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Apresentação

HORTALIÇA: CENOURA
Agricultura Familiar
Cultive Renda e Sustentabilidade

A produção de hortaliças é a atividade que mais se identifica como opção de agronegócio


para os produtores rurais familiares. As informações aqui contidas destinam-se a profissionais
do ramo e agricultores que cultivam cenoura ou pretendem investir nessa cultura para obter
renda de forma lucrativa e sustentável.

Nesta publicação, o Sebrae busca oferecer material que possibilite aumento da


competitividade dos produtos semeados na pequena propriedade rural. Traz orientações
tecnológicas e de mercado baseadas nos princípios das Boas Práticas Agrícolas, ou seja,
tornar a agricultura menos dependente de produtos químicos, com menor impacto ao meio
ambiente, socialmente correta, tecnicamente adequada e, por conseguinte, mais eficaz.

A principal finalidade da Coleção Passo a Passo, da série Agricultura Familiar, é esclarecer


sobre o que, quando, quanto e como produzir e comercializar hortaliças. Isso com ações que
gerem resultados sem comprometer o aproveitamento da natureza pelas futuras gerações.

Boa Leitura. Bom plantio. Bons lucros.


1º PASSO

O agricultor precisa definir a modalidade de cultivo para obter ganhos de produtividade e


produtos mais competitivos no mercado

MODALIDADE DE CULTIVO
Coleção Passo a Passo – Cenoura

A cenoura é cultivada em todo território nacional. Por ano, ocupa área equivalente a 30
mil hectares, com a produção de 900 mil toneladas de raízes. Está entre as 10 hortaliças mais
plantadas no País. É conhecida cientificamente como Daucus carota L.
Há diferentes sistemas de produção de cenoura utilizados no Brasil. O mais apropriado para
agricultura familiar é o de Plantio a campo aberto em canteiro com o uso de sistema de
irrigação por aspersão convencional.
Essa modalidade de cultivo é realizada em canteiros cujas dimensões variam de 0,80 a
1 m de largura e de 15 a 20 cm de altura. Os canteiros devem estar distanciados uns dos outros
em cerca de 30 cm. Em solos argilosos, no período das chuvas, a altura dos canteiros deve ser
6 maior para facilitar a drenagem.
A produtividade da cultura varia de acordo com o clima, ou seja, no inverno fica entre 30 e
Série Agricultura Familiar

40 toneladas por hectare e no verão oscila entre 20 e 30 toneladas por hectare.

Lavoura de cenoura com o sistema de irrigação por aspersão convencional


foto cedidA – HENNIPMAN

2º PASSO

Levantamento de canteiros com o uso do encanteirador acoplado ao trator

ANÁLISE, PREPARO, CORREÇÃO E

Coleção Passo a Passo – Cenoura


ADUBAÇÃO DO SOLO
Após a escolha da modalidade de cultivo, devem-se adotar as seguintes operações para o
bom uso da terra:

Análise do solo
A análise do solo é o método usado para avaliar as propriedades químicas e físicas da área
que será cultivada. Com base nos seus resultados, é possível conhecer a quantidade de nu-
trientes, de matéria orgânica e o nível de acidez do solo, bem como sua textura. Isso possibili- 7
ta determinar as limitações, necessidades de corretivos e fertilizantes orgânicos e minerais do
Série Agricultura Familiar

solo, a fim de proceder corretamente a calagem e a adubação organomineral de plantio.


É importante considerar ainda outros parâmetros da análise do solo, como as informações
de equilíbrio de bases da capacidade de trocas catiônicas (CTC), relação entre cálcio/magné-
sio, cálcio/potássio e magnésio/potássio e condutividade elétrica do solo, que são componen-
tes essenciais para o equilíbrio solo/planta.

