31 de Julho a 02 de Agosto de 2008

GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS
Marcos Berberick de Oliveira (UFF) marcosberberick@click21.com.br Orlando Celso Longo (UFF) longo@poscivil.uff.br

Resumo O planejamento e gerenciamento do setor de suprimentos são elementos fundamentais para a execução de um empreendimento, desde a aquisição de um material à contratação de um serviço. No entanto, como as empresas de construção civil não atentaram para esta realidade, existe uma total falta de conhecimento dos processos para uma gestão correta da cadeia de suprimentos, impactando diretamente em custo, prazo, qualidade e risco. Como a concorrência entre as construtoras é acirrada, empresas abrindo capital para aumentar o fluxo de investimentos financeiros, desenvolvimento de novas tecnologias de construção, consolidação de compras e aquisições, se faz necessário que a cadeia de suprimentos seja da forma correta, obedecendo a seqüência desta cadeia.

Abstract Supply Chain management and planning are important issues to an enterprise execution, since the material acquisition until services contractors. However, as the construction contractors do not attempt to this facts, there is less knowledge of the processes to a correct supply chain management, impacting in costs, schedules, quality and risks. As the Contractors competition is very hard, companies are opening capital to increase the financial investments, to develop new construction techniques, to consolidate acquisitions. To achieve these objectives, is necessary that the supply respect the correct sequence of this chain.

Palavras-chaves: Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, Controle do empreendimento, Empreiteiros na Construção Civil

que é a missão da empresa.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. contêm aspectos de eficiência operacional e estratégica. Nessa época. a qual é focada em agregar valor a um serviço ou a um produto físico. RJ. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras 1. INTRODUÇÃO Compreende-se como cadeia de suprimentos. Liboreiro. Carvalho. com maximização da eficiência determinando maior satisfação do cliente e conseqüentemente o aumento do market share. enquanto a cadeia de suprimentos é preocupada principalmente com a produção. Nos anos 1980. temos nos anos 1970 preocupações voltadas à eficiência dos objetivos operacionais. 1991. Como exemplos dessas instalações tem-se: fornecedores de matéria-prima. plantas produtivas. (Yin. 31 de julho. O gerenciamento eficaz do SCM é baseado no relacionamento direto dos que trabalham diariamente. apud Souza. pois a idéia é reduzir os lead-times e estoques ao mínimo necessário. distribuição e vendas de produtos físicos. a gestão da cadeia de suprimentos é um bom exemplo onde ambos. Liboreiro. apud Souza. Essa missão do comprador tem que estar equacionada com a missão do fornecedor.” A complexidade e multiplicidade de relacionamentos dentro da cadeia de comercialização têm que ser equacionadas para um mesmo objetivo. Carvalho. um conjunto de instalações dispersas geograficamente interagindo entre si. varejistas. a eficiência estratégica foi a preocupação. Hoje. Na gestão da cadeia de suprimentos o foco é a integração da cada componente. maximizar a utilização da atual cadeia de suprimentos incluindo a tecnologia da informação. objetivos e utilização de tecnologias da informação. estoque em trânsito. (Simchi-Levi. Carvalho. produtos intermediários e produtos acabados entre as instalações. De acordo com Nazário (1999) apud Souza. IV CNEG 2 . “maximizar a utilização de ativos. A cadeia de suprimentos é um subconjunto da cadeia de valor. suas práticas de mercado e padrão ético. 2006). 2006). Brasil. sistemas como reservas de passagens aéreas funcionaram como uma forte vantagem competitiva. 2000. Liboreiro (2006). centros de distribuição.

