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O PROJETO AGRO HORTA: TECNOLOGIAS SOCIAIS

PARA A SUSTENTABILIDADE RURAL COMO FERRAMENTA


ARTICULADORA ENTRE ESCOLA/COMUNIDADE/PIBID

Glmara Borges Ferreira UFRB borges.gilmara1052@gmail.com


Mariza Alves dos Santos UFRB marizasalves@hotmail.com
Ana Claudia Carvalho UFRB anafetraf@yahoo.com.br
Magnólia Pereira dos Santos UFRB magnoliapereira@uol.com.br

Resumo:
Este texto visa compreender a articulação entre escola/comunidade/PIBID a partir de
um olhar reflexivo sobre as atividades desenvolvidas no Projeto Agro Horta:
Tecnologias sociais para a sustentabilidade rural pelos bolsistas do PIBID/Diversidade
da UFRB em parceria com professores do CEPMJLS, no município de Feira de
Santana/Bahia. Apresentamos como questão-problema: em que medida as atividades
do Projeto contribuem para a articulação entre escola/comunidade/PIBID e as
implicações para a formação dos bolsistas?. O acompanhamento das atividades do
projeto e a análise dos depoimentos dos envolvidos indicam uma articulação entre
escola/comunidade/bolsistas do PIBID que favorece o diálogo e a troca de
conhecimentos.
Palavras-chave: PIBID/Diversidade. Educação do Campo. Projeto Agro Horta.

Introdução

A Educação do Campo, enquanto política de educação, diz respeito à luta


popular pela ampliação, acesso, permanência e direito à escola pública de qualidade,
compreendendo o camponês e os trabalhadores rurais como sujeitos de direitos, entre
eles o do estudo, e como artífices na construção da sua história e a história da
coletividade. Nesse sentido, a Educação do Campo deve estar vinculada a um projeto
de desenvolvimento peculiar aos sujeitos que a concernem. Segundo o Art.1º da
Resolução CNE/CEB nº 02, de 28 de abril de 2008 a Educação do campo compreende,
A Educação Básica em suas etapas de Educação Infantil, Ensino
Fundamental, Ensino Médio e Educação Profissional Técnica de nível
médio integrada com o Ensino Médio e destina-se ao atendimento às
populações rurais em suas mais variadas formas de produção da vida
[...].

Uma educação construída a partir de seus sujeitos, os trabalhadores e


trabalhadoras do campo, e suas especificidades; nas trajetórias de lutas de suas
organizações; vinculada aos interesses sociais, políticos e culturais dos camponeses.
Para além de uma educação contextualizada, trata-se conforme Caldart (2004), de um
projeto de formação do homem e da mulher do campo, nos seus diversos contextos, e
de um projeto de desenvolvimento do território camponês.
A Educação do Campo, enquanto política de educação, afirmada pelo
Decreto de nº 7.352/2010, no Art. 1º, que determina sua estrutura, finalidades e
princípios:
Art. 1o A política de educação do campo destina-se à ampliação e
qualificação da oferta de educação básica e superior às populações do
campo, e será desenvolvida pela União em regime de colaboração
com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, de acordo com as
diretrizes e metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação e o
disposto neste Decreto.

Desta forma, ao ser denominada como política de educação, a Educação do


Campo supera os limites de sua execução apenas através de programas de governo que
apresentavam-se sem nenhuma garantia de permanência e continuidade.
O referido Decreto 7.352/2010, em reconhecimento a diversidade de sujeitos
que constituem o campo e suas especificidades culturais, sociais, ambientais, políticas
e econômicas na maneira de produzir/reproduzir a vida no campo, entende enquanto
população do campo, em seu Art. 1º § 1º :
I – populações do campo: os agricultores familiares, os extrativistas,
os pescadores artesanais, os ribeirinhos, os assentados e acampados
da reforma agrária, os trabalhadores assalariados rurais, os
quilombolas, os caiçaras, os povos da floresta, os caboclos e outros
que produzam suas condições materiais de existência a partir do
trabalho no meio rural;)

Apresenta ainda no Art.2º os seguintes princípios para a Educação do Campo:


