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 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


Projecto TEIP – 2ª Geração

INTRODUÇÃO

TEIP desde 1996, este Agrupamento reconhece a importância de manter o


estatuto de discriminação positiva de que beneficiou ao longo destes anos e
que tornou possível a criação de uma cultura de Escola, reconhecida por
diversas instituições e investigadores que estudaram “o nosso caso”.

Reduzir a algumas palavras o percurso feito ao longo destes anos é


humanamente impossível e necessariamente redutor.

Procuraremos salientar aquilo que consideramos ser particularmente


significativo para a mudança e, seguidamente, definiremos quais as nossas
prioridades para que, de facto, à nossa Comunidade Educativa seja
assegurada igualdade de oportunidades.

O TEIP de 1996 a 2006 (1ª Geração)

Ao longo destes anos os nossos Projectos Educativos definiram como metas:

• Eliminação do clima de indisciplina/violência


• Combate ao abandono escolar
• Melhoria dos resultados escolares
• Educação para a Cidadania, com particular enfoque na definição de
regras de conduta claras, relações inter-pessoais, responsabilização e
respeito pelos equipamentos disponibilizados

Para atingir estas metas utilizámos várias estratégias diversificadas, dirigidas


aos diferentes intervenientes.

1. Os professores

Um dos principais problemas identificados era a instabilidade do corpo docente.


Terminado um ano lectivo a debandada era em massa. A maioria dos
professores partia, o que inviabilizava a construção de um verdadeiro “corpo
docente”.
A partir de 1998/1999 definimos como prioridade decisiva a estabilidade do
corpo docente.
Esta estabilidade dependia do Ministério da Educação e dos professores.
A maior dificuldade que tivemos de enfrentar foi com o ME. Negociações
longas e muitas vezes extremamente penosas, em que procurávamos explicar
a importância da estabilidade dos professores, foram tendo sucesso à custa de
muita persistência e determinação.
Os professores, sentindo que tinham espaço para desenvolver um Projecto de
Trabalho, foram mais fáceis de conquistar.
Pensamos que, no momento actual – e com a nova visão consubstanciada na
nova legislação sobre colocação de professores – esta situação está
ultrapassada e, em 2006/2007, tem expressão nos seguintes dados:

Escolas Total de Novos %


Professores Professores
JI 7 2 28%
1º ciclo 54 19 35%
2º ciclo 47 14 29%
3º ciclo 70 18 25%

Mas a estabilidade, só por si, era muito pouco. Progressivamente fomos


introduzindo uma cultura de escola assente em princípios como:

• Continuidade pedagógica – o professor deve acompanhar as suas


turmas ao longo de um ciclo de escolaridade e, sempre que seja
possível, do 5º ao 9º ano.
• Desta decisão decorreu, naturalmente, a constituição de equipas
pedagógicas, conhecedoras da realidade da “sua turma” e
“comprometidos” com o acompanhamento e sucesso educativo dos
“seus alunos”
• O Director de Turma – figura central neste processo organizativo – deve
ter o perfil adequado à responsabilidade da tarefa que lhe cabe:
coordenar uma equipa pedagógica; acompanhar o trabalho dos seus
alunos; estabelecer relações fortes com os encarregados de educação.
Foi sendo criado um “corpo “ de directores de turma essencial à
sustentação do projecto de escola.
• O acompanhamento do Director de Turma, este ano lectivo, ganhou
nova dimensão. Os 2 tempos resultantes da aplicação do Despacho
13781/2001 destinam-se ao trabalho directo com os alunos, num
contexto que designamos de “Tutoria”.

2. Os alunos

A tendência para um elevado absentismo, com elevadas taxas de retenção,


clima de indisciplina e violência tornavam necessário a aplicação de medidas
organizacionais capazes de alterar estas práticas.
No trabalho de alterar estes comportamentos toda a escola se envolveu, O
Conselho Executivo definiu um conjunto de procedimentos que pareciam ser
capazes de corrigir estas situações em que envolveu os Conselhos de Turma,
trabalhando com eles de forma regular.
Salientamos algumas estratégias:

Reuniões com alunos

• No início do ano lectivo fazemos a primeira reunião. Três turmas do


mesmo ano de escolaridade, respectivos Directores de Turma,
Presidente do Conselho Executivo e Pais.
Definimos metas para o ano lectivo; relembramos princípios que nos
parecem importantes: os “papéis” de cada um dos intervenientes; a
importância do trabalho que temos pela frente; o respeito pelas pessoas,
pelos equipamentos, pelos bens colocados à disposição de todos.

• Na primeira semana de aulas do 2º e 3º períodos reunimos com todos


os alunos (em cada reunião participam 2 turmas, respectivos Directores
de Turma e o Presidente do Conselho Executivo).
Analisamos os resultados do trabalho realizado ao longo de um período
de trabalho; evidenciamos “pontos fortes” e “pontos fracos”; definimos
novas metas para o novo período.
A estas reuniões segue-se a reflexão do Director de Turma com os
alunos e, posteriormente, com os Encarregados de Educação.

• Situações que consideramos mais graves – resultados muito fracos dos


alunos; desadequado clima de sala de aula, … – dão origem a uma
reunião com todos os professores de turma, o Presidente do Conselho
Executivo, os alunos e os pais. Aqui são analisados os factores que
impedem um bom funcionamento da turma e estabelecem-se novas
formas de intervenção.

Reforço da ligação com as famílias

O trabalho com as famílias assume uma importância muito grande, existindo


um contacto permanente entre os Directores de turma e os pais.
As situações que nos parecem mais preocupantes ou mesmo graves (um
comportamento desajustado, uma gravidez de uma adolescente, …) são
analisadas conjuntamente com o director de turma, o encarregado de
educação, o aluno e, muitas vezes, também o Conselho Executivo.
Nestas reuniões procuram-se soluções, definem-se metas, asseguram-se
apoios (algumas vezes exteriores à procura escola: Segurança Social,
Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, Maternidade Alfredo da Costa,
Clínica da Juventude…)
Procuramos, também, promover um contacto menos formal com as famílias,
convidando-as a participarem nalgumas iniciativas. Destacamos o “almoço de
turma” por considerarmos que é uma situação que agrada particularmente aos
pais: o director de turma organiza com a sua turma o almoço no Refeitório.
Convidam o Conselho Executivo mas também os pais que participam trazendo
sobremesas (algumas feitas com a colaboração dos seus filhos).
É um momento em que “conversamos” sem a pressão dos resultados
escolares. Acontece que, nalgumas turmas, todos os pais comparecem.
Este trabalho continuado com os pais e a disponibilidade para com eles
partilharmos os nossos espaços tem permitido criar um clima de confiança e
partilha entre “os dois lados”.
Granjeamos “bom nome” junto da nossa comunidade. A escola é credível e os
pais, de um modo geral, confiam que ela está verdadeiramente preocupada
com os seus filhos.

3. Adequação das aprendizagens aos perfis dos alunos

Existe, na escola, uma permanente discussão interna sobre a necessidade de


diferenciar as aprendizagens, adequando-as a todos os alunos.
Para além dos momentos informais de discussão, o aspecto central do real
sucesso educativo é discutido, no início de cada período, e com base nos
resultados dos alunos, em Conselho Pedagógico, em reunião geral de
professores (dividida em 2 grupos de trabalho) e em todos os grupos de
docentes de ano de escolaridade ( 1º ciclo), e de grupos disciplinares (do 5º ao
9º ano).

Esta questão do sucesso e da necessária diferenciação de aprendizagens tem


também sido objecto de acções de Formação Contínua de que destacamos:
• Formação em Matemática (1º ciclo, em 2005/2006; 1º e 2º ciclos, em
2006,2006),
• Análise dos programas de Matemática – trabalho que envolveu
professores dos 3 ciclos de escolaridade
• Reflexão sobre as Áreas Curriculares não Disciplinares e seu papel na
promoção do sucesso – formação a decorrer este ano e que envolve 4
conselhos de turma (2 do 2º ciclo e 2 do 3º).
• A Oficina de Língua Portuguesa, projecto dirigido a alunos para quem o
Português é 2ª língua e iniciado na EB 2,3 em 2002 /2203 e na EB 1 nº
2 (escola onde o número de crianças nesta situação é significativo) em
2005/2206.

Apesar destas medidas e conscientes de graves dificuldades de aprendiza-


gem/integração de alguns alunos, promovemos, desde 1998/99, medidas de
diferenciação de percursos, previstas no quadro legal existente. Assim, os
Professores Titulares de Turma/Directores de Turma, em cooperação com os
Serviços de Psicologia e Orientação, promovem o despiste de alunos cuja
continuidade no ensino regular é manifestamente desajustada, e propõem a
sua integração numa turma de percurso curricular alternativo ou num Curso de
Educação e Formação.
A integração num Percurso Curricular Alternativo reveste, sempre, à partida,
um carácter transitório. Isto significa que um aluno aqui integrado pode
regressar a uma turma de ensino regular desde que ultrapassado o problema
que levou à decisão da sua integração numa situação diferenciada.
É importante referir que esta possibilidade já tem sido concretizada.
Também é importante deixar claro que existe um cuidado acrescido na
constituição da equipa pedagógica que vai trabalhar com estas turmas. Os
professores devem estar disponíveis para enfrentar este desafio e ter uma
proposta de trabalho que garanta que os objectivos de inclusão e
aprendizagem serão atingidos.

