You are on page 1of 31

O “Expectation GAP” na garantia de

fiabilidade dos relatórios de
responsabilidade social.

António Rosa Zózimo
Instituto Superior de Economia e Gestão/U.T.L.
Pós-Graduação em Corporate Governance

Cadeira: Ética e responsabilidade social para o
governo das empresas.

Prof. Doutores Francisco Ribeiro Mendes, Idalina
Dias Sardinha

Janeiro de 2007

O “Expectation GAP” na garantia de fiabilidade
dos relatórios de responsabilidade social.

Resumo

Este trabalho passa em revista o papel da auditoria na
governação empresarial e a persistência de gap na
auditoria financeira, entendido como diferença de
expectativas entre o que os utilizadores esperam da
auditoria e o que esta tem dado. Considera que as
justificações para a auditoria financeira não diferem
substancialmente das razões para a verificação ou
auditoria da sustentabilidade e faz uma ligação entre a
auditoria e a ética e entre esta e o desenvolvimento
sustentável.
Constata que o questionário utilizado para testar a
hipótese de que haveria gap na auditoria de
sustentabilidade tem de ser reformulado para
eventuais trabalhos futuros. Constata ainda que a
conclusão de não existência de gap, que resulta do
tratamento do questionário, deve merecer todos os
cuidados e que são necessários estudos com outra
profundidade e que introduzam a percepção dos
utilizadores em relação ao desempenho dos auditores
e também o que a auditoria de sustentabilidade
deveria auditar para responder às expectativas dos
utilizadores.

O “Expectation GAP” na garantia de fiabilidade
dos relatórios de responsabilidade social.

ÍNDICE
1. Introdução...............................................................................................................................1

1.1. A auditoria externa e a teoria da agência.............................................................1

1.2. A sinalização da selecção adversa ............................................................................2

1.3. A auditoria na resposta à obrigação de prestação de contas ...................3

1.4. A Auditoria externa como mecanismo de governo permitindo
ultrapassar, teoricamente, as falhas de outros sistemas. ........................................4

2. O “audit expectation gap”na Auditoria Financeira..........................................5

3. Impossível reduzir a diferença de expectativas?.............................................7

4. O EG na garantia de fiabilidade dos relatórios de responsabilidade
social. ......................................................................................................................................................9

4.1 A auditoria e a ética...........................................................................................................9

4.2 A ética e o desenvolvimento sustentável............................................................12

4.3 Semelhanças e diferenças nas auditorias financeiras e de
sustentabilidade...............................................................................................................................15

4.4 A visão stakeholders é suficiente?..........................................................................16

5. Existe um do Gap na auditoria de sustentabilidade?...................................18

5.1 As expectativas de utilizadores ................................................................................18

5.2 Confronto com a ISAE 3000R? ..................................................................................21

5.3 As respostas abertas.......................................................................................................23

A auditoria externa e a teoria da agência A auditoria externa serve. 1 constatam que “(…) les contrats sont nécessairement incomplets.a. assim como são várias as razões explicativas para as diferenças entre aquilo que os utilizadores esperam da auditoria e aquilo que a auditoria lhes dá. l’information asymétrique et les intérêts divergents. CARASSUS. Nathalie. dada a complexidade da sua actividade. la relation d’agence est problématique dans la mesure où l’agent est susceptible de tirer profit de l’incomplétude des contrats “ 2 .1 1.1. a financeira? 1. dando garantias de fiabilidade dos relatórios financeiros ao principal e outros utilizadores. Partindo da consideração que a governação das empresas se enquadra na teoria de agência. como fiscalizadora da actividade do agente. – “audit expectations gap” (AEG) na terminologia inglesa. Então as organizações necessitam de disciplinar os gestores. David e GARDES. onde se inclui a auditoria. – são vastas. . em que o principal (os proprietários) delega parte da sua autoridade para a tomada de decisões no ou nos gestores (o agente). o que seria conseguido por factores externos e internos. (juntamente com a 1 “Audit Legal et gouvernance d´entreprise : Une lecture théorique de leurs relations”. Mas antes de avançarmos no tratamento do tema das diferenças de expectativas nos relatórios de sustentabilidade. v. cabe perguntar para quê a auditoria. in Conférence de l’IAAER – Bordeaux. CARASSUS e. na teoria da agência. Introdução As fontes que se referem à diferença de expectativas na auditoria. Septembre 2005 2 A incompletude resulta da impossibilidade de uma contratação especificando com precisão o papel do gestor.g.

O papel da auditoria externa é. ibidem. pois pode dificultar o recurso ao mercado de capitais para aumento de capital. para facilitar a obtenção de novos capitais.a. 1. fiscalização mútua. A auditoria como contrato entre indivíduos ou instituições cujas cláusulas pressionam na modificação dos comportamentos faltosos é também citada no texto de CARASSUS e. dado que os gestores detêm informação que os investidores não possuem. “(…) La finalité de l’audit externe est ici de vérifier la capacité de la direction en vérifiant les rapports financiers passés. utilizando a economia da informação na relação” (…) investisseur / dirigeant dans une situation d’asymétrie informationnelle. artigo citado. A dificuldade para a colocação de capital resultaria da impossibilidade de identificar os bons gestores. (…) 3 . onde o fenómeno da anti- selecção tem grande impacto.a. hierarquia. neste quadro. 2 concorrência entre dirigentes. . pelo que os serviços de auditoria surgem da necessidade de eliminar a assimetria de informação entre gestores e investidores..a. isto é. bidem 4 Idem. referem-se ainda à auditoria como um mecanismo de sinalização para evitar a selecção adversa. para que os investimentos se façam em empresas “boas” em detrimento das “más”. conselho de administração). o de atestar a fiabilidade dum dos meios de fiscalização dos dirigentes: as demonstrações financeiras. A sinalização da selecção adversa CARASSUS e. La demande d’audit externe peut donc être analysée comme un moyen utilisé par les bons dirigeants pour émettre un signal vis-à-vis des investisseurs.2.. 4 3 CARASSUS e.

