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Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 1

EPÍSTOLA AOS HEBREUS


Mario Biolada

“Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o
povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote,
segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? Pois,
quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei”, Hebreus 7:11-12.
2 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

EPISTOLA AOS HEBREUS


Data: antes de 70 d.C.

Autor: desconhecido

Possíveis autores: Apontar qualquer autor para a epístola aos Hebreus não passa
de pura conjectura. O fato do nome do autor não constar na Carta aos Hebreus pode levar à
conclusão que seja insignificante saber quem a escreveu. Antes de qualquer tentativa convém
considerar informações importantes:

a) Clemente de Roma, que escreveu uma epístola aos Corintos em 95 d.C.,


provavelmente citou Hebreus durante toda sua epístola;

b) O Cânon Muratoriano, que contém uma lista que, segundo se pensa, representa
o cânon da igreja em Roma, perto do fim do século II, não contém referência alguma a
Hebreus, embora inclua todas as cartas de Paulo.

c) No século II Clemente de Alexandria citava seu mestre “o bendito presbítero”


(Panteno) como alguém que defendia a autoria Paulina desta carta.

d) Orígenes, sucessor de Clemente, levantou dúvidas quanto à autoria paulina,


embora não acerca de sua canonicidade, isso no século III. Orígenes considerava que os
pensamentos da epístola eram de Paulo, mas não o estilo. Ele achava que os prováveis autores
seriam Lucas ou Clemente de Roma. Parecia-lhe mais provável que Lucas escreveu os
pensamentos de Paulo em grego, mas concluiu que somente Deus sabe quem foi o autor.

Tema: A superioridade de Jesus Cristo sobre a antiga aliança

Antecedentes e Propósito: A maioria dos cristãos primitivos era formada por


judeus. Aparentemente, eles esperavam que Cristo voltasse logo, mas a demora de sua vinda e
as perseguições contra eles (10:32-34) fizeram com que eles questionassem se tinham feito a
escolha certa tornando-se cristãos. Consequentemente, havia o perigo de eles voltarem ao
Judaísmo.
A epístola foi escrita para os crentes judeus que hesitavam, estimulando-os a manter-se
firmes em sua fé. O escritor ressalta a superioridade esmagadora de Cristo sobre tudo o que
eles tinham vivido sob a lei. O que lhes é oferecido através de Cristo é muito melhor do que é
prometido sob a aliança mosaica para a qual eles jamais deveriam pensar em voltar. O autor
se estende na incomparável glória da pessoa e obra de Cristo, mostrando sua supremacia sobre
os profetas (1:1-3), anjos (1:4-2:18), Moisés (3:1-19), Josué (4:1-13), Arão (4:14-7:18) e todo
o ritual do Judaísmo (7:19-10:39). 1
Mensagem: A palavra “superior” desta epístola merece destaque. Ela é usada para
descrever Cristo e os benefícios do Evangelho (1:4; 7:19-22; 8:6; 9:23; 10:34; 11:16, 35, 40).
A maioria das bênçãos do Judaísmo relacionava-se com as coisas terrenas: um
tabernáculo ou templo terreno, sacerdotes terrenos, sacrifícios terrenos, um acordo que
prometia a prosperidade terrena. Em contraste, Cristo está “à direita da Majestade, nas
alturas” (1:3), onde distribui as bênçãos celestiais (3:1; 6:4; 8:5; 11:16; 12:22-23).

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Bíblia de Estudos Plenitude
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 3

Um ponto importante dessa epístola é a apresentação do ministério sumo


sacerdotal do Senhor. Cristo é o sumo sacerdote, não segundo a ordem de Arão, mas sim de
Melquisedeque, que não tinha antecessores nem sucessores no tabernáculo. Sendo assim,
Melquisedeque era um tipo perfeito de Cristo, que recebeu o cargo de sumo sacerdote por
invocação direta de Deus e não por herança (5:5-6). Enquanto o sacerdote Arônico tinha de
oferecer sacrifícios continuamente por seus próprios pecados, bem como pelos pecados de
outras pessoas, Cristo ofereceu, de uma vez por todas, sua própria pessoa sem pecados como
o sacrifício perfeito. Ele experimentou na carne a provação que todos os crentes conhecem e
por isso ele é capaz de interceder compassivamente em nome deles.
O capítulo 11 enumera alguns dos grandes heróis da fé no AT. Os versículos 4-35
registram bênçãos maravilhosas e notáveis vitórias alcançadas através da fé, enquanto os
versículos 36-38 registram aqueles que resistiram a grandes provas, sofrimento e perseguição
através da fé. 2
Destinatário: O título desta carta no manuscrito mais antigo existente é
denominada “Aos Hebreus”. Essa palavra podia ser usada para especificar judeus que falavam
hebraico ou aramaico, distinguindo-os dos judeus de idioma grego. Contudo, pelo costume
que a palavra adquiriu no primeiro século, poderia ser utilizada para indicar todos os judeus
cristãos, quer de idioma aramaico, hebraico ou grego.
Versículos chave: “porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-
se de nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem
pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de
recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” 4:15-16.

ESBOÇO DE HEBREUS

I. A superioridade da pessoa de Jesus Cristo ........................... 1:1 – 4:13

a) Jesus: melhor que os profetas ................................................... 1:1-3


b) Jesus: melhor que os anjos ....................................................... 1:4 – 2:18

(Primeira advertência): contra a negligência ................................ 2:2-4

c) Jesus: melhor do que Moisés ..................................................... 3:1-19


d) Jesus: melhor do que Josué ....................................................... 4:1-13

(Segunda advertência): contra a descrença ................................... 4:1-3,11-13

II. A superioridade do ministério de Jesus Cristo 4:4 – 10:8

a) Jesus é melhor do que Arão ....................................................... 4:14-5:10


1. Compreensivo e compassivo ................................................ 4:14-5:4
2: Segundo a ordem de Melquisedeque ................................... 5:5-10

(Terceira advertência: contra a falta de maturidade) ..................... 5:11-6:20

b) O sacerdócio de Melquisedeque, portanto


de Jesus Cristo, melhor do que o de Arão ..................................... 7:1-8:5

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Bíblia de Estudos Plenitude
4 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

1. Arão paga os dízimos a Melquisedeque .................................... 7:1-10


2. Os sacerdotes arônicos não fizeram nada perfeito .................... 7:11-22
3. Os sacerdotes arônicos morreram .............................................. 7:23-28
4. Os sacerdotes arônicos serviram apenas de sombra .................. 8:1-5

c) Jesus é mediador de uma melhor aliança .................................. 8:6-10:18

1. A melhor aliança........................................................................ 8:6-13


2. O santuário e sacrifícios do AT ................................................. 9:1-10
3. O santuário e sacrifícios do NT ................................................. 9:11-10:18

III. A superioridade da caminhada de fé .................................. 10:19-13:25

a) Um chamado à segurança total da fé ......................................... 10:19-11:40

1. Um chamado à firmeza da fé ..................................................... 10:19-39

(Quarta advertência): contra retroceder ......................................... 10:26-39

2. Uma descrição da fé .................................................................. 11:1-3


3. Heróis da fé................................................................................ 11:4-40

b) A persistência da fé ................................................................... 12:1-29

1. A persistência de Jesus .............................................................. 12:1-4


2. O valor da disciplina .................................................................. 12:5-24

(Quinta advertência): contra recusar a Deus.................................. 12:25-29

c) Admoestações sobre o amor ...................................................... 13:1-17

1. Amor no domínio social ............................................................ 13:1-6


2. Amor no domínio religioso ....................................................... 13:7-17

d) Conclusão .................................................................................. 13:18-25


Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 5

CAPÍTULO 1

Versículo 1:

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas.

1) Deus fala: o autor não vê a necessidade de comprovar isso, ele afirma. Essa é a base para o
estudo da Escritura, aceitar sua verdade pela fé. Ela não terá nenhum valor para quem não crê,
mas para quem crê a Escritura é o poder de Deus para a salvação, Romanos 1:16

2) Algumas ocasiões diferentes em que Deus falou:

a) Através de uma jumenta: “E, vendo a jumenta o anjo do SENHOR, deitou-se debaixo de
Balaão; e a ira de Balaão acendeu-se, e espancou a jumenta com o bordão. Então o SENHOR
abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três
vezes? E Balaão disse à jumenta: Por que zombaste de mim; quem dera tivesse eu uma espada
na mão, porque agora te mataria. E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua
jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o
meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não. Então o SENHOR abriu os olhos a
Balaão, e ele viu o anjo do SENHOR, que estava no caminho e a sua espada desembainhada
na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face. Então o anjo do SENHOR
lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu
adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim: Porém a jumenta me viu, e já
três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se desviasse de diante de mim, na verdade
que eu agora te haveria matado, e a ela deixaria com vida”. Números 22:27-33.

b) Através de uma sarça em chamas: “E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama


de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se
consumia” Êxodo 3:2.

c) Através de um redemoinho: “Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um


redemoinho, dizendo” Jó 38:1.

d) Face a face, do meio do fogo: “Face a face o SENHOR falou conosco no monte, do meio
do fogo” Deuteronômio 5:4.

e) Por anjos: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e
fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas. E eis que ficarás mudo, e não poderás falar
até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu
tempo se hão de cumprir” Lucas 1:19-20; “E eu disse: Senhor meu, quem são estes? E disse-
me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são estes” Zacarias 1:9.

f) Por sonhos: “E o rei lhes disse: Tive um sonho; e para saber o sonho está perturbado o meu
espírito” Daniel 2:3.

g) Por visões: “E eis que a glória do Deus de Israel estava ali, conforme o aspecto que eu
tinha visto no vale” Ezequiel 8:4.

h) Diretamente: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da
casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”. Gênesis 12:1.

i) Pelos profetas: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, acerca de ti, ó Baruque” Jeremias
45:2; “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos” Ageu 1:7;
6 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

“Assim diz o Senhor DEUS: Quando toda a terra se alegrar eu te porei em desolação”
Ezequiel 35:14; “Assim diz o Senhor DEUS: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá”
Isaías 7:7; “E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” Mateus 3:2.

Versículo 2:

Nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas...

1) Neste últimos dias; uma alusão aos dias imediatamente posteriores ao nascimento de Jesus,
uma revelação dada de uma vez por todas e superior à antiga aliança.

2) Deus não fala mais aos homens como falava antigamente. em Sua maravilhosa Graça,
estabeleceu na pessoa do Seu Filho uma ligação direta com o homem. Os profetas
anunciavam a Palavra inspirada e infalível, embora eles próprios fossem pessoas fracas e
falíveis. Jesus não fala meramente palavras que recebe de Deus para transmitir aos homens,
Ele é a própria Palavra, João 1:1, Ele é infalível.

3) Tudo no cristianismo, a glória que os homens conferem a Deus e as bênçãos asseguradas


aos crentes, dependem da pessoa e da obra de nosso Senhor Jesus Cristo, razão pela qual a
carta é iniciada pela descrição das glórias de Sua pessoa.

4) Jesus foi constituído herdeiro de todas as coisas.

a) O homem se esforça por possuir a terra, governar o mar, conquistar o espaço. Aspira por
poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e benção.

b) Cristo herdou tudo, Ele é o Filho de Deus, a própria Divindade, é só Ele é digno disso.

c) A longa história do homem apenas prova sua indignidade. Quando as coisas se encontram
ao seu alcance, ele abusa delas a fim de exaltar-se e excluir a Deus de sua vida. Usa o poder
para impor sua vontade; usa a riqueza para tornar-se feliz sem Deus; usa a sabedoria para
achar-se maior que Deus; usa a força para impor dominio; usa a honra para elevar-se; usa a
glória para desenvolver-se; usa a benção para benefício próprio. 3

d) Jesus foi constituído por Deus herdeiro de todas as coisas, das quais nos fins dos tempos
assumirá plenamente o poder. Hoje o mundo ainda é do maligno, 1 João 5:19, por isso não
percebemos o governo de Cristo sobre o mundo. Ele reinará no milênio.

