1

CAMES
Os mecanismos de cames são usados quando se
deseja dar a uma peça movimentos não uniformes e
ou intermitentes, a partir de um movimento de
rotação simples ou oscilatório.

O mecanismo de came, normalmente, consiste de
um came e de um seguidor, além, da estrutura que
é o elemento fixo do mecanismo.

As figuras 1; 2 e 3, representam os tipos básicos de
cames.

Movimento do Came
Movimento
do Seguidor

Movimento do Came
Movimento
do Seguidor



Movimento
do Seguidor
Movimento do Came


Figura 1
Figura 2
Figura 3
2
Ao observarmos as figuras anteriores, é possível
notar que o movimento do seguidor é função do perfil
do came.

Aplicação dos Cames
O campo de aplicação dos cames é muito extenso:
1. Em máquinas operatrizes para posicionamento
de ferramentas;
2. Máquinas de fiação e tecelagem;
3. Máquinas de embalagem;
4. Motores de combustão interna;
5. Etc.

A figura 4 mostra a aplicação de cames em um
motor de combustão interna.
Procedimentos fundamentais para a
determinação do perfil de um Came com
seguidor
Para determinar o perfil de um came é necessário
conhecer as características do movimento do
seguidor com relação ao movimento do came.

Devemos lembrar, que este tipo de mecanismo tem
por característica a repetição de movimentos assim,
para determinar o perfil de um came basta conhecer
o movimento em um ciclo.

De uma forma mais direta, podemos dizer que é
necessário conhecer do seguidor:
• A posição inicial no ciclo (que deve coincidir
com a posição final);
• Características do percurso a ser efetuado,
tais como direção e quantidade;
• As características do movimento, tais como
velocidade, aceleração, etc.

Com relação ao came, devemos conhecer:
• O movimento angular para cada percurso do
seguidor e
Figura 4
3
• A posição relativa entre o centro de rotação do
came e o eixo do seguidor.

Antes de desenvolvermos uma técnica para
determinar o perfil de um came, vamos apresentar
um exemplo. Neste exemplo, temos as seguintes
características do seguidor:
• A partir da posição inicial ele sobe 20 mm
enquanto o came gira 120
o
.
• Descansa nesta posição nos próximos 120
o
de
rotação do came.
• Volta a posição inicial durante os últimos 120
o
.
• O seguidor possui na extremidade um rolete
cujo diâmetro é de 16 mm.
• Os movimentos do seguidor são feitos com
velocidade constante (curva de deslocamento
em linha reta)

As características do came são:
• O centro de rotação está contido na linha de
deslocamento do seguidor.
• O seu diâmetro mínimo é de 40 mm.

Como foi nas características do seguidor, o
movimento deve ser feito com velocidade constante,
isto é ao longo da subida, ou da descida, a variação
de posição do seguidor é função linear da posição do
came.

Se traçarmos um gráfico que relaciona o movimento
do seguidor com o movimento do came, iremos obter
uma curva semelhante a da figura 5.
deslocamento do seguidor
0
5
10
15
20
0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 330 360
ângulo da came
d
e
s
l
o
c
a
m
e
n
t
o

d
o

s
e
g
u
i
d
o
r

Com este diagrama de deslocamento é possível
traça o perfil do came que está representado na
figura 6.

Neste came são feitas algumas indicações
importantes:
1. Ponto Diretor – ponto de inicio do traçado do
perfil do came
4
α
1
2
0
°
1
2
0
°
120°
Ponto Crítico
Perfil do Came
repouso
Curva Primitiva
do Came
subida
Ponto Diretor
descida
Circunferência
crítica do Came

Figura 6
5
2. α = Ângulo de Pressão –ângulo formado entre
a linha do deslocamento do seguidor e normal
comum entre as superfícies em contato.
3. α = Ângulo de Pressão crítico –maior ângulo
formado entre a linha do deslocamento do
seguidor e normal comum entre as superfícies
em contato.
4. Ponto Crítico – posição do seguidor onde
ocorre o ângulo de pressão crítico.
5. Circunferência crítica – é a circunferência que
passa pelo ponto crítico. Esta circunferência,
também, é chamada de Circunferência
Primitiva.
6. Raio crítico (r
c
) – raio da circunferência crítica.
7. Curva primitiva do Came – curva formada pela
união das posições ocupadas pelo centro do
seguidor durante o deslocamento
8. Perfil do Came – Linha tangente à todas as
posições do seguidor, traçada de maneira a
fornecer ao seu centro o movimento esperado
pelo diagrama do deslocamento mostrado na
figura 5.

