You are on page 1of 15

Anais do II SIGEPRO - Simpósio Gaúcho de Engenharia de Produção

ISBN: 978-85-5722-026-3

ANÁLISE DE INVESTIMENTOS APLICADO A INDÚSTRIA: UM


ESTUDO DE CASO

Pedro Vieira Souza Santos


pedrovieirass@hotmail.com
Maurílio Arruda De Araújo
maurilioarruda@hotmail.com

Resumo

Ao analisar o mercado atual, percebe-se nitidamente a concorrência acirrada


entre as empresas, podendo ser considerada um resquício da revolução
industrial e da globalização. Diante disso, a área de gestão de investimentos se
mostra decisiva para o planejamento, desenvolvimento e sobrevivência das
organizações. Assim, este estudo tem como objetivo analisar as demonstrações
contábeis, projetadas, de um investimento no setor industrial, mais
especificamente numa indústria de pneus localizada na cidade de Petrolina,
num horizonte de planejamento de 12 anos, de 2016 a 2027. O presente
trabalho utilizou-se da abordagem quantitativa e descritiva, fazendo uso da
pesquisa documental, por meio de documentos internos, relatórios e planilhas.
Então, a partir das técnicas de análise de investimentos por meio das
informações obtidas da empresa de pneus, identificou-se que os resultados
foram positivos em relação as margens estabelecidas para cada análise.
Conclui-se que entre as análises realizadas, a empresa de pneus apresentou
um lucro bruto de R$ 81,00 para cada R$ 100,00 de vendas liquidas tendo
vista um custo de R$ 19,00.

Palavras Chave: Investimentos, Análise, Indústria.

- 188 -
1. Introdução

Atualmente, no cenário atual, em função da globalização e das diversas modificações que


implicam numa acirrada concorrência no meio empresarial, a área de gestão de investimentos
se mostra decisiva para o desenvolvimento e sobrevivência das organizações. Nesse aspecto,
diversos investimentos realizados pelas instituições trazem, naturalmente, uma parcela de
riscos, incertezas e variabilidades dos retornos associados a um projeto que pode definir
sucessos e/ou fracassos.
Assim, um investimento pode ser designado como uma proposta de aplicação de recursos
escassos que possuem aplicações alternativas a um negócio, como também um sacrifício feito
no momento para obtenção de um benefício futuro (REMER; NIETO, 1995). De acordo com
Queiroz (2001), a análise de investimento é primordial na designação eficaz de recursos
escassos no ambiente empresarial. Logo, para Securato (2007) as decisões financeiras em
condições de risco evidenciam se a gestão financeira da empresa foi um sucesso ou não.
Contudo, no momento que os gestores de uma organização analisam a possibilidade de
investir em equipamentos, ampliar o estabelecimento ou, até mesmo reduzir os custos
(WERNKE, 2000), necessitam efetuar uma análise de investimento, para não realizar ações
equivocadas que possam prejudicar o futuro da organização.
Nesse contexto, todo novo projeto ou novo investimento realizado dispõe de informações que
podem ser extraídas facilmente para a realização de estudos sobre viabilidade técnica e
econômica do mesmo. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar as demonstrações
contábeis, projetadas, de um investimento no setor industrial, mais especificamente numa
indústria de pneus na cidade de Petrolina-PE. O trabalho tem um horizonte de planejamento
de 12 anos, de 2016 a 2027, sendo que os anos futuros são projeções realizadas.

2. Abordagem teórica

2.1 Análise de investimentos

Pela ótica de Gitman (2001) a análise de investimentos nada mais é do que alinhar a meta da
indústria à maximização da riqueza dos proprietários. Sendo, através da análise econômica e
financeira de investimentos a base para traçar suas metas e detectar as chances de viabilidade.

Logo, Newman e Lavelle (2000) salientam que antes de qualquer decisão que envolva
aplicação de capital em uma empresa, deve-se primeiro avaliar e analisar o investimento, para
conhecer sua eficiência econômica, e tal processo de decisão requer que os resultados sejam
viáveis, Samanez (2009) afirma que em um investimento deve ser avaliado em critério de sua
rentabilidade e viabilidade econômica.

