercida, não viola a garantia vedação
legal de "inclusão de oficial militar no quadro de acesso à promoção em razão de denúncia
em processo criminal" (STF - RE 459.320 AgR). No mais, o Supremo decidiu não ter "ca-
pacitação moral para o exercício da atividade policial o candidato que está subordinado ao
cumprimento de exigências decorrentes da suspensão condicional da pena" (Lei 9.099/1995,
art. 89), motivo pelo qual se revela legítimo ter em conta tal ocorrência na caracterização da
inidoneidade moral (RE 568.030).
124
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• HC 100.430-AC. Rei. Min. Celso de Mello. "Habeas corpus". Prisão cautelar decretada com apoio em
múltiplos fundamentos: gravidade objetiva do delito; necessidade de preservação de credibilidade das
instituições e possibilidade de prática de crimes e de evasão do distrito da culpa. Ilegitimidade jurídica
da prisão cautelar quando decretada, unicamente, com suporte em juízos meramente conjectura is.
Indispensabilidade da verificação concreta de razões de necessidade subjacentes à utilização, pelo
estado, dessa medida extraordinária. Situação excepcional não verificada na espécie. Injusto cons-
trangimento configurado. "Habeas corpus" deferido. Prisão cautelar. Caráter excepcional. A privação
cautelar da liberdade individual - cuja decretação resulta possível em virtude de expressa cláusula
inscrita no próprio texto da Constituição da República (CF, art. 5!!, LXI), não conflitando, por isso
mesmo, com a presun ção constitucional de inocência (CF, art. 5!!, LVII) - reveste-se de caráter excep-
cional, somente devendo ser ordenada, por tal razão, em situações de absoluta e real necessidade.
A prisão processual, para legitimar-se em face de nosso sistema j urídico, impõe - além da satisfação
dos pressupostos a que se refere o art. 312 do CPP (prova da existência material do crime e indício
suficiente de autoria) - que se evidenciem, com fundamento em base empírica idônea, razões justi -
ficadoras da imp rescindibilidade dessa extraordinária medida cautelar de privação da liberdade do
indiciado ou do réu. Doutrina.//A prisão preventiva - enquanto medida de natureza cautelar - não
pode ser utilizada como instrumento de punição antecipada do in diciado ou do réu . A prisão cautelar
não pode - nem deve - ser utilizada, pelo Poder Público, como instrumento de punição antecipada
daquele a quem se imputou a prática do del ito, pois, no sistema ju rídico brasileiro, fundado em
bases democráticas, prevalece o princípio da liberdade, incompatível com pun ições sem processo e
inconciliável com condenações sem defesa prévia . A prisão cautelar - que não deve ser confundida
com a prisão penal - não objetiva infligir punição àquele que sofre a sua decretação, mas destina-se,
considerada a função cautelar que lhe é inerente, a atuar em benefício da atividade estatal desen-
volvida no processo penal.//A gravidade em abstrato do crime não constitui fator de legitimação da
privação cautelar da liberdade. A natureza da infração penal não constitui, só por si, fundamento
justificador da decretação da prisão ca utelar daquele que sofre a persecução criminal instaurada pelo
Estado.//A preservação da cred ibilidade das institu ições não se qualifica, só por si, como fundamento
autorizador da prisão cautelar. Não se reveste de idoneidade jurídica, para efeito de justificação do
ato excepcional da prisão cautelar, a alegação de que essa modalidade de prisão é necessária para
resguardar a credibilidade das instituições.//A prisão cautelar não pode apoiar-se em juízos meramente
conject urais. A mera suposição, fundada em simples conjecturas, não pode aut orizar a decretação
da prisão cautelar de qualquer pessoa . A decisão que ordena a privação cautelar da liberdade não
se legitima quando desacompanhada de fatos concretos que lhe justifiquem a necessidade, não po-
dendo apoiar-se, por isso mesmo, na avaliação puramente su bjetiva do magistrado de que a pessoa
investigada ou processada, se em liberdade, poderá deli nquir ou interferir na instrução probatória
ou evadir-se do distrito da culpa ou, então, prevalecer-se de sua particular condição social, funcional
ou econômico-financeira para obstruir, indevidame nte, a regular tram itação do processo penal de
conhecimento. Presunções arbitrá rias, construídas a partir de juízos merament e conjecturais, porque
fo rmuladas à margem do sistema juríd ico, não podem prevalecer sobre o princípio da liberdade, cuja
precedência constitucional lhe confere posição eminente no domín io do processo penal.//Ausência
de demonstração, no caso, da necessidade concreta de decretar-se a prisão preventiva do paciente.
Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação ca utelar da liberdade
individua l do i ndiciado ou do réu. Ausentes razões de necessidade, revela-se incabível, ante a sua
excepcionalidade, a decretação ou a subsistência da prisão cautelar.//A presunção constitucional de
inocência impede que o estado t rate como se culpado fosse aquele que ainda não sofreu condenação
penal irrecorrível. A prerrogativa jurídica da liberdade - que possui extração constitucional (CF, art .
5!!, LXI e LXV) - não pode ser ofendida por interpretações doutrinárias ou jurisprudenciais, que, fun-
dadas em preocupante discurso de conteúdo autoritário, culminam por consagrar, paradoxalmente,
em detrimento de direitos e garantia s fundamentais proclamados pela Constituição da República, a
ideologia da lei e da ordem. Mesmo que se trate de pessoa acusada da suposta prática de crime he-
diondo, e até que sobrevenha sentença penal condenatória irrecorrível, não se revela possível - por
125
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

efeito de insuperável vedação constitucional (CF, art. 5Q, LVII)- presumi r-lhe a culpabilidade. Ningu ém,
absolutamente ninguém, pode ser tratado corno culpado, qualquer que seja o ilícito penal cuja prática
lhe tenha sido atribuída, sem que exista, a esse respei to, decisã o judicial condenatória transitada
em julgado. O princípio constitucional do estado de inocência, ta l como delineado em nosso sistema
jurídico, consagra uma regra de tratamento que im pede o Poder Público de agir e de se comport ar,
em relação ao suspeito, ao indiciado, ao denunciado ou ao réu, como se estes já houvessem sido
condenados, definitivamente, por sentença do Poder Judiciário. (lnfo 677)

LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipó-
teses previstas em lei;
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no
prazo lega l;
LX-a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade
ou o interesse social o exigirem;

1. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• AP 470/MG - 10. Acolheu-se preliminar de cerceamento de defesa pela falta de intimação de ad-
vogado constituído, para anular o processo a partir da defesa prévia, exclusive, e determinar o des-
membramento do feito, com a remessa dos autos para a justiça de 12 grau, a fi m de que lá prossiga
a persecução penal movida contra o acusado suscitan te. Arguia-se que os causídicos em cujos no-
mes as publicações do processo foram feitas não representariam o réu desde 2008, quando de seu
interrogatório. Na oportu nidade, comunicara expressamente haver constitu ído novo patrono, que
o acompanhara no referido ato. Fora juntada procuração, seguida de defesa prévia. Entretanto, as
intimações subsequentes teriam sido realizadas aos advogados desconstituídos que, em 2010, infor-
maram a renúncia ao mandato . Consequentemente, as testemunhas arro ladas na defesa prévia não
foram ouvidas. Reconheceu-se a ocorrência de cerceamento de defesa, haja vi sta clara manifestação
de vontade por parte do ré u a respeito de sua defesa técnica, bem como seu di reito fundame ntal de
escolher advogado. Dessurniu-se configurado prejuízo irreparável e nulidade absoluta, inclusive por-
que as acusações imputadas ao réu teriam por base prova testemunha l. Assim, o acompanhamento
desses depoiment os por def ensor constituído seria imprescindível (CF, art. 59, LX). Por conseguinte,
declarou-se o prejuízo de outra preliminar, formulada pelo mesmo acusado, de cerceamento de defesa
pela não inquirição de testemunhas arroladas na defesa prévia. Afastou -se, por fim, prelim inar de
inobservância à regra prevista no art. Sº da Lei 8.038/90 ("Se, com a resposta, forem apresentados
novos documentos, será intimada a pa rte contrária para sobre eles se manifestar, no prazo de cinco
dias") pela acusação, que refutara cada uma das defesas preliminares apresentadas pelos acusados,
sem restringir-se à manifestação sobre documentos novos. Reportou-se ao extenso exame de todas
as ma nifestações das partes pelo Plenário durante todo o processo, que entende ra pelo recebim ento
da denúncia. Não haveria que se falar, portanto, em vio lação ao aludido dispositivo. AP 470, rei. Min.
Joaquim Barbosa, 16.8.2012. Pleno. (lnfo 675)

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (VUNESP. PC-CE. Inspetor de Polícía. 2015) A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 59, inc.
LVIII, que "o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses
previstas em lei". Acerca dessa nor ma, é correto afirmar que
a) tem aplicação mediata e eficácia limitada .
b) tem aplicação imediata e eficácia plena.
c) tem aplicação mediata e eficácia plena.
d) tem aplicação imediata e eficácia contida .
e) tem aplicação imediata e eficácia limitada.
126
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA 00 BRASIL DE 198B Ar!. 5°

02. (FCC. TRT-3. Técnico Judiciário -Área Administrativa. 2015) Um cidadão solicitou ao Poder Executivo
federal que lhe informasse o valor da remuneração pelo exercício de cargo público de Advogado da
União. De acordo com a Constituição Federal, trata-se de informação que
a) deve ser prestada ao cidadão, mediante comprovação de seu interesse particular em obtê-la
b) deve ser prestada ao cidadão, independentemente de comprovação de seu interesse particular em
obtê-la, uma vez que o Estado deve prestar todas as informações que são custodiadas pelos órgãos
públicos
c) deve ser prestada ao cidadão, independentemente da comprovação de seu interesse particula r em
obtê-la, uma vez que se trata de informação de interesse coletivo
d) não deve ser prestada ao cidadão, visto que se trata de informação cujo sigilo é imprescindível à
segurança da sociedade
e) não deve ser prestada ao cidadão, visto que se trata de informação cujo sigilo é imprescindível à
segurança do Estado

03. (TRF-4. Juiz Federal Substituto. 2016) Assinale a alternativa correta, de acordo com a Consti tuição
Federal
A) Compete privativamente à União legislar sobre direit o penal, direito processual penal e direito peni-
tenciário
B) A lei considerará a associação para o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins como crime he-
diondo
C) A lei considerará a prática do racismo, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e a ação de
grupos armados contra a ordem constitucional e o estado democrático como crimes imprescritíveis
e insuscetíveis de graça ou anistia
D) O civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas
em lei
E) A prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança

HH 01 D 1 02 C 1 03 D

LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente
militar, definidos em lei;

l. BREVES COMENTÁRIOS
A referência à "autoridade judiciária competente" expressa no dispositivo faz com que a
prisão (exceto nos casos de flagrante delito, transgressão ou crime propriamente militar) seja
submetida à reserva constitucional de jurisdição. Esta restringe à esfera única de decisão dos
magistrados a prática de atos cuja realização, em virtude de expressa determinação constitu-
cional, somente pode emanar do juiz, nunca de outras autoridades (STF - MS 23.452). Nos
termos da jurisprudência do STF, além da prisão, estão submetidas a esta cláusula as ordens
de invasão de domicílio (CF, art. 5°, XI), de interceptação telefônica (CF, art. 5°, LXI) e de
quebra do sigilo imposto a processo judicial (CF, art. 5°, LX).
A necessidade de ser escrita visa à comprovação da existência da ordem e de sua legi-
timidade. A fundamentação, enquanto imperativo do Estado constitucional democrático,
deve estar presente em toda e qualquer decisão judicial, sob pena de sua nulidade (CF,
art. 93, IX).
127
Arl. 5° TÍTULO li - OOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

No que se refere às transgressões e crimes militares, foram contempladas exceções


em razáo da própria estrutura das forças armadas, baseada na hierarquia e disciplina (CF,
art. 142), sendo afastado, inclusive, o cabimento de habeas corpus em relação a punições
disciplinares militares (CF, art. 142, § 2°). A competência para regulamentar as hipóteses
de rransgressões militares foi delegada pelo art. 47 da Lei 6.880/1980 ao Chefe do Poder
Executivo (Decreto 4.346/2002 e Anexo I). Segundo o entendimento adotado pelo STF, a
Lei 6.880/1980 foi recepcionada pela Constituição de 1988 (ADI 3.340).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STJ -Súmula n!! 280. O art. 35 do Decreto-lei n!! 7.661, de 1945, que estabelece a prisão administrativa,
foi revogado pelos incisos LXI e LXVII do art. 52 da Constituição Federal de 1988.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (FCC/Metrô/SP/Advogado/2012) Adalberto, oficial da Marinha, cometeu crime propriamente militar
durante treinamento no Rio Amazonas e, passados sete meses, fo i preso na zona portuária do Rio
de Janeiro sem que houvesse ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente.
Segundo a Constituição Federal, essa prisão de Adalberto é
a) lícita, apenas se ordenada pelo Procurador Geral da República .
b) proibida.
c) lícita, apenas se ordenada pelo Procurador Geral do Ministério Público.
d) possível.
e) lícita, apenas com a concordância da Advocacia Geral da União.

idH 01 D 1

LXll-a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente
ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sen-
do -lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

1. BREVES COMENTÁRIOS

O princípio da não autoincriminaçáo, consagrado de forma inovadora pela Consti-


tuição de 1988, impede que se possa impor a alguém a obrigaçáo de produzir provas contra
si mesmo (nemo tenetur se detegere), seja na fase investigatória, seja no curso da instrução
processual.
A despeito da redação do dispositivo constitucional, o titular do direito ao silêncio
- uma das expressões do princípio da não autoincriminaçáo - não é apenas o preso, mas
qualquer pessoa que esteja na condição de testemunha (STF - HC 73.035/DF), indiciado ou
réu, cabendo à autoridade responsável o dever de informar (STF - HC 83.096). Este direito
deve ser assegurado, portanto, perante todos os órgãos públicos, independentemente de o
interrogatório ser realizado na polícia, em juízo (STF - HC 82.463) ou em uma comissão
parlamentar de inquérito (STF - HC 79.812).
128
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

A falta desta advertência e da sua documentação formal, no momento adequado, gera a


nulidade das informações autoincriminatórias, assim como das provas delas derivadas. To-
davia, conforme ressalva feita pelo Min. Sepúlveda Pertence, "a opção pela intervenção ativa
implica abdicação do direito a manter-se calado e das consequências da falta de informação
oportuna a respeito" (ST F - HC 78.708).
Por outro lado, há de se ter em mente que o silêncio não pode ser interpretado como
prova definitiva de culpabilidade, sob pena de tornar inócua a garantia constitucional. A
condenação, no entanto, terá validade quando baseada não no silêncio do réu, mas em um
conjunto de fatos e provas autônomos e distintos (STF - RE 435.266-AgR).
No âmbito de proteção do direito ao silêncio não está compreendido o direito de falsear a
verdade quanto à identidade pessoal, restando tipificado o crime de falsa identidade quando
o agente, ao ser preso, identifíca-se com nome falso, com o objetivo de esconder seus maus
antecedentes (STF - HC 72.377). Ademais, não viola o direito constitucional ao silêncio a
interceptação telefônica dos envolvidos em investigação criminal determinada pela autoridade
judiciária competente (STF - HC 103.236).
A par do direito ao silêncio, são extraídos do princípio do nemo tenetur se detegere outros
desdobramentos igualmente importantes. Renato Brasileiro de lima (2009) esclarece que o
direito de não produzir prova contra si mesmo abrange ainda: I) o direito de não ser cons-
trangido a confessar a prática de ilícito penal; II) a inexigibilidade de dizer a verdade; III) o
direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá-lo; e IV) o direito
de não produzir prova incrirninadora invasiva sem consentimento.
No tocante à garantia de assistência técnica por advogado, o STF tem adotado o enten-
dimento de que o acesso deste aos autos de ações penais ou inquéritos policiais, mesmo quando
classificados corno sigilosos, configura direito dos investigados, haja vista que "a oponibilidade
do sigilo ao defensor constituído tornaria sem efeito a garantia do indiciado, abrigada no art.
5°, LXIII" (HC 94.387). Nesse sentido, foi aprovado um verbete nos seguintes termos: "É
direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova
que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência
de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa" (Súmula Vinculante
14/STF). Este enunciado, é importante que se diga, refere-se expressamente aos elementos
de prova já documentados, o que significa que o acesso amplo facultado ao defensor não
abrange todo e qualquer ato, ação ou diligência integrantes de um inquérito policial. Se as-
sim o fosse, o acesso prévio a certos despachos ou diligências poderia inviabilizar ou tornar
ineficaz a medida investigatória, revelando-se incomparível com o princípio da justiça penal
eficaz. Restaram excluídas do enunciado, portanto, as diligências em andamento, assim como
aquelas que se encontram em fase de deliberação, tendo em vista que a ciência prévia pelo
advogado poderia comprometer a investigação policial.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF - Súmula vinculante nº 14. É direito do defensor, no interesse do representado, t er acesso amplo
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

129
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

3. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• Confissão espontânea e caráter preponderante. A 2~ Turma, ao reconhecer, na espécie, o caráter


preponderante da confissão espontânea, concedeu " habeas corpus" para determinar ao juízo proces-
sante que redimensionasse a pena imposta ao paciente. No caso, discutia-se se esse ato caracterizaria
circunstância atenuante relacionada à personalidade do agente e, portanto, preponderante nos termos
do art. 67 do CP. Inicialmente, acentuou-se que a CF (art. 5!!, LXIII) asseguraria aos presos o direito
ao silêncio e que o Pacto de São José da Costa Rica (art. 8!!, 2, g) institucionalizaria o princípio da não
autoincriminação - " nemo denetur se detegere". Nesse contexto, o chamado réu confesso assumiria
post ura incomum, ao afasta r-se do instinto do autoacobertamento para colaborar com a elucidação
dos fatos, do que resu ltaria a prevalência de sua confissão. Em seguida, enfatizou-se que, na concreta
situação dos autos, a confissão do paciente contribuíra efetivamente para sua condenação e afastara
as chances de reconhecimento da tese da defesa técnica no sentido da não consumação do crime.
Asseverou-se que o instituto da confissão espontânea seria sanção do tipo premiai e que se assumiria
com o paciente postura de lealdade. Destacou-se o caráter individual, personalístico dos direitos sub-
jetivos constitucionais em matéria criminal e, como o indivíduo seria uma realidade única, afirmou-se
que todo o instituto de direito penal que se lhe aplicasse, deveria exibir o timbre da personalização,
notada mente na dosimetria da pena. HC 101909, rei. Min. Ayres Britto, 28 .2.2012. 2~ T. (lnfo 656)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (IDECAN. SEJUC-RN. Agente Penitenciário.2017) Nos termos da Constituição Federal de 1988, quanto
à prisão é correto afirmar que
A) Ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, desde que
efetuado o necessário pagamento da fiança.
B) A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao j uiz
competente e, na sua falta, à família do preso ou à pessoa por ele indicada.
C) O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada
a assistência da familia e, mediante pagamento, a presença de advogado.
D) Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos
em lei.

HH o, D

LXIV - o preso t em direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu inter-
rogatório policial;

LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Preocupado em proteger direitos fundamentais básicos, especialmente a liberdade de
locomoção, o constituinte estabeleceu uma série de dispositivos com a finalidade de impedir
prisões ilegais ou arbitrárias (CF, art. 5°, incisos LXI a LXVII).
A garantia constitucional voltada a assegurar a liberdade individual de locomoção contra
qualquer ilegalidade ou abuso de poder é o habeas corpus (CP, art. 5°, LXVIII).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula n!! 697. A proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não
veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo.

130
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

3. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (Fundação Aroeira - Delegado de Polícia - TO/2014) Dispõe a Constituição Federal, no Título dos
Direitos e Garantias Fundamentais, que a prisão ilegal será imediatamente
a) revogada pela autoridade policial competente.
b) substituída por fiança.
c) relaxada pela autoridade judiciária.
d) substituída por monitoração eletrônica.

NH o1 e 1

LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provi-
sória, com ou sem fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento volun-
tário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;

1. BREVES COMENTÁRIOS

Desde a Constituição de 1934 , o ordenamento jurídico brasileiro não admite, em regra, a


privação da liberdade de locomoção em virtude de dívidas em geral. Este dispositivo consagra
uma norma que protege direta e imediatamente a liberdade individual de locomoção contra
a prisão civil por dívida, admitindo restrição por lei nas duas hipóteses constitucionalmente
previstas. A prisão civil por dívida, vale notar, não decorre diretamente da Constituição,
devendo ser tipificada por lei. O dispositivo constitucional apenas contempla a possibilidade
de previsão legal desta espécie de prisão civil nas duas hipóteses mencionadas.
A obrigação alimentícia tem como fundamento o dever da família, e em especial dos pais,
de promover a manutenção dos filhos menores, assegurando-lhes, com a sociedade e o Estado,
o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária (CF, arr. 227).
No caso do depositário infiel, a prisão tem como fundamento dois diplomas legais. O
Decreto-Lei 911/1969, ao estabelecer normas de processo sobre alienação fiduciária, dispõe
que o devedor que alienar, ou der em garantia a terceiros, coisa que já alienara fiduciaria-
mente em garantia, ficará sujeito à pena prevista para o crime de disposição de coisa alheia
como própria (DL 911/1969, art. 1°, § 8°), qual seja pena de reclusão, de 1 a 5 anos, e multa
(CP, art. 171, § 2°, I). Por sua vez, o Novo Código Civil estabelece que, seja o depósito
voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando exigido será compelido
a fazê-lo mediante prisão não excedente a 1 ano, além de ter que ressarcir os prejuízos (Lei
10.406/2002, art. 652). A despeito de tais previsões, o Supremo Tribunal Federal, após
conferir status supralegal aos tratados e convenções internacionais de direitos humanos não
aprovados na forma estabelecida pelo art. 5°, § 3° da Constituição (RE 466.343/SP), decidiu
que "a subscrição pelo Brasil do Pacto de São José da Costa Rica, limitando a prisão civil por
dívida ao descumprimento inescusável de prestação alimentícia, implicou a derrogação das
normas estritamente legais referentes à prisão do depositário infiel." (HC 87.585). O enten-
dimento de que "é ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade
do depósito", foi consagrado na Súmula Vinculante 25/STF.
131
Art. 5° TÍTULO li - OOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Atualmente, portanto, a prisão civil por dívida só é admitida no direito brasileiro na


hipótese de inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia, não podendo
ser decretada no caso de depositário infiel, independentemente de ser hipótese de alienação
fiduciária, de contrato de depósito ou de depósito judicial.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 25. É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a moda-
lidade do depósito.

• STJ -Súmula n!! 280. O art. 35 do Decreto-lei n!! 7.661, de 1945, que estabelece a prisão adm inistrativa,
foi revogado pelos incisos LXI e LXVII do art. 5!! da Constitu içã o Federal de 1988.

• STJ-Súmula n!! 309. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende
as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.

• STJ -Súmula n!! 419. Descabe a prisão civil do depositário judicial infiel.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• Direito civil. Prisão decretada com base em decisão de cautelar envolvendo direito de família.
Dúvida sobre a eficácia da execução de alimentos. Não é razoável manter a prisão civil decretada
em execução de decisão liminar proferida em ação cautelar preparatória de separação de corpos c/c
guarda de menor e alimentos provisionais, na hipótese em que o tribunal de origem não decidiu se
houve perda da eficácia da cautelar com o não ajuizamento da ação principal no prazo previsto no
art. 806 do CPC. Conforme a Súm. 482/STJ e o art. 806 do CPC, a parte tem 30 dias para propor a
ação principal, sob pena de perda da eficácia da liminar deferida e a extinção do processo cautelar. A
doutrina majoritária afasta a aplicação dessa regra quando se trata de ações cautelares envolvendo
Direito de Família. Todavia, a 3~ Turma, em outra oportunidade, ao apreciar a questão entendeu que
os arts. 806 e 808 do CPC incidem nos processos cautelares de alimentos provisionais. Assim, há dú-
vida acerca da eficácia do título que embasa a execução de alimentos, devendo o tribunal de origem
determinar se o não ajuizamento da ação principal no prazo decadencial do art. 806 do CPC acarreta
a perda da eficácia da decisão liminar concedida na cautelar preparatória e, em caso positivo, qual
o período em que a referida decisão produziu efeitos. A definição dessa questão é relevante, pois
poderá acarretar a redução do "quantum" devido ou, até mesmo, a extinção da execução. Dessa for-
ma, não se mostra razoável o constrangimento à liberdade de ir e vir do paciente (art. 5!!, LXVII, da
CF), medida sabidamente excepcional, antes de se definir a eficácia e liquidez do título que embasa
a execução de alimentos e, assim, a legalidade da decretação da prisão. RHC 33.395, rei. Min. Paulo
Sanseverino, j . 4.10.2012. 3~ T. (lnfo 506)

• HC. Execução de débito alimentar. Prisão civil. Natureza das verbas. Apenas o inadimplemento de
verbas de caráter alimentar autoriza a execução nos termos do rito previsto no art. 733 do CPC. A
verba destinada à ex-esposa para manutenção de sítio - que não constitui sua moradia - até a efetiva-
ção da partilha dos bens comuns do casal não tem natureza jurídica de alimentos. Logo é insuficiente
para embasar o decreto de prisão civil por dívida alimentar. Na espécie, tal verba foi estabelecida com
o objetivo de impedir que a ex-esposa, responsável pela administração do bem comum do casal até
a partilha, retirasse da sua pensão alimentícia, destinada, única e exclusivamente, a sua subsistência,
o valor necessário ao custeio de outras despesas, no caso, a manutenção de bem imóvel de respon-
sabilidade de ambos os litigantes. HC 232.405, rei. Min . Massami Uyeda, j. 22.5.2012. 3!! T. (lnfo 498}

• Prisão civil. Pagamento parcial da obrigação alimentícia. A Turma reafirmou que o pagamento
parcial da obrigação alimentar não afasta a regularidade da prisão civil. Destacou-se que este Su-
perior Tribunal entende ser legítima a prisão civil do devedor de alimentos, quando fundamentada
132
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

na falta de pagamento de prestações vencidas nos três meses anteriores à propositura da execução
ou daquelas vencidas no decorrer do processo (Súm. 309/ STJ). Ademais, eventuais alegações quanto
à incapacidade material do recorrente de satisfazer a prestação alimentícia devem ser discutidas nos
autos da ação de alimentos, não no âmbito estreito do "writ", cujo trâmite não comporta dila ção
probatória. RHC 31.302, rei. Min. Antonio C. Ferreira, j. 18.9.2012. 4ª T. (lnfo 504)

• Depositário infiel de valor pertencente à Fazenda: proporcionalidade e devido processo legal


É inconstitucional a Lei 8.866/94, que trata do depositário infiel de valor pertencente à Fazenda Pú-
blica. A lei: a) cria a ação de depósito fiscal, com o escopo primordial de coagir, sob pena de prisão,
o devedor a depositar o valor referente à dívida na contestação, ou após a sentença, no prazo de 24
horas; b) chancela a possibilidade de submeter o devedor a sofrer processo judicial de depósito, sem
que tenha ocorrido a finalização do processo administrativo fiscal; e c) dispõe sobre a proibição de,
em se tratando de coisas fungíveis, seguir-se o disposto sobre o mútuo (CC/16, art. 1280; CC/2002,
art. 645), com a submissão do devedor a regime mais gravoso de pagamento, em face dos postulados
da proporcionalidade, do limite do direito de propriedade e do devido processo legal. Determinar que
a contestação seja apresentada com o depósito do numerário sob pena de revelia equivale a exigir
depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial, o que é manifestamente proibido
pela Suprema Corte, nos termos da Súmula Vinculante 28 . A retirada das disposições relativas à prisão
civil por dívidas acaba com o escopo da legislação em comento. Afinal, não existe plausibilidade para
manutenção da tutela jurisdicional díspar com o ordenamento jurídico, a qual cria situação despro-
porcional e, portanto, inconstitucional para o fim de otimizar a arrecadação tributária. Para evitar
insegurança jurídica ou qualquer prejuízo ao erário em relação aos prazos prescricionais, o Tribunal
definiu que as ações de depósito fiscal em curso deverão ser transformadas em ação de cobrança,
de rito ordinário, com oportunidade ao Poder Público para a sua adequação ou para requerer a sua
extinção. ADI 1055, Rei. Min . Gilmar Mendes, j. 15.12.2016. Pleno. (lnfo 851)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {VUNESP. PC-CE. Escrivão de Polícia. 2015) No que diz respeito aos direitos e garantias fundamentais
previstos na Constituição da República, é correto afirmar que
a) ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou
sem fiança.
b) a prática do racismo con stitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de detenção.
c) é reconhecida a instituição do júri, com a competência para o julgamento dos crimes culposos contra
a vida.
d) a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: de trabalhos forçados
e suspensão ou interdição de direitos.
e) a lei penal não retroagirá, salvo para punição do réu que tiver cometido crime hediondo.

02. {VUNESP. PC-CE. Escrivão de Polícia. 2015) Assinale a alternativa que contempla hipótese de exceção
à regra de que a Constituição Federal não admite a prisão civil por dívidas.
a) Responsável civil por obrigação derivada de acidente automobilístico.
b) Descumprimento de obrigação pecuniária de contrato de financiamento bancário.
c) Inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia.
d) Devedor de obrigação monetária por dívida de jogo.
e) Inadimplemento de dívida de fiador de contrato de locação.

03. (FMP Concursos.PGE-AC.Procurador do Estado.2017) A CF/88 contempla verdadeiro sistema de


direitos fundamentais que se caracteriza, dentre outras circunstâncias, pela previsão expressa de

133
Ar!. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

normas de sistematização que disciplinam a aplicação dos direitos fundamentais em espécie; quanto
às normas de sistematização, é correto afirmar que
A) independentemente de qualquer intervenção legislativa, nos termos do art. 5!2, § 12, as normas jus
fundamentais são aptas a produzir todos os seus efeitos a partir da mera previsão expressa no texto
constitucional.
B) os brasileiros e os estrangeiros residentes no Brasil, tal como previsto no caput do art. 5!2, são, em
igualdade de condições, sujeitos dos direitos fundamentais.
C) os turistas, assim como as pessoas jurídicas, não contemplados no caput do art . 5!2 não são sujeitos
de quaisquer direitos fundamentais.
D) pessoas jurídicas não são sujeitos de direitos fundamentais.
E) direito humano internalizado no ordenamento pátrio como direito fundamental, não obstante per-
missivo expresso no art. 5!2, LXVII, impede a prisão civil do depositário infiel por dívida.

E o1 A 1 02 C 1 03 E 1

LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de


sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

1. BREVES COMENTÁRIOS
O habeas corpus tem por objetivo proteger o indivíduo contra constrições ilegais ou abu-
sivas em seu direito de ir, vir ou permanecer. Trata-se de uma garantia constitucional voltada
para a proteção da liberdade física de locomoção, cujos traços distintivos são a celeridade
da medida e o cunho mandamental da decisão.
O habeas corpus tem sido contemplado em todas as constituições brasileiras, desde 1891,
tendo sido suspenso apenas no período de vigência do AI-5, editado no contexto da Ditadura
Civil-Militar, no ano de 1968 (MENDES et alii, 2007).
O habeas corpus suspensivo (ou repressivo) é utilizado com o propósito de liberar o
paciente quando já consumada a violência ou a coação ilegal ou abusiva. O habeas corpus
preventivo é impetrado com a finalidade de impedir a perpetração da violência ou coação
ilegal, hipótese na qual é concedido o "salvo-conduto".
A legitimidade ativa para impetração do habeas corpus é atribuída a qualquer pessoa
física, nacional ou estrangeira, em seu favor ou de outrem, e ao Ministério Público (CPP,
art. 654). Pessoas jurídicas podem impetrá-lo em benefício de uma pessoa física, mas não
podem ser pacientes, uma vez que, apesar da possibilidade de serem apenadas relativamente
a determinados crimes, jamais estará em jogo a sua liberdade de ir e vir, objeto que essa
medida visa a proteger (STF - HC 92.921).
O sujeito passivo pode ser uma autoridade ou mesmo um particular, desde que o
constrangimento seja decorrente da função por ele exercida. Todavia, se a detenção é feita
por motivos de ordem pessoal ou mero capricho, e não em razão da "posição funcional",
configura-se a hipótese de crime de cárcere privado.
O habeas corpus tem prioridade sobre todas as ações processuais, inclusive o mandado
de segurança. Tendo em vista a importância do bem jurídico tutelado ("liberdade de loco-
moção") e a possibilidade de concessão ex officio, a impetração do habeas corpus não exige
capacidade postulatória e independe de certas formalidades.
134
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

A Constituição faz uma ressalva quanto ao seu cabimento no caso das punições disci-
plinares militares (CF, art. 142, § 2°). Nesse caso, todavia, a restrição limita-se apenas ao
mérito do aro, sendo cabível o habeas corpus para aferir os pressupostos formais, tais como:
I) a hierarquia da autoridade sancionadora e sancionada; II) a pena não vedada pelo orde-
namento; e, III) o ato praticado e sancionado (TAVARES, 2002).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula n!! 395. Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o
ônus das custas, por não estar mais em causa a liberdade de locomoção.

• STF -Súmula n!! 692. Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de extradição, se
fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado
a respeito.

• STF-Súmula n!! 693. Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo
a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada .

• STF -Súmula n!! 694. Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou
de perda de patente ou de função pública.

• STF -Súmula n!! 695. Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA
• STF/753 - "Habeas corpus" e autodefesa técnica
O "habeas corpus" não é o instrumento processual adequado a postular o direito de exercer a au-
todefesa técnica, uma vez que não está em jogo a liberdade de locomoção do paciente. Com base
nessa orientação, a 2ª Turma não conheceu de "writ" impetrado, em cau sa própria, por advogado
preso que pretendia atuar isoladamente em sua defesa no curso de processo penal. HC 122382/SP,
Rei. Min. Cármen Lúcia, 5.8.2014. 2ª T.

• Responsabilidade civil. Abuso de Direito. Impetração de "habeas corpus". Impedimento de inter-


rupção de gravidez. Síndrome de "Body Stalk".
Caracteriza abuso de direito ou ação passível de gerar responsabilidade civil pelos danos causados
a impetração do "habeas corpus" por terceiro com o fim de impedir a interrupção, deferida judi-
cia lmente, de gestação de feto portador de síndrome incompatível com a vida extrauterina. REsp
1.467.888-GO, Rei. Min. Nancy Andrigh1~ DJe 25.10.2016. 3!! T. (f nfo 592}

• STF/747 - "Habeas corpus" e impetração contra órgão do STF


Ao reafirmar o enunciado da Súm . 606/STF, o Plenário, por maioria, não conheceu de "writ", impetrado
contra decisão colegiada da 2ª Turma, em que se discutia suposta nulidade decorrente de ausência
de publicação da pauta para o julgamento de "habeas corpus". O Min. Roberto Barroso destacou a
possibilidade de, em situações teratológicas, superar o referido enunciado sumular. Porém, entendia
não ser o caso dos autos. HC 117091/MG, Red. p/ac. Min. Roberto Barroso, 22.5.2014 {HC-117091).

• STF/734 - Prejudicialidade: prisão cautelar e superveniência de sentença condenatória


Não fica prejudicado "habeas corpus" impetrado contra decreto de prisão cautelar, se superve-
niente sentença condenatória que utiliza os mesmos fundamentos para manter a custódia do réu.
Com base nessa orientação, a 2ª Turma não conheceu da impetração - em virtude de a matéria de
fundo não ter sido apreciada pelo STJ-, mas concedeu a ordem de ofício para dete rminar que o STJ
prossiga no julgamento de "habeas corpus" lá impetrado. No caso, aquela Corte assentara o prejuízo
do "writ", haja vista a superveniência de sentença condenatória, a implicar a substituição do título
prisional. HC 119396/ES, Rei. Min. Cármen Lúcia, 4.2.2014. 2!! T.

135
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

• STF/747 - Recurso em "habeas corpus" e capacidade postulatória


A 2ª Turma, por maioria, não conheceu de recurso ordinário em "habeas corpus" subscrito por advo-
gado com inscrição suspensa na OAB . Prevaleceu o voto do Min. Relator. Destacou jurisprudência da
Corte no sentido de que, ainda que o mesmo causídico tivesse interposto originariamente o "habeas
corpus", a suspensão obstaria o conhecimento do recurso subsequente, tendo em conta infração
direta ao art. 4º, parágrafo único, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil - EOAB. Frisou
que o recurso ordinário em "habeas corpus" seria instrumento processual que exigiria capacidade
postulatória. Rememorou que a defesa técnica seria um direito fundamental do cidadão. No que se
refere à questão de fundo, não vislumbrou a existência de teratologia que justificasse a concessão da
ordem de ofício. RHC 121722/MG, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, 20.5.2014. 2º T.