Importante se faz observar que a curva primitiva do
came não é paralela à curva do perfil do came.

Devemos, ainda, notar que se fosse alterada alguma
característica do seguidor o perfil do came sofreria
alteração.

Caso mudemos, no exemplo anterior o seguidor para
um de sapata plana, o perfil fica de maneira
semelhante ao apresentado na figura 7.


1
2
0
°
1
2
0
°
120°
repouso
descida
subida


figura 7
6
O próximo exemplo – figura 8 - mostra um came cujo
movimento do seguidor é de forma semelhante a um
movimento harmônico simples (MHS).
1
0
5
Ø32
R
7
5
1
2
0
°
120°
1
2
0
°


Uma observação importante a fazer é lembrar que
quanto maior for a relação entre o menor raio do
came e o deslocamento do seguidor, mais o came se
aproxima a circunferência.

Estudo Cinemático dos movimentos dos
seguidores

Diagramas de Deslocamento

Todo projeto de mecanismos de cames tem por
ponto de partida o programa de posições que o
seguidor deve ocupar em função do tempo. O que
normalmente se conhece é o deslocamento do
seguidor, os tempos em que este deslocamento
deve ocorrer e os tempos em que o seguidor deve
permanecer em repouso.

Desta maneira, o primeiro passo de um projeto de
came é determinar o Diagrama dos Deslocamentos
que é um gráfico que tem por ordenada o
deslocamento (y) e por abscissa o ângulo do came.
A origem deste diagrama é formada pela posição
inferior do seguidor e a posição relativa do came em
relação a esta posição inicial.

Figura 8
7
O gráfico mostrado na figura 5 é um exemplo deste
tipo de diagrama.


Curvas Básicas do Movimento

As curvas básicas do movimento podem ser
divididas em três grupos:
1. Curvas polinomiais simples
a. Movimento Uniforme (MU)
b. Movimento Uniformemente Variado
(MUV)
c. Movimento de Pulso Constante

2. Curvas Trigonométricas
a. Movimento Harmônico Simples (MHS)
b. Movimento Harmônico Duplo (MHD)
c. Movimento Elíptico (ME)

3. Curvas Circulares
a. Movimento Uniforme modificado (MUD)

Neste curso estudaremos, apenas, algumas destas
curvas básicas de deslocamento.

Para este estudo usaremos a seguinte notação:
y – posição do seguidor no instante “t”
θ θθ θ - ângulo de posição do came no instante “t”
d – deslocamento do seguidor
β ββ β – ângulo do came para que o seguidor tenha o
deslocamento “d”


Movimento Uniforme
Neste tipo de movimento o diagrama de
deslocamento produz uma linha reta, como mostra a
figura 9.
γ d
β
y
θ


A função que representa este movimento é a de uma
reta com coeficiente angular γ e que contém a
origem do diagrama.

Assim, podemos escrever:
Figura 9
8
θ ×
β
=
d
y


A velocidade é determinada por:

dt
d d d
dt
d
dt
dy
v
θ
×
β
=
|
|
¹
|

\
|
θ ×
β
= =


ϖ ×
β
=
d
v


Com a rotação constante do came, a velocidade
angular (ω) é constante.

Como a velocidade angular é constante, a
aceleração (a), ao longo do deslocamento “d”, do
seguidor, é nula.

OBS:- devemos observar que no início e no fim do
deslocamento, existe uma mudança brusca na
velocidade que, sai de zero até o seu valor constante
(no inicio do movimento) instantaneamente. Estas
variações bruscas de velocidades geram
acelerações que podem ser consideradas “infinitas”.
Estas acelerações irão gerar esforços muito grandes
nas superfícies do came e do seguidor.


