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REPRESENTAÇÃO DE NATUREZA INTERNA

PROCESSO Nº 326178/2017
UNIDADE GESTORA PREFEITURA MUNICIPAL DE CHAPADA DOS GUIMARÃES
CNPJ 03.507.530/0001-19
ASSUNTO REPRESENTAÇÃO DE NATUREZA INTERNA
GESTOR THELMA PIMENTEL FIGUEIREDO DE OLIVEIRA
RELATOR CONSELHEIRO INTERINO JOÃO BATISTA DE CAMARGO JUNIOR
MUNICÍPIO FISCALIZADO CHAPADA DOS GUIMARÃES
NÚMERO DA O.S. 14215/2017
EQUIPE TÉCNICA ALCÍDIO PIMENTEL NETO E EDNEI ECKEL

Cuiabá – MT, novembro de 2017.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO................................................................................................................. 3
2. ACHADOS DE AUDITORIA ............................................................................................ 3
2.1 O não provimento dos cargos de contador e controlador interno por meio de
concurso público, desrespeita determinações do TCE-MT, súmulas nº 02 e 08. ............. 3
2.2 Taxas de embarque cobradas dos usuários do Terminal Rodoviário Chico Moreira no
período de janeiro a maio de 2017, não são arrecadadas em sua totalidade, devido a
falhas no processo de arrecadação. ................................................................................ 7
2.3 Superfaturamento na compra direta de produtos da fornecedora Priscila Talita da
Cruz Leão - Nota Fiscal nº 3545496. ............................................................................. 11
2.4 Inefetividade do controle da jornada dos servidores da Prefeitura, inviabiliza a
gestão do cumprimento da jornada e a apuração do seu descumprimento. .................. 16
2.5 Alunos da rede municipal de ensino faltam à escola devido à não prestação dos
serviços por empresas contratadas................................................................................ 22
2.6 Falta de profissionais deixa equipamentos de Raio X e de Ultrassom ociosos há
mais de 2 anos e população precisa deslocar-se para outro munícipio para realizar
exames. .......................................................................................................................... 30
2.7 Instalação elétrica inadequada deixa equipamentos odontológicos ociosos e deixa a
população sem atendimento no PSF Santa Cruz. ......................................................... 33
3. CONCLUSÃO ................................................................................................................ 36

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1. INTRODUÇÃO
Considerando a previsão contida nos artigos 224, II “a” e 225 do Regimento
Interno do TCE/MT, segue Representação por irregularidades constatadas pela equipe
técnica, durante o processo de levantamento na Prefeitura Municipal de Chapada dos
Guimarães, nº 236756/2017.

2. ACHADOS DE AUDITORIA
A seguir serão relatadas as irregularidades apuradas com os seus
respectivos responsáveis:

2.1 O não provimento dos cargos de contador e controlador interno por meio de
concurso público, desrespeita determinações do TCE-MT, súmulas nº 02 e 08.

2.1.1 Classificação da irregularidade: CB 99, EB 11 e KB 10.

2.1.2 Situação encontrada

2.1.2.1 Controlador Interno

Ao verificar a ocupação do cargo de controlador interno da Prefeitura,


constatou-se o não preenchimento do cargo por servidor concursado especificamente para
essa função, contrariando o que estabelece a Súmula nº 08 do TCE/MT, que está
fundamentada na Constituição Federal/88, art. 37, inciso II, Constituição Estadual, art. 129,
inciso II, Resolução de Consulta TCE-MT 24/2008 e Resolução Normativa TCE-MT 01/2007,
a saber:

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Súmula nº 08

O cargo de controlador interno deve ser preenchido por servidor efetivo, aprovado
por meio de concurso público destinado à carreira específica do controle interno.

Evidenciou-se que o cargo é ocupado pela Sra. Giovane Maria Freitas


Ferreira, servidora concursada para o cargo de Agente Administrativo e nomeada em
comissão para o cargo de controladora interna da Prefeitura - conforme ato nº 29/2017 de
10/01/2017 (Doc. nº 300884/2017).
A Lei municipal nº 1.640/2015 de 15/06/2015 (Doc. nº 300885/2017), criou
uma vaga para cargo efetivo de controlador interno, que deveria ser preenchido por meio
de concurso público e, mesmo assim, os gestores mantiveram indevidamente no cargo de
natureza permanente, servidor que não foi aprovado em concurso para essa finalidade,
situação ratificada pela atual Prefeita, conforme declaração dela em resposta ao ofício da
equipe técnica nº 04/2017 (Doc. nº 300886/2017).

2.1.2.2 Contador
Ao verificar a ocupação do cargo de contador da Prefeitura, constatou-se o
não preenchimento do cargo por servidor concursado, contrariando o que estabelece a
Súmula nº 02 do TCE/MT, que está fundamentada na Constituição Federal/88, art. 37, inciso
II, a saber:

Súmula nº 02

O cargo de contador deve ser criado por lei e provido por meio de concurso público,
independentemente da carga horária de trabalho.

Evidenciou-se que o cargo é ocupado pelo Sr. Hermes Eduardo de Souza


e Silva, servidor contratado por tempo determinado - contrato nº 00000246/2017, vigente
de 01/05/2017 a 31/12/2017 (Doc. nº 300887/2017).

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A lei municipal nº 1.640/2015 de 15/06/2015 (Doc. nº 300885/2017 criou
uma vaga para cargo efetivo de contador, que deveria ser preenchido por meio de concurso
público, entretanto, mesmo assim, os gestores mantiveram indevidamente no cargo de
natureza permanente, servidor que não foi aprovado em concurso para essa finalidade,
situação ratificada pela atual Prefeita, conforme declaração dela em resposta ao ofício da
equipe técnica nº 04/2017 (Doc. nº 30886/2017).

2.1.3 Responsabilização

2.1.3.1 Responsável:

Nome Cargo Período de exercício

Lisu Koberstain Prefeito De 01/01/2013 a 31/12/2016

Thelma Pimentel Figueiredo de Oliveira Prefeito De 01/01/2017 a 31/12/2020

2.1.3.1.1 Conduta
Prover o cargo de contador com servidor contratado e o de controlador
interno com servidor nomeado em comissão e não habilitado tecnicamente para a função,
quando deveria ter provido os cargos por meio de concursos públicos específicos para os
cargos, cumprindo a lei municipal nº 1.640/2015 de 15/06/2015 e as Súmulas nº 02 e 08,
do TCE-MT.

2.1.3.1.2 Nexo de causalidade


O provimento dos cargos de contador e controlador interno por servidores
não concursados para os cargos, resultou na ocupação do cargo de contador por servidor
contratado temporariamente e na de controlador interno por servidor nomeado em
comissão, resultando na inefetividade do controle interno da Prefeitura e desrespeitando a
lei municipal de criação dos cargos e as determinações do TCE-MT para a ocupação
desses cargos.

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2.1.3.1.3 Culpabilidade
Não foi constatado que o gestor agiu respaldado por pareceres técnicos e
jurídicos, sendo, portanto, razoável exigir do Prefeito o provimento dos cargos efetivos de
contador e controlador interno da prefeitura, por meio de concurso público específico para
os cargos, tendo em vista haver lei municipal assim prevendo, nº 1.640/2015 de 15/06/2015,
bem como haver determinação do TCE/MT nesse sentido, por meio das Súmulas nº 02 e
08, a fim de garantir a habilitação técnica e funcional para os cargos.

