CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE - UNIBH JANAÍNA DA SILVA REGGIANI

WEBRADIO: uma análise do gênero pop

Belo Horizonte 2010

JANAÍNA DA SILVA REGGIANI

WEBRADIO: uma análise do gênero pop

Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH) como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientador: Prof. Juarez Guimarães Dias

Belo Horizonte 2010

Dedico este trabalho à minha mãe e aos meus tios.

. Agradeço principalmente a Deus, base de tudo. Minha mãe e meus tios, sem vocês essa conquista não seria possível. Ao amigo Marcos Leandro por toda dedicação e paciência. Ao meu pai, irmão, familiares e amigos.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Gráfico 1 – Faixa etária dos ouvintes da Emissora Estação Pop..............................40 Gráfico 2 – Faixa etária dos ouvintes da Emissora Multishow Fm.............................41 Gráfico 3 – Perfil de público por sexo da Emissora Estação Pop..............................42 Gráfico 4 – Perfil de público por sexo da Emissora Multishow Fm............................42

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Tabela comparativa de acessos entre os meses de fevereiro a abril de 2010........................................................................................................................... 38

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 7 1 O NOVO RÁDIO QUE SE FAZ COM A INTERNET ............................................... 10 1.1 História do rádio ............................................................................................... 10 1.1.1 Rádio e a sociedade.................................................................................. 13 1.2 Internet e novas mídias.................................................................................... 14 1.3 O Rádio na Internet ......................................................................................... 16 1.4 Convergências entre as tecnologias de comunicação ..................................... 18 1.5 Webradio ......................................................................................................... 21 2 CULTURA DE MASSAS E GÊNERO POP ............................................................ 24 2.1 Definição de cultura ......................................................................................... 24 2.2 Gênero pop ...................................................................................................... 27 2.2.1 Cultura Pop ............................................................................................... 27 3. ANÁLISE DE WEBRADIOS .................................................................................. 34 3.2 Análise ............................................................................................................. 37 3.2.1 Horário de veiculação dos programas ....................................................... 37 3.2.2 Periodicidade e tempo de duração ............................................................ 42 3.2.3 Existência de uma estrutura padrão .......................................................... 43 3.2.4 Uso de vinhetas......................................................................................... 44 3.2.5 Existência de um padrão de linguagem .................................................... 45 3.2.6 Existência de padronização no layout disponibilizado nos sites ............... 46 CONCLUSÃO............................................................................................................ 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 51

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INTRODUÇÃO

A finalidade desta monografia é descrever uma das segmentações da webradio, o gênero pop. O tema surgiu após verificar que muitas webradios se auto intitulavam webpop. Descobrir o que é uma webpop acabou-se tornando o tema principal dessa pesquisa, cujo estudo foi feito através de um ranking de estatística disponibilizado no site www.radios.com.br. Neste ranking as três emissoras que possuem o maior número de acessos dentro do estilo musical pop foram analisadas. São elas, Estação Pop, Multishow FM e Best Radio Brasil.

Durante o mês maio de 2010, as emissoras foram ouvidas, visando à identificação de cada uma delas, traçando suas características. Para entendê-las, em um primeiro momento se fez necessária uma pesquisa bibliográfica, que trouxe base teórica para esta análise. Como as emissoras escolhidas como objeto de estudo já têm definida sua temática pelo próprio site, esta monografia busca a caracterização do estilo pop.

Para ser traçada a análise, foram utilizados como critérios o horário de veiculação dos programas, faixa etária, periodicidade e tempo de duração, existência de uma estrutura padrão, uso de vinhetas, existência de um padrão de linguagem, existência de padronização no layout disponibilizados nos sites.

Foi levada em consideração também a quantidade de acessos de cada webradio, que definiu para nós a seleção das emissoras a serem analisadas. Quanto maior o número de acesso, maior é também o número dos seus ouvintes e maior a popularização de seu gênero. Por isso, o avanço constante das tecnologias, contribuiu para o crescimento de sites que buscam cada vez mais se identificar com um determinado grupo de pessoas.

O que mais tem sido discutido quando se fala sobre webradio é a questão do contexto das novas mídias, novos gêneros e novas formas de interação. As

webradios disponibilizam a seus usuários várias ferramentas interativas com o objetivo de atrair e fidelizar o seu público. A principal delas é o próprio site, que

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passa a ter sua estrutura não apenas disponibilizada por vozes, mas também por textos, vídeos e imagens.

Uma tendência importante que é percebida na atualidade é a segmentação cada vez maior das emissoras. A indústria de massa traçou este caminho como uma forma de atender ao mercado, mas no caso do rádio, essa tendência foi ganhando proporção maior a partir da implantação e do desenvolvimento das emissoras FM.

Na internet, a tendência a uma segmentação é ainda maior, visando um público de internautas cada vez mais específico. O próprio modo de fazer rádio na web proporciona o surgimento de emissoras voltadas a nichos altamente seletivos, aumentando a cada dia, o número de emissoras. Chegamos ao ponto de tamanha facilidade que uma pessoa pode montar seu próprio arquivo de áudio, e transmitir para o mundo todo. Essas chamadas emissoras pessoais estão cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas.

Apesar de toda essa interação com os internautas, as webradios ainda seguem um caminho pouco conhecido. Com o surgimento das novas tecnologias fez-se necessário o nascimento de uma nova mídia que acompanhasse esses avanços.

Dentro de tudo isso, nossa proposta foi fazer uma análise das webradios mais acessadas dentro de uma segmentação que foi o gênero pop. Uma das principais questões levantadas é como podem ser caracterizadas as estações que se classificam como webradios pop. Outras questões a serem verificadas são a possível existência de uma estrutura padrão neste meio radiofônico, o horário de veiculação dos programas, periodicidade e tempo de duração, uso de vinhetas e a existência de um padrão de linguagem.

Hoje em dia, tornou-se quase impossível viver sem as novas tecnologias. Uma das mais presentes no nosso cotidiano é a internet. Entretanto, a webradio ainda é pouco discutida, não se sabe ao certo qual é o perfil dos ouvintes, qual a segmentação de cada emissora. Por isso fez-se importante a apresentação deste trabalho, pois a caracterização de uma segmentação pode ajudar a definir o possível perfil dos ouvintes de cada emissora.

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Buscamos com esta monografia investigar uma área ainda pouco difundida, que é o universo das webradios, a caracterização da segmentação e perfil das emissoras que estão se destacando no mundo virtual. O tema webradio ainda é pouco

difundido, apesar de cada vez mais estar presente na vida das pessoas. Nosso objetivo principal é analisar três webradios com o mesmo gênero musical, que foram mais acessadas entre os meses de fevereiro a abril de 2010, através de um ranking de estatística disponibilizado no site www.radios.com.br e analisar o possível perfil do gênero escolhido foi o objetivo desta monografia.

No primeiro capítulo traçaremos um breve histórico da história do rádio, veremos uma interpretação da internet e novas mídias até chegar ao rádio na internet. Vamos discutir as convergências entre as tecnologias de comunicação e o tema principal, webradio.

No segundo capítulo discutiremos sobre cultura de massa e sua definição que, segundo Edgar Morin (1984), constitui um corpo de símbolos, mitos e imagens concernentes à vida prática e à vida imaginária, um sistema de projeções e de identificações especificas. Ela se acrescenta à cultura nacional, a cultura humanista, a cultura religiosa, e entra em concorrência com estas culturas. Também apresentaremos o gênero pop para o qual, segundo Roy Shuker (1998), não existe uma definição certa e direta sobre a expressão “música pop”. Para ele, esse gênero pode ser considerado uma combinação cultural de tradições, estilos e influências musicais. Também tem um significado ideológico atribuído por seu público. A

música pop abrange todo estilo musical que possua seguidores e incluiria, portanto, muitos gêneros e estilos.

Enfim, no último capítulo faremos a análise de três webradios, utilizando-nos dos conceitos estudados durante toda essa monografia. A pesquisa que no caso seria a gravação e análise dos programas teve duração de dez dias. Entendemos que esse período seria adequado para coleta do material e informações consideráveis para análise do conteúdo.

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1 O NOVO RÁDIO QUE SE FAZ COM A INTERNET

1.1 História do rádio

No final do século 19, segundo Joseph Straubhaar e Robert Larose (2004), no livro Comunicação, Mídia e Tecnologia, o italiano Guglielmo Marconi, que ajudou no invento do rádio, recebeu apoio do governo inglês, devido à falta de interesse de seu país no projeto. Mais tarde, conseguiu o apoio dos Estados Unidos para a difusão do seu trabalho. Durante a Primeira Guerra Mundial, por iniciativa da Marinha dos EUA, a tecnologia radiofônica teve avanço forçado, sendo utilizada para fins militares, feita como telégrafo de duas mãos ou ponto a ponto pelo ar.

Os

avanços

permitiram

superar

a

transmissão

dos

códigos

telegráficos,

possibilitando à difusão de sons e vozes, facilitando a comunicação a longa distância entre os militares. Após o fim da Primeira Guerra, no início do século 20, o rádio começou a ganhar perspectivas civis, alastrando-se pelo mundo com grande velocidade.

Segundo André Carvalho (1998) no livro Manual de Jornalismo em Rádio, o rádio que conhecemos hoje amadureceu durante a Segunda Guerra Mundial com um radiojornalismo que reduziu ansiedades e prestou inestimáveis serviços e foi em seguida beneficiado pela invenção do transmissor, que o tornou versátil e ainda mais presente no cotidiano das pessoas. É com esses predicados que o rádio se apresenta como um meio de comunicação cada vez mais utilizado e cada vez mais acreditado.

Nair Prata (2008), na sua tese de doutorado, informa que em 7 de setembro de 1922, o rádio foi implantado oficialmente no Brasil, como parte das comemorações dos 100 anos da Independência. Epitácio Pessoa, então presidente da República, teve seu discurso ouvido no Rio de Janeiro e também em Niterói, Petrópolis e São Paulo, devido à instalação de uma retransmissora e de aparelhos de recepção. No

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entanto, apenas no dia 20 de abril de 1923 começou a funcionar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, sendo considerada a emissora pioneira no Brasil.

Foi, também, no início dessa década que os programas humorísticos entraram em evidência. A Presidência da República foi assumida por Getúlio Vargas após a Revolução de 1930, que percebeu a importância política do rádio, mantendo as emissoras sob seu controle direto.

De acordo com Gisela Swetlana Ortriwano (1985) no livro A informação no rádio, a década de 1940 ficou conhecida como época de ouro do rádio brasileiro, marcando a guerra pela audiência entre as emissoras. A primeira radionovela estreou em 1941 e, na mesma época, iniciou-se a tradição jornalística, com a criação de programas que mantiveram a fidelização dos ouvintes por décadas.