• STF/764- AgRg no HC 123.796-SP. Rei. Min. Gilmar Mendes


Agravo regimental em "habeas corpus". 2. Impetração contra decisão que indeferiu medida liminar
no STJ. Inadmissibilidade. Súm. 691. 3. Ausência de argumentos capa zes de infirmar a decisão agra-
vada . 4. Agravo regimental a que se nega provimento.

• STF/764 -AgRg no HC 124.150-RJ. Rei. Min. Teori Zavascki


" Habeas corpus". Impetração contra decisão monocrática de ministro do STJ. Inviabilida de. Cabimento
de agravo interno. Interposição indispensável para atender ao princípio do juiz natural e para exaurir
a instância, pressuposto para inaugurar a competência do STF. Recurso a que se nega provimento. 1.
O "habeas corpus" ataca diretamente decisão monocrática de ministro do STJ. Essa decisão tem
o respaldo formal do art. 38 da Lei 8.038/90 e contra ela é cabível o agravo previsto no art. 39 da
mesma lei. Ambos os dispositivos estão reproduzidos, tanto no Regimento Interno do STF (arts. 192
e 317), quanto no Regi mento do STJ (a rts. 34, XVIII, e 258) . Em casos tais, o exaurimento da jurisdição
e o atendimento ao princípio da colegialidade, pelo tribunal prolator, se dá justamente mediante o
recurso de agravo interno, previsto em lei, que não pode simplesmente ser substituído pela ação
de "habeas corpus", de competência de outro tribunal. 2. A se admitir essa possibil idade estar-se-á
atribuindo ao impetrante a faculdade de eleger, segundo conveniências próprias, qual tri bunal irá
exercer o juízo de revisão da decisão monocrática : se o STJ, juízo natural indicado pelo art. 39 da Lei
8.038/90, ou o STF, por via de "habeas corpus" substitutivo. O recurso interno para o órgão colegiado
é medida ind is pensável não só para dar adequada atenção ao princípio do juiz natura l, como para
exaurir a instância recorrida, pressuposto para inaugurar a competência do STF. 3. Agravo regimental
a que se nega provimento.

• STF/748 - HC 106.325-RS. Rei. Min. Roberto Barroso


" Habeas corpus" impetrado contra decisão monocrática de ministro do STJ. Crime de porte ilega l de
arma de fogo. Tempestividade do recurso interposto pela defesa. Ilegalidade flagrante. 1. O enten-
dimento majoritário da Primeira Turma do STF é no sentido de que o "habeas corpus" "é incabível
quando endereçado em face de decisão monocrática que nega seguimento ao "writ", sem a inter-
posição de agravo regimental (HC 113186). 2. As peculiaridades da causa revelam a tempestividade
dos recursos interpostos pela parte impetrante. 3. "Habeas corpus" extinto sem resolução de mérito
por inadequação da via processual. Ordem concedida de ofício para determinar que o STJ prossiga
no exame do agravo de instrumento.

• STF/728- HC 115.797-SP. Rei. Min. Luiz Fux


Pena l e processua l penal. "Habeas corpus" paciente sob custódia do estado. Transferência para
outro estabelecimento prisional. Matéria não apreciada pelas instâncias precedentes. Supressão de
instância. Impossibilidade. Ausência de elementos nos autos que permitam concluir que o paciente
faz jus à transferência. Análise de fatos e provas. Vedação. (... ). 1. "A ressocialização do preso e a
proximidade da família devem ser prestigiadas sempre que ausentes elementos concretos e obje-
tivos ameaçadores da segurança pública" (HC 100.087). 2. "ln casu", a deficiência na instrução do
" habeas corpus" e a ausência da apreciação da matéria pelas instâncias precedentes não permitem
concluir que o paciente faça jus ao cumprimento da pena privativa de liberdade na cidade de São
136

CONSTITUIÇÃO A-REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

Paulo/SP. Isto porque não consta dos autos o tipo penal que embasou a condenação, a descrição
do fato criminoso praticado, a localidade onde o fato foi cometido, o "quantum" da pena imposta,
nem qualquer consideração a cerca das condições pessoais do condenado. Ademais, não consta,
ainda, qualquer documento que comprove que a famíl ia do paciente, de fato, reside na cidade de
São Paulo/SP. 3. Acrescente-se ainda que verificar a existência, ou não, de elementos concretos
que inviabilizariam o cumprimento da pena na cidade de São Paulo, demandaria o revolvimento do
conjunto fático-probatório, inviável na via do "habeas corpus". 4. A supressão de instância impede
que sejam conhecidas, em sede de "habeas corpus", matérias não apreciadas pelo Tribunal de ori-
gem. 5. "ln casu", a matéria trazida ao crivo desta Corte não foi, a rigor, analisada por nenhuma das
instâncias precedentes. Isso porque o "habeas corpus" impetrado no STJ não foi conhecido sob o
fundamento de que a questão nele deduzida "não foi dirimida pelo Tribunal de Justiça impetrado,
que limitou-se a não conhecer da ordem originária por entender que o pedido deveria ser antes
formulado perante o Juízo da Vara das Execuções Criminais respect ivo". A decisão foi mantida pelo
colegiado do STJ em sede de agravo regimental. (... ).

• STF/748 - HC 117.923-SP. Rei. Min. Ricardo Lewandowski


"Habeas corpus". Interposição simultânea de recurso ordinário em "habeas corpus" e deste "writ"
contra acórdão proferido pelo STJ. Veiculação de idêntica matéria em ambos. Julgamento do recu rso
ordinário. Prejudicialidade do HC. 1. No caso sob exame, a defesa impetrou "habeas corpus" originá-
rio paralelamente à interposição de recurso ordinário, suscitando as mesmas questões em ambos.
Assim, com vistas a prestigiar o sistema recursai vigente, que prevê, contra acórdão proferido pelo
STJ em "habeas corpus", o recurso ordinário em "habeas corpus", conhece-se do recurso, mesmo
que distribuído em momento posterior à distribuição da impetração originária. li. Apreciadas todas
as alegações postas pela defesa no julgamento do RHC, fica prejudicada esta impetração e, por
conseguinte, revogada a liminar concedida. Ili. "Habeas corpus" prejudicado, com a revogação da
liminar concedida.

• STF/735 - HC 119.46-SP. Rei. Min. Cármen Lúcia


"Habeas corpus". Constitucional. Penal. Crime contra a economia popular. Imposição de regime inicial
mais gravoso. Circunstâncias judiciais desfavoráveis. Possib ilidade. Pretensão de afastamento das
conclusões das instâncias ord inárias. Necessidade de reexame de fatos e provas impróprio na via
eleita. (... ). 1. Não há nulidade na decisão que fixa o regime inicial mais gravoso considerando -se as
circunstâncias judiciais desfavoráveis (CP, arts. 33, § 32 e 59), não se prestando o "habeas corpus"
para ponderar, em concreto, a suficiência daquelas circunstâncias: 2. O reexame dos elementos de
convicção considerados pelas instâncias ordinárias na avaliação das circunstâncias judiciais do art. 59
do CP demandaria o revolvimento do conjunto probatório, o que ultrapassa os limites do procedimento
sumário e documental do "habeas corpus". 3. Ordem denegada

• STF/745 - HC 121.035-PB. Rei. Min. Dias Toffoli


"Habeas corpus". Processual penal. Crimes de fraude à licitação (art. 90, da Lei 8.666/93) e de forma-
ção de quadrilha (CP, art. 288, caput) . Impetração dirigida contra decisão liminar do STJ indeferindo
a medida liminar pleiteada. Incidência da Súm . 691/STF. Não conhecimento do "writ". 1. Trata-se de
decisão indeferitória de liminar, devendo incid ir, na espécie, a Súm . 691/STF, segundo a qual "não
compete ao STF conhecer de 'habeas corpus' impetrado contra decisão do relator que, em 'habeas
corpus' requerido a tribunal superior, indefere a liminar". 2. O descontent amento pela falta de êxito
no pleito submetido ao STJ, ainda em exame precário e inicial, não pode ensejar o conhecimento
deste "writ", sob pena de supressão de instância e de grave violação das regras de competência. 3.
"writ" do qual não se conhece.

• STF/745 - HC 121.061-RJ. Rei. Min. Dias Toffoli


"Habeas corpus". Processual Penal. Prisão preventiva. Crime de roubo qualificado (CP, art. 157, § 22,
incs. 1e li). Impetração dirigida contra decisão liminar do STJ indeferindo a medida liminar pleiteada.
Incidência da Súm. 691/STF. Não conhecimento do "writ". 1. Trata-se de decisão indeferitória de

137
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

liminar, devendo incidir, na espécie, a Súm. 691/STF, segundo a qual "não compete ao STF conh ecer
de 'habeas corpus' im petrado contra decisão do Relator que, em 'habeas corpus' requerido a tribunal
superior, indefere a liminar". 2. O descontentamento pela falta de êxito no pleito submetido ao STJ,
ainda em exame precário e in icial, não pode ensejar o conhecimento do "writ", sob pena de supressão
de instância e de grave violação das regras de competência. 3. Não conhecimento do "writ". Ordem
extinta sem julgamento do mérito.

• STF/735 - RHC 120.387-SP. Rei. Min. Ricardo Lewandowski


Recurso ordinário em "habeas corpus". Constitucional. Penal. Processo penal. Fraude à licitação.
Alegação de desvio de recursos da União. lnocorrência. Verba incorporada ao município. Compe-
tência da Justiça Estadual. Revolvimento de matéria tático-probatória . Impossibilidade. Pena-base
acima do mínimo legal. Possibilidade. (... ). 1. Eventual irregularidade na aplicação dos recursos em
questão, decorrente de supostas fraudes em disputa de licitação, fere diretamente o patrimônio do
Município, tudo em decorrência da atuação dos gestores locais. li. A análise do mérito demanda o
revo lvimento de matéria tático-probatória, porquanto ausente prova robusta do alegado convênio
com o Ministério da Educação e Cultura (MEC} ou de que a verba não foi incorporada ao patrimônio
do Município, o que é vedado na estreita via do " habeas corpus". Il i. Esta ndo devidamente motivado
o "quantum" de pena fixado pelo juízo monocrático, além de proporcional ao caso em apreço, é certo
que não se pode utilizar "o "habeas corpus" para realizar novo juízo de reprovabilidade, ponderando,
em concreto, qual seria a pena adequada ao fato pelo qual condenado o Paciente (HC 94.655). IV.
Recurso ao qual se nega provimento.

• STF/747 - RHC 121.524-MG. Rei. Min. Cármen Lúcia


Recurso ordin ário em "habeas corpus". Constitucional. Processual penal. Penal. Dosimetria de pena.
Roubo triplamente majorado. Impossibilidade de reexame de prova.( ... ). 1. Este STF assentou não ser
possível em "habeas corpus" a reapreciação dos critérios subjetivos considerados pelo magistrado
para a dosimetria da pena. 2. A dosimetria da pena e os critérios subjetivos considerados pelos ór-
gãos inferiores para a sua realização não são passíveis de aferição em "habeas corpus" por necessitar
reexame de provas. 3. (... ).

• STF/762- RHC 123.456-SP. Rei. Min. Dias Toffoli


Recurso ordinário constitucional. "Habeas corpus". Negativa de seguimento pelo relator do "writ" no
STJ confirmada pelo colegiado. Fundamento: agravo em recurso especial pendente de julgamento.
Descabimento. Pressuposto de admissibilidade não previsto na CF. Precedentes. Recurso provido
para determinar o exame de mérito do "habeas corpus". 1. É incabível, para restringir-se o conheci-
mento do "habeas corpus", estabelecer-se pressuposto de admissibilidade não previsto na CF. 2. É
pacífico o entendimento da Primeira Turma do STF de que a interposição de recurso especial contra
acórdão de tribunal local não constitui óbice processual ao manejo conco mitante do "habeas corpus".
Precedentes. 3. Recurso provido.

• STJ/550- Inadequação de "habeas corpus" para questionar pena de suspensão do direito de dirigir
veículo automotor.
O "habeas corpus" não é o instrumento cabível para questionar a imposição de pena de suspensão
do direito de dirigir veículo automotor. Isso porque a pena de suspensão do direito de dirigir veí-
culo automotor não acarreta, por si só, qualquer risco à liberdade de locomoção, uma vez qu e, caso
descumprida, não pode ser convertida em repr im enda privativa de liberdade, tendo em vista que
inexiste qualquer previsão legal nesse sentido. Desse modo, inexistindo qualquer indício de ameaça
de violência ou constrangimento à liberdade de ir e vir do paciente, revela-se inadequada a via do
"habeas corpus" para esse fim . HC 283.505-SP, Rei. Min. Jorge Mussi, j. 21.10.2014. Sf! T.

• STJ/539 - RHC que consista em mera reiteração de HC.


A análise pelo STJ do mérito de "habeas corpus" com o objetivo de avaliar eventual possibilidade
de concessão da ordem de ofício, ainda que este tenha sido considerado incabível por inadequação

138
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

da via eleita, impede a posterior apreciação de recurso ordinário em "habeas corpus" que também
esteja tramitando no Tribunal, e que consista em mera reiteração do "mandamus" já impetrado
(com identidade de partes, objeto e causa de pedir). Isso porque, nessa hipótese, estaria configurada
a litispendência, instituto que visa precipuame nte à econ omia processual e ao propósito de evitar a
ocorrência de decisões contraditórias. Vale ressaltar que, de um lado, não se veda à defesa do pa-
ciente a impetração de "mandamus" incabível, na busca da sorte da concessão de ordem de "habeas
corpus" de ofício. De outro lado, porém, caso o "habeas corpus" seja analisado, pode-se ter de arca r
com o ônus de o recurso ordiná rio também impetrado não ter seu pedido de mérito apreciado pelo
Tribu nal, embora se trate da correta via de impugnação. Nesse contexto, deve-se ter em conta que
o acesso ao Judiciário não pode acontecer de forma indiscriminada e deve ser conduzido com ética e
lealdade, sendo consectário do princípio da lealdade processual a impossibilidade de a defesa pleitear
pretensões descabidas, inoportunas, tardias ou já decididas, que contribuam com o abarrotamento
dos tribunais . RHC 37.895- RS, Rei. Min . Laurita Vaz, j. 27.3.2014. Sª T.

Execução antecipada da pena e ação cautelar


A defesa, em vez de ingressar com "habeas corpus" contra determinação do imediato cumprimento
da pena, ajuizou uma ação cautelar para dar efeito suspensivo ao recurso especial. Nesse caso, a ação
cautelar tem o mesmo efeito de um "habeas corpus", porque mantém soltos os condenados até que
o STJ possa analisar o recurso interposto. Ainda caberia recurso contra a decisão do STJ por se tratar
de decisão monocrática de ministro relator. Incide, por analogia, a Súmula 691/STF. Não caracteriza
teratologia ou manifesta ilegalidade negar efeito suspensivo a um recurso que, em regra, não o tem.
HC 138633, Rei. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, j. 8 .8.2017. 1ª T. (l nfo 872)

Execução provisória da pena


Não é cabível "habeas co rpus" contra decisão monocrática. A impetração é substitutiva de agravo
regimental. Mesmo que fosse conhecido o "habeas corpus", admite-se a execução provisória da pena
a partir de condenação em segundo grau. Ainda que preva lecesse a posição minoritária defendida
pelo ministro Dias Toffoli, no sentido de que só é possível a execução provisória da pena a partir de
condenação proferida pelo STJ, foi efetivamente esse Tribunal Superior que, sem inovarfactualmente
nos autos, se va le u de provas já existentes produzidas e consideradas para condenar o paciente. HC
139391, Rei. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, j. 29.8.2017. 1ª T. (lnfo 875)

'Habeas corpus' e direito à visitação


Não cabe "habeas co rpus" para tutelar o direito à visita em presídio. HC 128057/SP, Rei. p/ ac. Min.
Alexandre de Moraes, j. 12.8.2017. 1ª T. (lnfo 871)

"Habeas corpus" e estabelecimento prisional adequado


Negado provimento a recurso ordinário em "habeas corpus" interposto contra decisão do STJ. No
"writ", o sentenciado alegou estar cumprindo pena em regime mais gravoso em razão da ausência
de vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime semiaberto. Foi constatada a exis-
tência de divergência entre o entendimento do j uiz de primeiro grau e do TJSC. A decisão do STJ
se fiou nos fundamentos sólidos apresentados pelo TJSC. Nesse contexto, é necessário o reexame
de fatos e provas para se chegar a um entendimento diverso, e o "habeas corp us" não comporta
tal análise, por se tratar de instrumento de cogn ição restrita. RHC 146317, Rei. Min. Dias Toffo li, j.
22.8.2017. 2ª T. (lnfo 874)

"Habeas corpus" e julgamento monocrático em tribunais


Reiterados pronunciamentos do STF são no sentido de incumbir não ao relator no âmbito do STJ, mas
a este últim o, como colegiado, j ulgar o "habeas corpus". A situação está a merecer a glosa, sob pena
de os 27 TJ e os 5 TRFs virem a proceder de idêntica forma, esvaziando o sentido da impetração. HC
120496, Rei. Min. Marco Aurélio, j . 14.3.2017. 1ª T. (lnfo 857)
"Habeas corpus" e visita íntima
O "habeas corpus" não é o meio adequado para tutelar visita íntima, por não estar envolvido o direito
de ir e vir. HC 138286, Rei. Min. Marco Aurélio, j. 5.12.2017. 1• T. (lnfo 887)

139
Ar!. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

"Habeas corpus" impetrado contra decisão de ministro do STF


Não cabe "habeas corpus", se a im petração for ajuizada em face de decisões monocráticas proferidas
por ministro do Supremo Tribunal Federal. HC 115787, Rei. p/ ac. Min. Dias Toffoli, 18.5.2017. Pleno.
(lnfo 865)
Impossibilidade de trancamento de ação penal via "habeas corpus"
Indeferido "habeas corpus" impetrado em favor de denunciado pela prática do crime de estupro de
vulnerável. O paciente, aos 18 anos, manteve relação sexual com a vítima, de 13 anos. Sustentava-se
ausência de justa causa pela atipicidade da conduta, pois a conjunção carnal teria sido consentida pela
vítima, em razão de relacionamento afetivo com o paciente. Sendo a vítima menor de quatorze anos,
o estupro é presumido, embora se trate de dois jovens, com idades próximas, em relacionamento
afetivo. HC 122945, Rei. p/ ac. Min. Roberto Barroso, j. 21.3.2017. 1ª T. (lnfo 8S8)
Repercussão geral e sobrestamento de processo-crime
O "ha beas corpus" não é o meio adequado para discutir crime que não enseja pena privativa de
liberdade. Não conhecido "habeas corpus" no qual se discutia a suspensão de processo-crime, na
hipótese de o tema estar submetido ao STF em sede de repercussão geral. HC 127834, Rei. orig. Min.
Marco Aurélio, red . p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, j. 5.12.2017. 1ª T. (lnfo 887)
Súmula 691/STF e supressão de instância
Não conhecido "habeas corpus" em que se pretendia revogar a prisão preventiva do paciente
acusado da prática dos delitos de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. É
caso de aplicação da súmula 691/STF, que somente pode se r superada quando houver teratologia,
flagrante ilegalidade ou abuso de poder que possam ser constatados "ictu oculi", o que não se ve-
rifica na espécie. A análise de alegado constrangime nto ilegal se co nfu nde com o próprio mérito da
impetração, que depende do exame pormenorizado dos autos em juízo de cognição exa uriente. Tal
análise deve ocorrer após a devida instrução do feito, inclusive com a manifestação do Ministério
Público Federal. Avançar neste momento processual levaria à vedada supressão de instância e ao
extravasamento dos limites de competência do STF. HC 143476, Rei. p/ ac. Min. Ricardo Lewando-
wski, j. 6.6.2017. 2ª T. (lnfo 868)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. {CESPE.TRT-7.Analista Judiciário - Área Judiciária.2017) Acerca dos princípios, direitos e garantias
fundamenta is previstos na CF, assinale opção correta
A) Conforme entendimento do STF, o direito fund amental à liberdade de pensamento e de livre expressão
da atividade intelectual, independentemente de censura, deve ser interpretado à luz do mandamento
constitucional que prevê a preservação da vida privada e da imagem da pessoa, de modo a ser exigível
o consentimento do interessado no caso de publicação de biografia qu e possa causar sério agravo à
intimidade.
B) As relações internacionais da República Federativa do Brasil são regidas pelos princípios da prevalência
da ordem democrática e do respeito à separação dos poderes.
C) Ao julgar ação direta de inconstitucionalidade em face da Lei de Biossegurança, o STF firmou enten-
dimento acerca do descabimento de pesquisa com células-tronco embrionárias, como decorrência
do direito à vida.
D) Não cabe habeas corpus para o trancamento de processo por crime de responsabilidade atribuído
ao presidente da República, uma vez que as sanções para tal espécie de infração são de índole polí-
tico-administrativa.

02. (VUNESP. Crbio 1~ Região. Advogado.2017) Considerando o disposto na Constituição Federal e nas
súmulas do Supremo Tribunal Federal sobre o habeas corpus, assinale a alternativa correta
A) É cabível o habeas corpus, ainda que extinta a pena privativa de liberdade, se o autor demonstrar
interesse subjetivo no seu resultado.

140
iBilli.i••mut;Jit,tJ;lãAml•Mi# lã;GiNi1 •:l;M111 )l@H
1 1) 1 1

B) Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, exceto no processo em curso
por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
C) Sentença de primeira instância concessiva de habeas corpus, em caso de crime praticado em detri-
mento de bens, serviços ou interesses da União, não está sujeita a recurso ex officio.
D) É cabível recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas, ainda que não
esteja mais em causa a liberdade de locomoção.
E) O assistente do Ministério Público não pode recorrer, extraordinariamente, de decisão concessiva de
habeas corpu s.

03. (CESPE.PC-GO.Delegado da Polícia Civil.2017) Considerando a jurisprudência do STF, assinale a opção


correta com relação aos remédios do direito constitucional
A) É cabível habeas corpus contra decisão monocrática de ministro de tribunal.
B) Em habeas corpus é inadmissível a alegação do princípio da insignificância no caso de delito de lesão
corporal cometido em âmbito de violência doméstica contra a mulher.
C) No mandado de segurança coletivo, o fato de haver o envolvimento de direito apenas de certa parte
do quadro social afasta a legitimação da associação.
D) O prazo para impetração do mandado de segurança é de cento e vinte dias, a contar da data em que
o interessado tiver conhecimento oficial do ato a ser impugnado, havendo decadência se o mandado
tiver sido protocolado a tempo perante juízo incompetente.
E) O habeas corpus é o instrumento adequado para pleitear trancamento de processo de impeachment.

04. (VUNESP.TJM-SP.Escrevente Técnico Judiciário.2017) Quanto ao habeas corpus, assinale a alternativa


correta
A) É gratuito.
B) É cabível em relação a qualquer punição disciplinar militar.
C) Concede-se para proteger direito líquido e certo.
D) Assegura o conhecimento de informações pessoais.
E) Exige sigilo processual.

05. (CESPE. PJC-MT. Delegado de Polícia Substituto.2017) Com referência ao ha beas corpus e ao mandado
de segurança, julgue os itens seguintes, de acordo com o entendimento do STF.
1. Não caberá habeas corpus nem contra decisão que condene a multa nem em processo penal em curso
no qual a pena pecuniária seja a única imposta ao infrator.
li. O habeas corpus é o remédio processual adequado para garantir a proteção do direito de visita a
menor cuja guarda se encontre sob disputa judicial.
Ili. Nos casos em que a pena privativa de liberdade já estiver extinta, não será possível ajuizar ação de
habeas corpus.
IV. O mandado de segurança impetrado por entidade de classe não terá legitimidade se a pretensão nele
veiculada interessar a apenas parte dos membros da categoria profissional representada por essa
entidade Estão certos apenas os itens
A) 1e li
B) 1 e Ili

C) li e IV
D) 1, Ili e IV
E) 11, Ili e IV

141
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

06. (IDECAN.SEJUC-RN.Agente Penitenciário.2017 - ADAPTADA} O habeas corpus pode ser formu lado
sem advogado, não tendo de obedecer a formalidades processuais ou instrumentais, sendo, por força
do Art. s.2, LXXVII, da Constituição Federal, gratuita.

[tffl 01 D 1 02 E 1 03 B 1 04 A 1 05 B 1 06 C 1

LXIX- conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado
por "habeas-corpus" ou " habeas-data", quando o respo nsável pela ilegalidade ou abuso de poder
for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;

1. BREVES COMENTÁRIOS
O mandado de segurança constitui uma forma de tutela jurisdicional dos direitos subjeti-
vos ameaçados ou violados por um a autoridade pública ou no exercício de uma função desta
natureza. A nova disciplina do mandado de segurança individual e coletivo foi estabelecida
pela Lei 12.016, de 07.08.2009, que, em grande medida, contemplou as orientações firmadas
pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre essas ações constitucionais.
Conforme o momento da impetração, o mandado de segurança pode ser reparatório, quan-
do impetrado para reparar uma lesão já ocorrida; ou, preventivo, caso a finalidade seja evitar
uma lesão a direito líquido e certo, hipótese n a qual a ameaça deve ser grave, séria e objetiva.
O mandado de segurança individual pode ser imperrado por qualquer pessoa física
ou jurídica que tenha um direito líquido e certo lesado ou ameaçado de lesão.
O objeto do mandado de segurança é qualquer direito considerado líquido e certo, não
havendo restrição quanto ao seu tipo (pessoal ou real). O objetivo é a proteção ou repara-
ção in natura deste direito. A expressão "direito líquido e cerco", a rigor, não está ligada ao
direito em si, mas aos fatos que se pretende provar. Por essa razão, a concessão do mandado
de segurança não fica inviabilizada quando houver controvérsia sobre matéria de direito
(STF - Súmula 625).
Considera-se "líquido e certo" o direito passível de ser provado de plano, no ato da im-
petração, por meio de documentos, ou o que é reconhecido pela autoridade coatora dispen-
sando, por conseguinte, dilação probatória. Segundo entendimento sumulado pelo Supremo
Tribunal Federal, "não há direito líquido e certo, amparado pelo mandado de segurança,
quando se escuda em lei cujos efeitos foram anulados por outra, declarada constitucional
pelo Supremo Tribunal Federal" (Súmula 474/STF).
O mandado de segurança tem cabimento residual. Cabe mandado de segurança quan-
do o direito líquido e certo não for amparado por habeas data ou habeas corpus (Lei
12.016/2009, art. 1°). No entanto, se a liberdade de locomoção for apenas um meio ou con-
dição para alcançar o exercício de outro direito, o instrumento a ser utilizado é o mandado
de segurança.
A Lei 12.016/2009 estabelece que o mandado de segurança não será concedido quando
se trat ar: I) de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independen-
temente de caução; II) de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; e,
III) de decisão judicial t ransitada em julgado (Lei 12.016/2009, art. 5°).
142
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

Nas duas primeiras hipóteses, caso tenha ocorrido lesão, o seu afastamento deverá ocorrer
por meio da utilização do instrumento próprio para a suspensão dos efeitos do ato, qual seja,
o recurso administrativo ou judicial.
O não cabimento do mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso
ou correição (STF - Súmula 267), deve ser relativizado nas hipóteses em que, do ato im-
pugnado, puder resultar dano irreparável cabalmente demonstrado de plano (STF - MS
22.623-AgR).
Na hipótese de interposição de recurso administrativo de uma determinada decisão, não
se impede a utilização do mandado de segurança contra ato omissivo, se restar lesado direito
individual. Nesse sentido, o entendimento sumulado pelo STF: "A existência de recurso
administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra
omissão da autoridade" (Súmula 429).
O ato de autoridade ilegal ou praticado com abuso de poder pode ser comissivo ou
omissivo. Equiparam-se às autoridades os representantes ou órgãos de partidos políticos e os
administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as
pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a
essas atribuições (Lei 12.016/2009, art. 1°, § 1°). Praticado o ato por autoridade, no exercício
de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança (STF - Súmula 510).
A nova lei do mandado de segurança excluiu o cabimento contra os atos de gestão co-
mercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia
mista e de concessionárias de serviço público (Lei 12.016/2009, art. 1°, § 2°).
A Lei 12.016/2009 manteve o prazo decadencial de 120 dias para impetração do
mandado de segurança, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado (art. 23).
A liminar é uma medida destinada a impedir o perecimento de um direito em decor-
rência da demora na prestação jurisdicional, evitando que o mandado de segurança se torne
inócuo na reparação do dano sofrido. A liminar pode ser considerada como um insuumemo
do instrumento, tendo como requisitos o fumus boni iuris e o periculum in mora. É vedada
a concessão de medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários,
a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação
de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento
de qualquer natureza (Lei 12.016/2009, art. 7°, § 2°). Essas vedações se estendem à tutela
antecipada (Lei 12.016/2009, art. 7°, § 5°).
Os efeitos da medida liminar, salvo se revogada ou cassada, persistirão até a prolação da
sentença (Lei 12.016/2009, art. 7°, § 3°).
A decisão proferida em mandado de segurança tem natureza mandamental e consiste
em uma ordem corretiva (repressiva) ou impeditiva (preventiva) dirigida à autoridade coatora.
Da sentença que denega ou concede o mandado, caberá apelação, sendo que, no caso de
concessão da segurança, a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdição
(Lei 12.016/2009, art. 14, § 1°).
Neste sentido, indagou a banca do concurso para Promotor de Justiça do Paraná, em
que se buscava o desenvolvimento do raciocínio acima apresentado:
143
Ar!. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

lt (MPE-PR - Promotor de Justiça - PR/2008) Sobre o mandado de segurança, responda:


a) Quais as hipóteses de cabimento?
b) O mandado de segurança pode ser impetrado contra ato discricionário? Por quê?
c) Como se define a competência para processá-lo e julgá-lo:
d) Conceitue direito líquido e certo:

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula n':! 101. O mandado de segurança não substitui a ação popular.

• STF -Súmula n':! 266. Não cabe mandado de segurança contra lei em tese.

• STF -Súmula n!! 267. Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou
correição.

• STF-Súmula n!! 268. Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado.

• STF -Súmula n!! 269. O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança .

• STF -Súmula n':! 270. Não cabe mandado de segurança para impugnar enquadramento da Lei 3.780,
de 12 de julho de 1960, que envolva exame de prova ou de situação funciona l complexa .

• STF-Súmula n!! 271. Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais, em relação
a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria.

• STF-Súmula n!! 304. Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo coisa julgada contra
o impetrante, não impede o uso da ação própria.

• STF -Súmula n!! 405. Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agra-
vo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária.

• STF-Súmula n':! 429. A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso
do mandado de segurança contra omissão da autoridade.

• STF -Súmula n!! 430. Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o
mandado de segurança.

• STF -Súmula n!! 474. Não há direito líquido e certo, amparado pelo mandado de segurança, quando
se escuda em lei cujos efeitos foram anulados por outra, declarada constitucional pelo Supremo
Tribunal Federal

• STF -Súmula n':! 510. Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra
ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial.

• STF-Súmula n!! 622. Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que concede ou indefe re
liminar em mandado de segurança . (Súmula superada em vírtude da pub/ícação da nova Lei do Man-
dado de Segurança - Lei. 12.016/09)

• STF -Súmula n!! 625. Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de
segurança .

• STF-Súmula n!! 626. A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo determinação em con-
trário da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito em julgado da decisão definitiva de concessão

144
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

da segurança ou, havendo recurso, até a sua manutenção pelo Supremo Tribunal Federal, desde que
o objeto da liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da impetração.

• STF -Súmula nº 629. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em
favor dos associados independe da autorização destes.

• STF-Súmula nº 630. A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando
a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria .

• STF-Súmula n!! 631. Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impetrante não promove,
no prazo assinado, a citação do lítisconsorte passivo necessário.

• STF -Súmula nº 632. É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de man-
dado de segurança.

• STF -Súmula nº 701. No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão
proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo.

• STJ -Súmula nº 105. Na ação de mandado de segurança, não se admite condenação em honorários
advocatícios.

• STJ -Súmula nº 169. São inadmissíveis embargos infringentes no processo de mandado de segurança.

• STJ -Súmula nº 213. O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito
à compensação tributária .

• STJ -Súmula n!! 217. Não cabe agravo de decisão que indefere o pedido de suspensão da execução
da liminar, ou da sentença em mandado de segurança.

• STJ -Súmula n!! 460. É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária
realizada pelo contribuinte.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/755 - MS: admissão de "amicus curiae" e teto remuneratório em serventias extrajudiciais


Não é cabível a intervenção de "amicus curiae" em mandado de segurança. Com base nessa orien-
tação, a 1ª Turma resolveu questão de ordem suscitada pelo Min . Relator no sentido de se indeferir
pedido formulado pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil -Anoreg/Br para que fosse
admitida no presente feito na condição de "amicus curiae". A Turma consignou que, tendo em conta o
quanto disposto no art. 24 da Lei 12.016/09. dispositivo que afirma serem aplicáveis ao rito do mandado
de segurança as normas do CPC que disciplinam exclusivamente o litisconsórcio - , a intervenção de
terceiros nessa classe processual seria limitada e excepcional. Asseverou que entendimento contrário
poderia, inclusive, comprometer a celeridade do "writ" constitucional. No mérito, a Turma denegou
a segurança e, em consequência, cassou liminar anteriormente deferida. Reafirmou a jurisprudência
do STF no sentido da necessidade de concurso público para o preenchimento de vaga em serventias
extrajudiciais. Assentou, por outro lado, a legitimidade da incidência do teto remuneratório, aplicável
aos servidores públicos em geral, àqueles interinamente responsáveis pelos trabalhos nas serventias
vagas . MS 29192/DF, Rei. Min . Dias Toffoli, 19.8.2014. 1º T.

• STF/737 - AgRg na MC na SS 4.380-RJ. Rei. Min. Presidente


Agravo regimental em suspensão de segurança. Decisão que suspendeu os efeitos do acórdão proferido
pelo STJ nos autos do Conflito de Competência 114478. Detento de alta periculosidade que, mesmo
preso, persiste na prática de atividades delitivas promovidas pela facção criminosa da qua l é integran-
te. Manutenção da custódia em estabelecimento penal federal de segurança máxima . Possibilidade.
Art. 3\! da Lei 11.671/08. Necessidade de salvaguardar os direitos coletivos à ordem e à segurança
145
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

pú blicas. Agravo não conhecido. O pedido de suspensão de segurança é medida excepcional que
se presta à salvaguarda da ordem, da saúde, da segurança e da economia públicas contra perigo
de lesão. No caso, a plausibilidade jurídica da pretensão deduzida - fundamentada na invocação
expressa dos direitos coletivos à ordem e à segurança públicas e na imprescindibilidade da me-
dida de urgência pretendida, justificáveis pelos atuais acontecimentos notórios que acometem a
segurança pública do Estado requerente - justifica o deferimento da suspensão requerida (cf. art.
15, § 4!!, da Lei 12.016/09). (... ).

• STF/729 - AgRg em MS 28.528-MA. Rei. Min. Dias Toffoli


Agravo regimenta l em mandado de segura nça. Conselho Naciona l de Justiça. Ilegitimidade passiva "ad
causam" do órgão apontado como coator. Decadência. Serventia extrajud icial. Inobservância da regra
do concurso público. (... ). 1. O ato questionado consiste em ato comi ssivo do Tribunal de Justiça do Ma -
ranhão. A decadência fica configurada quando presente ato inequívoco da administração que in defira
a pretensão do impetrante. 2. O Conselho Nacional de Justiça não tem legitimidade para compor o polo
passivo, pois a existência (eventual) de lesão a direito deriva de concurso público de responsab ilidade do
Tribunal de Justiça do Maranhão. 3. O STF possui jurisprudência pacífica no sentido da autoaplicabilidade
do art. 236, § 3º, da CF. Portanto, após a promu lgação da CF de 1988, é inconstitucional o proviment o
em serviços notarial e de registro sem a prévia aprovação em concurso público. (... ).

• STF/747 - AgRg em MS 29.307-DF. Rei. Min. Teori Zavascki


Processual civil. Mandado de segurança contra ato do Corregedor Nacional de Justiça. Intempesti-
vidade. Impetração em prazo superior a 120 dias após a ciência do primeiro ato. Interposição de
recurso administrativo e inexistência de interrupção do prazo decadencial. Segunda decisão que
confirmou a anterior. Deliberação negativa. Agravo regimental a que se nega provimento.

• STF/762 - AgRg em MS 32.680-DF. Rei. Min. Rosa Weber


Agravo regimental em mandado de segurança. Ausência dos docum entos necessários à comprovação
dos fatos alegados. Impossibilidade de dilação probatória. O mandado de segurança deve ser impe-
trado com todas as provas necessárias à demonstração das circunstâncias de fato embasadoras da
controvérsia, dada a impossibilidade de dilação probatória incidental em seu âmbito. Precedentes.
Agravo regimental conhecido e não provido .