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2.2 Taxas de embarque cobradas dos usuários do Terminal Rodoviário Chico Moreira
no período de janeiro a maio de 2017, não são arrecadadas em sua totalidade, devido
a falhas no processo de arrecadação.

2.2.1 Classificação da irregularidade: DB 99.

2.2.2 Situação encontrada


Inicialmente, cabe informar que a taxa de embarque foi regulamentada pela
lei nº 1.601/2014, que dispõe sobre a concessão administrativa para exploração dos
serviços do Terminal Rodoviário de Passageiros, que previu o valor de R$ 2,00 (dois reais)
por embarque (Doc. nº 300890/2017, página 4).
Ao verificar a arrecadação das taxas de embarques cobradas dos usuários
do Terminal Rodoviário Chico Moreira, no período de janeiro a maio de 2017, constatou-se
uma arrecadação inferior de R$ 15.578,00 (quinze mil e quinhentos e setenta e oito reais).
Tal diferença de arrecadação apurada, está demonstrada no quadro abaixo
e foi constatada ao planilhar tanto os talões de taxas, quanto os lançamentos tributários
correspondentes, ambos apresentados pela Secretaria de Finanças (Doc. nº 304626/2017)
e circularizar com os relatórios requisitados às empresas que exploram os serviços de
transportes de passageiros no Terminal Rodoviário (Doc. nº 300900/2017):
TAXA DE EMBARQUE - TERMINAL RODOVIÁRIO
01/01/2017 A 15/05/2017
Lançamento Tri-
Qdade de Ta- Total cobrado Valor não arreca-
Empresa butário
xas Cobradas dado
Doc. 300900/2017 Doc. 304626/2017

Rápido Chapadense 5.530 R$ 11.060,00 R$ - R$ 11.060,00


Expresso Rubi Ltda 13.009 R$ 26.018,00 R$ 21.500,00 R$ 4.518,00
TOTAL 18.539 R$ 37.078,00 R$ 21.500,00 R$ 15.578,00

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Cabe relatar que os R$ 21.500,00 de lançamentos das taxas, foram
realizados para o contribuinte Expresso Rubi Ltda, nada tendo sido lançado em nome do
contribuinte Rápido Chapadense.
Além da diferença de arrecadação apurada por meio da circularização, o
planilhamento dos talões, detectou várias quebras de sequência, conforme demonstrado
no Doc. nº 304626/2017, totalizando a falta de talões correspondentes a 7.750 taxas.
Diante da falta dos talões, a equipe técnica emitiu o ofício nº 001/2017 – 3ª
Relatoria TCE-MT de 31/05/2017, requisitando os talões das sequências faltantes, ao
Superintendente do Terminal Rodoviário, que declarou desconhecer sobre a existência ou
não desses talões, já que, segundo ele, ao assumir o cargo em fevereiro/2017, não se
atentou para a sequência dos talões que recebera da gestão anterior, ou seja, sequer
conferiu aquilo que estava recebendo. (Doc. nº 300891/2017).
Portanto os procedimentos de auditoria aplicados, apuraram uma diferença
de arrecadação a menor de R$ 15.578,00 para o período de 01/01/17 a 15/05/17, já que o
valor lançado pela Prefeitura com base nos talões foi de R$ 21.500,00 e o valor apurado
com base nos relatórios das empresas de ônibus foi de R$ 37.078,00.
Garantir a efetiva entrada das receitas necessárias ao desenvolvimento da
atividade estatal é dever legalmente imposto ao gestor público, conforme prevê a Lei de
Responsabilidade Fiscal em seu artigo 11:

Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a ins-


tituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência cons-
titucional do ente da Federação. (Grifo nosso).

Vê-se que a lei impõe ao gestor, nesse caso o Secretário de Finanças, o


dever de efetiva arrecadação, que exigirá dele eficiência, princípio que assim como o da
legalidade deve guiar a atuação do gestor público, portanto, não basta apenas estimar as
receitas e utilizar-se da capacidade máxima arrecadatória, é necessário periódico
acompanhamento da sua realização e principalmente da adoção de meios capazes de
garantir a correta e devida arrecadação tributária.

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2.2.3 Responsabilização

2.2.3.1 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
Expresso Rubi Ltda Contribuinte De 01/01/2017 a 31/12/2017
Rápido Chapadense Contribuinte De 01/01/2017 a 31/12/2017

2.2.3.1.1 Conduta
Apropriar-se do valor de taxas de embarques cobradas de usuários do
Terminal Rodoviário Chico Moreira, quando deveria ter recolhido a totalidade das taxas aos
cofres da Prefeitura.

2.2.3.1.2 Nexo de causalidade


Ao não recolher aos cofres municipais a totalidade das taxas de embarques
cobradas dos usuários do Terminal Rodoviário Chico Moreira, apropriou-se indevidamente
de recursos tributários da Prefeitura.

2.2.3.2 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
José Martinho Filho Secretário de Finanças 01/01/2017 a 31/05/2017

2.2.3.2.1 Conduta
Omitir-se do dever de gerir a arrecadação e de propor ou exigir
regulamentação e sistematização dos procedimentos de arrecadação tributária da
Prefeitura, quando deveria ter orientado e acompanhado a apuração das receitas tributárias,
prevenindo e combatendo a sonegação dos tributos pelos contribuintes, conforme prevê a
LRF em seu art. 11.

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2.2.3.2.2 Nexo de causalidade
A omissão diante do dever de gerir a arrecadação tributária e de propor ou
exigir a regulamentação e sistematização dos procedimentos para ela, contribuiu para a
não arrecadação da totalidade das taxas de embarque cobradas dos passageiros, pelas
empresas de ônibus que exploram o Terminal Rodoviário Chico Moreira.

2.2.3.2.3 Culpabilidade
Não foi constatado que o Secretário de Finanças estava respaldado, em
suas ações e omissões, por normas internas e pareceres técnicos e jurídicos, sendo,
portanto, razoável exigir dele que gerisse a arrecadação dos tributos e que propusesse ou
exigisse a regulamentação e sistematização dos procedimentos de arrecadação tributária
da Prefeitura e que, a fim de garantir a arrecadação da totalidade das taxas de embarque
cobradas dos passageiros do Terminal Rodoviário Chico Moreira, prevenindo e combatendo
a sonegação fiscal pelos contribuintes, já que a LRF em seu art. 11, impõe ao gestor, o
dever de gestão fiscal e de efetiva arrecadação dos tributos, assim como a eficiência deve
guiar a atuação do gestor público.

2.2.4 Restituição de valores

Responsáveis (solidários) Data do Fato Gerador Valor (R$)


- Expresso Rubi Ltda
31/05/17 R$ 4.518,00
- José Martinho Filho
- Rápido Chapadense
31/05/17 R$ 11.060,00
- José Martinho Filho
TOTAL R$ 15.578,00

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2.3 Superfaturamento na compra direta de produtos da fornecedora Priscila Talita da
Cruz Leão - Nota Fiscal nº 3545496.

