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CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS

IVANILDO NOVAIS LOPES

A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE PARA A


GESTÃO NA ATIVIDADE SUINÍCOLA

VITÓRIA DA CONQUISTA/BA

2015.2
IVANILDO NOVAIS LOPES

A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE PARA A


GESTÃO NA ATIVIDADE SUINÍCOLA

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como requisito parcial à
obtenção do grau de Bacharel do curso
de Ciências Contábeis da Faculdade
Independente do Nordeste, de Vitória da
Conquista/BA.

Orientador(a): MSc. Carlos Alberto


Góes de Carvalho.

VITÓRIA DA CONQUISTA/BA

2015.2
S864i Lopes, Ivanildo Novais
A importância da contabilidade para a gestão na
atividade suinícola./ Ivanildo Novais Lopes._ _ Vitória da
Conquista, 2015.
50 f.

Artigo (Graduação em Ciências Contábeis) Faculdade


Independente do Nordeste - FAINOR
Orientador(a): Prof. Carlos Alberto Góes de Carvalho

1. Contabilidade. 2. Atividade Suinícola. 3. Tomada de


decisão. I. Título

CDD: 657.863

Catalogação na fonte: Biblioteca da Fainor


IVANILDO NOVAIS LOPES

A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE PARA A


GESTÃO NA ATIVIDADE SUINÍCOLA

Trabalho de Conclusão de Curso de Ciências Contábeis apresentado a


Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, como requisito parcial para
obtenção do título de Bacharel.

Aprovado em ___/___/___

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________

Prof. MSc. Carlos Alberto Góes de Carvalho

Orientador

______________________________________________________

Prof. MSc. Dirlei Andrade Bonfim

2° Membro

______________________________________________________

Prof. MSc. Luciano Moura Costa Doria

3° Membro
Este trabalho é dedicado àquelas pessoas
que, direta ou indiretamente, contribuíram
para que a minha vida acadêmica trilhasse o
caminho do sucesso: Família, Namorada,
Amigos, Colegas, Granja Mundial,
Professores e Mestres; grandes parceiros nas
atividades científicas.
AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente e acima de tudo, a Deus, fonte de toda a sabedoria.

À minha família, que sempre contribuiu e me incentivou em todos os momentos


desta fase de minha vida.

À minha namorada Mery, companheira e incentivadora nos momentos de êxitos e


dificuldades.

Ao senhor Antônio Souza Mota (Beto), por compartilhar comigo as informações de


sua granja suinícola, necessárias para a realização deste artigo.

A todos os colegas do curso que me acolheram e me ajudaram com gratuidade.

Aos colegas do curso, a quem posso chamar de amigos, pois partilharam comigo
suas melhores qualidades e aquilo que de melhor possuem.

Aos professores e mestres, que qualificaram o meu saber técnico e científico em


todos os seus contextos.
“Se eu falasse todas as línguas, as dos
homens e as dos anjos, mas não tivesse
amor, eu seria como um bronze que soa ou
um címbalo que retine. Se eu tivesse o dom
da profecia, se conhecesse todos os mistérios
e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto
de transportar montanhas, mas se não tivesse
amor, eu não seria nada.”

Bíblia Sagrada – 1Coríntios 13,1-2


RESUMO

LOPES, Ivanildo Novais. A importância da contabilidade para a gestão na


atividade suinícola. 2015. 46 fl. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Ciências Contábeis – Área: Contabilidade e Atividade Suinícola) – Faculdade
Independente do Nordeste. Curso de Graduação em Bacharelado de Ciências
Contábeis, Vitória da Conquista, 2015.

A Contabilidade possui utilidade e relevância como instrumento no processo de


tomada de decisão, por meio de técnicas e procedimentos que promovem uma
melhora significativa nos resultados das empresas. Assim, o presente artigo visa
demonstrar a importância da Contabilidade para o produtor rural, pois permite, por
meio da informação contábil, realizar o planejamento e o controle das atividades
para o processo decisório, além de contribuir para a redução dos custos e
maximização dos lucros. A elaboração deste artigo teve como base a análise e
seleção bibliográfica de livros, artigos e sites atuais que abordassem sobre os
conceitos, finalidades e aplicabilidade da Contabilidade Geral, Rural e de Custos. A
pesquisa foi realizada em uma propriedade que desenvolve a atividade suinícola,
desde a fertilização até a fase de terminação, onde foram elaborados os custos de
produção e resultados do período analisado. Com o estudo, constatou-se que a
Contabilidade ainda é pouco utilizada pelas empresas rurais no Brasil, isso devido
ao desconhecimento e o pouco interesse dos produtores em utilizá-la como
instrumento útil para a tomada de decisões, destinando-a praticamente para fins
tributários apenas, por isso faz-se necessário investir em mecanismos
disponibilizados pela Contabilidade para obtenção de informações gerenciais
precisas. A perspectiva é que este estudo venha contribuir para uma maior
aproximação do produtor com a Contabilidade, proporcionando uma conscientização
sobre a necessidade do uso das ferramentas contábeis, a fim de poder buscar uma
maior competitividade e rentabilidade, empregando assim métodos inovadores, pois
o mercado se apresenta cada vez mais exigente.

Palavras-chave: Contabilidade. Atividade Suinícola. Informações Gerenciais.


Tomada de decisões. Lucratividade.
ABSTRACT

LOPES, Ivanildo Novais. The importance of accounting for the management in


pig activity. 2015. 46 fl. Work Completion of course (Diploma in Accounting
Sciences - Area: Accounting and swine Activity) - Northeast Independent School.
Course in Accounting Sciences Degree, Vitoria da Conquista, 2015.

Accounting has usefulness and relevance as a tool in the decision making process
by means of techniques and procedures that promote a significant improvement in
corporate earnings. Thus, this article aims to demonstrate the importance of
accounting for farmers because it allows, through the accounting information, carry
out planning and control activities for decision-making, and contributes to reducing
costs and maximizing profits. The writing of this article was based on bibliographic
analysis and selection of books, articles and websites that addressed current on the
concepts, objectives and applicability of the Accountant General, Rural and costs.
The survey was conducted on a property that develops pig activity, from fertilization
until the finishing phase, which were drawn up production costs and results of the
reporting period. To the study, it was found that the accounting is still little used by
rural enterprises in Brazil, this due to ignorance and the lack of interest of the
producers use it as a useful tool for decision-making and is designed to virtually for
tax purposes only, so it is necessary to invest in mechanisms provided by the
Accounting for obtaining accurate management information. The prospect is that this
study will contribute to closer producer with Accounting, providing an awareness of
the need to use the accounting tools, in order to seek greater competitiveness and
profitability, thereby employing innovative methods because the market features
increasingly demanding.

Keywords: Accounting. Pig activity. Management information. Decision-making.


