1º Ano

O cultivo da cana-de-açúcar no Brasil colonial A colonização do Brasil foi economicamente baseada no cultivo da cana-de-açúcar. O açúcar, originário da Ásia, foi trazido para a Europa pelos árabes e pelos participantes das Cruzadas. Durante a Idade Média, o açúcar era considerado um bem de luxo e seu preço era, conseqüentemente, bastante alto. Em razão de suas grandes navegações, Portugal povoou algumas ilhas do Atlântico e iniciou, nas ilhas de Madeira, Açores e Cabo Verde, a cultura da cana-de-açúcar. Portugal tinha o objetivo de comercializar a cana em grande escala. Já no século XV, a produção de açúcar no arquipélago da Madeira tornarase bastante lucrativa para Portugal e para seus sócios - os comerciantes e banqueiros de Flandres. A experiência nessas ilhas levou os portugueses a tomar a decisão de criar uma lavoura canavieira no Brasil. Existiam, porém, outras e mais importantes razões para os portugueses fazerem do açúcar o ponto-chave de sua colonização do Brasil. Uma dessas razões era o clima quente e úmido e o solo de massapé do litoral nordestino que era ideal para o plantio da cana-de-açúcar. Outra razão era que os portugueses estavam interessados apenas em cultivar um produto que fosse bastante consumido na Europa. O açúcar estava em grande demanda na Europa. Isso foi o fator decisivo que levou os portugueses a implantarem a cultura de cana-de-açúcar no Brasil. Os problemas da colonização e o papel da Holanda Quando as nações européias exploravam novas colônias, elas buscavam regiões que eram ricas em recursos naturais. Elas instalavam uma feitoria e adquiriam bens a baixos preços. No Brasil, porém, esse sistema não poderia funcionar. Os problemas da colonização A montagem de um sistema produtor de bens numa área tão afastada de Portugal implicaria a necessidade de enormes recursos financeiros para a implantação, aqui, de tecnologia, populações e implementos necessários para criar um fluxo permanente de bens destinados ao consumo do Velho Continente. Portugal, na época, ou não detinha tais recursos, ou não conhecia meios efetivos de canalizar a poupança interna para uma tão ousada iniciativa. Isso pressupunha, portanto, a vinda de investimentos internacionais, que deveriam ser atraídos para uma área - o Brasil - amplamente desconhecida e de alto risco para o investidor. Em suma: O primeiro problema para a colonização do Brasil: Investimento inicial - destituído de poupança interna, Portugal precisava atrair a poupança externa. Para interessar os investidores estrangeiros, o Reino português teria de escolher um produto que satisfizesse às seguintes condições: a existência de mercado para ele na Europa; capacidade de ampliar mercados; relativa experiência de Portugal em sua produção e comercialização e, por fim, que fosse um gênero adequado às condições ambientais do Brasil. O segundo problema para a colonização do Brasil: A escolha do produto - o gênero a ser escolhido deveria: ter mercados na Europa; ampliar mercados; ser produzido e comercializado por Portugal; ser adaptado à ecologia americana. Outro obstáculo à colonização do Brasil era a questão do transporte. De fato, a marinha lusitana, em função do grande número de perdas de embarcações na “rota oriental”, encontrava-se bastante abalada. Além disso, era crescente o número de navegadores e construtores navais portugueses que, famosos por seus conhecimentos técnicos, eram atraídos para outros países europeus em função dos elevados salários que a eles eram oferecidos. Impunha-se, por conseguinte, o apoio de uma frota estrangeira. O terceiro problema para a colonização do Brasil: A questão do transporte - o relativo enfraquecimento da marinha portuguesa demandava o suporte de navios estrangeiros. Por fim, outro problema a ser resolvido era o da mão-de-obra, já que a colonização não poderia se apoiar no trabalho assalariado, pelo alto custo que acarretaria à produção e por total incompatibilidade do regime de trabalho livre com as normas mercantilistas de exploração colonial. Com efeito, a existência de um regime de trabalho assalariado no Brasil implicaria a criação de um mercado consumidor local, gerador de produção interna, o que provocaria o enriquecimento da própria colônia, desviando capitais que deveriam ser acumulados na Metrópole. O quarto problema para a colonização do Brasil: A mão-de-obra - as necessidades de exploração econômica da área colonial por parte da metrópole impossibilitavam o trabalho assalariado, pelo seu alto custo e pelo fato de provocar a prosperidade da própria colônia. Todos os problemas que obstavam a colonização tiveram uma solução açucareira. O problema da colonização – uma solução açucareira A Solução: O Açúcar No início do século XVI, nenhum gênero agrícola extra-europeu conhecia ampla comercialização no interior do Velho Mundo. O principal produto da terra – o trigo – era abundante no próprio continente, o que tornava sua importação desnecessária. Além disso, os fretes marítimos eram bastante elevados, em virtude dos riscos que envolviam o transporte à longa distância: somente bens manufaturados e as caras e exóticas especiarias orientais podiam comportá-los. Inúmeros eram, pois, os obstáculos e custos do empreendimento agrícola em território americano, fato que não era ignorado por nenhum empresário europeu. A colonização do Brasil, em seus momentos iniciais, consistiu basicamente, na montagem de um sistema produtor de açúcar. Os portugueses, nessa época, já eram os maiores produtores mundiais dessa apreciada especiaria. Assim, aproveitando sua experiência açucareira nas ilhas atlânticas, Portugal implantou em nosso país uma solução semelhante, o que, além de propiciar a solução de inúmeros problemas técnicos relacionados com a produção de açúcar, fomentou o desenvolvimento em Portugal de uma indústria de equipamentos para os engenhos. Contudo, a maior vantagem do empreendimento açucareiro português ocorreu no campo comercial. Numa primeira fase, o açúcar lusitano entrou nos tradicionais canais de troca, controlados pelos mercadores das cidades italianas. Nas últimas décadas do século XV, porém, o produto sofreu uma sensível baixa de preço, indicando que as redes comerciais dominadas pela burguesia da orla mediterrânea não se ampliaram na medida requerida pela expansão da

