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Brasília, 27 a 31 de outubro de 1997 - Nº 90

Data (páginas internas): 5 de novembro de


1997.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
ADIn e Decisão do TCU
ADIn e Pagamento de Impostos
Aposentadoria de Rurícola
Conhecimento de ADIn
Criação de Subsidiárias:Autorização Legislativa
Denúncia contra Prefeito
Desaforamento: Oitiva da Defesa
Deserção: Inocorrência
MS: Cabimento
Nova Escolaridade e Transposição de Cargo
Prisão Especial e Trânsito em Julgado
Responsabilidade Civil do Estado
Vício de Iniciativa e Auditoria Tributária do DF

PLENÁRIO
Nova Escolaridade e Transposição de Cargo
Indeferida medida liminar em ação direta requerida
pelo Governador do Estado de Santa Catarina contra
dispositivos das Leis estaduais 8.246/91 e 8.248/91 que, em
relação à categoria funcional de Fiscal de Mercadorias em
Trânsito, estabeleceram a exigência de diploma de nível
superior para o cargo, anteriormente de nível médio,
alterando suas atribuições. Afastando a alegação de que as
normas impugnadas seriam idênticas àquelas declaradas
inconstitucionais na ADIn 1.030-SC (DJU de 13.12.96), o
Tribunal, num primeiro exame, considerou não haver
plausibilidade jurídica da tese de ofensa ao princípio do
concurso público (CF, art. 37, II) tendo em conta que a nova
escolaridade exigida, por si só, não evidencia ter havido a
transposição de servidores de nível médio em cargos de nível
superior sem prévio concurso público e, ainda, não estar
caracterizado o periculum in mora já que as normas atacadas
entraram em vigor em 1991. ADInMC 1.561-SC, rel. Min.
Sydney Sanches, 29.10.97.

Criação de Subsidiárias:Autorização Legislativa


Pela falta de plausibilidade jurídica da argüição de
inconstitucionalidade por ofensa aos incisos XIX e XX do
art. 37, da CF, o Tribunal indeferiu medida cautelar requerida
em ação direta pelo PT, PDT, PC do B e PSB contra os
artigos 64 e 65 da Lei 9.478/97, que dispõe sobre a política
energética nacional, as atividades relativas ao monopólio do
petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética
e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências
(Art. 64: “Para o estrito cumprimento de atividades de seu
objeto social que integrem a indústria do petróleo, fica a
PETROBRÁS autorizada a constituir subsidiárias, as quais
poderão associar-se, majoritária ou minoritariamente, a
outras empresas”. Art. 65: “A PETROBRÁS deverá
constituir uma subsidiária com atribuições específicas de
operar e construir seus dutos, terminais marítimos e
embarcações para transporte de petróleo, seus derivados e
gás natural, ficando facultado a essa subsidiária associar-
se, majoritária ou minoritariamente, a outras empresas.”).
Afirmando o caráter genérico da autorização legislativa para
a criação de subsidiárias de empresa pública, sociedade de
economia mista, autarquia ou fundação pública a que se
refere o inciso XX, do art. 37, da CF, o Tribunal
entendeu que a Lei atacada atende a esse permissivo
constitucional por nela haver a previsão para essa finalidade
(art. 64), afastando-se, portanto, a alegação de que seria
necessária a autorização específica do Congresso Nacional
para se instituir cada uma das subsidiárias de uma mesma
entidade. ADInMC 1.649-UF, rel. Maurício Corrêa,
29.10.97.

MS: Cabimento
É incabível mandado de segurança contra decisão
do Plenário, das Turmas ou de relator do STF, de caráter
jurisdicional. Precedentes citados: MS (QO) 21.750-RS
(DJU de 8.4.94); MS (AgRg) 22.413-SP (RTJ 160/480). MS
(AgRg) 22.919-RJ, rel. Min. Carlos Velloso, 29.10.97.

Aposentadoria de Rurícola
Em virtude da existência de dissídio entre as
Turmas, o Tribunal conheceu de embargos de divergência
interpostos pelo INSS e deu-lhes provimento, prevalecendo o
entendimento de que o art. 202, I da CF não é auto-aplicável
[“É assegurada aposentadoria, nos termos da lei, (...) e
obedecidas as seguintes condições: I - aos sessenta e cinco
anos de idade, para homem e aos sessenta, para mulher,
reduzido em cinco anos o limite de idade para os
trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que
exerçam suas atividades em regime de economia familiar,
neste incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador
artesanal;”]. Vencido o Min. Carlos Velloso, que os
rejeitava. Precedentes citados: MI 183-RS (RTJ 146/14) e
MI 306-DF (DJU de 2.4.93) . RE (EDv) 163.332-RS, rel.
Min. Moreira Alves, 29.10.97.

Conhecimento de ADIn - 1
Não se conhece de ação direta de
inconstitucionalidade quando é necessário o prévio confronto
entre o ato normativo impugnado e outras normas jurídicas
infraconstitucionais de modo a evidenciar-se sua
inconstitucionalidade, verificando-se, portanto, o caráter
reflexo da pretendida violação à CF. Com esse entendimento,
o Tribunal não conheceu de ação direta ajuizada pela
Confederação Nacional de Saúde - Hospitais,
Estabelecimentos e Serviços - CNS contra a Lei paulista nº
9.493/97, que reconhece de utilidade pública as Santas Casas
de Misericórdia e outras entidades filiadas à Federação das
Misericórdias do Estado de São Paulo, por não haver ofensa
direta à CF, já que a alegada inconstitucionalidade depende
da prévia análise da Lei estadual nº 2.574/80 que estabelece
normas para declaração de utilidade pública. Precedente
citado: ADInMC 842-DF (RTJ 147/545). ADInMC 1.692-
SP, rel. Min. Ilmar Galvão, 29.10.97.

