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Resumo completo - Técnicas Cirúrgicas

domingo, 8 de julho de 2018 23:19

INTRODUÇÃO E CONCEITOS
CONJUNTO CIRÚRGICO. PROFILAXIA DA INFECÇÃO
CIRÚRGICA. CUIDADOS PRÉ E TRANS OPERATÓRIOS
Conjunto Cirúrgico: sala de operação, operado, cirurgião principal (chefe, responsável), cirurgiões
auxiliares, instrumentador e enfermeiros.

Terminologia
• Tomia: corte, incisão (gastrotomia)
• Ectomia: remover alguma parte ou o todo de um órgão (gastrectomia)
• Stasia: parada de qualquer líquido que tenha fluxo (hemostasia)
• Lise: desfazer, desunir (enterolise)
• Clasia: cortar/refraturar um osso (osteoclasia)
• Pexia: unir (gastropexia)
• Dese: unir/mobilizar ossos ou articulações (artrodese)
• Cesariana, de Williams, Bilroth I e II, etc.
• Plastia: reconstruir coisas (otoplastia/gengivoplastia)

Evitar!
o Tricotomia (corte do pelo) – usar raspagem dos pêlos
o Flap – retalho
o Fazer uma cirurgia – operação ou intervenção cirúrgica
o Animal tem uma patologia grave – tem uma doença
o Deiscência de pontos – soltura de pontos. Ou deiscência (abertura) da ferida

Profilaxia da Infecção Cirúrgica


A infecção cirúrgica só ocorre após uma intervenção cirúrgica.
✓ Assepsia/Antissepsia: conjunto de medidas que evitam a infecção/ir de encontro ao
microrganismo (destruir o microrganismo da pele com álcool, por exemplo, tanto do cirurgião
quanto do operado)
✓ Esterilização: método de assepsia. Destruir eventuais microrganismos que estejam em fômites.
✓ Antisséptico/Desinfetante: substância que destrói microrganismos em tecidos vivos/substância
que destrói microrganismos em fômites. A concentração é variável!
✓ Contaminação/Infecção: em fômites/em tecidos vivos.

Tipos de Infecção Cirúrgica


1. Doença Cirúrgica Primária: motivo da cirurgia (retirada de abscesso)
2. Infecção Pós-Cirúrgica: transmitida pela operação
3. Infecção por complicações de diagnóstico ou tratamento: cistocentese, coleta de sangue, injeção
4. Infecção não relacionada (incubação): independente do ato cirúrgico (gripe)
5. Infecção por implantes/próteses: material ou intervenção contaminada.

Tipos de Procedimentos Cirúrgicos


✓ Limpo: microrganismos G+, aeróbios - pele (não entra em contato com cavidades ou órgãos
contaminados).
✓ Limpo-contaminado: G-, anaeróbios – TGI/GU (inicialmente é limpo, mas, ao abrir o órgão, torna-
se contaminado).
✓ Contaminado: semelhantes à pele (boca).
✓ Sujo: microrganismos dependem do local e tipo (ânus).

Patogenia da Infecção Cirúrgica


“Para ocorrer infecção cirúrgica deve-se considerar a relação hospedeiro-parasita”.
Hospedeiro: condições fisiopatológicas (idade e moléstias), condições locais (abscessos, tecido
necrótico, hematomas), imunologia, técnica cirúrgica correta (ligadura, manipulação de vísceras e
fios).
Quanto menos mexer, melhor é o resultado!

Instalação da infecção cirúrgica


• Via endógena: mais importante. Pele, TGI, oportunistas
• Via exógena: cirurgião, ar, fômites (instrumentos cirúrgicos, espéculos, panos de campo).

Métodos Gerais de Prevenção


• Seleção e preparo da equipe (conjunto cirúrgico)
• Seleção e preparo do paciente

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• Seleção e preparo do paciente
• Limpeza e esterilização de materiais
• Preparo da sala de cirurgia
• Técnica operatória eficiente
• Pós-cirúrgico adequado

Paramentação
• Vestimenta primária (pijama cirúrgico)
• Avental
• Gorro
• Máscara
• Propé

Preparo do Paciente
• Raspagem dos pelos/banho (24h antes)
• Antissépticos
• Isolamento do campo operatório (panos ou plásticos)

Métodos de Antissepsia
• Físico: escovação/água
• Químico: antissépticos

Antissépticos
✓ Não ser irritante (biocompatível)
✓ Colorido (saber onde usou)
✓ Agir na presença de pus
✓ Não impedir reparação tecidual
✓ Poder umectante
✓ Fácil aquisição e econômico
• Exemplos: Hexa-clorofeno, clorexidine, álcool, iodo, triclosan, furazona, hipoclorito de sódio
(1% Milton; 0,5% Dakin; 5,45% água sanitária)

Limpeza dos instrumentos antes da esterilização


Manual ou lavadoras automáticas. Uso de US (princípio da cavitação, formação de vácuo e
destruição dos microrganismos).

Métodos de esterilização
• Físicos:
○ calor (seco em estufa; ou úmido em autoclave ou fervura)
○ filtração (medicamentos);
○ UV e infra-vermelho (ambiente cirúrgico – não usados)
○ radiação gama (indústrias)
• Químicos:
○ gás (óxido de etileno)
○ líquido (formol - não recomendado pela OMS).
• Estufa: 160°C por 1h (vidraria e metais). Oxidação de microrganismos.
• Autoclave: 100°C. O vapor da água penetra nos materiais
• Por gravidade: 13’’; 121°C (metal) ou 30’’; 121°C (panos)
• Vácuo: 4’’; 131°C (metal ou panos)
• Pulsação: 10’’; 121°C (metal ou panos
• Gases: óxido de etileno. 55°C por 4h ou 21°C por 12h. Pastilha de formol por 24h
• Líquidos: proibido por lei, mas se necessário, deixar 12h no mínimo!

Reconhecimento da Eficácia de Esterilização (Semanal)


• Termômetro
• Manômetros
• Tiras com coloração (marcar a data da esterilização ou o vencimento)
• Microrganismos resistentes (Bacillus stearothermophilus resiste ao calor e B. subtilis, var. globigii
resiste ao óxido de etileno)
• Cultura (mais confiável)

Uso de ATBs na Profilaxia


○ Não há necessidade: cirurgias limpas e sem infecção prévia
○ Uso indicado em cirurgias longas (>2h).
○ Uso indicado em cirurgias limpas-contaminadas longas. Uso restrito em cirurgias
contaminadas (exceção para boca).
○ Uso indicado em cirurgias sujas (anal).
○ Uso indicado se há suspeita de quebra de antissepsia/assepsia.
○ Uso indicado em infecção pós-cirúrgica.
Uso contraindicado em cavidades abdominal e torácica (pode causar aderência devido aos

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○ Uso contraindicado em cavidades abdominal e torácica (pode causar aderência devido aos
seus coadjuvantes).

Empacotamento
Pacotes individuais. Algodão, plástico ou papel. Selar os pacotes.
✓ Camada única de algodão: 1 semana
✓ Camada única de algodão duplo: 7 semanas
✓ Papel tipo crepe embrulhado: 8 semanas
✓ Plástico selado com fita: 14 semanas
✓ Plástico selado por calor: 54 semanas
Isso em armário fechado. Média de 1 mês.

TEMPOS CIRÚRGICOS
DIÉRESE, HEMOSTASIA E SÍNTESE
Diérese: abrir;
Hemostasia: coibir o fluxo (hemorragia);
Síntese: fechar.

DIÉRESE

Manobras manuais ou instrumentais que visam dividir os tecidos com a finalidade de tornar
acessível uma região ou órgão. Quando faço a separação, também é uma diérese.

• Diérese propriamente dita: magistral ou sobre sonda.


• Divulsão: tesoura romba/pontiaguda, dedo. Ato de rasgar o tecido
• Punção: diagnóstica (retirada de sangue), evacuatória ou terapêutica. Furar o tecido, tirando ou
introduzindo substâncias
• Curetagem: rasgar o tecido
• Dilatação - Feita por bisturi e tesouras (pontas: R/R, R/F e F/F; lâminas: retas e curvas;
superfície de corte: plana ou serrilhada; e tesouras especiais). Temos também termocautério,
galvanocautério, bisturis de alta energia (eletrocirurgia, bisturi de plasma, laser, radiofrequência,
ultrassônico e sônico/harmônico – sangram pouco) e criocirurgia.

→ Uso do Bisturi: empunhadura em lápis (incisões curtas <3cm), empunhadura na ponta dos
dedos (>3cm), empunhadura com a palma (grande pressão).
Tipos de movimento: pressão, deslizamento, serra e escarificação (fica em tecido vivo).

Regras gerais da diérese: extensão e localização adequada da incisão; respeitar tanto quanto
possível as estruturas anatômicas; reconhecer e incisar de forma ordenada os planos anatômicos.
Evitar a formação de espaço morto (pode haver formação de líquido inflamatório [seroma], o qual
pode se transformar em um abscesso); manobras delicadas e precisas; incisão deve ter bordas
regulares em toda a sua extensão.

HEMOSTASIA

Conjunto de manobras manuais ou instrumentais destinados a parar ou prevenir sangramento


que aconteça após a diérese. Mecanismo espontâneo, fisiológico (ou artificial) para coibir a
hemorragia.

Hemorragia: perda de sangue. Classificada quanto: origem (arterial, venosa ou capilar), momento
de ocorrência (imediata/primária ou mediata/secundária – mais problemática), local (interna e
externa).
A hemostasia biológica também ocorre e pode ser extravascular (tecidos ao redor pressionam os
vasos, inclusive a musculatura - garrote), vascular e intravascular.

Classificação:
• Temporária: preventiva ou curativa. Feita por compressão lateral, compressão circular ou em
massa – garrote, torniquete, faixa, bandagem, manguito pneumático – e com o uso de pinças
hemostáticas (pinça de Kelly e pinça de Cripe).
• Definitiva: meios cirúrgicos (pinçamento simples ou pinçamento com torção – realização de
ligaduras [imediata/mediata ou simples/transfixação] ou compressão; cauterização ou
eletrocoagulação, laser, forcipressão e sutura vascular) ou meios médicos
→Pinça hemostática: usar a menor pinça que mantenha a hemostasia satisfatória; pinçar
somente quantidade suficiente de tecido; usar a extremidade da pinça; aplicar a pinça
perpendicularmente ao vaso/superfície da ferida.

SÍNTESE
Conjunto de manobras manuais ou instrumentais que restabelece a forma e a função dos tecidos

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Conjunto de manobras manuais ou instrumentais que restabelece a forma e a função dos tecidos
separados (reconstrói os tecidos).

Fases da “Cicatrização” em tecidos normais: em tecidos normais, temos <105 bactérias/grama de


tecido.
✓ Inflamatória: neutrófilos e monócitos
✓ Proliferativa/debridamento: monócito, macrófago, células gigantes e linfócitos
✓ Remodelamento: proliferação celular e fibroblastos
✓ Maturação: fibroblastos e colágeno
→A regeneração é a epitelização do local (100%); a reparação ocorre por fibroplasia e
neovascularização.

Cicatrização por 1ª e por 2ª intenção


1ª intenção: corte pequeno, reaproximação das bordas e reparação. Quanto mais próximas
estiverem essas bordas, menor tecido colagenoso haverá, sendo menor a cicatriz. É o mais
desejado.
2ª intenção: não é possível reaproximar os bordos. Há formação de tecido de granulação e
deposição de tecido colagenoso, havendo então uma grande cicatriz.

Métodos de Síntese
• Incruentos: esparadrapos especiais, colas adesivas e malhas.
• Cruentos: fios de sutura, grampos metálicos (agrafes) e grampeador.

Regras Gerais de Sutura: assepsia e anti-sepsia, corpo estranho (usar o mínimo possível),
hemostasia e bordos regulares. Tração moderada (sem tensão!), não deixar espaços mortos,
material apropriado e manipulação delicada, ajuste anatômico e disposição dos pontos (simetria e
regularidade). Se a tensão da pele for alta, pode ocorrer isquemia e necrose.

Escolha do material de sutura: o material deve ser tão forte quando o tecido normal em que ele é
colocado; a proporção relativa entre perda da tensão da sutura e ganho da tensão da ferida;
material de sutura não é necessário após a ferida ter “cicatrizado”. Propriedades mecânicas do
material de sutura deveriam assemelhar-se àquelas do tecido a ser unido; considerar a
possibilidade de o material de sutura alterar o processo de cicatrização; fatores que retardam a
cicatrização devem ser considerados.
• Agulha (mão/cabo). Pode ser curva (cilíndrica, trifacetada, achatada, lanceolada), reta ou mista.
Temos a ponta (lanceolada, romba, trifacetada ou cônica), o corpo (cilíndrico, trifacetado ou
achatado) e o fundo (aberto, fechado ou atraumático/encastoado – fio montado na agulha).
Obs: o fio, quanto mais “zeros” tiver, mais fino ele é.
• Porta agulhas: Hegar-Mayo, Mathiew, Olsen-Hegar, Ermold
• Pinças de tecido
• Fios, fitas, anéis de sutura
A sutura pode ser feita em massa, em plano ou mista.
O material pode ser absorvível ou não absorvível, ou ainda os adesivos (cianoacrilato).
Os pontos podem ser superficiais, profundos ou variações.
Os adesivos biológicos: fibrina (órgãos parenquimatosos), colágeno (vasos e gengiva), acrilato
(pele) e cerâmica/alumínio (próteses).

Tipos de sutura: simples ou em pontos separados e contínuas. As suturas de Cushing e Lembert


são invaginantes e não contaminantes (não há contato do fio com a luz do órgão – intestino,
estômago e bexiga urinária).

Proteção das suturas: bandagem, pensos e drenos. Protegem contra traumas e bactérias,
mantém umidade, limitam a hemorragia, absorvem exsudatos, debridamento mecânico da ferida
e podem ser aderentes ou não aderentes.

Fios: fácil manipulação, mínima ou nula reação tecidual, adequado para uso em qualquer
processo operatório, fácil de introduzir no tecido, não ser eletrolítico, não alergênico e não
carcinogênico, não corrosivo e não tóxico.
• Absorvíveis naturais (orgânicos): categute, seda
• Absorvíveis sintéticos (inorgânicos): ácido poliglicólico (Dexon), poliglactina 910 (Vycril),
polidioxanona (PDS), poliglicolato (Maxon), poliglicaprone (Monocryl).
• Não absorvíveis naturais (vegetais ou minerais): algodão, linho, aço inoxidável, titânio (grampos
e implantes)
• Não absorvíveis sintéticos (inorgânicos): poliamidas (náylon e coprolactam), poliéster (Dacron,
ersilene), polipropileno (Prolene, Surgilene) e polietileno.