5) O mesmo Jesus que foi constituído por Deus herdeiro de todas as coisas, um dia foi
rejeitado pela humanidade e pregado em uma cruz. Mas ressuscitou, e os céus dizem sobre
Ele com júbilo: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria,
e força, e honra, e glória, e louvor” Apocalipse 5:12.

6) Analisemos a palavra herança: No grego, quando atribuída a Cristo, a palavra é


kleronomos. Quando atribuída aos homens em geral a palavra é kleronomia. As duas palavras
significam herança, porém, quando aplicada a Cristo, kleronomos, indica algo que alguém
tomou plena posse, assumiu pleno poder, algo designado a si pelo direito de filiação. Quando
atribuída aos homens, kleronomia, significa a parte que um indivíduo terá na eterna bem-
aventurança. A diferença está nos termos plena posse, pleno poder e parte.

7)Analisemos a sentença todas as coisas: herdeiro de todas as coisas. Individualmente, tudo,


todas as coisas, qualquer coisa. O termo grego pas indica a globalidade no assunto, sugerindo

3
Estudos sobre a Epístola aos Hebreus, Hamilton Smith, Editora Depósito de Literatura Cristã.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 7

tudo o que existe e se possa imaginar. Jesus foi constituído herdeiro de toda a criação de
Deus, a criação que conhecemos e a criação desconhecida pelos homens, tudo Lhe pertence.

...pelo qual também fez o universo.

1) Jesus é o Logos de Deus. No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos
era Deus, João 1:1. O mundo que conhecemos e que desconhecemos, desde o microscópico
até o vasto e imcompreensível universo, nem existia ainda, e o Logos já exista na eternidade.
Tudo foi criado por Ele, por intermédio Dele, e sem Ele, nada do que foi feito se fez, João 1:3.

Versículo 3:

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas
pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à
direita da Majestade, nas alturas.

1) Resplendor da glória:

a), Resplendor, termo oriundo da palavra grega Apaugasma, significa brilho de Cristo que
reflete perfeitamente a majestade de Deus, brilho radiante que procede de um corpo
luminoso.

b) glória, termo oriundo da palavra grega Doxa, significa:

a) esplendor;
b)brilho;
c) magnificência;
d) excelência;
e) preeminência;
f) dignidade;
g) graça, majestade, algo próprio de Deus, a majestade real que pertence a Ele como
supremo governador, majestade no sentido da perfeição absoluta da divindade;
h) a majestade real do Messias, o interior absolutamente perfeito ou a excelência pessoal de
Cristo;
i) a mais gloriosa condição, estado de exaltação, da mesma condição de Deus Pai no céu,
para a qual Cristo foi elevado depois de ter concluído sua obra na terra;
j) a condição de gloriosa bem-aventurança à qual os cristãos entrarão depois do retorno do
seu Salvador do céu.

2) Expressão exata:

a) Expressão exata, termo oriundo da palavra grega charakter, significa expressão exata
(imagem) de alguém ou algo, reprodução precisa em todos os aspectos. Jesus é precisamente
igual a Deus em glória.

b) “Deus decidiu ter comunhão novamente com os homens, como tinha com Adão. É de Seu
interesse ter comunhão com aqueles a quem criou. E a única forma de alcançar esse objetivo é
8 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

reaproximando aqueles que se distanciaram devido ao pecado. Deus decidiu manifestar-se aos
homens como um perfeito ser humano: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que
está no seio do Pai, é quem o revelou”, João 1:18. João estava falando de Jesus. Deus estava
determinado a mostrar Sua glória novamente àqueles que Dele se distanciaram, e fez isso
enviando Seu Filho ao mundo, nascendo como homem, como você e eu, falando em nossa
linguagem, de uma maneira que podemos entender perfeitamente.

Deus não quer ser um Deus desconhecido para ninguém. Ele se tornou perfeitamente
conhecido através de Jesus. Jesus Cristo é a perfeita imagem do Deus desconhecido. Quem
conhece a Jesus conhece a Deus, “Se me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai.
Desde agora o conheceis e o tendes visto” João 14:7. Jesus é a perfeita e exata expressão de
Deus, Hebreus 1:3. Ele é o resplendor da glória divina. O próprio Deus que pisou nessa terra
vivendo nela como um ser humano por mais de trinta anos.

Jesus não é apenas um homem histórico, embora possa assim ser compreendido, pois se
tornou homem como você e eu e transcende em todos os demais em sabedoria. Mas muito
mais que um Jesus histórico, Ele é eterno. Isso quer dizer que todos os homens que viveram
antes Dele têm Nele sua fonte de sabedoria, pois Dele adquiriram a vida. Ele, Jesus, é antes de
todas as coisas e pessoas. Nele, tudo foi criado tanto nos céus quanto na terra, Colossenses
1:16”.4

3) Do seu ser: Ser, termo oriundo da palavra grega hupostasis, derivada da palavra histemi,
que significa:

a) ato de colocar ou estabelecer sob;

b) algo colocado sob, base, fundação;

c) aquilo que tem um fundamento, é firme;

d) substância, ser real;

e) fortaleza, segurança, estabilidade;

f) causar ou fazer ficar de pé;

g) tornar firme, estabelecer;

h) fazer uma pessoa ou algo manter o seu lugar;

i) permanecer, manter-se íntegro;

j) segurar ou sustentar a autoridade ou a força de algo;

k) parar, permanecer tranquilo, permanecer imóvel, permanecer firme;

l) continuar seguro e são, permanecer ileso, permanecer pronto ou preparado;

m) de qualidade, alguém que não exita, que não desiste.

4
A primazia de Cristo, Mario Biolada, Editora Logos da Vida, 2012.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 9

4) Sustentando todas as coisas pela Palavra do seu poder:

a) sustentando: termo oriundo da palavra grega phero, significa guardar de cair, preservar o
universo, aguentar pacientemente a conduta de alguém, poupar alguém (abstendo-se de puni-
lo ou destruí-lo). Veja um exemplo de como nosso Senhor sustenta a terra pela Palavra do seu
poder: “E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra,
retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre
o mar, nem contra árvore alguma” Apocalipse 7:1.

Sem Jesus, nenhuma estrela permaneceria em órbita, não seria possível existir vida no planeta
Terra, o planeta sairia de sua órbita... Aquele que criou através do poder de Sua Palavra,
sustenta todas as coisas com o poder da mesma Palavra.

b) palavra: termo oriundo da palavra grega rhema, significa palavra, fala, discurso, a Palavra
que é falada, comunicada, e deve ser cumprida, sempre alcançando seu objetivo.

c) poder: termo oriundo da palavra grega dunamis, significa:

d) poder, força, habilidade;

e) poder inerente, que reside numa pessoa por virtude de sua natureza;

f) poder para realizar milagres;

g) poder moral e excelência da alma;

5) depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas
alturas.

a) Purificar-se dos pecados é uma busca religiosa que atravessa os séculos.

b) Os meios utilizados para alcançar tal objetivo são vários, entre eles, esforço-próprio,
supressão de todos os esforços e desejos, autoflagelação, cumprimento de promessas
realizadas... não passam de sistemas que começam no homem e dependem de sua força de
vontade para alcançar o fim desejado.

c) Os fariseus, nos tempos de Jesus, faziam das boas obras e do esforço próprio a medida da
devoção religiosa. Era um entendimento comum entre os religiosos que ser purificado sem
semelhante esforço era algo impossível.

d) Os judeus sabiam perfeitamente o significado e valor do dia chamado “Dia da Expiação”, o


“Yom Kippur”, dia esse em que a purificação dos pecados do povo somente poderia ser feita
mediante o sacrifício de animais.

e) O autor apresenta o tempo verbal para “ter feito” a expiação dos pecados no particípio
aoristo de voz ativa, indicando a purificação plena realizada por Ele, Jesus, com base na
simbologia do passado e com valor para o tempo presente (época da escrita) e futuro (hoje e
eternamente). Por essa mesma razão o autor não dá muitos detalhes sobre a purificação
realizada por Jesus no início da epístola, pois seus leitores compreenderam imediatamente o
que ele se propunha a ensinar. O sacrifício de Jesus é o sacrifício único e perfeito que garante
a purificação de todos os nossos pecados. Todos os meios utilizados pelos homens para
alcançar purificação, à parte do sacrifício de Jesus, são rejeitados por Deus e para Ele não tem
valor algum.
10 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

6) Assentou-se à direita da Majestade, nas alturas: No costume oriental, o lugar direito do


Rei era o lugar de honra a ser ocupado. Somente o herdeiro do trono ocuparia aquele lugar.

a) O Salmos 110 para os judeus tinha o significado de salmo messiânico. Era muito conhecido
pelas crianças e adultos de Israel, ensinado frequentemente nas sinagogas e de valor espiritual
para seus cultos. O autor aos Hebreus faz lembrar o Salmos 110 nesta passagem, quando diz
que Jesus, após ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas
alturas. “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus
inimigos debaixo dos teus pés”, Salmos 110:1.

b) A posição “assentado” era conhecida dentro da cultura da época como a posição do rei que
completou o serviço. O rei não se assentaria enquanto não terminasse sua obra. Enquanto
tivesse algo a fazer, permaneceria em pé, demonstrando sua autoridade. Sentar-se implicava
em dizer: terminei minha obra.

c) O Rei Jesus está sentado, pois a obra necessária para sermos aceitos por Deus está pronta.
Não há mais obra a realizar nesse sentido.

d) O Senhor Jesus é visto em pé nos céus quando o assunto é intercessão, como aconteceu na
passagem referente a Estêvão, Atos 7:56. Quando o assunto é sacrifício pelos pecados, o
Senhor Jesus está sentado, pois concluiu plenamente a obra e nada mais pode ser feito neste
sentido.

e) à direita da Majestade, uma forma honrosa de dirigir-se a Deus, era assim que os judeus
gostavam de dirigir-se ao Deus Pai. O que o autor está ensinando é que aquele Jesus
humilhado e crucificado era o Messias, que completou a obra para redimir a Israel, como a
todas as pessoas, e agora sentou-se à direita da Majestade, ao lado de Seu Pai.

Versículo 4:

tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.

a) Os judeus tinham grande interesse pelos anjos; o homem moderno não tem tanta certeza
acerca deles, mas ainda há muitos que desenvolvem doutrina sobre os anjos nos dias atuais.

b) anjos são criaturas, Jesus é Filho de Deus. “Filho” é um nome mais excelente que “anjo”.

c) Alguns chamavam a Jesus de anjo naqueles tempos, fazendo-o não mais alto que esses
seres espirituais que, segundo acreditavam, influenciava os negócios dos homens.

d) Em Colossos adorava-se anjos, (Colossenses 2:18), e isso era uma prática comum naquele
tempo bem como é uma prática comum em algumas igrejas do século 21.

e) Os anjos estão sujeitos à autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, 1 Pedro 3:22, e são
espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação,
Hebreus 1:14.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 11

Estreita relação do Senhor Jesus com os anjos: a) um anjo anunciou a chegada do


nascimento de Jesus à Maria e José (Lc 1:26; MT 1:20); b) presenciaram o nascimento de
Jesus e o anunciaram aos pastores (LC 2:8); c) Eles o protegeram da ira ciumenta de Herodes
(MT 2:13,22); d) ao final do jejum do Senhor após 40 dias, ministraram para Ele e o
fortaleceram (MT 4:11); e) durante sua luta agonizante na noite em que ele foi traído, um anjo
confortava o Senhor na preparação para a cruz (LC 22:43); f) os anjos estavam presentes na
ressurreição (MT 28:2), e ascensão (AT 1:10) de Jesus. G) Finalmente, Jesus voltará “na
glória de Seu Pai, com os seus anjos” (MT 16:27). Vemos o tempo todo que os anjos são
submissos ao Senhorio de Jesus, servindo como ministradores aos que hão de herdar a
salvação, Hebreus 1:14.

