FUNDAÇÃO DE INTEGRAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO DO NOROESTE DO ESTADO UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA

E QUÍMICA CURSO DE QUÍMICA LICENCIATURA TRABALHO DE SISTEMATIZAÇÃO DE CURSO

A PRÁTICA PEDAGÓGICA EM QUÍMICA E A FORMAÇÃO SOB A ÓTICA DA QUÍMICA GERAL

VILMAR ARMANDO KONAGESKI JUNIOR RESPONSÁVEL PELO COMPONENTE: DR. OTÁVIO ALOÍSIO MALDANER ORIENTADORA: DRA. LENIR BASSO ZANON IJUÍ, JULHO DE 2008.

SUMÁRIO

2

INTRODUÇÃO

Este Trabalho de Sistematização de Curso apresentará dois momentos distintos onde serão discutidos importantes temas que envolvem a formação em nível superior de educadores, em especial de Química. Existem questões que fazem parte do dia-a-dia de toda a classe profissional, como os baixos salários, falta de incentivos para formação continuada, entre outros. Um enfoque especial será dado ao curso de Licenciatura em Química da Unijuí – os focos da formação serão discutidos sob o olhar de um estudante concluinte, de forma questionadora tentarei explicitar minhas opiniões e observações, com dados que fundamentem a importância da formação capaz de se auto-avaliar com o objetivo de tornar-se sempre o mais próximo da realidade que queremos atingir. No segundo momento do trabalho será discutida a Química Geral, como componente gerador dos conhecimentos básicos em Química que precisamos desenvolver no ensino superior de forma a poder ensiná-los no ensino médio para nossos alunos – e como iremos abordar tais conhecimentos, quais serão os pontos cruciais para nosso entendimento da totalidade do conhecimento, precisamos cada vez mais desfazer a fragmentação do ensino, e para isso é necessário saber realizar abordagens multidisciplinares, ou seja o trabalho em equipe, em grupos de estudos mostra-se eficaz e capaz de promover as mudanças necessárias de forma a transformar a realidade em nosso favor – dentro de um momento onde cada vez o professor é o grande culpado pela sociedade de não realizar seu trabalho é preciso que entendamos nosso lugar e função dentro da instituição chamada escola para que cada nível de responsabilidade ocupe seu devido lugar e que cada “ser” social se responsabilize por sua atividade. Com este intuito pretendo exemplificar situações e demonstrar onde erramos e onde acertamos, e o mais importante, por que considero que sejam acertos ou erros, pois se não acompanharmos as contínuas pesquisas, bem como se não houver a constante busca pela inovação estaremos sujeitos a repetir erros e acertos de forma mecânica – e pouco a pouco – perderemos a capacidade de tomar nossas próprias decisões.

3

Capítulo 1: A Formação no Curso de Química Licenciatura da Unijuí 1.1 – Panorama Geral do Curso 1.1.1 - Formação em química A busca pelo curso de Química é feita por aqueles que possuem interesse em (re) descobrir como acontecem as mais diversas interações entre as substâncias bem como o estudo da constituição dos materiais – sua pesquisa, seu desenvolvimento – os “novos materiais” tecnológicos, etc. esta opção se inicia quando ocorre a iniciação científica deste estudante e ele percebe que o mundo a sua volta é constituído de diversos materiais que estão em constante desenvolvimento. Durante o curso fomos apresentados a vários componentes que estão ligados diretamente com a área do bacharelado e que ao mesmo tempo são os que darão a base do conhecimento químico que precisaremos quando for necessário aprofundar e delimitar o quanto iremos trabalhar de determinado assunto dentro de um plano de aula. Estes componentes parecem estar desligados dos “pedagógicos”, pois não fazem uma seqüência entre si, sendo cada um uma fatia de um todo do ‘conhecimento químico’ que precisamos ter para saber (e descobrir) o quanto pouco de química realmente sabemos. Este é um fato que ocorre principalmente porque quanto mais estudamos determinada parte da química mais sabemos o quanto existe sobre ela e, portanto, maior é a quantidade de estudos que precisam ser feitos para que se possa ter uma idéia de tudo que cerca um dos diversos “filos”, e ainda podemos somar o efeito de um estudo dirigido sobre determinado assunto que pode abranger várias especialidades. Podemos partir da idéia então que um curso de química precisa dar ao estudante esta visão de cada especialidade e que esta visão seja acompanhada de um sentimento de busca pela continuidade, pois não há como esgotar um assunto em um semestre de aula. Os componentes específicos de química tiveram um enfoque direcionado a determinados temas do conhecimento que são os mais aplicados no ensino médio e foram além, com abordagens mais específicas sobre estes de forma a realçar determinada característica, ou comportamento – servindo como eixo delimitador e fronteiriço de futuras abordagens em sala de aula. Esta “fronteirização” é uma ferramenta que pode nortear o quando avançar de determinado assunto, para que não se

4

fosse muito longe tornando o processo muito demorado, dentro de um sistema de semestralização que precisa de metas e cada uma tem determinado tempo para ser alcançado.

1.1.2 - Formação geral e humanística O mundo (planeta) já não é como em eras mais remotas, onde o conhecimento servia como meio para desenvolver e explorar (de forma predatória) os recursos naturais. As mudanças são intensas e algumas tendem a ser permanentes... as sociedades precisam se adaptar a estas mudanças impostas pelo meio natural, os focos de mudança são: os jovens – nunca ouvi falar em uma revolução de meia-idade, porquê? Será este mais um mito, será que apenas os jovens têm poder para mudar? Ou será a capacidade de adaptação que fica mais saliente quando somos jovens? Muitas perguntas ainda não têm respostas e a espera por respostas prontas pode não ser a melhor saída, para a maioria delas. Onde então buscar estas respostas, a escola traz diariamente diversos assuntos que são discutidos pelos estudantes de ensino fundamental, este, portanto é um momento para que se criem as mais diversas propostas de mudança e onde podem surgir diversas idéias. A continuidade destes estudos com o posterior ensino superior, continua indagando os então jovens sobre o que fazer perante determinada situação. Mas, no ensino superior muitas vezes não há o espaço para este debate dentro dos componentes “fechados” aqueles da formação específica, e realmente não se pode esperar um debate sobre questões da sociedade atual em uma aula de mecânica, cabe então a universidade criar estes espaços de debate e de pesquisa sobre os temas atuais que estão preocupando a todos, e que estas pesquisas sejam em pró de uma possível solução. O curso de química me ofereceu diversos momentos de debate sobre as questões que estão em foco e que precisam ser entendidas, e não falo apenas do aquecimento global, existe um sistema político atual que é um processo histórico e precisa ser entendido – seu entendimento, no entanto não é de uma hora para outra, muito menos de qualquer forma. Outro aspecto é o próprio pensamento da sociedade, as formas do saber e as formas de expressão deste saber nas diversas fases do desenvolvimento humano, termos a consciência de que somos seres sociais e que esta sociedade está em constante 5

construção, as influencias que ela sofre; suas fraquezas,... Todos estes conhecimentos fazem parte de um senso comum, porém é só com a discussão e teorização que se pode avançar sobre este senso comum e construir um senso crítico capaz de analisar determinada situação não com o olhar de um consumidor, que é destino final da maioria, pois este é o grande objetivo da mídia, que se preocupa apenas com as tendências e modismos. Este olhar diferenciado também não é construído apenas pelo fato de ter cursado determinados componentes, também não só pelo fato de ter sido aprovado ou reprovado, é sim um momento de introspecção quando começasse o questionamento e a busca por respostas de perguntas que já conhecemos, mas com uma grande parcela de reflexão sobre o que se esta perguntado e o que se está respondendo – de uma forma análoga, posso dizer que o senso comum seria uma busca no google e o senso critico seria uma busca no scielo, enquanto que no google pode-se encontrar material de ótima qualidade pode-se também ter uma visão totalmente equivocada, já quando se pesquisa em uma fonte científica os resultados podem ser mais promissores.

1.1.3 - Formação pedagógica A formação pedagógica é o cerne de qualquer licenciatura, sem a formação pedagógica não há licenciatura e sim bacharelado. O curso ofereceu diversos momentos de reflexão sobre as práticas pedagógicas da atualidade, bem como histórica, e nestes momentos houve o debate e produção de trabalhos, dentre eles as situações de estudo, que demonstram ser uma nova técnica de abordagem nas escolas, que vivem muitas vezes momentos de desilusão com problemas sérios de disciplina que estão se tornando cada vez mais presentes nas salas de aula. Esta formação tem o intuito de ligar os conhecimentos químicos, com os conhecimentos pedagógicos destes conhecimentos químicos, sendo:
[...] para argumentar em favor de um dos aspectos da formação do professor que consideramos importante: os conhecimentos necessários ao professor. Segundo este autor, são três os conhecimentos do professor: (i) de conteúdo, (ii) pedagógico do conteúdo e (iii) curricular. O primeiro tipo de conhecimento diz respeito ao conhecimento do conteúdo específico, próprio da área do conhecimento de que é especialista o professor, por exemplo, a química. (ECHEVERRÍA, 2007. pg. - 5).