Conhecimento de ADIn - 2
Não se conhece de ação direta quando a decisão
sobre a constitucionalidade da norma impugnada depender
do exame de outros dispositivos não atacados do mesmo ato
legislativo ou tiver, quanto a estes, conseqüência direta. Com
base nesse entendimento, o Tribunal não conheceu de ação
direta ajuizada pelo Partido dos Trabalhadores - PT contra a
expressão “semi-elaborados” constante dos arts. 3 o , II e 32,
I, todos da Lei Complementar 87/96 (Lei Kandir), que,
dispondo a respeito do imposto dos Estados e do Distrito
Federal sobre operações relativas à circulação de
mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação, isentou do
imposto as operações e prestações que destinem ao exterior
os produtos semi-elaborados. ADIn 1.622-UF, rel. Min.
Nelson Jobim, 30.10.97 .

ADIn e Decisão do TCU


O Tribunal, considerando que a decisão atacada
tem caráter normativo — à vista do disposto no art. 1 o, § 2o
da Lei 8.443/92 - Lei Orgânica do Tribunal de Contas da
União [“A resposta à consulta a que se refere o inciso XVII (
decidir sobre consulta que lhe seja formulada por
autoridade competente a respeito de dúvida suscitada na
aplicação de dispositivos legais e regulamentares
concernentes a matéria de sua competência ...) deste artigo
tem caráter normativo e constitui prejulgamento da tese,
mas não do fato ou caso concreto.”] —, reconheceu, em
preliminar, a possibilidade do controle concentrado de
constitucionalidade. Após, o Tribunal, acolhendo a alegação
do requerente, Procurador-Geral da República, de ofensa ao
art. 37, XVI e XVII, da CF, que veda a acumulação
remunerada de cargos públicos, e tendo em conta a
jurisprudência da Corte, deferiu, com eficácia ex tunc, a
cautelar para suspender a validade da Decisão 819/96, que,
respondendo à consulta formulada por ex-Presidente da
Câmara dos Deputados, dispõe sobre a possibilidade de
acumulação de proventos e vencimentos. Precedentes
citados: RE 163.204-SP (DJU de 15.3.96), MS 22.182-RJ
(DJU de 10.8.95) e ADInMC 1.541-MS (DJU de 25.4.97).
ADIn 1.691 - DF, rel. Min. Moreira Alves, 30.10.97 .

ADIn e Pagamento de Impostos


O Tribunal, preliminarmente, reconheceu a
legitimidade da Confederação Nacional das Profissões
Liberais - CNPL para propor ação direta contra dispositivo
da Lei 9.317/96 — que instituiu o Sistema Integrado de
Pagamento de Impostos e Contribuições - SIMPLES —, à
vista da relação de pertinência temática entre os fins da
confederação proponente e o prescrito no dispositivo por ela
impugnado: inciso XIII do art. 9 (“Não poderá optar pelo
SIMPLES a pessoa jurídica: ... XIII - que preste serviços
profissionais de .... , e qualquer outra profissão cujo
exercício dependa de habilitação profissional legalmente
exigida.”). Após, indeferiu-se o pedido cautelar dada a
ausência, ao primeiro exame, de plausibilidade jurídica na
tese da requerente, que invocara ofensa ao disposto no art.
150, II, da CF (“Sem prejuízo de outras garantias ao
contribuinte, é vedado à União ... II - instituir tratamento
desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de
ocupação profissional ou função por eles exercida,
independentemente da denominação jurídica dos
rendimentos, títulos ou direitos.”). Ponderou o relator, Min.
Maurício Corrêa, que a lei tributária pode discriminar por
motivo extrafiscal ramos de atividade econômica, desde que
a distinção seja razoável. Precedente citado: RE 153.771-
MG (DJU de 5.9.97). ADIn 1.643-UF, rel. Min. Maurício
Corrêa, 30.10.97 .

Vício de Iniciativa e Auditoria Tributária do DF


Ao argumento da afronta ao art. 61, § 1 o, II, a e c,
da CF — que diz ser da iniciativa exclusiva do Presidente da
República as leis que disponham sobre a criação de cargos,
funções ou empregos públicos, bem como sobre a
organização dos serviços públicos e pessoal da administração
—, o Tribunal deferiu a liminar para suspender a eficácia da
Lei 1.626/97, do Distrito Federal, que altera dispositivos da
Lei 33/89, que cria a Carreira Auditoria Tributária, fixa
valores de seus vencimentos e dá outras providências, e da
Lei 74/89, que a altera, já que a iniciativa da referida lei não
foi do Governador Distrital. Acolheu-se, ainda, a alegação de
inconstitucionalidade material do art. 3 o do diploma atacado
(“Os ocupantes do cargo de Técnico Tributário à data da
publicação desta Lei ficam mantidos na Carreira Auditoria
Tributária, no cargo de Fiscal Tributário, observada a
mesma classe e o mesmo padrão de vencimentos.”), por
ofensa ao disposto no art. 37, II, da CF (“II - a investidura
em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia
em concurso público de provas ou de provas e títulos ...”).
ADIn 1.677-DF, rel. Min. Moreira Alves, 30.10.97 .

PRIMEIRA TURMA
Denúncia contra Prefeito
Tratando-se de denúncia oferecida contra prefeito
perante Tribunal de Justiça, não configura nulidade o seu
recebimento por decisão monocrática do relator antes do
advento da Lei 8.658/93, que transferiu para o órgão
colegiado essa competência. Precedentes citados: HC
72.298-SP (DJU de 6.9.96) e HC 73.021-GO (DJU de
1º.12.95). HC 75.932-GO, rel. Min. Octavio Gallotti,
31.10.97.

