You are on page 1of 10

!

r PUBLICADO
I ~)JE-MT n°_e?~. Ot2. k2J._JdQU.. J1.5._
t.·~ner··• ....._

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO

ACÓRDÃO N° 26228

PROCESSO N° 136-02.2011.6.11.0000- CLASSE- E.Dcl. na PC


EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PRESTAÇÃO DE CONTAS DE PARTIDO POLÍTICO -
PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO - PTB - CONTAS ANUAL - EXERCÍCIO 2010
EMBARGANTE(S): PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO - PTB, PRESIDENTE
REGIONAL DO PTB/MT
ADVOGADO(S): DOMINGOS SAVIO RIBEIRO
RELATOR: DOUTOR MARCOS FALEIROS DA SILVA

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PRESTAÇÃO DE


CONTAS ANUAL DE PARTIDO POLÍTICO
EXERCÍCIO 2010 - DIRETÓRIO ESTADUAL -
PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO - PTB/MT -
DIVERSAS IRREGULARIDADES - DESAPROVAÇÃO
DAS CONTAS ARGUIÇÃO DE INÚMERAS
OMISSÕES NO ACORDÃO - OMISSÃO APENAS
QUANTO À SANÇÃO IMPOSTA EM FACE DA NÃO
COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DO PERCENTUAL
MÍNIMO DOS 5% DOS RECURSOS ORIUNDOS DO
FUNDO PARTIDÁRIO NA CRIAÇÃO E MANUTENÇÃO
DE PROGRAMAS DE PROMOÇÃO E DIFUSÃO DA
PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DAS MULHERES
EMBARGOS DECLARATÓRIOS PARCIALMENTE
ACOLHIDOS.

1. Acolhem-se parcialmente os embargos para o


fim de sanar omissão referente à sanção pela não
comprovação da aplicação do percentual mínimo
dos 5% dos recursos oriundos do Fundo Partidário
na cnaçao e manutenção de programas de
promoção e difusão da participação política das
mulheres.

2. A ementa do Acórdão n.o 25.390 quanto ao


tema passa a ter a seguinte redação: "( ... ) 4. Não
comprovação da aplicação do percentual mínimo
dos 5% dos recursos oriundos do Fundo Partidário
na criação e manutenção de programas de
promoção e difusão da participação política das
mulheres. A não observação dessa regra, impõe o
acréscimo de 7,5% no ano seguinte ao trânsito em
julgado, sem prej~zo do percentual de 5% do
próprio exercício, e ndo proibida a utilização para
outra finalidade (a . 4, inciso V, e § 5.o, da Lei n.
9.096/95, com eda ão dada pela Lei n.o
12.034/2009); ".
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO

ACORDAM os Membros do Tribunal Regional


Eleitoral de Mato Grosso, por unanimidade, em ACOLHER PARCIALMENTE os
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.

\J
DOUTOR MARCOS FALEIROS IDA
Relator
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

V(19.07.17)
NOTAS TAQU/GRÁFICAS

PROCESSO No 136-02/2011 -PC- ED


RELATOR: DR. MARCOS FALEIROS DA SILVA

RELATÓRIO

DR. MARCOS FALEIROS DA SILVA (Relator)


Cuida-se de Embargos de Declaração, opostos pelo
Diretório Regional do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB/MT (fls.
1 .069 /l .07 4), buscando a modificação do Acórdão n. 0 25.390 (fls.
1.039 /1.040), que reprovou as contas anuais, por ele apresentadas,
relativas ao exercício 201 O.