6

Neste primeiro momento ressalvo a importância da química dentro do curso, sendo um fator decisivo na área do conhecimento, e que sem este conhecimento não é possível dar aula de química, mas como acontece em muitos lugares, é possível ler um livro didático para uma turma de estudantes. Através da seqüência do curso pode-se desenvolver:
O segundo tipo de conhecimento é o conhecimento pedagógico do conteúdo. Este é o conhecimento que permite ao professor prever e perceber as dificuldades que o aluno pode ter para aprendê- lo, quais as relações conceituais que o aluno terá de realizar. [...] Ter este conhecimento significa, por exemplo, o professor entender que a ciência é uma produção simbólica e que aprender ciência significa que o aluno tem que atribuir significado à linguagem da cultura científica. (ECHEVERRÍA, 2007. pg. - 5).

Este conhecimento (pedagógico) é desenvolvido através das práticas pedagógicas, como citado acima, o modo como a aula é desenvolvida irá caracterizar um maior ou menor interesse no aluno. Este equilíbrio de interesses é um fator que está muitas vezes desfavorável para o nosso lado, e por mais que criemos alternativas dentro do terceiro conhecimento:
O terceiro tipo de conhecimento é o conhecimento curricular, que diz respeito ao conjunto de conteúdos, à relação entre eles e mais ainda, aos objetivos do seu ensino. É comum encontrarmos professores que quando indagados sobre os motivos de ensinarem este ou aquele conteúdo, respondem com o mais profundo silencio ou com respostas que não os justificam. (ECHEVERRÍA, 2007. pg. - 5).

Este é o conhecimento que permite uma certa inovação na forma como será abordado certo tema, se o professor não tiver em mente como o currículo está organizado, ele se sentirá preso ao livro didático pois, não existe espaço para inovação na forma tradicional, e muitas vezes as atividades que são consideradas inovadoras – estão a parte das aulas – e não são consideradas como tal, um fato são os estágios, muitas vezes os próprios alunos tão acostumados, nos questionam se após a realização de determinada atividade teremos “aula normal”. As atividades que podem ser inseridas dentro de um contexto formativo, são encaradas muitas vezes apenas de forma informativa. A própria formação no ensino superior está sendo encarada de forma informativa pelo Ministério da Educação:

7

Os currículos vigentes estão transbordando de conteúdos informativos em flagrante prejuízo dos formativos, fazendo com que o estudante saia dos cursos de graduação com ‘conhecimentos’ já desatualizados e não suficientes para uma ação interativa e responsável na sociedade, seja como profissional, seja como cidadão. (PARECER CNE/CES 1.303/2001. Pg. - 2)

O que se pode entender deste parecer é o fato dos cursos de licenciatura em muito locais, não serem capazes de acompanhar as tendências do ensino, e as novas publicações na área, baseando seus currículos em materiais desatualizados, fato este lastimável, uma vez que:
Como produtora de saber e formadora de intelectuais, docentes, técnicos e tecnólogos, a universidade contribui para a construção contínua do mundo e sua configuração presente. Por outro lado, sua amplitude e abrangência organizacional e possibilidade de ação resultam do modelo de país no qual se insere e das respectivas políticas educacionais. [...] a universidade brasileira precisa repensar-se, redefinir-se, instrumentalizar-se para lidar com um novo homem de um novo mundo, com múltiplas oportunidades e riscos ainda maiores. Precisa, também, ser instrumento de ação e construção desse novo modelo de país. A percepção desta nova realidade – hoje freqüentemente retratada pela mídia – evidencia-se pelas questões e discussões em curso no seio das próprias universidades, nas entidades ligadas à educação e nos setores de absorção do conhecimento [...] É consenso entre professores, associações científicas e classistas, dirigentes de políticas educacionais e mesmo no geral da população instruída que, diante da velocidade com que as inovações científicas e tecnológicas vêm sendo produzidas e necessariamente absorvidas, o atual paradigma de ensino – em todos os níveis, mas sobretudo no ensino superior – é inviável e ineficaz. (PARECER CNE/CES 1.303/2001. pg – 2)

É preciso romper este paradigma, e extrapolar os limites muitas vezes impostos arbitrariamente por organizadores de currículos, que desconhecem os avanços científicos, habituando-se a realizar o mesmo trabalho durante os vários anos de sua vida produtiva e impedindo a entrada de “novas idéias” através de suas posições imponentes dentro das instituições de ensino nos vários níveis em todo país. É preciso também ter cautela quanto as novas publicações, principalmente as oriundas da mídia normal que, neste caso tem o papel informativo – por exemplo, no momento que a mídia importa a idéia da cura de determinada doença, mesmo que ainda se esteja realizando estudos sobre medicamentos e terapias, já existem pessoas e instituições que tratam desta noticia como fato consumado – o que muitas vezes se baseia na leitura apenas de artigos de periódicos que não tem compromisso nenhum com a seriedade de suas fontes. E são de pequenos em pequenos erros que estes cidadãos, ocupantes de cargos de respeito nas instituições, acabam que por (trans)formando seus estudantes em seguidores de falsas idéias.

8

Capítulo 2: A Prática Pedagógica e a Química Geral

I. Descrição da Química Geral: A química geral, dentro do contexto químico do curso, é a base de todo o conhecimento que será formado nos cursos de química licenciatura e bacharelado e em grande teor para o curso de farmácia e também para o curso de biologia. Esta se divide em química geral I e II, sendo a química geral I responsável por:
[...] constituir, junto aos estudantes, um pensamento químico inicial sistemático sobre o mundo material e sua interação com a energia. Para isso serão significados alguns conceitos básicos relacionados à idéia de substância, como propriedades macroscópicas e a relação com sua constituição pelos elementos químicos, representação das substâncias na forma da química, transformações das substâncias através da interação entre as estruturas microscópicas que as constituem e controle das quantidades nas transformações químicas. (UNIJUÍ, 2007. Pg - 34)

Esta construção se baseia, como visto acima, pelos conteúdos de química trabalhados no ensino médio, em se tratando de um dos primeiros componentes curriculares do curso, é possível ao estudante como o foi para mim, ainda interrelacionar com as aprendizagens referentes ao ensino médio. Isto se deve ao fato de que para mim o ensino médio foi muito interessante no que tange a química e desde então comecei a despertar minhas habilidades para a aprendizagem de química, este primeiro componente foi para mim uma revisão daquilo que eu já tinha despertado para o conhecimento, então:
A disciplina de Química Geral II visa a busca de apreensão de conceitos químicos fundamentais para a compreensão do fato químico no meio físico e social, preocupando-se, mais especificamente, com a manifestação das substâncias no estado sólido, líquido e em solução aquosa e outros solventes, procurando entender as mais diversas interações envolvidas em nível microscópico. No que diz respeito às transformações das substâncias, sempre pensadas em termos de interações no nível microscópico, dá-se especial atenção às transformações de determinados sistemas até atingirem o equilíbrio químico, principalmente o equilíbrio ácido – base e a termoquímica. (UNIJUÍ, 2007. pg - 34)

Quanto a química geral II, esta foi realmente um aprofundamento dos conteúdos que trabalhei de forma, posso dizer superficial, neste momento ocorreu a primeira