C. les ressources et le temps pour établir eux même la véracité des informations “ 7 . Mas o papel do auditor é também entendido como mecanismo de ultrapassagem das falhas de outros sistemas de governo. que pode conter informação errada e prejudicar os vários interessados. no contexto da gouvernance d´entreprise. ibidem . Edição.Irwin. Les utilisateurs n’ont pas l’expertise. ” (…) il existe donc un besoin évident d’assurance concernant la qualité de ces états financiers“. 1993.3 A parte informada (o gestor) utiliza o relatório do auditor para dar sinal da sua informação privada (o risco da empresa) a uma parte não informada (o investidor) permitindo a este reduzir o risco escolhendo as empresas onde investir. havendo um risco ligado à qualidade da informação. Ed. pelo que “ (…) il est aujourd’hui admis que l’auditeur externe agisse dans l’intérêt des principaux détenteurs d’intérêts de l’entreprise tout en ayant un regard sur l’intérêt public 6 .a. Journal of Accountancy. eux même. citado por CARASSUS e. Continuando a seguir CARASSUS e. ibidem 7 ROBERTSON J. “ (…) d’expliquer de façon convaincante la demande d’information comptable auditée émanant des autres parties prenantes...3.a. Este tipo de análise via accionistas é interessante mas não permite. august 1991. (…) 5 1. No entanto. “ Reinventing the audit”.. ibidem 8 CARASSUS e. “Auditing” . citado por CARASSUS e.. ibidem 6 MEDNICK R. 8 O auditor tem. nestas perspectivas.a. como veremos a seguir. 5 Idem. si l’information qu’ils possèdent est fiable. o papel de certificar a informação financeira publicada.a..” (…) ces différents utilisateurs ne peuvent pas déterminer. A auditoria na resposta à obrigação de prestação de contas Todos procuram ter contas de tudo. 7ª.

A intencionalidade traduz-se pelo estabelecimento de regras e procedimentos formais como a estrutura formal da organização. Sem entrar no detalhe de cada mecanismo. a saber especificidade e intencionalidade. indissociáveis. 4 1. A Auditoria externa como mecanismo de governo permitindo ultrapassar. teoricamente.. dizer que a auditoria externa ao verificar e credibilizar a qualidade da informação produzida pelo dirigente (…) peut d’ailleurs trouver une justification autre qu’une simple légitimité légale. Na intencionalidade cabem os mecanismos espontâneos caracterizados pela “(…) culture d’entreprise ou bien par l’influence de l’environnement médiatique ou sociétal (…)”9 que actuam no interior do espaço discricionário não preenchido pelos mecanismos intencionais. ibidem. Os dois tipos são. les parties prenantes à l’entreprise y trouvant de larges intérêts(…)” 10 Mas este papel teoricamente preponderante da auditoria externa na garantia da veracidade das contas utilizadas por vários “stakeholders” é. pois. no entanto.. associações e dos auditores legais. “Vers une théorie du gouvernement dês entreprises” Económica (1997) citado por Carassus et al. Partindo da constatação da insuficiência dos outros mecanismos de governação em matéria de redução da assimetria de informação. os mecanismos de “gouvernance” são organizados em dois eixos. Os mecanismos não específicos provêm das leis e regulamentos gerais e dos mercados. as falhas de outros sistemas. contrariado pela 9 Charreux G. certos mecanismos intencionais resultam da formalização dos mecanismos espontâneos. Inversamente. A primeira refere-se aos mecanismos próprios que delimitam os poderes dos gestores. . ibidem 10 Idem.4. dos sindicatos.

.. e aquilo que a auditoria.” 11 2. 12 “The Expectation Gap : The Accountant’s Waterloo”. 13 Veja-se “The audit expectations gap in Britain : An empirical investigation”.) in “The Audit Expectations Gap : The Role of Auditing Educations. ibidem. 1993). entende ser o seu papel e responsabilidades.a. citado em “Expectations of users of financial information with regard to the tasks carried out by auditors” De Beelde. Os resultados são díspares: Em Espanha em 1993. citado por Pierce. por exemplo) de cada grupo de respondentes se existe uma diferença de expectativas entre os diversos interessados no processo de auditoria. 13. C. www. como profissão regulamentada. .a. identificando-se um “gap” quando tais diferenças ultrapassam certo valor.D.5 realidade:“ (…) la faillite d’un nombre important de grandes entreprises impliquant leurs auditeurs a posé de sérieuses questions sur la qualité et la fiabilité de l’information auditée (Cadbury. Faculty of Economics and Business Studies. Liggio. University of Ghent. publico…) da informação financeira esperam de uma auditoria. nomeadamente na detecção de erros. jornalistas. Garcia-Beneau e. publico em geral 13 etc. fornecedores.feb. trabalhadores. Reino Unido.a. Bernard (e. Ver ainda “Un Empirical Investigation of Audit Perceptions Gap in Saudi Arábia” Mohammad Hudaib (e. University of Exeter. 1992 Humphrey et al. Belgium.Ignace et al. 12 Há vários estudos empíricos. usada por muitos estudiosos e práticos da auditoria designa a diferença de expectativas entre aquilo que os utilizadores (accionistas. Dublin City University Business School. Procura-se detectar pela escolha duma resposta numa escala (de 1 a 5. no. irregularidades e fraudes. Research Papers 1995-1996.be .) School of Business and Economics. Foi introduzida em 1974 por Liggio. O “audit expectation gap”na Auditoria Financeira A expressão.urgent. utilizando uma metodologia que consiste numa bateria de questões a responder por auditores. concluíram que “as regards the 11 Idem. utilizadores profissionais dos relatórios de auditoria.

