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As Deusas do Olimpo

Hera - Além de irmã de Zeus, também foi a sua mulher oficial. Protetora do
matrimônio, extremamente ciumenta, buscava castigar as mulheres pelas quais
Zeus se apaixonava. Não perdoava aqueles(as) que a ofendiam.
As mulheres casadas invocavam o seu auxílio no momento do parto. Em algumas
cidades, Ilítia ou Eileithyia, a divindade consagrada a esse acontecimento,
identificava-se com a própria Hera, em outras como sua filha. Os romanos
tratavam Hera como Juno.

Héstia - Deusa dos laços familiares, simbolizada pelo fogo da lareira. Cortejada
por Possêidon e Apolo, jurou virgindade perante Zeus; embora não apareça com
frequência nas histórias mitológicas, era admirada por todos os deuses. Quando
os gregos fundavam cidades fora da Grécia, levavam o fogo da lareira como
símbolo da ligação com a terra mater. Em Roma era cultuada como Vesta; suas
sacerdotisas eram chamadas vestais, e faziam voto de castidade.

Deméter - Deusa da terra fértil, dos campos e dos cereais, especialmente do trigo.
Era uma das deusas mais antigas, associada a Géia e à sua própria mãe Réia. Seu
culto era praticado em diversas regiões do mundo helênico, onde assumia os
nomes de Cibeles (Frígia), Ísis (Egito) e Ceres (Roma).

Ártemis - Deusa das florestas, da caça e dos animais selvagens. Em algumas


cidades era a deusa da fertilidade e do nascimento das crianças; também era
considerada a divindade da luminosidade lunar, e protetora da juventude
feminina. Existiam contradições nos papéis a ela atribuídos. Ao mesmo tempo em
que era a deusa da caça, protegia os animais, especialmente os cervos; embora
fosse virgem, virtude que foi defendida em vários mitos, protegia os partos. Era
descrita como uma mulher alta, que se destacava das ninfas que a
acompanhavam; portava arco e flecha, e era rodeada por uma matilha. Também é
representada com cabelo preso e seios à mostra. Em Roma era venerada como
Diana.

Atena - Deusa da sabedoria, indústria, justiça, guerra e artes. Era filha somente de
Zeus, que ao sentir uma terrível dor de cabeça, pediu a Hefesto, deus do fogo e
padroeiro dos artesãos, lhe abrisse o crânio; então, dele saltou Atena, já adulta.
Atena teria sido concebida por Métis, a antiga deusa da prudência, que em alguns
mitos foi a primeira mulher de Zeus, porém havia uma profecia de que a criança o
destronaria; então, Zeus devorou Métis, e teve Atena sozinho.

Na guerra, Atena associava-se ao combate individual, estratégia e justiça,


diferentemente de Ares, que tinha prazer apenas pela brutalidade. O atributo da
vitória era em algumas cidades consagrado a Atena, em outras aparecia Nike,
uma deusa específica para a vitória, representada por uma mulher alada. Minerva
era o nome que os romanos designaram para Atena, e Victória para Nike.

Afrodite - Deusa do amor, beleza e êxtase sexual. De acordo com Hesíodo,


nasceu quando Urano foi castrado por Cronos, que atirou os órgãos genitais ao
mar; um turbilhão levantou-se e dele ela surgiu. Há uma outra versão em que
Afrodite é filha de Zeus e Dione. Afrodite era uma deusa de origem asiática,
similar a Ishtar da Mesopotâmia, e a Ashtart sírio-palestina. Seus símbolos eram o
delfim, o pombo, o cisne, a romã e a limeira. A presença de Afrodite causou um
alvoroço no Olimpo; Zeus, temendo uma briga entre os deuses, por causa dos
seus encantos, resolveu casá-la com Hefesto, deus do fogo e
ferreiro dos deuses, por ele considerado o mais estável emocionalmente; também
se conta que foi uma forma de Zeus castigá-la pela vaidade.
O casamento não deu certo; a bela, alegre e atraente deusa não se encantou pelo
feio, coxo e encardido ferreiro, e o traiu com Ares. Eros, o garoto alado que
atirava as flechas para que as pessoas se apaixonassem, é filho dessa união. Em
Roma, Afrodite foi cultuada como Vênus, e Eros como Cupido.

Os Deuses do Olimpo

Zeus - É o chefe supremo do Panteão Olímpico grego. Seu nome, de origem indo-
européia, significa resplandecente, brilhante; é associado ao trovão e ao raio.
Homero o chama de "Pai dos deuses e dos homens", colocando-o na posição de
patriarca ou chefe de tribo, responsável pela justiça e pela ordem moral e social
da Grécia. É representado como um homem robusto, majestoso, com uma barba
imponente. Era o deus mais venerado da Grécia, e o seu principal centro de culto
era em Olímpia. Zeus inspirou muitos mitos e lendas na literatura grega,
sobretudo pela quantidade de mulheres que possuiu. Tinha como mulher oficial
Hera, uma de suas irmãs. Na religião romana, Zeus era conhecido como Júpiter.

Posseidon - Era o senhor do mar, segundo em importância na escala do Olimpo,


pois para os gregos o comércio marítimo era uma peça fundamental da economia.
Posseidon tinha um esplendoroso palácio no fundo do mar; sua mulher era
Anfitrite, neta do titã Oceano. É representado como um homem de boa aparência,
barbudo, com um tridente nas mãos. Entre os romanos, era conhecido como
Netuno.