O fio pode ser mono ou multifilamentoso.


Resistência/força tênsil variáveis (força para quebrar o fio), capilaridade e absorção de fluidos.
Aderência bacteriana, diâmetro, força do nó, elasticidade e plasticidade (memória).
Pliabilidade (facilidade de manuseio – seda), coeficiente de atrito (desliza fácil pelo tecido).
O diâmetro do fio vai variar com o material dele (algodão 3-0 é mais grosso do que náylon 3-0).

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O diâmetro do fio vai variar com o material dele (algodão 3-0 é mais grosso do que náylon 3-0).

A reação dos tecidos às suturas depende: natureza do implante, local de implante, quantidade de
material implantado, técnica de implantação (assepsia, manipulação), período de tempo de
implantação. “A maioria das reações...”
• Reação precoce: corte do tecido
• Reação tardia: abscesso, formação de cavidade

VIAS DE ACESSO ÀS
CAVIDADES ABDOMINAIS E TORÁCICA

Celiotomia: abertura cirúrgica da região abdominal por qualquer região (flanco, linha alba, etc).
Laparotomia se refere à abertura na região do flanco.

Classificação de acordo com a extensão da incisão


• Pré-umbilical: abdominal cranial
• Retro-umbilical: abdominal caudal
• Pré-retro-umbilical: tudo
O músculo oblíquo externo do abdômen “some” quanto mais caudal for a incisão, em região
paramedial.
Parede abdominal ventral: m. oblíquo externo e interno do abdômen, m. transverso do abdômen
e m. reto do abdômen. Na parede abdominal lateral não há o músculo reto.
• Irrigação: últimas intercostais, lombares, pudenda externa e interna, epigástricas cranial e
caudal, mamárias externa e interna (torácica) e circunflexas ilíaca e femoral. Em machos, cuidado
com o pênis.
• Inervação: nervo dorsal, íleo-hipogástrico, íleo-inguinal, lombo-inguinal, etc.

Indicações: diagnóstico (obtenção de amostra para biópsia ou exploração da cavidade abdominal)


e terapêutica (abordagem às vísceras abdominais).

Pré-operatório: suspeita ou diagnostico, anamnese, avaliações físicas, laboratorial e por imagem e


preparo do paciente.

Preparo e anestesia: depilação; anestesia/medicações; posicionamento (decúbito dorsal);


antissepsia (clorexidine ou povidine); colocação dos panos de campo.

Técnica Cirúrgica: incisão da pele na linha mediana ventral, com bisturi (em cães machos, fazer
desvio lateral do pênis); Divulsão do subcutâneo, com tesoura; hemostasia. Colocação dos panos
de campo acessórios; incisão da linha alba, com bisturi (incisão mais perfeita) ou tesoura (sangra
menos), tomando o cuidado para não alcançar vísceras; colocação dos afastadores para
exploração do local.

Exploração da cavidade
✓ Quadrantes cranial: diafragma, hiato esofágico, fígado, vesícula biliar, estômago e baço.
✓ Quadrantes caudal: bexiga, uretra, próstata ou útero
✓ Trato intestinal
✓ Calhas direita e esquerda: rins, adrenais, ureteres e ovários.

Síntese: linha alba + músculo reto abdominal (direito e esquerdo); subcutâneo; pele.
Musculatura: simples separado ou X; 2-0; cortar rente ao nó
Subcutâneo: sutura contínua; 3-0 ou 4-0; cortar rente ao nó
Pele: simples separado, X, U; 3-0 ou 4-0; deixar pedaço de fio

Pós-operatório: curativo e inspeção da ferida cirúrgica; ATBs e analgésicos; colar protetor/roupa


cirúrgica; retirada dos pontos (7-14 dias).

Laparotomia: abertura cirúrgica da cavidade abdominal, na região do flanco.


Indicação: acesso aos rins (nefrotomia e nefrectomia). Não é mais tão utilizada.
→Pré-operatório: igual
→Preparo e anestesia: igual, mudando apenas o decúbito (lateral)
→Técnica Cirúrgica: incisão na pele do flanco, com bisturi, da coluna vertebral ventral ???;
colocação de panos de campo acessórios; incisão da parede abdominal, com tesoura (m. oblíquo
externo e interno, m. transverso do abdômen + peritônio). Colocação dos afastadores para
exploração.
→Síntese: musculatura (plano a plano – 3 planos), subcutâneo e pele.
→Pós-operatório: igual.

Toracotomia: abertura cirúrgica da cavidade torácica.

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Toracotomia: abertura cirúrgica da cavidade torácica.
Técnicas: intercostal (lateral), intercostal com ressecção de costela, intercostal bilateral
(transversal), transesternal (esternotomia mediana), combinada (intercostal + transesternal).
Esqueleto torácico: 13 pares de costelas, 8 esternebras e coluna vertebral.
Músculos: cutâneo, grande dorsal, serrátil ventral, escaleno, intercostais (externo e interno) e
peitorais (superficial e profundo).
Vasos: intercostais, torácicas interna e externa, epigástrica cranial e músculo-frênica. Cuidado
com o plexo localizado caudalmente a cada costela. A incisão deve ser feita cranial.
Nervos: ramos do plexo braquial, torácicos, intercostais, cutâneos lateral e costal, vago e frênico.
Indicações: cirurgias exploratórias, traumas, neoplasias e alterações congênitas. Acesso ao
coração e aos grandes vasos, acesso ao pulmão, acesso ao esôfago torácico e até coluna torácica.

→Pré-operatório: igual. Anamnese (dispneia, cianose); Rx/US; preparo (analgesia e estabilização


por toracocentese ou oxigenoterapia, por exemplo).

Toracotomia intercostal: acesso ao coração (4 e 5° EICE), acesso aos pulmões (4 e 6° EICE),


acesso ao esôfago (cranial [3 e 4° EICE] ou caudal [7 e 9° EICE). Acesso às veias cavas e ao AD
(4 e 5° EICD), acesso aos pulmões (4 e 6° EICD), acesso ao esôfago (base cardíaca no 5° EICD e
caudal entre 7 e 9° EICD).

→Preparo: é necessário realizar anestesia inalatória com ventilação mecânica (perda da pressão
negativa do tórax e não expansão pulmonar).

→Técnica Cirúrgica: contar e definir EICs; incisão da pele, do subcutâneo e do músculo cutâneo
do tronco, com bisturi (a partir da coluna vertebral ventral, 2-3cm abaixo do processo transverso
das vértebras até próximo ao esterno); colocação de panos de campo acessórios; incisão, com
tesoura, dos músculos grande dorsal (espasmos ao incisar), escaleno e peitoral; hemostasia;
separação das fibras do m. serrátil dorsal com tesoura. Incisão dos m. intercostais externo e
interno, com tesoura (cuidado com plexo); incisão do m. oblíquo abdominal externo a partir do
5-6° EIC, com tesoura; abertura da pleura parietal, com tesoura; colocação dos afastadores para
exploração (auto estático, de preferência). Colocação de dreno (em casos necessários).

→Síntese: primeiro colocar de 4 a 8 pontos simples separados, fio monofilamentado, absorvível


ou inabsorvível sintético 0 a 2-0. Depois aproximar os pontos (auxiliar) e cerrar os nós; no último
ponto inflar o pulmão. Fechar a musculatura com padrão contínuo, de plano a plano, com fio
absorvível ou inabsorvível 2-0 ou 3-0. Padrão simples contínuo (PSC) no subcutâneo, com fio
absorvível 2-0 a 3-0. PSC ou separado na pele, com fio inabsorvível sintético 2-0 ou 3-0. Se a
situação exigir que a cirurgia acabe logo, a musculatura pode ser sutura em massa. Em caso de
colocação de dreno, este deve ser colocado em uma das extremidades da ferida, evitando ao
máximo a deiscência dos pontos.

Toracotomia transesternal: necessários equipamentos de ortopedia.


Incisão de pele, subcutâneo, musculatura e já chega ao acesso às esternébras.
→Pós-operatório: curativo a inspeção da ferida cirúrgica; monitorar respiração, temperatura e
sinais de dor; ATBs e analgésicos; colar protetor/roupa/bandagem (dreno por no máximo de 5
dias); retirada dos pontos.
*Complicações: hipoventilação/hipóxia; pneumotórax/hemotórax/piotórax; enfisema subcutâneo
(ar na cavidade ou lesão em pulmão).

CIRURGIAS DE PELE
Anaplastia ou Cirurgia Reparadora da Pele: todas as técnicas que visam reparar e fechar.
• Defeitos congênitos ou adquiridos
• Perdas teciduais secundárias a traumas
• Cicatrizes extensas
• Remoção de neoplasias

Esse fechamento pode ocorrer através da união direta dos bordos da pele
Visa mais o lado funcional do que o estético. Selecionar a técnica apropriada e importante. A
diversidade de técnicas é útil para evitar complicações operatórias e evitar gastos desnecessários.

Epiderme: externa (proteção), fina com áreas de grande quantidade de pele, elástica, avascular,
queratinização
Derme (pele verdadeira): espessa, vasos linfáticos, nervos, folículos pilosos, glândulas. Área de
nutrição e suporte da epiderme.
Hipoderme: não é considerada pele, mas está em relação com as demais camadas. Abaixo dela
encontramos o musculo cutâneo do tronco, sendo chamado de platisma na face.
Anexos: folículos pilosos, glândulas sebáceas e pelos.
Vascularização: rico sistema (termorregulação), suínos tem a pele solta por deficiência de vasos

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Vascularização: rico sistema (termorregulação), suínos tem a pele solta por deficiência de vasos
musculo cutâneos. 16 artérias cutâneas simples (passa por entre os músculos até chegar à parte
cutânea da pele) e 23 mistas (passa por dentro das fibras musculares).
✓ Plexos superficial/média/profundo.

Linhas de Tensão. Quando incisamos paralelamente essas LT, há menor


alargamento/deformação, facilitando a cicatrização da ferida. Quando há incisão perpendicular, há
deformação da incisão e pode causar dificuldade na cicatrização, bem como estimulação de uma
hipertrofia tecidual. As LT variam de acordo com idade, sexo e padrão racial. Importância: menor
afastamento dos bordos da ferida, menor uso suturas e boa evolução da cicatriz.
Funções da pele: proteger estruturas, secreção/excreção, regulação térmica, síntese de vit. D,
estoque de água, controlar pressão sanguínea, pigmentação, reconhecimento de proteínas
estranhas, própria manutenção, forma e manutenção, indicação de doenças.
A cicatrização da pele ocorre por epitelização. 50-80% por fibroblastos. As fibras de colágeno, ao
final do processo de cicatrização, tornam-se horizontais novamente.
Fases da cicatrização: inflamação, debridamento, reparação e maturação. As fases dependem do
tipo de ferida e do grau de contaminação do local.
Retração cicatricial: colabora na evolução da ferida. Contudo, pode causar deformação e perda da
função do local, bem como estenose de orifícios (próxima em articulação do joelho/ânus). Ocorre
por contração, formação de tecido de granulação e epitelização (dos bordos para a periferia).
Fatores que afetam a cicatrização: idade (idosos), doenças (diabetes), fatores de coagulação,
animais obesos (tecido adiposo interfere), status imune, má nutrição, ATB (cloranfenicol),
seroma/hematoma, infecção/tecido desvitalizado, denervação (lambedura da região após secção
de nervo), corpo estranho (quantidade de material de sutura), corticóides, AINEs,
quimio/radioterapia.
Cicatriz saudável/cosmética: evitar a tensão nos bordos da ferida, evitar pontos muito próximos à
incisão, manter distâncias adequadas, retirar os pontos no período correto, prevenir infecções
durante o trans/pós-operatório, colocação de bandagens adequadas para evitar
urina/fezes/lambedura.

Pré-operatório
• Exames complementares: FR, FH, ECG, Rx, TC.
• Banho com sabonete antisséptico (triclosan, proderm, soapex, clorexidine).
• Jejum alimentar de 12h e hídrico de 4h.

Transoperatório
• ATB: ampicilina, cefalexina ou ceftriaxona
• Assepsia: clorexidine ou álcool + PVP iodo

Pós-operatório
• ATB: 10 dias
• AINEs: carprofeno
• Analgésico: dipirona, tramal
• Limpeza da ferida com solução fisiológica
• Clostebol + neomicina – trofodermin creme
• Triticum vulgare – bandvet creme
• Bandagem (a pele deve ficar parada por pelo menos 72h para a formação de novos capilares)
As suturas têm a finalidade de justapor os bordos. A distância entre o bordo da ferida e a entrada
da agulha deve ser no mínimo de 5mm, reduzindo assim a resistência. A distância entre 2 pontos
deve ser 2x a espessura da pele. A sutura apertada demais causa dor.
Suturas: Donatti, U separado, PSS, Intradérmica, Sultan e walking suture (distribui tensão,
oblitera espaço morto e movimenta a pele, aproximando os bordos.
Fios devem ser delicados (a espessura não é quem mantém a sustentação da posição). O nó deve
ser posicionado para não interferir na cicatrização e na epitelização (fora da incisão, de estruturas
vitais, de pontos de contaminação, ou seja, ao lado da incisão).
✓ Tensão intrínseca: depende do ajuste da sutura, da espessura do fio, pressão de fechamento e da
laçada ao final da sutura.
✓ Tensão extrínseca: relacionada com a LT da região da sutura.
Técnicas de anaplastia: assepsia de toda a equipe, instrumentos e sala, manipulação delicada dos
tecidos, preservação da vascularização e remoção de tecido necrótico. Boa hemostasia,
aproximação tecidual em forma anatômica, obliteração de espaço morto e uso adequado de
materiais.

Debridamento
Processo utilizado para remoção de tecido necrótico, drenagem cirúrgica de conteúdo. Fazer
lavagem abundante.
Pode ser feito em camada (da superfície da ferida para o fundo, observando estruturas) ou em
bloco (pode lesar outras estruturas).
Se houver corpo estranho, deve-se remover. Realizar hemostasia e reparo da região. Evitar
pressão prolongada, uso de afastadores, ligadura em massa. Retirar plugs de tecido necrótico.