University of Exeter. um chi quadrado mais baixo comparativamente com os da Grã – Bretanha. traduzindo a existência de duas legitimidades (a islâmica e a comercial). Então o gap deveria ser entendido “ (…) by comparing society's expectations of auditors against the perceived performance of auditors. M. pp-49-68. it currently as no operational significance in Spain” 14 O estudo feito na Bélgica 15 encontra. citado em De Beelde (e. Conversely.” O estudo sobre a Arábia Saudita sublinha o papel dos valores islâmicos. Para a Nova Zelândia.A.a.Ignace et al. Faculty of Economics and Business Studies. .U. Reino Unido. em geral. significando que as diferenças de expectativas são maiores neste país do que naquele. the gap can be narrowed either by a reduction in society's expectations or an improvement in perceived performance. Brenda. 6 concept of an audit expectations gap. as tensões resultantes da imposição pelo regulador da profissão dos standards de auditoria ocidentais (dos E. o papel do sistema legal dual. Porter introduz uma nuance na definição do gap.a.A.24.a) “Auditing expectations and performances in Spain and Britain : A comparative analysis”. no. Viewed in this way. the gap can be widened either by an increase in society's expectations (some of which can be unreasonable) or a deterioration in perceived auditor performance (sub- standard performance arises where the auditor fails or is perceived to fail to comply with legal and professional requirements). www. para a Arábia Saudita 17 e provavelmente muitos outros.feb.). (e.be 16 “Un empirical study of the audit expectation-performance gap” Porter.urgent.) ibidem 15 “Expectations of users of financial information with regard to the tasks carried out by auditors” De Beelde. representado em tribunal por um juiz “islâmico” e um juiz da lei escrita. 93. como os 14 Garcia-Benau. 1993 17 “Un Empirical Investigation of Audit Perceptions Gap in Saudi Arábia” Mohammad Hudaib (e.) School of Business and Economics. Há ainda estudos para a Nova Zelândia 16 . University of Ghent. que incluirá também uma performance deficiente devida ou ao desempenho ou às normas. Belgium. Vol. Accounting and Business Research.

P (e. As expectativas de utilizadores e profissionais são diferenças de percepções e.7 aspectos mais importantes para compreender o expectations gap naquele país. muitas das expectativas dos utilizadores não são razoáveis. até porque como sublinha B. pois a sua credibilidade depende também do gap. “I is un issue for auditors since the greater the gap of expectations. University of Exssex. tenderão a estar relacionadas com o contexto em que foram formadas.K. the lower is the credibility.a. contexto enformado pela cultura. a história. como vimos atrás. earning potential and prestige associated with their work 18 3. por isso. Porter no texto anteriormente citado. esperança que anima também os reguladores da profissão em vários países. . Retomando Porter. mesmo dentro do mesmo contexto. U.) Department of Accounting. Finance and Management . No entanto. 18 “The Impossibility of Eliminating the Expectations Gap : Some Theory and Evidence” Sikka. alguns estudos referem que a educação em auditoria ajudará a reduzir o gap. Impossível reduzir a diferença de expectativas? Sendo a diferença de expectativas entre utilizadores e auditores ligada ao contexto cultural e legal. não é possível afastar completamente o expectation gap. a legislação. O que aqui pretendemos sublinhar é que não há uma mas muitas diferenças de expectativas. A questão é importante para os auditores. o gap também aumenta e diminui. a prática dos auditores e o conhecimento do seu trabalho pelos utilizadores.

) 19 numa sociedade marcada por numerosas divisões sociais. conclui que há um oligopólio em que 20% dos consultores têm 80% do número total de empregados (medida de capacidade) e 5 firmas têm 49% dos empregados. in ICCSR Research Paper Series No. ibidem 20 “The UK Corporate Social Responsibility consultancy industry: a phenomenological approach” Anita Fernandez Young. 8 Mas.ISSN 1479-5124. . bancarrota. etc. para outra corrente de pensamento.a. seja contestado.) um privilégio que nenhum outro grupo social teria. (o significado do significante). Skka (e. para Sikka (e. A auditoria gozaria.a. 14-2003 . o significado da auditoria tem sido associado á detecção da fraude. Acresce que o grupo social da auditoria é altamente concentrado em poucas grandes empresas de escala mundial. a definição do significado das suas acções. com 5 deles a fornecer valores a consultores que têm 56% do número de empregados. Um estudo da consultoria em responsabilidade social no Reino Unido 20 . é inevitável que o significado de práticas sociais. A concentração do poder de influenciar a clientela dos consultores está dividido entre as firmas de consultoria e os “value providers”.) idem. Também os “valores” de responsabilidade social incorporados pelos consultores estão concentrados: 60 % das referências estão em 20% dos “value providers” (AccountAbility and Business in the Community. Jeremy Moon & Robert Young. a prática social da auditoria não tem apenas um significado e contrariamente ás preferências da profissão. e ainda Global Reporting Initiative. os mais frequentemente referidos. Ainda. 19 Sikka. como a auditoria.a. para o mesmo autor.P (e. the Institute of Business Ethics and GoodCorporation).

. em que o peso dos prestadores do serviço na definição do alcance do seu próprio trabalho é porventura excessivo. um confronto. das práticas e pelo relato dela. A ISA 240. 22 A ISA. tem orientações para a consideração da detecção da fraude nas auditorias financeiras. cerca de metade dos cerca de 42 relatórios do survey da KPMG com informação de sustentabilidade verificada (auditada) têm a verificação a cargo de 4 empresas. na opinião que expressa. Norma Internacional de Auditoria. de Dezembro de 2004. e na auditoria de sustentabilidade sem o contraponto dos organismos reguladoras das bolsas de capitais. “A Responsabilidade do auditor ao considerar a fraude numa Auditoria de Demonstrações Financeiras”. 22 no dizer de Batista da Costa “refere que o auditor não é nem pode ser responsabilizado pela prevenção de fraudes e erros 21 Estudo KPMG sobre os relatórios de sustentabilidade publicados em Portugal. É evidente que a ética pode ou não ter tradução no código de boas práticas e já vimos isso na relutância que a auditoria teve em assumir compromissos plenos sobre a detecção de fraudes. entre a intenção moral e a conduta moral. 240. para quem a auditoria financeira faz parte da estrutura de regulação. e a auditoria toma sobre elas uma posição. Esta é confrontada com a realidade da conduta. Isto é.9 Ora os “value providers” são também influenciados pelas grandes auditoras pelo que podemos estar perante um caminho semelhante ao da auditoria financeira. filiais de cadeias internacionais de auditoria 21 4.1 A auditoria e a ética A auditoria é uma comparação. Em Portugal. que é traduzida no código de boas práticas a que chamamos normas e princípios de auditoria. há uma ética para o comportamento da empresa. O EG na garantia de fiabilidade dos relatórios de responsabilidade social 4. conhecido em Janeiro de 2007. entre normas de conduta e a conduta.