• STF/737 - MS: devolução de autos e repercussão geral


O Plenário reafirmou orientação no sentido de que não possui lesividade que justifique a impetração
de mandado de segurança o ato do STF que determina o retorno dos autos à origem para aplicação
da sistemática de repercussão geral. Na espécie, o agravante questionava ato do Presidente desta
Corte - por meio da Secretaria Judiciária do Tribunal, com fu ndamento na Portaria GP 138/09 do
STF - que determinara a devolução de processo do ora impetrante à origem, ante a existência de
feitos representativos da controvérsia . Sustentava que a decisão impugnada havia realizado enqua-
dramento equ ivocado da causa. Ao negar provimento ao agravo regimental, o Colegiado consignou
que a instância a quo poderia, ao receber o processo, recursar-se à retratação ou à declaração de
prejudicialidade (CPC. Art. S43 -B. § 39). MS 32485 AgR/SP, Rei. Min. Teori Zavascki, 27.2.2014. Pleno.

• Desnecessidade de sobrestamento de mandado de segurança que tramita no STJ em razão de


declaração de repercussão geral pelo STF. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF não im-
plica, necessariamente, a suspensão de mandado de segurança em trâmite no STJ, mas unicamente o
sobrestamento de eventual recurso extraordinário inte rposto em face de acórdão profe rido pelo STJ
ou por outros tribunais. MS 11.044-DF, Rei. Min. Og Fernandes, j . 13.3.2013. 3ª S. (lnfo 519)

• Mandado de segurança para impugnar ato judicial que tenha determinado a conversão de agravo
de instrumento em agravo retido. É cabível mandado de segurança para impugnar decisão que tenha
determinado a conversão de agra vo de instrumento em agravo retido. Isso porque, nessa hipótese,
não há previsão de recurso próprio apto a fazer valer o direito da parte ao imed iato processamento
de seu agravo. RMS 30.269-RJ, Rei. Min. Raul Araújo, j. 11.6.2013 . 4ª T. (lnfo 526)

146
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Arl. 5°

• Prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança. Renova-se mês a mês o prazo de-
cadenciai para a impetração de mandado de segurança no qual se contesta o pagamento de pensão
feito pela Administração em valor inferior ao devido. De acordo com a jurisprudência do STJ, cuidan-
do-se de conduta om issiva ilega l da Administração, que envolve obrigação de trato sucessivo, o prazo
decadencial estabelecido pela Lei do Mandado de Segurança se renova de forma continuada. AgRg
no AREsp 243.070-CE, Rei. Min. Humberto Martins, j. 7.2. 2013. 2ª T. (lnfo 517)

• Utilização de mandado de segurança para controle da competência dos juizados especiais. Écabível
mandado de segurança, a ser impetrado no Tribunal de Justiça, a fim de que seja reconhecida, em
razão da complexidade da causa, a incompetência absoluta dos juizados especiais para o julgamento
do feito, ainda que no processo já exista decisão definitiva de Turma Recursai da qual não caiba
mais recurso. Inicialmente, observe-se que, em situações como essa, o controle por meio da ação
mandamental interposta dentro do prazo decadencial de cento e vinte dias não interfere na auto-
nomia dos Juizados, uma vez que o mérito da demanda não será decidido pelo Tribunal de Justiça.
Ademais, é necessário estabelecer um mecanismo de controle da competência dos Juizados, sob pena
de lhes conferir um poder desproporcional: o de decidir, em caráter definitivo, inclusive as causas
para as qua is são absolutamente incompetentes, nos termos da lei civil. Dessa forma, sendo o juízo
absolutamente incompetente em razão da matéria, a decisão é, nesse caso, inexistente ou nula, não
havendo, tecnicamente, que falar em trânsito em julgado. RMS 39.041-DF, Rei. Min. Raul Araújo, j.
7.5.2013. 4• T. {lnfo 524)

• Emenda à petição de mandado de segurança para retificação da autoridade coatora. Deve ser admi-
tida a emenda à petição inicial para corrigir equívoco na indicação da autoridade coatora em mandado
de segurança, desde que a retificação do polo passivo não implique alteração de competência judiciária
e desde que a autoridade erroneamente indicada pertença à mesma pessoa jurídica da autoridade de
fato coatora. AgRg no AREsp 368.159-PE, Rei. Min. Humberto Martins, j. 19.10.2013. 2f! T. {lnfo 529)

• Mandado de segurança para impugnar ato judicial que tenha determinado a conversão de agravo
de instrumento em agravo retido. É cabível mandado de segurança para impugnar decisão que
tenha determinado a conversão de agravo de instrumento em agravo retido. Nessa hipótese, não há
previsão de recurso próprio apto a fazer valer o direito da parte ao imediato processamento de seu
agravo. RMS 30.269-RJ, Rei. Min. Raul Araújo, j. 11 .6.2013. 4g T. {lnfo 526}

• DTJ/533 - Desistência de mandado de segurança.


O impetrante pode desistir de mandado de segurança sem a anuência do impetrado mesmo após
a prolação da sentença de mérito. Esse entendimento foi definido como plenamente admissível pelo
STF. De fato, por ser o mandado de segurança uma garantia conferida pela CF ao particular, indeferir
o pedido de desistência para supostamente preservar interesses do Estado contra o próprio destina-
tário da garantia constitucional configuraria patente desvirtuamento do instituto. Essa a razão por
que não se aplica, ao processo de mandado de segurança, o que dispõe o art. 267, § 42, do CPC. REsp
1.405.532-SP, Rei. Min. Eliana Calmon, j. 10.12.2013. 2f! T.

• STJ/551 - Indicação equivocada da autoridade coatora em inicial de MS.


Nos casos de equívoco facilmente perceptível na indicação da autoridade coatora, o juiz competente
para julgar o mandado de segurança pode autorizar a emenda da petição inicial ou determinar a
notificação, para prestar informações, da autoridade adequada - aquela de fato responsável pelo
ato impugnado-, desde que seja possível identificá-la pela simples leitura da petição inicial e exame
da documentação anexada. De fato, nem sempre é fácil para o impetrante identificar a autoridade
responsável pela concretização do ato que entende violador de seu direito líquido e certo. A nova
Lei do Mandado de Segurança (Lei 12.016/09), entretanto, trouxe importante dispositivo em seu art.
62, § 32, que muito contribuiu para a solução do problema, permitindo ao julgador, pela análise do
ato impugnado na exordial, identificar co rretamente o impetrado, não ficando restrito à eventual
literalidade de equivocada indicação. RMS 45.495-SP, Rei. Min. Raul Araújo, j . 26.8.2014. 4ª T.

147
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

• STJ/533 - Mandado de segurança contra limite de idade em concurso público.


O prazo decadencial para impetrar mandado de segurança contra limitação de idade em concurso
público conta-se da ciência do ato administrativo que determina a eliminação do candidato pela
idade, e não da publicação do edital que prevê a regra da limitação. AgRg no AREsp 213.264-BA,
Rei. Min. Benedito Gonçalves, j. 5.12.2013. 1º T.

• STJ/547 - Mandado de segurança para atribuição de efeito suspensivo a recurso em sentido estrito.
Não cabe, na análise de pedido liminar de mandado de segurança, atribuir efeito suspensivo ativo
a recurso em sentido estrito interposto contra a rejeição de denúncia, sobretudo sem a prévia
oitiva do réu. Destaca-se que, em situações teratológicas, abusivas e que possam gerar dano irre-
parável à parte, admite-se, excepcionalmente, a impetração de mandado de segurança contra ato
judicial para atribuir-lhe efeito suspensivo. No entanto, tratando-se de não recebimento de denún-
cia, nem sequer em hipóteses de teratologia seria permitida a realização do ato em outra relação
processual. Com efeito, em homenagem ao princípio do devido processo legal, o recebimento da
denúncia deve ocorrer, necessariamente, nos autos da ação penal instaurada para apurar a prática
do suposto ato criminoso. Ademais, há de ressaltar que o não recebimento da denúncia gera para
o réu uma presunção de que não se instaurará, contra ele, a ação penal. Essa presunção, contudo,
não é absoluta, pois contra a rejeição da denúncia pode ser interposto recurso em sentido estrito.
No entanto, permitir-se -á ao réu a apresentação de contrarrazões e a sustentação oral antes de seu
julgamento do recurso pelo colegiado. Desse modo, observa-se que, por certo, viola o contraditório
e a ampla defesa decisão liminar proferida na análise de mandado de segurança que determine o
recebimento da denúncia sem permitir qualquer manifestação da parte contrária. Ressalte-se, ainda,
que o recebimento da denúncia, nessas circunstâncias, causa um tumulto processual inaceitável,
porque, ao mesmo tempo em que nos autos da ação principal há uma decisão de rejeição da denún-
cia (pendente de julgamento do recurso cabível}, em razão de liminar concedida em outra relação
processual, qual seja, um mandado de segurança, há o recebimento da inicial acusatória. O tumult o
processual é tão grande que a parte ré, beneficiada pela rejeição da denúncia (em decisão ainda
não modificada dentro da própria ação penal}, por meio de uma liminar proferida em mandado de
segurança, se vê obrigada a, nos autos da ação principal, apresentar resposta à acusação, em primeira
instância, e contrarrazões ao recurso em sentido est rito, em segunda instância, além de ter de se
manifestar no mandado de segurança, que é uma relação processual autônoma. HC 296.848-SP, Rei.
Min. Rogerio Schietti Cruz, j. 16.9.2014. 6~ T.

• STJ/533 - MS para controle de competência dos juizados especiais federais.


É possível a impetração de mandado de segurança nos tribunais regionais federais com a finalidade
de promover o controle da competência dos Juizados Especiais Federais. RMS 3Z959-BA, Rei. Min.
Herman Benjamin, j. lZl0.2013. 2!! T.

• STJ/533 - Prazo para impetração de MS contra decisão judicial irrecorrível.


Em regra, o prazo para a impetração de mandado de segurança em face de decisão que converte
agravo de instrumento em agravo retido é de 5 dias, a contar da data da publicação da decisão.
Segundo precedentes do STJ, é cabível a impetração de mandado de segurança contra decisão judicial
irrecorrível, desde que antes de gerada a preclusão ou ocorrido o trânsito em julgado, o que, à primeira
vista, soa paradoxal, porquanto, em princípio, a decisão irrecorrível torna-se imutável imediatamente
à publicação. Então, dessa conclusão, reiteradamente invocada nos precedentes do STJ que tratam do
tema, emerge importante questão a ser definida: que prazo efetivamente tem a parte para ajuizar a
ação manda mental contra a decisão judicial irrecorrível? Em outras palavras, se a decisão é irrecorrível,
quando se dá o respectivo trânsito em julgado, termo "ad quem" para a impetração? A decisão que
converte o agravo de instrumento em retido é irrecorrível. Ainda assim, será sempre admissível, em
tese, a interposição de embargos de declaração - cuja natureza recursai é, inclusive, discutida-, a
fim de que o Relator possa sanar vício de omissão, contradição ou obscuridade quanto aos motivos
que o levaram a decidir pela ausência do risco de causar à parte lesão grave ou de difícil reparação,
cuja existência ensejaria o processamento do agravo de instrumento. Nesse contexto, é razoável que,
148
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

em situações como a em análise, o trânsito em julgado seja certificado somente após o decurso do
prazo de 5 dias da data da publicação da decisão, prazo esse previsto para a eventual interposição
de embargos de declaração que visem ao esclarecimento ou a sua integração. Na ausência de inter-
posição dos aclaratórios, os quais, por sua própria natureza, não são indispensáveis, terá a parte o
prazo de 5 dias para a impetração do "writ", sob pena de tornar-se imutável a decisão, e, portanto,
inadmissível o mandado de segurança, nos termos do art. 52, 111, da Lei 12.016/09 e da Súm . 268/
STF. Acaso interpostos os embargos de declaração, esse prazo fica interrompido, considerando que
o "mandamus" é utilizado, na espécie, como sucedâneo recursai. RMS 43.439-MG, Rei. Min. Nancy
Andrighi, j. 24.9.2013. 3!! T.

• STJ/545-Termo inicial do prazo decadencial para impetrar MS contra ato administrativo que exclui
candidato de concurso público.
O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança no qual se discuta
regra editalícia que tenha fundamentado eliminação em concurso público é a data em que o candidato
toma ciência do ato administrativo que determina sua exclusão do certame, e não a da publicação do
edital. REsp 1.124.254-PI, Rei. Min. Sidnei Beneti, j. 1º.7.2014. Corte Especial.
Mandado de segurança e prazo decadencial
Provido ROMS interposto contra acórdão do STJ que reconheceu a decadência da impetração e a ina-
dequação da via mandamental. O termo inicial para formalização do mandado de segurança pressupõe
a ciência do impetrante quanto ao ato a ser impugnado, quando esse surgir no âmbito de processo
administrativo do qual seja parte, nos termos dos arts. 32 e 26 da Lei 9.784/99. Descartou-se a hipótese
de inadequação da via mandamental, uma vez que a instrução do processo se deu com documentos
suficientes ao exame da pretensão veiculada na petição inicial. RMS 32487, Rei. Min. Marco Aurélio,
j. 7.11.2017. 1ª T. (lnfo 884)
Mandado de segurança: instauração de processo de revisão de anistia e direito líquido e certo
Provido recurso ordinário em mandado de segurança em que se pretendia impedir o prosseguimento
do processo específico de revisão de portaria que conferiu anistia política a ex-integrante da Força Aé-
rea Brasileira . Ao julgar o mandado de segurança, o STJ concluiu pela ausência de interesse processual
do impetrante. A AGU alegou não existir direito líquido e certo a ser protegido quando a Administração
está na fase de investigação sobre suposta ilegalidade. Determinou-se ao STJ que prossiga na apre-
ciação do mandado de segurança, com exame da pretensão veiculada pelo impetrante. Há duas fases
distintas no processo de revisão das anistias deferidas a militares afastados por motivos políticos: a)
determinação de amplo procedimento de revisão pelo Ministério da Justiça e pela AGU; e b) abertura
de processos individuais de reanálise dos atos de anistia . No caso, ao contrário do afirmado pelo STJ,
o processo individual do recorrente já teve início. Ademais, a impetração de mandado de segurança
é adequada à situação concreta. Em respeito à cláusula constitucional de acesso ao Judiciário, ao
cidadão é assegurada tutela contra lesão ou ameaça de lesão a direito. RMS 34054, Rei. Min. Marco
Aurélio, j . 4.4.2017. 1ª T., (lnfo 863)
Mandado de Segurança. Legitimidade do Ministério Público de Contas. Impetração contra acórdão
do Tribunal de Contas Estadual que determinou a extinção e arquivamento de representação.
O membro do Ministério Público que atua perante o Tribunal de Contas possui legitimidade e capacida-
de postulatória para impetrar mandado de segurança, em defesa de suas prerrogativas institucionais,
contra acórdão prolatado pela respectiva Corte de Contas. RMS 52.741, Rei. Min . Herman Benjamin,
DJe 12.9.2017. 2ª T. (lnfo 611)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (VUNESP. IPRESB-SP. Agente Previdenciário.2017) Considere a seguinte situação hipotética: Cidadão
de Barueri pleiteia licença para realizar reforma e construção em imóvel de que é proprietário, mas
a Municipalidade rejeita seu pleito. Entendendo o Cidadão que preenche todos os requisitos que o
habilitam a reformar e construir em sua propriedade, apresenta recurso do indeferimento. Passam-se

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Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

mais de 120 (cento e vinte) dias e não há resposta ao recurso. Neste caso, diante da omissão da Mu -
nicipali dade, o Cidad ão pode demandar a anál ise do caso pelo Poder Jud iciário, por meio de
A) ação popular.
B) mandado de injunção.
C) mandado de segurança .
D) habeas corpus.
E) habeas data .

02. (CESPE. PJC-MT. Delegado de Polícia Substituto.2017) Uma proposta de emenda constitucional tramita
em uma das casas do Congresso Nacional, mas determinados atos do seu processo de tramitação
estão incompatíveis com as disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo. Nessa
situação hipotética, segundo o entendimento do STF, terá legitimidade para impetrar mandado de
segurança a fim de coibi r os referidos atos
A) partido político.
B) governador de qualquer estado da Fede ração, desde que este seja afetado pela matéria da referida
emenda.
C) o Conselho Federal da OAB.
D) o procurador-geral da República.
E) parlamentar federa l.

03. (FCC.TST.Juiz do Trabalho Substituto.2017} Sobre direitos e garantias fundamentais de natureza


processual, a Constituição Federal de 1988 prevê que
Al qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio
público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, sa lvo comprovada má-fé, isento de custas processuais
e do ônus da sucumbência.
B) a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação não alcançam
o âmbito administrativo .
C) o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político sem repres entação no
Congresso Nacional.
D) cabe mandado de segurança individual para proteger direito líquido e certo não amparado por habeas
corpus quando o responsável pela ilegalidad e ou abuso de poder for autoridade pública ou agente
de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.
E) o mandado de injunção objetiva tornar viável o exercício de direitos inerentes à nacionalidade, à so-
berania e à cidadania, não sendo cabível quando a obrigação de prestar o direito deva ser cumprida
por particulares.

04. (FAFIPA. Fundação Araucária-PR. Advogado.2017) O mandado de segurança tem natureza de ação
constitucional com o objetivo de proteger direito líqui do e certo, sendo regulamentado pela Lei
12.016/2009. Conforme as normas constitucionais e as regras previstas na lei que disciplina o mandado
de segurança, assinale a alternativa CORRETA
A) Conforme a lei, não have rá cabimento de mandado de segurança quando se tratar de decisão judicial
transitada em ju lgado.
B) É cabível mandado de segurança contra quaisquer atos praticados pelos administradores de empresas
públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.
C) Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, elas deverão, obrigatoriamente,
requerer em conjunto o mandado de segurança.
D) Nos termos da lei, o mandado de segura nça coletivo pode ser impetrado por qualquer partido político
na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária.
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CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

05. (FCC. DPE-PR. Defensor Público.2017} Sobre o Mandado de Segurança, é INCORRETO afirmar
A) Equiparam-se às autoridades coatoras os representantes ou órgãos de partidos políticos e os adminis-
tradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais
no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições.
B) Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a teoria da encampação no Mandado de
Segurança tem aplicabilidade nas hipóteses em que atendidos os seguintes pressupostos: subordinação
hierárquica entre a autoridade efetivamente coatora e a apontada na petição inicia l, discussão do
mérito nas informações e ausência de modificação da competência.
C) Segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no Mandado de Segurança impetrado pelo
Ministério Público contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como
litisconsorte passivo.
D) Compete à turma recursai processar e julgar o Mandado de Segurança contra ato de juizado especial.
E) A impetração de Mandado de Segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona a inter-
posição de recurso, ainda que o impetrante tenha ciência da decisão que lhe prejudicou e não tenha
utilizado o recurso cabível.

06. (IESES.CEGÁS.Advogado.2017} No Mandado de segurança previsto no inciso LXIX do artigo 5!! da


Constituição Federal, é FALSO afirmar
A) Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.
B) Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores
de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionária s de serviço público.
C) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: Qualquer partido político e organização
sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos
03(três) anos, em defesa dos interesses de seus membros ou associados.
D) Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o
mandado de segurança.

07. (CESPE.TRE-PE.Analista Judicário-Área Judiciária.2017) Acerca do prazo decadencial para impetrar


mandado de segurança contra a redução ilegal de vantagem integrante de remuneração de servidor
público e dos efeitos financeiros decorrentes de eventual concessão da ordem mandamental, assinale
a opção correta de acordo com o entendimento do STJ
A) O prazo renova-se mês a mês e os efeitos financeiros da concessão da ordem retroagem à data do
ato impugnado.
B) O prazo conta-se a partir da redução, não havendo efeitos financeiros retroativos de val ores even-
tualmente vencidos, por não haver direito adquirido no regime jurídico.
C) O prazo conta-se a partir da redução, devendo o impetrante ajuizar nova demanda de natureza con-
denatória para re ivindicar os valores vencidos .
D) O prazo renova-se mês a mês, devendo o impetrante ajuizar nova demanda de natureza condenatória
para reivindicar os valores vencidos .
E) O prazo conta-se a partir da redução e os efeitos financeiros da concessão da ordem retroagem à
data do ato impugnado.

08. (CESPE.PGE-SE.Procurador do Estado.2017) Embo ra o sistema brasileiro não admita o controle ju-
risdicional da constitucionalidade material dos projetos de lei, a jurisprudência do STF reconhece,
excepcionalmente, que tem legitimidade para impetrar mandado de segurança
A) o parlamentar ou o MP, em se tratando de proposta de emenda à CF ou projeto de lei tendente a
abolir cláusula pétrea.
B) qualquer cidadão ou o MP, se o projeto de lei tender a abolir cláusula pétrea.

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TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

C) apenas o MP, caso se trate exclusivamente de proposta de emenda à CF tendente a abolir cláusula
pétrea .
D) o parlamentar, para impugnar inconstitucionalidade formal no processo legislativo ou proposição
tendente a abolir cláusulas pétreas.
E) a mesa de qualquer uma das casas legislativas, para impugnar inconstitucionalidade formal no processo
legislativo ou proposta de emenda à CF tendente a abolir cláusulas pétreas.

• 01 e 1 02 E 1 03 D 1 04 A 1 05 E 1 06 e 1 07 A 1 08 D 1

LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:

a) partido político com representação no Congresso Nacional;

b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em fun-


cionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;

1. BREVES COMENTÁRIOS
O mandado de segurança coletivo foi regulamentado pela Lei 12.016/2009.
No tocante à impetração, a lei especificou alguns aspectos referentes aos legitimados
que já haviam sido consolidados pela jurisprudência (Lei 12.016/2009, art. 21).
No caso dos partidos políticos, a legitimidade para impetração depende da observância
de dois requisitos: I) o partido deve ter, pelo menos, um representante na Câmara ou no
Senado; II) a impetração deve se dar na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus
integrantes ou à finalidade partidária. A interpretação de que a lei, ao estabelecer este novo
requisito, estaria exigindo a demonstração de pertinência temática em relação a interesses
do próprio partido ou de seus filiados, esvaziaria por completo o dispositivo constitucional
e o tornaria sem sentido, já que os partidos políticos possuem a estrutura administrativa de
associação e, portanto, enquadram-se na previsão genérica da alínea "b", do inciso LXX,
do artigo 5. 0 , da Constituição. Se fosse para exigir a impetração apenas na defesa de seus
interesses e de seus membros, por que criar dois dispositivos (alíneas "a" e "b") distintos?
A única interpretação conforme a constituição é no sentido de compreender a expressão
"finalidade partidária" de forma ampla, com referência aos objetivos dos partidos políticos
em geral. Nos termos da Lei Orgânica dos Partidos Políticos, esses se destinam a "asse-
gurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e a
defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal" (Lei 9.096/1995,
art. 1. 0 ). A legitimidade, portanto, não pode ser interpretada como restrita aos interesses
de seus membros ou do próprio partido.
Em relação à exigência de, pelo menos, um representante no Congresso Nacional, a
perda superveniente da representação não deve acarretar a perda superveniente da legiti-
mação, conforme entendimento adotado pelo Supremo em relação ao artigo 103, VIII, da
Carta da República (STF - ADI 2.618 AgR-AgR) . Caso o partido político não tenha re-
presentante no Congresso Nacional, mas esteja legalmente constituído e em funcionamento
há pelo menos um ano, poderá impetrar o mandado de segurança coletivo na condição
de associação (CF, art. 5. 0 , LXX, "b"). Parte da doutrina defende a admissibilidade do
mandado de segurança coletivo, restrito ao âmbito territorial do Estado ou Município, no
152
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

caso de partido político com representante apenas na Assembleia Legislativa ou na Câmara


Municipal (NEVES, 2011).
No caso das organizações sindicais, entidades de classe e associações, o artigo 21 da Lei nº
12.016/2009 prestigiou os requisitos consolidados na jurisprudência do Supremo ao exigir
que a impetração seja: I) em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte,
dos membros ou associados; II) na forma dos seus estatutos e pertinentes às suas finalidades
(pertinência temática); e III) ao dispensar autorização especial (legitimação extraordinária ou
substituição processual).
Quanto ao período mínimo de um ano de constituição e funcionamento, os textos da
Constituição e da Lei são claros no sentido de exigi-lo apenas para a associação ("legalmente
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano"). Se tivesse por finalidade impor o
lapso temporal para todos os legitimados, a exigência seria redigida no plural ("legalmente
constituídas ..."). A diferença de tratamento se justifica em virtude da maior facilidade com
que associações podem ser criadas. Busca-se, assim, evitar instituições casuísticas com o
único objetivo de impetrar o writ.
Não se deve confundir substituição processual, na qual o legitimado atua em nome pró-
prio defendendo um direito de seu membro ou associado, com a hipótese de representação
processual, em que o legitimado defende, desde que autorizado, interesses individuais de seus
integrantes. A previsão constitucional de que as associações podem representar seus filiados,
desde que expressamente autorizadas (CP, art. 5. 0 , XXI), é hipótese de representação proces-
sual (RE 225.965 AgR); a impetração de mandado de segurança coletivo por associações,
independentemente de autorização específica, de substituição processual.
No tocante às organizações sindicais, tanto a impetração do mandado de segurança
coletivo, quanto a defesa em juízo dos direitos e interesses coletivos ou individuais da cate-
goria (CF, art. 8,o, III), dispensam autorização expressa. Trata-se, em ambas as hipóteses, de
substituição processual (RE 555.720 AgR).
A concessão de medida liminar só poderá ocorrer após a audiência do representante
judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 horas
(Lei 12.016/2009, art. 22, § 2°).
A sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria subs-
tituídos pelo impetrante (Lei 12.016/2009, art. 22).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. TRT•l. Juiz do Trabalho. 2016) O juiz de certa comarca deferiu autoriza ção para que todos os
adolescentes que, pretendessem, pudessem se cand idatar a prestar serviços como aprendizes de
garçons em um baile que seria promovido na cidade, com a participação de cantores e dançarinos
que notoriamente exibiriam músicas com letras sugerindo pornografia, apologia ao crime e consumo
de drogas ilícitas. Tendo tomado conhecimento do fato, o promotor da comarca decidiu promover
medida para revogação da autorização judicial. No caso, a med ida adequada é
A) Ação ordinária
B) Ação civil de proteção à criança e ao adolescente
C) Ação popular

153
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

D) Ação civil pública


E) Mandado de segurança coletivo

02. (FCC. TST. Analista Judiciário -Área Judiciária.2017) Sindicato constituído regularmente em janeiro
de 2017 impetrou mandado de segurança coletivo em julho do mesmo ano, perante a Justiça Fede-
ral, a fim de garantir o direito líquido e certo de empresas a ele filiadas de não serem compelidas ao
pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários com base em alíquota
que foi majorada para as empresas em geral, e não apenas para as empresas do ramo daquelas fi-
liadas ao Sindicato. A petição inicial foi instruída por documentos que comprovavam a regularidade
da constituição e do funcionamento do sindicato, mas não por autorização expressa de seus filiados
para que o pleito fosse deduzido judicialmente. À luz da Constituição Federal e da jurisprudência do
STF, a impetração do mandado de segurança pelo sindicato é
A) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que o sindicato não estava constituído há, pelo
menos, um ano.
B) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que o sindicato não apresentou autorização expressa
de seus filiados para que a ação fosse proposta.
C) compatível com a Constituição Federal.
D) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que sindicato não tem legitimidade para representar
seus filiados em demanda que pretende o afastamento de obrigação tributária imposta às empresas
de modo geral.
E) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que a ação deveria ter sido proposta perante a
Justiça do Trabalho.

03. (BANPARÁ. Advogado.2017) Quanto às Ações Constitucionais é CORRETO afirmar, consoante o STF, que
A) A legitimação para impetrar mandado de segurança coletivo, prevista no art. Sº, LXX da vigente
Constituição da República brasileira, prescinde da autorização especial (individual ou coletiva) dos
substituídos, ainda que veicule pretensão que interesse a apenas parte de seus membros e associados.
B) Para o cabimento de ação popular é exigível a prova do efetivo prejuízo material aos cofres públicos.
C) O amicus curiae pode vincular-se processualmente ao resultado do julgamento de Ação Direta de
Inconstitucionalidade. Para tanto, admite-se sua atuação como defensor de interesses próprios.
D) As decisões que resultam dos julgamentos das arguições de descumprimento de preceitos funda-
mentais são dotadas de efeitos erga omnes e caráter vinculante. Para tanto, todavia, fundamental
que tais decisões sejam comunicadas aos demais órgãos do Poder Judiciário, não bastando a simples
publicação do resultado do julgamento na Imprensa Oficial.

HH o1 E 1 02 C 1 03 A

LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora


torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania;

1. BREVESCOMENTÁRIOS
O mandado de injunção é uma garantia constitucional concebida pelo constituinte
brasileiro para assegurar o exercício de determinados direitos, liberdades e prerrogativas
inviabilizados por uma omissão inconstitucional (CF, art. 5. 0 , LXXI).
Trata-se de ação de controle incidental de constitucionalidade, na qual a pretensão é
deduzida em juízo por meio de processo constitucional subjetivo, cujo cabimento pressupõe
a impossibilidade de exercer um direito constitucionalmente assegurado em virtude da au-
sência de norma regulamentadora.
154
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

A Lei nº 13.300/2016, suprindo uma lacuna de quase três décadas, disciplinou o pro-
cesso e julgamento do mandado de injunção individual e coletivo. O Projeto foi resultante
de proposição discutida no âmbito do Grupo Judiciário do "Pacto Republicano de Estado
por um Sistema de Justiça mais acessível, ágil e efetivo".
Quanto aos legitimados para a impetração, o mandado de injunção pode ser individual
ou coletivo.
O mandado de injunção individual pode ser impetrado por pessoas naturais ou ju-
rídicas que se afirmam titulares de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, cujo exercício seja inviabilizado pela
ausência da norma regulamentadora (Lei 13.300/2016, art. 3°).
As pessoas jurídicas de direito público, embora titulares de garantias fundamentais - e.g.,
contraditório, ampla defesa, devido processo legal... - , não possuem legitimidade ativa, consi-
derada a natureza da omissão a inviabilizar o exercício dos direitos, liberdades e prerrogativas
constitucionais (STF - MI 537/SC).
O mandado de injunção coletivo tem por finalidade proteger direitos, liberdades e
prerrogativas pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou
determinada por grupo, classe ou categoria. A legitimidade para impetração, ames conferida,
por analogia, aos mesmos legitimados do mandado de segurança coletivo (CF, art. 5.0 , LXX),
foi ampliada pelo artigo 12 da Lei nº 13.300/2016.
Os partidos políticos com representação no Congresso Nacional podem promover a ação
para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou rela-
cionados à finalidade partidária.
No caso das organizações sindicais, entidades de classe e associações legalmente constituídas
e em funcionamento há pelo menos um ano, a lei adotou as orientações já sedimentadas na
jurisprudência do Supremo. A impetração é permitida para assegurar o exercício de direitos,
liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte dos membros ou associados, na
forma dos respectivos estatutos (Súmula 630/STF). Exige-se pertinência com as finalidades
da pessoa jurídica. Por se tratar de legitimação extraordinária, é dispensada autorização
especial (Súmula 629/STF).
Quanto ao período mínimo de um ano de constituição e funcionamento, são cabíveis
as mesmas considerações pertinentes ao mandado de segurança coletivo, ou seja, tal requi-
sito deve ser exigido apenas para a associação, sendo dispensável no caso das organizações
sindicais e entidades de classe.
A inovação ficou por conta da legitimidade conferida à Defensoria Pública, para promo-
ção dos direitos humanos e defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, e ao
Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da
ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis.
Os legitimados passivos são os poderes, órgãos ou autoridades com atribuição para
editar a norma regulamentadora (Lei 13.300/2016, art. 3°).
O legislador manteve o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no sentido
de que, ante a natureza mandamental da ação, "somente pessoas estatais podem figurar no
155
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

polo passivo da relação processual instaurada com a impetração do mandado de injunção,


eis que apenas a elas é imputável o dever jurídico de emanação de provimentos normativos"
(STF - MI 335 AgR/DF; MI 323 AgR/OF; MI 352 QO/RS).
Não se admite litisconsórcio passivo (STF - MI 768 MC/SE).
O mandado de injunção tem por objetivo garantir o exercício de direitos fundamen-
tais que, embora contemplados na Constituição, estejam inviabilizados pela falta de norma
regulamentadora.
O objeto é a omissão inconstitucional em relação à tutela dos direitos e liberdades consti-
tucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Tal omissão
ocorre quando o poder público deixa de atuar da forma exigida por norma constitucional,
cuja aplicabilidade depende de outra vontade integradora de seus comandos.
A caracterização da mora inconstitucional exige o decurso de prazo razoável para a edição
da norma exigida (STF - MI 361), o que não ocorre, por exemplo, quando o termo final
fixado pela Constituição para a elaboração da norma regulamentadora ainda não expirou
(STF - ADI 3.303).
O mandado de injunção não é via adequada para impugnar a constitucionalidade de
norma regulamentadora ou sanar lacuna normativa de período anterior à sua edição (STF -
MI 1.011 AgR).
A omissão inconstitucional pode ser classificada com base em diferentes critérios.
Quanto à extensão, será total, quando inexistente norma regulamentadora; ou par-
cial, quando as normas editadas pelo órgão legislador competente forem insuficientes (Lei
13.300/2016, art. 2°, parágrafo único).
Quanto ao responsável pela medida, pode ser administrativa, quando imputável aos
órgãos do Poder Executivo incumbidos da execução dos comandos contidos na norma cons-
titucional; ou legislativa, quando inexistente ou insuficiente a regulamentação normativa
constitucionalmente exigida do Poder Legislativo. A mera existência de projeto de lei em
tramitação no parlamento, apesar de eximir o responsável pela iniciativa, por si só, não afasta
a mora do legislador.
No tocante à medida necessária para viabilizar o exercício do direito, a expressão
"falta de norma regulamentadora" (CF, art. 5.0 , LXXI) deve ser compreendida, a partir de
uma visão sistemática, como "omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional"
(CF, arr. 103, § 2. 0 ). O princípio da máxima efetividade impõe seja conferido o sentido
mais amplo possível à palavra "norma", de modo a se admitir o cabimento do mandado de
injunção quando da ausência de qualquer medida de caráter normativo (geral e abstrata),
independentemente da natureza (legislativa ou regulamentar; material ou processual) e do
nível hierárquico (legal ou infralegal) . Não estão abrangidos, todavia, atos materialmente
administrativos, pois a lacuna deve decorrer da ausência de ato dotado de generalidade e
abstração. Nesse ponto, a Constituição não conferiu o mesmo tratamento dado à ação direta
de inconstitucionalidade por omissão, quando faz referência à ausência de "medida" (e não
de "norma" regulamentadora) e prevê seja dada ciência ao poder competente para adoção
das "providências necessárias". A omissão inconstitucional pode ser classificada com base
em diferentes critérios.
156
1ijijjh11ujjíffi Ml;J#Qij:j•hti)i#nã;b1MJ ji1:j;IMll IIMH
1 1 1 Art. 5°

O tipo de provimento jurisdicional a ser adorado era um dos aspectos mais controver-
sos acerca do mandado de injunção. A Lei nº 13.300/2016 contemplou correntes diversas, a
depender das circunstâncias fáticas e jurídicas envolvidas.
Quanto ao tipo de injunção, adora a corrente concretista intermediária ao dispor que,
reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para determinar (I) prazo
razoável para edição da norma regulamentadora e estabelecer (II.1) as condições de exercí-
cio do direito ou as (II.2) condições para promover ação própria visando a exercê-lo, caso a
mora legislativa não seja suprida tempestivamente (Lei 13.300/2016, art. 8°, incisos I e II).
A aparente falta de clareza quanto à amplitude da aplicação da parte final do dispositivo -
"caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado" - é dissipada pelo disposto
no parágrafo único, do qual se extrai a necessidade de observância da norma contida no
inciso I em ambos os casos (II.1 e Il.2). Vale dizer: deve-se aguardar o esgotamento do prazo
fixado judicialmente não apenas quando o interessado tiver que promover a ação própria,
m as também quando estabelecidas as condições para o exercício dos direitos, liberdades e
prerrogativas.
Caso o poder, órgão ou autoridade responsável não edite a norma regulamentadora no
prazo determinado, quando de outras impetrações, fica dispensada nova fixação de prazo,
podendo a injunção ser deferida para estabelecer as condições para o exercício do direito ou
para a promoção da medida judicial adequada (Lei 13.300/2016, art. 8°, parágrafo único).
Optou-se, aqui, pela corrente concretista direta.
Quanto à eficácia subjetiva , a decisão deve ser limitada às partes (corrente concretista
individua[) e produzir efeitos até o advento da norma regulamentadora (Lei 13.300/2016,
art. 9°). Na linha da orientação jurisprudencial do Supremo (STF - MI 795 QO/DF), auto-
rizou-se a extensão dos efeitos da decisão transitada em julgado a casos análogos por decisão
monocrática do relator (Lei 13.300/2016, art. 9°, § 2°). Excepcionalmente, a decisão poderá
ser prolatada com eficácia ultra partes (corrente concretista transindividua[) ou erga omnes
(corrente concretista gera[), se tal medida for inerente ou indispensável ao exercício postulado
(Lei 13.300/2016, art. 9°, § 1°).
No mandado de injunção coletivo, a sentença faz coisa julgada limitadamente às pessoas
integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da categoria substituídos pelo impetrante
(eficácia ultra partes). Tal como no writ individual, a lei permite seja conferida eficácia erga
omnes à decisão quando a medida mostrar-se inerente ou indispensável ao exercício do direito
reclamado. Autoriza, ainda, a extensão dos efeitos da decisão transitada em julgado, pelo
relator, a casos análogos (Lei 13.300/2016, art. 13).
Adotando o mesmo tratamento conferido às ações coletivas (Lei 8.078/90, art. 104) e
ao mandado de segurança coletivo (Lei 12.016/2009, arr. 22, § 1°), a Lei nº 13.300/2016
dispõe, em seu artigo 13, parágrafo único, que o mandado de injunção coletivo não induz
litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão
o impetrante que não requerer a desistência da demanda individual no prazo de 30 dias a
contar da ciência comprovada da impetração coletiva.
Quanto ao aspecto temporal, em regra, a decisão terá efeito pro futuro , ame a impossi-
bilidade de exercício do direito ou de ajuizamento da ação cabível antes de esgotado o prazo
157
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

determinado para a edição da norma regulamentadora. Todavia, quando comprovado que


o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo fixado para o
suprimento da mora legislativa, o direito poderá ser imediatamente exercido (ex nunc) nos
termos estabelecidos na decisão.
A lei prevê a possibilidade de ajuizamento de ação de revisão da decisão, por qualquer
interessado, nos casos de relevantes modificações supervenientes das circunstâncias de fato
ou de direito, resguardados os efeitos já produzidos (Lei 13.300/2016, art. 10). Vale notar
inexistir violação à coisa julgada (CF, art. 5°, XXXVI) quando da ocorrência de modifica-
ções no contexto fático-jurídico em que produzida a decisão protegida pela preclusão maior
(STF - MS 30.537 ED/DF).
Suprida a omissão inconstitucional, a norma regulamentadora superveniente deve ser apli-
cada, a partir de sua edição (ex nunc), aos beneficiados pela decisão transitada em julgado,
salvo se mais favorável, hipótese em que a aplicação será retroativa (ex tunc). Quando referida
norma for editada antes da decisão, o processo deve ser extinto sem resolução de mérito (Lei
13.300/2016, art. 11, caput e parágrafo único).
A Lei nº 13.300/2016 não contemplou a possibilidade de concessão de liminar. A despeito
da imprescindibilidade de expressa previsão legal, considerado o poder geral de cautela, a
jurisprudência do Supremo é firme no sentido de descaber medida acauteladora por incom-
patível com a natureza do mandado de injunção (STF - AC 124 AgR/PR).
Neste sentido, indagou a banca do concurso para Promotor de Justiça do Paraná, em
que se buscava o desenvolvimento do raciocínio acima apresentado:

.. (MPE-PR- Promotor de Justiça - PR/2011) Em que consiste o mandado de injunção? Como é inter-
pretado pela doutrina e pela jurisprudência? (máximo de 20 linhas)

2. INFORMATNOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STF/758- MI: inadequação do instrumento e contagem de prazo diferenciado


O mandado de injunção não é via adequada para que servidor público pleiteie a verificação de con-
tagem de prazo diferenciado de serviço exercido em condições prejudiciais à saúde e à integridade
física. Ao reafirmar esse entendimento, o Plenário, por maioria, recebeu embargos de declaração
como agravo regimental e a este, também por votação majoritária, negou provimento. O Tribunal,
sem adentrar no mérito, destacou que a situação dos autos seria distinta da hipót ese de concessão
de mandado de injunção para que a Administração analise requerimento de aposentadoria especial,
com observância do art. 57 da Lei 8.213/91, até o advento de legislação específica sobre a matéria no
tocante aos servidores públicos. MI 3162 ED/DF, Rei. Min. Cármen Lúcia, 11.9.2014. Pleno.

