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Cinesiologia e

Biomecânica
Cinesiologia e
Biomecânica

João Paulo Manfré dos Santos


© 2016 por Editora e Distribuidora Educacional S.A

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Manfré, João Paulo


M276c Cinesiologia e biomecânica / João Paulo Manfré. –
Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016.
192 p.

ISBN 978-85-8482-275-1

 1. Cinesiologia. 2. Biomecânica. 3. Amplitude de


movimento. I. Título.

CDD 612

2016
Editora e Distribuidora Educacional S.A
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Sumário

Unidade 1 | Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 9


Seção 1 - História da cinesiologia e biomecânica 13
1.1 | Evolução histórica 13
Seção 2 - Introdução à análise do movimento 23
2.1 | Definições 23
2.2 | Revisão anatômica 27
2.3 | Ângulos de movimentos 31
2.4 | Terminologia básica do movimento humano 31
2.5 | Planos e eixos 37
Seção 3 - Conceitos sobre as unidades de força 41
3.1 | Torque ou momento de força 42
3.2 | Sistemas de força 42
3.3 | Aplicação da força 43
3.4 | Alavancas 43
3.5 | Formas de movimento 47

Unidade 2 | Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos


dos membros superiores 55
Seção 1 - Cintura Escapular 59
1.1 | Anatomia da Cintura Escapular 59
1.2 | Articulação Glenoumeral 60
1.3 | Articulação Esternoclavicular 62
1.4 | Articulação Acromioclavicular 62
1.5 | Articulação Escapulotorácica 63
1.6 | Movimentos da Escápula 63
1.7 | Movimentos do Ombro 66
Seção 2 - Cotovelo 73
2.1 | Revisão Anatômica 73
2.2 | Articulação Umeroradial 74
2.3 | Articulação Umeroulnar 74
2.4 | Articulação Radioulnar Proximal 75
2.5 | Movimentos do Cotovelo 76.
Seção 3 - Punho e Mão 81
3.1 | Punho 81
3.2 | Mão 82
3.3 | Articulação Trapeziometacárpica 84
3.4 | Articulações Carpometacárpicas 84
3.5 | Articulações Metacarpofalangeanas 85
3.6 | Articulações Interfalangeanas 86
3.7 | Movimentos 86

Unidade 3 | Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos


dos membros inferiores 97
Seção 1 - Quadril 101
1.1 | Revisão anatômica 101
1.2 | Cinesiologia do quadril 104
1.3 | Biomecânica do quadril 106
Seção 2 - Joelho 111
2.1 | Revisão anatômica do joelho 111
2.2 | Cinesiologia do joelho 112
2.3 | Biomecânica do joelho 116
Seção 3 - Tornozelo e pé 125
3.1 | Anatomia do tornozelo e pé 125
3.2 | Cinesiologia do tornozelo e pé 126
3.3 | Biomecânica do tornozelo e pé 129

Unidade 4 | Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos


do tronco 141
Seção 4 - Coluna cervical 145
1.1 | Revisão anatômica 145
1.1.1 | Curvas fisiológicas 146
1.1.2 | Vértebra típica 147
1.1.3 | Vértebras cervicais 148
1.1.4 | Articulações entre os corpos vertebrais 149
1.1.5 | Articulações entre arcos vertebrais 151
1.1.6 | Articulações especiais da coluna cervical 153
1.1.7 | Sistema muscular 153
1.1.8 | Anatomia neural 153
1.2 | Cinesiologia e biomecânica 157
1.2.1 | Forças atuantes sobre a coluna 160
Seção 2 - Coluna torácica 163
2.1 | Revisão anatômica 163
2.1.1 | Vértebras torácicas 163
2.1.2 | Tórax 164
2.1.3 | Articulações entre as costelas e as vértebras 165
2.2 | Cinesiologia e biomecânica 166
2.2.1 | Movimentos 166
2.2.2 | Forças e cargas 169
Seção 3 - Coluna lombar e pelve 171
3.1 | Revisão anatômica 171
3.1.1 | Vértebras lombares 171
3.1.2 | Sacro 172
3.1.3 | Cóccix 173
3.1.4 | Articulações sacroilíacas 173
3.2 | Cinesiologia e biomecânica da coluna lombar 174
3.2.1 | Estabilização da coluna 177
3.2.2 | Forças e cargas 181
3.2.3 | Papel do disco intervertebral 182
3.3 | Cinesiologia e biomecânica da pelve 183
3.3.1 | Curvas fisiológicas 184
Apresentação
Caro(a) aluno(a)! É com grande satisfação que apresento a disciplina de
Cinesiologia e Biomecânica. Nela entraremos nos estudos envolvendo o
movimento humano e a aplicação das leis da física, portanto, para alcançarmos os
objetivos de torná-lo(a) capaz de entender as características de cada movimento
e seus conceitos físicos, realizaremos uma breve revisão anatômica, pontuando
os aspectos principais para as análises para, em seguida, estudarmos os conceitos
básicos, os princípios e as leis que regem o movimento humano e, após, aplicarmos
este conhecimento nos movimentos dos membros superiores, membros inferiores
e tronco. Em todas as unidades, você encontrará leituras complementares, que são
extremamente úteis no aprofundamento de cada conteúdo, além de sugestões de
vídeos e questões norteadoras que auxiliarão na fixação do conteúdo.

Na Unidade 1, iniciaremos nossas atividades com uma viagem histórica com


os principais pensadores/filósofos/cientistas que tornaram possível termos essa
infinidade de conhecimento envolvendo o movimento humano; em seguida,
faremos uma revisão anatômica pautada na análise cinesiológica e biomecânica
para, finalmente, conhecermos os conceitos e as premissas básicas sobre os
conceitos físicos do movimento.

Na Unidade 2, estudaremos os movimentos e as aplicações das leis da física


nos movimentos dos membros superiores relacionados aos esportes, à dança, às
lutas e brincadeiras infantis, com foco para a formação do Professor de Educação
Física.

Na Unidade 3, examinaremos a cinesiologia e biomecânica dos movimentos


dos membros inferiores relacionando-os com a prática da Educação Física em
suas principais possibilidades.

Finalizando, na Unidade 4, aprenderemos como você poderá analisar os


movimentos que acontecem no tronco, contextualizando com sua prática
profissional.

Portanto, seja bem-vindo e mãos à obra!


Unidade 1

CONCEITOS BÁSICOS
DA CINESIOLOGIA E
BIOMECÂNICA
João Paulo Manfré dos Santos

Objetivos de aprendizagem:

Caríssimo aluno! Nessa unidade, você irá estudar os principais


pesquisadores que tiveram como objeto de estudo o movimento e suas
interfaces e a evolução no decorrer do tempo desta temática. Também,
irá conhecer suas definições e subdivisões, as conexões entre elas e sua
importância para a Educação Física. Em seguida, realizaremos uma breve,
mas pontual, revisão anatômica focada na análise do movimento humano.
E, por fim, você aprenderá os conceitos básicos para iniciar a compreensão
das análises do movimento humano.

Seção 1 | História da cinesiologia e biomecânica


O foco desta seção é apresentar os principais nomes dos pensadores e
pesquisadores que auxiliaram no desenvolvimento da ciência do movimento
humano, apresentando uma linhagem cronológica evidenciando a
importância do conhecimento prévio para posterior evolução.
U1

Seção 2 | Introdução à análise do movimento


Nesta seção, o aluno é convidado a conhecer as definições destas
duas áreas do conhecimento, suas subdivisões e conexões. Além de
realizar uma breve revisão anatômica e dos movimentos básicos do
corpo humano. Analisará os planos e eixos dos movimentos humanos,
que é um dos conteúdos mais importantes na análise do movimento,
com definições e exemplos bem elaborados e didáticos, visando ao
melhor entendimento por parte do aluno.

Seção 3 | Conceitos sobre as unidades de força


Aqui, o aluno terá um breve relato da definição de força, seus
componentes e mecanismos envolvidos e sua relação com a cinesiologia
e biomecânica. Também, objetiva ensinar o aluno sobre a definição
de alavanca, seus diferentes tipos e sua utilização no corpo humano,
permitindo que o analisador crie senso crítico sobre os movimentos e
as cargas impostas. Finalizando a unidade, fechamos com o objetivo
principal, que é a conceituação dos principais tipos de movimentos,
como o corpo é envolvido e ativado durante eles.

10 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Introdução à unidade

Prezado(a) aluno(a)! Preparado para ingressar nos estudos envolvendo os


movimentos? Nessa unidade iremos apresentar os principais estudiosos, trazendo-
os desde a Grécia Antiga até a Idade Moderna, com suas grandes contribuições
para o desenvolvimento desta área da ciência, permitindo que tivéssemos às
nossas mãos essa infinidade de informações.

Analisaremos os conceitos básicos envolvendo o movimento, a cinesiologia e


a biomecânica, suas unidades de força destacando a importância deste tema nos
estudos do movimento, as formas básicas de movimento e seus planos e eixos.

Assim, querido(a) aluno(a), esperamos que esse material seja importante na


evolução do seu conhecimento, auxiliando sua formação, permitindo uma visão
mais crítica e reflexiva envolvendo esta temática.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 11


U1

12 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Seção 1

História da cinesiologia e biomecânica

Introdução

Para entendermos em qual momento estamos dentro de determinada área da


ciência é imprescindível que façamos uma análise histórica focando no processo
evolutivo, assim, nesta seção, iremos estudar as pessoas que iniciaram e progrediram
com as análises dos movimentos, tanto em seu aspecto cinesiológico (movimento)
como biomecânico (aplicação das leis da física ao movimento).

1.1 Evolução histórica

O estudo do movimento (cinesiologia) teve início a partir da curiosidade de


grandes pensadores pelo comportamento motor animal, através da indagação sobre
o funcionamento dos gestos tão complexos e funcionais, surgindo questionamentos
sobre como ocorre a marcha do homem, como um peixe é capaz de nadar, como
um pássaro consegue voar, estabelecendo assim uma relação interessante entre a
cinesiologia com a antropologia (LEHMKUHL; SMITH, 1997).

Relatos históricos trazem que os estudos envolvendo o movimento humano


(cinesiologia) junto às análises das leis físicas aplicadas a ela (biomecânica) se
iniciaram na Grécia antiga, com Aristóteles (384-322 a.C.), que é considerado o
pai da cinesiologia. Conta-se que ele, ainda jovem, era apaixonado pela anatomia
dos seres vivos, que mais tarde se tornaria o primeiro livro sobre movimentos dos
animais analisando seus aspectos físicos e mecânicos, através de observações do
comportamento dos animais em seu ambiente natural, determinando conceitos que
descreviam as ações musculares, submetendo as ações dos músculos a uma análise
geométrica, descrevendo os braços de alavancas e outros mecanismos simples
do movimento (ENOKA, 2001; RASCH; BURKE, 1977). Esse trabalho serviu como
base aos trabalhos de outros grandes cientistas, como Galeno, Galileu, Borelli e
Newton (ENOKA, 2001). Assim, podemos compreender a importância da revolução
de Aristóteles na ciência, uma vez que tudo o que conhecemos na cinesiologia e
biomecânica se iniciou com ele, sem ter recursos tecnológicos à disposição.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 13


U1

Posteriormente, outro filósofo conseguiu grande destaque dentro desta área da


ciência, Arquimedes (287-212 a.C.), que pesquisou os efeitos da água, conseguiu
determinar os princípios que envolvem a hidrostática, principalmente no que
se refere à flutuação dos corpos, servindo de base até os dias atuais. Também,
revolucionou os conceitos de alavancas, item extremamente importante dentro da
análise biomecânica do movimento (LEHMKUHL; SMITH, 1997).

Os princípios de Arquimedes são utilizados, atualmente, em várias áreas


da Educação Física, destacando-se a natação, além disto, este cientista
também contribuiu com as leis das alavancas e na conceituação do
centro de gravidade.

Figura 1.1 | Arquimedes e a alavanca

Autor da célebre
frase: “Dê-me
uma alavanca
e um ponto
de apoio que
moverei o
mundo”.

Fonte: Disponível em: <http://revadeirgoulart.blogspot.com.


br/2010/12/deus-alavanca-que-move-o-universo-atos.html>.
Acesso em: 19 jul. 2015.

Mas, na verdade, quem iniciou o entendimento dos movimentos envolvendo seres


humanos foi Cláudio Galeno (131-202 d.C.), que era médico, através dos estudos
envolvendo as contrações musculares, escreveu as primeiras considerações sobre
as leis que regem o funcionamento muscular no livro “Sobre a função das partes”,
todavia, como ainda não havia conhecimento suficiente sobre a macroestrutura
muscular, tentou explicar como ocorria o encurtamento muscular, tendo sua teoria
revogada posteriormente com o conhecimento da neurofisiologia. Vale ressaltar
que suas contribuições foram importantíssimas no desenvolvimento da cinesiologia
e biomecânica, servindo como referência durante, aproximadamente, 1400 anos,
período em que quase não houve progressos em relação à biomecânica (RASCH;
BURKE, 1977).

14 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Após esse período de recessão, surgiu Leonardo da Vinci (1452-1519), trazendo


outro momento de evolução para a cinesiologia e a biomecânica. Através dos novos
estudos desenvolvidos por ele envolvendo seres humanos com análises estruturais
e na relação dela com o movimento e na associação entre o centro de gravidade, o
equilíbrio e o centro de resistência, estabeleceu análises sobre parâmetros mecânicos
do movimento, como os componentes vetoriais de força, coeficientes de fricção e
aceleração. Foi por meio destas pesquisas que ele conseguiu determinar a mecânica
envolvida na posição ereta (em pé), na marcha na descida e na subida, no levantar-
se da posição sentada e no salto (pulo). Ele também relatou em seus estudos o
comportamento dos músculos durante o movimento, através da observação da
interação de vários músculos durante o gesto motor, considerando a anatomia
humana dentro deste contexto mecânico, pesquisou as forças dos músculos agindo
nas inserções proximais e distais dentro da função articular (RASCH; BURKE, 1977).

Os dados das pesquisas sobre a mecânica da força muscular não foram


publicados durante séculos, tendo pouco impacto científico para a época!

Figura 1.2 | Leonardo da Vinci e a mecânica muscular

Fonte: Disponível em: <http://www.telegraph.co.uk/culture/art/leonardo-da-vinci/10202124/Leonardo-da-Vinci-


Anatomy-of-an-artist.html>. Acesso em: 19 jul. 2015.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 15


U1

Figura 1.3 | O homem vitruviano de Leonardo


da Vinci

Curioso
notar que Da
Vinci utilizou
desenhos como
uma forma de
exploração
do universo
da ciência,
principalmente
na engenharia
associada com
a anatomia e
biomecânica
(músculos e
articulações).

Fonte: Disponível em: <http://www.desenhoonline.com/site/wp-


content/uploads/Homem-Vitruviano-Leonardo-da-Vinci.jpg>.
Acesso em: 19 jul. 2015.

Foi através de seus desenhos que Leonardo da Vinci conseguiu observar e assim
determinar que os movimentos dos seres humanos eram regidos pelas leis da
mecânica (biomecânica) (MARTIN, 1999).

Posteriormente, foi Galileu Galilei (1464-1563) quem ganhou destaque na


evolução desta área: estabeleceu cálculos matemáticos preditivos no movimento
humano, utilizando as variáveis tempo (segundo, minuto, hora etc.), espaço
(centímetro, metro, quilômetro etc.), velocidade (m/s, km/h etc.). Descobertas
essas que firmaram um marco na cientificidade da cinesiologia e biomecânica
(MARTIN, 1999).

No século XVII, Giovanni Alfonso Borelli (1608-1679) aplicou o modelo


físico-matemático de Galileu Galilei à Medicina, tornando fundamental o papel
da biomecânica nos estudos funcionais dos seres humanos (MARTIN, 1999).
Borelli escreveu o primeiro livro sobre os efeitos das alavancas sobre o sistema
musculoesquelético, principalmente, sobre a força muscular; também definiu

16 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

o centro de gravidade do corpo humano, além da biomecânica da respiração,


definindo a inspiração como um processo ativo (dependente de ação muscular)
e a expiração como um processo passivo (dependente da elasticidade do tecido),
auxiliando no entendimento da fisiologia e fisiopatologia respiratória. “Moto
Animalium” foi a grande obra de Borelli, tornando-se um marco por ser o primeiro
livro de biomecânica (MAQUET, 1992).

Figura 1.4 | Moto Animalium

Fonte: Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Alfonso_Borelli>. Acesso em: 19 jul. 2015.

Naquela época, já foram estabelecidos os conceitos de centro de massa e de


centro de gravidade, apresentados na Tabela 1.1.

Tabela 1.1 | Centros de massa e de gravidade

Posicionamento Características

Ponto no qual a massa e peso se distribuem


Centro de massa
igualmente, atuando como um ponto de equilíbrio.
Ponto onde a soma dos torques produzidos pelos
Centro de gravidade
pesos dos segmentos corporais é igual a zero.
Fonte: Keller, Gettys e Skove (1997)

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 17


U1

Mas, com certeza, o grande nome da história na cinesiologia e biomecânica


foi Isaac Newton (1643-1727), visto que ele conseguiu evoluir grandemente
a cinesiologia e biomecânica, através da publicação das três leis de repouso e
movimento que estão apresentadas na Tabela 1.2. Ele foi responsável pela
elaboração da mecânica clássica (mecânica newtoniana).

Tabela 1.2 | Leis de Newton


Leis Características

Todo corpo permanecerá em repouso ou em movimento


1ª Lei Lei da inércia constante, uniforme e em linha reta, até que seja
submetido a forças externas.
A variação do movimento é proporcional à força aplicada
2ª Lei Lei do movimento
e à direção da ação.
Para cada ação existe uma reação, com mesma
3ª Lei Lei da interação
intensidade e direção, mas em sentido contrário.
Fonte: Keller, Gettys e Skove (1997)

Através das leis de Newton que se estabeleceram de forma evidente


a relação entre a cinesiologia e mecânica, além disto ele também
revolucionou as áreas das ciências exatas e biológicas, tendo sua
contribuição possibilitado a ida do homem à Lua.

Apesar da escassez de recursos tecnológicos na época,


Newton conseguiu revolucionar os conceitos da física que
até hoje utilizamos nos estudos, envolvendo o movimento
humano. Assim, qual é o caminho que você acredita que
caminharemos na análise do movimento e sua aplicação na
melhora do desempenho?

Posteriormente, tivemos os trabalhos dos irmãos Weber: Eduard Weber (1795-


1881) e Wilhelm Weber (1804-1891), que utilizaram a cronofotografia para analisar
a marcha através das leis simples da mecânica – eles compararam os movimentos
dos membros inferiores ao de um pêndulo. Em seguida, Étienne-Jules Marey

18 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

(1830-1904) progrediu com os estudos dos irmãos Weber, pioneiro na utilização


da cinematografia e utilizou seus inventos na cronofotografia para analisar a
velocidade da marcha, utilizando-se de fotos realizadas em diferentes ângulos,
além de realizar mecanismos de análise da força (RASCH, 1991). Já Eadweard
Muybridge (1830-1904) realizou pesquisas utilizando fotografia, sendo um marco na
cinemetria biomecânica, estabelecendo técnicas de registro do movimento e da sua
quantificação (MUNDERMANN et al., 2006; CAPOZZO, MARCHETTI & TOSI, 1992).

Figura 1.5 | Registros da fotogrametria de Muybridge

Fonte: Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Eadweard_Muybridge>. Acesso em: 3 set. 2015.

Christian Wilhekm Braune (1831-1892) e Otto Fischer (1889-1906) já iniciaram


análises semelhantes às quais estamos acostumados no estudo do movimento
humano. Eles utilizaram os conceitos da mecânica newtoniana para realizar
aferições das forças em algumas articulações, além de utilizarem a cronofotografia
para análise da marcha humana, porém com reconstrução tridimensional das
imagens a partir de registros bidimensionais combinados. Eles conseguiram essa
evolução gigantesca para época somente por serem extremamente rigorosos nas
suas práticas científicas (BAKER, 2007).

Enquanto John Hunter (1728-1793) contribuiu para evolução do conhecimento


do movimento humano, esclarecendo pontos importantes na relação da estrutura
do músculo e a potência muscular, foi com Guillaume Benjamin Amand Duchenne
(1806-1875) que foi descoberta a eletrofisiologia da contração muscular, por esse

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 19


U1

motivo, ele foi considerado pai da biomecânica moderna.

VOCÊ SABIA? A contração muscular ocorre através de uma estimulação


elétrica via SNC e que foi Duchenne (pai da biomecânica moderna)
quem estabeleceu esta relação.

Seguindo a linha da relação da fisiologia com a cinesiologia, Wilhelm Roux


(1850 – 1924) descobriu que a hipertrofia possui relação direta com magnitude do
trabalho muscular. Outro pesquisador, chamado John Hughlings Jackson (1834-
1911), contribuiu no entendimento do comportamento motor, formulando a teoria
da relação do córtex motor (cérebro) com o movimento muscular. E finalmente,
Henry Pickering Bowditch (1814-1911) demonstrou o princípio da contração do
“tudo ou nada”, importantíssimo na compreensão dos eventos cinéticos do corpo.

Com isto, Nikolai Bernstein (1940) foi um dos pioneiros a estabelecer


a biomecânica como ciência, estudando a coordenação e regulação do
movimento humano. Isto foi possível através da observação do sistema nervoso,
pela qual compreendeu a relação que as forças externas e internas que agem
sobre o corpo possuem sobre o controle neural do movimento. Desta forma, o
movimento integrado é dependente da interação de muitos sistemas que atuam
em cooperação. Ele também formulou o sistema hierárquico do sistema nervoso
no controle do movimento, no qual os níveis mais elevados ativam os níveis mais
baixos, que ativam as sinergias (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOTT, 1995).

Um mesmo comando central pode gerar movimentos diferentes devido


à interação entre as forças externas e as variações nas condições iniciais.

Atualmente, observam-se estudos envolvendo a relação entre a cinesiologia com


a psicologia, através de fatores motivacionais, aspectos culturais, personalidade,
aspectos sociais, criatividade, entre outros. Associado a isto, a biomecânica moderna
utiliza-se de forma sistemática de todos os recursos provenientes do avanço
tecnológico atual, com uso de computadores, softwares especializados, plataformas
de força, células de carga sensíveis, entre outros. Portanto, é só esperar que novos
grandes nomes surgirão para completar todo o conhecimento já adquirido dentro
da cinesiologia e biomecânica e revolucionar tudo o que sabemos.

20 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Acesse: <http://valdecidionisio.com.br/cinesiologia-e-biomecanica>.
Acesso em: 23 nov. 2015.
Neste texto, você terá um excelente resumo do contexto histórico
envolvendo a cinesiologia e biomecânica, além do autor trabalhar
uma forma simples de conceituar a cinesiologia e biomecânica.

1. Desde a Grécia Antiga observam-se relatos de análises


do movimento humano. Neste contexto destacaram-se
Aristóteles e Arquimedes, seus estudos foram baseados
basicamente em:
a) Análise cronofotográfica de atletas olímpicos.
b) Estudo das forças de reação do solo durante o equilíbrio
unipodal.
c) Análise tridimensional através dos desenhos dos
músculos humanos.
d) Observação dos gestos motores tanto de animais quanto
de humanos.
e) Descoberta dos componentes elétricos do sistema
nervoso central.

2. Foi através das três leis de Newton que a biomecânica


se desenvolveu de forma grandiosa. Assim, assinale a
alternativa correta sobre as leis de Newton.
a) A primeira lei de Newton é conhecida como lei da
hidrostática.
b) A primeira lei de Newton define que todo corpo em
repouso permanecerá em repouso até que forças externas
alterem este estado.
c) A segunda lei de Newton é estabelecida como a lei da
gravidade.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 21


U1

d) A segunda lei de Newton traz que a variação do


movimento é inversamente proporcional à força aplicada.
e) A terceira lei de Newton é estabelecida como lei da
interação.

3. Assinale a alternativa correta sobre os conceitos que se


relacionam com a cinesiologia e a biomecânica.
a) Biomecânica é a ciência que aplica as leis da mecânica
ao funcionamento dos órgãos e sistemas.
b) A biomecânica utiliza recursos bioquímicos nas análises
do movimento.
c) Cinesiologia é a ciência que estuda os princípios das leis
físicas no meio aquático.
d) Na cinesiologia, os estudos se iniciaram através da
observação do comportamento motor dos animais após a
Revolução Industrial.
e) Os estudos das forças e reações sobre o movimento
humano estão intimamente relacionados com a
biomecânica.

22 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Seção 2

Introdução à análise do movimento

Introdução

Agora que analisamos a evolução histórica da Cinesiologia e Biomecânica,


iremos iniciar o aprendizado dos conceitos básicos que são fundamentais para
as análises mais complexas da Cinesiologia e Biomecânica, pois apesar de serem
disciplinas/áreas do conhecimento específicas dentro da grade curricular do
curso de Educação Física, elas se relacionam diretamente com outras disciplinas,
evidenciando sua importância na formação profissional, estando presente em
tópicos como Educação Física Adaptada, Fisiologia do Exercício, Comportamento
Motor, Treinamento Atlético, História do Esporte, Pedagogia do Esporte, Filosofia do
Esporte, Arte do Esporte e Psicologia do Esporte.

2.1 Definições

Caro amigo leitor! Você irá encontrar termos que podem não ser comuns, “ainda”,
no seu dia a dia. Por isso, nós veremos o que significa cada um destes termos,
definindo suas principais características, buscando exemplos simples e que estarão
de acordo com a prática da Educação Física.

O que é cinesiologia? Cinesiologia pode ser definida como o estudo da estrutura


e da função do sistema musculoesquelético, combinando conhecimentos de
anatomia, histologia, antropologia e mecânica, aplicados ao movimento humano
ou gesto motor (SMITH; WEISS; LEHMKUHL, 1997). Em resumo, é o estudo científico
do movimento humano, determinado por suas fontes e características (HAMIL;
KNUTZEN, 1999).

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 23


U1

Cinesiologia, palavra de origem grega.


Kinesis = Mover.
Ologia = Estudar.

Agora que já sabemos o que é cinesiologia, também, é importante definirmos


biomecânica, que é determinada como o estudo de princípios mecânicos de
organismos vivos, investigando o movimento sob estes aspectos, suas causas e
seus efeitos, utilizando-se de modelos físico-matemáticos, dentro das leis e normas
mecânicas (WINTER, 1990). Pode ser dividida em qualitativa (quando as análises
envolvem observação e descrição da mecânica do movimento) ou quantitativa
(realizando alguma medida objetiva mecânica do gesto motor). Em resumo, é
o desenvolvimento e emprego de metodologias específicas para o estudo do
movimento humano sob a ótica de Newton (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

EXEMPLO:
Para avaliar o movimento do seu aluno de levantar da cadeira, pode-
se mensurar as forças articulares que agem nos membros inferiores, a
força de reação do solo.

Como vimos, a aplicação dos conceitos da mecânica é muito importante


quando analisamos o movimento humano, assim temos a seguinte indagação:
mas o que é mecânica? Mecânica é a seção da física que estuda as ações de forças
sobre partícula e sistemas mecânicos, pode ser dividida em estática e dinâmica.
A mecânica estática aborda os sistemas que estão em um estado constante,
enquanto que a mecânica dinâmica trata de sistemas que estão submetidos às
mudanças de estados, alterando o movimento, variando a aceleração etc.

Desta forma, observa-se a dificuldade da divisão ou separação destas áreas do


conhecimento, quando na verdade elas devem ser analisadas conjuntamente para
que as conclusões sejam mais apuradas e rigorosas (HALL, 2000).

Assim, a biomecânica possui vários domínios de estudo, dos quais se destacam:

24 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Tabela 1.3 | Domínios da biomecânica


Domínios da biomecânica Características

Ramo que descreve a composição física dos movimentos,


Cinemática sem considerar as forças ou torques envolvidos.
Atentando-se à velocidade, deslocamento e aceleração.
Analisa o comportamento dos ossos durante os
Osteocinemática
movimentos nos três planos de movimento.
Estabelece o comportamento mecânico das superfícies
Artrocinemática
articular durante os movimentos.
Descreve o movimento do corpo em relação ao tempo,
Cinética deslocamento, velocidade e aceleração. Aplicação pura da
física no movimento.
Fonte: Hamil e Knutzen (1999)

Como estudante de Educação Física, imagine e descreva uma


aplicação prática dos domínios da biomecânica.

No fluxograma a seguir, você poderá compreender melhor todas as áreas da


cinesiologia e biomecânica e as relações existentes entre elas.

Figura 1.6 | Fluxograma da cinesiologia e biomecânica

Biomecânica Cinesiologia

Anatomia
Cinemática Cinética
Funcional

Linear Angular Linear Angular

Posição Posição
Velocidade Velocidade Força Torque
Aceleração Aceleração

Fonte: Hamil e Knutzen (1999)

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 25


U1

ESSA É PARA GRAVAR!


A utilização das análises cinemáticas permitiu evoluções tanto dentro
do entendimento do funcionamento do movimento humano dentro
de várias condições como possibilitou a proposição de protocolos de
treinamento.