Movimento Uniforme Modificado.
Este tipo de movimento procura evitar a condição
indesejável de acelerações muito grandes no inicio e
no fim do movimento.

Esta modificação é conseguida fazendo com que no
inicio e no fim do movimento o deslocamento tenha
um movimento proveniente de uma função circular.

Em termos práticos, o início e o fim do movimento
possuem uma curva que respeita um movimento
circular, como mostra a figura 10.

d
β
R
=
d
R
=
d
γ

Figura 10
9
Neste caso existe uma modificação no início e no fim
do movimento fazendo com que a velocidade e a
aceleração sofram variações neste intervalo.

As figuras 11 e 12 representam o diagrama da
velocidade e o diagrama da aceleração para este
tipo de movimento.

β
v
θ



β
a
θ




Movimento Harmônico Simples
Este movimento tem este nome porque o seguidor
se move da mesma maneira que a projeção no
diâmetro, de um ponto em movimento circular
constante.

Para este movimento, o diagrama do deslocamento
fica da forma representada na figura 13.

d
β
y
θ
0 1 2 3
1
2
3
4
4
φ


A equação do movimento fica:

( ) φ − = cos 1
2
d
y

sabendo-se que:
β
θ
=
π
φ

Figura 11
Figura 12
Figura 13
10
podemos escrever:

|
|
¹
|

\
|
|
|
¹
|

\
|
β
θ × π
− = cos 1
2
d
y


Para obter velocidade basta derivar a função do
deslocamento em relação ao tempo. Assim, temos:

|
|
¹
|

\
|
β
θ × π
β ×
π × ϖ ×
= sen
2
d
v


A aceleração fica:

|
|
¹
|

\
|
β
θ × π
× ×
|
|
¹
|

\
|
β
π × ϖ
= cos
2
d
a
2


Com estas equações podemos traçar os diagramas
de velocidade e de aceleração mostrados na figura
14.
β
θ
v
a
β/2



Curva Básica Parabólica
A principal vantagem deste tipo de curva é que em
cada metade do deslocamento a velocidade é
uniformemente variável, fazendo com que a
aceleração seja finita e constante. Na segunda
metade do deslocamento, a velocidade e a
aceleração possuem os mesmos valores porem com
sinal oposto.

O diagrama de deslocamento para este tipo de curva
está representado na figura 15.
Figura 14
11
β
θ
β/2
y


Para este tipo de deslocamento as equações do
movimento, para a primeira metade do deslocamento
ficam:

2
2
2 d
y θ ×
β
×
=


2
4 d
v
β
θ × ϖ × ×
=


2
2
4 d
a
β
ϖ × ×
=


Pelas equações anteriores é possível notar que a
aceleração é constante e a velocidade será a
máxima quando
2
β
= θ
. Nesta situação, a
velocidade é igual a:

β
ϖ × ×
=
2 d
v


Para a segunda metade do movimento temos:

|
|
¹
|

\
|
β
θ
− × − × =
2
1 2 1 d y


|
|
¹
|

\
|
β
θ
− ×
β
ϖ × ×
= 1
4 d
v


2
2
4 d
a
β
ϖ × ×
− =




Figura 15
12
Dimensões Básicas dos Cames

Estabelecido o diagrama de deslocamento do
seguidor, é necessário determinar as dimensões
básicas dos cames. Três são os fatores que influem
no estabelecimento destas dimensões:
• O ângulo de pressão
• A curvatura do perfil
• O diâmetro do eixo do cubo

Neste estudo não interessa o diâmetro do eixo do
cubo, que deve ser determinado por meio das
equações de dimensionamento já estudadas.


O ângulo de pressão e o tamanho do came.

Para um seguidor de rolo, o ângulo de pressão é o
ângulo formado pela linha de ação do centro do rolo
com a normal comum ao ponto de contato entre o
rolo e o came.