Lambert (1993) afirma que. o conceito básico de logística. a informação é essencial para tomar boas decisões de gerenciamento da cadeia de suprimentos porque ela proporciona o conhecimento do escopo global necessário para tomar boas decisões. Cooper e Pagh (1998). e as informações correlacionadas. serviços. 31 de julho. implanta e controla. RJ. A tecnologia da informação proporciona as ferramentas para reunir essas informações e analisá-las objetivando tomar as melhores decisões sobre a cadeia de suprimentos. no local certo e ao menor custo possível”. Liboreiro (2006). Apesar de ser um conceito genérico. A separação entre empresa e o ambiente passa a ser delimitada por uma tênue linha divisória. Carvalho. apud Souza. entre o ponto de origem e o ponto de consumo. “o conceito de gerenciamento integrado de logística se refere à administração das várias atividades como um sistema integrado”. o fluxo e o fluxo reverso e a estocagem de materiais. Carvalho. Christopher (1999) também amplia o conceito. Lambert.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. logística é a parcela do processo da cadeia de suprimentos que planeja. Strati (1995). de forma a atender as necessidades dos clientes. apud Souza. considerando que a logística empresarial abrange as áreas que tratam diretamente com o fluxo de beneficiamento das matérias-primas em produtos acabados. do qual evoluíram vários outros é “colocar o produto certo. Liboreiro (2006). e em muitos casos difíceis de se identificar. de forma eficiente e eficaz. Fica difícil saber onde termina a cooperação e começa a concorrência. entendem que o SCM pode ser considerado uma tentativa de estabelecer um corte transversal das fronteiras organizacionais visando viabilizar a gestão de processos entre corporações. Muitas vezes. Carvalho. Liboreiro (2006). Liboreiro (2006). Segundo o Council of Logistics Management (CLM). misturando fornecedores e clientes. na hora certa. a empresa se confunde com o ambiente. Carvalho. As fronteiras estão se tornando cada vez mais permeáveis. apud Souza. confirma esta proposição argumentando que as organizações estão deixando de ser sistemas relativamente fechados para transformarem-se em sistemas cada vez mais abertos. Brasil. apud Souza. Conforme argumentou Ballou (1993). 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras Conforme Chopra e Meindi (2001). tanto no aspecto interno de uma organização empresarial quanto no aspecto externo. Os próprios autores advertem que “gerenciar uma cadeia de suprimentos é uma tarefa desafiadora e que muito mais fácil escrever definições sobre esses processos do que implementá-los”. reflete de forma clara a abrangência e o objetivo da logística. envolvendo IV CNEG 3 . incerta e mutável.

É interessante observar que a definição dada pelo Council of Logistics Management para o SCM. 2. A integração externa permite eliminar duplicidades. o nível de desenvolvimento da estrutura logística de uma empresa pode ser analisado a partir de três dimensões básicas: formalização da função logística. fatores-chave para a liderança mundial. Lambert (1993) considera o gerenciamento da cadeia de suprimentos “a integração dos processos-chave de negócios desde o usuário final até os fornecedores originais que provêem produtos. a integração externa. segundo modelo desenvolvido por Bowersox e colaboradores (1992). Os acontecimentos mundiais estão forçando as empresas a considerar os méritos de processos de planejamento de tal abrangência. Carvalho. Liboreiro (2006). 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras todos os fornecedores de matérias primas e partes que compõem um produto. escala e velocidade. METODOLOGIA O objetivo geral desta pesquisa é contribuir para a modernização organizacional. RJ. “Gerenciamento da cadeia de suprimentos é a coordenação estratégica e sistêmica das funções de negócio tradicionais bem como as ações táticas que perpassam essas funções numa companhia e através de negócios dentro da cadeia logística com o propósito de aprimorar a performance de longo prazo das companhias individualmente e da cadeia de suprimentos como um todo”. outra das dimensões de excelência logística. apud Souza. operacional e controle de processos aplicados à construção civil. Para avaliação do estágio de uma organização. Brasil. até o ponto de ocorrência da demanda deste produto pelo consumidor final. 31 de julho. significa desenvolver relacionamentos cooperativos com os diversos participantes da cadeia de suprimentos. Liboreiro (2006). serviços e informações que agregam valor para os consumidores e demais interessados no negócio”. Para Fleury. apud Souza. Carvalho. monitoramento de desempenho e adoção de tecnologia. reduzir custos. acelerar o aprendizado e customizar serviços. baseados na confiança. Wanke e Figueiredo (2000). As empresas transnacionais que tiverem a coragem de adotar a visão de planejamento das cadeias de abastecimento globais poderão obter economias de abrangência. capacitação técnica e troca de informações.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. analisando e apresentando IV CNEG 4 .

