VIRTUDES Na nossa vida, precisamos praticar virtudes, e com esta prática também acontecem ”desvirtudes” ou os pecados, como alguns

preferem. Assim como diziam os grandes filósofos, que o trigo cresce com o joio, quando ambos amadurecerem, aí vem o semeador e primeiro retira o joio e joga fora, no fogo eterno, depois colhe o trigo e coloca no celeiro do senhor. Se fosse feito o corte do joio no início do crescimento dos grãos de trigo, poderíamos perder algumas sementes importantes de trigo. É necessário que as criaturas se tornem pequeninas, como as crianças, e se transformem em pessoas simples, puras e de boas intenções para trabalharem no movimento constante e belo de recuperação das coisas e das criaturas, operando na seara bendita do plantio sem o joio. As virtudes aprendidas no transcorrer de nossos dias são exigidas todas as vezes que nos deparamos com fatos e situações difíceis no nosso cotidiano. Portanto devemos conhecê-las e defini-las dentro de nós e tentar de todas as maneiras praticá-las. A primeira virtude é o amor, que é o núcleo de todas as virtudes. Depois podemos separar as virtudes em duas categorias, as que são geradas no intelecto (entendimento, tolerância, esperança, parcimônia e humildade), e as que são geradas no sentimento (compreensão, caridade, fé, benevolência, renúncia, abnegação e dedicação). Junto com as virtudes temos as “desvirtudes” ou os pecados, que também são subdivididos em dois. Pecados de ordem moral (a mentira, a traição, a deslealdade, a maledicência, a venda do corpo, a gula e a intemperança) e os pecados de ordem espiritual (o ódio, a intolerância, o egoísmo, o orgulho, o suicídio, o assassínio, a blasfêmia, o juramento em falso em nome da espiritualidade, o desrespeito, a indignidade da palavra empenhada, a inconstância, a insensatez e a incompreensão). Os pecados de ordem moral variam na sua intensidade de acordo com os escândalos que provocam. Nestes casos, estes pecados são variáveis em função da época, e são aqueles cometidos contra si mesmo, contra a vida do corpo, contra o próximo e contra a Terra, estando, portanto no âmbito dos entendimentos do cotidiano. Os pecados de ordem espiritual são imutáveis e saem da condição da Terra, pois são ofensivos ao espírito e a espiritualidade, são ofensivos a Jesus, são ofensivos à Criação e à Luz Maior.

Esta prática das virtudes e dos pecados, com o tempo tende a ter um saldo positivo, porque a evolução do homem tem por objetivo o que se chama a perfeição. Nesse caminho ou nesta luta temos que prestar muita atenção aos gestos, às palavras, aos atos, ao pensamento e aos sentimentos, porque eles são os responsáveis pelos desígnios das coisas e das criaturas. Os gestos que muitas vezes representam o aceno de uma despedida, também podem representar com os punhos cerrados o desejo de uma represália. As palavras muitas vezes são acariciantes e, às vezes, são ferinas, de revolta ou maledicência, porém quando unidos gestos e palavras, eles podem ser imbatíveis, podem conquistar a terra. Os atos são a exemplificação, a exteriorização do eu, se coloca na balança da verificação todo aprendizado que se obteve, e que está reunido na vida presente. É na expressão do pensamento, na colocação da idéia, que está à expressão da pessoa. Portanto, lá é o nascimento da mola que impulsiona, tanto os gestos como as palavras e os atos. Em verdade o sentimento é o controlador das idéias. É como se fosse um vaso de argila maravilhoso que faz com que as idéias tomem forma, se emocionem, se encham de calor e que se tornem uma vibração brilhante, sublime, maravilhosa, extraordinária, que é o sentimento. E é do reproduzir das idéias, e é do calor, que é a fermentação no próprio seio, que partem as palavras, os gestos e as ações. E pensando nesse sentimento maior, que é o amor, nesta virtude mãe de todas as outras, que lembramos de alguns filósofos maiores que nos diziam: -sobre o amor-’’ que as vozes bradadas no infinito incomensurável, sejam como ressonâncias musicais que atinjam aos vossos ouvidos e que possam, se transformando em idéias luminosas, transbordarem nos nossos corações, elevando as mentes e conduzindo os espíritos nas direções do conhecimento. Animados pelo desejo e pela vontade e caminhando de braços dados com a felicidade e a esperança, lembrar-nos a necessidade de amar sempre mais’’. -sobre a fé - uma outra virtude que sempre aparece nos ensinamentos filosóficos é a fé, tão chamada, tão propalada e tão dita necessária à vida das criaturas. A fé é antes de tudo o encontrar as coisas. Pode-se afirmar que ter fé no Criador é conceituar a sua existência. Ter fé em Deus é achar que ele é misericordioso e que atenderá os nossos anseios. Ter fé em Deus é achar que ele colocado no alto dos céus tem condição de ouvir os nossos reclamos e atender, de acordo com as nossas necessidades, se tivermos merecimento.