Desaforamento: Oitiva da Defesa


Tratando-se de pedido de desaforamento do
julgamento do tribunal do júri feito pelo Ministério Público,
é imperativa a audiência da defesa. Com base nesse
entendimento e considerando haver comarcas mais próximas
do distrito da culpa do que a escolhida pelo acórdão
recorrido, a Turma deferiu habeas corpus para anular o
acórdão impugnado de modo a que outro venha a ser
proferido após a intimação do réu para pronunciar-se sobre o
desaforamento e determinar, desde logo, que deva ser
indicada a comarca mais próxima ao distrito da culpa ou que
se fundamentem as razões para a escolha de outra mais
distante. Precedente citado: HC 71.345-GO (RTJ 159/513).
HC 75.960-RS, rel. Min. Octavio Gallotti, 31.10.97.

Prisão Especial e Trânsito em Julgado


A prisão especial é prerrogativa que se mantém até
o trânsito em julgado da condenação. Com base nesse
entendimento, a Turma deferiu habeas corpus para garantir a
permanência em prisão especial do réu que exercera a função
de jurado (CPP, artigos 295, X e 437), uma vez que ainda
não julgado o agravo de instrumento contra a decisão que
negara seguimento ao recurso especial do paciente. HC
75.811-RJ, rel. Min. Ilmar Galvão, 31.10.97.

Deserção: Inocorrência
Embora o preparo não tenha sido efetuado quando
da interposição do recurso extraordinário, a Turma afastou a
deserção que fora decretada pelo presidente do tribunal a
quo com base no art. 511, do CPC (“No ato de interposição
do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela
legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte
de retorno, sob pena de deserção.”), considerando que o
recurso fora interposto após o expediente bancário e o
preparo realizado no dia seguinte, ainda dentro do prazo
recursal. RE 219.967-RS, rel. Min. Moreira Alves, 31.10.97.

Responsabilidade Civil do Estado - 1


Não ofende o § 6º, do art. 37 da CF (“As pessoas
jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos
que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa.”) acórdão que reconhece o direito de
indenização à mãe de preso assassinado dentro da própria
cela por outro detento. Com base nesse entendimento e
afirmando a responsabilidade objetiva do Estado ante a
omissão no serviço de vigilância dos presos, a Turma não
conheceu de recurso extraordinário interposto pelo Estado de
São Paulo, afastando a alegação de que o dano não teria sido
causado por agente estatal. Precedente citado: RE 109.615-
RJ (DJU de 2.8.96). RE 170.014-SP, rel. Min. Ilmar Galvão,
31.10.97.

Responsabilidade Civil do Estado - 2


Negado provimento a agravo regimental interposto
contra despacho do relator que negara seguimento a recurso
extraordinário contra decisão do Tribunal de Alçada Cível
do Estado do Rio de Janeiro que reconhecera a
responsabilidade objetiva de empresa de ônibus (CF, art. 37,
§ 6º) em acidente de trânsito. Entendendo ser irrelevante a
natureza do transporte de pessoas, a Turma afastou a
pretendida alegação de que não se tratava de serviço público
de transporte mas sim de transporte de empregados da Casa
da Moeda do Brasil em cumprimento de contrato privado de
prestação de serviços. AG (AgRg) 203.387-RJ, rel. Min.
Moreira Alves, 31.10.97.

SEGUNDA TURMA
À vista do feriado de 28.10.97, não houve sessão
ordinária. O Presidente da Turma, Min. Néri da Silveira,
convocou sessão extraordinária para o dia 3.11.97 .

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 29.10.97 30.10.97 26


1ª Turma --------- 31.10.97 307
2ª Turma --------- --------- -----

CLIPPING DO DJ
31 de outubro de 1997

ADIn N. 98
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
MEDIDA CAUTELAR. CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE
MATO GROSSO/1989, ARTS. 92, V; 109, § ÚNICO; 50, § 4º; 121
A 123, E ART. 42 DO RESPECTIVO ADCT.
Presentes os pressupostos caracterizadores do fumus boni juris e do
periculum in mora, suspende-se, em caráter excepcional, a eficácia
dos dispositivos impugnados, inscritos na novíssima Constituição do
Estado de Mato Grosso, até ulterior decisão de mérito. Para a
concessão da medida cautelar, não basta a relevância da tese jurídica
deduzida pelo autor. Torna-se indispensável a comprovação do
periculum in mora (RTJ 125/56).
Medida cautelar deferida.
* noticiado no Informativo 78

ADIn N. 930
RELATOR : MIN. CELSO DE MELLO
E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE - LEI 244/93, DO ESTADO DO
MARANHÃO - ICMS - NÃO-INCIDÊNCIA - TRANSMISSÃO,
RETRANSMISSÃO, GERAÇÃO DE SOM E IMAGEM ATRAVÉS
DE SERVIÇOS DE RÁDIO E TELEVISÃO - A QUESTÃO DA
COMPETÊNCIA EXONERATIVA DOS ESTADOS-MEMBROS
EM MATÉRIA DE ICMS - LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS
INCIDENTES SOBRE O PODER DE CONCEDER BENEFÍCIOS
FISCAIS EM TEMA DE ICMS - PLAUSIBILIDADE JURÍDICA -
PERICULUM IN MORA - MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA.
- A concessão, mediante ato do poder público local, de isenções,
incentivos e benefícios fiscais, em tema de ICMS, depende, para
efeito de sua válida outorga, da prévia e necessária deliberação
consensual adotada pelos Estados-membros e pelo Distrito Federal,
observada, quanto à celebração desse convênio intergovernamental,
a forma estipulada em lei complementar nacional editada com
fundamento no art. 155, § 2º, XII, g, da Carta Política. Este preceito
constitucional, que permite à União Federal fixar padrões
normativos uniformes em tema de exoneração tributária pertinente
ao ICMS, acha-se teleologicamente vinculado a um objetivo de
nítido caráter político-jurídico: impedir a "guerra tributária" entre
os Estados-membros e o Distrito Federal. Plausibilidade jurídica
dessa tese sustentada pelo Procurador-Geral da República.