Pode-se observar na Figura 1.5 que a análise mecânica do movimento pode


ser dicotomizada em linear ou angular. O movimento linear é um movimento de
translação, ao longo de uma via curva ou reta. Enquanto que o movimento angular
é o que ocorre ao redor de algum ponto em diferentes regiões, eles ocorrem em
torno do eixo de rotação (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Figura 1.7 | Movimento angular

Fonte: Corrêa e Freire (2004)

Figura 1.8 | Movimento linear

Fonte: Adaptado de Correia e Freire (2004)

26 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Fica a dica! Todos os movimentos lineares dos seres humanos ocorrem como
consequências de contribuições angulares.

2.2 Revisão anatômica

Para se analisar os movimentos e as forças mecânicas envolvidas neste processo,


precisamos revisar alguns pontos básicos da anatomia humana, iniciando pela
divisão do esqueleto em axial e apendicular. O esqueleto axial é localizado na porção
mediana do corpo, composto por cabeça, costelas, esterno e coluna vertebral,
formando o eixo central. Enquanto que o esqueleto apendicular é composto
pelos ossos dos membros superiores e membros inferiores. Esses esqueletos axial
e apendicular são unidos por duas cinturas: escapular (superiormente) e pélvica
(inferiormente), que não fazem parte de nenhum esqueleto, tendo como função
“apenas” a união entre eles (MOORE; DALLEY, 2014).

No esqueleto apendicular superior, tem-se o úmero, ulna e rádio, ossos do carpo,


metacarpo e falanges. Enquanto que no esqueleto apendicular inferior encontra-se
o fêmur, tíbia, fíbula, tarso, metatarso e falanges (MOORE; DALLEY, 2014).

Assim, prezado leitor, observe na Figura 1.9 que o esqueleto axial corresponde
aos braços e as pernas, enquanto que o esqueleto apendicular corresponde ao
tronco e a pelve.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 27


U1

Figura 1.9 | Esqueletos axial e apendicular

Fonte: Disponível em: <http://morfofisiologiaciencia.blogspot.com.br/p/anatomia_13.html>. Acesso em: 4 set. 2015.

28 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

VOCÊ SABIA?
O esqueleto axial chega a possuir quase que 50% do peso de uma pessoa!
Os ossos são os elementos do esqueleto; eles são unidos pelas
articulações e mobilizados pelos músculos.

Além disto, é importante conhecer, também, a posição do corpo para as


análises de movimento, que são a posição anatômica e a posição fundamental.
A posição anatômica é estabelecida como a posição ereta, vertical, com os pés
ligeiramente separados e com os braços relaxados ao lado do corpo com as
palmas das mãos direcionadas para frente. A posição anatômica, como o próprio
nome sugere, foi definida como padrão pelos anatomistas (DÂNGELO; FATTINI,
2002; HAMILL; KNUTZEN, 1999; HALL, 2000; CALAIS-GERMAIN, 2002), para as
análises envolvendo o movimento humano (HALL, 2000).

Já a posição fundamental é definida como a posição ereta, vertical, com os


pés ligeiramente separados e com os braços relaxados ao lado do corpo com as
palmas das mãos direcionadas para o tronco (HAMILL; KNUTZEN, 1999). Enquanto
que pesquisadores de biomecânica preferem esta posição como padrão para suas
análises (HALL, 2000).

Figura 1.10 | Posição anatômica e posição fundamental

Fonte: Disponível em: <http://www.josepetri.com.br/2011/06/estudo-da-anatomia-funcao-do-esqueleto_06.


html>. Acesso em: 20 jul. 2015.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 29


U1

Agora, leitor, se você ler uma pesquisa de análise do movimento humano, irá,
com certeza, se deparar com alguns termos comuns nesta área. Assim, na descrição
da relação dos segmentos corporais com o movimento, outras terminologias
foram convencionadas:

Quadro 1.1 | Terminologia anatômica

Termo Características

Superior Cranial, ou seja, mais próximo do crânio (cabeça).

Inferior Caudal, ou seja, mais afastado inferiormente.

Anterior Parte da frente do corpo

Posterior Parte de trás do corpo

Medial Em direção à linha média do corpo

Lateral Em direção oposta à linha média do corpo

Mais próximo do tronco ou do ponto de origem


Proximal

Distal Mais distante do tronco ou do ponto de origem

Superficial Para a superfície do corpo

Profundo Para o interior do corpo, distante da superfície.

Contralateral Relativo ao lado oposto

Ipsilateral Relativo ao mesmo lado

Fonte: Adaptado de Hamil e Knutzen (1999).

30 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

2.3 Ângulos de movimentos

Você deve ter percebido que os movimentos podem ser analisados pelo seu
deslocamento, movimento linear, como podem ser estudados seus ângulos,
quando isto acontece, podemos utilizar duas formas de mensuração, que são os
ângulos relativos e os ângulos absolutos (HAMILL; KNUTZEN, 1999; HALL, 2000).

Quadro 1.2 | Ângulos relativos e ângulos absolutos

Ângulos Relativos Ângulos Absolutos

São aqueles Orientação angular:


ângulos segmento corporal
mensurados na em relação à linha
articulação de referência fixa

São os eixos
Devem ser
longitudinais
mensurados na
dos segmentos
mesma direção
corporais adjacentes

Parte sempre da
Medidos a partir de
posição 0º
um único ponto de
(posição
referência
anatômica)
Fonte: Hamil e Knutzen (1999)

VOCÊ SABIA?
A padronização da angulação serve para facilitar a comparação dos valores
dentro de uma prática profissional, além da utilização dentro da própria
pesquisa ou até mesmo comparando várias, tanto na prática profissional
como na pesquisa.

2.4 Terminologia básica do movimento humano

Como nosso objeto de estudo é o movimento humano dentro de todas as


suas possibilidades, é importante conhecermos os tipos de movimentos que
nosso corpo é capaz de executar. Para tanto, dividimos em movimentos básicos e
movimentos não comuns com vistas a tornar mais didático nosso estudo.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 31


U1

Dentre os movimentos básicos, listados na Tabela 1.4, há a descrição e os


exemplos dos movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna
e rotação externa.

Já na Tabela 1.5, você poderá observar a descrição dos movimentos não


comuns: hiperflexão, hiperextensão, hiperabdução, hiperadução, rotação para
direta e rotação para esquerda.

Tabela 1.4 | Movimentos básicos

Movimento Características Exemplo

Dobrar o cotovelo ao trazer um copo


Diminuição do ângulo concernente entre
Flexão de água na boca, ou ao dobrar o
dois segmentos.
joelho ao agachar.
Aumento do ângulo concernente entre Esticar o cotovelo quando
Extensão dois segmentos adjacentes, ou movimento espreguiçamos, ou quando
retorno da flexão. esticamos o joelho ao levantar.
Abrir os braços ou as pernas, como
Movimento onde há afastamento do membro
Abdução quando realizamos o exercício
da linha média do corpo ou do segmento.
denominado polichinelo.
Movimento contrário de abdução, ou seja, de
Adução Fechar os braços e a pernas.
retorno para a linha do corpo ou segmento.
Movimento que rotação ao redor de um eixo
vertical, que passa pelo segmento (membro)
Rodar o braço para dentro, quando
Rotação de modo que a superfície anterior do
realizamos uma queda de braço ou
Interna membro se move em direção à linha média
“francesinha”.
do corpo, enquanto a superfície posterior
move-se para longe da linha média.
Movimento oposto ao da rotação interna,
Rotação
onde a superfícies posterior do membro Rodar o braço ou a perna para fora.
Externa
move-se em direção à linha média do corpo.
Fonte: Hamil; Knutzen (1999)

Tabela 1.5 | Movimentos não comuns


Movimento Características

Hiperflexão Movimento de flexão que ultrapassa os 180º.

Hiperextensão Movimento de extensão que ultrapassa os 0º.

Hiperabdução Movimento de abdução que ultrapassa a linha média do corpo.

Hiperadução Movimento de adução que ultrapassa a posição 0 e cruza o corpo.

Rotação Para Movimento de rotação onde a parte anterior do segmento fica à direita e a
Direita posterior à esquerda.
Rotação Para Movimento de rotação onda a parte anterior do segmento fica à direita e a
Esquerda posterior à esquerda.
Fonte: Hamil; Knutzen (1999)

32 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Quais movimentos ocorrem quando um jogador de futebol


chuta uma bola?

Agora, analisaremos as características e as articulações envolvidas em cada um


dos movimentos do corpo humano.

a) Movimentos de flexão e extensão

Os movimentos de flexão e extensão ocorrem em muitas articulações,


principalmente nas articulações: intervertebrais, complexo do ombro, cotovelo,
punho, metacarpofalangeanas, interfalangeanas, coxofemoral, joelho e
metatarsofalangeanas. São movimentos observados em quase todas as articulações
sinoviais (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Esses movimentos podem acontecer em uma amplitude além da normal, neste


caso, são denominados de hiperflexão e hiperextensão, para que isto ocorra a

amplitude de movimento Figura 1.11 | Movimento de Jump


passará de 180° (HAMIL;
KNUTZEN, 1999).

Existem inúmeros
exemplos desses
movimentos, como o
ato de agachar (flexão de
quadril e joelho) e levantar
(extensão de quadril e
joelho), o ato de chutar
uma bola (extensão de
joelho), entre outros.

Fonte: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/ferzerbinato/fundamentos-


tecnicos-do-basquetebol>. Acesso em: 20 jul. 2015.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 33


U1

b) Movimentos de adução e abdução

Os movimentos de adução e Figura 1.12 | Movimentos de abdução e


abdução ocorrem nas articulações adução
esternoclavicular, ombro, punho,
metacarpofalangenas, quadril,
intertásucas e metatarsofalangeanas.
Esses movimentos não são muito
comuns (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Esses movimentos também podem


ser classificados como hiperabdução
ou hiperadução, desde que a
amplitude de movimento ultrapasse
os 180° (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Como exemplo deste gesto motor


temos como utilização muito comum
na prática do tênis.

Fonte: Disponível em: <http://cinesiologiacentral.


blogspot.com.br/2009_11_01_archive.html>. Acesso em:
3 set. 2015.

c) Movimentos de rotação lateral e medial

Os movimentos de rotação externa Figura 1.13 | Rotação lateral e medial


(lateral) e rotação interna (medial)
ocorrem nas articulações intervertebrais,
complexo do ombro, coxofemoral
e joelho. Quando eles ocorrerem na
cabeça ou tronco, eles são denominados
de rotação para direita ou rotação para
esquerda (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

São movimentos comuns em muitos


gestos esportivos no tênis, no vôlei e na
dança.

Fonte: Disponível em: <http://www.musculacao.net/


mitos-e-verdades-do-agachamento/>. Acesso em: 20
jul. 2015.

34 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

d) Movimentos diferenciados

Alguns movimentos são nomeados de movimentos especializados ou


diferenciados, ocorrem em algumas articulações, ainda que possam ser uma
variação dos seis movimentos mais comuns, tendo como característica principal é
a sua execução em apenas algumas regiões corporais com aquelas características
de planos e eixos, sendo eles:

Tabela 1.6 | Movimentos especializados


Região Corporal Movimento

Flexão lateral direita


Tronco Flexão lateral esquerda
Circundução
Rotação para baixo
Rotação para cima
Escápula
Depressão
Elevação
Dorsiflexão
Plantiflexão
Tornozelo
Inversão
Eversão
Flexão horizontal
Coxa
Extensão horizontal
Supinação
Antebraço
Pronação

Perna Circundução

Flexão horizontal
Braço Extensão horizontal
Circundução
Fonte: Hamil e Knutzen (1999).

Assim, para auxiliar na fixação do conteúdo, você observará na Tabela 1.7 quais
movimentos são executados em cada segmento corporal nas suas principais articulações.

Tabela 1.7 | Movimentos em cada segmento e articulações


Segmento Articulação Movimentos

Intervertebral Flexão, extensão, hiperflexão, hiperextensão, lateroflexão


Cabeça
Atlantoaxial direita, lateroflexão esquerda, circundução
Flexão, extensão, hiperflexão, hiperextensão, lateroflexão
Tronco Intervertebral
direita, lateroflexão esquerda, circundução

Braço Ombro Elevação, depressão

Braço/ Abdução (protação), adução (retração), rotação para cima,


Esternoclavicular
Cintura rotação para baixo
(continua)

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 35


U1

Escapular Acromioclavicular Elevação, depressão

Cotovelo Flexão, extensão, hiperextensão


Antebraço
Radioulnar Pronação, supinação
Flexão, extensão, hiperextensão, desvio radial, desvio ulnar,
Mão Punho
circundução
Metacarpofalangeanas Flexão, extensão, hiperextensão, adução, abdução,
Dedos
Interfalangeanas circundução
Carpometacárpica Flexão, extensão, adução, abdução, oposição, circundução
Polegar
Metacarpofalangeana Flexão, extensão
Flexão, extensão, hiperflexão, hiperextensão, abdução,
adução, hiperabdução, hiperadução, abdução horizontal,
Coxa Quadril
adução horizontal, rotação interna, rotação externa,
circundução
Flexão, extensão, hiperextensão, rotação interna, rotação
Perna Joelho
externa
Tornozelo Plantiflexão, dorsiflexão

Intertársica Inversão, eversão

Metatarsofalangeanas Flexão, extensão, adução, abdução, circundução


Artelhos
Intertársica Flexão, extensão
Fonte: Hamil e Knutzen (1999).

Agora que sabemos os movimentos e suas características, podemos começar


a estudar como eles são executados. Basicamente, eles ocorrem de duas formas:
em cadeia cinética aberta (CCA) ou em cadeia cinética fechada (CCF):

CCA CCF

Segmento não Segmento distal


está preso à terra está preso à terra
ou outro objeto ou a outro objeto
imóvel. imóvel.

Fonte: Fagan; Delahunt (2008); Souza; Ferreira; Medeiros et al. (2007).

36 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Figura 1.14 | Movimento em cadeia cinética Figura 1.15 | Movimento em cadeia


aberta cinética fechada

Fonte: Disponível em: <http://www.educacaofisicanaveia. Fonte: Disponível em: <http://movimentoemanalise.


com.br/contracao-muscular-contracao-isotonica-e- blogspot.com.br/2013/05/identifiquedois-movimentos-
isometrica/>. Acesso em: 20 jul. 2015. com-cadeia.html>. Acesso em: 20 jul. 2015.

2.5 Planos e eixos

Todos os movimentos, quando estudados, são feitos dentro de um método


universalmente utilizado, que facilita a padronização das análises, que são os
planos e eixos (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Esse método utiliza as três dimensões para estabelecer os parâmetros de


cada movimento de cada articulação corporal. Assim, três planos imaginários
são posicionados em ângulo reto, fazendo intersecção com o centro de massa
corporal. O plano seria o sentido que todo movimento respeita ao ser realizado, e
todo movimento precisa de um ponto de rotação (eixo) para ocorrer, assim todo
eixo é perpendicular ao plano (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Desta forma, os planos podem são, tradicionalmente, divididos em três:

Tabela 1.8 | Definição dos planos corporais


Plano Característica Movimentos

Divide o corpo em metades Flexão


Sagital
direta e esquerda Extensão
Separa o corpo em metades Abdução
Frontal
anterior e posterior Adução
Secciona o corpo em Rotação Interna
Transverso
metades superior e inferior Rotação Externa
Fonte: Hamil e Knutzen (1999)

Cruzando os planos temos os eixos, servindo como ponto de fixação para


que ocorram os movimentos, assim como os planos existem três eixos (HAMIL;
KNUTZEN, 1999), que são:

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 37


U1

Tabela 1.9 | Definição dos eixos corporais


Plano Característica Movimentos

Eixo que atravessa do


Flexão
Mediolateral lateralmente (direita para
Extensão
esquerda)
Eixo que atravessa o corpo Abdução
Sagital
ântero-posteriormente. Adução
Secciona o corpo em Rotação Interna
Longitudinal
metades superior e inferior Rotação Externa
Fonte: Hamil e Knutzen, 1999.

Os movimentos ocorrem na direção de um plano e sobre um eixo. Desta forma,


para facilitar a compreensão, agrupamos os eixos e os planos e seus respectivos
movimentos, apresentados na Tabela 1.10.

Tabela 1.10 | Movimentos e Seus Planos e Eixos


Plano Eixo Movimentos

Flexão
Sagital Mediolateral
Extensão
Abdução
Adução
Inversão do pé
Frontal Longitudinal
Eversão do pé
Lateroflexão da cabeça
Lateroflexão do tronco
Rotação de cabeça
Longitudinal Sagital Rotação de quadril
Rotação de tronco
Fonte: Hamil e Knutzen (1999)

VALE A PENA ASSISTIR!


Fonte: Disponível em:
<https://www.youtube.com/
watch?v=T2lYA216IEo>. Acesso em:
15 jul. 2015.

38 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Assim, prezado leitor, recomendo a leitura de alguns textos que auxiliarão na


fixação do conteúdo. Boa leitura!

• <http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewArticle/3709>.
Acesso em: 23 nov. 2015.

Neste texto, você terá uma dimensão da aplicabilidade da biomecânica na sua


futura prática profissional.

• <https://repositorio.utad.pt/handle/10348/2035>. Acesso em: 23 nov. 2015.

Neste artigo, você verá como as pesquisas na biomecânica são realizadas,


sendo sempre baseadas em objetivos que auxiliarão a prática profissional.

• <http://www.sbis.org.br/cbis/arquivos/1048.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2015.

Neste texto, podemos observar os caminhos futuros da biomecânica, neste


caso, sua aplicabilidade no desenvolvimento da robótica.

Esses sites também ajudarão na melhor compreensão do conteúdo


desta seção.
• <http://www.educacaofisicanaveia.com.br/cadeia-cinetica/>.
Acesso em: 23 nov. 2015.
• <http://fisiocordis.com.br/artigos/artigos/avaliacao-cinetica-e-
cinematica-do-movimento-humano/>. Acesso em: 23 nov. 2015.

IMPORTANTE!
Para analisar o movimento humano todos esses conceitos acima
mencionados são extremamente úteis e facilitam na descrição dos
estudos e dos relatos da prática profissional, assim, você já pode
imaginar como serão aplicados os conceitos de cadeia cinética, quais
movimentos podem ser destacados durante a prática profissional, por
isso a compressão destes pontos é extremamente importante.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 39


U1

1. Assinale a alternativa que contenha um movimento em


cadeia cinética fechada:
a. Chutar uma bola de futebol.
b. Saque no tênis.
c. Fortalecimento das pernas no “leg press” na academia.
d. Arremessar uma bola de basquete.
e. Nenhuma das alternativas.

2. Cada movimento ocorre em um determinado plano e


um determinado eixo, sendo assim, assinale a alternativa
correta da associação entre movimento/plano/eixo.
a. Flexão – Plano Frontal – Eixo Sagital.
b. Extensão – Plano Longitudinal – Eixo Sagital.
c. Rotação – Plano Sagital – Eixo Longitudinal.
d. Inversão – Plano Frontal – Eixo Longitudinal.
e. Abdução – Plano Sagital – Eixo mediolateral.

3. A cinemática é um ramo da biomecânica que estuda:


a. Ramo que descreve a composição física dos movimentos,
sem considerar as forças ou torques envolvidos.
b. Ramo que descreve a composição física dos movimentos,
considerando as forças ou torques envolvidos.
c. Aplicação pura da física no movimento, descrevendo a
velocidade e a aceleração.
d. Estabelece os comportamentos mecânicos da articulação
durante os movimentos.
e. Nenhuma das alternativas.

40 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Seção 3

Conceitos sobre unidades de força.

Introdução

Nesta seção abordaremos todas as variáveis que compõem essa parte da


biomecânica. Assim, precisamos definir inicialmente a variável força e suas unidades
de medida dentro da biomecânica. Além de destacar a importância destes conceitos
na sua prática profissional.

Conceituação

Força é definida como um ato capaz de pôr em movimentar um corpo ou de


alterar o movimento dele ou de deformá-lo. Na biomecânica, a força é estabelecida
como o máximo de esforço produzido por um músculo na sua inserção (HAMIL;
KNUTZEN, 1999). Quando utilizamos esse conceito como um componente do
movimento humano, existem elementos que precisam ser considerados. São eles:

Tabela 1.11 | Elementos que compõem a força


Elementos Características

Ponto de Aplicação É o local do corpo no qual há atuação direta da força.

É a orientação da força, no que con-cerne sua direção,


Sentido para direita ou pa-ra esquerda, para cima, para baixo, para
o centro, entre outros.
É a linha de ação da força, que pode ser horizontal,
Direção
vertical ou diagonal.

Intensidade É a magnitude da força aplicada.


Fonte: Vilas-Boas (2000)

A magnitude da força (intensidade), definida como a resultante dos vetores de


força, pode ser descrita, principalmente, de duas formas: em Newton (N) ou em
Quilograma Força (Kgf) (NEUMANN, 2010).

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 41


U1

Tabela 1.12 | Unidades de medida de força


Unidades de Medida Características

Definida como a magnitude de uma força sobre um corpo (massa igual


Newton (N)
a 1kg) a uma aceleração constante (1m/s2).
Definida como a magnitude da força de atração da Terra sobre um
Quilograma força (kgf) corpo (massa igual a 1 kg), ao nível do mar e a 45º de latitude. Ou seja, 1
kgf equivale ao peso de 1 litro de água.
Keller, Gettys e Skove (1997)

3.1 Torque ou momento de força

Torque é definido como o movimento de torção ou efeito rotatório criado pela


aplicação de uma força. Resultante da força aplicada num ponto de aplicação
multiplicados pela distância entre esse ponto e o centro do corpo, assim, ele pode
ser expresso da seguinte forma (TERRERI; GREVE; AMATUZZI, 2001):

T=F x d

Portanto, torque é a efetividade de uma força aplicada que causa uma rotação, sua
unidade de medida é expressa em Newtons-metro (N-m), existem muitos exemplos
de como o torque está presente nas nossas vidas, por exemplo, quando usamos uma
chave de boca para afrouxar a porca do parafuso (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Você sabia?

O momento de força e a velocidade angular são inversamente


proporcionais, ou seja, quanto maior a velocidade menor será o torque,
e vice-versa.

3.2 Sistemas de força

O leitor deve ter percebido que utilizamos muito nas subseções anteriores o
termo resultante, por isso, faz-se necessária sua definição. Quando temos mais
de uma força atuando sobre um corpo, podemos ter respostas diferentes, essas
respostas irão depender da direção de cada força e da magnitude delas, portanto,
essa resposta é chamada dentro da terminologia da biomecânica de resultante
(MCGINNIS, 2015).

Desta forma, podemos de ter duas condições:

1) Quando existem forças de direção e sentidos iguais, neste caso, a intensidade


da força resultante é equivalente à adição das intensidades das forças que compõem

42 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

esse sistema, assim, permanecendo a mesma direção e sentido.

2) Quando existem forças de mesma direção e sentido opostos, neste caso a


força resultante é igual à diferença entre as magnitudes das forças que compõem o
vetor, sendo a direção e o sentido iguais a da maior força componente (MCGINNIS,
2015).

3.3 Aplicação da força

A aplicação de forças pode gerar diferentes tipos de respostas, dependendo


no caso da direção dos vetores de força (se são concorrentes ou divergentes), da
magnitude deles e das características inerentes de cada superfície. Sendo assim, elas
podem gerar forças de pressão e forças de tração (MCGINNIS, 2015).

As forças de pressão são definidas como forças em direções iguais, entretanto,


com sentidos diferentes (opostos), aproximando-se do ponto onde a força foi
aplicada (MCGINNIS, 2015), também conhecido como colinear (HAMIL; KNUTZEN,
1999).

Também, podem ser geradas forças de tração, que são definidas como forças
aplicadas em direções opostas, distanciando-se do sentido do ponto de onde a
força foi aplicada (MCGINNIS, 2015).

Os vetores geralmente estão apresentados por setas, neste caso o comprimento


da seta indica a magnitude da força, e a unidade de medida adotada o Newton (N)
(HAMIL; KNUTZEN, 1999).

ANOTA AÍ
Os ossos são submetidos a forças repetidas (forças de pressão, de
flexão e de tração).

3.4 Alavancas

O conceito de alavanca pode ser definido como um sistema que contém uma
estrutura firme/rígida que pode ser girada ao redor de um ponto/eixo, na qual
duas forças são aplicadas em dois pontos. Existem variados exemplos de alavanca,
sendo que, no nosso corpo, temos o sistema musculoesquelético como principal
demonstrador. Assim, o ponto de apoio, onde a alavanca gira ao redor, no nosso
corpo, é realizado pela articulação (CALAIS-GERMAIN, 2002). Dessa forma, utilizamos

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 43


U1

alavancas tanto no gesto esportivo quanto nos movimentos simples e complexos da


dança, por exemplo, sempre com o objetivo de aumentar a força e a velocidade do
movimento, produzindo um ganho mecânico (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

O esqueleto humano é caracterizado como uma armadura móvel, através dos


quais ocorrem as alavancas (CALAIS-GERMAIN, 2002).

VOCÊ SABIA? O esqueleto humano serve como instrumento principal


para produção de movimento através das alavancas, mas também
proporciona restrições da amplitude de movimento articular (HAMIL;
KNUTZEN, 1999).

E, para que a alavanca seja movimentada, uma força precisa ser maior do
que a resistência, ou seja, a força precisa vencer a resistência, no caso do corpo
humano, representado pelos músculos, que são responsáveis por gerar a força e
o torque necessários para movimentar as articulações. Dentro da biomecânica,
esse componente é denominado de força motriz, que é proporcional à variação
do movimento (KELLER et al., 1997). A força motriz pode ser dividida em três partes
básicas (KELLER et al., 1997):

Tabela 1.13 | Elementos que compõem a Força Motriz


Elementos Características

É a força que precisa ser vencida. Quando analisamos no corpo


Resistência humano ela é representada como ela pode ser natu-ral, ou que pode ter
adicionada a ela uma força externa.
Definida pela distância perpendicular do pongo onde a força é aplicada
Braço de Po-tência
ao eixo de rotação. Também conhecido como braço de força.
Definido como a distância perpendicular ponto onde é aplicada a
Braço de Re-sistência
resistência até o eixo de rotação.
Fonte: Keller, Gettys e Skoves (1997).

Agora que conhecemos os elementos que compõem a força motriz, podemos


estabelecer como é realizada a classificação das alavancas.

44 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Tabela 1.14 | Classificação das Alavancas


Alavanca Característica

Eixo de rotação entre as for-ças


opostas. Ponto de apoio estabelecido
Gangorra;
1ª Classe (In- entre a Resis-tência (R) e a Potência
Balança com
terfixa ou de (P). Utilização muito comum para R x BR = P x BP
pesos;
Equilíbrio) sustentação da postura ou equilíbrio.
Pé de cabra.
Terá vantagem mecânica igual a 1,
maior que 1 ou menor que 1.
Eixo de rotação em uma ex-tremidade.
Resistência (R) posicionado entre o
Ponto de Apoio (PA) e a Potência (P).
Carrinho de mão
2ª Classe (In- Chamadas de braços de ala-vanca de
BP > BR Ficar na ponta do
ter-resistente) força, no qual o Braço de Potência (BP)
pé (bailarina).
é maior que o Braço de Resis-tência
(BR). Aqui a vantagem mecânica é
maior que 1.
Eixo de rotação em uma ex-tremidade.
Potência (P) posi-cionada entre o Maioria das ala-
Ponto de Apoio (PA) e a Resistência vancas do cor-po
3ª Classe (In- (R). Projetadas para gerar ve-locidade humano que foram
BP < BR
terpotente) às extremidades dos membros e projeta-das para ter
movimentar baixo peso a longa mais velocidade e
distância. A vantagem mecânica é menos força.
menor que 1.
Fonte: Keller, Gettys e Skoves (1997).

Cada alavanca fornecerá uma vantagem mecânica, sendo que nas alavancas
de primeira classe essa vantagem pode ser menor, igual ou maior que um, no
caso do corpo humano observamos ações da musculatura agonista e antagonista
simultaneamente. Nas alavancas de segunda classe, a vantagem é sempre maior
que um, ou seja, na cinesiologia e biomecânica o músculo ou força interna possui
maior vantagem mecânica que a força externa (resistência). Enquanto que nas
alavancas de terceira classe a vantagem mecânica é sempre menor que um, neste
caso, a maior vantagem mecânica será do peso externo, fato que ocorre na maioria
dos sistemas do corpo humano (NEUMANN, 2010). Você deve ter observado
que quando mencionamos que uma alavanca possui vantagem mecânica maior
que um, significa que ela tem que desenvolver menor força para movimentar
aquele braço de alavanca, enquanto que se ela for menor que um, haverá maior
necessidade de força para movimentá-la.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 45


U1

ISSO VOCÊ NÃO PODE ESQUECER


• Músculos agonistas são responsáveis pela execução dos movimentos.
• Músculos antagonistas são contrários aos que executam os
movimentos.

Assim, as alavancas podem gerar vantagens mecânicas, que são resultantes


da relação entre o braço de potência (gerador da força) e o braço de resistência
(gerador da resistência), podendo ser predita quantitativamente, através da relação
da magnitude do momento da força pela magnitude do momento da resistência,
sendo expressa desta forma (NEUMANN, 2010):

Braço de Potência
VM=
Braço de Resistência

Ou seja, para que ocorra equilíbrio, é estabelecido que a magnitude sobre o


braço de potência seja equivalente à magnitude do braço de resistência.

P x BP=R x BR
R x BR
P=
BP
P=BP ou R=BR

Então, o simples ato de se manter em equilíbrio estático requer que, pelo


menos, três condições devam ser atendidas:

• As forças verticais que incidem no corpo possuem resultante nula.

