PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA CURSO DE GESTÃO

AMBIENTAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Drenagem e Proteção das Águas Superficiais

Autores: Eng. MSc Lília Maria de Oliveira Eng. MSc Eber José de Andrade Pinto

Belo Horizonte, maio de 2004

Capítulo 1 - Ciclo Hidrológico e Bacia Hidrográfica Ciclo Hidrológico A circulação contínua e a distribuição da água sobre a superfície terrestre, sub-solo, atmosfera e oceanos é conhecida como o ciclo hidrológico. Existem cinco processos básicos no ciclo hidrológico: condensação, precipitação, infiltração, escoamento superficial e evapotranspiração. Estes processos são governados basicamente pela radiação solar e a gravidade, e são esquematizados na Figura 1.1. FIGURA 1.1 - Componentes do ciclo hidrológico

I P Essup

Nuvem Esup

ETP Ev

Sol

Ev

Pe

Esub

Rio, lago

Lençol freático

onde: P - precipitação, mm; Esup - escoamento superficial; Essup - escoamento sub- superficial; Ev - evaporação; ETP - evapotranspiração; I - infiltração; Pe - percolação; Esub - escoamento subterrâneo. O vapor de água presente na atmosfera, sob determinadas condições metereológicas condensa-se formando micro-gotículas de água. O choque entre as gotículas em suspensão provoca o seu crescimento, tornando-as suficientemente pesadas para se precipitarem sob a forma de chuva (ou neve, ou granizo, ou orvalho). Do total precipitado parte será evaporado no trajeto em direção à terra, parte será interceptado pela vegetação (da qual grande parte retornará a atmosfera sob a forma de vapor), parte poderá evaporar e finalmente o restante atingirá o solo. Da água que atinge o solo, uma parcela infiltrará para o sub-solo, outra escoará por sobre a sub-superfície e a superfície, e o restante será recolhido diretamente por rios, lagos e oceanos. A infiltração ocorre enquanto a superfície do solo não se satura. À medida que o solo vai sendo saturado, a infiltração decresce até uma taxa residual, o excesso não infiltrado da precipitação irá gerar o escoamento sub-superficial e superficial. Parte da água que infiltra será retida na camada superior do solo e poderá ser evaporada ou absorvida pelas raízes da vegetação. O volume de água absorvido pela vegetação será devolvido à atmosfera, quase que totalmente, por transpiração.

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O restante do volume infiltrado irá percolar para as camadas mais profundas do solo, alimentando os aqüíferos subterrâneos. Quando a chuva excede a capacidade máxima de infiltração do solo, o excesso de água irá formar o escoamento superficial. Inicialmente, o escoamento superficial ocorre na forma de pequenos filetes de água que se adaptam ao microrrelevo do solo. Em seguida, a erosão das partículas de solo pelos filetes associada à topografia criam uma microrrede de drenagem efêmera que converge para a rede de cursos d´água mais estável, formadas por córregos e rios. Na maioria das vezes, a água escoada pela rede de drenagem mais estável destina-se ao oceano. O ciclo hidrológico se completará com o retorno da água armazenada pelas plantas, solo e superfícies líquidas, sob a forma de vapor para a atmosfera através dos fenômenos de evaporação e transpiração. Quantificação das Reserva Hídricas A quantificação das reservas de água do ciclo hidrológico global foi efetuada por diversos pesquisadores, entretanto os resultados são divergentes. Apesar das discrepâncias dessas quantificações estáticas os valores relativos apresentam certa semelhança e são úteis para se avaliar a importância relativa de cada reserva na dinâmica do ciclo hidrológico. A Tabela 1.1 apresenta os percentuais de reservas hídricas. TABELA 1.1 – Reservas Hídricas Água Salgada 97,3 %

Água Doce

2,7 %

Distribuição da Água Doce Geleiras 78,1 % Águas Subterrâneas 21,5 % Lagos 0,333 % Rios 0,032 % Atmosfera 0,035 %

Bacia Hidrográfica A bacia hidrográfica é uma área de captação natural da água da precipitação fazendo convergir os escoamentos para um único ponto de saída, denominado exutório. A área da bacia hidrográfica é delimitada pelos seus divisores topográficos ou divisores de água, os quais são as cristas das elevações do terreno que separam a drenagem da precipitação entre duas bacias adjacentes, Figura 1.2. Uma bacia hidrográfica é constituída por bacias menores, chamadas de tributárias ou sub-bacias. Desta forma, a bacia do rio Arrudas é uma sub-bacia do rio das Velhas, que por sua vez é uma sub-bacia do rio São Francisco. A individualização de uma bacia hidrográfica é feita através de seus divisores de água e de sua rede de drenagem. Os divisores de água de uma bacia são comumente delimitados através do uso de mapas topográficos, podendo também ser obtidos de fotografias aéreas e imagens de satélite. Atualmente a delimitação da área de drenagem de uma bacia hidrográfica também pode ser realizada através da utilização de softwares de geoprocessamento ou sistemas de informações geográficas.

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A bacia hidrográfica pode ser entendida com um sistema físico no qual o volume de água precipitado é a entrada do sistema e o volume de água escoado pelo exutório é a saída. seguindo as maiores cotas ou elevações. Os volumes evaporados. tendo como ponto inicial o exutório da bacia. FIGURA 1.3 . A Figura 1.Hidrograma 3 .3 apresenta o hidrograma do ribeirão Serra Azul na estação de Jardim. A rede de drenagem de uma bacia é formada pelo rio principal e pelos seus tributários responsáveis pelo transporte de água e sedimentos.FIGURA 1. transpirados e infiltrados profundamente podem ser considerados perdas intermediárias.2 .Bacia Hidrográfica divisores A Exutório B A-B Os divisores são comumente representados por uma linha fechada traçada ortogonalmente as curvas de nível do terreno.

680 m Comprimento . que pode ser determinada por vários métodos. dependendo do estudo onde será utilizado este dado. entretanto.Perfil longitudinal de um curso de água PERFIL LONGITUDINAL DO RIBEIRÃO PACIÊNCIA 1200 1100 1000 COTA (m) 900 800 700 600 0 10 20 30 DISTÂNCIA (Km) 40 50 60 40280000-Pará de Minas Cota da Nascente . Os perfis longitudinais são levantados em mapas planialtimétricos. A seguir são apresentados os métodos mais que introduzem essas correções. expressa em hectares (ha) ou quilômetros quadrados (km2). Esta é a maneira mais simples de se calcular a declividade. ou com uso de técnicas de geoprocessamento.Fisiografia da Bacia Hidrográfica São considerados dados fisiográficos de uma bacia todos aqueles dados que podem ser extraídos de mapas. comprimentos. Algumas características fisiográficas e índices serão descritos a seguir. fotografias aéreas e imagens de satélite.56 km Rib.Através do perfil longitudinal dos cursos d’água determina-se o comprimento do trecho entre nascente do rio e o ponto de interesse. A declividade consiste na razão entre a diferença das altitudes dos pontos extremos de um curso d´água e o comprimento desse curso d´água. A Figura 1.4 apresenta um exemplo de perfil longitudinal. Basicamente são áreas. utilizando o curvímetro. FIGURA 1. dos Guardas Declividades dos Cursos D’água A velocidade de escoamento de um rio depende da declividade.4 . • Comprimento do curso d´água (L) . declividades e cobertura do solo obtidos diretamente ou expressos por índices. Rio São João 4 . A declividade pode ser expressa em % ou m/m.1090 m Cota Final . • Área de Drenagem (A) – é obtida através da projeção vertical da linha do divisor de águas sobre o plano horizontal. para rios que percorrem relevos muitos diferenciados é necessário se fazer algumas correções.

seria igual ao perfil acidentado natural (Silveira. leva em conta. Portanto são desprezados o trecho da nascente.1993). O valor da declividade média do trecho considerado será portanto a inclinação da hipotenusa do triângulo retângulo encontrado. 5 . todo o perfil longitudinal do rio até o ponto desejado.Raio hidráulico em m I . calcular a área abaixo do gráfico e encontrar um triângulo retângulo de área equivalente e de base igual ao comprimento do curso d’água da nascente até a estação fluviométrica. aquela declividade constante cujo tempo de translação. A fórmula acima é baseada na fórmula de Chézy. obtendo-se então a declividade do trecho. neste caso a estação fluviométrica.Declividade em m/m que aponta o tempo como função do inverso da raiz quadrada da declividade (Silveira. 1993).Coeficiente de Chézy R . Método da Declividade Média Este método consiste em. para o cálculo da declividade.Velocidade em m/s C . Método da Declividade Equivalente Este método.Método da Declividade I15.85 Este método consiste na obtenção das altitudes a 15 e 85% do comprimento do rio até o ponto desejado. tal como o método da declividade média. ⎥ ⎣ ⎝ ⎠⎦ 2 onde L é o comprimento total do trecho lj e Ij são o comprimento e a declividade de cada sub-trecho j . para cálculo de velocidades em canais: U = C R. O método é baseado no conceito de declividade equivalente constante. geralmente com declividade mais altas. A declividade equivalente pode ser calculada através da fórmula: ⎡ ⎤ ⎥ ⎢ L ⎢ ⎥ I eq = ⎢ ⎛ lj ⎞ ⎥ ⎢ ∑⎜ I ⎟. e o trecho final.nºde ordem de sub-trechos. para o mesmo comprimento do curso d’água em planta. a partir do gráfico do perfil longitunal do rio. geralmente com declividade mais baixas. ou seja. I onde U . Determinadas essas altitudes divide-se a diferença entre elas por 70% do comprimento do rio até a estação.

6 para as bacias com o relevo pronunciado.785 para bacia quadrada.Este método é usualmente empregado no dimensionamento de obras hidráulicas. onde P é o perímetro da bacia (km) e A é área de drenagem da bacia • Razão de elongação de Schumm. é a relação entre o perímetro da bacia hidrográfica e a circunferência de um círculo com a mesma área da bacia. a eficiência na concentração do escoamento superficial no exutório da bacia.28 (km2) P A . é relação entre a área de uma bacia hidrográfica e a do circulo cuja a circunferência é igual ao perímetro da bacia. Seu valor é igual a 1 para bacia circular e 0. onde P é o perímetro da bacia (km) e A é área de drenagem da bacia P2 Drenagem de uma Bacia Hidrográfica Um índice quantitativo desta característica é a densidade de drenagem. O valor do coeficiente é igual a 1 para uma bacia circular e 1. • Coeficiente de forma ou compacidade ou índice de Gravelius.128 para uma bacia quadrada. ou seja. Este parâmetro pode ser calculado da seguinte maneira: 6 . Quando maior Dd. Comparando-se bacias com características semelhantes observa-se que aquelas com forma mais circular apresentam uma tendência para maiores cheias.128 A . porque baseia-se no conceito de tempo de translação. Re. Lm 2 bacia (km ) • Re = 1. Rci. Rci = (km2) 4πA . Este índice permite avaliar a eficácia de drenagem de uma bacia.128 indica uma bacia comprida. é a relação entre o diâmetro de um círculo que possui a mesma área da bacia hidrográfica e o comprimento máximo da bacia. onde Lm é o comprimento da bacia (km) e A é área de drenagem da A razão de circularidade. que atribui um peso maior para os trechos com baixa declividade e grande extensão. A densidade de drenagem é um indicador do relevo superficial e das características geológicas da bacia. kc. Índices de Forma A forma de uma bacia hidrográfica também tem um papel importante no seu comportamento hidrológico. k C = 0. O método da declividade equivalente resulta em valores de declividades menores do que os calculados pelos outros métodos. Este coeficiente varia entre 1 para as bacias planas e 0. e quando for maior que 1. A avaliação da forma de uma bacia é efetuada a partir do cálculo de índices que procuram relações com formas geométricas conhecidas. maior a eficácia.

também interferem na intercepção. a densidade de drenagem é definida também como o número de junções por quilômetro quadrado da bacia. é subtraída da primeira chuva. 1993). ou pode evaporar. Por isso. 7 . ou seja. portanto deve-se utilizar sempre a mesma escala. A quantificação da intercepção pode ser realizada por fórmulas conceituais ou equações empíricas. pois parte do volume armazenado pode infiltrar. nas análises hidrológicas a intercepção é tratada como uma abstração inicial. sendo uma junção o encontro de dois rios quaisquer. AV é a precipitação que atravessa a vegetação e TA é a parcela da precipitação que escoa pelos troncos. descaracterizando a intercepão. A intercepção varia muito em função do tipo de cobertura vegetal. A análise do escoamento retido em depressões deve ser realizada com cuidado. km. de copas grandes e folhas largas.Dd = ∑Li/A ∑Li – comprimento total de todos os cursos de água existentes na bacia. Mas de uma maneira geral. retornando à atmosfera. dificultando sua avaliação correta. e A é área de drenagem da bacia (km2) Entretanto. dependendo da área da bacia hidrográfica. ou seja. A densidade de drenagem varia de acordo com a escala do mapa no qual é levantada. As condições anteriores à ocorrência da precipitação. P é a precipitação. Intercepção A intercepção é a parte do ciclo hidrológico que se refere a retenção de uma parcela da precipitação acima da superfície do solo e pode ser causada pela vegetação ou outra forma de obstrução ao escoamento (Tucci. sendo máximas para florestas constituídas por arvores altas. a obtenção do comprimento total torna-se uma tarefa árdua e enfadonha. nas bacias hidrográficas heterogêneas a intercepção varia consideravelmente no espaço. Assim. desde que esta tenha sido precedida por um período razoável de dias secos. O fenômeno da intercepção pela vegetação pode ser descrito da seguinte maneira: Pi = P − AV − TA Pi é precipitação interceptada. se houve um período úmido ou seco.

na radiação ou métodos combinados. A evaporação pode ser determinada pelos seguintes métodos: transferência de massa. por medidas sucessivas da umidade do solo ou através do balanço hídrico. Existem dois conceitos importantes em relação a evapotranspiração. evaporímetros. das quantidades de ar e água contidas inicialmente no seu interior e obviamente da quantidade de água disponível para infiltrar. balanço de energia. Este processo depende das características do solo. umidade e vento. A evapotranspiração é entendida como a perda por evaporação da água do solo e pela transpiração das plantas. balanço hídrico. vento e pressão de vapor também interferem no processo de evaporação. radiação. ou seja. 8 . o evaporímetro de Piche) e os tanques de evaporação (por exemplo. a umidade no interior do solo se redistribui. e. 1 . 1968 apude Tucci. A evapotranspiração real é igual ou menor que a evapotranspiração potencial (ETR < ETP) ( Gangopadhyaya et al. o tanque classe A). não ocorre mais infiltração. 2 – Evapotranspiração real (ETR): quantidade de água transferida para a atmosfera por evaporação e transpiração. equações empíricas. com menores teores de umidade próximo à superfície e maiores nas camadas mais profundas. Este fenômeno ocorre principalmente devido a radiação solar. as camadas superiores aumentam o teor de umidade de cima para baixo.Evaporação e Evapotranspiração A evaporação refere-se a mudança da água no estado líquido para vapor. 1993). de uma superfície extensa completamente coberta de vegetação de porte baixo e bem suprida de água (Penman. entretanto. À medida que a água infiltra pela superfície. Os evaporímetros são instrumentos que possibilitam a medida direta do poder evaporativo da atmosfera. principalmente em espelhos d´água. O lisímetro também pode ser utilizado para estimar a evapotranspiração pontencial. Esta mudança de estado físico consome aproximadamente 585 cal/g à 25 oC. Cessando o aporte de água à superfície.Evapotranspiração potencial (ETP): quantidade de água transferida para a atmosfera por evaporação e transpiração. evoluindo para um perfil de umidade inverso. as variáveis meteorológicas temperatura do ar. A evapotranspiração potencial pode ser estimada por métodos baseados na temperatura. estando sujeitos aos efeitos de temperatura. 1956 apud Tucci. alterando gradativamente o perfil de umidade. Infiltração A passagem de água da superfície para o interior do solo é o processo de infiltração. na unidade de tempo. 1993) A evapotranspiração real pode ser medida com uso do lisímetro. Os principais instrumentos são os Atmômetros (por exemplo. nas condições reais (existentes) de fatores atmosféricos e umidade do solo.