2.3.1 Classificação da irregularidade: JB 02

2.3.2 Situação encontrada

Ao verificar o processo de compras de materiais de expediente (copos


descartáveis, papel higiênico e papel A4) – empenho nº 984/2017, fornecedor Priscila Talita
da Cruz Leão (Doc. nº 300902/2017), estabelecida em Cuiabá - constatou-se o
superfaturamento nos preços, conforme demonstrado no quadro a seguir:
PREÇO - "ASSAÍ" PREÇO - "PRISCILA"
(Anexo nº 33/2017 SUPERFATURAMENTO
(Anexo nº 37/2017)
PRODUTO págs. 13)
Unitário Total Unitário Total Unitário Total
Unid. Qdade %
R$ R$ R$ R$ R$ R$

PAPEL HIG FD8 23,92 239,20 44,82 448,20 10 20,90 209,00 87%

PAPEL SULFITE
CX10 140,00 2.100,00 473,10 7.096,50 15 333,10 4.996,50 238%
500 FLS A4
TOTAL 2.339,20 7.544,70 5.205,50 223%

O superfaturamento dos preços foi evidenciado por meio da comparação


da nota fiscal de compra dos produtos pelo fornecedor (Doc. nº 300910/2017) e de revenda
para a Prefeitura (Doc. nº 300902/2017, pág. 13), já que a empresa fornecedora, Priscila
Talita da Cruz Leão, adquiriu os produtos da empresa Assai Atacadista, em Cuiabá, CNPJ
06.057.223/0291-53, em 11/05/2017, o que demonstra que a Prefeitura poderia e deveria
ter adquirido tais produtos sem a intermediação de uma empresa cujo ramo de atividade é
o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios, já que a aquisição foi para atender
a demanda da Secretaria, até que o procedimento licitatório fosse concluído.

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Cabe relatar também outros fatos analisados no processo de compra que
evidenciam a “nebulosidade” da compra e reforçam a improbidade e ineficiência da
administração, que resultaram em dano ao erário decorrente do superfaturamento dos
preços.

A equipe técnica constatou que, para a aquisição dos produtos a Prefeitura


utilizou-se de orçamentos com empresas cujo ramo de atividade é diferente dos materiais
adquiridos, conforme sintetizado no quadro abaixo e evidenciado no Doc. nº 300902/2017,
págs. 7-8-9.

Atividade Econômica Capital


Nome Empresarial / Fantasia CNPJ Anexo nº
Principal Social

Juma Comércio de Materiais para Comércio atacadista de


300911 e
Construções Ltda-ME / Juma 11.009.413/0001-53 materiais de construção em R$ 30.000,00
300914/2017
Materiais para Construções geral

Reparação e manutenção de
Neigmar da Silva Alves-ME / equipamentos 300912 e
11.224.135/0001-57 R$ 50.000,00
Redemil Climatização eletroeletrônicos de uso 300915/2017
pessoal e doméstico

Priscila Talita da Cruz Leão / Bride Comércio varejista de artigos 300913 e


22.204.774/0001-77 R$ 1,00
Hobbie Confecções do vestuário e acessórios 300916/2017
Fonte: Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral

Estranha a seleção dos fornecedores, pois, quem ao buscar fornecedores


para comprar papel higiênico e papel sulfite, selecionaria os que em sua razão
social/fantasia indica fornecer materiais para construção, climatização e confecções!?

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Diante das dúvidas em torno da compra, em 05/07/2017 a equipe técnica
dirigiu-se ao endereço da empresa fornecedora dos produtos - conforme indicado na Nota
Fiscal Avulsa – MEI, Rua La Paz, 169, Jardim Tropical e evidenciou a inexistência dos
materiais, para venda a pronta entrega, ou seja, não havia estoque dos produtos.
O estabelecimento localizava-se em local sem características comerciais,
sem fachada, não aberto ao público, conforme (Doc. nº 300920/2017) e, no interior do
estabelecimento, havia apenas alguns vestuários expostos (Doc. nº 300921/2017).
Na ocasião, quem atendeu a equipe técnica foi a Sra. Priscila e no mesmo
instante contatou o Sr. Vinicius, que se dirigiu ao local e atendeu as solicitações da equipe,
fornecendo a Nota Fiscal nº 3545496, de compra dos produtos revendidos à Prefeitura
Municipal de Chapada dos Guimarães.
Cabe ressaltar que nem a Prefeitura, nem o fornecedor conseguiram
comprovar a efetiva entrega dos produtos constantes na NF de fornecimento, além disso,
a NF de compra apresentada pela fornecedora, tem data de emissão em 11/05/2017 e de
venda para a Prefeitura em 10/05/2017.
Na tentativa de apurar os responsáveis pela compra, a equipe técnica
indagou o Secretário de Finanças atual – Sr. Paulo Henrique de Almeida Amorim - acerca
de quem eram os responsáveis pelo processo de compra, pelo recebimento das
mercadorias e pela liquidação da despesa. A resposta dele foi de que não é possível
informar o (s) responsável (is) pelo processo de compra, nem pelo recebimento das
mercadorias, já quem liquidou a despesa foi o servidor João Paulo Bellan. Informou a
instauração de sindicância para apurar o fato, em 27 de junho de 2017, com prazo de 15
dias para a comissão constituída apurar os fatos, o que até o dia 09 de outubro de 2017
não ocorreu. O teor de toda a indagação e respostas consta no Doc. nº 301005/2017.

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Impressiona a desordem e falta de regulamentação e de procedimentos
administrativos, capazes de sistematizar minimamente um processo de compra direta e que
pudesse revelar os agentes envolvidos em cada etapa do processo. E como é possível
pagar uma despesa fruto de um procedimento de compra evidentemente tão duvidoso e
ainda, sem sequer saber se a mercadoria efetivamente foi recebida na Prefeitura!?

2.3.3 Responsabilização

2.3.3.1 Responsável:

Nome Cargo Período de exercício

Grasielli Wiesenhutter Secretária de Administração 10/03/2017 a 28/08/2017

2.3.3.1.1 Conduta
Omitir-se diante de compra direta superfaturada, quando deveria ter
verificado a regularidade dos procedimentos adotados na compra pelo (s) servidor (es) e
criticado os processos de seleção de fornecedores, cotações e efetivação da compra e
assim agisse, guiada pelos princípios da probidade administrativa e da eficiência.

2.3.3.1.2 Nexo de causalidade


A omissão do gestor diante das irregularidades nos processos de seleção
de fornecedores, cotações de preços e efetivação da compra, resultaram no
superfaturamento dos produtos.
.

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2.3.3.1.3 Culpabilidade
Não foi constatado que a Secretária de Administração estava respaldada,
em suas ações e omissões, por normas internas e pareceres técnicos e jurídicos, sendo,
portanto, razoável exigir dela, que diante da falta de procedimentos sistematizados de
controle dos processos de compras diretas, tivesse verificado a regularidade da seleção de
fornecedores, das cotações de preços e da efetivação da compra, já que uma simples
análise documental seria suficiente para detectar as evidentes anormalidades no processo
de compra que resultaram no superfaturamento da compra e o fizesse guiada pelos
princípios da probidade administrativa e eficiência.

