You are on page 1of 8

Editora Degrau Cultural

1
Editora Degrau Cultural

CRASE
É a fusão de duas vogais idênticas. Quando acontece esse fenômeno com a vogal
“a”, utilizamos o acento grave (`).

C ASOS OBRIG
OBRIGAATÓRIOS

1) O verbo exige complemento (objeto indireto) COM preposição “A”, e o substantivo


que funciona como núcleo desse objeto está acompanhado pelo artigo feminino “a
(s) ou pelos pronomes demonstrativos “a (s) “, “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo” e
pelo relativo “a qual”, “as quais”:

Ex: A aluna foi à escola. (preposição “a”, exigida pela regência do verbo “ir”, unida
ao artigo “a” que antecede o substantivo “escola”)

A aluna foi àquela escola. (preposição “a”, exigida pela regência do verbo “ir”, unida
à letra “a” que inicia o pronome demonstrativo “aquela”)

Referi me àquele garoto. (preposição “a”, exigida pela regência do verbo “ir”,
Referi-me
unida à letra “a” que inicia o pronome demonstrativo “aquele”)

Era estranha a peça à qual você se referiu


referiu. (exigida a preposição pelo verbo “referir-
se”, unida ao pronome relativo “a qual”)
Não me referia à que estava de blusa branca. (equivale a “a aquela”)

2) O nome exige complemento (nominal) COM preposição “A”, e o substantivo que


funciona como núcleo desse complemento está acompanhado pelo artigo feminino
“a(s)” ou pelos pronomes demonstrativos “a(s)”, “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo” e
pelo relativo “a qual”, “as quais”:

Ex: Não temos acesso à biblioteca.

Não temos acesso àquela loja.

Não temos acesso àquele local.

Era estreita a entrada à qual não tivemos acesso


acesso.

2
Editora Degrau Cultural

3) Quando as palavras “distância”, “casa” e “terra” (no sentido de chão firme)


aparecerem acompanhadas de determinante (caso contrário, o uso do acento grave
será proibido):

Ex: Vamos à casa de meus pais.

Cheguei a casa cedo.

Vim à terra de meus antepassados.

Chegamos a terra.

Avistei-o à distância de cem metros.

Apaixonei-me a distância.

4) “Se vou a e volto da, crase há; se vou a e volto de, crase para quê? “

Ex: Volto de Paris (logo: Vou a Paris)

Volto da Bahia (logo: Vou à Bahia)

*Se o lugar aparecer determinado, a crase será obrigatória:

Volto da Paris dos meus sonhos (logo: vou à Paris dos meus sonhos)

5) A crase costuma ser proibida diante de palavras masculinas, no entanto, será


obrigatória se, implicitamente, houver a expressão “a moda de”:

Ex: Produzimos bolsas à Victor Hugo (à moda de Victor Hugo, ao estilo de Victor
Hugo)

Escrevo poemas à Fernando Pessoa (à moda de, ao estilo de Fernando Pessoa)

6) Nas expressões com indicação de hora especificada:

Ex: Chegaremos à uma hora, não às duas.

No entanto: Sairemos daqui a uma hora (= falta uma hora para a saída).

7) Nas locuções adverbiais, conjuntivas e prepositivas cujo núcleo seja palavra femi-
nina:

Ex: À tarde e à noite aquela casa ficava às escuras.

Tudo ocorreu às avessas.

3
Editora Degrau Cultural

CASOS PROIBIDOS

1) Antes de palavras masculinas:

Ex: Andei a cavalo

Vivo a pé.

Comi um bife a cavalo.

2) Antes de palavras femininas que, empregadas num sentido genérico, não admitam
artigo:

Ex: Não vou a festas, nem a reuniões.

3) Entre palavras repetidas:

Ex: Não me coloque face a face com meu inimigo.

4) Antes de verbos, já que não admitem artigo:

Ex: Começarei a pensar o que quero de mim mesmo.

5) Diante da maioria dos pronomes:

Ex: Referi-me a ela.

Tive acesso a algumas festas globais.

6) Diante das palavras casa, terra e distância, quando não determinadas:

Ex: Cheguei a casa.

