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3º TRIMESTRE • 2016 • Nº 316

Copyright © 2016 – Igreja Adventista da Promessa


Revista para estudos na Escola Bíblica. É proibida a reprodução parcial
ou total sem autorização da Igreja Adventista da Promessa.

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

Diretor Alan Pereira Rocha


Conselho Editorial José Lima de Farias Filho
Hermes Pereira Brito
Magno Batista da Silva
Osmar Pedro da Silva
Otoniel Alves de Oliveira
Gilberto Fernandes Coelho
João Leonardo Júnior

EXPEDIENTE

Redação
Rua Boa Vista, 314 – 6º andar – Conj. A – Centro
Fone: (11) 3119-6457 – Fax: (11) 3119-2544
www.portaliap.com.br • secretariaiap@terra.com.br

Redação e preparação Alan Pereira Rocha


de originais Andrei Sampaio Soares
Eleilton William de Souza Freitas
Jailton Sousa Silva
Kassio Passos Lopes
Luiz Eduardo Souza Nunes
Silvio Gonçalves

Revisão de textos Eudoxiana Canto Melo

Seleção de hinos Amadilson Soares de Paula

Leituras diárias Andrei Sampaio Soares

Projeto Gráfico Marcorélio Cordeiro Murta

Editoração e capa Farol Editora

Atendimento e tráfego Geni Ferreira Lima


Fone: (11) 2955-5141

Assinaturas Informações na página 92

Impressão Hawaii Gráfica e Editora – São Caetano do Sul, SP


SUMÁRIO

Apresentação..................................................... 5

1 À espera de um avivamento...................................9

2 O derramamento do Espírito................................15

3 Sinais de uma igreja avivada................................21

4 A igreja avivada sob ataque.................................27

5 Missões além das fronteiras.................................33

6 A igreja envia missionários...................................39

7 A primeira assembleia geral.................................45

8 O evangelho chega à Europa...............................51

9 Ações estratégicas da igreja.................................57

10 A igreja que abala a cidade..................................63

11 Algemado pelo evangelho...................................69

12 A difícil viagem para Roma..................................75

Projeto Proclamar – Sábado especial...............81

13 A história precisa continuar..................................82


ABREVIATURAS DE LIVROS DA BÍBLIA
UTILIZADAS NAS LIÇÕES

Antigo Testamento NOVO Testamento


Gênesis Gn Mateus Mt
Êxodo Ex Marcos Mc
Levítico Lv Lucas Lc
Números Nm João Jo
Deuteronômio Dt Atos At
Josué Js Romanos Rm
Juízes Jz 1 Coríntios 1 Co
Rute Rt 2 Coríntios 2 Co
1 Samuel 1 Sm Gálatas Gl
2 Samuel 2 Sm Efésios Ef
1 Reis 1 Rs Filipenses Fp
2 Reis 2 Rs Colossenses Cl
1 Crônicas 1 Cr 1 Tessalonicenses 1 Ts
2 Crônicas 2 Cr 2 Tessalonicenses 2 Ts
Esdras Ed 1 Timóteo 1 Tm
Neemias Ne 2 Timóteo 2 Tm
Ester Et Tito Tt
Jó Jó Filemon Fm
Salmos Sl Hebreus Hb
Provérbios Pv Tiago Tg
Eclesiastes Ec 1 Pedro 1 Pe
Cantares Ct 2 Pedro 2 Pe
Isaías Is 1 João 1 Jo
Jeremias Jr 2 João 2 Jo
Lamentações Lm 3 João 3 Jo
Ezequiel Ez Judas Jd
Daniel Dn Apocalipse Ap
Oséias Os
Joel Jl
ABREVIATURAS DE TRADUÇÕES
Amós Am
E VERSÕES BÍBLICAS
Obadias Ob UTILIZADAS NAS LIÇÕES
Jonas Jn
Miquéias Mq AM A Mensagem
Naum Na ARA Almeida Revista e Atualizada
Habacuque Hc ARC Almeida Revista e Corrigida
Sofonias Sf AS21 Almeida Século 21
Ageu Ag ECA Edição Contemporânea de Almeida
NVI Nova Versão Internacional
Zacarias Zc
KJA Tradução King James Atualizada
Malaquias Ml
BV Bíblia Viva
NBV Nova Bíblia Viva
BJ Bíblia de Jerusalém
TEB Tradução Ecumênica da Bíblia
NTLH Nova Tradução na Ling. de Hoje

4 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


APRESENTAÇÃO

Cremos que o Espírito Santo está nos despertando para refletirmos sobre
a necessidade do avivamento e sobre a nossa missão no mundo. Neste e nos
próximos três anos, temos como o lema: “Uma igreja avivada em missão”,
pois sabemos que este era o perfil da comunidade composta pelos discípulos
de Jesus, no primeiro século, e é o que desejamos e precisamos ser, nos dias
atuais. Por isso, escolhemos o livro dos Atos dos Apóstolos para ser estuda-
do por nós, neste terceiro trimestre de 2016, de um jeito diferente: os treze
estudos desta série são expositivos; analisaremos capítulo por capítulo, a fim
de aprender com as experiências da igreja primitiva. Esse é o primeiro livro de
história da igreja cristã e o único inspirado por Deus.

O autor do livro
Atos foi escrito por Lucas, o mesmo autor do terceiro evangelho, que leva
seu nome. Sabe-se que Atos e o Evangelho de Lucas fazem parte de uma
única obra dividida em dois volumes (Lc 1:1-14; At 1:1-2). Por essa razão,
não é aconselhável examinar esses livros separadamente, ignorando o fato de
que um é a continuidade do outro. Levamos isso em consideração, quando
decidimos estudá-los em sequência, na Escola Bíblica. Nessa obra dupla, é
apresentado um relato ordenado e esmerado das origens do cristianismo, em
que são unidas as histórias de Jesus e da igreja.
Entender que Lucas é o autor de Atos, para nós, é importantíssimo. Ele
não era um teórico de gabinete. Além de ser médico e historiador, foi com-
panheiro e colaborador de Paulo em algumas viagens missionárias. O uso do
pronome “nós”, em suas narrativas, provam que vivenciou alguns fatos con-
tados no livro (At 20:4-6, 27:1-2, 28:14). Merece um destaque a informação
de que ele era um cristão gentio, natural de Antioquia, na Síria. Era sírio de
nascimento e grego de fala e cultura. Isso faz de Lucas o único autor do Novo
Testamento que não era judeu.

www.portaliap.com.br 5
Os leitores do livro
Para quem o livro de Atos foi destinado? Esta não é uma pergunta difícil.
O próprio livro responde: Em meu livro anterior, Teófilo, escrevi a respeito de
tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar (At 1:1). O nome do destinatá-
rio imediato do livro é Teófilo. E quem era ele? No Evangelho, Lucas o chama
de “excelentíssimo” (Lc 1:3), indicando tratar-se de alguém de condição so-
cial nobre ou uma autoridade do Império Romano.1 Mas, certamente, ele não
queria alcançar apenas uma pessoa com seu escrito. Escreveu também para
que os não-judeus do seu tempo pudessem ter acesso àquelas informações
sobre a origem da fé cristã.

A escrita do livro
É bem provável que Lucas tenha escrito o livro em Roma, onde a história
terminou (At 28:16-31). Há dois fatos importantes que ele, com seu tino de
historiador, jamais deixaria de relatar: o incêndio em Roma, em 64 d. C., e
a destruição de Jerusalém, em 70 d.C. Isso significa que ele escreveu o livro
antes dessas datas. Alguns pesquisadores concordam que ele pode ter escrito
o terceiro evangelho, ou, pelo menos, reunido os materiais durante os dois
anos em que Paulo ficou preso em Cesareia, tempo em que ficaram um tanto
ociosos em suas atividades missionárias. Seguindo a mesma lógica, ele deve
ter escrito Atos dos Apóstolos durante os dois anos em que Paulo ficou preso
em Roma. Assim, o livro teria sido escrito por volta de 62 d.C.2

O propósito do livro
Atos cobre os trinta primeiros anos da história da igreja. Inicia-se com a
ascensão de Jesus e vai até a prisão de Paulo. O propósito primário do médico
amado era fazer um relato do crescimento da igreja em sua época, mostran-
do como isso aconteceu. Ele descreve a expansão do cristianismo, partindo
de Jerusalém, até chegar a Roma, capital do império. Assim como no evan-
gelho, sua intenção com Atos era fortalecer a fé dos cristãos gentios (Lc 1:4).
Ao descrever o espantoso crescimento da igreja, que ocorreu apesar das
limitações humanas e das perseguições, Lucas faz questão de enfatizar, cla-
ramente, a obra do Espírito Santo por meio da igreja. Ele mostra ao seu
leitor que havia duas importantes armas espirituais utilizadas pelos primeiros
cristãos, que lhes garantiam o sucesso no cumprimento de sua missão no

1. González (2011:30).
2. Harper et al (2006:201).

6 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


mundo: a oração e a palavra. Em Atos, o que mais vemos é a igreja orando
ou pregando. Orava para buscar poder e, depois, pregava com poder. Essa
igreja crescia pela oração e pela palavra no poder do Espírito Santo, através
de cristãos fiéis e ousados.3

O conteúdo do livro
A narrativa de Lucas se desenvolve em cima do esboço traçado por Jesus,
que diz: Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e
ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Sama-
ria, e até aos confins da terra (At 1:8 - grifo nosso). Curiosamente, nos sete
primeiros capítulos do livro, vemos a igreja crescendo em Jerusalém; nos capítu-
los 8 a 12, vemos a igreja alcançando a Judeia e chegando à região de Samaria,
e, nos capítulos 13 a 28, vemos o evangelho chegando aos confins da Terra.4
Atos 1:8 é o versículo-chave de Atos e o resumo de todo o livro. Mas não
apenas isso: é, sobretudo, a apresentação da missão e do plano estratégico
de Deus para a sua igreja. Segundo Lucas, os primeiros cristãos, no poder do
Espírito Santo, cumpriram a missão e seguiram o plano integralmente. Eles
eram, literalmente, uma igreja avivada em missão.
Além disso, a palavra-chave de Atos é “testemunha”, e aparece 29 vezes
em todo o livro.5 Essa palavra descreve a identidade de um verdadeiro cristão.
Uma ideia por trás dela é a de um julgamento, como se Jesus e o evangelho
estivessem sendo julgados num tribunal e nós tivéssemos de depor e apre-
sentar provas em favor deles, diante dos homens, sendo testemunhas de
defesa. Uma testemunha é alguém que relata o que viu e ouviu (At 4:19-20).
Os apóstolos deram testemunho da ressurreição de Jesus.
Outra ideia relacionada a “testemunha” é de um mártir. Isso significa que um
discípulo autêntico é aquele que está disposto a morrer por sua fé em Cristo. E,
realmente, muitos cristãos selaram seu testemunho, entregando a própria vida.6

A relevância do livro
O conhecido autor Jonh Stott diz que “Atos é fundamental por causa de
seus registros históricos e também por sua inspiração contemporânea”.7 Não é

3. Lopes (2012:23).
4. Wiersbe (2006:522).
5. Idem.
6. Ibidem, p.521.
7. Stott (2008:9).

www.portaliap.com.br 7
apenas um livro de história da igreja, mas também o maior livro de missões do
mundo, que motiva os cristãos da atualidade a caminhar nessa direção. Atos
é, ainda, um alerta para a necessidade urgente de uma nova reforma e de um
profundo avivamento. Mostra-nos que não precisamos recorrer às novidades
do mercado da fé, mas que devemos voltar às origens do cristianismo bíblico.8
Um fato curioso é que Lucas termina Atos de maneira abrupta, dando a
impressão de que ainda faltava escrever mais um capítulo ou uma conclusão.
Será que ele pretendia escrever um terceiro volume de sua obra ou o texto
terminou exatamente como desejava? Há muitas teses que tentam explicar
essa questão. Contudo, concordamos com Gundry, quando afirma que, no
sentido teológico, o final repentino de Atos “sugere que a tarefa da evange-
lização mundial estava incompleta” e que nós precisamos terminá-la .9 Isso
mostra que o livro tem uma mensagem muito relevante e desafiadora para
aqueles que professam fé cristã nos dias atuais.
Nosso desejo é que o Pai recompense cada um dos escritores que, através
de pesquisa e dedicação, colaboram para a preparação desta série. Que o Es-
pírito Santo motive as coordenadorias da Escola Bíblica, use os professores, na
ministração das aulas, e edifique os estudantes da Bíblia. Que o Senhor Jesus
Cristo nos desperte, para que sejamos, de fato, uma igreja avivada em missão.
Ao Deus trino, sejam dados a honra, a glória e o louvor, por meio de sua
igreja, pelos séculos dos séculos. Amém!

Pr. Alan Pereira Rocha


Diretor do Departamento de Educação Cristã

8. Lopes, op. cit., p.14.


9. Gundry (2008:376).

8 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


1
2 DE JULHO DE 2016
À espera de
um avivamento
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 307 / HBJ 171 • Final: BJ 130 / HBJ 263

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Pensar na grande Mas receberão poder quando o Espírito
expectativa que cercava
Santo descer sobre vocês, e serão minhas
os discípulos de Jesus,
naqueles dias que testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia
antecederam a descida e Samaria, e até os confins da terra. (At 1:8)
do Espírito Santo, e nas
atitudes deles no período
de espera. INTRODUÇÃO
A fé cristã está fortemente enraizada em
LEITURA DIÁRIA fatos históricos. Por isso, estudar Atos dos
Apóstolos é essencial para nós e é o que fa-
D 26/06 At 1:1-11
S 27/06 At 1:12-26
remos neste trimestre. Vamos relembrar e re-
T 28/06 At 2:1-13 fletir sobre a história da igreja cristã primitiva.
Q 29/06 At 2:14-21 O autor desse livro é Lucas, o médico amado
Q 30/06 At 2:29-36 (Cl 4:14), o mesmo que escreveu o Evangelho
S 01/07 At 2:37-41 que leva o seu nome. Na verdade, o Evange-
S 02/07 At 2:42-47
lho de Lucas e o livro de Atos são uma única
obra em dois volumes (Lc 1:1-14; At 1:1-2).
No primeiro, é apresentada a história de Jesus
e tudo que ele começou a fazer e a ensinar;
no segundo, é descrito tudo que continuou
a fazer e a ensinar, através de sua igreja. Em
Atos 1, vemos, após a ascensão de Jesus, uma
igreja cheia de expectativas com relação à
descida do Espírito Santo (At 1:1-26). É sobre
Acesse os esta questão que estudaremos nesta lição.
Comentários Adicionais
e os Podcasts
deste capítulo em
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I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

O texto de Atos 1 começa assim: Antes de subir ao céu, Jesus lem-


Em meu livro anterior, Teófilo, escrevi brou à igreja que o Espírito Santo iria
a respeito de tudo o que Jesus come- descer. Perceba que o Senhor deu
çou a fazer e a ensinar, até o dia em instruções específicas. O que fazer?
que foi elevado ao céu (At 1:1,2). O Esperar. Onde? Em Jerusalém. O que
desejo de Lucas com Atos era con- esperar? A promessa do Pai, o derra-
tar um pouco a trajetória da igreja. mamento do Espírito. Essa promessa
Mas, antes, esse hábil escritor procu- aparece no Antigo Testamento (Is
rou estabelecer uma conexão entre o 32:15, 44:3-4; Jl 2:28-29) e é confir-
novo relato e o Evangelho de Lucas, mada no Novo Testamento (Mc 1:8;
retomando o assunto exatamente do Lc 24:49; Jo 14:16; At 1:4).
ponto em que havia parado: a ascen- A realização da promessa ocorre-
são de Jesus ao céu (Lc 24:50-53). ria mediante uma espera obediente.
Porém, agora, ele traria mais deta- Os discípulos tinham de ficar na ci-
lhes e mostraria a razão de os cristãos dade, até serem revestidos de poder.
estarem à espera de um avivamento. Talvez, o último lugar que quisessem
1. A promessa é lembrada: Antes ficar fosse Jerusalém, pois fora o pal-
de tratar sobre a promessa do Pai, Lu- co da pior tristeza e do pior fracasso
cas faz questão de reafirmar a ressurrei- de suas vidas. Mas deviam crer que
ção de Jesus. Ele enfatiza as evidências aquele seria o lugar de restauração,
que os discípulos receberam sobre esse onde teriam as maiores vitórias e ale-
fato, ao longo de quarenta dias entre a grias de suas vidas.1
ressurreição e ascensão (At 1:3). 2. A missão é apresentada: Note
A certeza da ressurreição e a men- que Jesus enfatizou a mensagem do
sagem do reino de Deus eram a es- reino de Deus. Na prática, isso signifi-
sência da proclamação da igreja pri- ca pregar as boas-novas de sua mor-
mitiva, pois apresentam Jesus como te e ressurreição, fazendo discípulos
o Salvador vivo e o Rei poderoso. Esse de todas as nações.2 A mensagem do
Salvador e Rei havia dado uma ordem reino é o evangelho de Cristo. Usa-se
a seus discípulos: Não saiam de Jeru- o termo “reino” porque, por detrás
salém, mas esperem pela promessa da mensagem, está a ideia de que
de meu Pai, da qual lhes falei. Pois Deus é o verdadeiro rei e o soberano
João batizou com água, mas dentro
de poucos dias vocês serão batizados 1. Lopes (2012:33).
com o Espírito Santo (At 1:4-5). 2. Kistemaker (2006:74).

10 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


sobre todo o universo, de que os se- o mundo, através do anúncio do
res humanos se rebelaram contra ele evangelho, no poder do Espírito.
e precisam arrepender-se e render-se Fariam isso sendo testemunhas (gr.
a ele, submetendo-se, novamente, marturéo), palavra esta que signifi-
ao seu senhorio e a sua autoridade. ca, literalmente, dar um depoimento
O evangelho oferece o perdão, con- sobre alguém no tribunal. Uma tes-
vida todos os humanos a se reconci- temunha é aquela que relata o que
liarem com Deus e voltarem a ser os viu e ouviu, conforme Atos 4:19-20.4
seus súditos. Os discípulos seriam testemunhas de
O problema é que os discípulos que Jesus estava vivo e é Senhor. Para
não conseguiam entender esse sen- isso, precisavam do poder do alto.
tido espiritual e universal do reino. 3. A preparação é iniciada:
Por isso, perguntaram a Jesus se ele Lucas relata que, após instruir seus
estava prestes a restaurar o reino de discípulos, Jesus foi elevado às altu-
Israel. O conceito deles era político ras enquanto eles olhavam, e uma
e territorial; por isso, confundiam o nuvem o encobriu da vista deles (At
reino de Deus com o reino de Israel.3 1:9). Em seguida, apareceram dois
A verdade é que os discípulos ainda anjos garantindo que Cristo voltará
não tinham uma visão clara do reino, assim como havia subido. Então, os
nem do evangelho. cristãos que estavam no Monte das
Como poderiam cumprir a missão Oliveiras, vendo Jesus subir, retorna-
no mundo, sem essa compreensão? ram a Jerusalém para esperar o cum-
Jesus explica que o Espírito Santo os primento da promessa do Pai.
ajudaria, tanto a ter uma visão mais A descida do Espírito Santo acon-
clara quanto a cumprir a missão. Esse teceu no dia da festa de Pentecostes
era outro motivo para ansiarem pela (At 2), que tinha este nome porque
promessa do Pai. Atos 1:8 é conciso, acontecia cinquenta dias após a Pás-
perfeito e direto: Mas receberão poder coa. Então, é só fazer a conta: Se, a
quando o Espírito Santo descer sobre partir da Páscoa, Jesus ficou sepulta-
vocês, e serão minhas testemunhas. do por três dias e, depois de ressus-
Aqui, a missão da igreja é declarada. citado, foi visto por muitos durante
Esse texto dá o plano de Deus para quarenta dias, então, os discípulos
toda a igreja cristã. É o versículo-chave ficaram em Jerusalém por sete dias.
de Atos e o resumo de todo o livro. Lucas, em Atos 1:13-26, nos diz o
Segundo Jesus, os discípulos ex- que eles fizeram, durante esses dias.
pandiriam o reino de Deus por todo Não foi um tempo de inatividade; ao

3. Stott (2008:40). 4. Wiersbe (2006:521).

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contrário, foi um tempo de intensa suicídio de Judas. Provavelmente, in-
preparação. Vejamos suas ações. dagavam: Como foi possível um de
Em primeiro lugar, eles reuniram nós fazer coisas tão terríveis? Será que
no Cenáculo. Acharam um lugar pro- Cristo errou na escolha? A saída deles
pício para estar juntos, em unidade foi buscar orientação na Palavra e se
e comunhão. Em segundo lugar, eles debruçar sobre ela. A Bíblia sempre
começaram a orar. Atos 1:14 infor- tem as respostas de que precisamos.
ma-nos que eles oravam juntos. Um Atos 1:15-22 mostra Pedro fazen-
motivava o outro. A oração era per- do uma exposição baseada nos Sal-
severante (gr. proskartereo), ou seja, mos 69 e 109 e nos ensinos de Jesus.
com determinação obstinada. O apóstolo concluiu que o ocorrido
Eles usaram o tempo de espera com Judas fora necessário para que se
orando fervorosamente. Além dis- cumprisse a Escritura (At 1:16) e en-
so, oravam “unânimes”. Isso sig- tendeu que ele deveria ser substituído.
nifica que havia harmonia em suas Em quarto lugar, eles se submete-
orações. Eles sabiam o que estavam ram à vontade de Deus. No exame bíbli-
buscando. Não há registros, na Bíblia co, os apóstolos foram convencidos de
ou na história da igreja, de um avi- que precisavam corrigir algo. A lideran-
vamento que tivesse começado sem ça precisava ser recomposta, e foi o que
ser precedido por oração. Não há fizeram. Tudo foi feito em oração, em
igreja avivada sem oração. submissão à vontade de Deus. Eles es-
Em terceiro lugar, eles estavam es- tavam colocando a casa em ordem para
tudando a Bíblia. Os discípulos tam- receber o importante hóspede. Assim,
bém estavam pensando nas instru- o primeiro capítulo de Atos termina
ções dadas por Cristo e buscavam, com cento e vinte pessoas, no Cenácu-
ainda, digerir alguns fatos estranhos lo, orando, estudando a Bíblia e espe-
que ocorreram, como a traição e o rando pela chegada do Espírito Santo.

01. Leia At 1:1-5 e comente um pouco sobre o Livro de Atos e, em


seguida, responda: De que forma e em que ocasião a promessa do
Pai foi lembrada por Jesus? Que ordem ele deu aos seus discípulos?