em tempo real e com alto grau de precisão par uma gestão eficiente da logística e da cadeia de suprimentos. de um dia a um mês. Decisões táticas referem-se à produção agregada. desenvolvimento do produto. planejamento agregado de distribuição e alocação de recursos. cujo foco está na minimização do custo total e maximização da receita líquida no médio prazo. Este artigo está classificado como de caráter qualitativo e exploratório. capazes de desenvolverem o processo. Ferramentas de TI utilizadas em supply chain management Bowersox e Closs (1996). de uns cinco anos. 3. adequando-os as necessidades. aquisições de recursos. Brasil. conseqüentemente o produto. Decisões operacionais tratam da produção detalhada e do planejamento da distribuição.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. apud Souza. convergindo assim para a melhoria da qualidade da produção e monitoramento da cadeia de suprimentos. apontam três razões para a necessidade de informações rápidas. 31 de julho. O horizonte de planejamento é médio. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras métodos para aumentar a eficiência do planejamento e otimização do controle da gestão da cadeia de suprimentos. investimentos. Decisões e horizontes de planejamento da gestão da cadeia de suprimentos Decisões estratégicas dizem respeito a alianças. RJ. cujo foco está no longo prazo. O horizonte de planejamento é curto. realizando uma análise crítica e teórica das mesmas. de um mês a um ano. estratégico e tático no curto prazo. estudando a sua aplicabilidade no setor da construção civil. Carvalho. O horizonte de planejamento é longo. 3. Liboreiro (2006). DESENVOLVIMENTO 3.1.2. cujo foco está na minimização do custo local baseado nas decisões dos níveis mais altos. IV CNEG 5 . com a utilização de ferramentas para os processos da cadeia de suprimentos com o objetivo de identificar os métodos de planejamento e controle utilizados.

CR. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras Primeiro. QR etc”. Carvalho. De um lado estão os estoques e no outro as informações. VMI. a disponibilidade de informações aumenta a flexibilidade com respeito a saber. permite reduzir estoques através da minimização das incertezas da demanda. Essas iniciativas são comumente chamadas de programas de resposta rápida – PPRS. com a meta de redução do estoque em toda a cadeia de suprimentos. efetivamente. operações de produção e distribuição através de um maior compartilhamento de informações. CPRF. Existem várias modalidades de PPR. tático e operacional. Como abrangência eles consideram que a TI deve prover soluções adequadas aos três níveis de gestão: estratégico. Em terceiro. Brasil. IV CNEG 6 . O compartilhamento das informações possibilita aos fornecedores um planejamento e tomada de decisão mais eficiente. Anupindi e colaboradores (1999). Na consignação o fornecedor é o proprietário dos estoques e o responsável pela sua gestão até que eles sejam utilizados pelo cliente. o fornecedor pode utilizá-las de duas formas: para previsão e programação de políticas de gestão de estoques e para a operacionalização dos princípios de melhoria contínua de processos. Segundo Wanke (2004). Liboreiro (2006). Segundo. os executivos percebem que. No compartilhamento de informações. 31 de julho. clientes entendem que informações do andamento de uma ordem. Carvalho. Especialmente. quanto. quando e onde os recursos podem ser utilizados para obtenção de vantagem estratégica. disponibilidade de produtos. com informações adequadas. o planejamento de necessidades sendo feito usando informações mais recentes. apud Souza.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. programação de entrega e dados do faturamento são elementos fundamentais do serviço ao cliente. reduzir estoques e necessidades de recursos humanos. mostram a abrangência e os níveis de funcionalidades dos sistemas de informação utilizados no SCM. eles podem. “diversos clientes e fornecedores quiseram redesenhar seu fluxo de produtos. cada qual atendendo por uma sigla diferente: ECR. Todos os sistemas podem ser analisados num continuum. RJ. Liboreiro (2006). apud Souza.