Não havia mercados para o pequeno produtor (o simples lavrador não atingia o mercado externo. foi fundamentalmente holandês. As tribos indígenas eram hostis (o latifúndio dispunha de recursos para formar um forte contingente de homens armados que o defendessem contra os ataques dos selvagens. Em suma. Assim. que comercializavam o açúcar. Os portugueses não lucraram tanto quanto os holandeses. alto valor unitário e consumo diminuto. Enquanto o açúcar estivera nas mãos de produtores árabes e comerciantes italianos. uma relativa ampliação do mercado e uma queda no preço açucareiro. só podia obter propriedade fundiária quem tivesse posses para cultivá-las. além de tomar parte no tráfico negreiro. inevitavelmente. Inúmeros obstáculos impediram a formação. Efetivamente. já que o interesse era a grande produção destinada ao mercado europeu. Os pequenos proprietários não dispunham de recursos suficientes (a instalação de um engenho de açúcar – equipamento técnico indispensável ao sucesso da colonização – exigia um volume de capital inacessível ao pequeno lavrador). ao qual se destinava a produção açucareira. não foi brasileiro e nem português. acarretaria. Pode-se dizer. recebiam açúcar como parte do dote matrimonial. O caráter aristocrático da posse agrária no Brasil data do início da colonização. o que começava a provocar crises de superprodução e uma política de desestímulo aos novos plantios. mas essa aliança econômica ajudou a aliviar os problemas econômicos de Portugal. Pequeno volume. Fundamentalmente. que o açúcar perdeu sua condição de especiaria e se tornou um gênero de consumo corrente graças aos esforços flamengos. a pequena propriedade foi esmagada pelo latifúndio. Porém. os navios holandeses. quer obtidos em bancos holandeses. Até o século XVI. todos os navios que partiam para o Brasil eram obrigados a partir de portos portugueses e todos os navios que vinham do Brasil tinham que fazer uma escala em Portugal. nos momentos iniciais do processo colonizatório. pois dentro dos estreitos limites mercantis estabelecidos pelos negociantes da Península Itálica. Isto significaria a negação radical da finalidade do antigo sistema colonial: a acumulação de capital das economias centrais e metropolitanas). conhecemos problemas agrários em nosso país. Por outro lado. Inúmeros obstáculos jurídicos impediram os lavradores independentes de se dedicarem para produtos ao alcance de seus pequenos recursos. tal era seu preço que príncipes. acostumados ao comércio intra-europeu. o açúcar não podia ser absorvido senão em escala relativamente limitada. assumindo o monopólio do transporte açucareiro para a Europa. Essa foi a grande tarefa do capital comercial holandês. houve também nesse período uma crise de superprodução. apoiado no trabalho individual ou familiar de pequenos agricultores – não teve condições para se desenvolver. suporte naval . A lógica da colonização mercantilista abafou o pequeno lavrador. já que o açúcar é um poderoso energético. decidiu restringir a produção. De fato. e.ajudando a trazer escravos e. data dos primórdios da colonização. Mas. que. cultivando suas próprias terras. ele foi um “presente de reis”. em função da baixa do preço. descapitalizando Portugal. este gênero ainda apresentava características de especiaria. quando acometidas por doenças graves. montagem de uma grande rede de distribuição comercial açucareira em todo continente europeu. os flamengos. 2. A existência de minifúndios entrava em contradição com o caráter mercantilista da empresa colonizatória (o propósito real do esforço de colonização era a montagem de zonas produtoras de gêneros primários para os mercados externos. Com efeito. Interessado em excluir camadas médias e populares da colonização brasileira. em 1496. uma produção orientada para a subsistência dos próprios lavradores. possuíam recursos e uma sofisticada organização comercial. levou o gênero para a Europa Central e Oriental. pouco a pouco. em função de seus recursos limitados. pouco dependendo de fornecimentos exteriores). peso reduzido. O trabalho livre de pequenos agricultores autônomos. o papel holandês para criar a realidade agrícola brasileira consistiu em: O capital holandês na colonização do Brasil:. os minifundiários foram vítimas de uma pressão real por parte do latifúndio. 5. A produção açucareira no Brasil Colonial O sistema produtor açucareiro implantado no Brasil foi juridicamente baseado no regime de concessão de sesmarias.produção açucareira. quase metade desta já era enviada para os portos flamengos. pela “Lei das Sesmarias”. A rota do açúcar brasileiro O capital mercantil e financeiro holandês O capital mercantil e financeiro holandês foi fator fundamental para o êxito da colonização do Brasil. É por esse motivo que. não possibilitava o desbravamento de um território virgem e de penetração extremamente difícil. financiamento dos sistemas produtores implantados em nosso território. Por conseguinte. De fato. o mercado interno no Brasil Colônia quase não existia. era presa fácil para os índios). desde cedo. Além disso. ajudaram ainda mais a acumulação de capital gerado pelo açúcar brasileiro nos Países Baixos. pode-se afirmar que o negócio açucareiro do Brasil. Portugal só concedia terras às pessoas detentoras de grandes capitais. na realidade. No final do século XV. quer próprios. O governo português cobrava imposto sobre qualquer transação comercial feita com o Brasil. de uma comunidade de pequenos e médios proprietários. Um bom exemplo disso: a fabricação . foi a produção lusitana nas ilhas atlânticas que permitiu. a grande unidade econômica dos tempos coloniais. o “movimento dos sem-terras” não é recente. além de ampliar o consumo no oeste da Europa. sem dúvida. a pequena propriedade – o minifúndio. Pessoas de alto poder aquisitivo utilizavam-no como remédio. 4. À luz de tudo que dissemos. graças aos lucros dos fretes. essa aliança econômica de Portugal com a Holanda promoveu o povoamento do Brasil e permitiu que Portugal garantisse seu controle sobre todo o território brasileiro. no século XVI e início do XVII. portanto. quando a coroa portuguesa. a principal conseqüência da entrada da produção portuguesa no mercado foi a ruptura do monopólio de acesso às fontes de produção. Na realidade. o açúcar lusitano passou também a ser encaminhado para Flandres. época em que o açúcar de nosso país começou a surgir nos mercados mundiais. a Europa Ocidental já estava bem abastecida do produto.3. a implantação do sistema produtor em nosso país. A contribuição holandesa para a colonização brasileira não se limitou apenas ao aspecto mercantil: os capitalistas holandeses financiaram. As razões da inexistência da pequena propriedade no período colonial 1. Como já observamos. a pequena propriedade. principalmente porque o latifúndio. até hoje. em nosso país. Realmente.2. 3. em grande parte. além de discriminados por uma legislação opressora. ao contrário. quando se casavam. simultaneamente. A pequena propriedade. produzia o necessário para seu consumo interno. o que possibilitou criar um mercado de grandes dimensões para o açúcar brasileiro. mantido até então pelos venezianos. a implantação da cana-de-açúcar no Brasil só seria possível se novos mercados fossem criados. a experiência técnica dos portugueses na produção de açúcar não era suficiente para levar adiante a colonização do Brasil: a capacidade comercial e o poder financeiro dos holandeses tornaram viável o empreendimento.