que ao condensar-se. do lado oposto projeta-se a sombra pluviométrica. já que a umidade foi descarregada na encosta oposta. possibilita a ocorrência de precipitação. Se o movimento ascensional for intenso e durar tempo suficiente. encontram uma barreira montanhosa. A origem das precipitações está associada ao crescimento das gotículas das nuvens. Por exemplo. formação de nuvens e ocorrência de chuvas. sofrem ascensão e ao encontrarem camadas superiores mais frias. O principal mecanismo de crescimento das gotas d`água é conhecido como a coalescência direta. é um valor relativamente baixo. Este processo se repete continuamente no interior das nuvens até que as gotículas atinjam peso suficiente para se precipitarem.Precipitação Entende-se por precipitação a água proveniente do meio atmosférico que é depositada na superfície terrestre. granizo. CEEB (1994). Em pequenas bacias podem provocar importantes inundações. orvalho. ou pela terra. Neste curso somente será abordada a precipitação na forma de chuva. A ocorrência das precipitações é um processo aleatório. Classificação das precipitações As precipitações podem ser classificadas de acordo com o mecanismo fundamental pelo qual se produz a ascensão do ar úmido. Orográficas: quando ventos quentes e úmidos. São comuns em regiões tropicais. As características principais da precipitação são a altura total. Quando ventos conseguem ultrapassar a barreira montanhosa. se condensam. As chuvas convectivas resultam de tempo quente e são geralmente acompanhadas de trovoadas. pode atingir zonas de forte turbulência e dar início a chuva. O total precipitado não tem significado se não estiver ligado a uma duração. neve ou geada. Sendo que o principal fator de diferenciação entre estas formas é o estado em que a água se encontra. que cobrem pequenas áreas. dando lugar a áreas secas ou semi-áridas causadas pelo ar seco. O tratamento dos dados de precipitação é estatístico para a grande maioria dos problemas hidrológicos. no entanto em um dia ou uma hora passa a ser um valor razoável. e são: • Convectivas: massas de ar aquecidas pelas radiações solares. a duração e a distribuição temporal e espacial. sob a forma de chuva. 100 mm em um mês. não sendo possível realizar a previsão deste valor com grande antecedência. segundo a qual o crescimento das gotículas ocorre através da colisão das mesmas em suspensão. elevam-se e resfriam adiabaticamente havendo condensação do vapor. Formação das Precipitações O vapor de água contido na atmosfera constitui um reservatório potencial de água. TUCCI (1993). • 9 . soprando geralmente do oceano para o continente. São chuvas de pequena intensidade e de grande duração.

Para se medir a chuva espacialmente podem ser utilizados radares meteorológicos. V . que da mesma maneira que o pluviômetro.4) A onde: P. ou seja. Figura 1. permite o registro contínuo das precipitações ao longo do dia.5 m proveta Pluviômetro Planta Tal limitação pode ser contornada com a utilização do pluviográfo. Nas estações climatológicas do Inmet as leituras são realizadas às 9:00. Os tipos mais usuais de pluviógrafos são os de bóia.• Frontais ou Ciclônicas: provêm da iteração de massas de ar quentes e frias. 10 .5 . Monitoramento Pluviométrico A chuva que precipita sobre uma bacia é medida nos pontos selecionados através da utilização de aparelhos denominados pluviômetro e pluviográfo. atingindo grandes áreas com intensidade média. A grande limitação do pluviômetro é não fornecer as precipitações com duração inferior a 24 horas.é a área de superfície de captação. tal que o total diário de precipitação é obtido por V P = 10 × (1. No âmbito deste curso serão apresentados os dados obtidos de maneira pontual. A . O modelo de pluviômetro mais utilizado é o “Ville de Paris”.é o volume de água recolhido no recipiente em cm3. através do valor acumulado entre as 7:00 horas de um dia e 7:00 horas do dia seguinte. 15:00 e 21:00 hs para acompanhar as recomendações da Organização Meteorológica Mundial. O pluviômetro é um recipiente metálico utilizado para medir os totais diários de precipitação.Pluviômetro Ville de Paris Cerca 1. Convencionalmente os totais de chuva são obtidos. através da utilização de provetas especificamente graduadas para a superfície de 400 cm2 sendo que a graduação das provetas decorre da equação 1. São chuvas de grande duração. acumula as precipitações em um recipiente.5.é a altura diária de chuva em mm.4. sendo assim é uma medida pontual. Podem produzir cheias em bacias com grandes áreas de drenagem. Possui uma superfície horizontal de captação da chuva. FIGURA 1. cm2. no entanto. através da utilização de pluviômetros e pluviográfos. o de balança e o de cubas basculantes.

A intensidade da chuva é variável ao longo do tempo. Este gráfico é denominado pluviograma. geralmente expressa em mm/h.6 .Crescimento de vegetação ou outro tipo de obstrução do pluviômetro.Pluviograma Grandezas Características de um Evento de Chuva • Altura Pluviométrica (P) é a espessura de média ( em mm) de uma lâmina d`água distribuída na área atingida pela precipitação. No entanto podem ocorrer períodos com falhas nos dados ou com informações duvidosas devido a problemas com observador do posto ou aparelhos. após o qual é necessário fazer a troca do gráfico com a finalidade de evitar a sobreposição das informações. Figura 1. os valores são registrados em um gráfico. • Intensidade (I) é a altura de chuva por unidade de tempo. Dentre as causas mais comuns de erros nas informações. e).Erro na colocação de vírgula.Problemas mecânicos no registrador gráfico. c).Valor estimado pelo observador.A medida em que ocorre a precipitação. d).Danos no aparelho. f). Este processo ocorre em intervalo de 24 horas. • Duração (t) intervalo de tempo ( em min ou horas) decorrido entre o início e o fim da precipitação. 11 . sendo que a cada 10 mm de chuva o pluviográfo sifona e libera o volume armazenado de chuva e começa a registrar novamente. estão: a). no entanto para o estudo dos processos hidrológicos busca-se selecionar durações nas quais possamos considerá-la constante.Soma errada do número de provetas. g).Preenchimento errado dos valores na caderneta. b). Análise dos Dados de Precipitação O objetivo de um posto pluviométrico é obter uma série ininterrupta de dados ao longo dos anos.

Com intuito de corrigir tais problemas os dados coletados devem ser submetidos a uma análise antes de serem utilizados. nos pontos vizinhos A. Esta curva permite a comparação gráfica entre os valores acumulados das precipitações mensais (ou anuais) observadas na estação em análise e os valores acumulados das precipitações mensais (ou anuais) regionais. Segundo TUCCI (1993) as médias N devem ser calculadas sobre um período mínimo de 10 anos e esta técnica não deve ser utilizada para preenchimentos de falhas nos dados diários. A falha para um determinado mês (ou ano). ou a mudança do vento local provocada pelo crescimento de árvores ou pela construção de prédios próximos. Análise da Consistência de Séries Pluviométricas A eventual alteração da localização de uma estação pluviométrica. NX as médias nas estações em questão. Preenchimento de falhas Um método bastante utilizado para este fim é o da Ponderação Regional. Algumas técnicas simples podem ser utilizadas para preencher estes períodos. No entanto na maioria das vezes isto ocorre devido a presença de erros sistemáticos nas observações. com alterações climáticas. devem ser analisados os motivos pelos quais isto ocorreu. PA. a nova tendência é aceita.5) onde Px. por exemplo. Esses erros podem ser corrigidos através de uma técnica simples de consistência de séries. Se for verificada a existência de uma causa física real para este fato. correspondentes ao mês (ou ano) que se deseja preencher. estas com período ininterrupto de observações. essas tomadas como médias aritméticas de várias estações vizinhas. Se os valores do posto a consistir são proporcionais aos observados na base de comparação. B. ou mesmo horários e padrões diferentes de tomada das observações podem introduzir os chamados erros sistemáticos em uma série pluviométrica. NB. B e C. ou uso inadvertido de provetas inadequadas à superfície de captação do pluviômetro. NC. ou mesmo para detectar e corrigir erros sistemáticos eventualmente presentes em séries pluviométricas. os pontos devem-se alinhar segundo um reta. NA. C. 12 . PB e PC são as alturas pluviométricas (mensais ou anuais). através do qual podem ser preenchidas falhas em dados mensais e anuais. denotada por Px a altura pluviométrica mensal (ou anual) pode ser preenchida através da seguinte equação: P ⎞ P 1⎛ P Px = ⎜ A + B + C ⎟ N X ⎜N 3 ⎝ A N B NC ⎟ ⎠ (1. Suponha que a estação x possua falhas mensais (ou anuais) e que esteja próxima a três outras estações A. Caso os valores observados não se alinhem segundo uma única reta. devendo as mesmas serem corrigidas. A declividade da reta determina o fator de proporcionalidade entre os dados das estações analisadas. conhecida como “Curva Dupla Massa”.

Exemplo hipotético de curva dupla massa (1. Pa .6) onde Pc . Os valores são acumulados a partir do período para o qual se deseja manter a tendência da reta.coeficiente angular da tendência a corrigir.7) β Valores Acumulados de Precipitação Anual (Posto X) PA α Valores Acumulados de Precipitação Regional Precipitação Média Para diversos projetos de engenharia é necessário se conhecer a precipitação média sobre uma dada área ou bacia. a partir daí realiza-se a correção para o período considerado consistente. se foram detectados erros no período mais recente.valor da ordenada correspondente a interseção das duas tendências. 13 . ΔPo = P0 − Pa sendo P0 .Deve ser analisado o período no qual ocorreu a inconsistência.valor acumulado a ser corrigido FIGURA 1. M0 . a correção deverá ser realizada no sentido de se preservar a tendência antiga. Para isto comumente são utilizados três métodos. Por exemplo.7 .precipitação acumulada ajustada a tendência desejada. Ma . Os valores inconsistentes podem ser corrigidos de acordo com a seguinte expressão: Pc = Pa + Ma ΔP0 M0 (1.coeficiente angular da tendência desejada.

Ai .Método de Thiessen Recomendado para regiões relativamente planas. Pi . n . 4).8 .Trace linhas perpendiculares aos trechos retilíneos passando pelo meio da linha que liga dois pontos.Área de influência de cada posto i.Média aritmética das precipitações observadas nas estações inseridas na bacia. 2). A . Pm = 1 ∑ Pi n (1.9) onde Pm . 3).A precipitação média é calculada por Pm = 1 ∑ Ai Pi A (1.prolonge as linhas perpendiculares até encontrar outra.Exemplo da aplicação do método Thiessen para uma bacia hidrográfica 14 . FIGURA 1. O polígono é formado pela interseção das linhas correspondendo à área de influência de cada posto. b).Ligue os pontos (estações) por trechos retilíneos.Área total da bacia. Pi .8) onde Pm .Precipitação média no iésimo pluviômetro em mm.Precipitação média em mm.Precipitação média em mm.Precipitação registrada no posto i.a). onde as estações não encontramse uniformemente espaçadas. e consiste nas seguintes etapas: 1).número de pluviômetros Recomenda-se a sua utilização apenas em regiões com pequenas variações na altitude.

Utilize um mapa de relevo e superponha com o mapa de isoietas.Para se obter a precipitação é necessário determinar a área entre as isoietas.Exemplo da aplicação do método das isoietas para uma bacia hidrográfica 15 . e dividi-se pela área total Pm = ( P + Pi +1 ) 1 ∑ Ai .c). d). Ai. e multiplica-lá pela média das precipitações das respectivas isoietas. j +1 i A 2 (1. Faça o ajuste destas linhas com o relevo e). c). (Pi+Pi+1)/2.9 . j+1.Localize os pontos (estações) no mapa da região de interesse e escreva o total precipitado para o período escolhido ao lado de cada posto.Esboce as linhas de precipitação escolhendo números inteiros.10) FIGURA 1.Ajuste estas linhas por interpolação entre os pontos. b).Método das Isoietas As isoietas são linhas de igual precipitação que podem ser traçadas para um evento ou para uma duração específica. E seu traçado é obtido da seguinte forma: a).

com duração.2. denotadas por i. A relação conjunta intensidade-duração-frequência (ou período de retorno) é conhecida como curva IDF e é estimada com base em dados pluviográficos existentes no local de interesse ou em locais próximos. Através da análise destes gráficos observa-se que a máxima intensidade média varia inversamente com o intervalo de tempo em que ocorreu. A precipitação pode atuar sobre a erosão do solo.0 10 minutos 12 72. TUCCI (1993). de forma que as durações maiores não necessariamente incluam as menores. As curvas IDF são requisitos básicos para projetos de pequenas obras hidráulicas como sistemas de drenagem. A partir da seleção de um dado evento de chuva. 16 .0 30 minutos 20 40.7 1 hora 25 25. entre outros. galerias pluviais e bueiros.0 4 horas 35 8. distribuição temporal e espacial crítica para uma área ou bacia hidrográfica.0 45 minutos 23 30.3 Fonte: PFAFSTETTER (1957) apud WILKEN (1978) Duração Para se verificar a variação da intensidade da chuva com a freqüência (ou tempo de retorno). Em seguida. é necessário ajustar um distribuição de probabilidades aos valores máximos anuais de intensidade para cada duração. Como o nosso objetivo é determinar as chuvas intensas. representadas por t. usualmente é empregada distribuição de Gumbel. A análise de pluviogramas permite determinar as alturas (mm) e as intensidades médias (mm/h) de precipitação. obras hidráulicas. inundações em áreas urbanas e rurais.0 14 horas 47 3.Análise de Chuvas Intensas A precipitação máxima é entendida como a ocorrência extrema. As precipitações máximas são retratadas pontualmente pelas curvas de intensidade. Tabela 1. pode-se construir um gráfico entre as máximas intensidades médias no intervalo de tempo.0 15 minutos 15 60.Intensidades mínimas de chuva a serem consideradas como chuvas intensas Precipitação Intensidade (mm) (mm/h) 5 minutos 10 120. podemos adotar os limites estabelecidos por Pfasftetter (1957). duração e freqüência (IDF) que relacionam a duração.0 2 horas 30 15. e as durações correspondentes. a intensidade e o risco da precipitação ser igualada ou superada. TABELA 1. acima dos quais as chuvas podem ser consideradas “intensas”. ajustada pelo método dos fatores de freqüência. entre outras.4 24 horas 55 2. para qualquer intervalo de tempo entre 5 minutos e 24 horas.2.0 3 horas 33 11. ajusta-se uma distribuição de probabilidades a esses valores máximos anuais. a partir de qualquer origem de escala de tempos.8 8 horas 40 5.

