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Nº 48

26AGO2017

Adm: VM Fabiano Ricardo Malaghini


Comissão de Ritualística e Desenvolvimento de Estudos e Pesquisas Maçônicas
GOB – GOSP - Oriente de Sorocaba – ARLS 4048

AVENTAL DO VM – TAU INVERTIDO OU NÍVEL?

Para desenvolvermos este estudo vamos utilizar, como base, os escritos


de Francisco de Assis Carvalho (Xico Trolha), trabalhos meticulosamente ela-
borados. As imagens não fazem parte do material original pesquisado.

Na Maçonaria Moderna, com o surgimento do costume de instalar o


Mestre da Loja, baseado no ritual de instalação do rei no trono inglês, criava-
se mais uma lenda maçônica. Essa nova prática também abrangeu a ornamen-
tação do avental do novo título distintivo denominado Mestre Instalado. Assim
no lugar das três rosetas do avental do Mestre Maçom, no do Mestre da Loja
(Venerável) foram introduzidas as figuras simbólicas da Perpendicular (Prumo)
sobre uma linha horizontal (Nível), erroneamente chamados de “Taus Inverti-
dos”. É conveniente relembrar que a letra Tau nunca fez parte do ideário da
Maçonaria, muito menos o emblema de ponta cabeça.

A primeira referência histórica que se tem sobre o uso dos “Taus Inver-
tidos”, que os ingleses chamam “Níveis”, é um mandado da Grande Loja Unida
da Inglaterra, datando de 1814, em que se descreve de que maneira deviam
ser colocados os “Níveis” sobre o avental.

Considerando que a simbologia utilizada pela Maçonaria Simbólica é ba-


seada na Maçonaria Operativa, sendo o avental um deles. O Primeiro Vigilante,
tem como símbolo o Prumo; o Segundo Vigilante o Nível e o Venerável Mestre
o Esquadro. O que parece com um Tau, na verdade é um tipo de esquadro,
conhecido em inglês como “T-Square”, em português “Esquadro T”, ou ainda
“Régua-tê”, o qual além de possibilitar desenhos de ângulos retos, é necessário
para desenhar paralelas

Ao equívoco de chamar esses símbolos de “Taus Invertidos”, surgiram


outras interpretações para eles, tais como: de ser um malhete e até mesmo o
martelo mitológico de Thor.

Para o avental do “Past Master”, o Mestre Instalado Passado, as figuras


do “nível” recebem uma cobertura bordada em azul, cuja finalidade é apenas
a de diferenciar no avental aquele que está no exercício do veneralato da loja
daquele que já exerceu o cargo.

Em termos de Maçonaria inglesa, não são as fitas presas com adornos


no avental que identificam o Mestre Instalado, mas as representações do “ní-
vel-prumo”, já que encontramos Mestres cujo avental possui o adorno das fitas
e borlas, porém essas em conjunto com as três rosetas azuis.

No Sistema Francês predominam os “Ritos”, na Inglaterra não são assim


reconhecidos, são denominados de “Trabalhos”, os aventais com adornos de
sete bolinhas são privativos de Mestres e não possuem o adorno das fitas e
pequenas esferas, nem franjas, bem como inexiste a figura do Mestre Insta-
lado, muito embora, no Brasil, apesar de o REAA ser filho da França, é adotado
equivocadamente o Cerimonial de Instalação, levando muitos Irmãos a acredi-
tarem que Mestre Instalado é uma espécie grau maçônico.

Na França existe apenas a figura do Venerável e do ex-Venerável, nunca


a do Mestre Instalado e, em termos ornamentação dos aventais, eles são iguais
aos ingleses, a despeito de que alguns ritos, como é o caso do REAA as fitas são
vermelhas, pingentes esféricos dourados e os adornos simbólicos “nível-
prumo” também na cor de ouro, de acordo com o regulamen-
tado pela Convenção de Lausanne, Suíça, em 1875.

Carvalho (2016, p. 124-125) aponta que a Grande Loja Unida da Ingla-


terra (GLUI) em 1814 descreve como o “nível” deveria ser colocado sobre os
aventais: “Os níveis eram para ser feitos de galões, de meia polegada (6,35),
dispostos em linhas perpendiculares, sobre linhas horizontais, deste modo for-
mando 3 linhas diversas de 2 ângulos retos”. Esses níveis eram de 2,5 polega-
das cada, de profundidade, por 1 polegada de altura.

