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AQUISIÇAO

Estágios da Memória
O capítulo anterior ocupou—se do modo como a infor— capítulo enfoca experimentos que refletem principal—
mação entra e é mantida e a sua manutenção em estado mente um dos processos. Entretanto, como mostram os
ativo na memória de trabalho. Esses três próximos capí— capítulos, em alguns casos o interesse está na interação
tulos discutirão o curso subseqüente da informação atra— entre os processos — por exemplo, como a maneira pela
vés da memória. Este capítulo preocupa—se com a aqui— qual codificamos um dado material durante seu estudo,
sição — ou seja, como uma representação permanente determina as melhores condições de recuperação des-
da informação é codificada e como esse registro é forta— te; como diferentes tipos de registros de memória de-
lecido. O Cap. 7 erifoca a retenção — ou seja, como a clinam a taxas diferentes; como a aprendizagem de um
informação é mantida na memória. O Cap. 8 examina a tipo de material pode acarretar o esquecimento de ou-
recuperação — como a informação é recuperada da me— tro; de que maneira diferentes condições de recupera—
mória quando necessária. Essa organização obedece à ção apresentam diferentes montantes de esquecimen—
perspecõva clássica proposta por Melton (1963), na qual to, e assim por diante.
a memória é dividida nesses três processos. Opresente capítulo erifoca duas questões fundamen—
Não é possível estudar apenas um desses três pro— tais. Em primeiro lugar, empregamos uma perspectiva
cessos isoladamente. Qualquer experimento envolve a funcional e perguntamos o que determina quão bem al—
aquisição inicial de material, seguida de um intervalo guma coisa é lembrada. Em segundo, adotamos uma
mínimo de retenção, que, por sua vez, é seguido por perspectiva estrutural e perguntamos como conceber as
um teste que exige recuperação da informação. Cada mudanças subjacentes à formação de memórias.

Oprocesso da memória pode sei dividido em vês estâcjlos. aquisição, amiazenainento e recuperação.

I?rática e força do Traço


Segundo o provérbio, a prática leva à perfeição. Grande associações pareadas, tal como mostra a velocidade de
parte da pesquisa em psicologia tem-se dedicado a estu— recuperação.
dar como a memória se aprimora com a prática. Consi— Existem outras maneiras pelas quais os sujeitos exi-
dere uma tarefa de associações pareadas simples. Em um bem aprimoramento da memória com prática adicional
experimento por mim conduzido (Anderson, 1981), eram após terem se mostrado capazes de evocar a memória.
apresentadas aos sujeitos 20 associações pareadas, tais Como discutimos no Cap. 1, Ebbinghaus e outros desco—
como o par dog—3. Solicitava—se aos sujeitos que apreen— briram que praticar um item após tê—lo aprendido resul-
dessem os pares de modo a evocarem 3 quando incita— ta em melhora de desempenho, comprovado em um teste
dos por dog. Foram dadas sete oportunidades de estudo de retenção aplicado posteriormente. Ebbinghaus usou
da lista de associações pareadas. A Fig. 6.In mostra como uma medida de economia, que envolvia observar quão
os fracassos da evocação diminuíram como função da mais rapidamente a lista era reaprendida no dia seguin—
quantidade da prática. Os sujeitos falharam na evocação te, após variados montantes de prática. Como a Fig. 1.2
de cerca de 47% dos itens e terminaram fracassando na mostrou, Ebbinghaus foi capaz de reaprender a lista cada
evocação de 5% dos itens. A Fig. 6.1b mostra o tempo vez mais rápido a cada dia subseqüente.
que os sujeitos levaram para evocar as respostas certas; a Freqüentemente se supõe que curvas de aprendiza—
velocidade da evocação da memória aumentava regular— gem como as mostradas nas Figs. 1.2 ou 6.1 refletem o
mente com a prática. Assim, mesmo após os sujeitos te— crescimento na força de um traço que codifica a memó—
rem alcançado o ponto de evocação das associações pa— ria. Os capítulos anteriores empregaram o conceito de
readas, a prática adicional aprimorou sua memória para força na explicação do fenômeno do condicionamento.
0,5 — 2,2 —

0,4-

O - 1,8 —

O
E
1 ,6 —
0,1 —

1,4

Ensaios 6o prática Ensaios de prática


(a) (b)

Fig. 6.1 (a) Probabilidade de evocação e kb) tempo de evocação das associações pareadas como função do montante de prática. (De Ander-
son, 1981.)

Por exemplo, na teoria Rescorla— Wagner, a força das as— The sailor shot the barber. (O marinheiro atirou no bar—
sociações de EC—ENC aumenta com a repetição. Nesses beiro.)
capítulos anteriores observamos que os pesquisadores
Um teste de reconhecimento de memória foi aplicado
constantemente pensaram na força do condicionamen—
para testar a memória dos sujeitos para essas sentenças.
to em termos da força das conexões sinápticas. O Cap. 2,
Após terem memorizado as sentenças, solicitou—se aos
por exemplo, discutiu a regra de aprendizagem delta, uma
sujeitos que as discriminassem das sentenças que eles
personificação neural da teoria Rescorla-Wagner. Muitas não haviam estudado mas que eram compostas pelas
vezes, o conceito de força recebe interpretações neurais mesmas palavras. Alguns exemplos desse tipo de sen—
similares na memória humana. tença são:
Muitas pesquisas têm se dedicado a estudar a maneira
como se dá o aprimoramento da memória com montan— The doctor touched the barber. (O médico tocou o bar—
tes maciços de prática. Uma vez que os sujeitos alcançam beiro.)
níveis quase—perfeitos de evocação, quando mensurados The radical shot the lawyer. (O radical atirou no advo—
pelo percentual de respostas corretas, o tempo gasto para gado.)
recuperar a memória é geralmente usado como a medida
Os sujeitos tinham de pressionar um botão se uma sen—
dependente, por ser particularmente sensível às diferen—
tença-teste tivesse sido estudada, e outro botão em caso
ças entre níveis elevados de força. Em um experimento
contrário; a velocidade com que os sujeitos eram capa—
(Pirolli & Anderson, 1985), os sujeitos praticaram a me—
zes de fazer esse julgamento de reconhecimento foi en—
mória para sentenças durante 25 dias, 2 horas por dia. Du—
tão mensurada. Os sujeitos levaram 25 dias praticando
rante esse tempo, eles praticaram 15 sentenças, tais como
esses julgamentos e, dessa maneira, praticando as sen—
The doctor hated the lazer. (O médico odiava o advo— tenças. A Fig. 6.2o mostra como o tempo de reconheci—
gado.) mento diminuiu com o montante de prática. A melhora
The radical touched the dekutante. (O radical tocou a foi rápida nos primeiros dias, mas a taxa de aprimora—
debutante.) mento diminuiu com o montante de prática.

As memórias conónuarn a aumentar na força com a píàóca, mesmo apôs a evocação ser perfeita.

Lei de Potência da Aprendizagem responder como função dos dias de prática, fosse plotado
Curiosamente, as curvas de aprendizagem como as exi— o logaritmo do tempo para responder como função do
bidas na Fig. 6.2s apresentam forma matemática similar. logaritmo dos dias de prática (logaritmos naturais são
Esta forma é revelada se, em vez de plotar o tempo para usados ao longo desta seção, embora outros tipos de
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