Profitability.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Imagem 01 – Granja Suinícola..........................................................................................23


Imagem 02 – Reprodutor....................................................................................................25
Imagem 03 – Matrizes no estágio da gestação...............................................................26
Imagem 04 – Matrizes no estágio da maternidade.........................................................26
Imagem 05 – Leitões no estágio da crehce.....................................................................27

Imagem 06 – Leitões no estágio da recria.......................................................................27


Imagem 07 – Tanque para dejetos líquidos.....................................................................28
Imagem 08 – Fábrica de ração..........................................................................................30
Imagem 09 – Suínos para o abate....................................................................................33
Imagem 10 – Suínos para venda como reprodutores/marrãs .......................................34
LISTA DE TABELAS

Tabela 01 – Custo com mão de obra.....................................................................................29

Tabela 02 – Custo total com alimentação..............................................................................30

Tabela 03 – Custo com alimentação por estágio...................................................................31

Tabela 04 – Custo com depreciação......................................................................................31

Tabela 05 – Custo total..........................................................................................................32

Tabela 06 – Custo unitário.....................................................................................................33

Tabela 07 – Receita com suínos terminados.........................................................................34

Tabela 08 – Margem de Contribuição (Abate) ......................................................................35

Tabela 09 – Margem de Contribuição (Reprodutor) ..............................................................35

Tabela 10 – Margem de Contribuição (Marrãs) ....................................................................36

Tabela 11 – Ponto de Equilíbrio (Abate) ...............................................................................36

Tabela 12 – Ponto de Equilíbrio (Reprodutores) ...................................................................36

Tabela 13 – Ponto de Equilíbrio (Marrãs) .............................................................................37

Tabela 14 – Margem de Segurança Operacional Contábil....................................................37

Tabela 15 – Demonstração do resultado do período.............................................................38


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................13

1.1 OBJETIVO GERAL...............................................................................................14

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................14

2 REFERENCIAL TEORICO DA PESQUISA............................................................15

2.1 CONTABILIDADE GERAL...................................................................................15

2.1.1 Aspectos históricos da contabilidade...........................................................15

2.1.2 Conceitos de contabilidade............................................................................15

2.1.3 Objetivos da contabilidade.............................................................................16

2.1.4 Princípios Fundamentais de Contabilidade..................................................16

2.2 CONTABILIDADE RURAL ..................................................................................17

2.2.1 Características das Empresas Rurais...........................................................17

2.2.1.1 Características das atividades....................................................................17

2.2.2 Conceitos de contabilidade rural...................................................................17

2.2.3 Objetivos e finalidades da contabilidade rural.............................................18

2.2.4 Contextualização da contabilidade rural no Brasil......................................18

2.3 CONTABILIDADE DE CUSTOS...........................................................................19

2.3.1 Aspectos históricos da contabilidade de custos.........................................19

2.3.2 Conceitos de custo.........................................................................................20

2.3.3 Objetivos e funções da contabilidade custos..............................................20

2.3.4 Classificação dos custos................................................................................20


2.3.4.1 Custos diretos e custos indiretos...............................................................20

2.3.4.2 Custos fixos e custos variáveis..................................................................21

2.3.5 Análise do custo, volume e resultado...........................................................21

2.3.5.1 Formação do preço de venda......................................................................21

2.3.5.2 Margem de contribuição..............................................................................22

2.3.5.3 Ponto de equilíbrio contábil........................................................................22

2.3.5.4 Margem de segurança operacional............................................................22

3 METODOLOGIA.....................................................................................................23

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS..............................................................................24

4.1 ATIVIDADE SUINÍCOLA......................................................................................25

4.2 CUSTOS DA ATIVIDADE SUINÍCOLA................................................................29

4.2.1 Custos diretos fixos........................................................................................29

4.2.1.1 Custo com mão de obra...............................................................................29

4.2.2 Custos diretos variáveis.................................................................................29

4.2.2.1 Custo com alimentação...............................................................................29

4.2.2.2 Custo com medicamentos e inseminação.................................................31

4.2.3 Custos indiretos fixos.....................................................................................31

4.2.3.1 Custo com depreciação...............................................................................31

4.2.4 Custos indiretos variáveis..............................................................................32

4.2.4.1 Custo com energia elétrica..........................................................................32

4.2.5 Cálculo do custo total.....................................................................................32

4.3 ANÁLISE DO CUSTO, VOLUME E RESULTADO...............................................33

4.3.1 Receitas............................................................................................................33
4.3.2 Margem de contribuição.................................................................................35

4.3.3 Ponto de equilíbrio contábil...........................................................................36

4.3.4 Margem de segurança operacional...............................................................37

4.3.5 Demonstração do resultado do período.......................................................37

5 DISCUSSÃO...........................................................................................................38

6 CONCLUSÃO.........................................................................................................40

REFERENCIAS..........................................................................................................42

APÊNDICES...............................................................................................................45
13

1 INTRODUÇÃO

Com o advento da globalização, percebe-se que todas as atividades


econômicas necessitam, entre outras coisas, de uma gestão eficiente para buscar o
crescente sucesso econômico e financeiro, para isso, a contabilidade oferece
importantes ferramentas de planejamento e controle para se alcançar esse objetivo.
Contudo, conforme Süptitz et al (2009), as técnicas contábeis figuram como uma das
menos utilizadas pelo mercado, principalmente pelo agronegócio, por ser encarada
como um recurso que apresenta muita complexidade e baixo retorno prático.

O presente artigo objetiva evidenciar as técnicas contábeis que podem ser


implementadas na atividade suinícola, além de fornecer, em aspectos gerenciais, as
principais ferramentas controle, mensuração e rentabilidade. Os dados e
informações apresentados neste artigo poderão ser de grande importância para os
produtores rurais e empresários do agronegócio suinícola, haja vista que este estudo
poderá auxiliar a propriedade a reduzir os custos de produção, maximizando assim
os lucros.

As técnicas contábeis desempenham grande influência sobre as decisões


gerenciais. Como o ambiente empresarial se tornou mais competitivo, a partir de
então, percebeu-se que a contabilidade é um potente diferencial, necessário para
que a empresa alcance destaque. Dessa forma, segundo Süptitz et al (2009), surge
o desafio por parte do contador: o papel de conscientizar estes empreendedores
sobre a importância da utilização da contabilidade para a gestão do negócio.

Atualmente, de acordo com Süptitz et al (2009), a suinocultura se tornou um


dos setores mais expressivos da atividade pecuária no Brasil, sendo o quarto maior
produtor mundial de carne suína, logo abaixo da China, da União Europeia e dos
Estados Unidos. Com base nessas informações e devido à competitividade acirrada
na economia atual, a atividade suinícola precisará implantar eficientes ferramentas
de planejamento, controle e gestão dos meios econômico-financeiros, para almejar o
crescimento dos seus resultados de maneira constante. Por isso, é importante que
se leve em consideração algumas questões que são fundamentais para a melhoria
das atividades gerenciais.
14

Sendo assim, espera-se que este artigo sirva como elemento norteador, tanto
para novos, quanto para experientes empreendedores do agronegócio, mais
precisamente da atividade suinícola, de forma que possa orientá-los a enxergar na
contabilidade um instrumento imprescindível para a gestão e controle das atividades
econômico-financeiras das entidades, e entender a sua importância para o processo
de tomada de decisões eficientes, a partir do gerenciamento dos dados e
informações, servindo de suporte para que as empresas possam reduzir custos e
melhorar os seus resultados operacionais.

Nesta perspectiva, o presente estudo tem por objetivos:

1.1 OBJETIVO GERAL:

- Descrever a importância de se utilizar as técnicas contábeis na gestão das


atividades econômico-financeiras da suinocultura e como as empresas podem
planejar e controlar seus processos produtivos para aumentar a sua lucratividade.

