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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO CEARÁ

PRESTAÇÃO DE CONTAS Nº 0602365-74.2018.6.06.0000


ORIGEM: FORTALEZA - CE
RELATOR: JUIZ DAVID SOMBRA PEIXOTO
REQUERENTE: FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO MAPURUNGA
ADVOGADO: Walber Nogueira da Silva

EMENTA: ELEIÇÕES 2018. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE


CAMPANHA. RECEBIMENTO DE RECURSOS DE ORIGEM
NÃO IDENTIFICADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. RECURSOS
DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE
CAMPANHA (FEFC) UTILIZADOS DE FORMA
IRREGULAR. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE
RECIBOS ELEITORAIS. OMISSÃO DE RECEITAS E
GASTOS ELEITORAIS. FALHAS GRAVES E INSANÁVEIS.
DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS.

1. Tratam os autos de Prestação de Contas de FRANCISCO


ALEXANDRE DOURADO MAPURUNGA, candidato ao cargo de
Deputado Estadual nas eleições de 2018, em cumprimento à Lei nº
9.504/97, regulamentada pela Resolução TSE nº 23.553/2017, a qual
dispõe sobre a arrecadação e os gastos de recursos por partidos
políticos e candidatos e sobre a prestação de contas nas eleições.

2. Em sede de Parecer Técnico Conclusivo, a Secretaria de Controle


Interno deste Tribunal, após analisar a documentação acostada pelo
requerente, manifestou-se pela desaprovação de suas contas,
constatando as seguintes irregularidades: (i) ausência de recibos
eleitorais e de documentos de comprovação de doações estimáveis
em dinheiro; (ii) recebimento de recursos de origem não identificada,
no valor de R$ 12.438,72 (doze mil e quatrocentos e trinta e oito
reais e setenta e dois centavos); (iii) omissão de receitas e gastos
eleitorais; e (iv) despesas realizadas com recursos do Fundo Especial
de Financiamento de Campanha (FEFC) sem recibo de pagamento e
em data posterior à eleição.

3. Inicialmente, quanto à ausência de recibos eleitorais e de


documentos de comprovação de doações estimáveis em dinheiro,
verifico que o candidato deixou de apresentar a documentação
obrigatória exigida pela legislação eleitoral, nos termos do art. 56 da
Resolução TSE nº 23.553/2017, caracterizando falha de natureza

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Número do documento: 19020114141903100000001137857
grave, que compromete a lisura e a confiabilidade das contas
apresentadas. Precedente TSE.

4. Quanto ao recebimento de recursos de origem não identificada, no


valor de R$ 12.438,72 (doze mil e quatrocentos e trinta e oito reais e
setenta e dois centavos), verifico que tais valores tratam-se de
doações recebidas de outros candidatos ou partidos políticos, mas
não registradas pelos doadores em suas prestações de contas à Justiça
Eleitoral. 4.1 Contudo, a despeito do candidato não ter apresentado o
recibo eleitoral ou o termo de doação referente à doação recebida,
verifico que o interessado registrou a mencionada doação em sua
prestação de contas – cujo doador é o próprio diretório estadual do
partido vinculado ao candidato - , bem como acostou o comprovante
de transferência bancária atestando o recebimento dos valores,
consoante se depreende dos documentos acostados aos autos (Id nºs
337727 e 904477). 4.2 Desta feita, considerando que no presente
caso há a devida identificação da origem e do destino dos valores
concernentes à doação, entendo que não seria o caso de configuração
de recebimento de recursos de origem não identificada e, por
conseguinte, entendo inaplicável o disposto no art. 34 da Resolução
TSE nº 23.553/2017. 4.3 Ad cautelam, considerando que o processo
de prestação de contas de campanha do Partido Socialismo e
Liberdade – PSOL (PC nº 0602154-38.2018.6.06.0000), ainda está
tramitando nesta egrégia Corte Regional, determino que a Secretaria
Judiciária oficie o eminente Relator do feito para tomar
conhecimento acerca da ausência do registro de doação feita pela
referida agremiação partidária em favor do candidato, Sr. Francisco
Alexandre Dourado Mapurunga.