Segundo Prata (2008), a época de ouro terminou com o surgimento da televisão em 1950, quando o rádio teve que buscar outros caminhos e definir uma linguagem específica para enfrentar a nova e forte concorrência. Um deles foi a fidelização dos ouvintes por meio da transmissão em FM1. Uma tendência atual da audiência do rádio no Brasil é a queda da preferência pela AM2.

As emissoras FM têm criado, a cada dia, faixas importantes para um público que antes era fiel à AM. Outra tendência importante, que toda a indústria cultural buscou, como forma de atender ao mercado, foi a segmentação das emissoras. No entanto, no caso da radiodifusão, o fenômeno foi marcante a partir da implantação e do desenvolvimento das emissoras FM.

Corroborando, Ortriwano (1985) afirma que:
A especialização, que de certa forma sempre existiu, uma vez que é impossível cobrir bem todos os campos de atividade, apenas se acentuou, principalmente a partir da implantação e do desenvolvimento das emissoras FM, acabando por mostrar-se uma fórmula eficaz para que o rádio pudesse encontrar outra vez o caminho da expansão. (ORTRIWANO, 1985, p. 29).

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FM é a abreviatura para Freqüência Modulada. AM é a abreviatura para Amplitude Modulada.

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Segundo Ortriwano (1985), já se falava na ameaça de extinção do rádio nessa época, mas isso não ocorreu. Aos poucos o formato dos programas de auditório e das radionovelas se adaptou para a TV. Em 1955 surgia a primeira transmissão experimental de rádio FM, pela Rádio Imprensa, no Rio de Janeiro. Para enfrentar a nova e potente concorrência, o rádio teve que buscar outros caminhos e definir uma linguagem específica.

Segundo a autora, uma forma de manter a fidelização dos ouvintes foi à transmissão em FM. Os aperfeiçoamentos eletrônicos diminuíram o tamanho dos equipamentos e o rádio ganhou em agilidade e melhorou a qualidade das transmissões na década de 1960. Entraram oficialmente no ar as emissoras de FM.

O radiojornalismo tornou-se dessa forma mais atuante e o rádio AM assumiu as características que apresenta hoje em dia. No lugar dos programas de auditório, apareceram programas de variedades, os programas esportivos e os policiais ganharam mais seguidores.

Sobre investimento publicitário, Ortriwano (1985) afirma que “um bom indicador para se analisar o rádio como um meio de grande poder de penetração entre o público é o investimento publicitário que ele recebe”.(ORTRIWANO, 1985, p. 64).

Ela afirma que na década de 1970 ocorreu uma identificação das rádios com classes socioeconômicas distintas, buscando uma linguagem própria para o público que desejavam atingir. As emissoras passaram a lutar cada vez mais por seus ouvintes, aumentando seus serviços com participações ao vivo dos repórteres nos programas.

Para Ortriwano (1985):
Uma série de aperfeiçoamentos tecnológicos na década de 1980 permitiu que o rádio conseguisse melhores condições de transmissão, ressaltando sua potencialidade. Embora ainda pouco utilizados pelo rádio em transmissões nacionais, os sistemas de comunicação por satélite são uma realidade, agilizando o processo e a concretização das grandes redes de emissoras com programação unificada e simultânea. (ORTRIWANO, 1985, p.26).

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1.1.1 Rádio e a sociedade

Carvalho (1998) afirma que apesar de todas as tecnologias de massa contemporâneas, o rádio continua sendo uma grande ferramenta que atinge as pessoas de várias as idades e classes sociais, fazendo parte do cotidiano em situações diversas. Ele informa que
[...] o rádio exige apenas um dos sentidos humanos, a audição, o que permite sua presença ao lado do homem em qualquer circunstância. É possível ouvir rádio cozinhando, dirigindo, caminhando, trabalhando. Do outro lado dos rádios, que hoje cabem na palma da mão, estão os que fazem rádio, também beneficiados pela velocidade com que o veículo chega aos fatos que transmite. Tudo isto ganha peso inigualável quando considerado-a a velocidade com que se processam as transformações no mundo e a importância que o conceito tempo real ganhou no mundo globalizado. (CARVALHO, 1998, p. 23)

Para compreender a natureza e os recursos desse veículo, Carvalho (1998) explica que o som é a menor fração da linguagem articulada e é necessário para a comunicação no rádio. Resultado da ação de vários órgãos do corpo humano, sob a influência de uma série de fatores, o som possui uma complexidade.

É comum ouvir que não se deve respirar pela boca, porque na estrutura das fossas nasais está o mecanismo de defesa que purifica e equilibra a temperatura do ar que a pessoa inspira. No entanto, continua Carvalho (1998), quando se está em processo de comunicação, a prioridade está na transmissão da ideia objetivada, não na purificação do ar.

Segundo esse autor, para garantir a audiência, faz-se necessário ter alguns cuidados, como por exemplo, não repetir insistentemente determinadas palavras, pois acaba-se tornando uma forma de cansar ou perder o ouvinte. É preciso certa cautela nesse sentido, porque quando se procura um texto enxuto pode-se acabar caindo em lugares comuns e utilizando expressões repetitivas. Deve ser um exercício de paciência e de conhecimento não só da linguagem radiofônica.

“O que chega pelo ouvido atinge mais profundamente a compreensão”, afirma Carvalho (1998). Daí o rádio ser o mais ágil veículo de comunicação,

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impressionando o recebedor da mensagem. Por meio do sentido auditivo tem-se uma melhor percepção do mundo como um todo, uma vez que este recebe mensagens enviadas pela voz.

Concordando, Ortriwano (1985) afirma que:
[..] o produto radiofônico – mensagem – precisa respeitar todas as características do meio e as condições de recepção, devendo estar entre as preocupações básicas do emissor o fato de a mensagem radiofônica estar destinada a ser apenas ouvida. (ORTRIWANO, 1985, p. 83).

A simplicidade é, na maioria das vezes, uma das melhores técnicas para o radialista comunicar-se com os seus ouvintes, visto que quanto maior a clareza e simplicidade da mensagem a ser transmitida, maior será o entendimento por parte dos receptores. Assim, a busca da simplicidade com clareza deve se dar continuamente.

1.2 Internet e novas mídias

Para Dizard Junior (1998), a tecnologia trouxe grandes benefícios para a mídia, pois por meio dela as transformações no mercado de trabalho evoluíram, trazendo benefícios para os profissionais de diversas áreas. Com isso, suas mudanças têm especial importância para os jovens com pretensões a fazer carreira nesse campo. As redações de hoje são dominadas por dispositivos computadorizados.

Para o autor, muitas dessas máquinas serão substituídas em poucos anos por versões mais avançadas, ou mesmo por tecnologias completamente novas que irão transformar ainda mais o local de trabalho e exigir habilidades mais sofisticadas. A sociedade foi beneficiada com os novos recursos de informação que as mídias trouxeram. Essas transformações se popularizaram devido aos baixos e

competitivos preços destes novos meios. Um bom exemplo dessas transformações é a internet que, com o passar dos anos, tornou-se mais acessível à grande massa, parte dela dispondo de acesso doméstico e outra parte em lan-houses e espaços públicos.

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De acordo com Barbeiro e Lima (2001), obviamente não se trata de reducionismo atribuir à tecnologia o único motor da História. O impacto dessa nova mídia não pôde ser imaginado por aqueles que estudavam as mídias por volta de 1950. As transformações sociais provocadas pela Guerra Fria e pelo Capitalismo do final do século 20 mostraram que novas vias de comunicação se fizeram necessárias. E tornaram-se possíveis com o desenvolvimento da internet, que representa um meio de comunicação mais eficiente, autônomo, que foge do controle do Estado e proporciona amplos espaços tanto para a comunicação pessoal quanto empresarial.

Para os autores,
A força da internet é de ordem que se assemelha a um buraco negro no espaço que tem uma força gravitacional tão grande que nada escapa dele, nem mesmo a luz. Isso aponta para a substituição de um sistema por outro. Sai o rádio com suas ondas eletromagnéticas da antena para os receptores, entra a internet conduzindo o rádio do servidor informático, diretamente para o computador fixo ou móvel em carros, aviões, navios, telefones celulares e até mesmo na porta das geladeiras. (BARBEIRO; LIMA, 2001, p. 46)

Straubhaar e Larose (2004), por sua vez, consideram que os meios de comunicação de massa interativos consistem em uma das muitas áreas nas quais a convergência das tecnologias deve ter impacto mais significativo. Para eles, a mídia interativa não chega a ser novidade, pois, quando se fala de comunicação, fala-se da conversão de sons, imagens e textos para formatos legíveis por computador.

Ainda segundo Straubhaar e Larose (2004), uma última implicação da convergência da mídia é que o conceito de meios de massa parece estar se tornando tão obsoleto quanto o conceito de massa. Quando se utiliza a palavra mídia ou meios, fala-se de cadeias de transmissão-recepção.

À medida que as estações de rádio se livraram das redes e o número de estações continuou a crescer, elas procuraram meios de atrair audiências e vender essas audiências para anunciantes. O que emergiu foi uma tendência à limitação de transmissão, isto é, o foco em audiências específicas ou segmentadas com fórmulas também mais específicas.

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Retornando a Straubhaar e Larose (2004), estes concordam que a mídia e as tecnologias de informação são úteis apenas quando aceitas pelos indivíduos e organizações. Pesquisas sobre a difusão de inovações descobriram alguns modelos para se prever quem começa usando uma nova tecnologia ou idéia e por quê.

Em um sentido mais amplo, a difusão é um processo pelo qual uma inovação é comunicada através de certos canais ao longo do tempo entre os membros de um sistema social. Essa abordagem provou ser uma das mais úteis na descrição de como novas tecnologias de mídia e informação são aceitas e utilizadas. O sucesso da difusão de uma nova tecnologia está sujeita à sua forma de divulgação.

Ao longo dos anos, as transformações tecnológicas vêm mudando a história do rádio. Um exemplo é a inclusão das webradios – que Prata (2008) define como rádio digital com transmissão pela internet – na vida das pessoas. Ela denomina este processo de evolução como radiomorfose, que altera e reconfigura os gêneros e as formas de interação presentes no rádio.

1.3 O Rádio na Internet

Para Dizard Junior (1998), as atuais mudanças são a terceira grande transformação nas tecnologias da mídia de massa nos tempos modernos. A primeira aconteceu no século 19, com introdução das impressoras a vapor e do papel de jornal barato. O resultado foi a primeira mídia de massa verdadeira, os jornais baratos e as editoras de livros e revistas em grande escala.