Os resultados de todas estas medidas adquirem visibilidade em dados como:

• Inexistência de processos disciplinares – há mais de 5 anos que não


sentimos necessidade de recorrer a esta medida punitiva
• Baixíssima taxa de abandono escolar1:

5º ano 6º ano 7º ano 8º ano 9º ano


Total aban Total aban Total aban Total aban Total aban
2000/2001 161 3 187 4 207 7 147 6 125 3
200172002 183 0 164 1 204 6 185 5 166 4
2002/2003 205 2 186 2 150 0 179 0 192 4

2003/2004 180 0 197 0 178 2 145 2 220 10


2005/2006 165 0 190 2 134 2 167 2 130 2

• Taxa de retenção abaixo da média nacional

5º ano 6º ano 7º ano 8º ano 9º ano


Total ret Total ret Total ret Total ret Total ret
2000/2001 161 15 187 25 207 46 147 14 125 21
200172002 183 31 164 25 204 22 185 22 166 20
2002/2003 205 23 186 24 150 27 179 18 192 18
2003/2004 180 18 197 20 178 28 145 22 220 19
2005/2006 165 7 190 15 134 18 167 13 130 17

também visível nas médias de idade por ano de escolaridade

2005/2006 5º ano 6º ano 7º ano 8º ano 9º ano


Ensino Regular 10,1 11,3 12,1 13,3 14,1
Percurso Curricular Alternativo 13,1 13,5 14,2 15,4 16,0
Curso Educação e Formação 15,1
Tipo 2 Fase 1
Curso Educação e Formação 16,4
Tipo 2 Fase 2
Curso Educação e Formação 16,2
Tipo 3

1
No 1º ciclo não temos abandono excepto em relação às crianças de etnia cigana com quem,
este ano, já iniciámos um trabalho diferenciado
4. Responsabilização de alunos, professores e funcionários pela
adequada utilização de espaços e equipamentos

• Todos os alunos têm sala própria, que partilham com outra turma, não
obstante termos enormes dificuldades de espaço2.
Todos são responsabilizados pela correcta utilização do espaço e bens
disponíveis.

• A Assembleia de Bloco – reunião em que participam os delegados de


turma “sedeados” nesse bloco, respectivos Directores de Turma,
funcionários que exercem funções nesse espaço, e representantes de
Coordenadores de Turma e Conselho Executivo – tem como objectivo
detectar anomalias de funcionamento, identificar comportamentos
desajustados e propor soluções.

• Jornadas de limpeza dos espaços educativos - de acordo com uma


escala -, para todas as turmas, acompanhadas pelo Director de Turma.
Pretendemos desenvolver comportamentos cívicos e ajudar a “ver” o
nosso espaço, assim como a forma como com ele nos comportamos.

5. Discriminação positiva

• Pensamos que é importante valorizar o trabalho realizado por muitos


alunos que, muitas vezes com um meio sócio-familiar adverso, obtêm
resultados excelentes.
Assim, publicitamos na Escola os nomes dos alunos de “Excelência”.
No final do ano organizamos uma festa em que participam os pais. Um
lanche e um presente. Este ano acrescentámos a ida a um espectáculo
na Fundação Calouste Gulbenkian.

Muito mais poderíamos dizer. Mas podemos concluir afirmando:

• Temos uma escola em que as pessoas não se sentem ameaçadas


• Os alunos vão às aulas
• O sucesso escolar tem melhorado, embora tenhamos uma ambição
maior: queremos menos retenções e uma maior qualidade de
aprendizagem.

Por que continuamos, então, a afirmar a nossa qualidade de Território


Educativo de Intervenção Prioritária?

2
A taxa de ocupação de espaços é de cerca de 90% o que torna difícil a elaboração de
horários
TEIP (2ª Geração)

O percurso já feito poderia deixar concluir que concluíramos a nossa “missão”.


Deixara de existir razão para sermos um Território Educativo de Intervenção
Prioritária.
Esta não é, claramente, a nossa opinião. Pelo contrário, pensamos que as
“vitórias” já conseguidas são, ainda, insuficientes e muito frágeis. A
descontinuidade do trabalho poderia deitar por terra todo o esforço e
empenhamento dispendidos.

O TEIP 2ª Geração é, assim, acolhido por nós como uma oportunidade de


consolidarmos trabalho já realizado e abrirmos novas frentes de intervenção.
Parece-nos, então, evidente que, se conseguimos eliminar alguns problemas
que, nestas comunidades, se reflectem vivamente nas escolas, grande é o
trabalho – desafio – que temos pela frente!
Queremos:

1. Consolidar o nosso trabalho mantendo – e revitalizando – as


estratégias já implementadas, nomeadamente as anteriormente
referidas, com enfoque particular em:

Qualidade das Aprendizagens – Educação para a Cidadania –


Articulação com as famílias

• Reforço de medidas de diferenciação pedagógica, tanto no ensino


regular, como nos Percursos Curriculares Alternativos, Cursos de
Educação e Formação e Currículo Funcional, de acordo com os
Projectos discriminados.
• Transição da constituição de equipas pedagógicas para um verdadeiro
trabalho cooperativo, suporte fundamental do desenvolvimento de
competências por parte dos alunos.
• Articulação entre ciclos, do Pré-escolar ao 9º ano, como uma prática
permanente e capaz de assegurar o necessário acompanhamento do
percurso escolar dos nossos alunos.
• Monitorização/acompanhamento de percursos, terminado o 9º ano
• Soluções mais eficazes que assegurem competência – e consequente
correcta integração social - na utilização da Língua Portuguesa a todos
os alunos para quem esta é a 2ª língua.
• Generalização do Ensino Experimental
• Combate ao insucesso em Matemática
• Combate à info-exclusão
• Melhoria de resultados nas Provas Nacionais, nomeadamente nos
Exames.
• Concertação de esforços no sentido do alargamento da rede do pré-
escolar de forma a garantir o seu acesso a todas as nossas crianças.
• Aprofundamento do trabalho de Educação para a Cidadania, com
particular incidência no desenvolvimento de um clima de escola assente
em regras claras atitudes de civismo, nas relações interpessoais e no
respeito pelos bens comuns.
• Desenvolvimento - Participação em Projectos que promovam, para além
da consciência nacional, uma consciência de cidadão europeu

2. Propomo-nos abrir novas frentes de intervenção em:

• Criando núcleos de excelência, valorizando a cultura e as


competências de uma parte da população escolar através do
desenvolvimento do Ensino Artístico e Prática Desportiva

• Garantindo o acesso à cultura e educação artística - partindo da


experiência iniciada em 2005/2006, com a criação do Grupo de Violinos,
e alargando-a a outros Projectos e outras áreas.3
Assim, propomo-nos:

• Criar, para além do Grupo de Violinos, uma Orquestra, dirigida a


crianças a partir dos 7 anos de idade
• Alargar o trabalho de Teatro/Expressão Dramática
• Criar um Núcleo de Dança4
• Dinamizar o Núcleo de Expressão Plástica, alargado a todos os
alunos e professores dos vários níveis de ensino deste Agrupamento

A pobreza e a dificuldade de acesso a bens de cultura criam-nos o dever


de garantir condições que permitam aos nossos alunos assistir a
espectáculos culturais e conhecer museus e espaços dedicados à
cultura.

• Dando uma maior dimensão ao trabalho na área do Desporto Escolar,


incluindo um maior número de crianças e jovens e dando oportunidade
de realização a verdadeiros talentos.
• Criando condições para que a população adulta possa, também, usufruir
de condições para a prática desportiva, promovendo a articulação
Escola/Comunidade.

Aprofundamento do trabalho de inclusão social

• Alargando o sentido de “inclusão social” para todos, abrangendo, no


nosso trabalho, as crianças e jovens de etnia cigana, com alguma
expressão numérica no nosso Território e que permanecem excluídos do
cumprimento da escolaridade obrigatória e, na maioria dos casos, em
situação de analfabetismo.

3
Projectos que visam eliminar a tendência de guetização e valorizar competências
4
Projecto que apresentaremos muito brevemente
Este trabalho só poderá ser realizado com uma intervenção conjunta
que inclui a autarquia, saúde, segurança social.

• Organizar um serviço de apoio ao aluno e família (Projecto de criação de


um Gabinete de Apoio ao Aluno e Família) que estabeleça “pontes” entre
os diferentes intervenientes no processo educativo e crie condições de
efectiva inclusão da nossa comunidade.