5. Quanto à omissão de receitas e gastos eleitorais, verifico a


presença de despesas realizadas com combustíveis sem o
correspondente registro de locações, cessões de veículos ou
publicidade com carro de som, totalizando o valor de R$ 2.745,08
(dois mil e quarenta e cinco reais e oito centavos), caracterizando
omissão de natureza grave, que compromete a fiscalização das contas
por parte da Justiça Eleitoral. 5.1. Ademais, foram identificadas
divergências entre as informações relativas às despesas, constantes
da prestação de contas, e aquelas constantes da base de dados da
Justiça Eleitoral. Consoante Parecer Técnico Conclusivo (id.
1083527), “para a despesa referente a nota fiscal eletrônica de
serviços número 04135904, da Prefeitura Municipal de São Paulo, no
valor de R$ 395,92 não foi apresentado o recibo de pagamento,
porém no lançamento da despesa o candidato fez referência a uma
transferência no valor de R$ 500,00 em 21/09/2018”. 5.2 No mesmo
sentido, foram identificadas omissão de despesas, referentes às notas
fiscais nº 140, 15948 e 26274, equivalentes a R$ 350,00 (trezentos e
cinquenta reais), R$ 1.650 (um mil seiscentos e cinquenta reais) e R$
2.800,00 (dois mil e oitocentos), respectivamente. 5.3 Assim, tendo
em vista que as irregularidades acima apontadas totalizam o
montante de R$ 8.441,00 (oito mil quatrocentos e quarenta e um
reais), representando cerca 53% (cinquenta e três por cento) do total
de gastos efetuados pelo candidato, o que torna inaplicáveis os
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade no presente caso.

6. Por fim, o Parecer Técnico da Secretaria de Controle Interno desta


egrégia Corte aponta uma outra irregularidade, qual seja, a presença
de despesas realizadas com recursos do Fundo Especial de

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Financiamento de Campanha (FEFC) sem recibo de pagamento e em
data posterior à eleição, no valor de R$ 150,00 (cento e cinquenta
reais). 6.1 Analisando atentamente os autos, verifico que, de fato,
houve a realização de despesas de impressão em braille, no valor de
R$ 150,00 (cento e cinquenta reais), cujo fornecedor é a Associação
de Cegos do Estado do Ceará – ACEC, consoante leitura da NF nº
194, acostada no Id nº 904477. É salutar registrar, consoante bem
asseverado pela Secretaria de Controle Interno desta egrégia Corte
(parecer de Id nº 1083527), que embora conste na transferência
bancária como identificação do destino do importe de R$ 150,00
(cento e cinquenta reais) apenas “Associação de”, é plausível que se
refira a Associação de Cegos do Estado do Ceará – ACEC. 6.2
Ademais, como salientado pela Secretaria de Controle Interno desta
egrégia Corte, a referida nota fiscal tem data de emissão em
10/10/2018, após a data da eleição; contudo, entendo que é prática do
mercado – dada a dinamicidade dos negócios – que eventualmente a
nota fiscal possa ser emitida em data posterior. Precedentes.

7. Contas desaprovadas.

8. Determinação de remessa da cópia de todo o processo ao


Ministério Público Eleitoral, nos termos do art. 84 da Resolução
TSE n.º 23.553/2017.

ACORDAM os Membros do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, por unanimidade, em julgar as contas desaprovadas, nos
termos do voto do(a) Relator(a).

Fortaleza, 23/01/2019

JUIZ(A) DAVID SOMBRA PEIXOTO

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO CEARÁ

PRESTAÇÃO DE CONTAS Nº 0602365-74.2018.6.06.0000


ORIGEM: FORTALEZA - CE
RELATOR: JUIZ DAVID SOMBRA PEIXOTO

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Número do documento: 19020114141903100000001137857
REQUERENTE: FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO MAPURUNGA
ADVOGADO: Walber Nogueira da Silva

RELATÓRIO

Tratam os autos de Prestação de Contas de FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO


MAPURUNGA, candidato ao cargo de Deputado Estadual nas eleições de 2018, em cumprimento à Lei nº
9.504/97, regulamentada pela Resolução TSE nº 23.553/2017, a qual dispõe sobre a arrecadação e os gastos de
recursos por partidos políticos e candidatos e sobre a prestação de contas nas eleições.

Em sede de Parecer Técnico Conclusivo (id. 1083527), a Secretaria de Controle Interno deste
Tribunal opinou pela desaprovação das contas de campanha, em razão da existência das seguintes irregularidades:
(i) ausência de recibos eleitorais e de documentos de comprovação de doações estimáveis em dinheiro; (ii)
recebimento de recursos de origem não identificada, no valor de R$ 12.438,72 (doze mil e quatrocentos e trinta e
oito reais e setenta e dois centavos); (iii) omissão de receitas e gastos eleitorais; e (iv) despesas realizadas com
recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) sem recibo de pagamento e em data posterior à
eleição.

A Procuradoria Regional Eleitoral desta egrégia Corte, em sede de parecer(id. 1108827),


manifestou-se pela desaprovação das contas, nos termos do Parecer Técnico Conclusivo da Secretaria de Controle
Interno deste Tribunal.

É o relatório.

DAVID SOMBRA PEIXOTO

Juiz Relator

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO CEARÁ

PRESTAÇÃO DE CONTAS Nº 0602365-74.2018.6.06.0000


ORIGEM: FORTALEZA - CE
RELATOR: JUIZ DAVID SOMBRA PEIXOTO
REQUERENTE: FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO MAPURUNGA
ADVOGADO: Walber Nogueira da Silva

VOTO

Conforme relatado, tratam os autos de prestação de FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO


MAPURUNGA, candidato ao cargo de Deputado Estadual nas eleições de 2018.

