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I

“Assim disse o Eterno em relação aos profetas que conduzem o Meu povo ao
erro, que gritam ‘Haverá paz!’ quando têm alimento entre seus dentes e que
preveem guerra quando não lhe é oferecido alimento para suas bocas. Por isto,
noite se fará sobre vós para que não tenhais visão, e tal será para vós a
escuridão, que nada podereis adivinhar. E se ocultará o sol para os (falsos)
profetas, e negro será para eles o dia. E os (falsos) videntes serão
envergonhados, e os adivinhos se sentirão confusos.”

Miqueias Cap.3

Todos sabemos, ou, ao menos, temos uma noção, de como os judeus têm sido
maltratados, perseguidos e mortos, ao longo dos séculos.

Também sabemos, ou, ao menos, temos uma noção, de como muitas pessoas,
nestas últimas décadas, têm vindo a tomar conhecimento das suas raízes
judaicas, bem como de muitas outras que, não tendo conhecimento de alguma
ancestralidade judaica, se aproximam do judaísmo, por razões espirituais.

Infelizmente, em Israel, vive-se um momento conturbado, com várias


organizações e instituições, religiosas e seculares, a debater, acesamente, o
que fazer e como aceitar (ou não) estas pessoas que se aproximam/retornam.

Toda esta indefinição tem sido a base para o aparecimento de muitos “falsos
profetas”, “professores”, “doutores” e quejandos, que, explorando as legítimas
aspirações daqueles que se aproximam do judaísmo, com o coração puro, mas
também – naturalmente – desconhecedores da realidade judaica, têm “sacado
o que podem” aos incautos.

Cuidado! Muito cuidado com esses “falsos profetas”. O bom aspecto, o


discurso fluente, a aparente generosidade, são, apenas, os fios com que tecem
as suas teias de engano e perfídia, prontos para o bote final na presa, assim
que possível.

O Profeta Miqueias, há quase três mil anos, já nos prevenia contra pessoas
assim.

Usem as suas palavras e a sua sabedoria todos aqueles que se


aproximam…escutem, apreciem, vejam, pensem, reflitam e meditem sobre
tudo o que lhes é ensinado. Essa é uma das lições mais importantes do
judaísmo: não se limitem a “aceitar”; questionem, perguntem, peçam
esclarecimentos, acima de tudo, leiam os textos. Um verdadeiro professor
estará sempre disposto a explicar (e, quando não souber como explicar, irá
estudar o assunto, para depois dar uma resposta esclarecedora).
II

“Os frutos refletem o que está em nosso interior” Job 15

Como judeu que sou, intransigente defensor da verdade, da justiça, da


igualdade e da honestidade de carácter, não consigo – e não quero - ficar
calado perante tantos maus procedimentos e tanto engano, como o que se tem
visto, nestes últimos tempos, um pouco por todo o lado.

Todas as grandes vitórias da maldade, ao longo da história humana, têm


resultado não daqueles que colaboram com os maléficos, mas de todos
aqueles que vendo a maldade surgir e se agigantar, ficam indiferentes e nada
fazem porque “não me está a atacar a mim, mas sim ao meu vizinho”…

Infelizmente, não têm aprendido com a História, porque, ao fazer as contas


finais, os indiferentes acabam por ser, também, vítimas da sua indiferença, e
quando, finalmente, tentam fazer algo para fugir ou combater o mal, já é
demasiado tarde.

Eu não sou indiferente…

Pelos frutos conhecereis os professores…pelos seus actos e atitudes, não


pelas suas palavras.