Efficient consumer response (ECR) Fornecedores e clientes cooperam em cinco áreas principais: compartilhamento de informações em tempo real. RJ. O custeio baseado em atividades permitiria quantificar as melhorias operacionais obtidas com o ECR. A reposição contínua permite o gerenciamento just-in-time.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. Destaca-se que esses níveis de estoque podem variar em função de padrões sazonais de demanda. A padronização buscaria estabelecer normas e rotinas para a operacionalização do fluxo de produtos e informações. Collaborative planing. 31 de julho. O compartilhamento de informações asseguraria a seqüência mais apropriada para a montagem dos carregamentos. pela uniformização dos meios de transporte. de promoções e de mudança no gosto do consumidor. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras Quick response (QR) Os fornecedores recebem os dados coletados nos pontos-de-venda do cliente e utilizam essa informação para sincronizar suas operações de produção e seus estoques com as vendas reais dos clientes. reposição contínua. a fim de coordenar a definição de metas de vendas e de políticas de preços. gerenciamento de categorias. O objetivo principal é identificar qual a empresa gera previsões de venda mais precisas para um determinado SKU (stock IV CNEG 7 . Continuous replenishment (CR) Os fornecedores recebem os dados do ponto-de-venda para preparar carregamentos em intervalos regulares e assegurar a flutuação do estoque no cliente entre determinados níveis máximo e mínimo. dos procedimentos para liberação e recepção de veículos e a troca eletrônica de dados. Os produtos não são mais armazenados em centros de distribuição e sim movimentados rapidamente por instalações de cross-docking. forecasting and replenishment (CPRF) O CPRF constitui uma extensão do CRP/ECR no qual fabricantes e varejistas compartilham sistemas e o processo de previsão de vendas. Brasil. evitando a utilização intensiva de estratégias promocionais. custeio baseado em atividades e padronização. O gerenciamento de categorias consiste no agrupamento de produtos com as mesmas características mercadológicas. bem como o melhor mix de produtos.

Brasil. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras keeping unit). Projetar as necessidades líquidas de estoque por SKU por loja da cadeia varejista. RJ. A idéia é que. em função de ordens de produção liberada anteriormente e defasada do tempo da resposta. Na consignação. numa determinada região geográfica. quando os custos de oportunidade de manter estoques são conhecidos e quando existem expectativas de nível de serviço bem definidas. Esse funcionário é conhecido como in-plant e tomaria decisões relacionadas à programação IV CNEG 8 . No entanto. Checar a disponibilidade atual do SKU em estoque no fabricante. Checar se as necessidades líquidas projetadas caem abaixo dos níveis de estoque de segurança. No VMI são projetadas as necessidades líquidas futuras até a próxima revisão e não simplesmente geradas previsões de vendas. caso o poder de barganha do cliente seja maior que o do fornecedor ou como forma de convencimento dos clientes. as chances de conflito na relação cliente-fornecedor tendem a ser minimizadas quando o cliente sinaliza com uma maior previsibilidade de consumo do produto consignado. Vendor managed inventory (VMI) O VMI tende a ocorrer quando o poder de barganha dos fornecedores é maior que o dos seus clientes. A consignação pode ocorrer caso o poder de barganha do cliente seja maior que o do fornecedor ou como forma de convencimento dos clientes. os fornecedores sejam capazes de programar melhores suas operações motivados por elevados custos de oportunidade de manter estoques. num determinado horizonte de planejamento.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. No JIT II o fornecedor disponibilizaria um funcionário para trabalhar no seu cliente. a consignação pode ocorrer no VMI. 31 de julho. A rotina do VMI envolve: Rever a posição em estoque de cada SKU em cada loja da cadeia varejista. ao gerenciar os estoques na cadeia. Just-in-time (JIT II) O JIT II consistiria na extensão lógica do regime de produção JIT para fora da empresa.

IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. 3. Muito pode ser feito. novos materiais e componentes são introduzidos no mercado a cada dia e poucos fornecedores são descartados por razões de qualidade dos produto oferecidos. o mesmo acredita que os suprimentos por ser um setor de forte integração com os demais departamentos da empresa e por manter uma relação estreita com o mercado. Colaborando com esta definição. uma vez que existem inúmeros fornecedores para o mesmo produto. constituem o maior potencial individual de melhoria da qualidade nas construtoras. apud Reis. Brasil. 1995. as pessoas responsáveis por efetuar as compras. 31 de julho. não se estabelecendo vínculos quanto à continuidade de fornecimento. uma vez que o quadro que ainda se apresenta em grande número de empresas construtoras do subsetor é: as relações entre empresa construtora e fornecedores são pouco cordiais e de curta duração. IV CNEG 9 . uns com mais qualidade que outros. (Palácios. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras de produção e aquisição de insumos. O in-plant substitui as funções de comprador e do planejador no cliente e a função do vendedor no fornecedor. Reis (1998) cita em sua disertação de mestrado o livro de Picchi (1993). sempre o menor preço possível. mesmo porque os fornecedores problemáticos não são facilmente identificados. não possuem habilidades técnicas para fazer muito mais do que obter.3 A aplicação de suprimentos na construção de edifícios Muitos autores consideram o setor de suprimentos como o elo de ligação entre o setor administrativo e o canteiro de obras e entre a empresa e seus fornecedores e. há carência de procedimentos para a seleção de fornecedores. RJ. em geral. 1998). devido as deficiências no processo de comunicação obraescritório. afirmam que o mesmo assume uma importância estratégica para obtenção da qualidade na construção e redução do custo total dos empreendimentos. por isso. qualquer material solicitado.

tal setor não conta com pessoas preparadas tecnicamente para fazer a melhor opção. ou com a obra (recebimento. como ilustra a figura 02. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras o monitoramento da capacidade dos fornecedores em atender solicitações da empresa construtora quanto a prazos e qualidade é pouco comum. a ponto de garantir a retroalimentação dos dados das obras às etapas anteriores de projeto e compra de materiais e componentes. O gerenciamento de suprimentos deve abranger as diversas interfaces de atuação desse setor. IV CNEG 10 . Brasil. RJ. a inspeção de recebimento é freqüentemente contornada e a retroalimentação é limitada e não sistemática. esperas e perdas de produtividade. inspeção.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. É importante também que exista na empresa um sistema de informação eficiente. Diante disso. em função de entregas erradas. (1998). salienta a importância do setor de suprimentos como único responsável pela decisão dos insumos a serem utilizados. seja com o projeto (através das especificações). retrabalhos. como a qualidade do produto final espelhada a qualidade de seus fornecedores de materiais e componentes. 31 de julho. na maioria dos casos. atrasos. confusas e pouco seguras. A autora observa ainda que essa situação pode gerar uma série de problemas pois. apud Reis. acredita-se que tenha chegado o momento de reformular essas antigas práticas que só trazem às empresas maiores custos de construção. Como muitas das alterações tecnológicas da construção de edifícios têm origem na indústria de materiais e componentes e deveriam entrar nas empresas através do projeto. transporte interno e utilização de materiais). com os fornecedores (aquisição e transporte). Barros. uma vez que o mais comum é existirem especificações de projeto incompletas. estocagem. (1996).