I – Respeito à diversidade do campo em seus aspectos sociais,
culturais, ambientais, políticos, econômicos, de gênero, geracional e
de raça e etnia;
II – Incentivo a formação de projetos político-pedagógicos
específicos para as escolas do campo, estimulando o desenvolvimento
das unidades escolares como espaços públicos de investigação e
articulação de experiências e estudos direcionados para o

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desenvolvimento social, economicamente justo e ambientalmente
sustentável, em articulação com o mundo do trabalho;
III – Desenvolvimento de políticas de formação de profissionais da
educação para o atendimento da especificidade das escolas do campo,
considerando-se as condições concretas da produção e reprodução
social d vida no campo;
IV - Valorização da identidade da escola do campo por meio de
projetos pedagógicos com conteúdos curriculares e metodologia
adequada às reais necessidades dos alunos do campo, bem como
flexibilidade na organização escolar, incluindo adequação do
calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições
climáticas; e
V – Controle social da qualidade da educação escolar, mediante a
efetiva participação da comunidade e dos movimentos sociais do
campo. (Decreto 7.352, de 04/11/2010).

Os princípios evidenciam a Educação do Campo como uma educação dos e


não para os sujeitos do campo, realizada através de políticas públicas, especialmente,
construídas com os próprios sujeitos do campo. Vale ressaltar que ao longo da
história da Educação Brasileira, as poucas vezes em que houve a proposição de
políticas de educação para o meio rural, foi feito na sua maioria sem a participação
dos sujeitos do campo na sua elaboração.
Nesse sentido, pode-se inferir que a perspectiva da Educação do Campo é a de
educar os trabalhadores e trabalhadoras do campo, para que se articulem e organizem-
se de forma a assumirem a condição de sujeitos na condução do seu destino. Assim, a
concepção de Escola do Campo passa a exigir dos sujeitos do campo, em particular
dos professores do campo e das políticas públicas a necessidade de fazê-la por dentro,
o que traz como implicação a relevância em perceber e compreender, o que significa
fazer a formação humana nessa complexidade em que se dá a educação do campo,
levando em consideração todas as contradições existentes no campo.
Neste cenário, a implantação de políticas educacionais, a exemplo do PIBID,
numa perspectiva que fomente a formação de futuros professores para atuarem nas
Escolas do Campo, atendendo as especificidades e diversidade dos sujeitos do campo,
apresenta-se como um dos esforços empreendidos pelo Governo Federal através do
Ministério de Educação e Cultura (MEC) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES).
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência/Diversidade, no
subprojeto “Tecendo saberes e constituindo a docência no contexto do campo”
desenvolvido na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia sediado no Centro de

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Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETENS) no município de Feira
de Santana/Bahia visa garantir aos discentes do curso de Licenciatura em Educação do
Campo nas áreas de Ciência e Matemática um primeiro contato e ou experimentação
inicial sobre a docência com um olhar acerca das diversas práticas educativas nos
diferentes espaços escolares e não escolares. Para tanto, o referido programa estabelece
parcerias com Secretarias de Educação; ONG; Centros educacionais; Sindicatos
Rurais; Movimentos Sociais entre outros e desenvolve junto às escolas do campo
encontros de formação teórico-prática, visitas, pesquisas, intervenções nas escolas do
Ensino Fundamental e Ensino Médio, realização de oficinas, seminários e mutirões.
Este texto tem como objetivo compreender a articulação entre
escola/comunidade/PIBID a partir de um olhar reflexivo sobre as atividades
desenvolvidas no Projeto Agro Horta: Tecnologias sociais para a sustentabilidade rural
pelos bolsistas do PIBID/Diversidade da UFRB em parceria com os professores da
área de ciências e matemática no Colégio Estadual Professora Maria José de Lima
Silveira, localizado numa comunidade rural do município de Feira de Santana/Bahia.
Desta forma, a partir da descrição das atividades desenvolvidas no projeto
vislumbramos refletir sobre a seguinte questão - em que medida as atividades
propostas no Projeto Agro Horta: Tecnologias sociais para a sustentabilidade rural
vem contribuindo para a articulação entre escola/comunidade/PIBID e quais as
implicações desta articulação para a formação dos bolsistas do PIBID/Diversidade?.
O Projeto Agro Horta tem como objetivo promover estudos, pesquisas, debates
e atividades articulando escola/comunidade/PIBID através da criação de uma horta e
do uso da tecnologia sustentável envolvendo as diferentes áreas do conhecimento. Para
tanto estão sendo desenvolvidas várias atividades que visam a articulação dos bolsistas
do PIBID e professores da escola junto a comunidade escolar e local. A horta
apresenta-se enquanto dispositivo de aprendizagem e contribui para o fortalecimento
da relação aluno/ escola/ PIBID/ comunidade.

