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AULA Nº 01 – CORRENTE ELÉTRICA PROFESSOR LEONARDO 1

1. 1 - Estrutura da Matéria – Carga Elétrica


A matéria é constituída por átomos que são estruturados basicamente a partir de três partículas
subatômicas (já foram detectadas mais de 200 partículas) que são, nesse momento, de nosso
interesse. As partículas que veremos a seguir são: prótons, nêutrons e elétrons.
Em um átomo, temos uma parte muito densa no centro, chamado de núcleo, onde estão os
prótons e os nêutrons. E, uma região periférica denominada de eletrosfera onde os elétrons
descrevem órbitas elípticas em torno do núcleo, semelhante ao movimento dos planetas em torno
do sol (figura 1.1). (ver animação do slide 1 da aula1.ppt que está em anexo)

Figura

Através de experiência comprovou-se que próton repele próton, elétron repele elétron e para os
nêutrons, não se constatou nenhuma manifestação de interação, qualquer que seja a partícula
que dele de se aproxima, mas entre prótons e elétrons verificou-se que ocorria atração. Então,
concluiu-se que prótons e elétrons apresentavam uma propriedade que não se manifestava nos
nêutrons e a essa propriedade deu-se o nome de carga elétrica. E, por convenção, o próton ficou
com carga elétrica positiva(+) e o elétron com carga elétrica negativa(-).
Um átomo eletricamente neutro tem o número de prótons=número de elétrons, mas se perder 1
ou mais elétrons, apresentará a propriedade elétrica e ficará eletricamente positivo, mas se
receber 1 ou mais elétrons ficará eletricamente negativo.

1.2 - Lei de Du Fay (Charles François de Cisternay Du Fay)


‘‘corpos com cargas de mesmo sinal repelem-se e corpos de cargas de sinais contrários atraem-
se’’

1.3 – Quantidade de Carga Elétrica (Q)


Q = n. e Unidade de carga elétrica → Coulomb
Onde: n é o número de portadores de carga, ou seja, o número de elétrons em excesso (corpo
eletrizado negativamente) ou em falta (corpo eletrizado positivamente).
e = carga elementar = 1,6.10-19 C → menor quantidade de carga livre encontrada na natureza.
Carga do próton = +1,6.10-19 C
Carga do elétron = -1,6.10-19 C
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1.4 – Condutores e Isolantes
Condutor elétrico é todo meio que permite a movimentação de cargas no seu interior e se isso
não puder ocorrer o meio é dito isolante ou dielétrico. Os condutores elétricos são os metais e
nestes os elétrons mais afastados do núcleo estão fracamente ligados a ele e podem se mover
pelos espaços interatômicos. Estes elétrons são chamados de elétrons livres e são os
responsáveis pela condução de eletricidade nos metais.Na prática, não existem condutores e
isolantes perfeitos, mas sim bons condutores, como os metais e a grafite, e bons isolantes como a
mica e a ebonite.

1.4.1 – Classificação dos materiais condutores:


a) Primeira classe: Condutores Metálicos
Nesses condutores, temos a ligação metálica, que se caracteriza pela formação de uma rede
cristalina e de uma nuvem eletrônica constituída por elétrons quase livres, que são os mais
afastados do núcleo, que apresentam fraca energia de ligação com o átomo e são chamados de
elétrons livres. São esses elétrons os portadores de carga nos metais em geral: Ferro, Níquel,
Cromo, Alumínio, Prata, Cobre e outros.

b) Segunda classe: Condutores Eletrolíticos


As soluções eletrolíticas têm os íons positivos e os negativos como portadores livres de carga
elétrica.

c) Terceira classe: Condutores Gasosos


Normalmente um gás é isolante. No entanto, a ação de um forte campo elétrico pode ionizá-lo,
formando, como portadores livres, íons positivos e elétrons. (Ex. Lâmpada de Mercúrio)

1.5 - Corrente Elétrica


É todo movimento ordenado de cargas elementares provocado por uma diferença de potencial. As
cargas elétricas que constituem a corrente elétrica são os elétrons livres, no caso do sólido, e os
íons, no caso dos fluídos(líquidos ou gases).
Link para visualização: http://br.geocities.com/saladefisica3/laboratorio/corrente/corrente.htm

1.5.1 - Intensidade Média da Corrente Elétrica


Seja Q o valor absoluto da carga elétrica que atravessa a secção transversal de um
condutor, num certo intervalo de tempo Δt. A intensidade média da corrente elétrica é Q
dada por: i=
Δt
Sendo n o número de elétrons que constituem a carga elétrica Q e a carga elétrica elementar
(e=1,6.10-19 C), temos: Q = n.e, então:
n.e
i=
Δt

*** Velocidade da Corrente Elétrica(v)


i
i = N.A.v.e → v = ⇒ este valor é próximo de 1,0 mm/s
N.A.e
sendo:
N = número de elétrons livres/unidade de volume do fio
A = Área da seção transversal

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e = carga elementar
1.5.2 – Sentidos da Corrente Elétrica
Sentido Convencional: é o sentido contrário ao movimento dos elétrons (do positivo para
o negativo de um gerador);
Sentido Real: é o sentido do movimento dos elétrons (do negativo para o positivo de um
gerador).