Anjos não podem receber adoração; anjos não podem ser cultuados; anjos não podem receber
nossas orações; velas não podem ser acesas para obter sua proteção; anjos não desenvolvem
um ministério independente nos céus. Os anjos são servos do Senhor, são criaturas, não
podendo sequer ser comparados ao Senhor Jesus.

A sociedade Torre de Vigia, publicando o livro Raciocinio à base das Escrituras, pg. 219,
escreveu: “Portanto, a evidência indica que o Filho de Deus, antes de vir à terra, era
conhecido como Miguel, e também é conhecido por esse nome desde que retornou ao céu,
onde reside como o glorificado Filho espiritual de Deus”. Há outras igrejas que também
ensinam isso aos seus fiéis. Paradoxalmente, esse raciocínio é completamente sem base na
Escritura. Miguel é identificado na Bíblia como um arcanjo (Jd 9), isto é, líder de anjos, o que
o coloca na mesma categoria dos demais seres angelicais. Mas sobre Jesus a Bíblia diz:

• Nele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis, incluindo Miguel (Cl 1.16).

• Os anjos não foram gerados, mas criados. Jesus, no entanto, foi gerado eternamente (Hb 1.5;
7.3).

• Miguel, como anjo, deve adorar a Jesus (Hb 1.6).

• Deus jamais permitira que um anjo se assentasse à sua direita, como fez com Jesus (Hb
1.13).

• Não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo vindouro, mas a Jesus (Hb 2.5).
12 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

CAPÍTULO 2

Versículos 1 a 4:

O PERIGO DA NEGLIGÊNCIA

Negligência: preguiça, descuido, desleixo, relaxo (minidicionário da Língua Portuguesa, de


Silveira Bueno).

a) Devemos nos “apegar”, com firmeza, às verdades aprendidas, para delas não nos
desviarmos. “Apegar-se” significa “segurar-se, afeiçoar-se, dedicar-se”, (minidicionário da
Língua Portuguesa, de Silveira Bueno). “Afeiçoar” significa “amoldar, formar, adaptar”,
segundo o mesmo dicionário. Logo, “apegar-se” às verdades aprendidas significa apoiar-se
nelas a fim de ser a base de transformação do nosso caráter e a regra para nossas condutas. O
que a Bíblia aprovar devemos aprovar e o que ela reprovar, devemos reprovar. Nossa conduta
deve estar apoiada pela Escritura.

b) Devemos observar que nos dias em que a epístola foi escrita os judeus estavam recebendo
pressão de todos os tipos para abandonar a fé em Jesus e retornar ao Judaísmo. Isso
significaria apostasia. Quem abandonar a Jesus, não terá salvação.

c) A salvação anunciada por Jesus, anunciada no versículo 3, foi pregada por Pedro e pelos
demais apóstolos. Deus testemunhou juntamente com eles por “sinais”, “prodígios” e vários
“milagres”.

d) Transgredir a lei era algo muito grave. Virar as costas à pregação da graça é algo ainda
pior. Porém, o mais grave de tudo é confessar-se crente na Palavra e depois tratá-la com
desprezo, abandonando-a. Os judeus estavam retornando ao Judaísmo, e hoje, para onde estão
retornando aqueles que entregaram a vida a Jesus?

Versículo 5:

O céu não é algo futuro, já existe e sempre existiu. A Escritura menciona três “mundos”:

1) O mundo anterior ao Dilúvio, que Pedro designa como “o mundo daquele tempo”, 2 Pedro
3:6.

2) O mundo presente, “os céus e a terra que agora existem” 2 Pedro 3:7.

3) Nessa passagem: “o mundo futuro”.


Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 13

No mundo atual os anjos tem função importante, como coparticipantes do governo de Cristo.
Eles são instrumentos nas mãos de Deus para exercer Seu governo e providência, guardando
os herdeiros da salvação em seu caminho até a glória. No mundo futuro os anjos cederão lugar
ao pleno governo do Senhor Jesus.

Versículos 6 a 9:

a) Davi, contemplando a lua e as estrelas, sente a própria insignificância; quando se compara


com a imensurabilidade destas, exclama: “Que é o homem mortal?”.

b) Olhando para o homem caído em pecado ele é, na verdade, muito pequeno. Mas olhando
para o homem criado por Deus sem pecado, ele é um pouco menor que os anjos.

c) Adão, quando criado, recebeu de Deus o poder de sujeitar toda a criação, Gênesis 1:28.
Devido ao pecado, este poder foi tomado pelo diabo, Lucas 4:6.

d) Se, por um lado, o autor olha para o homem que deveria sujeitar todas as coisas deste
mundo que vivemos e percebe que ele não consegue realizar este ato, por outro, ele olha para
Jesus, que em sua humanidade foi feito um pouco menor que os anjos, como o homem, mas
permanecendo fiel até a morte, foi coroado de honra e de glória, versículo 9.

e) é assim que podemos enxergar a Jesus: a) no passado, provou a morte por todo homem; b)
no presente, está coroado de glória e honra; c) no futuro, o universo inteiro estará sujeito a
Ele.

Versículo 10

a) Esse versículo não está ensinando que Jesus tivesse defeitos morais, mas sim que Ele se
tornou perfeito ou completo como Salvador, ao ser fiel até a morte de cruz. O caminho para
Ele tornar-se “Autor da Salvação” passava por tentação sofredora e morte e Ele não recusou
esse caminho.

b) Os “muitos filhos que são conduzidos à glória” são aqueles que creem na obra que Jesus
realizou por eles na cruz, e que tomam sua cruz diariamente, tornando-se discípulos.

Versículos 11 a 18

a) Podemos ser chamados de irmãos de Jesus, pois tanto Ele quanto nós procedemos do
mesmo Pai. Na verdade, nos tornamos filhos de Deus crendo em Jesus. Faz-se necessário
diferenciar as “criaturas” de Deus dos “filhos” de Deus. Só é “filho” quem foi aceito por Deus
em Jesus. Podemos chamar a isso de “adoção”. Gálatas 4:5; Efésios 1:5.

b) O diabo tinha o “poder da morte” em função do pecado de Adão. Na vida daqueles que
receberam a Jesus como Senhor e Salvador, esse poder foi aniquilado. Todos os que creem em
Jesus passarão pela morte física, mas ressuscitarão, João 11:25.
14 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

c) A morte para o crente não pode ser encarada como um terrível castigo ou algo apavorante,
antes, como uma porta que nos fará sair do sofrimento e entrar na plenitude de bênçãos
divinas.

d) Jesus tornou-se nosso sumo sacerdote, e em Sua morte fez propiciação por nossos pecados,
assumindo nossa morte em Sua própria morte. Sua morte é a morte de todo aquele que nEle
crê. Ele se fez oferta a Deus pelo pecado do povo. Sua própria vida foi ofertada como
propiciação por nossos pecados. No regime da lei, um animal deveria ser sacrificado para
fazer propiciação pelo pecado do povo, e o sumo sacerdote deveria ser alguém do povo para
oferecer aquele sacrifício e representar o povo. A encarnação de Jesus foi indispensável à obra
de expiação pelo povo, quando ele ofereceu a Si mesmo e em seu próprio corpo representou a
toda a humanidade. nEle estava tanto a oferta quanto a representação pelo povo. Por essa
razão Ele tornou-se nosso sumo sacerdote, Hebreus 7:26, o sumo sacerdote ideal para nos
representar.

e) O ser humano “evoluiu” do reino à escravidão. O pecado de Adão como herança à


humanidade sentenciou-a a escravidão do pecado e da morte.

f) O Senhor não veio socorrer anjos, mas humanos. Por essa razão teve que tornar-se
semelhante a nós e morrer em nosso lugar. Sua morte é nossa morte, Sua vida nossa vida.

g) O sofrimento nasce da resistência ao pecado. Quando cedemos à tentação, a carne não


sofre; pelo contrário, ela é contentada na realização do pecado. Ela usufrui momentaneamente
os deleites do pecado, embora no final tenha que sofrer pelo pecado cometido. O Senhor foi
tentado, contudo, isso redundou apenas na demonstração de Sua perfeição, visto que nem
sequer por um instante cedeu à tentação de Satanás. Depois de ter sofrido em todas as coisas à
nossa semelhança, mas ter resistido a Satanás, Ele é plenamente capaz de nos socorrer e nos
capacitar a ficar firme em meio às tentações.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 15

CAPÍTULO 3

CRISTO É SUPERIOR A MOISÉS. O PERIGO DA INCREDULIDADE E DA


DESOBEDIÊNCIA

1) Como apóstolo, Cristo é o representante de Deus para seu povo; como sumo sacerdote, ele
é o representante deles perante Deus, versículo 1.

a) O tabernáculo é uma figura do povo de Deus; o deserto prefigura a passagem do povo de


Deus por este presente mundo maligno com todos os seus perigos. Esta jornada pelo deserto é
ocasião na qual se faz necessária a presença de um apóstolo e sumo sacerdote que tenha
compaixão de nossas fraquezas, 2:18.

2) Nosso Senhor é considerado “digno de tanto maior glória do que Moisés”, pois Moisés era
apenas um servo e ele próprio membro da “casa”. A palavra “casa” aqui se refere ao
tabernáculo. Em contraste, como Deus, Cristo é tanto o edificador quanto o Senhor da casa.
Ele é o cumprimento de tudo quanto Moisés prenunciou, versículos 2 a 6. Jesus é maior que o
sábado e maior que o templo, Mateus 12:1-8, consequentemente, maior que Moisés e a lei. O
tabernáculo era apenas uma sombra de Cristo, seu real significado seria manifesto mais tarde
na pessoa do Senhor Jesus. O apóstolo João escreveu que o Verbo (Jesus) se fez carne e
habitou (tabernaculou) entre nós, cheio de graça e verdade, e vimos sua glória, como do
unigênito do Pai, João 1:14.

3) Moisés nunca foi sacerdote; ele ia ao povo em nome de Deus, e Aarão, o sacerdote, ia a
Deus em favor do Povo. Moisés, sob a direção de Deus, construiu o tabernáculo no deserto.
Jesus, o verdadeiro Apóstolo e nosso sumo sacerdote, é o arquiteto do todo o Universo, do
qual o tabernáculo era um testemunho. Além do mais, se Deus habita nos céus dos céus, é
também verdade que habita no meio do Seu povo ao qual constituiu Sua casa. Esta casa
espiritual é uma das realidades que eram prefiguradas pelo tabernáculo.

4) Cristo estava sendo pregado aos judeus, que por sua vez o estavam rejeitando. O escritor de
Hebreus comparou essa incredulidade à incredulidade do povo que saiu do Egito, versículos
7 a 11. O salmo 95 é citado e sua citação atribuída ao Espírito Santo. Assim como aquela
geração foi impedida de entrar no descanso de Deus (Canaã terrena), a geração da época da
escrita bem como a geração atual que rejeitar a Jesus será impedida de entrar no descanso
eterno (Canaã celestial). O povo que saiu do Egito fez uma confissão de confiar em Deus no
deserto, um lugar de extremo perigo. Somente sua confiança em Deus poderia sustenta-los até
o fim. A mesma admoestação nos é feita hoje, já que confessamos a Jesus como nosso Senhor
e Salvador. Somente nossa confiança nEle pode nos sustentar até o fim de nossa jornada por
este deserto. Este mundo não é a nossa pátria, somos peregrinos nessa terra.

