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CURSO FORMAÇÃO DE

mediadores de leitura

LEITURA,
Arte e
Educação
Tânia Maria Sousa França

7
FASCÍCULO
Vivemos cercados, impregnados de imagens
e, no entanto, ainda não sabemos quase
nada da imagem. O que é? O que significa?
Como age? O que comunica? Quais são seus
efeitos prováveis – seus efeitos inimagináveis?
(BARTHES, Imagem e moda, 2005)

Caros leitores, vocês já haviam pensado, como Paulo Freire (1981, p.20) colabora com
anuncia Barthes, que vivemos em um mundo essa reflexão quando reflete que “a leitura
cercado de imagens e que estamos constan- do mundo precede a leitura da palavra [...].
temente produzindo, decodificando, lendo, O ato de ler o mundo implica uma leitura
interpretando? Quais imagens vêm a sua men- dentro e fora de mim. Implica na relação
te quando leem o fragmento acima ou pensa que eu tenho com esse mundo”. O autor
na sua cidade, no seu bairro? Sabemos que a chama atenção: antes de lermos a palavra,
aparição da imagem e seu uso já vêm antes da lemos o mundo através dos gestos, das co-
escrita, quando os seres humanos, ao longo da res, dos cheiros, dos movimentos e como
sua história, sempre simbolizaram o mundo, qualquer leitura é uma produção de senti-
demonstrando seu entendimento sobre ele por do. Fica perceptível a inter-relação entre a
meio de pinturas, desenhos, danças, ou seja, palavra (fala com seus códigos e dialetos) e
pela linguagem da arte, mas podemos afirmar o mundo (territórios culturais). Um somente
que no momento contemporâneo, diante do existe vinculado ao outro, dai o autor se re-
avanço da tecnologia, da globalização, o uso portar ao termo “palavra-mundo”.
da imagem ganhou amplitude. Imagem aqui Nessa tessitura anunciamos que a pro-
compreendida, como “uma representação de posta deste módulo é pensar a leitura de
um objeto pelo desenho, pintura, escultura etc.” imagem, por meio das reflexões aqui apre-
(BUENO, 2000, p. 420) sentadas, estabelecendo um diálogo sobre
Com efeito, o exercício da cidadania con- a mediação da leitura através da Arte e de
temporânea demanda a aprendizagem de suas diferentes possibilidades relativas ao
novas competências, exige uma educação ato de ler.
do olhar. Do ver e do analisar criticamente o Você imaginava que isso seria possível?
mundo pela mediação de imagens. (CARLOS,
Pois é. E estamos aqui para conversarmos,
2008, p.13)
entre mediadores e mediadoras de leitura,
sobre esse tema tão prazeroso.
Esteja sempre conectado conosco pela
nossa sala de aula virtual. Não perca tempo,
não desperdice seu olhar. Acesse:

ava.fdr.org.br

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1.
O SEU OLHAR
MELHORA O MEU...
Em nossa proposta de pensar a leitura da
imagem, utilizaremos como exemplo a canção
“Esquadros” (1992), de Adriana Calcanhoto, em
homenagem, vejam só, ao irmão Cláudio, que
é deficiente visual. A música, que faz parte do
álbum Senhas (1992), representa uma leitura
de mundo articulada com a palavra. Percebam:
Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
...
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Transito entre dois lados de um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro.
Nessa perspectiva, a imagem se caracte-
riza como uma mediação para ler o mundo,

