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Caracterização do Cordão na Soldagem FCAW com um Arame Tubular Básico

(Bead Characterization on FCAW Welding of a Basic Tubular Wire)

Cícero Murta Diniz Starling1, Paulo José Modenesi2, Tadeu Messias Donizete Borba3
1
Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Engenharia de Materiais e Construção,
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, cicerostarling@ufmg.br
2
Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais,
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, modenesi@demet.ufmg.br
3
Universidade Federal de Minas Gerais, Graduando em Engenharia Metalúrgica,
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, tadeumdborba@yahoo.com.br

Resumo

Este trabalho objetivou o estudo do efeito de algumas condições operacionais nas características do cordão produzido por um arame
tubular básico (ASME SFA-5.20: E71T-5/E71T-5M) de fabricação nacional com 1,2 mm de diâmetro, destinado à soldagem de aços
carbono comuns estruturais de baixo e médio teor de carbono. Realizaram-se testes de soldagem, na posição plana, sobre chapas
grossas (espessura de 12 mm) de aço carbono comum de baixo carbono utilizando-se uma fonte operando no modo “tensão constante”
e com monitoração dos sinais de corrente e tensão do arco e velocidade de alimentação (fusão) do arame. Variaram-se a composição
do gás de proteção (75%Ar-25%CO2 e 100%CO2), a polaridade do eletrodo (positiva e negativa) e a velocidade de alimentação do
arame (7 e 9 m/min). Os demais parâmetros de soldagem foram mantidos fixos, incluindo-se os comprimentos energizado do eletrodo
(16 mm) e do arco (3,5 mm). Avaliaram-se os efeitos das condições operacionais nas principais características do cordão incluindo a
sua geometria (penetração, reforço, largura, área fundida, área depositada e diluição), presença de descontinuidades, microestrutura e
dureza. Levantaram-se, para o arame básico, as condições operacionais de maior produtividade (maior taxa de deposição) associadas
a um cordão com características adequadas à soldagem de chapas grossas de aços estruturais.

Palavras-chave: Processo FCAW. Arame Tubular Básico. Formato do Cordão. Microestrutura.

Abstract: This paper studies the effect of operational conditions on bead shape characteristics in FCA welding with a Brazilian made
wire with basic flux (ASME SFA-5.20: E71T-5/E71T-5M) of 1.2 mm diameter. Bead-on-plate downhand welding trials were performed
on 12 mm thick low carbon steel plates with a constant voltage power supply. A digital data logging system was used to measure
the welding current and voltage, and wire feed rate. While the shielding gas composition (75%Ar-25%CO2 and 100%CO2), wire
polarity and feed rate (7 and 9 m/min) were varied during the trials, the electrode extension (16 mm) and arc length (3.5 mm) were not
changed. Weld bead characteristics (penetration depth, width, and fused and deposited areas), the presence of discontinuities, bead
microstructure and hardness were evaluated. Welding conditions of high productivity (high deposition rate) associated to adequate bead
characteristics were determined for the wire.

Keywords: FCAW Process. Basic Tubular Wire. Weld Bead Shape. Microstructure.

1. Introdução de operação em campo [1-2]. Na soldagem FCAW e em outros


processos de soldagem com eletrodo consumível, o material do
A soldagem a arco com arame tubular (FCAW) é um eletrodo precisa ser aquecido desde a sua temperatura inicial,
processo que acumula as principais vantagens da soldagem com próxima da temperatura ambiente, até a sua temperatura de fusão
arame maciço e proteção gasosa (GMAW), como alto fator de e, a seguir, ser fundido e separado do eletrodo. A velocidade com
trabalho do soldador, alta taxa de deposição, alto rendimento, que o eletrodo é fundido deve ser, em média, igual à velocidade
resultando em alta produtividade e qualidade da solda produzida. que este é alimentado de forma a manter um comprimento de
Inclui também as vantagens da soldagem manual com eletrodos arco relativamente constante.
revestidos (SMAW), como alta versatilidade, possibilidade de Os autores do presente trabalho estudaram anteriormente as
ajustes da composição química do cordão de solda e facilidade características e os fatores determinantes da fusão de arames
tubulares nacionais (destinados à soldagem de aços carbono
comuns de baixo e médio teor de carbono) dos tipos básico
(ASME SFA-5.20: E71T-5/E71T-5M), rutílico (ASME SFA-
(Recebido em 09/02/2008; Texto Final em 04/09/2008).

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Caracterização do Cordão na Soldagem FCAW com um Arame Tubular Básico

5.20: E71T-1/E71T-9/E71T-9M) e “metal cored” (ASME


SFA-5.18: E70C-3M) com 1,2 mm diâmetro, utilizando uma Neste trabalho, utilizou-se o processo FCAW com um
fonte do tipo “tensão constante” e condições de soldagem arame tubular comercial de fabricação nacional (destinado à
essencialmente sem a ocorrência de curtos-circuitos. Nesses soldagem de aços carbono comuns de baixo e médio teor de
trabalhos anteriores: carbono) do tipo básico (ASME SFA-5.20: E71T-5/E71T-5M),
possuindo diâmetro nominal de 1,2 mm. Os testes de soldagem
• Promoveu-se a caracterização dos arames, através da foram realizados na posição plana sobre chapas de aço carbono
determinação das suas características geométricas e comum (ABNT 1010, com 50x250x12 mm) utilizando-se uma
resistividade e avaliação dos principais constituintes do fonte de soldagem operando no modo “tensão constante”.
fluxo [3]. Variou-se a velocidade de alimentação (fusão) do arame (7 e
• Levantou-se as principais características de transferência 9 m/min), o gás de proteção (75%Ar-25%CO2 e 100%CO2) e
metálica, através da técnica de perfilografia (shadowgrafia) a polaridade do eletrodo (positiva e negativa), totalizando 8
[4]. condições operacionais distintas. Realizaram-se duas ou mais
• Avaliou-se a velocidade de fusão e a taxa de deposição dos soldas para cada condição operacional avaliada. No início de
arames em função de diferentes parâmetros operacionais, cada teste, o valor desejado da velocidade de alimentação do
como corrente de soldagem, gás de proteção, comprimento arame era ajustado através de um potenciômetro ligado ao
energizado do eletrodo, comprimento do arco e polaridade alimentador de arame e, em seguida, promovia-se o ajuste do
do eletrodo [5-7] e comprimento do arco através da variação da tensão fornecida
• Foi proposto um modelo alternativo para a fusão do eletrodo pela fonte de soldagem. Durante os testes, a imagem invertida
na soldagem com arames tubulares [3]. do arco elétrico era projetada (por meio de uma lupa) com
uma ampliação conhecida sobre um anteparo graduado de
Estes aspectos, até então estudados, foram muito importantes, forma a possibilitar o ajuste do seu comprimento (La) ao valor
tendo aplicação na determinação de condições operacionais de pretendido (3,5 mm). Para que a projeção do arco não se movê-
maior produtividade, no controle do processo e no projeto de se em relação ao anteparo, facilitando o ajuste do comprimento
juntas soldadas. do arco, manteve-se a tocha de soldagem fixa durante os testes,
Encontrou-se na literatura alguns estudos relativos às enquanto o corpo de prova se deslocava por intermédio de um
características do cordão de solda (por exemplo, geometria, dispositivo tipo “tartaruga”. Previamente, a distância entre a peça
presença de descontinuidades e microestrutura) na soldagem e o bico de contato (DBCP) era fixada em 19,5 mm resultando,
com arames tubulares [8-15]. De uma forma geral, estes estudos após o ajuste do comprimento do arco, em um comprimento
associam as características do cordão com os parâmetros de energizado do eletrodo (s) igual a 16,0 mm. De forma a se manter
soldagem ou com as propriedades mecânicas da junta soldada. aproximadamente constante o volume da poça de fusão e, assim,
Entretanto, percebe-se que os aspectos relativos às características tornar sistemática a sua influência no ajuste do comprimento do
do cordão de solda no processo FCAW não foram, ainda, arco, foi estabelecida uma relação de proporcionalidade entre
estudados de forma mais abrangente, por exemplo, associando as velocidades de soldagem (vs) e de alimentação do arame (w),
estas características às condições operacionais para aplicações utilizando-se as mesmas unidades:
envolvendo arames tubulares destinados à soldagem de aços
carbono comuns de baixo e médio teor de carbono. Dessa forma, vs = 0,04.w (1)
informações relativas às condições operacionais de maior
produtividade, associadas a um cordão com características Após estes ajustes, os valores resultantes de corrente de
adequadas à soldagem de aços estruturais são, até então, soldagem, tensão do arco (avaliada entre o bico de contato e a peça)
limitadas. e velocidade de alimentação do arame eram coletados através de
Da mesma forma que o estudo das características e dos placas de aquisição de dados acopladas a microcomputadores.
fatores determinantes da fusão de arames tubulares, um Para a aquisição da corrente, utilizou-se um sensor de efeito Hall
estudo exploratório, realizado para arames tubulares nacionais e, para a aquisição da tensão, um sensor divisor de tensão, ambos
destinados à soldagem de aços carbono comuns de baixo e médio ligados a uma placa de conversão analógico/digital controlada
teor de carbono, sobre o efeito das condições operacionais nas por um programa de computador desenvolvido previamente. Para
características do cordão de solda (por exemplo, geometria, a aquisição da velocidade de alimentação do arame, utilizou-se
presença de descontinuidades e microestrutura) revela-se um sensor de disco ótico ligado a uma placa de aquisição de
igualmente importante. No presente trabalho, esse estudo será dados, controlada por um programa de computador específico.
realizado para um arame tubular nacional do tipo básico (ASME A Figura 1 mostra esquematicamente a montagem experimental
SFA-5.20: E71T-5/E71T-5M). Espera-se que os resultados utilizada, incluindo o sistema de projeção do arco elétrico.
gerados para esse arame tubular possam contribuir para a
otimização de condições operacionais de maior produtividade,
associadas a um cordão de solda com características adequadas
à soldagem de aços estruturais.