5) Incredulidade é causada por um coração perverso, que é causado pelo engano do pecado,
versículos 12 a 13. Aqui também se encontra a ordem de exortarmos uns aos outros
diariamente, a fim de que possamos resistir aos dias maus.

6) Tornar-se participante de Cristo exige fé contínua e não uma experiência única, como um
ato de levantar de mãos ou uma falsa profissão de fé, versículos 14 a 15. A palavra
“participantes” provém da palavra grega “metochos” e significa se tornar “parceiro,
companheiro”.
16 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

CAPÍTULO 4

CRISTO É SUPERIOR A JOSUÉ; O PERIGO DA DESCRENÇA

1) A geração que saiu do Egito falhou em sua fé, e consequentemente não pode entrar no
descanso de Deus, a Canaã terrena, versículos 1 a 3.

2) As obras concluídas desde a fundação do mundo, versículo 3, referem-se às obras da


criação de Deus.

3) Através de Davi, Deus prometeu outro repouso, encontrado em Cristo, versículos 5-9.
“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e
encontrareis descanso para as vossas almas” Mateus 11:29.

4) O descanso representado por Canaã, ao qual Josué conduziu o povo, apenas representava o
descanso daqueles que creem em nosso Senhor Jesus Cristo, versículos 8 a 9.

5) Da mesma forma que Deus repousou de sua obra de criação, aquele que confia em Cristo
descansa no que Deus fez por ele. Ele parou de tentar alcançar a salvação através de seus
próprios esforços e, na vida cotidiana, começou a aprender uma dependência com base na
ajuda do Espírito Santo, versículos 4 e 10. Não estamos falando aqui de um descanso do
trabalho do corpo, e sim do descanso da alma em Cristo.

6) O descanso de Deus na ocasião da criação do mundo é uma sombra do descanso eterno que
Seus filhos terão nEle. É o descanso final quando findar o trabalho do corpo.

7) Os versículos 11 a 13 nos ensina que Deus é capaz de saber se estamos levando uma vida
com base na alma (perturbação), ou no Espírito (descanso em Deus). Mais uma vez nosso
Senhor é apresentado como nosso sumo sacerdote, versículo 14. Sendo apresentado como
sumo sacerdote nesse contexto, entendemos claramente que Ele é solução para quem quer
deixar de viver uma vida na dependência da alma (uma vida natural), e passar a viver na
dependência do Espirito Santo, pois Ele, nosso Senhor, nos leva a uma comunicação imediata
com Deus e se torna nosso descanso para toda tribulação.

8) Mais uma vez, como em 2:18, lemos que nosso sumo sacerdote pode compadecer-se de
nossas fraquezas, e temos muitas fraquezas neste mundo, versículo 15. Nosso Senhor provou
da humanidade, e sabe o quanto é difícil servir a Deus vivendo na carne.

9) E o capítulo se encerra com um apelo: podemos chegar confiadamente junto ao trono da


graça, onde podemos receber misericórdia e acharmos socorro nas horas difíceis da vida,
versículo 16. Chegar confiadamente significa chegar sem reservas, com franqueza, com
discurso aberto e total. Para o crente o trono é um trono de graça, não de julgamento. Nas
horas das fraquezas e das angústias, devemos correr até Jesus em oração. Ele está de braços
abertos nos aguardando.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 17

CAPÍTULO 5

CRISTO É SUPERIOR A ARÃO

1) Os primeiros quatro versículos são um pano de fundo para a introdução de uma ordem
superior. Se analisarmos que a epístola foi escrita a judeus, as declarações vêm como
lembrança com esse objetivo.

2) Jesus já havia sido anunciado na epístola como sumo sacerdote. Logo, a comparação com a
ordem arônica é inevitável.

3) Os pré requisitos, ou características, de um sumo sacerdote, estão apresentados no


versículo 1: a) ser um representante do homem; b) ser tomado dentre os homens. Por ser
identificado em natureza com os homens o sumo sacerdote pode agir e pleitear em prol deles.

4) É constituído, versículo 1, é um verbo passivo, com isso subentendemos que a nomeação


do sumo sacerdote é feita por Deus, versículo 4. A ordem arônica não fez disposições para a
eleição democrática, somente para nomeações teocráticas autoritárias.

5) A obra de mediador era a obra principal do sumo sacerdote, quando este agia em prol de
Deus para com os homens e em prol dos homens para com Deus. Ele estava tão estreitamente
relacionado com Deus e com os homens que oferecia sacrifícios a Deus, tanto por seu próprio
pecado quanto pelo do povo, versículo 3.

6) Sendo tirado dentre os homens, o sumo sacerdote podia exercer o aspecto mais pessoal do
cargo: condoer-se pelos pecados do povo, versículo 2, ou tratá-los mansamente.

7) É muito fácil se livrar dos que erram e negar-lhes ajuda para que possam vencer suas
dificuldades. O sumo sacerdote, todavia, era uma pessoa que tratava com especial atenção
essas pessoas. Elas não encontrariam em outra pessoa a atenção que encontravam no sumo
sacerdote.

8) O sumo sacerdote não era apenas o representante dos melhores setores da sociedade, eram
também dos piores. Não havia classe social que fosse por ele rejeitada.

9) O sumo sacerdote tinha um ministério especial de mansidão para com aqueles que tinham
consciência de suas necessidades e fraquezas, pois ele próprio tinha necessidades e fraquezas.

10) É justamente nesse aspecto que a linhagem de Arão se difere do nosso Sumo Sacerdote,
pois Ele sabe tratar a necessidade de seu povo não por causa de sua própria fraqueza, mas por
causa de sua força e poder. Nunca errou, mas foi tentado em todas as coisas à nossa
semelhança, então tem perfeita compreensão de nossas fraquezas.

11) O sumo sacerdote precisava oferecer um animal por seus próprios pecados, Levítico
16:11, para então poder oferecer sacrifícios pelos pecados do povo. Jesus ofereceu-se a si
mesmo, tornando-se tanto a oferta quanto o representante do povo.

12) Assim como o sumo sacerdote era escolhido por Deus, nosso Senhor foi também por Ele
escolhido. Ele tinha conhecimento pleno de que Deus lhe deu a obra que viera realizar, João
17:4. Jesus não procurou conquistar posições de honra, Ele não honrou a si mesmo, foi
18 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

honrado pelo Pai, João 8:54. Ele foi nomeado por Deus para a função, tal como o era o sumo
sacerdote da ordem de Arão.

13) O sacerdócio de Cristo é melhor que o sacerdócio de Arão por duas razões básicas: a) é
para sempre, porque nunca poderá ficar melhor do que já é; b) é segundo a ordem de
Melquisedeque, versículo 6.

14) O sacerdócio de Melquisedeque foi aceito por Abraão, Gênesis 14:18-20. Melquisedeque
é uma figura de um sumo sacerdote exaltado.

15) O versículo 7 nos mostra o quanto nosso Sumo Sacerdote é perfeitamente identificado
conosco. Foi humano como você e eu, e passou por mais angústias do que as que passamos.
Em suas angústias, Ele orava e suplicava ao Pai, pois sabia que não venceria sozinho sem a
ajuda do Pai. Hoje, ele sabe que você e eu não venceremos sem a ajuda dEle.

16) Em que sentido Jesus foi ouvido pelo Pai como mencionado no versículo 7? A menção da
passagem no Getsêmane nos deixa claro que Jesus passou pela aflição fazendo a vontade do
Pai, não fazendo a sua própria vontade. Deus sempre responderá nossas vontades quando
estas estiverem dentro da Sua Vontade.

17) A obediência citada no versículo 8 retrata a perfeita obediência de Jesus ao Pai, pois em
Sua humanidade Ele poderia ter desistido da vontade do Pai.

18) “Tendo sido aperfeiçoado”, versículo 9, não pode ser entendido como Ele não ter sido
perfeito algum dia, antes, demonstra que a perfeição é obtida no caminho do sofrimento. Sua
obediência levou-o ao estado de plena aceitação de seu ministério pelo Pai, ao ponto de ser
nomeado como Sumo Sacerdote eterno do povo. Sua perfeição foi submetida a testes durante
sua vida terrena.

19) Devemos aprender a obediência ao Pai, tendo como base nosso modelo que é o Senhor
Jesus, versículo 9.

20) A ordem de Melquisedeque não é uma ordem com sucessão hereditária, versículo 10, pois
Melquisedeque não tem genealogia nem sucessores. Nessa ordem, somente o próprio Deus
poderia consagrar alguém. Ninguém mais pertenceu a ela, somente Cristo. O assunto
“Melquisedeque” voltará a ser mencionado no capítulo 7.

21) Parece que o autor entendia que suas explicações sobre a ordem arônica e de
Melquisedeque soaria por demais “acadêmica” a alguns de seus leitores. Ele deixa claro que o
assunto “Melquisedeque” é difícil de explicar, versículo 11, dada a falta de conhecimento
oriunda pela falta de interesse pela Escritura Sagrada.

22) No versículo 12 o autor deixa claro que, devido ao tempo que passou, alguns na Igreja
deveriam ser mestres mas, ao contrário, estavam precisando de ensinamentos básicos. Não
tiveram interesse em aprender a Palavra de Deus.

23) No versículo 14 fica claro que quando se trata de assuntos complicados, estes só serão de
interesses para quem se dedica ao aprendizado contínuo da Palavra. Quem gosta de “leitinho”
não suportará a “feijoada bem incrementada” quando esta lhe for apresentada.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 19

CAPÍTULO 6

EXORTAÇÃO AOS PROGRESSOS NA FÉ

Versículos 1 a 3

1) A exortação desta passagem retrata a ordem de um apóstolo aos cristãos: caminhe para a
perfeição, versículo 1.

2) Como podemos caminhar para a perfeição? Não permanecendo na base dos ensinamentos
cristãos iniciais, mas prosseguindo em conhecer as Escrituras. Quem não prossegue em
conhecer as Escrituras é comparado a uma criança que ainda precisa de “leite”, 5:12. Somos
exortados a caminhar para a maturidade, em outras palavras, perfeição.

3) Uma vez lançada da base, os alicerces da vida cristã, versículo 1, devemos nos aprofundar
no conhecimento da Escritura.

OS PERIGOS ESPIRITUAIS

Versículos 4 a 8

1) Precisamos entender o contexto que levou o escritor a escrever esta advertência, para então
entendê-la.

a) “Caíram”, versículo 6, significa terem cometido pecado? Não neste contexto.

b) O que estava acontecendo aos judeus do primeiro século? Estavam sendo perseguidos por
terem abandonado o Judaísmo e ingressado no Cristianismo, com implicações em sua vida
social, política, econômica e religiosa.

c) Diante da pressão, alguns permaneciam fiéis a Jesus, outros estavam abandonando o


Cristianismo e retornando ao Judaísmo.

d) Para regressar ao Judaísmo, uma vez tendo tornado-se adepto do Cristianismo, a pessoa
deveria, diante de testemunhas, negar publicamente sua fé em Jesus e confessar seu
compromisso com o Judaísmo.

e) A esse ato o autor chama de “crucificar novamente o Filho de Deus, expondo-o à


vergonha”, versículo 6, ou abandoná-lo por vergonha de ser fiel a Ele.

f) A passagem não retrata uma queda na fé, ou um pecado cometido, mas sim a apostasia
completa que leva a um coração endurecido, decidido a abandonar a fé em Jesus. Também
não fala de cristãos que ingressaram na fé, mas de pessoas que provaram o dom celestial,
versículo 4, e que foram iluminados, mesmo assim apostataram da fé.

g) O que foi que nosso Senhor ensinou sobre aqueles que se envergonharem dEle? “Porque,
qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do
homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos”, Lucas 9:26.
20 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

O ENSINO SOBRE A FIDELIDADE DE DEUS

Versículos 9 a 12

1) Se o autor é duro ao falar daqueles que abandonam o Filho de Deus para não serem
perseguidos e não sofrerem danos à sua imagem na sociedade, em contrapartida, ressalta a
fidelidade de Deus para com aqueles que continuam servindo-o , versículo 10.