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logo como disse Carlos, na citação ante- Para compreenderem que a “ex-
rior, é necessária uma educação periência da leitura é um acon-
do olhar. Para isso, é preciso tecimento da pluralidade” e vai
aprender a ver, é preciso um “além dessa preocupação em
exercício constante de (des) assegurar o sentido (único) do
construção e (re)construção texto no mundo; na experiência
do olhar para ver e rever de da leitura, o que se busca é, ao
outra forma, ou como poetiza contrário, ressignificar o texto”.
Manoel de Barros “transver” o (LARROSA, 1996, p.51).
mundo. Um exercício que se Para que isso aconte-
dá no individual, mas ganha ça, é necessário aguçar,
força no coletivo: “Ver é tra- em mim, em você, nos
zer junto de si todo repertório alunos, nos leitores, nos
pessoal existente e também cidadãos, um olhar estran-
estar disposto a receber novos geiro para um “ver além” e
sentidos do olhar”. (MACHADO, uma escuta sensível diante do
2005, p.107). mundo. Desta forma as inda-
A educação do olhar sig- gações levantadas por Bar-
nifica, portanto, aparelhar os thes, no início deste texto,
leitores para compreenderem podem ser consideradas de
não somente a racionalidade grande relevância ao pen-
da imagem, mas a sua sub- sarmos sobre a leitura de
jetividade, experimentando imagens como mediação para
uma leitura que não tem um a leitura da “palavra-mundo”,
único sentido, uma única porque muitos de nós temos rea-
verdade, mas que abre as lizada esta leitura com pressa, sem
possibilidades para o aluno, o muita mediação, sem o outro para
cidadão sentir e falar dos seus sen- melhorar o meu/seu olhar, pois como
timentos ressignificando, assim, a sua diz o poema de Arnaldo Antunes (1997, p.
leitura e sendo capaz de fruir estetica- 65): O seu olhar melhora o meu”. Não so-
mente uma imagem artística nas suas mente melhora, mas transforma o seu,
diversas formas. o meu, o nosso olhar.

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2.
ARTE-EDUCAÇÃO:
MEDIAÇÃO PARA O
FRUIR SENSÍVEL
A arte tem enorme importância na
mediação entre os seres humanos e o
mundo, apontando um papel de desta-
que para a arte/educação: ser a media-
ção entre a arte e público. (BARBOSA,
2009, p.13)

Dessa forma compreendemos a arte


como uma necessidade humana, que Quando Barbosa (2009) traz esse papel
busca desenvolver a percepção e a ima- mediador da arte-educação, nos faz apre-
ginação criadora, tão imprescindível para sentar esse conceito não apenas com o
captar a realidade e transformá-la, tendo significado de intermédio, mas sim, como
como eixo articulador uma educação que defende Mirian Celeste Martins (2002) em
se faz não apenas cognitiva, mas essen- uma perspectiva rizomática, ou seja, “estar
cialmente humanizadora. Logo, fazer entre muitos”.
arte, conhecer arte, expressar–se por
meio da arte deve fazer parte do nosso RIZOMÁTICO
cotidiano, não só como uma disciplina na conceito filosófico que se apropria de
escola, mas, também, como uma dimen- conceito da botânica. Se refere à estrutura
são da nossa vida, tanto pessoal como do conhecimento como uma raiz da qual
cultural, porque ela é ao mesmo tempo origina-se muitos ramos, como ocorre no
conhecimento, linguagem e expressão. modelo arbóreo, de forma não hierárquica.

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[...] a mediação ganha hoje um ca-
ráter rizomático, isto é, num sistema de
inter-relações fecundas e complexas que
se irradiam entre o objeto de conheci-
mento, o aprendiz, o professor/moni-
tor/mediador, a cultura, a história, o
artista, a instituição cultural, a es-
cola, a manifestação artística, os
modos de divulgação, as espe-
cificidades dos códigos, mate-
rialidades e suportes de cada
linguagem artística... Media-
ção/intervenção que mobi-
liza buscas, assimilações,
transformações, ampliações
sensíveis e cognitivas, indi-
viduais e coletivas, favore-
cendo melhores qualidades
na humanização dos apren-
dizes – alunos e professores.
(MARTINS, 2002, p.56).

