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Artes marciais chinesas

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Artes marciais chinesas

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As artes marciais chinesas (Zhōngguó wǔshù, 中國武術), conhecidas no Ocidente


como Kung Fu (Gōngfū, 功夫) e em chinês Wu Shu (Wǔshù, 武術 ou 武术), são as
artes marciais provenientes do Extremo Oriente[1] e datam de cerca de 2000 a.C.,
durante a dinastia Xia (c. 2100—c. 1600 a.C.)[2].

Índice
• 1Etimologia
• 2História das artes marciais chinesas
o 2.1A história do Kung Fu no Ocidente
• 3Estilos de artes marciais chinesas
• 4Referências

Etimologia[editar | editar código-fonte]


Kung fu significa, literalmente, "caminho do tempo de habilidade". [3]

História das artes marciais chinesas[editar | editar


código-fonte]
Ver artigo principal: Linha do tempo das artes marciais

Modos de lutar provavelmente existem desde que os primeiros seres humanos passaram
a habitar o planeta Terra. Técnicas de combate são tão antigas e têm origens tão remotas
quanto a guerra. Mas as artes marciais chinesas não são somente métodos de lutas. São
a sistematização e teorização destes métodos a partir de categorias próprias da cultura.
A cultura está e sempre esteve em transformação, gerando, continuamente, novos
significados para a arte marcial. O que se tem, ainda hoje, é um processo vivo de
origens de novas e renovadas artes, escolas e estilos de kung fu.

A referência mais antiga ao kung fu data de 2674 a.C., na época de Huang Ti.[4] Alega-
se que a maioria das artes marciais chinesas e algumas artes marciais japonesas são
originárias de Bodhidharma, um monge indiano que teria vivido, segundo certas
narrativas, durante alguns anos no Templo Shaolin (um mosteiro budista) durante sua
visita à China por volta do ano 525. Bodhidharma teria acrescentado, aos conceitos
taoistas que já influenciavam o kung fu, conceitos budistas da escola ch'an.[5]
Estudiosos, no entanto, consideram essa alegação com considerável ceticismo, já que
notas históricas e a arqueologia moderna relatam origens mais antigas de algumas
técnicas e escolas chinesas.[6]

De qualquer forma, o Templo Shaolin, localizado na província de Henan, próximo à


cidade de Dengfeng, conta com séculos de tradição fomentando as artes marciais, já que
o templo proporcionou abrigo para artistas marciais das mais variadas escolas
provenientes de toda a China[7][8][9]. Outro local famoso como suposta origem de
diversas artes marciais é a montanha de Wudang, Patrimônio Mundial da UNESCO,
onde existem diversos templos taoistas[10]. Alega-se que Wudang teria sido o centro
nascedouro das artes marciais ditas "internas" (neijia, 内家)[11].

Apesar das lendas, mitos e histórias de origem que postulam uma antiguidade milenar
para as artes marciais chinesas, há muito pouco indício histórico documentado de algo
capaz de ser considerado próximo ao que entendemos como kung fu de modo mais
sistematizado, antes do século XVI, durante a Dinastia Ming[9]. A maior parte das
escolas e estilos de artes marciais existentes hoje tem origem documentada do século
XIX em diante[12].

A moderna história das artes marciais chinesas pode ser traçada a partir da época em
que foi criada a Associação Jingwu. Desde o final do século XIX, nos últimos anos da
Dinastia Qing e início da história republicana da China, houve um primeiro grande
projeto de "modernização" cultural do país[13][14]. Nesta época, na cidade de Xangai, um
centro cosmopolita de atividade comercial e trânsito internacional intenso, era criada a
Associação Jingwu (Chin Woo). Nela, juntamente com diversas práticas esportivas e
lúdicas do ocidente, desenvolveram-se atividades educacionais envolvendo artes
marciais.[15] A partir dos anos 1910, diversas associações foram sendo criadas com
escopo nas artes marciais e na sua relação com a nacionalidade, como foram, por
exemplo, os casos da própria Escola de Calistenia Jingwu de Xangai (1910), renomeada
como Associação Atlética Jingwu em 1916, Associação dos Wushi[16] de Tianjin (1911),
Sociedade de Pesquisa sobre as Artes Marciais de Xangai (1911) e Sociedade de
Pesquisa sobre Artes da Espada de Pequim (1912).[17]

O ensino de artes marciais – na época, comumente referidas pela palavra wuyi (武藝) –
na Associação Jingwu modificou bastante as formas pelas quais o seu conhecimento
vinha sendo transmitido. Até então, não havia academias nas quais qualquer interessado
poderia se matricular. Antes, as aulas eram restritas a membros de uma mesma família
ou clã. Foi a Jingwu que abriu, de certa maneira, o ensino das artes marciais a qualquer
interessado, inclusive mulheres, até então afastadas desta prática. Ela também
modernizou o programa técnico a ser ensinado, criou sistemas de classificação e
estimulou a escrita e a publicação de livros e manuais para a facilitação do
aprendizado.[18]