Ter fé é antes de tudo encontrar Deus dentro de si, e se colocar na posição de sentir que Deus existe. Ter fé é por acaso desejar que os grandes baús da fortuna se abram diante de nós? Ter fé é achar que as coisas devam se encaminhar ao nosso encontro? Não, ter fé é imaginar que as coisas virão até nós porque fé existe em nossos corações. Ter fé, não é por acaso sentir o desabrochar da luz, sentir a beleza dos sons, sabendo que soltos no espaço em ondas imperceptíveis são ouvidos pelos nossos ouvidos e são vistos pelos nossos olhos? Ter fé é antes de tudo saber no seu interior que marchamos ao encontro da beleza. E quando chegamos à condição de transportar montanhas, ter fé é dizer-se: montanha se transporte, ou ter fé é acreditar que a montanha se transporte? Ter fé é por acaso saber que a cada momento nosso sentimento se torna mais leve, as nossas vibrações se tornam mais altas e que marchamos na direção do porvir. Em verdade ter fé é crer, acreditar, marchar, conseguir, possuir e para isso, é necessário apenas à vontade interior dos nossos espíritos, caminhando nesta direção. Uma vez feito isto, a conquista se dá, a fé se estabelece. -sobre a compreensão, dedicação e renúncia - ovelhas do rebanho de Cristo, a vossa pastagem é verdejante, os vossos caminhos são límpidos, mas de quando em vez, surge no meio do rebanho um susto, que é a imagem do lobo, que afigurando como um gigante assusta as ovelhas. Por esta ocasião as ovelhas se desgarram e abrem caminhos diversos por matas fechadas e é neste momento que se faz necessária a compreensão, dedicação e renúncia. Só estas virtudes trazem as ovelhas ao abrigo. -sobre o amor, abnegação e renúncia - fazer o bem é sentirmos no coração e no espírito uma alegria muito profunda quando fazemos o bem a alguém, e até imaginar que o bem feito, além de não representar nenhum sacrifício, representa alegria, um desejo e uma felicidade. O importante é a disposição interior, a vontade de fazer, e só tem o desejo de fazer o bem, quem possui o sentimento maior. Não possuindo o sentimento maior, não sentem os impulsos, e as idéias do espírito não sobem ao consciente para que se transformem em idéias palpáveis. Os gestos de amor, de abnegação, de renúncia, não se encontram em todos, nem estão distribuídos em quantidade muito grande de criaturas, embora esteja ao alcance de todos, mas poucos são os que colhem e levam para a sua vinha, interiorizam a aprendizagem e praticam. -sobre a beleza - essa palavra possui um significado no contexto de como ela é colocada. Na tentativa de entendê-la, conseguir um texto inspirado de um grande filosofo: “Que mais importa a beleza ou a luz”? A luz atrai, a beleza fascina. A luz nos engrandece, a beleza nos enche o espírito.

A luz é perene, a beleza é constante. A luz indica o caminho, a beleza nos atrai na estrada. A luz se eleva aos céus, à beleza é o estado permanente do infinito. A luz é a razão da iluminação interior, a beleza é o conteúdo do espírito que se eleva.” Nas linhas evolutivas do ser humano, força, energia e luz, a luz é a resultante da força que vibra e da energia que conduz. A partir de certa intensidade de força, e da velocidade da energia o espírito ilumina, fica belo, e começa a sua caminhada ascendente para o criador. A coisa mais importante na vida das criaturas é saber condicionar os reflexos interiores. A energia é a grande fonte de movimento das coisas que conduz o benefício e o progresso a todos os cantos. No entanto, se não for condicionada, se deixar que ela se expanda como desejar, então todos os benefícios que deveria causar estarão prejudicados e até ao contrário, causaria grandes malefícios. Logo, é necessário condicionar os reflexos interiores, não permitindo que essa energia se expanda a não ser por sistema controlado e dirigido de amor ao próximo, e prática de virtudes. Essas três linhas devem permanecer sempre equilibradas, sem que uma se desenvolva por demais em relação às outras. Obrigado

Newton Roriz