- 189 -
Assim, conforme Assaf Neto (2009) para suportar a decisão de investimento é necessário à
preparação, avaliação e seleção das propostas de aplicação dos recursos, com o intuito de ter
retorno em médio e longo prazo.

Além disso, Assaf Neto (2007) defende, que para classificar um investimento como positivo,
o mesmo deve ser capaz de cobrir e remunerar o capital nele aplicado. Então, de acordo com
Macedo e Siqueira (2006) os gestores devem usar técnicas do valor de dinheiro no tempo para
conhecer explicitamente suas oportunidades de obter resultados positivos quando são
avaliadas as séries e fluxos de caixa esperados associados à alternativa de decisão.

Nesse aspecto, Lapponi (2000) defende que o investimento é um fator importante na análise
de viabilidade econômica do projeto, é de suma importância antes de investir, conhecer o
mercado e também os riscos envolvidos, conhecer a quantia que o investimento lhe trará de
retorno e analisar o tempo previsto para recuperar o recurso aplicado.

2.2 Técnicas de análise

Existem vários métodos para a avaliação financeira de projetos de investimento de capital


como: payback, payback descontado, valor presente líquido, índice de rentabilidade, taxa
interna de retorno e taxa interna de retorno modificada. Muitas vezes, esses métodos são
utilizados simultaneamente (LEMES JUNIOR, 2005).
Os métodos de análise, conforme WOILER E MATHIAS (1996) são os principais
responsáveis pela junção de todas as informações quantitativas disponíveis, em um número
que, comparado com o desejável, permitirá aceitar ou rejeitar o investimento em análise.

Em análise de investimentos, Martins (2000) salienta que na previsão dos fluxos de caixa,
deve ser considerado o desconto do custo de capital pelo valor da TMA previamente definida.
Samanez (1999) reforça ainda a necessidade de considerar os fluxo de caixa pelos valores
incrementais, uma vez que representa a rentabilidade líquida do projeto.

Segundo Casarotto Filho e Kopittke (2010), a TMA representa o valor que o investidor
prescinde com outras possibilidades de investimento, ou seja, “a nova proposta para ser
atrativa deve render, no mínimo, a taxa de juros equivalente à rentabilidade das aplicações
correntes e de pouco risco”.

Ademais, Assaf Neto e Lima (2010) define o VPL como o valor resultante da diferença entre
os resultados previstos de fluxos de caixa e os valores do investimento. Já o VAUE, segundo
Silva e Fontes (2005) refere-se a parcela periódica que seja equivalente aos resultados do
VPL, considerando a vida útil do projeto.

Samanez (1999) apresenta dentre outros métodos, o payback, sendo este aquele que analisa o
período que decorre entre o dispêndio até a remuneração do capital. Em relação a TIR,

- 190 -
Casarotto Filho e Kopittke (2010) conceitua como sendo a taxa que condiciona o VPL de um
fluxo de caixa ser igual à zero ou nulo.

Abensur (2012) apresenta em seus estudos, os métodos de VPL, TIR e Payback e salienta que
os resultados obtidos através destes métodos, devem ser analisados como parte de um
processo integrado e não verificados isoladamente, pois isto amplia a visão do gestor no
processo decisório.

3. Metodologia

O presente estudo, de acordo com o objetivo definido, caracteriza-se como descritivo e de


natureza aplicada. Beuren (2003) considera que a pesquisa descritiva é de suma importância
para a análise de problemas de investigação na área contábil, para esclarecer determinadas
características e aspectos inerentes a ela.
Em relação à abordagem do problema, a mesma pode ser considerada quantitativa. Quanto
aos procedimentos técnicos trata-se de um estudo de caso, que segundo Lakatos e Marconi
(2001, p. 79) “tem como propósito estudar de forma profunda um ou poucos objetos, de modo
que possa se conhecer detalhadamente a realidade”.
Além disso, foi feita pesquisa documental, pois a coleta de dados foi executada a partir de
documentos internos, relatórios e planilhas, analisados diretamente na empresa objeto de
estudo.