O aludido acórdão aplicou-lhe as penalidades de: 1)


suspensão por 06 (seis) meses de recebimento de cotas do Fundo
Partidário ao partido requerente, como medida sancionadora, com
fulcro no § 3. 0 do art. 37 da Lei n. 0 9.096/1995, ante a gravidade das
irregularidades detectadas; 2) os valores relativos às irregularidades na
aplicação do Fundo Partidário deverão ser ressarcidos ao erário,
devidamente atualizados e com recursos próprios (art. 34, Res. n. 0
21 .841 /2004 do TSE), tomando-se por base os montantes contidos nos
documentos de fls. 281 (R$ 900,00), 864 (R$ 40,00), 869 (R$ 16,60), 333
(juros/multas), 384 (juros/multas), 427 (juros/multa), 288 (juros/multa) e
378 (juros/multa); 3) recolhimento, no prazo de 30 (trinta) dias a partir
da publicação desta decisão, ao Fundo Partidário, dos valores
arrecadados de fontes ilícitas (dízimo partidário), devidamente
corrigidos até a data do efetivo comprimento desta determinação,
tomando-se por parâmetros as cifras delineadas nos documentos de fls.
938/941 (R$ 22.937,06); 4) aplicação da sanção prevista no artigo 44, §
5. 0 , da Lei n. 0 9.096/95, com a redação da Lei no 12.034/2009, em razão
do descumprimento do comando contido no artigo 44, inciso V, da Lei
n. 0 9.096/95, destinado à criação e manutenção de programas de
promoção e difusão da participação política das mulheres; 5)
determinação de remessa de cópia ao Ministério Público Eleitoral, para
apuração do eventual cometimento de improbidade administrativa.

Segundo o embargante, o acórdão censurado é omisso e


contraditório, uma vez que o Colegiado desta Corte não teria o observado o disposto
no art. 489, § 1.0 , do CPC, ou seja, não teria fundamentado sua razão de decidir no
julgamento dos itens reprovados da prestação de contas ora em apreço, limitando-se
apenas à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua
relação com a causa ou a questão decidida.

Entende que houve omissões e obscuridade, e para tanto


formulou as seguintes assertivas: a) Por que não fora admitida a retroatividade da Lei
n. 0 13.165/2015 no caso em concreto, com base no princípio da lei mais benéfica,
como aceito em diversos tribunais brasileiros em situações semelhantes a perpassada
pelo Partido embargante? b) qual o quantum a ser devolvido por conta da suposta
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

conduta de "dízimo partidário"?; c) Qual o prazo de suspensão para recebimento de


cotas pelo Partido?; d) A quem deverá ser transferidos os valores, ao município ou aos
próprios doadores?; e) em que conta deverá ser transferido o saldo que, em tese, não
foi aplicado na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da
participação política das mulheres? E, ainda esta conta deve ser estipulada por quem,
pelo próprio Partido ou pela Justiça Eleitoral?; f) tal montante deverá ser aplicado,
então, no exercício financeiro de 20 17? g) qual o fundamento em que se baseia que
encargos e multas de mora não se incluem no conceito de manutenção da sede e
serviços de Partido?

A Procuradoria Regional Eleitoral devolveu os autos sem


manifestação (fls. 1.104).

Éo relatório.

VOTOS

DR. MARCOS FALEIROS DA SILVA (Relator)


O acórdão embargado foi assim ementado (fls.
1.039 I 1.040):

PRESTAÇÃO DE CONTAS. PTB/MT. DIRETÓRIO


ESTADUAL. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 20 lO.
DESAPROVAÇÃO. RESTITUIÇÃO AO FUNDO
PARTIDÁRIO. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. SUSPENSÃO
DO REPASSE DE COTAS DO FUNDO PARTIDÁRIO POR
SEIS MESES. REMESSA DE CÓPIA AO MINISTÉRIO
PÚBLICO ELEITORAL.
1. O pagamento com verbas do Fundo Partidário de
despesas com alimentação tratava-se de conduta
vedada, antes da vigência da Lei n. 13.165/2015.
lrretroatividade.
2. Configura-se prática vedada o "dízimo partidário",
impondo-se, além da suspensão de novas cotas do
Fundo Partidário, também o recolhimento ao mesmo
fundo do valor recebido indevidamente, com todos
os seus reflexos legais, sob pena de se adotar
verdadeiro incentivo ao recebimento de doações
ilícitas.
3. Os encargos decorrentes do inadimplemento de
obrigações não podem ser pagos com recursos do
Fundo Partidário, pois tais despesas não se incluem
nas hipóteses do art. 44 da Lei dos Partidos Políticos.
Sendo o Fundo Partidário composto de recursos
públicos, deve ser utilizado de forma responsável. Se
o partido político não faz a gestão adequada de
suas obrigações, os juros de mora e multas devem
ser pagos com recursos próprios.
4. A falta de aplicação de recursos do Fundo
Partidário na criação e manutenção de programas