Londres. The audit is a vehicle in this relationship.” 26 23 Batista da Costa. D. Rei dos Livros. 7. Flint (1988) 24 considera a auditoria como um meio de gerir essas responsabilidades acrescidas. etc. 25 Anne Grafé -Buckens and Sebastian Beloe. decisões e relatórios de “(…) specified persons with defined responsibilities.ª edição 2000. contudo. to compare these actions. 1998. resulting in a situation of public accountability. ibidem. Teoria e Prática. a primeira condição para uma auditoria é que exista: “(i) a relationship of accountability between two or more parties in the sense that there is a duty of acceptable conduct or performance owed by one party to the other party or parties or (ii) a public interest dimension to the quality of the conduct or performance of some party.235. 24 Flint. Macmillan.citado por Anne Grafé -Buckens and Sebastian Beloe in “Auditing and Communication Business ustainability” Eco-Management and Auditing 5. with some norm. and to form and express an opinion on the result of that investigation. pág. 10 sendo que. Então a auditoria deve definir “(…) the framework for an objective investigation of the quality of conduct of individuals and organizations as measured against some socially defined standard. allowing the verification and enforcement of certain standards between the two parties. 26 Ibidem . “Philosophy and Principles of Auditing – an Introduction” . a realização de auditorias anuais funciona como um dissuasor” 23 Lembrando que a cada vez maior importância do mundo dos negócios se traduziu também em exigências de maior responsabilização das empresas pelos seus actos e acções. 1988. primeiro nas questões financeiras e depois nas ambientais e sociais. Diz ainda que o objecto da auditoria tem sido o de investigar e rever as acções.” 25 Para Flint. “Auditoria Financeira. objective or indicator. review and comparison”..

Económico. para uso dos vários interessados. ambiental. pois a auditoria do capital económico desenvolveu formas altamente sofisticadas. então. do reflexo destas nos resultados económicos. . em relação à qual a auditoria fará o seu trabalho de verificação e tomará posição. Há. a que alguns acrescem organizacional). Na matriz da virtude estariam na fronteira intrínseca.. GRI.) o objectivo da auditoria de sustentabilidade 27 deveria ser.T. Ou seja há que criar a norma. O. gerar dados relevantes para verificar em que medida foram geridos os quatro tipos de capital 28 que são recursos da empresa. estratégias e indicadores para a sustentabilidade. então. organizacional e social). que implementar princípios. É esse o papel do Global Compact. conceitos de Spangenberg. social. antes procurando encontrar os elos que ligam as várias performances da empresa em todos os seus aspectos.I. AA 1000. Organizacional . incluindo os de “compliance” com obrigações legais ou construtivas 29 e a auditoria tem de confirmar ou não os resultados obtidos.a. isto é.11 Parece ser hoje consensual que o relatório de sustentabilidade pode ultrapassar as insuficiências da consideração isolada das actividades da empresa (económica. disso dando conta na sua opinião sobre o relatório de sustentabilidade da empresa aos stakeholders. 28 Ecológico. mas sim se progrediu 27 Não deve ser confundida com a auditoria financeira das matérias ambientais. etc. Social. A empresa tem de quantificar objectivos. 29 Obrigações construtivas são as que resultam de práticas continuadas ou de compromissos informais da entidade. O problema está em como medir três dos quatro tipos de capital. (ecológico. Seguindo Anne Grafé–Buckens (e. Nem o relatório auditado nem o auditor podem assegurar que uma empresa “é sustentável”. citado por Flint.

maior peso que é . ambientais e não haveria uma ética diferenciada. a menos que se considere que a RSE é uma forma de regulação de “egoísmo esclarecido” e a empresa ao fazer o bem para si mesmo faz o bem para os vários interesses em presença “homogeneizado-os” e retirando-lhe a contradição de interesses. 4. isto é detentores de “direitos” iguais? Não parece que assim seja. Nas etapas de tomada de decisão ética. diga-se) como importantes. os factores referentes às pessoas e às situações conjugam-se no uso pragmático das teorias éticas podendo dar “maior peso” às questões do ambiente e do social. sociais. as responsabilidades da empresa seriam variadas mas convergentes num sentido: A empresa deve ser sustentável no longo prazo e sustentável significa que os recursos que usa são menores ou iguais aos recursos que cria. Numa perspectiva sistémica do desenvolvimento durável como resultante das interacções entre as várias categorias das suas actividades. na exigência da escolha ética. que se caminha não para reduzir mas para aumentar cada um dos quatro capitais. 12 em relação aos indicadores definidos (em certa altura. nomeadamente entre accionistas e outros interesses para muitos a essencial. Nessa perspectiva não haveria diferenças entre os aspectos económicos. Mas os stakeholders são iguais? Têm os mesmos interesses? A empresa considera-os da mesma forma. medir o “progress towards’ sustainability “ (Flint).2 A ética e o desenvolvimento sustentável A questão que se nos põe é saber se as questões do ambiente e do social são “mais importantes” do que as que se referem à economia.