Página 7 de Anotações Rápidas


Deslizamento
Indicado quando a ferida é extensa para fechar. Separação da pele e do tecido celular subcutâneo
(divulsão). Indicada quando há grande perda de tecido, permitindo assim a aproximação desses
bordos de tecido e a sutura. Permite a utilização da elasticidade natural da pele para cobrir o
defeito. A divulsão é feita com uma tesoura romba ou cabo de bisturi ou ainda digital,
visualizando as estruturas da região.
Bastante utilizada em tronco e cabeça (mobilidade da pele). Conhecer irrigação e cuidado com
formação de espaço morto (pode usar walking suture).

Correção dos defeitos cutâneos através de figuras geométricas


Após a excisão de uma lesão, remoção de tumores. Facilita a reconstrução e a sutura da pele.
✓ Fusiforme: permite o fechamento cosmético (2 meias luas). Permite sutura em formato linear.
✓ Quadrado: sutura extremidade com margem de segurança. Pss e cicatriz em X
✓ Retângulo: sutura extremidade. Pss e cicatriz em Y.
✓ Triângulo: sutura os vértices. Pss e cicatriz em Y.
✓ Em cunha: quando é removida a espessura (pálpebra e comissura labial). Sutura em planos
(mucosa e parte cutânea) e semelhante ao triângulo. Pss.

Técnicas de liberação de tensão


Visa distribuir de forma uniforme a tensão da região.
• Incisão simples ou múltiplas: paralela ou adjacente a ferida. Avança a pele entre os bordos e
permite a aproximação. Região de abdômen e membro é bastante utilizada, diminuindo as
deiscências.

V-Yplastia
Utilizada em regiões próximas à pálpebra. Incisão em V e sutura em Y. Deve haver pele suficiente
ao redor da ferida.

Zplastia
Transformação de 2 retalhos em triângulo de pele. Corpo + 2 braços devem ter o mesmo
tamanho (ângulo de 30-90°). Alivia a tensão de cicatrizes lineares em regiões que tendem a
diminuir a região circular (retração cicatricial) em zonas de movimento ou próximo à orifícios, em
áreas de pouca pele. A desvantagem é o número de cicatrizes.

Hplastia
Interessante em lesões torácicas e abdominais, com boa quantidade de pele sobrando. Temos 2
pequenos retalhos com vascularização individualizada. Maior sobrevivência.

Wplastia
Quebra a linha de tensão. Cicatriz em zig-zag, sem rotação de tecido. Indicada em cicatriz curva,
reta hipertrófica ou contra a linha de tensão.

Retalhos Cutâneo Pediculado/Flap


Porção de pele celular subcutâneo com vascularização própria que se desloca de uma área
doadora para uma receptora. Fornece vascularização para áreas isquêmicas.
✓ Suprimento sanguíneo/randomizado
Não tem o pedículo vascular definido (retalho de avanço, de rotação, V-Y)
✓ Localização em relação ao defeito
Mantem as mesmas características da pele a ser reconstruída. Por rotação, por avanço, à
distância (diretos ou indiretos).
✓ Composição tecidual do retalho: miocutâneo
Vantagens: evita cicatrização por 2ª intenção, contração, epitelização frágil, reduz custo.
• Retalho por avanço: segmento de pele que desliza sobre o defeito. Pediculado único ou simples.
Bipediculado ou Hplastia, V-Yplastia. Aproveita a própria elasticidade da pele. 2 incisões iguais.
• Retalho por rotação: local, semicircular, borda em comum com o defeito. Lábio vulvar.
• Retalho por Transposição: gira 45-90° do eixo da ferida. Retangular, traz pele adicional quando
rotacionado dentro do defeito. Quando alinhado às LT, melhor. Seu comprimento corresponde
quase que 2X ao comprimento do defeito.
• Retalho de padrão axial: melhor perfusão que os retalhos pediculados randomizados. Melhor
sobrevivência. A circulação provém do plexo subdérmico. Cuidado com tamanho de retalhos.
Transferência de extensos pedaços de pele para outro local.
• Retalho cutâneo pediculado à distância: são necessárias mais de 1 intervenção cirúrgica. Pode ser
em bolsa abdominal ou bolsa torácica. O temperamento do animal é importante (membro
imobilizado por 2-3 semanas), bem como doenças associadas. Indicada para extremidade de
membros.
• Retalho pediculado: simples, econômico, utilizado em local com pele solta e elástica adjacente ao
defeito. Mantém padrão uniforme de cor e crescimento de pelos.
Funcionam bem e permitem a reconstrução. Cuidado com inflamações posteriores. Evitar nas
primeiras 48-72h a movimentação e, após esse período, renovar a bandagem.
Ao selecionar a técnica, considerar: tamanho do animal, local da cirurgia, etc.

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Ao selecionar a técnica, considerar: tamanho do animal, local da cirurgia, etc.
Complicações: tecido necrótico.
Nos animais, o retalho é mais vantajoso do que o enxerto livre. Os enxertos são mais complexos
pela vascularização e formação de tecido de granulação. Em algumas regiões sua colocação é
restrita. O enxerto por semeadura é mais utilizado.
As bandagens auxiliam na proteção da ferida em cicatrização. Depende do material utilizado em
relação à sua função. Deve exercer determinada pressão, reduzindo edema, obliterando espaço
morto e as vezes até debridação e limpeza de exsudato da ferida. Promove conforto e pode
indicar a quantidade de secreção que o local está eliminando. Possui 3 camadas (contato,
intermediária e externa).
✓ Bandagem absorvente: depende da camada primária. Utilizada em estágios iniciais da
cicatrização.
✓ Bandagem aderente seca: função de debridamento da ferida; não deve ser utilizada por muito
tempo.
✓ Bandagem aderente úmida-seca: quando a 1ª camada é umedecida com solução que auxilia na
cicatrização, sendo a 2ª camada seca. Cuidado com instalação bacteriana.
✓ Bandagem aderente úmida: quando há tecido necrótico e secreção, com intuito de debridação.
✓ Bandagem não aderente inicial: quando há tecido de granulação, faz-se uso de nitrofurasona para
auxiliar a cicatrização sem ocorrer aderência da bandagem.
✓ Bandagem não aderente tardia: quando já há granulação e epitelização, reduzindo a aderência
com soluções.
✓ Bandagens oclusivas: protege contra contaminação. Ferida com retração/epitelização/tecido de
granulação.
✓ Bandagens Compressivas: diminui edema, hemorragia ou excesso de tecido de granulação.
Cuidado para não lesar vascularização e enervação. Robert Jones (tampão seco + fralda +
atadura + atadura de refinamento).
Agentes tópicos: água morna (ducha ou limpeza manual), soluções fisiológica/ringer, clorexidine
(feridas contaminadas; não realizar diluição em solução fisiológica ou ringer, e sim em água
destilada), PVP + iodo (feridas contaminadas; inativado por material orgânico e tóxico para as
células de cicatrização; cuidado com felinos e animais com hipo/hipertireoidismo), água
oxigenada (presença de anaeróbios ou esporos), líquido de Dakin, nitrofurasona
(polietilenoglicol – Nitrofurasin), ATB (bacitracina, neomicina, gentamicina).

CIRÚRGICAS OFTÁLMICAS
Princípios e Fundamentos:
○ Conhecer a anatomia, fisiologia e afecções nas diferentes espécies.
○ Conhecer os fundamentos cirúrgicos básicos
○ Conhecer os materiais e equipamentos apropriados
- Blefarostato - afastador para olho
○ Realizar uma anestesia adequada

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Pré-operatório:
○ Suspeita ou diagnóstico; anamnese; avaliações física
○ Exame aboratorial e por imagem (US ocular e tomografia; Rx de crânio em poucas situações),
○ Exame oftálmico completo;
○ Preparo do paciente (banho tomado e tosado, jejum hídrico e alimentar, AINE e ATB);
○ Materiais cirúrgicos (lupa, blefarostato, tesouras, agulhas e pinças mosquito).

Preparo e anestesia do paciente:


1. Depilação/tosa prévia
2. Anestesia/medicações - de preferência anestesia geral inalatória ou outras que não deixem o
animal piscar ou movimentar o globo ocular
3. Posicionamento em decúbito lateral
4. Antissepsia com povidine e clorexidine
5. Colocação dos panos de campo (fenestro ou 3 panos de campo formando um triângulo).

Pós-operatório:
○ Prescrições de medicamentos - ATB/AINE/Analgésicos
○ Colar protetor - realizar higienização periódica do colar
○ Repouso
○ Curativo e inspeção da ferida cirúrgica (diário ou 2-3 vezes por semana), Compressas (bolsa
de gelo, caso ocorra hemorragia)
○ Retirada de pontos em 10-14 dias.

ENUCLEAÇÃO
○ Enucleação - retirada cirúrgica do bulbo ocular e também da terceira pálpebra e das margens
palpebrais. É realizada a incisão de todos os músculos e corte do nervo óptico.
○ Exenteração - quanto retiramos tecidos moles adjacentes ao bulbo ocular, ou seja, a gordura
orbitária, músculos perioculares, saco conjuntival e parte ou toda a pálpebra. É indicado em
casos de neoplasias
○ Evisceração - consiste na extração do conteúdo do globo ocular (íris e humor vítreo,
mantendo a esclera e, as vezes, a córnea. Todo o conteúdo do olho é removido através de
curetagem. Pode-se implantar uma prótese esférica para preservar o volume ocular.

Indicações:
○ Neoplasias intraoculares - não importa se benigna ou maligna pois não é possível diferenciar.
Depende de faixa etária e pigmentação. Para neoplasias pequenas, ou seja, de até 1/3 da
pálpebra, remover o local em triângulo ou trapézio, suturar com ponto em "8"
- Benignas: papiloma, histiocitoma, adenoma
- Malignas: carcinoma, adenocarcinoma, melanoma, mastocitoma
○ Infecções intraoculares - como a endoftalmite e panoftalmite quando não respondem ao
tratamento e além da dor, são fontes de contaminação e infecção.
○ Glaucoma não responsível à terapia clínica - ou seja, quando o paciente já está cego, com
dor e sem resposta ao tratamento
○ Exoftalmia traumática não corrigível - muito comum em braquicefálicos. Depende muito de
cada caso, se a tentativa de reposicionamento e tratamento não funcionar, a enucleação pode
ser realizada em último caso. Se a exoftalmia acontecer em animais não braquicefálicos
significa que a lesão ou trauma foi muito grande a ponto de causar a exteriorização do bulbo.
Já no braquicefálico é muito mais fácil e comum acontecer devido a anatomia do animal.
Trauma ocular com hemorragia grave ou perda de humor vítreo

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○ Trauma ocular com hemorragia grave ou perda de humor vítreo

TÉCNICAS DE ENUCLEAÇÃO

6. Subconjuntival - na maioria dos casos. É realizada a divulsão abaixo da conjuntiva. Deve-se


remover a terceira pálpebra após a enucleação pois ela tem a glândula lacrimal que pode fistular,
caso não seja removida. É interessante realizar o bloqueio do nervo retrobulbar pois diminuirá a
possibilidade de dor no pós-cirúrgico.
7. Transpalpebral - em casos de contaminação e neoplasias de superfície ocular. Causa mais
sangramento. Também é interessante remover as bordas palpebrais antes da síntese pois isso
ajuda na cicatrização.

Enucleação subconjuntival
1. Cantotomia- abertura do canto lateral do olho. Delimita-se a área a ser cortada com a pinça
hemostática reta. Essa técnica também pode ser usada na cirurgia de catarata.

2. Divulsão da conjuntiva - com tesoura curva delicada

3. Secção dos músculos extraoculares - com tesoura delicada. Dos 7 músculos oculares extrínsecos,
sendo 6 incisados durante a divulsão e o último, o m. Retrator do bulbo ocular, que é seccionado
no fim. Músculos oculares extrínsecos: m. Oblíquo dorsal, m. Oblíquo ventral, m. Reto dorsal, m.
Reto lateral, m. Reto medial, m. Reto ventral, m. Retrator do bulbo.

4. Remoção do bulbo ocular - através do pinçamento com hemostática curva e secção com tesoura
curva do nervo óptico para.

5. Remoção da terceira pálpebra - através do seu pinçamento com pinças hemostáticas curva e
secção com tesoura curva e bisturi. É necessário realizar a ressecção das margens palpebrais para
facilitar a cicatrização.

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6. Síntese da ferida cirúrgica
→ Na conjuntiva: cerzidura, fio absorvível/inabsorvível, sintético monofilamentado, 4-0 ou 5-0
→ Subcutâneo: mesmo padrão da conjuntiva, fazer se necessário
→ Pele: PSS, fio inabsorvível sintético monofilamentado, 4-0

Enucleação transpalpebral
1. Sutura da fissura palpebral - com ponto cerzidura
2. Incisão da pele em elipse - com bisturi e divulsão do subcutâneo sem lesar os fórnices
conjuntivais usando tesoura delicada.
3. Secção dos músculos extraoculares
4. Remoção do bulbo ocular - a terceira pálpebra vai junto
5. Síntese da ferida cirúrgica - conjuntiva, subcutâneo e pele. Para a ferida não ficar muito "funda" e
esteticamente feia, é possível realizar uma ancoragem com os fios.
Complicações: hemorragia, infecção, deiscência e fístula (não é comum).

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Recobrimento com 3ª pálpebra (Flap)
Conceito: recobrir a córnea com a terceira pálpebra para auxiliar em sua recuperação.
Indicações: em caso de ceratites ulcerativas (úlcera de córnea) ou nas ceratopatia bolhosa.

1. Aplicação de ponto do tipo jaquetão (sobreposição) com uso de capton (tipo de borracha que
impede que a linha e sutura entre no olho e também que ele corte o olho). Fio inabsorvível
sintético monofilamentado, 3-0, agulha cilíndrica.
2. Após recobrir o olho com a terceira pálpebra, permanecer por volta de 30 dias para ajudar na
cicatrização e recuperação da córnea.
Complicações: o maior problema dessa técnica é que o olho fica todo recoberto e não é possível
ver se melhorou ou não durante esses 30 dias. Existe uma outra técnica utilizada nos EUA em que
não é feita a cobertura completa do olho, PORÉM, é muito mais cara e não muito comum no
Brasil.