A figura 16 mostra os esforços em um came.

c
α
r
c
F
F
F2
F1
α



Notemos que o torque (T) no eixo do came é dado
por:

C F T × =

onde F é a força de transmissão que ocorre no
contato entre o came e o seguidor.
Figura 16
13
A força F, no seguidor, pode ser decomposta em F
1
e
F
2
, da seguinte forma:

α × =
α × =
sen F F
cos F F
2
1


Devemos notar que F
1
é a componente que atua na
direção do movimento do seguidor e F
2
é a
componente que atua comprimindo a haste do
seguidor junto aos mancais.

O que deve ser observado é que quanto maior for o
ângulo de pressão maior será a componente F
2
e
menor será F
1
. Ou seja, quanto maior α maior deve
ser o torque aplicado no came para que o sistema
consiga vencer um esforço igual a F
1
.

Podemos então definir o que chamamos de
Eficiência da Transmissão (η) como sendo:

F
F
1
= η e como α × = cos F F
1
, podemos escrever:

α = η cos

É possível, então concluir que quanto menor for o
ângulo de pressão, mais suave é o funcionamento
do mecanismo.

Ocorre, entretanto, que quanto menor for o ângulo
de pressão maior será o came. A figura 17 mostra
dois cames com diâmetros de circunferência crítica
diferentes, que dão ao seguidor o mesmo
deslocamento.
3
8
°
1
4
°
R
1
3
2
R
1
9
4

Figura 17
14
O que se observa é que no came de circunferência
crítica de raio igual a 132 mm, o ângulo de pressão é
igual 38
o
. Para o came com raio de circunferência
crítica igual a 194 mm, o ângulo de pressão é de 14
o
.


O fator do came “f”.

Em geral, o comprimento do diagrama do
deslocamento representa o perímetro da
circunferência crítica. Quando isto é feito, o diagrama
representa o verdadeiro desenvolvimento da curva
primitiva do came. Nesta situação, a tangente à
curva do deslocamento, em qualquer ponto,
fornecerá o ângulo de pressão naquele ponto.

A figura 18 mostra que para um mesmo
deslocamento “d” e um mesmo comprimento de
diagrama; o que corresponde a um mesmo raio da
circunferência crítica, a curva básica do movimento
em linha reta , que representa o movimento uniforme
(MU),é a que possui o menor ângulo de pressão.
Embora o ângulo de pressão da curva que
representa o movimento harmônico simples seja
maior que o do movimento uniforme, ele é menor
que o do movimento parabólico.
Podemos, então, concluir que para um mesmo
ângulo de pressão, o movimento parabólico produz
um came maior que o MHS proporciona e que este é
maior do que aquele que o MU apresenta.
d
β
2
1
°
3
4
°
3
2
°



Convém observar que embora o movimento uniforme
proporcione um came menor, ele apresenta o
inconveniente das grandes acelerações no início e
no fim do movimento.

Na figura 19 o comprimento de arco CD, deve ser
igual ao comprimento do diagrama do deslocamento
para a subida do seguidor.

Definiremos como fator do came “f”, a relação:
Figura 18
15
d
CD
f =
Ø32
Circunferência
Crítica β
C
D
r



Como r CD × β = , podemos escrever:

d
r
f
× β
= ou
β
×
=
d f
r

A tabela 1 apresenta alguns fatores “f” para
diferentes valores de ângulo de pressão.

Tabela 1 – Fatores de came : “f”
Tipo de Curva
Básica
Ângulo de pressão máximo (α máximo)
20
o
. 25
o
. 30
o
. 35
o
. 40
o
. 45
o
.
Linha Reta 2,75 2,30 1,73 1,55 1,19 1,13
Linha Reta
Modificada
3,10 2,59 2,27 2,03 1,92 1,83
Movimento
Harmônico Simples
4,32 3,37 2,72 2,24 1,87 1,57
Curva Parabólica 5,50 4,29 3,46 2,86 2,38 2,00















Figura 19
16
Exercícios:

1)Desenhar o came com seguidor de rolo com as
seguintes características:

Seguidor:
• Sobe 30 mm enquanto o came gira 90
o
.
• Descansa enquanto o came gira 30
o
.
• Desce 30 mm enquanto o came gira 90
o
.
• Descansa o restante do movimento
• Tipo de subida e descida em curva parabólica
• Rolo com raio de 6 mm.
Came:
• Eixo coincidente com o do seguidor
• ângulo de pressão máximo igual a 30
o
.
• gira no sentido horário