Em sede de Parecer Técnico Conclusivo (id. 1083527), a Secretaria de Controle Interno deste Tribunal,
após analisar a documentação acostada pelo requerente, manifestou-se pela desaprovação de suas contas
, constatando as seguintes irregularidades: (i) ausência de recibos eleitorais e de documentos de
comprovação de doações estimáveis em dinheiro; (ii) recebimento de recursos de origem não identificada,
no valor de R$ 12.438,72 (doze mil e quatrocentos e trinta e oito reais e setenta e dois centavos); (iii)
omissão de receitas e gastos eleitorais; e (iv) despesas realizadas com recursos do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) sem recibo de pagamento e em data posterior à eleição.

Transcrevo abaixo o parecer da SCI:

“1. FORMALIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

1.2. Peças integrantes:

Não foram apresentadas as seguintes peças obrigatórias que devem integrar a


prestação de contas (art. 56 da Resolução TSE nº 23.553/2017):

. Recibos eleitorais utilizados;

. Documentos de comprovação das doações estimáveis

2. RECEBIMENTO DE RECURSOS DE ORIGEM NÃO


IDENTIFICADA (ART. 34 DA RESOLUÇÃO TSE N° 23.553/2017)

2.1. Foram declaradas doações recebidas de outros candidatos ou partidos


políticos, mas não registradas pelos doadores em suas prestações de contas à
Justiça Eleitoral, revelando indícios de recebimento de recursos de origem
não identificada, nos termos do art. 34 da Resolução TSE nº 23.553/2017:

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Número do documento: 19020114141903100000001137857
CPF/CNPJ DOADOR UF/MUNICÍPIO FONTE ESPÉCIE
VALOR
(R$)1

Direção
08.769.121/ Estadual/Distrital CE - Transferência
- FEFC 12.438,72
0001-04 CEARÁ eletrônica
PSOL

1Valor total das doações recebidas

2Representatividade das doações em relação ao valor total

3. OMISSÃO DE RECEITAS E GASTOS ELEITORAIS (ART. 56 DA


RESOLUÇÃO TSE N° 23.553/2017)

3.1. Existem despesas realizadas com combustíveis sem o correspondente


registro de locações, cessões de veículos ou publicidade com carro de som.

DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS

TIPO DE N º DO
DATA CPF/CNPJ FORNECEDOR
DOCUMENTO DOCUMENTO

VIA SUL COM.


11.006.687/0001 000004527-
COMBUSTIVEIS
25/09/2018 Nota Fiscal
-99 E
EIRELI

VIA SUL COM.


11.006.687/0001 000004592-
COMBUSTIVEIS
06/10/2018 Nota Fiscal
-99 E
EIRELI

3.2. Foram identificadas as seguintes divergências entre as informações


relativas às despesas, constantes da prestação de contas, e aquelas constantes
da base de dados da Justiça Eleitoral, obtidas mediante circularização e/ou
informações voluntárias de campanha e/ou confronto com notas fiscais
eletrônicas de gastos eleitorais, revelando indícios de omissão de gastos
eleitorais, infringindo o que dispõe o art. 56, I, g, da Resolução TSE n.
23.553/2017:

DADOS INFORMADOS/OBTIDOS (CIRCULARIZAÇÃO E/OU INFORMAÇÕES


VOLUNTÁRIAS DE

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CAMPANHA E/OU CONFRONTO COM NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS DE
GASTOS ELEITORAIS)

N º DA
NOTA
FONTE DA
VALOR
DATA CPF/CNPJ FORNECEDOR FISCAL
(R$)
OU INFORMAÇÃO

RECIBO

FACEBOOK

SERVICOS
05/10/2018 13.347.016/0001-17 4135904 395,92 NFE
ONLINE DO

BRASIL LTDA.

DADOS DECLARADOS NA PRESTAÇÃO DE CONTAS EM


EXAME

N º DA
NOTA
FISCAL VALOR
DATA CPF FORNECEDOR
(R$)
O U
RECIBO

FACEBOOK
SERVIÇOS
05/10/2018 13.347.016/0001-17 04135904 500,00
ONLINE DO
BRASIL LTDA

Para a despesa referente a nota fiscal eletrônica de serviços número


04135904, da Prefeitura Municipal de São Paulo, no valor de R$ 395,92 não
foi apresentado o recibo de pagamento, porém no lançamento da despesa o
candidato fez referência a uma transferência no valor de R$ 500,00 em
21/09/2018.