• STF/728 -AgRg no MI 2.227-DF. Rei. Min. Ricardo Lewandowski


Agravo regimental. Mandado de injunção . Alegada omissão na existência de norma que torne viável
o exercício profissional dos graduados em direito. lnocorrência. Pretendida declaração de inconsti-
tucionalidade do Exame de Ordem . Impossibilidade. Agravo regimental a que se nega provimento. 1.
Não há qualquer ausência de norma regulamentadora que torne inviável o exercício profissional dos
graduados em direito. li. O impetrante busca, em verdade, a declaração de inconstitucionalidade do
158
IB•J~~ilii'll$i•l•til;J#QIJ:J!h9⪕J3;ffiii91 I •~l;Uill Jl€J•f:I
11 1 Art. 5°

exame de ordem para inscrição na OAB - providência que não cabe nesta via. li. O Plenário desta
Corte reconheceu a validade constitucional da norma legal que inclui, na esfera de atribuições do
Relator, a competência para negar seguimento, por meio de decisão monocrática, a recursos, pedidos
ou ações quando inadmissíveis, intempestivos, sem objeto ou que veiculem pretensão incompatível
com a jurisprudência predominante deste Supremo Tribunal. IV. Agravo regimental a que se nega
provimento.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FGV. Pref. de Salvador-BA. Técnico de Nível Superior li - Direito.2017) Antônio, servidor público muni-
cipal, analisou o regime jurídico da categoria e constatou que determinado direito afeto aos servidores
públicos, previsto na Constituição da República desde a sua promulgação, não havia sido objeto de
disciplina pela legislação infraconstitucional. Por entender que esse estado de coisas não poderia com-
prometer a eficácia da norma constitucional, formulou requerimento administrativo para que o direito
fosse concedido. O requerimento, no entanto, foi indeferido, sob o argumento de que eram ignorados
os requisitos a serem preenchidos por Antônio, já que a lei ainda não os estipulara. Ato contínuo, ele
procurou um advogado para que ingressasse com a medida judicial cabível. À luz da narrativa acima,
assinale o instrumento constitucional passível de ser utilizado pelo advogado de Antônio
A) Mandado de Injunção.
B) Mandado de Segurança.
C) Ação Popular.
D) Habeas Data.
E) Ação Estatutária .

02. (FAFIPA. Fundação Araucária-PR. Advogado.2017) Conforme a Lei 13.300/2016, que disciplina o
processo e o julgamento dos mandados de injunção individual e coletiva e suas regras sobre decisão
em mandado de injunção, assinale a alternativa CORRETA
A) A decisão em mandado de injunção terá necessariamente eficácia subjetiva ultra partes ou erga omnes
para suprir a ausência da norma regulamentadora.
B) A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por
decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável.
C) Com o trânsito em julgado da decisão em mandado de injunção, seus efeitos serão automaticamente
estendidos aos casos análogos.
D) Mesmo que a norma regulamentadora seja editada antes da decisão, o processo será extinto com
resolução do mérito para fixar a norma regulamentadora apenas entre as partes do processo.

03. (VUNESP. TJ-SP. Escrevente Técnico Judiciário.2017) Sempre que a falta de norma regulamentadora
torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais, conceder-se-á
A) mandado de segurança coletivo.
B) mandado de injunção.
C) ação de descumprimento de prece ito fundamental.
D) habeas data.
E) mandado de segurança.

04. (FAUEL. Prev São José-PR. Advogado.2017) Com base na Lei nQ 13.300/2016, que regulamentou o
mandado de injunção, é INCORRETO afirmar que
A) a regulamentação insuficiente não impede, por si só, a concessão de mandado de injunção.
B) pessoas jurídicas podem figurar no pólo ativo em mandado de injunção.
C) a Defensoria Pública é uma das legitimadas a propor mandado de injunção coletivo.

159
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

D) o mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos mandados de injunção
individuais.
E) a decisão em mandado de injunção, terá, como regra, eficácia ultra partes ou erga omnes.

05. (VUNESP. Pref. de Porto Ferreira-SP. Procurador Jurídico.2017) João é servidor público do Estado de
São Paulo e exerce atividade sob condições especiais que prejudicam sua saúde. A Constituição Federal,
por sua vez, em seu art. 40, § 4-, Ili, perm ite que sejam adotados requisitos e critérios diferenciados
para a concessão de aposentadoria de servidores cujas atividades sejam exercidas sob condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, nos termos definidos em leis complemen -
tares . Diante da inexistência de Lei Complementar regulamentando a matéria, João deseja tomar as
medidas judiciais cabíveis, a fim de que o Poder Judiciário assegure-lhe o direito à aposentadoria
especial, nos moldes da legislação infraconstitucional já existente e aplicada para trabalhadores em
geral. Nesse caso, João deve:
A) ajuizar ação de descumprimento de preceito fundamental perante o Supremo Tribunal Federal.
B) ajuizar ação direta de inconstitucionalidade por omissão perante o Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo.
C) aj uizar ação direta de inconstitucionalidade por omissão perante o Supremo Tribunal Federal.
D) impetrar mandado de injunção perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
E) impetrar mandado de injunção perante o Supremo Tribunal Federal.

06. (IBADE. PC-AC. Delegado de Polícia Civil.2017) A cerca dos instrumentos de tutela das liberdades,
previstos na CRFB/88, afirma-se corretamente
A) Direito de petição e direito de ação são expressões sinônimas, segundo o entendimento do STF.
B) O pagamento de custas judiciais e do ônus da sucumbência é devido em sede de habeas corpus.
C) A repartição pública que obstruir o direito de certidão deverá ser compelida, mediante habeas data,
a concedê-lo, sob pena de os seus titulares serem responsabilizados civil e criminalmente.
D) O mandado de injunção pode ser ajuizado coletivamente, embora inexista previsão expressa na
CRFB/88.
E) Os brasileiros naturalizados não possuem legitimidade ativa para propor ação popular, direito este
resguardado somente aos brasileiros natos.

07. (FCC. DPE-PR. Defensor Público.2017) Sobre o Mandado de Injunção, é correto afirmar
A) A sentença proferida nele poderá estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos,
das liberdades ou das prerrogativas reclamados, caso haja mora do órgão impetrado. Se editada a
norma faltante em momento posterior, esta não retroagirá, exceto se for benéfica ao impetrante.
B) A lei que o regulamenta, em contrariedade à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, não permite
a extensão dos efeitos da decisão para além das partes, já que se trata de processo constitucional
subjetivo que visa assegurar o exercício de direitos do impetrante.
C) Caberá recurso ordinário ao Superior Tribunal de Justiça quando denegatória a decisão no julgamento
de Mandado de Injunção em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos
Estados, do Distrito Federal e Territórios.
D) Diferencia -se o Mandado de Injunção da Ação Diret a de Inconstitucionalidade por omissão pois aquele
retrata processo subjetivo de controle de constitucionalidade, ao passo que este é processo objetivo;
mas se assemelham pois ambos preveem a medida liminar para suspender processos judiciais ou
procedimentos administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo Poder Judiciário.
E) Como remédio constitucional previsto em todas as Constituições republicanas, mas suspensa durante
a vigência do Ato Institucional n2 5, é cabível sempre que a falta total ou parcial de norma regu la-
mentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania .
160
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

08. (VUNESP. TJM-SP. Escrevente Técnico Judiciário.2017) Conceder-se-á mandado de injunção sempre
que
A) a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais.
B) alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua li berdade de locomoção,
por ilegalidade ou abuso de poder.
C) qualquer cidadão pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio pú-
blico, por falta de norma regulamentadora.
D) a falta de legislação, total ou parcial, atingir direito líquido e certo reconhec ido pela Constituição
Federal.
E) haja efetiva ameaça a direitos individuais ou coletivos por ato ou omissão de autoridade pública no
exercício de atribuições do poder público.

rm 01 A 1 02 B 1 03 B 04 E I OS E 1 06 D 1 07 A 1 08 A 1

LXXII - conceder-se-á "habeas-data":

a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes


de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;

b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;

1. BREVES COMENTÁRIOS
O habeas data é uma ação constitucional que tem como objeto a tutela dos direitos
fundamentais à privacidade (CF, art. 5°, X) e de acesso à informação (CF, art. 5°, XIV e
XXXIII). A consagração desta garantia jurídico-processual de natureza constitucional, com
caráter civil e rito sumário, é uma reação à experiência constitucional anterior em que os
dados referentes às convicções e condutas dos indivíduos eram arquivados de forma sigilosa
pelo governo, prática incompatível com o modelo político-jurídico consagrado na nova ordem
constitucional que "rejeita o poder que oculta e o poder que se oculta." (STF - RHD 22).
Seu objetivo é assegurar conhecimento, retificação e/ou complementação de informações
pessoais conscantes de registros de dados, sempre que não se prefira fazê-lo por processo
sigiloso, judicial ou administrativo.
Trata-se de uma ação personalíssima, cuja tutela se restringe a informações relativas à
pessoa do impetrante. Não cabe a impetração por terceiros, salvo em hipóteses excepcionais,
como evitar o uso ilegítimo e indevido dos dados do morto, de modo a preservar sua imagem.
O habeas data poderá ser impetrado em face de: I) entidades governamentais da admi-
nistração pública direta ou indireta; II) pessoas jurídicas de direito privado (a) que tenham
banco de dados aberto ao público, como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e o SERASA;
ou, ainda, (6) partidos políticos e (c) universidades particulares.
A lei que regulamenta o habeas data considera "de caráter público todo registro ou banco
de dados contendo informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que
não sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações"
(Lei 9.507/1997, art. 1°, parágrafo ún ico).
161
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

O direito de acesso às informações independe da existência de qualquer motivo a ser


demonstrado, sendo suficiente a simples vontade de ter conhecimento acerca das informações.
A exigência de recusa ou demora para o acesso, complementação ou retificação das
informações (Lei 9.507/1997, art. 8°, parágrafo único) não se configura inconstitucional,
por se tratar da verificação de existência de uma das condições da ação ("interesse de agir"),
e não de exigência de prévio esgotamento da via administrativa.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STJ -Súmula n!! 2. Não cabe o habeas data (CF, art. S!!, LXXII, letra "a") se não houve recusa de infor-
mações por parte da autoridade admin istrativa.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• STJ/548 - Inadequação de "habeas data" para acesso a dados do registro de procedimento fiscal.
O "habeas data" não é via adequada para obter acesso a dados contidos em Registro de Procedi-
mento Fiscal (RPF). Isso porque o RPF, por definição, é documento de uso privativo da Receita Federal;
não tem caráter público, nem pode ser transmitido a terceiros. Além disso, não contém somente
informações relativas à pessoa do impetrante, mas, principalmente, informações sobre as atividades
desenvolvidas pelos auditores fiscais no desempenho de suas funções. Nessa linha, o acesso a esse
documento pode, em tese, obstar o regular desempenho do poder de polícia da Receita Federal. REsp
1.411.585-PE, Rei. Min. Humberto Martins, j. 5.8.2014. 2ª T.
"Habeas data" e informações fazendárias
[RPG) O " habeas data" é a garantia constitucional adequada para a obtenção, pelo próprio contribuinte,
dos dados concernentes ao pagamento de tributos constantes de sistemas informatizados de apoio
à arrecadação dos órgãos da administração fazendária dos entes estatais. RE 673707, Rei. Min. Luiz
Fux, repercussão geral, 17.6.2015. Pleno. (lnfo 790}

4. QUESTÕES D E CONCURSOS
01. {CESPE. TRT-7. Analista Judiciário -Área Administrativa.2017) Após ter sido negada a sua solicitação
de financiamento para a aquisição de imóvel residencial - seu nome estava negativado no serviço
de proteção ao créd ito-, Pedro procurou a entidade responsável pelo banco de dados em questão,
mas lhe foi negado o fornecimento de informações acerca de seu cadastro. Nessa situação hipotética,
para garantir o acesso aos dados, o remédio constitucional cabível em sede judicial é o(a)
A) mandado de injunção
B) habeas data
C) ação popular
D) mandado de segurança

02. (CESPE. DPU. Defensor Público da União.2017) A respeito da teoria e do regime jurídico dos direitos
fundamentais, julgue os itens que se seguem à luz das disposições da CF.
Sob o aspecto da legitimidade ativa, por meio de habeas data é possível obter informações re lativas
a qualquer pessoa, desde que as informações sejam classificadas como públicas.
03. (CESPE. TRE-BA. Técnico Judiciário - Área Administrativa.2017) O remédio constitucional que repre-
senta, no plano institucional, a mais expressiva reação jurídica do Estado às instituições que lesem,
efetiva ou potencialmente, os direitos de conhecimento de informações relativas à pessoa interessada
constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamenta is ou de caráter público, bem
como de retificação de dados e complementação de registros existentes, é o(a)
A) habeas data.
162
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

B) mandado de segurança.
C) habeas corpus.
D) ação popular.
E) mandado de injunção.

04. (IESES. Gasbrasiliano. Advogado.2017) Conceder-se-á habeas data


A) Para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de re-
gistros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público e para a retificação
de dados, quando não se prefira fazê-lo po r processo sigiloso, judicial ou administrativo.
B) Para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus quando o responsável pela
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público.
C) Sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
D) Sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à na cionalidade, à soberania e à cidadania e acesso a
dados sigilosos.

OS. (FUNDEP. MPE-MG. Promotor de Justiça Substituto.2017) Em relação ao Habeas Data, é CORRETO
o que se afirma em
A) O Habeas Data pode ser utilizado para a obtenção de cópia de processo administrativo.
B) Pessoa física estrangeira não tem legit imidade pa ra impetrar Habeas Data .
C) O Habeas Data não pode ser impetrado com a finalidade de obter dados referentes ao pagamento
de tributos do próprio contribuinte constantes de sistemas informatizados de apoio à arrecadação
dos órgãos tributários da administração fazendária dos entes estatais,
D) O Habeas Dat a, assim como o Mandado de Segurança, não prevê fase probatória e, portanto, não
pode ser impetrado quando controversa a matéria.

06. (NUCEPE. SEJUS-PI. Agente Penitenciário.2017) Qualquer cidadão é legitimado para a sua propositura.
Tem por objeto a anulação de ato lesivo ao pa trimônio púb lico ou de entidade de que o Estado parti-
cipe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. A narrativa
diz respeito ao instrumento de controle da administração pública conhecido como
A) Ação popular.
B) Ação civil pública.
C) Mandado de segurança.
D) Habeas data.
E) Mandado de injunção.

AH 01 B 1 02 E 103 A 04 A 105 D 106 D 1

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesi-
vo ao patrim ônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa,
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ôn us da sucumbência;

I. BREVES COMENTÁRIOS
Originária do direito romano, esta ação é chamada de popular em razão de a legitimidade
para sua propositura ser atribuída ao povo ou, em alguns casos, a urna parte dele. A ação
163
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

popular é uma decorrência do princípio republicano, tendo por finalidade a proteção da coisa
pública (res publica). Trata-se de uma das formas de manifestação da soberania popular, que
permite ao cidadão exercer, de forma direta, uma função fiscalizadora. Um de seus traços
mais característicos é a defesa, não de um interesse pessoal, mas da coletividade.

A ação popular objetiva defender interesses difusos, pertencentes à sociedade, por meio da
invalidação de atos dessa natureza lesivos ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.

São tutelados, portanto, bens materiais pertencentes a órgãos estatais e pessoas jurídicas de
direito público (patrimônio público) e bens imateriais (moralidade administrativa), inclusive
aqueles pertencentes a toda a coletividade (meio ambiente e patrimônio histórico e cultural).

A Constituição não atribuiu a qualquer pessoa da população (brasileiros natos e natu-


ralizados, estrangeiros residentes e apátridas) ou do povo (brasileiros natos e naturalizados)
a legitimidade para a propositura da ação popular. Apesar do nome, a legitimidade ativa foi
atribuída apenas aos cidadãos em sentido estrito, ou seja, aos nacionais que estejam no gozo
dos direitos políticos. Por se tratar de um direito político, no caso dos eleitores que têm entre
16 e 18 anos não é necessária a assistência. O amor da ação popular atua como um substituto
processual, defendendo em nome próprio um interesse difuso.

Os portugueses, caso haja reciprocidade por parte de Portugal, também poderão propor
ação popular (CF, art. 12, § 1°).
A comprovação da condição de cidadão far-se-á mediante a juntada do título de eleitor ou
documento que a ele corresponda (Lei 4.717/1965, art. 1°, § 3°). A de português equiparado
é feita não apenas com esse título, mas também com o certificado de equiparação e gozo
dos direitos civis e políticos.
O Ministério Público , apesar de não ter legitimidade para propor a ação, deverá acom-
panhá-la, "cabendo-lhe apressar a produção da prova e promover a responsabilidade, civil ou
criminal, dos que nela incidirem, sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa
do ato impugnado ou dos seus autores" (Lei 4 .717/1965, art. 6°, § 4°). Por ser reconhecida
apenas aos cidadãos, as pessoas jurídicas não possuem legitimidade para a propositura da
ação popular (STF - Súmula 365).

A ação popular poderá ser proposta contra pessoas jurídicas públicas ou privadas. Também
podem ser sujeitos passivos as autoridades, os funcionários ou administradores que houverem
autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem
dado oportunidade à lesão, e contra os beneficiários diretos do mesmo (Lei 4.717/1965, art. 6°).

A ação poderá ser utilizada de forma preventiva, quando para evitar a consumação da
lesão, ou repressiva , quando objetivar o ressarcimento do dano causado.

A Lei 4 .717/1965, que regulamenta a ação popular, considera nulos os atos ou contratos
elencados no art. 4°, além dos casos de: incompetência; vício de forma; ilegalidade do objeto;
inexistência dos motivos; desvio de finalidade (art. 2°). Os demais atos lesivos são considera
dos anuláveis (art. 3°). Assim como ocorre com o mandado de segurança, não é cabível a
ação popular para invalidar lei em tese.
164
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

Os atos de conteúdo jurisdicional não estão abrangidos pelo âmbito de incidência


da ação popular, uma vez que possuem um sistema específico de impugnação, seja por via
recursal, seja mediante a utilização de ação rescisória (STF - Pet 2.018-AgR).
A competência para julgamento da ação popular é determinada pela origem do ato lesivo
a ser anulado, sendo, via de regra, do juízo competente de primeiro grau, conforme as normas
de organização judiciária (Lei 4.717/1965, art. 5°). Ainda que se trate de ato praticado pelo
Presidente da República, não haverá foro privilegiado, sendo competente a justiça federal de
primeira instância.
A Lei 4 .717/1965 prevê o cabimento, para a defesa do patrimônio público, de suspensão
liminar do ato lesivo impugnado (art. 5°, § 4°).
A decisão que julga procedente o pedido da ação popular, além de condenar os respon-
sáveis e beneficiários em perdas e danos, declara a nulidade do ato impugnado, nas hipóteses
previstas nos arts. 2° e 4°, ou determina a sua anulação, no caso do art. 3°, todos da Lei
4.717/1965. Na primeira hipótese (nulidade do ato), a decisão terá natureza declaratória-con-
denatória; na segunda (ato anulável), desconstitutiva-condenatória.
Caso o pedido seja julgado improcedente, por ser a ação manifestamente infundada, a
decisão faz coisa julgada, produzindo efeitos erga omnes. Se o pedido for julgado improce-
dente por insuficiência probatória, subsistirá a possibilidade de ajuizamento de nova ação
popular com o mesmo objeto e fundamento. Em ambos os caso, não haverá condenação do
autor em custas judiciais ou no ônus da sucumbência, salvo se ficar comprovada a má-fé. A
isenção de custas abrange todas as despesas processuais, inclusive os honorários do perito.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA


• STF -Súmula n!! 365. Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (FUNDATEC. PGE-RS. Procurador do Estado. 2015) No que se refere à ação popular e à ação civil
pública, a Constituição Federal de 1988:
a) Equiparou o objeto da ação popular ao objeto da ação civil pública, visando à proteção de todo e
qualquer direito difuso e coletivo
b) Ampliou o obj eto da ação popular para também tutelar a moralidade administrativa, o meio ambiente
e o patrimônio histórico e cultural, estendendo ainda o objeto da ação civil pública para a proteção
de todo e qualquer direito difuso ou coletivo
c) Ampliou o objeto da ação popular para também tutelar a mora lidade administrativa, o meio ambiente
e o patrimônio histórico e cultural, restringindo o objeto da ação civil pública para atos de improbidade
administrativa
d) Manteve o objeto da ação popular e o objeto da ação civil pública para a proteção exclusiva do pa-
trimônio público e social
e) Ampliou o objeto da ação civil pública para também tutelar a moralidade administrativa, o meio am-
biente e o patrimônio histórico e cultural, estendendo ainda o objeto da ação popular para a proteção
de todo e qualquer direito difuso ou coletivo

02. (FMP. DPE-PA. Defensor Público. 2015) Assinale a opção CORRETA


a) A ação popular se presta à anulação de ato lesivo ao patrimônio público apenas quando este detém
valor econômico
165
Ar!. 5° TÍTULO li - OOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

b) Descabe o ajuizamento de ação civil pública, quando já houver ação popu lar ajuizada sobre o mesmo
fato
c} A ação popular poderá ser intentada por cidadão e por partido político com representação no Con -
gresso Nacional
d) É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular
e) A ação popula r pode ser proposta contra pessoas públicas ou privadas que praticarem atos lesivos ao
patrimônio público, não alcançando seus administradores ou os beneficiários diretos do ato danoso,
cujas responsabilidades devem ser apuradas em ação própria

03. (FCC. DPE-BA. Defensor Público. 2016) Acerca do sistema constitucional de proteção dos direitos
humanos e fundamentais, é correto afirmar
A) O serviço público de assistência jurídica integral e gratuita prestado pela Defensoria Pública é carac-
terizado pelo acesso universal, tal como o serviço público na área da saúde
8) Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finali-
dade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos
humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em
qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça
Federal
C) De acordo com a posição firmada pelo Supremo Tribunal Federal, os tratados internacionais de direitos
humanos incorporados antes da inserção do§ 32 no artigo 5º da Constituição Federal, levada a efeito
pela Emenda Constitucional no 45/2004, possuem hierarquia constitucional, prevalecendo em face
de qua lquer norma infraconstituciona l interna
D) A norma constitucional atribui legitimidade exclusiva ao Ministério Público para a propositura de ação
civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses
difusos e coletivos
E) Ação popular teve o seu objeto ampliado por disposição da Constituição Federal de 1988, autorizando
expressamente o seu manuseio para a defesa dos direitos do consumidor

04. (FGV. OAB. Exame XX- Salvador. 2016) José, brasileiro de dezesseis anos de idade, possuidor de título
de eleitor e no pleno gozo dos seus direitos políticos, identifica, com provas irrefutáveis, ato lesivo
do Presidente da República que atenta contra a moralidade administrativa. Com base no fragmento
acima, assinale a opção que se coaduna com o instituto jurídico da Ação Popular
A) José, desde que tenha assistência, é parte legítima para propor Ação Popular em face do Presidente
da República perante o Supremo Tribunal Federal
8) José, ainda que sem assistência, é parte legítima para propor Ação Popular em face do Presidente da
República perante o juiz natural de primeira instância
C) José, ainda que sem assistência, é parte legítima para propor Ação Popular em face do Presidente da
República perante o Supremo Tribunal Federal
D) José não é parte legítima para propor Ação Popular em face do Presidente da República, porque ainda
não é considerado cidadão

OS. (CESPE. TJDFT. Juiz Substituto. 2016) No que se refere à ação popular, assinale a opção correta
A) A decisão proferida pelo STF em ação popular possui força vinculante para juízes e tribunais, quando
do exame de outros processos em que se discuta matéria similar
8) A ação popular sujeita-se a prazo prescricional quinquenal previsto expressamente em lei, que a
jurisprudência consolidada do STJ aplica por analogia à ação civil pública
C) Para o cabimento da ação popular é exigível a demonstração do prejuízo material aos cofres públicos
D) O MP, havendo comprometimento de interess e social qualificado, possui legitimidade ativa para
propor ação popular
166
iY@-iiiiljjífijijlJ\j;jjQij:j•h9iã•)3;f;iil?J•jij:@J.il•ijj€J:t:i Art. 5°

E) Compet e ao STF julgar ação popular contra autoridade cujas resoluções esteja m sujeitas, em sede de
mandado de segurança , à ju risdição imediata do STF

n 01 B 1 02 D 1 03 E 1 04 B 1 05 B 1

LXXIV - o Estado prestará assistência ju rídica integral e gratu ita aos que comprovarem insu-
ficiência de recursos;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Para conferir maior efetividade ao princípio do acesso à jurisdição, a Constituição de
1988 assegurou a assistência judiciária integral e gratuita a ser exercida por meio da Defensoria
Pública (CF, art. 134), além de garantir a gratuidade das ações de habeas corpus, habeas
data e, na forma da lei, dos atos necessários ao exercício da cidadania (CF, art. 5°, LXXVII).
Dentre os atos cuja gratuidade foi assegurada pela própria Constituição, encontra-se o
registro civil de nascimento e a certidão de óbito para os reconhecidamente pobres, na forma
da lei (CF, art. 5°, LXXVI), além do "direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder" e "a obtenção de certidões em repartições
públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal" (CF, art.
5°, XXXIV). Nos termos da jurisprudência do STF, "a exigência de recolhimento de taxa
para emissão de certidão em repartições públicas, para defesas de direitos e esclarecimentos de
situações de interesse pessoal," viola a imunidade conferida ao direito de petição (ADI 3.278).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STJ -Súmula nº 110. A isenção do pagamento de honorários advocaticios, nas ações acidentárias, é
restrita ao segurado.

LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro jud iciário, assim como o que ficar preso
além do tempo fixado na sentença;
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na fo rma da le i:

a) o registro civil de nascimento;

b) a certidão de óbito;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Ver comentário ao art. 5°, LXXN.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Vunesp - Cartório - TJ - SP/2014) A Constituição Federal, na parte em que trata dos direitos e
garantias fundamentais, especificamente nos direitos e deveres in dividuais e coletivos, estabelece a
gratuidade para os reconhecidamente pobres, na forma da le i,

a) somente do registro civil de nascimento.


b) somente da certidão de óbito.
167
TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

c) somente do registro civil de nascimento e da certidão de óbito.


d) somente do registro civil de nascimento e da certidão de casamento.

02. (FCC- Procurador Judicial - Prefeitura Recife-PE/2014) O texto constitucional assegura gratuidade
a) à obtenção de certidão de óbito pelos reconhecidamente pobres e, às ações de habeas data, habeas
corpus e mandado de injunção.
b) ao t ransporte coletivo urbano para pessoas maiores de sessenta anos e, na forma da lei, aos atos
necessários ao exercício da cidadania.
c) ao transporte coletivo urbano pa ra pessoas maiores de sessenta anos e às ações de habeas corpus e
habeas data.
d) ao casamento religioso e às ações de habeas data, habeas corpus e mandado de injunção.
e) à obtenção de certidão de óbito pelos reconhecidamente pobres e, na forma da lei, aos atos neces-
sários ao exercício da cidadania.
@ 01 e 1 02 E

LXXVII - são gratuitas as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma da lei, os atos


necessários ao exercício da cidadania.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Ver comentário ao art. 5°, LXXIV.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (FCC - Técnico Judiciário -Área Administrativa -TRT 9/2013 - Adaptada) A respeito dos Direitos e
Garantias Fundamentais: São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei,
os atos necessários ao exercício da cidadania .

02. (Cespe -Técnico Judiciário - Área Técnico-Administrativa - TJ - CE/2014) No que se refere aos di-
reitos e deveres individuais e coletivos e às garantias fundamentais previstos na CF, assinale a opção
correta .
a) A publicidade dos atos processuais é restrita às partes e aos seus advogados.
b) A todos os cidadãos é gratuita a ação de habeas data .
c) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado sempre que alguém sofrer violência em sua
liberdade de locomoção.
d) A prisão ilegal só será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária quando decorrente de prova
ilícita.
e) Os presos fede rais não têm direito à ide ntificação dos responsáveis por sua prisão.

03. (FCC-Analista Judiciário -Área Administrativa -TRT 2/2014-ADAPTADA) Considere as seguintes


afirmativas: É assegurada pela Constituição Federal a gratuidade das ações de habeas corpus e habeas
data e, na forma da lei, dos atos necessários ao exercício da cidadania, bem assim, aos reconhecida-
mente pobres, do regist ro civil de nascimento e da certidão de óbito.

ffltí1 01 e 02 B 03 e

LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do


processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Cons-
titucional nQ 45, de 2004)

168
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Arl. 5°

1. BREVES COMENTÁRIOS
A simples garantia formal do dever do Estado de prestar a Justiça não é suficiente, sendo
necessária uma prestação estatal rápida, efetiva e adequada. (DIDIERJR., 2007). Com esse
intuito, a EC 45/2004 acrescentou o inciso LXXVIII ao art. 5°, objetivando assegurar a todos,
no âmbito judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os meios que garantam
a celeridade de sua tramitação. Concomitantemente, a referida Emenda estabeleceu que "o
número de juízes na unidade jurisdicional será proporcional à efetiva demanda judicial e à
respectiva população" (CF, art. 93, XIII).
A consagração do princípio da raz oável duração do processo, embora não seja pro-
priamente uma inovação - já que o direito a uma prestação jurisdicional tempestiva, justa e
adequada já estava implícito na cláusula do "devido processo legal substantivo" (CF, art. 5°,
LIV) - , contribui para reforçar a preocupação com a efetividade da prestação jurisdicional.
A determinação comida neste princípio, apesar de dirigida também ao juiz, tem como
principal destinatário o legislador, impondo-lhe a tarefa de aperfeiçoar a legislação proces-
sual com o escopo de assegurar uma razoável duração ao processo. A reforma de estatutos
processuais com esta finalidade representa um fenômeno universal.

2. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• HC 111.171-DF. Rei. Min. Dias Toffoli. "Habeas corpus". Constitucional. Processual Penal. Crime de
homicídio qualificado na modalidade tentada. Art. 121, § 2Q, li, c/c o art . 14, li, ambos do CP. Con-
denação. Pena de 4 (quatro) anos de reclusão em regime inicial fechado. Nulidade da condenação
imposta ao paciente, em decorrência de eventual cerceamento de defesa ocorrido no curso do pro-
cesso. Alegada possibilidade de o paciente cumprir a pena em regime inicial aberto. Questões não
analisadas em definitivo pelo STJ. Impetração dirigida contra decisão daquela Corte de Justiça que
indeferiu medida liminar em "habeas corpus". Incidência da Súm. 691/STF. Apreciação " per saltum".
Impossibilidade. Supressão de instância. Excesso de prazo para o julgamento do "writ" impetrado
no STJ . Constrangimento ilegal configurado. Não observância da norma constitucional da razoável
duração do processo (art. SQ, LXXVIII, CF). 1. Configuraria verdadeira supressão de instância analisar
os argumentos acerca do suposto constrangimento ilegal imposto ao paciente em decorrência de
suposta nulidade da condenação a ele imposta, do eventual cerceamento de defesa ocorrido no
curso do processo, e da alegada possibilidade de o paciente cumprir a pena em regime inicial aberto,
por se entender preenchidos os seus requisitos. Com efeito, não tendo os temas sido apreciados em
definitivo pelo STJ, não pode esta Suprema Corte, em exame "per saltum", analisá-los. Incidência,
na espécie, a Súm. 691/STF. 2. É da jurisprudência da Corte o entendimento de que "a comprovação
de excessiva demora na realização do julgamento de mérito do 'habeas corpus' impetrado no STJ
configura constrangimento ilegal, por descumprimento da norma constitucional da razoável duração
do processo (art. SQ, LXXVIII, CF), viabilizando, excepcionalmente, a concessão de 'habeas corpus'."
(HC 101896). 3. Ordem parcialmente conhecida e, nessa parte, concedida, para determinar ao STJ
qu e a autoridade coatora apresente o "habeas corpus" em mesa para julgamento até a s~ sessão
subsequente à comunicação da presente determinação. (lnfo 661)

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (VUNESP. TJ-SP. Titular de Notas e Registros- Provimento. 2016) São direitos fundamentais previstos
no art. 5º da Constituição Federal:
A) a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa, e o pluralismo político
169
Ar!. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

B) o devido processo legal, a gratuidade do registro civil de nascimento para os reconhecidamente po-
bres, a livre manifestação do pensamento, e a inversão do ônus da prova em favor do consumidor,
quando verossímeis os fatos alegados ou for ele hipossuficiente
C) a razoável duração do processo, a propositura de ação privada para os crimes de ação pública, quando
esta não for intentada no prazo legal, a ação de habeas data, e a prestação de assistência religiosa
nas entidades civis e militares de internação coletiva
D) a ação de habeas corpus, a liberdade de associação, a vedação no processo das provas obtidas por
meios ilícitos, a erradicação da pobreza, e a soberania

02. (VUNESP. TJ-SP. Titular de Notas e Registros - Provimento. 2016) A duração razoável do processo
A) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se no âmbito judicial e administrativo,
e tem aplicação imediata
B) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica -se apenas no âmbito judicial, e tem
aplicação imediata
C) não é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se no âmbito judicial e adminis-
trativo, e tem aplicação imediata
D) é garantia fundamental prevista na Constituição Federal, aplica-se apenas no âmbito judicial, e não
tem aplicação imediata

03. (CESPE. PGE-SE. Procurador do Estado.2017) Dete rminada demanda judicial, em que são partes um
estrangeiro residente no Brasil e um estado da Federação, prolonga-se por vinte e cinco anos . Nesse
caso, à luz da legislação e da doutrina constitucional, o direito à razoável duração do processo
A) é norma programática e não gera efeitos individuais imediatos no caso concreto.
B) é aplicável em favor do estrangeiro na esfera judicial, mas não o seria no âmbito administrativo.
C) pode amparar ambas as partes e ter efeitos imediatos sobre a situação individual cogitada.
D) não ampara o estado da Federação, por se tratar de direito individual oponível contra o Estado.
E) não ampara o estrangeiro, por ausência de previsão no texto constitucional.

l&H 01 e 02 A 03 e

§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

1. BREVES COMENTÁRIOS
O dispositivo constitucional que determina a aplicação imediata das normas definido-
ras dos direitos e garantias fundamentais (CF, art. 5°, § 1°) apresenta algumas dificuldades
quanto à sua interpretação. Isso porque, ao menos aparentemente, há um conflito entre o
seu comando e a exigência de lei regulamentadora contida em vários preceitos jusfunda-
mentais como, por exemplo, os que asseguram, na forma da lei, a proteção aos locais de
culto e a suas liturgias, bem como a prestação de assistência religiosa nas entidades civis
e militares de internação coletiva (CF, art. 5°, VI e VII); o que protege, nos termos de lei
complementar, a relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa (CF,
arr. 7°, I); o que assegura o salário mínimo nacionalmente unificado, fixado em lei (CF,
art. 7°, IV); o que prevê a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remu-
neração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em
lei (CF, art. 7°, XI); ou, ainda, o que assegura o exercício do direito de greve nos termos
e nos limites definidos em lei específica (CF, art. 37, VII). Todos esses dispositivos consa-
gram direitos subjetivos passíveis de serem usufruídos sem a necessidade de concretização
170
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

legislativa ou devem ser interpretados como exceções à regra geral? Em todas as hipótese de
omissão legislativa seria possível utilizar o mandado de injunção para assegurar o exercício
imediato do direito fundamental?
Há casos em que não há maiores dificuldades para a fixação, pela via mandamental, da
norma regulamentadora voltada a assegurar o exercício do direito inviabilizado, tal como
ocorreu em relação ao direito de greve dos servidores públicos (STF - MI 708). Em outros,
no entanto, a elaboração da norma pelo Judiciário, ainda que para assegurar o exercício do
direito apenas pelo impetrante, seria mais problemática. Em caso de omissão legislativa, o
órgão judicial deveria fixar, e.g., o valor do salário mínimo ou o percentual de participação
dos empregados no lucro da empresa?

Bastante prestigiada é a exegese proposta por Ingo Sarlet (2007a), nos termos da qual
este comando não deve ser compreendido como uma regra aplicável na exata medida exata
de sua prescrição, mas sim como um princípio ("mandamento de otimização") a impor a
aplicação imediara dos direitos fundamentais na maior medida possível, de acordo com as
possibilidades fáticas e jurídicas existentes.
A despeito da possibilidade de se extrair do dispositivo constitucional em comento um
princípio hermenêutico a ser adotado como vetor interpretativo no âmbito dos direitos fun-
damentais (princípio da máxima efetividade possível), parece-nos que o mandamento
consagra uma regra geral no seguinte sentido: as normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais devem ter aplicação imediata, salvo quando o enunciado normativo exigir lei
regulamemadora e a omissão do legislador, por razões de ordem fática ou jurídica, não puder
ser suprida pela via mandamental (NOVELINO, 2018).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {TRF-2.TRF-2.Juiz Federal.2017) Analise as proposi ções e, ao final, marque a opção correta
1. No exercício da jurisdição, como fundamento para apreciação de pedido, o juiz federal pode declarar
a inconstitucionalidade de lei, mas não a inconstitucionalidade de emenda constitucional.
li. No sistema brasileiro de controle de constitucionalidade, cabe exclusivamente aos Poderes Legisla-
tivo e Executivo a realização de controle preventivo de constitucionalidade da lei, reservando-se ao
Judiciário função repressiva.
Ili. Os direitos e garantias fundamentais enunciados na maioria dos incisos do artigo SQ da Constituição
são normas que produzem seus efeitos típicos inde pendentemente da atuação do legislador infra-
constitucional.
IV. O direito ao exercício de profissão (inciso XIII do artigo Sº da Constituição) é clássico exemplo de norma
cuja eficácia não pode ser contida, conforme amplamente decidido nos vários litígios que envolvem
os Conselhos de fiscalização da profissão .
A) Estão corretas apenas as assertivas 1, li e Ili.
B) Estão corretas apenas as assertivas IV e Ili.
C) Está correta apenas a assertiva Ili.
D) Estão corretas apenas as assertivas li e IV.
E) Estão corretas apenas as assertivas Ili e IV.

AH o, e 1

171
Art. 5° TÍTULO li - aos DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

§ 22 Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes


do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República
Federativa do Brasil seja parte.

1. BREVES COMENTÁRIOS
O dispositivo consagra uma concepção material de direitos fundamentais, ao es-
tabelecer que direitos e garantias fundamentais consagrados expressamente no texto da
Lex Mater não impedem a descoberta de outros princípios implícitos no sistema jurídico
constitucional. Nesse sentido, o rol de direitos fundamentais elencado na Constituição
deve ser considerado apenas como exemplificativo (numerus apertus) , não com um rol
exaustivo (numerus clausus).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula vinculante n!! 25. É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a moda-
lidade do depósito.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (ACAFE - Agente de Polícia - SC/2014) O art. Se da Constituição Federal trata dos direitos e deveres
individuais e coletivos, espécie do gênero direitos e garantias fundamentais (Título li). Assim, apesar de
referir-se, de modo expresso, apenas a direitos e deveres, também consagrou as garantias fundamentais.
(LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, São Paulo: Saraiva, 2009,13a. ed., p, 671)
Com base na afirmação acima, analise as questões a seguir e assinale a alternativa correta.
1. Os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional, enquanto as garantias são os
instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos.
li. O rol dos direitos expressos nos 78 incisos e parágrafos do art. SQ da Constituição Federal é meramente
exemplificativo.
Ili. Os direitos e garantias expressos na Constituição Federal não excluem outros decorrentes do regime
e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que o Brasil seja parte.
IV. São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
V. É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias.
a) Apenas 1, li e Ili estão corretas.
b) Apenas li, Ili e IV estão corretas .
c) Apenas Ili e V estão corretas.
d) Apenas IV e V estão corretas.
e) Todas as questões estão corretas.

02. (MPU. MPU. Técnico Administrativo. 2015) A CF traz uma enumeração taxativa dos direitos funda-
mentais.

03. (TRT-6. TRT-6. Juiz do Trabalho. 2015) Considerando as afirmações abaixo, assinale a alternativa
CORRETA:
1. A abertura material do catálogo constitucional permite o reconhecimento de direitos fundamentais
implícitos, decorrentes do sistema como um todo.
172
iMMilillid tilil#@1i=i•lffii#~•l#itdMii111•:@J.il• IIM:J:i
1• 1 1 Art. 5°

li. Essa mesma abertura, porém, não enseja o reconhecimento de direitos fundamentais fora do catálogo
do art. Sº da CF, uma vez que, a partir de uma perspectiva topográfica, o legislador buscou estabelecer
os direitos expressos a partir de um critério sistemático.
Ili. Os direitos fundamentais inserem-se no rol das chamadas cláusulas pétreas.
IV. A hierarquia supra legal dos tratados de direitos humanos ou equivalente às emendas constitucionais,
nos termos da jurisprudência do STF, leva em conta o momento de sua incorporação: se antes ou
depois da inserção do§ 3º ao art. SQ da CF
a) Somente as afirmativas 1, li e Ili estão corretas
b) Somente as afirmativas 1, li e IV estão corretas
c) Somente as afirmativas li, Ili e IV estão corretas
d) Somente as afirmativas 1, Ili e IV estão corretas
e) Todas as afirmativas estão corretas

HJ=i o, E 02 E 03 D

§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados,


em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 45, de 2004) (Decreto Legislativo com força de Emenda Constitucional)

1. BREVES COMENTÁRIOS
A posição hierárquica dos tratados internacionais de direitos humanos foi objeto de
grande controvérsia na doutrina e jurisprudência brasileiras. Com o advento da Constituição
de 1988, alguns importantes internacionalistas - dentre eles, Celso Lafer, Antônio Augusto
Cançado Trindade e Flávia Piovesan -, passaram a defender uma hierarquia constitucional
para os tratados e convenções internacionais de direitos humanos, por força do disposto no
§ 2° do art. 5°.

A tese de que a Constituição teria consagrado a sistemática da incorporação automática dos


tratados internacionais de direitos humanos ("concepção monista"), conferindo-lhes o mesmo
status das normas constitucionais, teve grande repercussão no âmbito doutrinário e jurispru-
dencial, mas não foi acolhida pela jurisprudência do STF, que manteve o posicionamento
tradicionalmente no sentido de que os tratados e convenções internacionais, independentemente
de seu conteúdo, tinham o status de lei ordinária (ADI 1.480; HC 72.131).

A EC 45/2004 acrescentou este novo parágrafo ao art. 5°, conferindo o status de emenda
constitucional aos tratados e convenções internacionais de direitos humanos que forem aprova-
dos em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos de votação, por três quintos dos
respectivos membros.

Em 2006, quando do julgamento do RE 466.343/SP, no qual se discutia a possibilidade


de prisão civil do devedor-fiduciante, o STF revisou o posicionamento tradicionalmente
adotado. A maioria dos Ministros aderiu à tese proposta por Gilmar Mendes, no sentido
de que os tratados e convenções internacionais de direitos humanos aprovados pelo proce-
dimento ordinário teriam uma hierarquia supralegal, isto é, estariam situados abaixo da
Constituição mas acima da legislação ordinária.
173
Arl. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Com a adoção do novo entendimento, o Supremo Tribunal Federal passou a reconhecer,


conforme o conteúdo e forma de aprovação, três níveis hierárquicos distintos para os tratados
e convenções internacionais:
1) tratados e convenções internacionais de direitos humanos, aprovados em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros,
são considerados equivalentes às emendas constitucionais (CF, art. 5°, § 3°);
2) tratados e convenções internacionais de direitos humanos, aprovados pelo procedimento
ordinário (CF, are. 47), possuem status supralegal, situando-se entre as leis e a Consti-
tuição;
3) tratados e convenções internacionais que não versem sobre direitos humanos ingressam
no ordenamento jurídico brasileiro com força de lei ordinária.

STATUS DOS TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS

Equivalente às Emendas
Supra legal Lei ordinária
Constitucionais

Versam sobre direitos humanos Versam sobre direitos humanos, Não versam sobre direitos hu-
e foram submetidos ao rito do mas não foram submetidos ao ri- manos. Regra geral para ostra-
art. 5!!, § 39 . to do art. 5!!, § 3!!. tados.

Conforme a hierarquia, os tratados e convenções internacionais poderão servir, respec-


tivamente, como parâmetro para controle de: I) constitucionalidade (por via principal ou
incidental); II) supralegalidade (via incidental); ou III) legalidade. Em relação aos tratados
internacionais de direitos humanos aprovados anteriormente à EC 45/2004, parece não haver
qualquer obstáculo à possibilidade de serem submetidos a uma nova votação no Congresso
Nacional e aprovados nos termos do art. 5°, § 3°, da CF. Nesse caso, a iniciativa para provocar
a nova apreciação deve ser atribuída, por analogia legis, aos legitimados para a propositura
de emendas (CF, art. 60, Ia III).

.. (UFMT- Promotor de Justiça - MT/2012) Discorra sobre o procedimento para a celebração e con-
clusão dos tratados internacionais de direitos humanos no Brasil, bem assim sobre o status desses
instrumentos internacionais no nosso ordenamento jurídico e o exercício do controle jurisdicional
(difuso e concentrado) de convencionalidade

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (UESPI- Delegado de Polícia - Pl/2014) Sobre os direitos individuais e coletivos, assinale a alternativa
CORRETA .
a) Inspirada no princípio da dignidade da pessoa humana, a Constituição Federal de 1988 não permite,
em hipótese alguma, as seguintes penas: de morte, de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de
banimento, cruéis.
b) É reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a plenitude de
defesa, a publicidade das votações, a soberania dos veredictos e a competência para o julgamento
dos crimes dolosos contra a vida.

174
CB ilfiiiillOM1• tiliJ#R 1i:IIIBi# l#füM u•:j;btilli)l@H
1 1 1 11
Art. 5°

c) Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, e unicamente em caso de comprovado


envolvimento na prática de crime de tráfico de seres humanos verificado antes da naturalização.
d) Os tratados e convenções internaciona is sobre Direit os Humanos que forem aprovados, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais.
e) A criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas dependem de autorização do Poder
Executivo, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.

02. (Vunesp - Defensor Público- MS/2014) Écorreto afirmar que os tratados e convenções internacionais
sobre direitos humanos
a) que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por maioria dos votos
dos respectivos membros, serão equivalentes às leis complementares.
b) que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
c) que forem aprovados, em sessão unicameral pelo Congresso Nacional, por maioria absoluta, serão
equiparados às emendas constitucionais.
d) que forem aprovados pelo Congresso Nacional por meio de Decreto Legislativo serão equivalentes
às leis complementares.

03. (Vunesp - Procurador Jurídico - SAAE - SP/2014) Os tratados internacionais de direitos humanos
incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro pelo procedimento anterior ao previsto atualmente,
em razão da edição da Emenda Constitucional n.2 45/04, possuem status
a) supra legal, paralisando a eficácia de todo o ordenamento infra constitucional em sentido contrário.
b) constitucional, equivalendo a emendas constitucionais, desde que aprovados por 3/5 (três quintos)
dos membros de cada Ca sa do Congresso Nacional.
c) de lei ordinária, podendo ser revogados por lei posterior.
d) infralegal, prevalecendo sempre as leis internas sobre o direito internacional.
e) supraconstitucional, pois os tratados derivam do direito natural, precedente do direito positivado.

04. (PUC-PR. PGE-PR. Procurador Estadual. 2015) Dispõem os parágrafos 22 e 32 do artigo 52 da Consti-
tuição Brasileira, respectivamente: "Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em
que a República Federativa do Brasil seja parte" e "Os tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.". Sobre
esses dispositivos, assinale a alternativa CORRETA, tendo em consideração o atual entendimento do
Supremo Tribunal Federal
a) As normas de direitos humanos constantes nos tratados internacionais em que a República Federativa
do Brasil seja parte não compõem o bloco de constitucionalidade brasileiro
b) As normas de direitos humanos constantes nos tratados internacionais em que a República Federativa
do Brasil seja parte são recepcionadas com hierarquia superior às próprias normas constitucionais
internas, haja vista o princípio constitucional da prevalência dos direitos humanos (art. 42, li)
c) As normas de direitos humanos constantes nos tratados internacionais em que a República Federativa
do Brasil seja parte possuem status de lei federal em decorrência do previsto no art. 102, 111, b, da
Constituição Federal
d) As normas de direitos humanos constantes nos tratados internacionais em que a República Federativa
do Brasil seja parte, aprovados antes da entrada em vigor do§ 32, submetem-se apenas ao previsto
no§ 2º, gozando de hierarquia supralegal, mas infraconstitucional
175
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

e) As normas de direitos humanos constantes nos tratados internacionais em que a República Federativa
do Brasil seja parte, se aprovadas pelo rito previsto no § 3º do artigo Sº, serão emendas formais à
Constituição

05. (TRT-2. TRT-2. Juiz do Trabalho. 2015) Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos
que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em turno único, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

AH 01 D 1 02 B 1 03 A 1 04 D 1 05 E 1

§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha ma-
nifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

1. BREVES COMENTÁRIOS
Em julho de 1998, na Conferência Diplomática de Plenipotenciários das Nações Unidas,
foi aprovado o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, com sede na cidade
da Haia, na Holanda. O Brasil promoveu a assinatura do tratado internacional referente
ao Estatuto em 7.2.2000, sendo este aprovado pelo Congresso Nacional (DL 112/2002) e
promulgado pelo Presidente da República (Decreto 4.388/2002).
Parte da doutrina sustenta que ao serem integrados ao direito brasileiro com status cons-
titucional (CF, art. 5°, § 2°), os direitos e garantias constantes do "Estatuto de Roma" seriam
convertidos em cláusulas pétreas (MAZZUOLI, 2008). Entretanto, com base no entendi-
mento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (RE 466.343/SP), este tratado internacional
de direitos humanos, por ter sido aprovado antes do advento da EC 45/2004, tem status
supralegal, mas infraconstitucional, localizando-se acima das leis e abaixo da Constituição.
Suas cláusulas, portanto, não estão protegidas contra o poder reformador.
De acordo com o Preâmbulo do "Estatuto de Roma" (ER), o objetivo dos Estados-Partes
foi a criação de um tribunal penal internacional com caráter permanente, com jurisdição
sobre os crimes de maior gravidade que afetem a comunidade internacional no seu conjunto.
Nos termos do Estatuto, o Tribunal tem competência para julgar crimes de genocídio, crimes
contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão (ER, are. 5°, 1).

Saiba mais sobre os direitos e garantias fundamentais do art. 52

Igualdade Formal (perante a lei, civil ou jurídica) - Imposição de


tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria.
Caput Igualdade Material (perante os bens da vida, real ou fática) - Objetivo de reduzir
(Art. 52) as desigualdades fáticas por meio da concessão de direitos sociais substanciais.
Eficácia Vertical - O princípio da isonomia se dirige ao poder público
e Eficácia Horizontal - também se dirige aos particulares.

Titularidade - Deve-se fazer uma interpretação extensiva no sentido


de assegurar os direitos e garantias do artigo 52 a todas as pessoas
que se encontrem no território brasileiro, independentemente de
Caput
sua condição de estrangeiro aliada ao fato de não possuir domicílio
(Art. 52)
no Brasil. As pessoas jurídicas também são titulares dos direitos
compatíveis com sua natureza, inclusive as de direito público (no que
se refere aos direitos fundamentais de natureza procedimental).

176
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

Saiba mais sobre os direitos e garanti.as fundamentais do art. 52

Igualdade
entre homens A lei infraconstitucional não pode estabe lecer diferenças de tra t amento entre ho-
e. mulheres mens e mulheres, sa lvo se for com a finalidade de atenuar os desníveis existentes .
(inciso 1)

Garantia do particula r contra os possíveis desmandos do Executivo e do Judiciário.


Objetivo de limitar o poder do Estado.
Marco avançado do Estado de Direito.
Exige-se, para sua plena realização, a elaboração de lei em sentido estrito. Todavia,
o art. Sº, li, admite a criação de lei em sentido amp lo (art. 59, CF).
Exceções ao princípio da lega lidade: Medidas provisórias (art. 62) e os estados de
legalidade extraordinária {Estado de Defesa e Estado de Sítio -arts. 136 e 137 da CF) .
Prin cípio da Legalidade x Princípio da Reserva Lega l - O primeiro consiste na sub-
missão a todas as espécies normativas elaboradas em conformidade com o processo
Princípio da
legislativo constitucional (leis em sentido amplo), enquanto que o segundo incide
legalidade
apenas sobre as leis em sentido estrito.
(inciso li)
Reserva Legal Absoluta - Quando a CF exige a regulamentação integral de sua norma
por lei formal; e Reserva Legal Relativa - Quando a CF permite que o conteúdo da
norma seja complementado por ato infralegal.
Reserva Legal Simples - Quando a CF se li mita a autorizar a intervenção legisla tiva
sem fazer qualquer exigência quanto ao conteúdo ou à fina lidade da lei, enquanto
que a Reserva Legal Qualificada - quando as condições para a restrição vêm fixadas
na Constituição, que estabelece os fins a serem perseguidos e os meios a serem
utilizados. Tal princípio vem sendo convertido pela doutrina em Princípio da Reserva
Lega l Proporcional - para que, além da admissibilidade constitucional da restrição,
se exija a compatibilidade dessa restrição com o princípio da proporcionalidade .

Proibição Trata-se de uma concretização da proteção da dignidade da pessoa humana, sendo


de tortura um direito de caráter negativo, exigindo que os poderes públicos e particulares se
(inciso Ili) abstenham de praticar condutas violadoras da dignidade do ser humano.

A vedação do anonimato tem por finalidade desestimular manifestações abusivas do


pensamento, sendo assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além
Liberdade de da indenização por eventuais danos materiais, morais ou à imagem do ofendido.
pensamento As delações anônimas e os escritos apócrifos, em regra, não podem ser qualificados
(incisos IV e V) como atos de natureza processual, mas nada impede que sejam utilizados com o
objetivo de levar a informação ao conhecimento da autoridade responsável para
que seja investigada a veracidade da info rmação.

Liberdade de Consciência - consiste na adesão a certos valores morais e espiritua is,


independentes de qualquer aspecto religioso.
Libe rdade de Crença - Determina-se no sentido de crer em algo ou não ter crença
Liberdade
alguma.
religiosa
Liberdade de Cu lto - Uma das formas de expressão da liberdade de crença, podendo
(incisos VI,
ser exercida em locais abertos ao público ou em templos (lembrar da im uni dade
VII e VIII)
fiscal (CF, art. 150, VI, b).
Obs. A inviolabilidade da consciência, crença e culto constitui urna máxima do plu-
ralismo religioso.

177
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Saiba mais sobre os direitos e garantias fundamentais do art. 52

Escusa de Consciência - Impede a privação de direitos daqueles que invocam o im-


Liberdade perativo de consciência para se eximir de obrigação legal imposta a todos. Deve-se
religiosa cumprir uma prestação alternativa fixada em lei, sob pena de suspensão dos direitos
(incisos VI, políticos (CF, art. 15, IV). Caso o legis lador seja omisso e não fixe a prestação alter-
VII e VIII) nativa, o imperativo de consciência pode ser plenamente invocado, por se tratar de
norma constitucional de eficácia contida .

Liberdade A vedação da censura administrativa ou da necessidade de licença prévia não significa


de atividade que tais atividades sejam imunes à apreciação judicial, a qual poderá ser provocada
intelectual para solucionar as colisões com outros interesses que sejam igualmente protegidos
(inciso IX) pela Constituição.

Privacidade é gênero do qual são espécies a intimidade, a vida privada, a honra e


a imagem.
Vida privada -abrange a re lação dos indivíduos com o meio social nas qua is não haja
interesse na publicação (Ex. opções pessoais ou orientação sexual).
Intimidade - relacionado ao modo de ser de cada pessoa, ao mundo intra psíquico.
Compreende as esferas confidencial e do segredo.
Honra - Reputação do indivíduo perante o meio social em que vive (honra objetiva)
ou na estimação que possui de si próprio (honra subjetiva). A sua proteção fica limi-
Privacidade tada, em regra, pela veracidade do fato imputado.
(inciso X) Imagem - Impede sua captação e difusão sem o consentimento da própria pessoa,
salvo quando os valores constitucionais justificarem a sua limitação.
Obs . 1 - Não estão compreend idos no âmbit o da proteção os atos praticados em
locais públicos com o desejo de torná-los públicos, os fatos do domínio público, as
informações passiveis de serem obtidas licitamente de outra forma e os atos admi-
nistrativos praticados por agente público.
Obs. li -A proteção à vida privada impede, em regra, a violação de dados bancários,
fiscais, telefônicos ou informáticos. A quebra do sigilo só pode ser determinada por
autoridade judicial ou por CPI, desde que devidamente fundamentada .

O conceito jurídico de casa deve ser entendido de forma bastante ampla, para en-
globar qualquer espaço habitado e os locais onde são exercidas as atividades pro-
fissionais.
Inviolabilidade Pode-se violar o domicílio, de dia ou de noite, nos casos de flagrante delito, desastre
do domicílio ou para prestar socorro. No caso de determinação judicial só pode durante o dia.
(inciso XI) Nesse caso, tem-se uma reserva constitucional de jurisdição, o que impede a violação
por autoridade administrativa, membro do MP ou mesmo CPI.
Entende-se como dia o período entre 6 e 18 horas (critério cronológico) ou, para
alguns, o período entre a aurora e o crepúsculo (critério físico -astronômico).

Protege a liberdade de comunicação, de modo que somente se permite a violação


diante da existência de motivos suficientemente fortes a justificá-la.
Int erceptação da comunicação-Consiste na interrupção ou intromissão por terceiro,
sem o conhecimento de um ou ambos interlocutores. Gravação clandestina - feita
Inviolabilidade
por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Quebra do sigilo -acesso
de dados
ao conteúdo de informações contidas em extratos bancários, declarações de imposto
(inciso XII)
de renda, registro de ligações telefônicas e arquivos de computadores.
A interceptação da correspondência deve ser admitida quando justificada por ques-
tões de segurança pública. Também por sofrer restrição durante os Estados de defesa
e de sítio .

178
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

Saiba mais sobre ós direitos e gar,antias fundamentais do art. s~


Quanto à inviolabilidade dos dados, o STF firmou posicionamento de que a prot eção
é da comunicação dos dados e não dos dados em si mesmos, ainda quando arma-
Inviolabilidade zenados em computador.
de dados Comunicações telefônicas - a violação depende de três requisitos. (i) ordem judicial
(inciso XII) (reserva constitucional de jurisdição, sendo defeso ao MP e à CPI); (ii) para fins de
investigação criminal ou instrução processual penal; e (iii) na fo rma e nas hipóteses
estabelecidas por lei (Lei 9.296/1996).

Liberdade
de ofício ou Trata-se de uma norma de eficácia contida, ou seja, possui aplicabilidade direta,
profissão imediata e não integral (pode ter seus efeitos restringidos por lei posterior).
(inciso XI li)

A liberdade de informação abrange o direito de informar (liberdade de imprensa - CF,


Direito à ar t. 220 a 224), de se informar e de ser informado.
informação Obs. No julgamento da ADPF 130/DF, o STF concluiu pela não-recepção da Lei de
(inéisos XIV Imprensa pela atual ordem constituciona l.
e XXXIII) Todo indivíduo tem o direito público subjetivo de solicitar a órgãos públicos ínfor-
mações de seu interesse particular, coletivo ou geral.

Engloba não apenas o direit o de ir e vir, mas também o de permanecer e só pode


Liberdade de
ser restringido diante de valores constitucionais que justifique sua limitação (Ex.
locomoção
penas privativas de liberdade, estado de defesa, utilização de via s e logradouros
(inciso XV)
públ icos etc.)

Trata-se de um direito individual de expressão coletiva.


Direito de
reunião Requisito material - reunião pacífica e sem armas. Requisito formal - precedência
(inciso XVI) na escolha do local e prévio aviso à autoridade competente (não depende de au-
torização).

Associação é uma das formas de organização coletiva. Trata-se de um direito de


caráter negativo que impede a intervenção estatal na sua criação e funcionamento.
Liberdade de A dissolução compulsória ou suspensão das atividades de uma associação depende
associação de decisão judicial, no primeiro caso, transitada em julgado.
(incisos XVII, Representação processual - Exige-se, além da autorização expressa, que a matéria
XVIII, XIX, seja pertinente aos fins sociais da associação. No caso de mandado de segurança
XX e XXI) coletivo, em defesa dos associados, basta a autorização genérica contida no estatuto,
por se tratar de legitimação extraordinária (ou substituição processual} atribuída
pela própria Constituição.

Esse direito impede a privação arbitrária da propriedade sem a observância do de -


vicio processo legal.
Não se trata de um direito absoluto, pois encontra limite na sua função social.
Direito de Desapropriação - Transferência compulsória da propriedade particular por deter-
propriedade mi nação do poder público.
(incisos XXII, Requisitos - (i) necessidade pública, ut ilidade pública ou interesse social; (ii) indeni -
XXIII, XXIV, zação justa, prévia e em dinheiro.
XXVe XXVI)
Desapropriação sanção - quando a propriedade deixa de atender à sua função so-
cial. Nesses casos, em se tratando de imóveis urbanos a indenização ocorrera com
pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada
pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais,

179
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Saiba mais sobre os direitos e garantias fundamentais do art. 5!!

iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais (CF, art.
182, § 4!!, Ili). Se for imóvel rural, a indenização será em títulos da dívida agrária,
Direito de com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos,
propriedade a partir do segundo ano de sua emissão (CF, art. 184).
(incisos XXII,
A ocupação ou uso temporário da propriedade tem lugar em casos de iminente perigo
XXIII, XXIV,
público (requisição civil) ou em tempos de guerra (requisição militar) . Em ambos os
XXVe XXVI)
casos a indenização é devida posteriormente, se houver dano.
A pequena propriedade rural é impenhorável.

A constituição assegura aos autores o dire ito exclusivo de utilização, publicação ou


reprodução de suas obras, transmissíveis aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar.
Assegura-se ao autor, ainda, as participações individuais em obras coletivas, bem
Direitos como a reprodução da imagem e voz, inclusive nas atividades desportivas, bem como
autorais o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de
(incisos XXVII, que participarem.
XXVIII e XXIX) A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário em sua
utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos
nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social
e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.

Direito de A constituição garante o direito de herança e atribui, como regra, a competência


herança para a lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, a competência
(incisos XXX para regular a sucessão de bens estrangeiros situados no País, salvo se a lei pessoal
e XXXI) do "de cujus" for mais favorável.

Proteção ao
consumidor O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.
(inciso XXXII)

Gratuidade
São gratuitos os: (a) direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou
e direito
contra ilegalidade ou abuso de poder; e (b) a obtenção de certidões em repartições
de petição
públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal.
(inciso XXIV)

Abrange não apenas a via repressiva (lesão a direito) como também a via preventiva
(ameaça de lesão). Apesar de o dispositivo se referir à lei, o princípio se dirige não
Acesso à apenas ao legislador, mas a todas as autoridades.
justiça (inciso Não se admite o prévio esgotamento de vias extrajudiciais para se obter o acesso
XXXV) ao judiciário, salvo no tocante à discipli na e às competições desportivas, que só
serão admitidas no âmbito do Poder Judiciário após o esgotamento das instâncias
da justiça desportiva.

Consagrado na constituição, o princípio da não retroatividade impede, como regra


geral, a elaboração de leis com efeitos retroativos. São admitidas normas com efeitos
Direito retroativos em benefício do particular.
adquirido, Direito adquirido, posição do STF - (i) não cabe sua alegação contra mudança de
ato jurídico regime jurídico; (ii) a irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada
perfeito e de direito adquirido; Ver súmulas 654 e 473.
coisa julgada Os direitos adquiridos antes do surgimento de uma nova constituição não estão
(inciso XXXVI) protegidos contra ela, salvo se a própria constituição assim o desejar. No entanto,
a posição majoritária da doutrina é que o direito adquirido pode ser alegado em
face de emenda.

180
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

Saiba mais sobre os direitos e garantias fundamentais do art. 52

Direito Ato jurídico perfeito - É o ato que re uniu todos os elementos necessári os a sua
adquirido, formação, encontrando -se apto para produzir efeitos. Não precisa estar exaurido,
ato jurídico basta estar consumado.
perfeito e Coisa julgada - Visa garantir a estabilidade da tutela jurisdicional. Engloba a coisa
coisa julgada julgada material e formal, mas não se estende à denominada coisa julgada admi-
(inciso XXXVI} nistrativa.

Imprescindível para a independência e imparcialidade do órgão julgador, o princípio


do juiz natura l consiste no direito que cada cidadão tem de saber, previamente, a
autoridade que irá processar e julgá-lo.
Juiz natural Tribunal de Exceção - é aquele constituído para o julgamento de um determinado
(inciso XXXVII fato. É vedado pela constituição porque a definição do juízo competente deve ser
e Lili} feita previamente.
O princípio do juiz natural, portanto, não se satisfaz apenas com o juízo competen-
te e objetivamente capaz, exige imparcialidade e independência dos magistrados
(aspecto substantivo)

No júri, devem ser assegurados: (i) plenitude de defesa; (ii) sigilo das votações; (iii)
Júri (inciso
soberania dos veredictos; (iv) competência para o julgamento dos crimes dolosos
XXXVIII)
contra a vida.

Princípio da legalidade - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem
prévia cominação legal.
Irretroatividade da lei penal - a lei penal não retroagirá, salvo pa ra beneficiar o réu.
Individualidade da pena - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo
a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos
da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
Garantias patrimônio transferido;
penais (incisos
Inafiançável e imprescritível- racismo e a ação de grupos armados, civis ou militares,
XXXIX, XL, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.
XLI, XLII,
Inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia - tortura, tráfico ilícito, terrorismo
XLIII, XLIV,
e crimes hediondos.
XLV, XLVI,
XLVII, XLVIII, Penas aplicáveis - (a) privação ou restrição da liberdade; {b) perda de bens; (c) multa;
XLIX e L) {d) prestação social alternativa e (e) suspensão ou interdição de direitos.
Penas não-aplicáveis - (a) morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos
do art. 84, XIX; {b) perpétua; (c) de trabalhos forçados; (d} banimento e (e) cruéis.
Direitos dos Presidiários - (i) cumprimento da pena em estabelecimentos distintos
de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; {ii) integridade
física e moral; e (iii) às presidiárias o direito de permanecer com seus filhos durante
o período de amamentação;

A constituição não permite a extradição de brasileiro nato em hipótese alguma.


Brasileiro naturalizado pode ser extraditado por: (i) crime comum praticado antes da
Extradição
naturalização; e (ii) comprovado envolvimento com tráfico ilícito de entorpecentes
(incisos
e drogas afinas, independentemente de o crime ter sido praticado antes ou depois
LI e LII)
da naturalização.
O estrangeiro não será extraditado por crime político ou de opinião.

181
TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTÍAS FUNDAMENTAIS

Saiba mais sobre os direitos e garantias fundamentais do art. 52

O extraditando só pode ser processado e julgado no país estrangeiro pelo crime


objeto do pedido de extradição, mas o Estado brasileiro pode autorizar de forma
expressa a extensão do pedido.
Princípio da dupla punibilidade - o pedido de extradição só pode ser aceito se a
conduta praticada for tipificada como crime tanto no Brasil quanto no país re-
Extradição
querente. Verificada a prescrição em qualquer dos dois Estados, o pedido deverá
(incisos
ser indeferido . Comutação da pena - Se a pena prevista no país requerente for
LI e UI)
vedada pela constituição brasileira, o deferimento do pedido ficará condicionado
à comutação da pena.
Os tratados de extradição têm aplicação imediata, independentemente de o crime
em que se funda a extradição ser anterior a eles. Não se aplica o princípio penal da
irretroatividade da lei porque os tratados de extradição não são leis penais.

Em sentido formal o princípio garante a qualquer pessoa o direito de exigir que


o julgamento ocorra em conformidade com regras procedimentais previamente
estabelecidas.
Em sentido substantivo o princípio exige um processo justo e adequado, material-
Devido
mente informado pelos princípios da justiça.
processo legal
(inciso LIV} O devido processo legal se dirige em um primeiro momento ao legislador, constituin-
do-se em um limite à sua atuação, que deverá pautar-se pelos critérios de justiça
e razoabilidade . Tem como corolários o postulado da proporcionalidade, acesso à
justiça, juiz natural, ampla defesa, contraditório, igualdade entre as partes e a exi-
gência de imparcialidade dos magistrados .

O contraditório é composto por dois elementos: (i) informação e (ii) reação, sendo
esta meramente possibilitada em face de direitos disponíveis. A ampla defesa é
decorrência do contraditório (reação).
O indeferimento de diligência probatória considerada desnecessária não representa
violação dessa garantia.
Contraditório No processo penal tem-se a defesa técnica exercida por advogado e a autodefesa
e ampla que consiste no direito do réu de ser interrogado e de estar presente em todos os
defesa atos de instrução. Atualmente, há a possibilidade de o interrogatório ser realizado
(inciso LV) por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de
sons e imagens em tempo real (§ 22, art. 185, CPP).
Nos processos de sindicância não se exige a observância dessa garantia, já que se
trata de mera medida preparatória.
A exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo é
inconstituc ional (Súmula Vinculante n!! 21).

Este princípio impede que uma prova conseguida ilicitamente seja juntada aos autos
do processo, sob pena de nulidade. No processo penal, admite-se, em certos casos,
a prova ilícita em prol do réu com fundamento no principio da proporcionalidade.
Provas ilícitas
Teoria dos frutos da árvore envenenada - As provas derivadas, direta ou ind ireta-
(inciso LVI)
mente, de provas ilícitas também ficam contaminadas pela ilicitude, mas no caso de
existência de provas autônomas suficientes para fundamentar, por si sós, a respon-
sabilidade penal do réu, a decisão condenatória não deve ser anu lada .