• As forças horizontais que incidem no corpo possuem resultante nula.

• A somatória dos torques tem que ser nula.

Note que em todas as condições a força resultante é zero, pois caso contrário
o corpo estaria acelerando (MCGINNIS, 2015). Assim, se um corpo for deslocado,
ele irá retornar à sua posição original.

46 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

3.5 Formas de movimento

Os movimentos do nosso corpo podem ocorrer de forma linear, angular ou


através da combinação delas.

Os movimentos lineares são movimentos retilíneos, translacionais. Neste


movimento, todos os pontos do corpo percorrem a mesma distância, a mesma
direção e no mesmo tempo. Esse movimento pode ser retilíneo ou curvilíneo.
Como exemplo temos a análise da velocidade de uma bola de futebol após um
chute (MCGINNIS, 2015).

Enquanto isso, os movimentos angulares envolvem movimentos que utilizam o


eixo de rotação (linha imaginária). São definidos como movimentos rotatórios ou
de rotação, ao redor do eixo que pode ocorrer dentro ou fora do corpo humano.
Neste caso podemos exemplificar como o balançar em uma barra na ginástica
olímpica, ou o salto mortal realizado por esses atletas (MCGINNIS, 2015).

É muito comum na biomecânica realizar a análise dos dois tipos de movimento,


geralmente, analisa-se o movimento linear e depois minuciosamente os
movimentos angulares de cada articulação (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Para isso os músculos devem se contrair e gerar variados tipos de ativação


muscular, que didaticamente são divididas em três:

Tabela 1.15 | Ativações musculares


Tipos
Características
de Ativação

Músculo produz força enquanto mantém comprimento constante.


Ativação isomé-trica
Neste caso, o torque interno é equivalente ao torque externo.
Ativação isotô-nica Músculo produz força enquanto se contrai. Neste caso o músculo se
concêntri-ca encurta. Torque interno maior que o torque externo.
Ativação isotô-nica Músculo produz uma força ativa enquanto se alonga. Neste caso, o
excêntrica músculo terá um torque externo maior que o torque interno.
Tipo de contração menos comum, geralmente faz-se uso de um
Ativação isoci-nética equipamento especial. Combina as características tanto da isometria
quanto da isotonia, mantendo uma velocidade angular controlada.
Fonte: Hall (2000)

Agora que sabemos os tipos de ativações, também classificamos os músculos


de acordo com a sua função no movimento ou no gesto motor.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 47


U1

Tabela 1.16 | Ação muscular


Classificação Características

Músculo ou grupo de músculo que está/estão envolvidos com o início e


Musculatura ago-nista
a execução do movimento.
Musculatura an- Músculo ou grupo de músculo que realiza ação oposta à de um
tagonista agonista.

Musculatura si-nergista Músculos que cooperam durante a execução de um movimento.

Fonte: Hall (2000)

Assim, amigo leitor, encerramos nossa unidade de estudo, contemplando os


objetivos de introduzi-lo nos conceitos e definições básicas da cinesiologia e
biomecânica, preparando-os para os estudos das unidades subsequentes.

Desta forma, recomendo a você algumas leituras complementares:


• <http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/32/102_-_
AnYlise_BiomecYnica_da_Marcha_Humana.pdf>. Acesso em: 23
nov. 2015.

Também, indico que navegue por alguns sites interessantes nesta


temática:
• <http://professoralexandrefisio.blogspot.com.br/2011/03/as-
alavancas-e-o-corpo-humano.html>. Acesso em: 23 nov. 2015.
• <http://www.mundoeducacao.com/fisica/alavancas.htm>.
Acesso em: 23 nov. 2015.

IMPORTANTE!
Cada movimento englobará tanto aspectos físicos (mecânicos) através
das forças e alavancas envolvidas, assim como aspectos biológicos
através das forças e alavancas envolvidas, assim como aspectos
biológicos através da contração agonista, do controle sinergista e da
ação antagonista, fazendo com que o mais simples movimento seja um
objeto complexo de estudo.

48 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

1. Durante um gesto motor nota-se que o sistema


musculoesquelético gera torque para que ele ocorra,
portanto, assinale a alternativa que contenha a afirmação
correta:
a. A musculatura antagonista é a responsável por gerar o
torque.
b. A musculatura sinergista é a responsável por gerar o
torque.
c. A musculatura agonista é a responsável por gerar o
torque.
d. A musculatura agonista é a responsável por fornecer o
braço de resistência.
e. Nenhuma das alternativas.

2. As alavancas são capazes gerar maior ou menor vantagem


mecânica. Desta forma, assinale a alternativa que contenha
a alavanca com menor vantagem mecânica:
a. Alavanca de primeira classe.
b. Alavanca de segunda classe.
c. Alavanca de terceira classe.
d. Alavanca de quarta classe.
e. Alavanca de quinta classe.

3. Quando se analisam as forças aplicadas em determinado


corpo na biomecânica, o foco passa a ser a unidade de
medida que é expressa em Newton (N) ou Quilograma
Força (kgf), portanto, assinale a alternativa que contenha o
elemento da força que é expressa em N ou em kgf.
a. Ponto de aplicação.
b. Sentido.
c. Direção.
d. Intensidade.
e. Nenhuma das alternativas.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 49


U1

O estudo do movimento humano e toda sua complexidade


começou há muito tempo. Assim leitor, você deve
compreender os conceitos sobre os mecanismos envolvidos
no desenvolvimento da força, os tipos de movimentos e as
características relacionadas aos planos e eixos, assim como as
formas de execução em cadeia cinética, além de aplicação dos
conceitos da física ao movimento como no estudo das alavancas
e as possibilidades de utilização na prática profissional.

Por mais que a utilização da lei da física no movimento humano


possa parecer desafiador, você notará que, com o passar do
tempo e o aprofundamento dos estudos, essa análise ficará
cada vez mais simples e interessante. Desta forma, caso tenha
o interesse em aprofundar seu conhecimento nesta temática,
eu sugiro a busca das pesquisas atuais nas principais bases de
dados, nas quais se destacam o PubMed e o Scielo.

1. Como a biomecânica representa parâmetros de


determinação quantitativa e ou qualitativa referentes às
mudanças de lugar e posição do corpo humano, com auxílio
de medidas descritivas cinemáticas e dinâmicas, descreva
um exemplo de medida quantitativa e qualitativa.

50 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

2. A todo momento verificamos a utilização de alavancas em


práticas comuns e rotineiras, como no momento de trocar
um pneu furado de um carro, aliás, se analisarmos a chave
que vem de fábrica e a chave que os mecânicos utilizam,
você observará que existe uma diferença de tamanho,
sendo a do mecânico maior do que a que vem de fábrica.
Assim, explique através dos conceitos de alavanca quais as
diferenças e qual delas teria maior vantagem mecânica.

3. Cada pessoa possui suas particularidades morfológicas


e anatômicas. Assim, qual é o melhor método para realizar
um treino que utilize o máximo de desempenho da pessoa
durante toda a execução da força?
a) Exercício isotônico, pois o tônus muscular será o mesmo
durante todo o processo de fortalecimento.
b) Exercício isométrico, pois o comprimento muscular
permanecerá inalterado.
c) Exercício isocinético, pois a força será a mesma durante
todo a execução do exercício.
d) Exercício isocinético, pois a velocidade angular do
fortalecimento será o mesmo durante toda a execução do
exercício.
e) Exercício isométrico, pois o tônus muscular não será
alterado.

4. Pedro, sentia fortes dores no joelho após prática de


basquetebol. Ele procurou seu professor de Educação Física,
que o orientou sobre seu tipo de pisada e a necessidade de
realizar uma avaliação das forças de pressão para saber quais
pontos deveriam ser corrigidos para que as dores não fossem
novamente estimuladas após a prática do basquetebol.
Baseado nisto, qual seria o melhor domínio para avaliação
das forças de pressão da pisado do Pedro?
a) Cinemática, por considerar as forças envolvidas.
b) Estática, por analisar as forças de pressão envolvidas sem
movimento.
c) Cinemática, por analisar o comportamento dos ossos
durante os três planos de movimento.

Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica 51


U1

d) Cinética, por analisar as forças de pressão envolvidas sem


movimento.
e) Nenhuma das alternativas.

5. A todo momento verificamos os movimentos ocorrendo


nos mais simples gestos. Assim, se aplicarmos os conceitos
de cadeia cinética fechada ou aberta, podemos dicotomizar
esses movimentos. Por exemplo, o ato de elevar o pé
do chão seria caracterizado por cadeia cinética aberta,
enquanto que o ato de agachar seria caracterizado por
cadeia cinética fechada. Desta forma, exemplifique tanto a
cadeia cinética fechada como a cadeia cinética aberta em
um gesto esportivo.

52 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


U1

Referências

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U1

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40º, 60º, 90º de flexão de joelho. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 13,
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historical review. Surgical History, n. 69, p. 276-288, 1999.

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WINTER, D.A. Biomechanics and Motor Control of Human Movement, 2nd ed.,
New York: John Wiley & Sons, 1900.

54 Conceitos Básicos da Cinesiologia e Biomecânica


Unidade 2

CINESIOLOGIA E
BIOMECÂNICA RELACIONADA
AOS MOVIMENTOS DOS
MEMBROS SUPERIORES
João Paulo Manfré dos Santos

Objetivos de aprendizagem:

Prezado(a) aluno(a), nessa unidade, você irá aplicar os conceitos


aprendidos na Unidade 1 tendo como objeto de estudo os movimentos
que ocorrem nos membros superiores, tudo apresentado de forma simples
e sistemática com o objetivo da facilitar o entendimento do conteúdo
e a aplicação na prática profissional. Você notará que, para ficar mais
didático e sistemático o estudo, dividimos os conteúdos pelos três grandes
complexos articulares presentes neste segmento. Espero que ao final desta
unidade você seja capaz de entender os movimentos que ocorrem nos
membros superiores, quais estruturas estão envolvidas e alguns detalhes
biomecânicos que podem facilitar a aprendizagem do gesto motor.

Seção 1 | Cintura Escapular


O objetivo desta seção é relembrar as principais estruturas anatômicas
da cintura escapular, as relações entre elas, os movimentos que ocorrem e
como essas estruturas atuam e finalizando com conceitos de biomecânica.
U2

Seção 2 | Cotovelo
Nesta seção realizaremos uma revisão anatômica das estruturas
anatômicas cotovelo, como elas se relacionam entre si e, também,
como elas se relacionam com o complexo do ombro e o punho, além
de analisar os movimentos presentes nesta articulação e quais estruturas
atuam, aplicando os conceitos de biomecânica.

Seção 3 | Punho e Mão


O foco do estudo desta seção é fazer uma releitura anatômica do
punho e da mão, das relações entre os componentes ósseos, articulares
e musculares, e realizar uma interpretação dos principais movimentos
presentes nesta articulação e a atuação destes componentes dentro do
contexto biomecânico.

56 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Introdução à unidade
Leitor(a), a partir desta unidade realizaremos as análises sobre os movimentos,
neste caso os que ocorrem nos membros superiores, desde o estudo dos
componentes anatômicos do segmento (ossos, articulações, cápsulas articulares,
ligamentos, tendões e músculos) até a aplicação dos conceitos mecânicos do
movimento (planos, eixos, estabilização, força etc.).

Começaremos pela cintura escapular, analisando a relação entre a escápula,


clavícula e ombro, os movimentos isolados destas articulações e os movimentos
combinados e mais complexos.

Posteriormente, faremos as mesmas análises no cotovelo, estabelecendo, além


do descrito acima, a relação dele com o ombro e com o punho. E finalizaremos
com a análise cinesiológica e biomecânica do punho a da mão, destacando sua
importância funcional para realização de movimentos finos e precisos.

Desta forma, esperamos que todo o conteúdo que será apresentado seja útil na
sua formação e, futuramente, na sua prática profissional, corroborando para uma
melhor compreensão do gesto motor, proporcionando melhor desempenho e
elevação dos níveis de qualidade de vida da população.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 57


U2

58 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Seção 1

Cintura escapular

Introdução

Leitor(a), nesta seção você encontrará um conteúdo que abrange desde uma
revisão anatômica, passando pela descrição do movimento e dos músculos que
atuam, até como é fornecida a estabilidade das articulações e os componentes
mecânicos envolvidos na cintura escapular. Tudo de forma clara, com linguagem
mais simples e direta para facilitar a prática profissional no contexto da Licenciatura
em Educação Física.

1.1 Anatomia da cintura escapular

A cintura escapular possui uma função importantíssima no movimento


coordenado do membro superior, permitindo movimentos extremamente finos e
delicados, como a preensão e a manipulação, serem realizados. Para que isto seja
possível a cintura escapular funciona como um elemento de sustentação de peso e
facilitador da mobilidade, provendo estabilidade e força para os músculos do cíngulo
superior (CAILLIET, 2000).

Ela é basicamente formada por um osso plano sobre a superfície dorsal, a


escápula, conectada com o maior osso do membro superior, o úmero. Que tem
como função principal fazer a ligação dos membros superiores com o tronco,
utilizando o esterno como elemento de conexão central, tendo em vista que o
anel não é completamente fechado na face posterior. Esta característica permite
movimentos independentes do membro superior direito e do membro superior
esquerdo, auxiliando na característica de movimentos que requerem habilidades de
manipulação, destreza e coordenação motora fina (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

O complexo do ombro (cintura escapular) é formado por várias articulações:

• Articulação esternoclavicular.

• Articulação acromioclavicular.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 59


U2

• Articulação glenoumeral.

• Articulação escapulotorácica (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Figura 2.1 | Cintura Escapular

Clavícula Esterno
Escápula ou
omoplata

Úmero

Vista frontal

Fonte: Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pectoral_girdle_front_diagram_gl.svg?uselang=pt-


br>. Acesso em: 12 set. 2015.

Desta forma, observamos que o modelo anatômico da cintura escapular


é propício para que haja mobilidade no membro superior, permitindo que a
mão tenha abrangência dentro de uma esfera de movimento, limitada apenas
pelo comprimento do braço e do espaço tomado pelo corpo. Sua mecânica é
determinada pela combinação de suas articulações e músculos que controlam e
exercem essa mobilidade (KISNER; COLBY, 1998).

1.2 Articulação glenoumeral

A articulação glenoumeral é formada pela junção da cabeça do úmero com a


cavidade glenoide, que forma uma articulação sinovial, esferoide e multiaxial, com
grande amplitude de movimento e pequena estabilidade estática fornecida pelo
sistema ligamentar e cápsula articular (KISNER; COLBY, 1998).

Formada por um pequeno soquete raso (um quarto do tamanho da cabeça


umeral), aprofundada pelo lábio glenoide (margem de fibrocartilagem) que aumenta
em quase 75% a área de contato. Ela possui uma cápsula articular de volume
considerável, importante para permitir uma grande amplitude de movimento. Assim,
para que haja a estabilidade necessária, esta articulação utilizada tanto o sistema
ligamentar quanto o muscular para esta finalidade (HAMIL; KNUTZEN, 1999). Assim
a estabilização é fornecida:

• Anteriormente: pela cápsula articular, lábio glenoide, e fibras dos músculos

60 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

redondo menor e infra-espinhoso.

• Posteriormente: pela cápsula articular, lábio glenoide, e fibras dos músculos


redondo menor e infra-espinhoso.

• Superiormente (área de compressão): pela cápsula articular, lábio glenoide,


ligamento caracoumeral e os músculos supraespinhoso e a cabeça longa do
bíceps (HAMIL; KNUTZEN, 1999; DÂNGELO; FATTINI, 2007).

A estabilização estática é fornecida pelo lábio glenoidal e ligamentos glenoumerais,


absorvendo as forças de origem estática devido ao reposicionamento das estruturas
ósseas durante os movimentos, através da redistribuição das forças pelos ligamentos
coracoclaviculares e acromioclaviculares. Assim para deslocamentos pequenos
temos atuação do ligamento acromioclavicular, gerando 45% da força de estabilização
da articulação. Já em deslocamentos maiores os ligamentos coracoclaviculares
geram 88% da força de estabilização da articulação (KAPANDJI, 1990).

Os ligamentos glenoumerais tem importante atuação na estabilização durante


a abdução, sendo que na posição de abdução a 90°, os feixes médio e inferior
se tencionam, enquanto que o feixe superior se afrouxa, neste caso há maior

contato da cartilagem Figura 2.2 | Articulação Glenoumeral


articular, proporcionando
o fechamento da
articulação do ombro.
Durante a rotação
externa os três feixes são
tensionados, enquanto
que na rotação interna
eles ficam afrouxados. O
ligamento coracoumeral
apresenta relativa tensão
na extensão e flexão, e os
movimentos de rotação o
afrouxa permitindo maior
amplitude de movimento
(KAPANDJI, 1990).

Fonte: Dísponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Shoulder_


joint-pt.svg?uselang=pt-br>. Acesso em 12 set. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 61


U2

Assim, podemos perceber que os mecanismos de estabilização do complexo


do ombro são extremamente complexos e dependentes de várias estruturas,
evidenciando a importância do gestual correto que permita o máximo de
desempenho com o máximo de estabilidade.

1.3 Articulação esternoclavicular

A articulação esternoclavicular é o único ponto de ligação do membro superior


com o tronco (HAMIL; KNUTZEN, 1999). Ela une a extremidade medial da clavícula
com o manúbrio esternal e desta forma estabelece-se uma relação com a cintura
escapular. É uma articulação sinovial em sela, com um disco cartilaginoso, servindo
para absorção de choques que venham do membro superior para o esqueleto
axial. Essa articulação é estabilizada pelos ligamentos esternoclaviculares anterior
e posterior, ligamentos interclaviculares e costoclaviculares (BATES; HANSON,
1998). Esta articulação ainda recebe reforço do músculo subclávio, tornando-a
uma articulação resistente à luxação ou ruptura.

Figura 2.3 | Articulação Esternoclavicular

Fonte: Disponível em: <http://maurogracitelli.com/blog/>. Acesso em: 12 set. 2015.

1.4 Articulação acromioclavicular

Na extremidade distal da clavícula, temos a conexão com a escápula formando


a articulação acromioclavicular, localizada acima da cabeça do úmero, reforçada
por uma cápsula articular muito densa e ligamentos acima e abaixo (HAMIL;
KNUTZEN, 1999). É uma articulação sinovial plana que conecta a extremidade
lateral da clavícula com o acrômio da escápula, ela é estabilizada pelos ligamentos
acromioclaviculares superior e inferior. Como ela possui uma fixação forte, ela
permite que a escápula e a clavícula movam-se como uma unidade. Além disto,
transfere o choque do membro superior à extremidade distal da clavícula (BATES;
HANSON, 1998).

62 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Figura 2.4 | Articulação Acromioclavicular

Fonte: Disponível em: <http://eduardomalavolta.com/blog/luxacao-acromioclavicular>. Acesso em: 21 ago. 2015.

1.5 Articulação escapulotorácica

A articulação escapulotorácica é uma articulação falsa (funcional), na qual


ocorrem os movimentos da escápula sobre o tórax, partindo da premissa
básica de que a escápula participa de todos os movimentos dos membros
superiores. Ela é considerada falsa por não possuir contato ósseo, apenas relação
cinesiofisiológica, apoiando-se sobre os músculos serrátil anterior e subescapular
(HAMIL; KNUTZEN, 1999).
Figura 2.5 | Articulação Escapulotorácica

Fonte: Disponível em: <http://www.cpaqv.org/cinesiologia/cintura_escapular.pdf>. Acesso em: 03 set. 2015.

1.6 Movimentos da escápula

A escápula servindo como base para os movimentos do membro superior tem

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 63


U2

que se adaptar às condições de cada movimento, para executar sua função ela
também é responsável por alguns movimentos. Possui três graus de liberdade de
movimento, ou seja, existem três direções de movimentos que estão na Tabela 2.1.

Tabela 2.1 | Características dos Movimentos da Escápula


Movimento Descrição Plano Eixo

Elevação Escápula se eleva Frontal Longitudinal

Depressão Escápula se abaixa Frontal Longitudinal

Escápula se afasta da linha


Abdução ou Protação Sagital Mediolateral
média e da coluna torácica
Escápula se aproxima da linha
Adução ou Retração Sagital Mediolateral
média e da coluna torácica
Ângulo da escápula roda para
Rotação Para Cima Frontal Longitudinal
cima
Ângulo da escápula roda para
Rotação Para Baixo Frontal Longitudinal
baixo
Fonte: Hamil e Knutzen (1999).

Nos movimentos que ocorrem na escápula temos a atuação de vários grupos


musculares que se relacionam com a cintura escapular. Na elevação há ativação
dos músculos elevador da escápula e romboide maior. Já na depressão da

escápula há ação dos músculos peitoral Figura 2.6 | Movimentos da Articulação


menor e feixe inferior do trapézio. Acromioclavicular
Enquanto que na abdução e rotação
para cima da escápula o músculo que
executa esse movimento é o serrátil
anterior e peitoral menor. E na adução e
rotação para baixo da escápula temos a
ação dos músculos romboides, peitoral
menor e elevador da escápula (BATES;
HANSON, 1998).

Além disto, os movimentos que


ocorrem na escápula repercutem na
clavícula, cujo raio de deslocamento é
determinado pelo deslocamento dela
(HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Os movimentos da cintura escapular


Fonte:Disponívelem:<http://fisioterapiaeumpoucomais.
são sempre realizados pelos movimentos blogspot.com.br/2013/04/estudando-para-uma-
combinados da escápula com a clavícula, prova-teorica.html>. Acesso em: 24 ago. 2015.

64 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

resultando em elevação e depressão que ocorrem num eixo anteroposterior,


na elevação a extremidade esternal da clavícula deprime-se enquanto que a
extremidade acromial se eleva, assim como a escápula; enquanto que na depressão
a extremidade externa da clavícula eleva-se enquanto que a extremidade acromial
e a clavícula deprimem-se. Nos movimentos de protação e retração a clavícula
move-se num eixo vertical, neste caso sua extremidade esternal é fixa, permitindo
a rotação para frente (protação) ou para trás (retração) (HALL, 2000).

Já nos movimentos de rotação anterior (superior) e posterior (inferior), definida


pela posição que a parte superior da clavícula assume, assim o ângulo inferior
da articulação acromioclavicular fica orientado anterolateralmente e a cavidade
glenoide desloca-se súpero-lateralmente. Essa combinação de movimentos deve-
se à anatomia dos músculos que se ligam à escápula, exceto das fibras superiores
do trapézio e o peitoral menor, os quais todos se inserem próximo à borda medial
da escápula.

Outro ponto importante na análise do movimento escapular se dá pelo ritmo


escápulo-torácico, observado no movimento de abdução do ombro. O ritmo
escápulo-umeral ocorre através de uma abdução simultânea do braço com a
depressão da cabeça do úmero, pela ativação coordenada entre os músculos da
bainha e o deltoide (HALL, 2000).

A diferenciação do movimento ativo (90°) da abdução com a angulação passiva


(120º) ocorre pela rotação do úmero que comprime sobre o acrômio o ligamento
coracoacromial (CAILLIET, 2000). Caso o úmero esteja em rotação interna, essa
movimentação chega a apenas 60°, pois a compressão ocorre bem antes. Esses
60º adicionais para o arco atingir 180° são resultantes da rotação da escápula.

Durante o movimento de rotação observa-se uma tensão nos ligamentos


coracoclaviculares conoide e trapezoide, ocorrendo amplitude de movimento de
30° associado à rotação de 30° na articulação esternoclavicular. Enquanto que
na abdução há elevação de 10° da extremidade interna da clavícula com abertura
de 70° do ângulo escápulo-clavicular e 45° de rotação longitudinal da clavícula
para trás. Além disto, durante a extensão encontra-se um fechamento de 10° do
ângulo escápulo-clavicular. E na rotação interna observa-se uma abertura de 13°
do ângulo escápulo-clavicular (KAPANDJI, 1990).

A escápula na rotação eleva a cavidade glenoide, realizando rotação da clavícula


sobre seu eixo longitudinal através da fixação dos ligamentos coracoclaviculares à
extremidade exterior da clavícula, eleva sua extremidade externa sem alteração do
ângulo de elevação na articulação esternoclavicular proximal. Os primeiros 30° de
elevação da clavícula ocorrem na articulação esterno clavicular, os próximos 30°
ocorrem pela rotação da clavícula sobre seu eixo (KAPANDJI, 1990).

A clavícula movimenta-se no plano vertical em uma elevação de 10 cm e

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 65


U2

abaixamento de 3 cm, esse movimento de anteposição é limitado pelo ligamento


costoclavicular e anterior, e o movimento de retroposição pelo tensionamento
dos ligamentos costo-claviculares e posterior (KAPANDJI, 1990).

1.7 Movimentos do ombro

O ombro é uma articulação extremamente móvel, permitindo muita liberdade


para a extremidade do membro superior, os movimentos que ocorrem nesta
articulação estão descritos na Tabela 2.2.

Tabela 2.2 | Características dos Movimentos do Ombro


Movimento Descrição Plano Eixo

Flexão Braço vai para frente Sagital Mediolateral

Extensão Braço vai para trás Sagital Mediolateral

Abdução Elevação lateral do braço Frontal Sagital

Movimento de retorno da
Adução abdução, atravessando a frente Frontal Sagital
do corpo.

Rotação Interna Girar o úmero medialmente Transversal Longitudinal

Rotação Externa Girar o úmero lateralmente Transversal Longitudinal

Fonte: Hamil e Knutzen (1999)

O movimento de flexão possui uma amplitude de movimento em torno de


0° a 180° (MARQUES, 1997). Para que ele ocorra todo o complexo articular da
cintura escapular participa na execução do movimento (CAILLIET, 2000). Os
músculos que executam esse movimento são o deltoide anterior e peitoral maior
(BATES; HANSON, 1998). Podemos ter uma limitação na amplitude de movimento
se houver rotação externa, neste caso a amplitude máxima possível seria de 30º
(HAMIL; KNUTZEN, 1999).

No movimento de extensão a amplitude de movimento vai de 0° a 45°, com


ação dos músculos deltoide posterior, redondo maior, redondo menor, grande
dorsal e tríceps braquial (MARQUES, 1997).

O movimento de abdução tem amplitude de movimento de 0° a 180°, sendo


que a partir de 90° a escápula começa a se movimentar contiguamente (MARQUES,
1997). Os músculos que agem são o deltoide, supraespinhoso, infraespinhoso,
subescapular, redondo menor e cabeça longa do bíceps (BATES; HANSON,
1998). A limitação se dá quando há rotação interna concomitantemente, sendo
a amplitude máxima possível neste caso de apenas 60° (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

66 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

No movimento de adução a amplitude varia de 0° a 40° (MARQUES, 1997).


Tendo atuação dos músculos peitoral maior, grande dorsal, redondo maior e
subescapular (BATES; HANSON, 1997).

Já o movimento de rotação externa tem amplitude de movimento de 0° a 90°


(MARQUES, 1997). Os músculos que realizam esse movimento são o infraespinhoso,
deltoide posterior e redondo menor (BATES; HANSON, 1998).

Já no movimento de rotação interna a amplitude também varia de 0° a 90°


(MARQUES, 1997). Com ação dos músculos subescapular e redondo menor,
auxiliados pelo deltoide anterior, peitoral menor e bíceps braquial (BATES; HANSON,
1998). E a rotação interna é limitada pela abdução conjunta, tendo sua amplitude
de movimento apenas 45° (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

E finalizando, há a combinação de todos os movimentos descritos acima,


formando o movimento denominado circundução (BATES; HANSON, 1998).

Você sabia?
Que até um gesto esportivo simples como o soco no karatê, envolvem
movimentos combinados do membro superior, com extensão e
rotação do ombro, associada à extensão do cotovelo e o movimento
de supinação.

Figura 2.7 | Movimentos do Ombro

(continua)

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 67


U2

Fonte: Disponível em: <http://jumperbrasil.files.wordpress.com>. Acesso em: 21 ago. 2015.

Como mencionado anteriormente, o sistema muscular atua como estabilizador


dessa articulação, uma vez que ela possui grande amplitude de movimento. Neste
caso o músculo deltoide é um importante estabilizador da articulação glenoumeral,
principalmente nos movimentos que ocorrem em ângulos superiores a 90°.
Assim como o deltoide, o músculo coracobraquial atua como um estabilizador
da articulação do ombro, mesma ação do redondo maior tendo esta ativação
principalmente quando o indivíduo segura um objeto.