Faz-nos defender que no mo-


vimento de mediação está inseri-
da o desvelamento, a criação de
conexões, a busca, a construção,
a desconstrução e a (re)construção
de sentidos e significados amplia-
dos pelas perspectivas pessoais de
cada fruidor, trazendo a condição de
mediar a dimensão individual e coleti-
va do ser humano, sempre de maneira
questionadora, problematizadora, “um
estar entre muitos”, como bem define Mar-
tins e Picosque (2012). Daí, “propor a leitura
em arte pode ser, então, mediar, dar aces-
so, instigar o pensar/sentir do fruidor e am-
pliar sua possibilidade de produzir sentido.”
(MARTINS, 2010, p.71)

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Um canal para isso acontecer é a leitu-
ra de imagens, que converge na busca de NÍVEL LEITURA CARACTERÍSTICA
uma leitura estética. Para tanto, os leitores
necessitam munir-se de conhecimento e Realística A interpretação enfoca o real, o concreto, o que
I
sensibilidade. A educação estética pela arte está representado fisicamente na imagem.
potencializa essa ação, uma vez que tem
como desafio aprimorar a percepção esté- Ingênua/realística A interpretação considera ainda a imagem
tica, oportunizando por meio da leitura de II e complexa/ como copia do mundo, mas também inclui o
imagens que o leitor seja capaz de ir além metalética abstrato, o sentimento do artista, sendo que
do julgamento imediato e possa ler a este é visto interferindo na obra.
dimensão subjetiva, metafórica do não
visível da arte. Complexa/ A interpretação transcende o que estar
III metalética presente concretamente na obra e busca outras
Para essa compreensão, apresentamos
os níveis do desenvolvimento estético es- possibilidades.
tudados por Maria Helena Rossi (2003), Fonte: elaboração da autora
com base nas ideias de Michael Parsons
(1992) e Abigail Housen (1983). Ressalta- Para que esses níveis sejam ampliados, desenvolvidos, requer que o mediador(a) pos-
mos, entretanto, que a denominação “ní- sibilite ao leitor experiências estéticas, que exerçam a função de criar situações de apren-
vel” é por se constituir de elementos evo- dizagem para “emboscar os aprendizes da arte em ‘armadilhas estéticas’”, como defende
lutivos, mas isso não quer dizer que o leitor Utuari (2014, p. 172). A experiência estética solicita uma mudança na maneira de ver o
não possa, ao ler uma imagem, utilizar mundo, porque para que ela ocorra é necessário um envolvimento total do ser humano
vários níveis. Esse termo não pode servir com o objeto estético, apreendendo-o de maneira direta, aberta, apaixonada, inquirido-
para rotular o leitor – nem nos cabe tal ra, curiosa, crítica. Lembramos que é por meio do sentimento que nos identificamos com o
pré-julgamento –, é apenas uma referência objetivo estético, e com ele nos tornamos um, porque é o sentir, na iminência do sensível,
para compreender a maneira de pensar em toda a sua potência, que será capaz de causar uma transformação no modo de o
naquele momento, está bem? homem ver, sentir, pensar e agir diante do mundo.

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Para a concretude, Larrosa nos chama
atenção dizendo que,
[...] a possibilidade de que algo nos acon-
teça ou nos toque, requer um gesto de
interrupção, um gesto que é quase im-
possível nos tempos que correm: requer
parar para pensar, parar para olhar, parar
para escutar, pensar mais devagar, olhar
mais devagar, e escutar mais devagar;
parar para sentir, sentir mais devagar, de-
morar-se nos detalhes, suspender a opi-
nião, suspender o juízo, suspender a von-
tade, suspender o automatismo da ação,
cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os
olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos
acontece, aprender a lentidão, escutar
aos outros, cultivar a arte do encontro,
calar muito, ter paciência e dar-se tempo
e espaço. (LARROSA, 2014, p.25).

Como proposta de experiência estética
trazemos a leitura de imagens como me-
diação de leitura, aqui considerando as di-
ferentes expressões artísticas (obra de arte,
fotografia, grafite, pintura, performance,
instalação artística, cinema, dança, a cida-
de, visita ao museu). O que seria então a lei-
tura de imagens? Ler uma imagem corres-
ponde a analisá-la, realizar conexões com
contextos diversos, apreciá-la.