Tarsorrafia
Conceito - sutura de pálpebra na região do tarso
Indicação - fechamento palpebral temporário após a recolocação do bulbo ocular em casos de
exoftalmia traumática.
Aplicação de pontos do tipo “U” horizontal (Wolff) com captons nas pálpebras superior e inferior
(fio inabs. sintético monof., 3-0, agulha delicada e, se possível, cilíndrica). A sutura deve englobar
apenas pele e subcutâneo, não podendo atravessar a conjuntiva e a pálpebra pois apesar do olho
estar fechado, ele continua a se mexer e se o fio estiver na conjuntiva ele irá "esfregar" na córnea
podendo causar uma lesão.

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Blefarorrafia
Conceito - sutura de pálpebra
Indicações - para correções de lacerações palpebrais, após exérese de neoplasias palpebrais e em
blefaroplastias.

Aplicação de PSS. O ponto na margem tarsal pode ser em “8” para não machucar a córnea. Fio
inabs. sintético monof., 4-0 a 6-0, agulha delicada. Cuidado para não atravessar a conjuntiva e
lesar a pálpebra.

CIRURGIAS DA CAVIDADE ORAL E ANEXOS


Anatomia do Periodonto: gengiva (periodonto de proteção), ligamento periodontal (tecido
conjuntivo denso à base de colágeno), cemento (recobre a raiz) e osso alveolar (só existe porque
existe dentes; pode ser reabsorvido após extração). Há o sulco gengival (2mm de profundidade;
se passar de 4mm, é chamado de bolsa periodontal).
Radiograficamente, das 4 estruturas vemos apenas o osso e o cemento, mas este último não
conseguimos delimitar. Mas vemos nitidamente esmalte e dentina. O espaço entre 2 raízes do
mesmo dente é chamado de furca. Há também o corno pulpar, canal radicular (onde está a
polpa), lâmina dura/tábua cribiforme (osso cortical em contato com o dente), espaço periodontal
e crista alveolar.

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e crista alveolar.

Periodontite: inflamação infecciosa do periodonto. Substância que se adere ao dente contém


bactérias, as quais podem destruir o esmalte e a gengiva. Quando há destruição do esmalte,
temos a cárie. Se houver destruição da gengiva, há perda de aderência e início da doença
periodontal; quando ela avança, pode haver aumento da profundidade do sulco, sendo então
irreversível, caracterizando a periodontite.
Localização: toda boca, supra-gengival e sub-gengival (mais importante). Bactérias normalmente
gram +, aeróbias e sem motilidade. A placa bacteriana leva cerca de 10 dias para ficar espessa.
Tem prevalência de 85% em cães e gatos. A endocardite bacteriana é frequente em humanos,
mas não em cães e gatos. Por outro lado, glomerulonefrite é bastante frequente em animais. Bem
como, hepatite, disco-espondilite, artrite, meningite, etc.
Tratamento: raspagem (US e manual), aplainamento radicular nas superfícies radiculares
expostas, polimento dental (pastas abrasivas), extração de dentes com periodontite severa.
Objetivos: remover toda placa e cálculo, tornar a superfície mais lisa e diminuir a deposição de
placa bacteriana, facilitando assim o controle da placa.
→O pH de cães e gatos gira em torno de 8 (normal em humanos é entre 7 e 7,2). Quanto mais
alto o pH, mais deposição de cristais ocorrerá.
Pode haver, até os 7 meses, permanência de dentes decíduos. Caso permaneça por mais tempo,
pode haver predisposição à DP.
Em felinos, há Lesão de Reabsorção Dentária (odontoclástica) dos Felinos (LRDF). Não se
sabe a causa, mas sua prevalência é elevada. Mais comum na face vestibular do dente, região
cervical (entre gengiva e dentina) e dentes inferiores, mas pode ser disseminado. A gengiva se
descola. Radiografar toda a boca.
Tratamento: arrancar o dente (dor intensa).
Há também o Complexo Gengivite-Estomatite-Faringite dos Felinos (CGEFF). Etiologia
desconhecida (suspeita de calicivírus). Lesão em região de tonsila (avermelhamento). O
tratamento consiste na extração total dos dentes. Pode ocorrer também em cães e em humanos
(mais brando). Pode-se tentar iniciar o tratamento com AIE e limpeza dentária.

Doença endodôntica: fratura dental (pulpite). Fístula infraorbitária (a partir de uma abertura da
polpa, há entrada de bactérias no dente e formação de fístula na região infraorbitária). Lesão
mecânica (rompimento de microvasos da polpa com sua consequente isquemia).
→Anacorese: fenômeno pelo qual microrganismos possuem taxia por locais inflamados. Devido à
fatores produzidos pela própria lesão, há atração de microrganismos para a região. Por isso evita-
se 2 intervenções cirúrgicas no mesmo procedimento, sendo uma delas infecciosas (limpeza
dentária + mastectomia). Pode evoluir para uma septicemia.
Quanto mais idoso é o animal, mais dentina ele produzirá. Menor será a polpa (produz dente para
dentro). O odontoblasto é que produz o dente para fora e este está localizado na periferia da
polpa.
Endodontia: Gutta Percha (cone de látex para ser colocado no local onde havia polpa -
bacteriostático) + substância bactericida (cimento endodôntico).
Em caso de avulsão do dente, pode-se colar no lugar novamente. Deve-se fazer uma contenção
com fio de aço (ferulização).

Fraturas
• Estabilização do paciente
• ATB e AI
• Preservação dos dentes
• Manter a oclusão (mordedura), permitindo a mastigação
Uso de resina acrílica auto-polimerizável.
✓ Vantagens: barata, não invasiva, oclusão próxima ao normal, pode comer logo após a cirurgia
✓ Desvantagens: deve ter dentes, inflamação
Deixa por volta de 6 semanas. Se possível, escovar os dentes ou jogar clorexidine 2x ao dia. Ao
final, quebrar a resina (brocas e fórceps) e realizar o polimento dental.
Rânula: cialocele (coleção de saliva em local inadequado) debaixo da língua.

CIRÚRGIAS DO SISTEMA GENITAL MASCULINO


Anatomia
→ Epidídimo (Cabeça, Corpo, Cauda)
→ Túnica vaginal parietal + visceral (única)
→ Túnica albugínea - fibrosa
→ Ligamento da cauda do epidídimo
→ Ligamento próprio do testículo
→ Ducto deferente –inicia na cauda do epidídimo – ascende plexo pampiniforme – anel
inguinal – cav. Abdominal

TESTICULO
Linfáticos testiculares – linfonodos ilíacos

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→ Linfáticos testiculares – linfonodos ilíacos
→ artéria testicular – aorta
→ veias – plexo pampiniforme
→ v. testicular dir – cava caudal
→ v. testicular esq – v. renal esq.

ESCROTO
→ Bolsa membranosa esférica – 2 cavidades separadas por septo mediano.
→ Pele fina, pigmentada e com poucos pêlos
→ Irrigação: a. Pudenda extern
→ Linfáticos – linfonodos inguinais superficiais
→ Função: termoregulação dos testículos

PREPÚCIO
→ Bainha tubular contínua com a pele do abdômen ventral
→ Irrigação: a. dorsal do pênis, a. Pudenda externa, a. do bulbo do pênis, a. Epigástrica
superficial caudal
→ Drenagem: v. superficial e profunda da glande, v. dorsal do pênis, v. pudenda externa
→ Dorsalmente – 2 camadas
→ Lateral / ventral – 3 (pele, parietal e visceral)

PÊNIS
→ Raiz / corpo / glande(porção distal)
→ Osso peniano
→ Irrigação: 3 ramos da a. do pênis (origem da pudenda interna): a . Do bulbo, a . Profunda do
pênis, a . Dorsal do pênis.
→ Drenagem venosa: veias pudendas interna e externa.
→ Inervação: nervos dos plexos sacral e pélvico
→ Linfáticos penianos –linfonodos inguinais superficiais.

PRÓSTATA
→ Único órgão sexual acessório machos – fusão dos ductos Müllerian
→ Pequena- intrapélvica – bilobulada – colo bexiga
→ Adulto – aumento por hiperplasia – mais cranial (abdominal)
→ Sulco dorsal e ventral
→ Ductos deferentes passam ao redor ureteres entram uretra prostática (superfície dorsal)
→ Irrigação: a. prostática (a.ilíaca interna)
→ Drenagem: v. prostática e uretral (v. ilíaca interna)
→ Linfáticos: linfonodos ilíacos
→ Inervação: n.hipogástrico + pélvico →plexo pélvico

OMENTO
Tem a capacidade promover angiogênese, aumentar a drenagem linfática, promover aderência,
levar a resolução de infecções crônicas, tem propriedades fagocitárias, angiogênicas e
imunológicas local

PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO DAS NÃO ELETIVAS

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PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO DAS NÃO ELETIVAS
Pré operatório
→ exames complementares quando há suspeita de alguma afecção concomitante
→ jejum alimentar de 12h e hídrico de 4h
→ banho com sabonete antissépticos, quando possível, 24h antes.
Pós-operatório
→ AINES = antibioticoterapia (enrofloxacina 5mg/kg 12/12horas – quando necessário
cultura+antibiograma)
→ Renovação do curativo com micropore
→ Colar elizabetano, bandagem

PRINCIPAIS PROCEDIMENTOS - GENITAL MASCULINO


1. Orquiectomia
2. Gonadectomia
3. Orquiectomia + ablação do escroto
4. Vasectomia
5. Reconstrução do orifício prepucial
6. Penectomia Cão
7. Penectomia Gato
8. Omentalização
9. Marsupialização da próstata
10. Prostatectomia Total

ORQUIECTOMIA
Conceito - ablação de um ou ambos testículos. Também pode ser chamada de testectomia.
Indicações - contracepção, comportamental (agressividade, fugas, demarcação de território,
monta), doenças como a HPB, adenoma perianal, neoplasias nos testículos ou escroto, hérnia
perineal, trauma e abcessos, uretrostomia escrotal (criação de fístula permanente na uretra).
→ No cão - pré-escrotal no adulto e escrotal no filhote
→ No gato - pré-prepucial (peniana) e escrotal. Vantagens: diminui o odor da urina, evita a
demarcação em spray e evita brigas.
Complicações - hemorragia, infecção, edema bolsa escrotal, deformação da bolsa escrotal,
peritonite. Efeitos indesejáveis como o ganho de peso, podem ocorrer.

TÉCNICA DA ORQUIECTOMIA
Abertura - incisão da túnica devem ser suturadas
Fechada - em gatos, cães de pequeno porte e filhotes
Decúbito dorsal
Incisão da pele cranial ao escroto (rafe) 3cm
Incisão da fascia + túnicas
Exposição do testículo
3 pinças cordão espermático – secção + ligadura
Romper ligamento
Sutura túnica
Sutura pele

GONADECTOMIA PRÉ-PUERPERAL
Conceito - retirada das gonadas (testículos) antes da puberdade do cão e gato
Pode ser escrotal ou fechada.
Jejum de no máximo 4h devido a possibilidade de hipoglicemia (metabolismo hepático)
Vantagens – rápida recuperação, maior elasticidade dos tecidos, fácil execução
Efeitos indesejáveis - genitália externa infantil, retardo no fechamento do disco epifisário

ORQUIECTOMIA + ABLAÇÃO DO ESCROTO


Indicações - escroto pendular, abcesso testicular, neoplasia escrotal ou testicular, uretrostomia
escrotal

VASECTOMIA
Conceito - é a ligadura dos canais deferentes
Indicações – esterelização de animais com doenças genéticas, nos casos que o proprietário é
refratário à orquiectomia, preserva a aparência cosmética, sem os efeitos indesejáveis da
castração
Complicações – a libido permanece, brigas e demarcação de território continuam

TÉCNICA DA VASECTOMIA
Via de acesso semelhante a orquiectomia
Incisão da túnica na região do cordão espermático – não expor o testículo!

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Incisão da túnica na região do cordão espermático – não expor o testículo!
Separar o ducto deferente da artéria
Excisar 2cm + ligadura das extremidades com fio não absorvível
Sutura da túnica – pele – p.s.s

RECONSTRUÇÃO DO ORIFÍCIO PREPUCIAL


Fimose - incapacidade de exteriorizar o pênis do prepúcio
→ Indicações - Orifício prepucial ausente ou hipoplásico, Contração de ferida, neoplasia pênis ou
prepúcio, Acúmulo de urina / dificuldade cateterização
→ Tratamento - reconstrução do orifício prepucial – exceto em doenças inflamatórias ou
infecciosas
Parafimose - pênis permanece exteriorizado e não retorna a sua posição normal
→ Indicações - Orifício prepucial pequeno, prepúcio menor comprimento, trauma, infecção, após
coito ou masturbação
→ Tratamento: reconstrução do orifício prepucial

TÉCNICA DA RECONSTRUÇÃO DO ORIFÍCIO PREPUCIAL


Decúbito dorsal
Incisão de toda a espessura em triângulo – ventral ou 360º do orifício
Comprimento + largura dependem do grau de estenose
Sutura da pele + mucosa – p.s.s – fio não absorvível – monofilamento
Complicações – perda suporte e proteção do pênis

PENECTOMIA - CÃO
Conceito - amputação peniana
No caso da penectomia parcial ou total, deve-se realizar a uretrostomia cutânea
Indicações - Trauma severo do pênis e/ou prepúcio, Neoplasias, Prolapso uretral recorrente,
Parafimose persistente, Prepúcio removido ou encurtado

TÉCNICA DA PENECTOMIA - CÃO


Decúbito dorsal
Cateterização
Torniquete caudal a incisão
2 incisões – dorsal+ventral
Secção do osso peniano – preservar uretra
Incisão da uretra 2cm cranial a incisão do pênis
Liberação do torniquete – ligadura da a.dorsal do pênis
Sutura – p.s.s
Ressecção proporcional do prepúcio dependendo da extensão da amputação do pênis
Lesões pequenas do pênis – incisão circular

Técnica das 3 pinças


1. Ligadura do cordão espermático
2. Incisão circular ao redor do prepúcio
3. Garrote na base peniana
4. Incisão abaixo do osso peniano e exposição da uretra peniana
5. Incisão da uretra e confecção de uretrostomia

PENECTOMIA - GATO (URETROSTOMIA PERINEAL)


Indicações - Obstrução (urólitos, plugs uretrais), Trauma uretral (cateterização)
Complicações - Estenose, Infecção de Trato Urinário, Hemorragia