Os músculos que compõem o Figura 2.8 | Músculos do Manguito Rotador


manguito rotador (subescapular,
supraespinhoso, infraespinhoso
e redondo menor) também
atuam comprimindo a cabeça
do úmero na cavidade glenoide,
auxiliando na estabilização do
complexo do ombro. Ou seja,
essa articulação glenoumeral
é estabilizada pelos músculos
que realizam a rotação que
aproximam a cabeça do úmero
à cavidade glenoide. Dessa
forma os movimentos de
abdução e rotação lateral do
úmero fornecem a estabilidade
dinâmica através das ações
musculares.
Fonte: Disponível em: <http://academiafw.blogspot.com.br/2012/10/
exercicio-e-dor-no-ombro.html>. Acesso em: 12 set. 2015

68 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Os movimentos em qualquer gesto esportivo, laboral ou recreativo, não


ocorrem de forma isolada, mas sim de forma combinada, e essa amplitude de
movimento ampla é necessária para realização de diversas atividades, dentre as
quais destacamos: ginástica, natação e tênis (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Um movimento muito comum é o de flexão com abdução, sendo que


nos estágios iniciais os movimentos ocorrem, principalmente, na articulação
glenoumeral, após 30° de AB ou 45° a 60° de FX, o movimento continua na
articulação glenoumeral, mas há concomitantemente movimentos na escápula
(com contribuições das articulações acromioclavicular, esternoclavicular e
escapulotorácica) (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Agora que já sabemos como as articulações se comportam, também é


importante analisarmos inicialmente o papel do sistema muscular. O músculo
deltoide participa ativamente em amplitude maiores (90° a 120° de abdução),
sendo mais resistente à fadiga entre 45° a 90° de abdução. Quando o braço
se eleva, o manguito rotador (músculos redondo menor, subescapular, infra-
espinhoso e supra-espinhoso) ganha destaque gerando movimentos de flexão ou
abdução, sendo que nos estágios iniciais o redondo menor atua conjuntamente
com o deltoide para estabilizar a cabeça umeral, posteriormente, inicia a atuação
do subescapular e do infra espinhoso na estabilização, com auxílio do músculo
grande dorsal. Na amplitude acima de 90°, a atuação do manguito rotador diminui
consideravelmente, tendo atuação apenas do músculo supra espinhoso (HAMIL;
KNUTZEN, 1999), ficando dessa forma mais suscetível a lesões ou instabilidade.

Durante esse movimento a cintura escapular precisa protrair e abduzir, elevar


e girar para cima com rotação clavicular, posteriormente, para manutenção do
posicionamento da cavidade glenoide. Neste caso, os músculos serrátil anterior
e o trapézio criam os movimentos laterais, superiores e de rotação da escápula,
após o deltoide e o redondo menor terem iniciado os movimentos de elevação até
180°. O serrátil anterior terá como destaque a manutenção da escápula na parede
torácica e impedir movimento alar da borda vertebral (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Atuando conjuntamente com o ombro, a cintura escapular movimenta-


se permitindo amplitudes de movimento amplas que utilizem pouca energia e
permitam boa coordenação e estabilidade. Devido ao fato de não haver ligação
óssea entre as escápulas, essa cintura torna-se bastante instável, com transferência
de forças para coluna vertebral pela ação da musculatura presente na região.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 69


U2

Tendo o ritmo escápulo-torácico a importância no


desenvolvimento do movimento do ombro, quais implicações
um mau funcionamento ou mau treinamento pode acarretar
no desenvolvimento da força elevação do ombro?

Essa cintura apresenta alta mobilidade e possibilita que movimentos complexos


e precisos sejam executados pelos membros superiores. Atuando na facilitação
do movimento que ocorrerá na cavidade glenoide. Em todos os movimentos
que ocorrem, tanto no ombro como na cintura escapular, observa-se rotação
clavicular, que é o ângulo gerado por rotação da clavícula em torno do seu eixo
axial. O ângulo clavicular sofre influência do movimento de abdução do úmero
(20° a 120°), sendo que a rotação clavicular ocorre a partir dos 50° de abdução, até
os 150°, girando em rotação interna cerca de 35°.

<http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1645-05232007000200006&lang=pt>. Acesso em: 20
ago. 2015.
Neste texto os autores trabalham bastante a relação da escápula com os
movimentos que ocorrem na articulação glenoumeral, possibilitando
para você uma introdução das possibilidades de aplicação da
biomecânica no contexto do segmento do membro superior.

1. Durante o movimento de cadeia cinética aberta de


flexão do ombro, como o que ocorre, por exemplo, com
o ombro durante o arremesso no basquetebol. Assinale

70 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

a alternativa que contenha a alternativa correta com os


principais músculos ativados e o tipo de contração.

a) Tríceps braquial (Flexão) / Contração Concêntrica.


b) Deltoide (Flexão) / Contração Excêntrica.
c) Bíceps Braquial (Flexão) / Contração Excêntrica.
d) Bíceps Braquial (Flexão) / Contração Concêntrica.
e) Nenhuma das alternativas.

2. Em várias situações cotidianas nos deparamos com


as diferentes solicitações de carga e contração, em
atividades esportivas profissionais essas solicitações
podem ultrapassar o limite fisiológico das articulações,
por exemplo, um nadador profissional do nado borboleta
realiza movimentos de circundução durante todo o trajeto
da prova, para que isso seja possível com o máximo de
desempenho e o mínimo de lesão, ele é submetido a
treinamento de fortalecimento dos músculos que executam
esses movimentos. Desta forma, assinale a alternativa que
corresponda ao treinamento concêntrico que deve ser
treinado nestas situações para melhorar seu desempenho,
tendo em vista que o nadador utiliza o movimento de
circundução do braço.

a) Músculos que realizam flexão e extensão.


b) Músculos que realizam flexão e extensão, abdução e
adução, rotação interna e rotação externa.
c) Músculos que realizam flexão e extensão, abdução e
adução.
d) Músculos que realizam abdução e adução, rotação
interna e rotação externa.
e) Nenhuma das alternativas.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 71


U2

72 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Seção 2

Cotovelo

Introdução

Na seção 2, você terá a explicação dos componentes anatômicos presentes e


sua função tanto no movimento quanto na posição estática, realizando uma análise
estrutural do movimento passando pela aplicação da física, estabelecendo uma
conexão com o conteúdo aprendido na unidade passada. Isso será extremante
importante, tendo em vista a importância que o cotovelo possui na geração de
qualquer movimento que ocorra no membro superior, uma vez que ele influencia
no movimento do ombro e do punho, estabelecendo uma relação sinergista com
as articulações vizinhas.

2.1 Revisão anatômica

O cotovelo por estar localizado centralmente no membro superior, apresenta


funções que se correlacionam com as funções do ombro e do punho. Ele é formado
por três articulações sinoviais envoltas por cápsula articular que, conjuntamente com
o sistema ligamentar, fornece estabilidade estática.

• Articulação umeroradia.

• Articulação ulmeroulnar.

• Articulação radioulnar proximal (DÂNGELO; FATTINI, 2007).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 73


U2

Figura 2.9 | Articulação do Cotovelo

Fonte: Netter (2000)

2.2 Articulação umeroradial

A articulação umeroradial é definida como uma articulação sinovial plana,


permitindo apenas o deslizamento do capítulo do úmero (DÂNGELO; FATTINI,
2007), é estabilizada pelo ligamento colateral lateral (radial). Sua amplitude de
movimento ativo é de 0° a 150° de flexão e 0° a 100° de extensão (LOUDON; BELL;
JOHNSTON, 1999). O ligamento colateral radial se estende entre o epicôndilo
lateral e o ligamento anular, unindo o rádio à ulna. Nesse mesmo epicôndilo lateral
inserem-se os músculos supino-extensores e o ancôneo, e o ligamento colateral
radial (VIEIRA; CAETANO, 1999).

2.3 Articulação úmero-ulnar

Articulação úmero-ulnar é do tipo sinovial gínglima, que realiza os movimento de


flexão e hiperextensão do cotovelo, e caso o cotovelo esteja levemente flexionado,

74 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

realiza o deslizamento medial e lateral da ulna como movimentos acessórios.


Estabilizada pelo ligamento colateral medial (LOUDON; BELL; JONSTHONN, 1999).
Os músculos flexores fixam-se no epicôndilo medial, assim como os músculos
pronadores e o ligamento colateral ulnar, tendo impacto importante quando
sobrecarregados (VIEIRA; CAETANO, 1999).

Figura 2.10 | Articulação úmero-ulnar

Fonte: Netter (2000).

2.4 Articulação radioulnar proximal

Articulação radioulnar proximal é classificada Figura 2.11 | Articulação


como articulação sinovial trocoide, a qual realiza Radioulnar Proximal
os movimentos de supinação e pronação do
antebraço, na amplitude de movimento de 0° a 80°.
Estabilizada pelos ligamentos anular, ligamento
quadrado, cápsula articular (LOUDON; BELL;
JONSTHONN, 1999).

Fonte: Disponível em: <http://www.


auladeanatomia.com/artrologia/
fibrosas.htm> Acesso em: 03 set. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 75


U2

ANOTA AÍ!
Na articulação do cotovelo, alguns acidentes ósseos merecem destaque:
epicôndilo lateral, epicôndilo medial, proeminência distal do úmero,
olecrano e cabeça do rádio, por serem áreas que costumeiramente
sofrem de sobrecarga durante a realização de gestos esportivos e
laborais (VIEIRA; CAETANO, 1999).

2.5 Movimentos do cotovelo

O movimento de flexão do braço é realizado pelo músculo braquiorradial, braquial


e bíceps braquial, com amplitude de movimento de 0° a 15°. Enquanto que a extensão,
que é realizada pelo músculo tríceps braquial, extensor radial curto do carpo, extensor
radial longo do carpo, extensor curto do carpo e ancôneo, possui amplitude de
movimento variando de 0° a 100° (LOUDON; BELL; JONSTHONN, 1999).

O movimento de supinação é realizado pelos músculos braquiorradial e


supinador. Já o movimento de pronação é realizado pelos músculos pronadores,
com amplitude variando de 0° a 80° tanto na pronação quanto na supinação
(LOUDON; BELL; JONSTHONN, 1999).

Figura 2.12 | Movimentos do Cotovelo (Flexão e Extensão

Fonte: Disponíevel em: <http://eduardomalavolta.com/blog/rigidez-do-cotovelo> Acesso em: 03 set. 2015.

76 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Ao aplicarmos os conceitos das alavancas na comparação do


potencial de produção de força/torque entre as articulações
do ombro e do cotovelo, podemos concluir que uma tem
maior vantagem mecânica do que a outra, não é mesmo? Se
você concorda, busque definir qual.

Esses movimentos ocorrem muitas vezes de forma combinada, sendo as mais


comuns a supino-extensão, com ativação dos músculos braquiorradial, extensor radial
curto do carpo, extensor radial longo do carpo, extensor ulnar do carpo, extensor
dos dedos e extensor do quinto dedo. E o outro movimento combinado é de flexão-
pronação com ação dos músculos pronador redondo, pronador quadrado, flexor
radial do carpo, palmar longo, flexor ulnar do carpo e flexor superficial dos dedos
(DÂNGELO; FATTINI, 2007).

Figura 2.13 | Movimentos do Cotovelo (Pronação e Supinação)

Fonte: Disponível em: <http://eduardomalavolta.com/blog/rigidez-do-cotovelo>. Acesso em: 03 set. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 77


U2

FICA A DICA
No cotovelo há dois complexos ligamentares, o complexo medial, que
é formado pelo ligamento colateral ulnar, que possui três porções:
(1) fascículo anterior, (2) fascículo posterior oblíquo e (3) fascículo
transverso (VIEIRA; CAETANO, 1999). O complexo lateral é composto
pelo ligamento colateral radial, ligamento colateral acessório e
ligamento anular (SMITH et al., 1997), com grande atuação na
estabilização do estresse em varo (RETTING, 1998).

EXEMPLO DE APLICAÇÃO PRÁTICA DA BIOMECÂNICA


Imagine um arremesso de dardo no atletismo, a trajetória do objeto
será parabólica, com trajetória linear, porém, com movimento angular
das articulações do ombro e do cotovelo. Neste caso, o que determina
a velocidade que o disco alcança é a aceleração, que é diretamente
proporcional à distância percorrida no movimento. Além disto, outro ponto
importante é a precisão no arremesso de dardo, o qual está relacionado
com o movimento linear, uma vez que elimina a força tangencial.
Todavia, se esse exemplo for de arremesso de peso, outro fator passa a
preponderar, que é o peso do objeto que será lançado, neste caso, para
diminuir a resistência, é necessário reduzir a distância da concentração
da massa do objeto ao eixo de rotação.

<http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/78082>. Acesso em:


23 nov. 2015. Nesse texto você terá uma análise do comportamento
do cotovelo em uma prática esportiva que utiliza muito esse segmento
anatômico.

78 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

1. Ao realizar o gesto esportivo “manchete” no vôlei, todas


as articulações dos membros superiores estão modificando
suas posições, com o ombro saindo da extensão para
flexão, por exemplo. Baseado neste exemplo, assinale a
alternativa correta com a mudança de posição no cotovelo.

a) Sai da flexão e vai para extensão.


b) Sai da pronação e vai para a supinação.
c) Sai da pronação e vai para a rotação interna.
d) Sai da flexão e vai para a prono.
e) Nenhuma das alternativas.

2. Maria era praticante de tênis, costumeiramente realizava


três partidas por semana, um movimento muito comum
que ela costumava realizar era para rebater a bola, no qual
executava conjuntamente com a flexão do cotovelo com
supinação, a adução com flexão do ombro. De acordo com
as cargas impostas às articulações, qual parte anatômica
sofre sobrecarga?

a) Articulação radioulnar distal.


b) Epicôndilo medial.
c) Processo coracoide.
d) Articulação carpometacárpica.
e) Nenhuma das alternativas.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 79


U2

80 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Seção 3

Punho e Mão

Introdução

Os movimentos mais puros, finos e complexos ocorrem nessas articulações,


fator importante na nossa evolução da espécie, nos diferenciando dos outros
animais, também na elaboração dos movimentos avançados e com o máximo de
destreza possível. Mas por termos movimentos tão especializados, esse complexo
de articulações torna-se muito complexo e extenso, uma vez que há necessidade
de mais estruturas anatômicas para tornar possível a execução de movimentos finos.

3.1 Punho

A articulação do punho é formada pela junção do rádio, da ulna e dos ossos do


carpo. Neste complexo temos as articulações radioulnar distal, que é estabilizada
pelos ligamentos anteriores e posteriores à ela. Possui uma pequena cápsula
articular que permite os movimentos de pronação e supinação. Já a articulação
radiocárpica é formada pela união do rádio com o escafoide e os ossos distais
do carpo, é estabilizada pelos ligamentos colaterais radial e ulnar e os ligamentos
radiocárpicos. Enquanto que a ulna se articula com o cuneiforme (BATES; HANSON,
1998). E a articulação radioulnar distal, onde temos o rádio e a ulna conectados por
uma membrana interóssea (DÂNGELO; FATTINI, 2007).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 81


U2

Figura 2.14 | Punho

Fonte: Netter (2000)

3.2 Mão

No punho e na mão existem 29 ossos (8 ossos do carpo, 5 ossos do metacarpo,


14 falanges, rádio e ulna) e mais de 20 articulações (KONIN, 2006). Os ossos da mão
são divididos em três partes:

(1) Ossos da fileira proximal do carpo.

(2) Ossos da fileira distal do carpo.

(3) Falanges (DÂNGELO; FATTINI, 2007).

Os ossos do carpo na fileira proximal são formados por: escafoide, semilunar,


piramidal e pisiforme. Na fileira distal temos: trapézio, trapezoide, capitato e hamato
(DÂNGELO; FATTINI, 2007).

Existem cinco ossos do metacarpo, que são denominados de um a cinco, a partir


do lado radial. Suas cabeças articulam-se com as falanges proximais e suas bases
articulam-se com os ossos da fileira distal do carpo. Cada dedo é formado por três
falanges: proximal, média e distal, exceto o polegar, que não possui falange média
(DÂNGELO; FATTINI, 2007).

82 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

O sistema muscular é dividido em músculos tênares, hipotênares, interósseos


palmares e dorsais, e os músculos lumbricais (GARDNER; GRAY, 1988). Os músculos
curtos do polegar são: abdutor curto do polegar, flexor curto do polegar, oponente
do polegar, adutor do polegar, oponente do polegar, adutor do polegar, primeiro
interósseo palmar e primeiro interósseo dorsal. No dedo mínimo temos os músculos
abdutor do dedo mínimo, oponente do dedo mínimo e flexor curto do dedo mínimo.
Existem ainda os músculos lumbricais e interósseos, numerados de um a quatro, do
lado lateral ao medial (GARDNER; GRAY, 1988).

A articulação radiocárpica é condilar, formada pela união entre o rádio, o


escafoide e o semilunar, com dois graus de liberdade. Articulações mesocárpicas
estão localizadas entre a primeira e segunda fileiras de ossos do carpo. Articulação
carpometacárpica é formada pela segunda fileira dos ossos do carpo e a base dos
metacarpos, classificada como do tipo sinovial. Articulação metacarpofalangeana
que é formada pelos metacarpos com as falanges proximais. E a articulação
interfalangeana composta por nove articulações, que realizam movimento de flexão
e extensão (um grau de liberdade) (KONIN, 2006).

No sistema ligamentar existem dois ligamentos que estabilizam o punho


(ligamento colateral radial do carpo e ligamento colateral ulnar), e muitos ligamentos
pequenos que estabilizam o carpo. Ligamento radiocarpal palmar que restringe a
extensão do punho (LIPPERT, 2003). Ligamentos intercárpicos dorsais e ligamentos
intercárpicos interósseos, que estabilizam o escafoide, semilunar e piramidal. Os
ligamentos palmares, que são divididos em ligamentos interósseos (entre capitato
e hamato, capitato e trapézio, e trapézio e trapezoide), ligamentos intercárpicos
palmares, intercárpicos dorsais e ligamentos colaterais. Além dos ligamentos dorsais
que unem ossos metarcárpicos, os ligamentos palmares que também unem ossos
metacápicos (GRAY, 1988).
Figura 2.15 | Ossos da Mão

ulna
rádio

osso escafóide osso semilunar


osso piramidal
osso trapézio osso pisiforme
osso capitato
osso trapezóide osso hamato

Fonte: Netter (2000)

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 83


U2

3.3 Articulação trapeziometacárpica

Articulação presente no polegar, em forma de sela, que une o trapézio do carpo


com o primeiro metacarpo. Seu principal movimento é o de oposição do polegar
(BATES; HANSON, 1999).

Figura 2.16 | Articulação Trapeziometacárpica

Fonte: Putz e Pabst (2000)

3.4 Articulações carpometacárpicas

São as articulações do segundo ao quinto metacarpo, elas são sinoviais, com


cápsula articular reforçada por muitos ligamentos carpometacárpicos dorsais
e palmares, metacárpicos palmares e dorsais e ligamentos interósseo (BATES;
HANSON, 1998).

84 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Figura 2.17 | Articulações Carpometacárpicas

Fonte: Disponível em: <http://cinesiterapiadelamano.blogspot.com.br/2013/05/articulaciones-intermetacarpianas.


html>. Acesso em: 21 ago. 2015.

3.5 Articulações metacarpofalangeanas

São as articulação metacarpofalangeanas que unem os ossos do metacarpo com


as falanges proximais, são do tipo condiloide (exceto polegar, que é gínglima), tendo
as cápsulas articulares reforço dos ligamentos palmares e colaterais, permitindo
movimentos de flexão, extensão, adução e abdução (BATES; HANSON, 1998).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 85


U2

Figura 2.18 | Articulações Metacarpofalangeanas

Fonte: Netter (2000)

3.6 Articulações interfalangeanas

As articulações interfalangeanas são Figura 2.19 | Articulações


articulações do tipo gínglimo, permitindo o Interfalangeanas
movimento entre as falanges adjacentes, sua
estabilidade estática é fornecida pela cápsula
articular e reforçada pelos ligamentos
colaterais e palmares. Nestas articulações
ocorrem apenas os movimentos de flexão
e extensão (BATES; HANSON, 1998).

3.7 Movimentos

Os movimentos do punho e das mãos


são executados por muitos músculos,
não volumosos, mas específicos para Fonte: Disponével em: < http://
anatomiaonline.com/articulacoes/superior/
fornecerem a capacidade de movimentos superior.html>. Acesso em: 03 set. 2015.

86 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

finos e coordenados. As mãos realizam movimentos importantes nas atividades de


vida diária, realizando funções de preensão, manipulação precisa e movimentos
rápidos (GARDNER; DONALD, 1988).

A flexão do punho é executada pelos músculos flexor radial do carpo, flexor


ulnar do carpo e palmar longo, com amplitude de movimento variando de 0° a
80° (BATES; HANSON, 1998; DÂNGELO; FATTINI, 1997). Já a extensão do punho é
realizada pelos músculos extensor radial longo do carpo, extensor radial curto do
carpo e extensor ulnar do carpo, com amplitude de movimento que varia de 0° a
70° (BATES; HANSON, 1998).

Outro movimento que ocorre no punho é o desvio radial, com pequena


amplitude de movimento variando de 0° a 20°, é executado pelos músculos flexor
radial do carpo, extensor radial longo do carpo, extensor radial curto do carpo
(DÂNGELO; FATTINI, 1997). Enquanto que o desvio ulnar, possui amplitude de
movimento de 0° a 30°, realizados pelos músculos flexor ulnar do carpo e extensor
ulnar do carpo (DÂNGELO; FATTINI, 1997).

Você já percebeu que os movimentos da mão são dependentes


do posicionamento do antebraço e dos movimentos
do cotovelo? Portanto, tente analisar em qual condição
(movimento de antebraço e cotovelo) há maior facilidade para
o movimento de flexão do punho e dos dedos.

Figura 2.20 | Movimentos do Punho

Fonte: Disponível em: <http://fisioterapiahumberto.blogspot.com.br/2013_01_01_archive.html>. Acesso em: 24


ago. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 87


U2

Nos dedos temos o movimento de flexão que é realizado pelos músculos


interósseo dorsal, interósseos palmares, lumbricais, flexor curto do dedo mínimo,
flexor superficial dos dedos e flexor profundo dos dedos (BATES; HANSON, 1998;
DÂNGELO; FATTINI, 1997). Já a extensão dos dedos é realizada pelos músculos
interósseo, lumbricais e extensor dos dedos (BATES; HANSON, 1998).

Outro movimento realizado pelos dedos é o de adução que é executado pelos


músculos interósseos palmares. Enquanto que a abdução é realizada pelos músculos
interósseos dorsiais e o abdutor do dedo mínimo (DÂNGELO; FATTINI, 1997).

Figura 2.21 | Movimentos do Polegar

Fonte: Disponível em: <http://www.trabalhosescolares.net/viewtopic.php?f=3&t=2485>. Acesso em: 24 ago. 2015.

IMPORTÂNCIA FUNCIONAL DA MÃO


A mão possui grande destaque, sendo que qualquer lesão neste
segmento terá como consequência grande impacto na funcionalidade.
Parte desta funcionalidade se deve ao polegar, devido ao seu
movimento de oposição que permite que objetos sejam apanhados de
forma delicada e precisa.

88 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-
11172006000200014&lang=pt>. Acesso em: 15 ago. 2015.
Outro texto que traz a importância da biomecânica no gesto esportivo,
neste caso no Kung Fu.

1. Durante um passo de dança, o dançarino passou a mão


com o dedo indicador esticado da pelve do lado oposto até a
elevação completa na diagonal oposta (ombro hemilateral).
Descreva cinesiologicamente o comportamento do
membro superior durante o gesto desta dança.

2. Lucas foi realizar uma avaliação isocinética do quadríceps.


Durante o teste o examinador pediu que realizasse a
maior força possível para esticar o joelho. Baseado no
teste isocinético realizado por Lucas, assinale a alternativa
correta sobre as características biomênicas.

a) Contração concêntrica em cadeia cinética fechada.


b) Contração concêntrica em cadeia cinética aberta.
c) Contração excêntrica em cadeia cinética fechada.
d) Contração excêntrica em cadeia cinética aberta.
e) Nenhuma das alternativas.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 89


U2

O conceito de análise detalhada de todo o movimento


contemplando seus aspectos descritivo, estrutural e mecânico,
é primordial para que se possa realizar o ensinamento de
qualquer gesto esportivo ou de lazer, permitindo que correções
sejam executadas e que possíveis potencialidades possam ser
utilizadas ou aprimoradas.

A abundante quantidade de informação disponível ao realizar a


análise do movimento humano pode parecer muito complexo,
mas nada como o tempo e exaustivas análises para tornar todo
esse conhecimento elaborado em algo simples e automatizado.
Mas com o avançar tecnológico atual, novas evidências surgem
todos os dias, fazendo com que eu reitere a importância
da visita nas bases de dados de pesquisas científicas (Scielo,
LiLacs, PubMed) para tomar conhecimento do que está sendo
comprovado neste momento na ciência.

FICA A DICA!
Observa-se, atualmente, a escassez de pesquisas aplicadas de biomecânica
para a prática profissional da Educação Física Escolar, através de uma
visão mais abrangente de todas as dimensões envolvidas em cada prática
corporal. Por isso, muitas vezes, você terá que utilizar os conceitos da
mecânica ao movimento de forma pura aplicando na sua prática para
identificar em seus alunos erros cometidos durante a execução de uma
habilidade motora. E isto só se tornará atraente ao aluno se for colocado
ao seu alcance ou transferido à sua realidade, como mostrar o atrito do
solado do tênis em diferentes superfícies, as diferenças de velocidades de
bola ou a trajetória parabólica durante o arremesso, entre outros.

90 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

1. Os métodos de avaliação isocinética permitem análises


do pico de força com velocidade angular constante,
assim, determinar os pontos onde há déficit na geração
do torque e assim como para estabelecer pontos onde
há muita geração de força. Baseado nisto, você utilizaria
esse método isocinético como um instrumento de
treinamento? Justifique.

2. Na ginástica olímpica observamos vários movimentos


complexos e extenuantes, como durante a utilização
do cavalo. Os membros superiores são estimulados
a produzirem níveis de força elevadíssimos e ainda
manterem a precisão dos seus gestos. Com base no
exposto, observa-se a necessidade de uma estabilização
eficiente e coordenada, assinale a alternativa que as
estruturas responsáveis pela manutenção da estabilidade
dinâmica do ombro.

a) Músculos do manguito rotador.


b) Cápsula articular da articulação glenoumeral.
c) Sistema ligamentar.
d) Bursa subtrocanteriana.
e) Nenhuma das alternativas.

3. Durante o jogo de futebol, quando a bola sai pela


lateral do campo, o jogador tem que repô-la com as
mãos lançando-a por cima da cabeça. Nesse gesto
há inicialmente uma flexão de cotovelo e ombro e,
posteriormente, há extensão de cotovelo e diminuição

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 91


U2

da flexão ombro. A bola terá uma trajetória parabólica.


Sabendo que dentro da biomecânica temos vários tipos de
movimentos, assinale a alternativa com a movimentação
que ocorreu durante o arremesso da bola.
a) Movimento linear.
b) Movimento translacional.
c) Movimento angular.
d) Movimento longitudinal.
e) Nenhuma das alternativas.

4. Existe um jogo chamado “queimada”, no qual o objetivo


é acertar a bola em alguém do time adversário e assim
tirá-lo da partida. São muito utilizados os movimentos
de arremesso e de recepção da bola. Para arremessar a
bola, qual tipo de contração é utilizado e qual é o grupo
muscular que participa deste gesto motor?

5. Os movimentos, muitas vezes, são analisados de forma


isolada, mas quando executamos qualquer atividade,
percebemos que eles ocorrem de forma combinada,
todavia, para facilitar a compreensão destes movimentos
combinados, ao analisá-los, fazemos a separação de
cada movimento. Mas sabemos também que a utilização
conjunta destes movimentos pode alterar sua amplitude de
movimento. No ombro isto fica muito evidente, por isso,
assinale a alternativa que contenha uma combinação capaz
de reduzir a amplitude de movimento da flexão do ombro.

a) Flexão do ombro com flexão do cotovelo.


b) Flexão do ombro com extensão do cotovelo.

92 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

c) Flexão do ombro com flexão do punho.


d) Flexão do ombro com extensão do punho.
e) Flexão do ombro com rotação interna do ombro.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 93


U2

94 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


U2

Referências

BATES, A.; HANSON, N. Exercícios aquáticos terapêuticos. Barueri: Manole, 1998.

CAILLIET, R. Dor no ombro. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

DÂNGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia básica dos sistemas orgânicos. 3. ed.


Rio de Janeiro: Atheneu, 2007.

FONSECA, V.; MENDES, N. Escola, escola, quem és tu? Perspectivas psicomotoras


do desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1987.

GARDNER, E.; GRAY, D. J.; O’RAHILLY, R. Anatomia: estudo regional do corpo


humano. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

HAMILL, J.; KNUTZEN, K. M. Bases biomecânicas do movimento humano. São


Paulo: Manole, 1999.

HALL, S. J. Biomecânica básica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

KAPANDJI, I. A. Fisiologia articular. 4. ed. Barueri: Manole, 1990.

KISNER, C. Y.; COLBY, L. Y. A. Exercícios Terapêuticos Fundamentos e Técnicas.


3. ed. Barueri: Manole, 1998.

KONIN, J. G. Cinesiologia prática para fisioterapeutas. Tradução: Eliane

Ferreira. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

LIPPERT S. L. Cinesiologia Clínica para Fisioterapeutas. 3. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara, 2003.

LOUDON, J. K.; BELL, S. L.; JOHNSTON, J. M. Guia clínico de avaliação


ortopédica. São Paulo: Manole, 1999.

MARQUES, A. P. Manual de goniometria. Barueri: Manole, 1997.

NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

PUTZ, R.; PABST, R.; Atlas de anatomia humana Sobotta. 21. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2000.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores 95


U2

RETTING, A. C. Elbow, forearm and wrist injuries in the athlete. Sports Medicine, v.
25, n. 2, p. 115 - 130, February, 1998.

SMITH, L.K., et al. Cotovelo e antebraço. In: Cinesiologia Clínica de Brunnstrom. 1ª


ed. Brasileira: Manole Ltda, 1997.