3.3 Foram identificadas as seguintes omissões relativas às despesas


constantes da prestação de contas em exame e aquelas constantes da base de
dados da Justiça Eleitoral, obtidas mediante circularização e/ou informações

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voluntárias de campanha e/ou confronto com notas fiscais eletrônicas de
gastos eleitorais, revelando indícios de omissão de gastos eleitorais,
infringindo o que dispõe o art. 56, I, g, da Resolução TSE n. 23.553/2017:

DADOS OMITIDOS NA PRESTAÇÃO DE CONTAS

N º DA
NOTA
VALOR
DATA CPF/CNPJ FORNECEDOR FISCAL
(R$) %2
OU

RECIBO

12/09/2018 27.108.412/0001-04 A E P DE LIMA 140 350,00 2,34

EXPRESSAO

GRAFICA E
05/10/2018 23.715.659/0001-20 15948 1.650,00 11,04
EDITORA
LTDA

08/10/2018 603.281.243-03 Não especificado 26274 2.800,00 18,73

2 Representatividade das despesas em relação ao valor total

4. EXAME DE REGULARIDADE DE DESPESAS REALIZADAS


COM RECURSOS DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE
CAMPANHA (ART. 56, II, C, DA RESOLUÇÃO TSE N° 23.553/2017)

4.1 Para a despesa referente a nota fiscal eletrônica 194, no valor de R$


150,00 (cento e cinquenta reais), não foi apresentado recibo de pagamento,
porém, foi detectada uma transferência bancária no valor de R$ 150,00 em
24/10/2018 com a identificação do destino de “ASSOCIAÇÃO DE” o que
não permite afirmar categoricamente ser a Associação de Cegos do Estado do
Ceará ACEC, embora seja plausível.

Acrescente-se ainda que a referida nota tem data de emissão em 10/10/2018,


após a data da eleição, embora o candidato tenha afirmado que a despesa
refere-se a antes da eleição.

5. ANÁLISE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (ART. 56, DA


RESOLUÇÃO TSE N° 23.553/2017)

5.1. As informações dos extratos impressos conferem com os dados


informados na qualificação do prestador de constas, foram apresentados em
sua forma definitiva, ou seja, não contêm a expressão “sem validade legal” ou

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“sujeito a alteração”, apresentam saldo inicial zerado e evidenciam que as
contas foram abertas especificamente para a campanha e abrangem todo o
período da campanha eleitoral.

6. SOBRAS DE CAMPANHA (ART. 53, DA RESOLUÇÃO TSE N°


23.553/2017

As sobras de campanha foram restituídas conforme determina a Resolução.

7. CONCLUSÃO DE EXAMES

Diante do exposto, considerando o resultado dos exames técnicos


empreendidos na prestação de contas, sugere-se que as contas de campanha
do candidato FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO MAPURUNGA –
50000 – DEPUTADO ESTADUAL – CEARÁ, referentes às Eleições de
2018, sejam consideradas prestadas e, ao final, DESAPROVADAS,
conforme o art. 77, inciso III, da Resolução TSE n.º 23.553/2017, eis que o
candidato quedou-se inerte no esclarecimento e/ou saneamento de falhas,
mesmo após intimado”.

Inicialmente, quanto à ausência de recibos eleitorais e de documentos de comprovação de doações


estimáveis em dinheiro, verifico que o candidato deixou de apresentar a documentação obrigatória
exigida pela legislação eleitoral, nos termos do art. 56 da Resolução TSE nº 23.553/2017, caracterizando
falha de natureza grave, que compromete a lisura e a confiabilidade das contas apresentadas.

Como bem destacou o Douto Procurador Regional Eleitoral, em sede de parecer (id. 1108827), “não
foram apresentados recibos eleitorais utilizados e documentos de comprovação das doações estimáveis, o
que aponta arrecadação e gastos ocorridos, mas não contabilizados, tornando impossível o conhecimento
de origem e destino de recursos de campanha”.

Destaco, por oportuno, que a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral é firme no sentido de que “a
ausência de recibos eleitorais configura irregularidade grave e insanável, apta, portanto, a ensejar a
rejeição das contas do candidato” (TSE - AgR-REspe: 25612315 SP, Relator: Min. LAURITA HILÁRIO
VAZ, Data de Julgamento: 25/03/2014, Data de Publicação: DJE – Diário de justiça eletrônico, Tomo 80,
Data 02/05/2014, Página 47).

Quanto ao recebimento de recursos de origem não identificada, no valor de R$ 12.438,72 (doze mil e
quatrocentos e trinta e oito reais e setenta e dois centavos), verifico que tais valores tratam-se de
doações recebidas de outros candidatos ou partidos políticos, mas não registradas pelos doadores em suas
prestações de contas à Justiça Eleitoral.

Contudo, a despeito do candidato não ter apresentado o recibo eleitoral ou o termo de doação referente à
doação recebida, verifico que o interessado registrou a mencionada doação em sua prestação de contas –
cujo doador é o próprio diretório estadual do partido vinculado ao candidato - , bem como acostou o
comprovante de transferência bancária atestando o recebimento dos valores, consoante se depreende dos
documentos de Id nºs 337727 e 904477.

