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Projeto de Processos II- Profª Taisa S.

de Lira 2019/1

1.4 Análise Econômica de Projetos

1.4.1 Valor temporal da moeda

Como caracterizar o valor da moeda no tempo? A forma mais simples é usar uma taxa de juro, de tal
modo que o efeito do tempo seja proporcional ao montante de dinheiro envolvido. Como a moeda
possui um valor que depende do tempo, o dinheiro no futuro possui menor valor, devido à inflação.
Para um investimento ser compensador, a entrada líquida no futuro necessita ser maior que o gasto
ou dispêndio original.
Como a moeda possui valor diferente no tempo, iremos expressar valores para diferentes investimen-
tos no mesmo período de tempo, para o propósito de comparação. Caso contrário, não poderíamos
comparar qual investimento seria melhor, se o tempo não fosse o mesmo. Em geral, comparam-se
investimentos numa base de tempo anual, e, por isso, chama-se valor anualizado. Também é usual
representar todos os investimentos no tempo corrente, ou seja, quando o investimento é ao longo de
certo tempo, maior que a base de tempo, corrige-se o valor para o presente, tendo então o que é
conhecido como sendo valor presente. Este procedimento está ilustrado na Figura 3.2, cujo valor
presente é dado por:

C1 C2 C3 C4
P= + + +
(1+i) (1+i) (1+i) (1+i)
2 3 4

que é o somatório de cada parcela Cn corrigida para o presente, neste caso n = 4.

Figura 1: Equalização dos períodos de tempo para um investimento.

1.4.2 Medidas quantitativas de rentabilidade e lucratividade

Quando se deseja investir um montante de capital, há inúmeras possibilidades: investimento no mer-


cado financeiro, construção de uma unidade industrial, expansão de uma unidade existente, etc. Co-
mo decidir qual investimento será o melhor? Assim sendo:

• Necessitamos de um método sistemático para comparar custos e entradas em tempos dife-


rentes;
• Necessitamos comparar a rentabilidade do projeto com um padrão ou desempenho aceitável
mínimo;
• Várias medidas são utilizadas: algumas são úteis e usadas comumente; algumas não são re-
comendadas, mas são usadas.

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Valor Presente Líquido – NPV

O NPV considera explicitamente um valor específico de moeda. É definido como sendo o valor pre-
sente de todos os fluxos de caixa, sendo que para N períodos componentes na vida do projeto, com
fluxo de caixa em cada período dado por C, o NPV é calculado como sendo:

N N

 Cn (1+i ) = C (1+i)-n
n
NPV = n
n=1 n=1

Exemplo 1: Considerando os dados de fluxo de caixa a seguir, calcule o NPV deste projeto a um juro
de 15% a.a. Analise o resultado.

Período Fluxo de caixa ($)


0 -91.093,00
1 20.000,00
2 40.000,00
3 40.000,00
4 40.000,00
5 30.000,00

Taxa de Fluxo de Caixa Descontado ou Retorno – DCFRR

O DCFRR também é chamado de Fluxo de Caixa Descontado (DCF) ou Taxa Interna de Retorno
(IRR) e é definido como a taxa de juro que resulta em um NPV igual a zero (NPV = 0):

N
NPV = C
n=1
n (1+i)-n =0

Quanto maior a Taxa de Retorno, melhor será o investimento, pois isto significa que o investimento se
pagará mais rapidamente. O mesmo é válido quando se compara a Taxa de Retorno com as taxas
pagas pelo mercado financeiro. Isto porque um investimento só é compensador se este prover uma
Taxa de Retorno maior que a taxa de juros oferecida pelo mercado financeiro.

Observação: Comparação de projetos com tempo de vida diferente - alternativas possíveis:

• Coloque a vida útil de ambos os projetos na mesma base de tempo (mínimo múltiplo comum)
e calcule o NPV;
• Converta todas as receitas e custos para uma base anualizada.

Exemplo 2: Considere dois investimentos, ambos com 5 anos de vida útil.

A B
Capital, fixo + trabalho 3x106 3x105
Receita 1x106 2x105

a) Analise qual melhor investimento considerando taxas de juro de 10% e 20%. Analise o resul-
tado.
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b) Calcule as taxas de retorno dos dois projetos. Analise o resultado.

