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PESQUISA NO ENSINO DE QUÍMICA

Maria Inês de Freitas Petrucci Santos Rosa, Tânia Cristina de Assis Quintino e Derval dos Santos Rosa

Neste artigo, relatamos a pesquisa realizada por uma professora de química, que buscou investigar aspectos relacio-
nados ao planejamento de ensino concebido de acordo com orientações explicitadas nos Parâmetros Curriculares
Nacionais para Ensino Médio. Tal processo deflagrou-se a partir de uma parceria estabelecida em um programa de
formação continuada e foi analisado segundo pressupostos de investigação-ação.

formação continuada, investigação-ação, ensino de metais

Recebido em 13/9/01, aceito em 25/10/01

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Relações entre reforma curricular e 2000 na Universidade Metodista de dológicos no tratamento das relações
prática pedagógica: construção de Piracicaba - Unimep, com fomento da entre conhecimento químico e sua con-
uma pauta em um programa de Fapesp, no programa Pró-Ciências. textualização.
formação continuada Nossa proposta centrou-se na resistên- No presente artigo, relataremos e
cia a uma perspectiva de implemen- analisaremos o processo desenvolvido

O
sistema educacional brasileiro tação acrítica e desproblematizada, por uma das professoras junto a seus
vive, nos últimos anos, um delineando um processo de investi- alunos de 1º ano de ensino médio,
movimento pleno de reforma gação sobre limites e possibilidades buscando compreendê-lo na perspec-
curricular, o que nos faz lembrar das abordagens de ensino sugeridas tiva teórica da investigação-ação. Para
Schulman, quando afirma que não há na recente proposta curricular. A pauta isso, é preciso considerar que a
reforma educacional que não precise dos encontros do referido programa1 investigação-ação demanda uma epis-
passar pelo filtro da aprovação dos foi construída a partir das questões temologia diferente da dos enfoques
professores (In: Ludke et al., 1999). levantadas sobre as tensões geradas positivista e interpretativo de produção
Assim, os Parâmetros Curriculares nas escolas no confronto entre as prá- de conhecimento, à medida que
Nacionais (PCN) para Ensino Médio ticas pedagógicas desenvolvidas relaciona a explicação retrospectiva
(Brasil, 1999), parte fundamental dessa usualmente pelos professores e as com a ação prospectiva. Ou seja, a
reforma mais ampla do ensino médio, recomendações explicitadas nos docu- produção de conhecimento profissio-
chegaram às escolas nos últimos anos, mentos da referida proposta curricular, nal, nesses moldes, requer um cons-
gerando expectativas e dilemas no principalmente no que se refere ao tante movimento de reflexão sobre as
ideário de professores, diretores, pais ensino temático no nível médio. ações passadas (explicação retrospec-
etc. Apesar de se tratar de uma orien- Em relação aos eixos norteadores tiva) para informe das ações futuras
tação oficial não-obrigatória, têm se que balizam a discussão sobre ensino- (ação prospectiva).
mostrado de influência inequívoca na aprendizagem, os PCN apontam dois A abordagem positivista de investi-
prática pedagógica de muitos profes- princípios centrais: a contextualização gação tem como fundamento somente
sores. e a interdisciplinaridade. Especial- o informe da ação futura, ou seja, seu
Por isso, essa proposta curricular mente a questão da contextualização poder de previsão baseado em leis
tornou-se o motor dos encontros pro- despertou o interesse de alguns pro- científicas construídas em situações
movidos durante o programa de forma- fessores durante nossos encontros, à controladas do passado. Por outro
ção continuada realizado no ano de medida que percebiam dilemas meto- lado, a abordagem interpretativa apoia-
se em uma noção de entendimentos
A seção “Pesquisa no ensino de química” inclui investigações sobre problemas no ensino de química, com explicitação dos dos sujeitos tendo como base a com-
fundamentos teóricos e procedimentos metodológicos adotados na análise de resultados. preensão do passado. Sendo mais