4. Resultados e discussão

4.1 Informações financeiras da empresa


A análise feita neste trabalho partirá das informações financeiras conforme demonstrada na
tabela 01.
Tabela 01 – Informações iniciais do investimento
Investimento Inicial R$7.000.000,00
Custo Social do investimento R$8.000.000,00
Valor de mercado da empresa R$26.000.000,00
Quantidade de ações 100.000
Fonte: empresa

4.1.1 Valor presente líquido - VPL

Esse método mostra quanto de riqueza o projeto está gerando para os proprietários. De acordo
com Assaf Neto (2007), o valor presente líquido (VPL) é obtido pela diferença entre o valor

- 191 -
presente dos benefícios líquidos de caixa, previstos para cada período do horizonte de duração
do projeto e o valor presente do investimento.
A fórmula para cálculo deste indicador é:

Onde, i é a taxa de desconto; j é o período genérico (j = 0 a j = n), percorrendo todo o fluxo de


caixa; FCj é um fluxo genérico para t = [0... n] que pode ser positivo (ingressos) ou negativo
(desembolsos); VPL(i) é o valor presente líquido descontado a uma taxa i; e n é o número de
períodos do fluxo.
O investimento da Indústria de Pneus resultou em um VPL igual à R$ 1.002.087,42. Segundo
esse indicador o investimento seria viável, visto que o VPL é positivo, ou seja, a soma das
entradas de caixa correspondentes ao período zero supera o investimento inicial.

4.1.2 Taxa interna de retorno (TIR)

Outro critério muito utilizado para se determinar a viabilidade econômica de um projeto é a


TIR, que possui cálculos mais sofisticados. A Taxa Interna de Retorno (TIR) é muitas vezes
chamada de taxa de retorno de um fluxo de caixa descontado, taxa interna de retorno ou taxa
verdadeira de retorno (HIRSCHFELD 1998).
A TIR consiste na taxa de desconto que faz com que o VPL seja zero, essa taxa faz com que
as entradas futuras de caixa se igualem ao desembolso inicial do projeto (CASAROTTO E
KOPITTKE 2010).
Utilizando a TIR como critério de se determinar a escolha do projeto, vai ser viável quando a
taxa interna do projeto for maior do que TMA (taxa mínima de atratividade), se a TIR for
menor do que a TMA o projeto não é viável, e não deve ser realizado. Dessa forma, isso
assegura à empresa que o retorno do investimento tem que ser igual ou maior do que o retorno
mínimo exigido por ela. Em suma, a Taxa Interna de Retorno é um índice que indica a
rentabilidade de um investimento por uma unidade de tempo (MOTTA & CALÔBA, 2002).
Aproveitando o calculo do VPL, foi possível encontrar a TIR, a qual é igual a 17,17, isso
significa que o investimento se pagará em um período de 12 anos ao adotar essa taxa como
referência.

4.1.3 Taxa Interna De Retorno Modificada (TIRM)

A Taxa Interna de Retorno Modificada, ou simplesmente TIRM, para Kelleher e Maccormack


(2005) é uma opção para substituir a TIR. A diferença entre as duas é que a TIRM considera o
- 192 -
custo do dinheiro tomado como empréstimo para financiar o empreendimento e entende que o
dinheiro que o empreendimento gerar será reinvestido.
A sequência de cálculo se dá por: 1. Calcular o valor futuro líquido dos fluxos de caixa
positivos (VFL) com a taxa de reinvestimento; 2. Calcular o valor presente líquido dos fluxos
de caixa negativos (VPL) com a taxa segura; 3. Dados tempo (n), Valor Presente Líquido
(VPL) e Valor Futuro Líquido (VFL), calcular a Taxa Interna de Retorno Modificada (i).
Para o seguinte caso, encontramos uma TIRM equivalente a 15,28%, sendo menor que a
TIR(17,17%) ,porém ainda continua maior que a TMA e é mais confiável que a TIR, portanto
o investimento continua viável segundo esse ponto de vista.