15 i=mm/min Autor Wilken.Utilizando o procedimento descrito acima. Para a região metropolitana de Belo Horizonte.2 0. a.8 – Curvas IDF para a estação Lagoa do Gouveia Curvas IDF 01845004 .6 0.745 min 0.15 0. conforme Figura 1.b. FIGURA 1.1 0.8 0. t é a duração da chuva em minutos. S Wilken. P. Guimarães Pinheiro (1997) realizou um estudo pioneiro.3 0.3 .d são parâmetros que devem ser determinados para cada local.74 c 26 15 20 d 0.c.89 0.8 podem ser sintetizada em uma equação única da forma i= aT b ( t + c) d (1.4 300. P.Lagoa do Gouvea 350 300 Tr = 100 anos Tr = 50 anos Tr = 25 anos Tr = 10 anos Tr = 5 anos Tr = 2 anos Intensidade (mm/h) 250 200 150 100 50 0 0 5 min 10 min 15 min 0. no qual propõe a seguinte equação do tipo IDF de abrangência regional: 17 . para as durações de interesse é definida uma família de curvas para o posto em análise.81 0.217 1. S Um outro método interessante é a determinação de curvas IDF com abrangência regional.Coeficientes das curvas i-d-f para algumas cidades brasileiras Localidade Curitiba São Paulo Rio de Janeiro a 5950 29.5 min 0. S Wilken. Tabela 1.9 1h 1 Duração A família de curvas. TABELA 1.13 1239 b 1.8. Na literatura existem várias equações determinadas para diferentes cidades do país. T é o tempo de retorno em anos. P. ilustrada na Figura 1.11) onde i é a intensidade em mm/h.3.

14) onde Tr é o tempo de retorno em anos.103 2.949 1.5360 i T .017 100 1.823 0.586 1.983 1.996 2.412 Fonte: Guimarães (1997) O trabalho que foi pioneiro na análise de registros pluviográficos e pluviométricos.25). t= duração da precipitação em horas.4 .751 1.983 1.014 1.013 1.4.t representa os quantis adimensionais de freqüência.292 2.430 1.428 1.953 1.679 0.779 2 1.083 2.754 50 1.591 1. foi realizado por Pfafstetter (1957).578 1.t .12) onde: i T . de validade regional.014 1.795 1.557 1.143 2. j é a estimativa de chuva (mm/h ou mm/min).013 1.827 0. 10 min≤ t≤ 24 h (1.690 1. no local j.589 1.821 0. de duração t (h ou min).013 1.823 1.707 0. para a determinação de curvas IDF.016 1. α e β valores que dependem da duração da precipitação.695 0.610 1.043 2.406 1.215 200 2.823 1.932 1.602 1. t + b × log(1 + c × t )] fornece a precipitação em mm para um tempo de retorno igual a 1 ano. associada ao período de retorno T (anos). a qual pode ser obtida a partir do mapa isoietal da RMBH.128 2.014 1. Neste foram estabelecidas curvas IDF para 98 postos localizados em diferentes regiões do Brasil. t + b × log(1 + c × t ) (1.0 .897 1.013 1.05 0.821 0.610 1.445 1.76542 t −0.970 1.098 2. Panual é a precipitação anual em (mm) na localidade j dentro da RMBH.445 1.112 2.830 0.828 0.826 0.550 20 1. c constantes para cada posto e R = um fator de probabilidade.13) onde P = a precipitação máxima em mm.7059 Panual μ T .813 1.691 0. μ T .t . o fator R permite calcular a estimativa para outros tempos de retorno.013 1.t .017 10 1.503 1. T (anos) 10 min 15 min 30 min 45 min 1h 2h 3h 4h 8h 14 h 24 h 1. T≤200 anos.157 2.679 0. TABELA 1.014 1.108 2.143 2.674 0.25 0. associados à duração t e ao período de retorno T. conforme a Tabela 1.432 1. Para cada posto Pfafstetter ajustou a seguinte equação empírica: P = R × (a.836 0.780 1. definido como: R = Tr(α +β Tr γ (1. j = 0.603 1.834 1. γ uma constante (adotada para todos os postos igual a 0.636 0. em anexo.931 2.618 1.945 1.Quantis adimensionais de freqüência para diversas durações de precipitação e tempos de retorno.422 1. O fator [a.797 0.690 0. 18 .683 0.688 0. a.451 1.791 1. b.439 1.818 0.798 1.

SP Uruguaiana .08 0. b e c correspondentes para alguns postos.160 Duração 30 min 4h 24 h 4d α 0.6 .04 0. a. para durações de 5 min a 6 dias.166 0.00 0.5 são apresentados os valores de α válidos para alguns postos estudados. A Tabela 1. TABELA 1.166 0.RS 5 min 0.156 0.174 0.174 0.04 Valores de β duração 15 min 30 min 0.108 0.6 0. Postos Aracaju.6 apresenta os valores de β (função da duração) e de a.176 0.12 0.Na tabela 1.122 0.20 0.12 0. 1957) Duração 5 min 1h 8h 48 h 6d α 0.12 b c 0.6 0.170 0.04 -0.2 24 26 29 38 20 20 20 10 O Anexo I apresenta equações definidas para várias localidades do Estado de Minas Gerais.Valores de α (Pfafstetter.5 .08 0.MG São Carlos .08 a 1h .12 0. 19 .4 0.6 d 0. Horizonte .08 0.SE B.152 Duração 15 min 2h 14 h 3d α 0.12 -0.04 0. 1957).156 TABELA 1. b e c para algumas cidades brasileiras (Pfafstetter.08 0.138 0.Valores de β.

As águas precipitadas nas imediações dos aterros devem ser captadas e desviadas por canaletas escavadas no terreno original. acompanhando as cotas de forma a conferir uma declividade a adequada ao dreno. São chamadas de “drenagem definitiva” as canaletas que permanecem ativas mesmo após o encerramento das atividades do aterro. assim. de forma a diminuir a vazão a ser conduzida.40 cm de profundidade.Capítulo 2 . devendo ser imediatamente substituídas por outras. podem ser escavadas manualmente. tendo em vista a sua maior duração. são inevitáveis. As águas de nascentes e córregos devem ser evitadas já na escolha da área a ser utilizada. etc. que podem das origem a depressões ou à formação de canais preferenciais de escoamento. devendo ser refeitas sempre que necessário. entretanto. sendo escavadas por retroescavadeira ou pelo próprio trator de esteiras. Dependendo do tamanho da área de contribuição. os aterros podem ter suas estruturas destruídas pelas erosões. estradas. algumas dessas canaletas podem ser destruídas. ambas inconvenientes por possibilitar o acúmulo de água ou surgimento de erosões. por ser uma estrutura de maior responsabilidade. A presença de água em excesso nos aterros. é sempre muito delicado. As canaletas que são destruídas pela própria evolução do aterro são chamadas de “drenagem provisória”. 20 . A medida em que o aterro irá se desenvolvendo. ajustando-se a lâmina de forma a produzir um sulco em forma de “V” com cerca de 0. Quando encerrados. devendo proteger o aterro durante o tempo necessário para que a obra seja reincorporada ao meio ambiente local. caso não sejam tomadas medidas preventivas especiais. de forma a compensar esses recalques. deve ser adequadamente projetada e construída. deve ser providenciado o revestimento das canaletas e a construção de dissipadores de energia. As águas provenientes das chuvas. Nos trechos de maior declividade ou onde as velocidades excedem os limites de segurança para o tipo de solo existente. das diferentes origens. como por exemplo: cortes de terreno.Sistema de Drenagem de Águas Superficiais O relacionamento entre os aterros sanitários e água. Quando há condições parte desta rede pode ser pode futuramente utilizada para a drenagem de chorume ou drenagem superficial permanente. impedir o acesso aos veículos que transportam os resíduos. até mesmo. A drenagem definitiva. na sua fase construtiva pode impossibilitar totalmente a compactação e cobertura dos resíduos ou. ser construída com um formato de cúpula ou telhado. A superfície final deve. As águas de chuva precipitadas sobre a área aterrada fatalmente irão infiltrarse e gerar líquidos percolados ou escoar superficialmente sobre os taludes e bermas. transportando material de cobertura e expondo os resíduos. As drenagens de águas de chuva devem também ser construídas junto a todas as demais estruturas do aterro que necessitam de proteção. não necessitam de revestimento ou obras especiais. que está sujeita a recalques diferenciais causados pela decomposição dos resíduos. Nos terrenos muito acidentados. Os cuidados devem começar pela superfície final do aterro. localizadas em cota superior. Como tem curta duração. ganhando assim estabilidade. várias dessas canaletas devem ser escavadas. além de estudado o melhor formato de seção transversal a ser utilizado. podendo precipitar-se nas imediações ou sobre a própria obra.

intensidade da chuva crítica que varia de local para local (mm/h) 21 . nos aterros. para distribuição do fluxo. Os taludes e patamares também podem sofrer recalques. Na utilização de distâncias superiores a 50 metros. no máximo. A cada 50 metros. devem ser construídos nas canaletas de drenagem pontos de descarga. que captam e conduzem essas águas para fora do aterro.1) onde: Q . com a utilização de degraus para a dissipação da energia cinética evitando que esta água chegue na base do talude inicial com . Por isso.área da bacia contribuinte (Km2) i . a reconstrução da drenagem perdida e a recuperação das estruturas deterioradas é sempre muito mais onerosa do que o projeto bem elaborado. A . a destruição das drenagens superficiais devido a falta de dimensionamento.1).grande poder de erosão. A utilização de meias-canas de concreto é interessante porque nessas regiões não podem ocorrer erosões em hipótese alguma. (Tabela 2. através das suas laterais. expondo os resíduos.vazão a ser drenada na seção considerada (m3/s). O fluxo nas laterais do aterro pode ser conduzido pela utilização de canais de concreto. permitindo que as águas escapem da drenagem.coeficiente de escoamento superficial que depende das características da bacia contribuinte. Como os aterros possuem geralmente áreas de drenagem superficiais menores que 50 hectares. Q= C×i×A 3. mesmo após a ocorrência de recalque diferenciais. pois deve permanecer ativa mesmo após o encerramento das atividades do aterro.No topo do talude da camada final e na base dos taludes das demais camadas deverão ser construídas linhas de drenagem para a captação das águas que escoam superficialmente. os patamares deverão apresentar também uma declividade transversal que favoreça o escoamento em direção a base do talude formando uma espécie de calha que tem na linha central as canaletas de drenagem. podem funcionar satisfatoriamente.6 (2. Como as meias canas não formam uma estrutura inteiramente rígida. sob pena de ter-se as laterais do aterro seriamente comprometidas. C . Essas linhas de drenagem são constituídas por canaletas revestidas de meia-canas de concreto. para o cálculo das vazões a serem drenadas pode ser utilizado o Método Racional. corre-se o risco de escavar-se além da camada de cobertura. É comum. O dimensionamento da drenagem definitiva é imprescindível. Nesses casos. que irão distribuir o fluxo para as laterais do aterro. constituídos por caixas de passagem em alvenaria.

isto é.335 (2. pode ser calculado pelas seguintes fórmulas. aquele tempo que é gasto para que uma gota d`água que cai no ponto mais longínquo da bacia.40 0. O tempo de concentração para bacias consideradas rurais. (2.20 0. as características determinadas através da equação de Manning. H I = declividade média do talvegue máximo (m/m).30 0. 0.área molhada da seção transversal do canal (m) i .30 0. e é determinada de acordo com a metodologia apresentada no capitulo 1 desta apostila.35 0.3 × ⎜ ⎟ ⎝ I ⎠ ⎛ L3 ⎞ t c = 57 × ⎜ ⎟ ⎝ I ⎠ 1 3 ( em min).2) Rh . H = altura máxima do perfil longitudinal do talvegue máximo (m).30 0.50 0. Picking.coeficiente de rugosidade das paredes do canal (Tabela 2.25 0. sendo I = L Conhecida a vazão.1 – Coeficiente de Escoamento Tipo de Cobertura Áreas com Matas Campos Cultivados Áreas Gramadas Solos sem Cobertura Vegetal Solo Arenoso Declividade < 7% > 7% 0.TABELA 2.35 0. geométricas do canal são R 3 ×S× i Q= h n 2 1 2 (2.raio hidráulico da seção do canal = seção molhada/ perímetro molhado =S/P S .70 A intensidade da chuva em um determinado local depende do seu tempo de duração e do seu período de retorno.25 0.40 0.4) onde: Q .30 0.vazão de projeto (m3/s) n .40 0. California Culverts Pratice. em relação à seção considerada atinja esta seção.3) onde: L = comprimento do talvegue máximo da bacia (km).2) (em min).60 Solo Argiloso Declividade < 7% > 7% 0.declividade do canal (m/m) 22 . e tem duração igual ao tempo de concentração da bacia (t=tc).60 0. A chuva crítica é a que determina a maior vazão esperada numa dada seção de estudo. entre outras: ⎛ L2 ⎞ t c = 5.

00 Concreto Nos pontos de concordância entre canais.00 Cascalho fino 1. conforme disponibilidade local. devem ser previstas obras que garantam a estabilidade das paredes e do fundo dos canais com pedra.” Fonte: Aterros Sanitários . • Determinação das vazões que afluem à rede de condutos.3 TABELA 2.60 3.Velocidade máxima admissível.5(H) Solo siltoso Solo arenoso Cascalho ou brita 1(V):2(V) Terra solta Convém que seja verificada a velocidade de escoamento para a seção transversal obtida.60 Solo siltoso 0. curvas acentuadas.Valores de coeficiente de rugosidade .030 Quanto a inclinação das paredes dos canais de drenagem.013 terra 0. seixo rolado ou rachão. Tabela 2.025 brita 0. Dimensionamento da Rede de Drenagem de Águas Superficiais A microdrenagem urbana é definida pelo sistema de condutos pluviais a nível de loteamento ou de rede primária urbana.TABELA 2. sugere-se que sejam seguidos os valores apresentados na Tabela 2. saídas dos canais e degraus.2 .n Material do canal n Concreto 0.70 Solo argiloso 0.1981. em função do material do canal Superfície do canal Vmáx.3 .80 Argila rija 1. A Tabela 2.20 Pedregulhos e cascalho grosso 1.SERS/DEAR/CETESB . (m/s) Solo arenoso 0. O dimensionamento de uma rede pluvial é baseado nas seguintes etapas: • Subdivisão da área e traçado. • Dimensionamento da rede de condutos.4 apresenta alguns valores de velocidade máxima. Este capitulo serão apresentados os procedimentos utilizados no projeto de uma rede deste tipo. brita. 23 .Valores de inclinação das paredes dos canais em função do material Material do canal Inclinação dos taludes Concreto simples 1(V):1(H) Argila rija Solo argiloso 1(V):1.4 .

mudança de diâmetro e inspeção e limpeza das canalizações. para a captação de águas pluviais. Condutos forçados: obras destinadas à condução das águas superficiais coletadas. A calha formada é a receptora das águas pluviais que incidem sobre a via pública e que para ela escoam. 24 . Estações de Bombeamento: conjunto de obras e equipamentos destinados a retirar a água de um canal de drenagem. colocados entre o passeio e a via pública paralelamente ao eixo da rua e com fase superior no mesmo nível do passeio. nas sargetas. Meios-fios : elementos de pedra ou concreto. (1993) os principais termos utilizados no dimensionamento de um sistema pluvial são: Galeria: canalizações usadas para conduzir as águas pluviais provenientes das bocas-de-lobo e das ligações privadas.000. de maneira segura e eficiente. al. Sarjetas: faixas de via pública. Trecho: porção da galeria situada entre dois poços de visita. Bocas-de-lobo: dispositivos localizados em pontos convenientes. para um outro canal em nível mais elevado ou receptor final da drenagem em estudo. Elementos físicos do projeto Os principais elementos físicos necessários à elaboração de um projeto de microdrenagem são: Plantas • planta de situação da localização dentro do estado. sem preencher totalmente a seção transversal dos condutos. nas escalas 1:5.000 ou 1:10.Terminologia Segundo TUCCI et. Tubos de ligações: são canalizações destinadas a conduzir as águas pluviais captadas nas bocas-de-lobo para as galerias e os poços de visita. • planta geral da bacia onde irá se inserir a obra. mudança de declividade. Poços de visita: dispositivos localizados em pontos convenientes do sistema de galerias para permitirem mudança de direção. paralelas e vizinhas ao meio-fio. Sarjetões: calhas localizadas nos cruzamentos das vias públicas formadas pela própria pavimentação e destinadas a orientar o fluxo das águas que escoam pelas sarjetas. quando não mais houver condição de escoamento por gravidade.

planta plani-altimétrica da área do projeto na escala 1:2.000 ou 1:1.000, com pontos cotados nas áreas de maior interesse, por exemplo esquinas, obras de drenagem já existentes, etc.