2) Podemos estar falando de pessoas que caíram em pecado, que erraram eventualmente, que
cometerem deslizes... mesmo assim o autor diz que Deus os ama e não é injusto para se
esquecer deles.

3) O ensino é: continue amando a Deus e servindo-o até o fim, versículo 11. Quem é fiel até
o fim, herda a promessa da vida eterna, versículo 12. Longanimidade, versículo 12, provém da
palavra grega makrothumia, e descreve a qualidade paciente de uma pessoa, mas também de
suportar perseguição e maus tratos em prol de uma esperança maior.

Versículos 13 a 20

1) Deus jurou a Abraão que o abençoaria, Gênesis 22:16-17. Ele jurou por Si mesmo, visto
que não tinha ninguém superior por quem jurar, versículo 13.

2) A promessa foi a Abraão, mas se estende a seus descendentes, os herdeiros da promessa,


versículo 17. Em Abraão, todos os que crêem são abençoados através de seu descendente,
Jesus, Gênesis 12:3. Não é em Abraão que todas as famílias da terra são abençoadas, mas na
vida daqueles que crêem em seu descendente, Jesus.

3) Mediante a promessa e o juramento do Criador do céu e da terra, duas coisas imutáveis,


versículo 18, temos esperança de um futuro glorioso.

4) Nossa esperança penetra até o lugar mais profundo possível, além do véu, onde somente o
sumo sacerdote podia ir uma vez por ano e isto após todo um ritual de purificação. Além do
véu está a presença de Deus. Nossa esperança se fundamenta na presença de Deus em nossas
vidas, hoje e eternamente. Nosso sumo sacerdote nos leva nEle até a presença de Deus. Ele é
tanto caminho quando o condutor à presença de Deus.

5) Quando você não estiver se sentido seguro, pense que o navio também pode estar sem
segurança no mar, então precisa de uma âncora que o livre de ficar à deriva, o que pode levar
à sua destruição. Assim como o navio tem uma âncora em que pode confiar, você também
tem uma âncora bem segura: Jesus Cristo, versículo 19, âncora da alma, tão abalada por este
mundo inseguro. Se Jesus for sua âncora, você estará seguro nos dias mais turbulentos,
quando os ventos assoprarem impetuosos contra sua embarcação.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 21

CAPÍTULO 7

A NOVA ORDEM SACERDOTAL

Versículos 1 a 28

1) No capítulo 4, versículo 14, o autor já havia apresentado Jesus como o grande sumo
sacerdote que penetrou os céus, agora, ele retorna ao assunto no capítulo 7. É importante notar
que o autor demonstra, através da Escritura, versículos 17 e 21, que nos planos eternos de
Deus esse fato já era uma realidade, logo, atribuir este título a Jesus não se tratava de uma
novidade ou invenção pós apostólica. A passagem citada refere-se ao Salmo 110:4.

2) Quanto à posição, Melquisedeque era um rei; seu reinado caracterizava-se por justiça e paz,
versículo 2. Como não possui genealogia, é claramente um tipo de Cristo na Escritura. A
guerra a que o autor se refere no versículo 1 é a guerra mencionada no capítulo 14 de Gênesis.

3) A passagem de Gênesis 14, onde Melquisedeque se encontra com Abraão, é um tipo do


reino milenar, onde Cristo aparece na Batalha do Armagedom e vence a besta, o falso profeta,
os adoradores da besta e aprisiona o diabo, instaurando em seguida o milênio. De forma
semelhante, Melquisedeque traz bênçãos após o período de guerra, Gênesis 14:18-20.

4) Melquisedeque é um legítimo representante de Cristo: a) no exercício de seu sacerdócio ele


estava posicionado entre Abraão e Deus; b) na qualidade de representante de Deus perante os
homens, ele abençoou a Abraão em nome de Deus; c) como representante dos homens perante
Deus, ele louvou ao Deus Altíssimo, em nome de Abraão; d) ele traz bênçãos de Deus aos
homens, e dirige o louvor dos homens a Deus; e) é assim que, nos dias vindouros do reino
milenar, Deus será reconhecido como o Deus Altíssimo que livrará o seu povo terreno e que
tratará em juízo com qualquer poder hostil.

5) Cristo haverá de resplandecer como rei e sacerdote. Zacarias 6:13 assim profetiza: “Ele
mesmo edificará o templo do Senhor e será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono, e
dominará, e será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios”.

6) Melquisedeque não tem genealogia, seus dias não são contados; igualmente o sacerdócio
de Cristo é eterno, versículo 24.

7) Os próprios levitas, que recebiam os dízimos do povo, o pagavam a Melquisedeque na


pessoa de seu pai Abraão, versículo 9.

8) o sacerdócio levítico, mediante o qual o povo recebeu a lei através de Moisés, era
imperfeito, não podia fazer o povo chegar à presença de Deus e viver santamente nessa
presença. A lei nunca foi cumprida por nenhum homem, com exceção de Jesus. Por essa razão
foi necessária a mudança de sacerdócio, o que implica mudança na lei, versículo 12. Nenhum
cristão deve contemplar a lei tentando-a cumprir como forma de obter assim a vida, ou em
outras palavras, fazer para viver. No regime do reinado e do sacerdócio de Cristo, “vive-se
para fazer”, não se “faz para viver”. Seu regime de reinado e de sacerdócio é um regime de
vida e alegria, não de imposição em forma de ordenanças.

9) A mudança de lei fica clara pelo sacerdócio que procede de Judá, versículo 14, tribo da
qual nunca houve sacerdote.
22 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

10) Outra característica importante do sacerdócio de Cristo é que ele é eterno, versículo 24,
não impedido pela morte como o sacerdócio arônico, versículo 23.

11) A lei aponta para coisas santas e boas, porém nada aperfeiçoou no homem. A mudança de
sacerdócio, e por conseguinte da lei, ou do modo de cumprir a lei, tem em vista a condução do
crente à glória, ainda que, mesmo antes de alcançarmos a glória, já possamos achegar-nos a
Deus por meio de nosso Sumo Sacerdote, versículo 25.

12) Um sacerdote terreno poderia até ser perfeitamente compreensível para com os que
viessem a errar, mas a morte o impedia de continuar servindo seus irmãos, versículo 23.
Cristo, contudo, exercerá esse ofício eternamente, versículo 24.

13) Precisávamos de um sumo sacerdote assim, versículo 26, que possa nos entender, nos
amar e nos perdoar. Ele é um sumo sacerdote perfeito e eterno, versículo 28.

14) Nos dias atuais, há igrejas que estão tentando fazer o povo servir a Deus com uma cega
observação do Pentateuco. Se assim o povo tivesse que servir a Deus, que necessidade haveria
de Jesus ter vindo ao mundo? Esta claro no texto que o sacerdócio levítico é imperfeito,
versículo 11, apenas uma sombra do perfeito sacerdócio de nosso Senhor.

15) O sacerdócio de Cristo não continua o sacerdócio de Levi, mas inaugura outro,
completamente diferente. “outro” sacerdote, versículo 15, não é allos, que significa outro do
mesmo tipo, mas heteros, outro de um tipo totalmente diferente.

16) A anterior ordenança, em sua forma de mandamentos desacompanhada de poder para


fazer cumprir, versículo 18, foi revogada, justamente devido à sua fraqueza e inutilidade.

17) A lei nunca aperfeiçoou ninguém, apenas serviu para mostrar ao homem que este é um
pecador e precisa do perdão de Deus. Uma esperança superior, pela qual possamos nos chegar
a Deus, foi introduzida pela pessoa de nosso Senhor, versículo 19.

18) Para que o homem tenha salvação, faz-se necessário um sumo sacerdote perfeito e um
perfeito sacrifício para os pecados, versículo 28.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 23

CAPÍTULO 8

1) No capítulo 7, encontramos a nova ordem do sacerdócio, ao qual Cristo foi chamado, e a


superioridade desse sacerdócio em relação ao sacerdócio de Arão, que inclui a remoção da lei
do sacerdócio levítico.

2) O capítulo 8 dá mais detalhes a respeito das características desse novo sacerdócio. Ele não
somente abole a lei mosaica referente à constituição do sacerdote, como também abre
caminho para a Nova Aliança, com base em um novo sacrifício, e é exercido num novo
santuário para novos adoradores. O capítulo 8 aborda dois grandes temas, a saber:

a) o sacerdócio de Cristo agora é exercido em ligação com o céu, versículos 1-5;

b) esse sacerdócio integra a Nova Aliança, versículos 6 a 13.

c) O sumo sacerdote, na ordem levítica, ainda que entrasse na presença de Deus uma vez ao
ano, apenas por alguns instantes ali permanecia. O ponto principal está aqui, nosso Senhor
esta assentado na presença de Deus continuamente, versículo 1.

3) Nosso sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, é ministro do Santuário,


todavia, não do santuário terrestre, feito por homens, mas construído por Deus, versículo 2.
Esse tabernáculo é o céu, 9:24. Assim como os sumos sacerdotes jamais entravam na presença
de Deus, assim também nosso Senhor entrou na presença de Deus a nosso favor tendo
derramado seu próprio sangue.

4) Agora não é o sacerdote sujeito a fraqueza quem ministra no Santuário a favor de homens
sujeitos a fraqueza, mas Aquele que venceu, o Senhor Jesus, é quem comparece diante de
Deus a nosso favor, 9:24.

5) No sacerdócio levítico era importante que se oferecesse tanto dons como sacrifícios,
versículo 3. Também nosso Senhor tem o que oferecer: Sua vida, de uma vez por todas, Sua
graça, misericórdia... As ofertas dos sacerdotes a favor dos homens lhes trazia benefícios,
contudo, não os levava a oferecer nada a Deus. Já Nosso Senhor nos leva a oferecer sacrifício
de louvor ao confessarmos Seu Santo Nome, 13:15.

6) O serviço sacerdotal de Cristo é desempenhado no céu, a favor do povo celestial,


versículo 4.

7) A Igreja de Cristo tem insistido em retornar ao Judaísmo quando implanta um sistema em


que o cristão precise de um homem que seja seu intermediário entre ele e Deus. Cristo é nosso
sumo sacerdote, através Dele chegamos à presença de Deus, que está no céu.
24 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

8) O tabernáculo era uma sombra das coisas celestiais, por isso, Moisés recebeu a ordem de
fazer tudo conforme o modelo que recebera, versículo 5. Vindo Jesus, essa sombra já não era
mais necessária, pois a glória do céu é encontrada na pessoa de Jesus, e Ele mesmo iria
instituir uma nova aliança. Ele é chamado de mediador de uma nova e superior aliança,
versículo 6. E por quê a necessidade de uma nova aliança? Com base em que essa nova
aliança seria fundada?

a) A necessidade está no fato de que a velha aliança era baseada na lei, para dar base ao
homem, fazendo-o perceber o quanto era pecador e o quanto precisava de Deus. Ela é
chamada de fraca e inútil, 7:18, e incapaz de aperfeiçoar o homem, 7:19.

b) A nova aliança se fundamentou na promessa de Deus, versículos 8 a 12, referindo-se a


Jeremias 31:31-34.

