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O estudo da forma é pertinente neste material por aderir sua característica de

elementaridade. Todo elemento visual consegue ser resumido em formas básicas e,


a partir dessas formas, são construídos os objetos visuais. Identificar essas formas
significa deixar de lado a análise geral e deduzir os elementos do objeto, buscando
assim, seu significado particular e como peça compositiva.

Para Caetano (1950) “[...] ideal que toda pessoa adquira uma educação visual
que o ajude a compreender melhor, e de maneira consciente o mundo material [...]”
Com isso, vê-se que o estudo da forma consegue implicar naturalmente toda a
compreensão dos objetos visuais.

Dedutivamente, desconstrói-se o objeto, trazendo à tona os elementos


compositivos, e abstrai-se dele os significados e encargos sociais. E, a partir disso,
descreve-se a relação com o indivíduo, como no caso da pesquisa, com a criança.

Segundo Lourenço (2011) a criança tem suas próprias características, vive


em seu próprio mundo e para estudá-la é preciso separá-la como tal. Essa
observação delineia o processo de aprendizado, já que todo estímulo oferecido pelo
mundo à criança ainda é inédito e o mundo é regido por contratos entre indivíduos já
formados por este.

Tendo em vista essa separação, compreende-se que a criança é livre de


interpretações sociais que manipulam sua análise dos objetos visuais. Os elementos
dispostos a ela são livres de cargas sígnicas coletivas, pois no momento do
aprendizado ela quem supõe esses significados.

Lourenço (2011, apud DELGADO e MULLER, 2005) registra que “a infância


não é uma imaturidade biológica e também não se apresenta como uma
característica universal dos seres humanos e sim como um componente estrutural e
cultural das sociedades”. Todavia, características da percepção humana, de forma
geral, já estudadas no início do século XX pela escola de Gestalt podem ser
relevantes.

Uma dessas propriedades é a multiestabilidade. Esse atributo dispõem-se de


uma programação cerebral que permite identificar múltiplos significados (o que
concerne ao acervo do indivíduo) de um mesmo objeto visual. A criança percebe ser
mais simples criar um repertório cumulativo, que é aquele que se baseia em
construções já aceitas e apreendidas. A exemplo disso são os desenhos das letras
do alfabeto. A letra “F” pode ser entendida por si (mais complexo) ou como uma letra
“E” sem o traço, tal como o “W” é a letra “M” inversa.

De acordo com Cordeiro (1987) “é fundamental deixar de ver a criança como


objeto, como um ser passivo e adentrar ao seu mundo, ao seu universo [...]”. E são
essas nuances da comunicação infantil que determinam seu método de
compreensão do mundo. Até seus dois anos de idade a criança coordena (faz uso)
de poucas ferramentas comunicacionais: riso, choro e linguagem corporal. Ou seja,
são os modelos nos quais ela consegue externar sentimentos e/ou fazer a
demodulação da mensagem.

Nisso está imbricado toda a construção dos objetos visuais para a criança. A
circunferência, na visão de um adulto, é uma forma geométrica sem lados, com raio
e perímetro definidos onde todos os pontos são equidistantes do centro. Já para a
criança, é uma figura divertida de se desenhar que possui forte interação com o seu
corpo. É a partir dessas relações cumulativas que a criança consegue inventar seu
repertório, adequando-se a métodos de aprendizado simplificados, o que permite
uma compreensão mais fácil do mundo.

A infância é um primeiro momento com o corpo, um momento onde o


empirismo se destaca como dispositivo de assimilação do mundo. Ou seja, para a
criança é necessário se induzir a dois passos: a compreensão de seu corpo e a
maneira como este interage com o mundo.

Desta forma, o elemento visual não existe por si só no mundo infantil, mas há
uma implantação e multi conversação com seus aparatos comunicacionais,
sobretudo a linguagem corporal. Assim, compreende-se que o universo da criança,
ainda em formação e moldagem, opera com recursos linguísticos diferentes do
adulto.