9

diferenciação dos conteúdos do ensino médio com os conteúdos do ensino superior, foi o primeiro momento que me deparei com situações desconhecidas (o primeiro de muitos) e foram as primeiras aprendizagens significativas que seriam necessárias para as fases posteriores do curso. A química geral, em contraponto dos demais componentes específicos, trata de assuntos que se interpõem nos demais, de forma a caracterizar comportamentos e características que são aplicadas no geral as misturas e as tendências de equilíbrio são aplicadas em praticamente todos os componentes. Durante o ensino médio tive a oportunidade de trabalhar em laboratório muitas vezes e, posso dizer até que tive mais aulas no laboratório durante o ensino médio do que durante a química geral do curso superior; a minha turma é uma das maiores da faculdade no mesmo curso e no mesmo semestre, e são muitas as origens e históricos do ensino médio e de profissões, a metade já são professores, estes realmente não sentem falta destas práticas, mas outra parte que era oriunda do ensino médio ou que já haviam se formado a muito tempo sentiram falta e com certeza, este momento da química geral que é o momento da introdução aos materiais do laboratório – pois se caracteriza como o início do curso – foi marcante nas dificuldades futuras que presenciei dos meus colegas que não haviam desenvolvido a destreza suficiente para manipular os materiais de laboratório e quando cobrados disso nos outros componentes mais avançados onde era imprescindível a manipulação do equipamento tiveram descontos relevantes nas práticas que realizaram. Observando isto, posso marcar como uma importante característica em um curso de química o desenvolvimento das habilidades básicas na manipulação do material do laboratório – um professor que tem demasiado receio em manipular a vidraria evitará as aulas práticas, mesmo aquelas que não envolvem as vidrarias, e se o professor de química não usar o laboratório, este laboratório ficará disponível na escola, como citarei adiante, para outras disciplinas e com o tempo os estudantes passarão pelo ensino médio sem ter aulas em laboratório e se distanciarão cada vez mais do interesse pela química – e a química se tornará cada vez mais distante de sua realidade. Fatos como os descritos acima, ocorrem não apenas nesta turma e nesta instituição, e com certeza não é interesse de nenhum dos membros responsáveis pela formação dos professores, que seus alunos formados sejam estes que repetirão as formulas utilizadas pelos professores de seu ensino médio, ou ainda ficarão imobilizados pela indisciplina dos alunos e sem outra alternativa serão meros repetidores de fórmulas já desenvolvidas, as quais sabemos que são desenvolvidas em 10

determinado contexto e seu uso em ambientes diferentes daquele que foram criados não tem efeito esperado, ocorrendo então a fuga para informação dos conteúdos e não para a formação dos mesmos. Esta fuga é, senão a mera repetição exclusiva dos meios tradicionais de ensino, uma vez que entende-se por tradicional uma aula que se repete durante os anos sem intervenção do professor no planejamento e na criação de experiências de aprendizagem, ou seja, muitos professores durante a sua carreira desenvolvem uma seqüência curricular com o que precisa ser trabalhado e então repetem a mesma durante os vários anos de seu trabalho, não é raro ter relatos de alunos que tem irmãos mais novos que estudaram na mesma escola e com o mesmo professor e tem repetidas as mesmas atividades e até mesmas provas aplicadas – ou seja – esta estagnação reflete uma controvérsia a ciência, na qual não existem respostas definitivas e sempre há novas descobertas que podem ser trabalhadas dentro dos conteúdos – principalmente os de química geral por serem uma área abrangente dentro do ensino médio.

2.1 - História:

Durante as aulas de química geral, com o uso do livro “Princípios de Química” do William L. Masterton (et al), tivemos uma abordagem dos conteúdos de forma direta, sem muita discussão específica sobre determinado tema, o livro no entanto traz inúmeras informações a cerca do descobrimento dos átomos, e dos grandes nomes dos teorizadores da química – os nomes históricos. O estudo no ensino superior não priorizou estes fatos, que não interferiram para o processo de aprendizagem, por outro lado o ensino médio dedica uma parte do tempo de cada conteúdo para o estudo de sua história – voltada para o sentido de construção das teorias, que se apresentam simples no início e vão ficando mais elaboradas com o decorrer dos próximos cientistas – esta parte é caracterizada nos livros como a parte que tem as fotos antigas, muitas vezes eu e meus colegas do ensino médio ironizávamos as figuras presentes nos livros, atitude esta remanescente da infância que logo se esvaziava de sentido. No ensino médio eu utilizei principalmente o livro “Química 1: Volume Único”, dos autores Tito Miragaia Peruzzo e Eduardo Leite do Canto este livro é muito ilustrado e tem vários textos provindos da mídia normal e que são trabalhados e discutidos dentro

11

dos temas de estudo – existe também a parte histórica que se encontra em sua maior parte no início quando se fala das teorias atômicas, neste momento quem ainda não tem a visão de um todo entre historia e ciência, pode acompanhar uma sistematização através do exemplo do avanço das teorias atômicas, dentro da química é claro. Eu já trabalhei também com os livros do GREF (Grupo de Estudos de Ensino de Física) – mas ao contrário dos livros de ciências naturais do ensino fundamental, de biologia e o livro que utilizei em química, é que este não tinha muitas informações históricas, em comparação com os supracitados vê-se que existem diferenças entre as ciências, inclusive um livro de matemática possuía muitas informações históricas trabalhando os conteúdos com exemplos desde as pirâmides de pedra até as modernas de aço. Na Universidade em Química Geral, o livro mais utilizado foi o: “Princípios de Química” elaborado por William L. Masterton (et al) é um livro bastante completo para a química geral e eu poderia inclusive tê-lo usado no ensino médio se o conhecesse, são muitos os exemplos e ele não deixa de ter ótimas referências históricas, que como citei anteriormente, não dão prejuízo ao entendimento dos conteúdos, mas tem como principal função no meu ponto de vista ajudar na formação do pensamento científico e dos significados da ciência – por ser uma construção histórica – as fotos antigas ajudam a dar a idéia de que ela vem de um passado, que no entanto não é tão longe como o pensamos quando nos referimos a ele – e quando entramos em assuntos mais atuais o passado são 30 ou 20 anos, uma noção de tempo que muitos consideram ainda como atual. A história em si não é capaz de ensinar determinado conteúdo, a história faz parte de um todo, onde o desenvolvimento da idéia de conhecimento cientifico é construída e desta forma se demonstra as inúmeras reconstruções das teorias e suas formas como são aceitas hoje. Deixando sempre claro que o fato de uma teoria ser aceita como verdadeira hoje não implica em sua aceitação frente a uma nova que poderá surgir em pouco tempo.

12

2.2 - Experimentação:

A química geral é um campo amplo para a discussão e realização de práticas, embora tenhamos ficado com a impressão de realizar poucas práticas durante o curso, assim como descrevi em outros focos, na química geral tínhamos a impressão de que realizaríamos mais práticas como os conteúdos estão ligados ao do ensino médio mais diretamente do que os demais componentes. Esta visão foi de certa forma corrigida posteriormente pois, estávamos acreditando que as práticas trariam respostas para todas nossas dificuldades, e viu-se que a química geral não se trata apenas de realizar as práticas voltadas do ensino médio, existem muitos conceitos para serem trabalhados e estes conceitos não são compreendidos apenas com a realização em si, embora o conhecimento da realização da prática seja discutido adiante como fator importante para os conhecimentos do futuro professor. Ao realizar as atividades de estágio em várias escolas da cidade, pude notar que os laboratórios de ciências e química muitas vezes não eram específicos para as ciências, sendo compartilhados com outras disciplinas, entre estas a principal é a de educação artística. Assim os materiais de ciências ficam na maior parte do tempo guardados e seu uso é pouco comum. As turmas em geral nas primeiras aulas dos estágios sempre pedem atividades práticas no laboratório, e nem sempre é possível conseguir realizar uma pratica no laboratório, sendo as práticas de estagio realizadas na sala de aula e somente pelo professor de maneira demonstrativa. Um questionamento no qual pensava a cada prática de estagio e durante alguns componentes foi o da realização das práticas no laboratório, afinal faz parte dos conhecimentos que devem ser trabalhados na escola a prática pelo aluno de procedimentos de laboratório, durante minhas aulas no ensino médio eu tive de realizar práticas no laboratório de modo similar as da universidade, recebíamos um roteiro e nele estava descrito o que deveríamos fazer. Bastava seguir o roteiro dado e anotar os resultados obtidos e pronto estava realizada a prática. O que ficou destas práticas, desta forma pude desenvolver habilidades na manipulação das vidrarias do laboratório e saber organizar relatórios que descrevessem estas práticas. Confesso que gostava muito mais de realizar as práticas do que a parte posterior do estudo das reações envolvidas e todas as leis que regiam tais transformações; posso dizer que durante o curso aprendi a gostar mais da parte teórica do que da prática. Parece um tanto estranho mas após perceber que 13

