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Estruturas Betão Armado

4. MACIÇOS DE ENCABEÇAMENTO DE ESTACAS

4.1. Dimensionamento de maciços de encabeçamento de estacas segundo Montoya

4.1.1. Generalidades

Um maciço de encabeçamento de estacas é uma estrutura constituída por uma sapata ou


maciço que se apoia sobre um grupo de estacas ou colunas, que se introduzem profundamente
no terreno para transmitir a sua carga ao mesmo. Os maciços de encabeçamento de estacas
são utilizados quando o terreno resistente está a uma profundidade maior que os 5 ou 6 metro,
quando o terreno é pouco consistente até uma grande profundidade, quando existe uma grande
quantidade de água no terreno e quando é necessário resistir a acções horizontais de certa
importância.

4.1.1.1. Tipos e Sistemas de Estacas

Como vimos, os principais tipos de estacas de betão armado, são os seguintes:

• Estacas pré-fabricadas que se fixam ao terreno através de máquinas do tipo martelo.


São relativamente caros, já que devem ser fortemente armadas para resistir aos
esforços no seu transporte, içamento a cravação. Têm a vantagem, que a cravação
constitui uma boa prova de carga.

• Estacas moldadas in situ, em perfurações praticadas previamente, mediante sondas do


tipo rotativo. Geralmente são de maior diâmetro que as pré-fabricadas e resistem a
maiores cargas.

• Estacas mistas, realizadas a partir de uma perfuração que é cheia posteriormente,


injectando-se betão sob pressão: o enchimento de estacas pré-fabricadas de maior
secção que a perfuração.

Pela sua forma de trabalho, as estacas podem-se classificar em estacas coluna, em que a ponta
se apoia em terreno firme (areia compacta, gravilha, argila dura, rocha, etc.) e trabalham
predominantemente por ponta, e estacas flutuantes, que são as que se apoiam em lamas ou
argilas fluidas e trabalham predominantemente por fricção lateral do fuste. Em geral, a
capacidade de carga de uma estaca é a soma da sua resistência de ponta e a sua resistência por
fricção.

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4.1.1.2. Maciços de encabeçamento de estacas. Generalidades e critérios de desenho

Os maciços de encabeçamento de estacas, são peças prismáticas de betão armado que


transmitem a carga dos suportes ou muros ao grupo de estacas. Como, hoje em dia utilizam-se
estacas de diâmetro elevado, por razões económicas, o número de pilares por cada maciço não
pode ser muito elevado (Fig. IV/1).

Fig. IV/1 – Diversos tipos de maciços.

É conveniente suportar devidamente os vários tipos de maciços de uma estrutura; no caso de


uma ou duas estacas, é imprescindível dispormos de vigas centrais encarregadas de absorver
tantos as excentricidades acidentais como os momentos do pé do suporte.

Para a estrutura de uma obra é frequente adoptar-se um determinado tipo de estaca com uma
carga admissível dada. É necessário projectar a disposição das estacas por baixo das diversas
sapatas ou maciços que devem sustentar os muros e pilares da obra, e depois proceder ao
dimensionamento

O número de estacas de cada maciço é fixado por critérios de resistência. Como número
mínimo de estacas deve adoptar-se três para maciços de encabeçamento isolados que
suportem um pilar; se estão suportados transversalmente pode-se reduzir para duas estacas.
Para um maciço com uma estaca, só para o caso em que este suporta um pilar, pouco
importante na estrutura submetido a cargas reduzidas. Analogamente, um maciço contínuo
deverá apoiar-se em duas filas de estacas.

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Quando, além das cargas verticais existam cargas horizontais que actuem no maciço, deve-se
colocar estacas inclinadas capazes de resistir ás cargas horizontal (Fig. IV/4). Não é
necessário tomar esta precaução, se as cargas horizontais forem exclusivamente produzias
pela acção do vento e não ultrapassem 3% das cargas verticais. Para o cálculo estrutural do
maciço prescinde-se do seu peso próprio sempre que se betone directamente sobre o terreno.

4.1.1.3. Cálculo de estacas

4.1.1.3.1. Cargas actuantes numa estaca

A carga total que actua sobre uma estaca obtém-se, somando, à cara que lhe transmite o
maciço, o peso próprio da estaca e a fricção negativa, caso exista.

Os maciços em geral, transmitem às estacas três tipos de esforços: axiais, momentos e


transversos. Destes esforços, os axiais são os esforços principais, enquanto os momentos e
transversos, são esforços secundários, em geral desprezados em relação aos primeiros.

Para o cálculo dos esforços axiais, que o maciço transmite a cada estaca, costuma-se admitir,
na prática, que as estacas estão biarticuladas, e que o maciço é infinitamente rígido, o que
simplifica o cálculo como se verá mais à frente. As hipóteses de maciço rígido produz
pequenos erros não obstante no caso de maciços flexíveis, isso pode ser evitado como será
visto mais tarde neste mesmo ponto.