Levantamento topográfico: nivelamento geométrico em todas as esquinas, mudanças de greide das vias públicas e mudança de direção; Cadastro: de obras de drenagem pluvial já existentes, se for o caso, e outros serviços que possam interferir na área do projeto; Urbanização: tipos de ocupação das áreas (residências, comércios, praças, etc.), porcentagem de ocupação dos solos (lotes), ocupação e recobrimento dos solos nas áreas não urbanizadas pertencentes à bacia. Dados relativos ao corpo receptor: indicações sobre o nível de água máximo do rio que irá receber o lançamento final; levantamento topográfico do local de descarga final. Definição do esquema geral de projeto Traçado da rede pluvial : a rede coletora deve ser lançada em planta baixa (escala 1:2.000 ou 1:1.1000), de acordo com as condições naturais do escoamento superficial. Regras básicas para o lançamento, TUCCI et al. (1993): 1. Os divisores de bacia deverão ser convenientemente delimitados nas plantas; 2. Os trechos onde o escoamento se dê exclusivamente pelas sarjetas deve ser indicado por setas; 3. As galerias pluviais, sempre que possível, deverão se lançadas sob os passeios; 4. O sistema coletor, em uma determinada via, poderá constar de uma rede única, recebendo ligações de bocas-de-lobo de ambos os passeios; 5. A solução mais adequada, em cada rua, é estabelecida, economicamente, em função da sua largura e de condições de pavimentação. Bocas-de-lobo: as bocas-de-lobo devem ser localizadas de maneira a conduzirem, adequadamente, as vazões superficiais para as galerias. Nos pontos mais baixos do sistema viário, deverão ser colocadas bocas-de-lobo com vistas a evitar a criação de zonas mortas com alagamentos e águas paradas. Poços de visita: os poços de visita devem atender às mudanças de direção, de diâmetro e de declividade, a ligação das bocas-de-lobo, ao entroncamento dos diversos trechos e ao afastamento máximo admissível.

25

Método Racional Princípios Básicos O método racional pode ser aplicado com maior segurança para pequenas bacias com áreas de drenagem de até 50 ha. Hipóteses básicas do método:

• • • •

A intensidade da precipitação é constante enquanto perdurar a chuva; A impermeabilidade das superfícies permanece constante durante a chuva; As velocidades de escoamento nas galerias e canais são as de funcionamento a plena seção. O tempo de duração da chuva que dá a maior vazão é igual ao tempo de concentração.

A principal limitação do método é não considerar o efeito do armazenamento de águas nas redes de condutos. A vazão de projeto dada pelo método racional, é:
Q= C×i×A 3,6

cujos fatores c, i e A já foram definidos anteriormente. Escolha do Coeficiente de Escoamento Superficial Sua escolha é feita em função do uso do solo, da declividade da área de interesse, entre outros. Na Tabela 2.1 são apresentados alguns valores C em função do uso do solo e da sua declividade. Quando a ocupação da área do projeto não ocorrer de maneira homogênea, por exemplo, 50 % da área ocupada por matas e 50% solos sem cobertura vegetal, o ideal é o uso de um valor de C ponderado. Este valor de C levará em conta o tipo de ocupação do solo e sua respectiva área de abrangência, da seguinte forma:

C=

∑(A i × C i ) A

(2.5)

Ai - Área total para uma dada ocupação do solo; Ci - Coeficiente de escoamento superficial, para a área Ai; A - Área total da bacia; Determinação da Intensidade da Chuva de Projeto A intensidade da chuva de projeto é obtida através de equações IDF estabelecidas para uma dada localidade, da forma descrita no capítulo 1. Conforme mencionado

26

anteriormente, a chuva crítica de projeto é função da sua duração, que por hipótese é igual ao tempo de concentração da bacia. O tempo de concentração (tc) é dado pela soma do tempo de entrada (te) e o tempo de percurso (tp);

tc = te + tp

(2.6)

te é o tempo decorrido a partir do início da chuva até a formação do escoamento superficial e a entrada no conduto. Este tempo é variável e depende da declividade e das características da superfície de drenagem. Em áreas urbanizadas te varia entre 5 e 15 minutos ( Wilken, 1978) e em bacias rurais o valor de te deve ser estimado pelo projetista, por exemplo, utilizando as fórmulas 2.2 e 2.3. O tempo de percurso é dado pela fórmula:

tp =

L 60 × V

(2.7)

O tempo de percurso é o tempo que decorre desde a entrada no conduto (sarjeta ou galeria) até o ponto de concentração. Em áreas urbanizadas tp é a soma do tempo de percurso na sarjeta ts mais o tempo de percurso na galeria tg. A vazão da sarjeta é calculada pela formula de IZZARD, deduzida da equação de Manning, Wilken (1978):
Zy0

y0

θ

Q o = 0.375 × y 8/ 3 × ( z n) × I 1 2 o
onde: y0 - altura de água na sarjeta; z- inclinação da sarjeta; n - rugosidade (coeficiente de atrito); I - declividade longitudinal da sarjeta, m/m; A velocidade de escoamento na sarjeta é:

(2.8)

0.750 × y 2 3 × I 1 2 V= em m/s n
Os valores de n estão apresentados na Tabela 2.2.

(2.9)

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3. Em geral o tempo de retorno utilizado em obras de microdrenagem varia de 2 a 10 anos em função do tipo de ocupação da área. Nos dois casos a caixa da sarjeta fica localizada sob o passeio. As especificações de projeto deve estabelecer um limite máximo para a velocidade da água na sarjeta.O tempo de escoamento de água na sarjeta ts é: ts = L . em função do material de revestimento da mesma. Tempo retorno utilizado para determinação da chuva crítica. Dimensionamento de boca de lobo com abertura na guia Bocas de lobo deste tipo podem funcionar como vertedores ou orifícios. Este monograma de pontos alinhados foi construído sob as seguintes hipóteses: • Para cargas (altura de água) até a altura da abertura (y/h<1). correspondendo cada uma delas à contribuição de um trecho de conduto. Em casos especiais pode haver uma combinação dos dois tipos. em seguida conduzi-las ás galerias ou tubulações subterrâneas. No caso de aterros sanitários o tempo de retorno vem sendo adotado por vários autores igual a vida útil do aterro. min 60 × V (2. Possui localização semelhante a anterior. Boca de lobo com grade. Áreas da bacia e das sub-bacias contribuintes São obtidas pelo processo apresentado no capítulo 1. A sarjeta adjacente à boca de lobo pode ser normal (continua) ou com depressão. no entanto se estiver localizada em pontos baixos do “greide” da rua é mais eficiente que do tipo com abertura na guia. Nos anexos encontra-se um monograma de cálculo de bocas de lobo com abertura na guia localizada em ponto baixo da sarjeta. Dimensionamento de Bocas de Lobo A boca de lobo é um dispositivo especial que tem a finalidade de captar as águas pluviais que escoam pela sarjeta. a boca de lobo funciona como vertedor. No processo “detalhado” dividimos a área da bacia em sub-bacias. dependendo da altura de água na sarjeta.10) L é o comprimento da sarjeta em metros. podendo ainda ficar localizada em trecho de sarjeta com declividade uniforme ou em ponto baixo do “greide “da rua. estes limites são apresentados na Tabela 2. Geralmente são classificadas em dois tipos principais: • • Bocas de lobo com abertura na guia. sendo a vazão dada por: 28 .

Dimensionamento de bocas de lobo com grelha A capacidade da boca de lobo deste tipo depende da área das aberturas e da altura de água sobre a grade. calculamos o perímetro P da abertura da grade não considerando as barras e os lados sobre os quais a água não entra. em m3/s. 29 . Para cargas entre 12 e 42 cm o funcionamento é indefinido. como por exemplo. P Na qual: Q = vazão por metro linear de perímetro da boca de lobo.70 e y1 igual a carga no meio da abertura da guia.12) 1 3 Q = 3101 × h 2 ( y 1 h) 2 . para levar em conta um possível entupimento parcial. L .703y 2 L (2. E funcionará como orifício.Para cargas de até 12 centímetros Q = 1. O resultado é dividido por 2. P y = altura de água na sarjeta sobre a grade. podendo ser aplicada a fórmula de vertedores.altura de água em metros.655 × y 3 2 . quando um dos lados está junto à fase da guia.vazão máxima esgotada pela boca de lobo. ou seja: y1 = y − H 2 • Para cargas entre uma a duas vezes a altura da abertura da guia (1<y/h<2). • Para cargas iguais ou maiores do que duas vezes a altura da abertura da boca de lobo (y/h ≥ 2). y . Q . supomos que a boca de lobo funcione como orifício. sendo-lhe aplicável a fórmula de orifícios para cargas de 42 cm ou mais.11) na qual: h . tendo sido adotada uma transição no monograma. o funcionamento da boca de lobo é indefinido. As fórmulas têm os seguintes aspectos: a) .altura da abertura da guia em metros. (2. . Para alturas (cargas) de até 12 cm sobre a grade da boca de lobo ela funcionará como vertedor. supondo que somente a metade do perímetro é utilizada.13) Para a aplicação da fórmula.comprimento da abertura em metros. sendo a vazão dada pela fórmula (2. L Esta formula deriva da fórmula de orifícios Q = C × A × 2gy 1 .3 Q = 1. na qual fazemos C=0.

Galeria de Águas Pluviais Princípios obedecidos para os projetos de galerias de águas pluviais Para o projeto de galerias de águas pluviais pelo método racional.b). a declividade da galeria.altura de água na sarjeta sobre a grade. por ser mais econômico a despeito do aumento da escavação. Na junção de galeria de dimensões diferentes as geratriz superiores terão a mesma cota. ou através de qualquer outro método deve adotar os seguintes princípios: 1. conforme indicado anteriormente. Numa galeria de águas pluviais temos as condições de escoamento como condutos livre.13 e 2. No caso de seção retangular devemos garantir a condição de conduto livre. 7. com o aumento da declividade. 9. a água passará pela abertura na guia até que a vazão na sarjeta seja suficiente para cobrir a grade. 5. admitindo um espaço mínimo acima do nível d`água de. tanto quanto possível. Se a grade funcionar livremente.Para cargas iguais ou superiores a 42 centímetros: Q = 2. C).5 m/s para evitar erosão excessiva.14. 3. um conduto de menores dimensões tenha capacidade adequada. As dimensões da galeria não devem decrescer no direção de jusante. o processo de cálculo recomendado é o mesmo. deve ser igual à do terreno para termos menos escavação. a verdadeira carga estará entre os valores dados pelas equações 2.91 × y 1 2 A (2. mesmo que . excluindo as áreas A ocupadas por barras.Quando a carga y estiver compreendida entre 12 e 42 centímetros. 2. a velocidade máxima permissível será de 3. Se a boca de lobo for do tipo de grade combinada com a abertura da guia. 6. y . na zona de transição. o diâmetro ou a dimensão mínima é de 50 cm para galerias ramais. A carga a ser adotada dependerá do julgamento do engenheiro.14) onde: Q = vazão por metro quadrado de área de abertura da grade. 8. em regime permanente e uniforme. ela funciona à plena seção. isto é. 30 . 4. em regime permanente e uniforme. não sendo mais necessário dividir o perímetro ou área por dois. Muitas vezes é conveniente usar uma galeria de menor dimensão empregando declividades maior que a do terreno. a velocidade mínima a plena seção é de 0. Podemos adotar velocidades de até 6 m/s se for previsto revestimento adequado para o conduto. para evitar entupimentos. Quando a galeria tem a forma circular.75 cm/s. Numa galeria de águas pluviais temos as condições de escoamento como condutos livre. no mínimo 10 cm.

em cm/s. Dimensionamento de Galerias de Águas Pluviais Tipos de seção admitidos Para condutos de seção interna até 1. como a de Manning R1 6 H n onde : C= Q . 1.20 m.0 m. a fim de não aprofundar em demasia a galeria. o diâmetro mínimo não deve ser inferior a 1. Os lados da galeria com seção retangular não devem ultrapassar 3.10.40.60.20 m é mais conveniente o emprego de seções retangulares. No que diz respeito a galerias ramais.17) 31 .16) sendo o valor do coeficiente de Chésy dado por uma fórmula prática. e quanto aos troncos. Quando a dimensão interna exceder 1.velocidade média. V. o diâmetro mínimo não deve ser inferior a 50 cm. (2. 11.00 e 1.50 m. Cálculos hidráulicos Para os cálculos hidráulicos de dimensionamento das galerias é empregada a fórmula de Chézy: V = C RH × I associada à equação da continuidade: (2. no mínimo 10 cm. sempre de preferência a seção quadrada. Nas galerias com seção circular os condutos devem ser únicos. ou galerias que recebem vários ramais. Quando a galeria tem a forma circular.50.30.vazão em m3/s. podendo ser de seção múltipla para galerias retangulares. 0.15) Q = S× V (2. Dimensões mínimas dos condutos Os condutos que servem para uma única boca de lobo devem ter um diâmetro mínimo de 30 cm para evitar entupimentos constantes. admitindo um espaço mínimo acima do nível d`água de. para evitar entupimentos.20 m é conveniente o emprego de seção circular. Os diâmetros comerciais correntes são os seguintes: 0.80. pelos mesmos motivos. Quando houver maior número de bocas de lobo os condutos devem ser dimensionados com folga. No caso de seção retangular devemos garantir a condição de conduto livre. 0. 0. o diâmetro ou a dimensão mínima é de 50 cm para galerias ramais. ela funciona à plena seção. 0.

declividade longitudinal.seção molhada. etc) onde do total precipitado a maior parte escoará superficialmente. para reduzir os problemas de erosão e turbulência. ainda. para apresentar neste curso. n . em m/s. Um tipo de dissipador de energia muito utilizado é a bacia de dissipação. a proteção de enrocamento ao longo do leito e taludes adjacentes à estrutura. conveniente e econômico. para descargas de até 10 m3/s. Os dissipadores de energia são muitas vezes necessários nas saídas de galerias de águas pluviais ou de canais. para reduzir a declividade de um canal natural ou artificial. passeios. A altura de um degrau deve ser a menor possível. causando erosão caso não sejam previstas obras para o seu controle. n= 0. adimensional. Os valores de “n” a adotar nos dimensionamentos serão: n= 0. O arranjo geral da bacia e as dimensões requeridas para várias descargas estão mostradas em figuras em anexo. ruas. na qual a maior parte das superfícies se encontram impermeabilizadas (telhados. A utilização de degrau é um outro meio. e escoará mais rapidamente quanto mais íngreme for a declividade do seu curso. sendo que maiores informações sobre outros tipos utilizados podem ser encontradas na bibliografia citada nesta apostila. Deverá ser providenciada. trabalharemos com áreas e vazões relativamente pequenas. em m. Nas áreas de aterros sanitários. I . nem sofre aceleração ou retardamento sem a ação de uma força externa. fazendo com que a infiltração ocorra em maiores proporções e o escoamento seja desta forma reduzido. Bacias de dissipação por impacto A concepção básica da bacia por impacto é mostrada no anexo desta apostila. Com base nisto escolhemos um tipo de bacia de dissipação de energia. Esse tipo de bacia está sujeito a forças dinâmicas elevadas e turbulências que devem ser levadas em conta no projeto estrutural. RH . A corrente de água não muda de direção.011 para galerias retangulares em concreto armado. Pode ser empregada na saída de calhas a céu aberto e na saída de condutos fechados.raio hidráulico. que possibilita o projetista transformar um escoamento em regime supercrítico em subcrítico. em se comparando com a drenagem de uma área totalmente urbanizada. A estrutura deverá ser suficientemente estável para resistir aos esforços de arrastamento provocados pela carga de impacto sobre a parede defletora.coeficiente de rugosidade. Esse tipo de bacia de dissipação é de baixo custo.S . em m/m. mediante formação de ressalto hidráulico. drenagem em áreas de aterros sanitários. No nosso caso. Dissipadores de Energia Estas estruturas são utilizadas com a finalidade de evitar velocidades excessivas nos canais. a percentagem de áreas impermeáveis decresce consideravelmente. podendo ser utilizada para pequenas descargas.013 para galerias circulares em concreto armado pré-moldadas. para evitar tendência de erosão no canal de 32 .