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

- Identificar as atividades econômicas e financeiras que são desenvolvidas na


suinocultura;

- Verificar se os empreendedores do agronegócio suinícola utilizam as técnicas


contábeis como ferramentas de controle e gestão;

- Descrever como os gestores lidam com os dados e as informações econômico-


financeiras para a tomada de decisões no agronegócio suinícola;

- Demonstrar algumas posturas gerenciais que possibilitem uma melhoria no


desenvolvimento da atividade suinícola.
15

2 REFERENCIAL TEÓRICO DA PESQUISA

2.1 CONTABILIDADE GERAL

2.1.1 Aspectos históricos da contabilidade

Embora a Contabilidade esteja ligada a números, não é uma ciência exata,


mas sim uma ciência social. “As ciências sociais são um ramo do conhecimento
científico que estuda os aspectos sociais do mundo humano”. (SILVA; 2008)
Segundo Iudícibus (2000, p. 30), “desde a antiguidade o homem se preocupa com a
riqueza, tendo que aprimorar os instrumentos empregados na avaliação do seu
patrimônio”.

Hendriksen e Breda (1999, p. 39) asseguram que,

Não há conhecimento de quem tenha inventado a contabilidade, mas que o


primeiro codificador da contabilidade foi o Frei Franciscano Luca Pacioli,
que escreveu sobre sistema de escrituração por partidas dobradas,
conceitos relevantes até os dias de hoje.

Segundo Iudícibus (2000, p. 31), “a contabilidade teve seu início nas cidades
da Europa, a partir do século XIII, onde as atividades comerciais e culturais
cresceram com empreendimentos dos mais avançados”. Hendriksen e Breda (1999,
p. 40) dizem que, “até o século XVI a principal finalidade da contabilidade era gerar
informação ao proprietário, portanto, as contas eram guardadas em segredo e não
havia a necessidade de adoção de padrões uniformes de divulgação”.

2.1.2 Conceitos de contabilidade

Segundo Ribeiro (2011, p. 33), “Contabilidade é uma ciência que permite,


através de suas técnicas, manter um controle permanente do Patrimônio da
empresa”.
16

A Contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio das


entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva e a interpretação
dos fatos neles ocorridos, com o fim de oferecer informações sobre sua
composição e variação, bem como sobre o resultado econômico decorrente
da gestão da riqueza patrimonial. (CREPALDI, 2012, p. 83)

2.1.3 Objetivos da contabilidade

Segundo Silva e Januário (2012, p. 11), “o objetivo principal da Contabilidade


é gerar informações necessárias para a tomada de decisões pelos usuários internos
e/ou externos das informações contábeis”. Para Hoss et al (2006, p. 41), a
Contabilidade tem como objetivo “gerar e fornecer informações contábeis a respeito
dos patrimônios das entidades de forma útil e relevante para que seus usuários
possam tomar decisões”.

2.1.4 Princípios Fundamentais de Contabilidade

De acordo com o CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE – CFC, “os


Princípios de Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas
à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos universos
científico e profissional de nosso País”.

Princípio da Entidade: reconhece o Patrimônio como objeto da


Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da
diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios
existentes; Princípio da Continuidade: pressupõe que a Entidade
continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a
apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta
circunstância; Princípio da Oportunidade: refere-se ao processo de
mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir
informações íntegras e tempestivas; Princípio do Registro pelo Valor
Original: determina que os componentes do patrimônio devem ser
inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos
em moeda nacional; Princípio da Competência: determina que os efeitos
das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se
17

referem, independentemente do recebimento ou pagamento; Princípio da


Prudência: determina a adoção do menor valor para os componentes do
ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem
alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações
patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. (Resolução CFC nº. 750/93,
Arts. 4º - 10º)

Franco (1998, p. 13) afirma que, “a finalidade prática da fixação dos


chamados princípios contábeis é a de servir de guia ou parâmetro para o registro de
fatos e a elaboração de demonstrações dentro de regras uniformes que facilitem a
função informativa da contabilidade”.

2.2 CONTABILIDADE RURAL

2.2.1 Características das Empresas Rurais

As empresas rurais, segundo Marion (2000, p. 22), “são aquelas que


exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de
animais e da transformação em determinados produtos agrícolas”. De acordo com
Crepaldi (2006, p. 25), a empresa rural “é uma unidade de produção em que são
exercidas atividades [...] com a finalidade de obtenção de renda”. As empresas
rurais, segundo Marion (2000), são divididas basicamente em três atividades:

Agrícola: conjunto de técnicas para o cultivo de plantas;

Zootécnica: conjunto de técnicas para a criação de animais; e

Agroindustrial: é o beneficiamento e transformação de produtos agropecuários.

Segundo Lopes (2012, p. 15), “a suinocultura é o segmento da Zootecnia


destinada à criação de suínos, com a finalidade de produzir carnes e derivados”.

2.2.2 Conceitos de contabilidade rural


18

Segundo Calderelli (2003, p. 180) “a Contabilidade Rural é aquela que tem


suas normas baseadas na orientação, controle e registro dos atos e fatos ocorridos
e praticados por uma empresa cujo objeto de comércio ou indústria seja agricultura
ou pecuária”. Para Gomes (2002, p.21),

A contabilidade rural é um instrumento fundamental para o controle


financeiro e econômico da propriedade rural; pode-se também afirmar que a
utilização da contabilidade contribui, sob vários aspectos, com o ambiente
onde a entidade esteja inserida.

Conforme Crepaldi (2009, p. 76) “A Contabilidade rural é um dos principais


sistemas de controle e informações das empresas rurais”.

2.2.3 Objetivos e finalidades da contabilidade rural

De acordo com Crepaldi (2009, p.189), “o objetivo da Contabilidade Rural é


estudar, registrar e controlar a gestão econômica do patrimônio das empresas que
se dedicam a esses fins, portanto, reserva-lhe particularidades especificas que lhe
são inerentes”.

Contabilidade rural é um instrumento da função administrativa que tem


como finalidade: controlar o patrimônio das entidades rurais; apurar o
resultado das entidades rurais; prestar informações sobre o patrimônio e
sobre o resultado das entidades rurais aos diversos usuários das
informações contábeis (CREPALDI, 2012, p. 84).

2.2.4 Contextualização da contabilidade rural no Brasil

Segundo Crepaldi (2012, p. 47),


19

A Contabilidade Rural no Brasil ainda é pouco utilizada, tanto pelos


empresários quanto pelos contadores. Isto acontece devido o
desconhecimento por parte desses empresários da importância das
informações obtidas através da contabilidade, da maior segurança e clareza
que estas informações proporcionariam nas tomadas de decisões. Isto
acontece também em função da mentalidade conservadora da maioria dos
agropecuaristas, que persistem em manter controles baseados em sua
experiência adquirida com o passar dos anos. Desta forma, abrem mão de
dados rurais que poderiam ser obtidos através da contabilidade.