182
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 5°

Saiba mais sobr,e os direitos e garantias fundamentais do art. 52

Este princípio impede que o Estado trate como culpado aquele que ainda não sofreu
Presunção condenação penal irrecorrível. A comprovação inequívoca da culpabilidade do acusa-
de inocência do compete ao Ministério Público, não cabendo ao réu demonstrar a sua inocência .
(inciso LVII) No processo penal, enquanto na pronúncia do júri a dúvida milita em favor da sacie-
dade, na decisão final, havendo dúvida fundada, o réu deve ser absolvido.

O civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas


Garantias hipóteses previstas em lei.
processuais Se a ação penal pública não for intentada no prazo legal, será admitida a ação pri-
penais (incisos vada subsidiária .
LVíll, LIX e LX) A lei só pode restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da inti-
midade ou o interesse social o exigirem.

Ninguém será preso senão em flagrante delito. A prisão está submetida à reserva
constitucional de jurisdição e restringe-se à esfera única de decisão dos magistrados.
A ordem deve ser escrita e fundamentada.
Nas transgressões militares foram contempladas exceções em razão da estrutura
das forças armadas (hierarquia e disciplina), sendo afastado, inclusive, o cabimento
de habeas corpus em relação a punições disciplinares militares.
A prisão deve ser imediatamente comunicada ao juiz competente e à família do preso
Direito dos ou pessoa por ele indicada. E o preso tem direito à identificação dos responsáveis
presos (incisos por sua prisão ou por seu interrogatório policial.
LXI, LXII, LXIII,
A prisão ilegal será imediatamente re laxada.
LXIV, LXV,
LXVI e LXVII) Se a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança, ninguém será levado à
prisão ou nela mantido.
O preso tem o direito de ficar em silêncio sem que disso decorra qualquer prejuízo.
(privilégio contra a autoincriminação) .
Ao conf erir status supralegal aos tratados internacionais de direitos humanos não sub-
metidos ao rito do § 3º, do art. Sº, da CF, o STF firmou o entendimento de que o Pacto
de São José da Costa Rica acabou por derrogar a prisão do depositário infiel, sendo
admitida apenas a prisão civil por descumprimento inescusável de prestação alimentícia.

Protege a liberdade física de locomoção. Pode ser suspensivo (repressivo), quando


a violência ou a coação ilegal já estiver con sumada, ou preventivo com a finalidade
de impedir tal violência. Nesse caso será expedido um salvo-conduto.
Legitimidade ativa - qualquer pessoa física, nacional ou estrangeira, em seu favor
ou de outrem, e o MP. As pessoas jurídicas podem impetrar HC em benefício de
pessoa física.
Habeas-corpus Legitimidade passiva - autoridade ou até mesmo um particular, desde que o cons-
(inciso LXVIII) trangimento seja decorrente da função por ele exercida. Se a detenção é por motivos
de ordem pessoal ou mero capricho será crime de cárcere privado.
O HC tem prioridade na tramitação sobre as demais ações processuais, inclusive o
mandado de segurança. Não exige a capacidade postulatória e independe de certas
formalidades.
No caso das punições disciplinares não se admite a impetração de HC, salvo se for
para aferir apenas os pressupostos formais.

183
Art. 5° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Saiba mais sobre os dir-eitos e gar-antias fundamentais do art. 52

Protege direito líquido e cer to quando não amparado por habeas-corpus ou habeas-
-data (caráter resi dual). Pode ser repressivo ou preventivo. Direito líquido e certo é
aquele que pode ser demonstrado de plano, razão pela qual não se admite dilação
Mandado de probatória no MS.
segurança
O mandado de segurança individual pode ser impetrado por qualquer pessoa física
individual
ou jurídica que tenha um direito líquido e certo ameaçado dentro do prazo deca -
(inciso LXIX)
dencial de 120 dias.
A decisão proferida em MS tem natureza mandamental e consiste em uma ordem
corretiva (repressiva) ou impeditiva (preventiva) dirigida à autoridade coatora .

Pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional
ou organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e
Mandado de
em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus mem-
segurança
bros ou associados. Nesses casos, dispensa-se au t orizaçã o especial por se tratar de
coletivo
hipótese de su bstitu ição processual (legitimação extraordinária).
(inciso LXX)
A sentença fará coisa julgada apenas aos membros do grupo ou categoria substituídos
pelo impetrante.

Instrumento de controle concreto de constitucionalidade que tem como pressu-


postos:
1. existência de um direito constitucional de quem o invoca;
li. impedimento de exercê-lo em virtude da ausência de norma regulamentadora.
Legitimidade ativa -qualquer pessoa que seja titular de um direito constitucionalmen-
te assegurado. Por analogia ao mandado de segurança co letivo, o STF vem admitindo
a impetração do mandado de injunção coletivo.
Legitimidade passiva - atribuída com exclusividade ao órgão ou autoridade esta t al
que tenha o dever de elaborar a norma regulamentadora. A mora legis lativa é ca-
racterizada pelo decurso de um prazo razoável.
Mandado
Quanto ao tipo de proviment o jurisdicional:
de injunção
(inciso LXXI) 1. corrente não concretista - o Poder Judiciário apenas reconhecer formalmente a
inércia e comunicar ao órgão competente (separação dos poderes). Foi a corrente
adotada pelo STF até meados de 2007.
li. corrente concretista individual - Admite que a omissão seja suprida pelo Poder
Judiciário com efeitos inter partes.
Ili. corrente concretista geral - Admite que a omissão seja suprida pelo Poder Judi-
ciário com efeitos erga omnes.
IV. corrente concretista intermediária - Cabe ao Poder Jud iciário comunicar a omissão
ao órgão competente e estabelecer um prazo para a elaboração da norma regu lamen-
tadora. Decorrido o pra zo, caso a inércia permaneça, o direito poderá ser exercido
pelo impetrante (concretista individual) ou por to dos (concretista geral).

Trata -se de uma ação personalíssima cuja tutela se restringe à pessoa do impetrante
para obtenção ou retifica çã o de informações a seu respeito.
Pode ser impetrado em face de:
Habeas-data 1. entidades governamentais da administração pública direta ou indireta;
(inciso LXXII) li. pessoas jurídicas de di reito privado: a) que tenham banco de dados aberto ao
público (SPC, SERASA); b} pa rtidos políticos; ou c) universidades particulares.
A exigência de recusa ou demora ao acesso não se configura inconstitucional por se
tratar da verificação de existência de uma das condições da ação.

184
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 5°

Saiba mais sobre 9s direitos e garantias fundamentais do art. 52

Decorrência do princípio republicano, tendo por finalidade a proteção da coisa pública


(res publica), permite ao cidadão exercer, de forma direta, uma função fiscalizadora .
Pode ser preventiva ou rep ressiva .
Pode ser impetrado por qualquer cidadão (entendido em sentido estrito, isto é, aque-
les que estejam no gozo dos direitos políticos) para anular ato lesivo ao pat rimônio
público ou de entidade que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrimônio histórico e cultura. Salvo má fé, o autor ficará isento de
custas judiciais e ônus de sucumbência . Por se tratar de um direito político, no caso
de eleitos que têm entre 16 e 18 anos não é necessária a assistência.
O MP não tem legiti mid ade para propor Ação Popular, mas necessariamente deverá
Ação popular acompanhá- la. As pessoas j uríd icas também não possuem legitimidade para propo-
(inciso LXXIII) situra da ação popular (Súmula 365, STF).
A ação popular poderá ser proposta contra pessoas jurídicas públicas ou privadas.
Também podem ser sujeitos passivos as autoridades, os funcionários ou administra-
dores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado,
ou que, por omissão, tiveram dado oportunidade à lesão.
Assim como ocorre no MS, não acabe ação popular para invalidar lei em tese. Os
atos de conteúdo jurisdicional também não podem ser objeto de uma ação popular,
uma vez que possuem um sistema específico de impugnação.
Caso a ação seja julgada improcedente, por se r manifestamente infundada, a decisão
faz coisa julgada erga omnes, mas se for julgada improcedente por insuficiência de
provas, subsistirá a possibilidade de aju izamento de nova ação popular.

Para conferir maior efetividade ao princípio do acesso à justiça, a Constituição asse-


gurou assistência judiciária integral e gratuita a ser exercida por meio da Defensoria
Pública (CF, art. 134) aos que comprovarem insuficiência de recursos.
Gratuidade
A gratuidade foi estendida para as ações de Habeas Corpus, habeas Data e, na forma
(incisos
da lei, aos atos necessários ao exercício da cidadania.
LXXIV, LXXVI
e LXXVII) Dentre esses atos, a própria Constituição assegurou a gratuidade ao registro civil de
nascimento e à certidão de óbito para os reconhecidamente pobres, além do direito
de petição e a obtenção de certidões em repartições públicas para defesa de direitos
e esclarecimento de situação de interesse pessoa l (CF, art. Sº, XXXIV) .

Erro judiciário O Estado tem o dever de indenizar o condenado por erro judiciário, assim como o
(inciso LXXV) que ficar preso além do tempo fixado na sentença.

A necessidade de uma prestação estatal rápida, efetiva e adequada fez com que a
Razoável
Emenda Constitucional nº 45/2004 acrescentasse na Constituição o direito a razo ável
duração do
duração do processo, no âmbito judicial e administrativo.
processo
Esse princípio, apesar de dirigido também ao juiz, tem como principal destinatário o
(inciso LXXVIII)
legislador, impondo-l he a tarefa de aperfeiçoar a legislação processual.

De um lado, parte da doutrina defende uma imediata e direta aplicação de todas as


normas de direitos fundamentais, inclusive as de caráter programático. Por outro
lado, há quem afirme que a eficácia e aplicabilidade dessas normas dependem muito
Aplicação de seu enunciado e natureza.
imediata (§ 1º) Em geral, os direitos de defesa são autoexecutáveis (normas de eficácia plena ou
contida) e são dotados de eficácia negativa e positiva, enquanto que os direitos a
prestações, em mu itos casos, dependerão de outra vontade integradora dos co-
mandos.

185
TÍTULO li - nos DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Saiba mais sobre os direitos e garantias fundamentais do art. 52

Esse dispositivo consagra a concepção material de direitos fundamentais. Nesse


Rol exemplifi-
sentido, o ro l de direitos fundamenta is previstos no artigo Sº da Constituição é me-
cativo (§ 2!l)
ramente exemplificativo (numerus apertus) e não exaustivo (numerus clausus).

Na concepção tradicional, os tratados sempre tiveram status de lei ordinária. No


entanto, com o advento da EC nl:! 45/2004 os tratados que versem sobre direitos
humanos, que sejam aprovados em dois turnos de votação em cada Casa do Con-
gresso Nacional, por três quintos dos respectivos membros, serão equivalentes às
Tratados emendas constitucionais.
de direitos No julgamento do Recurso Extraordinário envolvendo a prisão civil do devedor-
humanos -fiduciante (DL 911/1969), o Min. Gilmar Mendes (STF) defendeu uma hierarquia
(§ 3!l) supralegal dos tratados internaciona l de direitos humanos que sejam aprovados
pelo procedimento ordinário e não tenham sido submetidos ao rito do § 31:! do art.
5º da CF.
Diante disso, os tratados podem ter status de: 1- lei ordinária; li - emendas consti-
t ucionais; ou Ili - caráter supralegal.

Em j ulho de 1998, foi aprovado o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional,


Jurisdição com sede na cidade de Haia, na Holanda e o Brasil promoveu a assinatura referente ao
penal Estatuto em 07.02.2000, sendo este aprovado pelo Congresso Nacional (DL 112/2002)
internacional e promulgado pelo Presidente da Repúb lica (Decreto 4.388/ 2002).
(§ 41:!) Esse tratado que versa sobre direitos humanos tem status supralega l por ter sido
anterior à EC nl:! 45/2004 e não ter sido submetido ao rito do § 3º, do art. 5º, da CF.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (VUNESP. Pref. de Porto Ferreira-SP. Procurador Jurídico.2017) Sobre os direitos e garantias funda-
mentais, a Constituição Federal estabelece expressamente que
A) as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentai s têm aplicação imediata, exceto as de
eficácia contida .
B) as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata, exceto as de
eficácia limitada.
C) os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados pelo Congresso
Nacional, em um único turno, por três quintos dos votos dos membros, serão equiva lentes às emendas
constitucionais.
D) o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado
adesão.
E) os direitos e garantias expressos na Constituição excluem outros, exceto aqueles decorrentes de
tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros.

• 01 D 1

•CAPÍTULO li - DOS DIREITOS SOCIAIS


Art. 6!l São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o trans-
porte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assist ência
aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional n!l
90, de 2015)

186
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 6°

1. BREVES COMENTÁRIOS
Os direitos sociais elencados no artigo 6° estão consubstanciados em normas principio-
lógicas a serem cumpridas na maior medida possível, de acordo com as circunstâncias fáticas
e jurídicas existentes. Trata-se de comando a ser concretizado, primordialmente, por poderes
compostos por representantes democraticamente eleitos para definir as políticas públicas
prioritárias, sem prejuízo de fornecer razões contributivas para as decisões judiciais.
O rol constante do dispositivo foi alterado em três oportunidades para inclusão dos di-
reitos à moradia (EC 26/2000), à alimentação (EC 64/2010) e ao transporte (EC 90/2015).
Como justificação para incluir o transporte, foram apontadas sua atuação como "vetor de
desenvolvimento relacionado à produtividade e à qualidade de vida da população", assim
como sua "função social vital", tendo em conta a importância de seu papel na emancipação
da sociedade e no bem-estar dos segmentos sem meios próprios de locomoção.
A declaração de direitos sociais nas diversas Constituições se fortaleceu a partir do século
XX. Com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial, nasce um novo modelo de Estado, resultan-
te de uma transformação superestrutura! do Estado Liberal, o qual se mostrou incapaz de
atender às demandas sociais do século anterior. O Estado Social buscava superar o antago-
nismo existente entre a igualdade política e a desigualdade social, por meio da consagração
de direitos sociais, econômicos e culturais (direitos fundamentais de 2ª dimensão), voltados
à redução das desigualdades existentes.
O atendimento a direitos sociais exige dos poderes públicos, em regra, prestações positivas
(direitos de promoção ou direitos prestacionais). Vale dizer, a implementação de tais direitos
ocorre mediante políticas públicas concretizadoras de certas prerrogativas individuais e/ou
coletivas, destinadas a garantir uma existência humana digna. Ainda que a implementação
e proteção de qualquer espécie de direito fundamental envolva, direta ou indiretamente,
significativa alocação de recursos materiais e humanos, o "custo" especialmente oneroso dos
direitos sociais aliado à escassez de recursos orçamentários, em muitos casos impedem sua
realização em um grau máximo ou até satisfatório. Tal característica impõe a necessidade de
que os poderes públicos legitimados pelo batismo popular - Executivo e Legislativo - elejam
as prioridades a serem atendidas entre demandas igualmente legítimas contempladas no texto
constitucional. Em um quadro de escassez, pondera Daniel Sarmento (2009), "cada decisão
explicitamente alocativa de recursos envolve também, necessariamente, uma dimensão im-
plicitamente desalocaciva."
A reserva do possível atua como um limite à plena realização dos direitos fundamentais,
sobretudo, os de caráter prestacional. Em sua análise, devem ser considerados três aspectos:
I) a disponibilidade fática; II) a disponibilidade jurídica; e, III) a razoabilidade e propor-
cionalidade da prestação. Nas palavras de Ingo Sarlet (2007), "todos os aspectos referidos
guardam vínculo estreito entre si e com outros princípios constitucionais, exigindo, além disso,
um equacionamento sistemático e constitucionalmente adequado, para que, na perspectiva
do princípio da máxima eficácia e efetividade dos direitos fundamentais, possam servir não
como barreira intransponível, mas inclusive como ferramental para a garantia dos direitos
sociais de cunho prestacional."
Dentre os direitos sociais, costuma ser destacado um subgrupo menor e mais preciso for-
mado pelos bens e utilidades básicas imprescindíveis a uma vida humana digna, denominado
187
Art. 6° TÍTULO ll - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

de mínimo existencial. A possibilidade de se invocar a reserva do possível em relação aos


direitos sociais que compõem o mínimo existencial não encontra uma resposta homogênea na
doutrina. Para Daniel Sarmento (2009), não existe um direito definitivo ao mínimo existen-
cial, mas sim a necessidade de um ônus argumentativo pelo Estado tanto maior quanto mais
indispensável for o direito postulado. Na visão de Ingo Sarlet (2007), o mínimo existencial,
por ter um caráter absoluto, não se sujeita à reserva do possível. Nesse sentido, o entendimento
do Min. Celso de Mello ao sustentar a "impossibilidade de invocação, pelo Poder Público, da
cláusula da reserva do possível sempre que puder resultar, de sua aplicação, comprometimento
do núcleo básico que qualifica o mínimo existencial" (STF - RE 482 .611/SC).
A complexidade envolvendo os direitos sociais e sua efetividade exige uma análise especí-
fica e pontual desses direitos, para que sejam encontradas soluções adequadas à sua natureza
e enunciado, sempre tendo como diretriz-guia o princípio da máxima efetividade. Este
impõe uma interpretação que confira a maior eficácia social "possível" ao direito em jogo,
de modo a fazê-lo cumprir a finalidade para a qual foi criado. A aplicabilidade dos direitos
fundamentais sociais irá depender, em elevado grau, do enunciado das normas que os con-
substanciam, sendo que alguns necessitarão de intermediação legislativa e/ou administrativa,
enquanto outros poderão ser concretizados judicialmente pela via interpretativa (BRANCO,
1999).
Considerando que os direitos sociais, econômicos e culturais devem "implicar uma cerra
garantia de estabilidade das situações ou posições jurídicas criadas pelo legislador ao con-
cretizar as normas respectivas", o princípio da vedação de retrocesso social ("efeito cliquet'',
''proibição de contrarrevolução social" ou ''proibição de evolução reacionária") assegura o direico
à manutenção do "nível de realização" legislativa do direito fundamental na esfera jurídica
dos particulares, implicando na elevação, ao nível constitucional, das medidas legais con-
cretizadoras dos direitos sociais (ANDRADE, 2001). O referido princípio impede que os
poderes públicos possam reduzir de forma arbitrária o grau de concretização conquistado
por um direito social, mesmo quando não o faça com efeitos retroativos e que não esteja em
jogo uma alteração do texto constitucional. No ordenamento jurídico brasileiro a proibição
do retrocesso pode ser abstraída, dentre outros, do princípio da dignidade da pessoa humana
(CF, art. 1°, III), do princípio da máxima efetividade (CF, art. 5°, § 1°) e do princípio do
Estado democrático de direito (CF, art. 1°).

Por derradeiro, cabe consignar que a vedação de retrocesso não pode ser entendida
como um "princípio jurídico geral" em matéria de direitos fundamentais, sob pena de
aniquilar a autonomia da função legislativa, degradando-a a mera função de execução
das normas constitucionais. O enfraquecimento do poder de disposição do legislador não
deve constituir uma regra, mas a exceção. Ademais, a abrangência deste princípio deve
ficar restrita àqueles direitos sobre os quais haja um consenso profundo, formado ao longo
do tempo, não se estendendo aos pormenores de regulamentação. Nas palavras de Jorge
Miranda (2000), é necessária a "sedimentação na consciência social ou no sentimento
jurídico coletivo."

Nesse sentido, indagou a banca do concurso para Promotor de Justiça do Espírito Santo,
em que se buscava o desenvolvimento do raciocínio acima apresentado:
188
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 6°

'+ (Vunesp - Promotor de Justiça - ES/2013) Explique brevemente o que vêm a ser a denominada
cláusula da reserva do possível, a proibição do retrocesso e o mínimo existencial. Em seguida,
mencione uma situação jurídica concreta de atuação do Promotor de Justiça em relação a algum
desses institutos.

Características Importantes dos Direitos Sociais

São direitos fundamentais de 2~ dimensão, originados com o fim da primeira guerra mundial e supe-
ração do Estado Liberal. São conhecidos como direitos prestacionais ou direitos de promoção porque
exigem uma postura ativa do Estado na sua realização mediante a implementação de políticas públicas,
visando a redução das desigualdades sociais.

Teoria da Desenvolvida na Alemanha, a teoria da reserva do possível atua como uma limitação à
Reserva do plena realização dos direitos prestacionais, tendo em vista o custo especialmente one-
Possível roso para realização dos direit os sociais aliado à escassez de recursos orçamentários.

Dentre os direitos sociais pode ser destacado um subgrupo menor e mais preciso im-
Mínimo
prescindíveis a uma vida humana digna. Por ter caráter absoluto, o mínimo existencial
Existencial
não se sujeito à reserva do possível.

As medidas legais concretizadoras de direitos sociais devem ser elevadas a nível cons-
Vedação ao
titucional como direitos fundamentais dos indivíduos, de modo a assegurar o nível de
Retrocesso
realização já conquistado.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (MPT. MPRT. Procurador do Trabalho.2017) Analise as assertivas abaixo expostas:


1. O conceito de mínimo existencial pode ser equiparado, no campo constitucional traba lhista, ao de
patamar civilizatório mínimo que a ordem jurídica constitucional, internacional ratificada e infracons-
t itucional heterônoma estatal assegura à pessoa humana que vive de seu trabalho empregatício ou
equiparado.
li. O princípio da proibição do retrocesso ostenta suporte constitucional, por exemplo, no dispositivo
da Constituição da República que estabelece que os direitos e garantias expressos na Constituição
não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados inter-
nacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Ili. A igualdade entre empregados urbanos e rurais, fixada na Constituição da República, é plena, tendo
provocado a não recepção das distintas regras diferenciadas da legislação trabalhista rural precedente
a 1988.
IV. A efetividade, proteção e justiciabilidade dos direitos individuais e sociais trabalhistas fundamentais
devem se compatibilizar com o princípio da segurança jurídica, o que atrai, desse modo, a cláusula
da reserva do possível, de maneira a atenuar o princípio constitucional do amplo acesso à jurisdição.

Assinale a alternativa CORRETA


A) Apenas as assertivas I e li estão corretas.
B) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
C) Apenas as assertivas Ili e IV estão corretas.
D) Todas as assertivas estão corretas.
E) Não respondida.
189
Ar!. 6° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

02. (FCC. TST. Juiz do Trabalho Substituto.2017) Os direitos sociais estabelecidos no art. 6º da Constituição
Federal consistem em prestações positivas do Estado interligadas à concretização da igualdade. À luz
do citado artigo, considere:
1. O direito à moradia não é necessariamente direito à casa própria, na medida em que não se confunde
com o direito de propriedade.
li. O direito ao t rabalho é um direito subjetivo a um trabalh o remunerado na iniciativa privada ou dis-
ponibilizado pelo Poder Público.
Ili. O direito ao lazer relaciona -se com a qualidade de vida, meio ambiente sadio e equilibrado, descanso
e ociosidade repousante.
IV. O direito à segurança é prerrogativa constitucional indisponível, garantido mediante a implementação
de políticas públicas, impondo ao Estado a obrigação de criar condições objetivas que possibilitem o
efetivo acesso a tal serviço.
Está correto o que se afirma APENAS em
A) 1e li.
B) li, Ili e IV.
C) li e IV.
D) 1 e Ili.
E) 1, Ili e IV.

03. (FGV. TRT-12. Analista Judiciário - Área Administrativa.2017) Determinado legitimado ingressou
com ação civil pública visando à implementação de certo direito social dos trabalhadores. Ao fim da
relação processual, o pedido foi julgado improcedente sob o argumento de que a norma constitucional
que estaria sendo descumprida possui contornos essencialmente programáticos, ao que se soma a
constatação de que a reserva do possível impediria a im plementação dos direitos sociais na dimensão
almejada. À luz da sistemática constitucional e da doutrina sedimentada a respeito dos direitos sociais,
os fundamentos da sentença proferida são
A) tota lmente inadequados, pois os direitos sociais são previstos em normas de eficácia plena e sempre
deve ser possível implementá-los.
B) parcialmente inadequados, pois a categoria das normas programáticas está restrita à disciplina dos
clássicos direitos de liberdade.
C) parcialmente inadequados, pois a disponibilidade finan ceira e orçamentária está associada à imple-
mentação dos direitos de liberdade.
D) parcialmente inadequados, pois o caráter programático da norma constitucional não compromete a
sua plena eficácia, principalmente quando consagra direitos .
E) totalmente adequados, pois os direitos sociais de estatura constitucional norma lmente precisam ser
integrados pela lei e demandam gastos para a sua implementação.

04. (FMP Concursos. MPE-RO. Promotor de Justiça Substituto.2017) No que tange ao tema dos direitos
sociais, é CORRETO afirmar
A) A Constituição estabeleceu a primazia dos direitos, liberdades e garantias em relação aos direitos
sociais, conferindo a est es o caráter de nor mas programáticas.
B) O controle jurisdicional das políticas públicas de direitos sociais encontra, dentre outros, os seguintes
pa râmetros de sindicabilidade: reserva do possível, mín imo existencial, proibição do retrocesso social
e proibição da proteção in suficiente dos direit os fundamentais.
C) Segundo a j urisprudência do Supremo Tribunal Federa l, não é cabível a concessão de medicamentos
novos e experimentais.
D) Em tempos de crise, os direitos sociais reivindicam obrigações de respeito do Estado, não incidindo,
pois, as obrigações de proteção e de promoção.
E) O ativismo judicial é um princípio que decorre da máxima efetividade dos direitos sociais.
190
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 6°

os. (FCC. DPE-SC. Defensor Público.2017) A respeito do princípio da proibição de retrocesso, considere:
1. É considerado pela doutrina um princípio constituc ional implícito.
li. A sua aplicação está restrita ao âm bito dos direitos sociais, não alcançando outros direitos funda-
mentais.
Ili. A vinculação ao referido princípio é restrita à figura do legislador, não alcançando outros poderes ou
entes estatais.
IV. A sua fundamentação constitucional pode ser extraída, entre outros, dos princípios da dignidade da
pessoa humana e da segurança jurídica, bem como das garantias constitucionais da propriedade, do
direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada.
Está correto o que se afirma APENAS em
A) 1, Il i e IV.
B) li e Ili.
C) 1, li e Ili.
D) li, Ili e IV.
E) 1 e IV.

06. {FCC. DPE-SC. Defensor Público.2017) A Constituição Federal de 1988 inovou na consolidação de um
Estado Social e Democrático de Direito, positivando inúmeros direitos sociais no seu texto. Sobre o
tema, é correto afirmar
A) Não é possível o reconhecimento de outros direitos sociais em sede constituciona l para além daqueles
expressamente arrolados no artigo 6º da Constituição Federa l de 1988.
B) As normas constitucionais que consagram direitos sociais possuem natureza estritamente programá-
tica.
C) Não obstante os direitos sociais possuam natureza de direito fundamental, não é possível atribuir
eficácia imed iata aos mesmos a partir da norma constitucional, dependendo da intermediaçã o do
legislador infraconstitucional.
D) Muito embora os direitos sociais não tenham sido consagrados expressamente no rol das cláusulas
pétreas do nosso sistema constitucional, a doutrina majoritária sustenta que os mesmos estão incluídos
neste rol.
E) O direito à alimentação foi o último direito social a ser inserido no caput do artigo 6º da Constituição
Federal de 1988, por meio da Emenda Constitucional nº 90/2015.

07. {FAUEL.Prev São José-PR.Advogado.2017) Acerca do controle e da atuação do Judiciário em tema de


implementação de políticas públicas, considerando a jurisprudência do STF, é INCORRETO afirmar que
A) Não se inclui, ordinariamente, na competência do Poder Judiciário a formulação e a implementação
de políticas públicas, vez que tal atribuição compete, prioritariamente, ao Poder Executivo.
B) Emerge, na judicialização de temas de políticas públicas, o contexto das "escolhas trágicas", em que
há forte tensão entre a necessidade de concretizar direitos e a escassez de recursos estatais.
C) A constituição confere ao legislador uma margem substancial de autonomia na forma e medida em
que o direito social deve ser assegurado, uma vez que a tomada de decisão quanto às possibilidades
e aos meios de efetivação desses direitos já foi feita pelo constituinte originário.
D) A cláusu la da "reserva do possível" - ressalvada a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível
- não pode ser invocada, pelo Estado, com a finalidade de exonerar-se do cumprimento de suas obri-
gações constitucionais, nota damente quando, dessa conduta governamental negativa, puder resultar
nulificação ou, até mesmo, aniquilação de direitos constitucionais impregnados de um sentido de
essencial fundamentalidade.
E) A cláusu la da vedação do retrocesso diz respeito à proibição de que haja diminuição ou extinção, sem
medidas compensatórias, de forma infundada, portanto, no âmbito de efetivação de políticas públicas
concretizadoras de direitos sociais.
191
Art. 7° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

08. (CESPE.TRT-7.Analista Judiciário - Área Administrativa .2017} A respeito dos direitos e das garantias
fundamenta is previstos na Constituição Federal de 1988 (CF), ju lgue os itens a seguir.
1. A concretização dos di reitos sociais previstos na CF, dada a natureza prestaciona l desses direitos,
submete-se aos lim ites do finance iramente possíve l.
li. Direitos e garantias previstos em normas e tratados internacionais sobre direitos humanos assumem
estatuto de norma constitucional automaticamente, no momento da sua assinatura pelo Brasil.
Ili. Em decorrência do princípio da máxima efetividade, as normas definidoras de direitos e garantias
fundamentais possuem, em quaisquer hipóteses, eficácia plena e imediata .
Assina le a opção correta
A} Apenas o item I está certo.
B) Ape nas o item li está certo.
C) Apenas o item Ili está certo.
D) Nenhum item está certo .

• 01 A 02 E 03 E 04 B 05 E ~ D ITT C M A

Art. JQ São direitos dos tra balhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria
de sua condição social:

1 - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos

de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;

li - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;

Il i - f un do de garantia do tempo de serviço;

IV -salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessida-
des vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educa ção, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdê ncia social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;

VI - irredutibi lidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;

VII-garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remu neração variável;

VIII - décimo terceiro salário com base na remu neração integral ou no valor da aposentadoria;

IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;

XI- participação nos lucros, ou resu ltados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,


participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;

XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos
da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro sema-
nais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva de trabalho; (vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)

XIV- jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezament o,
salvo negociação coletiva;

XV - repouso semanal remunerado, preferencia lmente aos domingos;

192
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 7°

XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à


do normal; (Vide Dei 5.452, art. 59 § lQ}
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário
normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e
vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos


da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos
termos da lei;

XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e
segurança;
XXlll-adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma
da lei;
XXIV - aposentadoria;

XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos
de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nQ 53, de 2006)

XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;

XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;

XXVlll-seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do emprega dor, sem excluir a indenização
a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;

XXIX-ação, quanto aos créditos resultantes das re lações de trabalho, com prazo prescricional
de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do
contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nQ 28, de 25/05/2000)

a) e b) (Revogadas pela Emenda Constitucional nQ 28, de 25/05/2000)

XXX- proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por


motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do


trabalhador portador de deficiência;

XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profis-
sionais respectivos;

XXXIII- proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qual-


quer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze
anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nQ 20, de 1998)

XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o


trabalhador avulso.

Parágrafo único. São assegurados à categoria dos traba lhadores domésticos os direitos pre-
vistos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e
XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimen-
to das obrigações tributárias, princi pais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas
peculiaridades, os previstos nos incisos 1, 11, Ili, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à
previdência social.

193
Art. 7° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

1. BREVES COMENTÁRIOS

No âmbito das relações de trabalho, os direitos fundamentais decorrem dos valores


liberdade e igualdade e são voltados à proteção da integridade física, psicológica e moral do
trabalhador, a fim de lhes assegurar uma existência digna. A Constituição de 1988 estabele-
ceu, em seu art. 7°, uma série de direitos sociais fundamentais protetivos dos trabalhadores
em suas relações individuais de trabalho. O extenso rol expressamente contemplado no
dispositivo é claramente exemp lifica tivo , como se depreende da expressão "além de outros
que visem à melhoria de sua condição social". Não exclui, portanto, outros direitos funda-
mentais consagrados no próprio texto constitucional e nas leis trabalhistas, nem impedem a
ampliação deste leque de direitos por meio de emenda à Constituição.
A interpretação e aplicação desses direitos devem ser orientadas por alguns princípios,
dentre os quais, podem ser destacados: dignidade da pessoa humana (CF, are. 1°, III); valores
sociais do trabalho e da livre iniciativa (CF, art. 1°, IV); valorização do trabalho humano
e justiça social (CF, art. 170); busca do pleno emprego (CF, art. 170, VIII); e, primado do
trabalho como base da ordem social (CF, art. 193).
São destinatários dos direitos previstos neste dispositivo os trabalhadores subordinados,
assalariados e que prestam pessoalmente serviços de caráter permanente.
Após o advento da EC 28/2000, que unificou o prazo prescricional para as ações refe-
rentes aos créditos resultantes das relações de trabalho (CF, are. 7°, XXIX), não existe no
texto constitucional qualquer diferença de tratamento entre os trabalhadores urbanos e rurais
(CF, art. 7°, caput).
A Constituição assegurou a igualdade de direitos entre os trabalhadores com vínculo
empregatício permanente e os avulsos (CF, art. 7°, XXXIV). A lei previdenciária considera
trabalhador avulso "quem presta, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviço
de natureza urbana ou rural definidos no Regulamento" (Lei 8.213/91, arr. 11, VI). Nos
termos da norma regulamentar, avulso é o trabalhador "que, sindicalizado ou não, presta
serviços de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a
intermediação obrigatória do órgão gestor de mão-de-obra [...] ou do sindicato da categoria"
(Decreto 3.048/99, art. 9°, VI).
O trabalhador avulso não se confunde com o eventual, nem com o temporário e nem
com o autônomo.
O trabalhador eventual é aquele admitido numa empresa para um evento passageiro,
isolado, de curta duração, de natureza contingente. Trata-se de um trabalhador ocasional,
esporádico, que trabalha de vez em quando.
O trabalhador temporário é a pessoa física contratada por uma empresa de trabalho
temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à
necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar
de serviços (Lei 6.019/74, art. 2. 0 ; Redação alterada pela Lei 13.429/2017).
O trabalhador temporário é a pessoa física que presta serviço a uma empresa, para
atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou
acréscimo extraordinário de serviços (Lei 6.019/74, art. 2°). O trabalhador autônomo é aquele
194
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1,988 Arl. 7°

que trabalha por conta própria, suportando os riscos de sua atividade. O elemento distintivo
fundamental em relação aos empregados é a ausência subordinação. O texto constitucional
não fez referência a estas espécies de trabalhadores (eventual, temporário, autônomo), os
quais são regidos por normas infraconstitucionais.
Os trabalhadores domésticos são aqueles que prestam serviços contínuos na residência
de uma pessoa ou família, em atividade sem fins lucrativos. Enquadram-se nesta categoria,
dentre outros, o motorista particular, a cozinheira, a lavadeira, o jardineiro, a babá, a copeira,
a governanta, a acompanhante, a passadeira, o mordomo e o empregado de sítio de veraneio
ou de casa de praia. A esses trabalhadores, a Constituição de 1988 assegurou, originariamente,
os seguintes direitos: salário mínimo; irredutibilidade do salário; décimo terceiro salário; repouso
semanal e férias anuais remunerados; licença gestante/paternidade; aviso prévio; e, aposentadoria.
A diferença de tratamento em relação aos demais trabalhadores era justificada não só por
algumas características específicas desta relação de trabalho, mas, sobretudo, pela distinção
essencial existente entre o empregador doméstico e os empregadores que visam o lucro.
Com o advento da EC 72/2013, o rol de direitos dos empregados domésticos foi sig-
nificativamente ampliado, tornando-se equiparado, naquilo que é cabível, aos direitos con-
templados para os demais trabalhadores urbanos e rurais. Foram introduzidos pela referida
emenda: garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração
variável; proteção do salário na forma da lei; duração do trabalho normal não superior a oito
horas diárias e quarenta e quatro semanais; remuneração do serviço extraordinário superior, no
mínimo, em cinquenta por cento à do normal; redução dos riscos inerentes ao trabalho; proibição
de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo,
idade, cor ou estado civil; proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios
de admissão do trabalhador portador de deficiência; proibição de trabalho noturno, perigoso
ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na
condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.
Referida Emenda estabelece ainda que, "atendidas as condições estabelecidas em lei e
observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias", os trabalhadores
domésticos devem ser integrados à previdência social e fazer jus aos seguintes direitos: re-
lação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa; seguro-desemprego;
fundo de garantia do tempo de serviço (FGTS); remuneração do trabalho noturno superior à
do diurno; salário-família; assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento
até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; seguro contra acidentes de trabalho
(CF, art. 7°, parágrafo único). A Lei Complementar nº 150/2015 regulamenta o contrato
de trabalho doméstico.