atividades características das economias citadinas. As características da plantation: Conceito de plantation Objetivo explorador . quer colonial. Os setores da camada mercantil européia. Assim. Carência do mercado interno . Produção latifundiária . Transferência de capital gerado pela produção para a esfera da circulação . Em resumo. criou uma verdadeira divisão mundial do trabalho. ligados ao comércio escravista. também se optou pela implantação do escravismo negro na América.durante o capitalismo mercantil. a colonização do Brasil teve um sentido mercantilista. somente.de aguardente exigiria. A indústria e o comércio. de um lado. carpintarias e serrarias estavam concentradas.as zonas produtoras coloniais dedicavam-se à elaboração de um só produto. inserido na própria lógica do mercantilismo. eles continuariam desfrutando dos lucros exorbitantes proporcionados pelo tráfico negreiro. o capital mercantil assumiu uma dupla função: a de produtor. o surgimento de um setor da população colonial voltado para a produção de artigos de consumo estritamente local. os investimentos realizados na colônia não podiam fomentar. o açucareiro) – e um outro voltado à produção básica de subsistência (em nosso país. Além disso. as burguesias metropolitanas asseguraram-se a exclusividade dos lucros. tinha função precípua de se inserir na órbita da circulação de mercadorias. que preconizava o fortalecimento das economias metropolitanas. de maneira dispersiva. engenhos de baixo custo. conseqüentemente.basicamente bipolarizada: senhores de engenho e latifundiários. Ao instalar uma área produtora açucareira no Brasil. efetuavam as diminutas transações comerciais. a circulação comandava a produção. seu caráter de controlador da circulação de mercadorias e capitais. com relativo apoio flamengo. Sociedade colonial . do tráfico negreiro. Funções tripartites . o escravismo vedava a possibilidade de as rendas geradas pelo aparelho produtor periférico permanecerem na própria colônia. ao eliminar a pequena propriedade. o mercantilismo – que inicialmente pretendera a mera circulação mercantil – desdobrou-se numa nova fase de seu desenvolvimento.no Brasil colônia. Portugal. Dessa forma. no Brasil. tornou-se a base da colonização do Brasil. buscava complementar as economias metropolitanas e acelerar a acumulação primitiva de capital em mãos da burguesia mercantil européia. Mão-de-obra escrava . O tráfico negreiro estava.a adoção do trabalho escravo impedia a formação de um mercado interno e. proibiu a fabricação de “pinga”. No primeiro século da ocupação e valorização do Brasil. Modestos mascates ambulantes.a lógica mercantilista e os entraves jurídicos à pequena propriedade impediram o desenvolvimento da produção e do comércio internos. da tributação e. em escalas muito reduzidas. no início dos Tempos Modernos. No século XVI e XVII.como a meta básica da produção colonial era suprir a demanda externa. o capital comercial holandês investiu na produção e cuidou da circulação. Olarias. que dependeriam da eventual existência de um mercado interno colonial. fundamentalmente a pecuária). dependiam da exploração do solo. assim. Produção em dois eixos . Impedindo o processo de acumulação de capital no interior das regiões coloniais. voltada para os mercados europeus. todo e qualquer sistema produtor. Como o capital comercial se interessava. desviando-os para a Europa. o “aristocrático açúcar matou a democrática aguardente”.um eixo dinâmico gerador de renda – o exportador (no caso do Brasil. às áreas das grandes fazendas. em termos econômicos. e escravos. Nessa fase inicial do capitalismo. quer europeu. empreendimento comercial de alta rentabilidade. E essa lógica impôs a “plantation” como modo de produção típico das áreas periféricas submetidas aos ditames do antigo sistema colonial. na base da sociedade. apenas pela venda de açúcar em grandes quantidades. só interessava ao capital comercial a exploração agrícola em grande escala.a produção colonial. o latifúndio se especializou na produção açucareira e a Metrópole Lusitana se ocupou da administração. devido à existência do tráfico de africanos. reservando a cada área periférica a exclusividade na produção de um determinado gênero. mantendo. . Dessa maneira. praticamente inexistiu qualquer tipo de produção urbana. o latifúndio. as vilas brasileiras não podiam ser chamadas de realidades urbanas. contudo. Os altos preços que o produtor colonial pagava pela “mercadoria” africana sangravam ainda mais os parcos capitais retidos na colônia. pressionavam para que se impusessem formas compulsórias de trabalho em todas as áreas coloniais: assim. A lógica mercantilista de colonização praticamente excluiu camadas médias. Como bem observa o historiador Caio Prado Júnior. Como tal produção desfalcava os grandes engenhos da cana de que necessitavam. Monocultura . Nesse contexto. o mercantilismo. várias atividades agrícolas. que percorriam os latifúndios e as poucas vilas em busca de escassos fregueses. pelo Alvará de 1570.

Mas ela só se reuniu em 3 de maio de 1823. O elitismo do projeto constitucional era claro: para votar na eleição de deputados. O voto seria censitário. funcionários públicos e outros se reuniram para redigir a primeira Constituição do Brasil independente. que eram a favor da diminuição do poder Executivo. Em setembro de 1823. resistiram à decisão de D. por exemplo. Coube ao povo se armar e enfrentar as guarnições portuguesas que se opunham à libertação do país. O principal responsável pela realização da nova Constituição foi Carneiro de Campos. Esse grupo temia a democracia. para votar na eleição de senadores. que se aproximou mais do meio militar. Antônio Carlos Andrada apresentou um projeto de Constituição que limitava os poderes do imperador. O Brasil não tinha um exército bem treinado que pudesse enfrentar as tropas portuguesas. O Poder Legislativo.2º Ano O Primeiro Reinado – Parte I Como estudamos na aula anterior. Sua liderança prejudicou as ambições dos liberais. como Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira. Pedro e incentivando suas tendências absolutistas. um cidadão precisaria ter um rendimento anual equivalente a 150 alqueires de mandioca. Para candidatar-se a deputado. exercido pelo imperador. que era baseada na monocultura. D. Um deles – o grupo mais fraco – era o dos democratas. o poder do Estado sobre a Igreja. Pedro determinou que a Assembléia Nacional Constituinte seria dissolvida. Esse projeto passou a ser conhecido pelo nome de Constituição da Mandioca – o produto que era usado como base para medir a riqueza das pessoas que participariam da vida política brasileira. juízes. o imperador se afastava da oligarquia rural brasileira que apoiava uma Constituição mais liberal. que seria incumbido de elaborar uma nova Constituição. formado por deputados e senadores. O outro grupo – mais forte e mais bem organizado – era liderado por José Bonifácio. dissolver a Câmara dos Deputados quando quisesse. aqueles que resistiram foram presos. Os liberais favoreciam a liberdade de expressão e de iniciativa privada e defendiam a descentralização administrativa e a autonomia das províncias. As desavenças entre a Assembléia Constituinte e o imperador foram crescendo progressivamente. militares. Mas essa elite brasileira não queria mudar a estrutura econômica do Brasil. sendo obrigado a respeitá-la. precisaria ter 500 alqueires. até José Bonifácio rompeu com o imperador. que representava a vontade da maioria da população brasileira. os deputados mantiveram-se reunidos durante a noite de 11 para 12 de novembro. a guarda de honra de D. Os conflitos políticos resultaram no afastamento dos liberais mais zelosos da constituinte. pois não aceitavam que ele tivesse um poder praticamente absoluto. D. Uma Constituição é o conjunto de leis maiores que governam o país. o voto censitário e não-secreto e eleições indiretas. Ocorreram lutas em quase todo o território brasileiro. onde os portugueses tinham bastante influência. A imprensa liberal mais atuante foi censurada e a maçonaria foi fechada. não teria o poder de garantir a unidade