No caso de maciços de encabeçamento isostáticos, (Fig. IV/2), os esforços axiais nas estacas
obtém-se simplesmente, decompondo a carga F em vectores que actuam segundo os eixos das
estacas. Várias estacas próximas e paralelas, podem substituir-se pela sua resultante (Fig.
IV/2c).

Fig. IV/2 – Maciços de encabeçamento de estacas isostáticos.

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Um maciço de encabeçamento de estacas, cujas estacas sejam verticais, submetido a cargas


verticais, é em geral hiper-estático, se tem mais de três estacas não alinhadas (Fig. IV/3a).
Supondo que o maciço é infinitamente rígido, a carga em qualquer estaca de coordenadas
(xi,yi), em relação ao centro de gravidade do maciço pode ser obtida aplicando a seguinte
fórmula, análoga à da compressão composta:

 1 e .x e . y 
Riz = Fz  + x i + y i 
n Iy I x 

em que:

Riz = carga numa estaca qualquer, produzida pela carga vertical Fz ;

Fz = carga vertical total (incluindo o peso do maciço);

ex , e y = excentricidades da carga Fz
n
I x = ∑ yi 2 = momento de inércia do maciço em relação ao eixo OX, que passa pelo centro de
i =1

gravidade;
n
I y = ∑ xi 2 = momento de inércia do maciço em relação ao eixo OY;
i =1

n = números de estacas verticais iguais.

No caso em que seja necessário resistir, além da carga vertical Fz , a uma força horizontal Fα ,

bastará inclinar algumas estacas, com um ângulo β i , em relação à carga vertical, para que se

cumpra:

∑ R .tgβ
i =1
iz i = Fα

Supondo que o maciço como sólido rígido, as estacas inclinadas terão os esforços axiais dados
por:

Riz
Riβ =
cos β i

e serão capazes de dar as componentes horizontais necessárias para absorver Fα . Como se

compreende facilmente, para cargas horizontais com sinal variável devem dispor-se grupos de
estacas com inclinações opostas.

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Fig. IV/3 – Maciços de encabeçamento de estacas hiper-estáticos.

Para o cálculo dos esforços secundários (flectores e transversos) que o maciço transmite a
cada estaca, é necessário uma análise mais rigorosa que tenha em conta o comportamento das
estacas e da flexibilidade do maciço, podendo usar-se para ele um programa de análise
matricial em computador, que permitirá obter de cada vez os esforços principais nas estacas e
os esforços secundários.

Por último, a carga devida à fricção negativa que está presente nas estacas coluna situadas em
terrenos compressíveis, pode-se obter mediante a fórmula:

 l2 
R = 0,25.u. qo + γ 
 2

em que:

u = perímetro da estaca
qo = sobrecarga unitária na superfície do terreno;

l = comprimento da estaca
γ = peso específico do terreno

4.1.1.3.2. Carga de solicitação e carga admissível de uma estaca

A carga de solicitação de uma estaca depende das características do solo e do tipo e


dimensões da estaca. Para a sua determinação é normal utilizar-se ensaios de carga e fórmulas
baseadas nos resultados medidos durante o processo de cravação.

A carga de solicitação de um maciço, não é igual a soma das cargas de solicitação das estacas

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isoladas, devido às interacções entre as diversas estacas. Não obstante, como carga admissível
do maciço pode-se admitir a soma das cargas admissíveis das várias estacas, sempre que a sua
separação mínima seja duas vezes o seu diâmetro (1,75 vezes a sua diagonal para as estacas
de secção quadrada).

A carga admissível para uma estaca isolada é função da sua carga de solicitação, da
deformabilidade do terreno e da capacidade de deformação da estrutura cimentada.

4.1.1.3.3. Cálculo da estaca

O cálculo geotécnico da estaca consiste em comprovar que a sua carga total (esforço principal
ou axial) não supera a carga admissível.

O cálculo estrutural da estaca consiste na sua comprovação como elemento de betão armado.
Se, como é normal, se desprezam os esforços secundários (momentos e transversos)
transmitidos pelo maciço, o cálculo das estacas efectua-se como os pilares com carga
centrada. Em relação ao possível varejamento, só é necessário ter em conta nas estacas que
trabalham por ponta. Por outra parte, o terreno constitui um apoio elástico ao longo da estaca,
e corta, pelo menos parcialmente, as suas deformações laterais, limitando os efeitos de
segunda ordem. Em terrenos de boa consistência admite-se como varejamento 1/3 do
comprimento enterrado da estaca. Como excentricidade acidental devem tomar-se, valores
superiores aos do pilar.

A armadura longitudinal das estacas, normalmente será constituída pelo menos de seis ferros
para as estacas de secção circular, e de quatro ferros, para as estacas de secção quadrada; a sua
quantidade geométrica deve ser ρ=0,005. A armadura transversal deve ser formada por
espirais ou estribos dimensionados com os mesmos critérios e limitações para os suportes.