• Criar um Centro de Reconhecimento e Validação de Conhecimentos e


Competências (CVRCC) e promover a escolarização da nossa
população adulta, em muitas situações sem ter concluído nem mesmo o
6º ano de escolaridade.
A esta preocupação não pode ser alheia a abertura de formação na área
do conhecimento da Língua Portuguesa.

• Intervenção na Comunidade em parceria com os outros


serviços/instituições

Pensamos que o TEIP 2ª Geração tem uma perspectiva mais abrangente das
necessárias interacções entre a escola e os restantes parceiros. Rompendo
uma perspectiva centrada na Escola, assume uma verdadeira dimensão
“territorial”, envolvendo todos na construção da mudança
O Agrupamento de Escolas de Vialonga está empenhado em participar num
trabalho conjunto com todos os parceiros (autarquia, saúde, serviço social,
GNR, associações), convicto de que apesar de ser “periférico” pode,
também, significar qualidade de vida e igualdade no acesso a novas
oportunidades.

São estas as motivações que nos levam a apresentar um conjunto de


projectos, todos eles com um único sentido:

Transformar Vialonga num verdadeiro território educativo

Dezembro de 2006

Armandina Soares, Presidente do Conselho Executivo


Vialonga, com cerca de 20 000 habitantes, é uma freguesia do concelho
de Vila Franca de Xira.
A uma população com uma baixíssima escolarização,
um bairro de habitação social, que alberga numerosas famílias Oriundas dos PALOP’S
2 bairros de etnia cigana
além de outras famílias pobres e desestruturadas
começam, nos últimos anos, a juntar-se, famílias de classe média.

As assimetrias acentuam-se:
as novas casas, com acabamentos de qualidade, rodeadas
de jardins e com parques infantis, tornam mais gritante a
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pobreza das casas sociais e das barracas.

Cresce, assim, o risco, de guetização de alguns bairros.

É este o nosso Território!


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Problemas iniciais Respostas

Insucesso repetido Estabilidade do corpo docente


Abandono Escolar Constituição de equipas pedagógicas
Indisciplina Percursos Diferenciados
Violência Humanização das relações
Clarificação das Regras / Autoridade

Resultados

Baixo abandono escolar (1%)


Melhores resultados escolares
Melhorar os resultados de Provas de Aferição /
Exames
Clima de escola assente em relações inter-
pessoais de respeito

Consolidar sucessos
Que Projecto para o triénio 2006/2009?
Enfrentar novos desafios

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Melhorar os
Níveis de Aprendizagem

Valorizar o Território
Promover a Formação
Combatendo a guetização
Ao longo da Vida

Projecto TEIP
2006/2009

Articular
Escola / Família Educar para a Cidadania

Reforçar / Melhorar
Processos Organizativos

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Projecto TEIP
2006 / 2009

Condições de
Parcerias Resultados Esperados
Exequibilidade

Estabilidade Autarquia Garantir igualdade


Autarquia
Câmara
Corpo Definição de Câmara
oportunidades
Programa Junta Freguesia
Junta Freguesia
de construções escolares c

Serviços Públicos: Eliminar


Saúde; Segurança.
Serviços Públicos: o abandono escolar
Nº Alunos turma:
Social; Social;
Saúde; Segurança.
1º e 2º ciclos: máximo 20 GNR; CPCJ
GNR; CPCJ
3º ciclo: máximo 25 Reduzir
´ o insucesso escolar
Escolas: 10%
Secundárias
Reforços de recursos Profissionais
humanos e financeiros Ensino Artístico
Promover o direito
Acesso à cultura

Alargamento Associações
Rede Pré Escolar Acompanhar os alunos
Terminado o 9º ano

Definição de
Sector Empresarial
Programa de Construções
Promover
Escolares
Escolarização dos adultos

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Projecto TEIP
2006 / 2007

Melhorar Níveis
de Aprendizagem Valorizar o Território, Reforçar / Articular Promover a
Educar para a Melhorar Formação
Eliminar abandono escolar combatendo Escola/
Cidadania Processos
ao longo
Melhorar o sucesso educativo a guetização organizativos Família
da vida

Ofertas
Percursos Educativos Ensino Intervenção Criação do Criação Cursos
Educativas Dimensão Dimensão Dimensão GAAF CRVCC EFA
Artístico e Comunitária Pessoal Nacional Europeia
Desportivo
Cursos Percurso Certificação
Ensino Currículo de
Educação Curricular
Regular e Formação Alternativo
Funcional Competências

Alargamento Qualificação
Expressão
Rede Pré Reforço Espaço Alfabetização
Construção do Preparação CRE / Dramática
Área Urbano
Escolar Bloco Oficinal p/ Vida Activa Bibliotecas
Vocacional Melhorar a
Criação Conclusão
Diferenciação Comunicação Expressão Espaços Escolaridade
Metodologias Encaminhame Plástica
Diversificação Oficina Lazer Obrigatória
Ensino nto Português
de Ofertas Estágios Língua Desporto
Aprendizage 2ª Língua
m Grupo Português
Plano
Centrar Estágio Violinos Voluntariado p/estrangeiros
Acção
Aprendizagem Matemática
no Aluno
Estágios
“Escola de
CRIE / Música”
Unidades
Promover
Móveis
Pesquisa
de Informação Escola de
Dança
Projectos

Promover Construção
Ensino de Espaço
Experimental Prática
Desportiva
Reforçar
Utilização Promover A Orientação Escolar e Profissional
das TIC Acompanhar / monitorizar percursos terminado o 9º ano
A nossa população escolar – ensino regular

Melhorar Níveis Anos Turmas Alunos Escolas Pré Escolar


de Aprendizagem 7150 3 1º ciclo 50866 6 2º ciclo 16
346
Eliminar abandono escolar 1 3º ciclo 21450
Melhorar o sucesso educativo

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios


Diferenciação
Metodologias Alargamento Reduzir o
Ensino / Aprendizagem Rede Pré Escolar Insucesso Escolar

Centrar
Aprendizagem no Aluno Objectivo:
1º ciclo – máximo 1 retenção
Garantir, até 2009, o acesso a: 2º/3º ciclos – máximo 1 retenção
Promover
Pesquisa todas as crianças de 5 anos
de Informa鈬o 90% das crianças dos 3 aos 4 anos

Promover
Ensino
Experimental Serralharia - Mecânica 12
Acompanhar percursos Ourives 11
Tipo 2
Reforçar terminado o 9º ano Acabamentos de madeira
Nível 2 (fase 1) 11
Utilização e Mobiliário
das TIC Pré Impressão 12
Tipo 2
Promover A Orientação Serralharia - Mecânica
Nível 2 (fase 2) 15
Escolar e Profissional
Tipo 2 Pré Impressão 14
Nível 3 Fotografia 7
Alunos de
 Agrupamento em Escolas
Cursos dede
Educação e 
Vialonga Formação
Melhorar Níveis
de Aprendizagem
• Eliminar abandono escolar
•Melhorar o sucesso educativo

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

Estágios em contexto real de trabalho Construção do Bloco Oficinal

Promover A Orientação Diversificar Ofertas


Escolar e Profissional

Aumentar o número de Ofertas


 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Alunos em Percurso Curricular


Monitorização/Acompanhamento
dos alunosAlternativo
Terminado o 9º ano

Melhorar Níveis 1º ciclo 18


 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I15
P
de Aprendizagem 5º ano
6º ano 16
• Eliminar abandono escolar 7º ano 12
•Melhorar o sucesso educativo 8º ano 12
9º ano 10

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


Criar condições de cumprimento
da escolaridade obrigatória Melhorar a oferta Vocacional
(alunos c/dificuldades de
integração /aprendizagem)

Monitorização/Acompanhamento
Estágios em contexto real dos alunos
de trabalho Terminado o 9º ano

Promover A Orientação  Agrupamento de Escolas de Vialonga 


Escolar e Profissional

Currículo Funcional –
Melhorar Níveis Alunos ao abrigo do Decreto-Lei 319/91 art. 2º i)
de Aprendizagem
• Eliminar abandono escolar Nº alunos Idades

•Melhorar o sucesso educativo Dos 12 aos 18


8 anos

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


Inclusão social Melhorar a
Formação vocacional

Preparação
p/ Vida Activa Monitorização
Acompanhamento

Encaminhamento

Estágio
 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Melhorar Níveis
de Aprendizagem
Eliminar abandono escolar
Melhorar o sucesso educativo
Ofertas Educativas

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

Plano Acção
CRE / Matemática
Bibliotecas

Melhorar a Computadores, Redes


Comunicação e Internet na Escola
Unidades Móveis
Oficina de Língua
Português
2ª Língua

