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A História da Hipnose tem seu início nos primórdios das primeiras civilizações.

Tendo como
indício, as práticas da primeira tradição do transe, o Xamanismo. Porém, seu desenvolvimento
formal se deu mais precisamente, na Europa, a partir do século 17.

O primeiro tipo de Hipnose Formal desenvolvida foi a “Hipnose Animal”, oriunda do


“Magnetismo Animal” de Mesmer. Com este tipo de hipnose, os agricultores do século 17
podiam acalmar galinhas, hipnoticamente, usando diferentes técnicas. Na França, os
agricultores aprenderam a hipnotizar galinhas para chocar ovos de outras galinhas. Em 1800,
as pessoas hipnotizavam pássaros, coelhos, rãs, cães, gatos, cavalos, entre outros animais.

O médico austríaco Franz Anton Mesmer (1734-1815) que é reconhecido como o “Pai da
Hipnose”, foi quem criou o primeiro tipo de tratamento por meio do magnetismo animal.
Mesmer acreditava que havia um quanta-magnético em todas as partículas de ar que
respiramos, e um “fluido cósmico” que é capaz de ser armazenado em objectos inanimados,
tais como ímãs, e transferidos para os pacientes para curar a doença.
Mesmer havia curado uma mulher, que sofria de uma doença convulsiva. Durante um dos
ataques da mulher ele aplicou três ímãs no estômago e nas pernas da paciente, enquanto ela
se concentrava nos efeitos positivos do “fluido cósmico”. Seus sintomas desapareceram
quando Mesmer aplicou este tratamento. Mesmer acreditava que o “fluido cósmico” percorria o
corpo do paciente e restaurava o fluxo de energia, recuperando a saúde por inteiro.

Mesmer obteve grande sucesso com o “Magnetismo Animal” ou “Transe Magnético”, que
também ficou conhecido como “Mesmerismo”, realizando este tipo de tratamento em milhares
de pessoas.

Em 1835, outro grupo de pesquisadores ligados à Faculdade de Medicina de Paris,


como Marquês de Puységur, Charles Deslon, Barão du Potet e Millet, retomaram o assunto
do magnetismo animal, dedicando-se ao chamado “sonambulismo”, e a outros fenômenos
provocados pela ação do agente magnético de Mesmer.
Puységur pensou que a vontade das ações do operador da pessoa – o hipnotizador, eram
fatores importantes para o sucesso ou fracasso do magnetismo, e ele acreditava que um “fluido
cósmico” não era magnético, mas sim elétrico.

Um cirurgião Inglês, John Elliotson (1791-1868) relatou em 1834, inúmeras operações


cirúrgicas indolores, utilizando o magnetismo.
Um cirurgião escocês, James Braid (1795-1860), considerado o iniciador da Hipnose
Científica, foi o primeiro a dar uma explicação científica para o “Mesmerismo”. Ele descobriu
que alguns estudos experimentais podiam fazer uma pessoa entrar em transe, simplesmente
fixando os seus olhos sobre um objeto brilhante. Ele acreditava que o Mesmerismo é um “sono
nervoso” e cunhou a palavra Hipnose, derivada da palavra grega “Hypnos”, que significa sono.
Porém, rejeitando a ideia de Mesmer que a Hipnose fosse induzida por magnetismo.
O médico e neurologista francês, Jean Martin Charcot (1825-1893), usava a Hipnose para
tratar a histeria, que era categorizada como uma atividade neurológica anormal, assim como
diversos tipos de perturbações psíquicas.
Auguste Ambroise Liébeault (1823-1904) e Hippolyte Bernheim (1837-1919), foram os
primeiros a considerar a Hipnose como um fenômeno normal.
Sigmund Freud (1856-1939), o “Pai da Psicanálise”, se interessou pela Hipnose, e chegou a
ler o livro de Bernheim sobre Hipnose, “De la Suggestion”, para encontrar uma explicação
fisiológica da sugestão, no Sistema Nervoso. Como ele observou, os pacientes entravam em
um estado hipnótico. Freud começou então a reconhecer a existência do inconsciente. No
entanto, Freud rejeitou a Hipnose como a ferramenta para desbloquear memórias reprimidas,
favorecendo suas técnicas de associação livre e interpretação dos sonhos.
Com o surgimento da Psicanálise, na primeira metade do século 20, a Hipnose caiu em
popularidade.