Brasil. ou (3) representem uma proporção significativa ou crescente dos custos”. Fornecedores: um elo vital na cadeia de valores das empresas construtoras De acordo com Porter (1992). 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras Figura 2 – As inter-relações do setor suprimentos. (2) possuam um alto impacto em potencial de diferenciação. dos revendedores e dos compradores que se interligam de alguma forma e sofrem influência umas das outras.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. apud Reis. a sustentação de uma vantagem competitiva é função da cadeia de valores IV CNEG 11 . dos fornecedores. A cadeia de valores de uma determinada organização insere-se em uma corrente de atividades maior denominada por Porter (1992) de sistema de valores.4. (1998). a cadeia de valores é uma forma de desagregar a empresa em suas inúmeras atividades de relevância estratégica a fim de melhor entender o comportamento dos custos e descobrir potenciais fontes de diferenciação que possa trazer vantagens competitivas. Para elaborá-la. Assim. desde que elas “(1) tenham economias diferentes. o autor sugere que se subdivida a empresa em suas diversas atividades. Fonte: Reis. 1998 3. como a das empresas. O sistema de valores é composto por diferentes cadeias de valores. 31 de julho. RJ.

não ocasionando. aço. cerâmica vermelha. Considera-se. esquadrias. Silva (1994). as atividades da etapa de logística externa da empresa construtora (73. Com o material sendo entregue paletizado no pavimento onde será utilizado. entretanto. tintas. cimento. através do conhecimento das atividades que mais influem nos IV CNEG 12 . o desempenho de uma construtora está associado ao desempenho das industrias de fabricação de insumos necessários à materialização de um empreendimento. No caso dos fornecedores. Do estudo de caso realizado. 31 de julho. facilita o transporte. adotado pelo fornecedor. principalmente. (Cardoso. RJ. que o estudo das inter-relações entre as duas cadeias de valores configura-se em um instrumento eficiente e valioso quando se pretende redefinir novas estratégias competitivas. Tal análise traz benefícios tanto para fornecedores. analisaram como as atividades de uma empresa fornecedora de blocos cerâmicos afetavam a cadeia de valores e as atividades de uma empresa de construção de edifícios. admite que há uma forte dependência da cadeia de uma empresa (atividade fim: construção) com outras cadeias produtivas com maior ou menor nível de tecnologia incorporada (fabricantes e fornecedores de vidro. o atendimento às normas e o desenvolvimento de novos produtos pelos fabricantes podem facilitar a gestão das operações de construção.6% das interligações entre cadeias). libera áreas de estoques e diminui custos com a mão-de-obra. Na construção de edifícios. eles se tornam capazes de identificar quais de suas atividades surtem efeito positivo para seus clientes e quais as que são indiferentes para o mesmo. então. Carraro. Por outro lado. foi possível concluir que as atividades exercidas pelos fornecedores atingem. etc. nenhuma vantagem competitiva frente aos concorrentes. pode-se citar como exemplo a influência da paletização do produto final e do estabelecimento de um padrão de fornecimento na gestão da logística de suprimentos e do canteiro de obras da empresa construtora. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras da empresa considerando-se. apud Reis. (1998). por exemplo. 1993. 1998). apud Reis. Dentre essas diversas relações. cal. o modo como se enquadra no sistema de valores global. assim. quanto para clientes.). os clientes percebem que a padronização de materiais e componentes. Reis (1996).IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. Brasil. (1998). contribuindo ou não para sua maior competitividade. projetos de racionalização de canteiros podem ser viabilizados levando-se em conta a confiança no padrão diferenciado de fornecimento dos blocos. que minimizava perdas. apud Reis. que contribuem muito para a qualidade do produto final.