o resultado das práticas nem sempre se desenvolvem como está nos roteiros, ou seja, que a química prática por envolver soluções com baixo teor de pureza e muitos contaminantes pode resultar em produtos muitas vezes inesperados, o que posso admitir me deixou bastante frustrado uma vez que no ensino médio a química parece ser tão perfeita, sendo reagentes e produtos bem determinados. Claro que esta idéia passou por uma reconstrução e depois de algum tempo percebi também que existem bons reagentes, mas seu preço é elevado e seu uso, muitas vezes controlado pelo exército principalmente quando ajudei a professora Ilaine na extração dos óleos essenciais, foi uma experiência muito válida, porém ela exigia que eu cumprisse um número de horas não equivalente com as minhas possibilidades no momento, durante aquele período no laboratório tive um pouco da visão do bacharelado que consiste muitas vezes em prática e erro, ou seja, aquela minha visão de perfeição realmente não existia, é necessário muito erro para que se consiga um acerto e sobre esses erros é possível aprender muito, aprender que a pratica em química não é perfeita, qualquer variação de temperatura ou os próprios contaminantes do ar podem interferir no resultado. A experimentação no ensino de química e de ciências é uma atividade que tem um alto valor para a construção de conceitos através da reflexão que é proporcionada a partir da prática. Muitas vezes os professores levados pelo senso comum acabam concordando que a realização da prática em si pode revelar ao aluno conceitos através da observação dos fenômenos, e esta é uma idéia equivocada já que construímos dentro do curso a opinião de que a prática em si não é capaz de despertar no aluno os conceitos necessários para a compreensão do fenômeno, e sim apenas a visualização macroscópica de um determinado experimento, pois se não houver uma reflexão sobre os materiais envolvidos e suas características, etc. não será possível despertar a idéia de que se trata de um fenômeno químico que se realiza no âmbito microscópico e tem também um resultado macroscópico que nós observamos, mas a mudança principal está no nível micro e não no macro. As práticas realizadas no ensino médio então podem criar, assim como relatei uma visão equivocada do que significa o trabalho em um laboratório de química, pois os experimentos são todos “certos”, ou seja, a prova de erros. Mas por outro lado no ensino médio o objetivo não é formar estudantes com um conhecimento tão aprimorado e estas práticas “certas” servem para dar uma introdução de nível básico a todos os estudantes,

14

pois muitos ou a maioria não trabalhará mais com química após a saída da escola, assim:
No início do estudo da Química, é importante apresentar aos alunos fatos concretos, observáveis e mensuráveis acerca das transformações químicas, considerando que sua visão do mundo físico é preponderantemente macroscópica. (BRASIL, 2002. pg - 94)

Estas orientações de BRASIL são extremamente importantes, principalmente para mim que estarei em breve em uma sala de aula e poderei preparar uma prática com base na minha visão de química, quando um dos princípios fundamentais é saber o quanto os alunos dominam de determinado assunto antes de elaborar um plano de ensino definitivo. Assim para iniciar o trabalho, é muito bom realizar atividades de acordo com o nível de conhecimento que eles demonstrarem ter, e para que ocorra essa demonstração é necessário que eles sejam desafiados a demonstrar seus conhecimentos e expressá-los de forma que se possa realizar uma leitura destes e então desenvolver o plano de aulas definitivo.

2.3 - Formulação Matemática:

Na química geral são estudadas equações que representam os diversos estados de equilíbrio das reações, bem como as constantes e outras propriedades que levam a acreditarmos que existe uma matematização excessiva dos conteúdos, uma vez que é necessário para o professor saber realizar estes cálculos, principalmente na química geral II, onde não foi possível realizar muitas práticas detendo-nos mais na parte teórica. Esta matematização no entanto é necessária, e foi a parte fundamental na abordagem de férias que tem os períodos de aula reduzidos. A química é uma ciência onde a matemática está sempre presente. Da mesma forma como nos demais ramos do conhecimento a matemática é invocada sempre que temos a necessidade de traduzir o mundo em símbolos, e muitas vezes em números, assim quando temos de calcular determinado parâmetro, não importa sobre qual circunstância, onde existe uma fórmula, diz-se ser uma fórmula matemática. Estas

15

fórmulas matemáticas têm em si uma certa significação que pode traduzir-se em valores que consideramos de acordo com padrões já estabelecidos. Um erro freqüente que cometemos quando valorizamos a matemática em excesso é a desconsideração do significado de um determinado resultado, como, por exemplo, quando calculamos quantidades de partículas utilizando o mol, muitas vezes os alunos se fazem valer apenas do resultado numérico e não vêem que o número sozinho não possui nenhuma representatividade no contexto em que estava formulada a pergunta. E geralmente esta situação persiste durante toda a escolarização, e quando chegamos a determinado ponto onde, por exemplo, o simples fato da ionização do átomo pode representar um quebra-cabeça para uma mente despreparada, tamanha é a habitualidade do raciocínio matemático que quando se apresenta a situação de um átomo que “ganha” um elétron e este átomo se representa com X-, ora o sinal negativo não têm o caráter matemático e sim químico, vê-se assim uma tremenda de uma dor de cabeça, onde entra em prática o processo de reconstrução do conhecimento. Ainda dentro da idéia de átomo, que foi trabalhada na minha turma de estagio, posso ainda citar outro exemplo a respeito da estrutura atômica. Em um determinado exercício entreguei aos alunos átomos no estado X+ e átomos no estado X-, e trabalhando com a idéia de número atômico, dei os números atômicos e pedi para que me dissessem qual era a quantidade de elétrons presentes em cada átomo, mais uma vez o resultado foi, o raciocínio matemático prevaleceu sobre o raciocínio químico, assim o átomo X+ para eles tinha mais um e-. O fato percebido só reforça a idéia de que a química está sendo trabalhada de forma muito superficial e quando se deparamos com um resultado desses é possível afirmar que há problemas e estes são problemas sérios para serem resolvidos de uma hora para outra, assim dentro do período do estagio tentei retomar o que eles haviam aprendido sobre átomo e tentei rever algumas dificuldades que eles apresentaram. O raciocínio matemático é uma ferramenta muito importante para todos os níveis de conhecimento, seu uso, no entanto nas escolas tem se mostrado algo que realiza uma certa transversalidade, pois nos momentos em que se deveria aprender química se aprende matemática, e nos momentos de se aprender matemática continua-se aprendendo matemática, grande parte destes exercícios puramente matemáticos estão nos livros didáticos, pode-se notar claramente que as questões dissertativas remetem aos conteúdos abordados, mesmo que seja por intermédio de copiar a resposta correta, e as demais questões se reportam ao uso das fórmulas e o resultado numérico, quando muito 16

existe um pequeno texto na questão que trás as informações necessárias para decidir qual é a formula adequada para resolver o problema e encontrar a resposta que é expressa como dito anteriormente na maioria das vezes apenas pelo algarismo arábico. O raciocínio químico é também desvirtuado quando se trabalha com o equilíbrio das soluções, pois:
[...] que a expressão matemática representativa do estado de equilíbrio deve ser entendida como uma relação entre as concentrações de reagentes e produtos e não como uma mera fórmula matemática. (BRASIL, 2002. pg 99)

Assim como nas demais fases do aprendizado, o aluno tem o hábito de converter todos os dados para remeter a uma fórmula, ou expressão matemática capaz de suprir as necessidades de cálculo dos valores que estiverem sendo questionados. Esta “matematização” dos conteúdos, onde o aluno não precisa saber química para resolver os problemas é no meu ponto de vista, uma forma de simplificação para evitar que se abram muitas discussões, é um método que não necessita de muita análise, ou seja, se o aluno usou a fórmula certa obteve o resultado certo e inquestionável matemático, enquanto que em uma pergunta dissertativa o aluno pode expressar suas mais diversas opiniões o que desencadeia um processo que não é regido pela lógica numérica e necessita de uma análise contextual que exige muito mais do professor. A interpretação dos fenômenos químicos também faz parte das competências que os alunos devem desenvolver, e estes fenômenos podem ser representados muitas vezes através de gráficos – uma ferramenta matemática – estes gráficos demandam de um certo nível de conhecimento matemático para serem interpretados, enquanto que os conhecimentos da mesma forma devem ser mobilizados para entender o porque do comportamento descrito matematicamente, ou seja, com os conhecimentos da matemática o aluno conseguirá saber o que o gráfico está representando, mas por outro lado sem o conhecimento da química o gráfico não terá uma explicação – o motivo pelo qual tal comportamento está ocorrendo não está descrito

17

no gráfico que traz apenas uma determinada quantidade de informações. O conhecimento químico – matemático devem ser como a dualidade onda – partícula, não é possível aprender química sem os conhecimentos da matemática, tanto é que a matemática é uma ciência mais antiga que a química, da mesma forma que uma representação matemática sobre um fenômeno químico não pode ser compreendida sem os conhecimentos da química, pois sem eles, será apenas um gráfico sobre determinados algarismos, é a química que transformará os algarismos em substâncias e as linhas em forças de ligação, interação, ...