do território brasileiro. formado por deputados eleitos nas suas respectivas províncias. De fato. D. precisava ter 1000. Pedro tomou essa resolução por causa da decisão dos deputados de negar o poder de veto do imperador sobre leis que fossem criadas pela Assembléia. D. que participaram ativamente do movimento de independência brasileira. para candidatar-se a senador. liderada pelos irmãos Andrada (José Bonifácio. Mas após essa Noite da Agonia. A divisão entre os brasileiros facilitava os planos dos portugueses. A Assembléia Constituinte estava basicamente dividida em dois grupos. Em seus discursos e declarações públicas. Advogados. principalmente na Bahia e Grão-Pará. A Constituição também estabeleceu os quatro poderes. Ao mesmo tempo. Na tentativa de impedir a dissolução da Assembléia. D. isso quer dizer que apenas pessoas que tivessem um determinado nível de renda poderiam votar ou se candidatar a cargos políticos. Nesse ponto. Pedro. pois desejava um sistema de governo que fosse autônomo e não mais sujeito às imposições e restrições comerciais impostas por Portugal. Os democratas queriam que o Poder Legislativo (o Parlamento). pois acreditava que o Poder Legislativo. garantia a liberalização da economia e mantinha a escravidão. objetivava formar um governo fortemente centralizado com uma monarquia de amplos poderes que fosse auxiliada por um ministério. O documento afirmava que o Brasil havia se tornado uma monarquia hereditária e constitucional. José Bonifácio foi o principal ministro no período que antecedeu a coroação de D. Pedro desalojou os deputados. Martim Francisco e Antônio Carlos). A Constituição também incluía ideais franceses e ingleses. era eleito para representar o povo e criar . A Constituição de 1823 A Assembléia Constituinte havia sido convocada em junho de 1822 – antes da independência. nenhuma outra lei pode contrariar o que está escrito na Constituição. proprietários de terra. Pedro foi coroado imperador e eleito “defensor perpétuo” do Brasil O Partido Português no Brasil defendia o retorno ao colonialismo. onde o número de comerciantes que queria manter o vínculo com Portugal era grande. que deveria governar de acordo com a Constituição. Os portugueses tentavam obter o apoio de D. O imperador poderia. apoiados por forças militares portuguesas. A facção conservadora. religiosos. o texto da Constituição foi finalizado. Governadores de algumas províncias brasileiras. Isso praticamente garantiu que a Constituição seria elaborada por uma maioria conservadora. passaria o trono do País a seu filho mais velho. Em 1824. Em dezembro de 1822. que era ligado à Corte portuguesa no Brasil. Isso quer dizer que o imperador. essas milícias civis brasileiras desempenharam um papel fundamental na luta de independência do Brasil. latifúndio e escravismo. As duas facções do Partido Brasileiro Após o rompimento com Portugal. Eles acreditavam que era necessário que o poder se concentrasse nas mãos do imperador. os maiores beneficiados pela independência foram os grandes proprietários de terra brasileiros e a Inglaterra. Pedro proferia palavras e expressões que davam a entender que ele não permitiria que a Constituição que fosse elaborada limitasse seu poder. Os deputados tentavam reduzir as atribuições de D. Os requerimentos mínimos para isso eram tão altos que a maioria da população permaneceu politicamente inativa. estavam presos ou exilados na época. que apoiava suas tendências absolutistas. Pedro. Pedro iniciou os trabalhos da Assembléia Nacional com as seguintes palavras: “Quero uma Constituição digna do Brasil e de mim”. um governo monárquico e hereditário. A Constituição outorgada de 1824 O projeto de Antônio Carlos estava sendo debatido quando D. fosse o poder principal. O documento estabelecia uma rígida centralização do poder. pois o País precisava de um único líder forte para que uma nação formada por diferentes raças e grupos sócio-econômicos fosse bem governada. Após ter dissolvido a Assembléia Constituinte. Nem todos no Brasil aceitaram a independência imediatamente. 250. os democratas queriam que o imperador jurasse obediência à Constituição. A elite brasileira participou do processo de independência. Este partido representava uma pequena minoria e era rejeitado pela grande maioria da população brasileira. Pedro I. Mas alguns importantes membros do grupo democrata. o catolicismo como religião oficial. D. o Estado brasileiro foi obrigado a se organizar rapidamente. determinava a inelegibilidade de estrangeiros. Os liberais queriam a formação de uma monarquia constitucional que limitasse o poder do monarca. O Partido Brasileiro estava dividido em duas facções: a conservadora e a liberal. Pedro se aproximava do Partido Português. Pedro convocou dez pessoas para formarem o Conselho de Estado.

“Autoritária” pois dava poder demasiado ao imperador e “centralizadora”. Sete anos após a Insurreição Pernambucana. assinados por D. quando ocorreu a Insurreição Pernambucana. a aristocracia rural apoiava o movimento dos confederados. Frei Caneca era crítico do governo de Pedro I e considerava “autoritária” e “centralizadora” a Constituição imperial outorgada em fevereiro de 1824. Ao mesmo tempo. conforme o modelo norte-americano. Para se candidatar nas eleições primárias. que considerava o governo de Pernambuco radical e quase autônomo. com o poder centralizado no Rio de Janeiro. idéias liberais como as da república. pelos ministros que ele apontava e pelo Conselho de Estado. ignorando essa preocupação. mais deputados elegeria. a independência ainda não havia sido conquistada. Pedro obteve dos ingleses um empréstimo de um milhão de libras e usou esse dinheiro para contratar mercenários para reprimir a revolução. o Brasil seria liderado por um presidente eleito para um mandato determinado: o sistema político que vigora hoje em dia em nosso País. menores de 25 anos e todos aqueles que tivessem uma renda anual menor que 100 mil-réis não podiam votar nas eleições primárias. Isso significava o rompimento de Pernambuco com o poder central. Para ser candidato na segunda etapa – para conseguir ser deputado ou senador – era necessário ter uma renda de 400 mil-réis. O cargo de senador era vitalício. O nome derivava do fato de Pernambuco estar próximo à linha do Equador. Os mercenários eram comandados por Cochrane e Taylor. Esses sentimentos de revolta eram semelhantes aos do ano de 1817. Esse reconhecimento deveu-se. o governador Pais de Andrade proclamou a Confederação do Equador. A Constituição de 1824 não contentou nenhum segmento da sociedade brasileira. o Poder Legislativo era exercido pelos Conselhos Provinciais. Já a composição do Senado era diferente. a verdadeira independência seria uma república federativa. Como conseqüência disso. que escolhia um deles para assumir a posição no Senado. No início. A necessidade disso não era apenas política. Os nomes dos três candidatos mais votados eram levados ao imperador. O Poder Moderador era um poder pessoal do rei ou do imperador que lhe permitia intervir em assuntos sérios de “interesse nacional”. Ele foi executado em 1825. porém dividida. O clima de revolta em Pernambuco vinha crescendo desde 1822 quando a Junta Democrática e Independente que governava a província foi destituída. A decisão havia sido tomada pelo então ministro José Bonifácio. pois ela marcava o distanciamento entre o imperador e o povo brasileiro. governos paralelos formados pelos rebeldes manifestaram sua adesão aos confederados. do federalismo e da abolição da escravidão eram fomentadas na província. defendia o direito à soberania dos países das Américas. Mas esse segmento da sociedade brasileira deixou de apoiar o movimento devido à decisão dos rebeldes de abolir o tráfico de escravos. O Poder Judiciário era formado pelos tribunais e juízes. Nas províncias. índios. a grande maioria da população não podia votar. Frei Caneca afirmava que os pernambucanos continuavam sofrendo “exploração” e “opressão” . Foi formado também o Poder Moderador que estava acima dos outros poderes. Frei Caneca foi preso e condenado à morte. Os liberais.não mais