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abrangente, ca dos elementos, na exposição dos Considerando tais informações e
modelos de ligações inter-atômicas sem perder de vista sua questão de
a investigação-ação implica
metálica e iônica, ou também no tópico investigação, T.C. desenvolveu um pro-
tanto a intervenção controlada
pilhas e baterias, em momentos isola- cesso de ensino que pode ser descrito
como o juízo prático, ainda que
dos e na perspectiva de exemplos des- a partir da explicitação das etapas a
ambos tenham um lugar limita-
contextualizados. seguir.
do na noção da espiral auto-
Para tentar a superação de um 1 – Problema: T.C. se propôs a in-
reflexiva da investigação-ação,
ensino descontextualizado, foi plane- vestigar a seguinte questão: qual é o
que se dispõe como um progra-
jado um processo que buscaria, atra- significado do planejamento, quando
ma de intervenção ativa e de juí-
vés da parceria entre formadores e se trabalha com um projeto de ensino
zo prático conduzido por indiví-
professora, desenvolver ações peda- temático pautado na contextualização
duos comprometidos não so-
gógicas com envolvimento dos alunos dos conhecimentos?
mente com o entendimento do
em questões ambientais referentes ao 2 – Planejamento: a professora
mundo, mas também com suas
uso e ao descarte indiscriminado de planejou ensinar conceitos químicos
mudanças (Carr e Kemmis,
materiais contendo chumbo. A escolha tendo como organizador o tema “utili-
1988; tradução nossa).
do chumbo como deflagrador do pro- zação do chumbo pelo homem e suas
Nessa perspectiva, a investigação- cesso ocorreu a partir do ponto de vista implicações ambientais”.
ação é, por natureza, participativa, co- da professora, que julgou ser relevante 3 – Ação: o processo de ensino foi
laborativa, na medida em que os parti- o estudo desse metal. encaminhado com alunos do 1º ano
cipantes trabalham coletivamente na Sabemos que o chumbo não é um do ensino médio. A professora expôs
análise da práxis individual. Tal proces- metal abundante na crosta terrestre – o tema, procurando valorizá-lo ao le-
so pode ser compreendido por intermé- apenas 15 ppm. Porém, é bastante co- vantar os problemas toxicológicos e
dio da superação das etapas de pla- nhecido desde a An- ambientais acarreta-
nejamento: ação, observação, reflexão tiguidade, pela sua Questão de investigação dos pela absorção de
e replanejamento, sucessivamente. obtenção relativa- delimitada: qual é o chumbo. A partir dessa
mente simples. O significado do problematização, pro-
A professora, seus alunos e um tema: 37
chumbo é encontra- planejamento, quando se curou tornar clara a
entrelaçamentos na interação do na natureza prin- trabalha com um projeto importância de se estu-
pedagógica cipalmente na forma de ensino temático dar a constituição dos
Durante os encontros, uma das pro- de galena (PbS). pautado na materiais metálicos (fo-
fessoras, que aqui designaremos Usualmente, o contextualização dos calizando o caso do
como T.C., defendeu sua concepção chumbo é usado na conhecimentos? chumbo), para enten-
de ensino pautada no princípio da valo- fabricação de muni- der suas propriedades
rização das vivências dos alunos. Ao ção (existe uma expressão popular, e o conseqüente emprego pelo ho-
discutir suas preocupações em relação “levar chumbo”, que significa “ser ba- mem.
a um ensino contextualizado, T.C. leado”), de pesos para pescaria, de 4 – Observação: a partir da explici-
acabou por delimitar a seguinte ques- baterias para automóveis, de proteto- tação do tema por parte da professora,
tão de investigação: qual é o signifi- res contra raios X e radiação nuclear, os alunos ofereceram certa resistência
cado do planejamento, quando se tra- de solda eletrônica, etc. e levantaram questões inesperadas co-
balha com um projeto de ensino temá- Apesar de o chumbo na forma me- mo, por exemplo, “por que estudar os
tico pautado na contextualização dos tálica não ser tóxico, os íons Pb2+, pre- problemas advindos do emprego do
conhecimentos? sentes nesses compostos, podem chumbo?”, “por que não incluir no estu-
Para desenvolver sua investigação, atuar no organismo inibindo a produ- do o emprego de outros metais no coti-
planejou um conjunto de ações peda- ção de hemoglobina e provocando diano e sua toxicidade?”. Os alunos
gógicas junto a um grupo de alunos sintomas da contaminação, como a solicitaram à professora que organizas-
de 1º ano do ensino médio, registrando anemia com perda de apetite, dores se um estudo sobre metais relacionan-
as etapas de tal processo (planeja- nas juntas e vômitos. do-o com a classificação periódica dos
mentos, ações, reflexões, discussões O chumbo na forma iônica apre- elementos químicos, em vez de centrar
sobre as ações) em diário de campo, senta efeito cumulativo, mesmo quan- a discussão exclusivamente no caso
sua principal fonte de dados. do ingerido em pequenas doses diá- do chumbo.
T.C. levou adiante a possibilidade rias, causando envenenamento, con- 5 – Reflexão: apesar de ter alme-
de investigar tal questão, tratando de vulsões e sérios danos no cérebro e jado um processo de ensino que se
conceitos químicos relacionados às no sistema nervoso. O saturnismo distanciasse da tradicional abordagem
propriedades e à constituição dos me- (doença provocada pela toxicidade do da classificação periódica, T.C. perce-
tais. Em aulas de química, usualmente chumbo) acomete operários que beu que centrar as discussões em sala
são discutidos aspectos relacionados trabalham sem proteção em fábricas de aula no tema proposto inicialmente
ao conhecimento sobre metais, na de baterias chumbo-ácido para auto- restringiria a compreensão dos alunos,
apresentação da classificação periódi- móveis. por causa da resistência oferecida por

