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Crise estrutural e barbárie

1) O problema de uma teoria crítica que dê conta do presente.

# Paradoxo da atualidade: no momento em que a crise desse sistema é colocada de


maneira mais brutal e global, não temos ao alcance das mãos nem uma teoria crítica que
nos permita compreender a totalidade desse processo e seus fundamentos, tampouco uma
teoria que seja capaz de, de alguma maneira, se apoderar das massas.

# Crise e crítica: parece-me, no entanto, que permanece ainda hoje possível elaborar uma
teoria crítica que atenda a estas exigências do presente a partir da Crítica da Economia
Política de Marx.

# Predominância da política na esquerda brasileira (e mundial). A crença de que a política


pode mudar tudo, inclusive submeter a economia a seus fins.

Porém, isto vai de encontro à história, além de promover um déficit de análise sobre a
crise. Por exemplo:

a) Crise de 1929: no momento em que a Alemanha tinha o proletariado mais organizado


do mundo, deu-se uma derrota histórica jamais vista, sucedida pela ascensão do regime
nazifascista.

b) Crise de 1970: depois de três décadas de crescimento econômico aliado com aquisição
de direitos sociais e políticos, o Estado de Bem-Estar Social deu lugar ao Neoliberalismo.
Mas como isso foi possível em tão pouco tempo? Embora a visada política ajude a
entender os mecanismos pelos quais governos, como Tatcher e Reagan, impuseram isso,
não ajudam a investigar as causas mais profundas dessa mudança.

c) Crise de 1990: depois de quase um século de consolidação soviética, todo o bloco


socialista ruiu em dois anos. Do ponto de vista político, isso é paradoxal. Mais ainda, se
a queda do bloco sinaliza uma vitória do capitalismo, por que este afundou em crises cada
vez mais próximas e guerras civis incontornáveis?

d) Crise de 2008: depois do grande boom da economia brasileira, todos foram pegos de
surpresa com o Junho de 2013, primeiro, e depois com a queda vertiginosa
macroeconômica do governo do PT (Petrobrás, p. ex., e a retração das políticas sociais
[PAC e Bolsa Família]. Não foi o Junho de 2013 que provocou essa queda. A visada
política não dá conta.

A crise não é uma decisão política, nem contornável politicamente. A crise é oriunda do
fundamento irracional do sistema capitalista, onde um mecanismo abstrato domina a
sociedade.

A crise é um fato inegável: Paul Krugman, prêmio nobel e conselheiro do Partido


Democrata americano.

Exemplo: a quantidade de riqueza de papel é muito maior do que a riqueza real, há cem
vezes mais papel do que riqueza material.

Barbárie como a forma de estruturação da sociedade atual, ou seja, ela não denota
acontecimentos específicos do tecido social mas a própria dinâmica que permite a
emergência desses acontecimentos. A barbárie não é, portanto, situacional, própria de
algumas situações específicas que fogem à regra ou a exasperam, mas é estrutural. O
mundo hoje é bárbaro porque a forma pela qual ela se estrutura é a barbárie. Ela é o modo
de ser dessa forma social.

Destruir

O desenvolvimento econômico sob a base tecnológica da terceira revolução industrial não


produz mais empregos, direitos etc., mas sim um desemprego em massa e estrutural.
Expulsão do trabalhador do processo de produção.
Se na acumulação primitiva do capital havia um processo bárbaro de mobilização das
massas para o trabalho na época de expansão capitalista, hoje há um processo de
desmobilização global da força de trabalho, cuja consequência é a formação de uma
massa supérflua enorme. Exemplo da grande migração europeia e seu contraste

Na medida em que não há no processo de produção o capital vivo, não há acumulação e


reprodução de capital.

A crise, como a barbárie, é estrutural, permanente, veio para ficar. O capitalismo apenas
se mantém em pé devido à barbárie. Ela se tornou uma forma de acumulação de capital.
Quando se destrói um país como o Iraque, por exemplo, enseja-se uma reconstrução
econômica rentável. Exemplo: diversas multinacionais foram mobilizadas para
reconstrução do Iraque. A reconstrução do Iraque foi “vendida” no mercado
internacional, sobretudo para empresas norte-americanas.

Brasil como exemplo de que a política esteve subordinada à economia e ao mercado


internacional, ou seja, as transformações históricas que aqui aconteceram foram
subordinadas à movimentos internacionais e se realizaram por pelo alto.

- Ditadura Militar: no momento em que fizemos um esforço humanitário, social e


econômico brutal, adquirindo uma dívida pública impagável, e realizamos a construção
do aparato produtivo que nos credenciava de vez à grande nação, todo nosso esforço já
não valia mais de nada. A exploração de uma mão-de-obra extremamente barata já não
valia mais nada pelo aparato produtivo obsoleto. O Brasil empatou o capital fixo no exato
momento em que este capital fixo se tornava obsoleto. Um empate atrasado.

- PT: no momento em que especulamos como nunca, criando um boom espectulativo que
produziu um efeito-riqueza momentâneo que sustentou uma série de programas sociais,
a efetivação do programa do Pré-Sal já não significava mais nada, ou seja, ser possuidor
e exportador de Petróleo num mundo em que o Petróleo vale pouco é uma tragédia, como
atesta a situação da Venezuela na passagem para o século XXI. O Petróleo era a energia
do século XX, mas nada quer dizer que ele seria o passaporte para o futuro, que seria,
portanto, o principal substrato do futuro.
2) Tipos da contradição

Capital x Trabalho
Forças produtivas x relações de produção
Contradição interna