Normalmente há formação de ressalto hidráulico a jusante. A face inclinada poderá ser dotada de rugosidade suficiente para dissipar energia. sempre que possível devem ser evitados para minimizar problemas de erosão e turbulência. particularmente quando a lâmina de água no canal de restituição é pouco profunda.30D 0.18) onde: q . caso sejam observados indícios de erosão.22 . é muitas vezes conveniente a utilização de vários degraus de baixa altura.19) (2. Chow exprime as características hidráulicas do vertedor em degrau vertical.27 .54 D 0.21) (2. g . Muros de ala a jusante. com 45O de abertura.425 n a h2 = 166D 0. As funções são as seguintes: Lh = 4. em vez de pequeno número de degraus de grande altura. em queda livre. são muito eficientes para melhor estabilidade e controle de tendências erosivas e melhor distribuir a descarga a jusante. O uso de gabiões na construção de degraus.21) 33 . pelo menos das descargas baixas e mais freqüentes. Canal com degraus O uso de canal com degraus permite adequar declividades muito íngremes às condições desejáveis de projeto.altura do degrau.20) (2. n a h1 = 0.a aceleração da gravidade.27 n a hp = 100D 0. Os degraus com inclinações de 1:2 a 1:4 são geralmente satisfatórios. a . Nas obras de drenagem urbana . Na maioria dos casos. haverá necessidade de se fazer uma proteção adicional no leito e nos taludes após a passagem de uma ou duas cheias. inverte sua curvatura e transforma-se suavemente em escoamento supercrítico como mostrado na Figura 2. Análise hidráulicas A lâmina vertente de água. n a (2. através de funções do “número de queda” que é definido pela relação. permiti obter excelentes características de rugosidade superficial. Dn = q2 ga 3 (2. Os degraus verticais.restituição a jusante. de um vertedor em degrau vertical aerado.a descarga unitária por unidade de comprimento da crista da soleira.

O emprego de grandes matacões logo a jusante da profundidade h1. igual `a largura do canal de aproximação. aproximadamente. provocará a formação de remanso. h1 é a profundidade no pé da lâmina vertente ou o início do ressalto hidráulico. o ressalto formar-se-á mais a jusante. hp é a profundidade a jusante junto ao pé do degrau. Se a profundidade a jusante do degrau for inferior a h2.1. Modificações Práticas A utilização do degrau vertical exige a colocação de enrocamento de pedras rejuntadas e/ou gabiões a montante e a jusante do mesmo. Se por outro lado. o ressalto será afogado. FIGURA 2. diminuição do comprimento do trecho a jusante a ser protegido. Os matacões a serem utilizados poderão ser naturais. a profundidade a jusante for maior que h2. L pode ser determinado. As considerações acima são válidas se o comprimento da crista do vertedor for. e h2 a profundidade d`água a jusante do ressalto. Figura 2. é necessário nesse caso. assim. 34 .onde Lh é o comprimento de queda ( a distância desde o espelho do degrau até a posição de profundidade h1). e devem ser colocados adequadamente no fundo do canal.1 –Geometria do escoamento de um vertedor em degrau vertical A partir destas equações poderão ser determinados o comprimento de queda e a profundidade d`água a jusante.20 m. de maneira análoga. verificar se as condições de submergência não prejudicam o funcionamento das seção de controle no degrau. exigindo proteção especial do fundo numa extensão maior.90 a 1. possibilitando. como para bacias de dissipação. com dimensões variando de 0.

Essa proteção pode ser conseguida através da impermeabilização do solo e da drenagem dinâmica de nascentes. mas também para impedir que atinjam os resíduos aterrados e incrementem o volume de líquidos percolados.2. Entretanto. FIGURA 3.1.1 e 3.Dreno cego (sem tubo condutor) Manta Geo-Textil Terreno Natural Sobre o dreno. Drenagem das Nascentes Evidentemente. Nos aterros.Sistema de Proteção de Aqüíferos Subterrâneos Esse sistema tem como objetivo impedir que haja o contato direto dos resíduos aterrados. as áreas que apresentam nascentes ou pontos de afloramento do lençol freático devem ser evitadas uma vez que as medidas para a proteção dessas águas quase sempre são ineficientes. não só com a finalidade de preservação da qualidade. recomenda-se a colocação de uma camada de solo com espessura mínima de 2 metros. simplesmente por dreno de pedra britada (dreno cego). conforme mostrado nas Figura 3.Capítulo 3 . A utilização de material sintético é feita de maneira que o mesmo envolva todo o leito de pedra britada. Figura 3.2.Drenagem Subsuperficial . Depois de aberto o dreno horizontal e preenchido com brita. Esse efeito pode ser conseguido como materiais sintéticos como o bidim. Efetua-se. ou simplesmente com capim seco. em seguida. ou então. que devem ser canalizadas. recobre-se a escavação com manta geotêxtil. Após a abertura da vala. ou de seus efluentes com os aqüíferos subterrâneos. quando é inevitável a utilização de áreas que apresentam tais ocorrências devem ser tomados cuidados especiais com essas águas. assenta-se o tubo perfurado (se for o caso) e preenchem-se os vazios com pedra britada. sobre as pedras deve ser colocado um material que facilite a percolação de líquidos e que retenha suspensões que possam vir a colmatar o dreno. dobra-se a manta geotêxtil excedente de forma a cobrir a superfície superior do dreno. essa drenagem é normalmente efetuada através de uma estrutura drenante subsuperficial. constituída por um tubo de concreto perfurado envolvido por uma camisa de pedra britada conforme Figura 3. Esse dreno deve ser aberto com uma retroescavaderira e direcionado para fora da área aterrada. 35 . e como impermeabilização do fundo do aterro.1 .

FIGURA 3.velocidade média de percolação (cm/s).4) 36 .vazão (m3/s).raio hidráulico (m).declividade (m/m).porosidade do meio (0.012).2 . pode ser efetuado mediante a aplicação da equação de Wilkins: Q = 52.2) onde: V . I .Dreno com tubo condutor Brita Manta Geo-Textil Tubo Dreno O dimensionamento da rede de drenagem subsuperficial. quando constituída de tubo perfurado envolvido por camisa de pedra britada pode ser realizada utilizando-se a fórmula de Manning para condutos em regime de escoamento livre: Q= 1 × R 2 / 3 × I 1/ 2 h N (3.45 × p × R 2 / 3 × I 1/ 2 h (3.raio hidráulico do meio poroso considerado (cm) Rh = p × Ds 6 × ( I − p) (3.40 .1) onde: Q . O dimensionamento da rede subsuperficial. quando constituída apenas por drenos de pedra britada.54 (3.Drenagem Subsuperficial .coeficiente de rugosidade das paredes (para tubo de cimento.50) Ds .3) p . n . I .declividade do aterro (m/m).diâmetro equivalente (cm) A expressão pode ser escrita da seguinte forma: v = C v × I 0. n=0.0. Rh . Rh .

62 16.Coeficiente de viscosidade cinemática = 1.45 0.17 0.80 5.74 0.42 0.63 9.5) cujos valores são mostrados na Tabela 3.25 0. igual ou maior que 2% A seção do dreno é então determinada a partir da equação da continuidade.vazão a ser drenada (m3/s). Qp S= 2× (3.98 20.21 0. aplicando-se um coeficiente de segurança igual a 2.32 0.91 3.26 0.40 8. TABELA 3.0 < RW < 3000.52 0.Valores de Cv da equação de Wilkins para Drenos de Pedra Britada Brita ou Cascalho Diâmetro Nominal (cm) Diâmetro Equivalente (Ds) 0.0 2.46 P 0.50 13.40 0.91 0.52 1.1 .33 P 0.63 0.35 0.45 10. S . Esse número é calculado pela expressão: Rw = onde: VD ν (3.1.21 0.5 × p h (3.01 10-2 cm2/s 37 .6) V onde: Qp .02 16. em geral.5 5.0 7.00 A declividade do dreno deve ser.45 × R 0.5 1.75 12.86 25.61 Rh (cm) Cv (cm/s) 2 3 4 5 2.21 14.seção do dreno (m2) Deve-se efetuar o cálculo do número de Reynolds (Rw) do escoamento.7) ν .65 13. já que a equação de Wilkins somente é válida na faixa 1.50 0.onde: C v = 52.77 20.

5 metros para permeabilidade de 10-7 cm/s. geralmente são escavados drenos para líquidos percolados.00 kgf/cm2. melhorando sua resistência e permeabilidade.MB 32/1968 ABNT). A consistência ideal deve ser de média a dura (índice de consistência entre 0. isenta de blocos grandes e matacões. Quando esse procedimento for insuficiente. O limite de liquidez deve ser maior ou igual a 30 % (Ensaio de determinação do limite de liquidez . devendo. Evidentemente o material nativo poderá ser melhorado. devido à extensão das áreas a serem tratadas. é conveniente que o solo apresente uma porcentagem de partículas passando pela peneira número 200 da ASTM superior a 30% ( Análise granulométrica por peneiramento e sedimentação .00) com resistência a compressão simples situada entre 0. 38 . que supra as deficiências do solo natural quanto a permeabilidade e resistência. deve ser providenciada a colocação de uma camada de solo suplementar. No entanto é desejável que espessura total da camada de impermeabilização da base do aterro seja de no mínimo 1. Alguns autores chegam a recomendar 2. siltes e suas misturas. de forma a evitar a contaminação do mesmo. Assim a camada de aterro deverá ter espessura útil mínima.Impermeabilização do solo A impermeabilização dos solos nos casos de aterros sanitários. medida apartir da sua cota mínima até o fundo da canaleta de drenagem de 0.00 metros de espessura.MB 30/1969 / ABNT) e o índice de plasticidade deve ser maior ou igual a 15 unidades. com permeabilidade próxima de 10-7 cm/s. como nos depósitos de argilas. Quanto a granulometria. A camada de solo que servirá de base para o aterro deve ser mais homogênea é trabalhável possível. Este valor também é determinado em função da profundidade do lençol freático.00 metro. é um processo caro. em alguns casos através do revolvimento e recompactação da camada mais superficial. sempre que possível ser evitada.5 e 1. constituídos por canaletas preenchidas com pedras britadas. Deve-se lembrar que sobre o aterro a ser lançado.50 e 4.

vazão média de líquidos percolados (l/s). A vazão do percolado é dada pela seguinte expressão : Q= P×A×K t (4.1) onde: Q. O método Suíço O método suíço é um modelo que se utiliza de coeficientes empíricos sendo de uso bastante simples. K. no entanto deixa a desejar com respeito a precisão. • capacidade do solo de reter umidade.Esquema da Percolação do Chorume em um Aterro Sanitário.constante de compactação (Tabela 1). • escoamento superficial e/ou infiltração subterrânea.Capítulo 4 . PRECIPITAÇÃO (mm) PRECIPITAÇÃO COBERTURA TEMPO(hr) INFILTRACÃO E REDISTRIBUICÃO DO CONTEÚDO DE ÁGUA LIXO COMPACTADO HIDRÓGRAFA DO CHORUME (mm/hr) TEMPO (hr) SISTEMA DE DRENAGEM Para o cálculo da vazão de líquidos percolados podem ser utilizados dois métodos: o método Suíço e o método do balanço hídrico.Sistema de Drenagem de Líquidos Percolados Cálculo da vazão a ser drenada O volume de líquido percolado depende fundamentalmente dos seguintes fatores: • precipitação na área do aterro. O segundo método é o que representa melhor os fenômenos da natureza. • umidade natural do lixo. mas sua aplicabilidade é mais complexa. A. 39 . FIGURA 4.área do aterro (m2).2 . • grau de compactação.precipitação média anual (mm/ano). P.

5).000 s).0. ΔUw .70 Aterros fortemente compactados Acima de 0. L .água que sai como percolado.25 Balanço Hídrico em Aterros Sanitários O balanço hídrico em aterros sanitários pode ser descrito da seguinte forma: ÁGUA QUE ENTRA ÁGUA QUE SAI ÁGUA RETIDA = + Supondo que não haja infiltração representativa de percolado pelas paredes laterais nem pelo fundo das trincheiras.15 .Cobertura com solo de 60 cm de espessura e inclinação entre 2 a 4%.Valores de K para aplicação do método Suíço Tipos de Solo Peso específico do lixo (ton/m3) Aterros fracamente compactados 0.Área de cobertura reservada para recobrimento com vegetação.t. al.água absorvida e retida pela camada de cobertura (4. E . Uw .536.Área da trincheira bem maior que sua profundidade.Adição de umidade se dá somente após o fechamento da trincheira. matematicamente desta forma: P + U w = E + G + L + R + ΔU w + ΔU s Onde: P . 40 . Valores da constante de compactação K. que são: 1). ΔUs . R .50 0.Infiltração no aterro proveniente somente da precipitação incidente.1 . existente seis condições básicas para utilização do método do Balanço Hídrico. G . 4).0.Características hidráulicas do lixo e do material de cobertura uniformes.70 K 0.tempo (s) (1ano= 31. 6). ou seja.40 . (1975).0.água absorvida e retira pelo lixo. 2). 3).escoamento superficial. pode-se expressar esta relação. o movimento de água ocorre somente no sentido vertical.25 .evaporação.2) Segundo Fenn et.precipitação.água vinda com o lixo (contribui apenas uma vez no balanço). TABELA 4.vapor d`água que sai com os gases.

Componentes do balanço hídrico em um aterro sanitário. no caso em que (I-EP)>0. al. (1975). TABELA 4. (IEP)<0.3 . Precipitação Evapo-transpiração Escoamento Superficial Infiltração Evaporação Armazenamento Camada da Cobertura Fluxo de percolado em áreas saturadas e não saturadas Armazenamento e distribuição Lixo Municipal Camada Impermeável Coleta de Percolado Solo Natural Infiltração A Tabela 4. Áreaaterro)/2. em anexo. AS pode ser obtido a partir de tabelas apresentadas por Fenn et.ES Diferença entre a água que infiltra e a que evapora Calcula-se somando os valores negativos de (I-EP) Multiplicando-se o valor de água disponível para cada solo (ver Tabela 4. (1975) apresenta os parâmetros metereológicos e outros dados utilizados no método do balanço hídrico. Quando o solo estiver abaixo da capacidade de campo. adaptada de Fenn et. P I = P.ASn-1) Quando (I-EP)>0 então ER=EP Quando (I-EP)<0 ER=[EP+(I-EP).00 Variação no armazenamento de água no solo (ΔAS) Evaporação Real (ER) Percolação em mm (PER) Vazão mensal em l/s (QM) 41 . de um mês para o outro (ΔAS = ASn .ΔAS] PER=P-ES-AS-ER QM=(PER.4) pela espessura deste solo.EP ∑(NEG(I-EP)) Armazenamento de água no solo de cobertura (AS) Como Obter Boletins pluviométricos Tanques classe A Utilizando-se o coeficiente de escoamento C para cada tipo de solo e inclinação (Ver tabela 3).592.2 – Parâmetros utilizados no método de balanço hídrico Parâmetros Precipitação (P) Evaporação Escoamento superficial Infiltração (I) I . al. Diferença da água armazenada no solo.FIGURA 4. ES=C .2.