ADIn N. 1.606
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. § 7º do artigo 120
da Constituição do Estado de Santa Catarina, com a redação dada
pela Emenda Constitucional nº 12, de 23 de dezembro de 1996.
- Relevância de fundamento - ainda que não invocado diretamente
pelo requerente -, que pode ser levado em consideração pela Corte,
dado que a "causa petendi" nessa ação é aberta, relativo à
infringência, no caso, do princípio da independência dos Poderes
(artigo 2º da Constituição Federal).
- Ocorrência, também, do "periculum in mora".
Pedido de liminar deferido para suspender, até o julgamento final
dessa ação direta, a eficácia, "ex nunc", do § 7º do artigo 120 da
Constituição do Estado de Santa Catarina, com a redação dada pela
Emenda Constitucional nº 12, de 23 de dezembro de 1996.
* noticiado no Informativo 84

ADIn N. 1.618
RELATOR : MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: - Ação direta de inconstitucionalidade. Medida cautelar.
2. Resolução do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos
Territórios, em sessão administrativa de 6 de maio de 1997, no
Processo Administrativo nº 13.451/1996, constante da Ata nº 14/97,
publicada no D.J.U. de 27.5.1997, Seção 3, p. 10.857, reduzindo de
doze para seis por cento a alíquota de contribuição previdenciária,
"com pedido de verba para a devolução dos montantes descontados
em percentual superior". 3. Alegação de ofensa ao parágrafo único
do art. 62 da Constituição Federal. 4. Caráter normativo da
Resolução. 5. Precedente do STF, na ADIN nº 1610-5. 6. Medida
cautelar deferida, para suspender, ex tunc, ou seja, de 6 de maio de
1997, e até o julgamento final da ação, a Resolução referida do
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.

ADIn N. 1.644
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade: adicional de
produtividade de servidores do Fisco, com valores, forma e
condições de percepção fixados por decreto do Governador, desde
que a despesa não ultrapasse 15% do crescimento real da receita;
implausibilidade das alegações de violação dos arts. 37, X e XIII,
167, IV e 169, I, da Constituição; plausibilidade, porém, da argüição
de ofensa à invocada reserva legal do aumento de vencimentos dos
servidores públicos (CF, art. 61, § 1º, II, a) e da invalidade da
delegação legislativa sem observância do art. 68 da Constituição:
indeferimento, não obstante, da medida cautelar que, nas
circunstâncias, seria inútil a obviar os riscos alegados, que
resultariam da aplicação de lei anterior, não impugnada e já
revogada.

ADIN N. 1.673
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade: descabimento: ato
concreto de Assembléia Legislativa que concede licença ao
Governador do Estado por motivos que, segundo a Constituição, não
a autorizariam.
Sem que se desconheça a densidade da tese kelseniana da existência
de atos normativos de alcance individual, correta e orientação do
STF que os exclui do controle direto e abstrato da
constitucionalidade de normas, cujo alcance reduz aos atos
normativos gerais.
* noticiado no Informativo 85

HC N. 74.934
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO PROCESSUAL PENAL.
CONDENAÇÃO: APELAÇÃO EM LIBERDADE. DESERÇÃO.
"REFORMATIO IN PEIUS". NULIDADE. "HABEAS CORPUS".
1. Embora determinando o cumprimento da pena em regime
fechado, a sentença condenatória deixou claro que o mandado de
prisão não seria expedido de imediato, mas, sim, após o trânsito em
julgado, o que possibilitou ao réu a interposição do recurso de
apelação, ainda em liberdade, e que foi devidamente recebido e
processado.
2. O Ministério Público não se insurgiu contra a possibilidade de
apelação em liberdade, nem suscitou preliminar, a respeito, nas
contra-razões, deixando claro que se conformara com o benefício
concedido ao réu.
3. Apesar disso, o acórdão impugnado, tendo em conta os
antecedentes e a reincidência, reconhecidos na sentença e que
influíram na fixação da pena, concluiu que a apelação não poderia
ser conhecida, sem que o réu-apelante se recolhesse à prisão, sob
pena de deserção.
4. Não há dúvida, pois, de que incidiu em "reformatio in peius",
pois a sentença, bem ou mal, possibilitara a apelação em liberdade,
e, sem recurso do Ministério Público, agravou a situação do
recorrente, exigindo-lhe o recolhimento à prisão.
5. "H.C." deferido para que, anulado o acórdão impugnado,
proceda a Câmara ao julgamento da Apelação, como de direito,
dispensado o réu de recolhimento à prisão, para esse fim.

