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Como já tínhamos estudado, quando a humanidade pecou através de Adão (Rm 5:12-19),

estava perdida em seus pecados e delitos (Ef 2:5), totalmente corrompida e depravada pelo pecado
(Gn 6:5,11-12; Mt 15:19-20; Mc 7:21-23; Rm 8:6-8), separada de Deus (Is 59:2), nasceu pecadora (Sl
51:5; Is 48:8; Jr 13:23, 17:9; Rm 1:18-21, 3:9-12, 3:19-24, 5:12-21; Ef 2:1-3), estava sob o juízo de
Deus e merecia a condenação eterna (Rm 1:18-32, 3:10-12,23). A humanidade estava completamente
perdida e não havia como buscar a Deus por causa da escravidão do pecado.

Porém, não foi da vontade de Deus deixar toda a humanidade ser condenada eternamente.
Desde a eternidade, antes da fundação do mundo, Deus escolheu muitas pessoas (Rm 8:28-30, Ef 1:3-
6, 2Ts 2:13-14, 1Pe 1:1-2). Deus escolheu muitas pessoas não porque previu méritos ou que iriam
crer no Evangelho, até porque os escolhidos de Deus mereciam a mesma condenação eterna dos
demais e, também porque o homem natural não pode buscar a Deus com suas próprias forças. Deus
escolheu muitas pessoas para salvar de Sua própria ira por causa da Sua vontade, do Seu amor e da
misericórdia (Is 45:4; Rm 9:11-16; Ef 1:3-6, 2:4-10; Tt 2:11-14).

A estas pessoas que Deus estendeu a Sua misericórdia, Ele providenciou um meio de
salvação, da condenação eterna, através do sacrifício de Jesus Cristo. Aquelas pessoas que o Pai
intencionou salvar antes da fundação do mundo, Ele enviou o Seu Filho para pagar a penalidade seus
pecados, justificar e redimir. O profeta Isaías declarou sobre a missão de Jesus Cristo: ‘’meu servo, o
justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si’’ (Is 53:11). Quando o Filho
tomou a forma humana, foi-lhe dado o nome de Jesus, ‘’porque ele salvará o seu povo de seus
pecados’’ (Mt 1:21). Simeão, ao tomar o menino Jesus em seus braços, disse: ‘’luz para revelação aos
gentios e para a glória de Israel, teu povo’’ (Lc 2:32). Na última ceia pascoal com os seus discípulos,
ele explicou o propósito da Nova Aliança, firmada através de seu sangue: ‘’isto é o meu sangue, o
sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos para a remissão de pecados’’ (Mt 26:28). O
propósito de Cristo era morrer apenas em favor dos eleitos, ‘’para servir e dar a sua vida em resgate
por muitos’’ (Mt 20:28, Mc 10:45) e ‘’para tirar os pecados de muitos’’ (Hb 9:28).

Depois de serem eleitas pelo Pai antes da fundação do mundo, redimidas por Cristo através
de seu sangue, estas pessoas são chamadas e regeneradas pela ação do Espírito Santo (Jo 1:13, 3:5-7,
16:7-8; Rm 8:29-31; 1Co 1:23-24; 2Ts 2:13-14; Tt 3:4-5). Desta forma, o Espírito Santo dá condições
para o eleito ter fé na obra de Cristo e ser salvo (Mc 16:15-16; Jo 3:16-17, 17:20-21; Rm 1:16; Ef 8-9).
Não apenas isso, a Bíblia também atesta que somente os escolhidos pelo Pai e redimidos por Cristo
atenderão à chamada do Espírito Santo, enquanto os demais rejeitarão o convite do Evangelho (Jo
6:35-37, 44-45, 10:26-27; Rm 8:28-39; Ef 1:1-14; Gl 1:15; 2Ts 2:13-14; 2Tm 1:9; 1Pe 1:18-21). Sobre
isso, a Bíblia atesta claramente: ‘’Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim, de modo nenhum o
lançarei fora’’ (Jo 6:37), ‘’Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer’’ (Jo 6:44).
Jesus orou antes de ser traído por Judas: ‘’não rogo pelo mundo, mas por aqueles que tens me dado,
porque são teus’’ (Jo 17:9). O apóstolo Paulo confirma a salvação aos escolhidos pelo Pai e redimidos
pelo Filho: ‘’Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem
os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu’’ (Rm 8:33-34).