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[...] prepararia os alunos para a com-

PUXANDO
preensão da gramática visual de qual-
quer imagem, artística ou não, na sala

PROSA
de aula de artes, ou no cotidiano, e que
torna-los conscientes da produção hu-
mana de alta qualidade é uma forma de
prepara-los para compreender e avaliar
todo tipo de imagem, conscientizando-
-os do que estão aprendendo com essas PARA REFLETIR SOBRE
imagens. (Barbosa 1995, p.14) A LEITURA DE IMAGEM

Para operacionalização, apresentamos a 1. A leitura só se processa no diálogo


abordagem triangular de Ana Mae Barbosa do leitor com a obra, o qual se dá
para a leitura de obra de arte, mas que po- num tempo e num espaço preciso.
demos expandir para a leitura de imagens Nesse sentido, não há uma leitura,
de modo geral. Essa abordagem consiste mas leituras, onde cada um precisa
em articular de forma rizomática três eixos: encontrar modos múltiplos de
contextualização, apreciação e produ- saborear a imagem. (Pillar, 1999, p.20)
ção. O eixo da contextualização, que pode
ser dito no plural, porque abarca de manei- 2. Não existe uma forma única para
ra reflexiva várias contextualizações – a his- trabalhar com a leitura de imagens.
tória, a cultura, a história de vida, os vários Procurar modelos preestabelecidos
estilos e movimentos artísticos. A aprecia- não é uma condição ideal.
ção requer descrição, julgamento, inter-
pretação, exigindo do leitor criatividade, 3. Pesquisar para melhor escolher,
invenção, saber olhar e ver além do visível. criar e oportunizar caminhos que
A produção é o eixo do fazer, da criação, colaborem para o desenvolvimento
de desafiar o leitor a estabelecer conexões no aluno de relações entre arte e vida.
diversas e representá-las através da expres-
são artística.

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3.
A OFICINA COMO
PRÁTICA DIDÁTICA
Ao planejar essa mediação, propomos
como metodologia a oficina, por ser uma
proposta de construção coletiva de conhe-
cimento de forma compartilhada, onde
se busca a indivisibilidade teoria/prática,
utilizando como estratégia didático-peda-
gógica a problematização. É um lugar de
reflexão, empoderamento dos participan-
tes, que se destaca como espaço acolhedor
para as pessoas narrarem suas histórias,
expressarem seus sentimentos, produzirem
seu fazer artístico. Podemos dizer que:
[...] é o espaço de construção e recons-
trução do conhecimento. Não importa se
é uma sala de aula, um pátio, uma qua-
dra, um quintal, uma sombra de árvore.
Aí se partilha, descobre e recria o saber. A
relação humana, nesse espaço, se dá de
forma horizontal. É o lugar de fazer pen-
sar, redescobrir, reinventar novas formas
de ver e rever a prática educativa. Traba-
lho em que todos compartilham e viven-
ciam ideias, sentimentos, experiências;
oportuniza a reconstrução individual e
coletiva, o contato do eu com o tu (SOU-
SA et al,1994, p. 74).

Nesta perspectiva, reforçamos que du-
rante a oficina estabelecemos encontros.
Encontros de gente face a face, de expe-
riências e histórias de vida, tendo o diálogo
como base, pois para Freire (1998, p. 93) o
diálogo representa esse lugar de encontro
por compreender que no encontro “[...] não
há ignorantes absolutos, nem sábios abso-
lutos: há homens que, em comunhão, bus-
cam saber mais”.