A segunda transformação ocorreu com a introdução da transmissão por ondas eletromagnéticas, o rádio em 1920 e a televisão em 1939. A terceira transformação na mídia de massa envolve uma transição para a produção, armazenagem e distribuição de informação e entretenimento estruturadas em computadores.

O autor relata que a internet trouxe uma nova forma de interação entre o ouvinte e o rádio. Se antes ele apenas ouvia, agora ele passa a interagir e utilizar-se de outros

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recursos que apenas esse meio pôde proporcionar ao ouvinte. Essas formas de interação intensificam a necessidade do rádio adaptar-se às novas tecnologias que surgiram nas últimas décadas. Barbeiro e Lima (2001) afirmam que:
Com uma rádio na internet o internauta é, ao mesmo tempo, operador de áudio, editor chefe, repórter, editor de reportagem, âncora, programador etc. O conteúdo pode ser de qualquer espécie, o que mostra um avanço na capitalização da difusão de notícias. Nasce o ouvinte internauta conectado via web com o rádio globalizado, que ajuda a derrubar as fronteiras nacionais. (BARBEIRO; LIMA, 2001, p. 47)

Os autores afirmam que a internet não acabará com o rádio. Ela chegou para auxiliálo de forma significativa e não para concorrer com ele, sendo, de certa forma, a sua salvação. O avanço tecnológico vem proporcionando um salto de qualidade tanto em propagação como em conteúdo, e, com isso, substituindo a etapa do rádio digital propagado tradicionalmente por transmissor e antena.

Necessário se faz separar a idéia de rádio, propriamente dito, como aquele aparelho que retransmite emissoras de áudio. O rádio, comunicação auditiva, eletrônica e à distância, pode se materializar no computador, bastando ter nele instalado um programa adequado. Como exemplo da evolução tecnológica do rádio mineiro, na década de 90, segundo Carvalho (1998), com o surgimento da internet, a Itatiaia se adiantou para ocupar seu espaço. Registrou seu domínio e por ele ampliou a abrangência da distribuição de seus dados. Assim que surgiu a possibilidade de lançar a rádio Itatiaia na rede mundial de computadores, esta saiu na frente: foi a primeira emissora de Minas Gerais a ter sua programação disponível na internet, bastando o clique do usuário. A aceitação foi tão grande que logo se fez preciso reformular o sistema utilizado. A emissora passou, então, a receber e-mails do mundo inteiro.

Carvalho (1998), afirma que para os adeptos de futebol, a presença da rádio na rede foi importante. Em dias de jogos a demanda de acessos é muito grande. São torcedores que, com uma simples conexão com seus provedores, têm a transmissão da Itatiaia e a de suas jornadas esportivas.

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Barbeiro e Lima (2001), afirmam que o rádio via internet potencializa a interatividade, uma vez que as emissoras têm endereços virtuais. As redações jornalísticas contam com Outlook aberto sobre a mesa, ao lado do microfone, substituindo, com vantagem, o telefone, pois o e-mail é instantâneo e faz com que o ouvinte resuma os pontos mais importantes de sua comunicação: pode ser facilmente armazenado, encaminhado para outras áreas da redação, como pauta, apuração, chefia de reportagem. Os e-mails são úteis para redirecionar a programação, uma vez que podem ser facilmente arquivados, tabulados e transformados em material de pesquisa.

Para eles, as ferramentas supracitadas vieram para auxiliar a vida dos profissionais que trabalham direta ou indiretamente com as novas formas de interação com as mídias que surgiram. O que antes era feito por meio de cartas, ofícios e muito papel impresso, agora pode ser realizado por meio de alguns cliques na internet, facilitando e economizando tempo na vida dos usuários de tais ferramentas. Segundo dados do IBOPE3 (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) em dezembro de 2009, o Brasil é o 5º país com o maior número de conexões à internet, com cerca de 67,5 milhões de internautas. Até julho de 2009, cerca de 27 milhões de brasileiros acessaram regularmente a internet de casa. O tempo médio de conexão foi de 48 horas e 26 minutos, considerando apenas a navegação em sites.

Para Prata (2008), o advento da internet fez surgir uma nova forma de radiofonia, em que o usuário não apenas ouve as mensagens transmitidas, mas também as encontra em textos, vídeos, fotografias, desenhos, hipertextos. A web, na realidade, provocou uma gigantesca transformação nos sistemas de troca de informações conhecidos até o momento.

1.4 Convergências entre as tecnologias de comunicação

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Pesquisa realizada pelo site IBOPE em dezembro de 2009.

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Para Carvalho (1998) devido à convergência das mídias a população cada vez menos tem utilizado as mídias clássicas, como o jornal impresso. A população está utilizando recursos cada vez mais rápidos e dinâmicos, daí a grande procura por mídias online.

Para Straubhaar e Larose (2004), a convergência entre tecnologias de comunicação e o mundo dos computadores afeta cada meio de comunicação de modo distinto. Os meios e as tecnologias de informação são componentes cada vez mais presentes na vida das pessoas. Os autores estimam que, em termos de consumo, o americano adulto típico gaste cerca de quatro horas por dia assistindo televisão, cerca de três horas ouvindo radio e cerca de meia hora lendo jornal.

Ainda segundo Straubhaar e Larose (2004), as transmissões de rádio e TV, tradicionalmente conhecidas como broadcasting4, também estão passando por uma revolução digital. A nova geração de transmissores, receptores e gravadores caseiros de rádio e televisão é inteiramente digital. Essas transformações possuem fatores significativos para o enriquecimento dos meios de comunicação de massa, tais como uma crescente produção de ferramentas destinadas a seus usuários.

Para os autores, uma implicação final da revolução da mídia digital é a convergência de meios de comunicação. A multimídia está apagando as antigas distinções rígidas entre os meios de comunicação. As mídias de massa convencionais como rádio, televisão, impressos e filmes costumavam ter sistemas de produção e transmissão bem diferenciadas.

Os meios de massa tornaram-se uma ferramenta de grande importância para empresas de todo o mundo. O computador adquiriu ligação direta com os vários meios de comunicação. Além das mensagens que são enviadas, ele também armazena, salva arquivos ou informações importantes para seus usuários.

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Do termo inglês, utilização de transmissão ampla. É o processo pelo qual se transmite ou difunde determinada informação, tendo como principal característica que a mesma informação está sendo enviada para muitos receptores ao mesmo tempo.

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Ainda segundo Dizard Junior (1998), outra mudança tem sido o uso cada vez maior de computadores portáteis. Repórteres levam consigo aos locais de acontecimento, digitando suas matérias no momento em que elas acontecem. Esses

desenvolvimentos da multimídia ganharam uma audiência consumista de usuários de computador.

No entanto uma forma multimídia diferente de emissão é necessária para que uma ampla gama de serviços de informação e entretenimento seja levada à audiência de massa. Para as indústrias de mídia, essa possibilidade é a principal esperança para expandir seus mercados de consumo.

Ele relata que as mídias antigas perderam seu prestígio por serem consideradas ultrapassadas, de alto custo e de difícil acesso. Alguns meios de comunicação aproveitaram-se da revolução tecnológica que vieram ocorrendo nos últimos tempos, e se adequaram à nova forma de interação com os receptores da informação que desejam transmitir. Tornou-se muito mais prático e rápido transmitir uma informação ou um acontecimento através da lista de contatos do e-mail, do que utilizar os meios antigos de escrita e distribuir várias cartas para seus conhecidos.

Dizard Junior (1998) afirma que as instalações de telecomunicações de última geração são um elemento decisivo nos planos das indústrias da mídia para atualizar suas operações desde a produção do produto até a distribuição final aos consumidores.

A internet móvel está cada vez mais acessível o que, segundo Barbeiro e Lima (2001), tornará restrito o uso do walkman e do radinho portátil. O rádio está disponível no telefone celular com todas as características da internet. O celular passou a ser o substituto do radinho. O estúdio das rádios que propagam sua programação também via internet deve ser configurado com toda a produção contida nos computadores. Os textos, cabeças de reportagens e chamadas de repórteres devem estar dispostos de forma que o âncora possa ler diretamente da tela.

A internet tornou-se a principal ferramenta de comunicação na vida de seus usuários. O que antes poderia ser visto ou ouvido apenas na televisão ou no rádio,

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está disponível na rede mundial de computadores em apenas alguns segundos. Jornais e programas estão acessíveis nos sites das emissoras correspondentes.

Para eles, a propagação do rádio via internet globaliza esse veículo. Basta digitar o endereço eletrônico e a pequena rádio comunitária de Taiaçupeba, por exemplo, cujo alcance através da antena FM é de apenas um quilômetro de raio, é ouvida de qualquer lugar do mundo, de Pequim a Cabo Frio, com todas as características desse tipo de comunicação inimaginável na era da antena e das ondas eletromagnéticas.

Straubhaar e Larose (2004) concordam que no atual mundo da mídia digital, essas formas convencionais de mídia devem convergir, juntamente com outras formas híbridas, em um único meio. Hipermídia é outro termo utilizado para descrever esse desenvolvimento. Hipermídia permite aos usuários controlar seu próprio consumo de um produto de mídia, palavras chave, os quais levam ao usuário a ramificações da informação em formatos que combinam áudio, imagens e textos.

Barbeiro e Lima (2001) relatam que existem sites que permitem ao usuário a possibilidade de estar conectado ao mundo todo. Programas de mensagens instantâneas diminuem a distância entre países e pessoas. Alguns sites de busca que estão disponíveis na web permitem que qualquer pessoa tenha acesso aos mais variados assuntos. Algumas pesquisas que antes demoravam meses para serem concluídas, agora com a internet podem levar apenas algumas horas.

Straubhaar e Larose (2004) afirmam que existem vantagens significativas nessa conversão para o digital. A qualidade da transmissão é aprimorada porque os sinais digitais são menos suscetíveis à interferência elétrica.

1.5 Webradio

Segundo Prata (2008) o rádio também foi beneficiado com os avanços tecnológicos. Uma das principais transformações ocorridas foi a criação das webradios. Antes o

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que poderia ser ouvido apenas através de aparelhos de som, agora pode ser acessado através da internet. As emissoras passaram a transmitir seus programas pela rede, disponibilizando arquivos de áudio em seus sites, para serem ouvidos em qualquer hora ou lugar do mundo. A transmissão de áudio pela internet possibilita ao ouvinte a oportunidade de poder ter acesso aos seus programas favoritos em apenas alguns cliques.