2.3.3.2 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
PriscilaTalita da Cruz Leão Fornecedor

2.3.3.2.1 Conduta
Superfaturar produtos, quando deveria ter praticado preços do mercado
varejista para os produtos revendidos.

2.3.3.2.2 Nexo de causalidade


A revenda de produtos a preços superiores aos praticados pelo mercado
varejista, resultou em superfaturamento de preços.

2.3.4 Restituição de valores

Responsáveis (solidários) Data do Fato Gerador Valor (R$)


- Grasielli Wiesenhutter
11/05/2017 R$ 5.205,50
- Priscila Talita da Cruz Leão

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2.4 Inefetividade do controle da jornada dos servidores da Prefeitura, inviabiliza a
gestão do cumprimento da jornada e a apuração do seu descumprimento.

2.4.1 Classificação da irregularidade: EB 05.

2.4.2 Situação encontrada


Ao verificar o controle de jornada dos servidores da Secretaria de Saúde
(PSFs Urbanos, Hospital Dom Osvaldo e Centro de Especialidades Médicas) e das
Secretarias lotadas no prédio da Sede da Prefeitura (Administração, Finanças,
Planejamento e Gabinete), constatou-se a inefetividade do controle.
Para avaliar a efetividade do controle de jornada, a equipe técnica emitiu o
ofício nº 05/2017 (Doc. nº 300961/2017), solicitando ao RH os pontos e as folhas de
pagamento de junho a setembro de 2017, dos servidores das unidades citadas no parágrafo
anterior.
Foram apresentados apenas pontos da competência de setembro/2017 e
somente de PSFs (Docs. nº 28 a 36/2017), que analisados, constatou-se a ocorrência de
marcações com jornada “inglesa” – indicadas no quadro abaixo – que evidencia a
ineficiência do controle, já que o controle é manual e fica de posse dos próprios servidores.

AMOSTRA DE PONTOS COM "JORNADA


INGLESA" SETEMBRO DE 2017
Apêndice Páginas
300939 2-3-7-9-10-11-14-15
300943 1 a 12
300949 1a9
300950 4-7-8
300951 3-5-6-7-9-11-12-13-14-17
300952 1 e 4 a 24
300955 1a7
300958 2 a 8 e 11-12

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Nesses pontos entregues também foram encontrados dois que foram
apenas assinados pelos servidores, sem as marcações dos horários de entradas e saídas
(Doc. nº 300939, páginas 6 e 8).
Para avaliar o reflexo do controle de jornada na folha de pagamento, a
equipe técnica selecionou alguns servidores e solicitou os pontos e folhas de pagamento
deles, de janeiro a setembro de 2017, por meio do ofício nº 05/2017 (Doc. nº 300961/2017).
Ao analisar esses documentos, constatou-se a inexistência de ponto de algumas
competências, no entanto, a falta de ponto não impactou a folha de pagamento, que foi
processada como se os servidores tivessem trabalhado normalmente – as evidências estão
indicadas no quadro abaixo:

AMOSTRA DE PONTOS INEXISTENTES DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2017

Folha de Paga-
Competências mento corres-
Servidores
inexistentes pondente
(Apêndice)

Edna Maria Messershimidt Guerreiro 01-02-05-07 300923/2017


Paula Verônica Reis Costa 01-02-03-04-05-09 300927/2017
Rosa Maria Blanco Manzano 3 300928/2017
Solange Siqueira da Silva 01 a 06 300931/2017
Vilson Barbosa da Silva 01 a 06 e 08-09 300933/2017
Josy Cardoso Moraes 9 300935/2017

Diante do ofício emitido pela equipe técnica, a Secretária de Administração


declarou a inexistência de um controle efetivo de frequência dos servidores e de normas
internas regulamentadoras do controle de jornada na Prefeitura, conforme Doc. nº 300961,
página 5.

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Cabe relatar que durante o processo de levantamento, em maio/2017, a
equipe técnica realizou visitas nos PSFs Urbanos, Hospital Dom Osvaldo e Centro de
Especialidades Médicas e também, nas Secretarias lotadas no prédio da Sede da Prefeitura
(Administração, Finanças, Planejamento e Gabinete), - nos dias 29 e 30 – a fim de verificar
a presença dos servidores, com base na relação de lotações fornecida pelo setor de
recursos humanos (Doc. nº 300959/2017).
Nessa ocasião a equipe encontrou no setor de RH da Prefeitura um livro
de ponto à disposição dos servidores, sem qualquer gestão. Ao verificar os registros de
maio/2017, constatou-se falta de marcações, marcações antecipadas, registro de jornada
“inglesa” e servidores que sequer tinham folha de ponto aberta, evidenciado a inutilidade
do controle, pois não controla a presença, nem as faltas, nem os atrasos e sequer é utilizado
pelo RH no fechamento da folha de pagamento.
Já na Secretaria de Saúde, Centro de Especialidades Médicas, Hospital
Dom Osvaldo e PSFs Urbanos, foram encontradas folhas de ponto individuais, conforme
amostra (Doc. nº 300960/2017), e também constatou a ausência de marcações e a
ocorrência de marcações com jornada “inglesa”, ficando evidenciada a ineficiência do
controle, já que o controle é manual e fica de posse dos próprios servidores.

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Ao analisar os controles de pontos encontrados durante os procedimentos
de cumprimento de jornada, foram encontradas as seguintes situações:
Hos-
Secr. PSF PSF
Secr. pital PSF PSF
Irregularidade Gabi- Secr. Fi- Olho Olho % ir-
Pla- Dom Santa Cen- Total
detectada nete Adm. nan- D´Água D´Água reg.
nej. Os- Cruz tro
ças I II
valdo
Quantidade de
14 23 18 4 10 8 12 11 5 105 -
servidores
Servidores sem
6 5 7 2 7 0 1 1 1 30 29%
folha de ponto
Pontos incom-
pletos (sem re- 2 4 2 1 2 6 6 6 4 33 31%
gistro)
Ponto assinado
1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1%
sem a data
Assinatura an-
tecipada do 0 1 1 1 1 1 3 4 0 12 11%
ponto
Total de Irregu-
laridades no
9 10 10 4 10 7 10 11 5 76 72%
controle de jor-
nada
Ausentes na
data da verifi- 0 0 2 2 2 1 1 1 2 11 10%
cação

A análise realizada revela a inefetividade do controle das jornadas dos


servidores, que pode representar danos à Administração e à Sociedade, já que pode haver
pagamento integral de salários sem que as jornadas tenham sido cumpridas na sua
totalidade, associada à falta ou deficiente prestação dos serviços à população.
Cabe ressaltar que os cartões de ponto devem refletir a efetiva jornada de
cada servidor, bem como a apuração das horas trabalhadas aquém ou além da jornada
prevista para a função desempenhada e isso só é possível por meio da atuação conjunta
do gestor da Unidade e do setor de Recursos Humanos, para disciplinar e responsabilizar
os servidores pelo correto registro de suas jornadas, sob pena de penalidades e também
descontos em folha, por faltas, atrasos e saídas antecipadas, não justificadas ou
injustificáveis.