1.6 - Tipos de correntes:


a) eletrônica: movimento ordenado de elétrons (ocorre em condutores sólidos, principalmente
metais).
b) iônica: movimento dos íons(vide figura 1.2).

Q+ + Q−
i=
Δt

onde: |Q+|→ módulo da carga dos íons positivos;


|Q-|→ módulo da carga dos íons negativos;

1.7 - Corrente contínua


É aquela cujo sentido se mantém constante. Ex: corrente de uma bateria de carro, pilha, etc.

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1.8 - Corrente alternada
É aquela cujo sentido varia alternadamente. Ex: corrente elétrica usada nas residências.
Na rede elétrica do Brasil a corrente inverte seu sentido e retorna ao sentido original 60 vezes por
segundo. Por isso dizemos que a corrente oscila com 60 Hz (Hertz) de freqüência. Em outros
países, as freqüências da corrente alternada podem ser diferentes. No Paraguai, a freqüência é
de 50 Hz, ou seja, a corrente muda de sentido e volta 50 vezes por segundo. No momento em
que a corrente inverte no sentido seu valor é zero, como mostra o gráfico a figura ao lado. Isso
significa que todos os aparelhos se desligam por um tempo muito curto 120 vezes por segundo.

Gráfico da voltagem em função do tempo em corrente alternada

1.9 - Efeitos da corrente elétrica


A passagem da corrente elétrica através dos condutores acarreta diferentes efeitos, dependendo
da natureza do condutor e da intensidade da corrente. É comum dizer-se que a corrente elétrica
tem cinco efeitos principais: térmico (ou Joule), químico, magnético, luminoso e fisiológico.

1.9.1 - Efeito térmico ou Efetio Joule: O efeito térmico, também conhecido como efeito Joule, é
causado pelo choque dos elétrons livres contra os átomos dos condutores. Ao receberem energia,
os átomos vibram mais intensamente. Quanto maior for à vibração dos átomos, maior será a
temperatura do condutor. Nessas condições observa-se, externamente, o aquecimento do
condutor. Esse efeito é muito aplicado nos aquecedores em geral, como o chuveiro. Em um
chuveiro, a passagem da corrente elétrica pela “resistência” provoca o efeito térmico ou efeito
Joule que aquece a água. Qualquer condutor sofre um aquecimento ao ser atravessado por uma
corrente elétrica. Nos condutores se processa a transformação da energia elétrica em energia
térmica. Esse efeito é à base de funcionamento dos aquecedores elétricos, chuveiros elétricos,
secadores de cabelo, lâmpadas térmicas, ferro de passar, ferro de soldar, sauna, etc.

1.9.2 - Efeito químico: O efeito químico corresponde aos fenômenos elétricos nas estruturas
moleculares, objeto de estudo da eletroquímica. Caracteriza-se pela dissociação de uma
substância química através de uma diferença de potencial (ddp). Ao se estabelecer uma ddp em
eletrodos imersos numa solução eletrolítica, produz-se um efeito químico denominado eletrólise. É
muito aplicado, por exemplo, no recobrimento de metais (niquelação, cromação, prateação, etc).
A exploração desse efeito é utilizada nas pilhas, na eletrólise.

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1.9.3 - Efeito magnético: O efeito magnético é aquele que se manifesta pela criação de um
campo magnético na região em torno da corrente. A existência de um campo magnético em
determinada região pode ser constatada com o uso de uma bússola: ocorrerá desvio de direção
da agulha magnética. Este é o efeito mais importante da corrente elétrica, constituindo a base do
funcionamento dos motores, transformações, relés, etc.

1.9.4 - Efeito luminoso: Também é um fenômeno elétrico em nível molecular. A excitação


eletrônica pode dar margem à emissão de radiação visível, tal como observamos nas lâmpadas
fluorescentes. E, determinadas condições, a passagem da corrente elétrica através de um gás
rarefeito faz com que ele emita luz. As lâmpadas fluorescentes e os anúncios luminosos são
aplicações desse efeito. Neles há transformação direta de energia elétrica em energia luminosa.