TÉCNICA DA PENECTOMIA - GATO


Técnica cirúrgica minimizando trauma tecidual! (técnica e material!)
Confecção da abertura uretral no local adequado (> 0,5cm)
Sutura da mucosa uretral + pele
Colocação dos pontos de forma adequada

1. Decúbito esternal
2. Sutura o ânus em bolsa de fumo
3. Incisão elíptica ao redor do escroto e prepúcio
4. Dissecção tec. celular subcutâneo
5. Exposição do testículo
6. Secção Mm.isquiocavernoso + isquiouretral
7. Cuidado n.pudendo
8. Elevar + secção Mm.retrator do pênis
9. Incisão uretra peniana + perineal até gls. Bulbouretrais
10. Exposição da uretra peniana e perineal
11. Secção do pênis
12. Sutura da uretra na pele (uretrostomia) PSS – fio não absorvível, Pontos em 45º

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12. Sutura da uretra na pele (uretrostomia) PSS – fio não absorvível, Pontos em 45º

OMENTALIZAÇÃO
Indicações – cistos recidivantes e abscesso prostático
Técnica – laparotomia mediana – retroumbilical – drenagem do cisto - ressecção do cisto
prostático - fixação do omento junto a porção residual do cisto com fio absorvível sintético
monofilamento (poliglecaprone 25 – Caprofyl – Monocryl)

MARSUPIALIZAÇÃO DA PRÓSTATA
Conceito - criação de uma abertura na parede abdominal para drenagem contínua do cisto
Indicações - Cistos, Abscessos
Castração é obrigatória
Complicações - ITU, drenagem crônica, fechamento prematuro do orifício de drenagem, formação
de fístula - bexiga e cisto, recidiva do processo

TÉCNICA DA MARSUPIALIZAÇÃO DA PRÓSTATA


Via de acesso laparotomia mediana – retroumbilical – paralela ao prepúcio – divulsão subcutâneo
+ Mm cutâneo do tronco – ligadura ramos epigástrica superficial caudal – linha branca
Drenagem do cisto
Incisão adjacente ao prepúcio – Mm.reto do abdômen
Fixação da parede do cisto prostático com sutura contínua tipo cerzidura - fio não absorvível
monofilamento
Incisão do cisto – sutura dos bordos com a pele – p.s.s.-fio não absorvível monofilamento
Remoção debris

PROSTATECTOMIA TOTAL
Indicações: Neoplasias, Abscessos,Trauma, Cistos
Via de acesso laparotomia mediana – retroumbilical – paralela ao prepúcio – divulsão subcutâneo
+ Mm cutâneo do tronco – ligadura ramos epigástrica superficial caudal – linha branca
Abordagem pode requerer sinfisiotomia púbica em bloco (Sinfistomia é a incisão cirúrgica na
cartilagem da sínfise do púbis para aumentar o diâmetro da bacia
Identificação - ductos deferentes e ureteres !

TÉCNICA DA PROSTATECTOMIA TOTAL


Cateterização da bexiga
Boa laparotomia – permite boa exposição – acurácia na anastomose
Dissecção da prostata – difícil
Preservar ureteres + n.plexo pélvico + ramos vesicular caudal
Mobilização da prostata + uretra com fita umbilical
Incisão da uretra (colo bexiga) + uretra membranosa sobre a sonda – preservar o máximo da
uretra sem comprometer margem de segurança
Remoção da sonda da bexiga
Retirada da prostata
Reintrodução da sonda (5-7 dias) ou cateter de Foley
Sutura da anastomose p.s.s – fio absorvível sintético monofilamento – iniciar da porção dorsal
para ventral

Complicações importantes - extravasamento de urina (deiscência), Peritonite, Incontinência


urinária, Estenose uretral, Bexiga neurogênica, Necrose da bexiga / uretra, Perfuração do reto,
Fístula urinária, Edema dos membros pélvicos

CIRÚRGIA DO SISTEMA GENITAL FEMININO

ANATOMIA DOS OVÁRIOS


Anatomia dos ovários - são estruturas ovais achatadas com ± 1,5 cm na cadela e 1 cm na gata.
Estão localizados junto à parede abdominal no polo caudal do rim. A bursa ovárica é a dobra de
peritôneo + gordura. Vascularização: artéria ovariana (ramo da aorta), veia ovariana direita pela
veia cava caudal e a veia ovariana esquerda pela veia renal esquerda.
Ligamentos ovarianos:
→ Mesovário – preso à região dorsolateral da parede abdominal, contém os vasos ovarianos,
continua com o mesentério
→ Suspensório – resistente, conecta o polo cranial do ovário à fascia transversalis (última
costela)
→ Próprio – continuação do ligamento suspensório, conecta o polo caudal do ovário ao corno
uterino

Página 20 de Anotações Rápidas


uterino

TROMPAS UTERINAS ou OVIDUTOS


São estruturas tubulares finas -com cerca de 6 a 10mm, correm junto à parede da bursa ovárica.
Os cornos das cadelas tem de 10 a 14 cm comprimento e 0,5 a 1 cm largura. Da gata de 9 a 10
cm. Os cornos estão localizados na cavidade abdominal. O corpo do útero da cadela tem de 1 a
1,5 cm e da gata - 2 cm e está localizado parcialmente na cavidade pélvica, entre o colon
descendente e a bexiga. A cérvix é uma estrutura de consistência firme com 1cm e fica na junção
entre o útero e a vagina.
Camadas
• Túnica serosa - revestimento de peritônio
• Túnica muscular (miométrio) - duas camadas
• Túnica mucosa (endométrio)
• Ligamentos
• Ligamento largo ou mesométrio
• Ligamento redondo - ponta do corno uterino, através do
anel inguinal
• Vascularização
• Artérias uterinas - ramos da pudenda interna
• Ramo das artérias ovarianas
• Veia uterina

GLÂNDULAS MAMÁRIAS - glândulas sudoríparas


modificadas, tipo tubulo-alveolar
• Cadelas - 5 pares
• Gatas - 4 pares
Vascularização
Ø 1ª e 2ª M Torácicas – Aa torácicas
internas, e torácica lateral
Ø 1ª Abdominal cranial – Aa
Epigástrica superficial cranial
Ø 2ª Abdominal caudal e Inguinal - Aa
Epigástrica superficial caudal; Aa
pudenda externa
• Linfonodo axilar
• Linfonodo inguinal superficial

PRINCIPAIS PROCEDIMENTO NO GENITAL FEMININO:


1. OSH ou Gonadectomia
2. Episiotomia
3. Episioplastia
4. Mastectomia

Página 21 de Anotações Rápidas


4. Mastectomia

OVARIOSALPINGOHISTERECTOMIA (OSH) ou GONADECTOMIA


Conceito - remoção dos órgãos sexuais. OSH em adultos e gonadectomia antes da puberdade (6 a
9 meses – cadela; 4 a 6 meses - gata). A idade mínima para se realizar o procedimento é de 2
meses.
Indicações - Esterilização eletiva (controle populacional), Prevenção e/ou tratamento de infecções
uterinas (metrite, piometra), Prevenção da neoplasia mamária, Prolapso, torção ou ruptura de
útero, Neoplasia ovariana ou uterina, Cisto ovariano, Hiperplasia mamária (gata), Prolapso ou
hiperplasia vaginal, Controle de doenças sistêmicas (diabetes, epilepsia, demodiciose
generalizada)

GONADECTOMIA
Vantagens - Menor estresse para o animal, Menor tempo cirúrgico, Facilita a adoção,
Desvantagens - Hipoplasia de vagina e vulva, Genitália externa infantil, Dermatite perivulvar,
Comportamento juvenil

PRÉ-OPERATÓRIO
Jejum de 8 - 12 horas (adultos), 4 - 6 horas (filhotes), Banho na véspera
PÓS-OPERATÓRIO
Proteção da ferida cirúrgica (colar elizabetano, roupa de proteção), Antibióticos (se necessário),
AINES, Analgésicos, Retirada de pontos - 8 dias

TÉCNICA CIRÚRGICA DA OSH


Acesso: laparotomia mediana retro-umbilical
• cadela - terço cranial; gata e filhotes - terço medio caudal
• Incisão de 4 - 8 cm na pele, expor linha alba
• Incisão na linha alba e localização do corno uterino (gancho de OSH, dedo indicador, afastando
com espátula de Haberer)
• Tração do pedículo ovariano (DOR !!), isolamento da cavidade
• Abertura de janela no mesovário e colocação de 3 pinças (Rochester, Crile), 2 abaixo da bursa
ovárica e 1 entre o ovário e o corno uterino
• Seccionar entre a 2a pinça e o ovário
• Ligadura do pedículo com fio absorvível/inabsorvível sint. (náilon monofilamento), 2-0 ou 3-0
• Mesovário - esgarçar ou ligar quando muito vascularizado ou infiltrado por gordura • Ligar
individualmente as artérias uterinas
• Ligadura e secção do útero cranial à cérvix
• Observar hemorragias,reposicionar o coto efechar o abdomen

Complicações - Comuns a procedimentos abdominais, Complicações anestésicas, Atraso na


cicatrização, Infecção e deiscência de suturas, Auto-mutilação (lambedura), Cio recorrente (tecido
ovariano residual), Piometra de coto uterino (OSH incompleta), Hemorragia no transoperatório
ou pós-operatório imediato, Tração excessiva, ligaduras inadequadas ou mal colocadas,
coagulopatias (inspecionar cada ligadura antes de fechar a cavidade). Sangramento vaginal
intermitente (4o - 16o dia pós operatório), Erosão dos vasos uterinos (ligadura única), Infecção
ao redor das ligaduras (quando a transfixação atravessa a luz), Granulomas, excesso de
ligaduras, fio inadequado, falha na assepsia, excesso de tecido desvitalizado, Tratos fistulosos na
região do flanco ou inguinal (reação ao fio), Obstrução de ureter, hidronefrose, Aderências,
Ligadura acidental de ureter
Efeitos Indesejáveis - Obesidade e Incontinência urinária - estrógeno-responsiva
Estro Recorrente - devido a presença de tecido ovariano remanescente (pedículo direito). Edema
vulvar – secreção sanguinolenta – atrai machos – receptividade para acasalamento –
pseudociese. Piometra de coto uterino. Citologia vaginal – células epiteliais corneificadas.
Tratamento – remoção tecido ovariano funcional. Evita-se por exposição adequada com completa
excisão e confirmação por palpação e/ouabertura da bursa

EPISIOTOMIA
Conceito - incisão do orifício vulvar para permitir acesso ao vestíbulo e vagina
Indicações - Exploração cirúrgica da vagina, Ressecção de massas vaginais, Reparo de lacerações,
Correção de estenoses e defeitos congênitos (fístula reto vaginal), Exposição da papila uretral,
Retirada manual de fetos

TÉCNICA CIRÚRGICA DA EPISIOTOMIA


• Decúbito esternal, mesa cirúrgica em posição de Trendelemburger
• Aplicar 2 pinças atraumáticas (Doyen), uma a cada lado da linha média perineal
• Incisar com o bisturi
• Retirar as pinças e controlar a hemorragia
• Identificar e sondar o meato urinário
• Após realização do procedimento desejado reposicionar os bordos
• Sutura em 2 planos

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• Sutura em 2 planos
• mucosa + muscular - PSS, fio absorvível sintético, 3-0 ou 4-0
• subcutâneo + pele - PSS, náilon monofilamento, 3-0 ou 4-0

EPISIOPLASTIA
Conceito - corrige o posicionamento da vulva através da remoção de pregas de pele na região do
períneo
Indicações - Piodermite perivulvar, Vulva infantil, Obesidade

TÉCNICA CIRÚRGICA DA EPISIOPLASTIA


Decúbito esternal, mesa cirúrgica em posição de Trendelemburger
• Avaliar a quantidade de pele a ser excisada
• Fazer uma incisão em meia-lua ao redor da vulva, começando próximo à comissura ventral
• Fazer uma 2a incisão paralela à 1a e retirar a elipse de pele
• Avaliar o posicionamento
• Aproximar o subcutâneo (PSS, fio absorvível sintético, 3-0 ou 4-0)
Ø Sutura de pele (PSS, náilon 3-0 ou 4-0), iniciando às 12, 3 e 9 horas
Ø O tratamento da piodermite (antibioticoterapia) deve ser instituído antes da cirurgia

MASTECTOMIA
Conceito - remoção de uma ou mais glândulas mamárias
Indicações - neoplasia mamária, Mastite necrosante ou séptica refratária ao tratamento clínico,
Hiperplasia mamária felina
Pode ser local ou simples (excisão de uma única glândula mamária) ou regional ou "em bloco"
(remoção de duas ou mais glândulas juntamente com o linfonodo. É indicado quando há várias
mamas afetadas adjacentes)
Mastectomia unilateral - Excisão de uma cadeia mamária inteira, Incisão deve se prolongar até
perto da vulva, Linfonodo inguinal acompanha a gordura inguinal, Linfonodo axilar só é excisado
se estiver alterado
Mastectomia bilateral ou total - Remoção completa do tecido mamário, Pode ser feita em 2 fases,
com 6 semanas de intervalo, Atenção para as margens de incisão, Deixar um vértice de pele
cranial e um caudal, Evitar tensão excessiva
Nodulectomia ou lumpctomia - Biópsia excisional, Remoção do nódulo com uma margem de
tecido normal, Procedimento rápido de pouca morbidade, Não utilizar em gatas

TÉCNICA CIRÚRGICA DA MASTECTOMIA


• Incisão elíptica ao redor das glândulas afetadas
• Divulsão do tecido subcutâneo até a parede abdominal ou torácica
• Evitar incisar tecido mamário
• Controlar hemorragia (eletrocautério, ligaduras)
• Identificar e ligar os vasos maiores
• Excisar a fáscia e/ou musculatura se houver invasão do tumor
• Lavar o leito cirúrgico
• Divulsionar as margens da ferida
• Avançar os bordos com walking suture
• Drenos de Penrose (opcional)
• Aproximação de subcutâneo (opcional) - fio absorvível sint, padrão contínuo ou PSS, 3-0 ou 4-0
• Pele - PSS, náilon, 3-0 ou 4-0

PÓS-OPERATÓRIO - Bandagem compressiva, Reduz espaço morto, facilita a cicatrização, produz


conforto, Analgesia, Opióides + antiinflamatórios, Antibióticos (se necessário), Retirar o dreno - 5
a 7 dias, Remoção de pontos - 15 a 20 dias

COMPLICAÇÕES - Dor, Inflamação e infecção, Hemorragia, Edema e/ou seroma, Necrose


isquêmica da pele, Deiscência, Edema de membros posteriores, Recorrência do tumor

TÉCNICA CIRÚRGICA DO ESÔFAGO


Anatomia: posição; não tem serosa (diferença entre estômago e intestino), vascularização menor
e maior tempo de cicatrização; movimentos respiratórios (movimentação da sutura com
deiscência); submucosa é a camada mais resistente.
Camadas: mucosa, lâmina própria ou submucosa, camada muscular circular, camada muscular
longitudinal e camada adventícia.