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Todo esse descontrole evidente, fruto da ausência de gestão da jornada
dos servidores, limita inclusive a possibilidade de mensuração dos danos à Administração,
já que não se pode concluir que a falta de marcações decorre do descumprimento de
jornada.
Por fim, cabe argumentar, que a inefetividade dos controles deve ser
combatida com base no princípio constitucional da eficiência, que impõe à Administração
Pública a adoção dos meios disponíveis que melhor satisfaçam o interesse público, portanto
é dever do gestor fazer uso dos avanços tecnológicos disponíveis na busca constante por
uma gestão eficiente.

2.4.3 Responsabilização

2.4.3.1 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
Thelma Pimentel Figueiredo de Oliveira Prefeito De 01/01/2017 a 31/12/2020

2.4.3.1.1 Conduta
Manter controle de jornada dos servidores ineficiente e permitir inclusive a
falta de qualquer controle da jornada, quando deveria ter implementado regras e
mecanismos de controle capazes de viabilizar uma gestão efetiva da jornada dos servidores
e garantir o cumprimento das jornadas de trabalho e a disponibilidade dos serviços públicos
à sociedade, em respeito ao dever de eficiência na gestão, conforme prevê o art. 37 da
Constituição Federal e 60 da Lei Orgânica Municipal de Chapada dos Guimarães.

2.4.3.1.2 Nexo de causalidade


A manutenção de controle ineficiente de jornada e também a falta de
controle, resultaram na má gestão da jornada dos servidores da Prefeitura, permitindo o
descontrole, facilitando o descumprimento de jornada e comprometendo a disponibilidade
dos serviços públicos.

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2.4.3.1.3 Culpabilidade
Não foi constatado que a Prefeita, nas suas ações e omissões, estava
respaldada por normas internas e pareceres técnicos e jurídicos, sendo, portanto, razoável
exigir dela a regulamentação e implementação de um mecanismo de controle de jornada
dos servidores, capaz de viabilizar a gestão da jornada de trabalho, de minimizar o seu
descumprimento, bem como de apurar eventuais faltas e atrasos injustificados e o seu
reflexo na folha de pagamento, e assim agisse, guiada pelo princípio da eficiência na gestão
dos recursos públicos, conforme prevê o art. 37 da Constituição Federal e 60 da Lei
Orgânica Municipal de Chapada dos Guimarães.

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2.5 Alunos da rede municipal de ensino faltam à escola devido à não prestação dos
serviços por empresas contratadas.

2.5.1 Classificação da irregularidade: HB 06 e HB 08

2.5.2 Situação encontrada


Ao solicitar os relatórios de fiscalização dos contratos de transporte escolar,
a Secretária de Educação apresentou um controle de frequência do transporte, feito pela
direção das escolas (Doc. nº 300962/2017) e informou ser por meio desse controle que ela
mesma fiscaliza a execução dos contratos.
Ao analisar uma amostra de tal controle, de março a maio/2017, a equipe
evidenciou o registro de falta de frequência do transporte, conforme demonstrado abaixo:

Total Evidência
Contratado Dias de serviço não prestado
de Dias Anexo nº Pág.
Erlan de 21/mar 22/mar 23/mar 24/mar 4 300962/2017 Pág. 2
Souza - ME 02/mai 03/mai 10/mai 11/mai 12/mai 13/mai 6 300962/2017 Pág. 15
Yvete 01/mar 02/mar 06/mar 27/mar 4 300962/2017 Pág. 4
Pereira de 17/abr 18/abr 19/abr 20/abr 4 300962/2017 Pág. 12
Araujo 16/mai 1 300962/2017 Pág. 14
Claudio
Luciano de
10/abr 28/abr 2 300962/2017 Pág. 9
Mendonça
ME
Transrodex
Transportes 18/abr 20/abr 2 300962/2017 Pág. 13
Ltda - ME
23
Fonte: amostra registro de falta de frequência do transporte de março a maio/2017

Nos três meses analisados ocorreram 23 faltas de transporte escolar, que


resultaram na falta dos alunos à escola, apesar dos valores terem sido descontados dos
contratados, houve prejuízo para a educação dos alunos.

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Os contratos de terceirização do serviço de transporte escolar vigentes,
levantados pela equipe junto à Secretaria de Educação, foram os seguintes:

Contratado Contrato Vigência R$/KM Qdade/KM Total Apêndice

187/2015 - 23/01/17 a 300968/2017


R$ 4,15 21.121 R$ 87.652,15
3º aditivo 23/01/18 págs. 1

188/2015 - 300968/2017
Não consta R$ 4,15 18.972 R$ 78.733,80 págs. 3
4º aditivo
Claudio Luciano de
Mendonça ME 300968/2017
191/2015 - 23/01/17 a
R$ 3,95 28.800 R$ 113.760,00 págs. 5
4º aditivo 23/01/18

21/03/17 a 300968/2017
20/2017 - - R$ 12.000,00 págs. 7
21/06/17

190/2015 - 24/01/17 a 300968/2017


R$ 3,94 32.832 R$ 129.358,08 págs. 12
4º aditivo 24/01/18

222/2015 - 24/01/17 a 300968/2017


Erlan de Sousa ME R$ 4,15 10.800 R$ 44.820,00
4º aditivo 24/01/18 págs. 14

06/03/17 a 300968/2017
13/2017 - - R$ 19.000,00 págs. 16
06/06/17

198/2015 - 10/01/17 a 300968/2017


R$ 4,68 36.136 R$ 169.378,56 págs. 24
Transrodex Transportes Ltda 3º aditivo 10/01/18
– ME 199/2015 - 10/01/17 a 300968/2017
R$ 4,68 35.136 R$ 164.436,48 págs. 26
3º aditivo 10/01/18

170/2015 - 11/01/17 a R$ 3,50 30.528 R$ 106.848,00 300968/2017


5º aditivo 11/01/18 págs. 30
R$ 3,74 24.960 R$ 93.350,40
Yvete Pereira de Araujo
189/2015 - 11/01/17 a 300968/2017
R$ 3,82 20.563 R$ 78.551,42 págs. 28
3º aditivo 11/01/18

TOTAL 259.848 R$ 1.097.888,89


Fonte: Contrato de terceirização do serviço de transportes escolares

23
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Ao analisar as cláusulas contratuais de oito contratos, foi encontrada
previsão de substituição de veículo pela contratada em caso de acidente ou defeito
mecânico e também, previsão de rescisão incluindo a aplicação de multa, pelo
descumprimento de quaisquer cláusulas dos contratos, que deveriam ter sido exigidas e
aplicadas pela administração, nesse caso pela Secretária de Educação, gestora dos
contratos:

CLÁUSULA OITAVA – DAS PENALIDADES

PARÁGRAFO PRIMEIRO

Em caso de falta por defeito mecânico do veículo, o CONTRATADO deverá, por


sua conta, suprir a Linha Contratada com veículo similar, por um período de até 30
(trinta) dias, evitando-se prejuízos aos alunos por ele transportados e informar ao
CONTRATANTE com antecedência sobre a troca do veículo, em razão da necessi-
dade de reparos ou por quaisquer outros motivos, que justifiquem a substituição.