4.1.4 Payback

Segundo Frezatti (2007), payback corresponde ao período de tempo necessário para que a
empresa recupere, por meio de entradas de caixa, o investimento inicial do projeto. O Payback
é uma maneira simples e objetiva forma de avaliação de investimento, em que ela irá dizer
quando haverá a recuperação do capital investido. No entanto a análise combinada deste com
outros indicadores poderá demonstrar informações valiosas como a relação entre o valor e o
tempo de retorno dos investimentos.
A fórmula para cálculo deste é:

Payback = $ Retorno por Período / $ Investimento

Para tal investimento, observou-se que o Payback é equivalente a 5, isso significa que o
investimento se pagará após o pagamento referente ao quinto periodo.
No cálculo do payback pode ser utilizada uma taxa de desconto para os fluxos de caixa de
cada período, assim como acontece do cálculo do VPL, onde encontra-se então o Payback
Descontado.
O Payback Descontado encontrado é igual a 9, mesmo sendo maior que o Payback Simples,
ele é mais confiável pois leva em consideração o valor dos pagamentos no momento do
investimento. A tabela 1 apresenta os dados referentes a este indicador.

Tabela 1 – Fluxo de caixa versus Payback

Mês Fluxo de Caixa Payback Fluxo Descontado Payback Descontado


-R$ -R$
0 -R$ 7.000.000,00 -R$ 7.000.000,00
7.000.000,00 7.000.000,00
- 193 -
R$ -R$
1 -R$ 5.639.888,32 R$ 1.193.080,42
1.360.111,68 5.806.919,58
R$ -R$
2 -R$ 4.254.428,78 R$ 1.066.066,13
1.385.459,54 4.740.853,45
R$ -R$
3 -R$ 2.843.274,85 R$ 952.488,70
1.411.153,93 3.788.364,75
R$ -R$
4 -R$ 1.406.075,00 R$ 850.937,69
1.437.199,86 2.937.427,06
R$ -R$
5 R$ 57.527,43 R$ 760.149,24
1.463.602,43 2.177.277,82
R$ -R$
6 R$ 1.536.986,87 R$ 674.021,82
1.479.459,44 1.503.256,00
R$ -R$
7 R$ 3.032.670,40 R$ 597.730,96
1.495.683,53 905.525,04
R$ -R$
8 R$ 4.544.950,42 R$ 530.143,45
1.512.280,02 375.381,58
R$ R$
9 R$ 6.074.204,75 R$ 470.257,85
1.529.254,33 94.876,27
R$ R$
10 R$ 6.847.510,74 R$ 208.594,50
773.305,99 303.470,77
R$ R$
11 R$ 8.411.869,30 R$ 370.154,42
1.564.358,56 673.625,19
R$ R$
12 R$ 9.994.369,05 R$ 328.462,23
1.582.499,75 1.002.087,42

Fonte: autoria própria

4.1.5 Método Do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE)

O VAUE trata, segundo Casarotto Filho e Kopittke (2010, p. 95), “em achar a série uniforme
anual (A) equivalente ao fluxo de caixa dos investimentos à Taxa Mínima de Atratividade
(TMA), ou seja, acha-se a série uniforme equivalente a todos os custos e receitas para cada
projeto utilizando-se a TMA”
Esse método pode ser utilizado também para converter o desembolso de um fluxo de caixa e
os seus benefícios no custo anual uniforme equivalente e no benefício anual uniforme
equivalente, respectivamente. Assim, uma vez transformados os custos e os benefícios de um

- 194 -
fluxo de caixa em seus respectivos valores anuais uniforme equivalente podemos compará-
los. O cálculo é feito pela seguinte fórmula:

em que,
= Fluxo de Caixa do Projeto;
= Taxa de Juros do Projeto;
= Tempo de Vida do Projeto.