Projectos

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


Melhorar Níveis
de Aprendizagem
Eliminar abandono escolar
E os professores ? Melhorar o sucesso educativo

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

Co-responsabilização Formação
Estabilidade pelos resultados dos
alunos Centrada na Escola
do Corpo Docente

Equipas Pedagógicas Ensino Experimental


Pedagogia de sucesso

Responsabilização pelo Adequação


Liderança
Percurso dos alunos Metodologias/
DT / C T Perfis dos alunos

Definição de Metas Metodologias


Esbater roturas
Entre ciclos Resultados
Diferenciação
de Aprendizagem

Trabalho Projecto

D T / Tutorias

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 

 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Valorizar o Território,
Ensino Artístico e combatendo
Desportivo a guetização

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

Núcleo Teatro/Expressão Orquestra de Vialonga


Dramática Alunos do 1º ciclo

Grupo Violinos
Grupo de Dança
EB 1 nº 2

Desporto Escolar Expressão Plástica

Construção de Espaço
Prática Desportiva

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Valorizar o Território,
combatendo
Intervenção Comunitária a guetização

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

Qualificação
Parcerias
Espaço Urbano

Saúde;
Autarquia Criação
Segurança. Social;
GNR; CPCJ Espaços de Lazer /Desporto

Escolas: Secundárias
Profissionais Voluntariado
Ensino Artístico

Associações Sector Empresarial

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Educar para a
Cidadania Consolidar Sucessos

Dimensão Dimensão
Dimensão Pessoal
Local / Nacional Europeia

Alimentação Assembleia de Bloco Clube Europeu

Civismo Assembleia de Turma ELOS

Intervenção / Animação
Empreendedorismo EPALS
do Bairro

Relação Inter-pessoal Património E-Twinning

Sexualidade Projecto “Inscrire”

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P  Projectos Comenius


 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Reforçar /
Melhorar
Processos
organizativos

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

Atribuição horário do Continuidade Pedagógica


Professor centrado na turma Ao longo do/s ciclo/s

Perfil Director Turma/ Atribuição de


Critérios de Selecção uma sala/turma

Organização do Espaço

Permanente Inexistência de
Mediação de Conflitos Processos Disciplinares

Clara definição de Regras Respeito


Rigor no Cumprimento nas Relações Interpessoais

Regime Normal.
Reunião com turmas/DT/CE
Início de todos os períodos:
Para quando?
Análise do trabalho realizado

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Articular
Escola/
Família

Consolidar Sucessos Enfrentar novos desafios

Informações
Recepção aos Encarregados
de Educação Criação de um GAAF
Início ano lectivo Visita à Escola

Reunião por período

Atendimento individualizado

Participação
nos almoços de turma

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


 Agrupamento de Escolas de Vialonga 

Promover a Formação
ao longo da vida

Centro

NOVAS OPORTUNIDADES
Enfrentar novos desafios

Criação CRVCC Cursos EFA

Certificação de Competências Alfabetização

Conclusão
Escolaridade Obrigatória

Português
P/ estrangeiros

 T E I P  Território Educativo de Intervenção Prioritária  T E I P 


Melhorar Níveis
de Aprendizagem

•Eliminar abandono
escolar
•Melhorar o sucesso

educativo
28
Melhorar Níveis de Aprendizagens

• Oficina de Língua Portuguesa, pag. 30

• Ensino Experimental das Ciências, pag. 42

• Currículo Funcional, pag. 51

• Ofertas Diferenciadas, pag. 57

Cursos de Educação Formação, pag. 57

Percursos Curriculares Alternativos – 2º e 3º ciclos, pag. 60

Percursos Curriculares Alternativos – 1º ciclo, pag. 62

• Acompanhamento/Monitorização dos Alunos após


conclusão do 9º ano de escolaridade, pag. 65

• Serviço de Apoio à Formação Profissional, pag. 70

• Rede de Computadores, pag. 73

29
OFICINA DE LÍNGUA PORTUGUESA
Lema: Português, língua de afectos e sonoridades
Triénio 2006-2009

Coordenador:

Olívia Soutenho – Luís Ventura

1. ENQUADRAMENTO LEGAL

De acordo com:
- O Despacho Normativo nº7/2006, relativo ao Ensino da Língua
Portuguesa como Língua Não Materna;
- O Documento Orientador “Português Língua Não Materna no Currículo
Nacional” de Julho de 2005;
- O Decreto-Lei nº6/2001 que estipula os princípios da reorganização e
gestão curricular;
- O Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas
- O Despacho Ministerial, datado de 26 de Setembro de 2006, relativo
aos “Contratos de desenvolvimento para escolas em meio social difícil”;

é apresentada a seguinte proposta de projecto Oficina de Língua


Portuguesa, sob o lema Português, língua de afectos e sonoridade.

2. MOTIVAÇÕES DA ELABORAÇÃO DO PROJECTO

Os motivos para a concretização deste projecto são de duas índoles:


sócio/culturais e educacionais

SÓCIO/CULTURAIS
- Grande heterogeneidade sócio/cultural e linguística dos
alunos que fazem parte da nossa comunidade escolar e respectivas
famílias;

30
- Chegada frequente, ao longo de todo o ano lectivo, de alunos
provenientes dos PALOP e de outros países, nomeadamente do Leste da
Europa;
- Baixo nível das qualificações profissionais e consequente
elevado índice de trabalho precário da comunidade envolvente;

EDUCACIONAIS

- Baixo nível de escolaridade da comunidade envolvente e


significativa taxa do analfabetismo;
- Transversalidade da Língua Portuguesa e o facto de ser uma
segunda língua para grande parte destes alunos;
- Desfasamento sentido entre as competências exigidas no
Currículo Nacional e as efectivamente adquiridas pelos alunos;
- Inexistência de um acompanhamento específico destes alunos,
à luz da legislação existente;
- Ausência de ensino pré-escolar para alguns destes alunos,
sobretudo devido à dimensão do parque escolar;
- Extensão dos currículos;
- Falta de formação específica dos professores;

31
3. DIAGNÓSTICO SÓCIO/LINGUÍSTICO DA COMUNIDADE EDUCATIVA

Partindo de um diagnóstico efectuado entre o final do ano lectivo


2005/2006 e o início deste, elaborou-se o seguinte diagnóstico
sócio/linguístico, referente aos alunos do 1º ciclo e dos 2º e 3º ciclos do
ensino básico, o qual a seguir se apresenta:

Quadro-Resumo nº1:
Proveniência dos alunos do 1º ciclo de todas as escolas do 1º ciclo
ROMÉNIA

MOLDÁVIA

UCRÂNIA

OUTROS PAÍSES
Anos de escolaridade

PORTUGAL
Total de alunos

MOÇAMBIQUE

GUINÉ/Bissau
CABO VERDE

SÃO TOMÉ

ESTÓNIA
ANGOLA

RÚSSIA
BRASIL
CIGANOS
LUSOS

1º 220 174 13 8 6 2 3 2 5 2 1 1 3
2º 210 143 8 33 8 7 4 2 1 1 1 1 1
3º 202 141 3 23 8 9 8 2 3 3 1 1
4º 209 133 22 27 19 1 3 1 3
Totais 841 591 46 91 41 19 18 7 12 5 1 3 2 1 4

32
Quadro-Resumo nº2: Domínio da Língua Portuguesa dos alunos
do 1º ciclo da Escola nº2 de Vialonga

Ano de Total de Insuficient Suficiente Muito


Bom
escolaridade alunos e S- S S+ Bom
1º 83 9 1 21 2 31 18
2º 67 5 9 16 8 22 7
3º 66 4 5 29 15 13
4º 68 7 5 25 3 17 11
Totais 284 25 124 85 49

Quadro-Resumo nº3: Domínio da Língua Portuguesa dos alunos dos 2º e


3º ciclos (de acordo com o níveis indicados no Quadro Europeu Comum
de Referência para as Línguas)

Nível de
A1 A2 B1 C1
proficiência
Nº de alunos 13 11 6 2
Anos de
5º, 6º, 7º, 8º e 9º 7º, 8º e 9º 6º e 9º
Escolaridade

33
DISTRIBUIÇÃO POR GRUPOS DE ALUNOS

4 alunos: 5º e 2 alunos:
4 alunos: 5º e 6º
6º 9º
Crioulo
Crioulo Crioulo
1 aluno: 9º
3 alunos:
3 alunos: 7º e Crioulo
4 alunos: 7º e 9º 7º e 8º

Crioulo Moldavo/
Crioulo
Ucraniano
3 alunos: 5ª, 6º e 3 alunos:
8º Curso Prof. e
Moldavo/Ucranian 5º
o Port./Brasil
1 aluno: 6º
Moldavo
2 alunos: 6º e 7º 1 aluno: 8º 1 aluno: 8º
Romeno Ucraniano Port./Brasil

Horas
propostas 2a3
4 a 6 horas 2 a 3 horas 2 horas
por semana horas
(por grupo)