PIBID/Diversidade na UFRB

O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência para a Diversidade


desenvolverá ações nos dois cursos de Licenciatura em Educação do Campo, são eles:
Licenciatura em Educação do Campo – área Ciências Agrárias; Licenciatura em
Educação do Campo – área de Matemática e Ciências Naturais, sendo o primeiro

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oferecido pelo Centro de Formação de Professores (CFP), no campus de Amargosa, e
o segundo oferecido pelo Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e
Sustentabilidade (CETENS), campus de Feira de Santana.
O PIBID/Diversidade envolve dois subprojetos, a saber: Educação do Campo e
Agroecologia sediado no CFP com 60 bolsistas atuando em escolas do campo nos 20
municípios de procedência dos alunos/bolsistas; e Tecendo Saberes e constituindo a
docência no contexto do campo, sediado no CETENS com 60 bolsistas atuando em
escolas de 2 municípios.
O PIBID/Diversidade visa garantir aos discentes do curso de Licenciatura em
Educação do Campo a partir da concessão de bolsas e em parceria com as escolas do
campo, um primeiro contato e/ou experimentação inicial sobre a docência com um
olhar a cerca das diversas práticas pedagógicas, contribuindo para o aperfeiçoamento e
a valorização da formação de professores para a educação básica. Segundo o Decreto
de nº 7 219 de 24 de Julho de 2010,
Art. 1o O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência -
PIBID, executado no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior - CAPES, tem por finalidade fomentar a
iniciação à docência, contribuindo para o aperfeiçoamento da
formação de docentes em nível superior e para a melhoria de
qualidade da educação básica pública brasileira.

Desta forma, o PIBID/Diversidade deve promover a inserção dos estudantes e a


sua integração no contexto escolar desde o início da sua formação acadêmica para que
os mesmos desenvolvam atividades didático-pedagógicas sob a orientação de um
docente da Licenciatura que será o seu coordenador (a) e de um professor (a) da escola
que atuará junto aos bolsistas enquanto seu supervisor (a).
É salutar destacar que a prática educativa pressupõe a compreensão do processo
de ensino e aprendizagem na sua complexidade de contextos e de realidades sociais.
Para Libâneo (2013), uma prática educativa deve ser entendida como,

um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana


necessária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades.
Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar no
desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, prepará-los
para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias da
vida social. Não há sociedade sem prática educativa nem prática
educativa sem sociedade. A prática educativa não é apenas uma
exigência da vida em sociedade, mas também o processo de prover os
indivíduos dos conhecimentos e transformá-lo em função de

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necessidades econômicas, sociais e políticas da coletividade
(LIBÂNEO, 2013, p.15).

