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GARCIA, Ofélia. Bilingual Education. In: COULMAS, Florian (Editor).

The Handbook of
Sociolinguistics. Blackwell Publishing, 1998. Blackwell Reference Online. 28 December 2007.
Disponível em <http://2017s.pbworks.com/w/file/fetch/120804675/09-the-handbook-of-
sociolinguistics.pdf>.

History and Policies of Bilingual Education


Historicamente, há sempre um idioma que assume a cultura educacional monolíngue das
nações, a exemplo do Latim e do Grego nessas civilizações antigamente, deixando resquícios até
hoje. Adota-se a língua da elite como parâmetro oficial para as comunicações, enquanto línguas locais
(dialetos) são esquecidos e extintos em detrimento da presença esmagadora de um idioma de maior
prestígio.
Na década de 60, a preocupação étnica ligada às línguas começou a ganhar maiores
proporções e destaque entre as comunidades, criando a tendência de valorização e educação
linguística das línguas de menor prestígio, além de abrir espaço para novas organizações das
comunidades beneficiadas, como o que ocorreu com o Maori, na Nova Zelândia.
Na América do Norte, essa nova perspectiva bilíngue e plurilíngue permitiu incluir grupos
minoritários na educação, como os imigrantes e refugiados, por meio de uma maior flexibilização na
instrução de idiomas, com a criação de programas de imersão linguística.

Aims of Bilingual Education


Algumas práticas bilíngues promovem o chamado bilingualismo aditivo, que diz respeito à
adição de uma língua (segunda ou estrangeira) quando o indivíduo passa a frequentar uma escola
que, embora adote sua língua-mãe, também trabalha com um segundo idioma.
Uma outra possibilidade, no entanto, é o bilingualismo subtrativo, quando a instrução do
indivíduo ocorre em sua língua-mãe e no segundo idioma, porém, com o tempo, sua língua-mãe passa
a dar cada vez mais lugar ao outro idioma, que se torna o único meio para instrução e,
consequentemente, a única língua do estudante.

Advantages of Bilingualism
O bilinguismo traz benefícios para além da aquisição de diferentes idiomas, uma vez que
coopera também para o desenvolvimento de uma sensibilidade comunicativa, maior controle dos
processos linguísticos e pensamento criativo diferenciado. Porém, para que esses benefícios sejam
concretos, é necessário pensar dentro do bilingualismo em uma escala de competências com basa nos
níveis de proficiência e idade do indivíduo.
Além destes aspectos cognitivos, esta prática também proporciona o aumento da percepção do
aluno de si mesmo e dos grupos, dialogando com uma educação multicultural, usando a língua para
combater racismos e desigualdades entre os grupos linguísticos.
Psicologicamente, ao valorizar as minorias linguísticas, o bilingualismo aumenta a autoestima
destes grupos, servindo como uma pedagogia do empoderamento, pois possibilita o uso desse idioma
muitas vezes ignorado como parte do espaço daquela comunidade.

Types of Bilingual Education


Conforme Baker (1993) postula, há diferentes tipodes de educação bilíngue, agrupados em três
categorias.

• Educação monolíngue para estudantes de uma minoria linguística que levam a um


monolinguismo relativo: inserção do indivíduo em uma sociedade que não aceita sua língua-
mãe, levando-o a se tornar desde criança um falante da língua majoritária inteira ou
parcialmente, dependendo apenas de circunstâncias sociais e familiares. Pode dar-se através
da submersão (o aluno é colocado no ambiente que fala a língua majoritária, mas ele não o
domina), submersão mais a retirada para aula de segunda língua (o aluno está no contexto da
língua majoritária, mas há momentos de trabalho com a língua minoritária, que gradualmente
são retirados), imersão estrutura (ocorre a total imersão do aluno no contexto monolíngue
majoritário, com rapidez) e segregacionista (a língua minoritária é exclusiva para os que a têm
como língua-mãe).

• Uma educação bilíngue fraca leva a um monolinguismo relativo ou a um bilingualismo limitado:


quando as escolas não dedicam tempo e esforços o suficiente a seu currículo bilíngue, os
estudantes desenvolvem, na melhor das hipóteses, uma habilidade bilíngue limitada, não
apenas porque a segunda língua deles não possui um ponto de destaque no currículo, mas
também porque o contato com essa segunda língua aumenta e toma todo o espaço quando o
indivíduo é considerado proficiente. É o que pode ser visto nos programas de transição,
tendência mais a imersão na aula de segunda língua/ língua estrangeira e tendência mais aula
complementar da segunda língua/ língua estrangeira (cursos de idiomas de línguas não
ensinadas na escola, ou para aprimoramento de uma língua já estudada).

• Educação bilíngue forte conduz para um bilinguismo e biletramento relativos (p. 270): as
escolas e comunidades dispensam um esforço e recursos consideráveis para o
desenvolvimento de políticas bilíngues e de biletramentos, podendo assumir uma perspectiva
separatista com algumas saídas para a aula de segunda língua, língua dual (língua mãe e
segunda língua/ LE são usadas na sala para a instrução, mas não garante sucesso com os
estudantes de línguas minoritárias), tendência mais aulas de línguas suplementares de
herança, manutenção (tanto a segunda língua quanto a língua mãe são compartimentalizadas
e usadas para a instrução do grupo minoritário, incluindo suas culturas e aspectos históricos),
imersão, tendência bilíngue (uso de duas línguas durante a formação do aluno, normalmente
falante de uma língua majoritária naquele ambiente), Tendência de múltiplos caminhos
bilínguas/multilinguais (uso de mais de duas línguas durante a formação do estudante, mas
todas as línguas possuem o mesmo valor para o currículo).

Alguns princípios sociolinguísticos

• Instrução monolíngue: o uso exclusivo de uma língua para a formação educacional


normalmente conduz ao monolinguismo.

• Instrução bilíngue: ocorre concomitantemente como biletramento, no uso de duas línguas para
a formação do aluno.

A língua-mãe dos alunos deveria ter sempre seu espaço garantido nos currículos escolares,
mesmo que a instrução por meio dela eventualmente seja extinta com o passar do tempo. Em
contraponto, a segunda língua também deve ter seu espaço na instrução, além de ser ensinada
enquanto um conteúdo por si própria.

Alguns princípios socioeducacionais


Os agentes políticos devem planejar e proporcionar nas diretrizes curriculares um bilingualismo
aditivo durante o processo de ensino-aprendizagem escolar do aluno, envolvendo não apenas o
governo, escola e alunos, mas também todos os educadores, administradores, familiares e a
comunidade. A partir de Skutnabb-Kangas e García (1995), tem-se algumas características
necessárias aos agentes educacionais e a cultura educacional da escola.

• Agentes educacionais: o corpo docente, bem como os administradores e demais profissionais


desse ambiente devem ser bilíngues ou estarem dispostos a se tornarem e, se possível, sendo
de diferentes nacionalidades e etinicidades. Os professores de línguas devem lecionar em
apenas um idioma, possuindo níveis de proficiência nativa ou altos nesse idioma. Os pais,
também, devem ter tomado essa decisão e se envolverem neste processo ativamente.

• Cultura educacional: todo o sistema escolar deve ser desenvolvido para promover o
bilinguismo a todos, multilinguismo a alguns e monolinguismo a ninguém. Os documentos
oficiais também devem fornecer este respaldo de compartimentalização da língua mãe e da
segunda língua, além de propulsionar a adoção pelas escolas de uma pedagogia interativa e
voltada ao estudante, incluindo a aprendizagem cooperativa, estratégias linguísticos e
processo de escrita.