2.4 - Seqüência de Conteúdos:

Em se tratando do ensino ser parte de um projeto educacional, e este estar inserido dentro de instituições, como a escola e a universidade, é preciso que exista um certo planejamento deste ensino. O planejamento se dá em períodos letivos que variam de bimestres, trimestres e semestres, ou então por módulos com tempos variáveis. Da mesma forma como os semestres da universidade têm certos objetivos para serem alcançados e para estes utilizamo-nos das mais variadas fontes de pesquisa, no caso específico da química geral a principal fonte de consulta foi o livro “Princípios de Química” do William L. Masterton (et al), este livro tem a sua organização própria de conteúdos que não foi a mesma adotada pela nossa turma em nossos estudos. No ensino superior, ao contrário do ensino médio não há livro didático – utilizamos diferentes fontes e temos sim uma referência que baseia o estudo sobre os conteúdos; no ensino médio, porém parece não haver a possibilidade, em muitos locais, de utilizar as diferentes fontes de pesquisa de forma diária, sendo atividades esporádicas que têm objetivos delimitados. A química geral, por envolver conceitos que apresentam certa ordem de complexidade é apresentada nos livros praticamente da mesma forma como a estudamos, sendo um capítulo destinado a cada fração do conteúdo a ser desenvolvido, estas frações respeitam o ritmo de complexidade esperado para o estudo que não é 18

linear, e o uso do livro não se constitui como única fonte. O livro foi usado da forma considerada como mais apropriada trabalhando os temas em seqüência de aula e não na mesma seqüência do livro. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, é necessário que se obtenha um determinado nível de resultados de aprendizagem com os alunos, então o livro didático é uma opção como fonte de consulta e estudo único – já que em muitos lugares ainda não há uma vasta oferta de livros e de livre acesso a internet – o que ocorre no entanto é que em lugares onde têm-se a possibilidade de incrementar esta oferta do livro didático para complementar os conteúdos abordados, muitos professores e escolas têm-se limitado a cumprir o estipulado pelo livro didático e nada mais. É este sim o mau uso do livro didático – este é uma ferramenta muito importante pois é o material que o aluno vai levar para casa, e em muitos casos não há muita informação de qualidade nas casas dos estudantes. Os livros didáticos do ensino médio abordam os temas eleitos pelos PCNEM que são os seguintes:
1. Reconhecimento e caracterização das transformações químicas; 2. Primeiros modelos de constituição da matéria; 3. Energia e transformação química; 4. Aspectos dinâmicos das transformações químicas; 5. Química e atmosfera; 6. Química e hidrosfera; 7. Química e litosfera; 8. Química e biosfera ; 9. Modelos quânticos e propriedades químicas. (BRASIL, 2002. Pg. - 93)

Estes temas segundo os PCNEM devem ser trabalhados durante todo o ensino médio, de forma a promover as aprendizagens necessárias por intermédio da abordagem de temas que tentam aproximar a química do dia a dia dos estudantes. As editoras, então, tendo em vista a adoção de seu livro, o faz o mais moderno e com informações em excesso. As vezes até deixando de lado um pouco a parte mais direta de abordagem dos conteúdos. Os livros dirigidos ao ensino superior, já são bem diferentes quanto a este apelo pela aparência, muitos até tem pouquíssimas ilustrações – o que me deixou com algumas dúvidas, uma vez que eu estava acostumado com muitas ilustrações no decorrer do livro do ensino médio, não só de química, mas também o de biologia eram muito ricos em ilustrações o que ajuda principalmente a memória fotográfica de estruturas, e utilizando os programas de computador mais modernos pode-se não só desenhar uma molécula de forma plana, como fazer sua imagem em três dimensões, o que dá uma noção do espaço que esta molécula ocupa e como ela está organizada espacialmente. 19

A seqüência de conteúdos em si, obedecem a uma ordem lógica, sempre que se inicia um determinado estudo, parte-se da parte menos complexa para a parte mais complexa – e esta ordem lógica costuma ser precedida ou acrescentada com detalhes da história que acerca o conteúdo em foco. Assim tem se um panorama geral de como surgiu tal conhecimento – ou apenas seu descobridor e a teoria inicial que será reconstruída posteriormente de forma a tornar-se mais complexa e mais próxima daquilo que é aceito como verdade científica na atualidade.

2.5 - Cotidiano / Contexto:

Dentro de um estudo dirigido, como o ocorrido nas disciplinas de férias, não há muito tempo hábil para inserção de exemplos do cotidiano, considerando-se a complexidade de se trabalhar os conceitos de química geral com um tempo reduzido, as professoras então fizeram o melhor em tentar aproximar estes conceitos, porém é necessário muito mais empenho do estudante em trabalhar fora do tempo de aula para suprir algumas necessidades que venham a surgir em detrimento deste tempo reduzido. Sabemos que a química geral tem forte ligação com o cotidiano, e por isso essa busca pela inserção do mesmo pode ser facilmente realizada, e trabalhada com os alunos, principalmente com as situações de estudo. O cotidiano de sala de aula de um professor do ensino médio é muito variável de uma escola para outra, mesmo se tratando da mesma cidade. Minhas experiências com os estágios supervisionados me possibilitaram o conhecimento de várias realidades que podem ser encontradas no município de Ijuí. Cada escola é um local de trabalho e possui diversas características que a tornam única. Cada escola traz à tona diferentes problemáticas dentro do grupo de características que podemos encontrar dentro de uma sala de aula. Existem as escolas de periferia que tem sérios problemas disciplinares, existem as escolas com baixo rendimento dos alunos que são mal aparelhadas e seus funcionários estão em descrédito com a instituição, e existem também as escolas que estão bem aparelhadas, os profissionais estão em consonância com um plano pedagógico de trabalho e mesmo

20

assim apresentam bons e maus resultados de aprendizagem dos alunos. Dentro desta gama de escolas podemos reforçar a idéia de que as escolas públicas e particulares sofrem com os mesmos problemas, no campo educacional pode ocorrer que as escolas particulares apresentem-se mais bem aparelhadas do que as escolas públicas, mas os problemas de aprendizagem em sua maioria na respeitam estes limites da instituição em boas condições e a em más condições. Outro ponto a ressaltar é que uma escola em más condições de conservação pode resultar em depreciação dos funcionários que perdem a auto-estima de trabalharem em um local bem conservado. Durante um dos estágios que realizei em uma escola municipal, que se encontrava em más condições de conservação, os próprios alunos ficavam tristes de estudar em uma sala em que as luzes piscavam, a pintura estava descascando, móveis, etc. Ou seja, eu tinha uma idéia de que o meio não influenciava os sujeitos para o processo de aprendizagem, mas o fato é que realmente os alunos estavam desmotivados, e a confirmação de que esta idéia é verdadeira, é o fato de que no final do estagio, a escola começou a passar por reformas e percebi que aos poucos algumas atitudes foram se modificando, como se passassem a respeitar mais o ambiente escolar quando este se encontra em melhores condições. O professor está diante de várias perspectivas no seu trabalho cotidiano, e mostra-se cada vez mais que apenas os conhecimentos tácitos da profissão não são suficientes para o pleno exercício da atividade, e ainda vemos que:
Em outras instituições de ensino superior, o problema da formação docente resulta de uma formação freqüentemente livresca, em que a distância entre teoria e prática docente se agrava pelo baixo domínio disciplinar. (BRASIL, 2002. Pg. - 139)

Em pauta de permanentes discussões está a formação continuada dos professores, pois uma vez que chegam em seu campo de trabalho precisam imprimir sua didática e reorganizar seus conhecimentos para se alinhavar com os planos pedagógicos gerais das escolas, e não raramente demonstram não ter domínio disciplinar suficiente, o que reflete uma formação deficiente que não foi capaz de prepará-lo para os desafios que iria enfrentar. Não existe uma escola pronta, as escolas estão em contínuo desenvolvimento, estão sempre se modificando, e isto:

21

[...] implica a necessidade de a formação continuada do professor considerar e se desenvolver nessa mesma identidade e diversidade. As necessidades e, portanto, as demandas por formação continuada variam de escola para escola e, por essa razão, a adoção de uma estratégia ou programa único para todos os professores de uma mesma rede raramente resultará em benefício para cada um em particular. (BRASIL, 2002. Pg. - 142)

Quando tratamos sobre o dia-a-dia do professor, não podemos deixar de citar este contínuo movimento que acontece dentro das escolas, e as demandas que são geradas a partir deste movimento. Estes planos de formação continuada devem, então conforme com ECHEVERRÍA serem realizados especificamente dentro do contexto escolar e não seguir as normas genéricas estabelecidas por conselhos que estão distantes da realidade escolar. Outro ponto:
Quando se discute a formação docente faz-se necessário não esquecer as reais condições da educação brasileira. São vários os fatores externos ao processo pedagógico que vêm prejudicando a formação (inicial e continuada) de professores em nosso país, destacando-se a precariedade da infra-estrutura escolar e o aviltamento salarial. (ECHEVERRÍA, 2007. Pg. 2)

Este trecho nos remete aos pontos iniciais da discussão e vai além quando fala do alvitamento salarial, fato este que ainda não havia discutido, a questão salarial tem influência direta na auto-estima do individuo e, pode apresentar efeitos benéficos quanto se trata da formação continuada, uma vez que a maioria dos cursos é particular, o que resulta em gastos, e se o salário não compensar a realização de um curso de aperfeiçoamento, então a lógica do capital nos traz como resposta a não realização deste curso. Quem sai perdendo é em um primeiro momento o profissional que deixou de aproveitar a oportunidade, mas em longo prazo quem sai perdendo somos todos os sujeitos sociais, pois estão deixando de receber uma educação melhor muitos estudantes e este fato pode, e está de certa forma acontecendo, que é o empobrecimento cultural dos jovens, que saem das escolas com uma formação cada vez mais básica.