Para recomendação sobre análise do solo, procurar o serviço de extensão rural ou


um profissional especializado.
Preparo e correção do solo
O preparo e a correção do solo envolvem a operação de limpeza da área, a aração, a gra-
dagem e o levantamento dos canteiros. Na operação do encanteiramento, deve-se evitar o
uso excessivo do rotoencateirador por causar a destruição da estrutura do solo e propiciar
a compactação do subsolo, que deformam e prejudicam o desenvolvimento e crescimento
das raízes. Caso seja necessário, realizar a descompactação do solo com equipamento escari-
ficador ou subsolador. É importante também que todas as operações no solo sejam feitas no
sentido do nível do terreno para diminuir erosões, conservando o solo e a água.
A calagem consiste na aplicação de corretivo agrícola, preferencialmente o calcário, com
a finalidade de corrigir a acidez do solo e fornecer cálcio e magnésio às plantas. Com base na
análise do solo, recomenda-se a quantidade de calcário que deve ser aplicada, uma vez que o
excesso desse minério pode elevar inadequadamente o pH, o cálcio e o magnésio e causar de-
sordens nutricionais (diminuir
a disponibilidade de micronu-
trientes do solo para a planta),
reduzindo a produtividade da
cenoura.
No mínimo, a calagem
deve ser feita três meses an-
tes do plantio, preferencial-
mente com o calcário dolo-
Coleção Passo a Passo – Cenoura

mítico. Metade da dosagem


deve ser aplicada por ocasião
da aração e a outra metade
na gradagem. Recomenda-se
que seja feito a subsolagem,
visando à descompactação e Adubação orgânica disponibiliza nutriente e água do solo para as plantas
à análise do solo a cada dois
anos.

Adubação organomineral de plantio


Consiste na aplicação de adubos orgânicos e minerais no solo, antes da semeadura. Deve
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ser baseada na análise de fertilidade do solo e em decorrência da exigência da cultura.
Série Agricultura Familiar

Adubação orgânica
A cenoura responde à adubação orgânica, especialmente em solos de baixa fertilidade e/
ou compactados. É fundamental que o adubo esteja bem curtido. Recomenda-se, em geral, o
esterco de galinha na dosagem de 10 toneladas por hectare. Além de ser mais rico em nutrien-
tes, principalmente cálcio, não contamina o solo com sementes de plantas invasoras. Caso
utilize esterco de gado, recomendam-se 30 toneladas por hectare.
Casotenhacondiçõesdetempo,outraopçãodeadubaçãocommaterialorgânico/vegetaléoplantio
deplantasdenominadasadubosverdesqueproporcionammuitosbenefíciosaosistemasolo.Oprincipal
benefício é o condicionamento do solo gerando economia quando as plantas leguminosas são utiliza-
das, pois fornecem nutrientes, especialmente o nitrogênio. Alguns exemplos de plantas que são adubos
verdes: crotalarias, mucunas,
feijão de porco, feijão-quan-
du e nabo-forrageiro.

Adubação mineral
A adubação mineral
para fósforo e potássio de-
penderá do nível de fer-
tilidade do solo: o fósforo
pode variar de 100 até 600
kg/ha; o potássio de 50 até
300 kg/ha. Com relação ao
nitrogênio, de modo geral,
recomendam-se no plantio Adubação mineral disponibiliza nutrientes essenciais para a formação e o
40 kg/ha. Os micronutrien- desenvolvimentos das plantas
tes, principalmente o boro e o zinco, ficam na dependência do histórico da área e da exigência
da planta.

Para interpretação da análise do solo e recomendação da adubação mineral, procurar


o serviço de extensão rural ou um profissional especializado.

Coleção Passo a Passo – Cenoura


Tabela 1. Recomendação de adubação mineral da cultura para produção de
cenoura em latossolos da região Centro-Oeste – quilo por hectare (kg/ha)
Fósforo Potássio
P (ppm)* P2O5 (kg/ha) K (ppm) K2O (kg/ha)
menos de 10 400 – 600 menos de 10 200 – 300
de 10 a 60 200 – 400 de 60 a 120 100 – 200
de 30 a 30 100 – 200 de 120 a 240 50 – 100
Mais de 60 50 Mais de 240 0
Fonte: EMATER-DF/EMBRAPA/CNPH /( *) ppm (partes por milhão) 9
Série Agricultura Familiar

Para solos de baixa fertilidade, em geral, recomendam-se, como adubação de plantio, 3


toneladas/ha do fertilizante mineral 4-14-8 e 20 kg/ha de bórax e 20 kg/ha de sulfato de zinco.