Conforme Crepaldi (2006, p. 83),

A Contabilidade Rural é uma das ferramentas administrativas menos


utilizadas pelos produtores brasileiros. A Contabilidade Rural é vista como
uma técnica complexa e sem execução, sendo conhecida apenas dentro de
suas finalidades fiscais, grande parte dos produtores não demostram
interesse por uma aplicação gerencial, pois estão sujeitos apenas á
tributação do Imposto de Renda e não utilizam a aplicação gerencial,
colocando em segundo plano toda sua contabilidade.

2.3 CONTABILIDADE DE CUSTOS

2.3.1 Aspectos históricos da contabilidade de custos

Segundo Bruni e Famá (2003),

A contabilidade de custos surgiu basicamente com o advento da Revolução


Industrial, devido à necessidade de informações mais precisas, que
possibilitassem a tomada de decisões. Até então, as operações resumiam-
se basicamente na comercialização de mercadorias e os estoques eram
registrados e avaliados pelo custo de aquisição. Com a Revolução Industrial
as empresas passaram a transformar matéria prima em novos produtos, os
produtos eram resultantes de diferentes materiais e esforços de produção.
Este processo passou a ser chamado de custo de produção ou de
fabricação.

Conforme Martins (2003, p. 20), “o seu valor de compras na empresa


comercial estava agora substituído por uma série de valores pagos pelos fatores de
produção utilizados”.
20

2.3.2 Conceitos de custo

De acordo com Martins (2003, p. 24), “custo é um gasto relativo á bens ou


serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços”. Para Hansen e Moven
(2001, p.61), “custo é o valor em dinheiro, ou equivalente em dinheiro, sacrificado
para produtos e serviços que se espera que tragam um beneficio atual ou futuro
para a organização”.

2.3.3 Objetivos e funções da contabilidade custos

Segundo Leone (2000, p. 109), “a Contabilidade de custos deve identificar,


classificar, registrar, e interpretar os dados monetários provenientes das atividades
desenvolvidas na entidade, com o fim de auxiliar na tomada de decisão da área
administrativa”. De acordo com Martins (2008, 25), “a Contabilidade de custos além
de auxiliar no controle das operações desenvolvidas pelas entidades, auxilia no
processo decisório, por meio da formação dos preços, na escolha de quais produtos
devem ou não ser produzidos”.

2.3.4 Classificação dos custos

2.3.4.1 Custos diretos e custos indiretos

Santos et al (2002, p.43) evidenciam que “os custos diretos são identificados
com precisão no produto acabado, através de um sistema e um método de medição,
e cujo valor é relevante”. Atkinson et al (2000, p. 128) destaca que “os custos diretos
de produção, são aqueles que podem ser identificados diretamente ao produto”.
Segundo Nepomuceno (2004, p. 25), “entende-se por custos indiretos os que não
afetam, especificamente, os centros de custos. Pela natureza desses custos, sua
imputação a cada centro é procedida mediante rateio ou outro critério que se
21

apresente racional”. Para Atkinson et al (2000, p. 128), “os custos indiretos são
incorridos para fornecer os recursos necessários para realizar diversas atividades
que dão apoio à produção de diversos produtos”.

2.3.4.2 Custos fixos e custos variáveis

Os custos fixos, de acordo com Bruni e Famá (2004, p.32), “são custos que,
em determinado período de tempo e em certa capacidade instalada, não variam,
qualquer que seja o volume de atividade da empresa. Existem mesmo que não haja
produção”. Para Crepaldi (2009, p. 96), “Custos fixos são aqueles cujo total não
varia proporcionalmente ao volume produzido”. De acordo com Santos et al (2002, p.
43) “custos variáveis são aqueles que variam em proporção direta com o volume de
produção ou área de plantio”. Para Bruni e Famá (2004, p. 32) são “variáveis quando
seu valor total altera-se diretamente em função das atividades da empresa. Quanto
maior a produção, maiores serão os custos variáveis”.

2.3.5 Análise do custo, volume e resultado

Conforme Santos et al (2002, p. 130), a análise do custo de produção é um


dos meios de conhecer alguns fatores que estejam prejudicando a rentabilidade
econômica da exploração agropecuária.

2.3.5.1 Formação do preço de venda

De acordo com Bornia (2002, p. 59) “[...] o preço de venda é calculado a partir
dos custos, mais a margem de lucro”. Conforme equação abaixo:

Preço = Custo + Lucro


22

2.3.5.2 Margem de contribuição

Para Bornia (2002, p.72) “a margem de contribuição unitária representa a


parcela do preço de venda que resta para a cobertura dos custos e despesas fixas e
para a geração do lucro por produto”. Martins (2006, p.179) destaca que, “[...] é a
diferença entre o preço de venda e o Custo Variável de cada produto”. Dessa
maneira é possível obter a seguinte fórmula:

MC = PV – CV – DV

2.3.5.3 Ponto de equilíbrio contábil

Para as empresas, Crepaldi (2009, p. 163) evidencia que, “o ponto de


equilíbrio é aquele momento que a Empresa Rural atinge um volume de vendas que
lhe permite cobrir seus custos operacionais. Sem lucro nem prejuízo”. A fórmula do
ponto de equilíbrio em quantidade é a seguinte:

PEC = Custos fixos totais / Margem de contribuição

A fórmula do ponto de equilibro contábil em valor é conforme Padoveze


(2003, p. 284):

PEC = Custos fixos totais / % Margem de contribuição

2.3.5.4 Margem de segurança operacional

Bruni e Famá (2004, p.262) relatam que, “a margem de segurança


operacional consiste na quantia ou índice das vendas que excedem o ponto de
equilíbrio da empresa”. A equação para o cálculo é a seguinte:

MSO = quantidade vendida – ponto de equilíbrio


23

3 METODOLOGIA

De acordo com Vergara (2009, p.42) “Pesquisa metodológica é o estudo que


se refere a instrumentos de captação ou de manipulação da realidade”. Segundo
Mattar (1995), este estudo trata-se de uma pesquisa aplicada, pois as informações
obtidas estão diretamente relacionadas ao ambiente empresarial. Ainda de acordo
com Mattar (1955), o estudo realizado é classificado como estudo de campo, pois
permite uma análise estatística com profundidade aceitável. Quanto aos objetivos,
este estudo se classifica como uma pesquisa descritiva por observar, registrar,
analisar e interpretar os fatos ocorridos sem interferir nestes. Para Gil (2002, p.42)
“As pesquisas descritivas tem como objetivo primordial a descrição das
características de determinada população ou fenômeno ou, então, o
estabelecimento de relação entre variáveis”.

A pesquisa se destaca como qualitativa, pois não envolve métodos


estatísticos, somente a descrição. Conforme o entendimento de Beuren et al (2004,
p.92), “na pesquisa qualitativa concebem-se analises mais profundas em relação ao
fenômeno que está sendo estudado”. A investigação foi realizada numa entidade
rural denominada Granja Mundial (imagem 01), localizada no município de
Brumado/BA, entre julho e setembro de 2015. A granja suinícola possui uma área
total de 04 hectares (ha), sendo 03ha cobertos por vegetações típicas da caatinga e
1ha que é ocupado por instalações.