Diferenças entre os Diversos Tipos de Trabalhadores

Lei 8.212/91, Art. 11, VI: "quem presta, a Portuário - intermediação obrigatória do
Trabalhador diversas empresas, sem vínculo emprega- Órgão Gestor de Mão de Obra.
Avulso tício, serviço de natureza urbana ou rural Não -Portuário - Intermediado pelo sindi-
definidos no Regulamento" cato da categoria.

Trabalhador
Admitido para um trabalho ocasional, passageiro e de curta duração.
Eventual

195
Art. 7° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Trabalhador Pessoa física que presta serviço para atender a uma necessidade transitória da empresa,
Temporário como substitu ição de pessoal ou acréscimo extraordinário de serviço.

Trabalhador
Trabalha por conta própria, suportando os riscos de sua atividade.
Autônomo

Prestam serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não


Trabalhador
lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas. (Ex. motorista particular,
Doméstico
cozinheira, lavadeira, jardineiro, babá, copeira etc.)

Os direitos dos trabalhadores em suas relações individuais de trabalho podem ser agru-
pados em sete categorias: direito ao trabalho e à garantia do emprego; direitos sobre as con-
dições de trabalho; direitos relativos ao salário; direitos relativos ao repouso e à inatividade
do trabalhador; direitos de proteção dos trabalhadores; direitos relativos aos dependentes do
trabalhador; e direito de participação dos trabalhadores (SILVA, 2005).
O direito ao trabalho e a garantia do emprego estão consagrados nos dispositivos que
protegem a relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa (CF, art. 7°,
I) e que preveem o seguro-desemprego (CF, art. 7°, II), o fundo de garantia por tempo de
serviço (CF, art. 7°, III) e o aviso prévio (CF, art. 7°, XXI).
Os direitos sobre as condições de trabalho visam à garantia de condições dignas para
o exercício da atividade laborativa sendo assegurados pelos dispositivos que estabelecem:
duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais
(CF, art. 7°, XIII); jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de
revezamento (CF, art. 7°, XIV); redução dos riscos inerentes ao trabalho (CF, art. 7°, XXII);
proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual (CF, art. 7°, XXXII).
Os direitos 1·elativos ao salário estão fixados nos dispositivos que protegem a remu-
neração dos trabalhadores contra decisões unilaterais de seus empregadores, a saber: salário
mínimo (CF, art. 7°, IV); piso salarial (CF, art. 7°, V); irredutibilidade relativa do salário
(CF, art. 7°, VI); garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remu-
neração variável (CF, art. 7°, VII); décimo terceiro salário (CF, art. 7°, VIII); remuneração
do trabalho noturno superior à do diurno (CF, art. 7°, IX); proteção do salário na forma
da lei (CF, art. 7°, X); remuneração do serviço extraordinário superior à do normal (CF,
art. 7°, XVI); adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas
(CF, art. 7°, XXIII) e princípio da isonomia salarial (CF, are. 7°, XXX e XXXI). Mesmo
após a extinção do contrato de trabalho, a Constituição assegura, durante o período de 2
anos, o direito de ação quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo
prescricional de 5 anos (CF, art. 7°, XXIX).
No tocante ao salário mínimo, há dois aspectos relevantes a serem abordados. A despeito
da exigência constitucional de fixação por "lei", o Supremo Tribunal Federal entendeu ser
compatível com o princípio da reserva legal a veiculação dos valores por decreto quando,
inexistente qualquer margem de discricionariedade para a apuração do quantum, o ato regula-
mentar se restringir à aplicação de critérios objetivos legalmente estabelecidos pelo Congresso
Nacional (ADI 4.568/DF). Outro ponto a ser destacado é a vedação de "vinculação para
qualquer fim", a qual deve ser compreendida no sentido de proibir a utilização do valor do
salário mínimo para fins de indexação, a qual poderia comprometer a manutenção de seu
196
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 7°

poder aquisitivo e a elaboração de medidas voltadas à sua valorização real. A utilização será
legítima quando tiver por finalidade apenas expressar o valor inicial de benefícios (STF -
ADI 4.726MC/AP), indenizações (STF -ARE 868.922 AgR/SP) etc.
Os direitos relativos ao repouso e à inatividade do trabalhador têm por finalidade
proteger sua integridade física e psicológica. Para isso, a Constituição assegura: repouso se-
manal remunerado (CF, art. 7°, XV); férias anuais remuneradas (CF, art. 7°, XVII); licença
à gestante (CF, are. 7°, XVIII); licença-paternidade (CF, art. 7°, XIX) 12 ; aposentadoria (CF,
art. 7°, XXIV); e, seguro contra acidentes de trabalho (CF, are. 7°, XXVIII).
Os direitos de proteção dos trabalhadores visam a assegurar o princípio da isonomia,
impedindo discriminações arbitrárias ou injustificáveis. Para esse fim, além de impor a pro-
teção do mercado de trabalho da mulher (CF, art. 7°, XX) e em face da automação (CF, art.
7°, XXVII), a Constituição proibiu diferença de salários, de exercício de funções e de critério
de admissão (CF, art. 7°, XXX e XXXI); distinção entre profissionais que exerçam trabalho
manual, técnico e intelectual (CF, art. 7°, XXXII); trabalho noturno, perigoso ou insalubre a
menores de 18 e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a
partir de 14 anos (CF, art. 7°, XXXIII). Ao trabalhador avulso, foram assegurados os mesmos
direitos entre do trabalhador com vínculo empregatício permanente (CF, are. 7°, XXXIV).
Os direitos relativos aos dependentes do trabalhador foram consagrados com a fina-
lidade de satisfazer as necessidades e proteger os membros da entidade familiar que vivem
sob a dependência do trabalhador, sobretudo os de baixa renda. É o caso do saldrio-família
(CF, art. 7°, XII) e da assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5
anos de idade em creches e pré-escolas (CF, art. 7°, XXV) . Vale lembrar ainda que o salário
mínimo deve atender às necessidades vitais básicas não só do trabalhador, mas também de
sua família (CF, art. 7°, IV).
Por fim, a Constituição assegurou o direito de participação dos trabalhadores nos
lucros e resultados da empresa (CF, art. 7°, XI). Apesar de consagrado desde a Consti-
tuição de 1946, a regulamentação legal deste direito ocorreu apenas com o advento da Lei
10.101/2000. Trata-se de um valor recebido pelo trabalhador sem natureza salarial e sem
vínculo com sua remuneração, cuja finalidade é proporcionar uma melhor distribuição de
ganhos entre empregador e empregado, além de servir como estímulo à atividade laborativa.
O mesmo dispositivo constitucional prevê ainda, excepcionalmente, a participação na gestão
da empresa, conforme definido em lei. Esta hipótese ainda carece de regulamentação legal.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF-Súmula vinculante n!! 4. Salvo nos ca sos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode
ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado,
nem ser substituído por decisão judicial.

12. lei 11.770/2008, art. 12 É instituído o Programa Empresa Cidadã, destinado a prorrogar: 1- por 60 (sessenta) dias
a duração da licença-maternidade previ sta no inci so XVIII do caput do art. 72 da Constituição Federal; li - por 15
(quinze) dias a duração da licença-paternidade, nos termos desta l ei, além dos 5 (cinco) dias estabelecidos no§
1º do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (Incisos incluídos pela lei 13.257/2016).

197
Art. 7° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

• STF -Súmula vinculante n2 6. Não viola a Constituição o estabelecimento de re muneração inferior


ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar in icial.

• STF-Súmula vinculante n!! 1S. O cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor público não
incide sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo .

• STF -Súmula vinculante n!! 16. Os artigos 72, IV, e 39, § 32 (reda ção da EC 19/98), da Constituição,
referem -se ao total da re muneração percebida pelo servidor público .

• STF -Sú mula vinculante n!! 22. A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações
de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalh o propostas por
empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em
primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional no 45/04.

• STF -Súmula n!! 213. É devido o adicional de se rviço noturno, ainda que sujeito o empregado ao
regim e de revezamento.

• STF-Súmula n!! 214. A duração legal da hora de serviço noturno (52 minutos e 30 segundos) constitui
vantagem suplementar, que não dispensa o salário adicional.

• STF -Súmula n!! 313. Provada a identidad e entre o trabal ho diurno e o noturno, é devido o adicional,
quanto a este, sem a limitação do art. 73, § 32, da CLT, in dependentemente da natureza da atividade
do empregador.

• STF-Súmula nº 314. Na composição do dano por acidente do trabalho, ou de transporte, não é con-
trário à lei tomar para base da indenização o salário do tempo da perícia ou da sentença.

• STF -Súmula n!! 403. É de decadência o prazo de trinta dias para insta uração do inquérito judicial, a
contar da suspensão, por falta grave, de empregado estável.

• STF -Súmula n2 683. O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face
do art. 7!!, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo
a ser preenchido.

• STF -Súmula n!! 675. Os intervalos fixados pa ra descanso e alimentação durante a j ornada de seis
horas não descaracterizam o sistema de turnos in interruptos de revezamento para o efeito do art.
72, XIV, da Constituição.

• STJ -Súmula n!! 201. Os honorários advocatícios não podem ser fixados em sa lários-mínimos.

• STJ -Súmula n!! 353. As disposições do Código Tributário Nacional não se aplicam às contribuições
para o FGTS.

• STJ -Súmula n!! 386. São isentas de imposto de renda as indenizações de férias proporcionais e o
respectivo adicional.

• STJ -Súmula nº 416. É devida a pensão por morte aos dependen t es do segurado que, apesar de ter
perd ido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para a obtenção de aposentadoria até a data
do seu óbito.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

• AgRg no AI 642.528-RJ. Rei. Min. Dias Toffoli. Agravo regimental no agra vo de instrumento. Servidor
público. Pagamento de serviço extraordinário. Art. 72, inciso XVI, da CF. Autoaplicabilidade. 1. O art.
72, XVI, da CF, que cuida do direito dos trabalhadores urbanos e rurais à remuneração pelo serviço

198
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Ar!. 7°

extraordinário com acréscimo de, no mínimo, 50%, aplica-se imediatamente aos servidores públicos,
por consistir em norma autoaplicável. 2. Agravo regimental não provido. {lnfo 684)

• Amianto e competência legislativa concorrente- 7. Aduziu que a legislação estadual em julgamento,


ao proibir produtos à base de amianto, cumpriria com maior efetividade a Constituição no plano da
proteção da saúde, bem assim aproximar-se-ia mais da Convenção da OIT. De igual modo, sintonizar-
-se-ia com o art. 72, XXII, da CF. Ressaiu, ainda, não contrariado o princípio da livre iniciativa, visto
que a ordem econômica também seria fundada na valorização do trabalho e teria por fim assegurar
a todos existência digna. Nesse aspecto, deveriam ser protegidos também a defesa do consumidor e
o meio ambiente (CF, art. 170, Ili e VI), parelhados com a proteção do trabalhador, a saúde pública e a
defesa dos direitos humanos. Por fim, mencionou que a lei gaúcha estabelecera prazos razoáveis para
que os estabelecimentos econômicos se adequassem ao novo quadro legal, a permitir o planejamento
e execução das medidas impostas. ADI 3357, rei. Min. Ayres Britto, 31.10.2012. ADI 3937, rei. Min.
Marco Aurélio, 31.10.2012. Pleno. (lnfo 686)

• STF/765- RE-RG 631.053-DF. Red. p/ac. Min. Celso de Mello


Recurso extraordinário. Exame do direito potestativo de resolução unilateral do contrato individual
de trabalho em face da proteção constitucional dispensada à relação de emprego. A dispensa imo-
tivada como ato meramente potestativo do empregador. Possibilidade, ou não, de o regulamento
interno da instituição universitária de ensino restringir o exercício, pelo empregador, de seu direito
potestativo de promove, a dispensa sem justa causa. O direito do empregado professor à liberdade
de cátedra e à livre pesquisa do direito. Prerrogativa oponível ao direito potestativo da instituição
universitária de ensino? Consequente discussão em torno da necessidade de prévia instauração de
inquérito administrativo, prevista em regulamento interno, para efeito de legitimar a dispensa, sem
justa causa, de professor por instituição particular de ensino superior. Alegada violação a preceitos
inscritos na CF (art. 7º, 1, e ADCT/88, art. 10, 1). Controvérsia a cujo respeito o plenário virtual do STF
reconheceu existente a repercussão geral.

• STF/730 - RE-RG 632.084-RS. Rei. Min. Ricardo Lewandowski


Recurso extraordinário. Utilização do salário mínimo como parâmetro para a correção monetária
do período anterior à edição da Lei 4.357/64. Suposta violação ao art. 7º, IV, da CF. Causa que não
ultrapassa o interesse das partes. Inexistência de repercussão geral.

• Vinculação a salário mínimo e criação de órgão


Norma estadual que prevê o pagamento de metade do valor de um salário mínimo às famílias que se
encontrem em situação de pobreza e extrema pobreza, consoante critérios de enquadramento nela
definidos. As alusões ao salário mínimo deveriam ser entendidas como a revelarem o valor vigente
na data da publicação da lei questionada, vedada qualquer vinculação futura por força do inciso IV
do art. 7Q da CF. A referência ao salário mínimo contida na norma de regência do benefício haveria
de ser considerada como a fixar, na data da edição da lei, certo valor. A partir desse montante refe-
rencial, passaria a ser corrigido segundo fator diverso do mencionado salário. ADI 4726 MC/AP, Rei.
Min. Marco Aurélio, 11.2.15. Pleno. {lnfo STF 774}

• Art. 79., XIII, da CF e jornada especial de trabalho


É constitucional o art. SQ da Lei 11.901/2009 ["A jornada do Bombeiro Civil é de 12 (doze) horas de
trabalho por 36 (trinta e seis) horas de descanso, num total de 36 (trinta e seis) horas semanais"].
(STF, lnfo 839).

4. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (NOSSO RUMO. MGS. Advogado.2017) Constitucionalmente, os Direitos Sociais estão previstos para
garantir, sobretudo, a melhoria da condição social dos trabalhadores urbanos e rurais. Diante disso,
assinale a alternativa INCORRETA acerca dos direitos conferidos a estes trabalhadores
199
Ar!. 7° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

A) Fundo de garantia por tempo de serviço.


B) Jornada de oito horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo ne-
gociação coletiva.
C) Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.
D) Irredutibilidade do salário, salvo disposição em convenção ou acordo coletivo.

02. (FCC. TST. Juiz do Trabalho Substituto.2017) Na redação vigente do parágrafo único do art. 7Q da
Constituição Federal, tal como conferida pela Emenda Constitucional nQ 72 de 2013, são assegurados
aos trabalhadores domésticos os direitos a
A) reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; e proibição de qualquer discrimi-
nação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência.
B) proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; e participação nos lucros,
ou resultados, desvinculada da remuneração.
C) duração do trabalho normal não superior a dez horas diárias e quarenta e quatro semanais, faculta-
da a compensação de horários; e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de
trabalho .
D) licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias; e
proteção em face da automação, na forma da lei.
E) piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho; e irredutibilidade do salário, salvo
o disposto em convenção ou acordo coletivo.

03. (FCC. TST. Juiz do Trabalho Substituto.2017) A respeito da discriminação e das ações afirmativas no
âmbito das relações de trabalho, considere:
1. A natureza das atribuições do cargo a ser preenchido não pode servir como justificativa quanto à
exigência de limite de idade para a inscrição em concurso público, pois é proibida a diferença de
critérios de admissão por motivo de idade, na forma do artigo 7Q, XXX, da CF/88.
li. A presunção de despedida discriminatória alcança o empregado portador de doença grave, inde-
pendentemente de a enfermidade suscitar estigma ou preconceito, assim também o empregado
portador de vírus HIV, de modo que, em ambos os casos, o trabalhador tem direito à reintegração
ou à indenização concernente aos salários e consectários legais do período de doze meses.
Ili. Conforme previsão constitucional, o empregador, com participação do poder público, será responsável
pelo seguro contra acidentes de trabalho, além da indenização civil devida ao trabalhador, quando
incorrer exclusivamente em dolo.
IV. Não obstante a proibição de distinção entre o trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os
profissionais respectivos, é possível a equiparação salarial no tocante ao trabalho intelectual, dada a
inviabilidade de aferição de perfeição técnica por critérios objetivos.
Está correto o que se afirma APENAS em
A) IV
B) 1e li
C) li e Ili
D) li e IV
E) 1, li e IV

04. (FGV. TRT-12. Técnico Judiciário - Área Administrativa.2017) Dos direitos trabalhistas previstos na
Constituição Federal de 1988, aquele que até o presente momento NÃO foi regulamentado é
A) participação nos lucros ou resultados.
B) aviso prévio proporcional ao tempo de serviço.
C) repouso semanal remunerado.
200
•Miiiiiiifütiji••tiiilã4ii:IIIHiã•iã;!;iiMJ•u•:l;IMlli)IPH1 Art. 7°

D) adicional para atividade penosa.


E) fundo de garantia por tempo de serviço.

05. (MPT. MPRT. Procurador do Trabalho.2017} Assinale a alternativa INCORRETA: São direitos dos tra -
balhadores urbanos e rurais previstos expressamente no artigo 7º da Constituição da República
A) Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facul -
tada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de
trabalho.
B) Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezament o, salvo nego-
ciação coletiva.
C) Gozo de férias anuais remuneradas de trinta dias com, pelo menos, um terço a mais do que o salário
normal.
D) Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.
E) Não respond ida.

06. (FAFIPA. Fundação Araucária-PR. Advogado.2017) De acordo com o disposto expressamente no artigo
72 da Constituição Federal, são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de out ros que visem
à melhoria de sua condição social
A) Relação de emprego protegida contra desped ida por justa causa, nos termos de lei complementar,
que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos.
B) Seguro-desemprego, em caso de desemprego voluntário.
C) Garantia de salário, podendo ser inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração va riável.
D) Assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em
creches e pré-escolas.

07. (VUNESP. TJ-SP. Escrevente Técnico Judiciário.2017) Édireito constitucional dos trabalhadores urbanos
e rurais
A) licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e oitenta dias.
B) remuneração do serviço extraordinário superior em, no mínimo, trinta por cento à do serviço normal.
C) seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este
está obrigado quando incorrer em dolo ou culpa.
D) aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, no máximo de trinta dias, nos termos da lei.
E) assistência gratuita aos fil hos e dependent es desde o nascimento até os 06 (seis) anos de idade em
creches e pré-escolas.

08. (FCC. TRT-24. Oficial de Justiça Avaliador Federal.2017) A doutrina considera como uma das inovações
marcantes da Constituição Federal do Brasil de 1988 em relação às anteriores a previsão no seu artigo
72 de um rol de direitos dos trabalhadores que visam à melhoria de sua condição social, dentre os quais
A) prazo prescricional trintenário para reclamação de FGTS; seguro-desemprego para situações gerais
de desemprego.
B) prevalência do negociado sobre o legislado; piso salarial desvinculado da extensão e da complexidade
do trabalho.
C) décimo terceiro salário com base na remuneração int egral ou no valor da aposentadoria; proteção
em face da automação, na forma da lei.
D) liberdade sindical mitigada; seguro contra acidentes de traba lho, a cargo do empregador, como ex-
cludente da indenização a que este estaria obrigado, quando incorresse em dolo ou culpa.
E) igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso
desde que sindicalizado; possibilidade de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou
entre os profissionais respectivos.
201
Art. 7° TÍTULO li - DOS DIREITOS EGARANTIAS FUNDAMENTAIS

09. (FCC. TRT-24. Técnico Judiciário - Área Administrativa.2017) A Constituição Federal prevê, expres-
samente, dentre os direitos sociais, que é direito dos trabalhadores ur banos e rurais, a
A) redução do salário proporcional a diminuição do trabalho limitada em 10%.
B) redução do salário proporcional a diminuição do trabalho limitada em 30%.
C) redução do salário proporcional a diminuição do tra balho limitada em 15%.
D) irredutibilidade do salário, salvo o disposto em acordo coletivo, sendo vedada a convenção coletiva
estipular qualquer tipo de redução salarial.
E) irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo.

10. (NUCEPE. SEJUS-PI. Agente Penitenciário.2017) Sobre a disciplina constitucional dos direitos sociais,
assinale a alternativa CORRETA
A) A assistência gratuita aos filhos e dependentes é garantida desde o nascimento até oito anos de idade
em creches e pré-escolas.
B) É garantido seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização
a que este está obrigado, desde que tenha agido com dolo.
C) É proibido trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.
D) É ga rantido o repouso semanal remunerado, obrigatoriamente aos domingos.
E) Évedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção
ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até três anos após o fina l do mandato, salvo
se cometer falta grave nos termos da lei.

11. (FCC.TRT-11.Analista Judiciário-Área Administrativa.2017) Átila é um trabalhador rural que desenvolve


suas atividades em turnos ininterruptos de revezamento. Sua esposa, Domitila, que é professora em
uma escola particular, acaba de dar à luz ao primeiro filho do casal. De acordo com a Constituição
Federal, Átila tem direito à
A) jornada de seis horas, salvo negociação coletiva e Domitila à licença à gestante, sem prejuízo do
emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias.
B) duração do trabalho normal, não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, salvo
negociação coletiva, e Domitila à licença à gesta nte, sem prejuízo do emprego e do salário, com a
duração de cento e vinte dias.
C) duração do trabalho normal, não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais e Domitila
à licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de noventa dias.
D) jornada de seis horas, salvo negociação coletiva, e Domitila à licença à gestante, sem prejuízo do
emprego e do salário, com a duração de noventa dias.
E) jornada de seis horas, não podendo ser alterada por negociação coletiva, e Domitila à licença à ges-
tante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de noventa dias.

12. (AOCP. EBSERH. Advogado.2017) São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, nos moldes da
Constituição Fed eral de 1988
A) piso salarial proporciona l à extensão e à complexidade do trabalho; remuneração do trabalho noturno
em dobro à do diurno e jornada de sete horas para turnos ininterruptos de revezamento, ainda que
sem negociação coletiva.
B) décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; salário- fam ília
pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda e gozo de férias anuais remuneradas
com no mínimo um terço a mais do que o salário normal.
C) repouso semanal remunerado aos sábados e domingos; licença à gestante de no mínimo 180 dias e
hora extraordinária de pelo menos cinquenta por cento da hora normal.

202
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL OE 1988 Art. 8°

D) licença-paternidade; adicional de remuneração para atividades mais trabalhosas; e aviso prévio pro-
porcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo trinta dias.
E) participação nos lucros e resultados; garantia de salário, nunca inferior a oitenta por cento do mínimo
nacional, para quem tem remuneração variável; e seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador.

ITT B ~ A ru A M D ~ e ~ D

01 e os e 09 E 10 e 11 A 12 B

Art. 8!! É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:

1- a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, re ssa lvado
o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na
organização sindical;

li - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representa -


tiva de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos
trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;

Ili - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individua is da categoria,
inclusive em questões judiciais ou administrativas;

IV-a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será
descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva,
independentemente da contribuição prevista em lei;

V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;

VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;

VI I - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;

VI II - é vedada a dispen sa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a


cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o
fina l do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e


de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Ao lado dos direitos dos trabalhadores aplicáveis às relações individuais de trabalho


{CF, art. 7°), a Constituição consagrou direitos coletivos dos trabalhadores (CF, art. 8° ao
11), os quais compreendem a liberdade sindical, o direito de greve, o direito de substituição
processual, o direito de participação laboral e o direito de representação na empresa.
A Constituição assegura, em seu art. 8°, a liberdade de associação profissional ou
sindical, as quais são formas de liberdade de associação regidas por normas específicas. A
associação profissional atua na defesa e coordenação dos interesses econômicos e profissionais
de seus associados, enquanto a associação síndica!, nada mais é, do que uma associação pro-
fissional com prerrogativas especiais {SILVA, 2005).
Dentre as prerrogativas atribuídas à associação sindical, encontra-se a liberdade sin-
dical, consistente no direito conferido a trabalhadores e empregadores de criar, organizar e
gerir organizações sindicais, sem a interferência ou intervenção dos poderes públicos. Nesse
203
Art. 8° TÍTULO li - DOS O-IREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

sentido, a Constituição assegurou a líberdade de fundaçáo do sindicato, independentemente


de autorização estatal, assim como a liberdade de atuaçáo, a fim de que este possa realizar os
seus fins e representar de forma adequada os interesses da categoria, vedada ao Poder Público
a interferência e a intervenção na organização sindical (CF, art. 8°, I).
A liberdade de fundação do sindicato é restringida pela unicidade sindical, sendo vedada
expressamente a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representa-
tiva de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, a qual náo pode ser
inferior à área de um Município (CF, art. 8°, II). No caso de existência de entidades sindicais
representativas de uma mesma categoria de trabalhadores, com idêntica base territorial de
atuação, o conflito deve ser resolvido com base no princípio da anterioridade, ou seja, deverá
prevalecer a primeira organização sindical, tendo em vista sua constituição anterior (STF - RE
199.142). A unicidade sindical não impõe aos sindicatos o dever de filiação à federação que
pretenda abranger-lhe a categoria-base. Por esta razão, "nenhuma federação pode arrogar-se
âmbito de representatividade maior que o resultante da soma das categorias e respectivas
bases territoriais dos sindicatos que a ela se filiem." (STF - MS 21.549).
A unicidade não se confunde com a unidade sindical. Enquanto a primeira decorre de
uma imposição legal ou constitucional, a segunda é resultante da vontade dos interessados.
A imposição de unicidade sindical pela Constituição contraria a Convenção 87 da OIT, que
propõe a possibilidade de escolha entre o pluralismo e a unidade como parte da essência da
liberdade sindical, náo cabendo a lei regular a estrutura e organização interna dos sindicatos.
O Brasil, apesar de fazer parte da OIT, não ratificou esta Convenção.
Em razão da necessidade de observância do postulado da unicidade, a Constituição exige
o registro sindical (CF, art. 8°, I), ato que habilita as entidades sindicais para a representação
de determinada categoria. O registro é um ato vinculado, subordinado apenas à verificação
dos pressupostos legais, sendo vedada qualquer autorização ou reconhecimemo discricioná-
rios, sob pena de violação da liberdade de organização sindical. Assim, como decorrência
da vedação de interferência estatal nesta liberdade, a fiscalização pelo Poder Público deve se
restringir à observância da norma constitucional que veda a sobreposição, na mesma base
territorial, de organização sindical do mesmo grau (STF - RE 157.940). Segundo o enten-
dimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal, "até que lei venha a dispor a respeito,
incumbe ao Ministério do Trabalho proceder ao registro das entidades sindicais e zelar pela
observância do princípio da unicidade" (Súmula 677).
A liberdade sindical compreende, ainda, a liberdade de adesáo ao sindicato. Consagrada
expressamente na Constituição de 1988, esta possui tanto uma dimensáo positiva, consis-
tente no direito do trabalhador de se filiar a um sindicato representativo de sua categoria
profissional ou econômica, manter-se filiado e participar da vida sindical; quanto uma
dimensão negativa, correspondente ao direito de não se filiar ou de se desligar, a qualquer
momento, de uma entidade sindical, sem a necessidade de autorização (CF, art. 8°, V). Ao
aposentado filiado, foi assegurado o direito de votar e ser votado nas organizações sindicais
(CF, art. 8°, VII).
A Constituição atribuiu às associações sindicais a prerrogativa de defesa de direitos e inte-
resses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas
204
CONSTITU IÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 8°

(CF, art. 8°, III). Trata-se de hipótese de substituição processual (ou legitimação extraordiná-
ria), na qual o sindicato atua em nome próprio na defesa dos direitos e interesses coletivos ou
individuais homogêneos da categoria que representa, sem a necessidade de expressa autorização
dos sindicalizados. Neste caso, somente é admitida a postulação em juízo de entidade sindical
cujo estatuto se encontre devidamente registrado no Ministério do Trabalho.
Na fase de conhecimento das ações nas quais os sindicatos agem como substituto pro-
cessual é prescindível a comprovação da situação funcional de cada substituído. (STF - RE
363.860-AgR). A legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a liquidação e a execução
dos créditos reconhecidos aos trabalhadores. (STF - RE 210.029; RE 193.503; RE 193.579;
RE 208.983; RE 211.874; RE 213.111). Segundo o entendimento sumulado pelo Supremo
Tribunal Federal, "concedida isenção de custas ao empregado, por elas não responde o sin-
dicato que o representa em juízo" (Súmula 223).
Com o intuito de custear o sistema confederativo da representação sindical, a Constitui-
ção contemplou contribuição confederativa, fixada por Assembleia geral e descontada em
folha (CF, art. 8°, IV, 1ª parte). Por estar consubstanciada em uma norma de eficácia plena
(autoaplicável) esta contribuição não depende de lei imegrativa para ser cobrada (STF - RE
199.019). Tendo em vista a liberdade de adesão sindical (CF, art. 8°, V), a contribuição
confederativa não é exigível de todos os membros da categoria profissional, mas apenas dos
filiados ao sindicato respectivo (STF - Súmula 666).
A contribuição confederativa não se confunde com a contribuição sindical prevista
em lei (CF, art. 8°, IV, 2ª parte). Por ter caráter parafiscal, esta é compulsória para toda a
categoria, independentemente da associação ao sindicato (STF - RE 224.885-AgR).
Outra prerrogativa atribuída aos sindicatos é a sua participação obrigatória nas negocia-
ções coletivas de trabalho (CF, art. 8°, VI), a qual não pode ser afastada ou limitada pela
lei. A Consolidação das Leis do Trabalho define a negociação coletiva como sendo "o acordo
de caráter normativo, pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econô-
micas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas
representações, às relações individuais de trabalho" (CLT, art. 611).
Por fim, com vistas a assegurar a independência do exercício do mandato sindical, a
Constituição consagrou a estabilidade sindicalprovisória, vedando a dispensa do empre-
gado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação
sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer
falta grave nos termos da lei (CF, art. 8°, VIII). A Consolidação das Leis do Trabalho define
como falta grave a prática de qualquer dos fatos a que se refere o seu art. 482, quando por
sua repetição ou natureza representem séria violação dos deveres e obrigações do empregado
(CLT, art. 493). O empregado eleito para cargo de administração sindical ou representação
profissional, inclusive junto a órgão de deliberação coletiva, não poderá ser impedido do
exercício de suas funções, nem transferido para lugar ou mister que lhe dificulte ou torne
impossível o desempenho das suas atribuições sindicais (CLT, art. 543). A garantia da esta-
bilidade sindical não se destina ao empregado propriamente dito (ex intuitu personae), mas
sim à representação sindical de que se investe. Por esse motivo, caso seja extinta a empresa
empregadora, a estabilidade deixa de existir (STF - RE 222.334).
205
Art. 8° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

A comunicação do registro da candidatura do empregado, assim como de sua eleição


e posse, deverá ser feita por escrito à empresa, pela entidade sindical dentro de 24 (vinte e
quatro) horas (CLT, art. 543, § 5°).
A Consolidação das Leis do Trabalho estabelece que a administração do sindicato será
exercida por uma diretoria constituída no máximo de sete e no mínimo de três membros
e de um Conselho Fiscal composto de três membros, eleitos esses órgãos pela Assembleia
Geral (CLT, art. 522). A limitação do número de dirigentes sindicais não é incompatível com
a Constituição, tendo em vista que se fosse defeso à lei disciplinar tal matéria, o sindicato
poderia estabelecer um número excessivo de dirigentes, com a finalidade de conceder-lhes a
estabilidade sindical (STF - RE 193.345; AI 735.158-AgR).
Na hipótese de dispensa, afastamento ou suspensão de dirigente sindical, sem que este
tenha cometido falta grave, é cabível a reintegração ou indenização e consectários legais
devidos desde a data da despedida até um ano após o final do mandato.

2. ENUNCIADOS DE SÚMUIA DE JURISPRUDÊNCIA


• Súmula vinculante n!! 40: "A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição
Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo".

• STF -Súmula n!! 197. O empregado com representação sin dical só pode ser despedido mediante
inquérito em que se apure falta grave.

• STF -Súmula n!! 223. Concedida isenção de custas ao empregado, por elas não responde o sindicato
que o representa em juízo.

• STF -Súmula n!! 629. A im petração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em
favor dos associados independe da autorização destes.

• STF -Súmula n!! 666. A contribuição confederativa de que trata o art. 8!!, IV, da Constituição, só é
exigível dos filiados ao sindicato respectivo.

• STF-Súmula n!! 676. A garantia da estabilidade provisória prevista no art. 10, li, a, do ADCT, tamb ém
se aplica ao suple nte do cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes (CIPA)

• STF-Súmula n!! 677. Até que lei venha a dispor a respeito, incumbe ao Ministério do Trabalho proceder
ao registro das entidades sindicais e zelar pela observância do princípio da unicidade.

• STJ -Súmula n!! 396. A Co nfederação Nacional da Agricultura tem legitim idade ativa para a cobrança
da contribuição sindical rural.

3. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA

• AgRg no AI 776.292-AM. Rei. Min. Joaquim Barbosa. Agravo regimental em agravo de instrumento.
Direito coletivo do trabalho. Sindicato. Desmembramento legitimado pelo TST. Possibilidade. Reexame
de fatos e provas na esfera extraordinária . Inviabilidade. Súm. 279/STF. Alegação de que a categoria
profissional, porque diferenciada, não poderia sofrer desmembramento. Ausência de prequestio-
namento. súms. 282 e 356/STF. Cabe o desmembramento, em respeito à liberdade de associação
sindical (art. 8!!, caput), sempre que, entre os representados, haja categorias profissionais diversas,
mesmo quando similares ou afins. Agravo regimental a que se nega provimento. (lnfo 675)

• Registro sindical. Disputa entre entidades sindicais. Em preliminares, a Seção reconheceu a legitimi-
dade ativa de entidade sindical que busca a anulação de ato administrativo cuja manutenção é capaz

206
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 8°

de prejudicá-la em relação ao direito de representação da categoria. Além disso, o colegiado entendeu


configurado o interesse de agir da entidade impetra nte, pois o ato atacado (restabelecimento parcial
do registro de outra entidade sindical) impedirá a outorga do registro definitivo à autora do "writ".
Por fim, afastou-se a decadência do direito à impetração, pois a contagem do prazo decadencial
para o ajuizamento do "mandamus" deve iniciar-s e do restabelecimento do registro parcial, e não da
abertura do prazo para impugnação do registro. No mérito, a Seção, por maioria, não re conheceu a
violação do princípio da autonomia sindical (art. 82, 1, da CF) nem das normas previstas nos arts. 14 e
25 da Portaria MTE 186/08 (que regula o registro sindical no Ministério do Trabalho e Emprego). De
fato, o restabelecimento parcial do registro impugnado resultou de pedido formulado pela entidade
interessada, não sendo o ato praticado de ofício pela autoridade coatora, o que poderia caracterizar
interferência do Poder Público na organização sindica l. Assim, foi afastada a violação da autonomia
sind ical. Ademais, o ato impugnado é solução paliativa, pois a disputa entre as entidades sindicais diz
respeito à representação dos docentes das entidades de ensino superior privadas e não faria sentido
impedir que a entidade beneficiada pelo ato deixasse de representar os docentes das instituições
públicas, o que já era feito antes do início dessa disputa. Quanto às normas da portaria ministerial,
não houve violação do art. 14 (destinado ao registro definitivo), pois o restabelecimento parcial do
registro não encerrou o procedimento administrativo registrai, que permanece em curso. Em relação ao
art. 25 da mesma portaria, a norma tem aplicação quando a concessão do registro implique exclusão
da categoria ou base territo ria l de entidade sind ical preexistente, registrad a no Sistema de Cadastro
Nacional de Entidades Sindicais (Cnes), o que não é o caso dos autos. MS 14.690, rei. Min. Humberto
Martins, Rei. para o acórdão Min. Benedito Gonçalves, j. 9.5.2012. 1~ S. (lnfo 497)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (IBFC. EBSERH-HUGG-UNIRIO. Advogado.2017) Considere as normas da Constituição Federal sobre
a liberdade de associação profissiona l ou sindical e assinale a alternativa correta
A) A lei poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, bem como o registro no órgão
competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical.
B) É vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de cate-
goria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou
empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município.
C) Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive
apenas em questões judiciais.
D) A assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada
em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, limitada até o
máximo independentemente da contribuição prevista em lei.
E) É facultativa a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho.

02. (IESES. ALGÁS. Analista de Projetos Organizacionais - Área Jurídica.2017) Sobre os direitos sociais
dispostos na Constituição Federal de 1988, podemos afirmar
A) É permitida a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de
direção ou rep resentação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato,
salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
B) É facultativa a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho.
C) Não é obrigatória e nem assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados
dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão
e deliberação.
D) É livre a associação profissional ou sindica l, observado que a lei não poderá exigir autorização do
Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o regi stro no órgão competente, vedadas ao Poder
Público a interferência e a intervenção na organização sindical.