Hades - Dominava o mundo subterrâneo. Embora seja conhecido como o deus


dos mortos, era também chamado Pluto, o deus das riquezas contidas no subsolo.
Sombrio e sinistro, raramente visitava a Terra, e possuía um capacete ou elmo que
tornava qualquer um invisível. Costuma ser representado num carro de ouro, com
a cornucópia da abundância nas mãos. Sua mulher era Perséfone, filha de Zeus e
da irmã de ambos, Deméter.
Ares - Deus da guerra, filho de Zeus e Hera. A sua figura surgiu na época em que
o ferro passou a ser utilizado para a fabricação de espadas e escudos, e os
Exércitos passaram a ter normas precisas para ataque e defesa. Possuía um caráter
violento, apreciava cenas brutais e tinha prazer em observar a dor alheia. Ares
não era cultuado na Grécia, onde o povo preferia a concórdia e a harmonia. Por
essa razão, era muitas vezes o derrotado nos mitos gregos; Atena, deusa da
sabedoria, o venceu várias vezes, o que era uma forma de demonstrar o triunfo da
razão sobre a brutalidade. A versão romana de Ares é Marte.

Apolo - Deus do sol, irmão gêmeo de Ártemis, deusa da caça, filho de Zeus e
Leto, filha dos titãs Coeus e Phoebe, tios de Zeus. Tinha qualidades atléticas,
musicais e poéticas, possuía uma bela voz e tocava lira; os gregos o invocavam
também em relação à medicina, criação de gado, agricultura e no manejo do arco
e flecha. Era também o deus das profecias, concedendo esse dom aos humanos
que apreciava; o seu oráculo em Delfos, era o mais célebre do mundo helênico.
Os atributos de Apolo eram relativos à sua luminosidade, e integravam o modelo
ideal do homem grego, capaz de equilibrar heroísmo, beleza e sabedoria. Alguns
mitos o colocam também como impiedoso e cruel, como no caso da
transformação da ninfa Dafne numa árvore.

Hermes - Conhecido como o mensageiro dos deuses, era filho de Zeus com a
ninfa Maia, filha de Atlas, neta dos titãs Oceano e Thétis; Zeus a possuiu na
calada da noite, enquanto Hera dormia, e Hermes nasceu pela manhã. Foi o deus
dos pastores, viajantes por via terrestre, mercadores, pesos e medidas, atletas, e
ladrões; venerado pela astúcia e sagacidade, inspirava também a literatura e a
oratória. Ainda dedicava-se à música, sendo o inventor da lira e da flauta; no
campo esportivo, era considerado o criador do pedestrianismo e do pugilismo.
Como mensageiro dos deuses, guiava as almas dos mortos para o mundo
subterrâneo, e também estava associado com a transmissão dos sonhos aos
mortais. Hermes é representado por um jovem bonito, de porte atlético, com
sandálias e capacete alados, portando o caduceu, símbolo dos plenos poderes
como executor das ordens de Zeus, e do seu caráter conciliador. Em Roma era
venerado como Mercúrio

Hefesto - Deus do fogo, artesão divino, que produzia muitos dos objetos e
acessórios utilizados pelos deuses, inclusive os raios de Zeus. Hefesto, segundo
Hesíodo, foi gerado espontaneamente pela vingativa e ciumenta Hera, em
represália a paixão de Zeus por Métis. Porém, Hera decepcionada com a feiúra do
filho, o atirou Olimpo abaixo. Em outra versão, Zeus o atira por ter apoiado Hera
numa discussão. Como artesão, Hefesto pretendia Atena como mulher, por ser a
padroeira da indústria, mas ela o recusou por ser muito feio; em outra versão, ela
desaparece do leito nupcial, e Hefesto ejacula no chão; num conto semelhante, o
esperma derramado na coxa de Atena gera Erecteu, que foi rei de Atenas. Apesar
dos desencontros, ambos são muito venerados na cidade de Atenas, na qual as
manufaturas tinham um papel importante na economia. Hefesto também aparece
como o marido traído de Afrodite; depois desse episódio, segundo Homero
(Ilíada), desposou Aglaea, uma das Graças. Na mitologia romana era chamado
Vulcano.

Dionísio - Era um dos deuses mais populares. Conhecido em Roma como Baco, foi
caracterizado de duas maneiras: na primeira como o deus do vinho, da vegetação,
fertilidade, e também padroeiro do teatro; na segunda, como o iniciador no êxtase
místico resultante da entrega do corpo às substâncias inebriantes, com ênfase para as
bebidas alcoólicas. Assim, era o inspirador de cultos orgiásticos. Dionísio era filho
de Zeus com Semele, uma bela mortal a quem prometera satisfazer todos os desejos.
Semele pediu para ver Zeus em toda a sua majestade, mas os raios luminosos
procedentes dessa visão a carbonizaram; como estava esperando Dionísio, ela e o
filho em gestação foram para o Hades, de onde Zeus o resgatou, levou para o
Olimpo, costurando-o em sua coxa, de onde foi retirado ao completar a gestação. Há
outra versão em que Dionísio seria filho de Perséfone, deusa do mundo subterrâneo.