2
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

de promoção e difusão da participação política das


mulheres, conforme percentual que será fixado pelo
órgão nacional de direção partidária, observado o
limite mínimo de 5% (cinco por cento do total),
acarreta a penalidade descrita no art. 44, § 5°, da
Lei no 9.096/95.
5. Determinação de remessa de cópia ao Ministério
Público Eleitoral para apuração de eventual
cometimento de improbidade administrativa"
Acórdão n. 0 25.390 (fls. 1.039/1.040).

Com efeito, argumenta o embargante que no


julgamento do mencionado acórdão houve algumas omissões e
obscuridades, a primeira por ele levantada é quanto a retroatividade da
Lei n.0 13.165/2015 no caso em concreto, em face do art. 44, inciso VIl, que autoriza o
pagamento de despesas com alimentação.

Vê-se de proêmio, que o embargante quer, em verdade, tão-


somente, revolver a matéria já decidida no acórdão embargado, não
havendo nenhuma contradição, obscuridade ou omissão a ser sanada
sob os argumentos alinhavados no recurso.

Por amor ao debate, registro que este egreg1o


Sodalício entendeu que no caso dos autos aplica-se o princípio tempus
regit actum, esse foi o fundamento do voto, e nesse passo citei julgados
desta Corte alinhavados com esse posicionamento, logo não existindo
qualquer correção a ser feita.

Para afastar qualquer controvérsia quanto a


aplicação retroativa da Lei n .0 13.1 65/2015 em julgamento de Prestação
de Contas, colaciono o seguinte aresto jurisprudencial deste egrégio
Regional:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ELEIÇÕES 2014.


PRESTAÇÃO DE CONTAS. PARTIDO POLÍTICO. COMITÊ
FINANCEIRO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO DA DECISÃO.
DESCABIMENTO. LEI No 13.165/2015. APLICAÇÃO
RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS DA
ISONOMIA E DO TEM PUS REGIT ACTUM. OBSERV ÃNCIA.
RETROATIVIDADE. APLICAÇÃO EXCLUSIVA ÁREA
PENAL. EMBARGOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. 1.
Nega-se provimento aos Embargos de declaração
opostos contra acórdão que tratou de todas as
questões apontadas, não cabendo sua oposição
com a finalidade de rediscussão do mérito da causa.
A irresignação do Embargante deve ser levada a
cabo pelas vias recursais próprias. 2. A legislação
que regula a prestação de contas é aquela que
vigorava na data em que apresentada a
contabilidade, por força do princípio da anualidade

3
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

eleitoral, da isonomia, do fempus regit actum e das


regras que disciplinam o conflito de leis no tempo. 3.
A regra que estipula a retroatividade da norma mais
benéfica restringe-se à esfera penal, não se
podendo aplicar retroativamente, salvo disposição
em contrário, norma posterior que revoga sanção
cominada para ilícito de natureza cível. 4. Embargos
conhecidos e desprovidos. (TRE/MT. Embargos de
Declaração em Prestação de Contas n. 0 127314,
Acórdão n. 0 25489 de 04/07/2016, Relator( a) Paulo
Cézar Alves Sodré, publicação em 15/07/2016 Diário
de Justiça Eletrônico n. 0 2182 Pag. 2-3). (sem
destaque no original)

De outra banda, as próximas om1ssoes seriam acerca da


sanção de suspensão das cotas partidárias, que segundo o embargante, o venerando
acórdão combatido não teria estabelecido o quantum que o partido deveria
devolver por conta da prática da conduta de "dízimo partidário", bem como por
quanto tempo duraria essa suspensão de recebimento de cotas do Fundo Partidário, e
para quem deverá ser transferido esses valores a serem restituídos.