Distribuição da adubação organomineral


O sistema mais utilizado consiste em fazer a distribuição do adubo orgânico e posterior-
mente dos fertilizantes minerais, seguido da incorporação desses, com a utilização de enxadão
ou enxada rotativa do microtrator. O levantamento dos canteiros pode ser realizado manual-
mente ou com o uso do sulcador acoplado ao microtrator ou ao trator. Usando a encantei-
radeira acoplada a tratores, os processos de incorporação dos adubos e levantamento dos
canteiros são realizados simultaneamente, possibilitando uma grande redução nos custos.
3º PASSO

Cultivar Brasília, a 1ª desenvolvida pela Embrapa/Hortaliças para plantio de verão no Brasil

ESCOLHA DA CULTIVAR
Coleção Passo a Passo – Cenoura

O mercado consumidor brasileiro tem preferência por raízes de cenoura bem desenvol-
vidas, com coloração alaranjada intensa, lisas, uniformes, comprimento e diâmetro variando,
respectivamente, de 15 a 20 cm e de 3 a 4 cm, e sem defeitos.

Características determinantes para escolha da cultivar


Cada cultivar tem características próprias quanto ao formato das raízes, resistência às doen-
ças e, principalmente, quanto à época de plantio. Essa
última característica permite produzir cenoura durante
10 o ano todo na mesma região, desde que se plante a cul-
tivar apropriada às condições de clima predominante
em cada época.
Série Agricultura Familiar

No cenário atual, o uso de cultivares híbridas, pela


exigência de tecnologias de altos custos, somente é
recomendado para grandes áreas, tendo em vista que
esse sistema de plantio, preferencialmente utiliza se-
mentes peletizadas e semeadeira de alta precisão, em
virtude de gastar menos sementes por área, diminuin-
do o alto custo desse insumo agrícola.
A vantagem competitiva das sementes híbridas é a
Cultivar Planalto desenvolvido pela Embrapa/Hortaliças, padronização das raízes aliada a ganhos de produtivida-
além de alta produtividade, detém ótimas características
comerciais e competitivas para o mercado diferenciado des na cultura da cenoura.
Tabela 2. Principais cultivares de cenoura no mercado e suas características

Comprimento Resistência (R) ou Clima mais


Formato das Ciclo
Cultivar das raízes Tolerância (T) a favorável para
raízes (dias)
(cm) doenças cultivo
R – queima das
ameno para
Brasília cilíndrica 90 –100 15 – 22 folhas
quente
T – nematóides
R – queima das
ameno para
Alvorada cilíndrica 100 –105 15 – 20 folhas
quente
R – nematóides
R – queima das
ameno para
Planalto cilíndrica 100 –105 15 – 20 folhas
quente
R – nematóides
R – queima das
ameno para
Esplanada cilíndrica 100 – 05 20 folhas
quente
R – nematóides

ligeiramente R – queima das ameno para


Kuronan 100 –120 15 – 25
cônica folhas quente

ligeiramente ameno para


Nova Kuroda 100 15 –18 R – alternária

Coleção Passo a Passo – Cenoura


cônica quente

R – queima das ameno para


Prima cilíndrica 90 – 100 16 –18
folhas quente

ameno para
Nova Carandaí cilíndrica 80 – 90 18 – 20 R – alternária
quente

Nantes cilíndrica 90 – 110 13 –15 – frio

Harumaki Kinko ligeiramente


85 –110 16 – 18
T – queima das
ameno
11
Gossum cônica folhas
Série Agricultura Familiar

ligeiramente R – queima das ameno para


Tropical 80 – 90 20 – 25
cônica folhas quente

excelente compor-
primavera –
Juliana cilíndrica 90 – 110 18 – 22 tamento à queima
verão
das folhas
boa performance
outono –
Invicto cilíndrica 115 – 30 18 – 20 em relação à quei-
inverno
ma das folhas

Fonte: Embrapa Hortaliças e sites/catálogos de companhias produtoras de sementes


4º PASSO

Semeadeira de cenoura propicia, além de economia de sementes e mão de obra,


a melhoria da uniformidade do estande de plântulas da cultura

SEMEADURA
Coleção Passo a Passo – Cenoura

O cultivo da cenoura dispensa a produção de mudas. A semeadura é realizada por sementes


distribuídas diretamente nos canteiros, em linha contínua, nos sulcos de 1 a 2 cm de profundidade
e distanciados 20 cm, uns dos outros. A distribuição das sementes pode ser feita manualmente ou
com o emprego de semeadeira manual ou mecânica. Qualquer que seja o método, atenção espe-
cial deve ser dada à profundidade do semeio, pois, se o semeio for muito profundo (maior que 2
cm), as plântulas podem não emergir. Por outro lado, se o semeio for muito superficial (menor que
1 cm), há o risco de ocorrer falhas na germinação, devido ao secamento da camada superficial do
solo ou por ocasião de chuvas pesadas ou irrigação em excesso.