4.1.2. Maciços de encabeçamento de estacas. Cálculo e armadura de maciços

4.1.2.1. Critérios gerais de desenho

A forma e dimensões em planta dos maciços dependem do número de estacas, das dimensões
destas e da sua separação. A separação mínima entre os eixos das estacas deve ser duas vezes
o diâmetro das estacas (a 1,75 vezes a diagonal no caso de estacas de secção quadrada) e não
inferior a 75 cm. Esta separação deve manter-se em todas as direcções da estaca. O qual deve
ter-se em conta se existem estacas inclinadas: em qualquer caso, para evitar problemas de

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alienação, convém que a separação das estacas não seja inferior a 1/15 do comprimento das
estacas. Se não se conseguir que a resultante das cargas passe pelo centro de gravidade do
maciço, convém aumentar a separação das estacas para diminuir a carga nas estacas devida ao
momento produzido pela excentricidade.

A altura do maciço é fixada, por razões económicas, de modo que não seja necessário
armadura de corte. Como altura útil, que permite evitar a comprovação de corte, adopta-se a
altura obtida pela expressão:

Nd
d= − 0,14 < 0,34
500b

válida para o caso mais frequente de um maciço de encabeçamento de duas a seis estacas
situadas simetricamente à volta de um pilar quadrado, em que:

N d = esforço axial transmitido pelo pilar em kN;

b = largura do maciço em metros (largura da secção na qual se comprova o cortante)


d = altura útil recomendado para o maciço em metros

Na figura IV/4 indica-se algumas limitações que convém ter em conta para o desenho dos
maciços de encabeçamento de estacas.

Fig. IV/4 – Dimensões recomendadas para maciços.

4.1.2.2. Classificação dos maciços

Denominam-se maciços rígidos, aqueles em que o valor v, em qualquer direcção, não supera o
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dobro da altura total (v = 2 h)(Fig. IV/5). Por outro lado, consideram-se maciços flexíveis, os
que apresentam um valor superior a 2h em qualquer direcção.

Como no caso das sapatas, os maciços rígidos devem calcular-se aplicando um modelo de
bielas e tirantes, enquanto que os flexíveis podem calcular-se pela teoria normal da flexão

4.1.2.3. Maciço de duas estacas

Aos maciços rígidos sobre duas estacas, aplica-se o modelo de bielas e tirantes, conforme a
figura IV/6.

4.1.2.3.1. Armadura Principal

A armadura principal inferior será dimensionada para resistir à tracção de cálculo Td , (figura

IV/6) que se obtém pela expressão:

Rd (v + 0,25ao )
Td = = As . f yd
0,85d

com f yd > 400N/mm2 e onde Rd é o esforço axial do cálculo da estaca mais carregada. A

armadura principal assim calculada se colocará sem reduzir a sua secção em todo o
comprimento do maciço, e se ancorará pelo prolongamento recto, com ângulo recto ou
mediante a colocação de barras transversais soldadas. A partir de planos verticais que passem
pelo eixo de cada estaca (Fig. IV/6). O efeito benéfico na ancoragem da compressão vertical
da estaca permite reduzir uns 20%, o comprimento de ancoragem.

Fig. IV/5 – Modelo de bielas e tirantes de um Fig. IV/6 – Ancoragem do tirante.


maciço rígido de duas estacas.

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4.1.2.3.2. Armadura secundária

A armadura secundária consistirá em:

- Uma armadura longitudinal disposta na face superior do maciço e estendida a todo o


comprimento do mesmo, cuja capacidade mecânica não deve ser inferior a 10% da
armadura principal;

- Uma armadura horizontal e vertical disposta em reticulado nas faces laterais. A


armadura vertical consistirá em estribos, amarrados à armadura vertical atrás descrita
(Fig. IV/7). A quantidade geométrica destas armaduras, em relação à área da secção de
betão perpendicular à sua direcção, deve ser no mínimo 0,004. Se a ancoragem for
maior que metade da altura do maciço, a secção de referência deve ter uma ancoragem
igual a metade da altura.

Fig. IV/7 – Armadura secundária em Fig. IV/8 – Reforço das zonas de ancoragem.
maciço de duas estacas.

Se a concentração de armaduras for elevada, convém aproximar mais, na zona de ancoragem


da armadura principal, os estribos verticais de modo a garantir o reforço da armadura
principal nesta zona (Fig. IV/8).

4.1.2.4. Maciço Rígido sobre várias estacas

4.1.2.4.1. Armadura principal

No caso de maciços sobre três estacas dispostas segundo os vértices de um triângulo


equilátero, com o pilar situado no centro do triângulo, a armadura principal entre cada par de
estacas pode obter-se a partir da tracção Td dada pela expressão:

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Td = 0,68
Rd
(0,58l − 0,25ao ) = As . f yd
d

com f yd > 400N/mm2 e onde Rd é o esforço axial do cálculo da estaca mais carregada e da

altura útil do maciço (Fig. IV/9).

Fig. IV/9 – Maciço sobre três estacas.