Melhor sorte não assiste ao ora embargante, porquanto vê-se


às fls. 1.049 que de maneira clara e didática o voto estabeleceu a suspensão em seis
meses, que deverá ser recolhido ao Fundo Partidário a quantia de R$ 22.937,06 (vinte e
dois mil reais, novecentos e trinta e sete reais, e seis centavos), valor este devidamente
corrigido, in verbis:

(... ). i) fixo o prazo de 06 (seis) meses de suspensão, para o


recebimento de cotas do Fundo Partidário ao partido
Requerente, como medida sancionadora, com fulcro no § 3. 0
do art. 37 da Lei n. 0 9.096/1995, ante a gravidade das
irregularidades detectadas;
(... )
iii) recolhimento, no prazo de 30 (trinta) dias a partir da
publicação desta decisão, ao Fundo Partidário, dos valores
arrecadados de fontes ilícitas (dízimo partidário), devidamente
corrigido até a data do efetivo comprimento desta
determinação, tomando-se por parãmetros as cifras
delineadas nos documentos de fls. 938/941 (R$ 22.937,06 ); (sem
destaque no original)

Consigno que o fato da ementa do Acórdão n. 0 25.390 não


trazer em seu corpo o prazo da suspensão e o quantum a ser recolhido, não tem o
condão de tornar o julgado em omisso, isso porque como demonstrado, o voto, em
seu dispositivo, explicito de maneira minudente e ocular a sanção imposta ao
embargante.

De tal sorte, não há que ser falar em omissão neste ponto.

Passo seguinte, o embargante aponta omissão em relação à

4
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

sanção imposta em face da não aplicação mínima na criação e manutenção de


programas de promoção e difusão da participação política das mulheres.

Aduz que não foi informado em que conta deverá ser


transferido o saldo que, em tese, não foi aplicado na criação e manutenção de
programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, assim como
não foi estabelecido por quem deve ser estipulada essa conta, se pelo próprio Partido
ou pela Justiça Eleitoral, e quando deverá ser aplicado esse montante.

Pois bem, o art. 44 da Lei n. 9.096/95, em seu inc. V, na sua


redação originária (em vigor durante o exercício de 2010), dispunha que os partidos
devem aplicar, anualmente, o mínimo de 5% (cinco por cento) dos recursos recebidos
do Fundo Partidário "na criação e manutenção de programas de promoção e difusão
da participação política das mulheres".

Por seu turno, o§ 5. 0 do art. 441 à época previa que o partido


que não cumprir essa determinação deveria, no ano seguinte, acrescer ao mínimo de
5% (cinco por cento) o percentual de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) do
Fundo Partidário para essa destinação, ficando impedido de utilizá-lo para qualquer
outra finalidade.

Conforme apontado pelo órgão técnico, no exercício de 201 O


o Diretório Estadual do PTB não aplicou o referido percentual de 5% (cinco por cento).

Ao julgar a prestação de contas do ano de 2010 do PMDB, este


Tribunal aplicou o § 5. 0 do art. 44 da Lei dos Partidos Políticos e consignou que a
omissão do partido na aplicação do percentual legal em programa de estímulo à
participação feminina na política, poderia ser suprida no exercício subsequente, e
desaprovou as contas.

Nessa ordem de ideias, esclareço que o PTB/MT deverá


comprovar a aplicação dos 7,5% (5% + 2,5%) dos seus recursos provenientes do Fundo
Partidário do exercício de 201 O na criação e na manutenção de programas de
promoção e de difusão da participação política das mulheres, sem prejuízo dos 5%
(cinco por cento) ordinariamente previstos para o ano subsequente ao trânsito em
julgado desta decisão.