CLÁUSULA NONA – DA RESCISÃO

A rescisão deste contrato ocorrerá quando:

I – Por ato unilateral e escrito da Administração Pública, desde que, o CONTRA-


TADO deixe de cumprir quaisquer das cláusulas deste CONTRATO, ou além dos
motivos elencados para as rescisões constantes do artigo 78, da Lei nº 8.666/93,
com suas alterações, inclusive com a aplicação da multa de 2% (dois por cento)
sobre o valor da Nota de Empenho;

Tais previsões contratuais estão evidenciadas nos seguintes apêndices, e


nas páginas respectivas:

Contratado Contrato Apêndice Páginas

187/2015 300975/2017 3e4


Claudio Luciano de
Mendonça ME 188/2015 300976/2017 3e4
191/2015 300978/2017 3e4
190/2015 300983/2017 3e4
Erlan de Sousa ME
222/2015 300985/2017 3e4
Transrodex Transp. Ltda – 198/2015 300986/2017 3e4
ME 199/2015 300989/2017 3e4
Yvete Pereira de Araújo 189/2015 300993/2017 3e4

24
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Em outros dois contratos, nº 20/2017 e 13/2017, foram encontradas as
seguintes previsões (Docs. Nº 300971, págs. 2 e 4-5 e 300980/2017, págs. 2 e 6-7):

CLÁUSULA III – DAS OBRIGAÇÕES

3.1 DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA

d) substituir o veículo locado no prazo máximo de 02 (duas) horas no caso de aci-


dente, ou defeitos mecânicos, que demandem um tempo maior para sua manuten-
ção. O veículo substituído deverá possuir as mesmas características do veículo ori-
ginal incluindo o ano de fabricação;

CLÁUSULA VII – DAS PENALIDADES

7.1 O descumprimento, total ou parcial, das obrigações assumidas caracterizará a


inadimplência, sujeitando a CONTRATADA às sanções inumeradas no artigo 87 da
Lei Federal 8666/93 e alterações e às multas previstas neste instrumento:

a) Advertência.

b) Multas

7.2 Multa correspondente a 5,0% (cinco por cento) do valor da Ordem de Serviço,
pelas seguintes infrações:

a) não cumprimento dos horários pactuados;

b) pela apresentação de veículos e pessoal não adequado ou capacitado para o


bom desempenho dos serviços, conforme Código Brasileiro de Trânsito;

(...)

7.3 Multa correspondente a de 5,0% (cinco por cento) do valor do contrato, pelas
seguintes infrações:

a) Inobservância ao prazo estabelecido para execução;

b) Inobservância ao nível de qualidade dos serviços;

(...)

25
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Já, o contrato nº 170/2015 (Doc. nº 300992/2017) e seu 5º aditivo (Doc. nº
300968/2017, págs. 30 e 31), não fazem qualquer previsão para as ocorrências de acidente
ou defeitos que comprometam o transporte dos alunos, mas preveem a rescisão contratual
pela inexecução total ou parcial do contrato (Doc. nº 300992/2017, pág.3, item 10.1.3).
Pela análise feita tanto das faltas de frequência do transporte escolar
ocorridas, quanto das cláusulas contratuais, conclui-se que a falta de prestação de serviço
não poderia ter ocorrido, já que havia previsão contratual para a substituição de veículos
em caso de ocorrências que comprometessem a prestação dos serviços, por meio dos
veículos titulares, portanto, a Secretária de Educação tinha o dever de exigir o cumprimento
das cláusulas contratuais que justamente visam proteger e garantir a disponibilidade do
transporte escolar aos alunos.

2.5.3 Responsabilização

2.5.3.1 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
Hellen Cristina Xavier Moreira Secretária de Educação A partir de 01/01/2017

2.5.3.1.1 Conduta
Não exigir o pleno cumprimento das cláusulas contratuais pelas
contratadas de transporte escolar, quando deveria ter exigido a substituição de veículos
inoperantes, conforme preveem as cláusulas oitava dos contratos nº 187-188-189-190-191-
198-199 e 222/2015 e, terceira dos contratos 13 e 20/2017.
Omitir-se do dever contratual de penalizar as contratadas diante da
inexecução parcial do contrato, quando deveria ter aplicado as penalidades
contratualmente previstas para o descumprimento de quaisquer cláusulas, conforme
preveem as cláusulas nona dos contratos nº 187-188-189-190-191-198-199 e 222/2015,

26
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sétima dos contratos 13 e 20/2017 e décima do contrato nº 170/2015.

2.5.3.1.2 Nexo de causalidade


A não exigência da substituição de veículos inoperantes, conforme previsto
nas cláusulas contratuais oitavas dos contratos nº 187-188-189-190-191-198-199 e
222/2015 e, terceiras dos contratos 13 e 20/2017, resultou na não prestação do serviço de
transporte escolar em 23 dias no período analisado, de março a maio de 2017, resultando
na falta dos alunos à escola nesses dias.
A não aplicação das penalidades contratualmente previstas pela
inexecução parcial dos contratos, resultou na falta de prestação dos serviços de transporte
escolar e, consequentemente, na falta dos alunos à escola, em 23 dias no período
analisado, de março a maio de 2017.

2.5.3.1.3 Culpabilidade
Não foi constatado que a Secretária de Educação estava respaldada por
normas internas e pareceres técnicos e jurídicos, sendo, portanto, razoável exigir dela, que
exigisse das empresas de transporte escolar contratadas, a substituição dos veículos
inoperantes, conforme previsto nas cláusulas contratuais oitavas dos contratos nº 187-188-
189-190-191-198-199 e 222/2015 e, terceiras dos contratos 13 e 20/2017, a fim de garantir
a plena prestação dos serviços e assegurar o transporte escolar dos alunos às escolas,
uma vez que tinha acesso ao controle de frequência do transporte, feito pela direção das
escolas e os utilizava para fiscalizar a execução dos contratos, inclusive descontando o
valor correspondente aos dias de serviços não prestados pelas contratadas, portanto ela
tinha o dever de já na primeira ocorrência de falta agir para evitar reincidências.
Não foi constatado que a Secretária de Educação estava respaldada por
normas internas e pareceres técnicos e jurídicos, sendo, portanto, razoável exigir dela, que
aplicasse as penalidades previstas nas cláusulas contratuais nona dos contratos nº 187-
188-189-190-191-198-199 e 222/2015, sétima dos contratos 13 e 20/2017 e décima do
contrato nº 170/2015, pelo descumprimento das cláusulas contratuais oitavas dos contratos

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nº 187-188-189-190-191-198-199 e 222/2015 e, terceiras dos contratos 13 e 20/2017, que
resultou na falta de prestação de serviços de transporte escolar e consequente falta dos
alunos à escola, em 23 dias no período de março a maio de 2017, já que tinha ciência
dessas ocorrências através do controle de frequência do transporte, feito pela direção das
escolas, utilizado inclusive por ela para fiscalizar a execução dos contratos e o fizesse, a
fim de garantir a plena prestação dos serviços e assegurar o transporte escolar dos alunos
às escolas.