Semeadura manual
A semeadura manual é mais trabalhosa, menos eficiente e im-
12 plica maior gasto de sementes, ou seja, em torno de 6 kg/ha. Ela
pode ser feita com o auxílio de uma pequena lata com um furo de
Série Agricultura Familiar

4 a 5 mm de diâmetro no fundo ou com um vidro de boca larga


e com a tampa igualmente furada. Sacudindo-se a lata ou o vidro
cheio de sementes e com furo na linha do sulco, as sementes cairão no sulco de semeadura. Para se-
mear mais de um sulco por vez, pode-se acoplar três a quatro latas, uma ao lado da outra, de modo
que as linhas de furos fiquem distanciadas entre si 20 cm. As latas podem ser substituídas por um
cilindro feito com folha de flandres ou um tubo de PVC, colocando-se as linhas de furos distanciadas
de acordo com o espaçamento que será usado no campo.

Semeadura mecânica
As semeadeiras mecânicas apresentam a vantagem de, simultaneamente, abrir os sulcos, distri-
buir as sementes e cobrir os sulcos com grande eficiência, propiciando um menor gasto de semen-
tes, ou seja, de 2 a 3 kg/ha.
foto cedida – HENNIPMAN

5º PASSO

Trato cultural desbaste propicia o espaçamento correto entre plantas, assegurando a produção de
raízes sem defeitos e ganhos na produtividade

TRATOS CULTURAIS

Coleção Passo a Passo – Cenoura


Os tratos culturais são o conjunto de operações realizadas após a semeadura, visando à
formação e ao desenvolvimento das plantas.

Irrigação
A cultura da cenoura é extremamente exigente em água, em todo seu ciclo produtivo, já
que a qualidade e a produtividade das raízes são influenciadas pelas condições de umidade
do solo. Após o levantamento dos canteiros, deve ser instalado o sistema de irrigação. O mais
utilizado é o de aspersão convencional. Geralmente é montado com espaçamento 12x12 m
entre aspersores.
Fazer vistorias frequentes elimina os vazamentos nas conexões. Com isso, são melhoradas
a eficiência e a uniformidade da irrigação e reduz-se o consumo de água e energia elétrica. 13
Série Agricultura Familiar

Teste de uniformidade e eficiência, aliado ao manejo da irrigação por meio do Irrigás (à direita), reduz o gasto de água e energia elétrica
Deve-se fazer monitoramento da umidade do solo com o objetivo de determinar quando
e quanto irrigar. Recomenda-se a utilização do Irrigás, desenvolvido pela Embrapa Hortaliças,
por ser um equipamento de baixo custo e de fácil instalação e utilização.
É aconselhado o serviço da extensão rural oficial ou um profissional habilitado para elabo-
ração do projeto do sistema de irrigação. Um projeto bem elaborado permitirá a redução de
custos de implantação e manutenção durante toda a vida útil do sistema.
Coleção Passo a Passo – Cenoura

Lavoura de cenoura após o desbaste

O desbaste propicia mais espaço, água, luz e nutrientes por planta

Desbaste
O desbaste tem a finalidade de reduzir a densidade de população de plantas. O objetivo
é diminuir a concorrência por água, luz e nutrientes. Deve ser feito de uma só vez, aos 25 ou
30 dias após a semeadura, deixando espaço de 5 a 10 cm entre as plantas. Essa variação de
espaçamento deve levar em consideração a cultivar, a época de plantio e o clima.
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Controle de plantas invasoras
Série Agricultura Familiar

Em geral, as plantas invasoras adaptam-se melhor ao meio ambiente do que as plantas de


cenoura, crescendo mais vigorosas, principalmente nos primeiros estágios de crescimento.
Assim, é necessário manter as áreas de cultivo livres da interferência de plantas invasoras, pelo
menos durante o período crítico, ou seja, até que a cultura se desenvolva, cubra suficiente-
mente a superfície do solo e não sofra mais a interferência negativa delas. O período crítico de
interferência das plantas invasoras na cultura ocorre, em geral, da terceira até a sexta semana
após a emergência, variando basicamente de acordo com o banco de sementes no solo, con-
dições edafoclimáticas e o sistema de cultivo.
O controle das plantas invasoras pode ser feito por métodos culturais, manuais ou mecâni-
cos, ou químico com o uso de herbicidas. A escolha e a eficiência do uso de cada um desses
métodos dependem da natureza e interação das plantas invasoras, da época de execução
Planta invasora Folha Estreita – Brachiaria decumben Planta invasora Folha Larga – Bidens pilosa L.
(conhecida com Brachiaria) (conhecida como Picão Preto)