Imagem 01 – Granja Suinícola

Fonte: O próprio autor


24

Dentre o número total de 12 pessoas que trabalham na empresa, apenas 02


foram entrevistados, sendo 01 colaborador e o proprietário da entidade. Essa
pesquisa, portanto, corresponde a 17% daquele universo populacional. Os demais
dados foram obtidos via aplicação de questionários face a face com o proprietário. A
fim de contribuir com o sucesso do estudo e esclarecer dúvidas em relação aos
dados coletados, a sistematização do estudo e a analise dos resultados, foram
realizadas coletas de dados, na forma de entrevistas (apêndices), conversas
informais, visitas a propriedade e consulta a documentos onde foram registradas
informações importantes, pertinentes à propriedade em estudo.

Referente aos procedimentos técnicos, esse estudo utilizou-se inicialmente a


pesquisa bibliográfica para o estudo teórico, sendo que Gil (2002, p.44) traz a
concepção que “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já
elaborado, constituído principalmente por livros e artigos científicos.” Além disso,
aplicou-se o levantamento de dados, juntamente com um acompanhamento na
propriedade, para coletar o máximo possível de informações acerca da atividade
desenvolvida.

A análise e interpretação dos dados se constituíram através do estudo teórico,


do levantamento dos custos e despesas da atividade em estudo, da estruturação de
um sistema de custos e da análise e interpretação dos resultados obtidos com o
investimento envolvido. Os resultados foram analisados de forma qualitativa e
quantitativa, para se perceber como a contabilidade pôde influenciar nas decisões
gerenciais da entidade e como suas técnicas puderam auxiliá-la a reduzir custos e
despesas e maximizar a sua margem de lucro.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Este capítulo do artigo é reservado à apresentação da parte aplicada do


estudo, onde os cálculos serão desenvolvidos sobre dos dados referentes à situação
da granja em agosto, a fim de contemplar o seu objetivo em descrever a importância
da Contabilidade para a gestão econômico-financeira na atividade suinícola.
25

4.1 ATIVIDADE SUINÍCOLA

A propriedade trabalha com a criação de suínos até atingir o período de


terminação, que leva 150 dias, destinando-os para a venda ou para o abate. A
granja possui estrutura para os estágios de gestação, maternidade, creche, recria e
terminação. As atividades são desenvolvidas diariamente por 10 colaboradores.

Os 12 reprodutores (imagem 02), sendo 08 para produção e 04 para descarte,


recebem os cuidados diários de alimentação e limpeza em baias individuais.
Recebem os devidos medicamentos e quando as matrizes entram em
desenvolvimento do cio, os reprodutores passam pelo processo de retirada do
sêmen para a inseminação artificial, pois a propriedade não trabalha com a
fertilização precedida por montas.

Imagem 02 – Reprodutor

Fonte: O próprio autor

As 304 matrizes (300 para produção e 04 para descarte) recebem os


cuidados diários de alimentação e limpeza em baias coletivas. As 300 recebem as
vacinas que garantem a imunidade e evitam doenças que possam surgir com o
passar da gestação. Quando entram em desenvolvimento do cio, um macho circula
entre as matrizes e após a identificação do cio, recebem a inseminação artificial,
permanecendo em baias individuais, no chiqueiro de inseminação, para
acompanhamento e repouso, recebendo alimentação balanceada.
26

Posteriormente, são transferidas para o chiqueiro de gestação (imagem 03),


em baias coletivas. Passados os 80 dias de gestação, a quantidade da alimentação
é aumentada, sendo balanceada para que os leitões nasçam com peso adequado.

Imagem 03 – Matrizes no estágio da gestação

Fonte: O próprio autor

Para o controle das doenças que venham a ocorrer, no antes e pós-parto,


recebem as vacinas necessárias. Quando chegarem aos 07 dias antes do parto,
recebem a limpeza e desinfecção. Em seguida, vão para o chiqueiro maternidade
(imagem 04), onde recebem cuidados especiais pré-parto. Ao nascerem, os leitões
tomam o primeiro leite (colostro), recebendo cuidados e medicamentos necessários.

Imagem 04 – Matrizes no estágio da maternidade

Fonte: O próprio autor


27

Após 23 dias, os leitões são transferidos para a creche (imagem 05), divididos
entre 43 a 60 animais por baia, onde recebem cuidados com alimentação, limpeza e
medicamentos. No período, haviam 800 leitões divididos em 18 estágios da creche.

Imagem 05 – Leitões no estágio da creche

Fonte: O próprio autor

Ficam na creche em torno de 50 dias, até serem transferidos para o chiqueiro


da recria (imagem 06), onde permanecem pelo período de 40 dias. Na recria os
leitões recebem os mesmos cuidados, com alimentação, limpeza e medicamentos.
No período, haviam 200 leitões divididos em 04 estágios da recria.

Imagem 06 – Leitões no estágio da recria

Fonte: O próprio autor


28

Em seguida, os leitões são divididos e levados ou para o chiqueiro da


terminação/engorda, onde os machos são castrados; ou para o chiqueiro da venda,
separados em reprodutores e marrãs. Entre a maternidade e a terminação/venda os
animais ficam, aproximadamente, um período de 150 dias na granja.

A receita auferida pelos produtores é referente à quantidade de suínos


entregues mensalmente para o abate (400 divididos em 04 chiqueiros), ou para a
venda como reprodutores/marrãs (70 suínos divididos em 04 chiqueiros).

O processo de alimentação dos suínos, limpeza dos chiqueiros e baias é


realizado de forma diária. De acordo com a necessidade de cada estágio da
propriedade, é realizada a lavagem e a desinfecção dos locais, além de cuidados
com aplicação de medicamentos. Caso haja perdas com mortes de suínos, esses
são descartados imediatamente dos recintos.

Os dejetos produzidos pelos animais são transportados através de canais até


uma espécie de decantador, para separar os resíduos sólidos dos líquidos.
Posteriormente, os líquidos são transferidos para um tanque (imagem 07) escavado
na propriedade e os sólidos são aproveitados para alimentação de outras criações
do próprio produtor.

Imagem 07 – Tanque para dejetos líquidos

Fonte: O próprio autor

A propriedade recebe consultoria de um escritório de contabilidade situado no


município, porém, nenhum dado referente à atividade é repassado para a geração
29

de informações, ficando a cargo, apenas, da apuração anual do IRPJ – Imposto de


Renda Pessoa Jurídica. As informações da granja são controladas pelo proprietário
da entidade, sem sistemas contábeis ou demonstrações financeiras.

4.2 CUSTOS DA ATIVIDADE SUINÍCOLA

4.2.1 Custos diretos fixos

4.2.1.1 Custo com mão de obra

Conforme a tabela 01, na propriedade em estudo as atividades de


alimentação, limpeza e aplicação de medicamentos são desenvolvidas por 10
colaboradores, que recebem, ao todo, o valor de R$ 6.400,00 mensais. A operação
de inseminação é realizada por 01 veterinário, que trabalha 02 vezes ao mês e
recebe uma quantia de R$ 1.578,00 pela prestação dos seus serviços.