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Sugerimos para o desenvolvimento da d. Sistematização reflexiva: este é o
oficina, um roteiro didático, dividido em espaço de articulação das ideias, sa-
cinco momentos (esses momentos seguem beres, valores emergentes na ação,
uma lógica didática, mas podem ser flexibi- a serem agrupados e relacionados
lizados conforme o contexto.): (a) Aqueci- a uma visão orgânica, em um corpo
mento, (b) Memória, (c) Vivência temática, único substanciado com fundamen-
(d) Sistematização reflexiva e (e) Avaliação. tação teórica.
O compartilhamento de sentimentos é e. Avaliação: como um ato de inves-
uma atividade transversal ao longo do pro- tigação e diagnóstico, nesta ação,
cesso. Vejamos: analisamos todos os momentos vivi-
a. Aquecimento: traz o aluno para o dos, a qualidade das ações desenvol-
momento presente, implica princi- vidas e o sentir das pessoas envolvi-
palmente a integração de todos os das (SOUSA; FRANÇA, 2007, p. 84-85).
participantes na tarefa comum.
b. Memória: o aluno, através de nar- Acreditem: este roteiro tem transforma-
rações históricas, escritas ou orais, do as oficinas em espaços formativos, de
expressa suas ideias, impressões, memórias e narrativas de histórias de vida
conhecimentos adquiridos anterior- em formação, fortalecendo um olhar mais
mente, faz relação, traz para o ins- sensível diante do mundo e das experiên-
tante da dinâmica suas lembranças, cias estéticas.
suas vivências, suas representações
e ainda faz inclusão, engaja os falto-
sos da aula anterior, avalia, cria, ex-
pressa suas construções.
c. Vivência Temática: nesse momen-
to, o aluno vive e executa uma tarefa
referente ao tema do encontro (aula,
oficina). Nesse momento, usamos
os mais variados instrumentos de
mediação. Considerando arte como
expressão de vida, lançamos mão de
todas as linguagens (teatro, pintura,
escultura e poesia) para expressar o
que conhecemos na vida.

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4.
EXERCITANDO A
LEITURA DE IMAGENS
Vamos apreciar a imagem a seguir e registrar suas respostas e
reflexões no seu diário de formação.

PRIMEIRO EXERCÍCIO: Lendo uma obra de arte


CONTEXTUALIZACÃO

Sobre o autor: Milton Rodrigues da Costa, mais conhecido como


Milton Dacosta, foi um pintor, desenhista, gravador e ilustrador bra-
sileiro. Foi casado durante 37 anos com a pintora Maria Leontina e
é pai do também artista plástico Alexandre Dacosta. Inicialmente
Dacosta pintou composições figurativas e paisagens.

Sobre a obra: foi criada em 1942, por Milton Dacosta, utilizando a


técnica de óleo sobre tela, para produzir a obra, que tem dimensões
75.5 cm x 88 cm.

Problematizando:
Você conhecia esse artista?
Que sentido faz para você estas informações?
Existem linhas nesta imagem?
Que cores você vê? São claras, escuras, esfumaçadas?
Por que será que as pessoas querem ter obras de arte?
Milton Dacosta – “CIRANDA”. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São O que você gostaria de saber mais?
Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra3600/
ciranda>. Acesso em: 17 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
PRODUÇÃO/FAZER ARTÍSTICO
Agora deixe fluir seu potencial criativo e expresse artisticamente seus
sentimentos ao ser afetado(a) pela leitura da imagem e compartilhe.
APRECIAÇÃO
SEGUNDO EXERCÍCIO: Visitando um museu; produzindo
Problematizando:
leituras
O que vocês estão vendo?
Planeje uma visita ao museu da sua cidade. Aqui em Fortaleza, por
O que essas pessoas estão fazendo?
exemplo, temos vários, como o Museu do Ceará, da Fotografia, o
Onde estão?
Museu de Artes da UFC, o Museu do Centro Dragão do Mar de Arte e
Que outros elementos aparecem?
Cultura, entre outros, e prepare-se para realizar uma leitura.
A realidade expressa na obra é a mesma de hoje?
O que poderíamos fazer para mudar a situação atual?
Essa imagem lembra alguma coisa da sua história de vida?

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APRECIAÇÃO

Problematizando:
O que você viu no museu?
Tem obra de arte? Esculturas? Pinturas?
O que mais chamou a sua atenção?
Algo lembrou alguma coisa da sua história de vida?
Qual a narrativa está presente no museu?