Assim, o processo ensino e aprendizagem segundo o autor (LIBÂNEO, 2013),


deve ter como objetivo a apropriação de um saber historicamente acumulado, tendo
como ponto de partida o nível atual de conhecimentos, experiência de vida e
maturidade dos educandos. Nesse sentido, o “fazer pedagógico”, aqui compreendido,
como a explicitação de conteúdos e tarefas próprias da atuação dos educadores no
espaço escolar (LIBÂNEO, 2003). Deve ser construído e reconstruído na prática
concretizada nos diferentes tempos e espaços escolares, e de forma mais específica na
sala de aula entre professores e alunos.
Nesse sentido, conforme o edital de nº 66/2013 que dispõe sobre a Proposta do
PIBID/Diversidade espera-se que a implementação do PIBID/Diversidade apresente os
seguintes resultados: 1. Impactar de forma positiva, com maior e melhor qualificação
da formação pedagógica, os bolsistas para atuarem nos cursos de licenciatura em
Educação do Campo; 2. Contribuir para que a pesquisa seja considerada como parte
integrante do trabalho docente a partir da realização do diagnóstico nas escolas
parceiras, com levantamento de dados qualitativos e quantitativos sobre o histórico, da
infraestrutura e o levantamento do perfil dos funcionários e estudantes na unidade
escolar; 3. Contribuir com a ampliação da produção acadêmica na área de ensino e a
redução das dificuldades relativas à produção textual, com o aumento da participação
em eventos científicos com apresentação de trabalhos, através das experiências
desenvolvidas com as atividades realizadas nos subprojetos; 4. Elaboração e
socialização de relatório para as escolas, com dados da pesquisa diagnóstica, como
forma de socialização dos resultados do PIBID/Diversidade nas escolas parceiras da
UFRB; 5. Introdução de práticas pedagógicas inovadoras nas escolas do campo, no
contexto das salas de aula e outros ambientes escolares; 6. O envolvimento do corpo
docente das escolas na discussão e no planejamento das atividades de intervenção do
PIBID/Diversidade/UFRB a partir do compartilhamento das experiências pedagógicas
e na apresentação de desafios da prática docente e de alternativas para a superação das
dificuldades. Esses aspectos nem sempre se fazem presentes nas escolas e, por isso,
entendemos ser uma contribuição para as escolas parceiras; 7. Contribuir para ampliar
o número de estudantes de ensino médio ingressos nas licenciaturas da Educação do
Campo na UFRB, especialmente aqueles alunos do ensino médio que participarão das
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atividades do PIBID/Diversidade/UFRB; 8. Aproximar a universidade da escola básica
do campo - lócus importante na formação do licenciando; 9. Desenvolvimento da
educação regional através do fomento à construção de uma nova proposta pedagógica;
10. Construção de práticas educativas emancipatórias entre os licenciados participantes
do projeto; 11. Realização de práticas interdisciplinares nas instituições educacionais
parceiras neste projeto, envolvendo os dois cursos de licenciatura de Educação do
Campo; 12. Formação continuada dos professores da educação básica das escolas
envolvidas, estabelecendo, um canal de cooperação com a universidade; 13. Melhorias
dos indicadores nacionais e critérios de avaliação definidos internamente pelas escolas
relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem dos estudantes do ensino
fundamental; 14. Reforço da pesquisa e inovação pedagógica através da participação
dos bolsistas em eventos de divulgação científica e pedagógica; 15. Inserção dos
bolsistas egressos do PIBID/Diversidade na docência da rede pública de ensino e em
cursos de pós-graduação; 16. Produção de materiais didáticos e publicação de artigos
científicos com dados do projeto para divulgação junto às escolas parceiras e no
âmbito da academia.
Em consonância com os resultados previstos na Proposta do
PIBID/Diversidade no ano de 2013, os relatórios do primeiro semestre dos bolsistas
apontam que as atividades desenvolvidas pelo PIBID/Diversidade, até o momento na
escola pelos bolsistas, supervisores e coordenadores, no Colégio Estadual Professora
Maria José de Lima Silveira vem extrapolando o espaço escolar, através do
envolvimento da comunidade nas atividades desenvolvidas, além de contribuir com a
formação dos licenciandos ao possibilitar a reflexão acerca da sua inserção e
integração no espaço escolar. Uma ação que vem oportunizado a construção de um
diálogo permanente entre escola/comunidade/universidade.

As ações empreendidas pelo PIBID/Diversidade e as atividades desenvolvidas no


Projeto Agro Horta e as implicações na formação dos bolsistas

As ações desenvolvidas pelos bolsistas do subprojeto PIBID/Diversidade na


realização do Projeto Agro Horta em processo de desenvolvimento contemplando a
comunidade escolar: alunos do Ensino Fundamental; professores (matemática e
ciências) do Colégio Estadual Professora Maria José de Lima Silveira e comunidade
local do Distrito Maria Quitéria.