Sendo o primeiro termo do lado direito da expressão o valor atual de um fluxo de caixa e o
segundo termo é o fator de recuperação do capital de uma série uniforme.
Nesse caso, o calculo do VAUE resultou em R$ 177.038,11, ou seja, a série de entradas de
caixa levando em consideração o investimento inicial pode ser substituída por uma série
uniforme de pagamentos equivalentes à R$ 177.038,11, sendo um valor positivo,pois o VPL
também é positivo.

4.1.6 Indicadores De Liquidez

Os Indicadores de Liquidez avaliam qual a capacidade de pagamento da empresa quando


comparado as suas obrigações junto aos fornecedores e funcionários (DE PAULA, 2014).
A Liquidez Corrente é calculada dividindo-se a soma dos direitos em curto prazo da
empresa (contas de caixa, bancos, estoques e clientes a receber) pela soma das dívidas em
curto prazo (DE PAULA, 2014). Estas informações podem ser obtidas facilmente no Balanço
Patrimonial, nos grupos Ativo Circulante e Passivo Circulante.

Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

Nesse estudo, o valor obtido para esse indicador foi de 1,6, ou seja, a empresa tem condições
de quitar compromissos financeiros tranquilamente, onde, para cada R$ 1,00 de dívida em
curto prazo, a empresa dispõe de 1,6 reais para quitar.
A partir do resultado obtido podemos fazer a seguinte análise:

 Maior que 1 (como nesse caso): demonstra que há capital disponível para uma
possível liquidação das obrigações.
Porém, caso o valor do indicador fosse:
 Igual a 1: os direitos e obrigações a curto prazo são equivalentes.
- 195 -
 Menor que 1: a empresa não teria capital disponível suficiente para quitar as
obrigações a curto prazo, caso fosse preciso.

A Liquidez Seca tem o cálculo muito parecido com a Liquidez Corrente, com a diferença que
a Liquidez Seca exclui do cálculo acima os estoques, por não apresentarem liquidez
compatível com o grupo patrimonial onde estão inseridos (DE PAULA, 2014).

Liquidez Seca = (Ativo Circulante – Estoques) / Passivo Circulante

Para o estudo, obteve-se o valor de 0,97, o que significa quea empresa tem boa capacidade de
pagar suas dívidas sem lançar mão dos estoques. O resultado deste índice será sempre igual
ou menor ao de Liquidez Corrente, e a empresa deve ser cautelosa ao contar com o estoque
como disponibilidade para a liquidação de obrigações, pois depende da venda se concretizar
para possuir realmente o capital em mãos.

Além disso, a Liquidez Imediata é parecida com os anteriores, mas é o mais conservador de
todos, pois considera apenas caixa, saldos bancários e aplicações financeiras em seu cálculo
(DE PAULA, 2014). Ou seja, apenas as contas que possuem de liquidez imediata para quitar
as obrigações.
Liquidez Imediata = Disponível / Passivo Circulante

O valor obtido foi de 0,14. Ou seja, para cada R$ 1,00 investido, há 0,14 de capital imediato.
Logo, como este indicador exclui de seu cálculo todos os estoques, as contas e valores a
receber, acaba se tornando de grande importância para análise da situação de curtíssimo prazo
da empresa.
Por outro lado, a Liquidez Geral, de acordo com De Paula (2014) diferentemente dos três
índices anteriores que avaliam a situação de curto prazo da empresa, a Liquidez Geral leva em
consideração também todas as previsões de médio e longo prazo, incluindo no cálculo os
direitos e obrigações a frente de 12 meses, como vendas parceladas, aplicações de longo prazo
e empréstimos a pagar.