CONTEXTUALIZACÃO

Problematizando:
Qual museu você visitou?
Quando foi criado o museu?
De onde veio o acervo?
O prédio é patrimônio cultural?
É privado ou público?
Que sentido faz para você essa visita?
O que você gostaria de saber mais?

PRODUÇÃO/FAZER ARTÍSTICO

Agora deixe fluir seu potencial criativo e


expresse artísticamente seus sentimentos
ou faça a sua narrativa ao ser afetado(a)
pela visita ao museu e compartilhe.

CURSO FORMAÇÃO DE mediadores de leitura 109


5.
CONCLUSÃO
Neste fascículo, apresen-
tamos a leitura de imagens
na sua relação com a arte e
educação, como uma pos-
sibilidade de mediação de
leitura, trazendo a reflexão: ao
realizarmos a leitura de imagens
estamos estabelecendo a leitura
“palavra-mundo”, desde que seja
vivenciada de maneira problema-
tizadora. Defendemos que essa ação
só será possível se forem oportunizadas ex-
periências estéticas, porque é na dimensão
do sensível que nos conectamos com nós
mesmos, com os outros e com o mundo.
Dai a importância do mediador(a) como
propositor de “armadilhas estéticas”,

DESAFIO
com o intuito de prover esses leitores com
conhecimentos e sensibilidade para “trans-
ver” o mundo das visualidades, realizando
uma leitura que vai “além do visível”.
Sabemos que o ensino de arte ainda luta
por seu lugar na escola, ultrapassando o Você já visitou um museu virtual?
desenho das datas comemorativas, e que a Que tal visitar um fazendo uso de
leitura de imagens fica muitas vezes apenas um computador com acesso à
no nível realístico, mas concluímos com o internet? Depois, compartilhe com
verbo esperançar na perspectiva freiriana, seus colegas a sua leitura e o que
porque acreditamos que sempre é possível o(a) encantou no museu visitado.
(trans)formar a prática docente. E você,
como nós, acredita? Está nas suas mãos.

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REFERÊNCIAS
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MACHADO, Adriana de Almeida. O seu olhar
melhora o meu: o processo de monitoria em
exposições itinerantes. In: LEITE, Maria Isabel;

CURSO FORMAÇÃO DE mediadores de leitura 111


Tânia Maria Sousa França (Autora)
é mestre e doutora em Educação com foco na Formação de Professores pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Especialista em
Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade Nacional de Brasília (UnB). Graduada em Serviço Social pela UECE
e Pedagogia pela Universidade Metodista. Professora Assistente da Uece, assumindo a docência no Campus de Iguatu (Fecli), membro
dos grupos de pesquisa Investigação em Arte, Ensino e História (IARTEH/Uece) e Grupo de Estudo e Pesquisa em Patrimônio e Memória
(GEPPM-UFC/CNPq).

Rafael Limaverde (ilustrador)


É ilustrador, chargista e cartunista (premiado internacionalmente) e xilogravurista. Formado em Artes Visuais pelo Instituto Federal de
Educação, Ciências e Tecnologia do Ceará (IFCE). Escreve e possui livros ilustrados nas principais editoras do Ceará e em editoras paulistas.

Este fascículo é parte integrante do Programa Fortaleza Criativa, em decorrência do Termo de Fomento celebrado entre a Fundação Demócrito Rocha e a Secretaria Municipal da Cultura
de Fortaleza, sob o nº 05/2018.
Todos os direitos desta edição reservados à: EXPEDIENTE: FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) João Dummar Neto Presidente André Avelino de
Azevedo Diretor Administrativo-Financeiro Raymundo Netto Gestor de Projetos Emanuela Fernandes
Analista de Projetos Tainá Aquino Estagiária UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE Viviane Pereira Gerente
Fundação Demócrito Rocha Pedagógica Luciola Vitorino Analista Pedagógica CURSO FORMAÇÃO DE MEDIADORES DE LEITURA
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fundacao@fdr.org.br ISBN: 978-85-7529-900-5 (Fascículo 7)

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