O sucesso da Associação Jingwu acabou promovendo as artes marciais. Na época, a


China estava passando por um processo histórico de muita agitação política e conflitos
bélicos. Por volta dos anos 1930, o Partido Nacionalista dominava o governo. Ele
incentivou a promoção das artes marciais em moldes semelhantes ao da Associação
Jingwu. Foi quando surgiu a expressão guoshu (国术) ou kuoshu (em Wade-Giles),
"arte nacional". Também é, desta época, a criação da Academia Central de Artes
Nacionais, com sede em Nanquim e com seções espalhadas pelo país.[18]
Quando o Partido Comunista Chinês chega ao poder em meados do século XX, o ensino
das artes marciais já era uma política bem estabelecida de governo. Assim permaneceu.
Contudo, as escolas, mestres e associações identificadas como o guoshu e o projeto
nacionalista sofreram perseguições e acabaram se desenvolvendo fora da República
Popular da China, fosse em Taiwan, Hong Kong ou no exterior, por exemplo [19]. Na
época da Guerra Fria, o esporte era um meio importante de demonstração da
superioridade ideológica. As competições, como as Olimpíadas, eram momentos para as
nações e seus blocos demonstrarem, para o mundo, a sua grandeza. As artes marciais
foram adaptadas pelo governo chinês para poderem cumprir este papel de divulgação da
nova China que surgia. Uma das transformações foi de nomenclatura. Guoshu, termo
muito associado ao Partido Nacionalista e ao seu projeto, foi transformado em wushu (
武術 ou 武术). Na verdade, guoshu era uma provável simplificação de Zhongguo
wushu (中國武術), "artes marciais chinesas". A "nova" nomenclatura, neste sentido,
apenas teria simplificado de outra forma aquele termo. [18]

O princípio básico da arte, no entanto, seria alterado muito mais do que a sua simples
nomenclatura. O ecletismo do kuoshu seria substituído pela busca de padronização de
formas e pela especialização dos atletas. A padronização servia para a montagem de
rotinas que fossem capazes de impressionar o público pela sua beleza plástica e fornecer
parâmetros de julgamento em competições. A formação de atletas passou a visar a
tornar os seus rendimentos cada vez mais altos em suas especialidades, aumentando as
suas chances em competições. Disso derivou, por exemplo, a separação entre luta e
formas presente nas escolas mais modernas de boxe chinês ou de sanshou.[19][20]

Em matéria de estilos, a padronização das formas com vistas à exibição e a competições


gerou um estilo híbrido de wushu a partir, sobretudo, das "escolas do norte", o chamado
Changquan, inspirado principalmente no shaolinquan e no huaquan.[21] As "artes
internas" também receberam impacto do wushu. Com o objetivo de fomentar práticas
ligadas à saúde, o governo chinês promoveu a formação, para uso escolar, de uma rotina
curta simplificada de 24 movimentos a partir da forma longa de 103 movimentos do
Taijiquan da família Yang.[22]

A história do Kung Fu no Ocidente[editar | editar código-fonte]

Até a década de 1970, fora da China, pouquíssimas pessoas fora da comunidade chinesa
conheciam o kung fu. No entanto, com o sucesso dos filmes protagonizados pelo ator
estadunidense Bruce Lee, o kung fu tornou-se uma mania mundial.[23]

No Brasil, o kung fu foi introduzido no bairro da Liberdade da cidade de São Paulo na


década de 1940 pelo mestre W. Lee Chang. A este mestre, seguiram-se outros como
Chan Kwok Wai, Hao, Lope Shiu Ping Lop, Liu e Lay. [24]

Estilos de artes marciais chinesas[editar | editar


código-fonte]
Ver artigo principal: Lista de artes marciais chinesas

Há uma gama enorme de estilos, escolas e linhagens de artes marciais chinesas. São
igualmente variados os seus objetivos e práticas sociais a que estão associados. Definir,
por exemplo, as artes marciais chinesas apenas pelo seu sentido de defesa pessoal ou
por qualquer outro dos seus aspectos (artístico, filosófico, terapêutico, estético, lúdico,
esportivo, espiritual etc.) seria excessivamente redutor [25]. Seus usos históricos, no
passado e no presente, são vários e as suas características também variam muito de caso
a caso. De tão diferentes muitas vezes entre si, é mais correto falar em "artes marciais
chinesas", no plural, do que em "estilos" de "arte marcial chinesa". [26] De modo geral,
há diversas classificações tradicionalmente utilizadas para organizar o conhecimento
sobre as artes marciais chinesas na sua multiplicidade e variações.