2. Materiais e Métodos

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Starling, C. M. D., Modenesi, P. J., Borba, T. M. D.

(a) (b)
Figura 1. (a) Representação da distância entre a peça e o bico de contato (DBPC) e os comprimentos do arco (La) e energizado do
eletrodo (s). (b) Representação esquemática da montagem experimental.

A caracterização de cada condição operacional avaliada foi refere à área total da seção transversal (1,0520 mm2) e ρtubular
realizada através da avaliação da estabilidade operacional, do à densidade volumétrica (6,61 g/m3) do arame tubular básico
aspecto superficial do cordão de solda, da taxa de deposição e, calculadas conforme procedimento descrito em Starling e
também, extraindo-se corpos de prova transversais ao cordão Modenesi [3].
para análises macroestrutural e microestrutural e para realização Prepararam-se 2 macrografias e 1 micrografia para cada
de testes de dureza Vickers. uma das 8 condições operacionais avaliadas. A preparação
A estabilidade operacional de cada uma das condições macrográfica foi realizada em dois corpos de prova transversais
testadas foi avaliada através das análises dos oscilogramas de a um mesmo cordão e consistiu no lixamento com lixas d’água
tensão do arco e corrente de soldagem (em particular da relação (granulometrias iguais a 100, 240, 320, 400, 600 e 1000),
entre o desvio padrão e a média destes parâmetros, que indicam seguindo-se ataque com nital 10 %. A preparação micrográfica
os seus níveis de flutuação durante a operação de soldagem), do foi realizada em um único corpo de prova transversal ao
aspecto superficial do cordão, do nível de respingos produzidos cordão e consistiu no seu embutimento a quente com resina
e da eficiência de deposição. Para a obtenção da eficiência termofixa (baquelite), lixamento com lixas d’água (mesmas
de deposição do arame tubular básico (ϕtubular), inicialmente granulometrias anteriores), polimento com pastas de diamante
promovia-se a determinação da massa de uma chapa limpa e (com granulometria de 9, 3 e 1 μm) e ataque com nital 2 %. Após
esmerilhada e, em seguida, depositava-se na mesma um cordão a preparação das amostras, foram realizadas macrofotografias
de solda utilizando-se uma das condições operacionais avaliadas. e microfotografias digitais da seção transversal do cordão. O
Após a soldagem, removia-se (com escova de aço giratória e aspecto superficial do cordão também foi documentado através
talhadeira) todos os óxidos e respingos formados e determinava-se de macrofotografia digital.
o ganho de massa do corpo de prova devido ao metal depositado. A partir das macrografias produzidas e, também, através do
O consumo de arame (em metros) para a deposição do cordão exame do aspecto superficial do cordão foi verificada a presença
era avaliado a partir da monitoração, durante a soldagem, da de eventuais descontinuidades (por exemplo, aspecto irregular
velocidade de alimentação do arame. Com o conhecimento do cordão, porosidades, mordeduras e inclusão de escória). As
da densidade linear do arame (6,95 g/m), calculada conforme macrofotografias produzidas foram observadas em um projetor
procedimento descrito em Starling e Modenesi [3], era possível de perfil para a observação dos contornos da zona fundida e
determinar a massa total de arame fundido durante a soldagem. medição de alguns parâmetros geométricos (largura, penetração
Dessa forma, a eficiência de deposição era avaliada através da máxima e reforço, Figura 2). Esses contornos foram desenhados
relação entre o ganho de massa do corpo de prova e a massa total em uma transparência colocada sobre a tela do projetor,
de arame fundido. Para cada condição operacional, avaliou-se digitalizados através de um scanner e, através de um programa
a eficiência de deposição média realizando-se pelo menos 2 de computador, foram determinadas outras características
soldas. A taxa de deposição (TDtubular) do arame tubular básico geométricas do cordão (área depositada e área de penetração,
depende da eficiência de deposição (ϕtubular) e da velocidade de Figura 2) e um parâmetro derivado (diluição). Os testes de
alimentação (w), sendo dada por: dureza Vickers foram realizados na zona fundida de cada uma
das 8 condições operacionais avaliadas. Utilizou-se uma carga
TDtubular = 0,06. ϕtubular . (Atubular . ρtubular . w) (2) de 98,1 N (10 kgf) com 10 a 15 medidas para cada condição e
apresentou-se os resultados para um intervalo de confiança de
Para TDtubular (kg/h) e w (m/min). Nesta equação, Atubular se 95 %.

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eficiências de deposição do arame tubular básico e das taxas


correspondentes de deposição. A Tabela 2 mostra os parâmetros
geométricos e a diluição obtidos para os cordões de solda. As
Tabelas 3 e 4 indicam, respectivamente, a fração volumétrica
dos microconstituintes presentes na zona fundida e a dureza
dessa região, considerando-se o intervalo de confiança de 95 %.
Nessas tabelas, os resultados são apresentados para as diferentes
polaridades, velocidades de alimentação do arame e gases de
proteção avaliados.