VIEIRA, E.A.; CAETANO, E.B. Bases anátomo-funcionais da articulação


do cotovelo: contribuição ao estudo das estruturas estabilizadoras dos
compartimentos medial e lateral. Revista de sete peças anatômicas. Revista
Brasileira de Ortopedia, v. 34, n. 8, p. 481-488, agosto,1999.

WILK, K. E. et al. Reabilitação do ombro. In: ANDREWS, J. R.; HARREBSON, G.


L.; WILK, K. Reabilitação física das lesões desportivas. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2000. p. 350-400.

96 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros superiores


Unidade 3

CINESIOLOGIA E
BIOMECÂNICA RELACIONADA
AOS MOVIMENTOS DOS
MEMBROS INFERIORES
João Paulo Manfré dos Santos

Objetivos de aprendizagem:

Prezado(a) aluno(a)! Nessa unidade, você irá aplicar os conceitos


aprendidos na Unidade 1, tendo como objeto de estudo os movimentos
que os membros inferiores realizam, apresentado de forma simples e
sistemática, com o objetivo de facilitar o entendimento do conteúdo e a sua
aplicação na prática profissional. Você notará que, para ficar mais didático
e sistemático o estudo, nós dividimos os conteúdos pelos três grandes
complexos articulares presentes neste segmento. Espero que, ao final desta
unidade, você seja capaz de entender os movimentos que os membros
inferiores realizam, quais estruturas estão envolvidas e alguns detalhes
biomecânicos, que podem facilitar a aprendizagem do gesto motor.

Seção 1 | Quadril
Nesta seção, iremos relembrar os principais componentes anatômicos
do quadril, os movimentos e como essas estruturas atuam. Finalizaremos
com conceitos de biomecânica, estabelecendo relações com algumas
situações práticas.
Seção 2 | Joelho
Na segunda seção, será realizada uma revisão anatômica das estruturas
do joelho, como elas se relacionam entre si e, também com o quadril e
tornozelo, além de analisar os movimentos presentes nesta articulação e
quais estruturas atuam, aplicando os conceitos de biomecânica.

Seção 3 | Tornozelo e pé
Nesta seção faremos uma releitura anatômica do tornozelo e do pé,
das relações entre os componentes ósseos, articulares e musculares.
Também, realizaremos uma interpretação dos principais movimentos
presentes nestas articulações e a atuação destes componentes dentro
do contexto biomecânico.
U3

Introdução à unidade
Caro aluno! Nesta unidade realizaremos as análises sobre os movimentos dos
membros inferiores, analisando desde os componentes anatômicos de todos
os segmentos (ossos, articulações, cápsulas articulares, ligamentos, tendões e
músculos), analisando os movimentos, até a aplicação dos conceitos mecânicos
neste contexto (planos, eixos, estabilização, força etc.). Essas análises terão
momentos mais simples, como situações mais complexas, possuindo uma gama
extensa de planos e eixos de movimentos, possibilitando combinações complexas
(planos e eixos oblíquos), que possibilitam a realização de movimentos triplanares.

Começaremos pelo quadril, analisando os movimentos, e sua relação com


as outras estruturas adjacentes, além de determinar algumas análises voltadas
para a prática de situações rotineiras, analisando os movimentos isolados desta
articulação, os combinados e mais complexos.

Posteriormente, faremos as mesmas análises no joelho, estabelecendo além


do descrito acima, a relação dele com o quadril e tornozelo. E finalizaremos
com a análise cinesiológica e biomecânica do tornozelo e pé, destacando sua
importância funcional para a realização de movimentos finos e precisos.

Desta forma, espera-se que todo o conteúdo que será apresentado seja útil na
sua formação e, futuramente, na sua prática profissional, corroborando para uma
melhor compreensão do gesto motor, proporcionando melhor desempenho e
elevação dos níveis de qualidade de vida da população.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 99


U3

100 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

Seção 1

Quadril

1.1 Revisão anatômica

O quadril é uma verdadeira articulação do tipo esférico circundado por músculos


potentes e muito equilibrados, permitindo uma ampla amplitude de movimento
em todos os planos, além de prover grande estabilidade. Características muito úteis
em atividades simples, como caminhar e correr e no suporte do peso corporal.
Além disso é um importante componente de junção do esqueleto axial com o
esqueleto apendicular.

O fornecimento da junção entre os membros inferiores e o esqueleto axial


serve para transmissão de forças do solo para o tronco (CAMPBELL et al.,
2001). Essa junção é crucial para a execução de atividades esportivas, uma vez
que é frequentemente exposta a grandes forças axiais e torcionais, por possuir
características únicas, anatômica e fisiologicamente (MOSCA, 1989).

Os movimentos que ocorrem no quadril são realizados pela articulação do


quadril (coxofemoral), que possui grande mobilidade e é muito estável. Ela possui
quatro características de uma articulação sinovial ou diartrodial:

• Cavidade articular.

• Cobertas por cartilagem articular.

• Membrana sinovial com produção de líquido sinovial.

• Ligamentos capsulares (BYRD, 2004).

Sendo composta pela cabeça do fêmur, colo do fêmur, acetábulo e um


complexo sistema ligamentar (NETTER, 2000). A cabeça femoral é revestida por
uma cartilagem, e ela se encaixa no acetábulo que está situado na extremidade
do ilíaco, ela é lubrificada pela quantidade de líquido sinovial (composta por água
e proteínas). É fixada pelos ligamentos pubofemoral, iliofemoral, transverso do
acetábulo e redondo (SOBOTTA, 2000). A região da cabeça femoral coberta pelo
acetábulo corresponde a 60% a 70% da esfera, sendo o restante uma área não
coberta no centro da cabeça femoral (BYRD, 2004).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 101


U3

O acetábulo é formado por contribuições ósseas do ílio (aproximadamente 40%),


ísquio (40%) e púbis (20%) (ROSS; LAMPERTI, 2006). A superfície articular é ovalada,
cartilagem articular em formato de ferradura. Na parte inferior temos o ligamento
inferior transverso, na margem do acetábulo temos o lábio fibrocartilaginoso
(BYRD, 2005), este atua distribuindo as forças ao redor da articulação (KIM, 1987;
TANABE, 1991). Além disto, o lábio fibrocartilaginoso restringe o movimento do
líquido sinovial (FERGUSON, 2003).

Existe também um lábio glenoidal, que circunda o acetábulo terminando


inferiormente onde o ligamento acetabular transverso circunda a fossa acetabular
(BYRD, 2004).

Figura 3.1 | Articulação do quadril

Fonte: Disponível em: <http://www.quadrilcirurgia.com.br/-pesquisa-investiga-funccedilatildeo-dos-ligamentos-


do-quadril.html>. Acesso em: 15 out. 2015.

A cabeça do fêmur é articulada ao colo do fêmur, que varia em comprimento


dependendo do tamanho corporal. Seus ângulos permitem uma classificação que
vai desde a coxa valga até a coxa vara. O ângulo do colo do fêmur é geralmente em
torno de 125°±5°, passando de 130° na coxa valga e menor que 120° na coxa vara.
Além disto, a rotação anterior do colo do fêmur no plano coronal é referida como
anteversão femoral, cuja angulação varia de 15° a 20° (ROSS; LAMPERTI, 2006).

102 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

Figura 3.2 | Ângulos do colo do fêmur

Fonte: Ross e Lamperti (2006)

A cápsula articular fornece grande estabilidade conjuntamente com os ligamentos


capsulares. O ligamento iliofemoral pode ser visto anteriormente no quadril e possui
a forma de “Y” invertido, ligando o ílio com a linha intertroncatérica do fêmur.
Este é um ligamento extremamente forte e suporta força tensionais de até 350 N.
Temos ainda o ligamento pubofemoral, localizado inferior e posteriormente ao
ligamento iliofemoral, contribuindo para a força da porção anteroinferior da cápsula.
Posteriormente, o ligamento isquiofemoral, que é extremamente forte. Em resumo,
anteriormente, temos os ligamentos iliofemoral e pubofemoral e, posteriormente,
os ligamentos iliofemoral e isquiofemoral (ROSS; LAMPERTI, 2006).

Já o sistema muscular é complexo e muito importante para a execução dos


movimentos desta articulação, além de promover estabilidade dinâmica durante a
realização destes, prevenindo forças estressantes sobre o fêmur.

Vinte e dois músculos atuam no quadril. O tensor da fáscia lata é uma faixa
fibrosa contínua. Iliopsoas, um músculo flexor, que tem como inserção proximal
os corpos vertebrais de T12 a L5 e inserção distal o trocânter menor do fêmur.
A flexão do quadril é realizada pelos músculos iliopsoas, sartório, reto femoral e
tensor da fáscia lata. O sartório contribui para a abdução e rotação externa. O
glúteo máximo é um potente extensor do quadril, e está envolvido na rotação
e abdução do mesmo (ROSS; LAMPERTI, 2006). Os principais abdutores são os
músculos glúteos médio e mínimo, assim como o tensor da fáscia lata. O músculo
piriforme contribui com a rotação externa e extensão. Portanto, para realizar a
adução do quadril, temos os músculos gêmeo superior, obturador interno, gêmeo
inferior, quadrado femoral, obturador externo, grácil e pectíneo, além dos adutores
longo, curto e magno. Na rotação externa, temos as ações dos músculos gêmeo
superior, obturador interno, gêmeo inferior e quadrado femoral, assim como o
obturador externo, grácil e pectíneo. Outros auxiliam na extensão, como no caso
dos adutores longo, curto e magno, enquanto que na flexão o músculo pectíneo
auxilia em amplitudes acima de 70° (ROSS; LAMPERTI, 2006).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 103


U3

Existe, também, a possibilidade de inversão da ação muscular. Por exemplo,


os músculos glúteos médio e mínimo atuam como abdutores quando o quadril
está em extensão e como rotadores internos quando o quadril está flexionado. O
adutor longo age como um flexor do quadril até 50°, mas como um extensor em
70° (ROSS; LAMPERTI, 2006).

1.2 Cinesiologia do quadril

Como mencionado anteriormente, a articulação do quadril possui uma


ampla mobilidade, em movimentos considerados simples dentro do contexto
cinesiológico. Temos os movimentos de flexão, extensão, abdução, adução,
rotação interna (medial) e rotação externa (lateral), todos descritos a seguir.

Nos movimentos de flexão a extensão, a perna se desloca para frente em


direção ao tronco e para trás em direção às costas, respectivamente. Ambos os
movimentos ocorrem no plano sagital e eixo transversal (KAPANDJI, 2000).

Quando executamos movimentos, gestos simples e cotidianos, como


subir e descer escadas, estamos executando os movimentos de flexão
e extensão do quadril, com ativação concêntrica dos músculos flexores
(reto femoral, iliopsoas) e extensores (glúteo máximo), utilizando o
próprio peso como resistência para elevá-lo até o próximo degrau.

Figura 3.3 | Movimentos de flexão e extensão

Fonte: Adaptado de: Kapandji (2000)

104 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

Já nos movimentos de abdução e adução, a perna se movimenta para o lado


em relação ao plano sagital e retorna para o centro passando pela linha média
do corpo, respectivamente. Estes movimentos ocorrem no plano frontal e eixo
anteroposterior (sagital) (KAPANDJI, 2000).

Figura 3.4 | Movimentos de abdução

Fonte: Adaptado de: Kapandji (2000)

Outro movimento que ocorre na articulação do quadril é o de rotação, que


pode ser lateral, quando o membro inferior gira em torno do seu próprio eixo com
sentido externo, e pode ser medial, que ocorre quando o membro inferior gira em
torno do seu próprio eixo com sentido interno (KAPANDJI, 2000).

E há outro movimento que ocorre na articulação coxofemoral, que ocorre


quando todos esses movimentos descritos acima se combinam, temos o

Figura 3.5 | Movimentos de rotação movimento de circundução, fazendo com


que o membro inferior realize uma trajetória
combinada circular (KAPANDJI, 2000).

Figura 3.6 | Movimento de circundução

Fonte: Disponível em: <http://www.


musculacao.net/mitos-e-verdades-do- Fonte: Disponível em: <https://espacokaizen.wordpress.
agachamento/>. Acesso em: 15 out. 2015. com/2013/11/12/caminhada-aquecimento-basico-de-
preparacao/>. Acesso em: 15 out. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 105


U3

Você observou que o movimento de circundução nada mais


é do que a combinação dos movimentos de flexão, abdução,
rotação externa, extensão, adução e rotação interna, todos
acontecendo de forma sincronizada e concomitante. Assim,
você consegue imaginar em quais gestos esportivos temos
esse movimento de circundução?

1.3 Biomecânica do quadril

Quando analisamos as forças que atuam na articulação do quadril, observamos


que duas prevalecem ou podemos dizer que elas têm enorme influência no
funcionamento deste segmento, que são o peso corporal e a própria atividade
realizada (LEE, 2001). Ela atua transmitindo forças entre o tronco e o solo,
sustentando muitas vezes o dobro do peso corporal durante a marcha, podendo
atingir quatro vezes o peso ao subir escadas (HEBERT, 2009).

A estabilidade desta articulação é fornecida tanto de forma dinâmica pelo sistema


musculoesquelético quanto de forma estática através do sistema ligamentar que é
extremamente robusto e forte. Estão submetidas a um eixo mecânico representado
pela linha que conecta os centros das articulações do joelho e do quadril (SMITH,
1997). Sendo que as variações anatômicas determinam a aplicação das forças que
ocorrem no ângulo entre o eixo da diáfise e o colo do fêmur, pois de acordo com
esse ângulo podemos determinar se a coxa possui angulação normal (120°-135°),
se ela é valga (acima de 135°) e se ela é vara (abaixo de 120°) (KÖPF-MAIER, 2006).

Figura 3.7 | Coxas vara e valga

Fonte: Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Coxa-valga-norma-vara-000.svg>. Acesso em: 13


set. 2015.

106 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

Quando estamos em pé, a força da gravidade é dividida entre os dois quadris. A


magnitude das forças que atuam no quadril depende do raio do braço de alavanca
(MARTIN; BURR; SHARKEY, 1998). Quanto maior o raio, maior a força requerida
pelos músculos para movimentar o fêmur. Assim, a aplicação de forças no quadril
acaba passando pelo centro de gravidade corporal e pelo centro da cabeça e do
colo do fêmur, com sua angulação variando de 165° a 170°, sem sofrer influência
do posicionamento da pelve (TUREK, 1991).

Desta forma, dependendo da anatomia e da atividade realizada, o quadril pode


ter uma carga aplicada que varia de 4 a 10 vezes o peso corporal do indivíduo
(CAMPBELL, 1989). Ao caminhar, transmitimos o peso do corpo ao quadril, gerando
forças significativamente grandes. Suportando magnitudes de 2.3 a 2.9 vezes o
peso corporal quando em posição unipodal, e 1.6 a 3.3. vezes o peso corporal
durante a caminhada (COWIN, 2006).

<http://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4923528.pdf>. Acesso
em: 23 nov. 2015
Neste artigo, você encontrará uma análise detalhada do exercício de
agachamento com interessantes conceitos científicos na busca por
estabelecer um consenso neste exercício.
<http://www.seer-adventista.com.br/ojs/index.php/formadores/
article/view/374/376>. Acesso em: 23 nov. 2015
Este texto trabalha a amplitude de movimento de quadril de um grupo
de estudantes. Importante para compreender a variação de pessoa
para pessoa na amplitude de movimento.

EXEMPLO: BALÉ

A postura observada nos bailarinos é caracterizada pela anteversão e retroversão


da pelve, com rotação externa do quadril, sendo estabilizado pelos músculos glúteo
médio e tensor da fáscia lata, que podem ocasionar uma hiperextensão do joelho,
com consequente redução da estabilidade desta articulação (GÓIS; CUNHA; KLASSEN,
1998). Dessa forma, há um aumento da ativação dos rotadores externos do quadril,
que pode produzir uma inclinação medial do joelho (GUIMARÃES; SIMAS, 2001). Essa
força de tração provoca rotação externa da tíbia (WINSLOW; COHEN, 1995).

Ao observar os movimentos do balé clássico, encontram-se amplitudes de

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 107


U3

movimentos articulares extremas e a precisão de giros sobre o eixo corporal


(GUIMARÃES; SIMAS, 2001).

Os estudos sobre as forças envolvidas trazem que a força de adução é menor


que a força de abdução, e que o movimento de rotação externa do membro
inferior ocorre acima do joelho (COHEN, 2003).

As posições básicas do balé exigem rotação lateral extrema dos membros


inferiores, assim como uma rotação dos pés a 180° (KHAN et al., 1995). Esses
movimentos podem ser combinados com retroversão da pelve (KHAN et al., 1995).
Os joelhos se flexionam em alguns movimentos, principalmente em pequenos e
grandes saltos (KHAN et al., 1995). O quadril pode estar estendido, quando a(o)
bailarina(o) está apoiada(o) em uma perna (KHAN et al., 1995).

Os grupos musculares, geralmente, são solicitados em contrações rápidas e


potentes, enquanto que outros estão atuando de força isométrica, fornecendo,
sustentação ao corpo (MARGHERITA, 1994). Sendo que alguns ocorrem em
amplitudes de movimentos elevadas como na flexão, extensão e rotação do
tronco, extensão e abdução do quadril, flexão plantar e eversão de tornozelo
(ESPEJO et al., 1990). O mecanismo extensor dos joelhos força em uma posição
reta, enquanto que a tíbia é mantida em rotação externa (MILLER et al., 1975).

Assim, o balé exige coordenação e postura corretas, com distribuição uniforme


de peso sobre os pés, com os joelhos estendidos e perfeito equilíbrio, que ocorre
através de uma evolução técnica, com adaptação corporal nos sistemas nervoso,
muscular e esquelético (GUIMARÃES; SIMAS, 2001).

Figura 3.8 | Movimentos do balé

Fonte: Disponível em: <http://www.laifi.com/laifi.php?id_laifi=3023&idC=56959#>. Acesso em: 15 out. 2015.

108 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

1. Na ginástica rítmica, observamos gestos lindos realizados


com uma sutileza e precisão impressionantes. Muitas vezes,
os atletas executam um movimento no qual o pé acaba
descrevendo um círculo no ar. Ao analisar esse movimento
na articulação coxofemoral, podemos afirmar que:

a) O movimento que está descrito acima é o de circundução


e que a ativação muscular é definida como concêntrica.
b) O movimento que está descrito acima é de flexão e
extensão e que a ativação muscular é definida como
concêntrica.
c) O movimento que está descrito acima é de flexão e
extensão e que a ativação muscular é definida como
excêntrica.
d) O movimento que está descrito acima é de abdução
e adução e que a ativação muscular é definida como
isométrica.
e) O movimento que está descrito acima é o de circundução
e que a ativação muscular é definida como isométrica.

2. O movimento de flexão e extensão do quadril é muito


comum em situações cotidianas, como ao subir e descer
escadas, pular um obstáculo, entre outros. Desta forma,
assinale a alternativa correta sobre o movimento de flexão
de extensão coxofemoral.

a) Ocorre no plano coronal e eixo longitudinal, tendo como


músculo flexor principal o adutor magno.
b) Ocorre no plano sagital e eixo transversal, tendo como
músculo flexor principal o grácil.
c) Ocorre no plano sagital e eixo transversal, tendo como
músculo flexor principal o iliopsoas.
d) Ocorre no plano coronal e eixo longitudinal, tendo como
músculo flexor principal o reto femoral.
e) Ocorre no plano frontal e eixo longitudinal, tendo como
músculo flexor principal o reto femoral.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 109


U3

110 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

Seção 2

Joelho

2.1 Revisão anatômica do joelho

A articulação do joelho é importantíssima na realização de movimentos dos


membros inferiores, parte disto se deve à sua localização, entre o quadril e o
pé, e às funções de absorção do impacto, estabilização e geração de força para
movimentar a perna.

O joelho é classificado como uma articulação condiloide, formada pela


extremidade distal do fêmur, extremidade proximal da tíbia e pela patela. Nas suas
relações anatômicas, observamos a formação de três compartimentos:

• Compartimento tibiofemoral medial: contato entre o côndilo femoral


medial com a face articular superior da tíbia.

• Compartimento tibiofemoral lateral: contato entre o côndilo femoral lateral


com a face articular superior da tíbia.

• Patelofemoral anterior: contato entre a tróclea com a patela (SILISKI et al.,


2002).

Entre a tíbia e o fêmur, temos os meniscos, que são discos fibrocartilaginosos,


situados entre os côndilos femorais e os platôs tibiais (SILISKI et al., 2002). Existem
dois meniscos semilunares em cada joelho, o menisco medial e o menisco lateral
(KAPANDJI, 2000).

Já a patela é um osso sesamoide, desenvolvido dentro do tendão do quadríceps


(RASCH et al., 1991).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 111


U3

A patela está inserida dentro do tendão do quadríceps e atua como


vetor de força nos movimentos que ocorrem na articulação do joelho,
proporcionando maior vantagem mecânica aos movimentos sem
sobrecarregar as estruturas articulares.

Figura 3.9 | Articulação do joelho

Fonte: Disponível em: <http://www.mauriciolongaray.com.br/ligamentos.php>. Acesso em: 15 out. 2015.

2.2 Cinesiologia do joelho

Na articulação do joelho observaremos, principalmente, dois movimentos,


flexão e extensão, porém outros movimentos ocorrem dependendo da posição
do que são rotações da tíbia durante esses movimentos descritos anteriormente
(PRENTICE et al., 2002). Essas rotações ocorrem de forma acessória apenas
quando o joelho está em flexão (KAPANDJI, 2000).

Em uma análise mais detalhada dos movimentos do joelho, observam-se


os movimentos translacionais (anteroposteriores, mediolateral e compressão-
distração) e os movimentos rotacionais (flexão-extensão, varo-valgo, rotação
interna-rotação externa (SILISKI et al., 2002).

No plano sagital, temos os movimentos de flexão e extensão, envolvendo os

112 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

movimentos de rolamento (no início da flexão) e deslizamento (no final da extensão).


Já durante a extensão, a tíbia rola anteriormente sobre o fêmur, enquanto que
durante a flexão a tíbia rola posteriormente sobre o fêmur. Entre 0° de extensão e
20° de flexão temos a relativa rotação interna da tíbia, já em 90° de flexão temos
uma rotação externa do joelho (0-45°) e rotação interna (0-30°) (AFFATO, 2014).

Vários músculos atuam no movimento de flexão do joelho, são eles o músculo


bíceps femoral, semitendinoso, semimembranoso, grácil, sartório, gastrocnêmio,
poplíteo e plantar. Já durante o movimento de extensão, os músculos que executam
são, na verdade, um complexo de quatro músculos, o quadríceps, formado pelo
retofemoral, vasto lateral, vasto medial e vasto intermédio (PRENTICE et al., 2002).

Figura 3.10 | Flexão e extensão do joelho

Fonte: Kapandji (2000)

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 113


U3

Já o movimento de rotação lateral é controlado pelo bíceps femoral, enquanto


que o movimento de rotação interna é realizado pelos músculos poplíteo,
semitendinoso, semimembranoso, sartório e grácil (PRENTICE et al., 2002).
Lembrando que esses movimentos de rotação ocorrem somente quando o joelho
está flexionado.

A amplitude de movimento pode ser observada na Tabela 3.1.

Figura 3.11 | Rotação interna e rotação externa do joelho

Fonte: Calais-Germain (1991)

No plano frontal, com o joelho em extensão completa, nenhuma abdução ou


adução é possível, com o joelho em flexão de 30° é possível realizar alguns graus
de abdução e adução passiva e, em amplitudes maiores que 30°, a mobilidade
diminui devido à restrição tecidual.

A extensão dos joelhos em cadeia cinética aberta (i.e., segmento


distal encontra-se livre para movimentar no espaço), geralmente
é realizada em máquina de musculação para o fortalecimento do
músculo quadríceps (MIRZABEIGI, 1999).

114 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

Durante o apoio unipodal, o centro da gravidade move-se para a


perna que está em contato com o solo, acompanhado por um valgo
de joelho.

Esses movimentos de rotação que ocorrem quando o


joelho está flexionado possuem importância cinesiológica
e biomecânica devido às características anatômicas dos
côndilos femorais. Você consegue determinar quais vantagens
esses movimentos proporcionam?

Tabela 3.1 | Amplitude de movimento do joelho


Movimento Graus

Flexão 0º

Extensão 140º

Rotação Lateral 45º

Rotação Medial 30º

Fonte: Affato (2014); Rasch et al. (1991)

EXEMPLO: ANÁLISE DA MARCHA


Durante a marcha temos uma sequência repetitiva de movimentos que
acontecem nos membros inferiores, com vistas a mover o corpo para
frente, fornecendo simultaneamente estabilidade no apoio (GAMBLE;
ROSE, 1998). Assim, conforme o corpo desloca-se para frente, um
membro fica como fonte móvel de apoio, enquanto outro avança para
a nova posição (PERRY, 2005).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 115


U3

Desta forma, o ciclo da marcha pode ser dividido em duas fases


principais: a estação e a oscilação, tendo como movimentos principais
a flexão de quadril e joelho e extensão dos mesmos de forma
sincronizada (NEUMANN, 2006). Durante a caminhada o movimento
de flexão e extensão ocorre numa amplitude de movimento de 0° a 67°
(AFFATO, 2014).

Figura 3.12 | Ciclo da marcha

Fonte: Rose e Gamble (1998)

2.3 Biomecânica do joelho

Por não possuir muitos movimentos, poderíamos pensar que a biomecânica


envolvida na articulação do joelho é simples, mas é exatamente o contrário, temos
condições complexas para analisar. Ela permite, por exemplo, que o corpo se mova
com um gasto mínimo de energia através do trabalho muscular e estabilidade, em
diferentes superfícies, além desta articulação transmitir, absorver e redistribuir as
forças provocadas durantes as atividades de vida diárias.

No joelho, o equilíbrio ocorre pelo balanceamento de todas as forças e os


momentos de ação, como as forças de contato causadas pela ação dos ligamentos.

A articulação do joelho é importante para a manutenção da postura ortostática


(em pé), fornece grande estabilidade durante a caminhada e é um complexo
importantíssimo do movimento dos membros inferiores. Ela carrega e transmite as
forças compressivas que atuam nas superfícies articulares (estabilidade estática), as
forças tensivas nos ligamentos e músculos (estabilidade dinâmica) (AFFATO, 2014).

116 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

A articulação do joelho está localizada entre o fêmur e a tíbia, portanto, em


uma análise dos vetores de força, ela encontra-se entre dois importantes braços
de alavanca, e possui função de sustentação e de mobilidade do membro inferior
(AMESTOY; LIMA, 2000).

A estabilidade é fornecida pela cápsula articular e ligamentos (estabilidade


estática), além e dos próprios músculos (estabilidade dinâmica), tendo maior
estabilidade durante a extensão devido à maior congruência da articulação e
complementada pela força da gravidade (KAPANDJI, 2000). Todavia, durante a
movimentação, o encaixe é considerado frouxo, o que requer maior atenção e
cuidado (KAPANDJI, 2000). Sendo que parte da incongruência é compensada pelo
menisco (SILISKI et al., 2002).

Os meniscos têm como função aumentar a estabilidade do joelho, a absorção


do impacto e distribuir melhor o peso corporal, protegendo a cartilagem articular
subjacente e o osso subcondral (KAPANDJI, 2000). Essa maior estabilidade
proporcionada pelo menisco deve-se à limitação de movimento que ele impõe
entre a tíbia e o fêmur (HAMIL; KNUTZEN, 1999).

Figura 3.13 | Meniscos e ligamentos do joelho

Fonte: Disponível em: <http://doutissima.com.br/2014/04/05/saiba-em-que-uma-lesao-menisco-pode-afetar-


sua-vida-e-quais-sao-os-tratamentos-mais-indicados-51784/>. Acesso em: 14 set. 2015.

Desta forma, podemos definir várias funções para o menisco:

• Suporte de peso.

• Estabilidade.

• Absorção do impacto.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 117


U3

• Atua como uma polia alterando a direção da força aplicada pelo quadríceps.

• Ajuda a suportar o trabalho do quadríceps durante sua contração na


extensão, e até durante a flexão.

• Aumentar o momento de força do joelho.

• Proteger a superfície articular do joelho.

• Distribuir pressão.

• Ajustar a força articular (AFFATO, 2014).

Devido ao fato da rigidez do ligamento depender da razão entre a carga de


alongamento da região elástica e a energia do trabalho (CALLAGHAN, 2003). O
joelho possui um sistema ligamentar forte que é ativado em diferentes condições:

Tabela 3.2 | Ativação do sistema ligamentar


Ligamento Ação Tensionado Relaxado

Estabilidade lateral do
Colateral Lateral Extensão do joelho Flexão do joelho
joelho (estresse em varo)
Estabilidade medial do Extensão do joelho Flexão do joelho
Colateral medial
joelho (estresse em valgo) Flexão do joelho (60-70º) (20-30º)
Estabilidade anterior e
Cruzado anterior
rotacional do joelho
Rotação interna do joelho
Estabilidade posterior e Flexão do joelho
Cruzado posterior (5º)
rotacional do joelho (10-30º)
Flexão do joelho (60º)
Fonte: Tria et al. (2002); Prentice et al. (2002)

Outra estrutura importante nas características mecânicas do joelho é a patela,


que tem como função a proteção da face anterior da articulação, e atua como
polia, alterando o ângulo de fixação do ligamento da patela na tuberosidade da tíbia,
proporcionando maior vantagem mecânica ao quadríceps (RASCH et al., 1991), isto
ocorre pelo aumento da distância do braço de força (FULKERSON, 2000).