Desta feita, considerando que no presente caso há a devida identificação da origem e do destino dos
valores concernentes à doação, entendo que não seria o caso de configuração de recebimento de recursos
de origem não identificada e, por conseguinte, entendo inaplicável o disposto no art. 34 da Resolução TSE
nº 23.553/20171.

Ad cautelam, considerando que o processo de prestação de contas de campanha do Partido Socialismo e


Liberdade – PSOL (PC nº 0602154-38.2018.6.06.0000), ainda está tramitando nesta egrégia Corte
Regional, sob a Relatoria do eminente Juiz Dr. Roberto Viana Diniz de Freitas, determino que a
Secretaria Judiciária oficie o eminente Relator para tomar conhecimento acerca da ausência do registro de

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Número do documento: 19020114141903100000001137857
doação feita pela referida agremiação partidária em favor do candidato, Sr. Francisco Alexandre Dourado
Mapurunga, consoante Parecer Técnico da Secretaria de Controle Interno desta egrégia Corte.

Quanto à omissão de receitas e gastos eleitorais, verifico a presença de despesas realizadas com
combustíveis sem o correspondente registro de locações, cessões de veículos ou publicidade com carro de
som, totalizando o valor de R$ 2.745,08 (dois mil e quarenta e cinco reais e oito centavos), caracterizando
omissão de natureza grave, que compromete a fiscalização das contas por parte da Justiça Eleitoral.

Nesse sentido, “a omissão de despesa com locação ou cessão de veículos, constatada a partir dos valores
despendidos com combustíveis, constitui, em regra, falha que compromete a regularidade das contas”
(TSE - AgR-AgR-AI: 16122 BA, Relator: Min. HENRIQUE NEVES DA SILVA, Data de Julgamento:
14/11/2013, Data de Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 27, Data 07/02/2014, Página
54).

Do mesmo modo, vem entendendo esta egrégia Corte Eleitoral pela desaprovação das contas quando
constatadas tais falhas, consoante a leitura dos seguintes julgados abaixo colacionados:

ELEIÇÕES 2016. RECURSO ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE


CAMPANHA. CANDIDATO. CARGO VEREADOR. AUSÊNCIA DE
DOCUMENTAÇÃO. DOCUMENTOS APRESENTADOS EM FASE
RECURSAL. PRECLUSÃO. DESPESA COM COMBUSTÍVEL SEM A
COMPROVAÇÃO DE LOCAÇÃO OU CESSÃO DE VEÍCULO. VEÍCULO
PRÓPRIO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. ART. 19, § 1º, DA RESOLUÇÃO-TSE Nº
23.463/2015. INOBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA DE EXTRATOS BANCÁRIOS
NA FORMA EXIGIDA NO ART. 48, II, a, DA RESOLUÇÃO-TSE Nº
23.463/2015. CONTAS DESAPROVADAS. SENTENÇA MANTIDA.
RECURSO DESPROVIDO. 1 - "(…) Não é cabível a juntada de documentos em
grau recursal da prestação de contas, quando a parte é intimada antes do
julgamento para suprir a ausência da documentação e permanece inerte
(AgR-REspe nº 195/RN, Rel. Min. Henrique Neves da Silva, DJe de 12.5.2014).
(…)" (TSE, AgR-AgR-REspe 71380, Rel. Min. LUCIANA CHRISTINA
GUIMARÃES LÓSSIO, DJE – 14/08/2014, Pág. 110-111) 2 – Os gastos com
combustível devem ter como contrapartida despesa com locação, publicidade com
carro de som ou cessão de veículo. A ausência de registro de qualquer veículo que
justifique a despesa com combustível declarada na prestação de contas de
candidato importa em irregularidade insanável. 3 – Caso em que o candidato não
juntou, no tempo devido, documento hábil para fins de comprovação sobre a
propriedade de veículo, notadamente se este compunha o seu acervo patrimonial
anteriormente ao pleito, de acordo com o que dispõe o art. 19, § 1º, da
Resolução-TSE nº 23.463/2015. 4 – No que tange às divergências de dados em
notas fiscais, restou justificado e regular o conflito de informações. Foi
evidenciado o registro e o pagamento das notas fiscais destacadas com
divergências, de sorte a não comprometer a regularidade das respectivas despesas.
5 – A análise das informações eletrônicas prestadas pela instituição bancária,
através do sistema SPCEWEB proporcionou a conclusão quanto a sua
correspondência com a movimentação financeira disponibilizada nos extratos
bancários apresentados sem validade legal. 6 – No caso, não restou impedida a
fiscalização por parte desta Justiça Especializada, pois o extrato bancário
apresentado sem validade legal não impediu a aplicação dos exames técnicos
competentes. 7 – No entanto, o conjunto das irregularidades apontadas,
devidamente cotejadas, são motivos que, em sua totalidade, ensejam a
desaprovação das contas de campanha. 8 – Contas desaprovadas. 9 – Recurso
conhecido e desprovido. (TRE-CE – RE: 24761 JUAZEIRO DO NORTE – CE,
Relator: TIAGO ASFOR ROCHA LIMA, Data de Julgamento: 28/05/2018, Data
de Publicação: DJE - Diário de Justiça Eletrônico, Tomo 99, Data 01/06/2018,
Página 13) (grifo nosso)