de Portugal. e que eram extremamente vantajosos para os ingleses. ser brasileiro e católico. Pais de Andrade. A revolução não foi duradoura. propriedade e livre expressão – eram garantidos pela Constituição. o antigo governador que havia sido eleito pelo povo. era necessário ter uma renda de 200 milréis e não ser um ex-escravo. mas econômica também. mas do Rio de Janeiro. Três províncias – Ceará. No Brasil imperial. o direito à cidadania política era bastante restrito. Um manifesto foi publicado. No Império. Para os revolucionários da Confederação do Equador. foi mantido no cargo com o apoio da população local. liderados por Cipriato Barata e pelo frei Joaquim do Amor Divino Rabelo. Segundo esse modelo. Isso resultou numa perda de prestígio do imperador que acabou abdicando em 1831. A elite política brasileira temia que acontecesse no Brasil o que havia acontecido com a América Espanhola independente: a criação de uma republicana. direitos individuais – de liberdade. João VI. Mas a Confederação do Equador. A violenta repressão revelava claramente o absolutismo empregado por D. Mas o Brasil independente era governado por uma monarquia unitária. Pedro. tornando-as dependentes do poder central. pois negava autonomia às províncias. As tropas brasileiras foram lideradas pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva. James Monroe Na Europa. quando eram escolhidos aqueles que teriam o direito de eleger os deputados e senadores. no Piauí. O Primeiro Reinado – Parte II A Confederação do Equador O profundo descontentamento com a Constituição de 1824 tornou-se bastante aparente em Pernambuco. James Monroe. Quando algum senador falecia. em grande parte. após a queda de Napoleão. Para eles. quem é que elegia os deputados e senadores? E quem podia ser eleito? A Constituição de 1824 estabeleceu que escravos. que foi formulada em 1823. Apenas o Partido Português se satisfez com a Constituição. onde sentimentos revolucionários floresciam. Nas províncias. Porém. que foi um acordo entre alguns países europeus que se opunham ao reconhecimento da independência de qualquer ex-colônia. O número de senadores de cada província seria a metade do número de deputados daquela mesma província. A junta foi substituída por um outro governo que era claramente de caráter conservador. O lema da Doutrina Monroe “A América para os americanos” simbolizava o apoio dos Estados Unidos aos princípios da não-intervenção e da não-colonização dos países do Novo Mundo. O número de deputados eleitos por província variaria conforme a sua população – quanto mais populosa fosse a província. foi constituída a Santa Aliança. adotou o regime republicano e utilizou a Constituição da Colômbia. Divisões internas como essa permitiram que a repressão organizada pelo poder central fosse bemsucedida. o setor açucareiro de Pernambuco continuava passando por dificuldades econômicas. as recém-independentes repúblicas da América não queriam reconhecer a independência do Brasil. convidando outras províncias do Norte e Nordeste do Brasil a aderir ao movimento. pois se opunham à forma monárquica do governo brasileiro. No Brasil imperial. que ele chamava de “nova Lisboa”. mulheres. exigiam o federalismo e a república. que era nomeado pelo imperador. Desde a Insurreição Pernambucana. Os países reconhecem a independência do Brasil Era de importância fundamental para o Brasil ser reconhecido internacionalmente como nação independente. isto significa que o cargo era exercido até o seu falecimento. Em outras províncias. Rio Grande do Norte e Paraíba – aderiram à causa oficialmente. Mas essa nova junta não foi bem aceita pela população. veteranos de 1817. a questão que mais incomodava a Inglaterra era a escravidão que continuava a existir no Brasil. A Inglaterra interessava-se na manutenção dos tratados comerciais de 1808 e 1810. Mas o Brasil era um país escravista e a maioria da sua população era analfabeta ou pouco alfabetizada e vivia no campo. No dia 2 de julho de 1824. D. Os ingleses se opunham à escravidão no . por exemplo. os direitos individuais eram pouco respeitados. O imperador representava a garantia da preservação da integridade de todo o território brasileiro. A Constituição de 1824 determinou que a Câmara dos Deputados fosse formada por representantes eleitos nas províncias para um mandato que duraria quatro anos.as leis do país. Os rebeldes foram derrotados e Pais de Andrade foi obrigado a fugir. ocorria uma nova eleição. O Poder Executivo era exercido pelo imperador. à Doutrina Monroe. conhecido como frei Caneca. presidente dos Estados Unidos. o Poder Executivo era exercido pelo presidente da província (um cargo equivalente ao de governador). Os Estados Unidos foram o primeiro país a oficialmente reconhecer a independência brasileira.

Pedro. Os proprietários de terra estavam preocupados com o acordo com D. que reivindicava o trono para si. D. Em 1826. O herdeiro natural do trono era seu filho. o Brasil perdia mercado para as exportações de arroz e algodão dos Estados Unidos. O monarca criou então o Ministério dos Marqueses. atual Campo de Santana. No ano de 1825. Essa oposição da imprensa foi duramente reprimida. No início do século XIX.o “imperador português”. Além de motivos econômicos. A província de Minas Gerais era um núcleo de oposição a D. faleceu D. Pedro. declarou a Cisplatina incorporada à atual Argentina. Os grandes senhores de terra no Brasil foram muito prejudicados. que em Portugal seria D. a beterraba passou a substituir a cana na produção de açúcar. encontrando-se em difícil situação econômica e dependendo do apoio econômico e político da Inglaterra. D. Lavalleja. Mas D. Até mesmo a guarda pessoal de D. Os brasileiros. a Cisplatina conquistou a sua independência e tornou-se a República Oriental do Uruguai. A crise econômica brasileira tornava-se ainda mais grave devido à cobrança de altos juros sobre os empréstimos estrangeiros que eram pagos com novos empréstimos. o que atrelou o Brasil à Inglaterra durante o século XIX. A dúvida do imperador preocupava os brasileiros. a perda de parte de terras brasileiras ao sul contribuiu para o declínio do Primeiro Reinado. Para tentar compensar pelo fiasco da visita de D. Pedro I. O Brasil perdeu parte de seu mercado açucareiro por causa disso. A festa foi organizada pela sociedade secreta absolutista Colunas do Trono. desde 1810. Esse episódio. No entanto. D. A indústria brasileira não tinha como se desenvolver. Em 1828. . logo reconheceu a independência brasileira no ano de 1825. O Brasil não possuía dois milhões de libras para compensar Portugal por sua independência. Os brasileiros estavam descontentes com os privilégios dispensados aos interesses portugueses no Brasil. Mas Portugal tinha uma dívida alta com os ingleses. Pedro passou a utilizar dinheiro brasileiro para manter sua filha no trono português. D. Pedro não tinha outra escolha a não ser abdicar. Pedro não conseguia tirar o país da grave situação econômica e foi perdendo prestígio por causa disso. No dia 7 de abril de 1831. descontentes com as honrarias dispensadas a D. a aproximação do imperador com os portugueses.Brasil porque o trabalho escravo tornava a cana-de-açúcar brasileira mais barata que a produzida nas Antilhas inglesas por trabalhadores assalariados. era obrigado a enviar fundos para uma luta que ocorria na antiga metrópole. D. A concorrência estrangeira arruinou as poucas indústrias existentes no Brasil. Pedro. que se opusera às suas tendências absolutistas. Esse episódio tornou-se conhecido como a Questão Cisplatina. de sete anos. A decadência do Primeiro Reinado Os três séculos de colonização portuguesa resultaram numa grave crise econômica no Brasil que se agravou após a independência. Todos os jornais de oposição da época criticaram essa atitude de D. Paralelamente. a grave crise econômica e a Questão Cisplatina. Pedro aderiu à manifestação. Pedro I .Pedro I voltou para a Europa onde faleceu em 1834. Em 1830. O comércio de couro do Brasil foi também prejudicado pela exportação do mesmo pelos países da bacia do Prata. uma vez que os importados da Inglaterra