Na patela, temos várias forças agindo:

• Lateralmente: retináculo lateral, vasto lateral e trato iliotibial.

• Medialmente: retináculo medial, vasto medial.

• Superiormente: quadríceps.

• Inferiormente: ligamento patelar (AFFATO, 2014).

118 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

A estabilização estática da patela é fornecida pelo ligamento patelofemoral,


resistindo à translação lateral da patela (MARCZYK; GOMES, 2000). Na extensão, a
patela está lateral e proximal à tróclea. Na flexão em 20°, ela move-se para dentro
da tróclea, sendo que a partir de 30° ela está mais proeminente, e somente a 90º
que ela se posiciona lateralmente novamente, isto ocorre até 135°. As pressões na
patela tendem a aumentar com a flexão do joelho, chegando ao máximo quando
a flexão atinge 90° (MACEDO; MACHADO; FERRO, 2003).

CURIOSIDADE
Dependendo da atividade, a força atuante na patela pode aumentar
mais de seis vezes, como ao subir e descer escadas.

O joelho é uma articulação gínglima, do tipo artrodial, com seis graus de


liberdade, sendo três de rotação e três de translação. Nos movimentos rotacionais
na articulação temos a flexão e a extensão (160° de flexão e -5° de hiperextensão),
varo e valgo (6°-8° em extensão), rotação interna e rotação externa (25°-30° de
flexão). Nos movimentos translacionais temos o movimento anteroposterior (5-10
mm), compressão (2-5 mm) e mediolateral (1-2 mm). Durante a extensão o contato
é locado centralmente, no início da flexão o rolamento é posterior, com contato
contínuo movendo posteriormente, e na flexão total o fêmur desliza, e contato fica
localizado posteriormente. Durante os últimos 20° da extensão o deslizamento tibial
anterior persiste, produzindo rotação externa da tíbia (MASOUROS et al., 2008).

O movimento de flexão implica o rolar e deslizar do côndilo femoral sobre


o platô tibial. Esse movimento de translação ocorre por tração dos ligamentos
cruzados (AFFATO, 2014).

Os movimentos de rotação interna e rotação externa ocorrem no plano


transverso e são influenciados pelo posicionamento da articulação no plano sagital
(flexão e extensão), ou seja, para que ocorram esses movimentos de rotação o
joelho deve estar em flexão (AFFATO, 2014).

Outro movimento que pode ocorrer é o de abdução e adução, no plano frontal.


Esses movimentos são passivos e aumentam quando o joelho está em flexão de
30° (AFFATO, 2014).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 119


U3

EXEMPLO: SUBIR E DESCER ESCADAS


O grau de flexão do joelho é determinado pelo tamanho do degrau
e pela altura do indivíduo, durante este movimento a tíbia é mantida
relativamente na vertical, o que diminui a potencial subluxação anterior
do fêmur na tíbia.
E ao descer escadas, 85° de flexão ocorrem nos joelhos, a tíbia é
deslizada para o alinhamento horizontal, enquanto que o platô tibial
assume posição oblíqua. A força do peso corporal tende a subluxar
o fêmur anteriormente, controlado pelo ligamento cruzado anterior.
Uma força compressiva adicional ocorre na patela.
Durante o movimento de subir e descer escadas a amplitude de
movimento de flexão e extensão varia, geralmente, de 0° a 90° (AFFATO,
2014).
Ao subir escadas a força atuante na patela é 3.2 vezes o peso corporal,
onde a força de reação do solo é 4.1 vezes o peso corporal, a qual é
dependente da força muscular (AFFATO, 2014).
Dependendo da atividade, a força atuante na patela, pode aumentar
mais de seis vezes, como ao subir e descer escadas.

Figura 3.14 | Biomecânica do joelho ao subir e descer escadas

Fonte: Disponível em: <http://www.cirurgiadejoelho.med.br/tratamento-da-condromalacia-patelar-em-curitiba/>.


Acesso em: 14 set. 2015.

120 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

EXEMPLO: CICLISMO
Neste texto, iremos realizar uma análise biomecânica da pedalada
durante o ciclismo. O ato de pedalar utiliza movimentos sincronizados
de várias articulações em cadeia cinética fechada com os músculos
da região lombo pélvica e dos membros inferiores gerando propulsão
(ALENCAR; MATIAS; OLIVEIRA, 2010).
O ciclo da pedalada divide-se em fase de propulsão (0° a 180°) e fase
de recuperação (180° a 360°). Durante o ciclo temos como forças
atuantes a resistência de rolamento que é diretamente proporcional
ao diâmetro da roda, assim quanto maior o raio menor é o arrasto
(resistência). Temos também como resistência o arrasto aerodinâmico
provocado pela resistência do ar dependente do corpo do ciclista e da
bicicleta, que é determinado pela própria resistência do ar e pela área
frontal voltada para o movimento (ALENCAR; MATIAS; OLIVEIRA, 2010).
Outros fatores associados estão ligados à cinemática, através da altura
do banco da bicicleta, que modifica a amplitude de movimento articular
nos membros inferiores, o comprimento e a alavanca muscular. Sendo
que o torque gerado é definido pelo comprimento do pedal e pela
rotação axial da tíbia durante o ciclo da pedalada. Durante a fase de
recuperação ocorre uma força ascendente sobre o pedal, mas duas
forças precisam ser superadas, a força da gravidade e a força inercial
(ALENCAR; MATIAS; OLIVEIRA, 2010).
A artrocinemática do movimento demonstra movimentos das articulações
do quadril, joelho e tornozelo. Com ativação das estruturas músculo-
tendíneas que ultrapassam o joelho, com estabilidade proveniente dos
ligamentos colateral medial, colateral lateral, cruzado anterior e cruzado
posterior. A estabilização é auxiliada pelo quadríceps, patela e tendão patelar,
os isquiotibiais e o gastrocnêmio. E a flexão do joelho é acompanhada pela
rotação medial da tíbia (ALENCAR; MATIAS; OLIVEIRA, 2010).
Já o torque (momento da alavanca) que ocorre no tornozelo é
diretamente proporcional a distância entre o ponto de fixação do pé
e a articulação do tornozelo. E o quadril sofre durante a extensão do
joelho estresse em valgo (ALENCAR; MATIAS; OLIVEIRA, 2010).
Na atividade muscular o quadríceps é o principal gerador de potência
na fase propulsiva, tendo o tensor da fáscia lata o grácil atuando
como estabilizadores lateral e medial do joelho no plano sagital,
respectivamente. O músculo glúteo máximo auxilia na extensão do
quadril, assim como os isquiotibiais. Também há ativação dos principais
flexores plantares, sóleo e gastrocnêmio, além da ativação antagonista
tibial anterior (ALENCAR; MATIAS; OLIVEIRA, 2010).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 121


U3

Figura 3.15 | Biomecânica da pedalada

Fonte: Alencar, Matias e Oliveira (2010)

<https://periodicos.set.edu.br/index.php/fitsbiosaude/article/
viewFile/1834/1250>. Acesso em: 23 nov. 2015.
Neste artigo, você encontrará um debate sobre a utilização de
fortalecimento através de exercício e fortalecimento através de estímulo
elétrico no músculo do quadríceps, principal extensor do joelho.

<https://jornada.ifsuldeminas.edu.br/index.php/jcpoa/jcpoa/paper/
viewFile/863/484>. Acesso em: 23 nov. 2015.
Neste outro texto, você estudará o pico de torque do quadríceps, ou
seja, o momento de força deste importantíssimo grupo muscular.

122 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

1. O sistema ligamentar é responsável pela estabilidade


estática de todas as articulações. No joelho, eles formam
um grande complexo para controlar o movimento e
o estresse sofrido nesta articulação, por exemplo, o
ligamento colateral medial estabiliza medialmente o joelho
contra o estresse em valgo. Assim, assinale a alternativa que
contenha a resposta correta sobre a função do ligamento
cruzado anterior.

a) Prevenir translação posterior da tíbia.


b) Prevenir o estresse em valgo do joelho.
c) Prevenir o estresse em varo do joelho.
d) Prevenir translação anterior da tíbia.
e) Prevenir a compactação do joelho.

2. A patela é um osso sesamoide, inserido dentro do tendão


patelar, que insere o quadríceps na tíbia. Ela possui uma
importante função biomecânica. Assinale a alternativa que
contenha a alternativa correta sobre esta função:
a) Limita a translação anterior do joelho.
b) Proporciona maior vantagem mecânica, por alterar o
ângulo do quadríceps com a tíbia.
c) Limita a amplitude de movimento de rotação interna do
joelho.
d) Limita a amplitude de movimento de rotação externa do
joelho.
e) Limita a translação posterior do joelho.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 123


U3

124 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

Seção 3

Tornozelo e pé

3.1 Anatomia do tornozelo e pé

O complexo do pé e tornozelo é extremamente complexo, composto por


múltiplas articulações. O tornozelo é formado pelas articulações tibiotalar e
subtalar, completadas pelas articulações tibiofibular inferior e fibulotalar (LEARDINI;
O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

Um importante sistema ligamentar atua proporcionando estabilidade à


articulação, que pode ser complementada por momentos de força da musculatura
extrínseca. Os músculos atuam aplicando forças nos ossos, através dos seus
tendões, proporcionando instantâneos braços de alavanca relativos ao centro da
articulação (LEARDINI; O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

É importante destacar que no tálus não temos um tendão atuando, ele é


controlado pelos ligamentos e pelas forças de contato de outras estruturas ósseas
(LEARDINI; O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

Portanto, a estabilidade deste complexo se deve passivamente às limitações


impostas pela própria conformação anatômica associada com os ligamentos e
superfícies articulares, enquanto que a estabilidade dinâmica é proporcionada
pela interação entre músculos, ligamentos e superfícies articulares em resposta
às forças externas durante atividades cotidianas, como a caminhada (LEARDINI;
O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

Os ligamentos calcaneofibular e calcaneotibial controlam a rotação que ocorre


na articulação do tornozelo, controlando o deslocamento posterior da plantiflexão
e deslocamento anterior na dorsiflexão (LEARDINI; O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

Nos pés, temos as articulações metatarsofalangeanas e interfalangeanas que


são articulações condiloides e biaxiais. O pé é funcionalmente dividido em retropé
(tálus e calcâneo) e mediopé (navicular e cuboide), todas essas articulações são
consideradas planas ou gínglimas (OATIS, 1988).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 125


U3

Figura 3.16 | Anatomia do pé e tornozelo

Fonte: Disponível em: <http://divasquecorrem.com/destaque/saiba-por-que-o-salto-alto-e-o-inimigo-numero-1-


das-corredoras/. Acesso em: 14 set. 2015.

3.2 Cinesiologia do tornozelo e pé

O pé e tornozelo são estruturas extremamente móveis que atuam permitindo


boa amplitude de movimento e suporte do peso corporal.

Tabela 3.3 | Movimentos da articulação do tornozelo

Plano Eixo Movimento

Dorsiflexão e Plantiflexão
Sagital Transversal
Flexão dos dedos

Frontal Sagital Inversão e Eversão

Transverso Longitudinal Abdução e Adução

Fonte: Leardini, O’Connor e Giannini (2014)

Existem vários valores normativos sobre a amplitude de movimento do


tornozelo, todavia, esses valores sofrem variações amplas em decorrência de
alterações de medidas e morfológicas. Assim, podemos tentar estabelecer como

126 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

valores normais de amplitude de movimento:

• Flexão plantar: 45° a 65°.

• Dorsiflexão: 10° a 30°.

• Inversão: 0° a 20°.

• Eversão: 0° a 10° (OATIS, 1988).

Figura 3.17 | Dorsiflexão e flexão plantar Figura 3.18 | Inversão e eversão

Fonte: Disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/ Fonte: Disponível em: <http://www.auladeanatomia.


sistemamuscular/termos.htm>. Acesso em: 14 set. 2015. com/sistemamuscular/termos.htm>. Acesso em: 14
set. 2015.

Durante a fase de propulsão da marcha, os dedos dos pés atuam


realizando contração concêntrica dos flexores dos dedos,
conjuntamente com a contração concêntrica dos flexores plantares.

O movimento da articulação do tornozelo pode ser dividido entre as articulações


do tornozelo e subtalar, sendo que a maior parte da plantiflexão e dorsiflexão
ocorrem no tornozelo (63º) e menor parte na articulação subtalar (4º) (LEARDINI;
O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 127


U3

Já quando observamos a combinação da eversão com a dorsiflexão e inversão


com a plantiflexão, vemos que 49° ocorrem no tornozelo e 30° na articulação
subtalar (LEARDINI; O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

Porém, nesta articulação, os movimentos não ocorrem de maneira simples,


é comum ocorrerem movimentos triplanares que combinam dorsiflexão,
abdução e eversão, e na outra direção ocorrem os movimentos de flexão plantar,
adução e inversão. Esses movimentos ocorrem no eixo oblíquo e são descritos
historicamente da seguinte forma:

• Pronação: dorsiflexão, abdução e eversão.

• Supinação: flexão plantar, adução e inversão (OATIS, 1988).

Figura 3.19 | Pronação e supinação

Fonte: Disponível em: <http://www.atletasdamadrugada.com.br/pisada-pronada-neutra-ou-supinada-como-


saber-a-sua/>. Acesso em: 14 set. 2015.

Além disto, o pé pode assumir algumas posições, como a neutra subtalar,


posição onde a articulação não está nem em supinação e nem em pronação. Nesta
posição, o tálus e o calcâneo estão mais congruentes (OATIS, 1988). A palpação
é geralmente determinada pela palpação do calcâneo, através do alinhamento do
retropé (OATIS, 1988).

Além disto, o pé pode estar em outras posições, que ocorre através da fixação
resultante de uma compensação por uma deformidade estrutural:

• Valgo: posição medializada do calcâneo, em decorrência da supinação.

• Varo: posição lateralizado do calcâneo, em decorrência da pronação.

• Pé plano: caracterizado por uma pronação da articulação subtalar ou

128 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

articulação tarsal transversa. Frequentemente descrita como pé pronado.

• Pé cavo: caracterizado por uma supinação da articulação subtalar ou


articulação tarsal transversa. Frequentemente descrita como pé supinado
(OATIS, 1988).

Figura 3.20 | Pé valgo e varo

Fonte: Disponível em: <http://www.pessemdor.com.br/dores/diagnostico-de-dores/dor-no-tornozelo>. Acesso


em: 7 out. 2015.

Figura 3.21 | Pé normal, pé plano e pé cavo

Fonte: Disponível em: <http://www.isaudebahia.com.br/noticias/detalhe/noticia/pe-plano-voce-sabe-o-que-e-


isso/>. Acesso em: 14 set. 2015.

3.3 Biomecânica do tornozelo e pé

O fato do tornozelo ser uma articulação de dobradiça (movimento uniaxial), seu


eixo está rodado em torno de 20° no plano transverso, contribuindo mais para a
dorsiflexão (OATIS, 1988). O movimento da articulação do tornozelo ocorre entre

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 129


U3

o tálus, a tíbia e a fíbula somente (OATIS, 1988).

Os braços de alavanca que ocorrem nesta articulação dependem da habilidade


do músculo de produzir torque na articulação ou para resistir à rotação dela
(LEARDINI; O’CONNOR; GIANNINI, 2014).

Na supinação, o calcâneo se move anterior, inferior e medialmente sobre o


tálus. Já na pronação, ele se move posterior, superior e lateralmente (OATIS, 1988).

A distribuição da composição do movimento no tornozelo, para a vista sagital,


o eixo é de 45° para o plano horizontal (entre o eixo da abdução-adução e
inversão-eversão), que pode variar em torno de 22°. Este eixo é alinhado com o
eixo longitudinal do pé (OATIS, 1988).

Eixo transverso da articulação tarsal é uma articulação funcional entre o retropé


(tálus e calcâneo) e o mediopé (navicular e cuboide). São articulações planas
ou gínglimas. Na supinação, o navicular desliza medialmente e inferiormente na
cabeça do tálus. O cuboide segue o navicular, movendo-se medial e inferiormente
no calcâneo. Na pronação, esses movimentos ocorrem de maneira reversa. A
região transversa do tarso é considerada como uma unidade funcional simples,
através da rotação do segmento sobre o eixo de rotação (OATIS, 1988).

O eixo longitudinal provê eversão e abdução ou inversão e adução. O eixo


oblíquo contribui mais para a dorsiflexão e flexão plantar do que para os movimentos
nos planos frontal e transverso (OATIS, 1988).

Desta forma, a articulação transversa do tarso pode compensar uma perda de


movimento da articulação do tornozelo. Assim, quando uma articulação está em
pronação a outra também está, e o mesmo trabalho conjunto ocorre no movimento
de supinação. O movimento de pronação é resultado de um achatamento do arco
longitudinal tornando o pé mais flexível, enquanto que a supinação é resultado de
uma elevação do arco longitudinal, tornando o pé mais rígido (OATIS, 1988).

As articulações tarsometatarsas do pé são divididas em cinco raios:

• 1º raio: unidade funcional entre os ossos metatarso e cuneiforme medial.


O eixo do movimento é direcionado anterior, lateral e inferiormente. Assim,
o movimento ocorre entre o plano frontal e o plano sagital, mais próximo
do plano transverso. Seu movimento é uniaxial e triplanar. Os movimentos
ocorrem pela combinação de dorsiflexão com inversão ou plantiflexão
com eversão, com mínima contribuição para abdução ou adução. Hábil
para realizar movimentos de dorsiflexão e plantiflexão (OATIS, 1988).

• 2º raio: unidade entre o segundo metatarso e cuneiforme médio. Hábil para


realizar movimentos de dorsiflexão e plantiflexão (OATIS, 1988).

130 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

• 3º raio: unidade composta pelo terceiro metatarso e cuneiforme lateral


(OATIS, 1988).

• 4º raio: unidade que contém apenas o quarto metatarso (OATIS, 1988).

• 5º raio: unidade formada apenas pelo quinto metatarso (OATIS, 1988).

As articulações metatarsofalangeanas e interfalangeanas são condiloides,


biaxiais, com movimentos apenas nos planos transverso e sagital. O eixo do
movimento passa pela cabeça de cada metatarso. Contudo, essas articulações
permitem flexão plantar e flexão dorsal puras além da abdução e adução no plano
cardinal (OATIS, 1988).

Enquanto que as articulações interfalangeanas realizam movimentos puros de


flexão e extensão no plano sagital, com amplitude de movimento variando a 0° a
70° e 0° a 90° no hálux, e 0° a 40° a 0° a 90° nos outros dedos (OATIS, 1988).

Muitas atividades serão executadas durante sustentação de peso, com o pé


fixado no solo, esta condição é denominada de cadeia cinética aberta. Neste caso,
o movimento do pé provoca movimentos na tíbia e fíbula, as quais transmitem
ao fêmur uma força de rotação cujo torque é absorvido pelo joelho. A pronação
em cadeia cinética fechada resulta em rotação interna, desvio medial, e uma leve
inclinação anterior da perna, onde a produção de supinação produz resultados
opostos. Além disto, ela tende a fletir o joelho, onde a supinação tende a resultar
na extensão do joelho. Os movimentos da perna que não absorvidos pelo joelho e
podem ser transmitidos para cima para a coxa, resultando numa rotação medial do
fêmur com pronação e rotação lateral com supinação (OATIS, 1988).

Outro ponto que merece destaque são as pressões que os pés suportam,
geralmente distribuídas da seguinte forma:

• 60,5% do peso no calcanhar.

• 28,2% do peso no antepé.

• 7,8% do peso no retropé.

• 3,6% do peso nos dedos (OATIS, 1988).

Neste caso, durante a posição de repouso os músculos intrínsecos do pé não


suportam o peso corporal. Os suportes inerciais vêm das estruturas, como a fáscia
plantar e os ligamentos do pé, e são responsáveis pela manutenção dos pés (OATIS,
1988).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 131


U3

De acordo com a distribuição do peso corporal e o movimento


complexo do pé, você consegue determinar quais áreas
precisam de mais amortecimento no calçado?

<http://www.scielo.br/pdf/rbme/v20n2/1517-8692-
rbme-20-02-00146.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2015.
Neste texto há uma discussão sobre o treinamento dos elementos
proprioceptivos na estabilidade do tornozelo.

1. Os movimentos que ocorrem no complexo do pé e


tornozelo são movimentos complexos que utilizam na
maioria das vezes combinações que permitem adaptações
para que as atividades funcionais possam ocorrer. Baseado
nisto, assinale a alternativa correta sobre os movimentos
triplanares que ocorrem no complexo do tornozelo e pé.

a) A dorsiflexão ocorre conjuntamente com a plantiflexão


e inversão do pé.
b) A dorsiflexão ocorre conjuntamente com a inversão e
eversão do pé.
c) A dorsiflexão ocorre conjuntamente com a eversão e
plantiflexão do pé.
d) A dorsiflexão ocorre conjuntamente com a eversão e
rotação interna do pé.
e) A dorsiflexão ocorre conjuntamente com a eversão do
pé e extensão dos dedos.

132 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

2. Maratonistas executam atividades extenuantes,


correm por muitos quilômetros e por isso dependem de
equipamentos adequados, principalmente os tênis. Devido
ao fato da sua atividade envolver corrida, seu tênis deve ter
duas características básicas, por isso, assinale a alternativa
que contenha essas duas características.

a) Propulsão no retropé e amortecimento no mediopé.


b) Propulsão no retropé e amortecimento no antepé.
c) Propulsão no antepé e amortecimento no retropé.
d) Propulsão no antepé e amortecimento no mediopé.
e) Propulsão no médio pé e amortecimento no antepé.

Os membros inferiores requerem muito mais força e estabilidade


do que os membros superiores, por isso seus ossos são maiores
e mais robustos, para permitir que essa arquitetura interna
possa resistir aos esforços mecânicos, destacando o pé que,
dentre suas funções, tem que sustentar todo o peso corporal e
impulsionar o sistema locomotor.

Para fixarmos os conteúdos trabalhados nesta unidade, vamos


a uma breve revisão:

• Extensão do quadril: movimento realizado no sentido


posterior através da ação do glúteo máximo, glúteo médio
e adutor magno.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 133


U3

• Flexão do quadril: movimento realizado no sentido anterior,


através da contração dos músculos iliopsoas, tensor da
fáscia lata, pectíneo, adutor longo e adutor curto.

• Abdução do quadril: movimento de afastamento das pernas


no sentido lateral, com a contração dos músculos glúteo
médio, glúteo máximo e tensor da fáscia lata.

• Adução do quadril: movimento de fechar as pernas através


da contração do adutor longo, adutor curto, adutor magno,
pectíneo, grácil e semitendinoso.

• Flexão do joelho: movimento de dobrar as pernas, realizado


pela ação dos músculos semimembranoso, semitendinoso,
bíceps femoral, sóleo, sartório e gastrocnêmios.

• Extensão do joelho: movimento de esticar as pernas,


possível graças à contração do quadríceps.

• Plantiflexão: movimento de levar os dedos para baixo (pé


de bailarina), através da ativação dos músculos sóleo e
gastrocnêmio.

• Dorsiflexão: movimento de levar o pé para cima pela


contração do tibial anterior e extensor longo dos dedos.

1. Muitos movimentos ocorrem em todas as articulações


do nosso corpo, para isso é importante sabermos seus
planos e eixos para compreender qual a direção que
assumem, quais músculos que atuam e quais fatores
podem limitar. Assim determine qual alternativa contém

134 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

o eixo do movimento de abdução e adução do quadril.

a) Oblíquo inferior.
b) Longitudinal ou vertical.
c) Frontal ou mediolateral.
d) Sagital ou anteroposterior.
e) Oblíquo superior.

2. Quando saltamos e caímos na posição de agachamento,


as pernas e os pés executam, respectivamente:

a) Movimentos sincronizados de extensão ou flexão


plantar.
b) Movimentos sincronizados de flexão ou dorsiflexão.
c) Movimentos sincronizados de extensão ou dorsiflexão.
d) Movimentos sincronizados de flexão ou flexão plantar.
e) Movimentos sincronizados de rotação ou eversão.

3. O sistema ligamentar possui como função primordial


realizar a estabilização passiva das articulações, limitando
os movimentos para que eles não prejudiquem ou
lesionem as articulações. Assim, assinale a alternativa
correta sobre as funções dos ligamentos.

a) Ligamento cruzado anterior limita o movimento de


translação posterior da tíbia.
b) Ligamento cruzado posterior limita o movimento de

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores 135


U3

translação anterior da tíbia.


c) Ligamento cruzado anterior limita o movimento de
translação anterior da tíbia.
d) Ligamento cruzado posterior limita o movimento de
coaptação da tíbia.
e) Ligamento cruzado anterior limita o movimento de
coaptação da tíbia.

4. O quadril executa, entre outras funções, a fixação


da pelve para que a coluna lombar possa executar os
movimentos com uma base estável. Assim, assinale a
alternativa que contenha a resposta correta sobre o
grupo muscular que estabiliza a articulação do quadril.

a) Grupo adutor.
b) Grupo flexor.
c) Grupo extensor.
d) Grupo abdutor.
e) Grupo rotador.

5. Ao pular corda, observamos movimentos em todas


as articulações dos membros inferiores. Desta forma,
descreva cada movimento que ocorre nas articulações
do quadril, joelho e tornozelo ao pular corda, assim como
seus planos e eixos.

136 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


U3

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140 Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos dos membros inferiores


Unidade 4

CINESIOLOGIA E
BIOMECÂNICA RELACIONADA
AOS MOVIMENTOS DO
TRONCO
João Paulo Manfré dos Santos

Objetivos de aprendizagem:

Prezado(a) aluno(a)! Nessa unidade, você irá aplicar as definições explicadas


na Unidade 1, porém, com o foco no estudo das estruturas da coluna vertebral e
pelve. Essas seções foram divididas de forma a facilitar a compreensão de cada
segmento, buscando a ligação entre eles e a aplicação na prática profissional.
Desta forma, esperamos que, ao final desta unidade, você compreenda os
movimentos que acontecem no tronco, mais especificamente na coluna
vertebral, entendendo todas as suas nuances e peculiaridades, além da
importância para execução de todos os gestos corporais.

Seção 1 | Coluna cervical


O objetivo desta seção é relembrar as principais estruturas anatômicas
da coluna cervical, os movimentos que acontecem e como essas estruturas
atuam e finalizam com conceitos de biomecânica, estabelecendo relação
com algumas situações práticas.
U4

Seção 2 | Coluna torácica


Nesta seção foi realizada uma revisão anatômica das estruturas da coluna
torácica, como elas se relacionam entre si e, também, com os outros
segmentos do tronco, além de analisar os movimentos presentes nesta
articulação e quais estruturas atuam, aplicando os conceitos de biomecânica.

Seção 3 | Coluna lombar e pelve


O foco do estudo desta seção é fazer uma releitura anatômica da coluna
lombar e pelve, das relações entre os componentes ósseos, articulares
e musculares, e realizar uma interpretação dos principais movimentos
presentes nestas articulações e a atuação destes componentes dentro do
contexto biomecânico.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


142
U4

Introdução à unidade
Caro(a) aluno(a)! Agora, realizaremos as análises sobre os movimentos
mais complexos e delicados que existem no corpo humano, em um sistema
multissegmentar, uma vez que a coluna vertebral é considerada um complexo
sistema multiarticular controlado pelos músculos da cabeça e do tronco, os quais
durante diferentes movimentos e posturas, protegem a medula espinhal, as raízes
nervosas e até as artérias vertebrais.

Para isso realizaremos uma breve revisão anatômica, focada nos sistemas ósseo
e articular, em seguida uma análise do movimento e seus componentes motores,
e, além disto, uma aplicação dos conceitos mecânicos destes e funções da coluna
vertebral.

A função normal da coluna é dependente de estabilidade, para proteção das


estruturas nervosas, transferindo as forças entre os membros superiores e inferiores,
e de realizar a ativação das forças gerais do tronco. Desta forma começaremos pela
coluna cervical, analisando seus movimentos, suas peculiaridades, determinando
a importância de cada estrutura no movimento em si, e quais as funções este
segmento possui. Posteriormente, nós faremos as mesmas análises nas colunas
torácica e lombar, além da pelve, estabelecendo além do descrito acima, a relação
entre eles.

Desta forma, esperamos que todo o conteúdo que será apresentado seja útil na
sua formação e futuramente na sua prática profissional, corroborando para uma
melhor compreensão do gesto motor, proporcionando melhor desempenho e
elevação dos níveis de qualidade de vida da população.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


143
U4

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


144
U4

Seção 1

Coluna cervical

Introdução

A coluna cervical humana possui um mecanismo muito complexo. Contém


estruturas vitais neurológicas, vasculares e respiratórias, portanto, ela possui duas
funções importantes e antagônicas: a proteção destes componentes vitais e a
mobilidade, permitindo que a cabeça tenha ampla capacidade de se movimentar
em todas as direções.

1.1 Revisão anatômica

A coluna vertebral compõe parte do esqueleto axial e é caracterizada como


um eixo central (fornecendo estabilidade) e flexível (fornecendo mobilidade),
constituída por vértebras unidas entre si por articulações, através de uma extensa
rede ligamentosa e suportada por uma forte massa muscular (NATOUR, 2004).