3.1 Efeito da Velocidade de Alimentação do Arame

De acordo com as Figuras 3 e 4, observa-se que, como


esperado, um aumento na velocidade de alimentação do arame
Figura 2. Representação esquemática das características
(nominalmente de 7 para 9 m/min) resulta em um aumento
geométricas do cordão. W – largura, h – reforço, Pmax
no valor médio da corrente de soldagem (variação máxima
–penetração máxima, Ad – área depositada e Ap – área de
de 168,43 para 208,85 A) e, como o comprimento do arco foi
penetração.
mantido constante, também em um aumento correspondente
no valor da tensão média do arco (variação máxima de 34,44
A caracterização microestrutural foi realizada através
para 39,31 V). Este efeito foi verificado para os dois gases de
de exames ao microscópio óptico na seção transversal dos
proteção e polaridades do eletrodo avaliados. Na soldagem com
cordões para a identificação geral dos microconstituintes
100%CO2 (para as duas polaridades), um aumento na velocidade
presentes na zona fundida. Também foram determinadas as
de alimentação do arame resulta em um aumento na flutuação
frações volumétricas dos microconstituintes por metalografia
dos valores de corrente de soldagem e tensão do arco (aumento
quantitativa. A identificação dos microconstituintes foi baseada
na relação entre o desvio padrão e a média destes parâmetros),
no documento IX-1533-88 do IIW - Instituto Internacional de
indicando uma redução da estabilidade operacional. Entretanto,
Soldagem [16]. As frações volumétricas dos microconstituintes
verifica-se uma tendência de comportamento inverso na soldagem
foram medidas pelo método de contagem manual de pontos,
com 75%Ar-25%CO2, ou seja, a estabilidade operacional tende
segundo a norma ASTM E 562-89 [17]. Utilizou-se uma malha
a aumentar com o aumento da velocidade de alimentação do
de 25 pontos a qual foi colocada na tela de um monitor de alta
arame. Isto é revelado por uma redução na flutuação dos valores
resolução acoplado a um microscópio óptico. As contagens
de corrente de soldagem (para as duas polaridades do eletrodo)
foram realizadas para um aumento fixo de 500 X no microscópio,
e de tensão do arco (para a polaridade do eletrodo positiva)
o qual resultava em um aumento de, aproximadamente, 1.200 X
com o aumento da velocidade de alimentação do arame. Esta
no monitor. Calculou-se um intervalo de confiança de 95 % para
diferença de comportamento pode estar associada com efeitos
os valores da fração volumétrica de cada microconstituinte. Para
distintos (dependendo do tipo de gás de proteção) do aumento da
cada amostra, foram realizadas 100 aplicações da malha de forma
corrente de soldagem nos parâmetros da transferência metálica
a cobrir todas as regiões da zona fundida. Resultou-se, assim, na
do arame tubular básico, por exemplo, no tipo de transferência,
contagem de 2.500 pontos por amostra e, considerando-se as 8
no tamanho das gotas formadas, na freqüência de destacamento
condições operacionais distintas, 20.000 pontos no total.
das mesmas e na forma de interação das gotas metálicas com
o material do fluxo. Starling e Modenesi [4] estudaram, pela
3. Resultados e Discussão
técnica de perfilografia (shadowgrafia), a transferência metálica
do mesmo arame tubular básico avaliado no presente trabalho
As Figuras 3 e 4 mostram os oscilogramas de tensão do arco
na soldagem com polaridade positiva e proteção por 75%Ar-
e corrente de soldagem obtidos para as soldas com o arame
25%CO2 ou 100%CO2 em condições essencialmente sem a
básico e proteção gasosa, respectivamente, por 75%Ar-25%CO2
ocorrência de curtos-circuitos. De uma forma geral, os autores
e 100%CO2. Nas legendas são indicados a média e o desvio
perceberam a formação de uma coluna de fluxo projetada em
padrão dos valores coletados da velocidade de alimentação do
direção à poça e, também, que um aumento na corrente de
arame, da corrente de soldagem e da tensão do arco e, também, a
soldagem resulta em uma redução no tamanho médio das gotas
flutuação dos valores de corrente e tensão (relação entre o desvio
de metal e em um aumento na freqüência de destacamento das
padrão e a média correspondente). As Figuras 5 e 6 mostram o
mesmas. Também perceberam que, na soldagem com os dois
aspecto superficial dos cordões e as macrografias e micrografias
gases, a transferência metálica é do tipo globular repulsiva para
obtidas de suas seções transversais para as soldas com proteção,
menores níveis de corrente. Entretanto, para maiores níveis
respectivamente, por 75%Ar-25%CO2 e 100%CO2. Nessas
de corrente, a transferência de metal passa a ser globular na
figuras, os resultados são apresentados para as diferentes
soldagem com 75%Ar-25%CO2 e se mantém globular repulsiva
polaridades e velocidades de alimentação do arame avaliadas.
na soldagem com 100%CO2. Ainda, na soldagem com 100%CO2,
A Tabela 1 indica os valores do aporte térmico, das
o aumento da corrente aumenta a instabilidade do processo, com