02. Após ler At 1:3,6 e o item 2, responda: Por que Jesus enfatizou a
mensagem do reino de Deus? Como os apóstolos entendiam o reino?
Qual o seu verdadeiro significado?

12 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


03. Em Atos 1:8, Jesus Cristo revela a sua igreja qual é sua missão no
mundo. Comente em classe o significado desse versículo-chave do livro.

04. Leia At 1:9-26, o item 3 e responda: Entre a ascensão de Jesus e a


descida do Espírito Santo, transcorreram quantos dias? O que os discípulos
ficaram fazendo, enquanto aguardavam a promessa do Pai?

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. A igreja precisa entender a e Samaria, e até os confins da ter-


abrangência da missão. ra. Isso pode ser aplicado às missões
Em Atos 1:8, a missão da igreja é locais, estaduais, nacionais e inter-
apresentada. Esse é o plano de Deus nacionais. A igreja deve anunciar
para nós. Mostra que todo cristão é um Jesus em todos os lugares, ao mes-
missionário, pois cada um deve ser uma mo tempo, sem privilegiar um em
testemunha de Cristo, anunciando a detrimento de outro. Não podemos
verdade sobre sua morte e sua ressur- investir apenas nas missões locais,
reição e declarando que ele é o verda- esquecendo-nos dos povos não-al-
deiro Rei. O cristão deve testemunhar, cançados pelo evangelho. Além
com suas palavras e com sua vida, que disso, se, em essência, todo cristão
Jesus é Salvador e Senhor. Essa é a es- é um missionário, então onde você
sência da missão, mas é preciso pensar estiver, estará em missão. Aqui ou
também em sua abrangência. lá; do outro lado da rua ou do outro
Sobre a abrangência, a Bíblia diz: lado do mundo. Onde você estiver,
... em Jerusalém, em toda a Judéia deve testemunhar de Cristo.

05. De acordo com Atos 1:8, qual a abrangência da missão? Você se


considera um missionário? Justifique sua resposta.

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2. A igreja precisa entender a Os discípulos estavam sedentos
necessidade de poder. e necessitados do Espirito; por isso,
O Senhor, antes de subir ao céu, persistiram unânimes na oração. O
prometeu enviar o Espírito Santo para derramamento do Espírito continua
a sua igreja. Antes de enviar a igreja sendo uma necessidade da igreja em
ao mundo para cumprir a missão, pro- nossos dias. Uma igreja fraca jamais
meteu-lhe o revestimento de poder. poderá cumprir sua missão, que é
Ele insistiu em que os discípulos ficas- tão abrangente. Sem o Espírito San-
sem em Jerusalém, até serem revesti- to, ela está perdida; ela morre. Se
dos pelo Espírito Santo. Os primeiros quisermos ser uma igreja avivada em
cristãos não duvidaram da promessa; missão, precisamos buscar o poder
foram para o Cenáculo e buscaram do alto com o mesmo empenho e
com insistência o poder do alto. anseio dos primeiros cristãos.

06. Por que receber capacitação do Espírito Santo é uma necessidade


da igreja? Você tem clamado por avivamento?

DESAFIO MISSIONÁRIO

Em Isaías 44:3, Deus prometeu derramar água sobre os seden-


tos e rios sobre uma terra seca. Em Atos 1, vemos pessoas se-
dentas, orando unânimes e esperando ansiosamente. E o Espírito
Santo foi derramado. Cremos que, de igual modo, se, hoje, a igreja
tiver sede de Deus como a terra seca anseia pela água, ela também
experimentará mais poder do alto. Essa sede é evidenciada pela
oração insistente e unânime dos crentes. Não há chuva abundante
do céu sem a oração da igreja. Portanto, oremos mais; clamemos
mais. É tempo de buscarmos a Deus, até que ele faça chover sobre
nós as torrentes do seu Espírito, para que possamos ser usados
poderosamente, no cumprimento da missão.

14 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


2
9 DE JULHO DE 2016
O derramamento
do Espírito
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 72 / HBJ 172 • Final: BJ 76 / HBJ 447

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Conduzir o estudante De repente veio do céu um ruído, como que
a uma reflexão bíblica
de um vento impetuoso, e encheu toda a
sobre a experiência do
derramamento do Espírito casa onde estavam sentados. (At 2:2)
Santo e sua inigualável
importância para a
igreja contemporânea. INTRODUÇÃO
O trecho de Atos 2:1-13, base deste estu-
do, narra a experiência do derramamento do
LEITURA DIÁRIA
Espírito Santo sobre a vida dos primeiros cris-
D 03/07 At 3:1-10
tãos. Os apóstolos, bem como um grande gru-
S 04/07 At 3:11-21
T 05/07 At 3:22-26 po de discípulos, incluindo algumas mulheres,
Q 06/07 At 4:1-12 Maria, mãe de Jesus, e seus irmãos consanguí-
Q 07/07 At 4:13-22 neos (At 1:14), esperavam essa gloriosa expe-
S 08/07 At 4:23-31 riência, em obediência a Cristo (Lc 24:49; At
S 09/07 At 4:32-37
1:8). No pano de fundo, havia as profecias do
Antigo Testamento, que, há muito, prediziam
essa extraordinária bênção (Is 32:15; Jr 31:31-
34; Jl 2:28-32). É justamente o cumprimento
dessas profecias na vida dos primeiros discípu-
los que estudaremos nesta lição.

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

Acesse os
Comentários Adicionais Além das profecias do Antigo Testamento,
e os Podcasts o próprio Senhor Jesus e seu precursor, João
deste capítulo em
www.portaliap.com.br Batista, asseveravam que o tempo chegaria
em que o Espírito Santo passaria a habitar

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permanentemente no interior dos estava cheia de visitantes de todo o
crentes da Nova Aliança (Mc 1:8; Jo mundo. A data era estratégica. Deus
14:16). Em razão disso, o Pentecos- já a tinha agendado, mas os discípu-
tes não pode ser considerado um los não sabiam.
evento qualquer. Nele se cumprem De acordo com a Bíblia, Jesus
as predições do Antigo Testamento foi crucificado na época da Páscoa
e as palavras de João e de nosso Se- e subiu aos céus quarenta dias de-
nhor. Assim, o evento inaugura um pois da sua ressurreição. Cinquenta
novo tempo em que o Espírito pas- dias depois da ressurreição e dez
saria a morar para sempre nos cren- dias depois da ascensão, o Espíri-
tes. Para compreender a importância to Santo desceu. Como parece ter
desse acontecimento, vamos tratar sido sua prática frequente, após a
alguns de seus aspectos. ascensão, os crentes estavam oran-
1. Inesperado: Lucas inicia sua do, quando o Espírito desceu sobre
narrativa desse acontecimento dizen- eles (At 1:14).
do: Ao cumprir-se o dia de Pentecos- Lucas diz que, de repente, o Espí-
tes, estavam todos reunidos no mes- rito desceu sobre aqueles crentes (At
mo lugar (2:1). No Novo Testamento, 2:2). A expressão “de repente” mos-
o Pentecostes1 ocorria “quando a tra que o acontecimento, conquanto
ceifa do trigo era celebrada por uma fosse aguardado, foi surpreendente,
festa de um dia, durante a qual se inesperado e repentino. É sempre
ofereciam sacrifícios especiais”.2 assim que um grande avivamento
Os judeus celebravam o Pente- acontece: na hora que Deus deter-
costes anualmente, no quinquagési- mina, de acordo com a sua agenda.
mo dia após a Páscoa, para come- Então, almejemos intensamente viver
morar a saída de Israel do Egito. O experiências de avivamento pareci-
Pentecostes também era chamado, das ao Pentecostes, porque, de re-
no Antigo Testamento, de Festa da pente, Deus pode derramar o Espírito
Colheita, quando Israel agradecia a de forma especial.
Deus pelos primeiros frutos colhidos 2. Poderoso: Além de inespe-
(Nm 28:26). Deus havia escolhido rada, a descida do Espírito Santo
aquela data para o derramamento foi um acontecimento poderoso.
do Espírito. Naquele dia, Jerusalém Os versículos narram fenômenos
extraordinários. Todo o evento foi
 termo Pentecostes deriva de uma pala-
1. O acompanhado por sinais sobrenatu-
vra grega que significa quinquagésimo (gr. rais. Lucas o descreve do seguinte
πεντηκοστη). Era o nome grego que se
dava à festa judaica das Semanas (Ex 34:22). modo: De repente veio do céu um
2. Marshall (1982:68). ruído, como que de um vento impe-

16 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


tuoso, e encheu toda a casa onde no Cenáculo, no dia de Pentecostes,
estavam sentados (At 2:2). Um som foi algo sem precedentes na história.
estrondoso foi ouvido. Nas Escrituras Uma experiência singular.
Sagradas, o vento é um dos símbolos De acordo com Atos, todos os
do Espírito Santo (Ez 37:9-14; Jo 3:8) crentes foram cheios do Espírito San-
e “representa seus imprevisíveis mo- to e começaram a falar em outras
vimentos soberanos”.3 línguas, conforme o Espírito Santo
Houve outro fenômeno sobrena- lhes concedia que falassem (At 2:4).
tural: E foram vistas por eles línguas Línguas estranhas (gr. heteros glos-
repartidas, como que de fogo, as sais) é o sinal exterior do batismo no
quais pousaram sobre cada um deles Espírito Santo. Enquanto isso, outro
(At 2:3). Perceba que o texto afirma fenômeno espetacular estava acon-
que os discípulos viram, na realida- tecendo em Jerusalém.
de, algo como (parecido e semelhan- Os visitantes multinacionais (par-
te) a línguas de fogo e um som de tos, medos, elamitas, homens da
um vento muito forte. Mesopotâmia, da Judeia, da Capa-
Em suma, o “som não era vento, dócia, do Ponto e Ásia, da Frígia,
mas soava como vento; a visão não da Panfília, do Egito, das regiões da
era fogo, mas lembrava o fogo”.4 O Líbia ao redor de Cirene, visitantes
evento foi tão poderoso e sobrena- de Roma, cretenses e arábios), que
tural que a única maneira de descre- se reuniram para o Pentecostes, ou-
vê-lo de modo que o entendêssemos viam, nos idiomas de seus países, o
foi através de elementos tão conhe- que os discípulos falavam em línguas
cidos, como o fogo e o vento. A ex- estranhas (At 2:6-13).
periência foi extremamente senso- Nas Escrituras, as línguas estra-
rial. Eles viram e sentiram a presença nhas são ininteligíveis (1 Co 14:2).
extraordinária do Espírito Santo. Somente Deus pode fazê-las com-
3. Singular: O derramamento do preensíveis às pessoas, ao conceder,
Espírito Santo, além de inesperado e por meio do Espírito, a capacidade
poderoso, também foi singular. De de interpretação (1 Co 12:10, 30,
acordo com Lucas, aqueles eram dias 14:5, 13, 26). Porém, no dia de Pen-
especiais, pois em Jerusalém estavam tecostes, “o próprio Espírito Santo
habitando judeus, varões religiosos, realiza esse serviço de tradução, sem
de todas as nações que estão debai- mediação humana”.5 Deus abriu os
xo do céu (At 2:5). O que aconteceu ouvidos dos homens para escuta-
rem, nos dialetos que conheciam,
3. MacDonald (2008:335).
4. Stott (2002:67). 5. Boor (2002:43).

www.portaliap.com.br 17
aquilo que os discípulos falavam em em línguas estrangeiras, mas os que
línguas estranhas. ouviam é que escutavam em outros
No texto, a expressão: os ouviam idiomas. O que aconteceu, então, foi
falar em suas próprias línguas se re- um milagre (a interpretação de lín-
pete duas vezes, para mostrar que guas estranhas). Esse, sem dúvida, foi
não eram os discípulos que falavam um acontecimento sem precedentes.

01. Leia Is 32:15; Jr 31:31-34; Jl 2:28-32; Mc 1:8; Jo 14:16, e comente


como, no dia de Pentecostes, se cumpriram as profecias do Antigo
Testamento, as palavras do próprio Senhor Jesus e de João Batista,
acerca do Espírito.

02. Leia Êx 23:16; Lv 23:15, 21; Dt 16:9-12; o item 1, e converse com


os demais alunos sobre o dia de Pentecostes (seu significado, quando
se comemorava, o que se festejava nesse dia etc.).

03. Com base em Atos 2:1-3 e no item 2, responda: Quais foram os


sinais sobrenaturais que acompanharam a descida do Espírito Santo,
no dia de Pentecostes?

04. Os discípulos falaram em línguas estranhas ou em idiomas,


no dia de Pentecostes? Para responder, leia Atos 2:6,11,13; 1 Co
12:10,30, 14:5,13,26, 14:2, e o item 3.

18 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Busque com constância o po- Já que o derramamento do Es-


der do Espírito Santo. pírito Santo está à disposição da
Pedro deixou bem claro, em seu ser- igreja de todos os tempos, deve-
mão, que a experiência do Pentecostes, mos ter sempre em mente que
conquanto fosse sem precedentes, não essa bênção deve ser buscada com
era, de modo algum, restrita aos pri- intensidade pelo povo de Deus. Os
meiros discípulos. Ele afirmou: Porque discípulos nos ensinam isso. To-
a promessa pertence a vós, a vossos dos eles perseveravam unânimes
filhos, e a todos os que estão longe: a em oração, com as mulheres, com
quantos o Senhor nosso Deus chamar Maria, mãe de Jesus, e com os
(At 2:39). No desenvolver do livro de irmãos dele (At 1:4). Eles recebe-
Atos, percebemos que essa bênção fez ram poder dos céus; mas não sem
parte da experiência das demais igrejas busca. E você? Tem buscado esse
que iam se estabelecendo com o tem- poder glorioso do Espírito Santo?
po (At 8:17, 10:44-46, 19:6). Pense nisso!

05. A experiência do derramamento do Espírito Santo é para os nos-


sos dias também? Após responder, converse com os demais alunos
como devemos buscar com intensidade esta experiência.

2. Desfrute com intensidade o conforme o Espírito lhes concedia


poder do Espírito Santo. que falassem (At 2:4). Conquan-
A experiência do derramamento to o batismo no Espírito Santo seja
do Espírito Santo, no dia de Pente- um evento único, o enchimento do
costes, foi poderosíssima. De acor- Espírito deve ser uma experiência
do com Lucas, naquele dia, todos constante na vida da igreja e de cada
ficaram cheios do Espírito Santo e cristão. Ser cheios do Espírito nos ca-
começaram a falar noutras línguas, pacita a viver uma vida que agrada

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a Deus (Ef 5:14-21). Foi por isso que precisamos desfrutar, com regula-
Paulo disse aos efésios: enchei-vos ridade, do poder do Espírito Santo.
do Espírito (Ef 5:18). Quando nos reunirmos como igreja,
Ao ler o livro de Atos, constata- para orar e adorar a Cristo, como
mos essa verdade. Os cristãos fre- faziam os primeiros discípulos, deve-
quentemente são descritos como mos experimentar a presença do Es-
cheios do Espírito Santo (At 4:8, 31, pírito Santo e nos permitir ser cheios
9:17, 13:9, 52). À semelhança deles, de seu poder. Pense nisso!

06. Comente com os demais alunos sobre a importância de desfrutar-


mos a presença e o poder do Espírito Santo em nossas vidas.

DESAFIO MISSIONÁRIO

A fabulosa experiência dos discípulos em Jerusalém, no dia de


Pentecostes, continua à disposição de todo cristão sincero que
deseja ser cheio do poder do Espírito Santo. Como nós apren-
demos, o recebimento desse poder foi antecedido pela prática
constante da oração. Sendo assim, se você tem esse mesmo an-
seio, busque com mais afinco essa experiência. Para isso, separe
momentos regulares de oração e leitura da Palavra. Além disso,
vá aos cultos com sede da presença e do poder do Espírito. Ele
o satisfará!

20 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


3
16 DE JULHO DE 2016
Sinais de uma
igreja avivada
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 186 / HBJ 331 • Final: BJ 10 / HBJ 364

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ajudar o estudante da E perseveravam na doutrina dos apóstolos
Bíblia a refletir sobre
e na comunhão, no partir do pão e nas
as consequências do
avivamento na igreja, de orações. Em cada alma havia temor; e muitos
modo que possa desejar e prodígios e sinais eram feitos por intermédio
vivenciar essas marcas em dos apóstolos (At 2:42-43).
seu dia-a-dia.

INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA
O que vemos nos relatos dos primeiros
D 10/07 At 5:1-11
S 11/07 At 5:12-20 capítulos do livro de Atos é uma igreja viva,
T 12/07 At 5:21-32 que, conduzida pelo Espírito Santo, fazia di-
Q 13/07 At 5:33-42 ferença na sociedade de seu tempo. Lucas faz
Q 14/07 At 6:1-7
questão de observar que essa igreja contava
S 15/07 At 6:8-15
S 16/07 At 7:1-7
com a simpatia de todo o povo (At 2:47). O
avivamento produzido pelo derramamento do
Espírito Santo, no dia de Pentecostes, mudou
radicalmente a vida dos cristãos do primeiro
século. O medo da perseguição foi suplantado
pelo poder que os habilitou a se tornarem tes-
temunhas de Jesus (At 1:8). A igreja de Atos
vivia o extraordinário no ordinário. Trataremos
sobre isso a seguir.

Acesse os I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS


Comentários Adicionais
e os Podcasts
deste capítulo em
www.portaliap.com.br A igreja de Atos dos Apóstolos é, sem ne-
nhuma sombra de dúvida, um exemplo de

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igreja avivada. Ela mostrava isso em suscitou, afirma ele. Portanto, Cristo
sua pregação, cujo conteúdo exalta- venceu a morte e o pecado, “des-
va não os seus próprios feitos, mas fez as obras do diabo, cumpriu a lei,
os de Cristo; nas conversões que a satisfez a justiça de Deus e nos deu
fizeram crescer; em sua perseveran- eterna redenção”.1
ça, que a tornou admirável, e nos mi- O quarto aspecto é a exaltação de
lagres que exaltavam o poder de seu Jesus. Pedro diz sobre Cristo: Exalta-
Senhor. Nela, é possível observar as do, pois, à destra de Deus (At 2:33).
marcas de um avivamento. Quais são O trono celestial, não mais a cruz,
essas marcas que se notam numa tornou-se o seu lugar, de onde reina
igreja avivada? Vejamos, com base e governa a igreja. Uma comunidade
em Atos 2:14 a 3:10. avivada, tal como a igreja primitiva,
1. Pregação cristocêntrica: Uma prioriza Cristo em sua pregação.
das marcas da igreja que experimen- 2. Inúmeras conversões: Ob-
ta o avivamento é a pregação cris- servamos conversões em massa, na
tocêntrica. É essa a pregação que experiência daquela igreja avivada.
Pedro faz no capítulo 2 de Atos. Ao A igreja de Cristo, em Atos, cresce
se levantar com os onze, ele ergue muito. Os números falam por si. No
a voz para falar de Jesus. Em sua primeiro capítulo do livro, a igreja
pregação, pelo menos quatro im- tem 120 membros; no segundo, 3
portantes aspectos acerca de Jesus mil membros; no quarto, 5 mil; no
são mencionados. O primeiro é a capítulo 5, uma multidão é agregada
autenticidade do ministério de Jesus. à igreja, que não para de crescer.
Pedro afirmou que ele fora um va- Duas verdades devem ser mencio-
rão aprovado por Deus diante de vós nadas sobre o crescimento da igre-
com milagres (At 2:22). As palavras ja. Primeira, as inúmeras conversões
de Cristo condiziam com suas obras. ocorreram em circunstâncias favo-
Logo, Jesus não era um impostor, ráveis, numa igreja avivada. A igreja
mas o verdadeiro Filho de Deus. crescia porque contava com a sim-
O segundo aspecto é a morte de patia de todo o povo (At 2:47). Ela
Jesus. Pedro lembra que Cristo foi era simpática e amável e seu estilo
entregue por desígnio e presciência de vida impactava a sociedade.2 Por
de Deus (At 2:23). A morte dele não meio de seu exemplo, a igreja aviva-
foi acidental, mas premeditada por da proporciona condições favoráveis
Deus e voluntária. à conversão dos pecadores.
O terceiro aspecto é a ressurreição
de Jesus. A pregação de Pedro exalta 1. Lopes (2012:62).
a verdade da ressurreição. Deus o res- 2. Ibidem, p.69.

22 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


Segunda, as inúmeras conversões também se dedicavam à oração.
ocorreram em circunstâncias adver- A igreja orava o tempo todo; “ela
sas, numa igreja avivada. O rápido dependia mais de Deus do que dos
crescimento da igreja desencadeou próprios recursos”.5 Por isso, não
grande hostilidade. Os cristãos fo- cessava de orar.
ram perseguidos e obrigados a fugir Os cristãos também se dedicavam
de Jerusalém.3 Porém, essa fuga fez à solidariedade. Sem serem obriga-
que o evangelho fosse pregado em dos, voluntariamente vendiam suas
outros lugares e a igreja se expan- propriedades e repartiam com quem
disse ainda mais. Por meio de sua tinha necessidade. Além disso, dedi-
pregação, a igreja avivada instiga a cavam-se à adoração. A igreja louva-
conversão dos pecadores, em situa- va a Deus. O culto não lhe era um
ções adversas. peso, mas um deleite. A igreja aviva-
3. Perseverança admirável: da é perseverante! É marcada forte-
Além do crescimento numérico, mente pela busca à santidade, pelo
numa igreja avivada há também um temor a Deus e pelo desejo insaciável
crescimento espiritual. Lucas não de orar. Isso é percebido nos vários
deixa de mencionar uma importan- exemplos de avivamento na Bíblia e
te característica da igreja primitiva: na história, e não foi diferente na ex-
a sua perseverança (At 2:42). O periência da igreja de Atos.
verbo perseverar (gr. proskartereo) 4. Milagres extraordinários:
indica, dentre outros significados, Além da pregação cristocêntrica,
constante prontidão e dedicação. das inúmeras conversões e da per-
A Bíblia Nova Versão Internacional severança admirável, os milagres
(NVI) traduz esse termo assim: Eles extraordinários são marca da igreja
se dedicavam. avivada. Os primeiros dez versículos
A que os cristãos se dedicavam? do capítulo 3 de Atos narram um
À doutrina dos apóstolos. Eles se episódio em que Pedro e João são
voltavam para os apóstolos constan- usados por Deus para curar um pa-
temente, a fim de receberem instru- ralítico de nascença.
ção sobre o evangelho de Cristo.4 À porta do templo, onde o para-
O ensino era valorizado. Os cristãos lítico estava pedindo esmolas, Pedro
avivados se dedicavam à comunhão. lhe disse: ... em nome de Jesus Cris-
Havia amor entre eles e estavam to, o Nazareno, anda! (At 3:6). Os
juntos, no templo e nos lares. Eles pés do paralítico se firmaram e ele
saltava, louvando a Deus (At 3:8).
3. Richards (2008:259).
4. Kistemaker (2006:154). 5. Lopes, op. cit., p.67.