Os tripulantes desceram a terra.

Sempre me mantive a distância.

4
Editora Degrau Cultural

C ASOS FFA
A CUL
CULTTATIV OS (casos principais)
TIVOS

1) Após a preposição até:

Ex.: Iremos até a praia. / Iremos até à praia.

2) Antes de pronomes possessivos femininos:

Ex.: Retornaremos a minha academia. / Retornaremos à minha academia.

3) Antes de nomes próprios femininos:

Ex.: Entregarei o livro a Alice. / Entregarei o livro à Alice.

* Contudo, não se deve usar artigo (e, portanto, acento grave) antes do nome de
pessoas célebres e de santos:

Ex.: Entreguei meu problema a Nossa Senhora.

Fiz referência a Julia Roberts.

5
Editora Degrau Cultural

EXERCÍCIOS

0 1 . (CESPE) O emprego de sinal indicativo de crase em “a demandas legítimas” —


à demandas legítimas — não prejudicaria a correção gramatical do texto.

( ) Certo ( ) Errado

0 2 . (FGV) “No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais


cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades”.
O acento grave indicativo da crase empregado nesse segmento é devido ao
mesmo fator da seguinte frase:
a) À noite, todos os gatos são pardos;
b) Pagar à vista é coisa rara hoje em dia;
c) Entregou o livro à aluna;
d) Saiu à procura da namorada;
e) Ficava contente à proporção que superava os obstáculos.

0 3 . (CESGRANRIO) De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, o uso


do acento grave indicativo da crase é obrigatório na palavra destacada em:
a) Os pais, inseguros na sua tarefa de educar, não percebem que falta de limites
e superproteção comprometem a formação dos filhos.
b) A indisciplina nas salas de aula aumentou a partir do momento em que as
mídias divulgaram a necessidade de dar maior liberdade aos estudantes.
c) A atenção e a motivação são condições que levam a pessoa a pensar e agir de
forma satisfatória para desenvolver o processo de aprendizagem.
d) As famílias e as escolas encontram-se, na atualidade, frente a jovens com quem
não conseguem estabelecer um diálogo produtivo.
e) As escolas chegaram a etapa em que os professores estão cada vez mais com
dificuldade para exercer o seu importante papel de ensinar.

6
Editora Degrau Cultural

G ABARIT
ABARITOO COMENT ADO
COMENTADO

01. GABARITO: ERRADO


Comentário: É impossível a inclusão de um artigo singular antes de uma palavra no
plural. Por esse motivo, jamais um “a”, singular, com acento grave, está correto antes
de qualquer palavra no plural.

02. GABARITO: D
Comentário: Observe que, no enunciado, a crase se dá na locução “à disposição
de” que, por terminar em preposição, trata-se de uma locução prepositiva femini-
na. O mesmo ocorre na alternativa “d”, em, “à procura de”. Veja os motivos das
demais alternativas:
a) locução adverbial feminina
b) locução adverbial feminiDna
c) iniciando objeto indireto iniciado pela preposição “a”, unida ao artigo “a” que
antecede “aluna.
e) locução conjuntiva feminina (veja que termina na conjunção “que”.

03. GABARITO: E
Comentário: Veja as demais alternativas:
a) O verbo comprometer é transitivo direto e, portanto, não exige preposição.
Não há que se pensar em crase se a transitividade do verbo é direta.
b) Não existe crase antes de verbo!!!
c) Levam ALGUÉM A PENSAR. Não há preposição “a” antes de pessoa, ou fala-
ríamos levam “a alguém”, o que não é o caso.
d) Jamais existirá crase com o “a” no singular, antes de palavra no plural, muito
menos masculina.
e) Chegamos A algum lugar. Logo, há a presença da preposição “a”. Além disso,
o artigo “a”, antes de “etapa” é obrigatório (você pode verificar isso sozinho,
transformando a palavra “etapa” em sujeito de uma frase: Etapa aconteceu,
ou A etapa aconteceu? Observe que você não consegue transformar a palavra
em sujeito sem o artigo “a”). Portanto, crase obrigatória.

7
Editora Degrau Cultural