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várias gotas sendo repelidas para longe da poça de fusão. O corrente de soldagem e da tensão do arco (Figuras 3 e 4), não
aumento (na soldagem com 100%CO2) e redução (na soldagem resultava em variações significativas no aporte térmico para
com 75%Ar-25%CO2) na flutuação dos valores de corrente de um mesmo gás de proteção e polaridade do eletrodo (variação
soldagem e tensão do arco observada no presente trabalho com máxima de 1,33 para 1,43 kJ/mm, Tabela 1). Assim, como o
um aumento na velocidade de alimentação do arame (para a comprimento do arco também foi mantido constante (3,5 mm),
polaridade do eletrodo positiva) são, assim, consistentes com os acredita-se que a variação observada na geometria do cordão
resultados de Starling e Modenesi [4]. quando se aumenta a velocidade de alimentação do arame
decorra principalmente dos efeitos concorrentes da corrente
De acordo com a Tabela 1, nota-se que na soldagem com
de soldagem e da velocidade de soldagem. Com o aumento
100%CO2 as eficiências de deposição são relativamente baixas
da corrente, ocorre uma maior capacidade de fusão do arame
(valor médio de 68 %) não variando apreciavelmente com o
tubular e, também, uma maior quantidade de calor é transferida
aumento da velocidade de alimentação do arame (para uma
para a peça pelas regiões de queda catódica (na soldagem com
mesma polaridade do eletrodo), indicando uma manutenção
o eletrodo positivo) ou de queda anódica (na soldagem com
na instabilidade operacional. A Figura 6 mostra que todas as
o eletrodo negativo) [18], o que resultaria em aumentos na
soldas com 100%CO2 apresentam respingos e cordões com
largura, reforço e, principalmente, na penetração. Por outro
irregularidades superficiais sendo que um aumento na velocidade
lado, um aumento da velocidade de soldagem implica em uma
de alimentação (para uma mesma polaridade do eletrodo)
redução da quantidade de calor fornecido à junta por unidade
aparentemente não resulta em um aumento no nível de respingos
de comprimento desta, o que resultaria em reduções na largura,
ou irregularidades, também revelando uma manutenção na
reforço e penetração. Dessa forma, na faixa operacional avaliada
instabilidade operacional.
no presente trabalho, o efeito da corrente foi preponderante na
Ainda de acordo com a Tabela 1, nota-se que na soldagem determinação dos aumentos observados da largura, penetração
com 75%Ar-25%CO2 (nas duas polaridades) um aumento na máxima e área de penetração, entretanto, o efeito da velocidade
velocidade de alimentação do arame não resulta em maiores de soldagem foi preponderante na determinação da pequena
variações na eficiência de deposição (variação máxima de 90 para redução observada no reforço. Apesar da manutenção da
85 %). As soldas com 75%Ar-25%CO2 (Figura 5) apresentam proporção entre a velocidade de alimentação do arame e a
cordões mais regulares superficialmente que as soldas com velocidade de soldagem, percebeu-se a tendência relatada de
100%CO2 (Figura 6). De acordo com a Figura 5 (soldas com redução da área depositada com o aumento da velocidade de
proteção por 75%Ar-25%CO2) a soldagem com a polaridade do alimentação na soldagem com 100%CO2 e polaridade negativa.
eletrodo positiva resulta em um maior nível de respingos do que Uma explicação poderia ser a redução da eficiência de deposição
a soldagem com o eletrodo negativo. Ainda na Figura 5, percebe- com o aumento da velocidade de alimentação na soldagem com
se que na soldagem com 75%Ar-25%CO2 (nas duas polaridades) 100%CO2 e polaridade negativa, entretanto, de acordo com a
um aumento na velocidade de alimentação do arame não afeta o Tabela 1, esta redução é muito pequena (69 para 67 %). Dessa
aspecto superficial regular do cordão e o baixo nível resultante de forma, acredita-se que esta redução na área depositada também
respingos. Dessa forma, na soldagem com 75%Ar-25%CO2 (nas decorra de erros experimentais nos ajustes das velocidades
duas polaridades) um aumento na velocidade de alimentação do de alimentação e de soldagem. O aumento da diluição com o
arame tende a manter a estabilidade operacional. aumento da velocidade de alimentação é consistente com as
menores variações observadas na área depositada em relação à
A Tabela 2 e as macrografias das Figuras 5 e 6 indicam que
área de penetração.
um aumento na velocidade de alimentação do arame, para um
Observando-se as microestruturas das Figuras 5 e 6 e os
mesmo tipo de gás de proteção e polaridade do eletrodo, afeta
resultados da metalografia quantitativa apresentados na Tabela
a geométrica do cordão, resultando em aumentos da largura
3, percebe-se que um aumento na velocidade de alimentação
(variação máxima de 10,60 para 11,73 mm), penetração máxima
do arame, para um mesmo tipo de gás de proteção e polaridade
(variação máxima de 0,53 para 1,12 mm), área de penetração
do eletrodo, não afetou fortemente a microestrutura da zona
(variação máxima de 15,73 para 23,06 mm2) e diluição (variação
fundida. Isto é consistente com o fato do aporte térmico não
máxima de 48,85 para 63,05 %) e, também, em pequena redução
ter variado significativamente com o aumento da velocidade de
do reforço (variação máxima de 2,75 para 2,24 mm). A área
alimentação (Tabela 1), resultando em pequenas variações na
depositada não apresentou maiores variações com o aumento
velocidade de resfriamento das soldas. Entretanto, de acordo
da velocidade de alimentação do arame à exceção da solda
com a Tabela 2, para um mesmo gás de proteção e polaridade
com 100%CO2 e polaridade negativa (variação de 16,43 para
do eletrodo, percebe-se algum aumento da diluição (variação
13,48 mm2).
máxima de 48,85 para 63,05 %) com o aumento da velocidade
de alimentação devendo, assim, resultar em alguma variação na
Como descrito na metodologia, um aumento da velocidade
composição química da zona fundida. Os resultados indicam
de alimentação (de 7 para 9 m/min) era acompanhado de um
que esta variação na composição química também não deve
aumento proporcional da velocidade de soldagem (de 4,7 para
ter sido forte o suficiente para resultar em maiores alterações
6,0 mm/s) de forma a se manter constante o volume da poça de
microestruturais. Entretanto, a variação na composição química
fusão. Dessa forma, o aumento da velocidade de alimentação,
pode ter contribuído para a tendência de redução da dureza com
apesar de resultar em um aumento nos valores médios da
o aumento da velocidade de alimentação do arame na soldagem

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Caracterização do Cordão na Soldagem FCAW com um Arame Tubular Básico

Figura 3. Oscilogramas de corrente e tensão de soldagem obtidos para proteção com 75%Ar-25%CO2. Polaridade positiva: (a)
w = 7,04±0,03 m/mim, I = 168±15 A (8,7 %) e V = 23,6±1,0 V (4,2 %) e (b) w = 9,04±0,03 m/min, I = 209±11 A (5,4 %) e V
= 25,5±0,7 V (2,8 %). Polaridade negativa: (c) w = 7,04±0,03 m/min, I = 167±8 A (5,0 %) e V = 25,2±0,6 V (2,5 %) e (d) w =
9,01±0,04 m/min, I = 208±10 A (4,6 %) e V = 28,0±0,8 V (2,8 %). w, I e V se referem, respectivamente, à “média ± desvio padrão” da
velocidade de alimentação do arame, corrente e tensão de soldagem. Os valores entre parênteses são os coeficientes de variação dos
valores anteriores.

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Figura 4. Oscilogramas de corrente e tensão de soldagem obtidos para proteção com 100%CO2. Polaridade positiva: (a) w =
7,10±0,03 m/min, I = 176±23 A (13,2 %) e V = 34,3±1,6 V (4,5 %) e (b) w = 9,06±0,03 m/min, I = 213±36 A (16,7 %) e V =
35,1±1,8 V (5,0 %). Polaridade negativa: (c) w = 7,04±0,02 m/min, I = 182±16 A (8,7 %) e V = 34,4±1,2 V (3,6 %) e (d) w =
8,97±0,02 m/min, I = 219±25 A (11,3 %) e V = 39,3±1,7 V (4,4 %). w, I e V se referem, respectivamente, à “média ± desvio padrão”
da velocidade de alimentação do arame, corrente e tensão de soldagem. Os valores entre parênteses são os coeficientes de variação dos
valores anteriores.

310 Soldagem Insp. São Paulo, Vol. 13, No. 4, p.304-318, Out/Dez 2008
Caracterização do Cordão na Soldagem FCAW com um Arame Tubular Básico

(a)

(b)

(c)

(d)
Figura 5. Cordões obtidos para as soldas com 75%Ar-25%CO2. Aspecto superficial (esquerda), Macrografia – Nital 10 % (centro) e
Micrografia – MO, 500 X, Nital 2 % (direita). Polaridade positiva e velocidade de alimentação nominal de (a) 7 m/min e (b) 9 m/min.
Polaridade negativa e velocidade de alimentação nominal de (c) 7 m/min e (d) 9 m/min.

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Starling, C. M. D., Modenesi, P. J., Borba, T. M. D.

(a)

(b)

(c)

(d)

Figura 6. Cordões obtidos para as soldas com 100%CO2. Aspecto superficial (esquerda), Macrografia – Nital 10 % (centro) e
Micrografia – MO, 500 X, Nital 2 % (direita). Polaridade positiva e velocidade de alimentação nominal de (a) 7 m/min e (b) 9 m/min.
Polaridade negativa e velocidade de alimentação nominal de (c) 7 m/min e (d) 9 m/min.

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Caracterização do Cordão na Soldagem FCAW com um Arame Tubular Básico

Tabela 1. Aporte térmico (H), eficiência de deposição (ϕtubular) do arame (média avaliada em pelo menos duas soldas) e valor da taxa de
deposição (TDtubular). w – velocidade de alimentação nominal do arame.