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Inicialmente os bolsistas realizaram o diagnóstico da comunidade com o
objetivo de melhor conhecer os seus aspectos: históricos, culturais, de produção, entre
outros. Em seguida sob a orientação da supervisora (professora da escola), foi
elaborado um Plano de Ação para o desenvolvimento do Projeto Agro Horta:
Tecnologias sociais para sustentabilidade rural em consonância
O primeiro semestre de existência do PIBID/Diversidade no CEPMJLS, em
particular no desenvolvimento do Projeto Agro Horta: Tecnologias Sociais para a
sustentabilidade rural já nos oportuniza perceber alguns resultados interessantes no que
diz respeito ao trabalho realizado junto a escola com os professores e alunos do Ensino
Fundamental II. Apresentaremos a seguir as atividades do desenvolvida no Projeto
Agro Horta: Tecnologias sociais para a sustentabilidade rural pelos bolsistas do
PIBID/Diversidade da UFRB em parceria com os professores da área de ciências e
matemática no Colégio Estadual Professora Maria José de Lima Silveira, e uma breve
análise das implicações dessas atividades, dando ênfase às contribuições para a
formação dos bolsistas segundo relatórios do primeiro semestre.
O Projeto Agro Horta: Tecnologias Sociais para a sustentabilidade rural, tendo
como público alvo os alunos das turmas do 6º B, 8º B 9º B 9º C do Ensino
Fundamental do Colégio Estadual Professora Maria José de Lima Silveira, vem sendo
desenvolvido desde o mês de março em parceria firmada entre os bolsistas do PIBID e
os professores do CEPMJLS, juntamente com a comunidade local. O Projeto é
resultante do diagnóstico da comunidade realizado pelos bolsistas num momento
anterior a sua inserção no espaço escolar o qual apontou a existência de apenas uma
horta e que não atendia a demanda de consumo de hortaliças da comunidade local.
Após a inserção e integração dos bolsistas no espaço escolar em um dos encontros com
os professores da área de matemática e ciências naturais, diante dos dados obtidos no
diagnóstico da comunidade surge a ideia de elaborar um projeto em que a criação de
uma horta contribuísse enquanto espaço de construção e troca de conhecimento entre a
escola e a comunidade.
Após a elaboração coletiva do Projeto Agro Horta envolvendo bolsistas,
professores, alunos do Ensino Fundamental e representantes da comunidade, foi
realizado o lançamento do projeto no auditório do CEPMJLS que contou com a
presença dos alunos, dos professores da escola, da comunidade local e representantes
de associações, sindicatos e cooperativas rurais.

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Durante o lançamento do projeto os depoimentos dos professores sinalizaram o
compromisso com o projeto ao qual reafirmaram a parceria no trabalho a ser
desenvolvido, por outro lado os depoimentos dos representantes de associações e
sindicatos indicaram que as proposições do projeto apresentavam a possibilidade dos
alunos se apropriarem das especificidades do campo e da comunidade na qual estão
inseridos e pontuaram a necessidade da escola sendo do campo de se apropriar cada
vez mais dos princípios e práticas pedagógicas desenvolvidas em outros espaços pelos
sujeitos do campo. Esses depoimentos geraram a necessidade dos professores e
bolsistas criarem paralelamente ao desenvolvimento do projeto atividades como ciclo
de palestras e grupo de estudos sobre os seguintes temas: Educação do Campo,
Agroecologia, Práticas educativas no campo em espaços escolares e não-escolares,
entre outros.
A divulgação do Projeto foi feito através da criação do blog
http://educampescola.blogspot.com.br/ e de Jornal Mural na escola, além disso foi
feita a passada de sala que consistia na formação de pequenos grupos formados pelos
bolsistas para divulgação do projeto nas salas de aula nos turnos de funcionamento da
escola. Em seguida foram realizadas oficinas sob a responsabilidade dos bolsistas
envolvendo os alunos e professores da escola. A primeira oficina intitulada “Horta:
passo a passo” com o objetivo de compreender a horta desde o plantio até a colheita
das hortaliças, conforme os depoimentos dos alunos a oficina possibilitou novos
conhecimentos sobre os diferentes tipos de hortas; os cuidados necessários com o solo,
tipos de solo, os que eram apropriados para a produção e caso não fosse apropriado
alternativas naturais de corrigir, preparação; a preparação das sementeiras e dos
canteiros; a adubação da terra; a semeadura; os instrumentos de trabalhos utilizados na
horta; época de plantio e cultivo das hortaliças; plantio; cuidados com a horta; controle
de pragas e colheita.
A participação dos alunos durante o desenvolvimento das oficinas foi
considerado excelente pelos bolsistas e professores, pois os mesmos questionaram,
tiraram dúvidas, acrescentaram informações obtidas através do trabalho desenvolvido
na roça no período de plantio por eles e/ou por seus familiares. Os depoimentos dos
alunos demonstraram o interesse pelo tema e a relevância da discussão do mesmo,
apontaram ainda o quanto foi significativo o conhecimento obtido durante as oficinas e
a oportunidade de discutir e estudar sobre algo da vivência deles.