maior flexibilidade e rapidez de resposta. Com a introdução dos Sistemas da Gestão da Qualidade na construção de edifícios. Formoso (1997). 3. visitas para qualificação. a avaliação e seleção de fornecedores e o gerenciamento do setor de suprimentos auxiliado pela tecnologia da informação. É preciso lembrar. Na indústria de produtos seriados.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. maior garantia na entrega. ainda é uma ferramenta de grande utilidade para a organização das empresas e identificação de novos potenciais de diferenciação.4. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras processos dos clientes. que irá permitir ganhos globais de qualidade. (1998). fica evidente a importância das relações com os fornecedores para a competitividade das empresas de construção de edifícios. autocertificação e reduções de preços. A contribuição dos Sistemas de Gestão da Qualidade para a melhoria da gestão dos suprimentos da construção de edifícios No mundo todo. muitos problemas relativos aos suprimentos estão sendo resolvidos e eliminados através de procedimentos simples adotados pelas empresas. deve ser encarada como uma estratégia empresarial. a atuação desses dois participantes não deve se resumir a uma simples relação cliente-fornecedor mas. IV CNEG 13 . Diante do exposto. seja através da qualificação de fornecedores. 53. entregas mais fracionadas e freqüentes. devido a fatores conjunturais. aspectos como: maior qualidade dos produtos fornecidos. cada vez mais insistentemente. custo e prazo em todo o processo de produção. de acordo com Merli (1994).97% das empresas do subsetor edificações imprimiram mudanças recentes em seus sistemas de suprimentos. sobretudo. contudo. 31 de julho. o mercado ou os clientes têm cobrado. ainda que em menor escala. da importação de insumos ou da exigência por produtos certificados. apud Reis. que as influências entre as cadeias de valores podem se tornar menores ou maiores no transcorrer do tempo. ou seja. as relações cliente-fornecedor estão em rápida e crescente evolução. Na indústria da construção de edifícios isto também está acontecendo. Isatto. apud Reis. Segundo pesquisa realizada pelo SENAI (1992). a partir de uma correta gestão das relações que se desenrolam na fronteira cliente-fornecedor”. dentre os quais pode-se citar: os procedimentos de recebimento e inspeção de materiais. Brasil. alertam que “as construtoras devem gerenciar eficientemente e de maneira pró-ativa a sua base de fornecedores. (1998). RJ. Mesmo assim.

Além disso. Os procedimentos de inspeção e recebimento de materiais Os procedimentos de inspeção e recebimento de materiais são elaborados baseando-se nas normas técnicas brasileiras e na experiência dos engenheiros e do pessoal administrativo das obras. IV CNEG 14 . fazendo com que se tenha sempre o mesmo nível de exigência em relação aos fornecedores.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. 1998 As relações entre tais procedimentos estão ilustradas na figura 03 e serão melhores explicadas a seguir. As primeiras podem encorajar a permissividade e dar a impressão de padrões relaxados. podem consumir mais tempo e mais dinheiro do que o permitido. feitas de maneira cuidadosa. Para Souza. 3. Definem tolerâncias para o recebimento de materiais em obra. com o passar do tempo. Brasil. apud Reis.5. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras Figura 3 – A nova gestão de suprimentos. pode-se racionalizar este procedimento. É importante que sejam evitadas inspeções superficiais e inspeções detalhadas. (1997a). a necessidade de se realizar inspeção de produtos no recebimento pode parecer onerosa em um primeiro momento mas. RJ. (1998). Fonte: Reis. prevendo apenas a verificação das características consideradas essenciais e de simples avaliação. 31 de julho. enquanto as segundas. desde que os fornecedores assegurem a qualidade dos produtos entregues. a utilização de tais procedimentos torna possível garantir a constância da qualidade dos insumos que farão parte do produto final.

IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. De acordo com Souza (1997a). Caso contrário. transporte (carga e descarga). através de retroalimentação. prazo de entrega. contribui também para a melhoria do gerenciamento interno dos suprimentos na empresa quando. preenchimento de nota fiscal ou fatura. como ilustrado na figura 3. prazos de entrega e garantia da qualidade. 3. Em caso da nota estar acima da média permitida pela construtora. 31 de julho. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras Souza acredita que. após determinado período. RJ. é possível às construtoras avaliar seus fornecedores com relação a vários critérios. se não forem tomadas medidas corretivas de sua parte. o fornecedor permanece no quadro da empresa.6. Cada um dos itens a ser avaliado é pontuado segundo critérios estabelecidos pela construtora e. no futuro. A avaliação e seleção de fornecedores Adotando-se a prática da utilização dos procedimentos de recebimento e inspeção de materiais. conseqüentemente. permitindo o estreitamento das relações entre comprador e fornecedor”. erro de quantidade ou preço. poderá gerar acordos mais flexíveis em relação a preços. o cadastro dos fornecedores pode ser elaborado gradualmente para os materiais priorizados pelas empresas. A utilização dos sistemas de avaliação de fornecedores. Isso. “a prática de qualificar os fornecedores é sempre vantajosa. retornam informações úteis para subsidiar futuras tomadas de decisão. é excluído da relação de fornecedores qualificados. IV CNEG 15 . ao final desse processo. verificando-se se está ou não dentro dos padrões assumidos como aceitáveis pela empresa. pois se reflete diretamente na diminuição dos custos de inspeção dos produtos adquiridos. permitindo o fortalecimento das relações fornecedor-construtora. reduzindo os custos de controle para as empresas construtoras. uso de equipamentos de proteção individual e atendimento prestado. Brasil. cada fornecedor recebe uma nota que será analisada. com a adoção da prática do controle de recebimento. Para o autor. então. Forma-se. tais como: qualidade do material entregue. além de auxiliar o processo de seleção dos melhores fornecedores pelo departamento de suprimentos e garantir a utilização de materiais de qualidade assegurada na obra. é advertido e. um ciclo de melhoria contínua da gestão de suprimentos. diminuindo a necessidade de inspeções detalhadas para controle de recebimento e. seja possível identificar no mercado fornecedores mais bem preparados.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO O artigo teve como objetivo a recomendação para a modernização organizacional e operacional. adequando-os as necessidades. como: estruturar uma equipe para coordenar as atividades. é de extrema importância a diminuição dos problemas de comunicação entre o setor de suprimentos e as obras. é apontado também a importância do processo de aquisição para o resultado final do empreendimento que depende de alguns fatores como. Além disto. analisando e apresentando métodos para aumentar a eficiência do planejamento e otimização da cadeia de suprimentos. IV CNEG 16 . O gerenciamento adequado desses recursos possibilita a redução do custo sem que haja a diminuição do lucro e conseqüentemente reduzindo o custo da construção. A primeira conclusão deste artigo foi evidenciar que há falta de organização na gestão de contratos e da cadeia de suprimentos. estabelecer um sistema de informações e cadastrar o que foi executado. quanto. RJ. A disponibilidade destas informações aumenta a flexibilidade com respeito a saber. 31 de julho. Estas funções a serem desempenhadas pelo setor de suprimentos parecem óbvias. 01 e 02 de agosto de 2008 Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras 4. definir responsabilidades. convergindo assim para a melhoria da qualidade da produção e monitoramento dos contratos. facilitando a aquisição de serviços e/ou compra de materiais para a devida aplicação nas obras. visando à formação de um banco de dados entre outros. Com relação a cadeia de suprimentos. entretanto. demonstrando as razões pelas quais deve ser implementada a Cadeia de Suprimentos. Para os processos internos. negociar ao máximo com os fornecedores garantindo as melhores condições de compra e/ou contratação. avaliar e manter parcerias com fornecedores garantindo a melhoria contínua do processo. deverão utilizar computadores interligados entre si e formalizando processos administrativos de requisição de compras. observando alguns pontos básicos a serem seguidos.IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Niterói. fornecer insumos ou serviços ao empreendimento atendendo aos parâmetros de qualidade e custo. Brasil. quando e onde os recursos podem ser utilizados para obtenção de vantagem estratégica. o modo que se assume ao desempenhá-las é que definirá o diferencial de uma empresa para a outra.

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