Isso porque, como dito alhures, o caso posto em mesa, deve


ser analisado à luz da dicção do art. 44, § 5. 0 , da Lei dos Partidos, e nesse caminhar o
egrégio TSE ao editar a Resolução n. 0 23.432/14, assim justificou o cálculo acima
descrito:

"Sobre o percentual destinado aos programas de incentivo da


participação feminina, visando esclarecer o texto da lei2, de

1 Redação válida para a análise da presente prestação de contas, incluída na Lei n. 0 9.096/95 pela Lei n. 0
12.034/09. Todavia, a redação do art. 44, inc. V,§ 5. 0 foi recentemente modificada pela Lei n. 0 13.165, de
29.9.2015).
2 Art. 44, § 5. , da Lei n.o 9.096/1995 (O partido que não cumprir o disposto no inciso V do caput deste artigo
0

deverá, no ano subsequente, acrescer o percentual de 2,5% [dois inteiros e cinco décimos por cento] do
Fundo Partidário para essa destinação, ficando impedido de utilizá-lo para finalidade diversa), redação

5
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

acordo com o entendimento jurisprudencial deste plenário,


anotou-se que a violação ao dispositivo legal tem como
consequência a obrigação de a agremiação aplicar, no
exercício seguinte: o percentual do respectivo ano 15%L o que
deixou de aplicar no ano anterior (x%) e mais 2,5% do que
recebeu no ano anterior (art. 21. § 2.0 )" (TSE, PA n. 0 1581-
56.2014.6.00.0000/DF, fls. 64). (destquei)

Na interpretação do disposto no § 5.0 do art. 44 da Lei n.o


9.096/95, a jurisprudência assentou que a expressão "no ano subsequente" deve ser
entendida como no ano subseguente ao trânsito em iulqado da decisão.

Ou seja, o disposto no § 5.0 do art. 44 da Lei dos Partidos


Políticos, deve ser obedecido pela agremiação no primeiro exercício financeiro em
que receber recursos do Fundo Partidário, após o trânsito em julgado da decisão que
julgar as contas (TRE-SC, PC n. 0 8205, Acórdão n. 0 30.212, Rei. lvorí Luis da Silva Scheffer,
DJE 20.10.2014; e TRE-MG, PC n.0 23.175, Rei. Alice de Souza Birchal, DJEMG 29.7.2014)
(grifei).

Nesse ponto, foi apurado que, em 2010, o partido recebeu


recursos do Fundo Partidário no valor total de R$ 12.080,00 (doze mil e oitenta reais) (fls.
877). O percentual de 5% (cinco por cento) dessa quantia representa R$ 604,00
(seiscentos e quatro reais), e a sanção de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por
cento) equivale R$ 302,00 (trezentos e dois reais). Assim, a percentagem de 7,5%,
resultante da soma dos percentuais, que permanece devendo ser aplicada, alcança
o patamar de R$ 906,00 (novecentos e seis reais) (soma dos valores).

Portanto, relativamente ao percentual e respectivo valor fixado


no acórdão, resta apenas assinalar que o acréscimo de 7,5% (sete vírgula cinco por
cento) relativo ao exercício de 2010 representa a quantia de R$ 906,00 (novecentos e
seis reais), e que está mantido o dever de aplicação desse valor na criação e na
manutenção de programas de promoção e de difusão da participação política das
mulheres, cumprimento que não pode ser verificado nestes autos, uma vez que o
trânsito não ocorreu ainda.

Dessa forma, nos termos do art. 44, inciso V, § 5. 0 , da Lei n.o


9.096/95, após o trânsito em julgado desta decisão, a agremiação, por intermédio do
seu diretório regional ou nacional, deverá aplicar, na criação e manutenção de
programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, o total de
R$ 906,00 (novecentos e seis reais) quando receber quotas do Fundo Partidário,
ficando impedido de utilizar essa quantia para finalidade diversa.

Assim sendo, corrijo o acórdão impugnado para que nesse


ponto, passe a ter a seguinte redação:

"4. Não comprovação da aplicação do percentual mínimo dos


5% dos recursos oriundos do Fundo Partidário na criação e

válida para a análise da·presente prestação de contas, incluída na Lei n.o 9.096/95 pela Lei n. 0 12.034/09.
Todavia, a redação do art. 44, inc. V,§ 5. 0 foi recentemente modificada pela Lei n.o 13.165, de 29.9.2015).