HC N. 75.512
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: HABEAS-CORPUS. DEPOSITÁRIO INFIEL: PRISÃO
CIVIL. ALEGAÇÃO DE NULIDADES.
1. A ordem de prisão pode ser executada provisoriamente na
pendência de recursos de índole extraordinária (art. 27, § 2º, da Lei
nº 8.038/90). Precedentes.
2. A prisão do depositário judicial pode ser decretada no próprio
processo em que se constitui o encargo, independentemente da
propositura da ação de depósito (Súmula 619).
3. Não cabe reexame de fatos e provas em habeas-corpus, tendo em
vista o seu rito especial e sumário.
4. Os compromissos assumidos pelo Brasil em tratado internacional
de que seja parte (§ 2º do art. 5º da Constituição) não minimizam o
conceito de soberania do Estado-povo na elaboração da sua
Constituição; por esta razão, o art. 7º, nº 7, do Pacto de São José da
Costa Rica, ("ninguém deve ser detido por dívida": "este princípio
não limita os mandados de autoridade judiciária competente
expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar")
deve ser interpretado com as limitações impostas pelo art. 5º,
LXVII, da Constituição. Precedentes.

RE (AgRg) N. 212.162
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL
CONTRA MASSA FALIDA. INCLUSÃO NO CRÉDITO
HABILITADO EM FALÊNCIA DA MULTA FISCAL COM
EFEITO DE PENA ADMINISTRATIVA. INVIABILIDADE DA
SUA COBRANÇA. ART. 23, PARÁGRAFO ÚNICO, III DA LEI
DE FALÊNCIAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. A falência tem a natureza de medida preventiva do prejuízo, para
impedir a dissipação dos bens do devedor, que são a garantia comum
dos seus credores. É também processo de execução extraordinária e
coletiva, sobre a generalidade daqueles bens, com o objetivo de
circunscrever o desastre econômico do devedor e igualar os credores
quirografários.
2. Inexigibilidade da multa administrativa, que refletiria no montante
da massa a ser partilhado pelos credores.
3. Agravo regimental não provido.

RE (EDcl-EDcl- EDcl-EDcl) N.140.616-0


RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS
DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ART. 8º DO ADCT.
MANDADO DE SEGURANÇA DEFERIDO PELO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO
INTERPOSTO PELA UNIÃO FEDERAL. FALECIMENTO DO
IMPETRANTE ANTES DO JULGAMENTO DO RECURSO.
PROVIMENTO DO EXTRAORDINÁRIO SEM OBSERVÂNCIA
DESSE FATO EXTINTIVO. NULIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA
PARTE PELO ESPÓLIO. IMPOSSIBILIDADE.
CONSEQÜÊNCIA: EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM
JULGAMENTO DO MÉRITO, POR SUPERVENIENTE
AUSÊNCIA DE UMA DAS CONDIÇÕES DA AÇÃO.
1. Se por ocasião do julgamento do extraordinário em mandado de
segurança já se verificava a ausência de uma das condições da ação,
o recurso não poderia ser apreciado por esta Corte, uma vez que o
falecimento do impetrante trouxe como conseqüência a inexistência
de parte no pólo passivo da relação processual, impossibilitando o
desenvolvimento válido e regular do processo. Nulidade dos
julgamentos proferidos nesta Corte.
2. Habilitação dos herdeiros por morte do impetrante.
Impossibilidade, dado o caráter mandamental da ação e a natureza
personalíssima do único direito postulado: a anistia prevista no art.
8º do ADCT-CF/88.
3. Nulidade dos julgamentos proferidos pelo Supremo Tribunal
Federal. Existência de acórdão concessivo da segurança pelo
Superior Tribunal de Justiça e interposição do recurso
extraordinário pela União Federal. Considerações. Conseqüência
da derradeira decisão proferida neste Tribunal em sede de
embargos declaratórios: extinção do processo, sem julgamento do
mérito.
3.1. Ao tempo da interposição do recurso extraordinário estavam
presentes os pressupostos de sua constituição e de desenvolvimento
do mandado de segurança. Deste modo, enquanto não extinto o feito
pela ausência de uma das condições da ação, a União Federal
continuava com interesse para recorrer, posto que foi vencida na
instância originária.
3.2. Tendo falecido o impetrante antes do julgamento do recurso
extraordinário, a solução da causa não pode se restringir à
declaração de nulidade dos julgamentos proferidos nesta instância,
sob pena de se restabelecer, por via oblíqua, o aresto proferido pelo
Superior Tribunal de Justiça.
3.3. Em hipótese excepcional como a presente, o processo há de ser
extinto sem julgamento do mérito, por não persistir uma das
condições da ação: a possibilidade jurídica do deferimento de
eventual direito líquido e certo reclamado.
4. Embargos de declaração conhecidos para invalidar as decisões
proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal
de Justiça, declarando extinto o processo, sem julgamento do mérito,
ressalvadas aos herdeiros as vias ordinárias para postular o direito à
anistia post mortem do impetrante.

RE N. 163.167
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: DIREITO DAS SUCESSÕES. FILHOS ADOTIVOS.
PRETENDIDA HABILITAÇÃO NA QUALIDADE DE
HERDEIROS DOS DE CUJUS. INDEFERIMENTO CALCADO
NO FATO DE A ABERTURA DA SUCESSÃO HAVER
OCORRIDO ANTES DO ADVENTO DA NOVA CARTA, QUE
ELIMINOU O TRATAMENTO JURÍDICO DIFERENCIADO
ENTRE FILHOS LEGÍTIMOS E FILHOS ADOTIVOS, PARA
FINS SUCESSÓRIOS. ALEGADA OFENSA AO PRINCÍPIO DA
ISONOMIA E AO ART. 227, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO.
Inconstitucionalidade inexistente.
A sucessão regula-se por lei vigente à data de sua abertura, não se
aplicando a sucessões verificadas antes do seu advento a norma do
art. 227, § 6º, da Carta de 1988, que eliminou a distinção, até então
estabelecida pelo Código Civil (art. 1.605 e § 2º), entre filhos
legítimos e filhos adotivos, para esse efeito. Discriminação que, de
resto, se assentava em situações desiguais, não afetando, portanto, o
princípio da isonomia.
Recurso não conhecido.