34
4. Tendo em conta o enquadramento atrás apresentado, os coordenadores do
projecto definiram dois tipos de objectivos que se visa alcançar:

Objectivos Gerais (médio/longo prazo) e Objectivos Prioritários (curto


prazo), a saber:

OBJECTIVOS GERAIS

- Promover o sucesso escolar como forma de garantir a igualdade de


oportunidades;
- Desenvolver as competências linguísticas necessárias à integração
efectiva dos alunos no Currículo Nacional e em qualquer nível ou modalidade
de ensino;
- Fomentar o diálogo inter e multicultural, em condições de igualdade e
de reciprocidade;
- Permitir a partilha de saberes culturais entre a sociedade de
acolhimento e a comunidade de origem;
- Implicar, gradualmente, os Encarregados de Educação dos alunos
envolvidos no processo de ensino/aprendizagem dos seus educandos;

OBJECTIVOS PRIORITÁRIOS

- Desenvolver, de forma gradual e específica, a proficiência linguística


dos alunos, nomeadamente ao nível da expressão e compreensão oral e da
expressão e compreensão escrita;
- Mobilizar os conhecimentos linguísticos e culturais dos alunos no
processo de aquisição da Língua Portuguesa;
- Colmatar dificuldades inerentes ao bilinguismo sentidas pelos alunos
(nomeadamente ao nível de interferências, transferências e inferências);

35
- Promover, por intermédio de actividades diversificadas, a integração social
destes alunos no grupo/turma a que pertencem;
- Criar condições de acompanhamento e regulação diferenciadas no
processo de ensino/aprendizagem de cada aluno;
- Adequar práticas de ensino específicas, indo ao encontro das
necessidades e dos interesses dos alunos;

4. DESTINATÁRIOS

- O presente projecto apresenta como prioridade apoiar os alunos do


Agrupamento para quem o Português é uma língua não materna (Língua
Segunda ou Estrangeira);

5. PLANO DE ACÇÃO

Desta forma, pretende-se elaborar, com e para cada aluno, um plano de


trabalho individualizado que permita a cada um atingir, de forma gradual
mas efectiva, e no respeito pelo seu ritmo de aprendizagem, os três níveis
de proficiência linguística referidos no artigo segundo do Despacho
Normativo nº7/2006, a saber:

Quadro-Resumo nº4:
Indicação dos domínios de aprendizagem a privilegiar em cada nível de
proficiência

COMPREENDER FALAR ESCREVER


Níveis de
Compreensã
proficiência Leitur Interacçã Produçã
o Escrita
linguística a o Oral o Oral
Oral
A) Iniciação
+++ + +++ ++ ++
(A1, A2);
B) Intermédio
++ ++ ++ +++ ++
(B1);
C) Avançado
+ +++ + ++ +++
(B2,C1);

36
E no respeito pelos seguintes pressupostos:
− Aceitação das variantes do português como norma;
− Respeito pela cultura do aluno;
− Recurso a uma base textual da cultura de origem do aluno e da cultura
portuguesa;
− Consideração especial da oralidade;
− Recurso a uma metodologia inicial de Língua Segunda ou Língua
Estrangeira;
− Perspectivação cultural e literária das diversas comunidades de Língua
Portuguesa;
− Estudo comparativo das línguas;

No cumprimento deste plano, propõe-se a realização de diversas


actividades relativas aos domínios de aprendizagem atrás enunciados e que
serão postas em prática, tendo em conta a especificidade de cada
aluno/grupo, a saber:

COMPREENDER
• Análise do discurso oral dos alunos;
• Utilização de jogos de linguagem para:
o sensibilização aos sons e ao desenvolvimento da percepção
auditiva;
o discriminação fonética
o compreensão oral
o fonética e articulação
• Visitas a exposições;
• Utilização de folhetos, postais, revistas,..., dos países de origem dos
alunos, para proporcionar situações comunicativas significativas;
• De forma lúdica, levar os alunos a adquirir uma maior discriminação
visual e organização espácio-temporal;
• Analisar registos orais do Português em diversos formatos e suportes;
• Pesquisar informações relacionadas com o seu país e a sua língua;
• Interpretar imagens e textos de fontes diversas;
• Prática do aperfeiçoamento de textos próprios e outros;
• Verificar experimentalmente a coerência e a coesão de um texto;
• …

37
38
FALAR
• Utilização de jogos de linguagem para:
o Ritmo e entoação
o Expressão oral
• Exploração de situações comunicativas do quotidiano, de forma a
desenvolver o vocabulário temático e activo;
• Estimulação da expressão oral, a partir de outras linguagens (dramática,
musical e plástica);
• Exploração de diferentes produções do património oral (trava-línguas,
lengalengas, adivinhas, quadras populares e pequenas narrativas), em
diferentes variedades do Português;
• Divulgação do património oral de cada grupo cultural, no programa de
rádio da escola;
• Reconto de textos lidos e ouvidos;
• Reconto de histórias alterando a ordem dos acontecimentos;
• Troca de impressões sobre leituras realizadas;
• …
ESCREVER
• Treino da grafomotricidade;
• Elaboração de inícios/fins de histórias a partir de:
o elementos da narrativa
o mapas de histórias
o binómio fantástico
o salada de contos
o ficheiros de imagens
o baralho de histórias
o ...
• Reflexão sobre a linguagem escrita, a partir dos suportes escritos
utilizados, para compreensão dos desvios ocorridos relativamente ao
Português-padrão;
• Realização de exercícios relacionados com situações do quotidiano;
• Produção pequenos textos: dedicatórias, postais, cartas, com
intencionalidade comunicativa;
• Produção diversos tipos de texto, tendo em conta o seu Plano Individual
de Trabalho;
• Confrontação de textos próprios com textos de outros aprendizes da
Língua, de forma a tomar consciência das regras inerentes à
aprendizagem da língua;
• Organização de um portfólio pessoal com todos os trabalhos realizados
ao longo do ano;
• Criação do Diário da Oficina de Língua, onde os alunos se dispõem a
escrever de forma livre e despreocupada, tudo o que vai acontecendo no
processo de ensino-aprendizagem da Língua;
• Escrita de textos a partir de textos de diferentes géneros (narrativas,
poesia, teatro, …);
• Constituição de um dossiê de textos, agrupando-os de forma a evidenciar
distintas intenções comunicativas;
• Auto e Hetero-aperfeiçoamento de textos próprios e outros; 39
6. REGULAÇÃO DAS APRENDIZAGENS

- Contínua e qualitativa;
- Baseada em instrumentos reguladores (EX: grelhas de planificação e
registo das actividades realizadas; critérios de avaliação específicos para
cada actividade; relatórios individuais relativos às aprendizagens
efectuadas, progressos verificados e dificuldades sentidas; criação, por
aluno, de um portfolio de trabalhos realizados;…)

7. PROPOSTA DE ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO

ESPAÇOS:

- Sala cedida pela autarquia, no Pavilhão Gimnodesportivo;


- Sala polivalente da escola/Sala de Estudo;
- Salas de Aula;
- Biblioteca/Centro de Recursos;

1º CICLO:

Pequenos grupos: 3 alunos


Carga horária: 2h30 por semana (1h30 + 1h00)
Regime: em contra horário
Assiduidade: perdem o direito à frequência após a 4ª falta injustificada
Total de alunos abrangidos: entre 30 a 40
Professores envolvidos:
- dois professores responsáveis pelo projecto ao nível do 1º ciclo;
- os professores dos alunos;
- os professores de Apoio Educativo;
- a animadora do Centro de Recursos;
- o professor de Expressão Dramática

40
Total de horas semanais dos professores responsáveis: 50 horas lectivas

2º e 3º CICLOS

Pequenos grupos: 1 a 4 alunos


Carga horária: entre 1h30M (1x90m) e 4H (90+90+45) por semana
Regime: horas de Estudo Acompanhado, de Área de Projecto e de Língua
Portuguesa no horário dos alunos e horas avulsas
Assiduidade: perdem o direito à frequência após a 4ª falta injustificada
Total de alunos abrangidos: 31
Professores envolvidos:
- os professores responsáveis pelo projecto ao nível do 2º e 3º ciclos;
- os professores dos alunos;
- os professores de Apoio Educativo;
- a responsável pelo Centro de Recursos;
Total de horas semanais dos professores responsáveis: 44 horas lectivas

8. RECURSOS MATERIAIS (disponíveis na escola)

• Tecnologias de informação (Computadores e Internet)


• Meios audiovisuais (Cd’s e Cd-Roms)
• Materiais inter e multiculturais (Manuais e Cadernos de actividades
especializados)
• Livros e outros recursos da Editora Lidel
• Maleta das Novas Literaturas de Língua Oficial Portuguesa
• Ficheiros Bola de Neve e outros
• Gramáticas
• Prontuários
• Dicionários ilustrados de Língua Portuguesa
• Dicionários e gramáticas das línguas em presença
• ...