O que, realmente existiu e ainda existe são aventais


contendo três níveis maçônicos estilizados. Sendo uma per-
pendicular que se assenta sobre uma régua-curta, que está
Nível e Prumo
na horizontal.

Os níveis maçônicos nos aventais surgiram entre 1830 e 1850. Até esse
período não se usava o “Tassel”, fitas paralelas terminadas em borlas, como
temos atualmente. Surgiram em 1850, após a união, em 27/12/1813, das duas
Grandes Lojas rivais (Modernos e Antigos), e da unificação dos Rituais em 1816.

Os aventais eram presos à cintura por um cordão com


uma borla na ponta, davam uma
volta e eram amarrados à frente
por sob a abeta e as pontas (bor-
las), e deixadas pendentes sepa-
radamente, conforme vemos na
figura ao lado, no avental de Sir
James Thornhill (1675 – 1734), o
1º Grande Vigilante, da Grande Loja de Londres e
Westminster.
Avental com as borlas na frente
Essas borlas, como o tempo, foram trans-
formadas em uma fita com sete pingentes de prata, em cada lado do avental,
essa forma está na Maçonaria Inglesa até hoje e em diversos outros países que
praticam o Rito de Emulação.
A Regra 269, publicada em 1816 pela Grande Loja Unida da Inglaterra,
estabeleceu as cores e medidas para os seus aventais, e até a presente data
não foi alterada. A Comissão criada para definir o novo Ritual fixou que:

 O “Entered Aprendice” (Aprendiz): ao ser admitido como mem-


bro, recebe uma pele de carneiro lisa, de 14 a 16 polegadas de
comprimento e de 12 ou 14 polegadas de largura, branca, sem or-
namentos, com um cordão e uma abeta.
 O “Fellow Craft” (Companheiro): recebe uma pele igual àquela
que recebe o Aprendiz, com as mesmas dimensões, porém acres-
cida de duas rosetas de cor azul celeste.
 O “Master Mason” (Mestre Maçom): igual ao Companheiro, só
que orlado e forrado de azul celeste, com três rosetas da mesma
cor do forro, e um cordão azul com borlas nas pontas.
 Os Oficiais: devem ter bordados os emblemas do cargo, em prata
e branco, cercado por um círculo, contendo ainda, o nome da Loja,
no centro do avental.
 Masters e Past Masters: o avental é o mesmo do Mestre Maçom,
mas tendo as rosetas substituídas por uma fita
em azul celeste, saída de sob a abeta e caída
perpendicularmente sobre talas de prata (isto é,
dois níveis de prata, no corpo do avental, e ou-
tro sobre a abeta), tendo em suas extremidades dois conjuntos de
esferas de prata.

Como foi visto, não se pode falar em “Tau Inver-


tido”, mas sim em Nível para o avental do Venerável Mes-
tre do REAA, no GOB.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASLAN, Nicola. Estudos maçônicos sobre o simbolismo. São Paulo: Ed.


Aurora, 1978. 195 p.

CÂNDIDO, Guilherme. Avental de Mestre no REAA: azul ou vermelho?


3 de fev. 2016. Disponível em: https://pavimentomosaico.word-
press.com/2016/02/03/avental-de-mestre-no-reaa-azul-ou-vermelho/.
Acesso em 25 de ago. 2017.

CARVALHO, Francisco de Assis. Símbolos maçônicos e suas origens. 3ª ed.


Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2009. 234 p, vol. I. Cadernos de Estudos Maçôni-
cos.

CARVALHO, Francisco de Assis. Símbolos maçônicos e suas origens. 2ª ed.


Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2016. 188 p. vol II. Cadernos de Estudos Maçôni-
cos.

JUK, P. Sete bolinhas do avental do Venerável. In JB News – Informativo


nº 737, 2 de set. 2012. Disponível em: Disponível em: http://iblanchier3.blogs-
pot.com.br/2012/09/sete-bolinhas-do-avental-do-veneravel.html. Acesso em:
21 de ago. 2017.