→Problemas no esôfago: corpo estranho, neoplasias, perfurações, fístulas e


obstruções/estreitamento luminal (problema luminal ou obstrução cicatricial).

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Pré-operatório: jejum de 12-18h (filhotes de 4-8h para prevenir hipoglicemia); corrigir
desequilíbrios eletrolítico/fluidoterapia; ATB (ampicilina e cefalosporina); tratar esofagite e
pneumonia por aspiração (em caso de corpo estranho); nutrição parenteral (tubo de
gastrostomia – pacientes caquéticos).
Acesso cirúrgico: porções cervical, torácica e abdominal. Antes de acessá-lo, deve-se colocar
uma sonda.
• Esôfago cervical: linha média, lado esquerdo
• Esôfago torácico: na base do coração (EICD - toracotomia), cranial/caudal ao coração (EICE –
toracotomia), SLIDE
→Esofagotomia (abertura do esôfago) e esofagorrafia (síntese do esôfago). Dissecar o mínimo
possível.

ESOFAGECTOMIA PARCIAL
Dissecar o mínimo necessário (preservar a vascularização); não suporta tensão longitudinal, ou
seja, trabalhar com ele no interior do pescoço, não tracionando para fora; máximo de 3-5cm de
ressecção (se mais, causa deiscência); não usar fios naturais (hidrofílicos, podem contaminar o
meio externo com conteúdo luminal); pode-se usar fios sintéticos absorvíveis ou não (absorvível
pode degradar mais rápido do que o necessário, já que a cicatrização é lenta); usar pss (pontos
contínuos causam estenose e, se um cair, pode soltar todos os demais), equidistantes de 3mm.
Pode-se suturar a mucosa separada das demais ou juntas (mais indicado). Ressecções extensas:
miotomia para relaxamento, sem incisar mucosa, evitando vascularização. Tensões muito
elevadas na sutura, levam à demora da cicatrização, podendo haver também necrose no local.
No momento da sutura, fazer um ponto “12h” (face mesentérica) e outro “6h” (face
antimesentérica), depois “3h” e outro “9h”.
→Fios de sutura: stapler (grampeador); fio absorvível monofilamentado (PDS, poliglactina) ou
não absorvível (polipropileno, nylon); 3-0 ou 4-0.

TÉCNICA CIRÚRGICA DE
ESTÔMAGO E INTESTINO

ESTÔMAGO
O corpo do estômago, por seu tamanho, reduz a chance de ocorrência de estenose. Região
fúndica é glandular (se houver tumor, deve-se retirar toda a região). Piloro e duodeno podem
sofrer estenose. Curvaturas maior e menor do estômago. O pâncreas divide a vascularização com
o antro pilórico, enquanto o baço divide a vascularização com a região da curvatura maior do
estômago. Cuidado com pancreatite!! No duodeno, temos 2 papilas (maior e menor), as quais se
conectam com o ducto de Virchow e com o colédogo, respectivamente, então não devem ser
mexidas.
Termos
✓ Gastrotomia
✓ Gastrectomia
✓ Gastropexia (ancorar o estômago em algum lugar)
✓ Pilorectomia (retirada do piloro)
✓ Gastroduodenostomia (abertura do estômago para o duodeno, sem passar pelo antro)
✓ Gastrojejunostomia (abertura do jejuno para o estômago)
✓ Billroth I e II
✓ Piloromiotomia

Pré-operatório: anorexia, êmese (componente neurológico, diferente da regurgitação). Corrigir


quadro clínico (desequilíbrio básico por perda de HCl pela êmese); antagonista H + (3-4 dias antes
da cirurgia para diminui a hipercloridria, evitando úlceras); ATB (ampicilina e cefalosporina –
equilíbrio e duração); jejum de 8-12h/4h em filhotes (estômago totalmente vazio).

Acesso: face ventral do estômago, entre os vasos. Penetrar da serosa à mucosa, de uma única
vez. Verificar se penetrou no estômago e continuar a incisão com a tesoura. Fio sintético,
absorvível ou não. Pode-se usar pss (não recomendável, pois causa pouca invaginação) ou 2
suturas invaginantes (duplo Cushing, com mesmo fio, garantindo a invaginação).
→Billroth tipo I: pilorectomia com gastroduodenostomia (retirada de piloro seguida pela
abertura do duodeno ao estômago). Indicações: úlceras graves, SLIDE.
→Billroth tipo II: gastrectomia parcial com gastrojejunostomia (retirada de parte do estômago
seguida pela abertura do jejuno ao estômago). Indicações: extensões maiores, neoplasias,
obstrução pilórica (hipertrofia muscular), ulceração grave. Cuidado com enzimas pancreáticas
(exócrina e endócrina). Muitas complicações (suco biliar entra no estômago). FOTO.
→Gastropexia: SDVG (antro pilórico à parede direita); hérnia hiatal (fundo à parede esquerda).
Tipos: gastropexia com tubo/circuncostal/por retalho muscular/por alça intestinal. Realizada em
casos de intussuscepção gástrica. Obrigatória em animais que já tiveram vólvulo gástrico. *Belt-
loop: realização de uma “lingueta” na região do antro (flap), 2 incisões no músculo oblíquo
interno/reto abdominal e passa a lingueta por dentro, suturando novamente.

Página 24 de Anotações Rápidas


interno/reto abdominal e passa a lingueta por dentro, suturando novamente.
Complicações: êmese, anorexia/hiporexia, peritonite, ulceração gástrica, obstrução pilórica e
pancreatite (70%)

INTESTINO DELGADO
Termos
✓ Enterotomia
✓ Enterectoia
✓ Enteropexia
✓ Ressecção intestinal e anastomose
Cicatrização relativamente rápida (7 dias para fechar e selamento em torno de horas, realizado
pelo omento), camada serosa presente (cicatrizada em 3 dias). Altamente vascularizado (a face
antimesentérica tem menos). Problema: estenose.
Para cães e gatos, sutura pss, absorvível ou não sintético.
→Enterotomia longitudinal: exteriorizar a região da cavidade, se possível. Incisão na face
antimesentérica (menor sangramento).
→Enterotomia longitudinal com sutura transversal: quando faz corte pequeno.
→Enterectomia e enteroanastomose: observar a árvore mesentérica e escolher onde vai
seccionar (cuidado com necrose). Pss ou Crushing (esconde o fio acima da mucosa, cicatrização
pior - isquemia). Enteroanastomose: término-terminal (feita em aula), término-lateral (FOTO) e
látero-lateral.
→Colonpexia: gatos com prolapso retal ou animal com megacólon, para evitar intussuscepção.
Ancora a muscular do estômago até a muscular da parede abdominal.

TÉCNICA CIRÚRGICA APLICADO AO ABDÔMEN


E APARELHO DIGESTÓRIO DE GRANDES ANIMAIS
Técnica Cirurgica aplicada ao abdômen e aparelho digestório de grandes animais – Luis
Claudio
Laparotomia (acesso/exploratória), enterotomia, enterectomia e desvios.

Equinos

LAPAROTOMIA
Indicações: origem digestória ou não (neoplasia ovariana, por exemplo); deslocamentos,
obstruções e isquemias intestinais.
Posicionamento: em estação ou em decúbito.
• Pelo flanco: em estação. Alterações em cólon menor, ID e cólon maior (DDE). Limitações de
exploração, manipulação e exposição de vísceras. Mais difícil e realizar apenas e m casos
selecionados. Animal posicionado no tronco, tricotomia e antissepsia da região, colocação do pano
de campo. Incisão paralela à ultima costela (3 camadas musculares, oblíquos interno e externo e
transverso do abdômen). A musculatura pode ser apenas afastada, reduzindo sangramentos e
traumas (reduz também a área exposta). Acesso à gordura retroperitoneal e ao peritônio. Iniciar
com uma incisão maior para terminar com um campo menor. Realizar a sutura de cada camada
individualmente, se o músculo for apenas afastado. Caso seja incisado, pode-se realizar a sutura
em massa (cicatrização ruim). Realizar sutura do subcutâneo (cerzidura) e depois da pele (pss).
No músculo, usar fio absorvível sintético (vycril ou caprofyl), 0 a 2, ponto em X; no subcutâneo,
fio absorvível sintético, 2-0 ou 0; na pele, nylon, 0 ou 1.
• Decúbito dorsal: acesso a todos os segmentos do TGI. Limitações (não é possível exteriorizar):
estômago, duodeno, íleo, base do ceco, cólon transverso e reto. Pré-retro-umbilical, linha
mediana ventral. Incisão de pele e subcutâneo, com acesso à musculatura e linha alba. Acesso ao
peritônio (incisão com tesoura ou digital). Incisão da pele de 20cm (inicialmente). Exteriorização
do ceco (exceto a base), ID (exceto duodeno e porção final do íleo), cólon maior (exceções de
extremidades) e cólon menor (exceções de extremidades). Exteriorizar o ceco e identificar a
prega íleo-cecal. Palpar toda a extensão. Expor os cólons (quanto possível). Ao final, reposicionar
as alças na cavidade (cólon direito, flexura esternal, cólon esquerdo, flexura pélvica e ceco).
Suturar parede abdominal (absorvível [formação de hérnia excisional] ou não [Prolene], 2, ponto
em X intercalado com pss). Suturar subcutâneo com fio absorvível, 2-0, cerzidura. Suturar pele
com pss ou grampo metálico. Fazer curativo fechado, suturando a compressa/gaze à pele.
Quando o animal levantar, colocar uma cinta abdominal.
Cuidados: manter alças intestinais úmidas e limpas, ter duas equipes cirúrgicas
(Laparotomia/enterotomia, 3-4 pessoas), lavagem intensiva das alças antes de colocá-las na
cavidade, posicionamento correto das alças na cavidade.

ENTEROTOMIA (ID)
Enteroanastomose término-terminal. Sutura em 2 planos: 1º mucosa e submucosa e 2º
seromuscular. Fio absorvível, sutura contínua ou interrompida.
1. Tiflocentese (IG)
Indicações: timpanismo de ceco. Drenagem desse gás com agulha 40x16, acoplada a um equipo

Página 25 de Anotações Rápidas


Indicações: timpanismo de ceco. Drenagem desse gás com agulha 40x16, acoplada a um equipo
e em um aspirador cirúrgico (2-3’’).
→Tiflotomia: abertura do ceco com drenagem de líquido mais pastoso/ressecado. Introdução de
mangueira de água (aquecida) para diluir o conteúdo. Sutura em 2 planos (cerzidura e Lembert
ou cerzidura e Cushing). Fio absorvível 0 ou 2-0.
2. Enterotomia de cólon maior
Indicações: compactação de cólon, enterolitíase, corpos estranhos e sobrecarga por
deslocamento. Encarceramento nefroesplênico.
Sutura: 2 invaginantes ou 1 simples + 1 invaginante.
3. Enterotomia de cólon menor
Face antimesentérica (telha). Compactação de cólon menor, corpos estranhos e enterolitíase.

Bovinos
Ruminotomia e abomasopexia/omentopexia.

RUMINOTOMIA
Indicações: perfuração de retículo por CE metálico pontiagudo, sobrecarga ruminal, obstrução do
forame retículo-omasal (plástico). Tricotomia e antissepsia da região, colocação dos panos de
campo. Laparotomia pelo flanco esquerdo, com o animal em estação. Incisão paralela à última
costela e incisão das 3 camadas musculares. Incisão inicial de 20cm. Incisão do peritônio.
Ancoragem do rúmen e isolamento com o uso do bastidor (ou afastador de Weingart), evitando a
passagem de conteúdo peritoneal. Pode-se colocar um campo de borracha (mancheter).
Exploração de rúmen e retículo e de palpação de outras estruturas.
Sutura em 2 planos: aposicional + invaginante. Limpeza com solução antisséptica (PVP iodo,
clorexidine). Pode-se desfazer ou não a sutura de ancoragem do rúmen. Pode-se suturar com
grampo também (alicate). Sutura de subcutâneo e pele.
Peritônio não é suturado, cicatrizando por 2ª intensão.

ABOMASOPEXIA
Indicações: deslocamento de abomaso à esquerda ou à direita.
Realizar fixação do abomaso.
• Flanco esquerdo: Laparotomia. Incisão da pele na fossa paralombar, musculatura e peritônio.
Sutura na curvatura maior do abomaso e esvaziamento do abomaso. Fio não absorvível. Sutura
mantida por 4 semanas. Sutura na curvatura maior. Sutura de subcutâneo e pele.
• Flanco direito: corrige DAE e DeTAD.

OMENTOPEXIA
Fixação do omento no peritônio e na camada muscular interna (m. transverso) com sutura
contínua ou simples. Fio não absorvível.

CIRURGIA DO APARELHO
CARDIORESPIRATÓRIO
No fim de qualquer cirurgia respiratória, avaliar se não há escape de ar; enquanto na cirurgia de
aparelho circulatório, avaliar se não há escape de sangue (risco de choque hemorrágico).