Com as webradios a maneira de se ouvir rádio também se transforma. Os ouvintes passam a ter uma liberdade maior em relação aquilo que desejam ouvir.

Ao falar de webradio, Prata (2008) volta no tempo e conta como tudo começou. Cita também dois grandes momentos de crise sofridos pelo rádio, um com o surgimento da televisão, na década de 1950, outro com a popularização da rede mundial de computadores, que surge como uma grande potência na comunicação, fazendo com que muitos acreditassem que seria o fim da era do rádio.

A autora relata que, no entanto não foi o que ocorreu, viu-se, antes sim, uma grande oportunidade de maximização deste recurso, ora prestes a ser extinto, e a ampliação de seu poder de comunicação e abrangência.

Mostrando como o rádio foi criado, Prata (2008) traça um breve histórico da radiofonia até a evolução e sua atuação na vida das pessoas. Segundo ela, a história é considerada o fio condutor das transformações do rádio tanto do ponto de vista da tecnologia, quanto da linguagem. E também trata do impacto das novas tecnologias sobre a radiofonia, com a digitalização, a internet e as novidades em rádio. Inicialmente fala-se sobre os gêneros, com apresentação das definições, importância do estudo da interação dos ouvintes, suas formas e sua importância num novo modelo de rádio.

Ela avalia que a webradio ainda se parece com o velho rádio dos anos 1940, mas é uma questão apenas de tempo para uma mudança. Brevemente o rádio na internet terá a mobilidade que possui hoje o aparelho receptor de ondas. A webradio ainda é inacessível para boa parte da população, excluída digitalmente.

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Com o tempo, também se espera que a webradio tenha o baixo custo do receptor tradicional. Apesar de estarem inseridas no cotidiano de algumas pessoas, as webradios ainda precisam se aprimorar e criar uma linguagem específica para essa nova mídia e alguns profissionais estão se adequando de uma forma ainda lenta.

Para Prata (2008) a tendência à segmentação é ainda maior na internet, com foco num público cada vez mais específico. O próprio modo de fazer rádio na web proporciona o surgimento de emissoras voltadas a nichos altamente seletivos, multiplicando o número de emissoras a tal ponto que cada pessoa pode montar seu próprio arquivo de áudio, as denominadas emissoras pessoais.

Barbeiro e Lima afirmam que uma das principais características do rádio na internet é sua interatividade.
O rádio nasceu interativo. Mas essa nova interatividade põe nas mãos dos ouvintes meios muito mais eficazes para influir diretamente no conteúdo da programação. Simultaneamente, ele ouve e escreve um e-mail sobre o que está sendo transmitido. (BARBEIRO E LIMA, 2001, p. 75)

Para os autores, o rádio precisa se adaptar a essa nova forma de interação. Os ouvintes estão cada vez mais exigentes à medida que as tecnologias estão sendo inseridas no seu cotidiano.

Prata (2008) afirma que a internet tem sido a grande novidade encontrada pelo rádio. Atualmente no país, podemos verificar centenas de sites de rádios na internet, com informações sobre a programação da emissora e os locutores.

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2 CULTURA DE MASSAS E GÊNERO POP

2.1 Definição de cultura

Para falarmos sobre cultura de massa, devemos primeiro entender o que é cultura. Segundo o autor Aldo Vannucchi (1999) no livro Cultura Brasileira, a cultura deve existir em pessoas reais que fazem parte de uma sociedade ou região. A cultura não existe para seres humanos imaginários, ou em situações que fogem da realidade.

Segundo Roy Shuker (1998) no livro Vocabulário de Música Pop:
O termo cultura foi empregado durante o século XIX à cultura específica das classes populares dos centros urbanos e industriais. Possuía duas fontes principais: uma cultura orientada para o comércio e uma cultura do povo e para o povo (freqüentemente, associada à agitação política). Embora o termo seja às vezes empregado nesse segundo caso, acabou sendo vinculado aos meios de comunicação de massa: a comunicação impressa, sonora e visual de larga escala, incluindo imprensa, publicidade, rádio e televisão, filmes. Usada como adjetivo de “cultura”, “popular” indica que alguma coisa — pessoa, produto, prática ou convicção — era amplamente apreciada ou aprovada pelo público com sua popularidade comprovada por pesquisas, índice de vendas. (SHUKER,1998, p. 83)

Edgar Morin (1984), na sua obra intitulada Cultura de massas no século XX, afirma que o conceito de cultura, quando passamos a entender tal definição, pode parecer bastante abrangente, e se avaliarmos seu conceito histórico e regional, pode parecer notável se avaliarmos no sentido mais requintado do humanismo cultivado.

O autor relata que a cultura serve para orientar, fazendo com que o indivíduo desenvolva certas qualidades humanas, mas atrapalha ou proíbe outras. Para ele cultura faz parte de uma extensa e complexa lista de normas, símbolos, mitos e imagens que faz com que o indivíduo conheça melhor seus instintos orientando as emoções.

De acordo com Morin, (1984):

25 a cultura de massa é uma cultura: ela constitui um corpo de símbolos, mitos e imagens concernentes à vida prática e à vida imaginária, um sistema de projeções e de identificações especificas. Ela se acrescenta a cultura nacional, a cultura humanista, a cultura religiosa, e entra em concorrência com estas culturas. (MORÍN, 1984, p.15)

Adair Caetano Peruzzolo (1972) em seu livro Comunicação e Cultura relata que o surgimento da cultura de massa ocorreu nos Estados Unidos e apenas algum tempo depois foi se expandindo por todo o mundo. Para o autor, os meios de comunicação precisam caminhar lado a lado com a tecnologia para que haja a cultura massificada. Para alguns pesquisadores, a cultura de massa na sociedade contemporânea é o acontecimento de maior relevância nas últimas décadas, e tem como principais características sua forma abrangente que faz parte de tudo e todos.

Morin (1984) afirma que, do ponto de vista econômico, a cultura de massa não pode ser imposta por uma sociedade ou nação, ela depende da indústria e do comércio, podendo ser considerada o resultado da produção de bem ou serviço e seu consumo. A cultura de massa é destinada a um público que produz necessidades e interesses.

A cultura de massa segundo Vanucchi (1999) criou força nos principais países ocidentais, após a Segunda Guerra Mundial, tendo seu início nas sociedades americanas. Para o autor o principal objetivo desta cultura eram as necessidades individuais que cresciam com o término da guerra.

De acordo com Morin (1984),
As invenções técnicas foram necessárias para que a cultura industrial tornasse possível. Essas técnicas foram utilizadas com freqüente surpresa de seus inventores. Não há duvidas de que, sem o impulso prodigioso do espírito capitalista, essas invenções não teriam conhecido um desenvolvimento tão radical e maciçamente orientado. A indústria se desenvolve em todos os regimes, tanto do Estado, quanto da iniciativa privada. (MORIN, 1984, p.22)

Continuando, o autor relata que, o Estado é afetado, forçado, tentando adaptar o público à cultura e o sistema privado, vivo, e em contrapartida ao Estado, querendo adaptar sua cultura ao público.

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A procura de um público distinto determina maior variedade na informação ou no imaginário, e na procura de um grande público implica um denominador comum. A cultura de massa é imposta do ambiente externo ao público, ou seja, retrata as necessidades de público, o produto da dialética produção-consumo, no centro de uma dialética global que é a da sociedade em seu todo.

Morin (1984) descreve que:
por mais diferentes que sejam os conteúdos culturais, há concentração da indústria cultural. A imprensa, o rádio, a televisão, o cinema são indústrias ligeiras pelo aparelho produtor e são ultraligeiras pela mercadoria que produzem. Entretanto, essa indústria ultraligeira está organizada segundo o modelo da indústria de maior concentração técnica e econômica. (MORIN, 1984, p. 24)

Wolf (2002) descreve que todas as informações contemporâneas são veiculadas por meios massivos de comunicação e pela indústria cultural. A indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa passam a existir como funções da industrialização, em uma sociedade capitalista com vistas unicamente ao lucro. Todo trabalho industrial produzido pelo homem passa a ser trocado por dinheiro, não havendo visões críticas da massa, que acaba por aceitar qualquer tipo de coisa produzida pelas indústrias.

A cultura em série, industrializada, passa a ser um produto padronizado, para atender os anseios de uma sociedade consumista, para um público que não tem tempo para questionar o que consome, pois é uma cultura perecível, modista, e seu interesse é exclusivo de quem a produz.

Para Morin, “a produção produz não só um objeto para o sujeito, mas também um sujeito pra o objeto, a produção cultural cria o público de massa e é determinada pelo próprio mercado.” (MORIN, 1984, p. 45)

Segundo o autor, a produção cultural cria o público de massa, o público universal. Essa produção é determinada pelo próprio mercado, ela se diferencia das outras

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culturas por empregar também as mass media, como os programas de rádio, televisão ou jornais impressos.

2.2 Gênero pop

2.2.1 Cultura Pop

Segundo o autor Roy Shuker (1998), não existe uma definição certa e direta sobre a expressão “música pop”. Para ele, esse gênero pode ser considerado uma

combinação cultural de tradições, estilos e influências musicais. Também tem um significado ideológico atribuído por seu público. O autor afirma que:
Embora o uso da palavra “popular” em relação às formas mais leves da música date de meados do século 19, a abreviação “pop” só começou a ser usada durante os anos de 1950, quando foi adotada como nome genérico para um tipo especial de produto musical dirigido ao mercado adolescente. (SHUKER, 1998, p. 192)

Shuker (1998) relata que de certa forma, a música pop abrange todo estilo musical que possua seguidores e incluiria, portanto, muitos gêneros e estilos. Para ele existe uma polêmica em relação à denominação do popular, assim como sua utilização em outros gêneros musicais. As transmissões pelo rádio, televisão, shows e vendas de discos são relevantes na hora de determinar a abrangência de um estilo ou gênero.

Ele cita como exemplo a música erudita que tem um público enorme de seguidores que no caso poderia ser considerada popular, enquanto outros estilos da música popular têm um público menor como o trash metal.

Shuker (1998) afirma que:
[...] o mercado musical contemporâneo é muito homogêneo, diluindo as fronteiras entre “alta” cultura e “baixa” cultura, ou entre erudita e popular. Basta considerar, por exemplo, o marketing de Os Três Tenores, que

28 atingiu o topo da parada de sucessos pop com músicas consideradas eruditas. (SHUKER, 1998, p. 8)

O autor relata que considerou música popular os principais gêneros musicais produzidos comercialmente e lançados no mercado, especialmente o ocidental. Segundo ele a música popular ocidental domina o mercado mundial apropriando-se das produções locais ou sendo absorvida por elas.

O termo pop para Shuker (1998) é muitas vezes utilizado como oposição a rock, em uma separação das noções de arte e comércio na música popular. O pop envolve valores muito diferentes dos do rock. O pop não hesita em participar do pensamento da maioria da população. O estilo busca ser agradável e vender uma boa imagem de si mesmo. Já o rock pode ser considerado de alguma maneira, mais perspicaz, rebelde, autônomo e inteligente.

Continuando Shuker (1998) informa que:
O pop nasceu como uma diluição do rock, uma versão mais suave, associado a um estilo mais rítmico e a uma harmonia vocal mais agradável principalmente entre o fim da década de 1950 e o início da seguinte, com os ídolos das adolescentes, (por exemplo, Bobby Vee). Posteriormente, o termo pop foi usado para caracterizar a música da parada de sucessos, orientada para um público adolescente, particularmente gêneros como dance pop, bubblegum, power pop e new romantics; e grupos como os grupos vocais femininos dos anos de 1960. (SHUKER, 1998, p. 193)

Para o autor, os produtores são regularmente considerados as principais forças criativas por trás dos artistas do pop e a maior parte das músicas deste gênero, são descartáveis, e as melhores delas só conseguem sobreviver com velhos sucessos. Shuker (1998) diz que “musicalmente, o pop caracteriza-se pelos refrões fáceis de memorizar e pelo amor romântico como tema.” (SHUKER, 1998, p. 193)

No livro Quem Tem Um Sonho Não Dança – Cultura Jovem brasileira nos anos 80, o autor Guilherme Bryan (2003) comenta que no Brasil a cultura pop teve sua expansão na década de 1980, com as inúmeras apostas de gravadoras em bandas de pop. Mas, ao contrário de outros lugares do mundo, no Brasil, essa década serviu também como a primeira grande afirmação de uma cultura jovem, que na época estava conhecendo o gênero pop.

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Segundo ele, o conceito de cultura pop está relacionado como algo que nasce da Indústria Cultural, mas não se limita às regras suas críticas, ao contrário, a cultura pop está muito mais próxima da desordem do que da ideologia. Ela constantemente quer incomodar o receptor, ao invés de acomodá-lo. O conceito de cultura pop surge não para substituir o de indústria cultural, mas complementá-lo.

Morin (1984) considera que:
Mesmo fora da procura de lucro, todo sistema industrial tende ao crescimento, e toda produção de massa destinada ao consumo tem sua própria lógica, que é a de máximo consumo. A procura de um público variado implica a procura de variedade na informação ou no imaginário; a procura de um grande público implica a procura de um denominador comum. Essa variedade é, ao mesmo tempo, uma variedade sistematizada, homogeneizada, segundo normas comuns. A homogeneização visa a tornar euforicamente assimiláveis a um homem médio ideal os mais diferentes conteúdos. (MORIN, 1984, p. 35.)

Para o autor, o rádio tende a homogeneizar os mesmos temas visando alcançar a diversidade de conteúdos. As emissoras variam as canções, programas, locutores, mas no final das contas seguem um mesmo padrão. Esse modelo pode ser exemplificado nos gêneros musicais. Apesar de a maioria das estações procurarem diversificar seus estilos, o produto final parece ser sempre o mesmo. Segundo ele, os ouvintes de rádio podem ser diferenciados e divididos em classes, que escolhem suas próprias estações e programas.

Alguns dos primeiros artistas da música pop internacional incluem nomes de importantes cantores no cenário musical. Um dos pioneiros foi Francis Albert Sinatra ou simplesmente Frank Sinatra. Segundo o site oficial do artista, ele era filho único e nunca estudou música. Aprendeu a cantar sozinho ainda adolescente. Sua voz aveludada encantou milhares de fãs por todo o mundo. Seu estilo musical misturava o pop, jazz e o blues. Para exemplificar o gênero, gostaríamos de apresentar alguns artistas consagrados nessa categoria.

Para falarmos de música pop, precisamos falar de um dos seus grandes ícones, Michael Jackson. Seu site revela que ele começou a cantar e a dançar ainda criança com apenas 5 anos. Sua carreira profissional teve início aos onze anos como

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vocalista do grupo Jackson 5, que era formada por irmãos de Michael. Em 1971 começou sua carreira solo. Alguns anos depois foi apelidado de o Rei do Pop. Cinco de seus álbuns se tornaram os mais vendidos em todo o mundo, Off the Wall, Thriller, Bad, Dangerous e HIStory.

Como mencionamos o Rei do Pop, também gostaríamos de citar a Rainha do Pop, Madonna Louise Veronica Ciccone conhecida como Madonna. Segundo o site www.estilomadonna.com.br, sua carreira é marcada por seu sucesso mundial e muitas polêmicas que criou. Madonna é a cantora que mais vendeu álbuns na história da música. Ela concentra seu trabalho no estilo pop, mas também se arrisca em outros estilos como a dance, o disco, o rock alternativo, o pop rock e jazz.

A década de 1990 é marcada pelo surgimento das boy band, (grupos compostos por 5 a 6 garotos vocalistas) e das girl groups (grupos musicais composto de 4 a 5 garotas vocalistas). A mais famosa de todos os grupos femininos foi as Spice Girls, que em três álbuns venderem mais de 55 milhões de cd´s.

Segundo Shuker (1998) a música Wannabe das meninas do grupo, tornou-se o single de estréia mais bem-sucedido de todos os tempos, ao vender no mundo inteiro quase 5 milhões de cópias.

Entres grupos das boy band, o que mais fez sucesso foi os Backstreet boys. O site da banda www.backstreetboys.com, ressalta a soberania do grupo afirmando que eles são um dos grupos mais bem sucedidos na história da música pop. As vendas em todo o mundo de seus cd´s, ultrapassaram a marca de mais de 150 milhões de cópias vendidas. Segundo o site, os Backstreet boys também estão entre os mais influentes cantores do pop.

O site oficial de Britney Spears informa que a cantora no início de 2000 se tornou a mais popular, após o sucesso do seu primeiro álbum, Baby One More Time. Em 2003 ela lançou o álbum In the Zone no qual seu primeiro single foi um dueto com a Rainha do Pop, Madonna, denominado Me Against the Music. A cantora é considerada a Princesa do Pop e a artista que mais vendeu nessa década.

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Em 2004 surgiu o fenômeno juvenil, o grupo mexicano RBD, que era composto pelos artistas Anahí, Alfonso Herrera, Dulce María, Christopher Uckermann, Maite Perroni e Christian Chávez. O site da banda relata que após o extremo sucesso do álbum Rebelde, a banda alcançou um reconhecimento mundial.

Em 2006 surge um trio de irmãos, Jonas Brothers, que são uma boy band de estilo Pop Rock, com algumas músicas compostas por eles mesmos. Em 2009, a cantora Lady Gaga faz um enorme sucesso com seu estilo diferente e ousado, lançando seu primeiro álbum: The Fame. Em seu site oficial, a cantora é considerada um dos ícones da música pop dos últimos anos.

Um dos mais bem sucedidos da música pop da última década é Justin Timberlake, que ficou conhecido por fazer parte do grupo N´Sync. Mas algum tempo depois seguiu com sua carreira solo tornando-se um dos ícones da música pop dos últimos anos. De acordo com seu site oficial, o músico é considerado um dos melhores cantores da atualidade, vendendo milhares de discos nos últimos anos.

No Brasil as bandas pop ficaram conhecidas principalmente na década de 1980. O gênero pop se misturou ao rock fazendo com que muitas bandas emergissem nessa época. Nomes como Capital Inicial, Kid Abelha, Biquíni Cavadão, Lulu Santos, Jota Quest, Skank, Nando Reis, Marisa Monte estão na lista de personagens desse gênero que revolucionaram a música do país.

A banda Kid Abelha formou-se no final de 1981, com Paula Toller no vocal, Leoni no contrabaixo, George Israel no saxofone e teclados, Bruno Fortunato na guitarra, e Beni Borja na bateria. Segundo o site da banda, a formação atual conta apenas a Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato. A banda tem o maior número de músicas tocadas em rádios no Brasil. Em 2002 para comemorar seus 20 anos o grupo gravou o Acústico MTV com outros arranjos para seus maiores sucessos, entre eles Como Eu Quero, Lágrimas e Chuva, Fixação e No Seu Lugar.

Outro ícone da música pop é o cantor Lulu Santos. O artista começou sua carreira ainda criança com apenas 12 anos com um repertório basicamente de músicas da banda inglesa Beatles. Em 1981 assinou contrato com a gravadora WEA e lançou

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seu primeiro disco, Tesouro da juventude. Segundo seu site, o álbum tornou-se seu primeiro grande sucesso. Em 2004 também gravou o Acústico MTV com seus maiores sucessos.

No estado de Minas Gerais, as bandas Jota Quest, Pato Fu e Skank movimentaram o cenário pop nacional. O grupo Jota Quest tem sua formação atual desde 1993, com Rogério Flausino no vocal e violão, Marco Túlio Lara na guitarra, PJ no baixo, Paulinho Fonseca na bateria e Márcio Buzelin no teclado. No site os músicos relatam que uma de suas curiosidades é o nome original do grupo. Eles começaram com o nome Jay Quest, posteriormente transformado em J. Quest, por inspiração do desenho animado Jonny Quest. Ao todo são seis álbuns gravados com várias músicas selecionadas para tocarem como trilha de novelas.

Já a banda Skank, segundo seu site oficial, nasceu em 1991, em Belo Horizonte, tendo lançado seu primeiro álbum de forma independente. Já o segundo disco, de 1994, foi o divisor de águas para o sucesso. A banda vendeu mais de um milhão de cópias do álbum Calango. O disco abriu as portas para uma nova geração de bandas brasileiras. O grupo é formado por Samuel Rosa na guitarra e voz, Henrique Portugal nos teclados, Lelo Zaneti no baixo e Haroldo Ferreti na bateria. Em 2004 ganhou o Grammy Latino de melhor Álbum Brasileiro de Rock. Seus músicos têm como singularidade a mistura do pop rock com reggae.

A banda Pato Fu teve seu início em 1992, em Belo Horizonte. Em 1993, o grupo gravou seu primeiro álbum intitulado Rotomusic de Liquidificapum Apesar do disco nao ter feito o sucesso esperado, acabou atraindo a BMG, em 1994, durante uma apresentação no Rio de Janeiro. A banda já se apresentou para cerca de 250 mil pessoas em 2001, abrindo o show de grandes nomes como Oasis e Guns N' Roses no Rock in Rio. Em 2002, o grupo lança o CD e DVD MTV Ao Vivo, show realizado no Museu de Arte da Pampulha em comemoração aos dez anos da banda.

Outro artista também consagrado no mundo pop é o cantor José Fernando Gomes dos Reis, denominado artisticamente como Nando Reis. O músico além de ser conhecido com um dos maiores compositores dos últimos tempos, também já foi baixista de outra banda de grande sucesso nos palcos brasileiros, o grupo Titãs. Ele

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começou a fazer parcerias em suas composições para bandas como Jota Quest, Skank, Marisa Monte, Cássia Eller e Cidade Negra. Em 2004, Nando consolidou sua carreira solo com o cd MTV Ao Vivo, Nando Reis e Os Infernais.

Uma mulher também faz muito sucesso no mundo pop brasileiro: Marisa Monte, cantora e consagrada também como produtora e compositora. Em 1988 lançou seu primeiro disco intitulado MM, que contém um dos seus maiores sucessos, a música Bem que se quis. Seguiram-se Mais (1991), Cor-de-rosa e carvão (1994), Barulhinho bom (1996) e Memórias, crônicas e declarações de amor (2000).

Em 2002, a cantora faz parceira com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, e lançou um grupo chamado Tribalistas, cujo álbum foi gravado na própria casa da Marisa no Rio de Janeiro, vendendo mais de 1,5 milhão de cópias no Brasil e mais de 1 milhão mundialmente. Em 2003, ela recebeu 4 indicações para o Grammy Latino, sendo nas categorias, Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro por Tribalistas, que arrebatou o prêmio, e três indicações para as categorias Gravação do Ano e Melhor Canção Brasileira para o sucesso Já Sei Namorar, e Álbum do Ano.

Ao longo dos anos, a música pop foi ganhando aos poucos, cada vez mais adeptos deste estilo. De uma forma diferenciada, com artistas consagrados em todo mundo, suas músicas fazem parte da vida de milhares de pessoas, que a cada dia procura uma diferenciação para esse estilo que sempre está revolucionando.

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3. ANÁLISE DE WEBRADIOS

Para a elaboração deste trabalho, foi feito em um primeiro momento uma pesquisa bibliográfica, que trouxe base teórica para a análise. Nessa monografia pretende-se, dentro do que foi coletado sobre cultura pop, fazer uma análise de como as emissoras que se intitulam pop disponibilizam seu conteúdo, suas músicas e programação.

Dentro do conceito de cultura pop que foi abordado no capítulo anterior, será feita uma análise dentro destes critérios de quais programas estão voltados para a música pop, como é trabalhada a produção dentro deste contexto, se as duas emissoras trabalham com uma grade de programação parecida, e se as músicas tocadas condizem com o gênero sugerido pelas emissoras e seus programas.

Para cumprir tais objetivos, vão ser comparados os mesmos horários para as três emissoras. A análise de conteúdo será feita a partir das transmissões feitas entre os dias 15 a 30 de maio de 2010.

Serão utilizados como critérios de análise o horário de veiculação dos programas, periodicidade e tempo de duração, existência de uma estrutura padrão, uso de vinhetas, existência de um padrão de linguagem, existência de padronização no layout disponibilizado nos sites.

Vale ressaltar que as emissoras-alvo dessa pesquisa foram escolhidas dentre aquelas que tiveram o maior número de acessos nos últimos três meses, dentro de um mesmo gênero musical: o pop. Importante acrescentar, ainda, que o intuito dessa pesquisa é que as pessoas possam se atualizar sobre os diversos assuntos pertinentes ao tema, uma vez que, recentemente, o gosto por ouvir rádios pela internet tornou-se uma preferência entre os ouvintes, visto a disponibilidade e acessibilidade dessa nova forma de veiculação. As rádios selecionadas foram: Estação Pop5, Multishow FM6 e BestRadio7 Brasil.
5 6

Segundo o site www.estacaopop.com.br, acesso em 10/05/2010. Segundo o site www.multshowfm.com.br acesso em 11/05/2010.

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A rádio Multishow FM foi criada no ano de 2006 com toda estrutura necessária para uma rádio FM, como locutores, produtores e programadores, mas seu suporte concentra-se na internet. Um de seus destaques é o locutor Sérgio Bitencourt que faz parte da emissora desde sua criação, há quatro anos. Essa emissora abre espaço para as bandas nacionais e internacionais, colocando no ar as novas tendências da música pop de todo o mundo. Funciona nos estúdios do Sistema Globo de Rádio no Rio de Janeiro, podendo ser acessada por todos os cantos do país e do mundo. A emissora Estação POP, nos últimos meses de pesquisa do site8, esteve no primeiro lugar do ranking de estações mais acessadas dentro de cada mês. Isto ocorre devido ao leque de acessibilidade a outros canais oferecidos pela rádio, inclusive com fácil acesso a vários sites de relacionamentos. Sua grade de opções é extensa e assemelha-se a uma rádio convencional. Daí a explicação para o grande número de acessos. É uma emissora do grupo GVT, que comanda ainda o POP internet, maior provedor do sul do país e um dos principais portais brasileiros. A rádio possibilita ao usuário se conectar em 3 sinais de recepção, conforme a qualidade da sua conexão.

A BestRadio Brasil, segundo seu site, foi eleita com 47% dos votos dos internautas a Melhor Radio Web de 2009 no Prêmio Escola de Rádio. Os ouvintes se conectam ao site para ter acesso a uma grande variedade de músicas nacionais e internacionais, novidades e lançamentos mundiais. Destaca-se das demais como uma das rádios online brasileiras que tem um conteúdo diferenciado e com uma qualidade de som superior, o que possibilita e contribui para que os ouvintes a vejam como uma boa escolha dentre as demais. A emissora possui uma estrutura de rádio convencional, o que facilita o trabalho de seus colaboradores. A programação é transmitida em multiformatos para a maioria dos computadores disponíveis no mercado.

7 8

Segundo o site www.bestradiobrasil.com.br acesso em 12/05/2010. Segundo o site www.radios.com.br acesso em 01/05/2010.

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A BestRadio procura resgatar os grandes sucessos de bandas que nem existem mais, bem como mostrar a seus ouvintes músicas que sequer chegariam ao Brasil, tornando-a, por isso, ícone das webradios.

Abaixo as estações estão disponibilizadas em ordem de número de acessos dentro de cada mês.
Tabela 1 Tabela comparativa de acessos entre os meses de fevereiro a abril de 2010.

FEVEREIRO RANKING 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º RÁDIO Estação Pop Multishow FM BestRadio Brasil RDWS Web Black Rádio Brasil Canal 80 Rádio SporTV Radio Movin Rádio Mixagem ACESSOS 72.276 33.509 13.695 13.496 11.912 7.589 4.772 3.677 3.333 2.629

MARÇO RANKING 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º RÁDIO Estação Pop Multishow FM RDWS BestRadio Brasil Web Black Rádio Brasil Canal 80 Trash Hitz CRP WebRadio Rádio SporTV ACESSOS 83.405 41.053 17.759 14.467 13.261 9.255 5.863 4.275 4.251 3.701

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ABRIL RANKING 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º RÁDIO Estação Pop Multishow FM BestRadio Brasil RDWS Web Black Rádio Brasil Canal 80 CRP WebRadio Rádio Mixagem Radio Vocall ACESSOS 77.734 28.536 14.743 14.629 12.968 10.690 6.963 6.093 4.100 3.997

Fonte: www.radios.com.br

As tabelas acima apresentam os resultados dos meses de fevereiro, março e abril, no ranking das emissoras que mantiveram o maior número de acessos, disponibilizadas no site www.radios.com.br. As emissoras foram escolhidas a partir da análise dessas tabelas. As três primeiras rádios com maior número de acessos dos internautas, foram selecionadas para análise. As rádios escolhidas são, Estação Pop que em todos os meses se manteve no primeiro lugar, Multishow Fm que também esteve no segundo lugar nos 3 meses e a BestRadio Brasil que apesar de ter perdido o terceiro lugar no mês de março, nos outros meses pesquisados ficou em terceiro lugar. Por se manter nessa posição em 2 dos 3 meses analisados foi a escolhida.

3.2 Análise

3.2.1 Público-alvo e horário de veiculação dos programas das webradios

Parece não haver dúvida que o melhor horário para a veiculação de um programa junto às emissoras seria aquele que objetivasse entreter um maior número de

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ouvintes. Por isso, verificou-se haver uma maior diversidade de programas nas estações selecionadas entre 18h e 23h, período em que será concentrada esta análise. Segundo pesquisas disponibilizadas nos sites www.estacaopop.com.br e www.multishowfm.com.br, o perfil de ouvintes que mais acessam as emissoras é um público jovem entre 15 e 34 anos conforme se pode observar no gráfico abaixo (GRÁFICO 1). No portal da emissora BestRadio Brasil, não há dados disponíveis referente aos itens estudados, motivo pelo qual não fazem parte da análise ora apresentada9.

Estação Pop

9,0% 21,8%

4,0% 29,7%

35,0%

15 a 24

25 a 34

35 a 44

45 a 54

55 ou +

Gráfico 1 – Faixa etária dos ouvintes da Emissora Estação Pop Fonte: www.estacaopop.com.br

Multishow Fm

17,0% 11,0%

1,0% 42,0%

29,0%

10 a 14

15 a 24

25 a 34

35 a 39

40 ou +

Gráfico 2 – Faixa etária dos ouvintes da Emissora Multishow Fm Fonte: www.multishowfm.com.br

9

Foi feito contato com o site da emissora por meio do link Fale Conosco, mas não houve resposta dentro do prazo disponibilizado para a pesquisa.

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Os programas, de forma geral, têm uma duração fixa, o que facilita ao receptor ouvir seus preferidos na hora disponibilizada, fator que se apresenta como importante para sua fidelização. Isso não se restringe às webradios, pois percebemos que o veículo rádio prima pela manutenção de uma grade de programação constante.

A grade de programas dessas webradios não é feita de uma maneira aleatória. Observa-se que cada emissora realiza um estudo detalhado para a captação de um número máximo de ouvintes, buscando obter um resultado positivo de suas programações. Sendo assim, para o estudo do tema, o horário a ser analisado para a pesquisa tinha que, concomitantemente, abranger uma maior multiplicidade de veiculações.

O gênero pop é caracterizado segundo o autor Guilherme Bryan (2003), como um estilo musical voltado para uma cultura jovem, e está relacionado como algo que nasce da Indústria Cultural, mas não se limita às regras ou críticas, ao contrário, a cultura pop está muito mais próxima da desordem do que da ideologia. Ela constantemente quer incomodar o receptor, ao invés de acomodá-lo. Tais afirmações podem ser consideradas como características dos ouvintes do gênero que possui em sua grande maioria, pessoas jovens, com idades compreendidas entre 15 e 34 anos (GRÁFICOS 1 e 2), motivo pelo qual verificou-se que estes ouvintes se tornaram o público alvo das emissoras do gênero analisado.

Outro dado pesquisado foi o percentual de ouvintes do sexo masculino e feminino de tais emissoras. O que se pode constatar é que os ouvintes da Estação Pop são, em sua maioria, do sexo masculino (GRÁFICO 3).

40

Estação Pop

48,0% 52,0%

Masculino

Feminino

Gráfico 3 – Perfil de público por sexo da Emissora Estação Pop Fonte: www.estacaopop.com.br

Enquanto na rádio Multishow Fm esse percentual já concentra o maior número de ouvintes do sexo feminino.

Multishow Fm

49,0% 51,0%

Masculino

Feminino

Gráfico 4 – Perfil de público por sexo da Emissora Multishow Fm Fonte: www.multishowfm.com.br

Verificou-se então que o público-alvo das emissoras são ouvintes, em sua maioria, com idade entre 15 e 34 anos e com pequenas variações de percentual entre o sexo masculino e feminino.

Notou-se também que a grade de programação das referidas emissoras são bem semelhantes, diferenciando-se um pouco nos horários e nos temas oferecidos pelas mesmas. Pode-se ainda perceber que as rádios pesquisadas mantiveram

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regularmente seus programas, buscando fidelizar-se junto ao público sua veiculação nos sites correspondentes.

Durante a pesquisa verificou-se que a maioria dos artistas citados no capítulo anterior, teve pelo menos um de seus sucessos veiculados nas três emissoras. Um exemplo foi a nova música de trabalho da cantora Lady Gaga, Alejandro, que no mesmo dia (29/05/2010), tocou no programa Maratona Pop da rádio Estação Pop, no programa Multipista da Multishow Fm e no Pop Dj da BestRadio Brasil.

O cantor Nando Reis também teve seus grandes sucessos transmitidos nas rádios. A música All Star foi tocada no programa Território da Multishow Fm, enquanto outro sucesso de sua autoria Segundo Sol passou no programa Máquina do Tempo da Estação Pop.

Dos mineiros do grupo Jota Quest, As dores do mundo foi tocada no programa Máquina do Tempo no dia 18/05/2010, e Além do Horizonte no Tape Deck dia 14/05/2010.

No horário entre 18 e 19 horas, as três emissoras mantêm sua programação livre. Toda terça-feira, a partir das 20 horas, entra no ar na rádio Estação Pop o programa On the Track; aos sábados, Maratona Pop; e nos outros dias da semana a programação é livre. Nesse mesmo horário na Multishow Fm é transmitido aos sábados Clássicos da Pista, nos outros dias da semana a programação também é livre.

Às quintas-feiras na BestRadio Brasil é exibido o programa Ctrl+Alt+Demo, já aos sábados há o programa Pop Dj, no restante da semana a programação é livre. Às 21 horas das terças-feiras é veiculado o programa Multishow Music Live, e as quintas MultiSoul na Multishow Fm. Na BestRadio Brasil a programação é livre nesse horário, enquanto na Estação Pop é transmitido nas noites de terça On the Track, aos sábados passa Maratona Pop, nos outros dias da semana a programação é livre.

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Das 22h30 até às 00h00 de segunda a sexta-feira, a BestRadio Brasil toca Jazzmaster, enquanto às quartas-feiras também às 22h30 a Multishow veicula o programa Hereditário. Nas noites de quinta a emissora transmite das 22h até às 00h o programa Multipista, aos sábados a duração do programa é de apenas 30 minutos começando às 22h00.

Aos domingos de 22 às 23 horas é a vez do programa Multirock. Neste horário nas noites de sexta na Estação Pop está passando o programa On the Road, e aos sábados Maratona Pop, de segunda a sexta às 23 horas passa o programa Super Seqüência.

A regularidade de boa parte da programação garante ao ouvinte um compromisso de, que naquele dia, naquele horário sua webradio preferida vai estar no ar, com o programa que mais lhe agrada. Com isso, denota-se que as emissoras pesquisadas são fiéis aos seus horários de programação. Para os ouvintes esse compromisso com os horários faz com que eles se sintam seguros na hora de escolher seus horários para escutar dos programas.

3.2.2 Periodicidade e tempo de duração

Entende-se por periodicidade, na termologia da palavra, como sendo o período de tempo previsto entre edições sucessivas de uma mesma publicação e, ainda, qualidade, propriedade ou característica do que é periódico.

Quanto ao tempo, considerado como duração relativa das coisas que cria no ser humano a idéia de presente, passado e futuro, acrescentamos, ainda, como sendo o período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucede.

A maioria dos programas analisados possui uma hora de duração cada, exceto os programas Multishow Music Live, Hereditário e MultiPista da emissora Multishow Fm que são veiculados com apenas 30 minutos cada. A grade tem grandes intervalos

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com programação livre, o que significa que as músicas parecem ser tocadas aleatoriamente, com algumas intervenções dos locutores.

Já na emissora Estação Pop não há a transmissão de programas com apenas 30 minutos, mas sim de programas aleatórios no horário que seria especificado como livre. Essa programação livre, nada mais é que a transmissão aleatória das músicas mais tocadas, sem a intervenção direta dos locutores.

A estação Bestradio Brasil utiliza sua grade de programação com programas de uma hora cada. Exceto os casos de programação livre que também contém exibições de programas aleatórios, como, por exemplo, o programa MegaHit da Semana, que pode ser transmitido a qualquer momento na grade de programação com a melhor música de um grupo de artistas, essa escolha é aleatória, a música do artista que for considerada a melhor durante a semana, pode ser tocada a qualquer momento. Mas dizemos, por hora, que, pelo que foi constatado no estudo é que existe hora certa para começar e para finalizar cada programação.

3.2.3 Existência de uma estrutura padrão

Inicialmente, considera-se estrutura padrão aquilo que não foge à habitualidade das emissoras de rádio. Quanto a esse quesito, percebe-se que em nenhuma das emissoras há uma estrutura padrão.

A emissora Estação Pop possui uma estrutura de seus programas que envolvem edições dos clássicos da música pop como o Máquina do Tempo que transmite em duas edições diárias músicas dos anos 70, 80 e 90. A Multishow Fm também apresenta um programa com as mesmas características, Clássicos do Rock, o programa toca aos domingos à noite as músicas de maiores sucesso do rock e pop. A emissora Bestradiobrasil no horário analisado exibe o programa Tape Deck que também mantém o mesmo conteúdo exibindo as músicas de maior sucesso das últimas décadas. Dentro desse contexto das músicas mais tocadas nos últimos

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tempos, as três emissoras possuem programas parecidos, mas com horários diferenciados.

Não há que se dizer que todas usam criteriosamente um referencial, como públicoalvo, para melhor veicular sua programação, mas todas sistematicamente selecionam seus programas, levando em consideração o horário de exibição, sendo, que a diferença, entre elas, tornou-se quase que imperceptível. Mas cada programa tem um conteúdo diversificado, com uma abordagem alternativa, sem uma padronização definitiva em cada emissora.

3.2.4 Uso de vinhetas

As vinhetas são recursos utilizados pelas emissoras, tanto de rádio quanto de televisão, com o objetivo de chamar a atenção do ouvinte/telespectador, situando-o e realçando o canal no qual se encontra conectado. Podemos dizer, também, que pode ser uma mensagem publicitária musicada e elaborada com um refrão simples e de curta duração, para que seja lembrada com facilidade, utilizada também para reafirmar o nome da emissora. Observou-se que todas as estações analisadas fazem uso de vinhetas com seus nomes.

Entre o intervalo de uma música e outra a Estação Pop utilizou a vinheta com o nome da rádio, as emissoras Multishow Fm e BestRadio Brasil também utilizaram tal artifício passando vinhetas com os nomes das rádios, para frisar a estação que o ouvinte está sintonizado. Notou-se que as emissoras utilizam sempre as mesmas vinhetas, com o objetivo de fixar sua marca para os ouvintes.

Mensagem composta por um texto pequeno, musicado ou não, as vinhetas marcam presença nos intervalos ou início dos blocos. Elas permitem que o ouvinte perceba que a música está começando. Além delas, percebeu-se que todos os locutores das três emissoras também utilizaram outro artifício muito conhecido no meio radiofônico que é o BG (background), que traduzido para o português significa fundo musical,

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composto por uma música em volume mais baixo que a voz do locutor, para que esta se sobressai àquela.

A utilização das vinhetas e BGs são programadas e lançadas na grade de tempo em tempo. No entanto, não foi percebido durante o estudo, uma padronização temporal entre as vinhetas, em nenhuma das emissoras.

3.2.5 Existência de um padrão de linguagem

Parece não haver uma linguagem padrão nas webradios analisadas. Ortriwano (1985) afirma que a simplicidade é, na maioria das vezes, uma das melhores técnicas para o radialista comunicar-se com os seus ouvintes, visto que quanto maior a clareza e simplicidade da mensagem a ser transmitida, maior será o entendimento por parte dos receptores.

Os locutores não seguem um roteiro ou script, eles mantêm uma espontaneidade. Exceto nos casos de abertura de programas onde se percebe um tom mais vibrante como se eles quisessem entusiasmar ou animar seus ouvintes: “Muita boa noite pra todos os ouvintes que estão ligados aqui no Jazzmaster”10 que, de certa maneira, formaliza a fala.

O que se constatou, nos referidos horários e programações das rádios, é que a linguagem utilizada pelos locutores é uma linguagem simples, digamos que popular, de fácil compreensão para seus ouvintes.
É isso aí, galera, voltando com nosso programa, só com as novinhas do momento. Bom, vou começar o bloco lendo os pedidos que nossos ouvintes deixaram pra gente. O Alexandre de São Paulo, pediu pra tocar a música da mulher que tá bombando no momento, no topo de todas as paradas, inclusive aqui do nosso programa: Lady Gaga. Boa pedida, Alexandre. No próximo bloco sua música vai tocar aqui na estação número um do Brasil. (Transcrição da fala do DJ Tony Althein, programa On the Tracks edição do dia 30/05/2010.)

10

Transcrição da fala do locutor Paulo Mai, programa “Jazzmaster” edição do dia 26/05/2010.

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O uso da gíria “galera” pelo locutor faz com que o programa fique mais informal e mais próximo da linguagem de seu público.

Pode-se observar que os objetivos são claramente explícitos para se obter uma boa audiência, sem uma existência padrão ou com certos jargões. Verifica-se que os locutores apresentam os programas, as músicas e comentam alguns fatos do mundo artístico, tudo de uma forma clara, concisa e muito bem explanada, denotando os fatos que são relevantes para os ouvintes.
Ai, Deus o que tá acontecendo hoje? O que eu tô fazendo? Hoje é sexta feira, deve ser isso. Pra vocês que se conectaram agora e não devem estar entendo nada, vou tentar explicar. Eu queria colocar uma música, mas acabou tocando outra. [Risos do locutor] (Transcrição da fala do locutor Sérgio Bitencourt, programa Território, edição do dia 28/05/2010.)

A questão da proximidade com o ouvinte também está presente na fala do locutor Sérgio Bitencourt. Parece que ele está falando pessoalmente com seus ouvintes, como se não houvesse uma barreira geográfica entre eles.

Vislumbra-se que os canais de acesso não façam uma diferenciação do seu conteúdo lingüístico para atender certa demanda ou segmentações de ouvintes. A linguagem é a mesma das rádios convencionais, com a mesma abordagem.

3.2.6 Existência de padronização no layout disponibilizado nos sites

Através do que foi proposto nesta monografia, foi feita uma análise do layout das três webradios selecionadas. Essa análise buscou avaliar e comparar pontos em comum entre elas, como acessibilidade, facilidade de navegação, visualização e desempenho.

Ao tentar acessar a emissora Estação Pop, foi constatado que existem dois links de acesso, http://www.estacaopop.com.br e http://estacao.pop.com.br. Apesar dos layouts idênticos e a mesma programação, os links não estão sincronizados, pois em um dos sites, a página inicial tem anúncios diferentes do outro site, dando a

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impressão de que foi realizado um projeto piloto e depois que o projeto final foi lançado. Sendo que os outros links parecem estar sincronizados.

Um ponto positivo no site é a sua visualização e a facilidade de navegação. É um site claro, objetivo. Não possui muitas propagandas, apresenta um menu rápido e objetivo inicialmente. Bastar clicar em “AO VIVO” no canto superior direito ou no centro da tela e rapidamente já se tem o acesso à exibição da rádio. No mesmo menu, no canto superior direito, tem-se acesso à programação, sinopse dos programas e ao “Fale conosco” onde pode-se deixar críticas e elogios a emissora.

Com uma internet banda larga de 1MB pode-se acessar com excelência toda programação. A rádio também da opção de acessos com qualidades diferenciadas, para conexões mais lentas.

Digitando o link www.bestradiobrasil.com.br, você é redirecionado ao link do site: http://bestradiobrasil.obaoba.com.br, o que facilita muito o acesso já que esse link é mais difícil de gravar, por acrescentar o domínio do portal que o hospeda, por sua vez mais desconhecido do público geral.

O site tem um visual limpo e objetivo, sem muitas propagandas. Ele oferece mais opções aos internautas. O lado esquerdo é voltado para notícias, musicais, seriados e filmes. Do lado oposto você encontra os links com os hits da semana e um menu simples com o que o tem a oferecer, como promoções, as dez faixas mais tocadas, ouvintes e muitos outros. Logo abaixo há a opção de arquivos anteriores. Na parte superior central, pode-se acessar a radio, com duas opções de velocidade, 128k ou 32k para conexões mais lentas. Com uma internet banda larga de 1MB tem-se um acesso excelente a toda programação da emissora.

O

endereço

www.multishowfm.com.br

direciona

para

o

link

da

webradio

http://multishowfm.globoradio.globo.com/home/HOME.htm, o que parece muito eficaz, pois o link completo é grande e difícil de gravar. Uma desvantagem é que se o internauta se esquecer de digitar “fm”, vai encontrar o site do canal de TV do Multishow e não a rádio, visto que ambos são de propriedades das Organizações Globo, por meio do portal Globo.com.

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O site é mais completo que os anteriores, repleto de informações e por vezes pode mostrar-se mais complexo para a navegação, pois os internautas podem se perder em meio a tanta informação. Isso parece desviar a atenção do objetivo principal do site que é a webradio. Na parte superior há um menu simples com acesso rápido para as opções da rádio, como os atalhos para as opções “ouvir agora”, “a rádio”, “programas”, “equipe”, “lançamentos”, “top 10” , “promoções” e “widget11”. Logo abaixo, o site possui várias informações, o que pode fazer o menu passar desapercebido e o acesso à rádio também. O usuário acessa o site em busca da webradio e pode acabar se interessando por outra notícia ou informação disponível no site e acabar esquecendo o objetivo principal.

Do lado direto tem-se outra opção para “ouvir agora”, acompanhada de outro menu com opções de entrada e acesso à Rádio Globo e aos canais Multishow. Encontramse também espaço para vendas de produtos, blog, chat e outras atrações.

Feita a análise e comparação dos três sites, podemos perceber que a webradio da Estação Pop é a mais ouvida e está em primeiro lugar, quase sempre pelo fato de ter um site limpo e objetivo, voltado ao seu produto principal que é a transmissão online de músicas. Não apresenta muitas propagandas ou muitas notícias e é quase voltado unicamente para a rádio e sua programação.

11

Elemento de uma interface gráfica que inclui janelas, botões, menus, ícones Etc.

49

CONCLUSÃO

O presente trabalho teve como ponto central a análise de três webradios que se intitulavam pop. Concluiu-se que as emissoras produzem seus programas de acordo com a principal faixa etária de seus ouvintes que é de 15 a 34 anos.

A análise permitiu verificar que os programas são simples com características específicas entre cada um deles. Os locutores utilizam uma linguagem acessível e bastante informal na apresentação dos programas. Essa linguagem está ligada ao perfil dos seus ouvintes, que como já dito é um público jovem. Pode ser constatado também que os locutores através de uma linguagem simples fazem com que se crie uma identificação com seus ouvintes.

Dentro do conceito de gênero pop que foi discutido, as emissoras Estação Pop, Multishow Fm e BestRadio Brasil se enquadram dentro desta especificação. O que verificou-se é que todas elas transmitem músicas referentes ao gênero proposto.

O horário de pesquisa foi justamente o de maior acesso de seus ouvintes, com o maior número de diversidade de seus programas. O tempo de duração dos programas em sua maioria é de 1 hora cada. Exceto em alguns casos da emissora Multishow Fm. Essa duração facilita ao ouvinte se manter fiel ao programa sem que o considere cansativo ou monótono.

Constatou-se que os horários de veiculação dos programas são regulares sem alteração. O que faz com que o ouvinte tenha certeza que naquele dia ou naquele horário sua webradio preferida vai estar no ar, com o programa que mais lhe agrada.

Com isso, denota-se que as emissoras pesquisadas são fiéis aos seus horários de programação. Para os ouvintes esse compromisso com os horários faz com que eles se sintam seguros na hora de escolher seus horários para escutar dos programas. A grade de programação é bem semelhante, diferenciando-se por pouco os horários e os temas oferecidos.

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Identificou-se o uso de vinhetas e BGs em todos os programas das emissoras analisadas. A partir desta pesquisa, o que se pode verificar é que o principal foco das rádios é o do estilo pop.

Por fim ficou provado através de toda análise que as três emissoras que se autointitulam como web pop, são de fato rádios que transmitem música do gênero e através de estrutura simples fidelizam seus ouvintes.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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53

ANEXO A – HORÁRIOS DE ANÁLISE DOS PROGRAMAS DA RÁDIO BEST RÁDIO BRASIL

SEGUNDA 18h00min Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação 22h00min Livre JazzMasters

TERÇA Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre JazzMasters

QUARTA Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre JazzMasters

QUINTA Programação Livre Programação Livre Ctr+Alt+ Demo Programação Livre Programação Livre JazzMasters

SEXTA Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre JazzMasters

SABADO Programação Livre Programação Livre POP DJ Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre

DOMINGO Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre

19h00min

20h00min

21h00min

Programação Livre

23h00min

JazzMasters

JazzMasters

JazzMasters

JazzMasters

JazzMasters

Programação Livre

Fonte: www.bestradiobrasil.com.br

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ANEXO B – HORÁRIOS DE ANÁLISE DOS PROGRAMAS DA RÁDIO MULTISHOW FM

SEGUNDA 18h00min Território

TERÇA Território

QUARTA Território

QUINTA Território

SEXTA Território

SABADO Programação Livre Programação Livre Clássicos Pista

DOMINGO Programação Livre Clássicos Rock Programação Livre

19h00min

Território

Território

Território

Território

Território

20h00min

Programação Programação Programação Programação Programação Livre Livre Multishow Livre Livre Livre

21h00min

Programação normal

Music Live Programação Livre

Programação Livre MultiSoul

Programação Programação Livre Livre

Programação Livre

Programação 22h00min A cova do leão Programação Livre Livre Hereditário Programação Livre MultiPista

MultiPista Programação Livre MultiPista Programação Livre Programação Livre MultiRock

23h00min

Programação Programação Programação Programação Livre Livre Livre Livre

Fonte: www.multishowfm.com.br

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ANEXO C – HORÁRIOS DE ANÁLISE DOS PROGRAMAS DA RÁDIO ESTAÇÃO POP

SEGUNDA 18h00min

TERÇA

QUARTA

QUINTA

SEXTA

SABADO

DOMINGO

Programação Programação Programação Programação Programação Programação Programação Livre Livre Livre Livre Livre Livre Maratona Pop Maratona Pop Maratona Pop Maratona Pop Maratona Pop Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre Programação Livre

19h00min

Programação Programação Programação Programação Programação Livre Programação Livre Programação Livre Livre On The Tracks On The Tracks Livre Livre Livre

20h00min

Programação Programação Programação Livre Livre Livre

21h00min

Programação Programação Programação Livre Livre Livre On the road Super Seqüência

22h00min

Programação Programação Programação Programação Livre Super Seqüencia normal Super Seqüencia Livre Super Seqüencia Livre Super Seqüencia

23h00min

Fonte: www.estacaopop.com.br

56

ANEXO D – LAYOUT DO SITE WWW.ESTAÇÃOPOP.COM.BR

57

ANEXO E – LAYOUT DO SITE WWW.MULTISHOWFM.COM.BR

58

ANEXO F – LAYOUT DO SITE WWW.BESTRADIOBRASIL.COM.BR

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