No caso de maciços sobre quatro estacas colocados segundo os vértices de um quadrado ou


rectângulo, com o pilar situado no centro, a armadura principal entre cada par de estacas pode
obter-se das seguintes expressões:

T1d =
Rd
(0,50l1 − 0,25a1 ) = As . f yd
0,85d

T2 d =
Rd
(0,50l2 − 0,25a 2 ) = As . f yd
0,85d

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com f yd > 400N/mm2 e onde Rd é o esforço axial do cálculo da estaca mais carregada e da

altura útil do maciço (Fig. IV/10).

Fig. IV/10 – Maciço sobre quatro estacas.

A armadura principal deve dispor-se em bandas sobre as estacas (Fig. IV/11). Define-se como
banda ou faixa, uma zona cujo eixo é a linha que une os centros das estacas e cuja largura é
igual ao diâmetro da estaca acrescida duas vezes da distância entre a face superior da estaca e
o centro de gravidade da armadura do tirante (Fig. IV/12). A armadura principal deve ancorar-
se a partir de um plano vertical que passe pelo eixo de cada estaca.

Fig. IV/11 – Disposição das armaduras em maciços rígidos sobre várias estacas.

4.1.2.4.2. Armadura secundária

Deve dispor-se uma armadura secundária horizontal reticulada, cuja capacidade mecânica em

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cada sentido não seja menor que ¼ da capacidade mecânica da armadura colocada nas bandas
ou faixas, e uma armadura vertical formada por estribos amarrados à armadura principal das
bandas (Fig. IV/11).

Fig. IV/12 – Definição da largura da banda.

4.1.2.5. Maciços Flexíveis

4.1.2.5.1. Cálculo à Flexão

O cálculo à flexão de maciços flexíveis faz-se de forma análoga ao das sapatas flexíveis. A
secção de referência 1-1 é vertical e paralela à face do pilar ou muro e situa-se dentro desta a
uma distância de 0,15ao, em que ao é a dimensão do pilar ou muro normal à secção
considerada (Fig. IV/13). Nesta secção obter-se-á o momento flector que servirá para
dimensionar a armadura principal do maciço do mesmo modo que se faz para as sapatas.

Fig. IV/13 – Secção de referência para o cálculo à flexão de um maciço flexível.

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A armadura principal será disposta nas bandas que unem as estacas, seguindo as mesmas
indicações dadas para o caso dos maciços rígidos.

Além da armadura principal é necessário colocar armaduras secundárias, horizontais e


verticais, seguindo o mesmo procedimento dado para o caso dos maciços rígidos.

4.1.2.5.2. Cálculo ao esforço transverso

Faz-se como nas sapatas flexíveis. A secção de referência 2-2 (Figura IV/15a e b) é vertical,
paralela à face do pilar ou muro situada a uma distância da mesma, igual à altura útil do
maciço. Esta comprovação normalmente não é necessária para os maciços cuja altura útil
tenha sido pré-dimensionada utilizando a fórmula descrita em 4.2.2.1.

4.1.2.6. Armadura de reforço

Tanto nos maciços rígidos como nos maciços flexíveis é necessário dispor armaduras de
reforço, para sobrepor com as do pilar, devendo comprovar-se tanto o comprimento de
ancoragem como o comprimento de sobreposição.

Também será necessário comprovar o comprimento de ancoragem das armaduras da estaca


que entram no maciço. Para estas comprovações podem aplicar-se as mesmas regras utilizadas
para as sapatas.

4.1.3. Vigas de travamento

4.1.3.1. Vigas de ligação

Estas vigas empregam-se para travar sapatas ou maciços isolados, e não tem como função
primária a de resistir a esforços de flexão. Este travamento é sempre muito conveniente, e
obrigatório quando a obra está situada em zonas sísmicas de segundo e terceiro grau.

Estas vigas podem ser de secção quadrada, a×a, com armadura simétrica respeitando as
limitações:

l
a≥ , no mínimo 25cm (por varejamento)
20

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A. f yd ≥ 0,05. N d (em zona sísmica de segundo grau)

A. f yd ≥ 0,10. N d (em zona sísmica de terceiro grau)

A. f yd ≥ 0,15.a 2 . f cd (por fissuração)

em que l - o comprimento da viga, Nd - a carga de cálculo do pilar mais carregado dos que
unem a viga, e A - secção total de armadura. Devem colocar-se estribos com uma separação
constante que cumpra a separação de estribos mínimas.

4.1.3.2. Vigas centrais de maciços

Estas vigas empregam-se para absorver os momentos e excentricidades acidentais nos


maciços de uma ou duas estacas (Figura IV/3). As dimensões da secção destas vigas devem
l l
ser: b ≥ , com um mínimo de 25cm, e h ≥ , com um mínimo de 40 cm, sendo l - o
20 12
comprimento da viga.

A armadura pode ser simétrica e determina-se para o momento:

M ld =
k1
(M d + N d .e )
k1 + k2

sendo k1 – A rigidez da viga em estudo, k2 – A rigidez da viga do outro lado do maciço (se
não existir k2=0), Md - o momento na base do pilar nessa direcção, e – excentricidade
acidental para a qual pode adoptar-se e=0,10 m, nos casos normais. Para prevenir uma
eventual fissuração recomenda-se respeitar a limitação da quantidade mínima de armadura:
A. f yd ≥ 0,15.b.h. f yd , onde A é a secção total de armadura.

