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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA EXATAS E TECNOLÓGICAS


ENGENHARIA QUÍMICA

TRATAMENTO BIOLÓGICO DE EFLUENTES

KATIÚSSIA ANDRADE SACRAMENTO (201511406)

ILHÉUS – BAHIA
2017
1. LODOS ATIVADOS
O processo de tratamento de efluentes em questão consiste na mistura, agitação e
aeração entre o lodo ativado e os despejos domésticos ou industriais. Esse lodo é
basicamente uma massa formada por uma colônia de microorganismos responsáveis por
depurar a matéria orgânica na presença de oxigênio. Como mostrado na Figura 01, o seu
sistema consiste em um reator aeróbio, também conhecido como tanque de aeração, onde
ocorrem os processos de (bio)degradação ou oxidação da materia orgânica por meio de
bactérias aeróbias (esses tanques são, de maneira geral, retangulares, apresentando de 3 a
5 metros de profundidade), e de uma unidade de separação sólido/líquido, no caso da
Figura 01 essa unidade é representada por um decantador, onde ocorre a separação da
fase líquida da (bio)massa formada. Quase toda essa (bio)massa retorna para o tanque de
aeração através de um sistema de recirculação de lodo, que tem por objetivo manter no
reator uma população de organismos suficiente para consumir a quantidade desejada de
matéria orgânica. Além dos componentes citados acima, o processo também conta com
um sistema de aeração que funciona fornecendo o oxigênio necessário para que as reações
ocorram.

Figura 01 - Desenho explicativo de um sistea de tratamento de esgoto do tipo lodos


ativados.

Fonte: SILVA, C. E.3

O sistema em si necessita de pequena área física para implantação, o que contribui


para o fato dele ser uma das formas de tratamento biológico de efluentes mais utilizado,
além de apresentar uma ótima eficência de remoção da matéria orgânica e nitrogenada
(cerca de 95% quando a matéria orgânica apresenta-se inferior a 2g DBOL-1). Porém,
apesar da pouca área física necessária, o sistema necessita de um elevado grau de
mecanização e, consequentemente, um alto consumo de energia elétrica.
Dentre os microorganismos que compõem o lodo estão, em sua maioria, as
bactérias, principais responsável pela estabilização da matéria orgânica, e os protozoários,
que tem a função de clarificar o efluente do processo.
2. FILTROS BIOLÓGICOS

Os filtros biológicos são aparelhos muito utilizados para o tratamento de efluentes.


Eles são constituidos basicamente de um leito, que pode ser feito de perdras, ripas ou
materiais sintéticos, aos quais os microorganismos aderem e se desenvolvem, e também
por onde o efluente a ser tratado passa. A Figura 02 apresenta um desenho detalhado de
um filtro biológico, que nos mostra que, além do leito, ele também possui um distribuidor
rotativo e um dreno localizado no fundo do filtro. De forma geral, o efluente é lançado
para o leito através do distribuidor rotativo, onde parte da matéria orgânica é absorvida
pelos microorganismos aeróbios, que a degradam, e o efluente tratado é coletado pelo
dreno, que serve também para permitir a passagem de oxigênio através do leito.
Figura 02 – Desenho detalhado de um filtro biológico.

Fonte: LIMA, et al.1

Como mostra a Figura 03, agregado ao filtro existem dois decantadores, um


anterior ao processo de filtração que é utilizado de modo a evitar o entupimento do filtro
e outro após, onde os sólidos serão separados do líquido final.

Figura 03 – Esquema do processo te tratamento de efluente utilizando um filtro


biológico.

Fonte: LIMA, et al.1

Eles podem ser classificados em filtros de baixa taxa, que são simples e possuem
uma alta remoção de DBO, e os filtros de alta taxa que é menos eficiente que o anterior.
Sendo assim, a sua eficiência de cerca de 70 a 80% é medida atraves da redução da DBO.
Dentre os microorganismos que se desenvolvem no leito e são responsáveis pela
degradação da matéria orgânica estão: bactérias (grande maioria), protozoários,
micrometazoários e fungos.
3. LAGOAS