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RECURSO ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2016.
CANDIDATO AO CARGO DE VEREADOR. DESPESAS REALIZADAS COM
COMBUSTÍVEIS SEM O CORRESPONDENTE REGISTRO DE LOCAÇÕES,
CESSÕES DE VEÍCULOS OU PUBLICIDADE COM CARRO DE SOM.
INDÍCIOS DE OMISSÃO DE GASTOS ELEITORAIS. NÃO
ESCLARECIMENTO PELO PRESTADOR. COMPROVAÇÃO
SUPERVENIENTE DO CANCELAMENTO DE NOTA FISCAL.
PERSISTÊNCIA DE UMA DAS IRREGULARIDADES. SUFICIENTE A
COMPROMETER A TRANSPARÊNCIA E CONFIABILIDADE DA
PRESTAÇÃO. CONHECIMENTO E IMPROVIMENTO DO RECURSO. 1.
Trata-se de recurso eleitoral interposto por candidato ao cargo de Vereador nas
eleições municipais de 2016 no município de Bela Cruz-CE em face da decisão
proferida pelo Juízo da 96ª Zona que julgou desaprovada a sua prestação de contas
de campanha alusivas ao supracitado pleito, nos termos do art. 68, inciso III, da
Resolução TSE nº 23.463/2015, por descumprimento do disposto no art. 48, I, g,
da mesma resolução. 2. Fundamentaram a sentença recorrida as seguintes
irregularidades: despesas realizadas com combustíveis sem o correspondente
registro de locações, cessões de veículos ou publicidade com carro de som,
revelando indícios de omissão de gastos eleitorais e omissão da despesa de que
trata a nota fiscal n.º 96, emitida por LOCDOOR COMÉRCIO DE MÓVEIS E
ELETROS LTDA – ME, no valor de R$ 1.011,50 (um mil e onze reais e
cinquenta centavos), não declarada na prestação de contas. 3. Quanto à primeira
irregularidade, não foi apresentada qualquer justificativa ou documentação,
mesmo regularmente notificado o recorrente para tanto. Gravidade da omissão.
Precedentes (v.g: Recurso Eleitoral nº 82306, Relator (a) MANOEL CASTELO
BRANCO CAMURÇA, Publicação: DJE – Diário de Justiça Eletrônico, Tomo
170, Data 13/09/2013, Página 14). 4. Quanto à segunda irregularidade, restou
sanada, pois comprovou o recorrente o cancelamento pelo emitente da nota fiscal
nº 96, susoreferida. 5. Recurso conhecido e não provido. Sentença mantida.
Desaprovação das contas de campanha do candidato. (TRE-CE – RE: 22760
BELA CRUZ – CE, Relator: ALCIDES SALDANHA LIMA, Data de
Julgamento: 23/10/2017, Data de Publicação: DJE – Diário de Justiça Eletrônico,
Tomo 201, Data 26/10/2017, Página 12) (grifo nosso)

EMENTA: ELEIÇÕES 2016. RECURSO ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE


CONTAS DE CAMPANHA. CANDIDATO AO CARGO DE VEREADOR.
DEPÓSITO DIRETO. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA ELETRÔNICA.
GASTO COM COMBUSTÍVEL SEM O CORRESPONDENTE REGISTRO DE
CESSÃO OU LOCAÇÃO DE VEÍCULO. OMISSÃO DE DESPESAS EM
CONFRONTO COM NOTA FISCAL ELETRÔNICA. IRREGULARIDADES
INSANÁVEIS. SENTENÇA MANTIDA. DESAPROVAÇÃO.
IMPROVIMENTO DO APELO. 1. Na presente prestação de contas, constatou-se
a inobservância dos requisitos estabelecidos na Lei nº 9.504/97 e na Resolução
TSE nº 23.463/2015, a impor a rejeição das contas de campanha. 2. A primeira
irregularidade, recebimento de doação financeira, em espécie, no valor de R$
1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), direto na conta do beneficiário, em afronta
ao que dispõe o art. 18, § 1º, da Resolução TSE nº 23.463/15, quando deveria ter
ocorrido por transferência eletrônica entre as contas do doador e daquele que se
beneficiou da doação, cabendo inclusive a devolução dos recursos, de acordo com
o disposto no art. 18, § 3º, da referida norma, porquanto na hipótese se tratava de
doadora plenamente identificada, no caso a genitora do referido candidato. 3. A
segunda irregularidade relaciona-se a despesas realizadas com combustíveis sem o
correspondente registro de locações, cessões de veículos ou publicidade com carro
de som, revelando indícios de omissão de gastos eleitorais (locação de veículo) ou
receitas estimáveis (cessão de veículo ou carro de som), contrariando o que dispõe
o art. 48, inciso I, 'c', 'd', e, 'g' da Resolução TSE nº 23.463/2015. 4. Por último, foi
identificada omissão relativa às despesas do candidato obtida mediante confronto