Devem dispor-se estribos com uma separação constante, calculados para o transverso:

M ld
Vd =
l

Devem colocar-se estribos com uma separação constante que cumpra a separação de estribos
mínimas.

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4.2. Dimensionamento de maciços de encabeçamento

Este sub-capítulo foi essencialmente baseado nos textos do Curso de Fundações da FEUP,
sendo o mesmo introduzido de forma quase inalterada já que pela sua simplicidade julga-se
espúria qualquer alteração significativa.

As estacas, que de um modo geral são utilizadas agrupadas, recebem as acções que lhe são
transmitidas pela super estrutura por intermédio de Maciços de Betão Armado. Destacam-se
dois problemas fundamentais a resolver, a saber:

1. Distribuição das acções pelas diferentes estacas;

2. Dimensionamento do Maciço de transferência (cálculo de armaduras, controle dos


esforços no Betão, disposições construtivas).

Relativamente à 1ª questão, teremos de distinguir o caso do maciço poder considerar-se de


rigidez infinita ou flexível.

Assim se a resultante das cargas estiver centrada com as estacas e o maciço se puder
considerar rígido, a acção distribuir-se-á uniformemente ficando todas as estacas com igual
carga.

Pelo contrário, para um maciço flexível, a deformação em serviço levará a uma distribuição
desigual de cargas pelas estacas. O cálculo da distribuição é complexo sendo muitas vezes
contornado por hipóteses simplificadoras que se situam do lado da segurança. De preferência
adapta-se altura para os maciços que permitam esperar um comportamento próximo da
rigidez infinita, - no que se segue admite-se desde já que foi essa a opção tomada.

Admitamos um conjunto de estacas idênticas, ligadas por um maciço de grande rigidez.

Seja 0 o centro de gravidade das estacas, N a força global vertical actuando com
excentricidade (x0,y0) relativamente ao cento de gravidade das estacas (Fig. IV/14).

Se Ac, for a área total das N estacas a fórmula da flexão desviada permite obter:

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Fig. IV/14- Resultante das forças verticais.

N M x yi M y xi
σ= ± ±
Ac Ix Iy

n
Ac 2
Ix = ∑ . yi
M x = N .y0 i =1 n

n
Ac 2
Iy = ∑ . xi
M x = N .y0 i =1 n

A carga sobre a estaca i será

N M x yi M y xi
A
Ni = σ i c Ni = ± ±
n n ∑ y i 2 ∑ xi 2
ou

A existência de momentos flectores Mx e ou My actuando em simultâneo com a carga N,


traduz-se apenas na alteração do valor de x0 e y0, mantendo-se portanto o processo de
determinação de Ni.

Exemplo da aplicação:

Fig. IV/15- Maciço de encabeçamento de oito estacas.

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Total de 8 estacas de Ø50 cm.


Altura total do Maciço = 1,20m
N = 5000 KN
My= ±2000 KNmz

Existindo apenas My, e atendendo à disposição das estacas podemos concluir que:

N1 = N2 ; N4 = N5 ; N7 = N8

A alternância do sinal do momento conduzirá à troca de N3 com N6 e N1.2 com N7.8

Mx = 0.0

∑x i = 4 . 3,02 + 2. 1,52 = 40,5

5000 2000.3,0
N1 = N 2 = + = 773KN
8 40,5
5000 2000.3,0
N7 = N8 = − = 477 KN
8 40,5
5000
N 4 = N5 = = 625KN
8
5000 2000.1,5
N3 = + = 699 KN
8 40,5
5000 2000.1,5
N6 = − = 550 KN
8 40,5
Com ∑N i = 5000KN

Tensão máxima no betão das estacas:


773
σ= = 3,94 MPa
0,19625.1000
Aestaca

Valor variável em serviço (≈ 40 kgf/cm2)

4.2.1. Maciço para duas Estacas

a) Geometria

A≥4D+0,30m

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B≥D+0,30m

e 2
H ≥ ≥ 1,5D ≅ e
2 3

ex.:

D = 50cm

A ≥ 2,30m

B ≥ 0,80m

H ≥ 0.75m

e ≥ 1,50m

Fig. IV/16 – Maciço de duas estacas.

b) Cálculo das Armaduras (Método das BIELAS)

e a

N N 2 4
N t = tgα =
2 2 d

N ( 2e − a )
Nt = ( N = N sd )
8d

Nt
As = (σ s = f syd )
σs

(acrescentar a A’ s devido a momento se existir)

Fig. IV/17 – Modelo de bielas e tirantes de um


maciço de duas estacas.