Liquidez Geral = (Ativo Circulante + Realizável em Longo Prazo) / (Passivo Circulante +


Exigível em Longo Prazo)

LG = (153.000 + 177.000)/(95.650 +45.000)


LG = 2,35

- 196 -
Todos estes valores foram obtidos no Balanço Patrimonial da empresa. Logo, calculou-se a
LG e obteve-se o valor de 2,35. O que interpreta-se como o fato de que a empresa teria
condições de arcar com suas obrigações, levando em consideração o curto e o longo prazo.
Em suma, para cada R$ 1,00 de dívida a curto e longo prazo, há R$ 2,35 de valores a receber
a curto e longo prazo.

4.1.7 Índice De Lucratividade

De acordo com Lemes Júnior et al., (2005) os índices de rentabilidade ou lucratividade


“medem o lucro e o retorno da empresa em relação a diversos itens do Balanço e da
Demonstração de Resultados do Exercício”. O resultado pode ser mensal, anual e entre
outros. Esta é a fórmula para o cálculo da lucratividade:

Margem Bruta = LB/VL =8.752.160,81/10.849.900,13


MB = 0,8067 ou 81%

Onde: LB = Lucro Bruto VL = Vendas Líquidas (ou Receitas Líquidas ou


Faturamento Líquido)

Trata-se do quanto à empresa tem de lucro após a dedução dos custos da empresa, que neste
caso foi de 81%. Ou seja, para cada R$ 100,00 de vendas líquidas a empresa de pneus tem R$
81,00 de lucro bruto. A diferença entre 1 e a Margem Bruta é a representatividade dos custos.
No caso 1 – 0,81 = 0,19, ou seja, para cada R$ 100,00 de vendas líquidas a empresa tem R$
19,00 de custos.

Margem Operacional Líquida = LAJIR/VL = 5.800.426,13/10.849.900,13


MOL = 0,5346 ou 53,46%

Onde: LAJIR = Lucro Antes dos Juros e do Imposto de Renda VL = Vendas Líquidas (ou
Receitas Líquidas ou Faturamento Líquido)
Neste caso, a MOL é de 53,46%. Ou seja, para cada R$ 100,00 de vendas líquidas a
organização estudada tem R$ 53,46 de lucro operacional. A diferença entre MB e MOL é a
representatividade das despesas operacionais. No caso 0,81 – 0,53 = 0,28, ou seja, para cada
R$ 100,00 de vendas líquidas tem-se R$ 28 de despesas operacionais. Já 1 – MOL é
arepresentatividade dos custos mais despesas operacionais. Como 1 – 0,5346 = 0,4654, para
cada R$ 100,00 de vendas líquidas a obtém-se R$ 46,54 de custos mais despesas
operacionais.
- 197 -
Margem Líquida = LLD/VL

Onde: LLD = Lucro Líquido Disponível Antes da Distribuição dos Dividendos VL = Vendas
Líquidas (ou Receitas Líquidas ou Faturamento Líquido)
Esta margem indica a representatividade do lucro disponível em relação às vendas líquidas.
Tomando os dados fornecidos, tem-se:

ML = 5.220.383,52/10.849.900,13
ML = 0,4811 ou 48,11 %

Ou seja, para cada R$ 100,00 a empresa tem R$ 48,11 de lucro disponível.

4.1.8 Taxa de retorno sobre o ativo total (ROA)

De acordo com Oliveira (2002), dentre os índices de lucratividade, que relacionam o lucro da
empresa em relação aos seus investimentos totais, tem-se a Taxa de retorno sobre ativo total
(ROA), que mensura a eficiência global da empresa em gerar lucros com seus ativos
disponíveis. Logo, calculando pela fórmula:

ROA= (Lucro liquido após o imposto de renda) / (Total de ativos)


ROA = 5.800.426,13/330.000
ROA = 17,57

Tendo em vista que este indicador mensura o quanto a empresa obteve de lucro líquido em
relação aos investimentos totais, pelo resultado do cálculo, entende-se que a empresa tem uma
boa rentabilidade.