2) Desenhar o came com seguidor de rolo com as
seguintes características:

Seguidor:
• Sobe 20 mm enquanto o came gira 120
o
.
• Desce 20 mm enquanto o came gira 120
o
.
• descansa o restante do movimento
• Tipo de subida e descida em movimento
harmônico simples
• Rolo com raio de 10 mm.
Came:
• Eixo deslocado de 15 mm a direita do seguidor
• ângulo de pressão máximo igual a 35
o
.
• gira no sentido anti-horário

3) Desenhar o came com seguidor de rolo pivotado
oscilante com as seguintes características:

Seguidor:
• Sobe 15
o
enquanto o came gira 120
o
.
• Descansa enquanto o came gira 60
o
.
• Desce 15
o
enquanto o came gira 90
o
.
• descansa o restante do movimento
• Tipo de subida e descida em movimento
harmônico simples
• Rolo com raio de 6 mm.
Came:
• Eixo deslocado de 15 mm do seguidor
• ângulo de pressão máximo igual a 20
o
.
• gira no sentido horário

Motores de combustão interna. 5. tais como velocidade. 4. para determinar o perfil de um came basta conhecer o movimento em um ciclo. podemos dizer que é necessário conhecer do seguidor: • A posição inicial no ciclo (que deve coincidir com a posição final). que este tipo de mecanismo tem por característica a repetição de movimentos assim. De uma forma mais direta. Com relação ao came. Figura 4 Procedimentos fundamentais para a determinação do perfil de um Came com seguidor Para determinar o perfil de um came é necessário conhecer as características do movimento do seguidor com relação ao movimento do came. Máquinas de fiação e tecelagem. tais como direção e quantidade. Máquinas de embalagem. aceleração. Etc. Devemos lembrar. 2. Aplicação dos Cames O campo de aplicação dos cames é muito extenso: 1. 3. • Características do percurso a ser efetuado. devemos conhecer: • O movimento angular para cada percurso do seguidor e 2 .Ao observarmos as figuras anteriores. A figura 4 mostra a aplicação de cames em um motor de combustão interna. Em máquinas operatrizes para posicionamento de ferramentas. etc. • As características do movimento. é possível notar que o movimento do seguidor é função do perfil do came.

Neste came são feitas algumas indicações importantes: 1. o movimento deve ser feito com velocidade constante. iremos obter uma curva semelhante a da figura 5. Se traçarmos um gráfico que relaciona o movimento do seguidor com o movimento do came. • Volta a posição inicial durante os últimos 120o. • O seu diâmetro mínimo é de 40 mm. deslocamento do seguidor 20 15 10 5 0 0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 330 360 ângulo da came Com este diagrama de deslocamento é possível traça o perfil do came que está representado na figura 6. isto é ao longo da subida. • Descansa nesta posição nos próximos 120o de rotação do came. Ponto Diretor – ponto de inicio do traçado do perfil do came 3 deslocamento do seguidor . vamos apresentar um exemplo. Neste exemplo. a variação de posição do seguidor é função linear da posição do came. • Os movimentos do seguidor são feitos com velocidade constante (curva de deslocamento em linha reta) As características do came são: • O centro de rotação está contido na linha de deslocamento do seguidor.• A posição relativa entre o centro de rotação do came e o eixo do seguidor. ou da descida. Como foi nas características do seguidor. Antes de desenvolvermos uma técnica para determinar o perfil de um came. temos as seguintes características do seguidor: • A partir da posição inicial ele sobe 20 mm enquanto o came gira 120o. • O seguidor possui na extremidade um rolete cujo diâmetro é de 16 mm.