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As pessoas, vendo aquilo, se enche- autoridade desse nome.7 A igreja
ram de admiração e de assombro (At viva crê em Jesus, pois sabe que
3:10). A igreja de Atos era “receptiva ele tem todo o poder no céu e na
ao agir soberano de Deus”.6 Por isso, terra (Mt 28:18).
presenciava milagres extraordinários. Vimos, até aqui, que uma igreja
Nela, muitos sinais e prodígios eram avivada possui as marcas singulares
efetuados (At 5:12, 15). de uma pregação cristocêntrica, de
Os milagres de Deus são efetua- inúmeras conversões, de uma perse-
dos por meio da igreja viva. Porém, verança admirável e de milagres ex-
não é dela que provém autoridade traordinários. Ao conhecer o livro de
para tal. Pedro curou o paralítico Atos, chegamos a essa conclusão. A
em nome de Jesus. A glória é de nossa reflexão, contudo, não termi-
Cristo, não do apóstolo ou mes- na aqui. Precisamos vivenciar o livro
mo da igreja. Pedro cita o nome de Atos através de duas importantes
de Jesus por causa da suprema aplicações. Prossigamos.

6. Lopes (2012:69). 7. Ibidem, p.77.

01. Leia At 2:22-36 e comente, com base no item 1, sobre os quatro


aspectos da vida de Jesus mencionados por Pedro em sua pregação.

02. Numa igreja avivada, as inúmeras conversões ocorrem em


circunstâncias favoráveis e adversas. Comente essa afirmação, com
base em At 2:47, 8:1 e no item 2.

03. A que se dedicava a igreja do primeiro século? O que isso ensina


à igreja da atualidade? Responda, com base em Atos 2:42, 46-47 e no
item 3.

24 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


04. Os milagres extraordinários e as manifestações dos dons espirituais
são marcas de uma igreja avivada. De que maneira isso é visto na igreja
primitiva? Responda, com base em At 3:1-10; 5:12, 15 e no item 4.

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. A igreja avivada é marcada Uma igreja em que se veem pro-


por sua santidade. dígios, mas não se vê compromisso
A igreja viva de Atos era marcada com Deus, não pode ser considera-
por santidade. De acordo com Atos da avivada, pois contrição sincera
2:43a, em cada alma havia temor. pelo pecado e anseio por viver em
Noutras palavras, os crentes foram santidade são principais marcas do
tomados de espanto e reverência, avivamento. Pedro disse, em sua
porque “sentiam a proximidade de pregação: Arrependei-vos (At 2:38).
Deus em seu meio”.8 A Nova Bíblia Arrependimento é a atitude de aban-
Viva traduz assim esse texto: Em to- donar o pecado e a santificação é o
dos eles havia um profundo respeito. ato de se aproximar cada vez mais do
Esses crentes levavam Deus a sério. caráter de Cristo.9 Portanto, é preciso
As manifestações dos dons, os mi- que haja, na igreja cristã da atualida-
lagres que ocorriam naquela igreja de, uma busca não somente pelos
eram acompanhados por santidade milagres de Cristo, mas, sobretudo,
e temor Deus. por um caráter semelhante ao dele.

8. Kistemaker (2006:156). 9. Grudem (1999:622).

05. De que maneira podemos buscar santidade nos dias de hoje?


Responda, com base na primeira aplicação.

www.portaliap.com.br 25
2. A igreja avivada é marcada Uma comunidade de cuja pre-
por sua pregação. gação Cristo não se constitui a
A igreja viva de Atos tinha uma pre- mensagem principal não pode ser
gação cristocêntrica. Ela ensinava sobre avivada. Não há avivamento onde a
a vida e a obra de Jesus e testemunhava salvação em Jesus é ignorada. Uma
acerca de sua morte e ressurreição (At igreja em que Cristo não é o cabeça
2:23-24). Em circunstâncias favoráveis já declarou independência de Deus
ou adversas, a igreja do primeiro século e, portanto, está morta espiritual-
persistia em ser boca de Deus no mun- mente. Logo, mais do que nunca,
do, de modo que se expandia cada vez o assunto da nossa pregação deve
mais (At 8:1). Não à toa, inúmeras con- ser a pessoa de Jesus. Dele deve-
versões são mencionadas em vários ca- mos falar em tempo e fora de tem-
pítulos do livro de Atos. A igreja avivada po (2 Tm 4:2). Façamos isso, seja-
mostra o Salvador ao mundo! mos avivados!

06. Se somos uma igreja avivada, então qual deve ser a nos-
sa pregação? Responda, com base na segunda aplicação.

DESAFIO MISSIONÁRIO

Mediante o que estudamos, fica um importante desafio para


você, que faz parte de uma igreja avivada: busque viver aquelas
marcas vistas na igreja primitiva e incentive seus irmãos a viverem
assim. Seja perseverante. Busque viver em santidade. Dedique-se
mais à oração. Tire um tempo para falar com Deus diariamente.
Ore em favor da missão. Dedique-se ao ensino. Esforce-se para
aprender sobre Jesus e ensinar a respeito dele. Persevere em ter
comunhão com o seu próximo e em ajudar aqueles que preci-
sam. Fazendo isso, Deus não só trabalhará em sua vida como
também agirá por meio dela.

26 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


4
23 DE JULHO DE 2016
A igreja avivada
sob ataque
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 128 / HBJ 318 • Final: BJ 68 / HBJ 258

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar que uma igreja E, chamando os apóstolos, aplicaram-lhes
cheia do Espírito Santo
chicotadas e ordenaram que não falassem em
também sofre ataques,
mas não deve deixar de nome de Jesus, Então os soltaram. (At 5:40)
depender de Deus, nem
de anunciar a Palavra.
INTRODUÇÃO

LEITURA DIÁRIA
Nesta série de lições, já estudamos sobre o
derramamento do Espírito Santo sobre a igreja
D 17/07 At 7:8-16
S 18/07 At 7:17-29
e as consequências deste: pregação cristocên-
T 19/07 At 7:30-40 trica, inúmeras conversões, adoração vibrante,
Q 20/07 At 7:41-53 comunhão verdadeira, milagres extraordiná-
Q 21/07 At 7:54-60; rios e outros. Contudo, o dia-a-dia de uma
8:1-3
S 22/07 At 8:4-13
igreja avivada não é feito só flores. Rapida-
S 23/07 At 8:14-25 mente os primeiros problemas começaram a
aparecer, das mais variadas fontes. Mesmo
sendo guiada pelo poder do Espírito Santo, a
igreja sofria ataques. E foi só por causa do po-
der do Espírito Santo que ela não sucumbiu,
mas conseguiu vencer todas as adversidades,
conforme veremos neste estudo.

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

Acesse os
Comentários Adicionais O livro de Atos mostra, de modo claro, uma
e os Podcasts verdade: uma igreja cheia do Espírito Santo,
deste capítulo em
www.portaliap.com.br além de atrair vidas para Cristo, atrai oposição
do mundo, provoca a fúria de Satanás e pode

www.portaliap.com.br 27
ver aparecer crises internas em seu Salomão (At 5:12).1 Muitos sinais e
meio. Depois de mostrar o surgimen- feitos extraordinários continuavam
to de uma igreja poderosa engajada acontecendo e o número de discípu-
na missão de Deus, Lucas gasta um los, aumentando. Novamente, toma-
grande bloco de ensino do livro de dos de inveja, os líderes religiosos os
Atos contando-nos os ataques que prenderam e os proibiram de pregar.
ela sofreu em seu nascedouro. Qua- Desta vez, antes de soltá-los, casti-
tro foram estes ataques que tenta- garam-nos com chibatadas. Aque-
ram paralisar os cristãos. les homens eram tiranos e cruéis.
1. A perseguição: Depois que Contudo, em vez de desânimo, os
Deus curou um aleijado na porta apóstolos se retiraram alegres por
do templo, chamada Formosa, em terem sido julgados dignos de sofrer
Jerusalém, por meio do ministério afronta por causa do nome de Jesus
(At 5:41), e continuaram pregando.
dos apóstolos, Pedro fez um discur-
Nada fazia que se calassem!
so dirigido a Israel, convocando-o
2. A corrupção: Além da per-
ao arrependimento (At 3:1-26). Essa
seguição, um ataque de fora para
pregação deixou a liderança judaica
dentro, a igreja também foi atacada
muito incomodada. O resultado? En-
pela corrupção, um ataque de den-
tão os prenderam e os colocaram na
tro para fora. Satanás conseguiu in-
prisão até o dia seguinte (At 4:3).
filtrar-se no meio da igreja para ata-
No dia seguinte, eles foram leva-
cá-la, por meio da hipocrisia de Ana-
dos a prestar esclarecimentos à alta
nias e Safira. Já que não pôde parar
corte judaica: o Sinédrio, composto
a igreja, prendendo os apóstolos e
de setenta membros e o sumo-sacer- proibindo-os de pregar, o inimigo do
dote, que era o presidente. Como era povo de Deus mudou de estratégia e
impossível negar o que havia aconte- quis contaminar os próprios cristãos.
cido, os líderes religiosos, numa me- Ao que parece, o gesto genero-
dida desesperada, proibiram que os so e voluntário de Barnabé chamou
apóstolos continuassem pregando o a atenção dos crentes (At 4:35-36).
evangelho e ainda ameaçaram cas- Um casal resolveu imitá-lo. No meio
tigá-los. Mesmo assim, eles não se daquele entusiasmo, “Ananias e Sa-
intimidaram! Temiam tanto a Deus fira, membros da igreja de Jerusalém,
que não tinham medo dos homens.
Tempos depois, os apóstolos con- 1. Um ambiente ao ar livre, dentro do com-
tinuavam a pregar no templo dos plexo do templo de Jerusalém, onde era
possível reunir uma audiência conveniente
judeus, em Jerusalém, no pórtico de (Champlin, 2002, p. 114).

28 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


cobiçaram a mesma honra”.2 Obser- A igreja primitiva cuidava das pes-
ve que o capítulo 5 de Atos começa soas mais pobres. O livro de Atos re-
com a conjunção “Mas”, que liga as lata, algumas vezes, que os cristãos
duas histórias. Acontece que Ananias vendiam suas propriedades para aju-
e Safira venderam sua propriedade dar os mais necessitados. Seguindo o
querendo a glória dos homens. Eram modelo da sociedade judaica, em que
falsos filantropos. Não buscavam os líderes utilizavam parte do tesouro
agradar a Deus. Eram falsos cristãos do templo para ajudar as viúvas e os
no meio do povo de Deus. idosos, a igreja primitiva utilizava seus
Ananias e Safira permitiram que recursos para ajudar os necessitados.
Satanás enchesse seus corações. De- Acontece que, com o aumento do
ram ouvidos as suas propostas. Fize- número de discípulos, os apóstolos
ram uma aliança para o mal, queren- acabaram negligenciando as viúvas
do enganar a igreja e os apóstolos helenistas na distribuição.
e tentando colocar o próprio Espírito É bem possível que essa falha não
Santo à prova. Ambos foram severa- tenha sido proposital. O crescimen-
mente julgados por Deus e morre- to exponencial da igreja fez que isso
ram. Satanás tentou destruir a igreja, acontecesse, e os apóstolos perde-
mas não conseguiu. E um grande te- ram o controle; ficaram correndo de
mor tomou conta de toda a igreja e um lado para o outro no atendimen-
de todos os que ouviram estas coisas to aos necessitados e não o fizeram
(At 5:11). O número de cristãos au- a contento; ainda negligenciaram o
mentava cada vez mais. ministério da oração e da Palavra.
3. As murmurações: Além da Algo precisava ser feito! O problema
perseguição e da corrupção, as mur- colocava em risco a paz interna da
murações internas constituíram-se igreja e seu testemunho externo.3
um terceiro ataque para tentar pa- Com rapidez, eles escolheram pes-
ralisar a igreja. De todos os ataques, soas para cuidar desse ministério,
este foi o mais sutil, um problema com a aprovação da igreja, para que
interno que tentou desviar o foco da pudessem dedicar-se ao ministério
liderança da igreja e paralisá-la: ... da Palavra e da oração. E o número
crescendo o número dos discípulos, de cristãos aumentava cada vez mais.
houve reclamação dos judeus de cul- 4. O martírio: O longo trecho de
tura grega contra os demais judeus Atos em que Lucas mostra a igreja
(At 6:1). A causa da reclamação? A sob ataque termina com a morte de
distribuição diária de alimentos. um líder querido. Depois da perse-

2. Lopes (2012:114). 3. Ibidem, p.135.

www.portaliap.com.br 29
guição, da corrupção e das murmu- do discurso, ele acusou os juízes e a
rações, a igreja recebeu um duro nação. Eles se enfureceram, a ponto
golpe. Entre os homens escolhidos de ranger os dentes contra Estevão.
para servir as mesas e cuidar da dis- Na sequência, lemos que ele foi em-
tribuição diária dos mantimentos, purrado para fora da cidade e ape-
estava Estevão. Lucas diz o seguinte drejado. Sua morte não foi um juí-
sobre ele: Estevão, homem cheio de zo, mas um linchamento, visto que
graça e de poder, realizava feitos ex- o Sinédrio não podia aplicar a pena
traordinários e grandes sinais entre o capital a ninguém.
povo (At 6:8). Foi um baque e tanto para a
Os líderes da nação rejeitaram o igreja. O primeiro mártir acabava
testemunho de Estevão, e, não po- de tombar. Os cristãos lamentaram
dendo resistir à sabedoria advinda muito por causa dele. Sua morte
do Espírito, subornaram homens fez levantar-se grande perseguição
para mentir contra ele. Diante disso, contra a igreja. O que aconteceu
o servo de Deus foi preso e levado ao com os cristãos que foram dispersos
Sinédrio judaico, para ser julgado pe- e tiveram de correr de Jerusalém?
las mentiras contadas contra ele. No Eles iam anunciando a Palavra. Nin-
Sinédrio, Estevão não se intimidou e guém podia parar a marcha da igre-
fez um discurso diante dos seus acu- ja! Nem a perseguição feroz, nem
sadores (At 7:1-53). a corrupção, nem as murmurações
Estevão contou a história de internas, nem o martírio de um líder
Abraão, Isaque, Jacó, José, a re- importante. Aquela igreja superava
jeição e libertação de Moisés, e a os problemas que surgiam, no po-
apostasia de Israel. Na conclusão der do Espírito.

01. A igreja cristã primitiva sofreu quatro ataques terríveis que


tentaram paralisá-la. O primeiro deles foi a perseguição. Como os
apóstolos reagiram a isso? Leia At 4:1-3, 13-20.

02. Além do ataque de fora para dentro, a perseguição, que outra


maneira Satanás utilizou para atacar a igreja? Leia At 5:1-11.

30 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


03. Em que sentido o problema narrado em At 6:1-7, se não fosse
tratado rapidamente, poderia paralisar a igreja? A paz interna e o
testemunho externo da igreja estavam sendo ameaçados? Como os
apóstolos agiram?

04. Após ler At 6:8-15, 7:51-60, comente sobre o duro golpe que a
igreja primitiva sofreu. Esse terrível ataque conseguiu parar os cris-
tãos? Leia também At 8:1-4.

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Mesmo sob ataque, a igreja Os cristãos dependiam de Deus.


não deve deixar de depender de Mesmo diante das dificuldades,
Deus. nunca deixaram de confiar e buscar
A igreja conseguiu vencer cada sua intervenção. Depois da primei-
um dos ataques que vieram contra ra investida dos seus opositores,
ela. Lucas, ao final de cada problema, os cristãos, juntos, elevaram a voz
mostra não uma igreja divida, não a Deus (At 4:24). Eles pediram co-
uma igreja enfraquecida, mas uma ragem para enfrentar os ataques,
igreja vitoriosa, vibrante (At 4:23-36, e ficaram cheios do Espírito Santo.
5:11-16, 41-42, 6:7, 8:4). Essa igreja Só cristãos cheios do Espírito San-
superava os problemas que surgiam to conseguem enfrentar os ataques
no poder do Espírito. Nada pode pa- com coragem. Diante dos ataques,
rar a igreja: nem a perseguição, nem em vez de desânimo, reclamação,
Satanás, nem dificuldades internas. E juntemos nossas vozes e as eleve-
qual era o segredo dos cristãos? mos a Deus!

05. Qual o grande segredo para a igreja continuar de pé, mesmo


frente aos ataques que a assaltam? Leia At 4:24, 29-31.

www.portaliap.com.br 31
2. Mesmo sob ataque, a igreja Depois da narrativa das murmura-
não deve deixar de anunciar a Pa- ções internas, lemos: E a palavra de
lavra. Deus era divulgada, de modo que o
Exatamente porque confiava e de- número dos discípulos em Jerusalém
pendia de Deus, a igreja sob ataque se multiplicava muito (At 6:7). Lucas
nunca deixou de anunciar a Palavra. registra que, após a morte de Este-
Depois de cada relato das dificulda- vão, os que foram dispersos iam por
des enfrentadas, temos informações toda a parte, anunciando a palavra
sobre o anúncio e o avanço do evan- (At 8:4). A igreja primitiva, no poder
gelho. Depois da perseguição, lemos: do Espírito Santo, transpôs barreiras.
... com grande poder os apóstolos Parece que as perseguições aumen-
davam testemunho (At 4:33). Após o tavam o fervor evangelístico, e os
ataque satânico, lemos: ... cada vez cristãos proclamavam com mais co-
mais agregava-se ao Senhor grande ragem. Mesmo sob ataque, anuncie-
número de crentes (At 5:14). mos a Palavra, sem medo!

06. As perseguições e as dificuldade que a igreja enfrenta podem


contribuir para aumentar o seu fervor evangelístico? Comente
sobre isso.

DESAFIO MISSIONÁRIO

A igreja cristã dos nossos dias não está imune aos ataques. Se
ela for fiel ao seu chamado, continuará enfrentando perseguições.
Ela vai despertar o ódio do mundo e a fúria de Satanás. Seus líderes
serão perseguidos. Além disso, vai enfrentar problemas internos, de
hipocrisia, injustiça e outros. Pode ser que a igreja local em que você
serve a Deus esteja passando por um período de hostilidades. Dian-
te desse cenário, continuemos confiando em Deus e anunciando a
sua Palavra. Não deixemos nada e ninguém nos parar. Seu desafio
para esta semana é orar pelos missionários espalhados pelo mundo,
que sofrem perseguição por anunciar o evangelho, especialmente
por aqueles que estão em lugares onde é proibido falar de Cristo.

32 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


5
30 DE JULHO DE 2016
Missões além
das fronteiras
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 175 / HBJ 371 • Final: BJ 189 / HBJ 421

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar o desenvolvimento Mas os que andavam dispersos iam por toda
da obra missionária da
parte anunciando a palavra. (At 8:4)
igreja, relatado em Atos
8 a 12, incentivando os
cristãos atuais a serem
corajosos e dispostos a INTRODUÇÃO
continuar essa missão.
A igreja de Jerusalém recebeu a missão de
pregar o evangelho, levando-o a vários lugares
LEITURA DIÁRIA do mundo: Jerusalém como em toda a Judeia
D 24/07 At 8:26-33
e Samaria e até aos confins da terra (At 1:8).
S 25/07 At 8:34-40; Porém, mesmo depois da descida do Espírito
9:1-9 (At 2), a igreja permaneceu por um tempo ain-
T 26/07 At 9:10-19
da em Jerusalém. Parece que ela gostou tanto
Q 27/07 At 9:20-30
Q 28/07 At 9:31-43 da experiência vivida naquele lugar que teve
S 29/07 At 10:1-8 dificuldades para sair dali, esquecendo-se, em
S 30/07 At 10:9-22 certo sentido, de sua missão. O presente estu-
do, com base em Atos 8:1-12:25, vai mostrar
como as perseguições, estudadas na última li-
ção, contribuíram para a igreja romper as fron-
teiras geográficas e étnicas com o evangelho.