A cultura da cenoura tem de ficar livre, da 3ª a 6ª semana, da concorrência das plantas invasoras.
Esse período é conhecido como ponto crítico de interferência

Na aplicação de herbicidas, procurar orientações no serviço de extensão rural ou um


profissional especializado.

do controle, das condições climáticas, do tipo de solo, dos tratos culturais, do programa de
rotação de culturas, da disponibilidade de herbicidas e da disponibilidade de mão de obra e
equipamentos.
Os métodos culturais consistem na aração e gradagem da área com antecedência em rela-
ção ao plantio, de modo a favorecer a emergência das plantas invasoras e assim facilitar a sua

Coleção Passo a Passo – Cenoura


eliminação pela capina ou incorporação por ocasião do levantamento dos canteiros.
O método manual ou mecanizado consiste em eliminar as plantas invasoras, por ocasião
do desbaste, com o emprego de sacho ou enxada estreita entre as linhas de plantas. Entretan-
to, o cultivo mecânico apresenta o inconveniente de não eliminar as plantas invasoras entre
plantas nas fileiras e, muitas vezes, danificar as raízes da cenoura.
O controle químico das plantas invasoras destaca-se como um dos métodos mais eficien-
tes, possibilitando cultivar áreas relativamente maiores com gasto reduzido de mão de obra.
Quanto ao emprego de herbicidas, vários produtos podem ser utilizados. A escolha deve ser
feita de acordo com as espécies de plantas daninhas presentes e as características do produto
(princípio ativo, seletividade, época de aplicação e efeito residual). 15
Série Agricultura Familiar

Adubação complementar
A adubação complementar de cenoura, comumente denominada de adubação de cober-
tura, objetiva fornecer nutrientes principalmente à base de nitrogênio e potássio nos estágios
em que a planta mais necessita, uma vez que esses nutrientes facilmente saem do alcance das
raízes. Recomendam-se aplicar 40 kg/ha de nitrogênio, aos 30 e 60 dias após a emergência da
cultura. Nos plantios em épocas chuvosas, devem-se aplicar 60 kg/ha de nitrogênio e 60 kg/
ha de potássio , aos 30 e 60 dias após a emergência da cultura. Quando se aplica o esterco de
galinha, na dosagem recomendada na adubação de plantio, as dosagens de adubações de
cobertura poderão ser dispensadas ou reduzidas, ficando na dependência do estágio nutri-
cional das plantas.
6º PASSO

Doença Queima das Folhas

Controle integrado com o uso de sementes sadias, cultivares resistentes, rotação de cultura e outras
medidas minimizam ou até mesmo eliminam o uso de agrotóxicos no combate à queima das folhas

CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS


Coleção Passo a Passo – Cenoura

A cultura da cenoura é suscetível às doenças causadas por fungos, bactérias, vírus e nema-
tóides. No entanto, graças ao controle integrado, com medidas como resistência de plantas,
tratos culturais, formação do ambiente, químicas e outras, isso não é fator limitante para sua
produção no Brasil, embora prejudique a qualidade e a produtividade da cenoura.

Tabela. 3 – Principais doenças, agentes causais e controle integrado


Doença Agente causal Controle Integrado

Tomba- Alternaria dauci, Alternaria radicina, Sementes sadias e de boa procedência, rotação de culturas
mento de Pythium sp., Rhizoctonia solani e Xan- (por dois anos), adequada profundidade de plantio, manejo
16 plântulas thomonas compestris pv. Carotae correto da irrigação e o controle químico
Série Agricultura Familiar