Tabela 01 – Custo com mão de obra

MÃO DE OBRA DIRETA


FUNCIONÁRIOS R$ 6.400,00
VETERINÁRIO R$ 1.578,00

Fonte: O produtor

4.2.2 Custos diretos variáveis

4.2.2.1 Custo com alimentação

Na atividade suinícola da propriedade em estudo, o produtor possui custo


com alimentação dos animais, que são produzidas na própria granja (imagem 08). A
ração dos suínos é composta por farelo de soja, farelo de milho e núcleo, que são
dosados e misturados nas máquinas da fábrica, outra estrutura da propriedade.
30

Imagem 08 – Fábrica de ração

Fonte: O próprio autor

Conforme a tabela 02, a alimentação dos animais é misturada em


quantidades específicas, ou seja, cada quilo de ração contém 620 gramas de farelo
de milho (62%), 290 gramas de farelo de soja (29%) e 90 gramas de núcleo (9%).

Tabela 02 – Custo total com alimentação

CUSTO TOTAL COM EMBALAGEM (KG) PREÇO PREÇO/KG QTD (KG)/MÊS TOTAL
ALIMENTAÇÃO
FARELO DE MILHO 60,00 R$ 30,00 0,50 84.000,00 R$ 42.000,00
FARELO DE SOJA 50,00 R$ 84,00 1,68 40.000,00 R$ 67.200,00
NÚCLEO 25,00 R$ 150,00 6,00 12.500,00 R$ 75.000,00
CUSTO MENSAL TOTAL R$ 184.200,00
Fonte: O produtor

O custo total com a alimentação, descrito na tabela 02, foi distribuído entre
todos os estágios da granja conforme a tabela 03. Aqui, são considerados, a
quantidade por animal, a quantidade de cada composta da ração e o seu preço
unitário e total, de acordo com o consumo diário de cada um, em seu respectivo
estágio, foi possível obter, também, o consumo mensal da alimentação que foi gasto
pela propriedade.
31

Tabela 03 – Custo com alimentação por estágio

RAÇÃO MILHO SOJA


CUSTO COM TOTAL NÚCLE
POR POR POR MILHO SOJA NÚCLEO CUSTO POR CUSTO POR
ALIMENTAÇÃO QTD POR DIA O POR
DIA KG KG (R$) (R$) (R$) DIA (R$) MÊS (R$)
POR ESTÁGIO (KG) KG (9%)
(KG) (62%) (29%)
REPRODUTOR 1,40 12 16,80 10,42 4,87 1,51 6,25 8,18 9,07 23,51 728,70
MATRIZ 1,40 279 390,60 242,17 113,27 35,15 145,30 190,30 210,92 546,53 16.942,35
MATERNIDADE 3,00 25 75,00 46,50 21,75 6,75 27,90 36,54 40,50 104,94 3.253,14
LEITÕES (PÓS- 0,37 200 73,00 45,26 21,17 6,57 27,16 35,57 39,42 102,14 3.166,39
LACTAÇÃO)
CRECHE 1,50 800 1.200,00 744,00 348,00 108,00 446,40 584,64 648,00 1.679,04 52.050,24
RECRIA 4,50 200 900,00 558,00 261,00 81,00 334,80 438,48 486,00 1.259,28 39.037,68
ABATE 2,50 400 1.000,00 620,00 290,00 90,00 372,00 487,20 540,00 1.399,20 43.375,20
VENDA 8,45 70 591,50 366,73 171,54 53,24 220,04 288,18 319,41 827,63 25.656,43
CUSTO MENSAL TOTAL (R$) 184.210,14
Fonte: O produtor

4.2.2.2 Custo com medicamentos e inseminação

Para a aplicação dos medicamentos e inseminação, a propriedade incorreu


em custos que totalizaram R$ 17.000,00 durante o mês de agosto.

4.2.3 Custos indiretos fixos

4.2.3.1 Custo com depreciação

Depreciação é o valor referente à desvalorização do bem, em função do uso


ou desgaste, calculado conforme o anexo I, da Instrução Normativa SRF nº 162/98,
e demonstrado na tabela 04.

Tabela 04 – Custo com depreciação

BEM VALOR VIDA ÚTIL DEPRECIAÇÃO MENSAL


EDIFICAÇÕES R$ 800.000,00 25 ANOS (4% a.a.) R$ 2.666,67
INSTALAÇÕES R$ 500.000,00 10 ANOS (10% a.a.) R$ 4.166,67
MÁQUINAS R$ 400.000,00 10 ANOS (10% a.a.) R$ 3.333,33
REPRODUTOR R$ 80.000,00 5 ANOS (20% a.a.) R$ 1.333,33
MATRIZ R$ 900.000,00 5 ANOS (20% a.a.) R$ 15.000,00
Fonte: Receita Federal do Brasil
32

4.2.4 Custos indiretos variáveis

4.2.4.1 Custo com energia elétrica

O consumo de energia elétrica, no período estudado, contribuiu com o valor


de R$ 1.300,00 para a formação dos custos da atividade suinícola.

4.2.5 Cálculo do custo total

O cálculo do custo total foi efetuado pelo método de custeio por absorção,
que considera todos os custos necessários para a produção, sendo estes fixos e
variáveis, diretos e indiretos. A tabela 05 demonstra os valores auferidos pela granja
no período estudado.

Tabela 05 – Custo total

CUSTO TOTAL - AGOSTO, 2015


CUSTOS FIXOS R$ 38.561,33
SALÁRIOS E HONORÁRIOS R$ 7.978,00
DEPRECIAÇÃO R$ 30.583,33
CUSTOS VARIÁVEIS R$ 202.510,14
ALIMENTAÇÃO R$ 184.210,14
MEDICAMENTOS E INSEMINAÇÃO R$ 17.000,00
ENERGIA ELÉTRICA R$ 1.300,00
TOTAL R$ 241.071,47
Fonte: O próprio autor

O custo com alimentação foi distribuídos entre todos os suínos, conforme o


consumo de cada um. Os custos com a depreciação, energia elétrica, mão de obra,
medicamentos e veterinário, foram atribuídos a todos os suínos igualmente. A
depreciação dos reprodutores e matrizes foi atribuída aos leitões em pós-lactação.
Dessa forma, foi possível encontrar o custo unitário de cada suíno pertencente à
propriedade, conforme demonstrado na tabela 06.
33

Tabela 06 – Custo unitário

CUSTO RAÇÃO DEPRECIAÇÃO ENERGIA MÃO DE MEDICAMENTOS VETERINÁRIO TOTAL


UNITÁRIO (R$) (R$) (R$) OBRA (R$) (R$)
(R$)
REPRODUTOR R$ 60,73 R$ 5,12 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$ 79,08
MATRIZ R$ 60,73 R$ 5,12 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$ 79,08
MATERNIDADE R$130,13 R$ 5,12 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$148,48
LEITÕES (PÓS- R$ 15,83 R$ 86,79 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$115,85
LACTAÇÃO)
CRECHE R$ 65,06 R$ 5,12 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$ 83,41
RECRIA R$195,19 R$ 5,12 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$213,54
ABATE R$108,44 R$ 5,12 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$126,79
VENDA R$366,52 R$ 5,12 R$ 0,65 R$ 3,22 R$ 8,56 R$ 0,79 R$384,87
Fonte: O próprio autor

4.3 ANÁLISE DO CUSTO, VOLUME E RESULTADO

A análise do custo, volume e resultado está relacionada com os suínos


produzidos para o abate e para a venda como reprodutores/marrãs.