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Relativamente as tensões de compressão nas bielas de betão, obtém-se:

N
- Junto ao Pilar: σc =
a.b. cos 2 α

N
- Junto à Estaca: σc =
n. Ac . cos 2 α

No caso de existir momentos, o N é calculado com base na expressão: N = n. N imáx (carga

fictícia centrada), sendo Nimáx o esforço na estaca mais esforçada do total das existentes e n o
número de estacas:

n. N imáx
- Junto ao Pilar: σc =
a.b. cos 2 α

n. N imáx N imáx
- Junto à Estaca: σc = =
n. Ac . cos α Ac . cos 2 α
2

πφ 2
Sendo Ac = a área de uma estaca de secção transversal circular de diâmetro φ
4

Em termos de estado limite último da resistência (ELU) deverá verificar-se:

1,3
σc ≤ f ck 8
1,5

Com f ck 8 tensão de rotura característica do betão à

compressão aos 28 dias.

Actuação simultânea de esforço axial e momento flector


no plano vertical que contém os eixos das estacas.

Efeito do Momento Flector

N M
Admitindo, como é normal, ≥ ,o acréscimo de
2 e
armadura devido ao momento ocorre para o equilíbrio
em (B) e vale:

M
AS ' =
2dσ s

Fig. IV/18 – Efeito do momento flector.

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Esta armadura A’s é acrescentada à devida a N, sendo d a altura útil

Nota: A altura “d” que é importantíssima para garantia do funcionamento das armaduras é
muito influenciada pela existência de compressões fortes e boa confinação do betão.

Exemplo de Cálculo

Pilar: 0,7 x 0,7 m2

Ng = 2400 KN

Acções: Nq = 1000 KN

Mq =1200KN.m

Betão: f ck .28 = 25 MPa

Aço: f syd = 348 MPa

Estacas: D = 0,80 m, tensão admissível 5 MPa (em serviço) contando com a resistência
total: ponta e/ou atrito lateral

Fissuração que se supõe prejudicial: σs = 200 MPa

em EL Utilização

Dimensões adoptadas:

e > 3.0,80 = 2,40m e = 2.50m

B > 0,8 + 0,3 = 1,10m seja B = 1,10m

e
H≥ = 1,25m H = 1,40m
2

d = 1,30m (altura útil)

- Tensão máxima nas estacas (em serviço):

N sd
g
M
q
2400 + 1000 1200
+ sd +
2 2,5 = 4,34 MPa < 5MPa ,
σ= n e óσ =
Aestaca 0,5026.1000

Fundações Profundas / Maciços de Encabeçamentos de Estacas Cap.IV / 20


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na face: A estaca = π.r2 = 0,5026m2

- Tensão nas bielas de betão:

Nsd = 1,35.2400 + 1,5.1000 = 4700 KN

Msd = 1,5.1200 = 1800 KNm

Na estaca mais esforçada:

4740 1800 N M
N sd .est = + = 3090 KN = +
2 2,5 n e

Junto ao Pilar:

n. N imáx 2.3,090 1,3


σc = , ou seja: σ c = = 21,237 MPa ≤ .25 = ( 21,66) MPa
a.b. cos α2 2 2
0,7 . cos 39,59 1,5

e a

α = arctg( 2 4)
d

Junto à Estaca:

n. N imáx N imáx
σc = =
n. Ac . cos α Ac . cos 2 α
2

3,090
σc = = 16,35 MPa
0,5026. cos 2 39,59

- Armaduras:

Estado Limite Último de resistência:

4740( 2.2,5 − 0,7) 1800


As = + = 56,32 + 19,89 = 76,19cm2
8.1,30.34,8 2.1,30.34,8

Estado Limite de Utilização: (σ s máx = 200 MPa )

3400( 2.2,5 − 0,7) 1200 93,37cm 2


As = + = 70,29 + 23,08 =
8.1,30.34,8 2.1,30 .34,8 (12Ø 32)

Armadura Superior (sugestão: 1/10 da Ainf)

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9,3cm2 5Ø16

Estribos (Sugestão At(cm2) = 20.B(m)= 22cm2

Sejam Estribos 4 Ramos – 10Ø10 +10Ø8 = 25,7cm2

(É prática corrente a utilização de uma maior quantidade de Armadura transversal sem


contudo se encontrar uma justificação teórica para tal, a não ser o efeito sempre benéfico de
uma maior cintagem do betão)

Armadura junto às faces laterais - Ø8//0.20 m.(Armadura de Pele)

Quantidades:

Betão: 5,544 m3

Aço: 495 Kg.

(Inclui sobreposições)

Densidade da Armadura: - 89,3 Kg/m3

Armaduras de montagem.

Só faz sentido haver armaduras


superiores no caso de termos
estacas à tracção.

Fig. IV/19 – Armaduras de cálculo.

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4.2.2. Maciço para três estacas

(só esforço Axial no Pilar)

e ≥ 3D

e 2
H ≥ (H ≅ e )
2 3

3
a1 = ( D + 0,30)
3

3
a 2 = e + ( D + 0,30)
3

3
a 3 = e + ( D + 0,30 )2
3

Fig. IV/20 – Maciço para três estacas.