Em relação aos contextos. refere que a empresa tem uma responsabilidade de longo prazo nos aspectos económicos e não económicos. Sustentabilidade. Por exemplo.“ Ética nas Empresas. Crane e D.Matten num artigo de 2004 31 consideram que há novos conceitos não cobertos pela ética dos negócios. A. traduzida para português por HBR/ Makron Books em 1993 Nash. octobre- novembre 2002 31 Crane.Crane e. sociedade civil e outros stakeholders não económicos. Globalização. “Questioning the Domain of Business Ethics Curriculum: Where the Laws ends or Where it starts” ICCSR Research Papers nº 21 de 2004. segundo A. aquelas ganham relevo pela percepção da magnitude das consequências que certos actos e acções das empresas e dos indivíduos têm nas pessoas (sendo o do aquecimento global..a.) nesta matéria. 30 Mas a expansão da referência ética às questões da sustentabilidade apresenta dificuldades. 32 Nash. Revue dês Deux Mondes. L. no próprio seio dos estudiosos e professores de ética dos negócios e das universidades onde ensinam. . a luta pelo significado das coisas é importante nas sociedades mediatizadas. Godard. A.. Olivier. a saber. o mais actual). no nuclear (significante) – que volta a estar na ordem do dia –. 32 Nos factores relativos às questões e aos contextos (situações). Nos factores pessoais têm peso a cultura. Com a importância das questões da responsabilidade social e da globalização é difícil perceber as insuficiências do ensino universitário (europeu. Boas intenções à parte” 1990. no livro citado. Quase de poderia dizer que o mundo não passou para os professores de ética. Matten. há quem defenda que o significado seja a resolução das 30 “Le developpement durable et les entreprises”. o temor de consequências a longo prazo da actuação humana (e daí o principio da precaução) e a constatação da auto- limitação do Estado.13 sempre socialmente negociado e que tem altos e baixos (nomeadamente em alturas de forte crise económica). Cidadania empresarial e aspectos específicos das relações com Governo.D. . L.

conjugado com um ponto de vista normativo empenhado em“(…) expliciter les dimensions d’une responsabilité éthique pour le long terme et pour la prévention de risques potentiels sous l’égide du principe de précaution”. 35 Não nos deteremos em saber se há uma ou varas éticas. como todas. idem. modos de organização e de vida…). (2) Investimento em inovação gerador de produções futuras para satisfação de necessidades essênciais. no texto “Ethique. Audit Social et Developpement Durable…Quel Bilan et Quelles Perspectives d´Avenir ? . Há. ibidem. l’argument le plus sérieux contre l’usage de la technologie nucléaire réside dans l’imposition à une succession de générations futures d’une menace vitale pour leur sécurité sous la forme de déchets radioactifs à très longue durée de vie. Ou acompanhando Godard. Responsabilité Sociale. Universidade de Nancy 2. et de l’obligation correspondante d’être les gardiens de cette menace. É uma construção social que. pois uma ética 35 da sustentabilidade ou do desenvolvimento sustentável. v. os deveres para com as gerações futuras) misturam-se com o utilitarismo do bem-estar colectivo dado pelo interesse próprio esclarecido (consequencialista) na compreensão da ética do desenvolvimento sustentável. 33 As éticas não-consequencialistas (respeito pelo ser humano e pela sua dignidade.”. natural ou não (valores identitários. 33 Ainda Godard : “Ainsi. na arena social para coexistir ou sobrepor-se a outras construções. bidem. I. comentário que devemos a Tchotourian. o interesse próprio da empresa de antecipação à contestação social que a poria em causa. (3) Gestão patrimonial centrada na transmissão de património essencial. tem negociar. de lutar. sur le plan moral. 14 dificuldades energéticas com uma forma de energia nuclear ambientalmente “limpa”. e (4) Cidadania e a recusa do poder de decisão unicamente ás elites públicas e privadas. Idem.g. 34 Adaptado de Godard. A durabilidade do desenvolvimento assentaria então em: 34 (1) Contrato intergeracional entre gerações ligadas.

36 sublinha o papel normativo da ética (do contrato social). Na consideração da selecção adversa. apoiando-as no caminho da sustentabilidade de Flint. a empresa deve poder mostrar que é sustentável para poder ser atraente para os investidores éticos e os fundos éticos. Na ultrapassagem das insuficiências na governação. reais ou apercebidas. Da manutenção deliberada de “uma complexa rede de valores éticos” depende em última a sobrevivência do capitalismo. As virtualidades vêm do papel de verificação do relato das empresas que pretendem ser sustentáveis. Mas coloca-se novamente a questão da definição e homogeneização dos interesses e da representação desses interesses. Laura Nash. 4.15 às que consideram que as empresas apenas existem para “criar valor para o accionista”. mas também as maiores frustrações em relação à prática e às realidades actuais.3 Semelhanças e diferenças nas auditorias financeiras e de sustentabilidade Procurando os aspectos semelhantes nas auditorias financeiros e de sustentabilidade. residem as maiores virtualidades da auditoria externa. criando e transmitindo valores entre as pessoas através de relacionamentos mutuamente capacitantes. A prestação de contas é aqui relativa ao uso e aos resultados dos quatro capitais. 36 ibidem . diz. com a ética empresarial convencionada. usando como meio a prestação de serviço. verificamos que não há dificuldades teóricas de monta: Teoria da agência: Aqui o principal não seria o accionista mas os vários interessados na empresa.

4 A visão stakeholders é suficiente? A visão da empresa com responsabilidades perante os vários stakeholders é um alargamento da teoria contratual das organizações. qual o peso de cada grupo e das suas expectativas na estratégia da empresa. valores de base e valores a atingir no tempo. Vol 5. limitações e dificuldades práticas: Como se exprimem os interesses dos vários stakeholders. A teoria tem. Seria. 38 Jérôme Ballet et Damien Bazin.(…) où les groupes aux intérêts multiples ne sont plus seulement les groupes dominants à l’interne de l’entreprise mais aussi des groupes externes aux intérêts diversifiés. estratégias para a sustentabilidade. qual a representatividade destes. (que podem ser consensuais ou contraditórios). No 2. uma ou várias acções. as medidas ou indicadores. como encontrar consensos. VertigO – La revue en sciences de l'environnement. portanto. pois. quais os benefícios e penalizações? 37 Adaptado de Anne Grafé -Buckens and Sebastian Beloe. credibilizando os esforços das empresas. Septembre 2004 . 4. Université de Versailles Saint Quentin “PRENDRE AU SERIEUX LES ENJEUX ENVIRONNEMENTAUX : L’AMBIGUÏTE DE L’APPROCHE PAR LES PARTIES-PRENANTES. 16 Havendo para cada categoria ou princípio de sustentabilidade. uma teoria utilitarista do bem-estar colectivo através do interesse empresarial próprio e do interesse dos stakeholders no comportamento socialmente responsável da empresa. os gestores dos quatro capitais da empresa. C3ED. artigo citado.” 38 Esses grupos têm interesses próprios. mais constitue une tentative de rendre compatible plusieurs objectifs. em que a empresa “(…) n’a plus pour objectif unique de faire du profit. 37 a auditoria externa pode dar um forte contributo para a sua verificação sem se substituir ao papel dos “agentes”.