2.6 - Avaliação:

Dentro do componente da química geral seguimos os padrões de avaliação estabelecidos pela universidade, de 20, 30 e 50 pontos, sendo estas avaliações em sua

22

maioria provas com questões referentes basicamente a aplicação e memorização de conceitos estudados, bem como resolução de problemas matemáticos onde era necessário inter-relacionar a teoria estudada para determinar como realizar o cálculo da constante. Para o aluno a avaliação sempre será uma situação problemática, já para o professor isto não pode acontecer. Enquanto que as discussões sobre as novas formas de avaliar e os conhecimentos que são realmente necessários que os alunos aprendam estão em foco, e sendo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, uma fonte inspiradora de renovação, “A proposta apresentada para o ensino de Química nos PCNEM se contrapõe à velha ênfase na memorização de informações, nomes, fórmulas e conhecimentos como fragmentos desligados da realidade dos alunos”. (BRASIL, 2002. Pg. - 87) assim o objetivo principal fica exposto, quando se deseja se contrapor a algo significa que existem ainda situações, e dificilmente deixarão de existir, em que os conteúdos que estão sendo trabalhados não estão correlacionados com o cotidiano dos alunos. Este fato é um dos paradigmas da educação que são difíceis de serem resolvidos, principalmente devido ao fato do professor não ser o “dono” dos conteúdos que irá trabalhar com determinada turma. Muitas vezes estes conteúdos fazem parte de um “projeto” idealizado pela empresa que é dona da escola, ou ele é feito por uma equipe da escola e na qual o professor não tem, ou se abdicou do direito de participar do conselho que faz parte do desenvolvimento dos conteúdos que serão trabalhados na escola durante determinado tempo letivo. Analisando os fatos sobre este ponto de vista o professor é uma vítima, do sistema escolar no qual está inserido, mas podemos ver também que muitas vezes a indeterminação na hora de participar na construção dos projetos escolares, torna-o vitima de algo do qual ele optou por não participar. Assim devo levar em consideração que o afastamento dos conteúdos com a realidade dos alunos é culpa, em parte do professor que não participa ativamente na escola em que está trabalhando ou que faz parte de uma rede de ensino na qual não tem opinião sobre o que será trabalhado. Outro aspecto importante e que não foi citado, como pode ter acontecido com muitos outros, é o uso de livros didáticos, mas um uso de forma que o livro didático seja a base, e que todas as demais atividades derivem e façam parte daquilo que o livro didático prediz. Este uso do livro didático pode causar um distanciamento ainda maior dos conteúdos que estão sendo abordados e assim romper de uma vez com as idéias que estivessem sendo construídas em um processo diferente de ensino. 23

E por que discutir o distanciamento dos conteúdos com a realidade dos alunos, esta questão dentro de uma visão avaliadora, busca trazer a oportunidade para que o aluno possa ver em seu dia-a-dia onde a química está presente e de que forma esta afeta a sua vida. Esta aproximação é muito importante e é capaz de promover um maior rendimento das aulas, pois desta forma, falando sobre aquilo que já conhecem os alunos podem refletir e por que não “descobrir” ou “redescobrir” aquilo que já conheciam com outros olhos, com os olhos da química. Nos PCNEM existe uma organização na forma de “Temas Estruturadores”:
Uma maneira de selecionar e organizar os conteúdos a serem ensinados é pelos ‘temas estruturadores’, que permitem o desenvolvimento de um conjunto de conhecimentos de forma articulada, em torno de um eixo central com objetos de estudo, conceitos, linguagens, habilidades e procedimentos próprios. Tomando como foco de estudo as transformações químicas que ocorrem nos processos naturais e tecnológicos, são sugeridos nove temas estruturadores [...]. (BRASIL, 2002. Pg - 93)

Esta organização abrange todo o ensino médio e possui diversos subitens, os PCNEM têm como principal objetivo tornar o ensino do País equilibrado sendo que cada escola constrói as formas como irá trabalhar estes temas estruturadores. Participar desta organização na escola é a melhor forma para que o professor possa decidir como será abordado cada conteúdo e será também de extrema importância para criar uma seqüência lógica de inserção de conceitos, onde estes serão significativos para a aprendizagem dos alunos. O fato de estruturar uma seqüência de forma a esta ser promotora de entendimento significativo de conceitos é outro ponto que facilitará o desenvolvimento de qualquer plano de ensino. A escola é livre para tomar qualquer linha pedagógica que decidir, o professor deve agir conforme esta estruturação e:
Outro aspecto de caráter geral é a avaliação do ensino e da aprendizagem, que deve ser coerente com a linha pedagógica sugerida. Assim, é necessário que o professor e o aluno percebam, durante esse processo, quais e como os conhecimentos foram construídos, de modo sistemático e contínuo. (BRASIL, 2002. Pg - 110)

As tão temidas provas, já não são o único parâmetro utilizado para avaliar o desempenho e o conhecimento dos alunos, uma vez que as tradicionais provas acabam que por avaliar apenas a capacidade de memória, e dificilmente são capazes de promover uma base segura sobre a capacidade de utilização dos conceitos aprendidos durante o processo de ensino/aprendizagem. Assim:

24

Dependendo do plano pedagógico da escola, as ‘provas’ podem ser inseridas no processo de avaliação, no sentido de trazer mais um dado ao professor e ao aluno sobre o que foi apreendido e como os alunos procuram solucionar problemas apresentados pelo professor. Assim, as ‘provas’ podem ser mais um e não o único instrumento de avaliação para o replanejamento do ensino. (BRASIL, 2002. Pg - 110)

A avaliação na forma de prova é o método mais utilizado e considerado mais eficaz para a maioria da comunidade escolar, que não é formada apenas por professores, embora as grandes discussões sobre o ensino, já tenham também formado inúmeros coordenadores que acreditam que realmente esta não deve ser a única forma de se avaliar um aluno. Mais uma vez temos nas mãos a responsabilidade de compreender que devemos estar em permanente processo de aprendizagem, e o próprio PCNEM dedica em seu final um capítulo a parte da importância desde processo com três argumentos:
Primeiro, porque crônicos e reconhecidos problemas da formação docente constituem obstáculos para o desempenho do professor, e a escola deve tomar iniciativas para superá-los. Segundo, porque as novas orientações promulgadas para a formação dos professores ainda não se efetivaram, já que constituem um processo que demanda ajustes de transição a serem encaminhados na escola. Terceiro, porque em qualquer circunstância a formação profissional contínua ou permanente do professor deve se dar enquanto ele exerce sua profissão, ou seja, na escola, paralelamente a seu trabalho escolar. (BRASIL, 2002. Pg - 139)

Uma análise elementar destes argumentos, só retoma a idéia da formação continuada, e que esta formação deve ocorrer durante o exercício profissional. De forma que este profissional que busca um avanço em sua formação irá com certeza produzir conhecimentos neste processo que o tornará mais hábil para resolver os problemas que surgem a cada dia no exercício profissional.