9) A nova aliança consiste na lei de Deus gravada no coração dos homens, e não em forma de
ordenanças. Não se trata de leis novas, são as mesmas, mas agora, gravadas no coração. O
homem passa a desejar cumprir estas leis, pois o Espírito Santo, que nele habita, gera nele
prazer em cumprir tais leis. Na forma de ordenanças, não passava de dever de cumprir aquilo
que não se deseja.

10) Da mesma forma que Deus escreveu a primeira lei em tábuas de pedra (simbolizando o
coração de pedra do homem) que deveria receber a lei de Deus e cumpri-la, e cumprindo-a,
ser abençoado, Deus escreveu a segunda lei, a lei da graça, direto no coração daqueles que
receberam a Jesus, e agora estes tem prazer na lei de Deus, elas já não lhes são contrarias.
Deus tira o coração de pedra e dá um coração de carne a quem crê em Jesus.

11) Assim como Deus instituiu um novo sacerdócio, também instituiu uma nova aliança.
Assim, podemos facilmente chegar à presença dEle, através do sumo sacerdote, que é nosso
Senhor Jesus Cristo.

12) Esse capítulo nos serve de alerta. É uma tentação humana servir a Deus com os próprios
esforços. Deus já deu ao homem uma Aliança em que o homem pudesse ser abençoado por
Deus esforçando-se em cumprir a lei, isso para provar o quanto essa tentativa é inútil. Se a
perfeição viesse pelo esforço humano, Deus não precisaria instituir uma nova aliança. Nunca
conseguiremos o favor de Deus através de nossos próprios esforços. Sem Cristo, nada somos.

13) Inevitavelmente, o capítulo 8 não poderia terminar de outra forma: a primeira aliança
tornou-se antiquada, totalmente desnecessária. Tudo que precisamos fazer agora é deixar
Deus operar Sua vida em nossa vida através da vida de nosso Salvador e Senhor Jesus.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 25

CAPÍTULO 9

O NOVO SACRIFICIO E O NOVO SANTUÁRIO

REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO TABERNÁCULO

1) O autor começa informando-nos que a primeira aliança, da qual já falamos bastante, tinha
preceitos de serviço sagrado e o seu santuário terrestre, versículo 1. Nos versículos 2 a 5, ele
fala dos componentes do tabernáculo, contudo, não pretende falar deles pormenorizadamente,
versículo 5. O que o autor tem em mente é informar que o culto celebrado sob a antiga aliança
tinha preceitos sagrados (pois tudo apontava para a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo), e
um santuário terrestre, (em contraste com o santuário celestial onde nosso Senhor ministra, do
qual já falamos também).

ANÁLISE SUPERFICIAL DO TABERNÁCULO

2) Altar dos holocaustos: quadrado, 222cm de largura, 133cm de altura. Era localizado logo
após a entrada do caminho, a porta entre o átrio exterior e o pátio interior. Simbolizava que o
derramamento de sangue é fundamental para o homem, que está fora, se aproxime de Deus,
que estava dentro. A primeira porta na vida cristã leva o cristão a ser justificado por Deus
através do sangue derramado pelo Senhor Jesus.

3) Bacia de bronze: Esse lavatório, localizado entre o altar e a porta, era usado pelos
sacerdotes para que lavassem as mãos, simbolizando a lavagem do corpo com água pura, que
26 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

é a Palavra de Deus, Hebreus 10:22. Os verdadeiros adoradores também precisam ser


continuamente purificados das manchas diárias, 1 João 1:7.

4) ITENS DO SANTO LUGAR: Sua entrada dava-se pelo pátio anterior, pela porta chamada
“VERDADE”. Em seu interior havia:

a) candeeiro: O candeeiro, ou candelabro, era de ouro puro, com sete hastes, um tipo de
Cristo, nossa Luz, brilhando na plenitude do Espírito, enquanto a luz natural era excluída do
tabernáculo. Quando o Senhor diz que é a “luz do mundo”, está se referindo ao candelabro do
tabernáculo, seu tipo representativo.

b) mesa dos pães da propiciação: Feita de madeira de acácia, tinha 88cm de comprimento,
44cm de largura e 66cm de altura, recoberta de ouro puro. Sobre ela eram colocados os 12
pães da Presença, feitos de fina farinha, trocados todos os sábados e comidos apenas pelos
sacerdotes. Esses pães prenunciavam a Cristo, o Pão da Vida, aquele que alimenta o fiel.

5) ITENS DO SANTO DOS SANTOS: Sua entrada dava-se pelo interior do Santo Lugar,
pelo véu, cuja entrada chamava-se “VIDA”. O véu, segundo Josefo, tinha 10cm de largura.

a) Arca da aliança: tinha 111cm de comprimento, 66cm de largura, era feita de madeira de
acácia coberta de ouro puro. Continha uma urna com maná, os Dez mandamentos e a vara de
Arão que floresceu. O propiciatório era a tampa de ouro sobre a arca, ilustrando como o trono
divino transforma-se de trono de julgamento em trono de graça pelo sangue expiatório
espargido sobre ele. Tinha dois querubins sobre si, representando os guardiões da santidade
do trono de Deus, acima do qual ficava entronada a glória, shekinah, da presença do Senhor.
A arca era o centro do simbolismo do tabernáculo, Deus atuando exteriormente em sua busca
pelo homem.

b) Altar de ouro ou altar de incenso: colocado em frente ao véu, media 44cm de lado e 88
cm de altura. Sobre ele, Arão oferecia incenso duas vezes ao dia. O incenso é um símbolo
adequado da oração que, subindo como um aroma agradável, eleva-se de modo aceitável ao
céu. O altar de incenso é um símbolo de Cristo, intercessor daqueles que apresentam sua
oração. Por meio dele, sua oração e louvor chegam à presença de Deus. Nenhum outro
incenso de composição imprópria podia ser utilizado, chamado de “fogo não permitido” Lv.
10:1-3, que se refere ao fogo aceso de alguma forma diferente daquela prescrita por Deus,
tipificando qualquer entusiasmo religioso provocado por meios meramente emocionais, ou a
substituição de Cristo por algum objeto ou pessoa, como centro de devoção.

6) Com o primeiro tabernáculo erguido, o terreno, o Espírito Santo ainda não havia se
manifestado aos homens, versículo 8. Uma vez inaugurado o segundo tabernáculo, o celestial,
O Espírito Santo agora ministra ao coração dos homens a obra concluída por Jesus na cruz.

7) Debaixo da lei, o caminho à presença de Deus não foi manifestado; debaixo da graça,
nosso sumo sacerdote nos leva à Presença de Deus, através do novo e vivo caminho, Hebreus
10:20.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 27

8) O sistema judaico não pode abrir-nos o Céu nem nos tornar aptos a entrar nele.

9) Mais uma vez percebemos o quanto o sistema judaico tenta entrar na Igreja Cristã: ao invés
de considerar o tabernáculo como ele realmente era, uma figura, tentam usá-lo como modelo
para seus serviços religiosos. Assim, boa parte das igrejas levantam pomposas construções, às
quais chamam “templos” e separam no interior delas certos compartimentos como que
especialmente santificados, isso quando não consideram objetos como “santificados”.

10) O sumo sacerdote entrava uma vez por ano no Santos dos Santos, isso após realizar um
sacrifício de sangue, ao sacrificar um animal. De igual forma Cristo entrou, de uma vez por
todas, no Santo dos Santos, onde esta a presença de Deus, através de seu sacrifício, versículo
12. Ali ele obteve eterna redenção a nosso favor. Não precisamos agora esperar uma ocasião
para entrar na presença de Deus, pois através de nosso Sumo Sacerdote, podemos viver em
Sua presença.

11) O sacrifício de nosso Senhor é capaz de fazer aquilo que o sacrifício de animais jamais
poderia: purificar nossa consciência de todo pecado, a fim de podermos servir ao Deus vivo
em santidade, versículo 14.

12) A morte de nosso Senhor é o fim do Velho Testamento e o início do Novo Testamento, o
início de uma nova aliança, versículos 16 a 17.

13) Sem derramamento de sangue não há remissão dos pecados, versículo 22. A Antiga
Aliança foi sancionada com sangue, versículo 19, assim como a nova, com o sangue de nosso
Senhor.

14) Na velha aliança, quem comparecia diante de Deus a favor dos homens era o sumo
sacerdote humano. Agora, na Nova Aliança, quem comparece diante de Deus a nosso favor é
o próprio Senhor Jesus, nosso sumo sacerdote, versículo 24. Isso nos assegura que o céu nos
está garantido por nosso Senhor. O véu, que nos impedia de chegar à presença de Deus, foi
rasgado através do sacrifício de nosso Senhor.

15) Aos homens está determinado morrerem apenas uma vez, versículo 27. O Senhor morreu
uma vez, e devemos aguardar sua volta, versículo 28.

16) O autor encerra este capítulo permitindo-nos contemplar três aparições de nosso Senhor
Jesus: a) sua aparição no passado, sobre a cruz para aniquilar o pecado, oferecer-se pelos
pecados e tirar o juízo daqueles que creem em sua obra; b) sua aparição no presente, no Céu,
como Sumo sacerdote em favor de seu povo; c) sua aparição futura, para redimir
definitivamente Seu povo deste mundo perverso com todas as suas tentações e fraquezas.
28 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

CAPÍTULO 10

O capítulo 10 continua a demonstrar como o crente é preparado para o céu:

a) sua consciência é purificada (v. 1-18);

b) ele pode, assim, entrar no Santo dos Santos (v.19-22);

c) ele pode, em sua caminhada neste mundo, guardar firme “a confissão de nossa esperança”
(v. 32-34);

d) ele pode trilhar o caminho da fé (v. 35-39).

1) No capítulo 9 vimos que um lugar no céu está assegurado ao cristão, não por algo que ele
tenha feito para merecer isso, mas pela obra de Cristo a seu favor. No capítulo 10 é tratado
como essa obra de Cristo é aplicada à consciência do crente, a fim de que ele possa usufruir,
desde já, a alegria que essa certeza lhe proporciona.

2) Quem foi purificado de seus pecados pela obra de Cristo não teme mais pelos erros que
cometeu, versículo 2. Seus pecados não mais oferecem incerteza ao seu futuro, pois foram
perdoados.

3) Em contrapartida, os atos de sacrifícios do antigo testamento traziam todos os anos a


recordação dos pecados à memória, versículo 3. Isso porque é impossível que o sangue de
animais remova os pecados e traga purificação à consciência, versículo 3. Gostaria de fazer
uma análise aqui: Por quê algumas pessoas tem prazer em viver testemunhando seus pecados
de outrora?

4) O Salmo 40, versículos 6 a 8, é citado nos versículos 5 a 7. O salmista registra aquilo que
já era uma realidade no céu: o Senhor Jesus teria um corpo humano, perfeito, sem pecado,
para oferece-lo como oferta pelo pecado humano. Por um homem entrou o pecado no mundo,
e também por um homem esse pecado teria que dele sair. No coração do Senhor Jesus esta,
desde o principio, a lei do Pai, Salmo 40:8. A alegria do Senhor Jesus consistia em fazer a
vontade do Pai. A única esperança para a humanidade se ver livre da condenação do pecado
era o Filho de Deus viver como homem e morrer sem pecado, levando sobre si os pecados de
todos os seus semelhantes. E isso o Senhor fez com alegria em nosso favor. Como agradecê-
lo por tamanha obra, se não sou merecedor desse amor?

5) Já vimos anteriormente, como afirma o versículo 7, que no tempo da lei o Senhor já


anunciava uma nova lei, Jeremias 31: 31-34.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 29

6) Antes mesmo que o Senhor concluísse Sua obra na terra, o plano de redenção já era uma
realidade no céu, versículo 13, comparar com Salmo 110:1, um salmo messiânico.