3
Distância do Eixo do Pilar ao eixo das estacas: e
3

As Armaduras necessárias ao equilíbrio dos esforços de tracção podem ser dispostas de duas
formas:
Por varões dirigidos na direcção do esforço de
tracção Nt, (Fig. IV/21)

e 3 a 2

tgα = 3 6
d

2e 3 − a 2
tg α =
6d
e o esforço de tracção valerá

N N  2e 3 − a 2 
Nt = tgα =  

3 3 6d 

Nt N
e: As = ou As = t , sd
σs f syd
Fig. IV/21 – Disposição da armadura.

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a) Por Armaduras dispostas segundo o contorno da sapata

Neste caso teremos duas hipóteses (Fig. IV/22) eventualmente combinadas

a) b)
Fig. IV/22 – Disposição de armaduras: a) Três conjuntos horizontais ligando três estacas; b) Armadura ao longo
do perímetro em camadas sobrepostas.
O esforço a absorver valerá:

2 N t ' cos 30º = N t

Nt Nt N
Nt ' = = = t
2 cos 30º 2 3 3
2

Fig. IV/23 – Diagrama de equilíbrio de forças.

A solução adoptada em a) exige uma área de armadura 3 vezes superior à solução em b);
vejamos o volume de armadura envolvido:

e 3 3 3
Solução a) As .3. = As .e
2 2

As
Solução b) .3.e = As .e 3
3

A economia é significativa em termos de armadura adoptando a solução b).

Uma solução usual na prática consiste na associação de dois tipos de armaduras (Fig. IV/24),

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resultando:

Ne 3  a2 
A1 =  1 − 2 
36dσ s  3e 

A2 = A1 3

Fig. IV/24 – Associação de tipos de


armaduras.

O controle das tensões de compressão nas bielas de betão poderá ser feito pela
expressão:

N
σ biela =
a cos2 α
2

Apresenta-se de seguida um desenho tipo correspondente à apresentação em


projecto de execução deste tipo de Maciço (Fig. IV/25).

Fig. IV/25 – Aplicação de um tipo de arranjo de armadura num maciço de três estacas.

No caso da existência de momentos na base do Pilar (Maciços com momentos de


encastramento), podemos de forma simplificada proceder como se segue:
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Calcula-se o esforço axial máximo nas estacas (ou estaca) pela expressão de flexão composta:

N total M x M
Ni = + yi + y xi
n Ix Iy

conforme já referido anteriormente.

O cálculo do maciço será realizado para uma carga fictícia centrada de valor:

N = η. N t , máx , com η = n.º de estacas

Como conclusão referimos ainda que os 3 tipos de armadura permitem atingir sensivelmente a
mesma carga de rotura, mas com melhor comportamento para a solução de armaduras
perimetrais, aparecendo fissuração para valores de carga mais elevados.

4.2.3. Maciço para quatro estacas

e ≥ 3D

e 2
h ≥ (h ≅ e )
2 3

d = h – 0,10m

Fig. IV/26 – Maciço para quatro estacas.

O equilíbrio dos esforços de tracção poderá ser realizado por três tipos diferentes de
armaduras:

a) segundo as diagonais:

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Fig. IV/27 – Disposição de armadura segundo as diagonais.

e 2 a 2

tgα = 2 4 , e N = N tg = N 2 (2e − a ) , A = N t
α
σs
t s
d 4 16d

b) Com armaduras colocadas ao longo do perímetro (ou em uma ou mais camadas


ligando as estacas paralelamente ao perímetro)

a) b)
Fig. IV/28 – Disposição de armaduras: a) Armadura ao longo do perímetro em camadas sobrepostas; b) Quatro
conjuntos horizontais ligando quatro estacas

2 N t ' . cos 45º = N t

Nt = Nt / Nt / 2
'

N ( 2e − a )
Nt ' =
16d
c) Em malha quadrada
N
N t = tgα '
'

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e a

tgα =
' 2 4
d
P ( 2e − a )
Nt =
'

8d e

'
N valor global da área de armadura
As = t
'

σs a colocar em cada direcção.

Fig. IV/29 – Armadura disposta em malha quadrada.

Chama-se no entanto a atenção para o seguinte:

Os ensaios mostram que se as armaduras em vez de


concentradas sobre as estacas estiverem também
distribuídas entre elas, as bielas de compressão que se
dirigem para o tirante fora de apoio pressiona-o para
baixo, surgindo fissuras como as da Fig. IV/30 que
podem conduzir a uma rotura prematura.

Fig. IV/30 – Fissuração devido à deficiente distribuição de armaduras entre as estacas.

Se a distância entre estacas for superior a 3 D, parte da armadura do tirante deverá ser
colocada entre estacas, mas complementada com uma armadura de suspensão (Fig. IV/31).
Esta deve ser dimensionada para uma força total igual a N/(l,5.n), sendo n o n.º. de estacas.

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Fig. IV/31 – Estribos de suspensão.

Na prática utiliza-se muitas vezes como solução a associação de armaduras dispostas segundo
o perímetro com uma malha quadrada uniformemente distribuída, conforme se exemplifica no
desenho seguinte (Fig.IV/32):

Fig. IV/32 – Associação de armadura disposta segundo o perímetro e armadura de malha quadrada.

4.2.4. Maciço para cinco estacas

Uma forma económica de executar este maciço é ainda a quadrada situando a quinta estaca na
zona central (Fig. IV/33).