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

Até o capítulo 7 do livro de Atos, a igreja é,


Acesse os
Comentários Adicionais majoritariamente, judaica. Os cristãos de Jerusa-
e os Podcasts lém ainda não haviam saído da cidade para tes-
deste capítulo em
www.portaliap.com.br temunhar além-fronteiras e tinham resistência a
pregar aos estrangeiros. A partir do capítulo 8

www.portaliap.com.br 33
do livro de Atos, isso muda. Eles não difícil. Passando em Samaria, os cris-
estavam cumprindo a ordem de Jesus tãos dispersos, Filipe e os apóstolos
(At 1:8). Então, Deus permitiu que uma Pedro e João, pregaram e consoli-
grande perseguição encabeçada por daram vidas para Deus, alcançando
Saulo, ao invés de destruir a igreja, con- até um etíope fora de lá. Deus quer
tribuísse para seu avanço, ao fazer que o evangelho todo, por toda a igreja,
ela saísse de Jerusalém e se espalhasse a todo mundo, a cada criatura, em
por toda a Judeia, Samaria e até os con- cada geração.
fins. É sobre esse avanço missionário 2. Missão Damasco: A missão
que estudaremos hoje. continua em Atos 9 e, agora, che-
1. Missão Samaria: Os cristãos ti- ga a Damasco. Lucas centraliza a
veram de sair de Jerusalém, a fim de história em Saulo, perseguidor dos
escapar da perseguição. A igreja, em cristãos, que se converteu quando
vez de lamentar, fez do caminho de Cristo lhe apareceu no caminho para
fuga um caminho de evangelização. Damasco, 224 km ao norte de Je-
Lucas começa essa narrativa por Sa- rusalém.2 Para ajudá-lo, Deus usou
maria, que ficava cerca de 60 km ao Ananias (At 9:1-16).
norte de Jerusalém.1 Filipe é o mis- Saulo foi curado da cegueira, bati-
sionário em destaque: anunciando zado, ficou cheio do Espírito e recebeu
Jesus, curando, libertando endemo- um chamado especial: pregar aos gen-
ninhados e trazendo alegria à cida- tios, aos reis e filhos de Israel. Ele pre-
de. Homens e mulheres abraçaram a gava, nas sinagogas, a Jesus, afirman-
fé e iam sendo batizados. do que este é o Filho de Deus (At 9:20),
Duas histórias nos chamam à aten- e isso causou surpresas e perseguição
ção, em Atos 8. A primeira é a de Si- em Damasco. Em Jerusalém, Saulo so-
mão, um mágico famoso que creu, freu igual desconfiança e contou com a
mas que não havia se arrependido, ajuda de Barnabé, que testemunhou a
pois queria comprar o dom de Deus favor dele. Saulo continuou pregando.
(At 8:9-25). A outra história é do Eu- Porém, devido às ameaças, foi manda-
nuco etíope, que, entre Gaza e Jeru- do pela igreja para Tarso (At 9:29-30).
salém, no deserto, lendo as Escrituras, Lucas termina esse trecho narran-
teve o esclarecimento necessário para do a caminhada de paz da igreja,
crer no Senhor (At 8:26-40). na Judeia, na Galileia e na Samaria
A igreja não deve deixar de pre- (três regiões que podem representar
gar, mesmo que o tempo em que para nós, hoje, as missões estaduais e
tenha de cumprir sua missão seja nacionais). Assim, houve momentos

1. Tognini (2009:252). 2. Ibidem, p.427.

34 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


de liberdade diante da perseguição. vezes, a cumpri-la. O significado da
Aprendemos, nesse trecho, a não visão era que aos gentios havia che-
duvidar de que Deus pode transfor- gado a salvação (At 10:9-28). Os ju-
mar aqueles de que mais duvidamos deus os consideravam imundos, mas
e que mais tememos e usá-los em sua Deus não os via assim.
obra. Assim, ela sempre caminhará. Pedro, então, foi a Cesareia, en-
3. Missão Cesareia: Depois de controu Cornélio e pregou-lhe (At
relatar a conversão de Paulo, Lucas 10:34-43). Tanto Cornélio quanto os
volta o foco do livro de Atos para o que ouviam a Palavra receberam o Es-
ministério do apóstolo Pedro. Duas pírito e foram batizados. Pedro ainda
histórias nos são contadas. Em Lida, precisou explicar à igreja de Jerusalém
Pedro curou, pelo poder de Deus, que Deus aceita a todos pela fé em
o paralítico Eneias (At 9:33-35). Em Jesus (At 11:1-18). Não devemos co-
Jope, aconteceu a ressurreição de locar barreiras à mensagem, mas de-
Dorcas (At 9:36-42). Esses milagres vemos pregar a todos.
serviram para testemunhar de Cristo 4. Missão Antioquia: A pregação
e conduzir muitos à conversão. No da igreja continuou ultrapassando
capítulo 10, é relatada a conversão fronteiras: Fenícia, Chipre, chegando
do centurião (sargento) Cornélio, em a Antioquia da Síria, que está cer-
Cesareia. Ele foi o primeiro não-ju- ca de 480 km de Jerusalém.4 Agora
deu a se converter ao cristianismo. era oficial: a igreja estava em outros
Esse relato mostra a dificuldade que países. O problema é que os cristãos
a igreja tinha, no início, de evangeli- continuavam a pregar só para os ju-
zar pessoas de outros povos. deus (At 11:19). Mas, em Antioquia,
Cornélio teve uma visão, em que algo diferente passou a acontecer,
Deus mandou chamar Pedro, que es- pois cristãos oriundos de Chipre e de
tava em Jope, a 50 km de Cesareia Cirene falavam também aos gregos,
(At 10:1-8).3 Pedro, por outro lado, anunciando-lhes o evangelho do
precisou passar por “tratamento de Senhor Jesus (At 11:20b). De fato,
choque”. Também teve uma visão a mensagem estava sendo partilha-
que o deixou encabulado: viu um da com todas as nações. Além das
lençol que descia do céu até a terra fronteiras, os preconceitos eram ul-
e apresentava animais, entre eles, os trapassados! É o que chamamos de
impuros; então, recebeu uma ordem missões transculturais.
divina para comê-los; mas o apósto- Em Antioquia, a obra do Senhor
lo, enfaticamente, negou-se, por três cresceu de forma extraordinária. A

3. Marshall (1982:362). 4. Ibidem, p.432.

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igreja de Jerusalém precisou mandar rodes e termina o capítulo mostran-
reforço: Barnabé, que, indo até lá e do que a palavra do Senhor crescia e
vendo a graça de Deus, alegrou-se e se multiplicava (At 12:24). Ele ainda
exortava a todos a que, com firmeza faz uma última referência a Antio-
de coração, permanecessem no Se- quia e mostra que a missão ali estava
nhor (At 11:23). Barnabé, homem de consolidada (At 12:24-25). Nada era
grande visão, sabiamente convidou capaz de deter a obra do Senhor.
ninguém menos que Saulo para aju- Esta lição mostrou-nos que é pos-
dá-lo. Juntos, durante um ano, ensi- sível até mesmo uma igreja avivada
naram ali. Foi em Antioquia que, pela ter uma visão distorcida de sua mis-
primeira vez, os discípulos foram cha- são no mundo e cometer falhas. Por
mados cristãos (At 11:26). O evange- isso, precisa ser corrigida e orienta-
lho foi tão eficaz que aqueles irmãos da. Deus sempre age para colocar
ajudaram os da Judeia, quando estes sua igreja nos trilhos missionários.
enfrentaram fome (At 11:27-30). A Os capítulos estudados contam-nos
igreja de Antioquia nasceu com uma como fronteiras foram vencidas, in-
excelente visão missionária. diferenças foram deixadas de lado,
Em Atos 12, Lucas volta o olhar impedimentos culturais foram subs-
novamente para igreja em Jerusa- tituídos pela proclamação universal.
lém. Nesse texto, são narrados levan- Obedecendo à voz de Deus, seguin-
tes contra a igreja: Tiago foi morto; do o mandato do Senhor e capacita-
Pedro foi preso, mas liberto por um da pelo poder do Espírito, a igreja se
anjo e recebido por alguns irmãos. O expandiu. Essas histórias nos moti-
episódio causou indignação no rei. vam à prática de nossa missão, como
Lucas também relata a morte de He- igreja de Jesus nos dias atuais.

01. Comente sobre o porquê de Deus permitir que a sua igreja fosse
perseguida. Fale também sobre a “Missão Samaria” e o trabalho de
Filipe. Em At 8:1-15, 26-27, você consegue ver o Senhor empurrando
a igreja para além das fronteiras?

02. Utilizando o item 2 e At 9:1-27, responda: Como se deu a con-


versão de Saulo, no caminho de Damasco? Qual era o seu chamado?
Comente sobre a disposição de Ananias e o preconceito da igreja em
relação a Saulo.

36 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


03. Leia o item “Missão Cesareia”; At 10:1-16, 28, e comente sobre a
dificuldade que a igreja tinha de evangelizar pessoas de outros po-
vos. Quem foi Cornélio? De que maneira Deus convenceu Pedro
a evangelizá-lo?

04. Utilizando o item 4, “Missão Antioquia”, e At 11:19-26, respon-


da: Além de chegar mais longe na sua missão, qual barreira a igreja
quebrou nessa cidade? Quais foram os resultados obtidos?

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Sejamos corajosos para ul- Os cristãos de hoje não devem temer


trapassar as fronteiras. aquilo ou aqueles que se levantam
Sem dúvida, coragem não faltava contra a igreja.
aos primeiros cristãos. Ela era advin- Tenha coragem de proclamar
da da presença do Espírito Santo. Jesus, de pregar toda a Palavra de
Mesmo diante de tantas persegui- Deus, de afirmar os valores cristãos,
ções, os que foram dispersos iam de denunciar os pecados morais e
por toda parte pregando a palavra as mazelas sociais, de influenciar
(At 8:4); não se intimidaram com as sua família, seu trabalho, sua vizi-
ameaças, nem hesitaram diante das nhança, sua escola, sua faculdade,
perseguições; pelo contrário, ergue- de pregar para todas as pessoas, de
ram a voz proclamando o evangelho, todos os sexos, todas as idades e
mesmo diante de tamanho levante. grupos sociais.

05. Para você, o que mais tem tirado dos cristãos atuais a coragem
para falar do evangelho de Jesus?

www.portaliap.com.br 37
2. Sejamos dispostos a ultra- Não podemos terceirizar aquilo
passar as fronteiras. que nos é mandamento fazer. To-
Para ultrapassar as fronteiras e levar dos somos discípulos-missionários
a Palavra de Deus, é necessário que que devem cumprir a ordem de Je-
muitos cristãos se envolvam com a sus, fazendo discípulos e ensinando
missão. Vimos isso claramente no es- a Palavra a todas as pessoas (Mt
tudo de hoje. Filipe foi a Samaria para 28:18-20). Portanto, disponha-se à
testemunhar do Senhor; depois, Pedro missão; faça parte daqueles que aju-
e João foram até lá para consolidar a darão a igreja a ultrapassar as fron-
obra. Em Damasco, Ananias obede- teiras, tanto no outro lado do mun-
ceu à voz do Senhor e foi até o lugar do quanto no outro lado da rua;
em que estava Saulo, a fim de ser usa- envolva-se; peça poder de Deus;
do por Deus para orientá-lo. Em An- ofereça-se para ajudar nos projetos
tioquia, cristãos anônimos anunciaram evangelísticos locais e faça da sua
a judeus e gentios a Palavra de Deus. vida uma vida em missão.

06. Você se considera alguém que tem se colocado à disposição para


ajudar na pregação do evangelho? Que atitudes podem ser tomadas
para que isso aconteça?

DESAFIO MISSIONÁRIO

Aprendemos que, quando a igreja tem coragem e disposição,


ela ultrapassa fronteiras. Foi assim que se espalhou de Jerusalém a
Antioquia, mesmo diante da perseguição, e, no caminho de fuga,
foi anunciando a Palavra de Deus, fazendo que muitas vidas co-
nhecessem o evangelho. Que tal se os cristãos atuais agissem da
mesma forma, mesmo diante de situações difíceis? Nosso desafio é
nos dispormos e nos envolvermos mais com as tarefas evangelísticas
da igreja local e também colaborarmos com o trabalho que a igreja
tem realizado além das fronteiras.

38 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


6
6 DE AGOSTO DE 2016
A igreja envia
missionários
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 42 / HBJ 321 • Final: BJ 299 / HBJ 363

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante E, servindo eles ao Senhor e jejuando,
da Escola Bíblica o perfil
disse o Espírito Santo: Separai-me, agora,
da igreja missionária,
os desafios e resultados Barnabé e Saulo para a obra a que os
no cumprimento de sua tenho chamado. (At 13:2)
tarefa, estimulando-o a
viver sob a direção do
Espírito Santo, INTRODUÇÃO
sem desanimar frente
os obstáculos.
A partir do capítulo 13 de Atos, Lucas passa
o foco da história da igreja para o ministério
aos gentios e a subsequente disseminação
LEITURA DIÁRIA da igreja pelo mundo. Na presente lição, va-
D 31/07 At 10:23-33 mos estudar sobre a ação do Espírito Santo
S 01/08 At 10:34-43 através da igreja em Antioquia, que resultou
T 02/08 At 10:44-48; na primeira viagem missionária de Paulo e na
11:1-8
definitiva inserção do evangelho no mundo
Q 03/08 At 11:9-18
Q 04/08 At 11:19-30
gentílico. Esse foi o primeiro ato planejado de
S 05/08 At 12:1-8 “missão estrangeira” por representantes de
S 06/08 At 12:9-19 uma igreja específica, não por indivíduos iso-
lados.1 Vamos ao estudo!

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

A igreja de Antioquia é proeminente no li-


vro de Atos. Uma comunidade multiétnica e
Acesse os
Comentários Adicionais com excelente visão missionária. Dois milênios
e os Podcasts depois, continua sendo referência para a igre-
deste capítulo em
www.portaliap.com.br
1. Lopes (2012:254).

www.portaliap.com.br 39
ja contemporânea, no cumprimento Outro aspecto que destaca essa
de sua tarefa. Analisemos as Escritu- igreja é sua vida devocional. Os cren-
ras para conhecermos melhor essa tes daquele lugar serviam ao Senhor
igreja local, os desafios da missão e com jejuns e oração, e, enquanto o
seus resultados. Vamos “viajar” com faziam, Deus lhes falou. Foi também
Paulo e seus companheiros, nesse jejuando e orando que despediram
importante trabalho, com o fim de os missionários. Ao que parece, essas
encontrarmos lições práticas e ser- eram práticas devocionais comuns
mos também uma igreja missionária, entre eles. Desse modo, declaravam
no poder do Espírito Santo. sua completa dependência do dono
1. O perfil da igreja em Antio- da seara.
quia: A proeminência dessa igreja Naturalmente, aquela igreja tor-
local pode ser constatada sob três nou-se comprometida com a missão.
aspectos: a direção do Espírito San- Prontamente, enviou os missionários.
to, a vida devocional e o compromis- Lucas diz que isso ocorreu através
so com a missão de Deus. A atuação da imposição de mãos. A imposição
do Espírito evidencia-se na operação de mãos era um ato simbólico que
dos dons. Lucas registra que havia ali indicava o reconhecimento público
profetas e mestres. Os líderes daque- do chamado. Era um sinal de que
la comunidade serviam com os dons aquela igreja tomava parte naquela
que o Espírito lhes concedia. Prova- missão e reconhecia a legitimidade
velmente, foi através de um deles daquele envio.
que o Espírito separou Saulo e Bar- 2. Os desafios da missão: Não é
nabé para a obra missionária. difícil imaginar os desafios geográfi-
O Espírito Santo não age à parte cos e logísticos da viagem. A escas-
da igreja, mas em sintonia com ela.2 sez de recursos e a falta de conforto.
Faz parte do ministério do Espíri- Todavia, Lucas nos chama à atenção
to Santo, trabalhando por meio da para um desafio maior: a oposição ao
igreja local, preparar e chamar cris- evangelho. Assim como Jesus, tam-
tãos para ir a outras partes e servir.3 bém Paulo e Barnabé enfrentaram
Em Antioquia, o Espírito capacitava, ataques malignos, ciladas e tumultos,
chamava e enviava os pregadores (At nos vários lugares por que passaram.
13:1-4). Não é de admirar que Paulo Na ilha de Chipre, terra natal de
tenha tratado, em várias de suas car- Barnabé, um mágico chamado Eli-
tas, sobre os dons espirituais. mas, procurava afastar da fé o go-
vernador Sérgio Paulo. O apóstolo
2. Ibidem, p.255. não se intimidou: cheio do Espírito
3. Wiersbe (2006:591). Santo, repreendeu o mágico, de

40 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


modo que este ficou imediatamente positivo. Na ilha de Chipre, o procôn-
cego. Em Perge, por uma razão que sul creu, maravilhado com a doutrina
Lucas não se preocupa em informar, do Senhor (At 13:12). Em Antioquia
João Marcos abandonou a viagem e da Pisídia, apesar da rejeição dos ju-
retornou a Jerusalém. Não obstan- deus, os discípulos transbordavam
te, Paulo e Barnabé prosseguiram de alegria e do Espírito Santo.
com a missão. Em Icônio, creram tanto judeus
Em Antioquia da Pisídia, houve quanto gregos (At 14:1). Em Listra,
nova oposição. Em Icônio, eles sofre- Paulo foi amparado pelos discípu-
ram ameaça de apedrejamento e fu- los, depois do apedrejamento (At
giram para a região da Licaônia. Em 14:20). Em Derbe, muitos se torna-
Listra, após Paulo curar um paralítico, ram discípulos. Em Perge, o evange-
eles foram confundidos com deuses lho foi anunciado apesar da perda
gregos. Contudo, não se deixaram de um membro do grupo, e muitos
seduzir pela vaidade. Mesmo com sinais e prodígios foram realizados
dificuldades, conseguiram impedir a como confirmação da palavra pre-
multidão de idolatrá-los. Entretanto, gada (At 14:3).
os judeus manipularam as multidões Mediante tão preciosos frutos,
e apedrejaram Paulo, arrastando-o Paulo e Barnabé regressaram, reali-
para fora da cidade. zando duas tarefas muito importan-
Mas o apóstolo não se deu por tes. A primeira delas foi a consolida-
vencido. Num dos momentos mais ção das novas igrejas. Os novos dis-
maravilhosos da história do Novo cípulos eram fortalecidos e estimu-
Testamento, ele, ensanguentado, se lados a permanecer firmes, mesmo
levantou e retornou à cidade. Essa diante das tribulações. Além disso, a
feliz perseverança face à extrema consolidação implicava também ele-
perseguição é um testemunho do po- ger presbíteros em cada igreja, asse-
der do Espírito Santo na vida de um gurando a organização e o pastoreio
crente. No dia seguinte, partiu para do rebanho.
Derbe com Barnabé para ali anunciar A segunda importante tarefa
o evangelho e iniciar o caminho de realizada no retorno da empreitada
volta para casa (At 13:14-14:21). missionária foi a apresentação do
3. Os resultados da missão: relatório de viagem. Novamente, em
Hostilidades, ameaças, agressões, tu- Antioquia, reunida a igreja, eles re-
multos. Será que valeu a pena tanto lataram quantas coisas fizera Deus e
desgaste? Não temos dúvidas de que como abrira aos gentios a porta da
sim! Apesar das já esperadas perse- fé (At 14:27). A prestação de contas
guições, o saldo da viagem foi muito confirma o compromisso da igre-

www.portaliap.com.br 41
ja com seus enviados e abre portas mundo gentílico. Os missionários
para novas ações missionárias. enviados enfrentaram grandes desa-
Vimos, até aqui, como o Espírito fios, mas foram fiéis ao chamado do
Santo capacitou, chamou e enviou Senhor e não retrocederam em sua
missionários, através de uma igreja vocação. Essa investida resultou em
local. Essa mesma igreja mostrou-se muitas conversões, formação e con-
devotada a Deus e comprometida solidação de novas igrejas. Vamos,
com sua obra. O resultado foi um agora, buscar lições práticas para vi-
impulso evangelístico definitivo no vermos o livro de Atos.

01. Leia At 13:1-4 e, com a ajuda do item 1, fale sobre os três aspec-
tos que se destacam na igreja de Antioquia.

02. Leia o item 2 e responda: Quais os desafios enfrentados por Pau-


lo e Barnabé nos lugares pelos quais passaram? Como eles reagiam?

03. Com base no item 3, fale a classe sobre os resultados da viagem


missionária. É possível provar resultados semelhantes em nossos
dias? Leia At 13:44, 14:3,21.

04. Quais foram as duas importantes tarefas realizadas por Paulo e


Barnabé, no retorno da viagem? Leia At 14:22-28 e o item 3.

42 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Que sejamos uma igreja sub- Segundo o livro de Atos, cada


missa à direção do Espírito Santo. cristão é um missionário e cada igre-
A ordem do Espírito havia sido ja precisa ser uma comunidade de
clara e direta: Separai-me, agora, missionários. Se, do outro lado da
Barnabé e Saulo. Deus estava pe- rua ou do outro lado do mundo,
dindo exclusividade (separem para não importa: todos nós estamos em
mim), urgência (agora) e especifici- missão. Sua oração, portanto, preci-
dade (Barnabé e Saulo). Era o Senhor sa ser no sentido de que a igreja em
quem estava encabeçando a missão, que você congrega, na semelhança
no seu tempo e a sua maneira. Gló- da igreja de Antioquia, seja sensível
rias a Deus por essa igreja! Ela com- à voz do Espírito Santo e se submeta
preendeu e respondeu prontamente a sua vontade. Ele é quem dirige esta
à direção do Espírito de Deus, pois obra, quem dá as estratégias certas.
era uma comunidade madura quan- Que você se submeta à direção do
to ao uso dos dons espirituais; servia Espírito Santo, busque a Deus e o sir-
ao Senhor com jejum e oração. va, com jejum e oração.

05. Você tem procurado viver sob a direção do Espírito Santo? Ofere-
ça à classe sugestões para viver de tal forma.

2. Que sejamos resolutos em nos- sobre sucesso e realizações terrenas.


sa missão, diante dos obstáculos. Ele estava formando crentes madu-
Na tarefa de consolar os discípu- ros, cristãos missionários, conscien-
los e estimulá-los a perseverar na tes dos desafios de servir a Deus e
fé, Paulo lhes mostrava que, através das delícias do reino que virá em ple-
de muitas tribulações, nos importa nitude (2 Tm 3:12; Tt 2:13).
entrar no reino de Deus (At 14:22). Lembre-se da poesia do belo e co-
Que mensagem radical! Diferen- nhecido hino: “Os mais belos hinos
temente do que fazem muitos mi- e poesias foram escritos em tribula-
nistros de hoje, Paulo não iludiu os ção”. Não se abata diante dos desa-
jovens crentes com falsas esperanças fios e revezes que a vida nos impõe.

www.portaliap.com.br 43
Permaneça fiel, obedeça ao Senhor, Se uma porta se fechar à pregação,
confie nas santas promessas que outras se abrirão. Se precisar, busque
estão bem firmes, continue teste- apoio com outros irmãos maduros na
munhando de Cristo em todo lugar fé. Peça ajuda em oração, orienta-
possível, tantas vezes quantas puder. ções ou palavras de encorajamento.

06. Você conhece pessoas que desanimaram da fé ao enfrentarem


grandes desafios? O que você poderia fazer para ajudá-las?

DESAFIO MISSIONÁRIO

Como desafio missionário, queremos dar-lhe algumas suges-


tões. Escolha, pelo menos, uma delas: programe sua vida de-
vocional. Estabeleça seus horários de oração e dias específicos
para jejuar. Em suas orações, peça a Deus dons espirituais com
os quais você possa servir melhor no reino. Você pode também
convidar um amigo na fé para ministrar um estudo bíblico, visi-
tar algum interessado em saber mais sobre a Palavra de Deus ou
ainda comprometer-se a contribuir financeiramente com algum
projeto missionário da igreja. Lembre-se: você é um missionário.

44 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


7
13 DE AGOSTO DE 2016
A primeira
assembleia geral
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 188 / HBJ 392 • Final: BJ 286 / HBJ 391

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar a importância Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita
da primeira reunião
dos fariseus que haviam crido, dizendo: É
administrativa da igreja
cristã e como esta nos necessário circuncidá-los e determinar-lhes
ensina a sermos uma que observem a lei de Moisés. Então, se
igreja bíblica, vencermos reuniram os apóstolos e os presbíteros para
as heresias e avançarmos examinar a questão. (At 15:5-6)
na missão.

INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA
Chegamos ao capítulo 15 do livro de Atos.
D 07/08 At 12:20-25;
13:1-3 Este é um capítulo importante, em razão de ser
S 08/08 At 13:4-15 o relato da primeira assembleia geral da igreja
T 09/08 At 13:16-25 do primeiro século. A decisão teológica tomada
Q 10/08 At 13:26-36
nessa reunião também foi de suma importân-
Q 11/08 At 13:37-51
cia, pois chancelou a missão entre os não-ju-
S 12/08 At 14:1-18
S 13/08 At 14:19-28 deus e reafirmou a verdade central do evange-
lho: de que todas as pessoas são salvas exclusi-
vamente mediante a fé em Jesus (Rm 3:28). Em
suma, a proposta desta lição é compreender o
que levou a igreja a organizar essa primeira as-
sembleia geral e quais foram suas resoluções
teológicas e práticas. Vamos ao estudo!