Existem basicamente dois tipos de lagoas utilizadas como forma de tratamento


biológico de efluentes, são elas: lagoas de estabilização e lagoas aeradas. A primeira
consiste em um dos sistemas mais simples de tratamento de esgoto. Nelas o efluente é
tratado através de procedimentos inteiramente naturais onde os microorganismos
envolvidos no processo são, principalmente, bactérias e algas. Esses dois
microorganismos trabalham de forma mútua, sendo as algas responsáveis por fornecer o
oxigênio que é utilizado pelas bactérias e essas as responsáveis por produzir o CO2 que
as algas utilizam na sua fotossíntese. Devido ao fato do processo durar alguns dias, ele
torna-se bastante eficaz e o seu custo, de forma geral, é bastante reduzido.
Essas lagoas de estabilização são tanques de pequena profundiade e podem ser
classificadas em: lagoas aeróbias que útiliza o mesmo processo biológico da digestão
anaeróbia e é projetada para receber grandes cargas orgânicas, as lagoas facultativas que
apresentam condições aeróbias nas camadas superiores e anaeróbias nas inferiores, as
lagoas de maturação, que vem logo após as facultativas e servem para destruir
microorganismos patógenos e as lagoas fotossintéticas que são mais utilizadas para o
tratamento de águas residuárias. Indica-se que o efluente passe por uma série de lagoas
do que por uma única lagoa. Os processos envolvidos nesse tipo de tratamento são:
floculação/flotação e microfiltração.
No entanto, as lagoas aeradas são mais utilizadas quando não se dipõe de grandes
áreas e quando a presença de algas não é desejada. Ao contrário das lagoas de
estabilização, essas dependem da introdução artificial de oxigênio e a energia da aeração
acaba por dar origem a flocos biológicos. Essas lagoas são divididas em facultativas onde
existe baixa turbulência, mas o suficiente para manter o nível de oxigenação desejado e
lagoas aeradas de mistura completa onde existe alta turbulência, mantendo toda a
bio(massa) em suspensão.
De modo geral, no processo de tratamento utilizando lagoas facultativas, presente
na Figura 04, o efluente entra e sai da lagoa de forma contínua, e é nesse processo que
ocorre a degradação da matéria orgânica pelos microorganismos. As bactérias anaeróbias
presentes no fundo da lagoa (zona anaeróbia) são responsáveis por degradarem a matéria
orgânica sedmientada no interior da lagoa, já as bactérias aérobias e facultativas são
responsáveis por degradarem a matéria orgânica dispersa e dissolvida. Mais próximo a
superficie, onde há grande presença de oxigênio, as bactérias aeróbias agem, já em regiões
mais inferiores onde o oxigênio não é muito presente, a degradação é feita pelas bactérias
facultativas, que hora degrada por meio aeróbio, hora por meio anaeróbio.
Figura 04 – Esquema de fuincionamento de uma lagoa facultativa.

Fonte: Digestão Anaeróbia.4


4. DIGESTORES
Os digestores biológicos são utilizados de duas formas no tratamento de efluentes,
sendo elas: na estabilização de lodos oriundos de um outro sistema e para tratamentos
onde haja uma elevada concentração de sólidos suspensos. No interior desses digestores
ocorre a sedimentação dos sólidos mais concentrados, para isso, as paredes de fundo são
inclinadas. Eles são constituídos por tanques circulares com diâmetro variando entre 6 e
38 metros e profundiade de 7 e 14 metros. Existem três principais tipos de digestores,
sendo eles: digestores anaeróbios de baixa carga, digestores anaeróbios de um estágio e
alta carga e digestores anaeróbios de dois estágios e alta carga. Os biodigestores
funcionam como um reator químico onde as reações químicas tem origem biológicas,
sendo feitas então por bactérias anaeróbias.
De acordo com a Figura 05, os digestores anaeróbios de baixa carga não possuem
um dispositivo de mistura e é dentro do tanque que ocorrem, simultaneamente, a digestão,
o adensamento do lodo e a formação do sobrenadante. Os produtos principais são:
fertilizantes e (bio)gás. O processo de digestão é feito da seguinte forma: primeiro ocorre
a hidrolise, ou quebra das moléculas mais complexas em moléculas mais simples, depois
ocorre a acidogênese, onde os compostos produzidos na hidrolise são convertidos em
ácidos graxos voláteis, em seguida tem a acetogênese onde as bactérias oxidam esse ácido
formado na etapa anterior e, por fim, tem a metanogênse, onde as bactérias produzem o
gás metano. Para cada etapa do processo existe um tipo de bactéria específica para agir.

Figura 05 – Descrição de um Digestor Anaeróbio de baixa carga.

Fonte: RUAS, G.5


5. REFERÊNCIAS

[1] LIMA et al. Biotecnologia Industrial; vol. 3; Processos Fermentativos e Enzimáticos;


Cap. 23: Tratamento Biológico de Efluentes.
[2] O processo de tratamento de esgoto. Disponível em:
<http://www.comusa.rs.gov.br/index.php/saneamento/tratamentoesgoto>. Acesso em 24
de outubro às 20:01h.
[3] SILVA, C. E. Tratamento de Resíduos e impactos ambientais. Disponível em:
<http://jararaca.ufsm.br/websites/ces/download/A4.pdf>. Acesso em 24 de outubro de
2017 às 20:01h.
[4] Digestão Anaeróbia. Disponível em:
http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/DigeAnae.html. Acesso em 24 de outubro de
2017 às 21:00h.
[5] RUAS, G. Tratamento de Efluentes. Disponível em:
https://www.slideshare.net/GraziRuas/tratamento-anaerobio-aula72015. Acesso em 24
de outubro de 2017 às 21:50h.