4.1. 9 Taxa de retorno sobre patrimônio líquido – ROE

O Retorno sobre o capital próprio mensura o retorno gerado para os acionistas da empresa. De
acordo com Gitman (2001, p. 60) “O retorno sobre o capital próprio mede o retorno obtido
sobre o investimento dos acionistas ordinários na empresa. Quanto mais alto esse retorno,
melhor para os proprietários”. Quanto maior o retorno, mais atrativa é a ação. A fórmula do
ROE:

ROE = Lucro Líquido/Patrimônio Líquido


- 198 -
ROE = 5.800.426,13/189.350 + 90.000
ROE = 20,76

Logo, como o valor encontrado foi acima de 20%, podemos concluir que há uma
rentabilidade excelente no caso da empresa de pneus.

4. 1.10 Giro do ativo

De acordo com Silva (2005) este índice permite que se avalie a relação entre as vendas e os
investimentos efetuados.

GIRO DO ATIVO = VENDAS LÍQUIDAS/ATIVO TOTAL


GIRO DO ATIVO = 72.300,10/330.000 = 0,22

Então, nesse caso, para o valor encontrado, observa-se que não é um giro alto, pois mais
eficientes serão as operações da empresa do ponto de vista financeiro se este valor de giro seja
mais próximo de 1.

5. Considerações finais

A análise das demonstrações contábeis constitui importante ferramenta para a tomada de


decisões pelos diversos profissionais da contabilidade e de finanças. Diante do exposto, o
estudo teve como objetivo geral realizar uma análise econômico-financeira do Balanço
Patrimonial (BP) e Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) da empresa de pneus em
Petrolina-PE.
O intuito desta análise financeira não foi o de prever os valores futuros das variáveis
investigadas, mas sim identificar uma estrutura de relacionamento que permita a explicação
das variações ocorridas nas informações dadas. A quantidade de dados disponível nas
demonstrações contábeis facilitou a análise objetiva para diagnóstico pelo grupo.
Notou-se que o investimento da Indústria de Pneus resultou em um VPL igual à R$
1.002.087,42. Segundo esse indicador o investimento seria viável, visto que o VPL é positivo,
ou seja, a soma das entradas de caixa correspondentes ao período zero supera o investimento
inicial. Além disso, aproveitando o calculo do VPL, foi possível encontrar a TIR, a qual é
igual a 17,17, isso significa que o investimento se pagará em um período de 12 anos ao adotar
essa taxa como referência.
Em relação à lucratividade da organização que trata do quanto a empresa tem de lucro após a
dedução dos custos da empresa, obteve-se o valor de 81%. Ou seja, para cada R$ 100,00 de
- 199 -
vendas líquidas a empresa de pneus tem R$ 81,00 de lucro bruto. A diferença entre 1 e a
Margem Bruta é a representatividade dos custos. No caso 1 – 0,81 = 0,19, ou seja, para cada
R$ 100,00 de vendas líquidas a empresa tem R$ 19,00 de custos.
Por meio das análises dos índices de liquidez geral, corrente e seca constatou que a empresa
de pneus consegue honrar seus compromissos com relativa folga financeira, tanto em curto
prazo como longo prazo, sequer depende de seus estoques para solver seus compromissos.
Por fim, entende-se que os números obtidos pelos cálculos dos diversos indicadores sugerem
a viabilização financeira da empresa de pneus, ou seja, recomenda-se a atuação da empresa
com o quadro atual de valores. Tal conclusão se tem por notar que a maioria dos índices
contribuem para a manutenção da organização e garante a saúde financeira da instituição.

REFERÊNCIAS

ABENSUR, Eder Oliveira. Um modelo multiobjetivo de otimização aplicado ao processo


de orçamento de capital. Gestão & Produção, v. 19, n. 4, p. 747-758, 2012.

ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 656 p.

ASSAF NETO, Alexandre; LIMA, Fabiano Guasti. Fundamentos de Administração


Financeira. São Paulo: Atlas, 2010.

ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor – 4 ed. – São Paulo: Atlas, 2009.

BEUREN, Ilse Maria. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e


prática. São Paulo: Atlas, 2003.