Polaridade Gás w H ϕtubular TDtubular


Eletrodo Proteção (m/min) (kJ/mm) (%) (kg/h)
7 0,85 90 2,63
75%Ar-25%CO2
9 0,89 85 3,19
Positiva
7 1,29 65 1,90
100%CO2
9 1,24 70 2,63
7 0,90 91 2,66
75%Ar-25%CO2
9 0,97 90 3,38
Negativa
7 1,33 69 2,02
100%CO2
9 1,43 67 2,52

Tabela 2. Parâmetros obtidos para os cordões de solda (média dos valores avaliados em duas macrografias).
w – velocidade de alimentação nominal do arame, W – largura, h – reforço, Pmax – penetração máxima,
Ad – área depositada, Ap – área de penetração e δ – diluição.
Polaridade Gás w W h Pmax Ad Ap δ
2 2
Eletrodo Proteção (m/min) (mm) (mm) (mm) (mm ) (mm ) (%)
7 10,37 2,99 0,53 19,51 5,24 21,15
75%Ar-25%CO2
9 11,06 2,92 1,12 20,21 7,07 25,90
Positiva
7 10,33 2,77 2,54 14,66 19,63 57,65
100%CO2
9 11,28 2,61 2,82 14,60 21,42 59,40
7 10,60 3,08 0,97 21,01 6,01 22,25
75%Ar-25%CO2
9 11,73 2,99 1,30 20,44 8,95 30,45
Negativa
7 10,39 2,75 2,55 16,43 15,73 48,85
100%CO2
9 10,76 2,24 2,90 13,48 23,06 63,05

Tabela 3. Fração volumétrica dos microconstituintes presentes na zona fundida. Intervalo de confiança: 95 %.

Polaridade Gás w PF(G) PF(I) AF FS(NA) FS(A)


Eletrodo Proteção (m/min) (%) (%) (%) (%) (%)
7 13,86±2,03 3,80±1,35 36,56±2,16 40,32±2,88 5,46±1,24
75%Ar-25%CO2
9 10,06±1,83 1,28±0,51 34,96±2,15 48,84±2,16 4,82±1,00
Positiva
7 19,04±2,61 5,72±1,19 14,90±2,17 38,90±3,06 21,44±2,51
100%CO2
9 21,66±2,89 3,76±1,00 11,52±1,92 40,74±3,23 22,32±2,60
7 12,70±1,70 2,56±0,74 27,64±1,85 48,60±2,52 8,46±1,40
75%Ar-25%CO2
9 14,52±2,20 1,80±0,67 25,90±2,27 50,58±2,75 7,20±1,11
Negativa
7 20,90±2,62 5,10±1,11 13,48±2,23 40,36±2,80 20,16±2,66
100%CO2
9 20,74±2,74 3,86±0,99 12,62±2,01 41,30±3,06 21,48±2,69
PF(G) – ferrita primária de contorno de grão; PF(I) – ferrita primária intragranular; AF – ferrita acicular; FS(NA) e FS(A) – ferritas
com segunda fase não alinhada e alinhada. w – velocidade de alimentação nominal.

Tabela 4. Dureza Vickers (HV) na zona fundida. Intervalo de c onfiança: 95 %.


w – velocidade de alimentação nominal.

Polaridade Gás w HV
Eletrodo Proteção (m/min) (98,1N)
7 240 ± 11
75%Ar-25%CO2
9 205 ± 11
Positiva
7 161 ± 4
100%CO2
9 165 ± 4
75%Ar-25%CO2
7 227 ± 8
Negativa
9 207 ± 6
7 150 ± 7
100%CO2
9 163 ± 2

Soldagem Insp. São Paulo, Vol. 13, No. 4, p.304-318, Out/Dez 2008 313
Starling, C. M. D., Modenesi, P. J., Borba, T. M. D.

com 75%Ar-25%CO2 para uma mesma polaridade do eletrodo tendência de formação de gotas de metal mais grosseiras durante
(variação máxima de 240 para 205 HV) e, também, para a a transferência metálica.
tendência de aumento da dureza com o aumento da velocidade de
A Tabela 2 e as macrografias das Figuras 5 e 6 indicam que
alimentação do arame na soldagem com 100%CO2 e polaridade
um aumento um aumento do teor de CO2 no gás de proteção,
negativa (variação de 150 para 163 HV), como observado na
para uma mesma velocidade de alimentação do arame e
Tabela 4.
polaridade do eletrodo, afeta a geometria do cordão, resultando
em aumentos da penetração máxima (variação máxima de
3.2 Efeito do Gás de Proteção
0,53 para 2,54 mm), área de penetração (variação máxima de
5,24 para 19,63 mm2) e diluição (variação máxima de 21,15
Pelas Figuras 3 e 4 observa-se também que, para uma mesma para 57,65 %) e, também, em reduções no reforço (variação
polaridade do eletrodo e velocidade de alimentação do arame, máxima de 2,99 para 2,24 mm) e na área depositada (variação
um aumento do teor de CO2 no gás de proteção (soldagem com máxima de 20,44 para 13,48 mm2). A largura também tendeu a
100%CO2 em relação à soldagem com 75%Ar-25%CO2) resulta apresentar alguma redução com o aumento do teor de CO2 no
em um aumento na corrente média de soldagem (variação gás de proteção (variação máxima de 11,73 para 10,76 mm)
máxima de 167,46 para 181,54 A) e, principalmente, em um à exceção da solda com 75%Ar-25%CO2 e maior velocidade
aumento na tensão média do arco (variação máxima de 27,99 de alimentação do arame. É sabido que o aumento do teor de
para 39,31 V). Este comportamento é esperado e está associado CO2 no gás de proteção aumenta a condutividade térmica da
à maior condutividade térmica do gás constituído por CO2 puro coluna de plasma, promovendo uma maior transferência de
[19]. A condutividade térmica do gás afeta fortemente o fluxo de calor para a peça. Como discutido, o aumento da condutividade
elétrons na coluna do arco. Gases de alta condutividade térmica térmica também se reflete em um aumento na tensão média do
devem aumentar a resistividade do arco e exigir, para correntes arco e, neste trabalho, também na corrente média de soldagem
de soldagem próximas e comprimentos de arco equivalentes, um resultando, assim, em um aumento do aporte térmico com o
aumento na tensão do arco. Ainda de acordo com as Figuras 3 e aumento do teor de CO2 no gás de proteção (variação máxima de
4, percebe-se que um aumento do teor de CO2 no gás de proteção 0,97 para 1,43 kJ/mm, Tabela 1). Adicionalmente, a dissociação
(para uma mesma velocidade de alimentação do arame e do CO2 no arco (em CO e O2) e sua posterior recombinação (com
polaridade do eletrodo) também resulta em uma maior flutuação a liberação de energia na poça de fusão) também favorecem a
nos valores de corrente de soldagem e de tensão do arco. Dessa transferência de calor para a peça. Estes fatores justificariam os
forma, o aumento do teor de CO2 sugere uma redução da aumentos da penetração máxima e da área de penetração com
estabilidade operacional do processo FCAW de forma similar ao o aumento do teor de CO2 observados no presente trabalho, da
que ocorre no processo GMAW. No estudo sobre transferência mesma forma como ocorre na soldagem com arames maciços.
metálica do mesmo arame tubular básico utilizado no presente Ainda, o oxigênio resultante da dissociação do CO2 também se
trabalho, Starling e Modenesi[4] também perceberam que, na dissolve no metal de solda e tende a reduzir a tensão superficial
polaridade avaliada (positiva) e em um mesmo nível de corrente, do metal líquido (o que diminui o ângulo de molhabilidade do
a transferência globular ocorre com um maior tamanho das cordão) favorecendo a redução observada do reforço. A redução
gotas de metal na soldagem com 100%CO2 e com uma maior na eficiência de deposição com o aumento do teor de CO2 no
freqüência de destacamento das gotas na soldagem com 75%Ar- gás de proteção (Tabela 1) justificaria a redução observada da
25%CO2. Isto indicaria uma tendência de maiores variações área depositada com o aumento do teor de CO2, mesmo com
no comprimento efetivo do arco na soldagem com 100%CO2 a manutenção da razão entre as velocidades de alimentação
e, assim, nas maiores flutuações dos valores de corrente de e de soldagem. A redução da área depositada, associada ao
soldagem e tensão do arco observadas no presente trabalho para aumento da área de penetração e à redução do reforço, também
o mesmo gás de proteção. justificaria o aumento da diluição e a tendência de redução da
De acordo com a Tabela 1, nota-se que, para uma mesma largura observados no presente trabalho com o aumento do teor
polaridade do eletrodo e velocidade de alimentação do arame, de CO2.
um aumento do teor de CO2 no gás de proteção resulta em Observando-se as microestruturas das Figuras 5 e 6 e os
uma redução na eficiência de deposição (variação máxima de resultados da metalografia quantitativa apresentados na Tabela
90 para 65 %). Pelas Figuras 5 e 6 também se percebe que 3, percebe-se que um aumento do teor de CO2 no gás de proteção
um aumento do teor de CO2, para uma mesma polaridade do afeta a microestrutura da zona fundida. De uma forma geral, um
eletrodo e velocidade de alimentação do arame, também resulta aumento do teor de CO2 (mantendo uma mesma velocidade
em um aumento do nível de respingos e em cordões com de alimentação do arame e polaridade do eletrodo) tende a
irregularidades superficiais. Estes efeitos também são evidências resultar em aumentos nas frações de ferrita primária de contorno
da redução da estabilidade operacional quando se aumenta o teor de grão (PG(G), variação máxima de 10,06 para 21,66 %),
de CO2 no gás de proteção na soldagem com o arame tubular ferrita primária intragranular (PF(I), variação máxima de 2,56
básico. Também se percebe que (na soldagem com a polaridade para 5,10 %) e de ferrita com segunda fase alinhada (FS(A),
do eletrodo positiva) os respingos formados nas soldas com variação máxima de 4,82 para 22,32 %) às custas das reduções
100%CO2 são mais grosseiros do que aqueles formados nas das frações de ferrita com segunda fase não alinhada (FA(NA),
soldas com 75%Ar-25%CO2 indicando para o primeiro gás a variação máxima de 50,58 para 41,30 %) e de ferrita acicular