eram mais baratos e de melhor qualidade que os produtos manufaturados no Brasil. saíram às ruas e se confrontaram com os portugueses. era possível que ele tentaria recolonizar o Brasil. A Inglaterra. o jornalista Líbero Badaró foi assassinado. mas ele se omitiu em apurar os responsáveis pelo crime e foi duramente criticado por isso. Pedro: a dissolução da Assembléia Nacional Constituinte. que foi a mediadora nas negociações pelo reconhecimento da independência brasileira. Pedro antecipou sua volta. utilizou-se dessa sua posição para obter vantagens comerciais e políticas. tendo apenas cinco anos de idade. Os lucros de investimentos estrangeiros realizados no Brasil não permaneciam no país. que era formada por portugueses que apoiavam a re-colonização do Brasil. os portugueses do Rio de Janeiro decidiram organizar uma grande recepção para ele. Miguel. Pedro a Minas Gerais. principalmente no comércio externo. que já atravessa uma difícil fase econômica. A abdicação de D. A baixa taxa alfandegária praticada no Brasil não resultava em arrecadações suficientes para cobrir o déficit da nação. Em 1827. Pedro. Pedro não sabia se devia permanecer no Brasil ou voltar a Portugal e assumir o trono. ocorrido em 12 de março de 1831. Portanto. Mas no dia 5 de abril. Esse tratado agravou a situação econômica no Brasil. A Inglaterra emprestaria dinheiro ao Brasil para pagar Portugal. A Província Cisplatina. Em dezembro de 1825. O Brasil pagaria a dívida e os juros decorrentes dela. D. o que resultou numa queda ainda maior no apoio da população a D. concordando em abolir o tráfico de escravos para o Brasil. D. O tratado também estabelecia taxas alfandegárias preferenciais para os ingleses. os ingleses tentavam eliminar o tráfico de escravos. o Brasil enviou tropas para defender a sua posse da Cisplatina. a entrada de artigos brasileiros similares aos produzidos nas colônias inglesas não seria permitida no mercado interno inglês. que foi integrado por membros do Partido Português. João VI. foi indicada por ele como a sucessora ao trono português. O povo brasileiro. foi assinado um tratado que estabelecia que o tráfico de escravos no Brasil seria extinto até o fim do ano de 1830. essa foi a que mais prejudicou a economia brasileira. que havia sido anexada ao Brasil durante o período joanino. Pedro Foram vários os motivos que causaram a abdicação de D. Pedro foi muito mal recebido pela população de Minas Gerais. Em 1825. Pedro havia feito com a Inglaterra. O povo não foi às ruas para receber o imperador e as ruas vazias continham inúmeras faixas de luto pela morte do jornalista Líbero Badaró. sempre lutava para obter sua independência. A Inglaterra procurou preservar os privilégios comerciais que havia conseguido em 1810. enfurecido com essa decisão do imperador. Não foi comprovada a participação do imperador no assassinado do jornalista. O conflito durou três anos. Se D. Pedro. Pedro criou o Ministério dos Brasileiros. ele abandonou o trono brasileiro. D. Uma revolta na província parecia ser iminente e D. a violenta repressão à Confederação do Equador. Portugal recebeu uma indenização de dois milhões de libras. O mercado internacional preferia a cana brasileira – por ser mais barata – e isso prejudicava a produção das colônias inglesas. Pedro finalmente decidiu abdicar da Coroa portuguesa e sua filha Maria da Glória. Pressionado por tantas manifestações de revolta. passou a ser chamado de Noite das Garrafadas. O Brasil. D. De todas as clausas do acordo. Portugal. deixando-o para seu filho Pedro que. reuniu-se no Campo de Aclamação. A derrota na Cisplatina aumentou a crise financeira do Império e fomentou a insatisfação dos brasileiros em relação a D. Pedro se tornasse rei de Portugal. foi entregue aos cuidados de José Bonifácio. a Inglaterra exportava para o Brasil a mesma quantidade de mercadorias que exportava para todas as suas outras colônias americanas juntas. D. Pedro IV. Ao abrir mão do Brasil. líder revolucionário uruguaio que contava com o apoio da população local. Sua renúncia encerrou o período que é conhecido como o Primeiro Reinado (1822-1831). irmão de D. o novo ministério foi demitido por ter se recusado a reprimir manifestações populares. e este saldaria parte de sua dívida com os ingleses. Pedro resolveu viajar até lá para tentar recuperar o apoio dos mineiros. deu um golpe que resultou numa guerra civil em Portugal.

Quando as usinas açucareiras foram abertas no Nordeste. Em 1896. irrompeu a Revolta de Canudos. o latifúndio e a monocultura caracterizavam a estrutura rural brasileira. de âmbito nacional. seus ensinamentos místicos apelavam àqueles que achavam os ideais do catolicismo espiritualmente insatisfatórios. com o objetivo de lançar a candidatura de um político civil para a presidência. milhares de camponeses foram expulsos de suas terras. Em 1893. Em 17 de dezembro de 1897. A pacificação conquistada na Revolução Federalista no Rio Grande do Sul ajudou o presidente no início de seu governo. O beato ordenou que um grupo de fiéis fosse buscá-las. A primeira foi liderada pelo Tenente Manuel Pires Ferreira. cerca de 20 mil desafortunados de todo tipo passaram a habitar o local. Para a insatisfação dos florianistas. A segunda expedição. estava claro que o governo favorecia os interesses da oligarquia. graças a alguns fatores. a fome e a exploração resultantes da estrutura latifundiária. rezando. Foram estabelecidas tarifas para proteger a indústria local dos bens industrializados importados de países estrangeiros. ou seguiam líderes religiosos. pregando e liderando grupos de pessoas para consertar igrejas e cemitérios. No ano de 1893. com 100 homens. mas muitos se uniram para lutar contra os donos do poder. Esse incentivo à industrialização não agradou as oligarquias rurais. Os impostos adicionais tornavam a aquisição desses produtos importados ainda mais difícil. Algumas tarifas chegaram a sofrer reduções de até 80%. Primeiramente. formava-se uma comunidade de fiéis seguidores do beato Antônio Conselheiro. Havia dois principais grupos rivais entre os republicanos: os representantes da oligarquia cafeeira e os florianistas. o governo brasileiro passou a incentivar a expansão industrial nacional e fez isso ao conceder crédito para a importação de maquinário. Apesar de suas diferenças. As desavenças entre os florianistas e a oligarquia cafeeira ficaram mais nítidas: era evidente que o Partido Republicano Federal não poderia mais conter ambas facções. também foi derrotada. . Os moradores do arraial mantinham pequenas plantações e criações de animais. Eles organizaram grupos armados para proteger a sua comunidade. Além disso. A crise foi solucionada nos últimos meses de 1897. Para enfrentar a miséria. Pouco antes de Prudente de Morais deixar a presidência. mas Prudente adoeceu exatamente quando a situação em geral no Brasil – incluindo a econômica – começou a melhorar. se assentou no vilarejo abandonado.3º Ano Aula 34 . e o restante era vendido para as cidades vizinhas. À medida que Canudos crescia. que pregava a salvação. O primeiro civil a ser eleito presidente tomou posse no Palácio do Itamarati. ameaçando poderosos latifundiários. e venceu. O novo presidente aceitou homens de confiança do Marechal Floriano para ocupar cargos importantes dentro do governo. mas os comerciantes locais recusaram-se a entregar a madeira. ambos pertenciam ao Partido Republicano Federal. no arraial de Canudos. com total poder. porém. O tiro atingiu fatalmente o Ministro da Guerra. A Guerra de Canudos Cena do filme – “Guerra de Canudos” No final do século XIX. As medidas econômicas que haviam sido adotadas para solucionar as dificuldades do país somaram-se a essa crise. Antônio Conselheiro mandou seus adeptos comprarem tábuas na cidade de Juazeiro. As desavenças entre os florianistas e as oligarquias rurais agravaram-se durante os dois últimos anos de governo de Prudente de Morais. Prudente voltou-se contra seus adversários e assegurou o controle absoluto da oligarquia cafeeira sobre o país. Manuel Vitorino. A maior parte do que produziam era consumido ali. a Igreja perdia