18 0. Essas linhas de drenagem assumem um formato de leque ou espinha de peixe. que são constituídos por canaletas simples.17 2 a 7% 0.05 0.3 .10 2 a 7% 0. ou sobre a camada de aterro impermeabilizante e preenchidas com pedras britadas. Como o escoamento em drenos de brita ocorre. (1975) Dimensionamento da rede de drenagem Os drenos para líquidos percolados. Estes drenos tem por objetivo coletar o líquidos percolados dos resíduos depositados nos aterros que.40 metros. com um ponto de convergência na menor cota da base do aterro. al. caso contrário.Umidade no solo (mm de água/ m de profundidade de solo) Tipo de Solo Arenoso Siltoso Argiloso Capacidade de Campo 200 300 375 Ponto de Murchamento 50 100 125 Água disponível 150 200 250 Fonte: Fenn et. obrigatoriamente devem ter eficiência e resistência.22 Fonte: Fenn et. na base do mesmo. Por isso.10 0. 42 . visando garantir o seu funcionamento e recomendável que na construção desses drenos sejam passados valores de declividade superiores a 2% e de seção transversal entorno de 0. sofrendo ação de toda a carga dos resíduos aterrados e estando.40 x 0. Por isso.15 Argiloso 0 a 2% 0. em geral.18 0. al.Coeficiente de escoamento superficial (C) Tipo de Solo Declividade Coeficiente C Estação seca Estação úmida Arenoso 0a2% 0. por se localizarem numa área que esta sob a ação de toda carga do aterro. deve-se utilizar o modelo determinado por Wilkins. como já mencionado anteriormente. Figura 4. consequentemente sujeitos a rompimentos e inversões de declividade. Um seqüência de cálculo é proposta no capitulo III desta apostila. isto é. (1975) TABELA 4.TABELA 4.4 . na faixa de transição entre o regime laminar e o regime turbulento. tenderiam a infiltrar no solo e colocar em risco a qualidade das águas subterrâneas da região. Geralmente os drenos adotados são constituídos por linhas de canaletas escavadas diretamente no solo. escavadas no solo e preenchidas de pedras britadas ou material similar. concentrando-se num único dreno que é direcionado para um sistema de tratamento. na maioria dos aterros sanitários os drenos para líquidos percolados são constituídos por drenos sem tubo condutor (dreno cego).1 Os drenos de líquidos percolados situam-se na região mais crítica do aterro.

conforme capítulo 3.FIGURA 4.Layout de plantas de sistemas de coleta de chorume Para dimensionamento desta estrutura é fundamental o conhecimento da vazão a ser drenada e das características gerais do sistema. 43 . o dimensionamento pode ser realizado aplicando-se a equação de Manning. Caso se opte pela utilização de tubos de cimento para a drenagem do chorume.1 .

anaeróbios e podem ocorrer situações de transição ou sucessão onde os ambientes oscilam entre aeróbios e anaeróbios. instável. próprio dos fenômenos anaeróbios. proteínas e carboidratos são transformados em compostos orgânicos mais simples.a-2b+3c)H2O ⇒ 1/8 (4 – a –2b – 3c)CO2 + 1/8 (4 + a – 2b –3c)CH4 (5. III fase – Anaeróbia metânica . com liberação de CO2 . onde certas bactérias metanogênicas. etc. Os processos biológicos que ocorrem na decomposição dos resíduos podem ser classificados em três grandes grupos. predominam os fenômenos aeróbios em virtude do oxigênio livre presente nos interstícios do lixo.2) + cNH3 Segundo vários autores a estabilização da matéria orgânica em um aterro sanitário e a respectiva evolução da composição de um gás em um aterro sanitário passam por quatro fase a saber: I fase – Aeróbia. utilizam os ácidos voláteis formados na segunda fase para a formação de CH4 e CO2. IV fase – Anaeróbia metânica. Na primeira fase com duração de uma a duas semanas. Os processos de decomposição são apresentados abaixo em suas formulações químicas: 1)-Decomposição aeróbia (HaObNc) + ¼ (4+ a-2b-3c)O2 ⇒ CO2 + ½ (a-3c) H2O + cNH3 2)-Decomposição Anaeróbia (HaObNc) + ¼ (4 . Neste caso desenvolvem-se bactérias denominadas “facultativas” que podem captar tanto oxigênio livre do ambiente aeróbio.Capítulo V .) Nas duas últimas fases ocorre a estabilização da matéria orgânica. Já os fenômenos anaeróbios que produzem menos energia calorífica dissipam energia sob a forma de CH4. de acordo com a fonte de oxigênio: Processos Aeróbios. II fase – Anaeróbia ácida. Na terceira fase ocorre a (5. Os processos de fermentação ou degradação aeróbia são processos de oxidação semelhante à combustão. combustível de alto valor econômico. uma vez aterrados entram em processo de decomposição. Processos Anaeróbios. quanto oxigênio combinado.1) 44 . e tem duração variável. como ácidos orgânicos (acétido. A segunda fase é o primeiro estágio anaeróbio. propiônico. As gorduras. butírico. Processos Facultativos A degradação ou digestão dos resíduos pode ser realizada em ambientes aeróbios. estavél. H2O e calor. estritamente anaeróbias. ou “lixo”. podendo atingir até dois meses.Produção de Gás em um Aterro Sanitário Os resíduos sólidos urbanos.

e mantém as proporções apresentadas acima por dezenas de anos. As bactérias metânogenicas podem sobreviver em faixas de pH entre 6.estabilização dos volumes de gases gerados. Na quarta fase a proporção de CH4/CO2 permanece estável. A produção de gás aumenta com o teor de umidade.4 e 7. Como o primeiro estágio se completa em poucos dias.1 – Produção de gases em um aterro sanitário Fatores que afetam a produção de gases em aterros sanitários A produção de metano é controlada por alguns fatores como: composição do resíduo sólido. Alguns estudos realizados em aterros sanitários tem mostrado que são necessários cerca de 300 dias para se estabilizar a produção do gás metano em um aterro. As taxas de produção de gás e a duração de cada fase são especificas para cada local.1.4. é difícil estimar a produção de gás em um aterro neste período. FIGURA 5. teor de umidade. em torno de 60 % CH4 e 40% CO2. O teor de umidade dito ótimo está em torno de 40 %. respectivamente e não se encontram mais vestígios de N2. 45 . Figura 5. alcalinidade. potencial redox e pH. Comumente admiti-se que são necessárias duas décadas ( 20 anos) para que ocorra a degradação completa das substâncias orgânicas presentes em um aterro sanitário.1. temperatura. sendo que a faixa de tempo adotada é de 180 a 500 dias. aproximadamente uma semana. Esta mistura final é denominada gás bioquímico. Sendo que a temperatura ótima para a decomposição anaeróbia situa-se entre 29 0C e 37 0 C. Sendo que fator de maior importância é a umidade. Figura 5. embora reduza-se a sua proporção ao longo do tempo. em torno de 60% e 40%.

em aterros construídos em solos compostos por areia e cascalho ocorre uma maior movimentação de gases do que em solos compostos de argila e silte. Em geral.2.3. argila e geomembranas prevalece uma maior tendência na migração de gases através das laterais do aterro.Alguns resíduos podem inibir as atividades das bactérias metânogenicas. FIGURA 5. Se o aterro tem a sua superfície final coberta por solos de baixa permeabilidade. a migração de gases na direção vertical. a codisposição de resíduos com auto poder putresível tais como lodo orgânico podem aumentar a produção de gás. por outro lado. asfalto. O movimento de migração é maior em solos de alta permeabilidade.Migração lateral de gases. Migração de Gás e o seu controle Os mecanismos de movimento dos gases através dos resíduos são extremamente complexos. no sentido da camada final do aterro.2. Nos solos com baixa permeabilidade. Figura 5. Figura 5. O gás pode migrar pelo aterro através do massa de resíduos em direção a camada final e também através de solos marginais ao aterro que ofereçam pouca resistência a este movimento. Assim os gases gerados em aterro sanitário atingem a atmosfera através de migração horizontal e vertical. tende a predominar. tais como areia e cascalhos e menor em solos de baixa permeabilidade. EPA (1985) apud Matsufuji (1994) 46 . como silte e argila.

drenagem superficial.Migração vertical de gases. 47 . O metano quando encontrado no ar nas concentrações de 5 a 15 % do volume de ar é altamente explosivo. O perigo de explosões aumenta com as migrações do gás metano e ar para áreas confinadas.4 mostra a concentração em parte por milhão (ppm) de sólidos suspensos totais. Vários acidentes trágicos devido a isto foram registrados nos Estados Unidos e Japão. problemas de odores desagradáveis. danos ocasionados a vegetação. A presença de carbonatos. causando prejuízos a alguns tipos de indústrias. outro fator prejudicial a industrias que possuem processos que envolvem a utilização de caldeiras. sob e a jusante de um aterro sanitário. A água contendo carbonatos e bicarbonatos de cálcio e magnésio tem aumentada sua dureza. A Figura 5.3. A acidificação excessiva da água subterrânea acelera a corrosão do ferro. Outros problemas causados pelo migração dos gases produzidos em um aterro sanitário dizem respeito a: acidificação da água subterrânea através do dióxido de carbono. como por exemplo o hidrogênio são combustíveis. fora deste intervalo o metano não apresenta riscos de explosões. etc.FIGURA 5. em concentrações superiores a 15% pode provocar incêndios e asfixia. com por exemplo tubulações de esgoto. utilizando-se poços localizados a montante. capacidade deterioração (corrosão) de superfícies e emissões tóxicas. uma vez que é inflamável nas condições normais de pressão atmosférica e temperatura. cloretos e os valores de dureza obtidos em análise da água subterrânea. O metano e alguns outros gases. No entanto. como por exemplo indústrias de alimentos. bicarbonatos e hidróxidos causam o aumento da alcalinidade da água. EPA (1985) apud Matsufuji (1994) Entre os problemas mais sérios causados pelos gases provenientes de aterros sanitários estão as explosões e consequentemente um elevado risco de incêndios. do aço e promove a dissolução de compostos de carbonatos no solo e formações rochosas.

compostos por tubos de ventilação vertical.5. devendo chegar a profundidade próxima da base do aterro e não devem atingir o NA do terreno. As barreiras naturais incluem solos de baixa granulometria. quando possível ou artificiais. de maneira descontrolada.FIGURA 5. podem ser utilizadas. tais como depósitos glaciais. A trincheira pode ser equipada com coletores de gás e sistemas de exaustam dos mesmos. Para a drenagem dos gases. pedregulhos. 48 . argila e solos grosseiros saturados. A migração lateral pode ser naturalmente controlada nos limites do aterro se existirem estes tipo de solo. pedra de mão. Os sistemas de controle artificiais incluem trincheiras permeáveis com ou sem membranas impermeáveis que direcionam a saída do gás ou sistemas de extração dos gases. de gases de um aterro sanitário pode resultar em perigos significativos. devendo ser preenchidas por agregados grosseiros como seixos. tais como trincheiras de ventilação e/ou tubos de ventilação. etc. Estas estruturas são apresentadas na Figura 5. Sistemas de Controle de Gases Como mencionado anteriormente a migração.4 – Concentração de alguns substâncias em área de aterro sanitário. As trincheiras permeáveis podem ser construídas através da escavação ao longo do aterro. barreiras naturais.

sendo este um dos sistemas mais eficiente no controle de gases.5d. estes tubos são conectados a uma sistema de queima de gases. sendo que a mesma deve ter seu topo coberto por material de baixa permeabilidade favorecendo a saída dos gases apenas pelo tubo. Figura 5. Em solos permeáveis. O tubo de ventilação mostrado na Figura 5. uma lâmina de plástico ou argila ao longo da sua parede exterior.(1994) A trincheira permeável é um sistema eficiente para controle da migração lateral dos gases em aterros sanitários. Fonte: EPA (1985) apud Matsufuji.5a. O sistema de exaustam de gás da Figura 5. consisti de uma trincheira permeável com tubos para ventilação de gás.FIGURA 5.5c é colocado internamente a trincheira.5b. localizados em áreas com solos de baixa permeabilidade. 49 .5 – Barreiras utilizadas para controle de migração de gases. a trincheira pode ser construída com uma barreira impermeável . Figura 5. como por exemplo.

Em aterros onde as condições do solo ou do local dificultarem a construção de trincheiras profundas. Assim a maioria das estruturas de coleta de gases são progressivamente adicionadas ainda que não se tenha chegado ao final do aterro. Nos casos onde se opte pela queima dos gases deve-se garantir que não ocorram condições de extinção da chama. podendo para isto ser previstas estruturas apropriadas para proteção da chama. a segunda é a queima os gases e a terceira o seu aproveitamento energético. As estruturas de coleta de gases devem ser construídas de modo a não retardar o progresso do aterro.Drenos verticais e inclinados Muitas vezes a ventilação natural de um aterro não apresente bons resultados na remoção dos gases. como por exemplo a adoção de sistemas de bombeamento dos gases provenientes do aterro. FIGURA 5.6. para tanto devem contar com estruturas de ventilação de gases (tubos e/ou trincheiras). é necessário a adoção de soluções mais eficazes na remoção dos gases. Figura 5. possibilitando que a queima possa ocorrer de maneira contínua . Nem sempre é possível o lançamento dos gases diretamente na atmosfera. e estruturas apropriadas para a destinação final dos gases. neste casos é recomendada a queima do gás. assegurando assim sua adequada ventilação. devido aos riscos de incêndios.6 . os tubos de gás podem ser instalados em volta do perímetro do aterro ou dentro do próprio aterro. Estruturas de coleta de gases As instalações para tratamento de gás devem ser responsáveis pela remoção do gás gerado no aterro sanitário. principalmente através da ação dos ventos. Planejamento das estruturas de coleta de gases em aterros sanitários Existem três possibilidades para destinação dos gases produzidos em um aterro sanitário. no entanto na fase 50 . A primeira é o lançamento direto na atmosfera. quer seja ela a queima ou a utilização para fins energéticos. Para que seja possível a realização da queima é necessário que o metano se apresente em altas concentrações. geração de odores e presença de substâncias tóxicas. O aproveitamento do gás para fins energéticos será detalhado mais adiante.