6
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

manutenção de programas de promoção e difusão da


participação política das mulheres. A não observação dessa
regra, impõe o acréscimo de 7,5% no ano seguinte ao trânsito
em julgado, sem prejuízo do percentual de 5% do próprio
exercício, estando proibida a utilização para outra finalidade
(art. 44, inciso V, e§ 5. 0 , da Lei n. 9.096/95, com redação dada
pela Lei n. 0 12.034/2009);"

Por fim, a última omissão seria tocante a análise da segunda


irregularidade, questiona o embargante que a omissão consistiria na ausência de
fundamentação para justificar o pagamento de encargos decorrentes de
inadimplemento de obrigações com recursos próprios dos responsáveis pela
administração do Partido.

Mais uma vez não estamos diante de omissão, mais sim de


interpretação.

Nesse caminhar, verifica-se que o partido teria utilizado recursos


do Fundo Partidário para custear o pagamento de juros, multa e atualização
monetária, em virtude do atraso na quitação de faturas de energia elétrica (fls. 333,
384 e 427) e de telefonia (fls. 288 e 378).

Expliquei no voto que os encargos decorrentes do


inadimplemento de obrigações não podem ser pagos com recursos do
Fundo Partidário, a exegese do art. 44, inciso I da Lei n. 0 9.096/95, e que deveriam ser
pagos com recursos próprios do partido, e não com recursos próprios dos seus
dirigentes, conforme entendimento jurisprudencial sedimentado pelo e. TSE (fls. 1.045).

Não foi imposta qualquer sanção aos responsáveis da


agremiação partidária, a devolução a ser feita ao Fundo Partidário quanto ao
pagamento irregular dessas obrigações, deverão ser feitas com recurso próprio do
partido, ou seja, pago com outras fontes de renda da agremiação, verba própria
decorrente de mensalidade e contribuições dos seus filiados, venda de material
publicitário, etc., que não recursos financeiros oriundos do Fundo Partidário.

Portanto, afastada está a alegação de omissão.

Com estas considerações, conheço e acolho parcialmente os


embargos declaratórios, apenas para sanar a omissão quanto sanção imposta
referente a não comprovação da aplicação do percentual mínimo dos 5% dos
recursos oriundos do Fundo Partidário na criação e manutenção de programas de
promoção e difusão da participação política das mulheres, complementando e
aclarando o item iv) do dispositivo do voto e o item 4 do acórdão (fls. 1039 e 1049) nos
seguintes termos:

Dispositivo do voto:
iv) por fim, nos termos do art. 44, inciso V, § 5. 0 , da Lei n.0
9.096/95, após o trãnsito em julgado desta decisão, a
agremiação deverá aplicar, na criação e manutenção de
programas de promoção e difusão da participação política

7
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
DO ESTADO DE MATO GROSSO

das mulheres, o total de R$ 906,00 (novecentos e seis reais)


quando receber quotas do Fundo Partidário, sem prejuízo dos
5% (cinco por cento) ordinariamente previstos para o ano
subsequente ao trânsito em julgado desta decisão.

Acórdão:
4. Não comprovação da aplicação do percentual mínimo dos
5% dos recursos oriundos do Fundo Partidário na criação e
manutenção de programas de promoção e difusão da
participação política das mulheres. A não observação dessa
regra impõe o acréscimo de 7,5% no ano seguinte ao trânsito
em julgado, sem prejuízo do percentual de 5% do próprio
exercício, estando proibida a utilização para outra finalidade
(art. 44, inciso V, e§ 5. 0 , da Lei n. 9.096/95, com redação dada
pela Lei n.0 12.034/2009);

Acresço também à fundamentação os argumentos acima


mencionados, ficando mantido o Acórdão e Voto recorridos.

É como voto.

DR. ULISSES RABANEDA DOS SANTOS; DR. RICARDO GOMES DE


ALMEIDA; DES. PEDRO SAKAMOTO; DR. PAULO CÉZAR ALVES SODRÉ; DR. JOSÉ ANTONIO
BEZERRA FILHO
Com o relator.

DES. PRESIDENTE
O Tribunal, por unanimidade, acolheu em parte os embargos,
nos termos do voto do relator.