314 Soldagem Insp. São Paulo, Vol. 13, No. 4, p.304-318, Out/Dez 2008
Caracterização do Cordão na Soldagem FCAW com um Arame Tubular Básico

(AF, variação máxima 34,96 de para 11,52 %). Da mesma constante. De acordo com as Figuras 3 e 4, percebe-se que uma
forma, percebe-se que a microestrutura resultante das soldas mudança da polaridade do eletrodo de positiva para negativa
com 100%CO2 (Figura 6) é mais grosseira que a resultante das (para um mesmo gás de proteção e uma mesma velocidade de
soldas com 75%Ar-25%CO2 (Figura 5). Nota-se também que um alimentação do arame) resulta em uma menor flutuação nos
aumento do teor de CO2 (mantendo uma mesma velocidade de valores de corrente de soldagem e de tensão do arco, indicando
alimentação do arame e polaridade do eletrodo) também resulta um aumento da estabilidade operacional do processo.
em uma redução da dureza da zona fundida (variação máxima De acordo com a Tabela 1, nota-se que, para um mesmo tipo
de 240 para 161 HV, Tabela 4). Como discutido, um aumento de gás de proteção e velocidade de alimentação do arame, uma
no teor de CO2 no gás de proteção (mantendo uma mesma mudança na polaridade do eletrodo de positiva para negativa
velocidade de alimentação do arame e polaridade do eletrodo) não resulta em grandes variações na eficiência de deposição
resulta em um aumento do aporte térmico (Tabela 1) e, assim, (variação máxima de 85 para 90 %). Pela Figura 5 se percebe
em uma redução da velocidade de resfriamento das soldas. Um que a polaridade negativa (para a soldagem com 75%Ar-
aumento no teor de CO2 (devido ao seu caráter oxidante) também 25%CO2 e uma mesma velocidade de alimentação do arame)
altera a composição química do depósito devido às perdas por resulta em uma redução do nível de respingos, indicando um
oxidação de elementos de liga e, assim, reduz a temperabilidade aumento da estabilidade operacional em relação à soldagem com
da zona fundida. Como conseqüência, é de se esperar o aumento a polaridade positiva. Inversamente, pela Figura 6 se percebe
observado nos microconstituintes de mais alta temperatura de que a polaridade negativa (para a soldagem com 100%CO2 e
transformação (PG(G), PF(I) e FS(A) - provavelmente ferrita uma mesma velocidade de alimentação do arame) resulta em
de placas laterais) e a redução dos microconstituintes de mais um aumento do nível de respingos, indicando uma redução da
baixa temperatura de transformação (FS(NA) e AF), associado à estabilidade operacional em relação à soldagem com a polaridade
redução na dureza da zona fundida. Da mesma forma, os grandes positiva. A mudança na polaridade do eletrodo de positiva
aumentos da diluição com o aumento do teor de CO2 no gás de para negativa (para uma mesma velocidade de alimentação do
proteção também podem resultar em variações na composição arame) não afeta o aspecto superficial regular do cordão na
química da zona fundida e, assim, também contribuir para as soldagem com 75%Ar-25%CO2 (Figura 5) e, da mesma forma,
alterações microestruturais e de dureza observadas. não afeta o aspecto superficial irregular do cordão na soldagem
com 100%CO2 (Figura 6). Na soldagem com 100%CO2 e uma
mesma velocidade de alimentação do arame (Figura 6), os
3.3 Efeito da Polaridade do Eletrodo
respingos formados com a polaridade negativa são mais finos
em relação aos formados com a polaridade positiva, indicando
De acordo com as Figuras 3 e 4, uma mudança da polaridade para a polaridade negativa a tendência de formação de gotas de
do eletrodo de positiva para negativa (para uma mesma metal mais finas durante a transferência metálica. Todos estes
velocidade de alimentação do arame) resulta em pequenas efeitos sugerem que a polaridade do eletrodo deve interferir
reduções na corrente média de soldagem na soldagem com de forma distinta nos parâmetros da transferência metálica do
75%Ar-25%CO2 (variação máxima de 208,85 para 207,57 A), arame tubular básico dependendo do tipo de gás de proteção.
pequenos aumentos na corrente média de soldagem na soldagem A Tabela 2 e as macrografias das Figuras 5 e 6 indicam
com 100%CO2 (variação máxima de 212,81 para 218,52 A) e que uma mudança na polaridade do eletrodo de positiva para
em pequenos aumentos na tensão média do arco na soldagem negativa (na soldagem com 75%Ar-25%CO2 e uma mesma
com os dois gases (variação máxima de 35,06 para 39,31 V). velocidade de alimentação do arame) afeta a geometria do
Segundo Lancaster[18], é de se esperar na soldagem com cordão resultando em aumentos da largura (variação máxima
eletrodos consumíveis maciços e polaridade negativa uma de 11,06 para 11,73 mm), do reforço (variação máxima de 2,99
maior geração de calor na região do eletrodo, resultando em para 3,08 mm), da penetração máxima (variação máxima de 0,53
uma redução da corrente necessária para fundir o arame em para 0,97 mm), da área de penetração (variação máxima de 7,07
relação à soldagem com polaridade positiva. Entretanto, para para 8,95 mm2), da área depositada (variação máxima de 19,51
o arame tubular básico, esta tendência não foi observada na para 21,01 mm2) e da diluição (variação máxima de 25,90 para
soldagem com 100%CO2 e, na soldagem com 75%Ar-25%CO2, 30,45 %). Como relatado, a mudança para a polaridade negativa
a redução da corrente média com a mudança da polaridade de (na soldagem com 75%Ar-25%CO2 e uma mesma velocidade
positiva para negativa foi insignificante. Esperam-se também de alimentação do arame) não resultou em maiores variações
diferenças nos mecanismos responsáveis pela emissão a frio na corrente média de soldagem e na tensão média do arco
(não termiônica) de elétrons quando o cátodo é constituído (Figuras 3 e 4) e, assim, não implicou em maiores alterações
pelo arame (polaridade do eletrodo negativa) ou pela peça a ser no aporte térmico (variação máxima de 0,89 para 0,97 kJ/mm,
soldada (polaridade do eletrodo positiva). Estes mecanismos Tabela 1). Entretanto, segundo Lancaster[18], é de se esperar
podem ser baseados principalmente na existência de camadas de na soldagem com eletrodos consumíveis maciços e polaridade
óxidos na superfície do cátodo e, eventualmente, na formação negativa uma menor geração de calor na região da peça o que
de vapores metálicos em cátodos sem filme de óxidos [18,20]. tenderia a reduzir a largura e a penetração do cordão. Assim, os
Estas mudanças nos mecanismos de emissão a frio de elétrons aumentos observados na largura, penetração máxima e área de
podem resultar em alguma alteração no valor médio da tensão penetração com a mudança na polaridade do eletrodo de positiva
do arco, mesmo quando o comprimento do arco é mantido para negativa (na soldagem com 75%Ar-25%CO2 e uma mesma