41
9. ORÇAMENTAÇÃO

• Contratação de mais um docente para o apoio aos alunos do 1º ciclo;


• Contratação de mais um docente para o apoio aos alunos do 2º e 3º
ciclos;
• Computador e impressora para a escola do 1º ciclo;
• Um placard/expositor dedicado ao trabalho realizado na Oficina de
Língua;
• Gravador de voz
• Material Didáctico (70 €)– Editora Lidel
- 7 Vozes, Léxico coloquial do Português;
- Colecção Ler Português (2 títulos de cada um dos níveis);
- Português ao vivo, Nível Elementar 1;
-…
• Cd-Roms (300€)
- Cd-Rom Diálogos de um Quotidiano Português;
- Dicionário Mágico;
- Escola Virtual;
- 102 desafios;
-…

10. PARCERIAS

ACIME
Associação dos Africanos
Embaixadas
Centro Comunitário de Vialonga
Associação para o Bem-estar Infantil de Vialonga
Junta de Freguesia

42
11. DIVULGAÇÃO

• Página web da escola


• Jornal da escola “De Mão em Mão”
• Exposição ou peça de teatro;
• Placard da Oficina da Língua;
• Rádio Escolar;
• Correspondência Interescolar;
• Brochuras e Panfletos;
• Pequenas publicações;
• Comunicações às turmas e a outras escolas;

12. PROFESSORES RESPONSÁVEIS

Olívia da Silveira Peixoto Soutenho


Licenciada em Ensino do Português como Língua Segunda

Luís Miguel Martins Ventura


Licenciado e Profissionalizado em Língua Portuguesa e Língua Francesa

43
E N S I N O E X P E R I M E N TA L D A S C I Ê N C I A S

Equipa de Trabalho Área de Acção


Emília Silva Ciências Naturais
Fernanda Serra Ciências Físico-Químicas
Maria dos Anjos Nabais Ciências Naturais
Maria do Rosário Félix Ciências da Natureza

Coordenação Maria dos Anjos Nabais

1. Identificação do problema

Uma das intenções fundamentais da nova organização curricular no ensino


básico visa imprimir uma nova orientação ao processo educativo, no sentido de
proporcionar a formação integral dos alunos. É assim dada especial ênfase ao
desenvolvimento de atitudes e à consciencialização de valores e a aquisição de
conhecimentos subordina-se ao desenvolvimento de competências. Apesar
disso, embora muitos professores variem as suas metodologias de ensino,
muitas vezes nas aulas tendem a privilegiar o método expositivo, focando-se
na memorização de factos, conceitos e princípios. O desenvolvimento de
atitudes perante a ciência é considerado, muitas vezes, como um objectivo
periférico às finalidades cognitivas delineadas pelos professores.

Este tipo de ensino provoca falta de motivação e envolvimento dos alunos nas
tarefas que lhe são propostas na sala de aula, tornando-os sujeitos passivos e
apáticos. Provoca, também, falta de cultura científica e tecnológica, grandes
dificuldades de pesquisa, selecção e apresentação da informação assim como
a falta de prática na participação em projectos de índole investigativa, Para

44
além disso, é um tipo de ensino propiciador de um clima social caracterizado
pela insatisfação, desagrado, levando à criação de uma rede clandestina de
comunicação entre os alunos ou ao confronto directo com o professor. Tudo
isto potencia situações conflituosas que conduzem ao insucesso, à falta de

assiduidade e, em casos mais extremos, ao abandono escolar.

Embora as causas geradoras desta situação sejam inúmeras, consideramos


que a falta de formação dos professores de ciências desta escola, assim como
a falta de recursos físicos e materiais em muito contribuem para esta situação.
Na realidade, a actual sociedade, em constantes transformações económicas,
tecnológicas e sociais, exige novas habilidades e competências do professor.
Neste contexto, o papel do professor torna-se bastante mais complexo e
assume contornos para os quais muitas vezes não foi preparado. Por outro
lado, os espaços laboratoriais de Ciências Naturais e Ciências Físico-Químicas
que existem na escola não estão organizados de forma razoavelmente
adequada à natureza do trabalho que neles decorre com equipamentos e
material didáctico relevante e actualizado para as áreas das ciências. Em
relação às Ciências da Natureza, não existe nenhum espaço laboratorial
específico nem material disponível para o ensino experimental das ciências
devido à falta de recursos físicos existentes na escola.

Urge, assim, quebrar o hiato existente entre as transformações rápidas da


sociedade e a “imutabilidade” da escola. A sala de aula deverá ser um local de
aprendizagem de valores e comportamentos, de aquisição de uma mentalidade
científica lógica e participativa, propiciando vivências ricas em ambientes
cooperativos na procura de soluções para os problemas reais da sociedade.
Deste modo, será necessário planificar o desenvolvimento de atitudes positivas
perante a ciência, num ensino que enfatiza competências e processos de
pensamento científicos e atende à natureza da ciência mas também na sua
perspectiva de interdependente da tecnologia e de factores sociais. Caminhar-
se-á, assim, para a preparação de futuras carreiras científicas e,

45
principalmente, para preparação do cidadão comum que se verá forçado a
viver numa sociedade científica-tecnológica onde terá que pensar e agir de
acordo com princípios científicos. É necessário que os jovens percepcionem a
ciência como uma actividade humana, ligada à resolução de problemas da
nossa sociedade assim como à criação de tecnologias que abrem novas
possibilidades ao Homem. Torna-se fundamental que encontrem relação entre
as matérias científicas que estudam na sala de aula e os seus próprios
problemas – deverão sentir-se identificados com o objecto de estudo, de forma

a preencher a lacuna entre o que se aprende na sala de aula e a vida “fora dos
muros da escola”.

O plano de acção que a seguir se propõe vai ao encontro desta nova forma de
abordar o ensino das ciências, reformulando a organização do espaço
laboratorial e as metodologias de ensino-aprendizagem de forma a
proporcionar aos alunos experiências que lhes desenvolvem competências
científicas e relacionais com a intensa participação de cada aluno na
construção e avaliação das suas próprias aprendizagens. Os objectivos
delineados vão ao encontro do Projecto TEIP do Agrupamento, nomeadamente
no que diz respeito à diminuição do abandono escolar, ao aumento do sucesso
educativo caminhando em direcção a um ensino de excelência e à construção
da cidadania. A investigação laboratorial, o trabalho de equipa, o trabalho
interdisciplinar dos temas e a ênfase na resolução de problemas reais, na
procura, interpretação e análise reflexiva de informação são formas de facilitar
a consecução de tais objectivos.

2. Estratégias propostas e resultados esperados

Neste projecto, propõem-se diferentes estratégias de ensino-aprendizagem que


se complementam, com o objectivo de conseguir alunos alfabetizados do ponto
de vista científico, com um bom desenvolvimento sócio-afectivo, qualidades
imprescindíveis na construção de cidadãos responsáveis que saibam inovar,

46
reflectir, decidir, ser críticos e éticos. A aprendizagem tem de ser activa e
permanente, não se restringindo aos conteúdos científicos ou aos processos
para os adquirir.

A utilização exclusiva ou sistemática da mesma estratégia por parte do


professor conduzirá a uma aprendizagem rotineira devendo, por isso, ser
alcançado um equilíbrio de diferentes abordagens, potencialmente úteis nas
aulas de ciências. Torna-se imprescindível enfatizar, nas estratégias de ensino-
aprendizagem, o papel do aluno, do grupo-turma, do professor, as questões
que dizem respeito ao currículo, ao clima social da sala de aula,

potencialmente motivador do ensino e da aprendizagem. Salientam-se assim,


as seguintes estratégias:

Estudo da história da ciência, do conceito de ciência e do trabalho do


cientista.

O estudo do processo de construção das teorias científicas permite seguir uma


lógica de raciocínio de aprofundamento teórico semelhante ao que ocorreu, na
realidade, durante a construção do conhecimento científico e adquirir uma
perspectiva histórica da construção do conhecimento científico. Por outro lado,
o estudo das pressões sociológicas e psicológicas a que o cientista está sujeito
pode mostrar as várias condicionantes a que a construção do conhecimento
científico se sujeita, dentro e fora da comunidade científica.

A Tecnologia e a sua Relevância no dia-a-dia.

A abordagem da diversidade tecnológica existente na sociedade assim como


as pressões que a tecnologia exerce sobre a ciência para que ambas evoluam
no sentido de proporcionar meios técnicos cada vez melhores.