de contradição de interesses seria resolvida numa discussão estruturada que cujas decisões seriam vinculativas dos participantes na discussão. (…) 39 Ver a obra de Habermas.. além disso. segundo os mesmos autores.(…) particulièrement nombreuses dans les recherches de régulation en matière environnementales.. 40 Ballet e. nomeadamente “L´ethique de la discussion” tradução francessa de 1992.(…) Cette perspective philosophique sert souvent implicitement de référence à l’ensemble des approches visant à produire des normes de régulation à partir de discussions. A empresa como entidade com direitos e obrigações próprias. (…) Les décisions sont prises en accord avec les parties prenantes qui deviennent elles-mêmes co-responsables des décisions et actes de l’entreprise. conforme referido por Ballet e. Selon cette approche.a. ibidem . teria então uma ferramenta de gestão das responsabilidades que. toute les parties-prenantes ont le même statut. há que a complementar com a ética da discussão 39 “(…) Une approche alternative des parties-prenantes renvoie à une éthique de la discussion. seriam partilhadas com os stakeholders todos eles com o mesmo peso e responsabilidade. (…).. Mas o raciocínio supõe que a empresa aceita as suas responsabilidades.a. mais ce sont les parties-prenantes elles mêmes qui collectivement vont accorder une certaine place à la nature. (…) Ce n’est plus à l’entreprise de donner la priorité à la préservation de la nature sur les autres demandes.(…)” 40 Então. L’entreprise n’a plus à définir des priorités puisque ces priorités sont définies collectivement. recebendo em troca uma partilha delas e evitando que seja responsabilizada por todos os males. ibidem. as questões de representatividade. em que o resultado final resultaria da ética da discussão: Quem se empenha na discussão aceita os seus resultados.17 Por isso.J.

os interesses e a complexidade da norma da profissão. 5. • Temos as normas. mas o nosso ponto de partida foi o de que ele existe.1 As expectativas de utilizadores Neste quadro ideal. a auditoria de sustentabilidade teria a primeira condição de Flint confirmada: uma relação de responsabilidade entre duas ou mais entidades em que uma delas tem o dever de conduta aceitável para com a outra ou outras. ISAE 3000R . dada a novidade e as dificuldades. 18 Neste quadro. a prioridade ambiental e social não estaria garantida “(…) mais au moins elle paraît d’autant plus probable que la sensibilité et l’éducation à l’égard de la nature sont élevés. e • Temos o auditor ou consultor Então a auditoria é possível. Mas é um quadro irrealista nesta altura. Mas os seus resultados são os esperados? Será que há um gap na auditoria de sustentabilidade? Não encontrámos estudos sobre a questão. Existe um do Gap na auditoria de sustentabilidade? 5. Será que a constituição de um Stakeholder Consultation Group é um embrião da co-responsabilização entre a empresa e os vários interessados nela? Temos: • As entidades: Empresa e outras partes interessadas com interesses relevantes. • Temos a necessidade de garantir a fiabilidade dos relatórios de sustentabilidade. GRI por exemplo.

-1. designadamente o de B.19 Seguindo os estudos empíricos sobre a questão. mais um com trabalhos publicados na área da responsabilidade social. 3.O relatório do Auditor reporta qualquer problema de violação de regras internas ou imposições legais. As pessoas escolheram numa escala de 1 a 5.A auditoria aos relatórios de sustentabilidade assegura que os relatórios são globalmente fiáveis. os alunos são os da turma. 5. Os resultados brutos estão em anexo em folha Excel. aquela escala foi transformada em -2.A auditoria detecta e relata as diferenças significativas entre metas e realizações. Numa auditoria de garantia de fiabilidade. social e ambiental).0.1.2. elaborámos o questionário do quadro seguinte: QUESTÕES 1. os quase alunos são inscritos e que nunca participaram nas aulas e outros incluem uma associação empresarial para a RSE. Auditoria assegura o relato dos aspectos positivos e negativos do desempenho da empresa. . nas três vertentes da sustentabilidade (económica. 4. 2.Alunos Alunos TOTAL 6 3 2 8 19 Os professores são os da pós-graduação. em que 1 significa completa discordância e 5 completa concordância. a segurança limitada e a segurança razoável são equivalentes De que obtivemos 18 respostas. como segue: Prof. Para efeito de cálculo e seguindo Porter e Hudaib. Porter para a Nova Zelândia.s Outros Q. uma empresa auditada e uma consultora nestas questões.

Quando a média é positiva “(…) this signifies that the group considered the particular duty is. Em todas as outras questões. em todas as questões têm o mesmo perfil: Respondem em média negativamente em todas as questões. rodeadas de cuidado. or should be (as applicable) a duty of auditors” 41 As médias para cada questão são os seguintes em %: Questão Geral Profs Outros Q. 20 Com este questionário procuramos encontrar respostas para aquilo que são as expectativas dos respondentes em relação aos deveres do auditor. . as conclusões têm de ser. Parece que só na 1. 41 Porter. as respostas são globalmente negativas.ª pergunta é que há alguma concordância nas respostas. No entanto nas questões 3 e 4. significando. ibidem. Acresce que algumas questões estão mal formuladas. portanto. mesmo assim com os alunos com respostas negativas. só por isso.Alunos Alunos 1 21 0 67 150 -13 2 -32 -50 -33 0 -25 3 -37 33 -33 0 -100 4 -37 33 -33 -50 -88 5 -58 -50 -67 -50 -63 Não ignorando que o significado estatístico da média numa amostra tão pequena é facilmente contestável. que não há acordo com a afirmação feita no questionário. aliás. o grupo dos professores tem respostas significativamente positivas que são contrabalançadas por respostas francamente negativas dos alunos que.