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS


Acesse os
Comentários Adicionais
e os Podcasts Segundo o relato de Lucas, alguns judeus cris-
deste capítulo em
www.portaliap.com.br tãos da região da Judeia foram à igreja de An-
tioquia e começaram a ensinar aos irmãos gen-

www.portaliap.com.br 45
tios que eles não poderiam ser salvos, a palavra. Ele recordou aos cristãos as
a não ser que fossem circuncidados, primeiras conversões de não-judeus:
como mandava a Lei de Moisés (At o centurião Cornélio e sua família (At
15:1). Isso causou uma grande discus- 10). Ele concluiu que Deus, ao derra-
são entre os cristãos. Foi então que a mar o Espírito sobre Cornélio e sua
igreja de Antioquia decidiu que Paulo, família, como fizera aos discípulos no
Barnabé e alguns outros cristãos fos- Cenáculo (At 2), havia demonstrado
sem para Jerusalém, a fim de estudar tratamento igual a judeus e gentios.
esse assunto com os apóstolos e os Em outras palavras, não havia di-
presbíteros da igreja. A fim de realizar ferença na forma como Deus aceitara
este estudo e tomar uma decisão bíbli- judeus e gentios: todos foram per-
ca a assembleia foi organizada. doados e salvos, não pela obediência
1. O problema: Basicamente, a lei, mas, exclusivamente, pela graça,
dois pontos levaram essa assembleia mediante a fé. Não é que a lei seja um
a se reunir em Jerusalém. Primeiro: fardo: ela simplesmente não pode sal-
Os não-judeus poderiam ser salvos, var, por não ser esse o seu propósito
sem cumprir as ordenanças cerimo- último. Ela mostra o pecado e santifi-
niais da lei, como a circuncisão, por ca o pecador, mas a justificação é so-
exemplo? Segundo: Se os gentios mente pela graça, mediante a fé em
não precisam cumprir a lei cerimo- Cristo (Rm 3:21-31, 7:7,12).
nial, como teriam comunhão com os 2. A discussão: As palavras de
judeus cristãos, uma vez que estes Pedro convenceram a multidão, que
ainda obedeciam a essas ordenanças, silenciou, deixando o caminho livre
como tradição religiosa e cultural? para Barnabé e Paulo prestarem um
Os cristãos judeus de Jerusalém, relatório sobre sinais e prodígios que
fariseus que haviam se convertido a Deus realizara por meio deles entre
Cristo, entendiam que todos os gen- os gentios, em sua primeira viajem
tios cristãos deveriam obedecer à lei missionária. Nesse ponto, a assem-
em todos os seus aspectos, inclusive bleia já caminhava praticamente em
o cerimonial, e, portanto, deveriam consenso. Foi, então, que o apóstolo
se circuncidar. Eles não negavam o Tiago tomou a palavra, a fim de ofe-
fato de que os gentios poderiam ser recer uma solução definitiva.
salvos, mas criam que eles deveriam Tiago tornou-se um líder proemi-
ser circuncidados para isso. Em outras nente, sendo considerado uma colu-
palavras, somente o sacrifício de Cris- na da igreja (Gl 1:19). Ele era irmão
to não era o suficiente para salvá-los. de Jesus e se convertera após Cristo
Isso gerou grande discussão na as- ressuscitar e aparecer-lhe especial-
sembleia. Foi, então, que Pedro tomou mente (1 Co 15:7). Tiago afirmou

46 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


que as palavras de Pedro estavam em mediante a fé em Cristo. Restava,
harmonia com as Escrituras. Ele disse ainda, resolver o segundo ponto (de
que o fato de os gentios crerem em natureza prática): Uma vez que não
Cristo era o cumprimento das profe- precisavam obedecer a aspectos da
cias de que Deus faria de judeus e lei cerimonial, como gentios e judeus
gentios um só povo (At 15:13-14). poderiam viver em comunhão?
Tiago usou Amós 9:11-12 para Devemos relembrar que os judeus
validar sua afirmação. Nesse texto, o que se convertiam ao cristianismo,
profeta prediz que Deus levantaria o naqueles dias, continuavam a obe-
tabernáculo caído de Davi, por meio decer muitas prescrições da lei ce-
do qual as demais nações o busca- rimonial, como tradição cultural e
riam (At 15:15-18). Essa reedificação religiosa (At 21:20-26). Como eles
do tabernáculo é melhor entendida poderiam conviver com os gentios,
“como referência ao levantamento que não as cumpriam? Tiago sugeriu
da igreja como novo lugar de culto di- à assembleia que os não-judeus de-
vino, que tomou o lugar do templo”.1 veriam abster-se das contaminações
Em outras palavras, “a igreja, en- dos ídolos, bem como das relações
tão, é o meio mediante o qual os sexuais ilícitas, da carne de animais
gentios podem chegar a conhecer o sufocados e do sangue (At 15:20).
Senhor”.2 Ela não mais Israel; é, ago- Das quatro leis, uma era moral
ra, o povo de Deus, formado por pes- (sobre a sexualidade) e as demais,
soas de várias nações, visto que Deus cerimoniais (Lv 17 e 18). Sabemos
sempre pretendeu abençoar todas as que as leis cerimoniais, por serem
famílias da Terra e não somente uma tipológicas, ou seja, simbolizarem a
etnia (Gn 12:1-3; Ef 2:12-16; 1 Pd obra do Messias, tiveram fim com a
2:9-10). A conclusão de Tiago, por- vinda de Cristo. Com o sacrifício de
tanto, foi a seguinte: ... não devemos Jesus, “as leis rituais perderam a sua
perturbar aqueles que, dentre os gen- validade, deixaram de ser obrigató-
tios, se convertem a Deus (At 15:19). rias para o povo da nova aliança”3
3. A solução: Dos dois pontos le- (Ef 2:14-15; Hb 9:9-12).
vantados na assembleia, o primeiro Tiago, contudo, diz que os cristãos
(de natureza teórica), sobre a salva- gentios deveriam guardar algumas
ção dos gentios, foi resolvido. Ju- dessas leis. Por quê? A ideia era a
deus e gentios são salvos, isto é, jus- que os gentios obedecessem a essa
tificados, exclusivamente pela graça, regra para não escandalizar os judeus

1. Marshall (1982: 238-239). 3. O doutrinal: nossa crença ponto a ponto


2. Idem. (2012:211).

www.portaliap.com.br 47
cristãos nas refeições que comparti- diu redigir uma carta, deixando claro
lhavam. Era uma decisão conciliató- aos cristãos gentios a deliberação
ria para preservar a comunhão na dos apóstolos, dos presbíteros e de
igreja primitiva. Os cristãos que eram todos os cristãos de Jerusalém, que
gentios, mesmo que não morassem escolheram Silas e Judas, bem como
na Palestina, viviam entre israelitas o Paulo e Barnabé, para lerem a carta
tempo todo, pois havia sinagogas e entre as igrejas gentílicas. Assim ter-
judeus em todos os lugares. minou a primeira assembleia da igre-
A assembleia aprovou unanime- ja. A seguir, veremos algumas lições
mente a proposta de Tiago e deci- a partir desse episódio.

01. Com base em At 15:5-6, responda: Qual foi o motivo que levou a
igreja a organizar a primeira assembleia?

02. Quais foram os pontos discutidos na assembleia geral da igre-


ja de Atos? O que o apóstolo Pedro disse, na discussão dos pontos
levantados? Baseie-se no item 1 e em At 15:7-11.

03. Qual foi a conclusão a que Tiago e a assembleia chegaram? Qual


o significado do texto de Amós 9:11-12? Para responder, baseie-se no
item 2 e em At 15:12-20?

04. Com base no item 3 e em At 15:22-29, responda: A que leis os


gentios deveriam obedecer e por quê?

48 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Sejamos uma igreja bíblica, mou: ... somos salvos pela graça de
pois somente assim poderemos Cristo (At 15:11).
vencer as heresias. Se a igreja não tivesse sido bíbli-
O ponto discutido pela assem- ca, naquele momento crucial da his-
bleia cristã do primeiro século não tória, teria cedido à terrível heresia;
era irrelevante. Muito pelo contrário, teria fundamentado a salvação nas
tratava-se do cerne do evangelho: a próprias obras e não na suficiente
salvação exclusivamente pela graça, obra de Cristo; no mérito humano,
mediante a fé em Jesus. O que esta- não na graça de Deus (Ef 2:8-10). O
va em cheque era se a obra de Cristo mesmo risco permanece hoje. As he-
na cruz era suficiente para purificar resias ainda estão por aí. Às vezes,
o pecador ou se precisava ser com- surgem em movimentos ditos evan-
pletada com a obediência a certos gélicos; às vezes, surgem dentro de
aspectos cerimoniais da lei. A igreja nossas próprias congregações, como
reuniu-se em assembleia e estudou aconteceu na igreja primitiva. Qual a
as Escrituras. Com base nelas, reafir- saída? Precisamos ser bíblicos!

05. Você concorda que, em nossos dias, ainda há riscos de a igreja


abraçar certas heresias? O que fazer para fugir do erro? Converse um
pouco sobre as heresias atuais presentes no meio evangélico.

2. Sejamos uma igreja bíblica, teria fracassado irremediavelmente.


pois somente assim poderemos O cristianismo teria se tornado mais
avançar na missão. uma seita judaica (como os fariseus,
Se a igreja primitiva tivesse cedido os saduceus etc.), restrita aos seus, e
à ideia errônea de que os gentios de- teria morrido em poucos anos. Perce-
veriam circuncidar-se para ser salvos, ba que o que estava em jogo na as-
a missão entre as nações gentílicas sembleia, em Jerusalém, era o futuro

www.portaliap.com.br 49
da igreja. Caso seus líderes negassem ca. A Bíblia e a missão caminham de
a verdade do evangelho, teriam feito mãos dadas. Não podemos ser uma
imposições que dificultariam a entra- igreja bíblica, sem sermos missioná-
da de gentios à fé e à igreja. rios; nem missionários, sem sermos
Naquele momento, a “missão entre bíblicos. Assim, precisamos sempre
os gentios estava ganhando ímpeto”.4 reler as Escrituras, a fim de não em-
Contudo, todo o avanço teria sido in- perrarmos a missão, com nossas ideias
terrompido, se a igreja não fosse bíbli- e preconceitos, e não impedirmos que
as pessoas cheguem à fé. Precisamos
4. Stott (2008:270). abrir as portas aos de fora.

06. Converse com os demais alunos sobre como, por vezes, podemos
dificultar a chegada de pessoas à fé e à igreja com alguns de nossos
preconceitos, que julgamos ser bíblicos.

DESAFIO MISSIONÁRIO

Há inúmeros desafios que podemos extrair do capítulo 15 do


livro de Atos. Este texto nos faz repensar certas imposições feitas
àqueles que estão se convertendo a Cristo e que nada têm a ver
com a essência do evangelho. Também nos mostra que preci-
samos preservar a comunhão, preocupando-nos em não ferir a
consciência de nossos irmãos (1 Co 8). Sobretudo, somos desa-
fiados a sermos fiéis à Bíblia e não aos nossos preconceitos. Para
isso, precisamos conhecer as Escrituras. Você já pensou em se
inscrever em um curso de teologia? Que tal estudar mais esses
assuntos bíblicos? Você pode usar a bibliografia indicada no final
desta série de lições. E aí, aceita o desafio?

50 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


8
20 DE AGOSTO DE 2016
O evangelho
chega à Europa
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 179 / HBJ 427 • Final: BJ 93 / HBJ 389

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ajudar o estudante da E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo
Bíblia na compreensão
sido impedidos pelo Espírito Santo de
de que Deus não só
envia pessoas à missão, pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia,
mas também intervém tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de
no direcionamento, Jesus não o permitiu. (At 16:6-7)
nas adversidades e nos
resultados desta.

INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA Deus intervém na missão. É ele quem a
comanda, sendo o seu mentor e o seu dono.
D 14/08 At 15:1-11
S 15/08 At 15:12-29
Deus incumbe Paulo de pregar o evangelho
T 16/08 At 15:30-41 na Europa, mas também o sustenta ali. É por
Q 17/08 At 16:1-15 ocasião da segunda viagem missionária do
Q 18/08 At 16:16-26 apóstolo que a igreja de Cristo se estabelece
S 19/08 At 16:27-40 no continente europeu, começando pela re-
S 20/08 At 17:1-15
gião da Macedônia. Fazia parte dessa região
a cidade de Filipos, onde Paulo e Silas ficaram
por alguns dias (At 16:12). E foi por meio de-
les, naquela cidade, que Deus conduziu a sua
missão de maneira extraordinária. Vejamos, a
seguir, como se deu essa intervenção divina.

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

Acesse os
Comentários Adicionais Filipos era uma cidade estratégica e servia
e os Podcasts como ponte para os dois continentes (Ásia e
deste capítulo em
www.portaliap.com.br Europa), de modo que “alcançar a cidade de
Filipos para Cristo era abrir uma importante

www.portaliap.com.br 51
janela para o mundo”.1 Paulo e Silas responde: ... imediatamente, procu-
não chegaram ali por conveniência ramos partir para aquele destino (At
própria, mas porque Deus os ha- 16:10). Ele obedeceu à vontade de
via enviado. Muito tinha o Senhor Deus e foi pregar na Macedônia. A
para fazer naquele lugar, e fez. agenda divina transpõe a nossa.
Com base em Atos 15:36 a 16:38, A segunda lição é que os métodos
veremos que Deus conduziu a sua de Deus podem traçar a via do so-
missão, no que concerne ao seu di- frimento. Paulo e Silas obedeceram
recionamento, às suas adversidades à agenda de Deus. Sim, estavam no
e aos seus resultados. centro da vontade do Senhor, mas
1. Deus intervém no direcio- não foram poupados das persegui-
namento da missão: Deus é quem ções dos oponentes do evangelho
direciona a missão e o faz com mé- (At 16:20-24).
todos próprios. Sobre estes, duas De fato, Deus “deu-lhes sucesso
lições devem ser consideradas. A na missão, mas não sem dor, sofri-
primeira é que os métodos de Deus mento ou sangue”.2 Em sua segunda
podem contrariar a vontade huma- carta a Timóteo, Paulo resume esse
na. Após visitarem algumas igrejas e tipo de situação assim: ... pelo que
percorrerem a região frígio-gálata, sofro trabalhos e até prisões, como
Paulo e Silas foram impedidos pelo um malfeitor; mas a palavra de Deus
Espírito Santo de pregar a palavra na não está presa (2 Tm 2:9). Ainda que
Ásia (At 16:6). a missão se dê em sofrimento, não
Eles ainda tentaram ir para Bitínia, devemos temer o mal, porque o Se-
mas o Espírito de Jesus não o permi- nhor é conosco e nos direciona na
tiu (At 16:7). O plano de Paulo era missão (Sl 23:4).
evangelizar a Ásia, mas o propósito 2. Deus intervém nas adversi-
de Deus era outro: ... sobreveio a dades da missão: A missão de Deus
Paulo uma visão na qual um varão liberta os cativos, é algo nobre; con-
macedônio estava em pé e lhe ro- tudo, é constantemente hostilizada.
gava, dizendo: Passa a Macedônia Por meio de Paulo, Deus curou, em
e ajuda-nos (At 16:9). Assim, os pla- Filipos, uma jovem possessa de um
nos do apóstolo foram contrariados. espírito adivinhador (At 16:16-18).
Nem sempre nossos planos, por me- A moça tinha status importante na
lhores que pareçam, possuem o res- cidade, pois era possuída pelo de-
paldo divino. mônio que servia como porta-voz de
Nesse caso, o que fazer? Paulo Píton, uma serpente que, segundo a

1. Lopes (2012:299). 2. Ibidem, p.297.

52 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


mitologia grega, guardava o oráculo se mover.5 Mas, nessas adversida-
do deus Apolo.3 des, Deus interferiu, dando-lhes
A cura da moça, entretanto, foi a forças para suportar a privação
gota d’água para que a cidade en- com oração e louvores. E não só
trasse em alvoroço contra os prega- isso: ... sobreveio um tamanho ter-
dores do evangelho, pois significava remoto, que sacudiu os alicerces da
o fim dos lucros que os senhores da prisão (At 16:26). O terremoto não
jovem ganhavam através de suas foi acidental, mas providencial. O
adivinhações (At 16:19). Por isso, motivo? Veremos a seguir.
Paulo e Silas foram hostilizados com 3. Deus intervém nos resultados
acusações injustas: Estes homens, da missão: A intervenção de Deus
sendo judeus, perturbam a nossa não se restringe ao direcionamento e
cidade (At 16:20). Essas acusações às adversidades da missão: também
eram falsas, pois Paulo e Silas eram se estende aos seus resultados. Na
pregadores do evangelho, não per- cidade europeia de Filipos, verificou-
turbadores da ordem.
se um saldo extremamente positivo
Eles foram também hostilizados
na missão realizada por Paulo e Silas.
com castigo ilegal: ... rasgando-lhes
Vamos aos resultados. Em primeiro
as vestes, mandaram açoitá-los com
lugar, a missão teve um alcance trans-
varas (At 16:22). Sua honra foi ofen-
cultural. Além de libertar a jovem pos-
dida e seus corpos, machucados,
sessa por um demônio, o evangelho
mas eles não cometeram delito al-
salvou o carcereiro romano.
gum; antes, tornaram-se vítimas de
Você ainda se lembra do terre-
um crime, ao serem açoitados. Paulo
moto, de Atos 16:26? Pois bem,
era um cidadão romano, e a lei ro-
ele serviu de ponte para a salvação
mana “Lex Porcia” proibia submeter
um cidadão romano à flagelação do carcereiro que guardava Pedro
e fazia cair penalidades severas a e Silas na prisão romana. As coisas
quem assim agisse.4 se inverteram e as circunstâncias se
Paulo e Silas foram, ainda, hos- tornaram favoráveis. Com o terre-
tilizados com prisão desumana. moto, abriram-se todas as portas, e
Jogados na prisão, os homens de soltaram-se as cadeias de todos (At
Deus tiveram seus pés presos no 16:26). Se os presos fugissem, o car-
tronco e foram submetidos a uma cereiro seria condenado pelo império
tortura alucinante, sem poderem romano. Melhor lhe era o suicídio,
mas Paulo o impediu, dizendo que
3. Richards (2008:275).
4. Coelho Filho (2009:120). 5. Lopes, op. cit., p.311.

www.portaliap.com.br 53
nenhum deles fugira.6 Em seguida, cereiro, “membro da classe média
pregaram-lhe a Palavra de Deus, e romana que se ocupava dos servi-
ele creu em Jesus (At 16:32-33). ços civis”.9 Assim, a classe alta, a
Lídia também foi alcançada pelo classe média e a classe baixa de Fi-
evangelho (At 16:14). Assim, “a lipos estavam representadas nessas
igreja em Filipos começou com ela; três pessoas. O evangelho salva e
depois veio o carcereiro”.7 Deus, liberta a todos.
portanto, salva em Filipos três pes- E foi assim que, por meio da in-
soas de etnias diferentes. Lídia era tervenção divina, o evangelho che-
asiática, da cidade de Tiatira; a jovem gou à Europa. Paulo e Silas, envia-
escrava era grega; o carcereiro era ci- dos de Deus, contaram com a inter-
dadão romano.8 O evangelho rompe venção divina no direcionamento
fronteiras transculturais. da missão. E não só isso: eles se
Em segundo lugar, a missão beneficiaram da ajuda de Deus nas
teve um alcance econômico-social. adversidades da missão. Finalmen-
Lídia era financeiramente bem-su- te, puderam contemplar o favor do
cedida, pois vendia púrpura, uma Senhor nos resultados da missão.
mercadoria muito cara. A jovem Diante do estudo exposto aqui, o
possessa era uma escrava e o car- que fazer? Simples: aplicar o que
aprendemos. Para isso, vejamos os
ensinamentos a seguir.
6. Coelho Filho, op. cit., p. 119.
7. Ibidem, p.118.
8. Lopes, op. cit., p.303. 9. Idem.

01. Que lições acerca dos métodos divinos na direção da missão,


devemos considerar? Responda, com base em Atos 16:6-9, 20-24, e
no item 1.

02. Por qual motivo Paulo e Silas foram perseguidos em Filipos? Res-
ponda, com base no item 2 e em At 16:16-19.

54 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


03. Com base em Atos 16:20-24 e no item 2, responda: De que ma-
neiras Paulo e Silas foram hostilizados em Filipos?

04. Leia o item 3; At 16:25-31, e comente sobre a intervenção de


Deus nos resultados da missão.

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Na missão, devemos consi- O apóstolo plantador de igrejas


derar o plano divino. entendia que a obra de Deus estava
A Ásia era o ambicioso plano de acima de suas ambições e projetos
Paulo. A cidade de Bitínia era priorida- pessoais. Sabia que Deus é o condu-
de em sua agenda. Mas o texto bíblico tor da missão e que os seus planos
é claro ao dizer que Paulo e Silas foram definem os rumos desta. Portanto, é
impedidos pelo Espírito Santo de pre- importante que nos adequemos aos
gar a palavra na Ásia (At 16:6). Passa a planos divinos. Antes de definirmos
Macedônia foi a expressão que Paulo a nossa agenda pessoal e a agenda
ouviu durante uma visão, em Trôade. de nossa igreja, consultemos a Deus,
Ele então entendeu que Deus os ha- a fim de entendermos o seu inten-
via chamado para pregar o evange- to. Ainda que o propósito dele esteja
lho naquele lugar. Veja: Paulo não se em desacordo ao nosso, aceitemo-lo,
opôs a Deus, não o questionou, nem pois seus caminhos e pensamentos
lhe desobedeceu. prevalecem (Is 55:8,9).

05. Você já passou por situações em que os seus planos foram suplan-
tados pelos propósitos divinos? O que podemos aprender com elas?

www.portaliap.com.br 55
2. Na missão, devemos consi- Se a missão de Deus abran-
derar o acolhimento divino. ge o resgate de pessoas de todas
A missão vislumbra um alcance as etnias e de todas as condições
transcultural e econômico-social. Deus econômico-sociais, não podemos
liberta uma jovem grega escrava; sal- imaginar que a missão deve ser
va Lídia, uma mulher asiática de classe usada para privilégio de uns, em
alta, e o carcereiro romano, membro detrimento de outros. A igreja de
da classe média. Perceba: Deus não faz Cristo deve acolher judeus e gen-
acepção de pessoas. Seu amor acolhe tios, ricos e pobres, ocidentais e
a todos. O evangelho é para todos e orientais, escravos e livres. A mis-
a salvação é para todo o que crê em são não pode ser impedida pela
Jesus (Jo 3:16; At 16:31). A igreja de acepção, mas deve ser norteada
Filipos foi iniciada por gente de etnias e pela inclusão. É pela junção de di-
condições econômicas distintas. Deus ferentes membros que o corpo de
acolhe e salva sem discriminação. Cristo é formado (1 Co 12:12).