Anuidades

São pagamentos iguais durante certo tempo, a juro composto, em intervalos de tempo iguais. Sendo
R ≡ pagamentos uniformes pagos regularmente:

S = R (1+i) +R (1+i) +R (1+i) +…+R (1+i) +R


n-1 n-2 n-3

a primeira parcela da expressão é o 1° pagamento, no fim do período, que rende (n-1) períodos; a
última parcela da expressão corresponde ao último pagamento, e, portanto, não rende juros. Multipli-
cando a expressão anterior por (i+1), obtemos:

S (1+i) =R (1+i) +R (1+i) +…+R (1+i) +R (1+i)


n n-1 2

Subtraindo uma expressão da outra, obtemos:

 (1+i )n - 1
S  i = R (1+i) - R ou S = R  
n
 i 
 

Sendo S o valor no futuro dos pagamentos iguais capitalizados ao longo do tempo (também represen-
tado como F):
F = S = P (1+ i)
n

As duas expressões anteriores permitem eliminar a variável S, por substituição, obtendo assim uma
expressão que relaciona o valor presente (calculado na estimativa de custos) com as parcelas iguais
R, pagas regularmente quando se faz um investimento:

 (1+i )n -1
R  = P (1+i )n
 i 
 
 i (1+i )n   (1+i )n -1
R = P  ou P = R  
 (1+i )n -1  i (1+i )n 
   

Sendo P o valor presente de uma anuidade, que é a quantidade de dinheiro no tempo presente que
se investido a uma taxa de juro composto renderá a quantidade da anuidade em um tempo futuro.

Exemplo 3: Duas alternativas de bombas: A (aço-carbono) e B (alumínio) estão sendo consideradas.


As duas possuem custo instalado, manutenção, valor de venda como sucata e tempo de vida útil
diferentes. Deseja-se selecionar uma das bombas com base no valor presente quando a taxa de juro
efetiva é de 10%.

A B
Custo instalado $ 18.000,00 $ 25.000,00
Manutenção anual $ 4.000,00 $ 3.000,00

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Valor de venda $ 500,00 $ 1.500,00


Vida útil 2 anos 3 anos

1.4.3 Comparação Sistemática de Alternativas

Há uma maneira sistemática de fazer escolhas entre várias alternativas?

Algumas considerações nos métodos quantitativos de comparação:

• Todos os (projetos) candidatos necessitam satisfazer necessidades mínimas, tais como: se-
gurança, qualidade, etc;
• Todos os custos e benefícios podem ser quantificados em $;
• No início, assume-se que não existem incertezas;

Única alternativa é: não faça nada

Comparando uma alternativa com não faça nada significa que em uma grande companhia
pode-se investir o dinheiro no mercado financeiro com um retorno igual a MARR (Market Return Ra-
te); sempre tem-se a alternativa de deixar o dinheiro aplicado em um investimento financeiro a um
certo juro. Este rendimento define o valor mínimo ou inferior do MARR. Caso a taxa de retorno do
investimento for inferior àquela paga pelo mercado financeiro, opta-se por investir neste, apesar de
em certos casos ter-se maior vulnerabilidade.

Alternativas independentes

Deve-se comparar cada uma das alternativas com MARR; o investimento será aceito se:

NPV > 0 a i=MARR


DCFRR > MARR

Desde que são independentes, admite-se que existe capital suficiente para todas as alternativas acei-
táveis.

Alternativas mutuamente exclusivas

Os possíveis procedimentos de seleção são:

• Investimento com maior DCFRR > MARR;


• Investimento com maior NPV > 0;

Observação: Se não houver NPV positivo, rejeitar todas as alternativas, a não ser que seja solicitado
a aceitar a menor perda, por questões de negócios inevitáveis.

CUIDADO! A medida que se aumenta o valor investido, aumenta-se também o lucro líquido. Entre-
tanto, para um investimento na fabricação de um produto, é comum ocorrer a saturação do mercado.
Isto significa que aumentando o valor do investimento, não há aumento no lucro líquido. Isto não
ocorre no mercado financeiro, onde, teoricamente, o lucro aumenta linearmente com o valor investido,
independente da quantia deste. Estes casos estão ilustrados na Figura 3.3. Neste ponto, necessita-se
relembrar um conceito-chave: quer-se um retorno maior que MARR para cada $ investido!!
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Figura 3.3: Lucro líquido de um investimento em dois cenários diferentes.

Alternativas dependentes

Razões que levam a projetos dependentes:

• Existe um limitado capital para o investimento;


• Várias alternativas atingem o mesmo objetivo;
• Uma alternativa requer uma alternativa específica a priori para ser selecionada (dependência
contingente).

Neste caso, a análise é complexa e requer todas as combinações para ser calculada. Comparar to-
dos os casos possíveis como alternativas mutuamente exclusivas, usando tanto o NPV quanto o
DCFRR.

Observação: Quando se deseja fazer uma recomendação, tem-se certeza acerca da mesma? Para
segurança do consultor, é conveniente saber responder a perguntas do tipo “E SE?” (What If?)

• A vazão de produto (vendido) ou o preço mudar;


• Houver mudança no custo de energia;
• O tempo de vida do projeto mudar (novas tecnologias);
• Houver mudança no custo da matéria-prima.