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eles. Era preciso valorizar as manifes- dor passivo. Se bem trabalhado tadores passivos do ensino (Brasil,
tações dos alunos, incorporando suas permite que, ao longo da trans- 1999) e passaram a contribuir com
sugestões de encaminhamento do pro- posição didática, o conteúdo do seus conhecimentos na construção de
cesso de ensino. ensino provoque aprendizagens um saber coletivo sobre materiais
6 – Replanejamento: buscou-se significativas que mobilizem o metálicos.
implementar ações pedagógicas que aluno e estabeleçam entre ele e Numa abordagem temática de ensi-
abrangessem o estudo de outros me- o objeto do conhecimento uma no, é preciso estar disponível para in-
tais e materiais, relacionando-o com a relação de reciprocidade. A con- cluir questões e discussões inespera-
organização já estabelecida na classi- textualização evoca por isso das oriundas do pensamento dos alu-
ficação periódica. áreas, âmbitos ou dimensões nos. É essa tensão entre o entendi-
7 – Ação: alunos obtiveram dados presentes na vida pessoal, so- mento retrospectivo e a ação prospec-
sobre a ocorrência, a utilização em cial e cultural, e mobiliza compe- tiva que Carr e Kemmis (1988) apontam
bens tecnológicos e a toxicidade de to- tências cognitivas já adquiridas como fundamental no movimento de-
dos os metais de transição, dos metais (Brasil, 1999, p. 91). flagrado pela investigação-ação. Do
alcalinos e alcalino-terrosos, além do nosso ponto de vista, somente a partir
alumínio, estanho, índio, gálio etc., so- Ao propor um estudo sobre a utili-
de um modelo pautado na racionali-
cializando o conhecimento produzido. zação do chumbo e seus problemas
dade prática é possível compreender
A professora pôde discutir modelos de ambientais, a professora T.C. conside-
tal tensão como aspecto fundamental
ligações inter-atômicas, relacionando- rava a possibilidade de promover
da formação docente.
os com as propriedades dos metais. aprendizagens significativas, estabele-
8 – Observação: alunos construí- cendo relações consistentes entre o A necessária superação da figura do
ram representações da classificação objeto de estudo (metais) e dimensões professor implementador e da
periódica, destacando os dados obti- presentes na vida dos alunos, no que abordagem estritamente
dos em suas investigações sobre pro- se refere à saúde pública e à preser-
contextualizada no ensino de química
priedades, ocorrência e aplicações dos vação ambiental.
Entretanto, a professora pôde cons- Acreditamos que a superação do
38 metais.
tatar que, ao incorporar as preocupa- modelo imposto pela racionalidade
9 – Reflexão: ao trabalhar com te-
ções manifestadas pelos alunos em técnica em programas de formação
mas, o professor pode levar em conta
seu planejamento, houve momentos continuada pode ser viabilizada a partir
outras questões que surgem durante
de tensão entre o planejamento inicial do desenvolvimento de processos de
o processo. Contudo, esse processo
que buscava contemplar determinados investigação-ação. Todavia, o(a) pro-
demanda atitudes profissionais diferen-
conteúdos químicos e o movimento de fessor(a) precisa assumir atitudes refle-
ciadas, que vão além da mera aplica-
contextualização deflagrado pela resis- xivas tais como abertura de espírito,
ção técnica de novas abordagens e
tência dos alunos a esse planejamento envolvimento e responsabilidade
metodologias na sala de aula. O envol-
inicial. (Dewey, 1959), para que a complexi-
vimento com um processo de ensino
T.C. teve de refazer seu planeja- dade inerente ao fazer pedagógico não
temático, que pressupõe a participa-
mento, correndo o risco de ter que abrir seja considerada algo indesejável, mas
ção efetiva dos alunos, implica em to-
mão dos conteúdos químicos previa- sim como a rica oportunidade de incor-
mada de decisões com base em refle-
mente estabelecidos. Todavia, ao refle- poração de novas questões que am-
xões na ação e sobre a ação. (Schön,
tir sobre as possibilidades de uma nova pliam a compreensão sobre o ensino
1992).
ação que fosse ao encontro dos an- de conceitos científicos nas aulas de
Conhecimentos pedagógicos seios dos alunos, redimensionou a per- química.
produzidos a partir do processo de tinência dos conteúdos e estabeleceu Além disso, acreditamos ser pre-
investigação-ação – discussão dos novas relações entre eles. ciso que os responsáveis pelas polí-
resultados Os alunos se pro- ticas oficiais rela-
puseram a investigar Numa abordagem temática cionadas ao sistema
Como já consideramos, quando de ensino, é preciso estar educacional percebam
aspectos referentes
T.C. se propôs a investigar o papel do disponível para incluir que as melhorias de
ao emprego de ou-
planejamento em um processo de ensi- questões e discussões qualidade de ensino
tros metais no
no temático, considerou que os PCN inesperadas oriundas do preconizadas pelos
ambiente físico cons-
para ensino médio colocam como um pensamento dos alunos PCN não se viabilizam
truído e, a partir disso,
dos eixos de sustentação da ação edu- a partir da imple-
construir represen-
cativa o conceito de contextualização, mentação acrítica das teorias implícitas
tações da classificação periódica,
entendido como:
compilando os dados recolhidos sobre à nova proposta.
o tratamento contextualizado os metais investigados. O trabalho docente se constrói na
do conhecimento é o recurso Essas iniciativas movimentaram complexidade das intervenções peda-
que a escola tem para retirar o bastante os alunos, que, sem dúvida, gógicas. Por isso, nos parece claro que
aluno da condição de especta- foram tirados da condição de espec- a concepção de professor como um