Soldagem Insp. São Paulo, Vol. 13, No. 4, p.304-318, Out/Dez 2008 315
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velocidade de alimentação do arame) indicam que o arame Em princípio, deseja-se na soldagem de chapas grossas
tubular básico apresenta um comportamento distinto de arames de aços estruturais com o arame tubular básico condições de
maciços. Apesar da manutenção da proporção entre a velocidade boa estabilidade operacional e de maior produtividade (maior
de alimentação do arame e a velocidade de soldagem, percebeu- taxa de deposição). É desejável que essas condições sejam
se a tendência relatada de aumento da área depositada com a associadas a um cordão com boa aparência superficial, boa
mudança da polaridade do eletrodo de positiva para negativa penetração e ausência de descontinuidades. Também se almeja
na soldagem com 75%Ar-25%CO2 e uma mesma velocidade uma microestrutura com predominância de microconstituintes
de alimentação. Uma explicação poderia ser o aumento da capazes de favorecer a resistência mecânica, aliada a uma boa
eficiência de deposição com mudança da polaridade do eletrodo tenacidade e ductilidade da solda (por exemplo, com teores
de positiva para negativa, entretanto, de acordo com a Tabela mais altos de ferrita acicular e mais baixos de ferrita primária de
1, este aumento é muito pequeno (variação máxima de 85 para contorno de grão).
90 %). Dessa forma, acredita-se que este aumento na área De acordo com as macrografias das Figuras 5 e 6, percebe-
depositada também decorra de erros experimentais nos ajustes se que todas as condições operacionais avaliadas resultaram em
das velocidades de alimentação e de soldagem. O aumento da cordões com aparentemente os mesmos níveis de porosidades
diluição com a mudança da polaridade do eletrodo de positivo e inclusões de escória. Entretanto, percebe-se a presença de
para negativo (na soldagem com 75%Ar-25%CO2 e uma mesma mordeduras na soldagem com 100%CO2, ilustrada na Figura 6,
velocidade de alimentação) é consistente com as menores na macrografia relativa à soldagem com polaridade do eletrodo
variações observadas na área depositada em relação à área de positiva e menor velocidade de alimentação do arame. De
penetração. O aumento da área depositada, associado ao menor acordo com a Tabela 1, as maiores taxas de deposição ocorreram
aumento da largura, também justificaria o aumento do reforço na soldagem com a maior velocidade de alimentação do arame
na soldagem com 75%Ar-25%CO2 para uma mesma velocidade (principalmente na soldagem com 75%Ar-25%CO2). As melhores
de alimentação do arame. De uma forma geral, para as soldas estabilidades operacionais e que também resultaram em cordões
com 100%CO2, o efeito da mudança de polaridade na geometria com boa aparência superficial ocorreram na soldagem por
do cordão depende da velocidade de alimentação do arame. A 75%Ar-25%CO2 (principalmente com a polaridade do eletrodo
Tabela 2 indica que uma mudança na polaridade do eletrodo negativa). De acordo com a Tabela 4, as microestruturas com
de positiva para negativa (na soldagem com 100%CO2 e com a maior dureza (capazes de favorecer a resistência mecânica)
maior velocidade de alimentação do arame) também aumenta a ocorreram na soldagem com 75%Ar-25%CO2 (principalmente
fusão do metal de base, resultando em aumentos da penetração para a menor velocidade de alimentação do arame). De
máxima (variação de 2,82 para 2,90 mm), da área de penetração acordo com a Tabela 3, os maiores teores de ferrita acicular
(variação de 21,42 para 23,06 mm2) e da diluição (variação de e os menores teores de ferrita primária de contorno de grão
59,40 para 63,05 %). (capazes de favorecer a tenacidade) ocorreram nas soldas com
Observando-se as microestruturas das Figuras 5 e 6 e os 75%Ar-25%CO2. Entretanto, de acordo com a Tabela 2, as
resultados da metalografia quantitativa apresentados na Tabela maiores penetrações ocorreram na soldagem com 100%CO2
3, percebe-se que a mudança na polaridade do eletrodo, para um (principalmente para a maior velocidade de alimentação do
mesmo do tipo de gás de proteção e velocidade de alimentação do arame associada à polaridade do eletrodo negativa).
arame, não afetou fortemente a microestrutura da zona fundida. Neste sentido, as condições de soldagem mais adequadas
Da mesma forma, a mudança na polaridade do eletrodo não envolveriam a utilização da polaridade negativa e a maior
alterou fortemente a dureza da zona fundida (variação máxima velocidade de alimentação do arame (9 m/min) com proteção
de 240 para 227 HV, Tabela 4). A mudança da polaridade por 75%Ar-25%CO2 (caso uma boa taxa de deposição, associada
positiva para a negativa tendeu a promover alguma variação na a uma boa estabilidade operacional, a uma boa aparência
diluição (variação máxima de 57,65 para 48,85 %, Tabela 2) e, superficial do cordão e a propriedades mecânicas adequadas da
assim, deve resultar em alguma variação na composição química solda, sejam os requisitos principais) ou por 100%CO2 (caso
da zona fundida. Da mesma forma, apesar do aporte térmico uma boa taxa de deposição, associada a uma boa penetração,
não ter variado significativamente com a polaridade (variação sejam os requisitos fundamentais).
máxima 1,24 para 1,43 kJ/mm, Tabela 1), é de se esperar que
ocorra alguma variação no rendimento térmico do processo 4. Conclusões
com a mudança da polaridade resultando, assim, em alguma
variação na velocidade de resfriamento das soldas. Os resultados
Para as condições avaliadas na soldagem sobre chapa em posição
indicam que estas eventuais variações na composição química
plana com o arame tubular básico, variando-se isoladamente a
e na velocidade de resfriamento com a mudança na polaridade
composição do gás de proteção, a polaridade do eletrodo e a
do eletrodo não devem ter sido fortes o suficiente para resultar
velocidade de alimentação do arame:
em maiores alterações microestruturais ou na dureza da zona
fundida.
• Um aumento da velocidade de alimentação do arame
3.4 Condições Operacionais Otimizadas (associada a um aumento proporcional na velocidade de
soldagem) eleva os valores médios de corrente e tensão