Figura 6 Ponto Diretor subida 0° 12 12 0° α descida Ponto Crítico Circunferência crítica do Came Perfil do Came 120° repouso Curva Primitiva do Came 4 .

o perfil fica de maneira semelhante ao apresentado na figura 7. Ponto Crítico – posição do seguidor onde ocorre o ângulo de pressão crítico.2. Circunferência crítica – é a circunferência que passa pelo ponto crítico. é chamada de Circunferência Primitiva. 6. Esta circunferência. Importante se faz observar que a curva primitiva do came não é paralela à curva do perfil do came. 3. 5. Raio crítico (rc) – raio da circunferência crítica. no exemplo anterior o seguidor para um de sapata plana. Caso mudemos. α = Ângulo de Pressão crítico –maior ângulo formado entre a linha do deslocamento do seguidor e normal comum entre as superfícies em contato. Perfil do Came – Linha tangente à todas as posições do seguidor. Devemos. notar que se fosse alterada alguma característica do seguidor o perfil do came sofreria alteração. ainda. traçada de maneira a fornecer ao seu centro o movimento esperado pelo diagrama do deslocamento mostrado na figura 5. 4. α = Ângulo de Pressão –ângulo formado entre a linha do deslocamento do seguidor e normal comum entre as superfícies em contato. também. subida 0° 12 12 0° descida 120° repouso figura 7 5 . 7. Curva primitiva do Came – curva formada pela união das posições ocupadas pelo centro do seguidor durante o deslocamento 8.

O próximo exemplo – figura 8 .mostra um came cujo movimento do seguidor é de forma semelhante a um movimento harmônico simples (MHS). o primeiro passo de um projeto de came é determinar o Diagrama dos Deslocamentos que é um gráfico que tem por ordenada o deslocamento (y) e por abscissa o ângulo do came. Estudo Cinemático dos movimentos dos seguidores 12 0° 105 Diagramas de Deslocamento 0° 12 5 R7 Todo projeto de mecanismos de cames tem por ponto de partida o programa de posições que o seguidor deve ocupar em função do tempo. A origem deste diagrama é formada pela posição inferior do seguidor e a posição relativa do came em relação a esta posição inicial. mais o came se aproxima a circunferência. Ø32 Figura 8 120° Uma observação importante a fazer é lembrar que quanto maior for a relação entre o menor raio do 6 . O que normalmente se conhece é o deslocamento do seguidor. Desta maneira. os tempos em que este deslocamento deve ocorrer e os tempos em que o seguidor deve permanecer em repouso. came e o deslocamento do seguidor.

Assim. Para este estudo usaremos a seguinte notação: y – posição do seguidor no instante “t” θ . Curvas polinomiais simples a.ângulo de posição do came no instante “t” d – deslocamento do seguidor β – ângulo do came para que o seguidor tenha o deslocamento “d” Movimento Uniforme Neste tipo de movimento o diagrama de deslocamento produz uma linha reta. Movimento Uniforme (MU) b. y d γ β θ Figura 9 A função que representa este movimento é a de uma reta com coeficiente angular γ e que contém a origem do diagrama. Movimento de Pulso Constante 2. Movimento Uniforme modificado (MUD) Neste curso estudaremos. Curvas Trigonométricas a. apenas. Movimento Harmônico Duplo (MHD) c. Curvas Circulares a. Movimento Uniformemente Variado (MUV) c. Curvas Básicas do Movimento As curvas básicas do movimento podem ser divididas em três grupos: 1. Movimento Elíptico (ME) 3. como mostra a figura 9.O gráfico mostrado na figura 5 é um exemplo deste tipo de diagrama. Movimento Harmônico Simples (MHS) b. algumas destas curvas básicas de deslocamento. podemos escrever: 7 .

é nula. o início e o fim do movimento possuem uma curva que respeita um movimento circular. existe uma mudança brusca na velocidade que. Em termos práticos. a aceleração (a). Este tipo de movimento procura evitar a condição indesejável de acelerações muito grandes no inicio e no fim do movimento. Estas acelerações irão gerar esforços muito grandes nas superfícies do came e do seguidor. Como a velocidade angular é constante. Estas variações bruscas de velocidades geram R= d Figura 10 d R= d γ β 8 . a velocidade angular (ω) é constante.devemos observar que no início e no fim do deslocamento.d y = ×θ β A velocidade é determinada por: acelerações que podem ser consideradas “infinitas”. Com a rotação constante do came. como mostra a figura 10. Esta modificação é conseguida fazendo com que no inicio e no fim do movimento o deslocamento tenha um movimento proveniente de uma função circular. sai de zero até o seu valor constante (no inicio do movimento) instantaneamente. OBS:. do seguidor. v=  d dθ dy d  d =  × θ = ×  β dt dt dt  β   d v = ×ϖ β Movimento Uniforme Modificado. ao longo do deslocamento “d”.