Alternaria dauci, Cercospora caro-


Queima das Cultivares/híbridos resistentes ou tolerantes e o controle
tae Xanthomonas compestris pv.
folhas químico
Carotae
Evitar solos que acumulam água, período chuvoso, levantar
Podridão Sclerotium rolfsii, Sclerotiorum e mais os canteiros, manejo de irrigação adequado. Na colhei-
das raízes Erwinia carotovora ta/lavagem, as raízes deverão ficar secas antes da embala-
gem e do controle químico
Rotação de cultura é o método mais eficiente. Em áreas
Meloidogyne incógnita, Meloidogy- infectadas, recomendam-se fazer arações profundas, em
Nematóides ne javanica, Meloidogyne arenaria e dias quentes e secos, para expor larvas e adubo à insolação.
Meloidogyne hapla Após isso, a área deve ser deixada em repouso no mínimo
dois meses e, caso necessário, fazer o controle químico
As principais pragas da cultura da cenoura são as lagartas, principalmente a lagarta rosca
(Agrotis ssp.). Recomenda-se o controle cultural (incorporação dos restos culturais e elimina-
ção das plantas invasoras, especialmente gramíneas) e químico (as pulverizações devem ser
feitas preferencialmente no período da tarde e dirigidas à base das plantas porque as larvas se
escondem no solo durante o dia e saem à noite para se alimentar). Com relação aos pulgões
(Dysaphis ssp e Caariella aegopodii), o controle é o químico.

Coleção Passo a Passo – Cenoura


Lagarta Rosca (foto Eliane Dias – Embrapa)

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Série Agricultura Familiar

Para recomendação sobre controle químico, procurar o serviço de extensão rural ou


um profissional especializado.
7º PASSO

Agricultor colhe o produto entre 80 e 110 dias após a semeadura

Colheita e Pós-Colheita
Coleção Passo a Passo – Cenoura

Colheita
A colheita da cenoura inicia-se entre 80 e 110 dias após a semeadura, dependendo da cultivar/
híbrido e época de plantio. O ponto de colheita é quando ocorre o amarelecimento e secamento
das folhas mais velhas e o arqueamento para baixo das folhas mais novas.
O arrancamento das raízes da cenoura pode ser feito de modo manual ou semimecanizado,
acoplando-se uma lâmina cortante no sistema hidráulico do trator. Essa lâmina, passando por bai-
xo das raízes, afofa a terra do canteiro e desprende as plantas. Assim, após a passagem da lâmina,
as raízes podem ser facilmente recolhidas manualmente. Deve-se arrancar somente a quantidade
possível de ser preparada no mesmo dia. Após essa operação, a parte aérea da planta da cenoura
é destacada da raiz.

18 Pós-colheita
As raízes de cenoura, após a operação de colheita, passam por uma pré-seleção para a elimi-
nação das raízes com defeitos. Em seguida, são acondicionadas em caixas de madeira ou engra-
Série Agricultura Familiar

dados de plástico e transportadas para o galpão para serem lavadas, selecionadas, classificadas e
acondicionadas. Com a seleção, descartam-se as raízes com defeitos, ou seja, quebradas, rachadas,
ramificadas, com galhas, com ombros verdes ou roxos, danos mecânicos, com injúrias provocadas
por ataque de insetos ou patógenos ou outras anormalidades que prejudiquem a aparência e a
qualidade. Pequenos produtores possuem máquinas simples para lavar as raízes. Já a seleção e a
classificação são feitas manualmente. Os grandes produtores possuem máquinas que lavam, se-
cam e classificam. A seleção e o acondicionamento são feitos manualmente.
Após a lavagem, as raízes são padronizadas, classificadas em classes, conforme o comprimento,
e em categorias ou tipos, levando-se em conta a percentagem de raízes com defeitos encontra-
das na caixa, de acordo com as portarias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
– MAPA ou das legislações de cada unidade da Federação, e acondicionadas em diferentes em-
balagens. A embalagem convencional é de madeira ou de plástico, que comporta de 20 a 25 kg.
foto cedida – HENNIPMAN

8º PASSO

O agricultor terá maior margem de remuneração do seu produto quando buscar diferentes canais
de comercialização

Comercialização e

Coleção Passo a Passo – Cenoura


Agregação de Valor
A comercialização de cenoura é realizada em diferentes canais, podendo ser vendida na
porteira a intermediários, feiras livres, associações ou cooperativas de produtores, na Ceasa,
no atacado e varejo, em sacolões e supermercados. É importante alertar que o produtor
obterá maior margem de remuneração do seu produto, quando diminuir a intermediação
na sua comercialização.
A cultura da cenoura, além de apresentar significativos ganhos de produtividade, é um
produto de alto valor agregado que permite retornos econômicos pela sua segmentação de
mercado. A cenoura in natura é vendida em embalagem de isopor (bandeja) com três raízes, 19
coberta com película de plástico, cenoura minimamente processada e cenoura processada
Série Agricultura Familiar

conhecida como cenourete e catetinho, tecnologia desenvolvida pela Embrapa/Hortaliças.