2.7 - Preocupações com as Condições de Ser Professor:

Embora com um objetivo mais amplo, na química geral são estudados basicamente e além dos conceitos que são ensinados no ensino médio, assim é possível perceber a ligação direta que existe entre este componente e o exercício da profissão, o

25

fato da professora atuar no ensino médio também facilita esta ligação pois são muitos os exemplos que ela demonstra relacionados a sua prática no ensino médio, podendo nos demonstrar as reações de estudantes perante as dificuldades mais comuns já conhecidas. Este conhecimento prático é muito valorizado, e quando está associado ao conhecimento científico se constitui numa base sólida para o exercício da docência. A profissão de professor está em descrédito, está é uma afirmação um tanto quanto pitoresca, principalmente em se considerar o documento que a contém, e isto é uma epígrafe do momento que se vive pelo menos regionalmente, e o descrédito se dá hora pelo fato da educação ter sido reduzida a seu significado mais intrínseco que eu denotaria como sendo “[...] dos meios culturais necessários à convivência de um membro na sua sociedade [...]” (WIKIPEDIA, 2008), assim a educação da convivência de certa forma acaba sendo a mais relevante no período escolar, sendo esta convivência das mais variadas formas e resultado de um processo que foi construído durante toda a vida do sujeito que muitas vezes não está preparado, não foi preparado pelo meio que o gerou a participar de um ambiente que até então é estranho a ele que se “chama sala de aula”. E quando se encontra ali dentro preso, entre quatro paredes, parece se revelar na sua forma mais ancestral, e este fato é cada vez mais evidenciado, e por muitas vezes quando pretende-se discutir esta metamorfose faltam palavras para os educadores mais experientes e neste ponto se fixa a diferença, a linha divisória, o cadafalso que põe em xeque as teorias estudadas e que tornam o trabalho do professor um desafio diário. Este desafio tende a se tornar cada vez mais complexo, pois como professor a preocupação diária com o trabalho se interpela através da promoção das aulas para diferentes turmas em diferentes estágios de aprendizagem e com características da mesma forma diversas. Ao mesmo tempo em que a situação dos governos demonstra ser de queda de orçamentos, corrupção,... A luta por melhores salários começa a fazer parte do turbilhão diário de questionamentos que passam na cabeça do professor que é também um ser social que possui uma vida por detrás da figura, hoje desgastada, de educador. E por quê está tão desgastada? É difícil tentar explicar uma questão desta natureza, sem tocar no fator monetário, assim como tudo no mundo globalizado e capitalizado as profissões são classificadas como promissoras salarialmente ou que não darão muitos ganhos a seus formandos. Desde o capital de Marx, onde o trabalhador entra com sua mão de obra e produz um bem, e quando chega o momento do pagamento o trabalhador percebe que o seu esforço não é suficiente para aquisição do mesmo, 26

entramos no paradigma do trabalhador. A profissão de professor está se tornando cada vez mais, se já não é representada por uma profissão, como diriam os mais eloqüentes, da classe dos trabalhadores braçais. Como se o fato de ser um trabalhador fosse um pejorativo a qualquer classe, claro que o sentido apurado muitas vezes se compara a questão salarial, já que o salário de um professor, que precisa de um curso superior é equiparado com profissões de nível médio que não justificam os anos e o investimento de uma carreira de licenciatura. Dentro deste contexto, das preocupações diárias, vê-se que fazem parte de um sistema que se inicia dentro da universidade, quando somos questionados por amigos de outras cidades e que também tiveram a oportunidade de cursar um nível superior deparamo-nos com questões que nos deixam abalados quanto a validade de nossos esforços: “[...], sendo que a atuação como ‘licenciados’ é vista [...] como ‘inferior’, passando muito mais como atividade ‘vocacional’ ou que permitiria grande dose de improviso [...].” (BRASIL, 2002. Pg. - 139) neste ponto pode-se notar como estes cidadãos verão a figura do professor de seus filhos, uma vez que nossos professores também foram uma influência positiva ou negativa nesta decisão. Soma-se ainda ao ponto citado o fato do improviso, muitos estudantes que se formam em cursos de bacharelado de engenharia, direito,... Podem vir a se tornarem professores em escolas particulares, onde o conhecimento do conteúdo passa como mais valoroso do que o conhecimento pedagógico destes professores e então se deparam com o fato de:
O professor não aprende a criar situações didáticas eficazes nas quais sua área de conhecimento surja em contextos de interesse efetivo de seus estudantes. Sendo essa herança histórica, não há dúvida de que tais deficiências estão hoje dificultando o trabalho escolar. (BRASIL, 2002. Pg 140)

Estas dificuldades não foram imaginadas pelos futuros professores devido ao fato da crença em seus conhecimentos tácitos de suas profissões, e no livro didático; que aparece como “salvador”, como se o fato de um bom livro pudesse suprir todas as necessidades pedagógicas de ferramentas para aprendizagem, seria mais um livro mágico e não didático. E se tal livro fosse realmente apresentar grandes mudanças para a aprendizagem, então os cursos de licenciatura em breve não existiriam mais bastando

27

apenas a formação em nível técnico de bons expositores para acompanhar a leitura e resoluções de exercícios que já viriam prontos em volume adicional. Outra grande revolução na educação é o ensino a distância, agora já não se pode mais pensar um mundo sem ensino a distância. A praticidade tecnológica assim como há muito tempo pensava-se que a máquina substituiria o homem nas fábricas em geral através da robotização, o ensino permanecia como intocado a esta revolução, agora o que vemos é que as escolas podem com um professor no espaço de uma sala de aula transmitir para um certo numero de outras salas estas aulas e desta forma contratando um professor deixar de precisar de outros em outras cidades, de fato esta revolução coloca em pauta mais uma preocupação, a da formação continuada, mas com o caráter competitivo para obter mais títulos, mais horas, e estar a frente dos concorrentes. Na universidade ainda não temos a formação com vistas a educação a distância, fato este que terei de sanar com um curso que tenha o propósito de me habilitar em “tele-aula”, e mais uma vez o que move esta engrenagem é o fator monetário, que foi citado no início como sendo um fator determinante das opiniões quando se busca uma carreira, é também fator na busca pela formação. Os resultados dos “tele-alunos” em grande escala ainda não surgiram, esta é uma tecnologia bastante nova e seu inicio se deu a alguns anos, o questionamento que fica é, a carreira de professor é algo que se menciona como estável, após a aprovação em um concurso público o professor que assumir seu cargo dificilmente será demitido, esta realidade provoca muitas vezes uma certa estagnação do individuo em sua formação continuada, deixando de lado os avanços, mas as novas tecnologias e seus resultados podem alterar isto, pois quando se coloca em xeque a atuação dos professores dizendo que os níveis de aprendizagem estão muito baixos e que este índice se remete ao educador. Podemos estar vivendo uma época de transição onde o estado pode alterar as regras por pressão popular, criando escolas com fundos do estado mas com administração mais parecida com a particular onde seremos remetidos novamente a condições de trabalhadores, pois o vinculo empregatício deixaria de ser tão estável e posso ir além disso ao predizer que se os tele-alunos demonstrarem a longo prazo que esta modalidade é mais eficaz ou se equiparar a modalidade presencial, em breve teremos centros de transmissão para as escolas onde de um local central do estado os mais renomados educadores transmitirão suas aulas para os alunos de todo o estado, sendo reduzida drasticamente a necessidade de recursos humanos dentro dos sistemas de educação, pois como já se percebe nas aulas via satélite, grandes empresas montam 28

estúdios de transmissão com os mais modernos equipamentos e em todo país estas aulas são transmitidas e por meio de chat as dúvidas dos alunos virtuais são resolvidas.

2.8 - Avanços / Atualizações: Com a chegada do último semestre do curso, posso afirmar com segurança, que os cursos superiores em seus currículos desejam despertar nos licenciandos o apreço pela continuação de seus estudos. Digo isto, não só por ter freqüentado e estar me formando em uma universidade que tem a convicção de que são necessários os incentivos a pesquisa da prática educacional, bem como o complemento da formação básica por intermédio da formação continuada em nível de especialização, mestrado e doutorado; para que a partir desta freqüente busca, o sujeito seja capaz de promover a autocrítica de seus conhecimentos em pró dos avanços técnicos e científicos cada vez mais freqüentes. Estes avanços tecnológicos não abrangem apenas os equipamentos eletrônicos, que cada vez tem sua capacidade de detecção aprimorada, e sim os resultados destas inovações que são utilizadas nos grandes centros de pesquisa e, que são periodicamente publicados na imprensa internacional. Por sua vez, não apenas a primazia da aparelhagem técnico-científica tem relevância no âmbito da atualização e formação, as pesquisas em educação, que são amplamente discutidas no curso, fazem parte primordial de um cerne de conteúdos que podem ser buscados na sua totalidade com baixo custo – em comparação as máquinas – e seus resultados podem valer-se de grande monta para o processo em que se esteja inserido. Não são raras as vezes que temos duvidas quanto às práticas educacionais e como elas se desenvolvem nas escolas da área onde atuamos (moramos, vivemos), a dúvida tem a tendência de aumentar e se pensarmos a nível de região, estado e até mesmo outros países, ou seja, é difícil delimitar uma análise das escolas de um município com o ponto de vista de um único individuo, assim os trabalhos publicados, que foram desenvolvidos nas escolas trarão a luz os fatos relevantes que se deseja obter, seus resultados, etc. salientando-se que a prática da pesquisa nas escolas não ocorre de