CASAROTTO FILHO, Nelson; KOPITTKE, Bruno Hartmut. Análise de Investimentos:


Matemática Financeira, Engenharia Econômica, Tomada de Decisão, Estratégia
Empresarial. Editora Atlas, 11ª Edição, 2010.

DE PAULA, G. B. Indicadores de Liquidez – Corrente, Seca, Imediata e Geral. 2014.


Disponível em:<https://www.treasy.com.br/blog/indicadores-de-liquidez-corrente-seca-
imediata-e-geral> Acesso em 24 jan. 2017.

FREZATTI, Fabio. Orçamento empresarial, planejamento e controle gerencial. São


Paulo; Atlas, 2007.

GITMAN, L. Princípios de Administração Financeira. 2 ed. Porto Alegre:Bookman, 2001.

HIRSCHFELD, H. Engenharia econômica: análise de custos.6 ed. São Paulo: Atlas, 1998.

- 200 -
KELLEHER, John & MACCORMACK, Justin. Cuidado com a TIR. Traduzido por
SANVICENTE, A. Z. São Paulo: Revista HSM Management, jan-fev/2005.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho


Científico: Procedimentos básicos, Pesquisa bibliográfica, projeto e relatório,
Publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

LAPONNI, J. C. Projetos de investimento: construção e avaliação do fundo de caixa:


modelos em Excel. São Paulo: Laponni Treinamento e Editora, 377 p., 2000.

LEMES JÚNIOR, A.B.; RIGO, C.M.; CHEROBIM, A.P. Administração financeira:


princípios, fundamentos. 2005.

MACEDO, M. A. S.; SIQUEIRA, J. R. M. Custo e estrutura de capital – uma abordagem


crítica. In: MARQUES, J. A. V. C.; SIQUEIRA, J. R. M. Finanças Corporativas: aspectos
essenciais. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2006.

MARTINS, Eliseu. Avaliação de empresas: da mensuração contábil à econômica.


Caderno de estudos, n. 24, p. 28-37, 2000.

MOTTA, R. R. CALÔBA, G. M.. Análise de investimentos: tomada de decisão em


projetos industriais. São Paulo: Editora Atlas, 2002.

NEWMAN, Donald. LAVELLE, Jerome. Fundamentos de Engenharia Econômica. 1. ed.


Rio de Janeiro: LTC, 2000. 359 p

OLIVEIRA, Ivanira Correia de. Proposta de um modelo de diagnóstico do gerenciamento


financeiro de curto prazo para micro e pequenas empresas industriais. 2002. Dissertação
de Mestrado (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2002.

QUEIROZ, J. A. Aplicação do valor no risco (VAR), do modelo de precificação dos ativos


de capitais e da teoria de precificação por arbitragem na avaliação económica dos
projetos de investimento em condições de risco. Dissertação de Mestrado em Engenharia de
Produção Mecânica, Campus de São Carlos, Brasil. 2001.

REMER, D. S. & NIETO, A. P. A compendium and comparison of 25 projectevaluation


techniques. Part 1: Net present value and rate of return methods. International Journal of
Production Economics, v. 42, n. 1, 1995, pp. 79-96.

SAMANEZ, C. P. Engenharia econômica. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. 210 p.

- 201 -
SECURATO, J. R. Crédito: análise e avaliação do risco. 4ª Edição. São Paulo: Saint Paulo,
2007.

SILVA, Marcio Lopes da; FONTES, Alessandro Albino. Discussão sobre os critérios de
avaliação econômica: valor presente líquido (VPL), valor anual equivalente (VAE) e
valor esperado da terra (VET). Revista Árvore, v. 29, n. 6, p. 931-936, 2005.

WERNKE, R. Aplicações do conceito de valor presente na contabilidade gerencial.


Revista Brasileira de Contabilidade. Conselho Federal de Contabilidade, n. 126. Brasília:
2000.

WOILER, S. e MATHIAS, W. F. Projetos: planejamento, elaboração e análise. São Paulo:


Atlas, 1996.

- 202 -