2.5.3.2 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
1. Erlan de Souza – ME
2. Yvete Pereira de Araújo
Empresas Contratadas 01/03/2017 a 31/05/2017
3. Claudio Luciano de Mendonça – ME
4. Transrodex Transportes Ltda - ME

2.5.3.2.1 Conduta
Deixar de prestar os serviços de transporte escolar, quando deveria ter
substituído os veículos inoperantes, suprindo as linhas contratadas, conforme previsto nas
cláusulas contratuais oitavas dos contratos nº 187-188-189-190-191-198-199 e 222/2015 e,
terceiras dos contratos 13 e 20/2017.
Contratado Contrato
Claudio Luciano de Mendonça ME 187-188-191/2015 e 20/2017
Erlan de Sousa ME 190-222/2015 e 13/2017
Transrodex Transportes Ltda – ME 198-199/2015
Yvete Pereira de Araújo 170/2015

2.5.3.2.2 Nexo de causalidade


A não substituição dos veículos inoperantes, resultou na falta dos alunos à
escola em 23 dias no período analisado, de março a maio de 2017.

28
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2.5.3.2.3 Culpabilidade
É razoável exigir das empresas contratadas que tivessem substituído os
veículos inoperantes, conforme previsto nas cláusulas contratuais oitavas dos contratos nº
187-188-189-190-191-198-199 e 222/2015 e, terceiras dos contratos 13 e 20/2017, a fim
de garantir a plena execução dos serviços e assegurar o transporte dos alunos às escolas.

29
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2.6 Falta de profissionais deixa equipamentos de Raio X e de Ultrassom ociosos há
mais de 2 anos e população precisa deslocar-se para outro munícipio para realizar
exames.

2.6.1 Classificação da irregularidade: BB 99 e NB 15

2.6.2 Situação encontrada


Ao realizar inspeção física no Hospital Dom Osvaldo, constatou-se a
ociosidade do equipamento de Raio X, conforme fotos (Doc. nº 300996/2017).
Em resposta ao Ofício da equipe técnica, nº 01/2017, o Diretor do Hospital
declarou que tal serviço foi descontinuado em meados de 2015, pelo encerramento do
contrato com a empresa prestadora dos serviços e que desde então o equipamento
encontra-se parado e que tal situação é do conhecimento da atual gestão desde o processo
de transição de governo, no final de 2016. Declarou também que em 31/08/2017 foi
realizado um pregão presencial para aquisição de um novo equipamento de Raio X, tendo
como vencedora do certame, a empresa Lotus Indústria Ltda (Doc. nº 300994/2017)
Já a Secretária de Saúde, em resposta ao ofício da equipe técnica, nº
03/2017, declarou apenas a realização da licitação para aquisição de um novo equipamento,
via emenda federal, que será instalada na UPA, que depende unicamente da ligação da
energia elétrica e que estuda com o Procurador do município, a possibilidade de um aditivo
com a empresa que já realizava os exames.
Vê-se claramente a inércia e omissão da Administração, mantendo um
equipamento ocioso por mais de dois anos, pela falta de quem operá-lo, impactando
diretamente no atendimento dos pacientes, pelo aumento do tempo de diagnóstico dos
traumas, pelos deslocamentos e novos riscos decorrentes deles, além de sobrecarregar o
sistema de atendimento de outro município, que absorveu a demanda de Chapada dos
Guimarães, desde a paralisação dos exames.

30
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A Secretária de Saúde, além de nada ter feito para pôr fim à ociosidade do
equipamento, informou a aquisição de um novo equipamento, apesar da causa da não
disponibilização do serviço ser a falta de operador do Raio X, portanto, esse é o problema
que deveria ter sido atacado urgentemente desde que assumiu a Secretaria.
A omissão da gestão da saúde fica caracterizada, já que desde o processo
de transição de governo, no final de 2016, a situação era conhecida, portanto estava
diagnosticado o problema, mas decorridos 10 meses da nova gestão, os equipamentos
continuam ociosos, à espera de quem possa operá-los, enquanto a população precisa
deslocar-se para outro município para receber o atendimento.
Situação similar, foi encontrada em relação ao equipamento de Ultrassom,
disponível no Centro de Especialidades Médicas do município, que conforme declarado
pela Secretária de Saúde, “os exames de ultrassom não estão sendo realizados ainda, pois
não tínhamos a disponibilidade de contratar um profissional, iremos contratar uma empresa
para realizar os exames com o nosso equipamento revisado e pronto para uso” (Doc. nº
300994/2017).
A situação encontrada revela a falta de planos de ação concretos diante
das situações diagnosticadas durante o processo de transição de governo, já que 10 meses
de gestão se passaram e a então solução de contratar uma empresa para operar o Raio X
não foi executada, o que revela a inércia e ineficiência da gestão pública, subutilizando
recursos públicos disponíveis e comprometendo a qualidade dos serviços públicos
disponibilizados à população.

2.6.3 Responsabilização

2.6.3.1 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
Patrícia Dourado Neves Secretária de Saúde A partir de 09/03/2017

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2.6.3.1.1 Conduta
Não tomar providências para pôr em funcionamento os equipamentos de
Raio X e de Ultrassom, quando deveria ter providenciado profissionais habilitados para
operá-los, acabando com a ociosidade dos equipamentos e garantindo o atendimento à
população no próprio município, gerindo os recursos públicos com a eficiência esperada e
exigida do gestor pela Lei Orgânica Municipal, Emenda nº 002/2006, em seu art. 60.

2.6.3.1.2 Nexo de causalidade


A não providência de profissionais habilitados para operar os equipamentos
de Raio X e Ultrassom, resultou na ociosidade dos equipamentos e inviabilizou a realização
dos exames no próprio município.

2.6.3.1.3 Culpabilidade
Não foi constatado que a Secretária de Saúde, nas suas ações e omissões,
estava respaldada por normas internas e pareceres técnicos e jurídicos, sendo, portanto,
razoável exigir dela, que tivesse tomado as providências necessárias para acabar com a
ociosidade dos equipamentos de Raio X e Ultrassom, providenciando os profissionais
habilitados para operá-los, já que tal situação era do conhecimento da atual gestão, desde
o processo de transição de governo, no final de 2016, a fim de garantir a plena utilização
dos recursos de saúde disponíveis em prol da população local, agilizando os diagnósticos,
disponibilizando os exames no próprio município, evitando o desconforto e riscos
decorrentes de deslocamentos, além de não sobrecarregar o sistema de atendimento de
outro município e assim atuasse, guiada pelo princípio da eficiência na utilização dos
recursos públicos, exigido do gestor pela Lei Orgânica Municipal, Emenda nº 002/2006, em
seu art. 60.

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2.7 Instalação elétrica inadequada deixa equipamentos odontológicos ociosos e
deixa a população sem atendimento no PSF Santa Cruz.