desde a base até a superfície final do aterro. sendo nestas circunstâncias o gás liberado diretamente para a atmosfera. visando dar vazão aos gases gerados e suportar os recalques diferenciais. tipo de solos utilizados na cobertura. etc. Estes drenos são na maioria das vezes constituídos de tubos superpostos e envoltos com camisas de brita. com formato cilíndrico preenchidos com pedras britadas. Nos aterros que apresentam uma boa impermeabilização de fundo e das laterais geralmente são utilizados drenos. atravessando verticalmente a massa de resíduos aterros.Detalhe de dreno convencional de gás Material de Cobertura Tubo de concreto perfurado Camisa de brita Lixo Manta de Bidim ou capim seco Quando são utilizados tubos de até 0.7. em função da altura do aterro.7 . etc.50 m a 1. tipos de solos marginais ao aterro. é de difícil realização. Assim nos aterros de pequena altura (até 15 metros) e grande área superficial são utilizados tubos de até 0. funcionando como chaminés. uso e ocupação da área de entorno do aterro.00 m de diâmetro. Figura 5. se haverá ou não outras estruturas impermeabilizantes. o diâmetro dos tubos a serem utilizados varia de 0. de modo a conferir maior resistência à estrutura. FIGURA 5. bem como a movimentação com o aterramento dos resíduos.00 metro. para isto deve-se ter em mãos as seguintes informações: qual o método de aterramento escolhido. Outra possibilidade para drenagem de gases e a utilização de fardos de tela metálica.40 m. como por exemplo geomembramas. Neste 51 .de construção o tratamento final do gás por queima. seixos.40 m de diâmetro costuma-se também preenchê-los com pedras britadas. As estruturas de drenagem dos gases devem ser selecionadas após as devidas considerações sobre o fluxo de gás no aterro. Na prática.20 a 1. Os aterros de alturas maiores podem ser utilizados tubos armados com diâmetro variando de 0.

a qual é preenchida com pedras e puxada verticalmente a medida com que as camadas de resíduos se sobrepõem. devido a ação dos corrosiva dos percolados.8. 52 . recomenda-se que nos últimos metros de dreno seja colocado um tubo condutor. Podem também serem utilizados drenos compostos por gabião ou a combinação de gabião com tubos de PVC. para o adequado tratamento final.caso.0 metro de espessura de solo. predominantemente argila. mesmo que ocorra oxidação e o rompimento da tela.50 m. Figura 5. FIGURA 5. Quando da utilização de tubos de ventilação ao longo dos taludes.8 –Detalhe de dreno de gás sem tubo condutor em toda sua extensão Tubo de concreto perfurado Camisa de brita Material de Cobertura Lixo Manta de Bidim ou capim seco Para garantir boa eficiência de drenagem de gases é necessário se combinar um malha de drenos bastante ampla com uma cobertura final de pelo menos 1. para os casos de utilização de fardos de tela ou camisa deslizantes. as pedras continuaram formando um canal eficiente. Nos exemplos apresentados acima. Este método apresenta funções idênticas aos drenos convencionais. Outra possibilidades para execução dos drenos é a utilização de camisas deslizantes. onde se utiliza uma forma ou camisa metálica com alças nas extremidades. permitindo assim que os gases saiam de forma controlada na camada final do aterro. A maioria das estruturas de gabião possuem diâmetros de 0. até atingir a camada final do aterro.30 a 0. os mesmos devem ser posteriormente direcionados para um único tubo reunindo o gás gerado em pontos distintos do aterro em um único local.

com a chuva.9. com a temperatura e outros fatores intervenientes. Segundo Matsufuji (1994) o intervalo pode ser dado teoricamente em função da espessura da cobertura de solo sobre as camadas de resíduos sólidos intermediárias.Espaçamento de tubos de ventilação vertical. da espessura da cobertura final de solo quando da conclusão do aterro e dos seus respectivos coeficientes de permeabilidade.Espaçamento dos tubos O mecanismo de geração de gases varia com a homogeneidade dos resíduos.00 metro de diâmetro.9 . estando uma delas apresentada na Figura 5. com a decomposição da matéria orgânica. Matsufuji (1994) 53 . FIGURA 5. o que torna difícil a determinação do intervalo de espaçamento dos tubos. com o tempo. está análise foi feita para tubos de 1.

Para altas concentrações de gás sulfídrico (H2S). Caso esta seja a solução adotada é necessário que seja feito um rigoroso controle da qualidade deste gás evitando que substâncias contaminantes e indesejáveis sejam lançadas na rede de gás. pode-se queimar estes gás utilizando um combustível complementar (por ex.600 pés cúbicos por minuto para combustão interna. USA). Este tipo de sistema de geração de energia elétrica pode produzir cerca de 3. depende primeiramente da existência de um mercado para o consumo desta energia. Estes gases são então dispersos na atmosfera e seus odores serão minimizados. Destinação do gás coletado O gás coletado em um aterro sanitário pode ter as seguintes destinações finais: lançamento direto na atmosfera.3 megawatts de energia elétrica consumindo 1. o intervalo de espaçamento dos tubos é de 20 a 60 metros. Neste caso o tratamento anterior do gás para sua utilização como combustível em uma turbina a gás. os problemas de odores indesejáveis podem não ser evitados com a dispersão do gás na atmosfera. O aproveitamento energético do gás gerado em um aterro. 54 . responsável pela captura dos elementos contaminantes presentes no gás ou a queima do gás. que neste caso funcionam como uma chaminé. Se existe uma fábrica ou um grande prédio próximo ao aterro. deverá passar por um filtro para remoção de umidade e sulfeto hidrogênio (caso exista) e após isto poderá ser utilizado. Em alguns países onde já existem tubulações de gás natural. Uma alternativa utilizada nestes casos é o tratamento do gás antes do seu lançamento na atmosfera. no entanto. pode-se avaliar o lançamento direto do gás nesta rede. Em locais onde o gás gerado apresenta baixas concentrações de metano. óleo ou gás natural. Quando se deseja optar pelo transporte do gás para locais mais distantes. que deverá então ser comparado com os valores de mercado dos demais combustíveis disponíveis. No caso do uso em industrias o gás coletado no aterro. sendo mais indicada a sua queima evitando assim riscos de incêndios. Neste casos é necessária a utilização de pessoal qualificado para operação destes sistemas. Para altas concentrações de metano no gás bioquímico não recomendado a seu lançamento direto na atmosfera pelos motivos descritos anteriormente.9 mostra um sistema típico de geração de energia elétrica que utiliza o gás proveniente do aterro. não sendo recomendado na maioria das vezes. isto pode provocar um grande aumento no custo de operação do sistema de controle de gases do aterro. para aterros com alturas finais variando de 10 a 20 metros. o gás extraído pode ser diretamente direcionado para utilização nestes locais. é mínimo. através da utilização de um filtro de carbono. verificando-se assim a viabilidade do projeto. dependendo da espessura da cobertura final.Normalmente. o custo da tubulação de transporte entre o local de extração (aterro) e o local de consumo deverá ser adicionada ao custo final do gás. O lançamento dos gases diretamente na atmosfera é realizados pelos próprios drenos. etc. gás natural). queima ou aproveitamento energético. em uma fornalha industrial em conjunto com outros combustíveis que podem ser carvão. em diversas localidades (EUROPA. devido a isto são raros os casos onde se possa dar este tipo de destinação aos gases gerados em um aterro. por exemplo. A Figura 5. asfixia.

55 . Considerações Finais Para prevenir a queda na eficiência dos tubos de coleta de gases quando do encerramento do aterro. provoca ainda a redução da água retida dentro do aterro.FIGURA 5. sem isto todos os projetos implantados estarão fadados ao fracasso. característica da decomposição anaeróbia. os mesmos devem ser posicionados ao longo do aterro com declividade de cerca de 3%. o fator mais importante para que o gás metano gerado em aterros sanitários seja reaproveitamento é a existência de um mercado consumidor. devido ao entupimento por exemplo. ajudando a promover a decomposição dos resíduos sólidos. Um outro aspecto interessante da utilização da drenagem de gases é que ela propicia o aumento das zonas aeróbias dentro do aterro.10 – Sistema típico para geração de energia elétrica apartir de gás metano produzido em aterros sanitários Uma outra opção para utilização do gás gerado no aterro e como forma de combustíveis de veículos Em resumo. possibilitando a estabilização das suas camadas. reduzindo assim a produção de gases.

56 . Na prática. Definição de Vertedor Denominam-se vertedores as aberturas ou entalhes na parte superior de uma parede. então o vertedor é chamado de parede delgada (v. se o comprimento da crista do vertedor na direção do escoamento é tal que H ε > 15 . Com o intuito de monitorar a vazão dos líquidos devem ser instaladas estruturas de medição de vazões. FIGURA 6.Seção longitudinal A classificação dos vertedores é realizada (Neves. Figura 6.Quanto à forma: simples (retangular. os mesmos são direcionados para o sistema de tratamento.d) sendo ε a espessura da parede. bem como aos descarregadores de superfície dos reservatórios (Neves. dá-se o nome de vertedor a toda a parede.p.1987).Esquema de vertedor de parede delgada .Quanto à espessura da parede: vertedores em parede delgada e vertedores de soleira espessa.1989) levando-se em conta as diversas formas e disposições.Capítulo 6 . o comprimento da crista para o vertedor de parede delgada é geralmente menor que 2 mm de maneira que nos mínimos níveis de operação o fluxo “salta” visivelmente a jusante do corpo do vertedor.Quanto à altura da soleira: livres ou completos (nível de jusante inferior à crista) e incompletos ou afogados (nível de jusante acima da crista). pode-se utilizar vertedores de parede delgada.1. por extensão. Segundo (French. c). podem eles ser classificados: a).Medição de Vazões Após a drenagem dos líquidos percolados de um aterro.1. sendo diferente o comportamento da lâmina em cada caso. b).1989). triangular e trapezoidal) e compostos. através das quais o líquido escoa. Para se obter a vazão de chorume gerada por um aterro.

075 D/P 0.2 0.064 D/P 0.é o coeficiente de descarga. a profundidade crítica pode ocorrer no canal de aproximação. (4) Devido à aeração exigida. (2) Se D/P excede 5. (3) A largura do vertedor deve exceder 0.10m .593 + 0.0. Os vertedores retangulares são os mais empregados para a medição de descarga.1) foi derivada.05m abaixo da elevação da crista. São as seguintes as limitações.15 m ou seja b ≥ 0.602 + 0. A vazão teórica de um vertedor retangular de parede delgada é dada por Q= 2 × C × 2 2 g × b × D1. Esse limite é derivado de uma consideração da exatidão com que D pode ser medido e a importância relativa da viscosidade e do atrito na superfície no fundo.1 0 C 0. Bos (1976) recomenda para medidas precisas de vazão D P ≤ 2 e P ≥ 0.018 D/P 0.Quanto à largura: vertedores contraídos ou com contração lateral (comprimento da soleira menor que a largura do canal de aproximação).1.589 . existindo grande número de fórmulas para esse fim. do vertedor retangular: (1) O menor limite recomendado em D é de aproximadamente 0.0018 D/P 0.1).7 0.590 + 0.0.8 0.0058 D/P 0.0020 D/P 0.045 D/P 0.595 + 0.03 m.2.2. dado na Tabela 6. São invalidas as considerações sobre as quais a equação (6.1) onde : C .9 0.5 3 (6. o nível d’água a jusante do vertedor deve estar pelo menos 0.011 D/P b/T 0.d. TABELA 6.d).Valores de C como função b/T e D/P para v.0.030 D/P 0.15m .587 .0021 D/P 0. Figura 6. segundo French (1987) que devem ser consideradas para o uso da equação (6. Vertedor de parede delgada retangular O vertedor de parede delgada retangular é melhor descrito como um entalhe retangular simetricamente localizado em uma placa que é colocada perpendicularmente aos lados e ao fundo de um canal aberto estreito e normalmente retangular.p.4 0.3 0.6 0. retangulares b/T 1.599 + 0.5 C 0.1. Os demais valores são como apresentados na Figura 6.0023 D/P 57 .591 + 0.588 .592 + 0.597 + 0.0 0. e vertedores sem contração lateral.

é a altura de água sobre a crista do vertedor. pois a carga H é medida mais facilmente que nos vertedores retangulares.3) Para medida de vazões pequenas ( Q< 0. ou seja.Esquema de um vertedor de parede delgada retangular Corte longitudinal A Fórmula de PONCELET E LEBROS é comumente utilizada para determinar a vazão de vertedores de parede delgada retangulares.5 ⎛ × C × ( 2g) ⎜ tan ⎟ × H 5/ 2 ⎝ 15 2⎠ (6.2 .3) O coeficiente C varia com o ângulo do vértice (θ).59. A vazão teórica de um vertedor triangular é dada pela equação simplificada: (6. H .é o comprimento da crista do vertedor. no entanto. Vertedor de parede delgada triangular O vertedor de parede triangular é melhor descrito como um entalhe em forma de “V” simetricamente localizado em uma placa fina colocada perpendicularmente aos lados e ao fundo de um canal aberto. (6. Q = 1.4 × H 5/ 2 (Apud Neves 1989).2) Q= 8 θ⎞ 0 . o valor de C é igual a 0.77 × l × H 3 2 onde : l . De acordo com a fórmula de Thompson para θ= 900 .030 m3/s) é preferível o emprego dos vertedores triangulares.FIGURA 6. dada por: Q = 1. 58 .

d.p.5 7 25 35 45 55 65 T e ta 75 85 95 Vertedor de parede delgada trapezoidal A descarga de um vertedor trapezoidal é admitida como a soma das vazões de dois vertedores um triangular e um retangular (Neves.5.1987). FIGURA 6.4) 59 .4 . ou seja.FIGURA 6.5.seção transversal vertedor trapezoidal (6.Valores de C em função do ângulo teta (θ) para v. ⎤ ⎡2 ⎤ ⎡8 Q = ⎢ × C × b × 2 2 g × H 3/ 2 ⎥ + ⎢ × C × 2 2 g × H 5/ 2 × Tgβ ⎥ ⎦ ⎣3 ⎦ ⎣15 sendo os termos como constam na Figura 6. triangulares 0 .Seção transversal vertedor triangular FIGURA 6.3.1989 French.5 9 C 0 .5 8 0 .

) Hidrologia. YASUSHI . M. S.3a edição. EURICO TRINDADE.: Kyushu Internacional Center. PORTO. 5) TUCCI. São Paulo. 83 p. 943 p. 428 p. FERNANDO J. Ed. Globo. (JICA WJA04c).(coleção ABRH de recursos hídricos v. 464 p IPT . Kita Environmental Cooperation Center.Jul/ set 1999 NEVES. WILKEN. 1978 . NETO. ciência e aplicação.Universidade de Londrina . MATSUFUGI. 20 edição. 1a edição São Paulo 1996.. I. JOSÉ CAPELO.Manual de Projeto . Engenharia Sanitária e Ambiental . Editora da Universidade : ABRH.Curso de Gestão e Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos. s. S. 10 edição. 108 p. MATSUFUGI. 4) UEL . RUBEM LA LAINA e BARROS. 1a Edição.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CETESB . Porto Alegre1995.Geração de Percolado em Aterro Sanitário no Semi-Árido Nordestino: Uma abordagem quantitativa. JICA.Lixo Municipal . YASUSHI .(coleção ABRH de recursos hídricos v. de Drenagem Urbana..d. PAULO SAMPAIO . Curso de Hidráulica.CETESB. M.Drenagem Urbana . 478p 60 . 1986. MOTA SUETÔNIO e SILVA. Editora da Universidade : ABRH. . 1994. A. Porto Alegre1993.Manual de Gerenciamento Integrado. Curitiba 1994.: JICA. (org. 1989 TUCCI.Technical guideline on sanitary landfill. da . São Paulo. CARLOS E. 3 . I.Engenharia de drenagem superficial. . MÁRIO T.Design and operation of sanitary landfill. 160-167 p. CARLOS E. Vol.

ANEXO I .