Dependendo do estilo ou da escola de artes marciais chinesas, além das modalidades de


"punho" (拳, quán), elas podem envolver técnicas de armas (器接, qì jiē)[27]. As
sequências para treino, aprendizagem e desenvolvimento de técnicas de punho, em
grande parte das escolas e estilos, são denominados kati, taolu (套路) ou quantao (拳套
)[28]. Existem diversas armas utilizadas nas artes marciais chinesas, sendo algumas delas
bastante conhecidas, como: jian (剑), a espada de corte duplo; qiang (枪), a lança; gun (
棍), o bastão, e dao (刀), o sabre[27]. As técnicas de punho envolvem quatro elementos
básicos (ou declinações): golpes com a mão (dǎ, 打), chutes (tī, 踢), controle de
articulações (ná, 拿) e derrubadas (shuāi, 摔)[29]. Não se podem esquecer, portanto,
dentre as técnicas de artes marciais chinesas, aquelas do chamado Shuaijiao (摔跤),
envolvendo projeções e quedas[30], e do chamado Qinna (擒拿), com as suas técnicas de
torções e imobilizações.[31]

Contemporaneamente, dividem-se, também, as artes marciais chinesas de acordo com


características ligadas a proveniências. Tomando, como limite, o Rio Azul (長江,
Cháng Jiāng ou Yangtze), divide-se a China entre norte e sul. Aos estilos provenientes
do norte, dá-se o nome genérico de Changquan (长拳), "punho longo". Aos estilos
provenientes do sul, dá-se o nome genérico de Nanquan (南拳). Devido à dificuldade de
precisar a origem histórica dos diversos estilos de artes marciais chinesas, há muitas
controvérsias relacionadas a esta divisão por proveniência. Convencionalmente,
associam-se, aos estilos do norte, movimentos mais alongados dos membros, uso de
chutes mais altos e flexibilidade[32]. Aos estilos sul, por outro lado, associam-se
movimentos mais curtos, de força explosiva e bases mais fechadas[33]. Contudo, mesmo
estas características gerais não são sempre verificadas em todos os estilos classificados
como do sul ou do norte. A divisão acaba sendo mais relevante nas competições de
taolu no wushu moderno.[34]

Desde o início do século XX, as artes marciais chinesas têm sido divididas em duas
grandes famílias: externas (外家, wàijiā) e internas (neijia, 内家)[35]. A diferença está no
foco principal de seu treinamento. Interno, em artes marciais, é o processo de
entendimento, cultivo e direcionamento do ch'i que circula pelo organismo. Externo é o
processo que exprime a circulação energética de maneira visual e física nos músculos e
movimentos corporais.[35] Estilos internos focalizam nos aspectos ligados ao
desenvolvimento e direcionamento do Qi ou "energia vital", desde o início do
treinamento. Os movimentos da maioria dos estilos internos, como, por exemplo, os do
Taijiquan da Família Yang, são executados lentamente, embora alguns também incluam
movimentos explosivos, como aqueles do Xinyiquan, Taijiquan da Família Chen e
Baguazhang. O treinamento interno, em escolas tradicionais, costuma envolver práticas
de posturas fixas de qigong, como, por exemplo, a "postura da árvore" (Zhan Zhuang).
Estilos internos também podem abranger exercícios com armas. Treinamentos em
duplas, como, por exemplo, o Tui Shou, são largamente utilizados em escolas internas
de arte marcial[35]. Estilos externos são os mais comumente associados às artes marciais
chinesas. São geralmente rápidos e explosivos, com foco na força física (lì, 力) e na
agilidade[36]. São iniciados com um treinamento de força muscular, velocidade e
aplicação e, geralmente, integram práticas de qigong marcial. Exemplos de estilos
externos bem conhecidos são o Wing Chun, considerado um estilo de características do
sul (nanquan), e o Shaolinquan (Chinês tradicional: 少林拳; pinyin: Shàolín Quan),
considerado um estilo de características do norte (changquan). Tanto estilos internos
quanto internos geram "força marcial" (jin, 勁) por meio da combinação controlada de
qi (气)e li (力), podendo ser mais leves quando predomina o qi ou mais duros quando
predomina o li.[36]

Outra forma de classificação divide as artes marciais chinesas em:

• Kan-shu: artes que empregam golpes traumáticos


• Tao-shu: artes que empregam a espada
• Chi-shu: artes que empregam golpes de arremesso
• Chiao-li: arte de lutar corpo a corpo com chaves e estrangulamentos
• Chin-na: artes que empregam pressões e torções nos pontos vitais
• I-shu: artes que se baseiam em sequências clássicas de movimento (kati)[37]