2.7.1 Classificação da irregularidade: BB 99 e NB 15

2.7.2 Situação encontrada


Ao realizar inspeção física no PSF Santa Cruz, encontrou-se cadeira de
dentista “nova” ociosa, por falta de instalações elétricas adequadas.
Em resposta ao Ofício da equipe técnica, nº 02/2017, a Enfermeira,
responsável pelo PSF, declarou: “não está acontecendo os serviços odontológicos devido
à falta de estrutura do local (instalação elétrica precária). Afirmou ainda, que tal situação
“foi comunicado a Secretaria Municipal de saúde, que está providenciando a transferência
da equipe do Centro de Saúde para outro local provisoriamente”. Declarou também estar
em tramitação uma emenda parlamentar para a reforma do prédio (Doc. nº 301004/2017).
Já a Secretária de Saúde, em resposta ao ofício da equipe técnica, nº
03/2017, também declarou os mesmos motivos declarados pela enfermeira responsável
pelo PSF e acrescentou que todas as vezes que a cadeira de dentista era usada havia
queda de energia e que durante a reforma do prédio a unidade será transferida para um
anexo do Hospital Dom Osvaldo.
Ora, se a solução é a transferência do PSF para local anexo ao Hospital
Dom Osvaldo, por que aguardar o início da reforma para realizá-la? Ainda mais sabendo
que há serviços não sendo prestados, justamente pela precariedade das instalações atuais!
Também, sequer foi apresentado laudo de eletricista apontando a impossibilidade de
melhoria na rede elétrica da unidade, que pudesse garantir o funcionamento da cadeira de
dentista!
Fato é que a equipe técnica visitou a unidade em maio e retornou em
outubro e o PSF continuava sem oferecer os serviços odontológicos e aí cabe a pergunta,
por que tanta morosidade em tomar as medidas já sabidas para antecipar a disponibilidade
dos serviços?

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Onde está o planejamento da nova gestão e o diagnóstico da situação da
saúde no município, com os planos de ação e cronograma de execução, que justamente
pudessem ser apresentados agora, como forma de responder os porquês de alguns
problemas ainda persistirem, se por questão de ordem de prioridades ou outros
impedimentos justificáveis.
A escassez de argumentos, a falta de diagnóstico e de planos concretos e
o excesso de promessas, permitem a conclusão de que a gestão caminha a reboque da
provocação e do controle externo para pôr à disposição da população todos os recursos
disponíveis.

2.7.3 Responsabilização

2.7.3.1 Responsável:
Nome Cargo Período de exercício
Patrícia Dourado Neves Secretária de Saúde A partir de 09/03/2017

2.7.3.1.1 Conduta
Não tomar providências para pôr em funcionamento a cadeira de dentista
do PSF Santa Cruz, quando deveria ter viabilizado a melhoria das instalações elétricas da
unidade de saúde ou ter promovido a transferência para local adequado, para garantir o
funcionamento de todos os equipamentos necessários para a prestação dos serviços,
acabando com a ociosidade da cadeira de dentista e garantindo o atendimento odontológico
à população no PSF, gerindo os recursos públicos com a eficiência esperada e exigida do
gestor pela Lei Orgânica Municipal, Emenda nº 002/2006, em seu art. 60.

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2.7.3.1.2 Nexo de causalidade
A não adoção de medidas para garantir instalações elétricas adequadas no
PSF Santa Cruz, resultou na ociosidade da cadeira de dentista e inviabilizou os serviços
odontológicos no PSF.

2.7.3.1.3 Culpabilidade
Não foi constatado que a Secretária de Saúde, nas suas ações e omissões,
estava respaldada por normas internas e pareceres técnicos e jurídicos, sendo, portanto,
razoável exigir dela, que tivesse tomado as providências necessárias para acabar com a
ociosidade da cadeira de dentista do PSF Santa Cruz, promovendo a melhoria na rede
elétrica ou transferindo a unidade de saúde para local adequado, já que tal situação era do
conhecimento da gestora, a fim de garantir a plena utilização dos recursos de saúde
disponíveis no PSF e de assegurar a disponibilização dos serviços odontológicos à
população no próprio bairro e assim deveria ter atuado, guiada pelo princípio da eficiência
na utilização dos recursos públicos, exigido do gestor pela Lei Orgânica Municipal, Emenda
nº 002/2006, em seu art. 60.

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3. CONCLUSÃO
Considerando a previsão constante nos artigos 224, inciso II, alínea “a” e
225 da Resolução nº 14/2007 – TCE/MT e, em observância ao princípio do contraditório e
da ampla defesa, assegurado pelo artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988,
sugere-se a citação dos responsáveis abaixo, com base no art. 256, § 1º do Regimento
Interno do TCE/MT, para que se manifestem quanto as irregularidades elencadas nos autos,
sob pena de revelia e/ou confissão:

Achado de Auditoria
Responsável
Nº Resumo
O não provimento dos cargos de contador e controlador interno
1. Lisu Koberstain 2.1 por meio de concurso público, desrespeita determinações do
TCE-MT, súmulas nº 02 e 08.
O não provimento dos cargos de contador e controlador interno
2.1 por meio de concurso público, desrespeita determinações do
2. Thelma Pimentel Figueiredo de TCE-MT, súmulas nº 02 e 08.
Oliveira Inefetividade do controle da jornada dos servidores da
2.4 Prefeitura, inviabiliza a gestão do cumprimento da jornada e a
apuração do seu descumprimento.
Taxas de embarque cobradas dos usuários do Terminal
Rodoviário Chico Moreira no período de janeiro a maio de 2017,
3. Expresso Rubi Ltda 2.2
não são arrecadadas em sua totalidade, devido a falhas no
processo de arrecadação.
Taxas de embarque cobradas dos usuários do Terminal
Rodoviário Chico Moreira no período de janeiro a maio de 2017,
4. Rápido Chapadense 2.2
não são arrecadadas em sua totalidade, devido a falhas no
processo de arrecadação.
Taxas de embarque cobradas dos usuários do Terminal
Rodoviário Chico Moreira no período de janeiro a maio de 2017,
5. José Martinho Filho 2.2
não são arrecadadas em sua totalidade, devido a falhas no
processo de arrecadação.
Superfaturamento na compra direta de produtos da fornecedora
6. Grasielli Wiesenhutter 2.3
Priscila Talita da Cruz Leão - Nota Fiscal nº 3545496.
Superfaturamento na compra direta de produtos da fornecedora
7. Priscila Talita da Cruz Leão 2.3
Priscila Talita da Cruz Leão - Nota Fiscal nº 3545496.
Alunos da rede municipal de ensino faltam à escola devido à não
8. Hellen Cristina Xavier Moreira 2.5
prestação dos serviços por empresas contratadas.
Alunos da rede municipal de ensino faltam à escola devido à não
9. Erlan de Souza – ME 2.5
prestação dos serviços por empresas contratadas.
10. Yvete Pereira de Araújo 2.5 Alunos da rede municipal de ensino faltam à escola devido à não

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prestação dos serviços por empresas contratadas.
11. Claudio Luciano de Alunos da rede municipal de ensino faltam à escola devido à não
2.5
Mendonça - ME prestação dos serviços por empresas contratadas.
12. Transrodex Transportes Ltda Alunos da rede municipal de ensino faltam à escola devido à não
2.5
– ME prestação dos serviços por empresas contratadas.
Falta de profissionais deixa equipamentos de Raio X e de
2.6 Ultrassom ociosos há mais de 2 anos e população precisa
deslocar-se para outro munícipio para realizar exames.
13. Patrícia Dourado Neves
Instalação elétrica inadequada deixa equipamentos
2.7 odontológicos ociosos e deixa a população sem atendimento no
PSF Santa Cruz.

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