fiéis e os latifundiários perdiam trabalhadores. que era um representante dos florianistas. Circulando desde 1876 pelo sertão do Nordeste. um incidente deu início ao fim trágico de Canudos. liderada pelo Major Febrôncio de Brito e composta por 550 homens. que organizaram o movimento de resistência dos sertanejos. especialmente da burguesia cafeeira paulista. que desejavam que os recursos do governo fossem utilizados para seu benefício. Os líderes religiosos pregavam que as pessoas deveriam dar mais importância às suas almas que ao seu bem-estar físico.A República Oligárquica – Parte I Presidente Prudente de Morais O governo de Prudente de Morais (1894-1898) A oligarquia cafeeira não controlava a presidência do Brasil. os comerciantes se dirigiram ao destacamento militar de Juazeiro e acusaram o pregador de monarquismo. no sertão da Bahia. Temerosos. Prudente de Morais deixou a presidência e foi substituído por seu vice. como previa a nova Constituição republicana. Enquanto o preço do café no mercado internacional caía. um dos comandantes de destaque da comunidade foi Pajerú. no Vale do Rio Vaza-Barris. ele promulgou um decreto que aboliu as políticas protecionistas. os cafeicultores paulistas fundaram o Partido Republicano Federal (PRF). Em pouco mais de dois anos. Incentivando a indústria no Brasil No final do século XIX. Ao mesmo tempo. a oligarquia cafeeira brasileira tentava fazer o governo tomar medidas que protegeriam seus interesses. Esta expedição foi derrotada em grande parte devido à estratégia de Pajerú e João Abade. para cobrir uma nova igreja. O fracasso de Vitorino em solucionar o conflito permitiu o retorno de Prudente de Morais ao poder. em 1893. Os jagunços jogavam-se contra as tropas invasoras e tomaram suas armas. pois ele. que liderou duas vitórias sobre as forças do governo. Marechal Bittencourt. uma grande seca e o crescimento significativo na exploração da borracha resultaram em uma grande migração do Nordeste para a Amazônia. O governo da Bahia organizou duas expedições para destruir o núcleo de Canudos. Prudente de Morais sofreu um atentado: um suboficial do exército atirou contra ele quando inspecionava suas tropas vitoriosas em Canudos. apenas um representante do governo anterior foi recebê-lo. As seitas religiosas fundadas na época eram uma forma de consolo muito procurada pelos nordestinos. A administração do novo governo foi bastante cuidadosa e favorecia medidas políticas que pudessem trazer a paz e unificar os diferentes grupos republicanos. Prudente de Morais concorreu à presidência pelo Partido Republicano Federal. eles exportaram bens agrícolas e utilizaram os rendimentos para comprar produtos manufaturados que eram importados para o Brasil. desta forma conseguiam dinheiro para adquirir bens que não eram produzidos pelo arraial. especialmente no Nordeste. mas ocupava os mais importantes cargos legislativos pelo Partido Republicano Paulista. reduzindo tarifas em 25%. Todavia. os nordestinos formavam grupos de cangaceiros e jagunços. o beato atraiu uma multidão de fiéis que. acostumado ao antigo regime – onde não havia separação entre Estado e Igreja – não aceitava que os cemitérios deixassem de ser locais sagrados e fossem administrados pelas autoridades civis. que era ocupada pelos militares. E assim. os cangaceiros e jagunços haviam protegido os coronéis. Este atentado à vida do presidente permitiu com que ele declarasse um estado de sítio.

Campos Sales solucionou a questão de fronteira do estado do Amapá. Rui Barbosa criticou o governo no Senado. para diminuir a quantidade de dinheiro em circulação e. que morreu em combate e cujos homens foram derrotados. segundo o qual o Brasil poderia tomar um empréstimo de 10 milhões libras esterlinas dos britânicos. Esse acordo político. Minas Gerais. novamente. no Rio de Janeiro. Quando Campos Sales foi eleito presidente. a França reivindicava aproximadamente 26 mil km² na região Norte. principalmente devido à heróica resistência do povo do arraial. Sua intenção era claramente a de que o Brasil se especializasse na exportação de produtos agrícolas e minerais: algodão. Eles monopolizaram o poder. não era secreto. Os Sertões. Enquanto isso. Campos Sales foi eleito conforme esse esquema. Este objetivo econômico obviamente foi saudado pelos países industrializados. o próximo mineiro. suspenderam a ajuda à indústria nacional e. Francisco de Paula Rodrigues Alves foi nomeado pelo presidente Campos Sales. o país importaria bens manufaturados. para dividir a administração governamental do Brasil. o presidente organizava celebrações para a sua vitória sobre Canudos. essas medidas antiinflacionárias resultaram nos assalariados perdendo seu poder de aquisição. Esses coronéis interferiam na escolha dos governadores estaduais. O Conselheiro morreu de fome. pontes e estradas eram construídas exatamente nas regiões em que esses latifundiários exerciam poder. Por isso. Rio Grande do Sul e Bahia. Para justificar o fracasso. Os dois partidos mais poderosos eram o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM). que eram contadas de acordo com a visão dos latifundiários. sob liderança do Coronel Moreira César. Campos Sales havia viajado para a Europa para negociar com os credores do Brasil. Nem mesmo os cafeicultores ficaram satisfeitos com essas medidas. não foi levado nenhum prisioneiro. eles haviam compensado as baixas de preço do café no mercado internacional (que era calculado em libras inglesas) por meio da desvalorização da moeda nacional no mercado interno. e posteriormente. cujo vice foi o mineiro Afonso Pena. Uma terceira expedição foi organizada. o governador eleito utilizava o dinheiro público conforme a vontade dos coronéis: escolas. O problema foi passado para o Ministro da Guerra. Ele afirmava que as tentativas de industrialização nacional resultaram em conflitos sociais e econômicos. Entretanto. a opinião pública sobre Canudos começou a mudar. Nos estados de São Paulo. de onde eram indicados os candidatos à presidência da República. consolidou-se na gestão do presidente paulista Rodrigues Alves. poucos dias antes do ataque final. principalmente. durante o qual foram fuziladas as últimas quatro pessoas vivas da vila arrasada. caracterizando-o como ameaça à República. incluindo cortar os créditos para a indústria. um republicano que havia sido governador de São Paulo. açúcar. os latifundiários mantinham o poder político. principalmente a oligarquia cafeeira paulista. Os grandes proprietários rurais de São Paulo e Minas Gerais foram os que mais se beneficiaram com a política dos governadores. Ao mesmo tempo. que organizavam grupos armados e resolviam conflitos locais pelo uso de força. os paulistas não tinham poder suficiente para governar o país sozinhos. inclusive mulheres e crianças. Com a nova política econômica do governo. Os alunos da Faculdade de Direito da Bahia recusaram-se a celebrar a vitória do governo e exigiram explicações pelo fato de não ter sido feito nenhum prisioneiro. na fronteira com a Guiana Francesa. Este sistema ficou conhecido como a política do café-com-leite. enquanto prejudicava outras. ele também planejou reduzir os gastos públicos. conhecido como a política do café-com-leite. não emitir mais papel-moeda. os juros somente começariam a ser amortizados dentro de 3 anos e a dívida só começaria a ser paga 13 anos após assinado o acordo. borracha e. que preparou uma quarta expedição consistindo de 10 mil homens fortemente armados. se necessário. o governo tiraria de circulação da economia brasileira a mesma quantia em dinheiro que havia sido emprestada. o grande massacre realizado em Canudos. Campos Sales declarou que o país deveria importar todos os bens que eram produzidos melhor pelos estrangeiros do que tentar produzi-los no Brasil. Sua vitória nas eleições agradou a oligarquia rural. eram eles. Euclides da Cunha denunciou em seu livre. das outras alfândegas também. e parecia impossível que o país pudesse pagar sua enorme dívida externa. Entretanto. Ao mesmo tempo. o Brasil abriu suas portas aos bens manufaturados estrangeiros. com um prazo de 