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Número do documento: 19020114141903100000001137857
com nota fiscal eletrônica de gastos eleitorais, evidenciando indícios de ausência
de gastos eleitorais, ocasionando infringência à norma do art. 48, inciso I, alínea g
da Resolução TSE nº 23.463/2015. 5. Falhas que, em conjunto, comprometem a
confiabilidade e a regularidade das contas, e dificultam o efetivo controle por
parte da Justiça Eleitoral sobre a licitude da movimentação dos recursos de
campanha. 6. Recurso conhecido e improvido, com a manutenção da
desaprovação das contas. (TRE-CE - RE: 59370 ITAPAJÉ - CE, Relator:
FERNANDO TELES DE PAULA LIMA, Data de Julgamento: 27/07/2017, Data
de Publicação: DJE - Diário de Justiça Eletrônico, Tomo 144, Data 02/08/2017,
Página 7/8) (grifo nosso)

Ademais, foram identificadas divergências entre as informações relativas às despesas, constantes da


prestação de contas, e aquelas constantes da base de dados da Justiça Eleitoral. Consoante Parecer
Técnico Conclusivo (id. 1083527), “para a despesa referente a nota fiscal eletrônica de serviços número
04135904, da Prefeitura Municipal de São Paulo, no valor de R$ 395,92 não foi apresentado o recibo de
pagamento, porém no lançamento da despesa o candidato fez referência a uma transferência no valor de
R$ 500,00 em 21/09/2018”, infringindo, assim, o que dispõe o art. 56, I, g, da Resolução TSE n.
23.553/2017, in verbis:

Art. 56. Ressalvado o disposto no art. 65 desta resolução, a prestação de


contas, ainda que não haja movimentação de recursos financeiros ou
estimáveis em dinheiro, deve ser composta, cumulativamente:

I - pelas seguintes informações:

g) receitas e despesas, especificadas;

No mesmo sentido, foram identificadas omissão de despesas, referentes às notas fiscais nº 140, 15948 e
26274, equivalentes a R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais), R$ 1.650 (um mil seiscentos e cinquenta
reais) e R$ 2.800,00 (dois mil e oitocentos), respectivamente.

Assim, tendo em vista que as irregularidades acima apontadas totalizam o montante de R$ 8.441,00 (oito
mil quatrocentos e quarenta e um reais), representando cerca 53% (cinquenta e três porcento) do total de
gastos efetuados pelo candidato, o que torna inaplicáveis os princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade no presente caso.

Por fim, o Parecer Técnico da Secretaria de Controle Interno desta egrégia Corte aponta uma outra
irregularidade, qual seja, a presença de despesas realizadas com recursos do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) sem recibo de pagamento e em data posterior à eleição, no
valor de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais).

Analisando atentamente os autos, verifico que, de fato, houve a realização de despesas de impressão em
braille, no valor de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais), cujo fornecedor é a Associação de Cegos do
Estado do Ceará – ACEC, consoante leitura da NF nº 194, acostada no Id nº 904477.

É salutar registrar, consoante bem asseverado pela Secretaria de Controle Interno desta egrégia Corte
(parecer de Id nº 1083527), que embora conste na transferência bancária como identificação do destino do
importe de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) apenas “Associação de”, é plausível que se refira a
Associação de Cegos do Estado do Ceará – ACEC.

Ademais, como salientado pela Secretaria de Controle Interno desta egrégia Corte, a referida nota fiscal
tem data de emissão em 10/10/2018, após a data da eleição; contudo, entendo que é prática do mercado –
dada a dinamicidade dos negócios – que eventualmente a nota fiscal possa ser emitida em data posterior 2.

Assim, neste ponto considero que não houve obstáculo à fiscalização das contas pela Justiça Eleitoral.

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Concluo, portanto, que as irregularidades concernentes a ausência de recibos eleitorais e de documentos
de comprovação de doações estimáveis em dinheiro, bem como a omissão de receitas e gastos eleitorais
são aptas a afetar a confiabilidade dos dados informados, não se tratando de meras falhas formais ou
sanáveis, mas sim de irregularidades graves que comprometem a devida fiscalização das contas de
campanha do candidato; razão pela qual voto pela desaprovação das contas em exame.