Cavidade Nasal
Rinotomia dorsal e rinotomia ventral. Vias de acesso às cavidades e cornetos nasais. Realizar a
incisão em plano sagital mediano, osteotomia do osso nasal (se estiver íntegro), para ter acesso à
cavidade nasal. Uso de fios metálicos em determinados pontos do osso para sua melhor
consolidação. Pode-se usar implante de pericárdio de cavalo conservado em glicerina (membrana
biológica) ou uma malha de polipropileno (membrana sintética) para promover uma maior
proteção dorsal do plano ventral. Não é normalmente usada como método curativo, e sim para a
limpeza do local, melhorando a qualidade de vida do animal de forma temporária. Na técnica
ventral, fazemos a incisão pelo osso palatino (quando a neoplasia afeta mais a parte ventral). Fio
de nylon (os pontos são retirados pelo próprio animal).
→Prolongamento de palato: estafilectomia

Laringe
Formada por cartilagens e musculatura. Responsável pelo mecanismo de deglutição e respiração.
Procedimentos utilizados na paralisa de laringe, para aumentar a glote, exceção ao primeiro.
• Ressecção dos sacos laríngeos – ventrículos
• Lateralização de aritnóide – unilateral
• Laringectomia parcial
• Traqueostomia
• Lateralização bilateral de aritnóide
• Ventriculocordectomia (corte das cordas vocais com melhora da ventilação) – proibido
Ex: síndrome do cavalo roncador.

Página 26 de Anotações Rápidas


Traqueia
Tubo cartilaginoso, com tecido muscular entre os anéis. É bastante elástica. Pode colapsar.
• Plicatura da membrana dorsal da traqueia
• Próteses traqueais em anéis ou em espiral
• Traqueostomia
• Traqueoectomia e traqueorrafia – excisão circular parcial da traqueia (casos de trauma por
mordedura ou neoplasia)
Pode-se utilizar prótese em casos de colabamentos não muito graves. Em casos mais graves,
pode-se utilizar uma prótese em espiral.

Pulmão
Parênquima pulmonar recobre o arcabouço da árvore brônquica. Pode ocorrer alteração por
trauma ou corpo estranho.
• Bronqueotomia e bronqueorrafia (broncoscopia)
• Sutura do parênquima pulmonar (trauma por mordedura)
• Lobectomia parcial ou total
• Pneumonectomia esquerda (menos complexa – 35% da capacidade respiratória do cão)
***Hematoma/abscesso pulmonar/solução de continuidade. Colocação de 2 pinças hemostáticas
com 2 linhas de sutura (U contínuo, cerzidura, PSS, vai e volta). Verificar se não há escape de ar.

Parede Torácica
Cuidado com o fechamento para não ocorrer pneumotórax. Pode-se usar malha de polipropileno
para ajudar a reconstrução da parede cardíaca, quando há retirada de “fragmentos” de costela.
Há também costelas artificiais de polipropileno. Quando há fratura de mais de 3 costelas, o animal
começa a realizar uma respiração rápida e superficial.
• Drenagem torácica – contínua e intermitente
• Toracotomia e toracorrafia
• Toracoplastia

Diafragma
• Frenorrafia
• Frenoplastia

Pericárdio
Pericardectomia. Se dá por efusão pericárdica (drenagem com recidiva) ou neoplasia pericárdica.
Cuidado que, na porção média do saco pericárdico, há o nervo frênico. Esse nervo inerva o
diafragma, podendo ocorrer atrofia do diafragma do lado ou fibrosamento do mesmo. Não
seccionar. Caso ocorra isso, usar microscópio cirúrgico e suturar o nervo. Há também o ramo
ventral do vago.

Vasos da base cardíaca


• Cirurgia de Blalock-Taussig e Blalock-Taussig modificada. Ponte entre um ramo da aorta e da
artéria pulmonar (sangue da aorta mal oxigenado).
• “Inflow Occlusion” (obliteração da cava caudal e da veia ázigo, o sangue do coração vai pra aorta,
causa bradicardia). Solução cardioplégica (reduzir o metabolismo cardíaco). Até 7”.
• Ligadura de ducto arterioso (artéria pulmonar conectada com a aorta). 4ºEICE. Não seccionar,
apenas ligar.

Coração
• Atriotomia e atriorrafia
• Ventriculotomia e ventriculorrafia

CIRURGIA DO TRATO URINÁRIO

Principalmente bexiga (cálculos, neoplasia), rins (neoplasia, trauma) e uretra (cálculos).

Cirurgia de Bexiga
Cistotomia: abertura cirúrgica da bexiga.
Indicações: cálculos e urolitíases. Ureter ectópico, inspeção/remoção em caso de neoplasia.
Pré-operatório: suspeita ou diagnóstico (histórico de obstrução e não eliminação de urina, ou até
mesmo atropelamento e outros traumas, pode ser uma cirurgia exploratória), anamnese,
avaliações física/laboratorial/imagem (US e Rx), preparo do paciente (jejum). Paciente
politraumatizados são casos de emergência, não devendo esperar muito tempo antes da cirurgia.
Suporte para animais obstruídos.
Preparo: depilação (varia com a região, Celiotomia ou laparoscopia; para bexiga, incisão
retroumbilical), anestesia/medicamentos, posicionamento (decúbito dorsal), antissepsia e
colocação dos panos de campo.
Técnica: Celiotomia retroumbilical (desvio lateral ao pênis em cães machos, até a linha alba).

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Técnica: Celiotomia retroumbilical (desvio lateral ao pênis em cães machos, até a linha alba).
Abertura da pele, subcutâneo e musculatura. Colocação dos afastadores para fazer a exploração
da cavidade e localização do órgão. Isolamento da bexiga com compressa umedecida. Suturas de
apoio. Esvaziamento (punção/sucção após incisão). Cuidado com os vasos da bexiga e evitar
acessar o colo da bexiga (usar sua parte mais larga). Incisar o corpo da bexiga, em local menos
vascularizado. Perfurar com o bisturi e, se necessário, usar a tesoura para abrir mais. Imaginar
uma linha mediana em qualquer uma das superfícies (dorsal ou ventral).
Cistorrafia: sutura contínua, não penetrante, invaginante, em dois planos (Cushing ou Lembert).
Com fio monofilamentoso, absorvível ou inabsorvível, sintético, 3-0 ou 4-0, agulhado (agulha
cilíndrica). Sutura separada, penetrante, em único plano. PSS, com fio monofilamentoso,
absorvível (o fio inabsorvível pode facilitar a formação de novos cálculos), sintético, 3-0 ou 4-0,
agulhado (agulha cilíndrica).
O descarte do material “contaminado” é necessário. Omentopexia. Lavagem da cavidade com
soro aquecido estéril (em caso de contaminação; evitar). Celiorrafia (síntese da parede
abdominal).
Pós-operatório: curativo e inspeção da ferida cirúrgica, monitoramento do fluxo urinário, ATB e
analgésicos, colar protetor, retirada dos pontos. Evitar extravasamento de urina na cavidade
abdominal (peritonite).

Cirurgias Uretrais
Cirurgia mais delicada pelo elevado risco de sequelas. Necessitam de uma intervenção cirúrgica
rápida.
Pré-operatório: suspeita ou diagnóstico, anamnese, avaliações física/laboratorial/imagem,
preparo do paciente (estabilização do quadro clínico, se necessário). Desobstrução uretral
(sondagem), descompressão vesical (sondagem ou cistocentese) e correção dos desequilíbrios
hidroeletrolíticos. Depilação, anestesia/medicações, posicionamento (decúbito dorsal ou esternal),
antissepsia e introdução de sonda uretral estéril.
Técnica: Uretrotomia. Indicada em casos de obstrução por cálculo. Uretrotomia peniana ou pré-
escrotal ou uretrotomia perineal (decúbito esternal, uretra mais larga e de melhor acesso).
Técnica: colocação dos panos de campo. Incisão da pele na linha mediana ventral (da margem
cranial do escroto à base do pênis, com bisturi). Divulsão do subcutâneo com tesoura. Localizar o
músculo retrator do pênis, divulsionar ele e rebatê-lo lateralmente, fixando-o. Visualização do
corpo esponjoso, incisão longitudinal, com bisturi (lâmina 15) até a luz da uretra. Remoção dos
cálculos, sondagem e lavagem da uretra com solução fisiológica. Cicatrização por segunda
intenção ou uretrorrafia (PSS, fio absorvível sintético monofilamentado, 4-0 ou 6-0, com agulha
cilíndrica). Aproximação do subcutâneo (PSS, fio absorvível sintético, 4-0, agulha cilíndrica).
Sutura cutânea (PSS, fio inabsorvível sintético monofilamentado, 4-0, agulha triangular ou
trifacetada).
Pós-operatório: curativo e inspeção da ferida cirúrgica, monitoramento do fluxo urinário, ATB e
analgésicos, repouso, colar protetor e retirada dos pontos. Complicações: hemorragia, estenose e
recidiva.
Técnica: Uretrostomia. Fistulação cirúrgica da uretra com a formação de uma abertura. Indicada
em casos de obstruções recidivantes ou não passíveis de correção por uretrotomia ou ainda em
caso de obstrução secundária à uretrotomia. Uretrostomia peniana ou pré-escrotal, uretrostomia
escrotal (após remoção dos testículos) ou uretrostomia perineal.
Mesmo início da uretrotomia. Só que o músculo retrator fica fixado ao subcutâneo. Visualização
do corpo esponjoso (incisão longitudinal de SLIDE. Sutura da mucosa uretral à pele (PSS, fio
inabsorvível ou absorvível sintético monofilamentado, 4-0 ou 5-0, agulhado). Sutura cutânea
(cranial/caudal à abertura uretral, PSS, fio inabsorvível sintético monofilamentado, 4-0 ou 5-0,
agulhado). Complicações: hemorragia, estenose, infecção urinária e recidiva.

Cirurgias Renais
Mesmo pré-operatório (quadro clínico de hematúria, piúria, arqueamento de coluna quando
caminha, etc). Decúbito dorsal.
Técnica: nefrectomia (remoção cirúrgica do rim). Bilateralmente não é comum, mas pode haver
indicação (?!). Indicações: neoplasias, traumas abdominais graves, abscessos, hironefrose,
Dioctophyma renale e alterações ureterais (avulsão, estenose e ruptura).
Celiotomia pré-retroumbilical (em cães machos, com desvio lateral ao pênis até a linha alba). A
ligadura do coto deve ser feita o mais próximo da bexiga, por isso o grande tamanho da incisão.
Colocação dos afastaores (exploração). Isolamento do rim afetado. Localização dos vasos e do
ureter na região do hilo (diferenciar estruturas). A artéria renal vem direto da aorta abdominal,
por isso, ligar o mais próximo da aorta para evitar hemorragias. Remoção do rim e ureter.
Celiorrafia.
• Ligaduras: fio absorvível ou inabsorvível, sintético, 2-0.
✓ Artéria renal: próxima à aorta abdominal
✓ Veia renal: próxima ao rim
✓ Ureter: próxima à bexiga
Pós-operatório igual às demais cirurgias. Monitorar a função renal (azotemia).
Complicações: hemorragia e peritonite (extravasamento de urina), ambos dependentes da
ligadura feita.
Técnica: nefrotomia. Incisão cirúrgica do rim. Indicada em caso de cálculos, hematúria e

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Técnica: nefrotomia. Incisão cirúrgica do rim. Indicada em caso de cálculos, hematúria e
neoplasia.
Início igual ao da nefrectomia. Localização dos vasos renais e realização de hemostasia
temporária (digital). Mobilização do rim com exposição da superfície convexa (oposta ao hilo). No
fim do procedimento, é indicado a fixação da capsula renal na parede abdominal interna, para que
ele não sofra torção e necrose ou cause a interrupção do fluxo urinário). A incisão realizada deve
ser de tamanho suficiente para entrar uma pinça e remover o cálculo. Incisão, com bisturi, na
superfície convexa do rim (linha média), da cápsula à pelve. Pode-se incisar a capsula e afastar o
parênquima com uma pinça. Exploração da pelve. Levar a pelve com solução salina ou Ringer.
Nefrorrafia (sutura da cápsula e/ou sutura do parênquima e da capsula.
• Sutura da cápsula: aproximação das partes afastadas e aplicação de pressão digital (por
aproximadamente 5 minutos) enquanto se restabelece o fluxo sanguíneo (hemostasia). Na
capsula, usamos sutura simples contínua, fio absorvível sintético, 3-0 ou 4-0, com agulha
cilíndrica. Na cápsula, usa-se cerzidura também. Pode-se “colar” o parênquima com cola
fisiológica à base de fibrina.
• Sutura do parênquima e da cápsula: no parênquima, 3 pontos em U, fio absorvível sintético, 3-0
ou 4-0, agulha reta. Cápsula SLIDE.
Descarte do material contaminado. Reposicionamento do rim e fixação com suturas no peritônio.
Celiorrafia.
Complicações: hemorragia, peritonite, insuficiência renal e formação de cálculos (fios ou adesivos
não absorvíveis em contato com a pelve renal). O paciente pode perder cerca de 25% de sua
capacidade renal no pós-cirúrgico. Pode-se realizar a incisão na pelve renal, evitando grandes
sangramentos e facilitando na cicatrização.