63 anos para ser liquidada. na época. pois o voto. espalhavam-se as notícias sobre Canudos.Na capital do Rio de Janeiro e em outras cidades. seu governo favoreceu as oligarquias que o elegeram. enquanto o preço do café decaía muito no mercado internacional. Até então. os fazendeiros mais poderosos articulavam-se para controlar o respectivo partido. Para diminuir a inflação. Campos Sales e seu Ministro da Fazenda. Em contrapartida. Campos Sales não concordava com os ministros da Fazenda dos governos da República da Espada. o que agradava aos outros poderes estrangeiros da época. os derrotados exageraram a força do inimigo. Que garantias o Brasil oferecia em troca pelos empréstimos? Toda a renda da alfândega do Rio de Janeiro e. Esse arranjo político – um jogo de cartas marcadas – entrou para a história com o nome de “política dos governadores”. os moradores de Canudos foram abatidos a tiros de canhão e fuzil. Joaquim Murtinho. As medidas econômicas passadas por Campos Sales beneficiaram algumas regiões do Brasil. eles se revezavam na presidência – um presidente era paulista. o presidente exigiu que as oligarquias formassem um Congresso Nacional submisso. Como seu antecessor. aumentar os impostos existentes e criar novos impostos. e sua decisão favoreceu o Brasil. que era representado pelo Barão do Rio Branco. e assim por diante. com seus agregados e dependentes. O presidente conseguiu levar adiante seu governo impopular – impedindo a subida dos militares ao poder e os conflitos entre os estados – graças a um esquema de troca de favores entre os políticos municipais. estaduais e federais. No Brasil agrário. Mesmo antes de assumir a presidência. e em caos. Os cafeicultores paulistas se aliaram aos fazendeiros mineiros – produtores de leite – com quem tinham inclusive laços de parentesco. a situação econômica brasileira era crítica: a inflação crescia enormemente. Estes conflitos foram refletidos politicamente. A maioria do curso do Rio Oiapoque foi estabelecida como limite natural entre o Amapá e a Guiana Francesa. o presidente Alves era um grande proprietário de . assim. Carlos Bittencourt. os soldados invadiram o arraial. era o único que tinha uma economia diversificada em atividades industriais e comerciais. cacau. Entretanto. O governo de Campos Sales (1898-1902) Presidente Campos Salles O presidente que sucedeu Prudente de Morais foi Manuel Ferraz de Campos Sales. assim como as receitas da Estrada de Ferro do Brasil e do serviço de abastecimento de água do Rio de Janeiro. O governo de Rodrigues Alves (1902-1906) Presidente Rodrigues Alves Graças ao café. o café. O Ministro da Fazenda Joaquim Murtinho acreditava que só era possível solucionar os problemas econômicos do Brasil através de medidas drásticas. Canudos resistiu. essa estratégia inflacionária passou a ser controlada. Em troca. Desde a Era Colonial. assim como maquinário e ferramentas. Milhares de pessoas no arraial foram executadas. Sem água e sem comida. incluindo o salário de funcionários. Campos Sales não tinha intenções de governar com um Congresso hostil ou com a insubordinação dos governos estaduais. diminuir a inflação. A economia brasileira beirava a falência. mas toda a população foi dominada e morta pelas tropas do governo. São Paulo havia se tornado o estado mais rico do Brasil. Ele fez um acordo com banqueiros ingleses que ficou conhecido como o funding-loan. Em assuntos de política externa. Após três meses de cercos e equipados com canhões. A disputa foi mediada pelo governo suíço. O país permaneceu uma nação agrícola.

o médico sanitarista Osvaldo Cruz tentava sanear a cidade. Em 1903. Quanto à política externa do governo de Rodrigues Alves. reprimiu violentamente a revolta. O governo iria manter este café. a preços mais altos. permitindo que a Bolívia tivesse uma saída para o Oceano Atlântico. Durante o governo de Rodrigues Alves. Enquanto isso. Mas nem mesmo a Revolta da Vacina comprometeu o programa de obras da cidade. demonstrou insatisfação com a política de vacinação obrigatória. o Barão de Rio Branco. Campos Sales não teve dificuldades em eleger seu candidato. estava claro que a burguesia cafeeira usava seu poder para fazer com que o governo federal agisse segundo seus desejos. Os paulistas. causariam com que a dívida externa brasileira aumentasse e toda a nação seria obrigada a pagar os prejuízos dos cafeicultores. O prefeito recebeu o apelido de “Bota-Abaixo”. e instituir a vacinação obrigatória para combater a varíola e a febre amarela. O governo reagiu ao declarar um estado de sítio. Apoiado pelas tropas de São Paulo e Minas Gerais. O governo de Afonso Pena (1906-1909) Presidente Afonso Pena Rodrigues Alves foi sucedido pelo conselheiro Afonso Augusto Moreira Pena. que haviam indicado Bernardino de Campos. assim como os empréstimos estrangeiros – resultado da política econômica de seu antecessor – ajudaram-no a investir no setor público. Enquanto Pereira Passos demolia casas. Reagindo à queda no preço do produto no mercado internacional. trabalhou para anexar o Acre ao território brasileiro. pela Bacia do Amazonas. Porém. apoiado pelos planos do presidente. o governo brasileiro concordaria em construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. que atingiu seu apogeu nas décadas de 1920 e 1930. Lucros resultantes da exportação deste produto. tornando a cidade num caos cheio de desabrigados. os populares do Rio de Janeiro enfrentaram a polícia: enquanto gritavam “abaixo a vacina”. São Paulo. Pereira Passos. que havia negociado com sucesso as fronteiras do Amapá.terras de São Paulo e havia sido Ministro da Fazenda durante o governo de Prudente de Morais. o governo federal implementou a política de valorização do café. tornando-se presidente da República ainda em 1906. e vendê-lo apenas quando surgisse uma oportunidade vantajosa. O governo comprou toda a safra do produto para armazená-lo e vendê-lo quando terminasse a crise. O Acre era uma província boliviana. O Brasil começou a reivindicar a região. Em 14 de junho de 1909. A vacinação passou a ser opcional. O novo presidente também procurou desenvolver a indústria e autorizou o início da imigração japonesa. Mas o vice-presidente Afonso Pena prometeu sustentar o preço do café se fosse eleito. segundo o qual o governo compraria café para reduzir sua oferta no mercado (e assim aumentar os preços). decidiu fazer do Rio a mais bela e impressionante cidade do país. segundo o qual a Bolívia receberia dois milhões de libras esterlinas em troca pelo Acre. Rodrigues Alves governou o Brasil durante o ciclo da borracha. que foi liderado por Lauro Sodré. A Revolta da Vacina refletia a insatisfação geral do povo do Rio com as diversas medidas que haviam sido instituídas pelo governo e que eles julgavam ser prejudiciais. O povo. Durante o mandato de Afonso Pena. Para prosseguir com o plano. ele executou tudo de forma irresponsável e malplanejada: desapropriou terras. porém muitos nordestinos viviam lá e trabalhavam na extração de látex. Durante quatro dias. a administração de Afonso Pena tomou mais empréstimos da Inglaterra. já revoltado com a perda de suas casas devido à ambição de Pereira Passos. Os militares que favoreciam o florianismo e se opunham a Rodrigues Alves tentaram usar esta insatisfação popular para organizar um golpe. Ainda assim. foram derrotados. O presidente Rodrigues Alves não concordou com as propostas do Convênio de Taubaté. Além disso. que contou com o apoio do Partido Republicano Paulista e pelo Partido Republicano Mineiro. o presidente Afonso Pena faleceu e o vice-presidente Nilo Peçanha assumiu o governo. . se fossem implementadas. ele foi eleito. Minas Gerais e Rio de Janeiro firmaram o Convênio de Taubaté. Ao controlar as oligarquias regionais. sob indicação do Partido Republicano Mineiro. eles cometiam atos de vandalismo e revidaram os disparos da polícia. o prefeito do Rio de Janeiro. foi assinado o Tratado de Petrópolis. derrubou casas para alargar as ruas e construiu praças. foi implantada a política de valorização do café. De fato. pois.

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