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João Gilberto

Angus Deaton, em suas pesquisas sobre desenvolvimento, apresenta aspectos muito


importantes, sobretudo no tocante à saúde e ao bem-estar que são fundamentais, notadamente,
quando vistos sob o enfoque do capital humano. Esses aspectos também estão para além da
renda, que não pode ser desconsiderada. O termo bem-estar significando tudo aquilo que faz
bem a uma pessoa, que lhe ajudam a tornar a vida melhor. Aliás, toda a obra é marcada pela
preocupação com o crescimento econômico, também com enfoque na questão da saúde,
educação e bem-estar da população (DEATON, 2017).
Segundo Deaton, a saúde é o ponto de partida óbvio para qualquer pesquisa sobre
bem-estar. Não há como viver bem sem estar vivo. Para melhor compreender essa situação,
observem-se as mudanças na expectativa de vida nos mais diversos países, desde os mais
pobres, aos mais ricos. Um dos exemplos dados por Deaton é o da mortalidade infantil
feminina nos EUA, em 1910, quando 20% das meninas morriam antes de completar 5 anos.
Apesar de haver, nos dias de hoje, nações ainda muito pobres, e com graves problemas, é
inegável que houve um grande avanço em vários setores, principalmente no tocante à saúde. A
Índia e a China que, em 2005, detinham cerca de 50% dos pobres do mundo, já apresentavam
expectativa de vida, entre os recém-nascidos, de 64 e 73 anos respectivamente. A própria
diferença de altura que tem marcado as gerações mais novas, em comparação com seus
antepassados, mostra que a alimentação tem sido mais rica nas gerações de agora do que nas
anteriores e isso aumenta até a capacidade de crescimento físico. É impressionante, contudo,
que haja, no mundo, países muito pobres que enfrentaram guerras arrasadoras e que, ainda
assim, têm altas expectativas de vida, como é o caso do Vietnã, por exemplo, com expectativa
de vida, em 2005, de 74 anos. Em dados de 2015, essa expectativa dos vietnamitas já era de
75,8 anos.
Para Amartya Sen (2000), não adianta apenas a pessoa se considerar feliz; ela precisa
ter condições reais de estruturas mínimas para dar vazão às suas potencialidades. É o que
Deaton (2017, p. 39) chama de capacidades. Deaton (2017) também cita Richard Layard,
economista e utilitarista, que acredita que é mais importante a pessoa se sentir feliz,
independentemente das circunstâncias, afinal de que adianta ter todas as condições materiais e
ser infeliz. Essa não deixa de ser uma consideração bastante interessante, assim como é
interessante também a posição de Amartya Sen (2000), ao considerar que ainda que uma
pessoa rica seja infeliz, não há como negar que ela seja rica.