06. Você é favorável ao ato de incluir à igreja pessoas de etnias, cul-


turas e condições sociais diferentes? Por quê?

DESAFIO MISSIONÁRIO

No estudo de hoje, vimos que o evangelho chegou à Europa sob


muitas dificuldades. Contudo, Deus, o dono da missão, conduziu a
Paulo e Silas nesse processo desafiador. Assim, a intervenção divina
estendeu-se ao direcionamento, às adversidades e aos resultados
da missão proclamadora. Logo, o nosso desafio é nos submeter-
nos à agenda divina, ainda que, para isso, tenhamos de percorrer a
via do sofrimento. Que o Senhor nos use poderosamente!

56 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


9
27 DE AGOSTO DE 2016
Ações estratégicas
da igreja
Hinos sugeridos – Inicial: HBJ 180 • Final: HBJ 260

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Incentivar o estudante, Porque, passando eu e observando os objetos
com base em Atos 17
do vosso culto, encontrei também um altar em
e 18, a pensar sobre
a utilização de ações que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO.
estratégicas que visem Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é
facilitar a pregação do o que vos anuncio. (At 17:23)
evangelho de Cristo às
pessoas não-cristãs.
INTRODUÇÃO

LEITURA DIÁRIA Os capítulos 17 e 18 do livro de Atos, que


estudaremos nesta lição, descrevem o ministé-
D 21/08 At 17:16-24
S 22/08 At 17:25-34
rio missionário de Paulo e seus companheiros,
T 23/08 At 18:1-11 em quatro cidades: Tessalônica, Bereia, Ate-
Q 24/08 At 18:12-28 nas e Corinto. Neste trecho, o que se destaca
Q 25/08 At 19:1-13 é a variedade de estratégias e métodos mis-
S 26/08 At 19:13-22 sionais de Paulo. Nós o vemos, por exemplo,
S 27/08 At 19:23-41
escolhendo cidades e adaptando a mensagem
(não no conteúdo, mas na forma de apresen-
tação), de acordo com a realidade cultural,
religiosa e social de seus ouvintes. Nosso pro-
pósito, ao estudar esses capítulos, é aprender
sobre as estratégias que o apóstolo utilizava
na transmissão do evangelho de Cristo.

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS


Acesse os
Comentários Adicionais
e os Podcasts O trecho que estamos estudando continua
deste capítulo em
www.portaliap.com.br a descrever a segunda viagem missionária de
Paulo. Tendo deixado Lucas em Filipos, Paulo e

www.portaliap.com.br 57
Silas saíram em campanha missioná- seu trabalho. Por ser a capital da
ria por uma das mais importantes es- Macedônia, através dela as cidades
tradas romanas da época, a Via Egná- menores ao redor poderiam ser al-
tia. Esta estrada interligava inúmeras cançadas. Eles também foram sábios
cidades da Macedônia, favorecendo ao irem à sinagoga, tanto em Tes-
o comércio daqueles dias. Os missio- salônica quanto em Bereia, pois ali
nários passaram por cidades como poderiam alcançar judeus piedosos e
Anfípolis e Apolônia, mas decidiram gentios simpatizantes do judaísmo e,
focar seu trabalho na cidade de Tes- a partir destes, outros gentios (seus
salônica. Por quê? É o que veremos. familiares, amigos etc.).
1. Tessalônica e Bereia: A cida- 2. Atenas: Por causa da persegui-
de de Tessalônica era a capital da ção promovida pelos judeus em Be-
província da Macedônia. Sendo por- reia, mais uma vez Paulo precisou fugir
tuária, devia sua importância basica- para outra cidade. Agora o apóstolo
mente ao comércio. Era uma cidade chegara a Atenas, a mais famosa cida-
cosmopolita e influente. Por isso, de da Grécia, que se orgulhava de sua
Paulo a escolheu estrategicamente. “tradição filosófica, (...) de sua literatu-
Os missionários concentraram lá o ra e arte, e de seus progressos”.1
seu trabalho, indo à sinagoga anun- A primeira atitude de Paulo foi co-
ciar o Senhor Jesus Cristo (At 17:2-4). nhecer e analisar a cultura daqueles
Inflamados de inveja, os judeus a quem pretendia apresentar Jesus.
resistentes à mensagem incitaram Ao fazer isso, ficou indignado com
o povo da cidade contra Paulo e Si- tanta idolatria. Atenas era repleta
las, acusando-os de subversão, por de estátuas e santuários a deuses. O
anunciarem outro rei além do impe- apóstolo dedicou-se incansavelmen-
rador César, ou seja, Jesus Cristo. te a anunciar o evangelho na sina-
A confusão foi tamanha que os goga e na praça principal da cidade,
evangelistas precisaram sair da cida- todos os dias. A pregação causou
de, no meio da noite, em fuga para interesse em dois grupos de filósofos
Bereia. Incansáveis, continuaram a atenienses: os epicureus e estóicos.
pregar a Palavra. Os bereanos rece- Os epicureus seguiam o pensamen-
beram a mensagem com interesse, to filosófico de seu fundador, Epícu-
conferindo nas Escrituras tudo o que ro (341-270 a.C.), e os estóicos, o de
Paulo ensinava. Em Bereia, muitos Zenão (335-264 a.C.), duas escolas
judeus creram, e também não-ju- estabelecidas em Atenas. Os filósofos
deus (At 17:12). levaram Paulo a um lugar onde o con-
Paulo e Silas foram sábios ao es-
colher Tessalônica como foco de 1. Stott (2008:311).

58 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


cílio da cidade se reunia: o Areópago.2 Paulo esperava a chegada de Silas e
Havendo analisado a cultura dos ate- Timóteo, que estavam em Tessalônica,
nienses, Paulo estava apto para en- o que aconteceu algum tempo depois.
contrar nela uma conexão pela qual Como é possível perceber, sempre que
poderia apresentar sua mensagem. havia uma comunidade judaica na ci-
Ele observou que, em meio a tan- dade, Paulo se dirigia primeiramente a
tos santuários, havia um dedicado ela, como ponto inicial de pregação (At
ao Deus Desconhecido. O apósto- 13.5,14,44, 17:10,17, 18:4, 19:8). Em
lo aproveitou e disse, sem rodeios: Corinto, não foi diferente. Aos sába-
Esse, pois, que vós honrais não o dos o apóstolo ia à sinagoga anunciar
conhecendo é o que eu vos anun- o Senhor Jesus Cristo.
cio (At 17:23). Nesse discurso, Paulo Tendo sido rejeitado pela maioria
falou sobre a grandeza, a soberania dos judeus da sinagoga, Paulo dire-
e o amor de Deus, que busca salvar cionou seus esforços missionários aos
os homens. Ele usou uma linguajem gentios. Estrategicamente, estabeleceu
apropriada, demonstrando conheci- sua base missionária na casa de Tício
mento e citando, inclusive, os pensa- Justo, um coríntio temente a Deus, que
dores e poetas atenienses. Entre os morava ao lado da sinagoga. Seu mi-
ouvintes, houve os que zombaram, nistério foi muito frutífero (At 17:18).
os que se interessaram e os que cre- Paulo e seus companheiros per-
ram em Cristo. maneceram em Corinto por, pelo
3. Corinto: Paulo deixou Atenas e menos, um ano e meio, ensinando
seguiu para Corinto, distante apenas a Palavra de Deus, mesmo em meio
80 km. Esta cidade era a capital da a dificuldades. Muita gente foi salva
Acaia (atual Grécia), a mais influente por Deus. Aprendemos com a viajem
da região, contando com uma popu- missionária à Tessalônica, Bereia,
lação de, aproximadamente, 650 mil Atenas e Corinto como utilizar méto-
pessoas. Era portuária; por isso, muito dos e ações estratégicas no anúncio
importante para o comércio. Ali, Paulo do evangelho de Cristo.
conheceu Priscila e Áquila, judeus cris- Paulo foi estrategista, ao escolher
tãos oriundos da Itália. Como tinham a Tessalônica (capital da Macedônia) e
mesma profissão (fabricavam tendas), Corinto (capital da Acaia) como foco de
passou a morar e a trabalhar com eles. seu trabalho missionário. Por serem in-
fluentes, a partir delas, as demais cida-
des poderiam ser alcançadas com mais
2. Em grego, (areis pagos) significa: colina ou
o monte de Ares. A colina em que o con- facilidade. Também foi estrategista ao
cílio da cidade de Atenas se reunia tinha o
nome em homenagem a Ares, o deus da
adaptar sua mensagem de acordo com
guerra, na mitologia grega. seus ouvintes, como fez em Atenas.

www.portaliap.com.br 59
01. Com base na introdução e no item 1, responda: Por que Paulo deci-
diu focar seu trabalho em Tessalônica e não nas cidades de Anfípolis e
Apolônia? Por que foi às sinagogas nas duas cidades? Leia At 17:1,10.

02. Leia Atos 17:16, 23; o item 2, e responda: Qual foi a primeira ati-
tude de Paulo em Atenas? Por que ele observou a cultura ateniense?
Como estabeleceu uma conexão entre sua mensagem e seus ouvintes?

03. Com base no item 3, responda: Por que Paulo escolheu a cidade de
Corinto? Qual a sua importância? Depois de deixar a sinagoga, onde o
apóstolo estabeleceu sua base missionária? Sua estratégia deu certo?

04. Ainda com base no item 3, reflita em toda a trajetória de Paulo


pelas quatro cidades e pondere nas ações estratégicas do apóstolo
em cada uma delas.

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Preguemos o evangelho de tratégica para pregar o evangelho. Em


Cristo nos mais variados lugares, Tessalônica e Bereia, ele falou de Cris-
de forma estratégica. to nas sinagogas; em Atenas, na praça
Paulo é um exemplo de como usar e no Areópago; em Corinto, na casa
os mais variados lugares de forma es- de Tício, o Justo. O apóstolo falava de

60 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


Jesus em lugares religiosos, como as grupos de empresários, em associações
sinagogas; em lugares privados, como de comerciantes, em escolas, hospitais,
a casa de Tício, e em lugares públicos, em grupos de apoio a dependentes
como a praça e o centro de conven- químicos, em asilos, orfanatos, condo-
ções de Atenas, o Areópago. mínios, em associações de moradores,
Precisamos de cristãos que falem de em comunidades de ribeirinhos, enfim,
Cristo de forma estratégica e em luga- em ambientes através dos quais alcan-
res estratégicos: nas universidades, em çaremos outros com mais facilidade.

05. Devemos falar de Jesus em todos os lugares, mas, realmente,


alguns são mais estratégicos. Quais seriam os lugares estratégicos de
nossa cidade?

2. Preguemos o evangelho de foi diferente da sua forma de pregar


Cristo aos mais variados públicos, em Tessalônica.
de forma estratégica. A razão é que o público de Ate-
Paulo falou de Jesus Cristo a ju- nas, no Areópago (gregos em sua
deus, gregos piedosos, filósofos maioria), era diferente daquele da
epicureus e estoicos e à população sinagoga de Tessalônica (judeus,
de Tessalônica, Bereia, Atenas e Co- em sua maioria). Paulo era sensível
rinto. Todos que cruzavam seu ca- àqueles que tentava alcançar; fazia
minho ouviam falar de Jesus. Paulo as adaptações necessárias em sua
pregava a todas as pessoas e fazia proclamação, sem alterar o conteú-
de um modo que elas pudessem en- do essencial, para que as pessoas
tender. Ele adaptava a mensagem pudessem compreender o evangelho
(não no conteúdo, mas na forma de Jesus. Somos desafiados a fazer o
de apresentação) aos seus ouvintes, mesmo: pregar de forma estratégica,
estabelecendo sempre uma cone- adaptando a forma (a linguagem, o
xão com sua cultura. Sua forma de estilo etc.) da mensagem para anun-
pregar no Areópago, por exemplo, ciar o evangelho às pessoas.

06. O que significa, na prática, adaptar a forma da pregação, sem alterar


o conteúdo do evangelho? Comente como podemos adaptar a mensa-
gem ao ouvinte, facilitando seu entendimento. Cite exemplos, se houver.

www.portaliap.com.br 61
DESAFIO MISSIONÁRIO

Depois de estudar esse trecho do livro de Atos dos Apóstolos,


é possível que você tenha se sentido desafiado. Realmente, o
exemplo de Paulo deveria nos provocar. Seu desafio, nesta sema-
na, é orar a Deus, pedindo que ele lhe mostre estratégias para al-
cançar lugares e grupos de pessoas não-cristãs específicas. Deus
está chamando-o para falar do evangelho em sua faculdade, seu
bairro, sua escola, seu ambiente profissional, seu círculo de ami-
zade etc. Você tem contato com grupos de pessoas que ainda
não são cristãs e que Deus deseja salvar. Seja instrumento dele
para isso. Ore por esse motivo.

62 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


10
3 DE SETEMBRO DE 2016
A igreja que
abala a cidade
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 32 / HBJ 373 • Final: HBJ 133

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Apresentar ao estudante Muitos dos que tinham crido vinham,
as características do
confessando e publicando os seus feitos.
impacto que o evangelho
pode causar na sociedade Também muitos dos que seguiam artes
através da igreja, mágicas trouxeram os seus livros e os
encorajando-o a buscar queimaram na presença de todos, e, feita a
esse avivamento e a conta do seu preço, acharam que montava
agir, proclamando com
fidelidade o evangelho.
a cinquenta mil peças de prata. Assim, a
palavra do Senhor crescia poderosamente e
prevalecia. (At 19:18-20)
LEITURA DIÁRIA
D 28/08 At 20:1-12
INTRODUÇÃO
S 29/08 At 20:13-23
T 30/08 At 20:24-38 Você já sonhou com uma igreja avivada a
Q 31/08 At 21:1-16 ponto de causar mudanças em todo o bairro
Q 01/09 At 21:17-26
ou em toda a cidade em que ela está? Pense
S 02/09 At 21:27-40
em prostitutas e viciados rendendo-se a Cristo;
S 03/09 At 22:1-11
imagine almas aprisionadas pelas garras de Sa-
tanás, reféns de falsas religiões, que, de repen-
te, se encontram de joelhos, com as mãos es-
tendidas ao céu, ao único Deus soberano. E se,
ao pegar o controle remoto e ligar sua TV, você
visse, nos noticiários, que a igreja em que você
congrega está abalando as estruturas do co-
mércio e da religião local? Seria mais ou menos
assim que nos sentiríamos em Éfeso, no pri-
Acesse os
Comentários Adicionais meiro século. Sem redes sociais, nem banners
e os Podcasts ou anúncios de jornal, a Palavra se difundiu
deste capítulo em
www.portaliap.com.br poderosamente. Que hoje possamos aprender
as verdades espirituais contidas nessa história.

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I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

Éfeso era uma cidade portuária naquele lugar a palavra de Deus (At
que, no primeiro século da era cristã, 19:8,10). Ele fez o mesmo em Trôa-
pode ter chegado a 250 mil pessoas. de, quando pregou até a meia noite
Tinha um templo gigantesco dedi- e, após a ressurreição impressionan-
cado à deusa grega Ártemis (Diana, te de Êutico, voltou a pregar até ao
para os romanos), que atraía turistas, amanhecer (At 20:7-12). Em Éfeso,
festivais e movimentava o comér- precisou dedicar mais tempo ao en-
cio da região. No templo, havia mil sino. A Palavra sempre tinha a prima-
prostitutas cultuais à disposição de zia. Além disso, Paulo usou lugares
homens promíscuos, que faziam do estratégicos. Não perdeu tempo na
pecado uma forma de adoração. Essa sinagoga, onde havia resistência à
era a realidade daquela gente. Porém, mensagem. Após três meses, saiu
onde um olhar limitado veria apenas e fez da escola de Tirano seu quar-
sujeira, desesperança e podridão es- tel-general.1 Ensinou naquela escola
piritual, Deus viu o poder incompará- por dois anos, de modo que toda a
vel de sua graça, capaz de soerguer região da Ásia ouviu as boas novas.
uma igreja e fazê-la abalar toda a ci- Ao ensinar o evangelho, o apóstolo
dade. Confira, pois, as características estava semeando. Os frutos desse
do impacto causado em Éfeso. trabalho é que veremos a seguir.
1. O impacto foi estratégico: 2. O impacto foi sobrenatural:
Primeiramente, é preciso notar que o A cidade de Éfeso experimentou
apóstolo Paulo designou pessoas es- algo sobrenatural. Isso mesmo: so-
tratégicas para evangelizar a cidade. brenatural! Lucas faz questão de uti-
Era o final de sua segunda viagem lizar a expressão “milagres extraordi-
missionária. Ele pregou por pouco nários”. Ali, o Senhor derramou do
tempo em Éfeso, e prosseguiu em seu poder. Naquele lugar cheio de
sua viagem; porém, deixou ali Priscila idolatria e ocultismo, Deus permitiu
e Áquila para continuarem o traba- que os lenços e os aventais de Paulo
lho missionário. Foi assim que Apolo, fossem usados para curar enfermos
homem sábio em palavras, foi con- e expulsar demônios, algo incomum
quistado para defesa do evangelho (At 19:11,12).
(At 18:20-28). Obviamente, isso não é regra
Na terceira viagem missionária, para nós. Não vemos Paulo fazendo
retornando a Éfeso, Paulo dedica
um tempo estratégico para ensinar 1. Lopes (2012:387).

64 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


isso em outros lugares, nem mesmo cou transformação no comportamen-
abençoando lenços para serem uti- to e na atitude das pessoas. A mudan-
lizados pelas pessoas. O que houve ça na vida dos conversos oriundos da
ali foi algo fora do comum, um agir religião pagã era notável e imediata.
misterioso de Deus. Foi algo excep- Eles vieram confessando e denun-
cional, para que um povo supersti- ciando publicamente as suas próprias
cioso acreditasse no evangelho, o obras (At 19:18). Sua atitude em rela-
que, de fato, ocorreu. ção à idolatria mudou drasticamente.
3. O impacto foi salvífico: A A Bíblia nos dá apenas um breve
ação de Deus naquela cidade pro- vislumbre de tudo que aconteceu.
moveu salvação. Foram inúmeras Mas é possível imaginar a cena: pes-
conversões. Os lenços não viraram soas impactadas pela presença do
amuletos da sorte, bem como o Espírito Santo confessando seus pe-
nome de Jesus não se tornou apenas cados e renegando suas antigas prá-
uma fórmula mágica (At 19:13-17). ticas. Se, de um lado, as trevas per-
Ao contrário, as pessoas verdadei- deram sua influência sobre essas pes-
ramente se converteram. Quando soas, de outro, o evangelho tomou a
Deus opera, o evangelho é eviden- direção de suas vidas. Só o evangelho
ciado. Isso nos ensina que os mila- pode transformar tanto o ser huma-
gres não são um fim em si mesmos: no. Apenas o evangelho proporciona
são uma maneira de levar as pessoas tamanha mudança nos corações.
a olharem para Cristo e se converte- 5. O impacto foi econômico: A
rem. É assim que começa uma revo- transformação na vida dos morado-
lução. Esse é verdadeiro impacto! res foi tão grande que isso afetou
Podemos ver isso em Atos 19:20, a economia na cidade, causando
em que lemos: Assim, a palavra do prejuízos financeiros a muitos. A
Senhor crescia poderosamente e Bíblia diz: Também muitos dos que
prevalecia. À parte todos os outros seguiam artes mágicas trouxeram
aspectos pelos quais poderíamos os seus livros e os queimaram na
ver o impacto que Éfeso teve com presença de todos, e, feita a conta
a chegada da igreja, Deus desejou do seu preço, acharam que montava
impactar aquela cidade salvando vi- a cinquenta mil peças de prata (At
das. Cristo estava no centro de tudo 19:19). Esse era um valor expressi-
o que Paulo fazia naquele lugar, e o vo, correspondente ao salário anual
desejo maior de Deus era salvar os de cento e cinquenta homens.2 Dá
pecadores que lá estavam. para imaginar?
4. O impacto foi transformador:
O impacto na cidade de Éfeso impli- 2. Wiersbe (2006:625).

www.portaliap.com.br 65
Quanto aos ídolos, estes não eram vas e em líderes locais (At 20:17). Era
mais comprados, o que motivou seus hora de o apóstolo seguir adiante.
fundidores a um grande alvoroço na Antes de sua partida rumo a Je-
cidade, descrito em Atos 19:23-41: rusalém, Paulo fala aos presbíteros
Demétrio começou a espalhar sua sobre sua fidelidade na pregação,
propaganda anticristã e, em pouco sobre a convicção de seu ministério
tempo, causou grande rebuliço na e sua preocupação com o futuro dos
cidade toda.3 Contudo, a ira dos ho- cristãos. Sem dúvida, ele desejava
mens nada pode contra a graça de um impacto permanente da Palavra.
Deus. O abalo da igreja prevaleceu De fato, a igreja de Éfeso se tornou a
sobre o abalo dos seus opositores. mais importante do primeiro século.4
6. O impacto foi permanente: Em resumo, esse texto nos ensina
Comparemos duas passagens revela- que, quando pregado por uma igreja
doras. Em Atos 18:20-21, Paulo dei- avivada, o evangelho, por si só, é po-
xa claro que há o momento certo de deroso o bastante para mudar a reali-
permanecer e pregar. Em Atos 20:16, dade de todo e qualquer lugar. Como
fica claro que há o momento de partir prova disso, vimos as características
para outras prioridades. Por que ele do impacto que o evangelho cau-
agiu assim? Porque chega o momen- sou em Éfeso. Permitamos que Deus
to em que o evangelho deve estabe- aqueça nosso coração, ao descobrir-
lecer-se. O abalo espiritual na cidade mos quão grandiosa pode ser a ação
de Éfeso resultou em várias vidas sal- divina na evangelização dos perdidos.

3. Idem. 4. Lopes, op. cit., p.379.

01. Descreva com suas palavras qual era a realidade da cidade de


Éfeso, antes da evangelização. Quais as estratégias usadas por Paulo
para evangelizar aquela cidade? Baseie-se em At 18:18-28, 19:1-8 e
no item 1.

02. Leia Atos 19:11,12,20 e fale sobre o impacto sobrenatural e salvífico


na cidade. Tenha por base os itens 2 e 3.