RE N. 191.044-5
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: - CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO. I.B.C.
CAFÉ: EXPORTAÇÃO: COTA DE CONTRIBUIÇÃO: D.L. 2295,
de 21.11.86, artigos 3º e 4º. C.F., 1967, art. 21, § 2º, I; C.F., 1988,
art. 149.
I. - Não recepção, pela CF/88, da cota de contribuição nas
exportações de café, dado que a CF/88 sujeitou as contribuições de
intervenção à lei complementar do art. 146, III, aos princípios da
legalidade (C.F., art. 150, I), da irretroatividade (art. 150, III, a) e da
anterioridade (art. 150, III, b). No caso, interessa afirmar que a
delegação inscrita no art. 4º do D.L. 2295/86 não é admitida pela
CF/88, art. 150, I, ex vi do disposto no art. 146. Aplicabilidade, de
outro lado, do disposto nos artigos 25, I, e 34, § 5º, do ADCT/88.
II.- RE não conhecido.
* noticiado no Informativo 84

RE N. 192.300-8
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ARTIGO
37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. VEÍCULO
REGISTRADO QUE RESULTOU APREENDIDO POR SER
OBJETO DE FURTO.
Não basta à responsabilidade do Estado a circunstância de a
repartição de trânsito haver vistoriado e registrado veículo furtado,
por inexistir nexo causal entre a ação ou omissão atribuída ao órgão
e o prejuízo de que se queixa o recorrente.
Precedente da Primeira Turma: RE 134.298.
Recurso extraordinário não conhecido.
RE N. 198.851-7
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. Finsocial: empresas prestadoras de serviço:
constitucionalidade das sucessivas elevações de alíquotas (RE
187.436).
II. Recurso adesivo: denegação com fundamentação própria:
exigência de agravo, sob pena de preclusão. Ao contrário do que
sucede na hipótese em que a motivação do indeferimento do recurso
adesivo foi exclusivamente a denegação do principal, a inadmissão
do adesivo se torna preclusa, à falta de agravo, se tem
fundamentação própria, estranha à sua subordinação ao recurso
principal.

Acórdãos publicados: 402

T R A N S C R I Ç Õ E
S

Com a finalidade de proporcionar aos leitores


do INFORMATIVO STF uma compreensão mais
aprofundada do pensamento do Tribunal,
divulgamos neste espaço trechos de decisões que
tenham despertado ou possam despertar de modo
especial o interesse da comunidade jurídica.

Procuradoria da Fazenda Estadual


(v. Informativo 86)

ADIn 1.679-GO *

Ministro Néri da Silveira (relator)

RELATÓRIO: Associação Nacional dos Procuradores de Estado -


ANAPE aforou ação direta de inconstitucionalidade da Emenda
Constitucional nº 17, de 30.6.1997, à Carta Política do Estado de
Goiás, que alterou o art. 118 da Constituição da mesma Unidade da
Federação, criando a Procuradoria da Fazenda Estadual.
A inicial esclarece, às fls. 3:

“1.3. A criação da Procuradoria da Fazenda


Estadual, segundo a mensagem enviada ao Presidente do
Poder Legislativo pelo Chefe do Poder Executivo, deu-se
em razão de deficiências da Procuradoria-Geral do Estado
no tocante à cobrança da Dívida Ativa, porquanto as
Execuções Fiscais, em regra, são frustradas pela não
localização dos devedores ou pela ausência de patrimônio
destes para satisfação da obrigação tributária. Tais fatos,
diz a mensagem governamental, ocorrem sem que a
Secretaria da Fazenda possa agir, exatamente porque a
execução fiscal e as medidas preventivas ou inibitórias
que deveriam ser adotadas no sentido de evitá-las
escapam do seu controle, afetas que estão à
Procuradoria-Geral do Estado.”

A Emenda nº 17/1997, ora impugnada, introduziu os


parágrafos 2º e 3º e incisos ao art. 118 da Carta Estadual goiana,
nestes termos:
“Art. 1º - O art. 118 da Constituição do
Estado de Goiás passa a vigorar com as seguintes
alterações, renumerando-se o seu parágrafo único para
§ 1º:
Art. 118 (...)
§ 2º - Na execução da dívida ativa de
natureza tributária, a representação do Estado cabe à
Procuradoria da Fazenda.
§ 3º - O órgão previsto no parágrafo
anterior:
I - será integrado por quadro próprio de
Procuradores da Fazenda Estadual, organizados em
carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso
público de provas e títulos;
II - será dirigido por um Procurador-
Chefe, de livre nomeação do Governador do Estado,
dentre brasileiros e bacharéis em Direito, maiores de
vinte e um anos, de notável saber jurídico-tributário;
III - subordina-se ao titular da Secretaria
da Fazenda, integrando a estrutura desta;
IV - será instituído e terá sua competência
fixada em lei que, também, regulará a sua organização
e funcionamento, bem como as atribuições, direitos e
deveres de seus Procuradores.”

A inicial põe a esta Corte a seguinte indagação: se é


juridicamente possível a criação de uma Procuradoria da Fazenda
Estadual em face do disposto no art. 132 da Constituição Federal,
verbis:
“Art. 132 - Os Procuradores dos Estados e do Distrito
Federal exercerão a representação judicial e a consultoria
jurídica das respectivas unidades federadas, organizados
em carreira na qual o ingresso dependerá de concurso
público de provas e títulos, observado o disposto no art.
135.”