4.3.1 Receitas

A receita com suínos para abate (imagem 09) é obtida do preço por quilo, em
que o produtor se baseia no preço praticado em Minas Gerais, ou seja, R$ 4,00/Kg.

Imagem 09 – Suínos para o abate

Fonte: O próprio autor


34

A receita com suínos terminados para venda (imagem 10) percebe o valor
unitário de R$ 2.500,00 para os reprodutores e R$ 1.200,00 o valor unitário para as
marrãs, segundo o produtor rural.

Imagem 10 – Suínos para venda como reprodutores/marrãs

Fonte: O próprio autor

Não existe nenhum valor a ser deduzido da receita bruta. A granja possui
resultado com perdas por mortes de suínos, estipulada no índice 2,5% do valor da
receita bruta. A tabela 07 demonstra a receita auferida no período.

Tabela 07 – Receita com suínos terminados

RECEITAS - AGOSTO, 2015


RECEITA TOTAL R$ 87.500,00
REPRODUTORES R$ 7.500,00
QUANTIDADE 3
PREÇO UNITÁRIO R$ 2.500,00
MARRÃS R$ 24.000,00
QUANTIDADE 20
PREÇO UNITÁRIO R$ 1.200,00
ABATE R$ 56.000,00
QUANTIDADE 200
PREÇO UNITÁRIO R$ 280,00
PREÇO TOTAL R$ 56.000,00
PESO UNITÁRIO 70
PESO TOTAL 14000
PREÇO POR QUILO R$ 4,00
PERDAS COM MORTES DE SUÍNOS (2,5% DA RECEITA BRUTA) R$ 2.187,50
Fonte: O produtor
35

4.3.2 Margem de contribuição

A margem de contribuição total para o suíno terminado para o abate,


conforme tabela 08, foi positiva e satisfatória para a produção, apresentando um
valor de R$ 32.469,50 no período, representando 57,98% da receita bruta.

Tabela 08 – Margem de Contribuição (Abate)

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO – ABATE


RECEITA LÍQUIDA (R$) 56.000,00
CUSTO/DESPESA VARIÁVEL (R$) 23.530,50
MARGEM TOTAL (R$) 32.469,50
MARGEM PERCENTUAL 57,98%
QUANTIDADE (SUÍNOS) 200
MARGEM UNITÁRIA (R$) 162,35
Fonte: O próprio autor

A margem de contribuição total para o suíno terminado para a venda como


reprodutor, conforme tabela 09, foi positiva e satisfatória na produção, apresentando
um valor de R$ 6.372,80 no período, representando 84,97% da receita bruta.

Tabela 09 – Margem de Contribuição (Reprodutor)

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO – REPRODUTORES


RECEITA LÍQUIDA (R$) 7.500,00
CUSTO/DESPESA VARIÁVEL (R$) 1.127,20
MARGEM TOTAL (R$) 6.372,80
MARGEM PERCENTUAL 84,97%
QUANTIDADE (SUÍNOS) 3
MARGEM UNITÁRIA (R$) 2.124,27
Fonte: O próprio autor

A margem de contribuição total para o suíno terminado para a venda como


marrãs, conforme tabela 10, foi positiva e satisfatória para a produção, apresentando
um valor de R$ 16.485,30 no período, representando 68,69% da receita bruta.
36

Tabela 10 – Margem de Contribuição (Marrãs)

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO – MATRIZES


RECEITA LÍQUIDA (R$) 24.000,00
CUSTO/DESPESA VARIÁVEL (R$) 7.514,70
MARGEM TOTAL (R$) 16.485,30
MARGEM PERCENTUAL 68,69%
QUANTIDADE (SUÍNOS) 20
MARGEM UNITÁRIA (R$) 824,27
Fonte: O próprio autor

4.3.3 Ponto de equilíbrio contábil

Conforme a tabela 11, o total de 21 suínos terminados para o abate é preciso


para custear os gastos incorridos mensalmente com esses animais, que
corresponde ao valor de R$ 5.991,48.

Tabela 11 – Ponto de Equilíbrio (Abate)

PONTO DE EQUILÍBRIO – ABATE


CUSTO/DESPESA FIXA (R$) 3.473,93
MARGEM UNITÁRIA (R$) 162,35
PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL (SUÍNOS) 21
MARGEM PERCENTUAL 57,98%
(=) PONTO DE EQUILÍBRIO (R$) 5.991,48
Fonte: O próprio autor

A tabela 12 mostra que 0,02 suíno vendido como reprodutor é preciso para
custear os gastos ocorridos mensalmente com esses animais, que corresponde ao
valor de R$ 61,33.

Tabela 12 – Ponto de Equilíbrio (Reprodutores)

PONTO DE EQUILÍBRIO – REPRODUTORES


CUSTO/DESPESA FIXA (R$) 52,11
MARGEM UNITÁRIA (R$) 2.124,27
PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL (SUÍNOS) 0,02
MARGEM PERCENTUAL 84,97%
(=) PONTO DE EQUILÍBRIO (R$) 61,33
Fonte: O próprio autor
37

A tabela 13 mostra que 0,4 suíno vendido como marrãs é preciso para a
granja custear os gastos ocorridos mensalmente com esses animais, o que
corresponde ao valor de R$ 505,75.

Tabela 13 – Ponto de Equilíbrio (Marrãs)

PONTO DE EQUILÍBRIO – MARRÃS


CUSTO/DESPESA FIXA (R$) 347,39
MARGEM UNITÁRIA (R$) 824,27
PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL (SUÍNOS) 0,4
MARGEM PERCENTUAL 68,69%
(=) PONTO DE EQUILÍBRIO (R$) 505,75
Fonte: O próprio autor

4.3.4 Margem de segurança operacional

Conforme a tabela 14, no período analisado, a propriedade apresentou


quantidade vendida acima da quantidade necessária no ponto de equilíbrio,
proporcionando uma margem de segurança positiva, gerando assim resultado
positivo para a propriedade.

Tabela 14 – Margem de Segurança Operacional Contábil

MARGEM DE SEGURANÇA OPERACIONAL ABATE REPRODUTORES MARRÃS


QUANTIDADE VENDIDA 200 3 20
PONTO DE EQUILÍBRIO 21 0,02 0,4
TOTAL 179 2,98 19,6
Fonte: O próprio autor

4.3.5 Demonstração do resultado do período


38

Para a elaboração do resultado do período, conforme tabela 15, foi utilizado o


valor unitário das receitas, custos e as despesas, que foram multiplicados pelas
quantidades dos suínos terminados e vendidos no mês de agosto de 2015.