Cenoura embalada em bandeja de isopor cober- Cenoura minimamente processada


Cenoura processada na forma de
ta com película de plástico cenourete, a minicenoura
9º PASSO

Estudos mostram preços altos nos meses quentes e úmidos (chuvosos) e preços baixos nos meses
secos e frios

COMPORTAMENTO DE MERCADO
Coleção Passo a Passo – Cenoura

O cenário atual exige de técnicos e produtores cada vez mais informações para a tomada de
decisão. Já não é suficiente a informação sobre como produzir. Muitas são as variáveis que devem
ser dominadas para reduzir os riscos inerentes às atividades agropecuárias. É preciso reciclar conhe-
cimentos, agregando novidades importantes e que contribuam para melhorar a rentabilidade das
atividades agrícolas.
Para auxiliar na tomada de decisão do plantio da cenoura, estudos de variação estacional, de
margem bruta e de preços, elaborados pelos serviços de pesquisa e extensão rural, nas diferentes
regiões do Brasil, têm mostrado comportamentos de preços altos, nos meses quentes e úmidos
(chuvosos), em decorrência de apresentar condições climáticas menos favoráveis à cultura, dimi-
20 nuindo a produtividade e a oferta do produto no mercado. Por outro lado, preços baixos praticados
nos meses secos e frios, em virtude das condições climáticas serem excelentes para a cultura da
cenoura, propiciam ótimas colheitas e oferta do produto no mercado.
Série Agricultura Familiar

Há também os estudos de calendários de comercialização elaborados pelas Ceasas existentes


no Brasil que têm como objetivo apontar as flutuações da oferta e dos preços ao longo do ano,
constituindo-se em um importante instrumento de orientação às decisões dos produtores rurais,
profissionais da agricultura, pesquisadores, compradores e consumidores finais.
Estudos elaborados pela EMATER-DF, de Margem Bruta – Gráfico 1 (representa rentabilidade
no negócio) e de Curva Estacional de Preços – Gráfico 2 (mostra o comportamento de preços no
período), demonstraram as mesmas tendências, ou seja, nos meses quentes e chuvosos a margem
de preços é mais lucrativa em comparação aos meses secos e frios.
Essas informações de mercado permitirão:
• Aos produtores, planejar mais eficientemente o plantio quanto ao aspecto da lucratividade;
• Aos consumidores, compor melhor as despesas com alimentação;
• Ao governo, orientar a política para o setor.

Cultura: Cenoura (1.200 cx 20 kg)

1) Unidade para comercialização: Cx 20 kg


2) Período médio para início de Colheita: 100 dias
3) Período de colheita: 30 dias

Gráfico 1- Margem Bruta Média x Época Recomendada de Plantio

Coleção Passo a Passo – Cenoura


Fonte: Dados para a elaboração da curva estacional fornecidos pela Ceasa.
Preços médios de 2002 a 2009 corrigidos.

Figura 2. Curva Estacional de Preços (R$/caixa 20 kg).


Preços Médios (R$/cx) x Condições Climáticas

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Série Agricultura Familiar

Fonte: EMATER-DF
Fonte: Dados para a elaboração da curva estacional fornecidos pela Ceasa
Preços médios de 2002 a 2009 corrigidos
10º PASSO

Para ter sucesso na atividade, o empreendedor rural precisa saber quanto vai gastar desde o
plantio à comercialização do produto final

Levantamentos de Dados para


Coleção Passo a Passo – Cenoura

orçamento
Depois de obter as informações de modalidades de cultivo e sobre o que, como, quando e
onde plantar, o produtor rural deve colocar tudo na ponta do lápis para discriminar as etapas
e a quantidade dos insumos e serviços com o objetivo de saber quanto vai gastar no hectare
de cenoura.
Cultura Cenoura no Plantio Convencional
Área (ha): 1,00
Produtividade: 24.000 kg/ha ou 1.200 cx 20 kg
22 Tabela 4.
INSUMOS
Série Agricultura Familiar

Descrição Unidade Quantidade


Adubo mineral (4-14-8) t 3,00
Adubo mineral (20-20) t 0,20
Adubo mineral (bórax) kg 20,00
Adubo mineral (sulfato de zinco) kg 20,00
Adubo orgânico (esterco de galinha) t 10,00
Agrotóxicos (herbicidas) l 3,00
Agrotóxicos (fungicidas) kg 8,00
Espalhante adesivo l 2,00