A autora sustenta resposta negativa à indagação feita, às


fls. 5/6, nestes termos:

“4.2. A resposta, a todas as luzes, parece ser


negativa. Em rigor, a regra supra, além do status
constitucional, afetou os Procuradores de Estado a
exclusividade da representação judicial e da consultoria
jurídica, conforme pensa JOSÉ AFONSO DA SILVA:

“A carreira de Procurador de Estado e do Distrito


Federal foi institucionalizada em nível de Constituição
Federal. Isso significa a institucionalização dos órgãos
estaduais de representação e de consultoria dos Estados, uma
vez que os Procuradores a que se incumbe essa função, no
art. 132 daquela Carta Magna, há de ser organizada em
carreira dentro de uma estrutura administrativa unitária em
que sejam todos congregados, ressalvando o disposto no art.
69 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que
autoriza aos Estados a manter consultorias jurídicas
separadas de suas Procuradorias-Gerais ou Advocacias-
Gerais, desde que, na data da promulgação da Constituição,
tenham órgãos distintos para as respectivas funções (é o caso
de Pernambuco)”.

4.3. Conforme visto, todas as funções


inerentes à representação judicial do Estado (a execução
judicial da dívida ativa é uma delas) são realizadas,
necessariamente, pela Procuradoria-Geral do Estado,
através dos Procuradores de Estado, conquanto a
Constituição Federal admitiu, como única exceção, a
hipótese do art. 69 do ADCT.
4.4. Nem mesmo por semelhança, em face da
dicotomia da representação judicial existente no âmbito da
União Federal, pode ser admitido o fracionamento da
representação na esfera dos Estados Federados, porquanto,
onde a Carta Magna quis separar a atividade de
representação judicial na cobrança da dívida ativa de
natureza tributária, das demais, fê-lo expressamente, a
exemplo do art. 131, § 3º, que distinguiu a Procuradoria-
Geral da Fazenda Nacional, para esse mister. Do contrário,
o art. 69, do ADCT da Carta Magna, que permitiu aos
Estados manterem consultorias jurídicas separadas das
Procuradorias-Gerais, desde que, na data da promulgação
da Constituição, tenham órgãos distintos para as
respectivas funções, ficaria sem sentido lógico,
considerando ser o mesmo veículo da única exceção à
regra do art. 132.
4.4. A criação de uma Procuradoria da
Fazenda Estadual em Goiás, um segundo gênero de
representação judicial de parcela do Estado, porquanto
subordinada à Secretaria da Fazenda, órgão
despersonalizado, afronta, conforme dito, o art. 132, da
Constituição Federal. Entretanto, independentemente da
proibição constitucional e do inevitável aumento de
dispêndio para o Erário, seria um retrocesso, porquanto os
poucos Estados que ainda adotavam essa dicotomia na
representação judicial estão unificando-se a exemplo do
Piauí, Minas Gerais e Bahia.
4.5. Em verdade, segundo explicita a
mensagem governamental que remete o projeto de Emenda
Constitucional, o que se pretende, em verdade, é que se
proceda, através de um órgão estatal e de forma eficiente, a
cobrança da dívida ativa do Estado. Ora, esse órgão já
existe, no âmbito da Procuradoria-Geral do Estado, cuja
divisão orgânica comporta uma Procuradoria Fiscal,
encarregada da cobrança da dívida ativa estadual.
4.6. A Procuradoria Fiscal atua
satisfatoriamente na cobrança matéria financeira ou
tributária. Ocorre que a eficiência na cobrança da dívida
ativa estadual depende de diversos outros fatores, e não
exatamente da criação de uma Procuradoria da Fazenda e
da subordinação desse órgão ao Secretário de Fazenda.”

Invoca, ainda, a autora o precedente desta Corte na ADIN


1557-5, acerca da Emenda à Lei Orgânica nº 9/96 do Distrito
Federal, “norma que criou a Procuradoria Geral da Câmara
Legislativa do Distrito Federal, atribuindo ao órgão competências
próprias da Procuradoria-Geral do Distrito Federal, anotando (fls. 8):

“Do acórdão (relator o ilustre Ministro


Octávio Gallotti) em comento podemos extrair, entre
outras conclusões, a de que o Supremo Tribunal tem
admitido a manutenção de assessoria jurídica própria
somente nas hipóteses relacionadas com Poder autônomo,
não tendo em momento algum aceito como constitucionais
as leis que criam assessorias jurídicas - com capacidade de
representação judicial - em órgãos que são apenas parte
integrante do Poder Executivo, como são exemplos as
secretarias de Fazenda. Tal capacidade de representação
judicial é atribuição exclusiva das Procuradorias Gerais, na
forma dos arts. 132 da CF/88 e 69 do ADCT.
No caso em exame, vamos ver que a Emenda
à Constituição de Goiás está propondo criação da
Procuradoria Geral da Fazenda Estadual, com
subordinação ao titular da Secretaria Estadual da Fazenda,
- um órgão sem capacidade de representação judicial. Tal
circunstância mostra a fragilidade da Emenda aprovada e
que, a exemplo da Emenda que criou a Procuradoria Geral
da Câmara Legislativa do Distrito Federal, está
fracionando a capacidade de representação judicial
atribuída com exclusividade às Procuradorias Gerais, com
usurpação da competência constitucional da Procuradoria
Geral do Estado de Goiás.
Como corolário de tal entendimento, vamos
ver que a Excelsa Corte determinou de forma expressa, no
acórdão citado, a suspensão da vigência do inciso V do §
1º do art. 57, na redação que lhe deu a emenda: “São
funções institucionais da Procuradoria da Câmara
Legislativa, em seu âmbito (...) V - efetuar a cobrança
judicial das dívidas para com a Câmara Legislativa”.”