7) Com uma única oferta, não como aquelas ofertas que diariamente os sacerdotes tinham que
apresentar, o Senhor Jesus nos aperfeiçoou e santificou, versículo 14.

8) O privilégio que nem os sacerdotes tinham de entrar no Santo dos santos é agora um
privilégio ao qual somos convidados a usufruir, versículo 19. Isso significa ter intrepidez para
chegar até a presença de Deus. O caminho para tal é o sangue de Jesus derramado para nossa
justificação e santificação, versículo 20.

9) O assunto é claro aqui: chegar à presença de Deus através do caminho que é o Senhor
Jesus. Mas em meio a esse assunto surge outro: guardar firme a esperança, sem vacilar,
versículo 23. E ao surgir esse assunto surge uma ordem: considerar uns aos outros,
estimulando ao amor e boas obras, versículo 24. A comunhão com Deus nunca está
desassociada da comunhão com o próximo. Devemos também continuar congregando, a fim
de que possamos ser admoestados pela Palavra do Senhor, versículo 25.

10) SURGE UMA DURA ADVERTÊNCIA AQUI: Se vivermos deliberadamente em


pecado, depois de conhecer a verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, versículo 26. Isso
quer dizer, de uma forma bem direta, que por mais que as tentações do mundo pareçam trazer
satisfação à nossa alma, se não trocarmos a glória do mundo pela glória de Deus, nunca
veremos a Deus.

11) O Senhor é justo e qualificado para julgar aqueles que O abandonarem,


versículos 27 a 31.

12) Devemos manter nossa confiança em Deus e perseverar na fé. Lutas e sofrimentos podem
aparecer no caminho do cristão, versículo 32, e isso servirá para provar sua fé. Deus não nos
livra de passar por isso. O conselho, ou ordem, é guardar nossa confiança, versículo 35, pois
ela tem grande galardão. Nossos olhos não podem se prender a esse mundo, precisam ser
treinados a olhar para a eternidade. Que possamos desejar alcançar a promessa de Deus,
versículo 36. Jesus está voltando, versículo 37, e para aguardar sua volta, precisamos viver
pela fé, versículo 38. Quem retroceder, será como um atleta que, após iniciar sua caminhada
rumo à medalha de ouro, deixa-se vencer pelo cansaço e abandona seus objetivos. Que
possamos nunca retroceder, antes, andar pela fé, a fim de conservar nossa alma para o grande
dia de nos encontrarmos com o Senhor, versículo 39.
30 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

CAPÍTULO 11

Versículos 1 a 3

1) Este capítulo inicia dando-nos uma definição de fé. O versículo 1 nos diz que “fé é a
certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem”. Particularmente,
prefiro a tradução da Sociedade Bíblica Britânica, que assim traduz esse versículo: “Ora a fé é
a substância das coisas esperadas, a prova das coisas não vistas”. Essa tradução é a que mais
se aproxima do original grego. Minha tradução para esse versículo seria assim: “Fé é a
substancialização das coisas esperadas, a certeza daquilo que se espera, mas não se vê”.
Importante é lembrar que o autor começa definindo fé para concluir o que há havia dito no
fim do capítulo 10. Para não retrocedermos, precisamos viver pela fé.

2) O que significa “substancializar”? Basicamente, tornar uma substância (algo concreto) em


algo real para mim. Fazemos isso com o sentido da visão, por exemplo. Ao aprender que
determinada cor possui o nome “amarelo”, quando olharmos para aquela cor, sabemos que é
amarelo. Não adianta outra pessoa dizer que é “azul”, sabemos que é amarelo.

3) Com a fé o fim deve ser igual, embora o meio necessariamente precise ser diferente desse
processo, pois a fé não é um dom humano, mas divino, logo, não a temos se do alto não nos
for concedida. Contudo, devemos aprender a desenvolver nossa fé, ao ponto de considerarmos
a verdade divina um fato em nossa vida, mesmo não a vendo ou não a possuindo. Exemplo:
Você foi crucificado com Cristo, a Bíblia afirma essa verdade, bem como afirma que sua vida
é uma vida ressurreta juntamente com Ele, Efésios 2:8-13. Como isso pode se tornar real em
sua vida? Somente pela fé. Através da fé, os fatos divinos se tornam uma substância, algo
concreto ou real, em meu viver. Pela fé, eu posso viver o plano de Deus para minha vida,
embora pela razão, ou seja, pelas evidências humanas, tudo indique o contrário.

4) A fé permite-nos tirar os olhos da experiência humana e contemplar a obra de Deus


realizada através de nosso Senhor Jesus Cristo. Exemplo: Em sua família há um problema
sério de moralidade: as filhas de sua bisavó tornaram-se imorais, as filhas de sua avó também,
suas irmãs igualmente, e agora nasceu uma nova irmã. Naturalmente, seguindo o curso da
experiência familiar, ela tornou-se imoral. As irmãs, bem como as primas e sobrinhas,
continuaram vivendo na devassidão, bem como a irmã mais nova. E agora essa irmã está
grávida de uma filha. O que a evidência indica? Não seria que a criança que vai nascer seguirá
o curso natural da família? Pela fé, contudo, pode-se crer que Cristo será a vida dessa criança.

5) Outro exemplo simples de fé: a genealogia de sua família indica que a tendência natural
dos membros é serem nervosos, extremamente nervosos: Irritados, alterados, sem paciência.
Você também seguiu por esse caminho, tornando-se semelhante a seus pais. Pela fé, contudo,
a vida de Cristo pode ser sua vida, e Ele pode viver a vida dEle em sua vida. Assim, você
poderá experimentar a virtude da vida de Jesus em seu viver, vencendo a irritação e o
nervosismo.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 31

6) Através do ensino do Senhor Jesus sobre a fé ser do tamanho de um grão de mostarda,


podemos entender o que significa ter fé:

7) Pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho, versículo 2. A fé é anterior à Lei, de modo
que a própria Lei sem fé de nada serviu para o povo da antiga aliança. Abraão, por exemplo,
viveu séculos antes da Lei, e obteve a aprovação de Deus por meio da fé, Gênesis 15:6. Digno
de nota é que Abraão creu em Deus contra todas as evidências naturais da vida, pois para que
se cumprisse em sua vida tudo quanto Deus prometeu, seria necessário um milagre que
somente Deus poderia fazer. E Abraão acreditou no milagre, pois acreditou no Deus que tudo
pode.

8) Um exemplo de fé encontra-se no versículo 3, pois não temos problema algum em acreditar


que o Universo veio a formar-se pela Palavra de Deus, e que as coisas que existem vieram do
nada. Muitas pessoas não acreditam nessa verdade, tentam buscar na ciência, à qual eu prefiro
chamar de pseudociência, explicação para a vida. Pela fé, não precisamos de explicação,
apenas cremos. Existem muitas evidências que indicam que o Universo foi criado, muitos
cientistas foram convencidos por esse fato, enquanto outros tantos o ignoraram, preferindo
apoiar sua tese mal fundamentada. O detalhe é que não precisamos de tais evidências para
crer que o Senhor criou o Universo, cremos pela fé, cremos no registro da Palavra de Deus.

9) Para o cristão, a Palavra de Deus é infalível. E por que ela é infalível? Por que cremos nela
a pela fé. Pela fé, somente pela fé, tudo que a Palavra de Deus nos ensina é verdade. Pela fé,
cremos que ela é inspirada por Deus através do Espírito Santo, mesmo tendo sido escrita por
homens mortais. Pela fé, cremos que o escrito destes homens não são frutos de sua particular
inteligência ou capacidade, antes, cremos que tudo quanto escreveram é fruto da revelação do
Espirito Santo a quem aprouve revelar a vontade de Deus para os homens.

10) A luz, por exemplo, é uma prova de que cremos pela fé na criação de Deus. No primeiro
dia Deus criou a luz, e no quarto dia os luzeiros. A prova de que Deus criou a luz está
claramente revelada no Universo, embora não visível aos olhos humanos que só podem
enxergar da terra as estrelas, a lua e o sol. Mas não é pela prova que cremos na criação da luz,
cremos porque a Palavra de Deus nos ensina que no primeiro dia Deus criou a luz.
32 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

Versículos 4 a 40

1) Nestes versículos, o autor relembra algumas pessoas que viveram pela fé.

a) No versículo 4, fala de Abel. No versículo 5, de Enoque. Para o autor, ambos obtiveram


aprovação de Deus pela fé.

b) No versículo 6 o autor nos ensina que sem fé é impossível agradar a Deus. Aqueles que
dEle se aproximam creiam que Ele existe e que é aquele que recompensa todo aquele que O
busca.

c) No versículo 7, o autor fala de Noé. Os teólogos acreditam que nos tempos de Noé ainda
não havia chovido sobre a terra. Portanto, o que fez Noé acreditar que Deus enviaria chuva?
Não teria acreditado unicamente pela fé?

d) No versículo 8 o autor fala de Abraão. Ele sequer sabia para onde ia, mas crendo em Deus,
deixou seus pais e partiu. Por ter acreditado no poder de Deus, pela fé, Abraão se tornou pai
de numerosa nação, mesmo não podendo ter filhos com sua esposa, versículo 12.

e) O autor diz que Abraão, na ocasião em que ofereceu Isaque, acreditava que Deus era
poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, versículo 19.

f) O autor, sobre José, diz que este acreditava que seu povo herdaria a terra da promessa, e
assim crendo, deu ordem quanto a seus ossos, versículo 22, que deveriam ser levados do
Egito.

g) Sobre Moisés, o autor diz que ele se recusou a ser chamado filho da filha de Faraó,
versículo 24, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres
transitórios do pecado, versículo 25. A conclusão sobre Moisés é que Ele considerou o
opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, por contemplar o
galardão, versículo 26. Também relembra a travessia do mar Vermelho, quando atravessou
com o povo e, crendo em Deus, viu os egípcios morrerem ao tentar segui-los, versículo 29.

h) O autor cita também Raabe, uma meretriz, que preferiu arriscar-se acolhendo com paz aos
espias. O resultado é que ela figura na genealogia de nosso Senhor Jesus Cristo.

i) No versículo 37, o autor mostra que os primeiros cristãos sabiam a forma como os mártires
da fé morreram, embora não se registre na Bíblia o martírio de todos os apóstolos e primeiros
cristãos.

j) A conclusão não poderia ser mais linda: homens dos quais o mundo não era digno,
versículo 38. Que valor tem para Deus seus filhos! O mundo pode odiá-los, mas Deus os quer
perto de Sua presença.

k) O exemplo desses homens e mulheres deve ser seguido por cada um de nós. Devemos
seguir seus exemplos, crendo em Deus e buscando cada dia a intimidade que nos aproxima da
perfeita comunhão. Devemos contemplar a Cristo, e quando o mundo oferecer coisas que
pareçam ser atrativas, que possamos considerar o tesouro de Cristo como maior que qualquer
prazer terreno.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 33

CAPÍTULO 12

INTRODUÇÃO:

O capítulo 12 de Hebreus trata sobre a possibilidade de o cristão ficar deprimido em virtude


das provas que enfrenta em sua jornada. Ensina como evitar a depressão, em virtude de tais
dificuldades.

O autor fala do “peso” que nos oprime, do pecado que nos assedia, das dificuldades que
podem surgir no âmbito cristão. Em vista dessas provações, percebe o grande perigo de os
crentes serem impedidos de completar a carreira que lhes está proposta. Teme que possam
cansar e esmorecer; que suas mãos se tornem frouxas no serviço ao Senhor, e os joelhos,
paralíticos; que as mãos e joelhos trôpegos guiem os pés por caminhos tortuosos.