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Para os bolsistas o processo desde a elaboração até a execução das oficinas tem
sido “um verdadeiro exercício de docência” (bolsista da área de ciências). Após a
realização e avaliação da primeira oficina foram organizadas as próximas com os
seguintes temas: oficina 2 “Compostagem/Adubação”; oficina 3 “Controle de Pragas”;
oficina 4 “Horticultura/Orgânicos/Alimentação”; Oficina 5 “Os Quintais
Agroecológicos” ; oficina 6 “Tecnologias Sustentáveis”.
Entre as atividades em processo de desenvolvimento estão a Mesa-redonda com
o tema: “A Horta na comunidade” que contará com a participação de um agrônomo da
região e de dois produtores rurais da comunidade; uma visita a horta na comunidade e
uma outra a uma horta orgânica; Pesquisa de campo junto a comunidade sobre o
cultivo de hortas (culturas cultivadas na comunidade; plantio/colheita; tecnologia
utilizada); Campanha de arrecadação de garrafas pet e de esterco para adubação da
terra onde será criada a horta horizontal e vertical na área da escola.

Considerações finais

De modo geral, as ações empreendidas pelo PIBID/Diversidade no CEPMJLS


tem oportunizado aos licenciandos uma visão ampla sobre o processo educacional, a
partir do desenvolvimento das atividades na escola em especial o Projeto: Agro Horta
desde o planejamento das ações até o desenvolvimento das mesmas. A articulação
entre escola/comunidade/PIBID tem possibilitado aos bolsistas a compreensão da
realidade educacional brasileira “desde dentro”, ao passo que as demandas observadas
em sala e durante o desenvolvimento das atividades do Projeto são discutidas de forma
coletiva pelos bolsistas sob a supervisão de um professor da escola e com os
coordenadores do PIBID/Diversidade da UFRB. O acompanhamento das atividades do
projeto e a análise dos depoimentos dos envolvidos indicam uma articulação entre
escola/comunidade/bolsistas do PIBID que favorece o diálogo e a troca de
conhecimentos.

Referência

ARROYO, Miguel G. CALDART, Roseli S.MOLINA, Monica C. (orgs) Por uma Educação do
Campo. Petrópolis, Rio de janeiro: Vozes, 2004.

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RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 1, DE 03 DE ABRIL DE 2002 In: BRASIL. Ministério da Educação.
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI. Educação
do Campo: marcos normativos/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade
e Inclusão – Brasília: SECADI, 2012

RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, DE 28 DE ABRIL DE 2008 In: BRASIL. Ministério da Educação.


Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI. Educação
do Campo: marcos normativos/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade
e Inclusão – Brasília: SECADI, 2012

DECRETO Nº 7.352, DE 4 DE NOVEMBRO DE 2010 In: BRASIL. Ministério da Educação.


Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI. Educação
do Campo: marcos normativos/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade
e Inclusão – Brasília: SECADI, 2012

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