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Sendo adoptada esta solução, mantém-se o já dito para


o maciço de quatro estacas no que se refere às
dimensões a adoptar, com a particularidade do
condicionamento da distância entre estacas conforme a
Fig. IV/33.

Fig. IV/33 – Maciço para cinco estacas.

No cálculo das armaduras deverá para o caso a) e b) substituir-se N/4 por N/5. No caso c)
uma solução aproximada consiste em utilizar 2N/5 em vez de N/2 nas expressões atrás
deduzidas.

4.2.5. Maciço para um número superior de estacas

No caso de um maciço com várias estacas, como poderá acontecer num pilar fortemente
solicitado (P.e. pilar de uma ponte) ou, no caso de edifícios, nas caixas de escadas e/ou
elevadores, podemos usar o seguinte critério:

Considerar duas linhas de rotura ortogonais passando pelo eixo do Pilar e calcular, o esforço
de tracção perpendicular a cada uma das secções de rotura.

Seja n, o nº. total de estacas e m o nº. de estacas de cada lado do eixo de simetria considerado.

N a1 N a2 N a3 N am
Nt = + + + .... +
n d n d n d n d

Sendo N - esforço total aplicado ao maciço

n - nº. total de estacas

a,..., am - distancia de cada estaca ao plano de rotura considerado

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d - altura útil da secção

N m
ou seja Nt = ∑ ai
nd i =1

Fig. IV/34 – Exemplo de maciço com 10 estacas.

Exemplo (Fig. IV/34): Pilar de secção transversal 0,60x1,20m

N máx = 9000KN

10 Estacas Circulares Ø=0,50 m

N
= 900KN
10

d = 1,30 m

N t1 =
9000
(3.2,0) = 4153KN Nt 2 =
9000
(1,5 + 2.3,0 + 4,5) = 8308 KN
10.1,3 10.1,3

Resultando por ml

4153
N t1 / m ≅ = 461KN e A1 / m = 10,6cm2 ( A500 NR )
9

8308
Nt 2 / m ≅ = 1661,6 KN e A2 / m = 38,0cm2
5

ou seja P.e. Ø16//0,175 para A1 e Ø25//0,125 para A2 .

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Esta armadura é distribuída como uma malha rectangular na base do maciço, ao exemplo das
sapatas, podendo-se para os restantes tipos de armaduras seguir os critérios atrás expostos
(armadura de superior, transversal e de pele).

4.3. Estudo de um Caso de Obra

Fig. IV/35 – Geometria em planta dos maciços e muro

O exemplo apresentado trata de uma fundação por estacaria de um muro de contenção de um


edifício com dupla cave para com estacionamento,
r/chão comercial e 8 pisos de escritórios. A solução
estrutural adoptada foi a de laje do tipo fungiforme
aligeirada, com modulação de pilares 8.00x8.10 m2.
Os Pilares correspondentes ao alinhamento do muro
de contenção foram fundados com 3 estacas de
diâmetro Ø500 mm., existindo portanto maciços
triangulares de 8.00 em 8.00 m. Entre maciços
serão realizadas duas estacas de Ø500 mm.
conforme desenho (Fig.IV/35).
Na parte inferior do Muro existe uma viga
horizontal(Fig. IV/36), cuja missão fundamental é
transferir a reacção horizontal para os lintéis de
travamento que ligam aos maciços dos pilares e
caixas interiores (existentes portanto de 8.00 em
8.00 m).
Fig. IV/36 – Corte estrutural das caves.
O modelo de cálculo utilizado foi o seguinte:
a) Acções verticais
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a.1) Pilares
A acção dos pilares é transmitida directamente ao maciço de 3 estacas referido anteriormente e
dimensionado de acordo com as regras já enunciadas.

a.2) Muro entre pilares


A acção directamente transmitida pelas lajes do piso l e piso 2 é recebida pelo muro
funcionando como viga-parede entre maciço de estacas. Atendendo a que os vãos são
diminutos (l<3,00m) as armaduras necessárias a este funcionamento são pouco significativa

b) Acções horizontais
Considerou-se o coeficiente de impulso em repouso (k0). Não existia água à cota da escavação
O muro é considerado apoiado a nível das lajes e articulado na viga horizontal de fundação.
As armaduras verticais do muro deverão satisfazer o trabalho de flexão (ver Fig. IV/38).

Fig. IV/38 – Flexão do muro

A reacção R3, expressa por metro linear é a acção horizontal de dimensionamento à flexão da
viga de fundo.
As vigas de travamento são comprimidas por um esforço de cerca de 8xR3 para o qual deverão
ser dimensionadas (não esquecer o trabalho de flexão para acções verticais nem eventuais
problemas de encurvadura).
A acção vertical permanente nos maciços interiores deverá ser suficiente para permitir
contrariar a acção horizontal R3, ou seja a possibilidade de deslizamento, se bem que, se as
vigas tiverem continuidade até à outra empena com igual impulso, este efeito é auto-
equilibrado.

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