Versículos 1 a 3

1) Há uma carreira que nos está proposta, versículo 1. Não se trata de uma carreira que nós
escolhemos, mas que Deus propôs para nós. Precisamos, com perseverança, permanecer
firmes nesta proposta divina.

2) As provações, repletas de dificuldades, tendem a nos fazer tirar os olhos da carreira que
Deus nos propôs. Tirando os olhos dessa carreira, fitamos os problemas. O autor apresentou
no capítulo 11 os heróis da fé. Agora nos exorta a, como eles, olhar para o galardão, olhar
firmemente para o Autor e Consumador da fé, que é Jesus, versículo 2.

3) O versículo 1 nos indica o quanto é necessário uma vida devocional. Temos várias
testemunhas do quanto é possível vencer em um mundo afligido pelo pecado. Os servos de
Deus que tiveram sua vitória apresentada na Bíblia foram homens como nós, tiveram suas
fragilidades como nós, contudo venceram crendo em Deus. Ao observar seu exemplo somos,
pelo Espirito Santo, animados a lutar e vencer.

4) A única forma de vencer na caminhada cristã é olhando constantemente para o Senhor


Jesus, pois Ele é nosso maior exemplo de vitória. Ele venceu o pior inimigo do homem, a
morte. Nele não há derrota. Ele em tudo é vitorioso. Não há ninguém que sirva mais de
exemplo para nós que Ele, pois se tornou em tudo como cada um de nós, humano. Mesmo
sendo humano e sujeito a todas nossas tentações, venceu. E por que venceu? Venceu porque
todo o tempo em que viveu tinha um propósito muito bem definido: fazer a vontade do Pai.
Olhando para Ele, caminhando com Ele, deixando Ele viver em nossa vida, podemos vencer
a cada dia também.

5) “Desmaiando em vossa alma”, versículo 3, é uma figura de linguagem que implica em


desistência da carreira proposta. Nosso Senhor suportou a oposição humana para cumprir a
vontade de Deus. Nunca vacilou em sua missão. Somos exortados a olhar para Ele,
contemplar a Ele, e assim agindo, nunca vacilarmos em nossa caminhada, a fim de não nos
deprimirmos e consequentemente sermos derrotados.

Versículos 4 a 13
34 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

1) O versículo 4 precisa ser entendido dentro de seu contexto. Os judeus convertidos a Cristo
estavam, muitos deles, desistindo da fé cristã em meio à perseguição dos judeus. Não estavam
dispostos a ser mártires da fé cristã como muitos de seus conterrâneos. Não tinham assumido
um compromisso até a morte se necessário com o Senhor Jesus. Em outras palavras, não
estavam resistindo até “ao sangue”.

2) Por não terem assumido um compromisso de fidelidade até o fim, muitos estavam sendo
reprovados e assim repreendidos pelo Senhor, versículos 5 a 6. O objetivo da repreensão do
Senhor sempre visa uma vida aprovada pelo Senhor, onde vivamos em santidade, versículo
10.

3) Sempre, quando somos repreendidos, podemos até ficarmos tristes no momento da


repreensão. Com o passar do tempo, porém, sempre chegamos à conclusão que aquilo foi o
melhor para nós, quando quem repreende tem razão, versículo 11. Deus sempre tem razão
quando repreende um filho.

4) E é justamente de disciplina, em forma de repreensões e exortações, de que trata os


versículos 5 a 11. Não importa o que estejamos passando em nossa vida: se estamos bem ou
mal, saudáveis ou doentes, abundantes ou necessitados, precisamos viver como quem se
preparara para encontrar-se com Deus. Precisamos viver dispostos a resistir “até ao sangue”
em nossa luta contra o pecado. Quando não assumimos essa postura em nosso andar diário,
então, somos muitas vezes “açoitados” por Ele, versículo 6. Evidentemente, este açoite é uma
forma de disciplina, que pode dar-se através de uma provação pela qual o Senhor permita que
passemos, vinda diretamente dEle, a fim de nos fazer refletir sobre nossa vida. O objetivo de
Deus, evidentemente, é que a cada dia aperfeiçoemos o caráter de sua santidade em nossa
vida.

5) Perseguidos pelos judeus, prontos a desistir da jornada, o autor conclui que aqueles irmãos
estavam desanimados, deprimidos e prontos a desistir, versículo 12. A repreensão então é para
que restabelecessem o ânimo e continuassem firmes da caminhada. “Fazer caminhos retos
para os pés”, versículo 13, é o mesmo que firmar os passos na caminhada para a glória eterna.
Se os pés estão “mancos”, ou seja, desencaminhados, a orientação é que sejam curados,
orientados a caminhar retamente nos caminhos do Senhor.

Versículos 14 a 17

1) Geralmente os cristãos interpretam mal o versículo 14. Não entendem o significado de


“santificação” neste versículo. Todo o contexto fala de pessoas. A própria paz que preciso
viver para com todos ajuda a entender o significado do versículo. Devo viver em santidade
com meus irmãos, isto é, amar, respeitar, perdoar, vivendo assim em paz com todos. Não
basta procurar um “padrão” de santidade apenas para com Deus, pois viver em tal santidade
ignorando a santidade para com o próximo é simplesmente impossível.

2) A própria lei nos dá um padrão de santidade perfeito para com Deus e para com o próximo.
Quando proíbe furtar, matar, tomar a mulher do próximo, já está ensinando que devo amar
meu próximo refletindo em meus semelhantes a santidade adquirida do caráter de Deus
expresso em meu viver.

3) O versículo 15 fala sobre o perigo da “raiz de amargura”. O que é uma raiz de amargura?
Não é a falta de perdão? Muitas pessoas dizem que perdoaram quem as ofendeu, mas no
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 35

íntimo não perdoaram. E isso contamina a Igreja do Senhor. Os cristãos devem ser conhecidos
pelo amor e pelo perdão, as bases do Cristianismo.

4) Quando não amamos, tornando-se assim faltosos, versículo 15, automaticamente nos
afastamos da graça de Deus, pois sem amor Deus não é conhecido, amor é a sua essência.

5) A escolha de Esaú, versículo 16, serve como advertência solene a qualquer um que se priva
das bênçãos espirituais em nome da gratificação carnal imediata e passageira.

6) O versículo 17 trata sobre as consequências futuras das escolhas atuais. Toda atitude traz
consequências, não há exceção.

Versículos 18 a 29

1) Nos versículos 18 a 24, o autor apresenta outro contraste dramático entre o Judaísmo,
retratado pelo Monte Sinai, e o Cristianismo, representado pelo monte Sião, a Jerusalém
Celestial. A antiga aliança da lei trouxe temor e separação, Exodo 19:12-13; 20:18-19, mas a
Nova Aliança traz muitas bênçãos espirituais.

2) A advertência a quem abandonar o Senhor Jesus é clara nos versículos 25 a 26. O autor faz
uso da profecia de Ageu, capítulo 2 versículo 6.

3) Este “abalo” do céu e da terra, profetizado por Ageu, evidentemente implica na


manifestação da glória do Senhor Jesus no momento de Sua vinda. Todas as coisas que forem
abaladas sofrerão transformações, versículo 27. O que estiver de acordo com a vontade de
Deus, e assim não precisar ser abalado, permanecerá como está. Aqui temos uma descrição do
início do reino milenar do Senhor sobre a terra, quando muitos que estiverem vivos
começarão a reinar com o Senhor na terra.

4) Nosso Deus é fogo consumidor, versículo 29. Ele queimará tudo aquilo que não procede
Dele, seja o que há de carnal no meio de seu povo, seja a criação corrompida pelo pecado.
36 Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus

CAPÍTULO 13

1) Os versículos 1 a 6 tratam dos deveres de uns para com os outros, e nos exortam a confiar
no Senhor.

2) A primeira exortação é quanto ao amor fraternal, ou seja, de uns para com os outros,
versículo 1.

3) A hospitalidade é uma das formas de demonstrarmos amor pelas pessoas. Alguns, sem
saber, acolheram anjos em suas casas, versículo 2.

4) O autor prossegue dando conselhos a nos lembrarmos dos encarcerados e dos que sofrem
maus tratos, versículo 3.

5) O respeito ao matrimônio vem na sequencia. Leito sem mácula, versículo 4, trata da


fidelidade entre o casal. Deus julgará os que querem praticar relações sexuais sem aderir ao
matrimônio, (impuros), bem como aos que são casados e cometem adultério.

6) Avareza, versículo 5, significa mesquinhez, apego demasiado ao dinheiro ou a coisas


materiais. Não podemos ser avarentos. Não podemos viver uma vida em busca de coisas,
vivendo sem tempo para as coisas importantes, como a comunhão.

7) O desfecho dessa sequencia de exortações não poderia ser melhor. Deus não nos deixará,
nunca nos abandonará, versículo 5. Não precisamos nos preocupar demasiadamente com
nada, pois Deus sempre está atento às nossas necessidades. Que possamos dizer: O Senhor é
meu auxílio, versículo 6.

Versículos 7 a 17

1) O versículo 7 nos adverte a nos lembrar de nossos pastores, e após considerar a vida de
serviço como servos fiéis, imitar a fé que tiveram.

2) Vivemos em um tempo em que surgem várias doutrinas enganosas, muitas vezes


resgatadas de antigas doutrinas antibíblicas. O autor já nos advertia em seus escritos a
tomarmos cuidado com tais doutrinas, versículo 9.

3) O autor, no versículo 10, se dirige a quem ainda continua na prática dos costumes do Velho
Testamento.

4) O autor lembra que Jesus morreu fora do acampamento, fora da cidade, tal como os
animais oferecidos na Antiga Aliança, versículo 12.

5) Ao lembrar a oferta substitutiva do Senhor Jesus, onde Ele nos substituía, o autor convida
os leitores a saírem da religiosidade e caminharem ao encontro do Senhor. Isso certamente
implicaria em vergonha e infâmia, versículo 13, porção que o mundo destina àqueles que
desejam seguir ao Senhor. Nosso Senhor é deixado “fora” do coração dos impuros, bem como
os verdadeiros cristãos são igualmente tratados.
Estudo panorâmico da epístola aos Hebreus 37

6) Para aqueles que passam vergonha e infâmia dos cidadãos deste mundo, o autor lembra que
a cidade deles não é esta, mas a que há de vir, versículo 14. Logo, eles não podem ser
entendidos pelos filhos deste mundo.

7) O único sacrifício que o homem pode oferecer a Deus, de modo aceitável por Ele, é o
sacrifício de louvor, versículo 15. Os judeus ainda ofereciam animais como sacrifício. Quando
levamos nosso morrer diário, conforme o Senhor disse que faria seus discípulos, então, com
nossos lábios confessamos ao Senhor e apresentamos nossa vida no altar. Esse sacrifício o
Senhor recebe de Seu povo.

8) Outro sacrifício que Deus recebe de Seu povo é a prática do bem e a mútua cooperação,
versículo 16. Deus se alegra quando vê seu povo vivendo o amor.

9) Devemos obedecer aos nossos pastores, versículo 17, sendo submissos.

Versículos 18 a 25

1) A saudação final é bem característica do Apóstolo Paulo. Inclusive cita Timóteo, alguém
muito próximo de Paulo, versículo 23.

2) O autor ora para que o Deus da paz aperfeiçoe os leitores, a fim de cumprir a vontade dEle
operando neles o que Lhe é agradável, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Outra
característica de Paulo, ele nunca ora ou fala dos planos de Deus à parte do Senhor Jesus.

3) O autor roga que os irmãos suportem a palavra de exortação que receberam, versículo 22.
Que possamos nós também recebermos cada exortação que venha do Senhor.

4) Que a graça de Deus seja com cada um de nós, versículo 25.