IMPLANTE ORTOPÉDICO
→Pino Intramedular
Barato. Nunca utilizado sozinho, sempre deve ser fixado com outros instrumentos. Sua resistência
ao arqueamento é extremamente elevada. Seu diâmetro deve ser maior ou igual a 70% do
diâmetro do canal medular.
→Interlock Nail
Vantagem em arqueamento e rotação. Rápida recuperação e apoio do membro operado. Ótima
opção.
→Parafusos
Esponjoso e cortical. O esponjoso é usado em osso esponjoso (epífise e diáfise). Roscas
profundas, cortantes e passo maior. O cortical é útil em osso compacto (diáfise). Rosca menos
profunda e passo curto. Fazer escareamento para aumentar a área de dissipação de forças (caso
contrário, racha no meio).
Parafusamento por aposição (não altera a fratura), por compressão (a cabeça do parafuso junta a
fratura).
→Cerclagem
Uso de fios maleáveis. Tipos: clássica, hemi-cerclagem, interfragmentara e banda de tensão.
Transforma uma força de tração ou estiramento em força de compressão. Usada apenas em caso
de fratura em bizel longo (em bizel curto causa cisalhamento).
→Placas
Boa estabilidade, resistem à forças axiais. Placas convencionais e bloqueadas. Alto custo e podem
causar infecções, osteoporose e necrose óssea. Pode causar uma união retardada ou até não
união. Na placa bloqueada, o parafuso fica fixo à placa.
→Fixadores Circulares
Vantagens: usado para tratamento das reconstruções com perda de tecido ósseo dos membros.
Usada em casos de trauma ou correção de deformidades osteo-articulares congênitas ou
adquiridas. Anula todas as forças que tendem a desviar os fragmentos ósseos, sendo
extremamente estável. Possibilitam a consolidação, correção de deformidades,
preenchimento de falha óssea e alongamento do membro comprometido. Preserva as
funções do membro afetado com mobilização e carga precoce. Elástico e estável.
Melhores condições de atuação nas patologias traumato-ortopédicas, pois permite
remodelamento, alongamento, correção de fraturas e deformidades ósseas. Permite apoio
precoce com o mínimo dano adicional ao tecido ósseo. Fácil retirada dos pinos.
Desvantagens:
Classificação:
Método de Aplicação:

APARELHO LOCOMOTOR DE GRANDE ANIMAIS


Pronto atendimento de traumas ortopédicos - imobilização para transporte: fratura em osso
longo; fratura articular; ruptura de tendão; tendinite grave; entorse/luxação; distensão/ruptura
muscular. Qualquer tipo de trauma que pode acarretar em uma piora, sendo obrigatório a
imobilização para que o animal chegue exatamente do mesmo jeito. É essencial fazer com que o
dano não seja exposto, revertendo então a contaminação (se houver) para que não se torne uma

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dano não seja exposto, revertendo então a contaminação (se houver) para que não se torne uma
infecção.
Objetivos: reduzir a dor, diminuir a instabilidade e movimentos anormais, evitar danos adicionais,
evitar lesões vasculonervosas, evitar exposição e contaminação do tecido lesionado.
No caso de uma fratura que, no momento da ocorrência, já houve contaminação, o prognóstico é
pior, já que desde o começo do caso o fator contaminante já existia.
Cuidados adicionais: conter hemorragia (trauma aberto ou fechado [gelo no hematoma]),
curativo, analgésico, AI, ATB. É importante impedir a formação de hematoma já que, se for o
caso de cirurgia, o tecido vai estar friável, impossibilitando a síntese. Limpar a ferida, fazer
assepsia, curativo, tricotomia e todas as medidas de limpeza. Tratar a ferida de imediato não é
perda de tempo. O animal não deve sentir dor (o estímulo doloroso, no pós-cirúrgico) retarda a
cicatrização óssea. Não sedar o animal durante o transporte (não poupa o membro) ou, se sedar,
acompanhar o animal durante o transporte para evitar problemas ou mesmo que ele acorda
durante o transporte. Fazer o ATB é importante em caso de fratura exposta ou mesmo em caso
de hematoma (a pele perde a função de barreira). Uso de amicacina e xilocaína (ATB) em
manobras de infusão regional. Manter o garrote por 20-30 minutos, concentrando a ação do
fármaco.
Transporte: rampa de embarque, apoio lateral, piso liso e aderente, cama adequada, orientar o
motorista e acompanhar o transporte. Em caso de potros fraturados, se possível, levar primeiro o
potro (mais fácil) e depois a égua.
Luxações: restabelecer o eixo, penso leve e imobilização. Se “esfriar” é mais difícil de recolocar.

Imobilização de transporte
• Membro anterior (1ª e 2ª falange): manter a superfície dorsal do membro em linha reta. A fratura
é o ponto de maior fragilidade. Não movimentar o boleto (não pode angular) para não forçar o
foco da fratura. Ele pisa com a pinça, pisando em um “salto”.
• Membro anterior (região proximal - rádio): se a fratura ocorre na parte muscular lateral, o animal
tende a abduzir o membro (abrir), tendendo a ocorrer a exposição do osso. Colocação de tala alta
(que ultrapasse a cernelha), impedindo a abertura do membro. Usar cano marrom de PVC para
usar como tala (quando esquenta ele fica moldável).
• Membro posterior (distal): colocação de tala na face plantar para evitar laceração no boleto. É
ideal fazer com que a sola do casco encoste na tala. Pode-se usar também aparelhos ortopédicos
(facilidade para cuidar de feridas na região).
• Membro posterior (tíbia): fazer o animal pisar em pinça, semelhante à fratura de rádio. Colocação
de tala na região lateral, impedindo a movimentação anormal.
Confecção do penso (modelo de Robert Jones): curativo, malha tubular, algodão ortopédico
(apenas em membro limpo e seco), atadura (não aderente ou aderente) e fixação. Pode-se fazer
um penso rígido, com carbonato de cálcio (não utilizado para grandes animais, pois demora
demais para secar), Scotch Cast (poliuretano com malha de fibra de vidro). Usado em caso de
tratamento.
Complicações: imobilização do membro até o carpo e tarso (cuidado com a recuperação
anestésica, se possível fazer com o animal em estação), imobilização do membro inteiro e
encaminhamento para a propriedade. Saber se o animal terá acompanhamento na propriedade.
Técnicas em Aparelho Locomotor
→Acesso de tendões: deformidades flexurais. Incisão da pele no terço médio do membro,
identificar estruturas, expor e incisar a estrutura (tenotomia) para que o animal “relaxe” o
membro (projetado para frente). Sutura de pele (PSS, nylon 2-0). Fazer o penso em região de
canela.
✓ Tendão flexor digital superficial: articulação metacarpo/metatarsofalangeana. Projeção cranial do
boleto
✓ Tendão flexor digital profundo: articulação interfalangeana distal. Esse tendão é superficial na
região da quartela. Elevação do boleto e pisa em pinça.
✓ Laceração e ruptura de tendão:
• Superficial: pisa com a sola no chão, mas o “boleto vai mais para baixo”.
• Superficial e Profundo: ocorre o levantamento da pinça, com o boleto baixo.
• Todos (+suspensor do boleto): apoia quartela e boleto no chão, expondo a pinça.
✓ Tenorrafia: Bunell e Locking Looping. Ambas distribuem a tensão ao longo do tendão. Não adianta
fazer a sutura no bordo do tendão (deve ter várias passagens para distribuir a tensão, tornando-a
mais resistente e reduzindo a chance de comprimir e garrotear a estrutura). Fio 5 ou Prolene 2
(fio grosso).
✓ Desmotomia anular do boleto: indicado quando há compressão do tendão. Secção do ligamento.
Fechamento em PSS.
✓ Desmotomia patelar medial: alteração da tensão do ligamento medial da patela em animais que
não têm atividade física intensa (fixação dorsal da patela por flacidez muscular). Não há perda da
relação articular da patela. Em potros neonatos, ocorre a luxação da patela (perda da relação
articular), sendo lateralizada. Fazer com o animal em pé (ligamento patelar tenso). Só é indicada
em casos que o animal é de esporte e deve fazer exercício em pouco tempo.
✓ Neurectomia digital: dessensibilização. Não trata a causa, e sim a consequência. Tendem a ser
distais, quando todos os tratamentos não tiveram resultado, Síndrome do navicular. O animal vai
precisar de um acompanhamento diário da sola para ver se está ok (animal não sente se pisa em
um prego, por exemplo). Incisão na região da quartela, individualização e secção do nervo.

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um prego, por exemplo). Incisão na região da quartela, individualização e secção do nervo.
Cuidado para não seccionar a artéria. Tirar o máximo possível do nervo. Só sutura a pele, PSS.
Cuidado para não ocorrer neuroma (fibrose envolta por tecido nervoso irregular). Técnica de
“pull-through” (tira mais tecido nervoso em 2 incisões pequenas na quartela), contudo, podia sair
o ramo dorsal, dessensibilizando também algumas falanges (interfalangeana distal), podendo
causar luxações.
✓ Ostectomia do metacarpiano/metatarsiano acessório: a porção distal do osso não é funcional.
Indicada apenas se a fratura for distal. Pode ocorrer instabilidade como complicação. Cuidado com
as proporções retiradas. Sutura de subcutâneo (sintético) e pele (nylon). Fazer penso. Se for
proximal, estabilizar o fragmento restante (parafuso quando o fragmento for grande ou placa se o
fragmento for pequeno).

ORQUIECTOMIA EM GRANDES ANIMAIS


É importante considerar a espécie e o objetivo final para sabermos por que castrar e quando
castrar. A técnica utilizada também é variável.
→Cavalo: dois compartimentos que parecem ser diferentes, terminando um para cada lado.
→Ruminantes: os epidídimos confluem para um mesmo local (ponta).
Origem embrionária: polo caudal dos rins. Intra-abdominal e extra-peritoneal. O testículo migra
do polo caudal dos rins para o escroto. Peritônio é a túnica vaginal. Gubernáculo é a estrutura
responsável por contrair e levar o testículo até o escroto. Essa migração deve ocorrer na vida fetal
(pré-nascimento). O testículo é recoberto 2X pelo peritônio (túnica vaginal), sendo dividido então
em 2 folhetos (parietal e visceral). Na parede escrotal, temos o músculo dartus (externo), que
consegue mover o testículo para se termorregular. Existe um ligamento entre a túnica vaginal
comum e o testículo, o mesórquio. Músculo cremaster (interno) com capacidade contrátil (quando
contrai, leva as túnicas e o testículo). Plexo pampiniforme: conjunto de veias que conseguem
alterar a temperatura do sangue que chega à artéria testicular. Funículo espermático: todas as
estruturas do cordão espermático + túnicas vaginais + músculo cremaster.

Técnica Aberta
Transfixação e ligadura (ou utilização do emasculador) somente no cordão espermático, deixando
as túnicas abertas. Testículo descoberto e cordão espermático descoberto. “Abre tudo e não fecha
nada”.
Pele, túnica dartus, túnicas vaginais. É rápida, simples, menos dor e menos líquido, drenagem de
líquido. O problema é que geramos uma comunicação entre o meio externo e a cavidade
(infecção, hérnia visceral). Ocorre em animais com hérnia inguinal muito grande ou traumas
seguidos e contínuos (animal que volta de cirurgia e não consegue ficar em pé). Anéis inguinais
interno (peritônio) e externo (musculatura).

Técnica Fechada
Exteriorização dos testículos ainda recobertos pelas túnicas. Não é feita a abertura das túnicas.
Transfixação e ligadura de todo o funículo em conjunto. Testículo coberto e cordão espermático
coberto.
É mais difícil, mas tem menor chance de contaminação. Não há chances de evisceração. Elevadas
chances de hemorragia. Pode formar mais edema e dor (maior manipulação).

Técnica Semi-fechada
Abertura das túnicas (referendação), transfixação e ligadura (ou emasculador) do cordão
espermático. Transfixação e ligadura das túnicas. Testículo descoberto e cordão espermático
coberto.
A pele fica aberta para drenagem de líquido.
Ruminantes: Incisão de pele circundando o escroto; ressecção de segmento distal da pele e
túnica dartus; exposição dos testículos (túnica vaginais). Incisão das túnicas vaginais; exposição
dos testículos; identificação e isolamento das estruturas testiculares; incisão do mesórquio e
liberação do músculo cremaster. Transfixação e ligadura do cordão espermático. Incisão do
cordão espermático e ressecção do testículo
Equinos: incisão de pele a mais ou menos 1cm e paralela à rafe mediana, de 5-7cm.A anestesia é
feita lateralmente à rafe. Referendação das túnicas, seguida de aumento da incisão;
exteriorização do testículo e identificação das estruturas. Secção do mesórquio e liberação do
testículo. Aplicação de emasculador sobre o cordão espermático, túnicas vaginais e músculo (se
usar emasculador, não usa a ligadura) OU transfixação e ligadura de too o conjunto OU
transfixação eSLIDE Não deixar o animal preso na baia (ele drena líquido quando está em
movimento).
Caso: É possível castrar esses potros mediante a realização de um US para que os testículos
sejam localizados (saber se são criptorquidas, técnica diferente). Não precisa esperar mais tempo,
já estão em idade adequada. Indicaria técnica aberta ou semi-fechada.
Em grandes animais, só utilizar fio absorvível (sintético ou natural) na ligadura. Em equinos,
quase não se usa a técnica fechada.

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TRATO URINÁRIO DE GRANDES ANIMAIS
Persistência de Úraco: não trata. Agressão química (iodo) cicatriza o úraco.

PRINCÍPIO DAS CIRURGIAS


MINIMAMENTE INVASIVAS
Substituição de um grande espaço aberto por uma menor incisão. Usa o princípio da endoscopia
(visualização indireta de estruturas internas, independente da via de acesso). Diferente de
gastroscopia, laringoscopia, videoendoscopia, etc.

Endoscópios: rígidos (laparoscópio e artroscópio; calibres e comprimentos diferentes) e flexíveis


(colonoscópio, gastroscópio). Quanto menor o diâmetro, mais frágil e maiores as chances de
quebrar. No caso dos flexíveis, quanto mais comprido for, mais difícil a manipulação e mais
facilmente quebrável. Os flexíveis possibilitam a introdução de pinças (canal de trabalho) para
realização de cauterização, biópsias, retirada de CE, etc. Utilizado em cavidades naturais (bexiga,
útero, esôfago, etc). Os rígidos são usados em cavidades que “serão abertas” (cavidade torácica).
Possível castrar cadela por laparoscopia (2 incisões de 1cm cada).
Princípios: invasão mínima da integridade corporal, menor traumatismo possível (cicatriz não
evidente), alterações mínimas da homeostase.
Vantagens: redução da possibilidade de contaminação, menor exposição das superfícies
cavitárias (peritônio), redução na formação de aderências, menor necessidade de analgesia pós-
operatória, rápida recuperação da forma e função.
Necessidades: conhecimento anatômico endoscópio (tamanho variado das estruturas vistas pelo
endoscópio), percepção sensorial (modificação da estrutura sem tocá-la diretamente), habilidade
manual.
Ambiente cirúrgico: ambiente virtual, telecirurgia, robótica. A realização do procedimento
depende da tecnologia disponível.
Equipamentos: endoscópio, sistema óptico de vídeo, câmera, fonte de luz, insuflador de gás ou
sistema de irrigação, trocartes (cânulas), instrumentos específicos (pinças, tesouras, etc).
Deve-se criar um espaço operatório em ambientes sem espaço livre para a inspeção da cavidade
ou manipulação com instrumentos cirúrgicos (serosas intestinais em contato direto com o
peritônio); Pneumoperitônio com CO2; distensão articular com solução RL ou CO2.
Videocirurgia: cirurgião em diferente posição corporal, olhando para o monitor de vídeo, não para
a área cirúrgica (linha reta e visão frontal); magnificação da imagem (10-20 vezes); ausência de
palpação direta das estruturas; visão bidimensional.
Imaginar um triângulo: 1 vértice tem a pinça de manipulação, no outro temos a ótica e no outro a
lesão. Nenhuma estrutura deve ficar na frente da outra (possibilitar a ótica e a instrumentação).

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