Desta forma, a coluna vertebral é formada por uma série de vértebras articuladas
pelo eixo central esquelético do corpo. Ela é formada por 24 vértebras móveis,
sendo:

• 7 vértebras cervicais;

• 12 vértebras torácicas;

• 5 vértebras lombares (NATOUR, 2004; THOMPSON; FLOYD, 2002).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


145
U4

Figura 4.1 | Coluna vertebral

Coluna cervical

Coluna torácica

Coluna lombar

Vista Vista Vista


ventral lateral dorsal
Fonte: Netter (2000). Disponível em: <http://www.sogab.com.br/anatomia/colunavertebraljonas.htm>. Acesso em:
2 out. 2015.

As vértebras possuem uma característica interessante quanto ao seu


tamanho, tornando-se maiores na direção inferior até o sacro, e partir
do sacro elas vão diminuindo até se completarem no cóccix.

O desenvolvimento das vértebras inicia-se no período embrionário, e ao nascer


todas já são inteiramente cartilaginosas, sofrendo um processo de ossificação
durante a infância (NATOUR, 2004).

1.1.1 Curvas fisiológicas

Se você observar a Figura 4.1, na vista lateral, observará que a coluna vertebral possui
curvas que mudam em cada segmento, assim podemos determinar três curvas:

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


146
U4

• Lordose cervical: adquirida com o desenvolvimento do controle da cabeça


e do tronco.

• Cifose dorsal: única, presente desde o nascimento.

• Lordose lombar: desenvolvida com o controle de tronco e o início da


marcha (MORVAN et al., 2008; VIALLE et al., 2005; THOMPSON; FLOYD,
2002).

As cifoses são curvaturas convexas (relevo exterior curvo) posteriormente


(primárias), enquanto que as lordoses são curvaturas côncavas (relevo interior escavado)
posteriormente (secundárias) (CHEN et al., 2011; THOMPSON; FLOYD, 2002).

1.1.2 Vértebra típica

Uma vértebra típica é formada por um corpo vertebral, um arco vertebral e


processos vertebrais. O corpo vertebral está localizado na porção anterior da
vértebra, é composto por uma massa cilíndrica de osso esponjoso, sendo que
as bordas superior e inferior são compostas por osso compacto. Possui tamanho
variável, no segmento torácico e suas facetas articulares vão para as costelas. Além
disso, os corpos das vértebras adjacentes são separados pelo disco intervertebral,
tendo como principal função o suporte de cargas (NATOUR, 2004; THOMPSON;
FLOYD, 2002).

Já o arco vertebral está localizado posteriormente ao corpo vertebral, é


composto pelos pedículos direito e esquerdo e pelas lâminas direita e esquerda.
Formam conjuntamente com a face posterior do corpo vertebral as paredes do
forame vertebral que envolve e protege a medula espinhal, formando em toda a
extensão da coluna o canal vertebral (NATOUR, 2004; THOMPSON; FLOYD, 2002).

E finalizando a vértebra típica, temos os processos vertebrais, que são pontas


ósseas formadas a partir das lâminas vertebrais, variando de forma, tamanho e
direção de acordo com cada região da coluna vertebral:

• Processo espinhoso: processo proeminente posterior da vértebra.

• Processo transverso: proeminência lateral que sai da junção dos pedículos


com as lâminas.

• Processos articulares: estruturas articulares que possuem facetas superior e


inferior, para articulação com as vértebras acima e abaixo, respectivamente
(NATOUR, 2004; THOMPSON; FLOYD, 2002).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


147
U4

Figura 4.2 | Vértebra típica

osso cortical

corpo osso
vertebral esponjoso

processo pedículo
transverso

processo
articular
lâmina foramen
vertebral

processo
espinhoso
Fonte: Disponível em: <http://www.clinicaosaka.com.br/procedimento-20.html>. Acesso em: 22 out. 2015.

1.1.3 Vértebras cervicais

Didaticamente, podemos dividir a coluna cervical em três grupos:

• Coluna cervical superior formada pelo complexo occipúcio-atlas-áxis (C0-


C1-C2), com características únicas e complexas (GRIEVE, 1988).

• Coluna cervical média formada de C2 à C5.

• Coluna cervical inferior formada pela junção cervicotorácica (C5-T1)


(WHITE; PANJABI, 1990).

Detalham-se as duas primeiras vértebras cervicais que possuem características


diferentes das demais. O atlas é a primeira vértebra cervical (C1), ela tem como
função suportar o crânio, mas sua anatomia é bem característica, pois não possui
espinha e nem corpo vertebral, ela é formada apenas por duas massas laterais
conectadas por um arco posterior longo e um arco anterior curto (NATOUR, 2004).

Já o áxis é a segunda vértebra cervical (C2), e possui como característica


marcante a presença de um dente do áxis que serve como um pivô para o atlas,
para que possam ocorrer os movimentos rotacionais da cabeça (NATOUR, 2004).
A articulação entre o occipital, o atlas e o áxis possui um sistema ligamentar denso
formado pelos ligamentos alares e transversos (GRIEVE, 1988).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


148
U4

O complexo articular occipúcio-atlas-áxis, devido às suas


características anatômicas, permite algumas funções
importantes para que consigamos executar atividades
essenciais na nossa vida. Quais seriam esses movimentos?

Figura 4.3 | Atlas e áxis

Fonte: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAWq8AA/atlas-anatomia?part=7>. Acesso em: 22


out. 2015.

Já as outras vértebras cervicais, terceira à sexta (C3 a C6), apresentam um corpo


vertebral baixo e largo, com um amplo forame vertebral triangular e um processo
espinhoso pequeno e bífido.

E, finalizando, temos a sétima vértebra cervical (C7), considerada uma vértebra


de passagem, possui um processo espinhoso extenso, perceptível na inspeção,
principalmente quando o pescoço se encontra flexionado (NATOUR, 2004).

1.1.4 Articulações entre os corpos vertebrais

Entre os corpos vertebrais temos os corpos contíguos unidos por ligamentos


longitudinais e por discos intervertebrais. Os discos intervertebrais localizam-
se entre as vértebras adjacentes, permitindo compressão em todas as direções,

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


149
U4

conjuntamente com movimentos de rotação (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Vamos detalhar o disco intervertebral, ele é um coxim elástico (amortecedor)


que forma a articulação fibrocartilagínea, entre os corpos vertebrais contíguos.
Composto por um núcleo pulposo cercado por um anel fibroso, que pode ser
dividido em duas porções:

• Porção externa: fortemente amarrada aos corpos vertebrais contíguos,


confundindo-se aos ligamentos longitudinais. É a parte ligamentar do ânulo
fibroso. Constituída por 10 a 12 lamelas concêntricas de fibras colágenas,
dispostas em configuração espiral, formando um ângulo de 65° com o eixo
vertical.

• Porção interna: forma um pesado envelope esferoidal em torno do


núcleo pulposo. Possui constituição fibrocartilagínea (NATOUR, 2004;
THOMPSON; FLOYD, 2002).

Já o núcleo pulposo é uma composição branca, brilhante e semigelatinosa


que ocupa a parte interna do disco intervertebral e comporta-se como um fluído.
Possui um núcleo central de matriz de proteoglicano bem hidratado, sendo que o
conteúdo de água é maior ao nascimento e tem como característica sua redução
com o progredir da idade, diminuindo sua quantidade de líquido durante o dia e,
com o envelhecimento, tende a ficar fibrocartilagíneo, desgastar e sofrer fissuras
(NATOUR, 2004).

Figura 4.4 | Disco intervertebral


Núcleo do Disco
Anel do Disco

Vértebra

Fonte: Disponível em: <http://www.ntcvertebral.com.br/tratamentos/hernia-de-disco/>. Acesso em: 2 out. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


150
U4

Tabela 4.1 | Funções das estruturas do disco intervertebral

FUNÇÕES DO ÂNULO FIBROSO FUNÇÕES DO NÚCLEO PULPOSO

Absorve as forças atuantes sobre a coluna


Estabilizar corpos vertebrais adjacentes.
vertebral.
Permitir movimentos entre os corpos Realiza troca de líquido entre o disco
vertebrais. intervertebral e os capilares vertebrais.
Atua como eixo vertical de movimento entre
Funciona como ligamento acessório.
as duas vértebras.

Mantém o núcleo pulposo em sua posição.

Amortece as forças atuantes sobre a coluna


vertebral.
Fonte: Natour (2004)

Curiosidade!
Os discos intervertebrais possuem algumas características importantes:
• Correspondem a 25% do comprimento da coluna vertebral.
• São mais finos na coluna torácica e mais espessos na coluna lombar.
• Os discos cervicais e lombares são mais espessos na porção anterior
do que na porção posterior (NATOUR, 2004).

Conjuntamente com os discos intervertebrais nas articulações entre os corpos


vertebrais, temos a ação dos ligamentos longitudinais, que didaticamente são
divididos em longitudinal anterior, que passa longitudinalmente e à frente dos
corpos vertebrais e discos intervertebrais, vão desde o tubérculo anterior do atlas e
vai até a superfície pélvica do sacro. E o ligamento longitudinal posterior encontra-
se no interior do canal vertebral onde passa longitudinalmente, e por trás dos
corpos vertebrais e dos discos intervertebrais, indo desde o osso occipital até o
canal sacral (NATOUR, 2004).

1.1.5 Articulações entre arcos vertebrais

As articulações entre os arcos vertebrais ocorrem através das articulações


zigoapifisárias (articulações sinoviais), formadas pelas facetas articulares de duas
vértebras adjacentes e por ligamentos acessórios que se atrelam com as lâminas
e os processos transversos e espinhosos. Nesta articulação, a cápsula articular é

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


151
U4

fina e frouxa permitindo movimentos característicos em cada segmento da coluna


(NATOUR, 2004).

Figura 4.5 | Articulações As facetas articulares das articulações


zigoapofisárias zigoapofisárias possuem duas funções
básicas:

• Controle da direção e amplitude de


movimento.

• Distribuição de cargas.

De acordo com o modelo de três colunas


Disco
de Louis, o peso da cabeça e do tronco é
transmitido, primeiramente, em duas colunas
localizadas no mesmo plano frontal, as
articulações atlanto occipitais laterais, então,
para C2 a C5, numa terceira coluna formando
A. Zigoapofisárias
um triângulo com vértice anterior (10).
Fonte: Disponível em: <http://
jeffersonleal.com.br/pagina.asp?seca
o=7&area=114&site=1&id=62&tp=2>.
A coluna anterior é composta pela
Acesso em: 22 out. 2015. superposição dos corpos e discos, e duas
colunas posteriores de sucessão vertical das facetas articulares. O equilíbrio e
ação modular de cada faceta posterior aceita de 0% a 33% de carga dependo
da postura, mas no caso da hiperlordose, estatura alta e degeneração discal essa
porcentagem pode passar de 70% (35). Como os corpos vertebrais aumentam de
tamanho, conforme descem as facetas articulares inferiores, compensam com
aumento da demanda funcional. A simetria espacial das facetas é essencial para o
funcionamento correto.

Nestas articulações existe um sistema ligamentar importante formado pelo


ligamento amarelo, que faz a ligação das bordas das lâminas das vértebras contíguas,
estendendo-se até as cápsulas das articulações zigoapofisárias, contribuindo, desta
forma, na formação do limite posterior do forame intervertebral (NATOUR, 2004).
Outro ligamento existente é o ligamento nucal, que tem formato triangular formando
uma manta fibrosa entre a musculatura bilateral do pescoço, fixando-se no osso
occipital até os processos espinhosos de toda a coluna cervical (NATOUR, 2004).

Outro ligamento presente é o ligamento supraespinhal, que faz a ligação entre


as extremidades dos processos espinhosos, sendo pouco desenvolvido na região
lombar inferior, juntando-se ao ligamento da nuca, superiormente. Temos, também,
os ligamentos interespinhais, que conectam os processos espinhosos adjacentes,
sendo muito desenvolvidos na região lombar. E, finalizando, temos os ligamentos
intertransversais, que fazem a conexão dos processos transversos adjacentes, exceto
na região lombar (NATOUR, 2004).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


152
U4

Figura 4.6 | Sistema ligamentar 1.1.6 Articulações especiais da coluna cervical


da coluna vertebral
Como mencionado anteriormente, duas
vértebras cervicais apresentam características
distintas das outras, e acabam formando duas
articulações especiais.

A articulação atlanto-occipital, que é uma


articulação sinovial bilateral entre a faceta articular
superior da massa lateral do atlas, e do côndilo
correspondente (NATOUR, 2004; THOMPSON;
FLOYD, 2002). Essa articulação permite os
movimentos de flexão e extensão (THOMPSON;
FLOYD, 2002).

E a articulação atlantoaxial, que é composta por


três articulações sinoviais, sendo duas laterais e uma
Fonte: Disponível em: <http://www. média. As laterais são sinoviais planas e localizam-
herniadedisco.com.br/doencas-
da-coluna/anatomia-da-coluna- se entre os processos articulares opostos de atlas e
vertebral/>. Acesso em: 2 out. 2015.
áxis. Já a articulação mediana atua como pivô entre
o arco anterior do atlas e o processo odontoide do
Figura 4.7 | Articulações áxis (NATOUR, 2004). Classificada como trocoide
atlanto-occipital e atlantoaxial
ou do tipo pivô, permite movimentos de rotação
na região cervical (THOMPSON; FLOYD, 2002).

1.1.7 Sistema muscular

Os músculos que atuam na coluna vertebral


podem ser divididos didaticamente em:

• Músculos anteriores: localizados à frente do


processo transverso, presentes apenas na
coluna cervical e na coluna lombar.
Fonte: Netter (2000) • Músculos posteriores: localizados
posteriormente ao processo transverso,

presentes em toda a coluna vertebral (NATOUR, 2004).

1.1.8 Anatomia neural

A coluna vertebral tem uma característica marcante por ser a estrutura que faz a

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


153
U4

ligação do encéfalo com a periferia, através da medula espinhal que ocupa o canal
medular, emitindo nervos espinhais que saem pelo forame intervertebral acima da
vértebra correspondente (exceto C8, que sai abaixo da sétima vértebra cervical)
(NATOUR, 2004).

Assim, nos sulcos lateral anterior e lateral posterior da medula, há uma conexão
com os filamentos radiculares para formar:

• Raízes dorsais: sensitivas.

• Raízes ventrais: motoras.

Figura 4.8 | Medula espinhal

Fonte: Disponível em: <https://adoratual.wordpress.com/tag/medula-espinhal/>. Acesso em: 22 out. 2015.

Essas duas raízes se unem para formar os nervos espinhais (NATOUR, 2004).

Outro aspecto interessante do sistema neural é a presença de dermátomos,


que são caracterizados como um território cutâneo inervado por uma única raiz
nervosa dorsal, sendo denominado de acordo com a raiz que o inerva. Assim há
uma considerável superposição entre dermátomos. Desta forma, os limites entre os
dermátomos adjacentes são imprecisos (NATOUR, 2004).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


154
U4

Figura 4.9 | Dermátomos

Fonte: Netter (2000)

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


155
U4

E o mesmo detalhamento pode ser feito relacionando a raiz nervosa com os


músculos, processo denominado miótomo, que é o campo radicular motor,
determinado pelo conjunto de músculos inervados por uma única raiz ventral
(NATOUR, 2004).

E como falamos sobre os nervos espinhais, vamos detalhar melhor a sua anatomia.
Existem 31 pares de nervos espinhais correspondentes aos 31 pares de segmentos
medulares, divididos da seguinte forma:

• 8 pares de nervos cervicais. Figura 4.10 | Nervos


espinhais
• 12 pares de nervos torácicos.

• 5 pares de nervos lombares.

• 5 pares de nervos sacrais.

• 1 par de nervo coccígeo (NATOUR, 2004).

E assim que o nervo espinhal sai pelo forame


intervertebral, ele se divide em:

• Ramo dorsal: inerva a pele e os músculos da


região dorsal do tronco.

• Ramo ventral: continuação do tronco do nervo Fonte: Netter (2000)

espinhal, inervando a musculatura, pele, ossos e vasos dos membros, região


anterolateral do pescoço e do tronco.

• Ramo medial: inerva a musculatura posterior do pescoço, as articulações


zigoapofisárias, os músculos e ligamentos transversários.

• Ramo lateral: inerva a face dorsal do pescoço, e passa entre os músculos e


ligamentos transversários (NATOUR, 2004).

E eles podem acabar formando plexos nervosos (NATOUR, 2004).

E finalizando, a própria coluna vertebral é inervada, pelos nervos sinuvertebrais (ou


de Lushka), suprindo as meninges e os vasos, assim como as estruturas articulares
e ligamentares adjacentes. Em alguns casos, inervam também a camada externa
do ânulo fibroso dos discos intervertebrais, o periósteo externo, facetas articulares,
músculos e ligamentos vertebrais (NATOUR, 2004).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


156
U4

1.2 Cinesiologia e biomecânica

A coluna tem como função básica permitir a ação mecânica do sistema


musculoesquelético. Mas de acordo com suas características anatômicas, se
analisarmos os movimentos entre vértebras adjacentes, observamos apenas
movimentos limitados, mas a soma desses movimentos determina uma amplitude
considerável de mobilidade da coluna vertebral (NATOUR, 2004; THOMPSON;
FLOYD, 2002). Isto se deve às características anatômicas da articulação, que são
classificadas como artródias ou do tipo deslizante, ou seja, seus movimentos são
apenas deslizamentos que ocorrem entre as facetas articulares superior e inferior.

No plano sagital, o movimento de flexão cervical é caracterizado como o


ato de levar o queixo até o esterno, e a extensão cervical o gesto de distanciar
o queixo do esterno (NATOUR, 2004). Neste caso a vértebra move-se sobre o
eixo transverso, e ambas as facetas articulares descrevem no final dois arcos de
circunferência sobre o centro de rotação, acompanhada de pequeno deslizamento
anterior (anterolistese) (LOUIS, 1989). A vértebra se move sobre o eixo de rotação
transverso, no corporal vertebral subjacente, neste caso, ambos, os platôs e as
facetas articulares, desenvolvem dois arcos de circunferência sobre o mesmo centro
de rotação, com movimento intervertebral no outro lado da posição neutra, onde é
feita uma resistência relativamente pequena e a colune exibe alta flexibilidade dentro
da laxidão das cápsulas, ligamentos e tendões (PANJABI, 1992).

Durante a flexão cervical, a articulação zigoapofisárias deslizam de forma


combinada superior, lateral e anteriormente. Já durante a extensão, a articulação
desliza inferiormente, medial e posteriormente (WHITE; PANJABI, 1990), tendo
amplitude de movimento em aproximadamente de 45° (THOMPSON; FLOYD,
2002). Sendo que os segmentos cervicais superiores são os que mais trabalham
na extensão, mas quando associados com rotação são os segmentos cervicais
inferiores que se movimentam mais (CHEN et al., 2011).

No movimento de flexão cervical, os músculos atuantes são:

• Músculo longo da cabeça.

• Reto anterior da cabeça.

• Reto lateral da cabeça.

• Esternocleidomastoideo (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Enquanto que na extensão temos como músculos atuantes:

• Reto posterior da cabeça.

• Oblíquo da cabeça.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


157
U4

• Semiespinhal.

• Esplênio (THOMPSON; FLOYD, 2002).

No plano coronal, temos os movimentos de inclinação lateral (flexão lateral), que


ocorrem tanto para a direita como para a esquerda, com amplitude de movimento
de aproximadamente 30° (NATOUR, 2004). Neste movimento, a cabeça move-se
lateralmente em direção ao ombro, através da ação dos seguintes músculos:

• Reto lateral da cabeça.

• Oblíquo superior da cabeça.

• Esplênio.

• Esternocleidomastoideo (inclinação contralateral) (THOMPSON; FLOYD,


2002).

E no plano longitudinal, encontramos os movimentos de rotação tanto para


a direita como para a esquerda, com amplitude de movimento em torno de
60°(NATOUR, 2004; THOMPSON; FLOYD, 2002). Esses movimentos ocorrem
sobre o eixo axial, produzindo mudanças na orientação da direção dessas vértebras
(GRIEVE, 1988). Neste movimento, o queixo sai da posição neutra e gira em direção
ao ombro, através da ação, os seguintes músculos:

• Oblíquo inferior da cabeça. Figura 4.11 | Músculos da coluna


cervical
• Reto posterior maior da cabeça.

• Semiespinhoso da cabeça.

• Esplênio.

• Esternocleidomastoideo (rotação
contralateral) (THOMPSON; FLOYD,
2002).

Já nos movimentos de rotação e inclinação


lateral, a orientação oblíqua das facetas
articulares e dos músculos faz com que o centro
Fonte: Disponível em: <http://torcicolo.com/
varie conforme o movimento saindo desde o torcicolo-estabilidade.html>. Acesso em: 22
centro da faceta articular, passando pelo corpo out. 2015.

da vértebra e chegando até o processo espinhoso (LOUIS, 1989).

Aproximadamente 60% da rotação axial cervical ocorre nas articulações entre


C0-C1-C2, com a finalidade de facilitar o movimento de rotação da cabeça (GRIEVE,

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


158
U4

1988). Como as facetas articulares do complexo C1-C2 possuem orientações


convexa-convexa, os movimentos de rotação e inclinação lateral ocorrem sempre
em oposição, ou seja, quando a cabeça roda para a direita, C1 desliza para a esquerda
(WHITE; PANJABI, 1990).

Já nas cervicais baixas, por terem grande amplitude de movimento, a rotação é


acompanhada por inclinação homolateral, todavia a inclinação lateral é acompanhada
por rotação contralateral (WHITE; PANJABI, 1990).

E acompanhando todos esses movimentos observamos os movimentos de


translação entre as vértebras adjacentes, sempre em direções contrárias, sem
mudança na orientação da vértebra (GRIEVE, 1988), sendo que dois músculos atuam
estabilizando, principalmente, a articulação atlanto-occipital:

• Reto lateral da cabeça.

• Reto anterior da cabeça (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Na coluna cervical o deslizamento lateral da vértebra é acompanhado com


rotação axial na mesma direção (GRIEVE, 1988).

Assim, independentemente do movimento que ocorra na coluna cervical,


observamos uma relação entre a descarga da sensibilidade sensorial da cápsula e
o alongamento aplicado na cápsula pelas facetas articulares cervicais, através das
respostas neurais dos mecanorreceptores, servindo como um mecanismo de
feedback-feedforward (CHEN, 2011). Portanto, podemos definir como funções
básicas da coluna cervical o suporte da cabeça, a movimentação do esqueleto axial
e consequentemente a movimentação da cabeça.

Os movimentos de cada segmento da coluna são limitados por estruturas


anatômicas, como os ligamentos, discos intervertebrais e facetas
articulares. Desta forma, os movimentos de flexão, extensão, translação,
rotação axial e deslizamento lateral estão fisiologicamente acoplados.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


159
U4

Figura 4.12 | Movimentos da coluna cervical

Fonte: Kapandji (2000).

1.2.1 Forças atuantes sobre a coluna

Atuam sobre a coluna vertebral forças constantes, em decorrência dos


movimentos dos membros e das atividades que executamos no nosso dia a dia.
Desta forma, a coluna vertebral sofre forças de tração e forças de compressão.
Além disto, há uma não fisiológica, mas extremamente lesiva, que é a força de
cisalhamento. A distribuição das forças, uma vez ocorrida, geralmente respeita
o seguinte trajeto, passando pelo corpo vertebral que transmite até as lâminas e
distribui para os músculos e ligamentos para vertebrais (NATOUR, 2004).

Portanto, se considerarmos as características morfológicas das vértebras


cervicais, observaremos que seus corpos vertebrais são menores, isto se deve à
menor resistência a que esta vértebra é exposta, que induziu a formação da sua área
de secção transversa (NATOUR, 2004).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


160
U4

Neste artigo você encontrará uma análise da importância da educação


postural em escolares do Ensino Fundamental.
Acesse: <http://www.seer.ufrgs.br/Movimento/article/
download/18173/14372>.

1. Imagine um equipamento puxando a cabeça no eixo vertical,


ou até mesmo o próprio centro de gravidade atuando na
coluna cervical, aplicando os conceitos biomecânicos, pode-
se afirmar que:

a) Coincidente com o eixo da coluna cervical.


b) A frente do eixo da coluna cervical.
c) Posterior ao eixo da coluna cervical.
d) Lateral ao eixo da coluna cervical.
e) Oblíquo ao eixo da coluna cervical.

2. Pedro tem trinta e cinco anos de idade, no trabalho, sua


coluna cervical executa movimentos de flexão e extensão, e
carrega objetos não muito pesados nos membros superiores.
Ele trabalha das 8:00 até às 14:00 sem interrupção. Baseado
no exposto, assinale a alternativa correta sobre as forças
compressivas sobre a coluna vertebral.

a) A força de cisalhamento é menor do que na posição em pé.


b) Adotando postura correta a pressão intradiscal aumenta
durante os movimentos de flexão e extensão.
c) Uma das formas de diminuir as forças compressivas sobre as
vértebras é executando o movimento de hiperextensão.
d) O aumento da lordose cervical diminui as pressões
intradiscais.
e) Os músculos profundos atuam estabilizando a articulação
dentro de qualquer gesto motor cervical.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


161
U4

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


162
U4

Seção 2

Coluna Torácica

Introdução à seção

Nesta seção estudaremos a coluna torácica, segmento extremamente importante


por suportar a cavidade abdominal e permitir mobilidade entre o tronco e a pelve,
detalhando os movimentos e as funções de carga deste segmento vertebral.

2.1 Revisão anatômica

Assim como a coluna cervical, a coluna torácica possui duas funções importantes
de proteção de estruturas vitais e permitir mobilidade. Iniciaremos os estudos com
uma revisão anatômica, destacando as características dessas vértebras.

2.1.1 Vértebras torácicas

Existem na coluna torácica 12 vértebras e 12 pares de costelas, por terem influência


tanto da coluna cervical como da coluna lombar, analisaremos as vértebras da
seguinte forma:

• Primeira vértebra torácica: possui características das vértebras cervicais.

• Segunda à décima primeira vértebra torácica: consideradas vértebras torácicas


típicas, com seu corpo vertebral com formato de rim, forame vertebral
circular, processo espinhoso longo e delgado, e presença de fóveas costais
superior e inferior para encaixe da cabeça das costelas correspondentes.

• Décima segunda vértebra torácica: considerada uma vértebra de transição,


possuindo fóveas costais como as vértebras torácicas, e processos articulares
e processo espinhoso semelhantes às vertebras lombares (CHEN et al., 2011).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


163
U4

Figura 4.13 | Vértebra torácica

Fonte: Disponível em: <https://svn.micso.net:666/svnweb/index.cgi/bruni/revision/?rev=386. Acesso em: 22 out. 2015.

2.1.2 Tórax

O tórax é formado por 12 pares de costela, sendo que 7 pares são considerados
costelas verdadeiras (possuem fixação no esterno) e 5 são consideradas falsas (não
se fixam no esterno). Destas, três pares se fixam indiretamente e dois possuem
extremidades livres (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Os ossos restantes do tórax são:

• Manúbrio esternal.

• Corpo do esterno.

• Processo xifoide (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


164
U4

Figura 4.14 | Tórax

Fonte: Disponível em: <http://blogdesuperheroes.es/superheroes-y-ciencia-superman-19>. Acesso em: 22 out. 2015.

2.1.3 Articulações entre as costelas e as vértebras

Temos as articulações costovertebrais, que são articulações classificadas como


diatrodiais (sinoviais) das cabeças das costelas com os corpos vertebrais (CHEN et
al., 2011).

E também as articulações costotransversais, que fazem a ligação dos tubérculos


das costelas com os processos transversos das vértebras (CHEN et al., 2011).

Figura 4.15 | Articulações costovertebrais e costotransversais

Fonte: Disponível em: <http://www.fisioterapia.com/noticias/imprimir/2091>. Acesso em: 22 out. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


165
U4

2.2 Cinesiologia e biomecânica

A principal função da coluna torácica é proporcionar rigidez


longitudinal sem perder a mobilidade entre as suas partes. Além disto,
serve como base de sustentação de estruturas anatômicas contíguas,
tais como as costelas e os músculos abdominais.

2.2.1 Movimentos

Nas vértebras torácicas superiores, observamos que o deslizamento lateral de


uma vértebra sobre a outra é acompanhada por rotação homolateral, enquanto que
nas vértebras torácicas média a baixa, esse acompanhamento é inconsistente, sendo
dependente do movimento que é iniciado primeiro (PETTMAN, 2006).

IMPORTANTE!
Há considerável movimento da coluna e do esterno independentemente
um do outro, permitindo movimento da coluna sem movimento da
caixa torácica.

No movimento de flexão torácica, observamos translação anterior, facilitando


a rotação anterior sobre a costela adjacente, fato que nas vértebras pertencentes à
coluna torácica média (T4-T7) deve-se à forma anatômica do processo transverso
e da cabeças das costelas (GRIEVE, 1988). Neste movimento, o tórax aproxima-se
da pelve, realizando um movimento anterior da coluna vertebral, já no movimento
de extensão o tórax afasta-se da pelve, caracterizando o movimento de retorno da
flexão da coluna vertebral, ou um movimento posterior dela (THOMPSON; FLOYD,
2002).