1.9.5 - Efeito fisiológico: O efeito fisiológico corresponde à passagem da corrente elétrica por
organismos vivos. A corrente elétrica age diretamente no sistema nervoso, provocando
contrações musculares; quando isso ocorre, dizemos que houve um choque elétrico. A condição
básica para se levar um choque é estar sob uma diferença de potencial (d.d.p), capaz de fazer
com que circule uma corrente tal que provoque efeitos no organismo. O pior caso de choque é
aquele que de origina quando uma corrente elétrica entra pela mão de uma pessoa e sai pela
outra. Nesse caso, atravessando o tórax da ponta a ponta, ela tem grande chance de afetar o
coração e a respiração. O valor mínimo de intensidade de corrente que se pode perceber pela
sensação de cócegas ou formigamento leve é 1 mA(miliampère). Entretanto, com uma corrente
de intensidade 10 mA, a pessoa já perde o controle dos músculos, sendo difícil abrir a mão e
livrar-se do contato (tetanização). O valor mortal está compreendido entre 10 mA e 3 A,
aproximadamente. Nesses valores, a corrente, atravessado o tórax, atinge o coração com
intensidade suficiente para modificar seu ritmo (fibrilação ventriculada).

a) Cada efeito fisiológico que o choque elétrico produz no ser humano:


TETANIZAÇÃO : é a paralisia muscular provocada pela circulação de corrente através dos
nervos que controlam os músculos. A corrente supera os impulsos elétricos que são
enviados pelo cérebro e os anula, podendo bloquear um membro ou o corpo inteiro, e de
nada vale neste caso a consciência do indivíduo e a sua vontade de interromper o contato.

PARADA RESPIRATÓRIA : quando estão envolvidos na tetanização os músculos dos


pulmões, isto é, os músculos peitorais são bloqueados e pára a função vital da respiração.
Isto se trata de uma grave emergência, pois todos nós sabemos que o ser humano não
agüenta muito mais que 2 minutos sem respirar.

QUEIMADURAS : a corrente elétrica circulando pelo corpo humano é acompanhada pelo


desenvolvimento de calor produzido pelo Efeito Joule, podendo produzir queimaduras em
todos os graus. As queimaduras produzidas pela corrente são profundas e de cura mais
difícil, podendo causar a morte por insuficiência renal.

FIBRILAÇÃO VENTRICULADA : a corrente atingindo o coração, poderá perturbar o seu


funcionamento, os impulsos periódicos que em condições normais regulam as contrações e
as expansões são alterados e o coração vibra desordenadamente. A fibrilação é um
fenômeno que se mantém mesmo depois do descontato do indivíduo com a corrente, só
podendo ser anulada mediante o emprego de um equipamento conhecido desfibrilador.

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Quadro – Resumo
Corrente elétrica (A) Efeitos fisiológicos

10-3 à 10-2 (1 mA à 10 mA) Princípio da sensação de choque

Ponto em que um estímulo é suficiente


para produzir um efeito doloroso; paralisia
10-2 à 10-1 (10 mA à 100 mA)
muscular, dor severa dificuldade
respiratória; parada cardíaca

Fibrilação ventricular normalmente fatal


10-1 à 2x10-1 (100 mA à 200 mA)
se não houver intervenção

Parada cardíaca, recuperação possível


-1
2x10 à 1 (200 mA à 1 A) desde que o choque seja terminado antes
da morte

Queimaduras graves e não fatais, a


1 A à 10 A menos que os órgãos vitais tenham sido
atingidos

Exercício Resolvido: Um fio de cobre, de área de seção transversal 5,0.10-3 cm2, é percorrido
por uma corrente contínua de intensidade 1,0 A. Adotando a carga elementar 1,6.10-19C,
determine:
a) o número de elétrons passando por uma seção transversal do condutor em 1,0 s;
b) a velocidade média dos elétrons, sabendo que existem 1,7.1022 elétrons livres/cm3.
Solução:
a) A= 5,0.10-3 cm2
i = 1,0 A n.e n.1,6.10 −19 1 .1
i= ⇒ 1= ⇒n=
Δt=1,0 s
-19
Δt 1 1,6.10 −19
e = 1,6.10 C
18
n = 6,25.10 elétrons por segundo.

i 1,0
b) sendo v = ⇒v= ⇒ v ≅ 0,074 cm / s ≅ 0,74 mm / s
N.A.e 1,7.1022.5,0.10 −3.1,6.10 −19

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