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ANÁLISE DO DISCURSO

Análise realizada pelo discente André Luís de Almeida, a pedido do professor Saulo
Moreira, teve como objeto a ser analisado uma imagem de reportagem que trazia o
prefeito João Dórea apando alguns grafites num muro, trechos dessa reportagem também
foram analisados esta analise será baseada não apenas num olhar critico e reflexo mais
estará também ampara por uma fundamentação teórica que traz no seu corpus como
referencia o livro a Ordem do Discurso de Michel Foucault, e Analise do Discurso de Eni
Pucinelli Orlandi A análise se baseou em retirar da reportagem alguns elementos como
a cor que o então prefeito se utilizou, o silenciamento que essa cor daria aos grafites
apagados, a imagem de operário estampada na reportagem, as câmeras e a legitimidade
de uma atitude.
A análise que aqui será feita terá o mesmo intento que Foucault teve quando ele
diz na Ordem do Discurso (1996,pag.02) “gostaria de me insinuar sub-repticiamente no
discurso que devo pronunciar hoje” o meu talvez seja demonstrar como uma cor pode ser
mobilizada a partir de um discurso hegemônico que pretende excluir discursos que trazem
consigo uma resistência na suas imagens e escrituras, A cor que fora utilizada para apagar
os grafites não foi escolhida suponho por uma mera casualidade o cinza que cobriu os
grafites que estavam nos muros de uma região de São Paulo traz consigo uma ordem do
discurso que pretende apagar toda a expressividade, todo sentimento de resistência
incorporado em cada imagen e letra exposta ali , Foucault supõe que “em toda sociedade
a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e
redistribuída por certos números de procedimentos” suponho como esse do prefeito de
São Paulo João Dórea, na época a neutralidade que a cor cinza traz em si faz com que os
grafites cobertos percam a sua identidade com a comunidade dando lugar a uma discurso
onde a sua função é o silenciamento daqueles que estão a margens e que só tem os muros
para trilhar a sua resistência função esta que Foucault dirá “que tem por função conjurar
seus poderes e perigos e dominar seu acontecimento aleatório”
Eni Pucinelli Orlandi em seu livro analise do discurso defende que um discurso
não pretende esconder uma ideologia mais cabe ao analista do discurso flagrar essa
produção discursiva que materializa nas produções discursivas e suas práticas exemplo
disso e quando o prefeito Joao Dórea diz “Na reportagem que irá apagar os grafites velhos
e vandalizados por pichadores em uma ação de zeladoria” tal atitude só se insere como
pratica discursiva onde uma análise discurso flagra o que poderia ser chamado de um
silenciamento de dizer por parte de um gestor público, Orlandi dirá “os dizeres não são
como dissemos apenas mensagens a serem decodificadas são efeitos de sentido” essa
frase de João Dórea demonstra como dentro de uma ordem de discurso nem todos podem
falar, nem todos estão autorizados a falar e como nesse jogo discursivo o poder atribuído
ao que pode falar legitima uma exclusão Foucault dirá “em uma sociedade como a nossa
é certo procedimentos de exclusão” O prefeito João Dórea se utilizará dos grandes
sistemas de exclusão que Foucault no seu livro a ordem do discurso cita como prática de
silenciamento o primeiro seria “a palavra proibida” onde os grafites não teriam espaço
discursivo para uma prática de resistência e expressividade o outro seria a “vontade de
verdade” esse seria apoiado por um sistema que exclui que subalterniza e tenta colocar a
margem aqueles que querem ter a seu discurso afetando outros corpos marginalizados por
esse mesmo sistema excludente, Foucault dirá sobre essa vontade de verdade “esta
encontra partida não cessa de se reforçar de se tornar mais profunda e mais incontornável”
Vestido de operário e pintando o muro de cinza o gestor público só demonstra que
na ordem do discurso os discursos podem e tendem a si reorganiar para causar um efeito
de interdição, e o gestor assume esse lugar singular e preestabelecido por uma
legitimidade institucional, práticas que não estão dissociadas do poder político e
ideológico dessa forma o gestor se torna um sujeito singular onde o seu papel é o de
silenciador de vozes, só será flagrado pelo analista do discurso No texto da reportagem
identificou-se uma operacionalidade em legitimar um discurso hegemônico que visa
silenciar e neutralizar outros discursos estes por sua vez sem nenhuma perspectiva de
lugar de fala em suma ilegítimos sendo excluídos dentro de uma ordem discursiva onde
relações de força e de sentido também entram nesse jogo de interdição segundo Orlandi
a relação de forças nos dá uma noção onde “podemos dizer que o lugar a partir do qual o
sujeito fala é constitutivo do que ele diz “partido dessa suponho que o gestor publico se
coloca nesse lugar de fala legitimo para exclui e interditar outros dizeres. O analista do
discurso deve ter como como defende Goethe em teoria das cores um olhar sempre crítico
“apenas olhar não seria estimulo, um estímulo é uma experiencia que vai além do simples
observar, cria um vínculo teórico e leva o observador a tirar suas próprias conclusões
“partir dessa citação talvez eu tome o discurso a concluir deve-se e pode-se entra nessa
ordem do discurso para a partir dela balar as suas estruturas entendo os seus princípios e
combatendo o seu modo violento como diz Foucault “e se quisermos não digo apagar esse
temor mais analisá-lo em suas condições de jogo e seus efeitos e preciso creio eu optar
por três decisões as quais o nosso pensamento resiste um pouco[...] questionar nossa
vontade de verdade, restituir ao discurso o seu caráter de acontecimentos, surpreender
enfim a soberania do significante”.

FOUCAULT, M. A Ordem do Discurso – Aula inaugural no College de France.


Pronunciada em 2 de dezembro de 1970. São Paulo. Ed. Loyola:1996
GOETHE Johan Wolfgang. Teoria Das Cores-Tradução Leonardo Carneiro de
Araújo,2005
ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 5 ed. Campinas:
Pontes, 2005
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vandalizados-em-sp