406 1. o fator "index-flood" associado ao período de retorno T e à duração da precipitação D.690 1.103 1. na dissertação de Mestrado apresentada ao Curso de Pós-Graduação do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Escola de Engenharia da UFMG.439 1.828 0.826 0.578 1. I T .550 1.823 1.76542 D −0.636 0. 7059 PA0.683 0.602 1.970 2.823 0.013 1.017 2. conforme a tabela abaixo.818 0.d .823 1.813 1.754 2.422 1. Período de Retorno (anos) 2 10 20 50 100 200 1. com orientação do Prof. a duração da precipitação (horas ou minutos). a estimativa da intensidade média do local i. Estudo de Chuvas Intensas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.983 2.949 2.827 0.013 1.292 1.143 1. associada ao período de retorno T (mm/h ou mm/min).897 2.688 0.016 1.589 1.836 0.586 1.795 1.112 2. Dr.707 0.083 1.751 1.834 1.679 0.043 1.05 0.143 1.610 1.690 0. d para T ≤ 200 anos.128 1.931 2.779 .996 2.797 0.014 1.780 1.432 1.932 2.5360 μT .679 0.674 0.014 1.017 1. Esta equação regional foi definida por Márcia Maria Guimarães Pinheiro.430 1.445 1.821 0.610 1. defendida em Março de 1997.098 1.412 Fonte: Pinheiro. precipitação total anual média (mm).789 1.945 2.603 1. PA.983 2. Mauro da Cunha Naghettini.830 0. a Figura III-1 apresenta a configuração isoietal das precipitações totais anuais médias na região metropolitana de Belo Horizonte. e 10 minutos ≤ D ≤ 24 horas sendo IT. μT.451 1.014 1.157 1.618 1.821 0.591 1.i .691 0. i = 0.445 1.Neste Anexo são apresentadas as equações IDF estabelecidas para algumas localidades do Estado de Minas Gerais • Equação IDF da Região Metropolitana de Belo Horizonte A equação IDF para a Região Metropolitana de Belo Horizonte foi definida a partir de uma metodologia de análise regional de precipitações intensas com o uso de momentos-L.014 1. 1997 Durarações 10 min 15 min 30 min 45 min 1 hora 2 horas 3 horas 4 horas 8 horas 14 horas 24 horas 1.013 1.791 1.013 1.953 2.25 0.013 1. D.428 1.108 1.215 2.503 1.695 0.557 1.

.

15. a) Estação da Raja Gabáglia (INMET .1411 (t + 6. b) Para 1 hora < t ≤ 4 horas 795. Canalização do Ribeirão Arrudas: Memória Justificativa dos estudos hidrológicos do vale do ribeirão Arrudas. T é o período de recorrência em anos. 0106 i= onde. t é a duração da chuva em minutos.18T 0. • 1. Foram elaboradas séries de máximos para as durações de 5. setembro de 1982. i é a intensidade pluviométrica em mm/h. i é a intensidade pluviométrica em mm/h. a) Para t ≤ 1 hora i= onde. Estas equações foram apresentadas no XI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos e II Simpósio de Hidráulica dos Países de Língua Oficial Portuguesa realizado em Recife. T é o período de recorrência em anos. 8. 7758 onde i é intensidade da precipitação em mm/minuto.Código 01943054) em Belo Horizonte Período de Observação: 1985-1993 i= 15. Pernambuco. de 5 a 10 de novembro de 1995. t é a duração da chuva em minutos. 30 e 45 minutos e 1.4T 0.172. Paulo Henrique Vieira Magalhães e Alessandro Sperandio de Sá.2335T 0.8331 Equações IDF definidas para duas estações de Belo Horizonte por Bruno Rabelo Versiani. t é duração da precipitação em minutos e T é o período de retorno ou tempo de recorrência em anos.• Equação da SUDECAP definida para Belo Horizonte Esta equação está publicada no Plano de Urbanização e Saneamento Básico de Belo Horizonte. Maria de Fátima Chagas Dias Coelho.1598 (t + 5) 0. 10. 4. .1453 (t ) 0. 14 e 24 horas.7039T 0 .12) 0. Belo Horizonte . 2.

t é duração da precipitação em minutos e T é o período de retorno ou tempo de recorrência em anos. i= 1447. t é duração da precipitação em minutos (t ≤ 120 minutos) e T é o período de retorno ou tempo de recorrência em anos.83) 0.em 1981. Rio Grande do Sul.665 onde i é intensidade da precipitação em mm/hora. t é duração da precipitação em minutos (t ≤ 120 minutos) e T é o período de retorno ou tempo de recorrência em anos.7853 onde i é intensidade da precipitação em mm/minuto.Precipitações.105 i= (t + 23) 0. .87T 0. Foram utilizados os dados da Estação meteorológica de Lourdes pertencente ao Instituto Nacional de Meteorologia referentes ao período de 1938 a 1969. 843.b) Estação do Horto (INMET . • Equação definida para Belo Horizonte por Adir José de Freitas (1981) Esta equação foi definida na dissertação de Mestrado apresentada ao Curso de Pós-Graduação do Departamento de Engenharia Sanitária da Escola de Engenharia da UFMG .84 onde i é intensidade da precipitação em mm/hora. • Equação definida por Adir José de Freitas e Ana Amélia Carvalho de Souza para Belo Horizonte (1972) Esta equação foi apresentada no II Simpósio Brasileiro de Hidrologia realizado entre 21 e 26 maio de 1972 em Porto Alegre.394T 0. com base em dados de 1936 a 1969. do Departamento Nacional de Meteorologia.Código 01943055) em Belo Horizonte Período de Observação: 1962-1985 i= 17.10 (t + 20) 0. Suas aplicações aos dados obtidos pela estação meteorológica de Lourdes.39T 0.1481 (t + 8. do Ministério da Agricultura .

174 0.520 Caxambu 3.146 Estação Valores de α no fator de probabilidade Duração α 5 15 30 1h 2h 4h 8h 14h 24h 48h 3d 4d 6d min min min 0.• Equações definidas por Otto Pfafstetter para 9 municípios de Minas Gerais Estas equações foram apresentadas no trabalho Chuvas Intensas no Brasil. publicado pelo DNOS em 1957.357 23.875 Bonsucesso 5.647 32.156 0.166 0.166 0.138 0. K.346 31.122 0.152 . c = valores constantes para cada estação Sendo que o fator de probabilidade.174 0.170 0.758 30.160 0.741 30. β = valores que dependem da duração da precipitação γ = valor constante para cada estação Estações utilizadas Período Observado (anos) Pluviógrafo Pluviômetro Barbacena 12.461 Teófilo Otoni 6.584 Belo Horizonte 12.339 31.156 0.t + b log (1+c.176 0.754 Sete Lagoas 19. onde foram utilizados os dados da Divisão de Águas e do Serviço de Meteorologia. do Ministério da Agricultura.480 32. é obtido pela seguinte equação: K =T α+ β Tγ T = tempo de recorrência em anos α.813 32. b.693 32.t)] onde P = Precipitação total máxima (mm) K = Fator de probabilidade t = duração da precipitação em horas a.086 Ouro Preto 5. P = K.108 0.[a.357 Paracatu 5.012 Passa Quatro 10.

08 0. duração e freqüência. e 1.08 0.25 0.08 0. 4.04 0.6 0.25 0.4 0.04 0.04 0.5 0.04 0.08 0. 12 e 24 horas.2 0.Valores de β no fator de probabilidade Estação Duração 15 min 30 min 1h a 6 d 0. .04 0.12 0.12 0. 15.00 -0.00 0.04 0. Paulo Afonso Ferreira.25 0. 3. 6. foram definidas com o método de regressão nãolinear Gaus-Newton. Neste estudo as séries foram ajustadas à distribuição de Gumbel e as equações de intensidade. A seguir são apresentadas as equações definidas e os respectivo período de dados utilizados onde.08 0.25 0.04 0.12 0.00 Valores das outras constantes Estação γ 0.4 18 26 18 23 23 43 21 27 24 60 20 60 20 20 10 20 20 20 Equações definidas para 29 localidades no trabalho Chuvas Intensas no Estado de Minas Gerais: Análises e Modelos.08 0.08 0.08 0.25 0.08 0. 30 e 45 minutos.25 0. por Fernando Alves Pinto.04 0.12 0.08 0. t é a duração da precipitação em minutos e T é o período de retorno em anos (T ≤ 20 anos).04 0. 10. em 26 de maio de 1995.08 Barbacena Belo Horizonte Bonsucesso Caxambu Ouro Preto Paracatu Passa Quatro Sete Lagoas Teófilo Otoni 5 min 0.08 0. i é a intensidade máxima média de preciptação (mm/h).12 0.8 0.08 0. com a orientação do Prof.12 0. Foram utilizados os dados das estações meteorológicas operadas pelo 5o Distrito de Meteorologia (DISME) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e elaboradas séries de máximos anuais para as durações de 5.5 0.7 0.6 1. Este trabalho é uma Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa.12 0. 2. para obtenção do Título de "Doctor Scientiae".12 0.04 0.04 0.25 0.04 0.25 a b c Barbacena Belo Horizonte Bonsucesso Caxambu Ouro Preto Paracatu Passa Quatro Sete Lagoas Teófilo Otoni • 0.25 0.

957 i= 1175.1993 06. 235 (t + 28.806 1983 .009)0. 259 (t + 33.1993 02.Belo Horizonte 1983 .996T 0.594T 0. 028 3195. 255 (t + 13.895 i= 1343.567T 0.913 1983 .188 i= (t + 20. 234 (t + 14.381)0. 298 (t + 25.Formoso i= 1983 .113T 0.Barbacena 2023.Aimorés i= 1248.576T 0.520)0. 251 (t + 25.499)0.567)0.1993 .1993 10.Bambuí 1983 .221T 0.968)0. 281 i= (t + 20.892 4499.Arinos 1909.268)0.Caratinga 1983 . 036 2346.751T 0.837T 0.814 2998.375T 0.163 (t + 32.1993 05. 227 (t + 12.Capinópolis 1049. 274 i= (t + 13.1993 11.1993 08. 292 (t + 43.981)0.1993 13.102T 0.845)0.1993 09.987 613.Caxambu i= 1983 . 784 i= 3600.931 1983 .661T 0. 273 (t + 23.Araxá i= 1983 .084T 0.1993 07.Estação Equação Período Utilizado 01. 788 1983 .1993 04.Diamantina i= 1986 . 665 1480.307)0.083)1.1993 03.499)0.Espinosa i= 1983 .443)1.295T 0.Governador Valadares i= 1983 .1993 12.

1993 20.João Pinheiro i= 1983 .937 1683.Teófilo Otoni i= 1983 .972T 0.670T 0.245)0.993 1983 .425T 0.457)0.1993 .Pirapora 1983 .951)1.Lavras i= 1983 .1993 26. 248 (t + 34.1993 15.Januária i= 653.000T 0.820 3500.000T 0.946T 0.1993 17.774T 0. 676 1508.024 3500.459)0.1993 19.513)0.1993 27. 261 (t + 22. 284 (t + 21.Uberlândia i= 1986 .284T 0.Pedra Azul 4998.958 3498. 206 (t + 37.Uberaba i= 1983 . 235 (t + 40.116 i= 2520.14.1993 22.1993 23.1993 16.014T 0.166)0.129)0.1993 24.326T 0.1993 18. 250 i= (t + 41.1993 21.874 1983 .Patos de Minas 4316.Salinas 6998.Sete Lagoas 1983 .083)0.Paracatu 1983 .1993 25. 233 (t + 17.992) 0.653)1.858 3000.094 i= 3346.425T 0.904 1167. 238 (t + 31. 215 (t + 25. 208 (t + 38.Machado i= 1983 . 251 i= (t + 34.949 1983 .392)0.Montes Claros i= 1983 . 273 i= (t + 42.890)1. 747 1983 .654)1.014 i= 2116. 204 (t + 30.449T 0. 209 (t + 10.616T 0.787T 0.346)0.

798T 0. 775 1983 .5447. 4.Tr(anos) 0. código 01944032.7718.1188 (t(h))0. t.1993 29. código 01845004. 8. e 1.80250Tr −0 .015)0. Período : 1974-1985 (Foram utilizados 9 anos hidrológicos completos) a) Para t ≤ 1 hora e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 47.248)1. 10.1186 (t (h) + 0.Tr(anos) 0. é a intensidade da precipitação em mm/h.3807. 3.1218 (t (h) + 0.Tr(anos) 0 . 15.313 (t + 41. 30 e 45 minutos. Período: 1975-1995 (Foram utilizados 14 anos hidrológicos completos) a) Para t ≤ 1 hora e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 47.28. de setembro de 1999. 2. Sub-bacia 40. Equações Intensidade-Duração-Freqüência.Viçosa • i= 1082. é a duração da precipitação em horas e Tr . 1) Estação Pluviográfica de Lagoa do Gouvea.036)0.000T 0.Tr(anos)0.781)0. 1 hora < t ≤ 24 horas e Tr ≤ 100 anos i(mm/ h) = 46. 0175 . o período de retorno em anos. 0202 b) Para.053 1986 . 14 e 24 horas.5843. Neste trabalho foram utilizados os dados pluviográficos das estações da ANEEL e montadas séries de duração parcial para as durações de 5.1993 Equações definidas para 6 estações pluviográficas da bacia do Alto São Francisco pelo Programa de Avaliação de Recursos Hídricos desenvolvido em convênio entre a ANEEL e a CPRM Estas equações foram desenvolvidas por Eber José de Andrade Pinto e estão apresentadas no volume de Caracterização Pluviométrica da Bacia do Alto São Francisco. 0212 2) Estação Pluviográfica de Pitangui.Tr(anos) 0 .2295.Unaí i= 6000. 265 (t + 23. As equações definidas apresentam os seguintes parâmetros: i.

11697 (t (h) + 0. 1 hora < t ≤ 24 horas e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 43. Período : 1975-1995 (Foram utilizados 11 anos hidrológicos completos) a) Para t ≤ 1 hora e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 48. Período : 1975-1995 (Foram utilizados 11 anos hidrológicos completos) a) Para t ≤ 1 hora e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 52.146 (t(h) + 0.3458.074)0.Tr(anos) 0.6662. 0203 3) Estação Pluviográfica de Papagaios.1283 (t(h) + 0.7824 4) Estação Pluviográfica de Entre Rios de Minas. 1 hora < t ≤ 24 horas e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 51.8491Tr(anos) − 0 . 0052 b) Para. código 02044007.Tr(anos) 0 .Tr(anos) 0.8118Tr − 0 .69165 b) Para. 1 hora < t ≤ 24 horas e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 47.075)0. código 01944049.Tr(anos) 0.0036.1286 (t(h))0.b) Para. 0191 5) Estação Pluviográfica de Piumí.Tr(anos) 0 .8273. 0168 .040)0.1454 (t(h))0.Tr(anos) 0. código 02045012.5201.1220 (t (h))0. Período : 1974-1995 (Foram utilizados 15 anos hidrológicos completos) a) Para t ≤ 1 hora e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 45.Tr(anos) 0.8710.4265.5293.Tr(anos) 0.

0129 6) Estação Pluviográfica de Santo Antônio do Monte.6927.8049 . código 02045013. 1 hora < t ≤ 24 horas e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 46.Tr (anos) 0. Período : 1975-1995 (Foram utilizados 12 anos hidrológicos completos) a) Para t ≤ 1 hora e Tr ≤ 100 anos i(mm/ h) = 46.1413 (t (h))0.13961 (t(h) + 0. 1 hora < t ≤ 24 horas e Tr ≤ 100 anos i(mm / h) = 45.1330.Tr(anos) 0.b) Para.Tr (anos) 0.8196( anos) − 0 .0379.1135 (t (h))0.03)0. 00145 b) Para.5877.Tr(anos) 0 .

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