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mero implementador de teorias conce- necessária postura flexível do profes- sintam desmobilizados diante das
bidas pelos especialistas em educação sor. Ao replanejar um processo de ensi- orientações da recente proposta cur-
dificulta o processo de melhoria na no, a partir da reflexão deflagrada pelas ricular, que traz como um dos seus
qualidade de ensino, assim como o manifestações dos alunos, é importan- eixos norteadores a contextualização
desenvolvimento de um profissional te não perder de vista a abordagem de dos conhecimentos. Contextualizar o
autônomo, consciente e crítico. saberes científicos que expliquem o ensino de conceitos químicos não
No contexto do programa de forma- problema levantado. Caso contrário, o significa negá-los ou omiti-los no pro-
ção continuada, a professora T.C. pôde professor arrisca-se a manter seu ensi- cesso pedagógico, mas sim mediar
estabelecer uma parceria com forma- no preso ao senso comum e ao cotidia- seus significados a partir das questões
dores da universidade e se envolver no. Em outras palavras: corre o risco que emergem da vivência dos alunos.
num processo reflexivo constituído de transformar suas aulas em aulas de
diante da complexidade das questões “curiosidades”. Nota
que emergiram no planejamento e nas Acreditamos que, numa perspec- 1. Estamos aqui nos referindo a um
ações do seu projeto de ensino temá- tiva de contextualização, o conheci- programa de 120 horas desenvolvido
tico. T.C. tomou como objeto de investi- mento escolar relativo à ciência quími-
junto a um grupo de 29 professores de
gação a sua própria prática pedagó- ca não pode desconsiderar seu papel
química da região de Piracicaba, com
gica, problematizando-a à luz dos de “dizer o indizível”, ou seja: abordar
encontros quinzenais entre os partici-
referenciais explícitos nos PCN. aspectos específicos do pensamento
pantes e os formadores da Univer-
Pudemos constatar que as atitudes e da linguagem química, nas media-
sidade.
reflexivas da professora e seu trânsito ções pedagógicas que ocorrem na es-
no campo do conhecimento científico cola. Isso significa romper com o coti- Agradecimentos
contribuíram significativamente para diano e penetrar no nível teórico-con-
que ela enfrentasse esse desafio. ceitual do conhecimento químico. Aqui Os autores agradecem à Fapesp
Pudemos também concluir que o nos reportamos às palavras de Pierre pelo financiamento do projeto (proces-
ensino temático implica um constante Lazlo: so nº 99/10714-1).
redimensionamento do planejamento, 39
As transformações da química Maria Inês de Freitas Petrucci Santos Rosa (inesrosa@
pois a contextualização pressupõe a unicamp.br), bacharel, licenciada em química e
são determinadas por motores
incorporação das concepções e das doutora em educação pela Unicamp, é docente no
ocultos. Da mesma maneira que
expectativas dos alunos no encami- Departamento de Metodologia de Ensino da Faculda-
a linguagem é movida pela de de Educação da Unicamp e na Faculdade de Ciên-
nhamento das ações pedagógicas.
necessidade de dizer o indizível, cias Matemáticas e da Natureza da Universidade Me-
Encaminhar tais ações nessa perspec-
a química constituiu-se para todista de Piracicaba. Tânia Cristina de Assis Quintino
tiva, sem perder de vista a abordagem (taniaquintino@aol.com), bacharel e licenciada em
dizer aquilo que, nas metamor-
dos conceitos científicos, acaba se química pela Unicamp, é docente na Escola Estadual
foses das substâncias, escapa
configurando como um dilema impor- Dom João Nery, em Campinas - SP. Derval dos Santos
à descrição fenomenológica Rosa (derval@saofrancisco.edu.br), bacharel em quí-
tante para a ação docente.
(Lazlo,1995). mica e doutor em engenharia química pela Unicamp,
Em outras palavras, a contextua-
é docente na Universidade São Francisco, em Itatiba
lização do ensino de conceitos quími- Reiteramos a importância de pro- - SP, onde exerce a função de coordenador do Progra-
cos passa pela constante revisão na fessores de química levarem em conta ma de Estudos Pós-Graduados em Engenharia e
seleção de conteúdos relevantes e pela essas considerações, para que não se Ciências dos Materiais.