316 Soldagem Insp. São Paulo, Vol. 13, No. 4, p.304-318, Out/Dez 2008
Caracterização do Cordão na Soldagem FCAW com um Arame Tubular Básico

de soldagem e tende a reduzir a estabilidade operacional [2] AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Process. In:
(medida pelas oscilações de corrente e tensão) com proteção AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook, v.2,
de CO2 puro e aumentá-la com proteção de 75%Ar-25%CO2 8th ed., Miami: AWS, 1991. p.158-190.
e polaridade negativa. A velocidade do arame não pareceu [3] STARLING, C.M.D.; MODENESI, P.J. Modelo Proposto
afetar significativamente o nível de descontinuidades para a Fusão de Arames Tubulares, Soldagem & Inspeção, São
(porosidade, inclusões de escória e mordedura) nem a Paulo, v. 12, n.3, p.168-178, 2007.
microestrutura do cordão, embora tenham sido observadas [4] STARLING, C.M.D.; MODENESI, P.J. Avaliação da
variações na dureza e no formato do cordão. Transferência de Metal de Arames Tubulares, Soldagem &
Inspeção, São Paulo, v.11, n.3, p.147-155, 2006.
• Um aumento do teor de CO2 no gás de proteção eleva os
[5] STARLING, C.M.D.; MODENESI, P.J. Avaliação da
valores médios de corrente e tensão de soldagem e tende a
Velocidade de Fusão do Arame na Soldagem FCAW com
reduzir a estabilidade operacional (medida pelas oscilações
Eletrodo Negativo, Soldagem & Inspeção, São Paulo, v.10, n.1,
de corrente e tensão, eficiência de deposição e níveis de
p.31-37, 2005.
respingos e de irregularidades superficiais do cordão). O
[6] STARLING, C.M.D.; MODENESI, P.J. Efeito da Polaridade
aumento do teor de CO2 resultou em variações no formato do
do Eletrodo na Velocidade de Fusão de Arames Tubulares,
cordão com formação de uma microestrutura mais grosseira
Soldagem & Inspeção, São Paulo, v.10, n.3, p.101-108, 2005.
e de menor dureza (com menores teores de ferrita acicular)
[7] STARLING, C.M.D. et al. Avaliação da Velocidade de Fusão
e com aumento no nível de mordeduras e manutenção dos
de Arames Tubulares, Soldagem & Inspeção, São Paulo, v.9,
níveis de porosidades e inclusões de escória.
n.1, p.31-37, 2004.
• Uma mudança da polaridade do eletrodo de positiva para [8] OLIVEIRA, J.E.M.; BRACARENSE, A.Q. Estudo da
negativa resulta em pequenas variações nos valores médios Morfologia do Cordão de Solda Obtido com o Processo Arame
de corrente e tensão de soldagem e tende a aumentar a Tubular em Diferentes Posições de Soldagem. In: CONGRESSO
estabilidade operacional na soldagem com 75%Ar-25%CO2 NACIONAL DE SOLDAGEM, 29, 2003, São Paulo. Anais...
(medida pelas oscilações de corrente e tensão e níveis de São Paulo: Associação Brasileira de Soldagem, 2003, 12p.
respingos) e a reluzi-la na soldagem com CO2 puro (medida [9] ARAÚJO, W.R. Comparação entre a Soldagem Robotizada
pelo nível de respingos). A mudança da polaridade não com Arame Sólido e “Metal Cored” - A ocorrência do “Finger”:
pareceu afetar significativamente o nível de descontinuidades 2004. 79p. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-Graduação
(porosidades, inclusões de escória e mordeduras), a em Eng. Mecânica, Escola de Engenharia da Universidade
microestrutura e a dureza do cordão, entretanto, na soldagem Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
com 75%Ar-25%CO2 , observou-se variações no formato do [10] BRAGA, E.M.; MOTA, C.A.M.; FARIAS, J.P. Uma
cordão. Contribuição ao Estudo da Soldagem a Arame Tubular
Autoprotegido em Corrente Pulsada. In: ENCONTRO
• As condições de soldagem mais adequadas envolveriam a
NACIONAL DE TECNOLOGIA DA SOLDAGEM, 24,
utilização da polaridade negativa e a maior velocidade de
1998, Fortaleza. Anais... São Paulo: Associação Brasileira de
alimentação do arame (9 m/min) com proteção por 75%Ar-
Soldagem, 1998. 10p.
25%CO2 (para uma boa taxa de deposição, associadas à
[11] BLACKMAN, S. et al. Pulsed MIG Welding with Gás-
adequadas estabilidade operacional, aparência superficial do
Shielded Flux Cored Wires - MIG Synergic Update, Welding &
cordão e propriedades mecânicas da solda) ou por 100%CO2
Metal Fabrication - Special Supplement, p.12-14, april 1998.
(para uma boa taxa de deposição, associada a uma boa
[12] SVOBODA, H. et al. Efecto de los Parámetros de Soldadura
penetração).
sobre las Propiedades de los Depósitos Ferríticos Aleados al
C-Mn-Ni Obtenidos con Alambres Tubulares de Relleno Rutílico
5. Agradecimentos y Metálico. In: CONGRESSO NACIONAL DE SOLDAGEM,
29, 2003, São Paulo. Anais... São Paulo: Associação Brasileira
Os autores agradecem a todos que contribuíram para a de Soldagem, 2003. 12p.
realização deste trabalho. Em particular à FAPEMIG pelo [13] VENTRELLA, V.A. Microestrutura e Tenacidade do Aço
apoio financeiro (concessão de Bolsa de Iniciação Científica API 5LX – Grau 70 Soldado com Arame Tubular AWS E-81T1-
e financiamento via Projeto TEC-423/06) e à ESAB pelo Ni1 e Eletrodo Revestido AWS E-8010-G. In: CONGRESSO
fornecimento dos arames tubulares. BRASILEIRO DE ENGENHARIA E CIÊNCIA DOS
MATERIAIS, 26, 2004, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre:
Associação Brasileira de Ciências Mecânicas, 2004. 15p.
6. Referências Bibliográficas [14] SANTOS NETO, N.F.; TREVISAN, R.E. Caracterização de
Juntas de Aço API 5L X-70 Soldadas pelo Processo de Soldagem
[1] MARQUES, P.V.; MODENESI, P.J.; BRACARENSE, A.Q. a Arco com Arame Tubular Autoprotegido. In: CONGRESSO
Soldagem Mig/Mag e com Arame Tubular. In: MARQUES, NACIONAL DE SOLDAGEM, 30, 2004, Rio de Janeiro.
P.V.; MODENESI, P.J.; BRACARENSE, A.Q. Soldagem: Anais... São Paulo: Associação Brasileira de Soldagem, 2004.
Fundamentos e Tecnologia. 1a. ed., Belo Horizonte: UFMG, 8p.
2005. p.233-261. [15] FALS, H.C.; TREVISAN, R.E. Características do

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Starling, C. M. D., Modenesi, P. J., Borba, T. M. D.

Trincamento Assistido pelo Hidrogênio de um Aço Microligado


Soldado pelo Processo FCAW. In: ENCONTRO NACIONAL
DE TECNOLOGIA DA SOLDAGEM, 24, 1998, Fortaleza.
Anais... São Paulo: Associação Brasileira de Soldagem, 1998.
10p.
[16] INTERNATIONAL INSTITUTE OF WELDING. IIW Doc.
n. IX-1533-88; Guide to the Light Microscope Examination of
Ferritic Steel Weld Metals. 1988. 20p.
[17] AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND
MATERIALS, Philadelphia. ASTM E562-89; Standard Test
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Manual Point Count. Philadelphia, 1989. Annual Book of ASTM
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