A morte de Jesus não foi por um grupo hipotético, mas por pessoas escolhidas e conhecidas
individualmente pelo Pai (Jo 8:54-55, 10:15-16, 10:26-27, 13:18; 1Co 8:2-3; 2Tm 2:19; 1Cl 1:27; 1Pe
1:2). Por outro lado, as pessoas não escolhidas pelo Pai e redimidas pelo Filho não são conhecidas
(Mt 7:23). Isto não contradiz o atributo da onisciência, que pertence à Deus (2Cr 16:9; Jó 28:24; Sl
139:1,2,16; Is 42:8-9, 46:9-10; Mt 10:29-30), Ele sabe de todas as coisas (Hb 4:13). O ato de conhecer
nestas passagens bíblicas está ligado à relacionamento íntimo, comunhão com Deus. Ou seja, todas as
pessoas que o Pai escolheu, Ele conhece cada uma delas e tem um relacionamento íntimo. Na
parábola do Bom Pastor, Jesus afirma porque os judeus não creem em seu nome: ‘’Mas vocês não
creem, porque não são minhas ovelhas’’ (Jo 10:26). Após a morte física, Jesus dirá aos falsos cristãos:
‘’Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam a iniquidade (Mt 7:23). Por outro lado, às
pessoas eleitas e conhecidas, Jesus afirma: ‘’As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e
elas me seguem’’ (Jo 10:27). Mais uma vez, as Escrituras afirmam que Jesus morreu apenas em favor
dos eleitos de Deus.

Enquanto que a expiação foi totalmente eficaz apenas para os eleitos de Deus, o propósito da
expiação é reunir os redimidos individualmente para formar o povo de Deus (Jo 11:50-52; Ef 1:3-6;
Hb 4:9-10; Tt 2:14; 1Pe 1:1-2, 2:9-10; Ap 5:9). Dentre toda a raça humana caída e perdida em seus
pecados e delitos, sem condições de crer em Deus por suas próprias forças, Deus separou para Si ‘’um
povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras’’ (Tt 2:14). Foi por este povo escolhido por Deus que
Cristo pagou a pena de seus pecados (Mt 1:21). Enquanto que pela desobediência de Adão, todos se
tornaram pecadores e merecedores da condenação eterna, Cristo desfez os estragos causados pelo
pecado e redimiu o povo de Deus, o qual foi constituído como uma segunda raça (Rm 5:17). Vejamos
o que dizem as Escrituras: ‘’Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo
exclusivo de Deus’’ (1Pe 2:9), ‘’povo escolhido de Deus, santo e amado’’ (Cl 3:12). Finalmente, este
povo que Deus escolheu e o Filho redimiu, constitui a igreja (Mt 16:18, At 20:28, Ef 5:25-27). Assim, a
obra expiatória de Cristo tem todo o mundo como seu alcance. Porém, não salva literalmente todas as
pessoas, apenas os eleitos espalhados pelo mundo.

Desta maneira, o sentido da palavra ‘’mundo’’, ‘’todos os homens’’, ‘’todas as nações’’, ‘’toda
criatura’’ é em termo sociológico, em que Deus quer salvar pessoas de todas as ‘’tribos, línguas, povos
e nações’’ (Mc 15:16; Jo 10:15-16; At 1:8, 10:34-35, 11:51-52, 15:7-9, 26:23; Rm 1:16-17; Gl 3:28-29;
Cl 3:11-12; 1Pe 1:1-2, 2:9-10; Ap 5:9). Expressões que parecem apontar Jesus morrendo por todos os
homens, foram usadas pelos escritores do NT para corrigir a falsa ideia que Cristo morreu apenas em
favor dos judeus. Um exemplo bem comum é a passagem de At 10:34-35: ‘’Deus não faz acepção de
pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo’’.
Outro trecho bíblico que refuta a ideia da salvação somente aos judeus é o de Gl 3:28: ‘’Não há judeu
nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus’’. E, por último,
é necessário citar o trecho de Ap 5:9: ‘’pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus gente
de toda tribo, língua, povo e nação’’. Portanto, Cristo expiou os pecados de todos os tipos de homens,
de todos os lugares da terra, sem distinção alguma, os quais constituem o povo de Deus.