#49 i).A auditoria detecta e relata as diferenças Não é assim. analogia aos critérios próprios estabelecidos cf. ISA 250*. 5. nas objecto do seu trabalho. 21 5. Confrontemos então as afirmações do questionário com as normas ISAE 3000R “Trabalhos de garantia de fiabilidade que não sejam auditorias ou exames simplificados de informação financeira histórica”. Os auditores têm normas de trabalho e vamos ver se elas se enquadram nas questões postas. Numa auditoria de garantia de Não são equivalentes.Nível risco baixo na garantia razoável sustentabilidade assegura que os relatórios de fiabilidade. a segurança limitada e a segurança razoável são equivalentes *ISA 250-Consideração das leis e regulamentos numa auditoria às demonstrações financeiras. não parece haver gap de expectativas. Risco moderado são globalmente fiáveis. 2. QUESTIONÁRIO ISAE 3000R 1.O relatório do Auditor reporta qualquer #19. – aplicável à sustentabilidade na falta de outra emitida por organismos profissionais de auditoria.2 Confronto com a ISAE 3000R? É a outra face da questão. social e ambiental). a menos que seja esse o significativas entre metas e realizações. positivos e negativos do desempenho da empresa. 3. aplicável por imposições legais. – e a percepção dos respondentes. Auditoria assegura o relato dos aspectos Não é assim. não conformidade com problema de violação de regras internas ou regulamentos e leis. na garantia limitada . A avaliar pelo confronto entre a norma de auditoria não financeira. três vertentes da sustentabilidade (económica. 4.A auditoria aos relatórios de #2. #20 da ISAE 3000R. . contrariamente ao nosso ponto de partida. fiabilidade. Relatados se importantes (materiais).

22 Vejamos: Questão 1: As respostas positivas. Não há gap. E essa concordância é também com a norma. o que não deixa . uma para risco baixo e outra para risco moderado. Questão 2: Os respondentes não concordam com a afirmação da pergunta (os “quase alunos” concordam parcialmente) e a resposta está conforme com o que é feito pela auditoria que só relata os aspectos materialmente relevantes e não “qualquer problema” de violação. Questão 5: As respostas indicam que as duas formas de segurança. não são equivalentes e não o são de facto. Por outro lado. pelo que não há gap. significando concordância. que pretende garantir um grau de fiabilidade alto ou moderado de que os relatórios são globalmente fiáveis. Questão 3:A auditoria não relata as diferenças entre metas e realizações e essa é a posição média dos respondentes. é observada a dificuldade em entender se as questões se referem ao que deveria ser ou ao que é. A formulação de algumas perguntas pode ser considerada deficiente. pois considerariam que a auditoria não relata os aspectos materialmente relevantes. Desde logo porque alguns respondentes (1 professor e 2 alunos na questão 5) não responderam. Questão 4: Também aqui não há diferenças entre os respondentes e a norma aplicável. um deles porque não percebeu o que se pretendia. E assim sendo haveria um gap. Mas admite-se que a pergunta esteja mal formulada e que os respondentes não tenham atendido à nuance entre “qualquer problema” e problema “materialmente relevante”. portanto.

3 As respostas abertas O questionário permite respostas abertas. Podem ser arrumadas em 3 categorias.Como normalmente os relatórios só relatam os aspectos positivos. 5. 2. Pelas deficiências apontadas.) mas o auditor apenas confere a veracidade do que está relatado mas não vai além disso. Alunos 1. 23 de ser também uma deficiência da redacção do questionário. não se pode garantir que a auditoria aos relatórios assegure a fiabilidade global. que transcrevemos abaixo. a saber: • Desconfiança na utilidade • Insuficiência e lacunas • Confiança Nelas está mais presente aquilo que se espera e podem ser úteis para a construção de outros questionários que se preocupem também com o que deveriam ser as verificações. a sua utilidade é muito questionável (…) são vagos e banais (…) dão capa de seriedade ao processo (…) 3. bem como o relato de algo menos bom.Idealmente (deveria relatar as violações das imposições legais. portanto. .Os relatórios de auditoria a que tive acesso nada asseguram e. mas também porque não se procurou saber o que os respondentes pretendem da auditoria/verificação da sustentabilidade. deve ser pois cuidadosamente ponderada. o que ela “devia ser”. A não existência de gap.

Algumas questões são subjectivas não se compreendendo exactamente o que se pretende: isto é. descrição informativa e normalização de critérios de auditoria/verificação (ver KPMG. 2005).Convicção que (auditor) relata a maioria das violações (às regras internas ou leis). sendo aspectos necessários para poder considerar a avaliação dos relatórios efectiva. Por isso os pontos (questões) 2 e 3. se a resposta que se pretende é o que a Auditoria devia fazer. Há diferentes metodologias. algumas emanadas das próprias auditoras (…) as internacionais mais ou menos reconhecidas (ISAE 3000 e AA1000AS) são recentes.(…) regista-se a presença de lacunas quanto à clareza. A verificação dos relatórios segundo a ISAE 3000 (…) não corresponde a uma avaliação precisa do controlo dos conteúdos do relato. 8. Professores 5. podendo nós então concordar com o ponto 1 do questionário.O auditor não expressa opinião sobre a qualidade do reporte (…) Apenas garante que cumpriram as obrigações mínimas. Contudo a verificação dos relatórios por entidades credenciadas vem (virá ainda mais) proporcionar aos leitores uma certa garantia de transparência no processo de comunicação.Resposta com o “desejável”.(…) há (…) alguns dos aspectos (do questionário ) que poderiam ser revistos. 24 4. A prática actual poderá estar muito aquém das valorações assinaladas. . não têm vindo a ser considerados neste tipo de verificação independente e limitada. 7. ou se o que consideramos é o que efectivamente é feito na realidade. 6.