Mas foi apenas na década de 1930, que o estudo moderno do hipnotismo, se desenvolveu
efetivamente. Através dos estudos de Clark Leonard Hull (1884-1952), na Universidade de
Yale. Onde foram realizados estudos rigorosos com a Hipnose e a Sugestionabilidade. Por
meio de análises estatísticas e experimentais, os estudos de Hull demonstraram que a Hipnose
não possuía qualquer tipo de ligação com o sono. E ficou comprovado que toda idéia de sono
aplicada à Hipnose, obscurece o conceito, pois Hipnose não é sono, e não possui nenhuma
relação para dormir.
E foi assim, que a Hipnoterapia, ou seja, a Terapia por Hipnose, foi amplamente utilizada na
Primeira Guerra Mundial, na Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coréia. E suas técnicas
foram então fundidas com a Psiquiatria, e foi especialmente útil no tratamento do que hoje é
conhecido como Estresse Pós-Traumático.

Em 1950, a Medicina começou a usar a Hipnose como terapia.

Em 1952, na Grã-Bretanha, a Lei de Hipnotismo foi instituída para regular os espetáculos


públicos e o ofício dos hipnotizadores.

Em 1955, a Associção Médica Britânica reconheceu o uso terapêutico da Hipnose.

Em 1958, a Associação Médica Americana aprovou um relatório sobre o uso medicinal da


Hipnose. E dois anos após a aprovação, a American Psychological Association, aprovou a
Hipnose como um ramo da Psicologia.

Mas foi o psiquiatra americano Milton Erickson (1901-1980), quem desenvolveu novos
estudos, muitas pesquisas e novas técnicas de Hipnose, que eram muito diferentes do que era
comumente praticado. Seu estilo é conhecido como Hipnose Ericksoniana, que vem
influenciando fortelemente, muitas escolas modernas de Hipnose.
Dave Elman (1900-1967), foi um dos pioneiros no uso médico da Hipnose. A definição de
Hipnose por Elman, ainda é amplamente utilizada entre muitos hipnotizadores profissionais. Ele
é conhecido por ter treinado a maioria dos médicos e psicoterapeutas nos Estados Unidos, no
uso da Hipnose. Elman também ficou muito conhecido por apresentar induções rápidas para o
campo do hipnotismo.
John Cerbone ficou mais conhecido por seu trabalho na área de induções instantâneas
(indução speedtrance). O seu trabalho baseia-se em seis métodos de indução de transe (tédio,
confusão, perda de equilíbrio, a fixação dos olhos, desorientação, choque e sobrecarga), em
uma única técnica, que produz indução instantânea de 3 a 7 segundos. Richard Nongard tem
sido um colaborador no desenvolvimento destes métodos com Cerbone.
Atualmente, a Hipnose é uma ferramenta médica altamente eficaz e popular. É amplamente
utilizada para o controle de hábitos e comportamentos – como parar de fumar, controle de
peso, e muitos outros problemas de saúde.

Embora, muitos hipnotizadores ainda utilizem a Hipnose em seus próprios negócios, no palco e
na rua, ou apenas para diversão, para hipnotizar seus amigos, colegas, e outras pessoas, a
aplicabilidade mais favorável da Hipnose, é sem dúvida, para o desenvolvimento e o
fortalecimento de uma comunicação mais eficiente e excelente, e que seja capaz de
estabelecer entre os seres humanos, uma verdadeira conexão de alma.