Já o movimento de inclinação lateral é acompanhado por rotação contralateral,


desde que a inclinação lateral ocorra primeiro. Porém, quando a rotação ocorre
primeiro, observamos uma inclinação homolateral. Isto ocorre porque quando
realizamos uma inclinação lateral temos um deslizamento anterior homolateral da
costela anterior e inferiormente, com a costela contralateral movendo-se superior e
posteriormente, criando rotação na direção oposta. Já a rotação da coluna torácica

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


166
U4

é acompanhada pelo deslizamento lateral na mesma direção, não por causa da


orientação da faceta, mas por causa dos ligamentos das costelas e das vértebras
torácicas. Nestes casos, a articulação zigoapofisária tem suas facetas articulares
comprimidas pelo processo articular de algum corpo vertebral, e o processo articular
inferior do processo adjacente da vértebra (GRIEVE, 1988).

Quando a vértebra torácica roda para direita, ela translaciona para a


esquerda. A costela direita roda posteriormente e a costela esquerda
roda anteriormente.

Nos movimentos de inclinação lateral, o tórax move-se lateralmente em direção


à pelve, enquanto que na rotação observa-se um movimento giratório da espinha no
plano horizontal, com o tórax girando para um dos lados (THOMPSON; FLOYD, 2002).

A amplitude de movimento da inclinação lateral torácica está em torno de 30°


tanto para direita como para esquerda, enquanto que o movimento de rotação tem
amplitude de movimento de 75°, essa diferença de amplitude deve-se à orientação
das facetas articulares que permitem maior mobilidade de rotação (CHEN et al., 2011).
Figura 4.16 | Movimentos do tronco

Extensão/Flexão Flexão Lateral Rotação/Torção


Fonte: Disponível em: <http://seryoga.com.br/um-pouco-sobre-anatomia-e-fisiologia-aplicada-ao-yoga/. Acesso em:
4 out. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


167
U4

Além destes movimentos, a coluna torácica e o tórax movimentam-se de acordo


com a respiração, com um aumento da caixa torácica na inspiração, e uma redução
do tamanho do tórax na expiração, todos realizados pelos seguintes músculos:

• Diafragma (músculo motor primário).

• Escalenos.

• Intercostais externos.

• Elevador das costelas.

• Serrátil posterior (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Figura 4.17 | Movimentos da respiração

Fonte: Disponível em: <https://ericasitta.wordpress.com/2011/12/15/qual-e-meu-tipo-respiratorio/>. Acesso em: 14 out.


2015.

Durante a respiração observamos os movimentos de inspiração,


quando se observa uma elevação das costelas superiores e
uma abertura das costelas inferiores, e na expiração o retorno

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


168
U4

desses movimentos à posição de repouso, leva-nos à seguinte


questão: tanto a inspiração como a expiração são movimentos
ativos em uma situação basal?

2.2.2 Forças e cargas

Na cifose torácica, as vértebras acabam ficando distantes do eixo de equilíbrio


corporal anteroposterior e estão sujeitos, desta forma, à maior carga excêntrica
(BENZEL, 2003). Porém, a presença da caixa torácica (costelas e esterno) aumenta a
resistência deste segmento, tornando necessária maior carga compressiva que haja
alguma resultante que possa alterar a posição da coluna (FLYNN, 1996).

Neste artigo, os autores realizaram uma análise da influência do peso


da mochila dos escolares sobre a postura deles.
Acesse: <http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_
materia=6050>. Acesso em: 23 nov. 2015.

1. Jaqueline tem 15 anos e teve recentemente o chamado


estirão de crescimento, concomitantemente foram
observadas alterações na coluna vertebral. Caracterizando-se
principalmente por desvio lateral na coluna dorsal, assimetria
na altura dos ombros e na crista ilíaca. Baseado no exposto,
assinale a alternativa correta:

a) Jaqueline apresentou um aumento da lordose torácica.


b) Jaqueline apresentou uma redução da lordose torácica.
c) Jaqueline apresentou comprometimento da biomecânica

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


169
U4

da respiração.
d) Jaqueline apresentou aumento da cifose torácica.
e) Jaqueline apresentou redução da cifose torácica.

2. Os discos intervertebrais possuem várias funções importantes


na execução dos movimentos. Porém, dependendo da força e
do tipo de movimento, como o movimento de cisalhamento,
pode-se lesionar esse disco intervertebral. Baseado nisto,
assinale a alternativa correta:

a) Os locais mais protegidos de lesão do disco intervertebral


são as vértebras lombares inferiores.
b) Os locais mais protegidos de lesão do disco intervertebral
são as vértebras torácicas médias.
c) Os locais mais suscetíveis às forças de cisalhamentos são as
vértebras torácicas médias.
d) Os locais mais protegidos das forças de cisalhamento são as
vértebras cervicais.
e) Os locais mais suscetíveis às forças de cisalhamento são as
vértebras sacrais.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


170
U4

Seção 3

Coluna lombar e pelve

Introdução

Nesta seção estudaremos a coluna lombar e a pelve, que possuem características


distintas que irão determinar sua função, indo desde permitir a mobilidade até
distribuir forças e proporcionar vantagem mecânica para a execução de atividades
rotineiras. Seguiremos a mesma divisão didática das seções anteriores, a fim de
auxiliar você na fixação do conteúdo.

3.1 Revisão anatômica

As vértebras lombares diferenciam-se das demais por algumas características que


determinam sua funcionalidade. Iniciaremos, assim como nas demais seções, com
uma revisão anatômica.

3.1.1 Vértebras lombares Figura 4.18 Vértebra lombar

As vértebras lombares
diferenciam-se das vértebras
torácicas pelo seu maior
tamanho, ausência de fóveas
costais e forames transversais,
com processos transversais
finos e processos espinhosos
quadriláteros. Possuem corpos
grandes e reniformes, forames
vertebrais triangulares, pedículos
e lâminas curtas e espessas Fonte: Disponível em: <https://www.3bscientific.com.br/
kit-com-5-vertebras-lombares,p_60_152.html. Acesso
(NATOUR, 2004). em: 22 out. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


171
U4

3.1.2 Sacro

O sacro é formado por cinco vértebras fundidas em um único osso no adulto


em formato triangular, articulando-se superiormente com a quinta vértebra lombar,
e lateralmente com os ilíacos direito e esquerdo (NATOUR, 2004).

A face voltada para pelve é côncava e lisa, possuindo quatro pares de forames
sacrais pélvicos, por onde saem os ramos ventrais dos primeiros nervos sacrais e
seus vasos (NATOUR, 2004).

Já a face dorsal é rugosa e convexa, com a espinha dorsal formando a crista


sacral mediana, e a fusão dos processos articulares formando as cristas sacrais
intermediárias, possuindo quatro pares foraminais sacrais dorsais (NATOUR, 2004).

Inferiormente, os cornos sacrais articulam-se com os cornos coccígeos. Já


a face lateral ou massa sacral é formada pela fusão dos processos transversos,
formando a crista sacral lateral, sendo que a parte superior possui uma superfície
em forma de orelha que se articula com ílio (NATOUR, 2004).

A base do sacro apresenta o promontório, que é a borda anterior da superfície


anterior da primeira vértebra sacral e o canal sacral que contém o saco dural,
que é a parte mais inferior da cauda equina e o filamento terminal. Apresentando
também os processos articulares que se articulam com a quinta vértebra lombar
(NATOUR, 2004).

Figura 4.19 | Sacro

Fonte: Disponível em: <http://ocw.usal.es/ciencias-biosanitarias/anatomia-del-aparato-locomotor/materiales-de-


clase/>. Acesso em: 22 out. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


172
U4

3.1.3 Cóccix

Possui formato triangular, com uma base, um ápice, face dorsal e pelvina e
bordas laterais. Composta por quatro vértebras fundidas, sendo que a primeira
possui dois cornos que se articulam com os cornos sacrais (NATOUR, 2004).

3.1.4 Articulações sacroilíacas

Articulação sinovial plana, formada pela junção das superfícies auriculares do


ilíaco e do sacro, ligando fortemente a coluna vertebral à cintura pélvica. Com
o envelhecimento humano, observa-se a formação de fibrocartilagem nesta
articulação, deixando de ser sinovial (NATOUR, 2004).

Composta por ligamentos fortes, numerosos, contribuindo para a estabilidade


lombossacral. Eles são compostos pelos seguintes ligamentos:

• Ligamento iliolombar superior.

• Ligamento iliolombar inferior.

• Ligamento iliolombar anterior.

• Ligamento iliolombar posterior (NATOUR, 2004).

Figura 4.20 | Articulação sacroilíaca

Fonte: Disponível em: <http://o2porminuto.ativo.com/corrida-de-rua/saude/dor-sacroiliaca-o-que-e-e-como-


evitar/>. Acesso em: 22 out. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


173
U4

3.2 Cinesiologia e biomecânica da coluna lombar

Entre duas vértebras adjacentes podemos observar três movimentos de


translação e rotação (PANJABI et al., 1977).

Na coluna lombar, o deslizamento lateral é acompanhado pela rotação axial na


direção oposta. Enquanto que a inclinação lateral será acompanhada com rotação
axial na mesma direção da inclinação lateral do primeiro movimento. Desta forma,
se a rotação axial é o primeiro movimento, ela será acompanhada pela inclinação
lateral na direção oposta (PETTMAN, 2006).

O formato da faceta articular da coluna lombar assim como a sua orientação,


facilita mais os movimentos de flexão e extensão do que rotação (PETTMAN, 2006).

O mais importante aspecto dos movimentos da coluna lombar é a translação


que ocorre com flexão e extensão. Segmentos lombares superiores (L1-L2-L3-L4)
tem um acoplamento diferente de L4-L5 e L5-S1 (PETTMAN, 2006).

Na extensão, o movimento de acoplamento é o movimento de flexão;


na flexão, o movimento de acoplamento é o movimento de extensão
(PETTMAN, 2006).

Já na inclinação lateral cada segmento lombar apresenta, aproximadamente,


a mesma quantidade de movimento. Porém, a rotação axial da coluna lombar
é muito limitada e inicialmente igual em cada segmento. Inclinação lateral e
rotação ocorrem em direções opostas nos segmentos lombares superiores, e nos
segmentos inferiores ocorrem na mesma direção (PETTMAN, 2006).

Assim, no plano sagital temos os movimentos de flexão com amplitude de


movimento de aproximadamente 80°, e extensão com amplitude de movimento
de aproximadamente 30° (NATOUR, 2004; THOMPSON; FLOYD, 2002).

Enquanto que no plano coronal observamos os movimentos de inclinação para


direita e para esquerda, com amplitude de movimento em torno de 35° (NATOUR,
2004; THOMPSON; FLOYD, 2002).

Já no plano longitudinal, tempos interessante amplitude de movimento para


rotação para direita e para esquerda, sendo de 45°, aproximadamente (NATOUR,
2004; THOMPSON; FLOYD, 2002).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


174
U4

Figura 4.21 | Movimentos da coluna lombar

Fonte: Kapandji (2000).

Assim, a ação muscular pode ser dividida da seguinte forma:

• Músculos que realizam a extensão, rotação contralateral e flexão lateral:

o Grupo eretor da espinha (esplênio e eretor da espinha).

o Grupo transverso espinhal (semiespinhal, multífido e rotadores).

o Grupo interespinhal-intertransverso (THOMPSON; FLOYD, 2002).

• Músculos eretores da espinha:

o Iliocostal.

o Longuíssimo.

o Espinhal (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


175
U4

• Músculos que realizam flexão lombar:

o Reto abdominal.

o Oblíquo externo.

o Oblíquo interno (THOMPSON; FLOYD, 2002).

• Músculos que realizam inclinação lateral homolateral:

o Reto abdominal.

o Oblíquo externo.

o Oblíquo interno.

o Quadrado lombar (THOMPSON; FLOYD, 2002).

• Músculos que realizam rotação contralateral:

o Oblíquo externo (THOMPSON; FLOYD, 2002).

• Músculos que realizam rotação homolateral:

o Oblíquo interno (THOMPSON; FLOYD, 2002).

• Músculos que estabilizam:

o Transverso do abdome.

o Quadrado lombar (THOMPSON; FLOYD, 2002).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


176
U4

Figura 4.22 | Músculos do tronco

Fonte: Disponível em: <http://osteopatacampinas.blogspot.com.br/2013/07/qual-e-culpa-do-diafragma-na-sua-dor.


html. Acesso em: 22 out. 2015.

3.2.1 Estabilização da coluna

A estabilidade da coluna é definida como a habilidade da coluna de não deformar


ou não se lesionar sob cargas fisiológicas (WHITE et al., 1975). Também, foi definida
como a capacidade da vértebra de retornar à coesão, e preservar sua elasticidade
normal em todos os movimentos corporais fisiológicos (KIRKALDY-WILLIS, 1985).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


177
U4

A musculatura estabilizadora é predominantemente profunda


e é ativada antecipadamente a qualquer gesto motor. Caso
uma pessoa tenha perda da estabilidade, podemos afirmar
que isto seria um importante fator predisponente para o
surgimento da dor lombar?

A amplitude de movimento fisiológica inclui a zona neutra e a zona elástica,


sendo que a zona elástica representa uma zona de alta rigidez, onde o movimento
da coluna sofre grande resistência (PANJABI, 1992a).

Cada um dos seis graus de liberdade de movimento que qualquer vértebra pode
desenvolver tem sua amplitude de movimento, ou seja, ativação da zona neutra e
zona elástica (PANJABI, 1992b).

A amplitude de movimento das articulações da coluna vertebral inclui


inicialmente a zona neutra com grande carga de deslocamento, e uma zona
elástica que requer mais carga por unidade de deslocamento por causa da tensão
das cápsulas e ligamentos (PANJABI, 1992b).

Desta forma a estabilidade da articulação depende de três subsistemas:

• Coluna vertebral.

• Músculos.

• Sistema nervoso central (IZZO et al., 2013).

A estabilização da coluna implica uma relação íntima entre a zona neutra e a


zona elástica (PANJABI, 1992a). A zona neutra contribui com uma pequena parcela
da amplitude de movimento, atuando mais no início da estabilização, e quando
a amplitude de movimento aumenta a zona elástica, passa a atuar (PANJABI,
1992a; OXLAND; PANJABI, 1992). Desta forma, é a zona neutra a responsável pela
manutenção da estabilidade dentro dos limites fisiológicos (PANJABI, 1992a).

Assim, a estabilidade é determinada pela conexão entre três sistemas (PANJABI,


1992a):

• Coluna ou subsistema passivo: vértebras, discos intervertebrais e


ligamentos controlam a zona elástica próxima. Essas estruturas possuem
mecanorreceptores que traduzem a ação para o sistema nervoso central

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


178
U4

com informação proprioceptiva, proporcionando uma adequada e


coordenada resposta muscular (PANJABI, 1992b, KOJIMA et al., 1990,
MCLAIN, 1994).

• Músculos e tendões ou subsistema ativo: mecanorreceptores dos


músculos e tendões informam o sistema nervoso central da posição, carga
e movimento de cada unidade vertebral.

• Unidade de controle central (IZZO et al., 2013).

Didaticamente, podemos dividir Figura 4.23 | Cargas compressivas sobre o


a estabilidade dos segmentos da sistema trabecular
coluna. Por isso, analisaremos a
partir daqui a estabilização passiva.
Vamos aplicar alguns conceitos,
por exemplo, durante atividades de
vida diária a coluna normalmente
suporta cargas verticais de 500-1000
N (Newton), mais de duas vezes o
peso corporal, e com possibilidade
de elevação, até 5000 N, onde
cerca de 50% da carga final falha
(WILKE et al., 1999). A habilidade
de suportar carga depende do
corpo vertebral, do seu tamanho e
largura, da integridade do sistema
trabecular e a densidade óssea.
Assim, conforme maior o corpo
vertebral, maior é a capacidade de
suportar carga, por exemplo, uma
vértebra cervical consegue suportar
cargas de até 2000 N enquanto que
a vértebra lombar suporta cargas de
até 8000 N (BELL et al., 1967).

O sistema trabecular, transmite


as cargas verticais para as superfícies
superior e inferior do corpo vertebral,
enquanto o sistema horizontal
transmite para o arco posterior e
processo transverso (LOUIS, 1989).
Sendo que, quando a vértebra sofre
uma carga compressiva, o sistema
vertical é o primeiro a ser acionado, Fonte: Izzo et al. (2013)

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


179
U4

e posteriormente o sistema horizontal. Uma vértebra pode ser afetada pela


fadiga após esforços repetitivos. Quando assumimos a posição de flexão, há um
aumento elevado do estresse (mais de 300%) sobre o corpo anterior da vértebra
(POLLINTINE et al., 2004).

Os discos, na verdade, comportam-se como os ligamentos controlando os


movimentos da coluna nas três dimensões:

• Compressão vertical e distração.

• Flexão e extensão.

• Inclinação lateral e rotação axial (IZZO et al., 2013).

As fibras do ânulo fibroso controlam os micromovimentos anormais,


especialmente na flexão e extensão (SCHULTE; CLARK; GOEL, 1989). O núcleo
se comporta como um cilindro de pressão, absorvendo o estresse mecânico
transmitido durante os movimentos, apresentando movimentos na direção oposta
à pressão do ânulo fibroso. E durante a rotação axial, o disco sobre estresse de
torção no ânulo fibroso, sem movimento, faz com que ele apenas absorva a
pressão (IZZO et al., 2013).

A água presente no disco muda continuamente durante as atividades de


vida diária, influenciadas pela pressão hidrostática e pressão osmótica. Maiores
pressões hidrostáticas liberam mais água que é contrabalançada pela pressão
osmótica exercida pelo aumento progressivo dos proteoglicanos (JOHANNESSEN
et al., 2004). Quando assumimos a posição de repouso, temos uma prevalência
da pressão osmótica preenchendo novamente de água o disco (IZZO et al., 2013).

Na estabilização passiva, os ligamentos exercem papel fundamental, a ação


de estabilização de um ligamento depende não somente da força intrínseca, mas
da maior medida de braço de alavanca que atua, a distância entre as inserções
ósseas em que ele atua. Por exemplo, na cifose, a vértebra da coluna torácica está
localizada distante do eixo de equilíbrio vertical sagital do corpo. A carga excêntrica
ventral e lateral axial e momentos de flexão criam um estresse concentrado na
parte anterior do corpo favorecendo seu colapso, assim um aumento da cifose,
provoca um aumento da distância entre os corpos vertebrais e o eixo de equilíbrio
corporal e o aumento da concentração do estresse ventral (IZZO et al., 2013).

Assim, um ligamento muito forte com um pequeno braço de alavanca contribui


para a estabilização menos do que um ligamento mais fraco, mas que possui um
grande braço de alavanca e assim tendo vantagem mecânica, que é o caso dos
ligamentos interespinhosos e supraespinhosos, os quais têm maior trabalho e
maior braço de alavanca que o ligamento amarelo durante a flexão da coluna
(CHAZAL et al., 1985).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


180
U4

Enquanto que a estabilização ativa, de acordo com Panjabi (1992b), músculos e


tendões provêm estabilização ativa da coluna sobre o sistema nervoso, contribuindo
para estabilização primária na zona neutra onde a resistência ao movimento é
mínima.

Os músculos que participam desta estabilização podem ser divididos em:

Tabela 4.2 | Músculos estabilizadores

Músculos superficiais Músculos profundos

Flexores: reto abdominal e


Flexores: psoas
esternocleidomastoideo.

Extensores: extensor longo Extensores: extensor curto


Fonte: Izzo et al. (2013)

Portanto, músculos pequenos fazem rotação das vértebras (músculos


intertransversos, interespinhosos e multífidos), carregando a carga e mantendo
a coluna estável. Enquanto que músculos superficiais longos são músculos
responsáveis pela geração dos movimentos. Por exemplo, o eretor da espinha e
oblíquos, tendo movimentos limitados pela ação dos multífidos que atuam como
estabilizadores dos movimentos (BOGDUK, 1997).

Esses músculos abdominais merecem nossa atenção, pois os músculos


oblíquos e transversos são frequentemente flexores e rotadores da coluna lombar,
mas estabilizam a coluna ao mesmo tempo, criando um cilindro rígido ao redor
aumentando a pressão intra-abdominal e tensionamento da fáscia lombotorácica
(GARDNER-MORSE; STOKES, 1998).

EM RESUMO
A estabilização da coluna dá-se pela ação das articulações
zigoapofisárias, dos ligamentos e da musculatura profunda, que fazem
contraposição às forças e às cargas recebidas.

3.2.2 Forças e cargas

As curvaturas da coluna sagital aumentam a resistência à carga vertical mais de


17 vezes, e pode ser rapidamente controlada pela aceleração da intervenção da
contração muscular. No caso da lordose lombar, o segmento vertical das forças
corre pela articulação zigoapofisária, sem criar alguma rotação (IZZO et al., 2013).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


181
U4

BIOMECÂNICA PARA POSIÇÃO SENTADA

A inclinação da coluna lombar suporta mais peso distribuído no encosto, e menor


ativação muscular é requerida dos músculos eretores da espinha. Assim há menor
carga sobre os discos intervertebrais. E além disto, se usar um suporte lombar,
diminui ainda mais a carga sobre o disco intervertebral (WHITE; PANJABI, 1990).

Pessoas obesas acabam tendo maiores pressões intradiscais. A protusão


abdominal traciona a vértebra anteriormente, aumentando seu braço de alavanca
(WHITE; PANJABI, 1990).

A pressão do disco é resultado de uma combinação do peso corporal, do peso


dos membros superiores, dos músculos da coluna, e seus respectivos braços de
alavancas para os centros dos discos (WHITE; PANJABI, 1990).

Figura 4.24 | Posição sentada

Fonte: Silva et al. (2011)

3.2.3. Papel do disco intervertebral

O disco intervertebral separa os corpos vertebrais, permitindo que uma vértebra


se movimente sobre a outra. Além disto, atua dissipando energia mecânica pelas
forças solicitantes que recebeu, através da combinação das propriedades líquidas
do núcleo pulposo, e características elásticas do ânulo fibroso, dissipando e
transmitindo as forças (NATOUR, 2004).

As pressões que são impostas aos discos intervertebrais variam conforme a


postura adotada, por exemplo, a pressão interna do disco intervertebral aumenta
aproximadamente de 100 kg em L3 quando o indivíduo está na posição sentada

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


182
U4

com o tronco ereto, para 150 kg quando o tronco é fletido anteriormente, e chega
a 220 kg quando um homem de 70 kg levanta um peso de 50 kg. Essas cargas
aumentam drasticamente quando o levantamento de peso está associado com
movimentos rotacionais, sobrecarregando excessivamente as fibras póstero-
laterais dos ânulos fibrosos dos discos lombares, predispondo o surgimento de
lesões (NATOUR, 2004).

3.3 Cinesiologia e biomecânica da pelve

A articulação lombossacra oferece mais movimento de flexão e extensão do


que qualquer outra parte do segmento lombar (PETTMAN, 2006). Os movimentos
da articulação sacroilíaca são analisados separadamente, pois embora fortemente
contida por ligamentos, ainda há pequenos movimentos (não passando de 2°),
todavia eles são extremamente complexos (NATOUR, 2004).

Movimento na articulação sacroilíaca ocorre durante movimentos do tronco e das


extremidades inferiores. O movimento de flexão do sacro é chamado de nutação, e
o movimento de extensão é denominado contranutação (PETTMAN, 2006).

Na nutação o promontório sacral move anteriormente em direção à pelve. A


superfície articular desliza ínfero-posteriormente em relação ao inonimado. Na
contranutação, o promontório sacral move posteriormente em direção à pelve.
A superfície articular desliza ântero superiormente em relação ao inonimado
(PETTMAN, 2006).

A articulação sacroilíaca tem o formato em “L” que cai para trás em seu braço
longo. Na nutação, o sacro desliza inferiormente abaixando o braço curto do “L” e
posteriorizando o braço longo do “L” resultando em uma relação rotação anterior
da pelve. Contranutação envolve o deslizamento anterior do sacro sobre o braço
longo, e superiormente sobre o braço curto (PETTMAN, 2006).

Durante a flexão da perna, é esperado que o sacro faça a nutação no lado da


perna fletida, e contranutação no lado da perna estendida (PETTMAN, 2006).

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


183
U4

Figura 4.25 | Movimento do sacro

Fonte: Vleeming et al. (1996)

3.3.1 Curvas fisiológicas

As curvaturas fisiológicas da coluna vertebral são reguladas pela geometria


pélvica que é definida da seguinte forma:

• Incidência pélvica: antes do nascimento e que permanece em alguns


sujeitos.

• Inclinação sacral.

• Inclinação pélvica (MORVAN et al., 2008; VIALLE et al., 2005).

Neste artigo, você encontrará características biomecânicas da


posição sentada relacionada com a ergonomia.
Acesse: <http://www.scielo.br/pdf/fp/v17n3/15.pdf>. Acesso em: 23
nov. 2015.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


184
U4

1. Leandro apresenta alterações posturais relacionadas com


a execução de movimentos de forma inadequada por um
período prolongado. Portanto, podemos afirmar com base nas
curvaturas fisiológicas que:

a) Possíveis alterações dos membros inferiores podem afetar a


pelve, que altera a posição do sacro e, consequentemente, a
da coluna lombar.
b) Possíveis alterações dos membros inferiores não podem
afetar a pelve.
c) Na hiperlordose lombar, a pelve encontra-se totalmente
equilibrada.
d) Quando observamos uma inclinação da coluna lombar, não
há movimento rotacional conjuntamente.
e) Quando encontramos uma rotação anterior da pelve, a
coluna lombar se adapta retificando a lordose lombar.

2. Sobre a coluna lombar é correto afirmar:

a) Durante a flexão, a cápsula articular da articulação


zigoapofisárias encontra-se em posição neutra.
b) Durante a flexão, o disco intervertebral sofre pressão na sua
região posterior.
c) Durante a extensão, o disco intervertebral sofre pressão na
sua região anterior.
d) Durante a extensão, a cápsula articular da articulação
zigoapofisárias encontra-se em posição neutra.
e) Durante a extensão, o disco intervertebral sofre pressão na
sua região posterior.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


185
U4

1. Ao executar uma atividade qualquer que exija movimentos


de flexão e extensão, levantando cargas elevadas com os
braços, há um grande risco de lesão nas costas, por qual
motivo?

2. Sobre as curvaturas fisiológicas do corpo humano,


assinale a alternativa correta.
a) A cifose é considerada uma curvatura primária por ser
desenvolvida durante o crescimento da criança
b) A cifose é considerada uma curvatura primária por ser
desenvolvida durante o desenvolvimento embrionário.
c) A lordose é considerada uma curvatura primária por ser
desenvolvida durante o desenvolvimento embrionário.
d) A lordose está presente na coluna torácica.
e) A cifose está presente na coluna lombar.

3. Sobre a musculatura estabilizadora da coluna lombar,


assinale a alternativa correta
a) Os músculos superficiais são considerados os principais
estabilizadores.
b) Os músculos flexores são considerados os principais
estabilizadores.
c) A musculatura profunda interssegmentar é considerada
como a principal parte da estabilização dinâmica.
d) Os músculos do cíngulo superior são responsáveis pela
estabilização da coluna.
e) O músculo reto femoral é o principal estabilizador da
coluna lombar.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


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4. Durante a inspiração forçada, percebemos a ativação da


musculatura acessória da respiração. Assinale a alternativa
que contenha apenas músculos acessórios da respiração.

a) Escalenos, esternocleidomastoideo, psoas.


b) Escalenos, reto abdominal, psoas.
c) Diafragma, esternocleidomastoideo, psoas.
d) Escalenos, esternocleidomastoideo, intercostais
internos.
e) Diafragma, escalenos e psoas.

5. Assinale a alternativa que contenha a função do núcleo


pulposo do disco intervertebral:

a) Absorção e distribuição das forças.


b) Restringir o movimento.
c) Aumentar a força muscular.
d) Fornecer estabilidade dinâmica da coluna vertebral.
e) Provocar movimentos de cisalhamento.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


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O controle neuromuscular da coluna vertebral depende de


respostas motoras conscientes e inconscientes, muitas das vezes,
atuando com ajustes posturais antecipatórios que ocorrem antes
dos movimentos dos membros, prevenindo a coluna de forças
compressivas que possam lesar e atuando como um ponto fixo
de apoio para a produção destes movimentos.

Prezado(a) aluno(a)! Nesta unidade vimos a composição da coluna


vertebral e seus segmentos cervical, torácica e lombar, assim como
as suas curvaturas fisiológicas (lordose cervical, cifose torácica e
lordose lombar). Vimos também as articulações vertebrais e suas
funções, destacando as facetas articulares e suas orientações que
caracterizam os movimentos a serem realizados, assim como as
estruturas e o papel do disco intervertebral, e a ação do sistema
muscular controlado pelo sistema nervoso central e periférico.
Além disto, analisamos os movimentos que ocorrem entre as
vértebras adjacentes e a somação destes movimentos que geram
a mobilidade da coluna vertebral.

Com base nos dados mencionados acima, podemos considerar


que o estudo da cinesiologia e biomecânica da coluna vertebral
é um conteúdo útil e prazeroso para elaboração de atividades,
conhecimento dos movimentos fisiológicos e quais as formas de
realizá-las com menor dispêndio de energia e prevenindo lesões.

Cinesiologia e biomecânica relacionada aos movimentos do tronco


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