DISPOSITIVO

Diante do exposto, em consonância com o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral julgo


DESAPROVADAS as contas de FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO MAPURUNGA,
candidato ao cargo de Deputado Estadual nas eleições de 2018, nos termos do art. 77, III da Resolução
3
TSE n.º 23.553/2017 .

Tendo em vista a desaprovação das contas do candidato, determino a remessa da cópia de todo o processo
ao Ministério Público Eleitoral para os fins previstos no art. 22 da Lei Complementar nº 64/1990 (Lei nº
6.504/1997, art. 22, § 4º), nos termos do art. 84 da Resolução TSE n.º 23.553/20174.

Ad cautelam, considerando que o processo de prestação de contas de campanha do Partido Socialismo e


Liberdade – PSOL (PC nº 0602154-38.2018.6.06.0000), ainda está tramitando nesta egrégia Corte
Regional, sob a Relatoria do eminente Juiz Dr. Roberto Viana Diniz de Freitas, determino que a
Secretaria Judiciária oficie o eminente Relator para tomar conhecimento acerca da ausência do registro de
doação feita pela referida agremiação partidária em favor do candidato, Sr. Francisco Alexandre Dourado
Mapurunga, consoante Parecer Técnico da Secretaria de Controle Interno desta egrégia Corte.

É como voto.

Fortaleza-CE, 23 de janeiro de 2019.

DAVID SOMBRA PEIXOTO

Juiz Relator

1 Art. 34. Os recursos de origem não identificada não podem ser utilizados por partidos políticos e
candidatos e devem ser transferidos ao Tesouro Nacional por meio de Guia de Recolhimento da União
(GRU).

§ 1º Caracterizam o recurso como de origem não identificada:

I - a falta ou a identificação incorreta do doador; e/ou

II - a falta de identificação do doador originário nas doações financeiras recebidas de outros candidatos ou
partidos políticos; e/ou

III - a informação de número de inscrição inválida no CPF do doador pessoa física ou no CNPJ quando o
doador for candidato ou partido político.

2 Nesse sentido: TRE-SP - RE: 31274 CANANÉIA - SP, Relator: CLAUDIA LÚCIA FONSECA
FANUCCHI, Data de Julgamento: 04/07/2018, Data de Publicação: DJESP - Diário da Justiça Eletrônico
do TRE-SP, Data 16/07/2018/ TRE-RN - REL: 18176 RN, Relator: CARLO VIRGÍLIO FERNANDES
DE PAIVA, Data de Julgamento: 08/04/2013, Data de Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico,
Data 10/04/2013, Página 04/05 / TRE-SE - PC: 85234 SE, Relator: MARIA ANGÉLICA FRANÇA E

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SOUZA, Data de Julgamento: 18/12/2014, Data de Publicação: PSESS - Sessão Plenária, Volume 10:49,
Data 18/12/2014 DJE - Diário de Justiça Eletrônico, Tomo 5, Data 13/01/2015, Página 07.

3 Art. 77. Apresentado o parecer do Ministério Público e observado o disposto no parágrafo único do art.
76 desta resolução, a Justiça Eleitoral verificará a regularidade das contas, decidindo (Lei nº 9.504/1997,
art. 30, caput):

omissis

III - pela desaprovação, quando constatadas falhas que comprometam sua regularidade; (grifo
nosso)

4 Art. 84. Desaprovadas as contas, a Justiça Eleitoral remeterá cópia de todo o processo ao Ministério
Público para os fins previstos no art. 22 da Lei Complementar nº 64/1990 (Lei nº 9.504/1997, art. 22, §
4º).

EXTRATO DA ATA

PRESTAÇÃO DE CONTAS Nº 0602365-74.2018.6.06.0000


ORIGEM: FORTALEZA - CE
RELATOR: JUIZ DAVID SOMBRA PEIXOTO
REQUERENTE: FRANCISCO ALEXANDRE DOURADO MAPURUNGA
ADVOGADO: Walber Nogueira da Silva

Decisão: ACORDAM os Membros do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, por unanimidade,


em julgar as contas desaprovadas, nos termos do voto do(a) Relator(a).

Composição: DESEMBARGADORA MARIA NAILDE PINHEIRO NOGUEIRA (PRESIDENTE),


DESEMBARGADOR HAROLDO CORREIA DE OLIVEIRA MÁXIMO, JUIZ ALCIDES
SALDANHA LIMA, JUIZ ROBERTO VIANA DINIZ DE FREITAS, JUIZ FRANCISCO EDUARDO

TORQUATO SCORSAFAVA E JUIZ DAVID SOMBRA PEIXOTO.

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PROCURADORA REGIONAL ELEITORAL SUBSTITUTA: LÍVIA MARIA DE SOUSA

SESSÃO DE 23.01.2019.

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