66 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


03. Com base nos itens 4 e 5 do comentário e em At 19:18-19, relate
como foi o impacto transformador e econômico que a igreja causou
na cidade de Éfeso.

04. Após ler o item 6, responda: Por que podemos afirmar que o
impacto do evangelho foi permanente em Éfeso? Relate as últimas
palavras de Paulo aos presbíteros de Éfeso, em Atos 20:18-36.

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Para sermos uma igreja que preguem fielmente a mensagem


que abala a cidade, preguemos da cruz como Paulo pregou.
fielmente. Lembremo-nos de que o evan-
Muitos limitam suas ações a cha- gelho pode fazer transformações
mar alguém para ir à igreja e apre- inimagináveis, quando pregado de
sentar Jesus através de suas expe- modo fiel. Portanto, pregue o evan-
riências pessoais, às vezes, com uma gelho puro e simples. Faça como
verdadeira mentalidade de consumo: Paulo. Veja onde estão as oportuni-
“Jesus vai resolver seu problema”. dades e invista tempo na evangeliza-
Isso pode ter o seu valor, mas enten- ção. Exerça o discipulado ou comece
damos: isso não é evangelização. Ne- simplesmente dizendo às pessoas,
cessitamos urgentemente de homens com sinceridade, que Jesus morreu
e mulheres cheios do Espírito Santo pelo pecado delas.

05. Reflita sobre esta frase: “Necessitamos urgentemente de homens


e mulheres cheios do Espírito Santo que preguem fielmente a mensa-
gem da cruz como Paulo pregou”.

www.portaliap.com.br 67
2. Para sermos uma igreja que Não desanime, se não vir os
abala a cidade, reconheçamos o abalos citados nesta lição. Paulo
agir de Deus. também pregou em Atenas, como
De todos os seis tópicos estuda- pôde ser visto na lição anterior;
dos, apenas parte deles diz respeito contudo, os resultados foram me-
às nossas ações ou às ações dos ou- nos expressivos. Nossa parte não é
vintes. Deus é o mentor e o protago- converter, muito menos operar o
nista na missão da igreja. Na verdade, que unicamente Deus é capaz de
sem ele, é impossível qualquer tipo de operar. Realizemo-nos, porém, ao
missão da igreja. Pregue, use as estra- cumprir nossa missão, que é pregar,
tégias certas, mas saiba que é o poder e, quem sabe, veremos a cidade ser
do Espírito Santo que faz o sobrena- abalada! Algo é certo: precisamos
tural e que convence o pecador. do agir de Deus.

06. Discuta com a classe sobre a frase: “Deus é o mentor e o maior


protagonista na missão da igreja”. Você concorda com isso?

DESAFIO MISSIONÁRIO

Creiamos, irmãos, que o Senhor da igreja ainda atua entre


nós e tem o necessário para usar os cristãos de hoje, a ponto
de abalarem as estruturas do contexto em que vivem. Uma igre-
ja impactante é uma igreja avivada em missão. Peça ao Espírito
Santo que dirija nossos líderes, durante este quadriênio em que
estamos com uma visão missionária para as IAP’s, e não deixe
de fazer sua parte. Pregue fielmente o evangelho, atente para
os princípios aprendidos nesta lição, pratique-os e descanse o
coração no Deus missionário a quem você serve. Ele vai à frente,
nesta grande empreitada da igreja. A ele seja a glória. Amém.

68 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


11
10 DE SETEMBRO DE 2016
Algemado
pelo evangelho
Hinos sugeridos – Inicial: HBJ 55 • Final: BJ 165 / HBJ 365

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante Então, ele respondeu: Que fazeis chorando
da Escola Bíblica que, à
e quebrantando-me o coração? Pois estou
semelhança de Paulo,
devemos testemunhar do pronto não só para ser preso, mas até para
evangelho, a despeito das morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor
circunstâncias difíceis. Jesus. (At 21:13)

LEITURA DIÁRIA INTRODUÇÃO


D 04/09 At 22:12-21 Políticos evangélicos sendo presos, impli-
S 05/09 At 22:22-30
cados em corrupção. Líderes de igrejas cristãs
T 06/09 At 23:1-11
envolvidos em coisas ilícitas, sendo detidos pela
Q 07/09 At 23:12-25
Q 08/09 At 23:26-35 polícia e causando escândalos. Infelizmente, es-
S 09/09 At 24:1-16 ses estão entre alguns casos que têm mancha-
S 10/09 At 24:17-27 do a história de parte da igreja evangélica em
nosso país. No trecho que estudaremos nesta
lição (At 21:1-26:32), também veremos a pri-
são de um grande líder cristão, mas por moti-
vos completamente diferentes. O prisioneiro é
Paulo, apóstolo dos gentios. Seu crime? Viver a
justiça do Reino de Deus. Era culpado não por
um crime religioso ou político, mas por sua fé
em Jesus Cristo e por pregar o evangelho aos
gentios. Vejamos o que ele tem a nos ensinar.

Acesse os I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS


Comentários Adicionais
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deste capítulo em
www.portaliap.com.br Partindo de Mileto, onde se despediram
dos presbíteros de Éfeso, Paulo e sua equipe

www.portaliap.com.br 69
continuaram a viagem. Desistindo de serir gregos no templo (At 21:28-29).
seguir em um navio que parava de Ambas as acusações eram falsas. Pau-
porto em porto, eles embarcaram em lo nunca ensinou que os judeus não
outro navio, mais rápido, que ia para deveriam guardar a lei; apenas que
a Fenícia, cerca de 650 km de onde sua obediência não era o meio pelo
estavam. A Fenícia era “uma região li- qual somos salvos, uma vez que so-
torânea da Síria, da qual Tiro era uma mos justificados pela fé (At 21:23-26;
das principais cidades”.1 Uma vez que Rm 3:28,31, 7:7).
o navio seria descarregado ali, Paulo e A segunda acusação também foi
seus companheiros desembarcaram. uma intepretação equivocada. Ao
Vejamos o relato de Atos. verem Paulo andando pela cidade
1. A prisão do apóstolo: Paulo e com um efésio, chamado Trófimo,
sua comitiva ficaram em Tiro sete dias. presumiram que ele o havia levado
Nesta cidade, os cristãos, movidos ao templo, quando não havia. En-
pelo Espírito, recomendavam a Paulo fim, não havia crime, nem acusações
que não fosse a Jerusalém (At 21:4). plausíveis. Mesmo assim, o apóstolo
Mesmo sabendo que sofrimentos lhe foi arrastado para fora do templo e
aguardavam, Paulo seguiu viagem, espancado pelos judeus. Diante do
agora em direção a Cesareia. Nesta alvoroço, Paulo acabou sendo preso.
cidade, o apóstolo ficou na casa de O relato diz que, aproximando-
Felipe, o evangelista (At 21:5-8). se o comandante, apoderou-se de
Depois de alguns dias, um profeta, Paulo e ordenou que fosse acorren-
chamado Ágabo, lhe mostrou o que tado com duas cadeias, perguntan-
haveria de lhe acontecer em Jerusa- do quem era e o que havia feito (At
lém (At 21:11). A profecia era clara: o 21:33). O apóstolo se defendeu da
apóstolo estava a caminho da prisão. multidão enfurecida de judeus con-
Paulo, porém, não se intimidou. O tando seu testemunho pessoal, mas
próprio Espírito o havia mandado para sem sucesso algum (At 21:37-22:22).
lá (At 20:22). Foi com essa certeza Paulo foi preso pelo comandante
que o apóstolo seguiu viajem e che- romano e levado ao quartel general.
gou, então, a Jerusalém (At 21:17). Uma vez que a acusação era de caráter
Ali, as profecias se cumpriram. Pau- religioso, foi levado ao Sinédrio, o tri-
lo foi acusado de ensinar os judeus a bunal dos judeus responsável por jul-
apostatarem de Moisés, dizendo-lhes gar tais questões. Mais uma vez, Pau-
que não devem circuncidar os filhos, lo se defendeu, mas sem sucesso. Os
nem andar segundo os costumes da lei judeus estavam enfurecidos. Temendo
(At 21:21). Depois, foi acusado de in- que o apóstolo fosse morto, o coman-
dante o levou à prisão novamente.
1. MacDonald (2008:395). 2. A defesa do apóstolo: Em
70 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016
uma visão, Jesus apareceu a Paulo e sua missão entre judeus e gentios. O
o animou, dizendo: Tenha coragem, apóstolo não perdia a chance de pre-
Paulo! Você falou a meu respeito gar o evangelho; não desanimava.
aqui em Jerusalém e vai falar tam- Mesmo acorrentado, testemunhava
bém em Roma (At 23:11 - NTLH). com ousadia acerca da morte e da
O apóstolo precisava dessa certeza, ressurreição de Jesus, diante de go-
visto que os judeus haviam montado vernadores e reis.
uma conspiração para pressionar o A reação do governador Festo,
governo a entregá-lo (At 23:12-15). diante das palavras de Paulo, foi cha-
Segundo o relato de Lucas, a cons- má-lo de louco. O rei Agripa, pelo
piração fracassou, uma vez que o co- contrário, afirmou quase ter sido
mandante transferiu Paulo da prisão convencido por Paulo. Diante da de-
de Jerusalém para a de Cesareia. Uma fesa do apóstolo, Festo, Agripa, sua
carta foi escrita pelo comandante esposa Berenice e outros que o ou-
Cláudio ao governador Félix, contan- viam, concluíram: Este homem nada
do da prisão do apóstolo e relatando tem feito passível de morte ou de
os acontecimentos (At 23:26-30). Em prisão (At 26:31).
Cesareia, foi afirmado que Paulo fica- Segundo o relato de Lucas, Paulo
ra preso por mais de dois anos, entre não foi solto somente por ter apela-
a transição dos governadores Félix e do ao tribunal de César (At 26:32).
Porcio Festo (At 24:22-27). Contudo, devemos lembrar que sua
Em Atos 25, temos várias acusa- ida a Roma seria para o bem do evan-
ções e a defesa de Paulo em resposta. gelho, como Jesus mesmo lhe havia
Os judeus queriam que ele fosse para dito: assim importa que também o
Jerusalém, a fim de o matar, mas Festo faças em Roma (At 23:11). Era a von-
decidiu que os judeus é que deveriam tade de Deus que ele testemunhasse
ir até Cesareia para participar do julga- na capital do Império Romano.
mento. Paulo respondeu as acusações Como aprendemos, tanto em Je-
diante do tribunal, e, tendo consciên- rusalém como em Cesareia, Paulo
cia de não haver cometido crime al- foi acusado falsamente de desvios
gum contra os judeus, apelou a Cesar, doutrinários. Contudo, não havia
a fim de ser julgado em Roma. contra ele acusação legítima. Ele era
Antes de Paulo ser enviado a inocente. Ainda assim, não deteve a
Roma, o governador Festo contou o mensagem, apesar de acusações e
caso ao rei Herodes Agripa II. Mais prisões injusta; antes, testemunhou
uma vez, o apóstolo apresentou sua nesses momentos com bravura e
defesa, agora não mais ao governa- autoridade. Ele estava preso, mas
dor, mas ao rei da Judeia (At 26). a mensagem, livre. Temos muito a
Paulo falou de sua conversão e de aprender com o exemplo de Paulo.
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01. O que indicavam as profecias a respeito da ida de Paulo a Jerusa-
lém? Leia At 21:4,11 e os dois primeiros parágrafos do item 1.

02. Quais eram as acusações contra Paulo por parte dos judeus?
Eram acusações falsas ou verdadeiras? Leia At 21:21,28-29 e os pará-
grafos 3 e 4 do item 1.

03. Comente com os alunos sobre a visão de Jesus a Paulo e a conspi-


ração dos judeus, enquanto ele permaneceu preso em Cesareia. Leia
At 23:11-25 e o item 2.

04. Qual foi a reação e a conclusão de Festo, do rei Agripa, de Bereni-


ce e dos outros presentes, ao ouvirem Paulo se defender das acusa-
ções dos judeus? Baseie-se em At 26:24, 28 e 31.

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Não podemos permitir que o futuro difícil que lhe fora revelado. A
sofrimento nos impeça de pregar reação do apóstolo, diante das pro-
evangelho. fecias, foi mostrar que estava pre-
O Espírito Santo estava na direção parado para sofrer e até morrer por
da vida de Paulo, mesmo diante do Cristo. Afinal, para ele, era uma hon-

72 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


ra sofrer por amor ao Senhor. Aque- apóstolo, o sofrimento não impedia
le que havia prendido muitos cristãos sua missão. Hoje, não podemos des-
agora estava sendo algemado pelo cartar o sofrimento da experiência
evangelho. Tudo isso, porém, estava cristã. Temos visto, em várias partes
nos planos de Deus; seus sofrimen- do mundo, pessoas morrendo por
tos não eram empecilhos ao avanço não negarem a fé. Como seguir a
do evangelho, mas o promoviam. Palavra de Deus é uma declaração
Enquanto alguns cristãos de hoje pública contra os valores do mundo,
não admitem passar por algum tipo isso gera perseguição. Se sofrermos,
de sofrimento, Paulo o encarou que seja por amor a Cristo e por fide-
como parte de sua missão. Para o lidade a sua Palavra!

05. Em sua opinião, por que alguns evangélicos dizem que o sofri-
mento não faz parte da vida cristã? Comente sobre a fé dos cristãos
que são presos em muitos lugares do mundo.

2. Não podemos permitir que o Se existe, em sua vida, algum fa-


desânimo nos impeça de pregar o tor de desânimo, Jesus está ao seu
evangelho. lado, a fim de que você cumpra a
Nada pode deter o evangelho; nem sua missão de pregar o evangelho.
as prisões! Se os judeus achavam que Certamente, haverá obstáculos:
suas acusações contra Paulo o desa- lutas, tribulações, perseguições
nimariam, estavam enganados, pois contra a fé; mas não desanime,
Deus era por ele. Nosso Senhor pe- pois Jesus está com você. Não há
diu-lhe ânimo, pois, apesar de todo adversidade que possa trancafiar
o cenário contrário, na verdade, tudo a poderosa mensagem do evange-
seria usado para a expansão da men- lho. Deus está conosco e, por isso,
sagem do evangelho. Jesus disse: Co- levaremos a Palavra até os confins
ragem! Pois do modo por que deste da Terra. A presença de Jesus com
testemunho a meu respeito em Jeru- a igreja vence qualquer desânimo.
salém, assim importa que também o Creia nisso!
faças em Roma. (At 23:11)

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06. Reflita com os demais alunos sobre como alguns obstáculos, às
vezes, nos impedem de cumprir a missão de levar o evangelho. O
que aprendemos com Paulo, nesse sentido?

DESAFIO MISSIONÁRIO

De Mileto a Jerusalém, Paulo e os que com ele viajaram esta-


vam certos, pelas profecias do Espírito, de que o apóstolo sofreria
muitos desafios até seu destino final. E foi o que aconteceu. Porém,
Paulo não se intimidou, diante dos sofrimentos, e foi animado pelo
Senhor para que vencesse os obstáculos e prosseguisse em cumprir
a vontade de Deus. Seu desafio, nesta semana, é orar por aqueles
que, pelo sofrimento, estão desanimados, para que recuperem o
ânimo e cumpram a missão.

74 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


12
17 DE SETEMBRO DE 2016
A difícil viagem
para Roma
Hinos sugeridos – Inicial: BJ 388 / HBJ 319 • Final: BJ 259 / HBJ 18

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ensinar ao estudante Depois de muito tempo, tendo-se tornado a
da Bíblia, por meio da
navegação perigosa, e já passado o tempo do
narrativa da viagem
atribulada de Paulo a Dia do Jejum, admoestava-os Paulo, dizendo-
Roma, que Deus cuida da lhes: Senhores, vejo que a viagem vai ser
missão e dos missionários, trabalhosa, com dano e muito prejuízo, não
fazendo que seus só da carga e do navio, mas também da
propósitos se concretizem.
nossa vida. (Atos 27:9-10)

LEITURA DIÁRIA
INTRODUÇÃO
D 11/09 At 25:1-12
S 12/09 At 25:13-27 Em Jerusalém, Paulo estava preso, mas de
T 13/09 At 26:1-18 forma injusta. As próprias autoridades confir-
Q 14/09 At 26:19-32
maram isso: Este homem nada tem feito pas-
Q 15/09 At 27:1-8
S 16/09 At 27:9-20
sível de morte ou de prisão (At 26:31b). Em
S 17/09 At 27:21-26 outras palavras, reconheceram que “a prega-
ção do evangelho de Cristo não era ameaça
ao Império Romano”.1 Paulo, porém, havia
apelado para César, e, então, foi enviado para
Roma. A viagem, entretanto, não seria tran-
quila. Como em outras ocasiões, a vida do
apóstolo novamente estaria em risco. O tre-
cho de Atos 27:1 a 28:10, no qual se baseará
a lição de hoje, mostra-nos como se deu essa
viagem atribulada e o cuidado de Deus para
Acesse os
Comentários Adicionais
com o apóstolo fiel.
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deste capítulo em
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1. Kistemaker (2006:548).

www.portaliap.com.br 75
I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS

Paulo, curiosamente, havia planeja- Para isso, ele instigou a tripulação ao


do ir até Roma em viagem missionária, ânimo: Portanto, senhores, tende bom
mas tinha sido possível (Rm 15:20-25). ânimo (At 27:25). Paulo deixou claro
Sonhava com essa viagem. Sabia que que a vida de toda a tripulação esta-
era plano de Deus e que um dia ela va nas mãos de Deus. Um anjo esteve
ocorreria. Só não sabia quando, nem com ele, dizendo-lhe: Não temas! (At
como. Agora, com outros presos, sob 27:24). No meio da tormenta, o cuida-
o comando do centurião Júlio, ele em- do de Deus nos encoraja à firmeza. Ele
barcava em direção a Roma (At 27:1). sempre tem o controle da situação.
Após passarem por Sidom, Cilícia, Pan- Paulo também incentivou a tripula-
fília, Mirra, e, finalmente, tendo chega- ção à união. Após quatorze dias à deri-
do a Creta, aportaram a embarcação va, refém da fúria do mar, a tripulação
num lugar chamado Bons Portos, onde avistou terra firme. Com medo de que
ficaram muitos dias. A essa altura, a via- os ventos lançassem o navio contra
gem já havia ficado perigosa, por causa lugares rochosos, algumas pessoas
dos fortes ventos. Mas o pior ainda es- tentaram fugir da embarcação. Paulo,
tava por vir. Uma grave tragédia teria então, avisou ao centurião: Se estes
acontecido, não fosse o cuidado de não permanecerem a bordo, vós não
Deus, que se manifestou de três manei- podereis salvar-vos (At 27:31). A união,
ras distintas, no percurso a Roma. nesse caso, era uma questão de vida ou
1. Um prisioneiro encorajador: morte. Ninguém poderia abandonar o
As condições do tempo não eram navio. Assim, a fuga foi impedida.
ideais para a navegação, e, apesar Paulo ainda motivou a tripulação
do conselho de Paulo, o centurião e à alimentação. Frente ao desespero,
os que comandavam o navio opta- há duas semanas ninguém conse-
ram por prosseguir viagem. Porém, guia comer nada.2 Paulo, então, dis-
não muito tempo depois, desenca- se: Eu vos rogo que comais alguma
deou-se, do lado da ilha, um tufão coisa (At 27:34). Após ter dado gra-
de vento, chamado Euroaquilão (At ças, Paulo partiu um pão e começou
27:14). A partir de então, o navio a comer, e os demais, encorajados
foi arrastado com violência, açoitado por sua atitude, fizeram o mesmo.
severamente pela tormenta, durante Como instrumento de Deus, Paulo
dias a fio (At 27:15-20). fez toda a diferença no navio.
Em meio ao caos, Paulo é usado por
Deus como instrumento encorajador. 2. Lopes (2012:497).

76 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


2. Um livramento oportuno: terra seca nadando ou agarrando-se
Deus pode nos livrar da tormenta e em tábuas ou em destroços do navio.
do perigo, mas, muitas vezes, ele nos Deus lhes deu livramento.
livra em meio à tormenta e ao peri- Em terceiro lugar, Deus livrou Pau-
go. No caso de Paulo, no percurso a lo da morte por envenenamento. To-
Roma, ocorreu a segunda alternati- dos estavam a salvo, em terra firme,
va. O cuidado de Deus para com a quando, ao jogar Paulo gravetos para
missão e para com o fiel missionário reforçar a fogueira, uma víbora lhe
percebe-se por meio do livramento mordeu a mão (At 28:3). A sua morte
da morte em três situações distintas. seria questão de tempo. Alguns diziam:
Em primeiro lugar, Deus livrou Pau- ... este homem é um assassino, porque,
lo da morte por naufrágio: E foi assim salvo do mar, a justiça não o deixa viver
que todos se salvaram em terra (At (At 28:4). Mas Paulo, sacudindo o réptil
27:44). Durante muitos dias, a tripu- no fogo, não sofreu mal nenhum (At
lação teve de encarar o medo, a dor, 28:5). Ele foi mordido, mas quem mor-
o desespero. O navio em que estava reu foi a víbora! Assim, Deus, mais uma
foi castigado pela tormenta. Para ali- vez, cuidou de seu mensageiro.
viar a embarcação e salvar as próprias 3. Um propósito inabalável: Na
vidas, os tripulantes tiveram de lançar difícil viagem a Roma, o cuidado de
ao mar os seus bens, de modo que Deus se manifestou por meio de um
houve “grande prejuízo e enormes prisioneiro encorajador, de um livra-
perdas financeiras”.3 Mas nenhuma mento oportuno e, conforme veremos,
vida foi ceifada. Deus livrou da morte através de um propósito inabalável. Sa-
Paulo e o restante da tripulação. bemos que nem sempre Deus livra os
Em segundo lugar, Deus livrou missionários da morte. Muitos morrem
Paulo da morte por execução. Ao en- por causa de Cristo. Paulo mesmo sa-
calhar o navio na ilha de Malta, os sol- bia que isso poderia acontecer consigo
dados queriam matar os prisioneiros, (At 21:4,10-14), e, de fato, aconteceu,
a fim de que não fugissem nadando anos mais tarde. Contudo, todos os
(At 27:42). A lei romana determinava que se entregam nas mãos de Deus
que “se um preso fugisse o guarda para uma missão veem cumprir-se em
responsável por ele responderia com suas vidas os propósitos divinos.
sua vida”.4 Mas o centurião os impe- Nesse sentido, nada poderia impe-
diu, porque queria salvar Paulo. Por dir Paulo de chegar a Roma. Deus o
isso, ordenou que todos chegassem à queria lá. O anjo lhe havia dito: Paulo,
não temas! É preciso que compareças
3. Ibidem, p.495. perante César (At 27:24). Nada pode
4. Coelho Filho (2009:180). impedir os propósitos soberanos de

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Deus. Os planos do Senhor não po- navio quanto aos perigos do tempo.
dem ser frustrados. O propósito ina- E ele tinha razão em sua observação.
balável de Deus garantiu às duzentas Nos tempos antigos, era contraindi-
e setenta e seis pessoas do navio che- cado navegar em alto-mar, naquele
garem sãs e salvas ao destino final. período de inverno.5 Paulo, porém,
Esse episódio inquietante da viagem não foi ouvido. A imprudência dos
a Roma ensina-nos duas lições impor- líderes da viagem falou mais alto.
tantes sobre o propósito divino. Não se deve tentar a Deus. Não
A primeira lição é que a imprevi- é inteligente a atitude de cruzar o
sibilidade não pode frustrar o pro- sinal, quando ele se mostra verme-
pósito divino. Os comandantes do lho. A imprudência também mata
navio não previam grande tormenta. e pode interromper os planos de
O vento soprava levemente, e eles, muita gente. Mas não os de Deus. A
pensando ter alcançado o que dese- imprudência causou muitos prejuí-
javam, levantaram âncora (At 27:13). zos, mas as pessoas foram livres da
Mas o imprevisto logo ocorreu. A morte. No caminho, muitos foram
tempestade os levou à ilha de Malta, evangelizados e curados, e Paulo,
onde, por meio de Paulo, Deus tor- por sua vez, chegou a Roma com
nou conhecido o seu evangelho às vida. Deus cuida da missão e dos
pessoas que lá residiam (At 28:7-10). missionários. Essa importante lição
O propósito divino prevaleceu. aprendemos neste estudo. Vamos,
A segunda lição é que a imprudên- portanto, às aplicações.
cia não pode frustrar o propósito divi-
no. Paulo advertiu os condutores do 5. Lopes, op. cit., p.491.