As figuras 11 e 12 representam o diagrama da velocidade e o diagrama da aceleração para este tipo de movimento. v Movimento Harmônico Simples Este movimento tem este nome porque o seguidor se move da mesma maneira que a projeção no diâmetro. Para este movimento.Neste caso existe uma modificação no início e no fim do movimento fazendo com que a velocidade e a aceleração sofram variações neste intervalo. de um ponto em movimento circular constante. o diagrama do deslocamento fica da forma representada na figura 13. Figura 11 y 3 4 Figura 13 β θ 2 1 d φ 0 1 2 β 3 4 θ a Figura 12 A equação do movimento fica: β θ y= sabendo-se que: d (1 − cos φ) 2 φ θ = π β 9 .

a velocidade e a aceleração possuem os mesmos valores porem com sinal oposto. Assim. temos: a v Figura 14 β/2 β θ v= A aceleração fica:  π×θ d× ϖ × π sen  β   2×β   ϖ×π d  π×θ a=  × × cos  β  2  β       Com estas equações podemos traçar os diagramas de velocidade e de aceleração mostrados na figura 14. O diagrama de deslocamento para este tipo de curva está representado na figura 15.podemos escrever:  π × θ  d y = 1 − cos  β   2    Para obter velocidade basta derivar a função do deslocamento em relação ao tempo. 10 . fazendo com que a aceleração seja finita e constante. 2 Curva Básica Parabólica A principal vantagem deste tipo de curva é que em cada metade do deslocamento a velocidade é uniformemente variável. Na segunda metade do deslocamento.

y Figura 15 Pelas equações anteriores é possível notar que a aceleração é constante e a velocidade será a β máxima quando θ = 2 . Nesta situação. para a primeira metade do deslocamento ficam: 2   θ  y = d × 1 − 2 × 1 −    β       y= d× 2 2 ×θ β2 v= d× 4× ϖ  θ  × 1 −   β β   v= d× 4× ϖ × θ β2 d × 4 × ϖ2 a= β2 d × 4 × ϖ2 a=− β2 11 . a velocidade é igual a: β/2 β θ v= d× 2× ϖ β Para a segunda metade do movimento temos: Para este tipo de deslocamento as equações do movimento.

Dimensões Básicas dos Cames Estabelecido o diagrama de deslocamento do seguidor. Três são os fatores que influem no estabelecimento destas dimensões: • O ângulo de pressão • A curvatura do perfil • O diâmetro do eixo do cubo Neste estudo não interessa o diâmetro do eixo do cubo. o ângulo de pressão é o ângulo formado pela linha de ação do centro do rolo com a normal comum ao ponto de contato entre o rolo e o came. α F F2 F1 F α rc c Figura 16 O ângulo de pressão e o tamanho do came. A figura 16 mostra os esforços em um came. Notemos que o torque (T) no eixo do came é dado por: T = F×C onde F é a força de transmissão que ocorre no contato entre o came e o seguidor. Para um seguidor de rolo. 12 . que deve ser determinado por meio das equações de dimensionamento já estudadas. é necessário determinar as dimensões básicas dos cames.

Ocorre. que quanto menor for o ângulo de pressão maior será o came. entretanto. podemos escrever: F Figura 17 η = cos α 13 . 14° Devemos notar que F1 é a componente que atua na direção do movimento do seguidor e F2 é a componente que atua comprimindo a haste do seguidor junto aos mancais. Ou seja. então concluir que quanto menor for o ângulo de pressão. no seguidor.A força F. Podemos então definir o que chamamos Eficiência da Transmissão (η) como sendo: η= ° 38 de 94 R1 32 R1 F1 e como F1 = F × cos α . mais suave é o funcionamento do mecanismo. O que deve ser observado é que quanto maior for o ângulo de pressão maior será a componente F2 e menor será F1. que dão ao seguidor o mesmo deslocamento. da seguinte forma: F1 = F × cos α F2 = F × sen α É possível. A figura 17 mostra dois cames com diâmetros de circunferência crítica diferentes. pode ser decomposta em F1 e F2. quanto maior α maior deve ser o torque aplicado no came para que o sistema consiga vencer um esforço igual a F1.