207
Art. 9° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

03. (FCC. TRE-SP. Técnico Judiciário-Área Administrativa.2017) Seria incompatível com a Constituição
Federal a constituição de associação sindical
A) por servidores públicos civis.
B) em base territorial compreendendo a área de dois Municípios.
C) que outorgasse a aposentados filiados o direito de votarem e de serem votados.
D) cuja Assembleia Geral fixasse contribuição, exigível de seus filiados, para custeio do sistema confe-
derativo de representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei.
E) que estabelecesse a filiação automática de trabalhadores da categoria que representa, quando de
sua contratação por empresa sediada em sua base territorial.

04. (IBFC. EBSERH. Advogado.2017) Considere as normas da Constituição Federal sobre a liberdade de
associação profissional ou sindical e assinale a alternativa correta
A) A lei poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, bem como o registro no órgão
competente, vedadas ao Poder Público a interfe rência e a intervenção na organização sindical.
B) É vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de cate-
goria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou
empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município.
C) Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive
apenas em questões judiciais.
D) A assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada
em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, limitada até o
máximo independentemente da contribuição prevista em lei.
E) É facultativa a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho.

R4'1 o, B 1 02 D 1 03 E 04 B

Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a opor-
tunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das ne-
cessidades inadiáveis da comunidade.

§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Consagrada pela Constituição como um direito social fundamental, a greve consiste em
um direito de autodefesa assegurado aos trabalhadores como um meio de defesa de certos
interesses e de pressão em face do maior poder do empregador.
Diversamente dos servidores públicos, cujo exercício do direito de greve depende de
regulamentação por lei específica (CF, art. 37, VII), no caso dos trabalhadores de empresas
privadas - incluindo empresas públicas e sociedades de economia mista (CF, art. 173, § 1°,
II) - este direito pode ser exercido independentemente de regulamentação legal (norma
auto-aplicável), cabendo-lhes decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses
que devam por meio dele defender. Considerando o dispositivo constitucional que prevê a
restrição do exercício deste direito por lei que disponha sobre os serviços ou atividades essen-
ciais e sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade (CF, art. 9°, § 1°),
verifica-se que o direito de greve encontra-se consubstanciado em uma norma de eficácia
comida, ou seja, de aplicabilidade direta, imediata, mas, possivelmente, não integral.
208
iMMiili11ff;ii#•fijd@ 1):liiífJiiiliifü1Mlm1:i;tíBll IIMH
1 Art. 9º

O direito de greve pode ser exercido pacificamente de variadas formas. Além do meio
mais usual, consistente em não trabalhar, pode haver trabalho em ritmo lento ("operação
tartaruga"), em período inferior à jornada de trabalho, piquetes, passeatas etc.
A Lei 7.783/89 dispõe sobre o exercício do direito de greve, define as atividades essenciais,
regula o atendirnenro das necessidades inadiáveis da comunidade, e dá outras providências.
De acordo com este diploma legal, para ser considerada legítima, a suspensão total ou parcial
de prestação pessoal de serviços a empregador deverá ser: coletiva, temporária e pacífica
(Lei 7.783/89, art. 2°).
Foram assegurados aos grevistas, dentre outros direitos: I) o emprego de meios pacíficos
tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve; e, II) a arrecadação de
fundos e a livre divulgação do movimento (Lei 7.783/89, art. 6°).
Durante a greve, é vedada a rescisão de contrato de trabalho, o qual ficará suspenso no
caso de participação do empregado. Neste período, as relações obrigacionais serão regidas
pelo acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho (Lei 7.783/89, arr.
7° e parágrafo único).
Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores
ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indis-
pensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade (Lei 7.783/89, art. 11).
A lei considera como necessidades inadiáveis da comunidade aquelas que, não aten-
didas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população
(Lei 7.783/89, arr. 11, parágrafo único).

• tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica,


gás e combustíveis;

• assistência médica e hospitalar;

• distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;

• funerários;
São • transporte coletivo;
considerados
s~rviços ou • captação e tratamento de esgoto e lixo;
atividades
essenciais: • telecomunicações;

• guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais nu-


cleares;

• processamento de dados ligados a serviços essenciais;

• controle de tráfego aéreo;

• compensação bancária (Lei 7.783/89, art. 10).

Assim corno os demais direitos constitucionalmente consagrados, o direito de greve


deve ser exercido dentro de determinados limites, de forma a harmonizar-se com outros
direitos também consagrados no texto constitucional (liberdade de locomoção, direito de
209
Art. 9° TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

propriedade, direito ao trabalho ... ), sob pena de responsabilização pelos abusos cometidos
(CF, art. 9°, § 2°).
Nesse sentido, a Lei 7.783/89 estabelece que, em nenhuma hipótese, os meios adotados por
empregados e empregadores poderão violar ou constranger os direitos e garantias fundamentais
de outrem. Prevê, ainda, que as manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não
poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa
(Lei 7.783/89, are. 6°, § 1° e § 3°). Nos termos da Lei 7.783/89, constitui abuso do direito de
greve a inobservância das normas nela comidas, bem como a manutenção da paralisação após
a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho (Lei 7.783/89, art. 14).
De acordo com a orientação jurisprudencial da Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal
Superior do Trabalho, "é abusiva a greve levada a efeito sem que as partes hajam tentado,
direta e pacificamente, solucionar o conflito que lhe constitui o objeto" (TST-OJ-SDC-11,
inserida em 27.03.1998), bem como a "que se realiza em setores que a lei define como sendo
essenciais à comunidade, se não é assegurado o atendimento básico das necessidades inadiáveis
dos usuários do serviço, na forma prevista na Lei nº 7.783/89" (TST-OJ-SDC-38, inserida
em 07.12.1998). A greve abusiva não gera efeitos, uma vez que se revela "incompatível com a
declaração de abusividade de movimento grevista, o estabelecimento de quaisquer vantagens
ou garantias a seus partícipes, que assumiram os riscos inerentes à utilização do instrumento
de pressão máximo" (TST-OJ-SDC-10, inserida em 27.03.1998).
Cabe àjustiça do Trabalho julgar as ações que envolvam o exercício do direito de greve
(CF, are. 114, II), decidindo sobre a (im)procedência das reivindicações e a abusividade, ou
não, da greve (Lei 7.783/89, arr. 8°).
A lei veda a paralisação das atividades, por iniciativa do empregador (lockout), com o
objetivo de frustrar negociação ou dificultar o atendimento de reivindicações dos respectivos
empregados (Lei 7.783/89, art. 17).

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

• STF -Súmula nº 316. A simples adesão à greve não constitui falta grave.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC -Técnico Judiciário -Administrativa -TRT 1/2013 -Adaptada) Tendo em vista a disciplina da
Constituição Federal a respeito do direito de greve, considere as seguintes assertivas:
1. A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades
inadiáveis da comunidade.
li. O exercício válido e regular do direito de greve por toda e qualquer categoria profissional depende
de prévia previsão em lei que o autorize.

02. (Cespe -Agente Administrativo - MDIC/2014) Com referência à CF, aos direitos e garantias funda -
mentais, à organização político-administrativa, à administração pública e ao Poder Judiciário, julgue
os itens subsecutivos. A CF prevê o direito de greve na iniciativa privada e determina que cabe à lei
definir os serviços ou atividades essenciais e dispor sobre o atendimento das necessidades inadiáveis
da comunidade.

k{H 01 eE 1 02 e 1

210
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 10

Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos
órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão
e deliberação.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Este dispositivo contempla uma modalidade de democracia direta, com vistas a garantir
a participação democrática de trabalhadores e empregadores.
A Lei 11.648/2008 atribui às centrais sindicais a prerrogativa de participar de negociações
em fóruns, colegiados de órgãos públicos e demais espaços de diálogo social que possuam
composição tripartite, nos quais estejam em discussão assuntos de interesse geral dos traba-
lhadores (art. 1°, II).
A participação das Centrais Sindicais foi assegurada:
a) no Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Lei 7.998/90, art. 18);
b) no Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (Lei 8.036/90,
an. 3°);
c) no Conselho Nacional da Previdência Social (Lei 8.213/91, art. 3°, II).
Além dessas participações legalmente previstas, o Decreto 1.617/95 estabelece que o
Conselho Nacional do Trabalho será formado por dois integrantes de cada uma das centrais
sindicais. As centrais sindicais não têm legitimidade para propor ações de controle abstrato
de constitucionalidade (ADI, ADC, ADO e ADPF), uma vez que, segundo a jurisprudência
do STF, elas não estão abrangidas pela expressão "entidades de classe de âmbito nacional"
(CF, art. 103, IX).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CONSULTEC. TJ-BA. Conciliador. 2015) Em relação aos Direitos Sociais, consoante a Constituição
Federal, pode-se afirmar
a) É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos
em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação
b) Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obriga-
tório, os conscritos, sendo inelegíveis tanto os inalistáveis quanto os analfabetos
c) O militar alistável é elegível e, se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da ativida-
de, mas se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito,
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade
d) É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão apenas se dará nos casos de cance-
lamento da naturalização por sentença transitada em julgado, incapacidade civil absoluta, condenação
criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos, recusa de cumprir obrigação a todos
imposta ou prestação alternativa e improbidade administrativa
e) A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça respondendo o autor, na forma
da lei, se temerária ou de manifesta má -fé

, ,,, 01 A 1

211
Art. 11 TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um re -


presentante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os
empregadores.

1. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. TRT-24. Analista Judiciário -Área Judiciária.2017) Felício é proprietário da empresa "ABC" Ltda.
que possui, atualmente, 233 empregados em razão da fusão com a empresa " DEF" Ltda. Preocupado
com o aumento de empregados, uma vez que antes da fusão a empresa "ABC" Ltda. possuía 102 em-
pregados, Felício consultou sua advogada, Carolina, a respeito. Com relação à Constituição Federal,
Carolina informou que no tocante aos direitos sociais
A) o aumento do número de empregados não acarreta nenhuma consequência, uma vez que já era
assegurada a eleição de um representante destes com a f inalidade exclusiva de promover-lhes o
entendimento direto com os empregadores.
B) nas empresas com mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes
com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores .
C) o aumento do número de empregados não acarreta nenhuma consequência, uma vez que somente
nas empresas com mais de trezentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes
com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.
D) nas empresas com mais de cento e oitenta empregados, é assegurada a eleição de um representante
destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.
E) o aumento do número de empregados não acarreta nenhuma consequência, uma vez que somen -
te nas empresas com mai s de duzentos e cinquenta empregados, é assegu rada a eleição de um
representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os
empregadores.

p o1 B

•CAPÍTULO Ili - DA NACIONALIDADE


Art. 12. São brasileiros:

1- natos:

1. BREVES COMENTÁRIOS
A nacionalidade pode ser definida como um vínculo jurídico-político entre o Estado e
o indivíduo que faz deste um componente do povo.
O povo brasileiro é constituído pelos brasileiros natos e naturalizados.
A nacionalidade primária é atribuída em razão do nascimento, sendo estabelecida por
meio de critérios sanguíneos (nacionalidade dos pais), territoriais (local de nascimento) ou
mistos. Cada país tem o poder soberano para escolher o critério que julgar mais conveniente.
A grande maioria das legislações contemporâneas tem adotado o sistema misto, como no
caso do Brasil (MAZZUOLI, 2006).

a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que
estes não estejam a serviço de seu país;

212
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 12

1. BREVES COMENTÁRIOS
No dispositivo foi adotado o critério territorial (jus soli), sendo considerado brasileiro
nato, independentemente da origem dos ascendentes ou de qualquer outro requisito, o nas-
cido em território nacional. Este compreende rios, mares, ilhas e golfos brasileiros; navios e
aeronaves de guerra brasileiros; aeronaves e navios brasileiros, de natureza pública ou privada,
quando em trânsito por espaços neutros.
Os nascidos no território brasileiro, mas filhos de pais estrangeiros a serviço de seu país,
foram excluídos do critério territorial, sendo-lhes aplicado o critério da filiação pelo país de
origem. Esta ressalva é aplicável não apenas quando ambos os pais estiverem a serviço de seu
país, mas também quando um deles apenas estiver acompanhando o outro.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (FGV. TJ-SC. Técnico Judiciário. 2015} Peter, cidadão sueco em viagem de férias no Brasil, manteve
relacionamento amoroso com Marie, cidadã francesa que visitava um primo na Cidade de Florianópolis.
Desse relacionamento, nasceu Gustavisson, fato ocorrido no território brasileiro. É possível afirmar
que a nacionalidade do filho do casal é:
a} brasileira, por ter nascido na República Federativa do Brasil
b) necessariamente diversa da brasileira, isso em razão do princípio da nacionalidade paterna
c) brasileira, desde que tenha sido registrado em reparti ção consular brasileira
d) necessariamente diversa da brasilei ra, isso em razão do princípio da nacionalidade materna
e) necessariamente diversa da brasileira, já que seus pais eram estrangeiros e não estavam estabelecidos
no Brasil

02. (FCC. SSP-AM. Técnico de Nível Superior. 2015) Peter, filho de um casal austríaco, nasceu no território
brasileiro quando seus pa is aqui estavam a serviço da Embaixada da Áustria. Após o seu nascime nto,
permaneceu no Brasil por cerca de dez anos, até que a família retornou ao País de origem. Como
Peter passou a ter sólidos laços afetivos com o Brasil, sendo frequentes as suas viagens a passeio para
este País, tomou a decisão de candidatar-se a um cargo eletivo que é privativo de brasileiro nato. É
possível afirmar que Peter
a) é brasileiro nato, já que nasceu na Repúbli ca Federativa do Brasil
b) somente pode ser considerado brasileiro nato caso sua família tenha providenciado o seu registro de
nascimento no Brasil, enquanto aqui residiu
c) tem dupla nacionalidade, austríaca e brasileira, podendo praticar quaisquer atos civis e políticos na
Áustria e no Brasil
d) não pode ser considerado brasileiro nato, já que é filho de estrangeiros que estavam no Brasil a serviço
do seu País de origem
e) será considerado brasileiro nato tão logo promova o seu registro de nascimento em cartório do re-
gistro civil das pessoas naturais situado no Brasil

03. (CONSULTEC. TJ-BA. Conciliador. 2015) O sistema constitucional brasileiro vigente admite a possibi-
lidade de que uma pessoa, mesmo nascendo fora do território nacional e sem ter ambos os pais com
esta nacionalidade, venha a ser considerado brasileiro nato

B11 01 A 02 D 03 E

b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer del es
esteja a serviço da República Federativa do Brasil;

213
Arl. 12 TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

1. BREVES COMENTÁRIOS
A Constituição utilizou a nacionalidade dos pais corno para a atribuição da nacionalidade
originária nas alíneas b e e. Na hipótese consagrada na alínea b, foi considerado o critàio
sanguineo ("pai brasileiro ou mãe brasileira") conjugado com o critério funcional ("a serviço
da República Federativa do Brasil"). Para esse fim, deve ser considerado o serviço público
prestado a quaisquer dos entes da federação brasileira (União, Estados, Distrito Federal ou
Municípios), independentemente de sua natureza.
Quando um dos cônjuges não estiver a serviço de seu país, nem apenas acompanhando
o outro - como no caso de um diplomata francês que venha a se casar, no Brasil, com uma
brasileira ou estrangeira aqui residente que não esteja a serviço de seu país - , o filho do ca-
sal poderá obter ramo a nacionalidade do genitor quanto a nacionalidade brasileira (dupla
nacionalidade).
Por fim, caso o estrangeiro esteja a serviço de outro país - como no caso de um austría-
co a serviço da Alemanha -, ao filho nascido no Brasil deve ser atribuída a nacionalidade
brasileira.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (VUNESP. TJ-SP. Escrevente Técnico Judiciário.2017) Maria, brasileira, estava grávida quando viajou
para a Alemanha. Em virtude de complicações de saúde, seu bebê nasce u antes do te mpo, quando
Maria ainda estava na Alemanha. Considerando apenas os dados apresentados, pode-se afirmar que,
nos termos da Constituição Federal, o filho de Maria será considerado
A} brasileiro nato, bastando que venha a residir na República Federativa do Brasil.
B) brasileiro nato se Maria estiver, na Alemanha, a serviço da República Federativa do Brasil.
C) brasileiro nato, bastando que o pai do bebê tam bém seja brasileiro, nato ou naturalizado.
D) brasileiro naturalizado desde que opte, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira.
E) brasileiro nato, pois Maria é brasileira.

02. (FCC. TRE-SP. Técnico Judiciário - Área Administrativa.2017) Nos termos da Constituição Fede ral, o
filho de pai brasileiro e mãe estrangeira, nascido no exterior, será
A) estrangeiro, em qualquer hipótese.
B) brasileiro naturalízado, desde que resida no Brasil por dez anos ininterruptos, sem condenação penal,
e requeira a nacionalidade brasileira .
C) brasileiro nato, se, quando de seu nascimento, o pai estiver a se rviço da República Federativa do
Brasil.
D) brasileiro nato, desde que, quando de seu nascimento, a mãe não esteja a serviço de seu país de
origem.
E) brasileiro naturalizado, desde que registrado em repartição brasileira competente ou venha a residir
no Brasil e opte, a qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira .

HH 01 B 1 02 e 1

c} os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados
em repartição brasileira competente ou venham a residi r na Repúbli ca Federativa do Brasil e optem,
em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nQ 54, de 2007)

214
•MMiillH@ • tJil#A11=1•iíQ4# i#;t,iiMi 11•:l;Mii••ll@H
1 1 1 1 Art. 12

1. BREVES COMENTÁRIOS

A alínea, que já havia sido anteriormente alterada pela EC de Revisão 3/94, teve nova
redação dada pela EC 54/2007 que consagrou duas hipóteses para a atribuição de naciona-
lidade originária aos filhos de pais brasileiros nascidos no estrangeiro.
Na primeira, a Constituição adotou o critério sanguíneo, exigindo tão-somente o registro
na repartição brasileira competente.
Na segunda, caso os pais não tenham feito o registro, a nacionalidade brasileira poderá
ser atribuída desde que o filho de pai ou mãe brasileira (critério sanguíneo) venha a residir
no Brasil (critério residencial) e faça a opção, em qualquer tempo, depois de atingida a
maioridade, pela nacionalidade brasileira (opção confirmativa). Em virtude de seu caráter
personalíssimo, admite-se a nacionalidade provisória até os dezoito anos, quando então a
opção confirmativa passa a ser condição suspensiva da nacionalidade enquanto não for ma-
nifestada (STF - RE 418.096).
Os filhos de pai brasileiro ou mãe brasileira nascidos no estrangeiro entre 7.6.1994 e
20.9.2007 - período em que este dispositivo teve sua redação dada pela Emenda Constitu-
cional de Revisão 3/1994 - , poderão ser registrados em repartição diplomática ou consular
brasileira competente, se residentes no exterior, ou em ofício de registro, caso venham a
residir no Brasil (ADCT, art. 95).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CESPE. PC-PE. Delegado de Polícia Civil. 2016) Assinale a opção correta acerca dos direitos sociais,
dos remédios ou garantias constitucionais e dos direitos de nacionalidade
A) Será considerado brasileiro nato o indivíduo nascido no estrangeiro, filho de pai brasileiro ou de mãe
brasileira, que for registrado em repartição brasileira competente ou que venha a residir no Brasil e
opte, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira
B) A duração da jornada normal de trabalho, de, no máximo, oito horas diárias e quarenta e quatro ho-
ras semanais, não comporta exceções, no entanto a CF admite a compensação de horários mediante
acordo ou convenção coletiva de traba lho
C) De acordo com o STF, o habeas data é ação que permite ao indivíduo o direito de obter informações
relativas à sua pessoa, inseridas em repartições públicas ou privadas, podendo ser utilizado para a
obtenção de acesso a autos de processos administrativos, como aqueles que tramitam no TCU
D) A sentença em mandado de injunção gera efeitos erga omnes, alcançando, de maneira indistinta,
todos aqueles privados de exercer qua isque r direitos e liberdades constitucionais por fa lta de norma
regulamentadora
E) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por sindicatos, entidades de classe e asso-
ciações, mas não por partidos políticos, pois se destinam à defesa de interesses coletivos comuns a
determinada coletividade de pessoas

02. (CESPE. DPU. Defensor Público da União.2017) Laura, filha de mãe brasileira e pai argentino, nas-
ceu no estrangeiro e, depois de ter atingido a maioridade, veio residir no Brasil, tendo optado pela
nacionalidade brasileira . Nessa situação, a homologação da opção pela nacionalidade brasileira terá
efeitos ex tunc e Laura será considerada brasileira desde o seu nascimento.

i&H 01 A 02 e

215
Arl. 12 TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

li - naturalizados:

1. BREVES COMENTÁRIOS
A nacionalidade secundária é adquirida por um ato de vontade do indivíduo que opta,
de forma tácita (hipótese não consagrada pela Constituição de 1988) ou expressa por uma
determinada nacionalidade. Efetiva-se, em regra, com a namralização.
A Constituição de 1988 prevê duas espécies de naturalização expressa: a ordinária e a
extraordinária.

a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países
de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;

1. BREVES COMENTÁRIOS
O dispositivo consagra duas hipóteses de naturalização ordinária, cuja aquisição pode
ocorrer conforme o país de origem do interessado.
Para originários de países de língua portuguesa - Açores, Angola, Cabo Verde, Gamão,
Guiné Bissau, Goa, Macau, Moçambique, Portugal, Príncipe e Timor Leste - a própria
Constituição estabelece os requisitos: residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral.
No caso dos estrangeiros originários de outros países, a naturalização ordinária pode ser
adquirida na forma da lei. Nesse caso, as condições a serem preenchidas para a concessão da
naturalização estão contidas no artigo 66 da Lei 13.445/2017.
Em ambas as hipóteses, a concessão da naturalização é discricionária. Por se tratar de
ato de soberania estatal, não existe direito público subjetivo do estrangeiro, mesmo quando
cumpridas as exigências jurídicas, à obtenção da naturalização ordinária. No caso dos luso-
parlantes, o advérbio "apenas" ("... exigidas aos originários de países de língua portuguesa
apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral") significa a dispensa de outros
requisitos, e não a existência de um direíto subjetivo do requerente.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (MPE-MS - Promotor de Justiça - MS/2013) Sobre a nacionalidade, aponte a alternativa incorreta:
a) são brasileiros natos os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros,
desde que estes não estejam a serviço de seu país.
b) são brasileiros natos os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sej am
registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil
e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira.
e) aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros,
serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos na Constituição.
d) são brasileiros naturalizados os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto, idoneidade
moral e inexistência de condenação penal.
216
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE,1988 Art. 12

e) são brasileiros naturalizados os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Fede-


rativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram
a naciona lidade brasileira.

02. (Vunesp - Cartório -TJ - SP/2014) Assinale a alternativa correta.


a) São brasileiros natos os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que
sej am registrados em repartição brasileira competente ou venham a res idir da República Federa-
tiva do Brasil e optem, no prazo de um ano, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade
brasileira.
b) São brasileiros natos os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros,
mesmo que eles estejam a serviço de seu país.
c) São brasileiros naturalizados os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade
moral.
d) São brasileiros naturalizados os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Fede -
rativa do Brasil há pelo menos dez anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram
a nacionalidade brasileira.

Btíj 01 D 02 C 1

b) os estrangeiros de qua lquer nacionalidade, resi dentes na Repúbl ica Federativa do Brasil há
mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade
brasileira. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

1. BREVES COMENTÁRIOS

Para a naturalização extraordinária são exigidos, além do requerimento do interes-


sado, quinze anos de residência ininterrupta e ausência de condenação penal. Nesta espécie,
em virtude da expressão utilizada no dispositivo constitucional (" desde que requeiram"),
preenchidos os requisitos constitucionais, surge o direito público subjetivo à naturalização
(STF - RE 264.848).
Ao lado das espécies previstas na Constituição de 1988 (ordinária e extraordinária), a
Lei de Migração instituiu outras duas: a especial e a provisória (Lei 13.445/2017, art. 64).
A naturalização especial poderá ser concedida ao estrangeiro que for (I) cônjuge ou
companheiro, há mais de 5 anos, de integrante do Serviço Exterior Brasileiro em atividade ou
de pessoa a serviço do Estado brasileiro no exterior; ou (II) empregado em missão diplomática
ou em repartição consular do Brasil por mais de 10 anos ininterruptos. O naturalizando
deverá preencher os seguintes requisitos: I - ter capacidade civil, segundo a lei brasileira; II -
comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando; e III - não
possuir condenação penal ou estiver reabilitado, nos termos da lei (Lei 13.445/2017, ares.
68 e 69).
A naturalização provisória poderá ser concedida ao migrante criança (até doze anos
de idade incompletos) ou adolescente (entre doze e dezoito anos de idade) que tenha fixado
residência em território nacional antes de completar 10 anos de idade quando requerida
por seu representante legal. Para converter-se em definitiva, o naturalizando deve requerer
expressamente no prazo de 2 anos após atingir a maioridade (Lei 13.445/2017, art. 70).
217
Art. 12 TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Espécies de Nacionalidade

Art. 12, 1, a - Critério Territorial (Jus so/i)- São brasileiros natos os nascidos no ter-
ritório brasileiro, independentemente da origem de seus ascendentes, desde que
estes não estejam a serviço de seu país de origem.

Art. 12, 1, b - Critério Sanguíneo (jus sanguinis) + Funcional - São brasileiros natos
os nascidos no estrangeiro, de pai ou mãe brasileira, desde que qualquer um deles
esteja a serviço do Brasil.
Nacionalidade
Primária
Art. 12, 1, c - Prevê Jus sanguinis-São brasileiros natos os nascidos no estran-
{adquirida
duas hipóteses para geiro de pai ou mãe brasileiro, desde que sejam registra -
em razão do
atribuição da naciona- dos na repartição brasileira competente .
nascimento).
!idade originária .
Jus sanguinis + residencial+ opção -São brasileiros natos
os nascidos no estrangeiro de pai ou mãe brasileiro, que
não tenha sido efetuado o registro na repartição brasi-
leira competente, mas que venham a residir no Brasil e
façam a opção, em qualquer tempo, depois de atingida a
maioridade, pela nacionalidade brasileira .

Ordiná ria (Depende de Podem ser naturalizados os estrangeiros que atenderem


ato discricionário do as condições estabelecidas na Lei 13.445/2017 - Lei de
Chefe do Poder Execu- Migração
tivo).
No caso de originários de países de língua portuguesa,
a Constituição exige dois requisitos: idoneidade moral e
residência por um ano ininterrupto.

Extraordinária (Há um Podem ser naturalizados, os estrangeiros que residirem no


direito público subjeti- Brasil por mais de quinze anos e não possuam condenação
Nacionalidade
vo à naturalização). penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
Secundária
(adquirida por Concedida ao estrangeiro que for cônjuge ou companhei-
manifestação ro, há mais de 5 anos, de integrante do Serviço Exterior
de vontade). Brasi leiro em atividade ou de pessoa a serviço do Estado
Especial
brasileiro no exterior; ou empregado em missão diplomá-
tica ou em repartição consular do Brasil por mais de 10
anos ininterruptos.

concedida ao migrante criança (até doze anos de idade


incompletos) ou adolescente (entre doze e dezoito anos de
Provisória idade) que tenha fixado residência em território nacional
antes de completar 10 anos de idade quando requerida
por seu representante legal.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Vunesp - Promotor de Justiça - SP/2013-Adaptada) No que se refere à Nacionalidade: São brasileiros
naturalizados os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil
há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade
bras ileira.

HH o,
218
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 12

§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor


de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta
Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

1. BREVES COMENTÁRIOS
Aos portugueses residentes no Brasil, caso haja reciprocidade de Portugal, serão atribuí-
dos os mesmos direitos inerentes ao brasileiro naturalizado. Tal hipótese é conhecida como
quase nacionalidade, pois, apesar de manter sua nacionalidade de origem, o português é
equiparado ao brasileiro naturalizado.
A aplicação deste dispositivo não se opera de forma automática, sendo necessário, além
da aquiescência do Estado brasileiro, o requerimento do súdito português interessado, a quem
se impõe, para tal efeito, a obrigação de preencher os requisitos estipulados pela Convenção
sobre Igualdade de Direitos e Deveres entre brasileiros e portugueses (STF - Ext 890).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (VUNESP. TJ-SP. Titular de Notas e Registros - Provimento. 2016) Aos portugueses serão atribuídos
os direitos
A) inerentes ao brasileiro nato
B) inerentes ao brasileiro natural izado
C) inerentes aos do brasileiro, quando t iverem residência permanente no Brasil e havendo reciproc idade
no ordenamento português ao brasileiro
D) correspondentes aos do brasileiro nato, quando tiverem residência permanente no Brasil e havendo
reciprocidade no ordenamento português

01 e

§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos
casos previstos nesta Constituição.

1. BREVES COMENTÁRIOS
A Constituição proíbe que a lei estabeleça distinção entre brasileiros natos e naturalizados,
mas estabelece hipóteses nas quais há diferença de tratamento.
Para proteger a soberania nacional, há cargos privativos de brasileiros natos. O primeiro
critério utilizado foi a linha sucessória do Presidente da República, sendo vedado aos brasileiros
naturalizados ocupar qualquer cargo no qual houvesse a possibilidade de assumir, ainda que
temporariamente, a Presidência da República (CF, art. 12, § 3°, I a IV). O segundo, foi a
segurança nacional, impedindo-se que brasileiros naturalizados pudessem ocupar determi-
nados cargos em razão de sua posição estratégica (CF, art. 12, § 3°, V a VII).
Não é defeso ao brasileiro naturalizado ocupar uma vaga na Câmara de Deputados ou
no Senado Federal, no entanto apenas os brasileiros natos poderáa se tornar presidentes das
respectivas casas.
219
Art. 12 TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

O cargo de presidente do Conselho Nacional de Justiça , por ser exercido pelo Presidente
do STF (CF, art. 103-B, § 1°), necessariamente será ocupado por um brasileiro nato.
No Conselho da República , órgão superior de consulta do Presidente da República, são
reservados seis assentos aos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos (CF, art. 89, VII).
Para que o brasileiro naturalizado possa ser proprietário de empresa jornalística e
de radiodifusão sonora e de sons e imagens, a Constituição de 1988 exige a aquisição da
nacionalidade brasileira há mais de dez anos (CF, art. 222).
Não se admite a extradição de brasileiro nato em hipótese alguma, nem mesmo quando
o extraditando também é nacional do Estado requerente (STF - HC 83.113-MC). No caso
de perda da nacionalidade originária brasileira, contudo, deixa de existir o referido óbice
(STF - Exr 1.462/DF). A extradição de brasileiro naturalizado é admitida no caso de crime
comum praticado ames da naturalização ou de comprovado envolvimento com tráfico ilíci-
to de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei, independentemente de o crime ter sido
praticado antes ou depois da naturalização (CF, art. 5°, LI).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (CONSULTEC. TJ-BA. Conciliador. 2015) A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos
e naturalizados, salvo nos casos excetuados na Constituição, diretamente

01 E

§ 3Q São privativos de brasileiro nato os cargos:

1- de Presidente e Vice-Preside nte da República;

li - de Presidente da Câmara dos Deputados;

Ili - de Presidente do Senado Federal;

IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;

V - da carreira diplomática;

VI - de oficial das Forças Armadas.

VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela Emenda Constitucional n!! 23, de 1999)

L BREVES COMENTÁRIOS
Ver comentário ao dispositivo anterior.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS
01. (CESPE. TRE-PE. Analista Judicário - Área Adminastrativa.2017) O brasileiro naturalizado
A) poderá ocupar o cargo de presidente do Senado Federal.
B) poderá ocupar o cargo de ministro de Estado da Defesa.
C) não poderá ocupar cargo da carreira diplomática.
D) perderá a nacionalidade brasileira no caso de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei
estrangeira.
E) poderá ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.
220
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Df1988 Arl. 12

02. (FGV. TRT-12. Analista Judiciário -Área Judiciária.2017) Roberto nasceu no território brasileiro quan-
do seus pais, Antônio e Joana, cidadãos franceses, aqui se encontravam pelo período de dois meses
em gozo de férias. Logo após o nascimento, foi levado pelos pais para a França, somente retornando
ao Brasil 30 anos depois. Ao retornar, teve grande afeição pela cultura brasileira e decidiu que iria
candidatar-se ao cargo de Presidente da República tão logo alcançasse a idade exigida. À luz da sis-
temática constitucional, é correto afirmar que a futura candidatura de Roberto, caso observados os
demais requisitos exigidos
A) é possível, por ser brasi leiro nato.
B) é possível, desde que renuncie à nacionalidade francesa.
C) é possível, desde que se naturalize brasileiro.
D) é possível, se optou pela nacionalidade brasileira até os dezoito anos.
E) não é possível, por ser estrangeiro.

03. (CESPE. PJC-MT. Delegado de Polícia Substituto.2017) O boliviano Juan e a argentina Margarita são
casados e residiram, por alguns anos, em terri t ório brasileiro. Durante esse período, nasceu, em
território naciona l, Pablo, o filho deles. Nessa situação hipotética, de acordo com a CF, Pablo será
considerado brasileiro
A) naturalizado, não podendo vir a ser ministro de Estado da Justiça.
B) nato e poderá vir a ser ministro de Estado da Defesa.
C) nato, mas não poderá vir a ser presidente do Senado Federal.
D) naturalizado, não podendo vir a ser presidente da Câmara dos Deputados.
E) naturalizado e poderá vir a ocupar cargo da carreira diplomática.

01 C 02 A 03 B

§ 4Q Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:

1. BREVES COMENTÁRIOS

As hipóteses de perda do direito de nacionalidade enumeradas neste dispositivo são


exaustivas, não sendo admitidos acréscimos ou supressões por lei infraconstitucional (STF
- HC 83.113-MC). Com o advento da EC 45/2004, tornou-se possível a inovação nesse
tema veiculada por tratado internacional de direitos humanos, desde que aprovado por 3/5
dos membros de cada Casa do Congresso Nacional e em dois turnos de votação (CF, art.
5°, § 3°).
A competência para processar e julgar as causas que envolvam a perda da nacionalidade
é da Justiça Federal (CF, art. 109, X).

1- t iver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao
interesse nacional;

l. BREVES COMENTÁRIOS
A declaração da perda da nacionalidade em ação de cancelamento de naturaliz ação
produz efeito ex nunc (não retroativo) e tem natureza sancionatória (perda-punição). A na-
cionalidade perdida não pode ser recuperada, salvo se o cancelamento da naturalização for
desfeito em ação rescisória.
221
Art. 12 TÍTULO li - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Não há nenhuma referência legislativa ao que seja uma atividade nociva ao interesse
nacional. A ausência de regulamentação legal, no entanto, não pode ser considerada como
um obstáculo à aplicação deste dispositivo, o que representaria um verdadeiro retrocesso nos
avanços conquistados no campo da normatividade constitucional.
Nos termos do artigo 75 da Lei nº 13.445/2017, a perda da nacionalidade somente po-
derá ocorrer após o trânsito em julgado da decisão, a qual deverá levar em coma o risco de o
indivíduo ficar desprovido de nacionalidade (situação de apatridia).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC. PGE-MT. Procurador Estadual. 2016) Juliana, brasileira nata, obteve a nacionalidade norte-a-
mericana, de forma livre e espontânea. Posteriormente, Juliana fora acusada, nos Estados Un idos da
América, da prática de homicídio contra nacional daquele pa ís, f ugindo para o Brasil. Tendo ela sido
indiciada em conformidade com a legislação loca l, o governo nor te-americano requereu às autori-
dades brasileiras sua prisão para fins de extradição. Neste caso, à luz da Constituição Federal e da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, Juliana ,
A) poderá ser imediatamente extraditada, uma vez que a perda da naciona lidade brasileira neste caso
é automática
B) não poderá ser extraditada, por continuar sendo brasileira nata, mesmo tendo adquirido nacionalidade
norte-americana
C) poderá ter cassada a nacionalidade brasile ira pela autoridade competente e ser extraditada para os
Estados Unidos para ser julgada pelo crime que lh e é imputado
D) não poderá ser extraditada, pois, ao retornar ao território brasileiro, não poderá ter cassada sua
nacionalidade brasileira
E) não poderá ser extraditada se optar a qualquer momento pela nacionalidade brasileira em detrimento
da norte-americana

02. (FCC. DPE-SC. Defensor Públíco.2017) Sobre o tema da nacionalidade na Constituição Federa l de
1988, é correto afirmar
A) Aos portugueses com residência permanente no País, ainda que não houver reciprocidade em favor
de brasileiros, serão atribuíd os os direitos in erentes ao brasileiro, salvo os casos previstos na Consti-
tuição .
8) São brasileiros naturalizados os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Fe-
derativa do Brasil há mais de cinco anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que req ueiram
a nacionalidade brasileira .
C) É privativo de brasileiro nato o cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça.
D} Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que tiver cancelada sua naturalização, por
sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.
E) São brasil eiros natos nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pai