01. Leia At 26:31-32, 27:1-8; Rm 16:20-25; os parágrafos de intro-


dução, e responda: Em que circunstâncias Paulo embarcou naquela
viagem para Roma? Estava nos planos de Deus aquela viagem?

02. De que maneira Paulo foi usado por Deus como instrumento
encorajador, durante a difícil viagem para Roma? Recorra ao item 1 e
a At 27:13-25, 29-36.

78 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


03. Após ler Atos 27:42-44, 28:3-5 e o item 2, fale sobre as três situa-
ções distintas de livramento em que se nota o cuidado de Deus na
vida de Paulo.

04. A imprevisibilidade e a imprudência dos comandantes do navio


puderam frustrar o propósito divino? Responda, com base no item 3
e em At 27:9-14, 24.

II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. Na tormenta, devemos con- frágio, execução e envenenamento.


fiar em Deus. Às vezes, a missão de Deus nos
Em meio à tormenta, Paulo de- colocará em condições adversas. O
monstra confiança em Deus. As- centro da sua vontade é o melhor lu-
sim disse ele: ... eu confio em Deus gar para vivermos, mas não é o mais
que sucederá do modo por que me fácil e atraente. Haverá situações em
foi dito (At 27:25). Paulo sabia que que teremos de cumprir a missão
chegaria a salvo em Roma, porque o divina em meio aos uivos de lobos
anjo já lhe havia dito: Paulo, não te- vorazes (Mt 10:16) ou dentro de
mas! É preciso que compareças pe- uma embarcação descontrolada pela
rante César (At 27:24). As palavras violência de um mar em fúria. Seja
do Senhor são fiéis e verdadeiras (Ap como for, Deus estará no controle de
22:6). Delas não se deve duvidar. todas as coisas. Aliás, todas as coisas
Deus cumpriu sua palavra para com cooperam para o bem daqueles que
Paulo, livrando-o da morte por nau- amam a ele (Rm 8:28).

05. Por que a narrativa da difícil viagem para Roma nos estimula à
confiança em Deus? Responda, com base na primeira aplicação.

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2. Na tormenta, devemos ser- Não podemos usar a crise como
vir a Deus. desculpa para a ociosidade, a pas-
Em meio à tormenta, Paulo traba- sividade e a omissão. As tormen-
lhou para Deus. O anjo lhe avisou que tas não nos eximem das nossas
chegaria a salvo ao seu destino, mas responsabilidades para com aquilo
também o incumbiu de cuidar dos de- que o Senhor nos confiou. Portan-
mais tripulantes: ... e eis que Deus, por to, ainda que estejamos passando
sua graça, te deu todos quantos nave- por sérias dificuldades e vivendo
gam contigo (At 27:24). Por isso, o fiel sob ameaça e castigo de fortes ven-
apóstolo encorajou a tripulação a ter tos advindos de todas as direções,
bom ânimo, a permanecer unida e a se continuemos fazendo o nosso me-
alimentar. Ali, Cristo estava sendo tes- lhor para o desenvolvimento e o
temunhado por sua vida. As coisas não cumprimento da missão divina. O
estavam fáceis, mas Paulo não fugiu de mesmo Deus que cuida de nós em
suas responsabilidades, e, em meios às situações difíceis confirmará a obra
tormentas, o evangelho foi anunciado. das nossas mãos (Sl 90:17).

06. O encorajamento e o testemunho de Paulo em meio à tormenta


o estimula a trabalhar para Deus? Por quê?

DESAFIO MISSIONÁRIO

Chegamos ao final de mais um importante estudo desta série


de lições. Hoje, vimos que, na difícil viagem a Roma, Deus cuidou
de Paulo e de toda a tripulação, com encorajamento, livramen-
to e propósito. Como desafio, que tal pedirmos a Deus que nos
use para encorajar as pessoas em meio às dificuldades? Se você
conhece alguém que precisa de uma palavra de conselho ou de
ânimo, proponha-se a ajudá-la; encoraje-a a passar pela tormenta
com confiança em Deus.

80 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


Projeto

Sábado

Estudo especial

www.portaliap.com.br 81
13
24 DE SETEMBRO DE 2016
A história
precisa continuar
Hinos sugeridos – Inicial: HBJ 156 • Final: BJ 317 / HBJ 309

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ajudar o estudante da Por dois anos, permaneceu Paulo na sua
Bíblia a olhar para os
própria casa, que alugara, onde recebia todos
últimos versículos de
Atos e refletir sobre a que o procuravam, pregando o reino de Deus,
ida de Paulo a Roma, sua e, com toda a intrepidez, sem impedimento
chegada à cidade, algum, ensinava as coisas referentes ao
o ensino em sua casa Senhor Jesus Cristo. (At 28:30-31)
e a relação disso com
a história da igreja
na atualidade.
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, o Espírito Santo nos aju-
LEITURA DIÁRIA dou a entender um pouco mais o livro de
D 18/09 At 27:27-38 Atos dos Apóstolos. Vimos Lucas, que era
S 19/09 At 27:39-44 médico, escritor e historiador, descrever,
T 20/09 At 28:1-6 com detalhes impressionantes, os primeiros
Q 21/09 At 28:7-15
anos da história da igreja. Na lição de hoje,
Q 22/09 At 28:16-22
S 23/09 At 28:23-28
analisaremos o último capítulo deste relato,
S 24/09 At 28:30-31 que trata da chegada de Paulo à capital do
Império Romano e descreve o seu trabalho
ali. O fato curioso é que o livro parece termi-
nar sem a conclusão, sugerindo que a história
ainda tinha uma continuidade, como se ou-
tros capítulos precisassem ser escritos.

I CONHECENDO O LIVRO DE ATOS


Acesse os
Comentários Adicionais
e os Podcasts O texto que estudaremos nesta última lição
deste capítulo em
www.portaliap.com.br da série é Atos 28:11-31. Nele, vemos que,
após o naufrágio, Paulo e os demais ficaram na

82 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


Ilha de Malta, por três meses; depois, pais. Ao que parece, ele não tinha ne-
partiram em outro navio para o des- cessidade de se explicar aos judeus.
tino final, que era Roma. O detalhista Provavelmente, estava criando opor-
Lucas descreve a rota até a chega- tunidades para pregar o evangelho.
da à capital, passando por Siracusa, Ao se explicar aos seus compatrio-
Régio e Putéoli, onde foram recep- tas, Paulo fez questão de afirmar que,
cionados por alguns irmãos; depois, se dependesse dos romanos, já esta-
passou em Três Vendas e em Praça ria livre. O apóstolo se justifica assim:
de Ápio, que ficava 16 km de Roma. ... por não haver em mim nenhum
Nessas duas últimas cidades, Paulo crime passível de morte (At 28:18).
também foi animado pela presença Não havia razão para ele estar naque-
dos cristãos. Ao chegar a Roma, o la situação. Nenhuma prova criminal
que aconteceu com o apóstolo? É o foi achada contra Paulo. Contudo,
que veremos a seguir. ele esclarece que, devido à dura opo-
1. O prisioneiro da esperança: sição judaica em Jerusalém, precisou
É preciso lembrar que Paulo era um apelar para uma instância maior.
réu-prisioneiro e que estava em Roma Não houve nenhuma “delação”
para ser julgado por César. De acordo capaz de dar provas reais de seu apri-
com Atos 28:16, ao chegar a Roma, sionamento; mas o próprio apóstolo
o centurião entregou os presos ao ge- declarou a razão de sua prisão diante
neral do exército; contudo, o apóstolo daqueles judeus: ... porque pela espe-
teve um tratamento diferente: pôde rança de Israel estou com esta cadeia.
alugar uma casa e ficar numa espécie (At 28:20). Ele lhes declarou que o
de prisão domiciliar, aguardando a au- motivo de sua prisão foi sua fé. Paulo
diência. Ainda assim, vale perguntar: era prisioneiro de sua esperança e es-
Por que Paulo estava preso? Desde tava disposto a morrer por essa causa.
que começaram as perseguições por 2. Uma exposição do evange-
parte dos judeus ao seu ministério, lho: Os judeus que ouviram as ex-
ele era procurado por causa de con- plicações reagiram afirmando que
vicções, não por ter cometido crimes. nada sabiam sobre os fatos relata-
Paulo gastou algum tempo expli- dos. Contudo, disseram que tinham
cando a razão de sua prisão. Depois ouvido falar mal da igreja, como sen-
de três dias da chegada de sua longa do uma seita combatida em todos os
viagem de Malta até Roma, convocou lugares do império. Paulo não per-
os principais judeus para prestar-lhes deu a oportunidade e marcou uma
esclarecimentos em sua casa. Disse data com eles, para apresentar-lhes
que não havia praticado nada contra o evangelho e mostrar-lhes o que
o povo ou contra os costumes dos estava por trás da história da igreja.

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No dia marcado, a casa em que com trombetas soando, mas é um
Paulo residia ficou lotada pela gran- final vitorioso”.1 Depois de tantos fa-
de quantidade de judeus que foram tos grandiosos e emocionantes nesse
ouvi-lo. Aquele foi um grande dia. O livro histórico, destaquemos dois de-
apóstolo começou a falar de manhã talhes do seu encerramento.
e foi até a tarde. O conteúdo de sua Em primeiro lugar, vemos o ponto
conversa foi o seguinte: ... fez uma ex- de pregação de Paulo. Ele estava em
posição em testemunho do reino de prisão domiciliar. No Império Romano,
Deus, procurando persuadi-los a res- essa prisão era chamada de custodia
peito de Jesus, tanto pela lei de Moi- militaris. O preso tinha de arranjar
sés como pelos profetas (At 28:23). uma residência e manter-se financei-
Você consegue imaginar quão ramente; era vigiado por um soldado,
excelente foi aquela aula ministrada que tinha seu braço esquerdo ligado
por Paulo? Ele expôs o conteúdo do por uma corrente ao braço direito
evangelho, falando sobre o coman- do preso.2 Foi assim que Paulo viveu
do de Deus sobre todas as coisas, aqueles dois anos em Roma. Sua casa
provando que Jesus era o messias tornou-se uma espécie de ponto de
aguardado e mostrando que o Anti- pregação, em que ele recebia as pes-
go Testamento é base para essa cer- soas para falar do evangelho.
teza. Suas afirmações geraram a fé Em segundo lugar, vemos o mé-
em alguns, mas muitos não creram. todo de pregação de Paulo. O tex-
Para os incrédulos e discordantes, o to nos explica qual era o conteúdo
apóstolo citou Isaías 6:9-10. Uma par- de sua pregação e a sua maneira de
te deste texto tem seguinte afirmação: pregar. Está registrado assim, na pa-
De ouvido, ouvireis e de maneira ne- lavra de Deus: Ele anunciava o Reino
nhuma entendereis; e, vendo, vereis e de Deus e ensinava a respeito do Se-
de maneira nenhuma percebereis (At nhor Jesus Cristo, falando com toda
28:28). Paulo concluiu a explanação, a coragem e liberdade (At 28:31).
falando aos judeus descrentes que, O final do livro não é sem sentido.
embora estes não acreditassem, os Além desses dois detalhes do texto,
gentios creriam no evangelho. há outro que pode passar desper-
3. Que fim de história é esse?: É cebido: foi daquele lugar que Paulo
possível que alguém diga que o livro escreveu algumas de suas cartas. En-
de Atos dos Apóstolos tem um fecha- quanto estava preso, a Bíblia estava
mento parecido com aqueles filmes sendo escrita.
que nos agitam desde o início, mas
cujo final deixa a desejar. Impressão 1. Coelho Filho (2009:189).
errada: “Não é um final estrondoso, 2. Ibidem, p.187.

84 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


Atos mostra que o cristianismo porque ela ainda não terminou. O
foi da palestina até Roma, confor- final de Atos é uma deixa para a
me as ordens de Jesus, chegando continuidade da missão. A igreja do
até os confins da Terra (At 1:8). primeiro século fez a parte que lhe
Contudo, obviamente, o livro não coube; a igreja atual tem o dever de
apresenta a conclusão da história, continuar essa história.

01. Leia At 28:11-16 e responda: Como foi a viagem de Malta até


Roma? O que aconteceu com Paulo, assim que chegou à capital do
Império? O que mais o chama à atenção nesse texto?

02. Em At 28:17-20, vemos que a primeira providência de Paulo em


Roma foi chamar os principais dos judeus. Ele precisava mesmo se
explicar a eles? Quais foram seus argumentos de defesa? Por que
Paulo se considerava um prisioneiro da esperança?

03. Com base At 28:21-29 e no item 2, responda: Que estratégia Pau-


lo usou para pregar o evangelho aos judeus de Roma?

04. Leia At 28:30-31; o item 3, e responda: O que podemos falar


sobre o fechamento do livro de Atos? Que detalhes merecem desta-
que? O livro termina sem conclusão. O que isso nos ensina?

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II VIVENCIANDO O LIVRO DE ATOS

1. A história precisa continuar; Hoje, os cristãos continuam sen-


então, supere os obstáculos! do perseguidos, e, por isso, enfren-
Quantas perseguições enfrentadas tam obstáculos no mundo todo. Po-
pela igreja primitiva! Apesar de tan- rém, com a graça de Deus, a igreja
tas barreiras, ela venceu, pelo poder deve corajosamente testemunhar
de Deus, e cumpriu sua missão. En- sua fé, por meio da Palavra. Não
quanto saía de um lugar para outro, tenhamos medo de leis contra os
sendo perseguida, pregava, e, assim, princípios cristãos; não tenhamos
espalhava a Palavra (At 8:4). Paulo medo dos levantes contra a igreja
considerava suas prisões como con- do Senhor; não há barreira que pare
sequências de sua fé em Jesus. En- a comunidade de Cristo; nada pode
tretanto, elas não serviam de impedi- conter a voz da igreja. Ela deve con-
mento ao testemunho do evangelho. tinuar sua missão.

05. Em sua reflexão pessoal, o que hoje tem mais servido de obstáculo
ao cristianismo e como superar isso?

2. A história precisa continuar; continuar a história cristã, sem abrir


então, proclame o evangelho! mão do bom e velho evangelho.
Diante de tantos obstáculos, a Se quisermos escrever o “Atos 29”,
igreja primitiva não abriu mão da devemos ser fiéis à confissão e às prá-
mensagem bíblica, cristocêntrica, ticas das Escrituras Sagradas. Devemos
conduzida pelo Espírito, autentica- pregar em tempo e fora de tempo (2
da por sinais e maravilhas e cheia de Tm 2:2). Vamos nos envolver? Os capí-
boas obras. Eram pregações e ensi- tulos da história ainda estão sendo es-
namentos bíblicos e vivência prática critos pela igreja, por cada um de nós;
(At 2:42-47). Os cristãos do primeiro ainda precisamos chegar àqueles que
século andaram por todo lugar pre- ainda não foram alcançados, do outro
gando e vivendo o evangelho. Foi lado do mundo ou do outro lado da
isso que Lucas escreveu no capítulo rua, numa tribo, numa ilha ou no escri-
final de Atos, mostrando Paulo en- tório, na faculdade, no bairro etc. Va-
sinando (At 28:31). Nossa missão é mos! Compartilhemos o evangelho!

86 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


06. O que o tem impedido de pregar o evangelho? De que maneira
você tem contribuído para que novos capítulos da história da igreja
sejam escritos?

DESAFIO MISSIONÁRIO

Chegamos ao fim da série que mostrou uma igreja avivada


em missão. Foram três meses aprendendo, meditando, vivendo e
ensinando sobre a necessidade que temos de, cheios do Espírito,
cumprir nossa missão. Nesta última lição, fomos convocados a
ser protagonistas da história da igreja, dispondo-nos à missão do
anúncio do evangelho. Nosso desafio missionário é, à semelhança
de Paulo, abrirmos nossas casas para um estudo bíblico ou um pe-
queno grupo, a fim de que pessoas sejam salvas. Essa é uma for-
ma de contribuirmos na continuidade da história da igreja cristã.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Apresentação
GONZÁLEZ, Justo L. Atos, o evangelho do Espírito Santo. Tradução de Lena
Aranha. São Paulo: Hagnos 2011.
GUNDRY, Robert Horton. Panorama do Novo Testamento. 3.ed. Tradução de
João Marques Bentes et al. São Paulo: Vida Nova, 2008.
HARPER, A. F. et al. Comentário Bíblico Beacon: João a Atos, Volume 7. Tra-
dução de Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito na vida da igreja. São Paulo:
Hagnos, 2012.
STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: até os confins da terra. 2 ed. Tra-
dução de Marcos André Hediger. São Paulo: ABU, 2008.
WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento: vol. 1.
Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006.

Lição 1
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito na vida da igreja. São Paulo:
Hagnos, 2012.
KISTEMAKER, Simon. Atos: volume 1. Tradução de Ézia Mullins e Neuza Ba-
tista da Silva. São Paulo: Cultura Cristã, 2016.
STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: até os confins da terra. 2 ed. Tra-
dução de Marcos André Hediger. São Paulo: ABU, 2008.
WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento: vol. 1.
Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006.

LIÇÃO 2
MARSHALL, I. Howard. Atos: introdução e comentário. Tradução de Gordon
Chown. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982.
BOOR, Werner de. Atos dos apóstolos: comentário esperança. Tradução de
Werner Fuchs. Curitiba: Esperança, 2002.

88 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016


STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: até os confins da terra. 2 ed. Tra-
dução de Marcos André Hediger. São Paulo: ABU, 2008.
GONZÁLEZ, Justo L. Atos: o evangelho do Espírito Santo. Tradução de Lena
Aranha. São Paulo: Hagnos 2011.
MACDONALD, William. Comentário bíblico popular: Novo Testamento. Tra-
dução de Alfred Poland et al. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.
Comentário do Novo Testamento: Aplicação pessoal: vol. 1. Tradução de
Degmar Ribas. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

Lição 3
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito na vida da igreja. São Paulo:
Hagnos, 2012.
KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento: Atos. Vol.1. Tradu-
ção de Ézia Mullins e Neuza Batista da Silva. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário histórico-cultural do Novo Testamento.
3 ed. Tradução de Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

Lição 4
BOOR, Werner de. Atos dos apóstolos. Tradução de Werner Fuchs. Curitiba:
Esperança, 2002.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado versículo por
versículo: vol. 3. São Paulo: Hagnos, 2002.
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São
Paulo: Hagnos, 2012.

Lição 5
MARSHALL, I. Howard. Atos: introdução e comentário. Tradução de Gordon
Chown. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1991.
TOGNINI, Enéas. Geografia da Terra Santa e das terras bíblicas. São Paulo:
Hagnos, 2009.

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MACDONALD, William. Comentário bíblico popular: Novo Testamento. Tra-
dução de Alfred Poland et al. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

Lição 6
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São
Paulo: Hagnos, 2012.
Comentário do Novo Testamento: aplicação pessoal: vol. 1. Tradução de Deg-
mar Ribas. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento: volu-
me 1. Santo André: Geográfica, 2006.

Lição 7
MARSHALL, I. Howard. Atos: introdução e comentário. Tradução de Gordon
Chown. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982.
STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: até os confins da Terra. 2 ed. Tra-
dução de Marcos André Hediger. São Paulo: ABU, 2008.
O DOUTRINAL: Nossa crença ponto a ponto. 10 ed. São Paulo: GEVEC, 2012.

Lição 8
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito na vida da igreja. São Paulo:
Hagnos, 2012.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário histórico-cultural do Novo Testamento.
3 ed. Tradução de Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Atos dos Apóstolos: de Jerusalém a Roma.
Rio de Janeiro: Juerp, 2009.

Lição 9
LOPES, Hernandes Dias Lopes. Atos: A ação do Espírito Santo na igreja. São
Paulo: Hagnos, 2012.
90 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2016
STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: até os confins da Terra. 2 ed. Tra-
dução de Marcos André Hediger. São Paulo: ABU, 2008.

Lição 10
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São
Paulo: Hagnos, 2012.
WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento: volu-
me 1. Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006.

Lição 11
MARSHALL, I. Howard. Atos: introdução e comentário. Tradução de Gordon
Chown. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1991.
WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento,
vol. 2. Tradução de Susana E. klassen. Santo André: Geográfica, 2006.
MACDONALD, William. Comentário bíblico popular: Novo Testamento. Tra-
dução de Alfred Poland et al. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

Lição 12
COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Atos dos Apóstolos: de Jerusalém a Roma.
Rio de Janeiro: Juerp, 2009.
KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento: Atos: vol. 1. Tradu-
ção de Ézia Mullins e Neuza Batista da Silva. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito na vida da igreja. São Paulo:
Hagnos, 2012.

Lição 13
COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Atos dos Apóstolos: de Jerusalém a Roma.
Rio de Janeiro: Juerp, 2009.

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