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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA 100ª VARA DO TRABALHO DE MINAS GERAIS

Processo nº xxx

Verônica Silva, já qualificada nos autos do processo acima descrito, por seu advogado que esta subscreve,
na Reclamação Trabalhista proposta por ela em face da Indústria Metalúrgica Ribeiro S.A, inconformada
com a sentença proferida, vem, respeitosamente a presença de Vossa Excelência, interpor

RECURSO ORDINÁRIO

com base no artigo 895, alínea "a" da CLT, de acordo com a razões em anexo as quais requer que sejam
recebidas e remetidas ao Egrégio Tribunal Regional da xx Região.
Segue comprovante do recolhimento das custas e depósito recursal.

Nestes termos,
Pede deferimento.
Local e data.
Advogado
OAB nº...

RAZÕES DO RECURSO ORDINÁRIO

Recorrente: Verônica Lima


Recorrido: Indústria Metalúrgica Ribeiro S/A
Processo nº: xxx
Vara de Origem: 100º MG

Egrégio Tribunal,
Nobres Julgadores,
Colenda Turma,
I – DOS PRESSUPOSTOS RECURSAIS
O presente RECURSO ORDINÁRIO preenche todos os seus requisitos de admissibilidade recursal extrínsecos
e intrínsecos. Dessa forma, deve o mesmo ser CONHECIDO e ter o seu mérito APRECIADO.

II - DA INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA
A recorrente recebeu seguro – desemprego quando estava nos dois primeiros meses do contrato
de trabalho com a recorrida, por isso pediu para empresa não assinar sua CTPS nesse período. O julgado
comprovou e a condenou a 6 (seis) meses de detenção por crime contra a organização do trabalho.
Ocorre que referida decisão afronta literalmente sobre a competência da Justiça do Trabalho,
onde não tem competência criminal sobre a matéria em questão. O magistrado feriu o princípio do devido
processo legal quando apreciou a conduta criminosa da recorrente. Conforme o que dispõe o artigo 5º, LIV
e a súmula 115 do TRF.
Dessa forma merece ser reformada a decisão.

III - DAS HORAS EXTRAS


No que tange as horas extras, o magistrado reconheceu que a recorrente excedeu sua jornada em
3 (três) horas diárias, mas, sua decisão limitou o pagamento para duas horas por dia com adicional de 50%
com fundamento no artigo 59 da CLT.
Entretanto, a referida decisão não merece prosperar, uma vez que em razão do princípio da
primazia da realidade, o magistrado não deve estar limitado às duas horas previstas em lei, conforme o que
estabelece à súmula 376, I do TST: “limitação legal da jornada suplementar a duas horas diárias não exime
o empregador de pagar todas as horas trabalhadas. (ex-OJ nº 117 da SBDI-1 - inserida em 20.11.1997)”.
Assim sendo, mais uma vez merece reforma o julgado de origem, afastando a decisão ao
pagamento em cima de duas horas.

IV - DO REGIME DE PRONTIDÃO
O juízo "a quo" deferiu o pagamento de 1/3 do salário-hora normal para pagamento das horas trabalhadas
em prontidão (valor equivalente ao pagamento de sobreaviso – art. 244, §2 da CLT).
A sentença não merece ser mantida, pois de acordo com o art. 244, §3º da CLT o pagamento da hora de
prontidão para todos os efeitos será de 2/3 do salário-hora normal.
Desta forma, requer a reforma da sentença proferida.
V - DO DISPOSTO DO ART. 940 DO CC
O julgado de origem ainda condenou a recorrente à devolução em dobro do 13ª salário do ano de
2012 pelo fato que a empregada o postulou integralmente, sem qualquer ressalva, sendo a decisão fundada
nos moldes do artigo 940 do CC.
Entretanto, referida decisão não merece prosperar, não devendo ser aplicado no processo do
trabalho o que dispõe o artigo citado anteriormente, pois feri o princípio da proteção. Sendo aplicável no
caso o artigo 8º § único da CLT: “o direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo em
que não for incompatível com os princípios fundamentais deste”.
Destarte, não merece prosperar a condenação imposta, pelo que requer sua reforma.

VI - CONCLUSÃO

Pelo exposto, requer o acolhimento da preliminar de incompetência absoluta material da justiça


do trabalho, requerendo ainda, o conhecimento e provimento do presente recurso.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Local e data.

Advogado
OAB nº...