47
Trabalho Laboratorial

Abordagem dos trabalhos experimentais numa perspectiva construtivista e


investigativa, reforçando a socialização nas práticas científicas. O aluno, em
laboratório, simula as condições de trabalho laboratorial de um cientista,
visando obter capacidades de investigação científica laboratorial. Deste modo,
as estratégias laboratoriais não se limitam à execução de uma experiência
mas, antes, envolvem o
aluno em todos os passos do raciocínio científico, permitindo-lhe trabalhar
como um cientista, vivendo e compreendendo os processos da ciência. Para a
realização de actividades experimentais torna-se imperioso proceder ao
desdobramento das turmas, também nas Ciências da Natureza (2º ciclo). Tal
como já se verifica no 3º ciclo, a operacionalização das actividades a
desenvolver pelos alunos é mais eficaz assim como o apoio do professor a

cada grupo de alunos.

Realização de visitas de estudo

Pretende-se alcançar um maior contacto entre a Escola e o meio, motivando os


alunos para a aprendizagem, favorecendo uma boa relação professor-aluno e
estimulando a participação e a interactividade. Poderão ser recolhidas
amostras e dados que serão analisados no laboratório assim como
organizadas exposições. Entre estas visitas de estudo salientam-se as visitas
ao Museu da Ciência, ao Museu da Água, ao Museu de História Natural, ao
Pavilhão do Conhecimento, ao Jardim Botânico, ao Instituto Gulbenkian da
Ciência, à Serra de Sintra, à praia do Portinho da Arrábida e a Parques e
Reservas Naturais.

Trabalho de Projecto

48
Pretende-se que o aluno aprenda a aprender, pois a construção de projectos
de investigação obriga-o a seleccionar os conceitos essenciais respeitantes a
um assunto, a hierarquizá-los e a relacioná-los. Proporciona, também, a
exteriorização das concepções erróneas que o aluno possui em relação a um
determinado assunto proporcionando uma melhoria da aprendizagem.
Incentiva-se o trabalho de pesquisa bibliográfica em revistas, livros, jornais,
dicionários, enciclopédias electrónicas e na Internet. Desta forma, o aluno
adquire capacidade de seleccionar e organizar a informação, não a recebendo
de forma passiva, mas antes sabendo analisar, discutir, descobrir
discrepâncias, distinguir os factos das ideias, pôr em causa as fontes, tirar as
suas conclusões, isto é, julgar por si numa forma de pensar crítica toda e
qualquer informação recebida.

Estratégias de Discussão

São um meio para chegar ao conhecimento científico propriamente dito mas


também uma forma de alcançar importantes objectivos do domínio afectivo,
dando ao aluno oportunidades de discutir e argumentar acerca de assuntos

actuais que permitam estabelecer a ligação dos conteúdos científicos à


realidade actual assim como a questões de cidadania com vista à formação de
cidadãos conscientes e intervenientes. A comunicação empática entre
professor e aluno surgirá mais facilmente uma vez que o professor mantém
uma atitude menos directiva, auxiliando o aluno na construção de uma
aprendizagem mais duradoura.

Exploração de Filmes Temáticos e de Artigos em Revistas

Utilização de filmes didácticos, relacionados com a realidade, de forma a


promover a aprendizagem, quer de um tema científico, quer dos processos de
investigação científica, constituindo uma boa motivação para os conteúdos
científicos. Utilização, também, de filmes desenvolvidos em torno de situações
que suscitam uma abordagem científica e de artigos em revistas.

49
Utilização de Computadores na Sala de Aula

São um recurso que se pretende que seja usado em várias valências,


nomeadamente para que os alunos possam introduzir os seus dados
experimentais e escrever os seus relatórios directamente num processador de
texto dentro do próprio laboratório. Estes relatórios podem ser impressos e
entregues ao professor imediatamente no final da sessão de laboratório,
permitindo-lhe corrigi-los e devolvê-los de seguida, com o respectivo feedback.
Para além disso, a utilização de software interactivo e de outros tipos de
software (texto, desenho, cálculo) e o recurso à Internet serão essenciais na
aquisição de competências científicas.

Formação de professores

Os professores de ciências têm uma responsabilidade acrescida na formação


integral dos alunos, necessária à sua futura participação activa enquanto
cidadãos de uma sociedade científica e tecnologicamente desenvolvida. A
tarefa dos professores das áreas científicas é, hoje em dia, a de criar uma nova
visão do ensino-aprendizagem da ciência que permita aos jovens acompanhar
as mudanças sociais, o avanço das fronteiras da ciência e da tecnologia e o

significado que estas têm para a vida, não só no momento presente, mas
igualmente no futuro. A educação tem de se abrir para uma visão pluralista e
mutável do mundo, uma visão
que permita a cada um desenvolver a sua singularidade e integrar-se depois no
conjunto social.
O professor deve empenhar-se numa contínua formação pedagógica,
metodológica científica e relacional. A reflexão do professor acerca das suas
próprias ideias sobre a ciência e sobre como se produz o conhecimento
científico influenciam as opções que faz a nível pedagógico. Para tal,
necessitam de treino específico para esse tipo de ensino, bem como partilhar

50
impressões e conhecimentos com outros professores assim como com
cientistas e associações científicas.

Estabelecimento de protocolos com Instituições e Empresas

Estes protocolos visam quer a possibilidade de visita e utilização das


instalações, quer a colaboração na formação dos professores e ainda a
possibilidade de deslocação de especialistas à escola para participação em
seminários temáticos ou demonstrações. Serão efectuados contactos com o
Instituto Gulbenkian da Ciência, Quercus, Jardim Botânico, Museu da Ciência,
Museu de História Natural, Faculdade de Ciências de Lisboa, Universidade de
Aveiro, Universidade de Coimbra, Solvey, entre outros.

Organização de actividades para o 1º ciclo

Serão organizadas actividades nos espaços laboratoriais criados com os


alunos do 1º ciclo, especialmente com os do 4º ano de escolaridade de forma a
desenvolver o gosto pela ciência e algumas competências científicas
adequadas ao nível de ensino.

3. Recursos necessários

Os recursos solicitados neste Projecto visam a criação e reorganização de três


espaços laboratoriais respeitantes cada um deles às Ciências da Natureza, às

Ciências Naturais e às Ciências Físico-Químicas. Cada um deles terá, de


acordo com o esquema 1, os recursos de acordo com as estratégias e os
resultados que se querem obter. Pretende-se criar espaços diferenciados de
trabalho dos alunos, com mobiliário e equipamentos adequados,
nomeadamente um espaço de estudo e de

trabalho de pesquisa e outro de trabalho experimental. Para além disso, criar-


se-ão soluções de arrumação do material didáctico de forma a proporcionar um

51
funcionamento adequado no laboratório. Em função do número de alunos por
turma, os alunos serão organizados em cinco ou seis grupos de trabalho,
prevendo-se a necessidade de material didáctico em quantidades apropriadas.

Recursos materiais Verba necessária (euros)


Mobiliário 12 Móveis de bancada 5 000
12 Armários de parede 4 800
3 Armários de arrumação 1 500
18 Computadores 13 000
3 Impressoras multifunções 300
3 Projectores de vídeo 3 600
3 Retroprojectores 750
12 Microscópios 10 800
3 Écrãs murais 270
Preparações definitivas 450
Reagentes 400
Material de vidro 200
Modelos educativos 5 500
2 mini estufas 80
Kits didácticos 3 500
4 Placas de aquecimento 160
2 Mantas de aquecimento 280
Enciclopédias 800

52
Balanças escolares 210
Quadros murais 400
Software educativo 900
Filmes didácticos 800
Material de desgaste 1 000
Visitas de estudo 5 000
Formação de professores 1 200
Total 60 900

4. Avaliação do Projecto

Estão previstas várias formas e instrumentos de avaliação ao longo do projecto


relativas quer ao percurso seguido, quer aos resultados finais efectivamente
atingidos. Em relação à avaliação do percurso, realizar-se-ão reuniões
periódicas com os professores da equipa de trabalho e far-se-á o levantamento
das dificuldades sentidas quer pelos professores quer pelos alunos, em função
de recolha de informação elaborada na sala de aula pelos professores das
diferentes turmas. Para a recolha desses dados, os professores usarão grelhas
de observação e realizarão inquéritos de satisfação aos alunos.

Uma das características importantes do ambiente construtivista que se deverá


implementar é a capacidade de o aluno se auto-avaliar e avaliar os outros
colegas. O acto de avaliar as capacidades práticas dos colegas é geralmente
muito proveitoso, na medida em que ajuda a melhorar as próprias capacidades.
Assim, cada professor proporcionará discussões em grupo e todas as
actividades serão sujeitas a recolha e análise sistemática de dados sobre a
forma como decorreram e o sucesso das mesmas.

No final de cada ano lectivo, far-se-á a análise dos resultados escolares obtidos
pelos alunos na área das ciências e tomar-se-ão as respectivas medidas tendo
em vista o caminhar para a excelência nesta mesma área.