29

forma continua, e muitas vezes nem ocorre, este espectro de dados que poderiam ser consultados simplesmente não existe, e por diversos fatores acaba por acarretar um nível de isolamento dos profissionais da educação que muitas vezes se reflete na perda do interesse pelos conhecimentos novos que estão sendo gerados / recriados na sua área e que só é possível vistas a interação dos sujeitos professores nestas pesquisas. Esse isolamento entende-se que tem como causas, pela formação voltada ao conhecimento prático, em geral ocorre que, os professores não são formados por cursos voltados para a licenciatura, mas após formarem-se fazem um “curso” com um número limitado de horas que demonstra ser insuficiente para dar ao sujeito um complemento de sua formação com vistas a licenciatura. Assim decorridos alguns anos esse professor, acaba por se tornar um mero repetidor de receitas prontas, da mesma forma como foi sua formação para trabalhar em uma empresa onde não é necessário fazer muitas mudanças daquilo que já se sabe, e mesmo se o fosse é necessário que se mantenha um certo nível de atualização, e assim, pode-se citar que a inserção da pesquisa em educação na formação estimula e dá os meios necessários para que o professor possa fugir deste isolamento, para que ele conheça os meios existentes de divulgação de pesquisas e que possa se unir com colegas, mesmo de outras áreas do conhecimento na escola e formarem seus grupos para pensarem juntos como é desenvolvida a educação naquele ambiente escolar, e assim formularem seus próprios projetos de pesquisa, onde estarão contribuindo para sua própria formação e para que se crie no ambiente escolar uma conexão com as demais instituições de ensino, sejam universidades ou outras escolas, pois, os resultados ao serem compartilhados com toda a comunidade científica certamente poderá criar vínculos de cooperação entre as instituições. O conhecimento, desta forma, desenvolvido durante o curso próprio de licenciatura dá o suporte que falta para que se desenvolva dentro da escola um ambiente de cooperação entre os professores, de modo, que a fragmentação habitual das disciplinas possa ser sobreposta com o trabalho de desenvolvimento de pesquisas em conjunto. Tendo por base o fato de cada escola ser um espaço educativo com características distintas das demais, assim:
Implicam a necessidade de a formação continuada do professor considerar e se desenvolver nessa mesma identidade e diversidade. As necessidades e, portanto, as demandas por formação continuada variam de escola para escola. (BRASIL, 2002. Pg - 142)

30

E com o auxilio adequado estas pesquisas podem representar um avanço no que diz respeito às teorias educacionais, principalmente se forem baseadas em projetos sólidos, porém mutáveis, pois a pesquisa é um movimento que começa com um objetivo e no decorrer desta, vê-se que não encontramos respostas para as perguntas que estávamos procurando e sim o que encontramos na maioria das vezes são mais perguntas que precisam, que sobre elas, se desenvolva uma outra pesquisa e com a experiência de permanecer pesquisando pode-se chegar cada vez mais perto de conclusões que satisfaçam o interesse dos pesquisadores. Uma vez esta pesquisa estando baseada no conhecimento prévio dos seus executores os erros cometidos nas primeiras estarão corrigidos nas próximas e assim por diante, e levando em conta a alta complexidade do objeto estudado, as conclusões obtidas em determinado período de tempo podem não ser relevantes após outro espaço que nem sempre pode ser mensurável, uma vez que a organização da sociedade se mantém em constante movimento e este movimento pode se tornar incomensurável em termos de pesquisa quando a análise de dados produzidos em certo tempo, ocorrer de forma muito demorada pode acarretar em prejuízo das conclusões que refletirão desta forma o período anterior ao contemporâneo, quando se deseja aplicar os conhecimentos produzidos. Observando sempre que o desejo de um projeto de pesquisa é produzir dados que possam refletir em melhorias de métodos para serem aplicados de forma a conduzir um determinado estudo; caso este que nem sempre pode ser alcançado, sendo uma meta a atingir, pois as pesquisas em educação nem sempre levam a resultados conclusivos e como foi dito anteriormente, vivemos em uma era de movimentos sociais e esse movimento caracteriza que os sujeitos que hoje estão em foco possuem características que os das próximas gerações não possuirão. Da mesma forma como o melhoramento genético das plantas pode produzir indivíduos com características desejáveis, a produção cultural de determinado período gera indivíduos com características desta época cultural, mas ao contrário da biotecnologia, onde os resultados podem ser prédeterminados em termos sociais estes se apresentam de forma totalmente aleatória, podendo-se dizer que os frutos das sociedades contemporâneas só serão descobertos, ou amadurecidos passados algum tempo.

31

Considerações Finais

O exercício da profissão de educador é uma tarefa que necessita de inúmeras habilidades, e mais importante do que estas habilidades inatas de educador, é a consciência critica sobre a sua atividade, esta consciência por sua vez depende de uma construção que pode ser adquirida com a formação continuada ou desenvolvida durante o curso de graduação. Muitas vezes, na formação acadêmica ocorre a idéia de finalização dos estudos, e os profissionais que se formam desta forma não sentem a necessidade da busca por atualizações, fato este que não pode ser aceito como verdadeiro porque em todas as áreas desde as mais tradicionais e consideradas imutáveis, como são alguns cursos – ou melhor alguns formandos de determinados cursos tradicionais – que encaram como totalmente acabada sua formação, hoje existem a cada dia novos estudos e publicações com inúmeros resultados que podem ser aplicados muitas vezes em mais de uma área do conhecimento. Apenas em ensino de Química, são publicadas centenas de matérias e artigos mensalmente, sendo que é tarefa praticamente impossível ler todos estes artigos. O que devemos então é reconhecer que existem sim muitos horizontes para serem ampliados, e a aceitação de que um curso superior não é o estagio final de desenvolvimento que um profissional pode atingir faz parte de uma nova geração de formandos, que reconhecem as falhas em sua formação e têm a capacidade de buscar o aperfeiçoamento necessário para corrigi-los, e o mais importante que é a permanente autocrítica de suas atividades, reconhecendo também as possibilidades de mudança em sua trajetória como profissional que tem um objetivo determinado. A busca pela continuidade da formação é uma das características que ficam mais salientes neste momento de conclusão do curso, onde posso afirmar que com o exercício da profissão poderei desenvolver metodologias próprias, onde buscarei relacionar o cotidiano (as características locais) da comunidade onde estarei trabalhando e a necessidade educacional que será trabalhada junto a escola. Fica salientado também que o professor é uma figura importante nos momentos de determinação de estudos dentro da escola, e que estes momentos sejam apropriados, para que todos os membros possam desenvolver com suas habilidades os trabalhos em conjunto que podem significar grandes mudanças dentro de um contexto mais amplo da realidade escolar. 32

Referências Bibliográficas

(1)BRASIL. PCNEM, Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. 2002. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/3327788/PCNS-ciencias-da-naturezamatematica-e-suas-tecnologias> (2)PARECER CNE/CES 1.303/2001 – HOMOLOGADO. Despacho do Ministro em 4/12/2001, publicado no Diário Oficial da União de 7/12/2001, Seção 1, p. 25. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/3594465/diretrizes-Curriculares-nacionaisde-quimica> (3)MASTERTON, William L. SLOWINSKI, Emil J. STANISKI, Conrad L. Princípios de química. Tradução Jossyl de Souza Peixoto. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1996. (4)MALDANER, Otavio Aloísio. A formação Inicial e Continuada de Professores de Química Professores/Pesquisadores. 3. ed.- Ijuí. Ed. Unijuí, 2006. (5)MANCUSO, Ronaldo. MORAES, Roque (Org.). Educação em Ciências: produção de currículos e formação de professores. Ed. Unijuí, 2004. (6)PERUZZO, Tito Miragaia. CANTO, Eduardo Leite do. Química: Volume Único. 1. ed. – São Paulo: Moderna, 1999. (7)ECHEVERRÍA, A. R.; BENITE, A. M. C. e SOARES, M. H. F. B. A pesquisa na formação inicial de professores de química – a experiência do instituto de química da universidade de Goiás. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/3327792/PPPQUIMICA> (8)<http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o> Acesso em 14/05/2008. (9) UNIJUÍ, Projeto Político Pedagógico do Curso de Química Licenciatura. Departamento de Biologia e Química. Versão 2007/ 1° semestre.

33

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful