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JUST-IN-TIME: ADMINISTRAÇÃO NO ESTOQUE DA ÁREA FARMACÊUTICA

Cristhian Raphael¹
Juliana Moretti²
Leticia Silva³
Professor Diego Soares Alves4

RESUMO: A administração moderna tem buscado constantemente novas ferramentas que


possam auxiliá-las na busca da excelência de seus processos. Uma das técnicas muito
utilizadas pelas empresas nessa busca por diminuição de custos é o Just In Time, que tem
como objetivo a diminuição dos estoques, a redução dos desperdícios e, consequentemente,
a redução dos custos. O Just In Time visa produzir bens/serviços no tempo certo, na hora
certa, ou seja, fazendo com que o pedido só seja processado e, consequentemente, o
produto seja produzido quando há a necessidade do mesmo.
A busca pelo Just in time (JIT) tornou-se mais do que uma mera “filosofia”, e sim, um
comprometimento entre todos os membros que fazem parte do canal de abastecimento de
determinado produto ou serviço.
Este artigo científico mostra que com as constantes mudanças econômicas e sociais a
atividade comercial farmacêutica visualiza a importância da adoção de um sistema de
controle de estoques adequado para o gerenciamento otimizado do estoque de
medicamentos, dessa forma atendendo não somente a melhorar a situação econômica do
estabelecimento comercial, como também possa prestar ao atendimento das necessidades
sociais de seus consumidores.

Palavras-chave: “Just in time”. Gestão de estoques. Melhoria continua. Administração.

1. INTRODUÇÃO

Sobre o termo Just in time (JIT), buscou-se primeiro entender sua origem, seu uso na
Administração de estoques e sua utilização em outras organizações que buscam atender às
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necessidades dos clientes e consumidores com eficiência e, acima de tudo, agregando valor
aos produtos e serviços comercializados.
A melhoria contínua do processo produtivo ou de um processo individual, a fim de se
agregar mais valor com menos desperdício, envolve toda a participação das pessoas dentro
de um contexto organizacional, sejam elas gerentes ou operários (BERTAGLIA, 2003).
Apesar de a Administração da Produção ter como objeto de estudo os setores produtivos
das empresas de natureza industrial, nos dias de hoje, muitas das suas técnicas vêm sendo
aplicadas com sucesso em processos organizacionais e atividades de serviços (MOREIRA,
2002).
O entendimento sobre o JIT é que ele não é nenhum tipo de pacote de software e sim uma
filosofia de bom senso, cuja essência é enunciada por meio de duas expressões que
resumem em: o hábito da melhora e a eliminação de práticas de desperdício (DEAR, 1991).
Tem um papel importante nas organizações é os administradores que estabelecem e
promovem constantemente um relacionamento positivo com seus subordinados no intuito
de abrirem o caminho para a ideia da eliminação progressiva das práticas de desperdício.

2. OBJETIVO

Objetivo do trabalho é analisar o atual método utilizado para controle do estoque da


Farmácia Itaipulândia, reduzir, ou mesmo eliminar, todo estoque e desperdícios nos
diferentes estágios do processo eliminando os custos derivados.

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

JIT é uma derivação do sistema japonês Kanban. Os cartões Kanban de processo de


produção especificam quanto será feito e quando será necessário o reabastecimento. É
indispensáveis para o funcionamento desta filosofia os princípios de qualidade, velocidade,
confiabilidade, flexibilidade e compromisso.
Just in time surgiu no Japão, no principio da década de 50, onde a Toyota Motor Company
foi à pioneira do sistema, tendo como principal objetivo a otimização de recursos, para
entrega de produtos com qualidade total. O JIT trabalha com um sistema de produção
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“puxada”, ou seja, somente se produz em cada uma das partes do processo aquilo que foi
vendido, no tempo e no momento exato.
Do ponto de vista de Dias (2009), o método Just In time tem por objetivo atender ao cliente
interno ou externo no momento exato de sua necessidade, com as quantidades necessárias
para a operação/produção, evitando-se assim a manutenção de maiores estoques.
O sistema JIT esta sustentado fundamentalmente sobre três pilares básicos, que são: a
integração e otimização, a melhoria continua e finalmente, o esforço em compreender e
responder as necessidades dos clientes.
O primeiro pilar visa reduzir ou eliminar funções e sistemas desnecessários aos processos
produtivos como: inspeção, retrabalho, estoques de matérias primas e estoque em Processo.
Pires (2004), afirma que, o envolvimento dos fornecedores desde os estágios iniciais do
desenvolvimento de novos produtos proporciona uma redução no tempo e nos custos de
desenvolvimento dos mesmos.
O segundo pilar, a melhoria continua (kaizen), fomenta o desenvolvimento de sistemas
internos que encorajam a melhoria constante, não somente dos processos, mas também da
qualificação das pessoas, dentro da empresa.
O terceiro pilar é basicamente entender e responder as necessidades dos clientes nos
requisitos de qualidade do produto, prazo de entrega e custo.
A meta do Just In Time é eliminar qualquer função desnecessária no sistema de manufatura
que traga custos indiretos, que não acrescente valor para a empresa, e que impeça melhor
produtividade ou agregue despesas desnecessária no sistema operacional do cliente.
A busca pelo JIT não restringe somente ao setor de produção da organização. Ela é mais
abrangente, pois problemas existem em qualquer setor e/ou área de uma empresa. O JIT
auxilia a administração na busca constante para acabar com as práticas de desperdício em
situações sob seu controle, ou seja, é uma atitude que motiva as pessoas a repensarem no
que fizeram para ver se podem fazê-lo ainda melhor.
Viana (2002) salienta que o Just-in-Time é a produção na quantidade necessária, no
momento necessário, para atender à variação de vendas com o mínimo de estoque em
produtos acabados, em processos e em matéria-prima.
Slack, Chambers, Harland e Harrison (1999) salientam que a filosofia de operações do JIT
aponta para três pontos-chaves: a eliminação de desperdícios, em que o desperdício pode
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ser definido como qualquer atividade que não agregue valor; o envolvimento dos
funcionários na produção, visando a fornecer diretrizes que incluem todos os funcionários e
todos os processos na organização e por último o esforço de aprimoramento contínuo,
visando o melhoramento de todos os fatores envolvidos em cada uma das fases do mesmo.
De acordo com Ballou (1993), tem como objetivo suprir produtos para os clientes apenas
quando forem necessários, os lotes pedidos contem a quantidade necessária para atender o
consumo com antecedência de apenas um ressuprimento, sendo considerado um conceito
muito importante de planejamento das necessidades de materiais.

4. GESTÃO DE ESTOQUES

De acordo com Arnold, (1999) estoques são os materiais mantidos por uma empresa para
venda ou fornecimento de insumos para o processo de produção.
Segundo Slack, Chambers e Johnston (2001), estoques referem-se à acumulação de
recursos materiais em um sistema de transformação.
Moreira (2004), por sua vez, define como sendo quaisquer quantidades de bens físicos
conservados de forma improdutiva determinado intervalo de tempo, tanto de produtos
acabados, como de matérias-primas ou produtos intermediários.
Moreira, (1998), estoques são quaisquer quantidades de bens físicos que sejam
conservados, de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo; constituem estoques
tanto os produtos acabados que aguardam venda ou despacho, como matérias-primas e
componentes que aguardam utilização na produção.
Todos esses autores se referem ao estoque como acumulo de material capaz de gerar capital
para a empresa em um determinado momento.
A gestão de estoques é considerada na maioria das vezes como base para o gerenciamento
da cadeia de suprimentos. Toda e qualquer empresa precisa antecipar-se às demandas de
seus produtos através de um sistema de previsão.
De acordo com Bertaglia (2003), as organizações devem influenciar a demanda a ser pró
ativas em relação a ela, se antecipando às necessidades de mercado e os desejos dos
clientes. Ter previsões e controle de estoques.
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Sendo assim, o JIT a serviço da previsão e controle de estoques significa, além das práticas
de desperdício em se buscar este controle, auxiliar o entendimento com os fornecedores,
trazendo benefícios para as atividades relacionadas com estoques, da mesma forma que
para as operações de produção (DEAR, 1991).
Outra área que merece atenção refere-se ao departamento de compras de uma empresa. A
maneira pela qual o departamento de pedidos determina quanto irão encomendar
determinado material também merece muita atenção, mesmo existindo softwares
apropriados para a previsão de compra. Quase sempre existe uma tendência a se pedir mais
do que se precisa. Nestes casos, a aplicação do JIT é de suma importância (CHING, 2001).

5. METADOLOGIA

Para o desenvolvimento do presente artigo tem como metodologia empregada pesquisa


bibliográfica, que segundo Gil (2002) é a etapa "desenvolvida com base em material já
elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos", estudo de caso de
uma farmácia, onde se buscou analisar o aspecto dentro do contexto em que ocorre e para
coleta de dados foi observado a sistemática.

6. ESTUDO DE CASO

6.1. JIT NAS FARMACIAS

Como estudo das práticas da filosofia JIT em uma organização, este artigo utilizará uma
empresa farmacêutica. A farmácia Itaipulândia, localizada na Avenida Tiradentes,1257 no
município de Itaipulândia – PR, está no ramo desde 2007. Setor tem buscado
constantemente melhoria contínua, focando além da redução dos custos de estoque, atender
e suprir toda e qualquer necessidade dos clientes, através de produtos e serviços com alto
padrão de qualidade.
Sendo que observando à prática de controle de estoques nas farmácias, foi possível
visualizar claramente o uso da filosofia JIT, principalmente pela existência do bom
relacionamento entre os elementos da cadeia produtiva do setor farmacêutico (indústria-
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fornecedor-farmácia), assim não sendo necessário manter um grande volume de produtos


em estoque, minimizando assim os chamados custos de estoque.
A farmácia pesquisada trabalha com uma gestão JIT voltada para a operação de um canal
mínimo de estoque possível, conforme abordado por Ballou (2006). A farmácia utiliza um
de sistema informatizado de estoques, através dos códigos de barras dos produtos, gerando
relatórios das quantidades vendidas e propondo as reposições, porém ainda desenvolvem a
técnica de saber o que sai do estoque anotando todas as vendas concretizadas no dia,
minimizando qualquer erro que possa ocorrer no sistema e garantindo que o produto
vendido seja reposto no fim do período/dia, o que não deixa de ser algo similar à ficha de
Kanban.
Verificou-se na farmácia à eficiência do canal de distribuição quando um cliente necessita
de determinado produto e a mesma não o possui, o cliente é atendido com os itens
existentes no estoque e os faltantes são providenciados pela farmácia junto ao fornecedor.
Sendo que todo final do dia, com posse da lista dos itens e quantidades comercializadas,
entra em contato com os distribuidores solicitando a reposição do estoque somente dos
itens vendidos/ falta. Este atendimento acontece no dia do pedido e a entrega é de forma
rápida e segura, chegando às vezes não demandar mais do que 12 horas do pedido
solicitado. Percebe-se que a logística de entrega do fornecedor é eficiente.

7. RESULTADOS

De acordo com o estudo que foi realizado no controle de estoque da farmácia analisada,
podemos afirmar que a farmácia possui um sistema que é possível visualizar a quantidade
de produtos em estoque e os faltantes, dessa forma podemos concluir que o método JIT
pode ser adaptado para a área inclusive de serviços farmacêutico, mais especificamente ao à
área de gestão de materiais/medicamentos. Foram encontradas características JIT no
gerenciamento e distribuição dos medicamentos, proporcionando semelhantes no setor
industrial. O planejamento das compras e de estoques de segurança é necessário para que
uma eventual falta não comprometa a saúde do paciente assim, a parceria entre fornecedor e
confiabilidade nos prazos de entrega são fatores muito importantes para a implantação do
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JIT no gerenciamento de materiais de farmácia. No caso já existia este relacionamento entre


os fornecedores e a farmácia, o que facilitou a utilização do sistema JIT à distribuição.

8. CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto neste artigo, pode-se verificar que a busca pela excelência dos
processos faz parte do dia-a-dia de todos os elementos que compõem a cadeia produtiva.
Dessa forma verifica-se que o JIT é uma filosofia japonesa cujo objetivo central consiste na
aplicação de métodos que visam a melhoria de todo processo produtivo, e que, se bem
aplicado, contribui para a redução do desperdício, seja ele no tempo ou de matéria-prima,
bem como na identificação de novas formas de se fazer determinadas tarefas, tendo como
meta o aumento da produtividade e da qualidade do produto final ou mesmo dos serviços
prestados.
A empresa analisada possui um controle de estoque eficaz pois na falta de um medicamento
em 12 horas o fornecedor disponibiliza ressaltamos isso pois é de grande importância se ter
um controle de estoques efetivo mesmo em uma microempresa. Esta gestão é
importantíssima nos resultados financeiros, na redução de custos e perdas de matéria-prima
e na satisfação dos clientes. Entender da gestão faz com que se utilize e que possua melhor
resultado em uma análise de custo benefício.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BERTAGLIA, P. R. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento / Paulo


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e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1993

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São Paulo : Bookman, 2006.

CHING, Hong Yuh. Gestão de Estoques na Cadeia de Logística Integrada – Supply


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DEAR, A. Rumo ao Just-in-time. Rio de Janeiro: Masques-Saraiva, 1991.

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MOREIRA, D.A. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira


Thomson Learning, 2004.

PIRES, Silvio R. I., Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estratégias, praticas e


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Atlas, 2001.

SLACK, N. CHAMBERS & S. JOHNSTON, R. Administração da Produção, Editora


Atlas, 1999.

VIANA, João José. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas,
2002.