Por outro lado, as passagens bíblicas que contém a palavra ‘’mundo’’, forem consideradas
como se Cristo tivesse morrido literalmente por todas as pessoas do mundo, teremos sérios
problemas de interpretação e incoerência nas Escrituras. Primeiro lugar, se a palavra ‘’mundo’’
sempre for interpretada literalmente por todas as pessoas, então surgem contradições na Bíblia. A
Bíblia diz: ‘’Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’’ (Jo 1:29), ‘’Deus estava em Cristo
reconciliando o mundo’’ (2Co 5:19). Desta forma, ao considerarmos a palavra ‘’mundo’’ como se fosse
‘’todas as pessoas’’, Jesus Cristo teria morrido, pago a penalidade do pecado, justificado e
reconciliado a Deus todas as pessoas do mundo. Ou seja, o inferno estaria vazio. Até mesmo o pecado
da incredulidade seria pago por Jesus. Segundo lugar, a Bíblia diz ‘’o mundo todo está sob o poder do
Maligno’’ (1Jo 5:19). Portanto, de acordo com esta passagem, todas as pessoas estariam condenadas
e a obra de Cristo seria em vão. Terceiro lugar, ao afirmar que Jesus Cristo morreu por pessoas que
não creriam em seu nome e seriam condenadas por rejeitá-lo, isso implica em dizer que Jesus Cristo
derramou seu sangue em vão e que não teve poder suficiente para salvar estas pessoas, ou seja, sua
obra foi insuficiente. Ou seja, estas conclusões levantadas por uma suposta morte por todas as
pessoas contradizem o que ensinam as Escrituras: Mt 1:21, 7:23; Jo 10:26-27, 17:9; At 20:28; Rm
8:28-39; Ef 5:25-27; Tt 2:14; 1Pe 2:9. Portanto, a única conclusão que está de acordo com as
Escrituras, é que Jesus Cristo morreu por todas as pessoas que o Pai lhe deu, isto é, os escolhidos de
Deus. Para o povo de Deus, a expiação foi plenamente eficaz e garantiu para sempre a salvação. Esta
doutrina é chamada de expiação limitada ou redenção definida.

Este povo que o Pai separou para Si, herdou todas as bênçãos da salvação por meio da morte
de Jesus. Ao ser justificado, propiciado, reconciliado e redimido a Deus por meio de Jesus Cristo, com
todos os seus pecados pagos, este povo tem a certeza da salvação por meio de Jesus Cristo (Jo 6:39-
40, 10:27-29, 17:12; 2Tm 1:12) e o Espírito Santo opera no coração dos eleitos todos os dias (Rm
8:28-39; 1Co 1:8, 6:19; 1Pe 1:1-9, 5:10; 1Jo 3:24). Jesus declarou aos seus discípulos e aos judeus: ‘’E
esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu’’ (Jo 6:39). Na
parábola do bom pastor, ele falou sobre as suas ovelhas, isto é, os eleitos de Deus redimidos no seu
sangue: ‘’Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha
mão’’ (Jo 10:28). E, por último, o texto glorioso de Rm 8:38-39: ‘’Porque eu estou bem certo de quem
nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do
porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá
separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor’’. Portanto, todos aqueles que o
Pai intencionou salvar, Jesus Cristo expiou os pecados eficazmente e o Espírito Santo regenera e
persevera pela salvação do povo de Deus até o fim.

E, por último, a obra de Cristo na cruz é perfeita e completa do início ao fim, pois não só
pagou pelos pecados do povo de Deus, como também garantiu a certeza da vida eterna. Neste
sentido, Cristo ficou satisfeito, pois realizou toda a vontade de Deus ao expiar os pecados eficazmente
de Seu povo (Is 53:10-11, Jo 19:30, Hb 7:22-28). Ou seja, todos aqueles que o Pai intencionou salvar
antes da fundação do mundo, enviou Seu Filho para redimir estas pessoas e formar um só povo. Logo,
quando Cristo pagou por todos os pecados e garantiu a certeza da salvação do seu povo, a qual jamais
perece com o tempo ou as adversidades, ele ficou satisfeito com a conclusão e perfeição de sua obra:
‘’a vontade do Senhor prosperará em sua mão’’ (Is 53:10), ‘’Depois do sofrimento de sua alma, ele
verá a luz e ficará satisfeito’’ (Is 53:12), ‘’Está consumado!’’ (Jo 19:30), ‘’Portanto, ele é capaz de
salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus’’ (Hb 7:25).