Referências bibliográficas DEWEY, J. Como pensamos – como se n. 68, p. 278-298, 1999.


relaciona o pensamento reflexivo com o pro- SCHÖN, D. La formación de profesio-
BRASIL, Ministério da Educação, Secre- cesso educativo: uma re-exposição. Trad. nales reflexivos - hacia un nuevo diseño
taria de Educação Média e Tecnológica. G. Rangel. São Paulo: Companhia Editora de la enseñanza y el aprendizage en las
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Nacional. 1959. profesiones. Trad. L. Montero e J.M.V.
Ensino Médio. Ciências Matemáticas e da LAZLO, P. A palavra das coisas ou a Jeremias. Barcelona: Ediciones Paidós,
Natureza e suas Tecnologias. Brasília: linguagem da química. Trad. R. Gonçalvez 1992.
MEC/SEMTEC, 1999. v. 3. e A. Simões. Lisboa: Gradiva, 1995. p. 31.
CARR, W. e KEMMIS, S. Teoria crítica de LÜDKE, M.; MOREIRA, A.F.B. e CUNHA, Para saber mais
la enseñanza – la investigación-acción en la M.I. Repercussões de tendências interna- CANTO, E.L. Minerais, minérios e metais
formación del profesorado. Trad. J.A. Bra- cionais sobre a formação de nossos pro- – de onde vêm? Para onde vão? São
vo. Barcelona: Martinez Rocca. 1988. p. 197. fessores. Educação e Sociedade, ano XX, Paulo: Editora Moderna, 1996.

Abstract: Action Research Possibilities in a Continuing Education Program for Chemistry Teachers – The research carried out by a chemistry teacher, aiming at investigating aspects related to teaching
planning conceived in accordance with the orientations explicited in the National Curricular Parameters for High School, is reported in this paper. Such process was born from a partnership established
within a program of continuing education and was analysed according to the postulates of action research.

Keywords: continuing education, action research, metals teaching

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