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Minha vida de menina:

Foi escrita durante os anos de 1893 e 1895.

Descreve os valores e crenças da sociedade mineradora do final do século XIX.

Passa na cidade de diamantina, apontando para o contraste entre uma sociedade qe viveu dias de gloria durante o
período da mineração e a consequente esgotamento das minas.

Retrato do país em formação: a abolição da escravatura e a recente proclamação da republica exigiam da sociedade
mudanças de paradigmas. Por meio da postura inquietante da protagonista, costumes são questionados e
preconceitos revelados, ganhando um tom de modernidade.

Autora e seu período

Helena Morley explora o Brasil rural, habitado por um povo pobre e com pouco instrução e demonstra que a cultura
escravocrata insiste em permanecer enraizada no meio social, apesar da abolição pela Lei Aurea.

Helena conseguiu traçar um retrato do Brasil no qual, apesar das diferenças, todo o povo pudesse se reconhecer,
com uma leveza espantosa e amparada pela liberdade de representar o brasil.

Belo Horizonte – Diamantina, atingiu seu esplendor como grande região produtora de diamantes do século XVIII. Ao
final do século XIX, período em que coincide com as anotações de Helena, tanto a régio mineira como toda a nação
enfrentam um período de grandes mudanças.

Em 13 de maio de 1888, a Lei Aurea colocou fim à escravidão, sem , no entanto, garantir condições de sobrevivência
aos ex-escravos.

Em 15 de novembro de 1889, proclamação da República.

Os escritores desse pais atentava para o fato de o brasil viver um conflito devido ao embate entre dois países: Brasil
que havia parado no tempo e aquele que queria crescer. Assim as relações de classe e etnia são filtradas pelo olhar
perspicaz da protagonista, possibilitando ao leitor refletir sobre as representações de gêneros, hierarquizas,
educacionais e comportamentais de uma sociedade em evolução.

Aspectos gerais sobre a obra:

as suas escritas contêm representações de uma típica família mineira, o racismo pós-abolição da escravatura e a
transição dos costumes no início da República

Forma de um diário. Desse modo, casos , intrigas, superstições e todos os fatos que aconteciam ao redor da menina
viraram assunto para seu diário.

Confidenciava no seu diário suas travessuras, sonhos e conjecturas. Escrevia pra fazer transcorrer os monótonos dias
do campo outras para dar vazão as suas inquietações.

Da leitura percebeu-se o rico manancial de habitus, o retrato literal dos costumes de uma família brasileira. As
relações de gênero recriadas pela memória, a presença feminina, importante influência na construção da formação
social. O cotidiano da educação escolar, a Escola Normal, os professores, as disciplinas, a prática educativa e a
consciência reflexiva

A escrita é tanto subjetiva, no sentido de fazer reflexões sobre si, quanto objetiva, relatando situações que envolvem
as ações de uma ou mais personagens. Por vezes, esses dois planos se juntam

Minha vida de menina, ao ser escrito na forma tradicional de um diário, convida o leitor a ingressar em um universo
de recordações e impressões pessoais da narradora Helena. Nas entradas, datadas, chamam a atenção tanto os
eventos históricos, mencionados em alguns registros em tom de comentário cotidiano, quanto os acontecimentos e
as reflexões sobre o dia a dia de uma adolescente em uma cidade pacata das Minas Gerais oitocentista. A voz de
Helena, contudo, ainda que descompromissada e leve, é bastante questionadora, e esconde um gênio quase que
marginalizado, muitas vezes deslocado no universo das convenções do comportamento social, da religião e da
educação da sua época.
Traços característicos do diário:

 Relatos sequenciais, cronológicos,


 Narrativas fragmentadas: característica mais marcante de seu diário. Não há ligação sequencial dos fatos descritos
pela protagonista. Tal fato contribui para que a representação da realidade seja a mais fiel possível, já que não existia
intenção e, construir uma narrativa sequencial, mas apenas relatar.
 Testemunho de fatos
 Forte subjetividade

A linguagem
Primeira pessoa do singular.
Papeis: protagonista, narradora e autora ao mesmo tempo.
Linguagem coloquial e permeada por marcas de oralidade, resultando em um estilo casual e leve, muito próximo de
uma conversa. Emprego de termos familiares, regionais e de época.

Personagens:
Helena: jovem, questionadora, espirituosa e pragmática. . punha em dúvida não só fatos e histórias do cotidiano;
questionando também certos preceitos religiosos e superstições locais, refutava costumes que não compreendia e
argumentava contra atitudes que iam de encontro à sua lógica.

Ao contrario da maioria das mulheres da época, helena dialogava abertamente com os pais e professores. Dizia o
que sentia de modo direto, com uma franqueza que chegava a chocar os mais velhos. Assim a garota demonstrou
que as mulheres também podiam ter voz ativa e serem inteligentes e merecedoras de elogio.

A escravidão

A exposição da realidade social brasileira e a referencia a fatos históricos são abundantes na obra. O período é o pós
abolição. A sociedade ainda não abia como lidar com a libertação dos escravos e muitos negros tinham condições de
deixar a casa dos antigos senhores. Assim continuavam cativos, submetendo-se à servidão. ]

Há também muitas referencias aos alugados, escravos que eram adquiridos com o intuito de serem utilizados para
aluguel, aos quais ensinava algum oficio para valoriza-los.

Outro aspecto, característico da época é a extensão da escravidão, pósabolição, percebe-se que os negros estavam
“libertos”, mais continuavam cativos, submetiam-se a mesma vida servil, pois não tinham condições nem novas
oportunidades de vida

Religiosidade

As crenças e a religiosidade são bastantes evidentes no Livro.