Tabela 15 – Demonstração do resultado do período

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO - AGOSTO, 2015


RECEITA OPERACIONAL R$ 87.500,00
(-) DEDUÇÃO DA RECEITA R$ -
(=) RECEITA LÍQUIDA R$ 87.500,00
(-) CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS R$ 40.238,38
ALIMENTAÇÃO R$ 30.117,57
SALÁRIOS E HONORÁRIOS R$ 8.065,97
MEDICAMENTOS R$ 1.908,86
ENERGIA ELÉTRICA R$ 145,97
(=) RESULTADO OPERACIONAL FINANCEIRO R$ 47.261,62
(-) CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO FINANCEIROS R$ 2.868,80
DEPRECIAÇÃO R$ 2.868,80
(=) RESULTADO OPERACIONAL ECONÔMICO/FINANCEIRO R$ 44.392,82
(+/-) RESULTADO COM PERDAS R$ 2.187,50
(-) PERDAS COM MORTES DE SUÍNO R$ 2.187,50
(=) RESULTADO LÍQUIDO DA ATIVIDADE SUINÍCOLA R$ 42.205,32
MARGEM OPERACIONAL 48,23%
RENTABILIDADE 1,23%
Fonte: O próprio autor

5 DISCUSSÃO

A partir da análise dos dados levantados na propriedade, que desenvolve a


atividade suinícola, fica clarividente que a Contabilidade, sem dúvida, é muito
importante para o gerenciamento das atividades econômico-financeiras das
entidades, inclusive das empresas rurais, pois fornece ferramentas gerenciais que
são fundamentais para o planejamento e controle organizacional, a fim de reduzir
custos e despesas e melhorar os resultados. Com essas ferramentas, a
Contabilidade ajuda a garantir uma eficiente gestão dos dados e informações
econômicos e financeiros, a partir de relatórios e demonstrações que auxiliam os
gestores no processo decisório.
39

Infelizmente, com as empresas rurais a realidade é muito diferente, pois a


Contabilidade, enquanto ciência social aplicada, não é vista como um sistema capaz
de gerar as informações que são necessárias para auxiliá-los no processo de
tomada de decisões, reduzindo suas inúmeras ferramentas gerenciais a apenas uma
ou outra funcionalidade, ou seja, para os produtores rurais a Contabilidade é
encarada como uma técnica complexa e de baixo retorno. Dessa forma, a atividade
rural, que se desenvolve dentro de critérios bastante tradicionais, apresentando
visíveis carências, o que prejudica a eficiência e eficácia de todo o processo, bem
como os resultados operacionais.

O produtor rural, como usuário da contabilidade, precisa conhecer qual o tipo


de informação que auxilia sempre na escolha pela melhor alternativa, assim, é
fundamental uma grande mudança de postura das empresas rurais, que possibilite
melhoria na gestão, ou seja, se faz necessário a implantação de novos
procedimentos e técnicas contábeis tais como, gestão de custos e sistema de
informações gerenciais, que proporcione uma adequada utilização da tecnologia
para a vitalidade dos negócios.
40

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para se alcançar uma melhoria nos resultados operacionais e garantir a


evolução dos negócios, as empresas rurais precisam promover uma atualização dos
meios gerenciais, tomando decisões tempestivas e confiáveis, que se adequem às
exigências do mercado. Para isso, o produtor rural deve compreender a relevância
das ferramentas e técnicas que a Contabilidade proporciona para as entidades, que
permite, por meio das informações geradas, o planejamento, o controle e a tomada
de decisão, independente da atividade desenvolvida ou do porte da empresa. Para a
realização deste artigo, foram escolhidas as áreas de Contabilidade Geral, Rural e
Custos, com a finalidade de se analisar os resultados obtidos com a produção numa
granja suinícola. Utilizou-se da pesquisa bibliográfica para fundamentação dos
conceitos, objetivos e aplicações das áreas abrangidas; classificação dos custos,
métodos de custeio e métodos de análise dos resultados; e em seguida, todos os
custos relacionados com a produção na atividade suinícola foram levantados para
contemplar a parte aplicada do estudo. O estudo foi realizado a partir de visitas em
apenas uma propriedade rural, que desenvolve a produção de suínos, desde a fase
de fertilização até a fase terminação para o abate ou para a venda. Nessa
propriedade são realizadas as atividades de manejo dos animais e recintos,
fabricação de ração, aplicação de medicamentos e inseminação artificial.

A contabilidade é um instrumento fundamental para a gestão de informações


e de mensuração que suportam o processo decisório, refletindo de forma confiável
as atividades operacionais das empresas, trazendo ótimos resultados econômicos e
financeiros para as mesmas. Porém, na propriedade rural estudada, a Contabilidade
é utilizada apenas como consultoria, que só é necessária para a realização de
poucas funções, abandonando a variedade de ferramentas que a ciência contábil é
capaz de proporcionar a essas entidades, servindo-se como sistema de informações
gerenciais indispensável para a tomada de decisões. Da mesma forma que acontece
na maioria das empresas rurais no Brasil, a atividade suinícola é gerenciada de
forma tradicional, ou seja, o produtor rural é quem controla a grande maioria dos
dados e informações contábeis, utilizando-as de maneira completamente informal.
Assim, sem o devido controle e gestão das informações econômico-financeiras, a
41

propriedade rural corre o iminente risco de mensurar os fatos contábeis de maneira


errônea, além de não aplicar determinadas técnicas inerentes à Contabilidade tais
como, depreciação de ativos, análise do custo, volume e resultado, análise
financeira, planejamento tributário, entre outras.

As ferramentas contábeis desempenham um papel importante para as


entidades, a partir das informações econômico-financeiras que permitem o
planejamento, o controle e a tomada de decisão, fazendo com que as propriedades
rurais se tornem capazes de acompanhar o crescimento do setor e obtenham um
diferencial competitivo. O ideal é que os produtores rurais compreendam a
importância da Contabilidade como um sistema que auxilia a entidade no processo
decisório, com o objetivo de estudar, registrar e controlar a gestão econômica do
patrimônio das empresas rurais. Então, para viabilizar a redução de custos e
despesas, bem como aumentar a lucratividade na propriedade rural, é necessário
abandonar as características tradicionais de gerenciamento e implantar um sistema
de informação contábil que integre este processo, além de aderir às novas
tecnologias deste setor. O uso correto dos procedimentos e técnicas contábeis
amplia e qualifica as informações necessárias ao produtor rural para a tomada de
decisões acertadas durante o desenvolvimento das atividades, bem como, avaliar os
resultados operacionais. Dessa forma, o presente estudo contribuiu para descrever a
importância de se utilizar a Contabilidade como fornecedora de ferramentas de
planejamento e controle da atividade suinícola.

Os resultados encontrados na análise dos dados indicam que a atividade


suinícola é econômica e financeiramente viável para a propriedade estudada, porém,
a deficiência no controle das informações, que não foram levantadas com
fidedignidade, ou seja, com 100% de conformidade com a real situação da entidade,
confirma e contempla o objetivo deste estudo, que é descrever a importância da
contabilidade como mecanismo de planejamento e controle para a gestão das
entidades rurais. Enfim, conclui-se que os objetivos propostos, tanto gerais como
específicos, foram atingidos, pois a revisão dos fundamentos teóricos, o
mapeamento das atividades produtivas da propriedade, o levantamento e
apresentação dos custos da atividade suinícola e a análise dos resultados obtidos
foram essenciais para se descrever a importância da Contabilidade no processo de
gestão das atividades rurais, inclusive a suinocultura.
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APÊNDICE A – Roteiro de entrevista I (Continua)


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APÊNDICE A – Roteiro de entrevista I (Conclusão)


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APÊNDICE B – Roteiro de entrevista II (Continua)


48

APÊNDICE B – Roteiro de entrevista II (Continuação)


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APÊNDICE B – Roteiro de entrevista II (Conclusão)