Pleiteia a autora a concessão de cautelar, às fls. 9/11.


Depois de referir a plausibilidade jurídica do pedido, fazendo
menção a temas semelhantes nas ADIN’s 1557, 1120, 824 e 159,
sustenta, quanto ao periculum in mora, às fls. 9/10:

“O segundo requisito necessário à concessão


da medida liminar requerida, isto é, o periculum in mora,
está evidente na situação de vácuo criada pela Emenda
Constitucional que, em suas disposições finais, deixou de
prever um período de transição, a permitir que a
Procuradoria Geral do Estado pudesse conservar a
representação judicial do Estado para a execução da dívida
ativa de natureza tributária, até a instalação do novo órgão
- a Procuradoria Geral da Fazenda Estadual.
Como a instalação da Procuradoria Geral da
Fazenda Estadual depende da adoção de procedimentos
administrativos demorados e complexos, como a
realização de concurso público, criação de quadro de
pessoal e outras medidas, o ESTADO DE GOIÁS vive
uma situação inusitada e que pode ter reflexos danosos nas
finanças públicas.
É que tendo retirado a competência da
Procuradoria Geral do Estado para a execução da dívida
ativa, sem transferir essa competência para um órgão em
funcionamento, a Emenda Constitucional expôs o
ESTADO DE GOIÁS a questionamentos judiciais que
podem inviabilizar as execuções em curso ou a serem
propostas.
Para contornar tal situação é imperiosa a
concessão da medida liminar requerida, que, suspendendo
a vigência da Emenda, até o julgamento final da ação, vai
permitir que o ESTADO DE GOIÁS regularize a sua
representação em matéria fiscal, sem que prejuízos possam
advir da incorreção técnica da emenda em exame.
c) Irreparabilidade ou insuportabilidade
dos danos emergentes dos atos impugnados
Como conseqüência da irregularidade
processual decorrente do vácuo legislativo, cf.
demonstrado, vamos constatar a irreparabilidade dos danos
decorrentes da lei estadual impugnada. O questionamento
dos atos praticados pela Procuradoria Geral do Estado, em
matéria fiscal, - já que a competência agora é da
Procuradoria Geral da Fazenda Estadual, ainda não
instalada - podem trazer elevados prejuízos ao Estado de
Goiás, danos estes de difícil reparação. É pois sob este
aspecto que se caracteriza o terceiro requisito exigido pela
jurisprudência do STF, para a concessão da liminar.
d) Necessidade de garantir a ulterior
eficácia da decisão.
Finalmente é preciso ser demonstrado que
somente com a concessão da medida liminar estará
garantida a eficácia ulterior da decisão. O retardamento da
decisão que examina a constitucionalidade da Emenda
Estadual que criou a Procuradoria Geral da Fazenda
Estadual, em Goiás (o que pode ocorrer em razão da
sobrecarga de trabalho que assoberba a Excelsa Corte,
como é público e notório), pode ter como conseqüência a
instalação do novo órgão, com dotação orçamentária,
quadro de pessoal, instalações fiscais, circunstâncias que,
dando efeito concreto à lei questionada, tornam mais
difícil a eficácia de decisão ulterior que venha declarar a
inconstitucionalidade ora apontada.”

Em face do pedido de cautelar, submeto o feito ao


Plenário.
É o relatório.

VOTO: Quanto à legitimidade ativa da autora, esta Corte tem


reconhecido em diversas oportunidades. Assim, na referida ADIN
1557-DF, onde expressamente ficou rejeitada a preliminar de
ilegitimidade ativa da autora, deferindo-se, em parte, a cautelar, em
sessão de 20.3.1997. Anteriormente, na ADIN 1120, a 5.9.1994,
deferiu-se medida liminar, suspendendo-se a eficácia de dispositivos
da Lei Complementar nº 022, de 15.3.1994, do Estado do Pará; na
ADIN 824-MT, a 25.11.1993; na ADIN 159-Pará, a 18.4.1990, e
ADIN 340-PR.
A pertinência temática, na espécie, parece insuscetível de
dúvida, pois se cuida de preservação de atribuições da Procuradoria-
Geral do Estado e dos Procuradores do Estado de Goiás, no que
concerne à representação judicial do Estado e do sistema de
consultoria jurídica, invocando-se, a tanto, a norma do art. 132 da
Constituição Federal.
Conheço, assim, da ação.
No mérito, defiro a cautelar. Há, sem dúvida, relevância
jurídica nos fundamentos da inicial. A Corte já se tem ocupado de
hipóteses que guardam pontos de semelhança com a espécie,
notadamente, no que respeita à representação judicial do Estado
prevista no art. 132 da Lei Maior.
É insuscetível de dúvida, de outra parte, a conveniência
de não se criar, até o julgamento final da ação, situação de
dificuldades na execução da dívida ativa do Estado de Goiás, com a
incerteza da representação da Unidade Federada em Juízo, diante
dos termos constantes das normas impugnadas, sem nelas se conter
qualquer regra de transição, até se instale a Procuradoria cogitada
em Emenda Constitucional em foco, com prévia criação de cargos e
realização dos concursos públicos a seu provimento.
Do exposto, defiro a medida cautelar, para suspender, ex
nunc e até o julgamento final da ação, a vigência dos §§ 2º e 3º e
seus incisos do art. 118 da Constituição do Estado de Goiás, na
redação introduzida pela Emenda Constitucional nº 17, de
30.6.1997.
* acórdão ainda não publicado

Assessores responsáveis pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
Márcio Pereira Pinto Garcia
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