que é a situação mais frequente. uma vez que o âmbito e alcance das auditorias são muito variáveis. considerando a percepção da prática corrente das empresas auditadas. optando por não comunicar directamente os incumprimentos ou outro tipo de ocorrências. 9. sendo a verificação dos relatórios de sustentabilidade uma ferramenta que assegura a transparência e credibilidade destes documentos. 1 consultora.25 Outros Inclui 1 empresa auditada. 1 associação empresarial para o DS. . mas sim uma constatação das práticas mais frequentes. o resultado da auditoria poderá cobrir a totalidade dos temas reportados garantindo toda a informação prestada. social e ambiental tem impulsionado as empresas a serem cada vez mais transparentes. desta forma só serão prestadas garantias sobre as matérias efectivamente auditadas. as minhas respostas reflectem o atrás exposto. 10. ou só cobrir uma parte. Assim. de acordo com (…) por exemplo o GRI (…) demonstra por parte das empresas o compromisso de transmitir a todos os seus stakeholders uma informação verdadeira e correcta. sendo que a definição destes parâmetros são da responsabilidade directa da empresa auditada. A verificação independente dos relatórios.A conjuntura económica. Desta forma. Desta forma as minhas respostas não poderão ser olhadas como uma avaliação da robustez das metodologias de auditoria utilizadas. Há ainda a acrescentar que a prática usual das empresas auditoras remete para exclusões a informação prestada que não garantem. O conjunto de questões apresentadas (exceptuando a questão 5) não pode ter uma resposta única. que optam por não auditar a totalidade dos dados não financeiros dos seus relatórios.

Essa minuta tem um texto pela negação 42 e não se encontra no espírito das linhas GRI. 26 11. com base nos critérios XYZ” ISAE 3000R. com base nos critérios XYZ…” Na garantia razoável a forma é pela positiva:” Na nossa opinião (o objecto da auditoria não financeira) é eficaz. têm um normativo (ISAE 3000R) que serve de base obrigatória para as declarações de verificação. nada nos chamou a atenção que faça com que acreditemos que (o objecto da auditoria não financeira) não seja eficaz. A típica check list não se aplica nos RS. pela positiva. em todos os aspectos materiais. As auditorias são excelentes para as empresas compreenderem que necessitam de criar sistemas de gestão integrada (económico. parágrafo 49 j). existe o perigo de se desvirtualizar todo o processo associado à elaboração do relatório de sustentabilidade. . social e ambiental) e identificarem as várias etapas necessárias para tal.(…) No entanto sou bastante céptica em relação à utilidade máxima das auditorias. (…) Existem ainda outros aspectos a considerar: • Verificar dados do foro da sustentabilidade não é o mesmo que verificar dados financeiros: Quando um auditor financeiro realiza auditorias a relatórios de sustentabilidade necessita de compreender que muitos dos indicadores da GRI são do foro estratégico ou implicam análise de processos e o próprio espírito de cultura da empresa. quando os auditores não têm esta flexibilidade. • A declaração de auditorias de RS necessita de ser diferente daquela que é normalmente produzida pelos auditores financeiros: As empresas de auditoria financeira que também fazem auditoria de relatórios de sustentabilidade. Na realidade. em todos os aspectos materiais. Não é por acaso que o G3 da GRI já inclui outras formas de verificação dos relatórios de sustentabilidade que não 42 O texto pela negação é utilizado na garantia limitada de fiabilidade na seguinte forma : “Com base no nosso trabalho descrito neste relatório. a empresa nas alterações futuras. É por isso que têm surgido algumas outras empresas a desenvolverem auditorias mas pela norma AA1000. onde assim a declaração evidencia de facto a situação existente e aconselha.

o relatório de sustentabilidade tem de responder às expectativas dos stakeholders identificados como público-alvo do relatório. conforme seu pedido.27 apenas por um auditor externo. oportunidades e espírito de antecipação. Existe agora a possibilidade da empresa reunir um conjunto de Stakeholders e que sejam eles a afirmar que a informação dada é equilibrada e que responde às suas expectativas. Triple Value|Sustentare. e isso implica saber pensar sobre os novos riscos. E mais do que no organigrama. Isto porque. cuja reprodução deve ser identificada. e ninguém melhor do que os próprios stakeholders podem afirmar se tal corresponde ou não às suas expectativas. é necessário operacionalizá-lo. em última instancia. . 43 43 Parte do texto de resposta de Sofia Santos. Ora isto implica uma mudança nos modelos de Governance actual. uma vez que implica a efectivação de um Stakeholder Consultation Group no organigrama da empresa. que os aspectos da sustentabilidade podem trazer para as empresas.

2 Resposta com nº. a 2 1 1 3 1 1 1 2 1 1 1 1 1 2 segurança limitada e a segurança razoável são equivalentes 3 1 4 13 4 6 0 6 13 4 0 12 9 3 3 5 0 1 3 2 1 0 0 2 95 Prof Outr Qalu Alun os nos os RESPOSTAS 6 3 2 8 19 30 15 10 40 95 C:\Pasta Comum Server\sustentabilidade\Pós Graduação\ERSE\Trabalho final\recolha ERSE . social e ambiental).A auditoria aos relatórios de sustentabilidade assegura 2 2 1 1 3 3 1 1 3 1 1 que os relatórios são globalmente fiáveis. 4 Resposta com nº. 1 Resposta com nº. Auditoria assegura o relato dos aspectos positivos e 1 3 1 3 3 2 1 3 1 1 negativos do desempenho da empresa. recolha ERSE Resposta com nº. Numa auditoria de garantia de fiabilidade.A auditoria detecta e relata as diferenças significativas 1 4 2 4 4 2 1 1 entre metas e realizações. nas três vertentes da sustentabilidade (económica. 3 Resposta com nº.O relatório do Auditor reporta qualquer problema de 1 1 1 1 2 2 4 3 1 2 1 violação de regras internas ou imposições legais. 5. 3. 2. 4. 5 Não Respondeu QUESTÕES\ESCALA Prof Outr Qalu Alun Prof Outr Qalu Alun Prof Outr Qalu Alun Prof Outr Qalu Alun Prof Outr Qalu Alun Prof Outr Qalu Alun os nos os os nos os os nos os os nos os os nos os os nos os 1.