Quando isto é feito. concluir que para um mesmo ângulo de pressão. a relação: 14 . A figura 18 mostra que para um mesmo deslocamento “d” e um mesmo comprimento de diagrama. Embora o ângulo de pressão da curva que representa o movimento harmônico simples seja maior que o do movimento uniforme. que representa o movimento uniforme (MU). o movimento parabólico produz um came maior que o MHS proporciona e que este é maior do que aquele que o MU apresenta. o que corresponde a um mesmo raio da circunferência crítica. ele apresenta o inconveniente das grandes acelerações no início e no fim do movimento. Definiremos como fator do came “f”. o diagrama representa o verdadeiro desenvolvimento da curva primitiva do came. deve ser igual ao comprimento do diagrama do deslocamento para a subida do seguidor. Podemos. a curva básica do movimento em linha reta .é a que possui o menor ângulo de pressão. Na figura 19 o comprimento de arco CD . em qualquer ponto.O que se observa é que no came de circunferência crítica de raio igual a 132 mm. Nesta situação. o comprimento do diagrama do deslocamento representa o perímetro da circunferência crítica. fornecerá o ângulo de pressão naquele ponto. 34° 32° 21° Em geral. ele é menor que o do movimento parabólico. d β Figura 18 Convém observar que embora o movimento uniforme proporcione um came menor. O fator do came “f”. o ângulo de pressão é igual 38o. então. Para o came com raio de circunferência crítica igual a 194 mm. o ângulo de pressão é de 14o. a tangente à curva do deslocamento.

57 Harmônico Simples Curva Parabólica 5.37 2.27 2.92 1. 40o.10 2.86 2.73 1.f= CD d A tabela 1 apresenta alguns fatores “f” para diferentes valores de ângulo de pressão. 45o.75 2.03 1.72 2. 35o.32 3.24 1. podemos escrever: f= β×r d ou r= f ×d β 15 .30 1. Tabela 1 – Fatores de came : “f” Tipo de Curva Ângulo de pressão máximo (α máximo) Básica 20o.00 D Circunferência Crítica β r Ø3 2 C Figura 19 Como CD = β × r . 25o.59 2.83 Modificada Movimento 4.19 1.29 3. 30o.50 4.55 1.87 1. Linha Reta 2.13 Linha Reta 3.38 2.46 2.

• descansa o restante do movimento • Tipo de subida e descida em movimento harmônico simples • Rolo com raio de 6 mm. • Desce 30 mm enquanto o came gira 90o. • Desce 15o enquanto o came gira 90o. • Desce 20 mm enquanto o came gira 120o. Came: • Eixo deslocado de 15 mm a direita do seguidor • ângulo de pressão máximo igual a 35o. Came: • Eixo coincidente com o do seguidor • ângulo de pressão máximo igual a 30o. • gira no sentido horário 2) Desenhar o came com seguidor de rolo com as seguintes características: Seguidor: • Sobe 20 mm enquanto o came gira 120o. Came: • Eixo deslocado de 15 mm do seguidor • ângulo de pressão máximo igual a 20o. • Descansa o restante do movimento • Tipo de subida e descida em curva parabólica • Rolo com raio de 6 mm.Exercícios: 1)Desenhar o came com seguidor de rolo com as seguintes características: Seguidor: • Sobe 30 mm enquanto o came gira 90o. • gira no sentido horário 16 . • descansa o restante do movimento • Tipo de subida e descida em movimento harmônico simples • Rolo com raio de 10 mm. • Descansa enquanto o came gira 30o. • Descansa enquanto o came gira 60o. • gira no sentido anti-horário 3) Desenhar o came com seguidor de rolo pivotado oscilante com as seguintes características: Seguidor: • Sobe 15o enquanto o came gira 120o.

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