53
Com este processo de avaliação pretende-se salientar os aspectos negativos,
e positivos das actividades realizadas assim como o levantamento das
dificuldades sentidas quer pelos professores quer pelos alunos e permitir a
adequação e alteração de procedimentos. A avaliação será entendida não
como uma forma de punição aos alunos ou de “lamento” das situações
negativas ocorridas, mas sim como um processo de construção e melhoria do
sucesso educativo dos alunos, com constantes reformulações e adaptações.

CURRÍCULO FUNCIONAL

Coordenadora de Projecto: Maria Inês Arêz


Equipa de Projecto: Anabela Raposo/ Mª do Rosário Conceição/ Mª Inês
Arêz

O Currículo Funcional é uma resposta educativa para jovens com


Necessidades Educativas Especiais de carácter prolongado, que funciona há
alguns anos no Agrupamento de Escolas de Vialonga, sendo a única escola, no
concelho de Vila Franca de Xira, com esta resposta educativa. Consideramos

54
este Projecto inovador porque concilia a formação em contexto protegido, com
a formação em contexto real sempre que possível. Também porque estes
alunos estão integrados em turmas, frequentando apenas as disciplinas de
carácter prático e paralelamente usufruem de acompanhamento individualizado
(em pequeno grupo) nas restantes disciplinas, por uma equipa multidisciplinar.
Equacionou-se esta solução tendo em conta o cariz funcional das disciplinas, a
problemática apresentada pelos alunos e as suas necessidades educativas.
Privilegiar a vertente prática, o aprender fazendo, em detrimento da vertente
teórica, exclusivamente académica, são, no caso destes alunos com deficiência
mental, uma mais valia na transição para a vida adulta. Desta forma
consegue--se também o desenvolvimento de competências sociais,
potencializando-se o relacionamento inter-pessoal com os pares.
O público alvo, deste Projecto, são todos os jovens com deficiência mental do
Agrupamento de escolas de Vialonga.

O número de jovens atendidos neste âmbito tem vindo a aumentar, prevendo-


se que esta tendência se confirme a partir de dados obtidos do levantamento
efectuado nas diversas escolas/agrupamento, constantes da tabela seguinte:

Escolas/Jardins do 2005/06 2006/07 2007/08 2008/09 2009/10


Agrupamento
Jardins Públicos 4*
E.B.1 nº1 de Vialonga 1 2 3
E.B.1 nº2 de Vialonga 1
E.B.1 Cabo 1 2
E.B.1 nº1 de Alpriate
E.B. 1 nº2 de Alpriate 1 1
(Granja)

55
E.B.1 de Santa Eulália 1
E.B. 2 3 de Vialonga 5 8 5 8 14
Projecto Currículo 5 8 8 14 18
Func.
* Crianças não contempladas no número de alunos que frequentarão o
Currículo Funcional.

Da análise da tabela, verifica-se que o número de alunos irá aumentar de forma


expressiva.
O Projecto de Currículo Funcional funciona nos diversos blocos da escola e
socorre-se de instalações exteriores à mesma por forma a optimizar a
qualidade da intervenção em actividades de Vida Diária. Devido às
problemáticas apresentadas por este tipo de população e por questões de
segurança, houve a necessidade de assegurar, em transporte cedido pela
Autarquia a deslocação destes jovens. Por razões alheias à vontade da
Autarquia, acontecem alguns imprevistos tais como: falta dos funcionários,

avaria da viatura, etc, o que conduz a situações de instabilidade, agitação e


ansiedade implicando incumprimento de horários, o que contribui para que os
alunos quebrem rotinas tão necessárias à sua estruturação sócio-emocional.
Equacionou-se a situação de os alunos utilizarem as instalações exteriores à
escola, um dia por semana, porque desta forma realizavam as aprendizagens
em contexto natural e também devido ao facto de nesse dia não haver
nenhuma sala disponível na escola. Neste momento esta solução tornou-se
menos eficaz pelos constrangimentos mencionados e também porque retira
durante um dia, estes alunos da comunidade escolar, privando-os de uma área
essencial para o seu desenvolvimento, a socialização em contexto educativo
natural.
As circunstâncias apresentadas levaram-nos a reflectir e a equacionar
diferentes factores: o aumento do número de alunos no Projecto Currículo
Funcional, a melhoria da qualidade da intervenção junto dos mesmos, a
salvaguarda de rotinas que permitam o seu equilíbrio emocional. Esta
constatação conduziu-nos ao problema de partida:

56
♦ Insuficiência na resposta educativa do Projecto de Currículo Funcional
face ao aumento do número de alunos.

PLANO DE ACÇÃO

ACTIVIDADES
RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS
1- Criação de uma sala de referência, adaptada, para o melhor
funcionamento do Projecto de Currículo Funcional;
1.1-Equacionar o espaço segundo as diferentes áreas de trabalho: área
da casa/cozinha; área da casa/quarto; área da casa/wc; área polivalente;
Na área polivalente irão desenvolver-se disciplinas de carácter
profissional/práticas e artísticas: carpintaria, cerâmica, tapeçaria/lavores,
hortofloricultura, expressão dramática, musicoterapia e informática;
2- Constituição de uma bolsa de recursos humanos especializada em áreas

profissionais práticas e artísticas: professores de carpintaria, cerâmica,


tapeçaria/lavores, hortofloricultura, expressão dramática, musicoterapia,
informática, culinária e auxiliar de acção educativa a tempo inteiro (ver
orçamento previsional);
3- Aquisição de materiais diversificados para as áreas profissionais,
artísticas e académicas (ver orçamento previsional);
4- Constituição de uma bolsa de estágios em meio protegido (Ex: refeitório,
reprografia, etc) e contexto real (Ex: empresas da comunidade), em
articulação com as turmas de percurso curricular alternativo;
4.1- Supervisão dos estágios nas duas modalidades;
4.2- Visitas de estudo em articulação com as turmas de percurso
curricular alternativo.

META
▪ Dotar os alunos de competências de modo a serem cidadãos autónomos e
com projectos de vida saudáveis.

57
FORMAS DE AVALIAÇÃO

Objecto de avaliação
1- Resultados obtidos pelos jovens em termos de competências: qualidade das
interacções comunicativas, sociabilidade, autonomia, competências nas áreas
profissionais, artísticas e académicas de acordo com o Plano Educativo
Individual e Plano Individual de Trabalho (aquisição de 75%).
2- Número de estágios obtidos em meio protegido (50%) e em contexto real
(25%);
3- Número de visitas de supervisão aos estágios nas duas modalidades.
4- Desenvolvimento do processo interno do trabalho de projecto.

Instrumentos de avaliação utilizados


• Grelha de assiduidade;
• Plano Educativo Individual e Plano Individual de Trabalho;
• Registo em vídeo, para avaliação naturalista;
• Auto – avaliação, dos jovens relativa ao trabalho desenvolvido nas diferentes
áreas e resultados comportamentais;
• Grelha de assiduidade das visitas de estudo;
• Grelha de assiduidade das visitas aos locais de estágio;
• Actas das reuniões.

ORÇAMENTO PREVISIONAL DO PROJECTO CURRÍCULO FUNCIONAL

58
Despesas de instalação/ remodelação do edifício 50.000,00 €
Mobiliário 3.000,00 €
Consumíveis 6.000,00 €
Equipamento de carpintaria 1.000,00 €
Equipamento de horticultura 1.000,00 €
Equipamento de tecelagem/ lavoures 1.000,00 €
Equipamento de culinária 1.000,00 €
Equipamento de cerâmica 1.000,00 €
Equipamento de musicoterapia 500,00 €
Equipamento de expressão dramática 500,00 €
Equipamento de informática 3.500,00 €
Custos com pessoal
Professor hortofloricultura/8h por semana
Professor carpintaria/8h por semana
Professor lavoures/8h por semana
Professor de musicoterapia/4h por semana
Professor de expressão dramática/ 10h por
semana
Professor de cerâmica/8h por semana
Cozinheiro/8h por semana
Total de Custos 68.500,00 €

59
C. Funcionais / Psicólogas
Memória descritiva
Objectivo:
Construção de um
edifício de apoio.
Localização:
Entre o bloco “C” e o
futura “Bloco
Tecnológico”.
Construção:
Edifício de cerca
de 50 m2 com três salas e
entrada, em dois pisos, de
construção de alvenaria
de tijolo, e interiores de
madeira, com laje maciça,
ou como alternativa, dois
blocos tipo contentor,
“Casa de Madeira”,
Estimativa de Custo:
20 000€. (vinte mil euros)
Utilizando alguns recursos
humanos da escola, como
a colaboração de
professores e alunos dos
C.E.F., na execução dos
interiores.

60
O F E R TA S D I F E R E N C I A D A S

CURSOS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO/


PERCURSO CURRICULAR ALTERNATIVO

O Território Educativo de Intervenção Prioritária de Vialonga procurou, desde


1998, dar uma resposta educativa diferenciada aos alunos em risco de
abandono escolar.
Nesse sentido criámos Cursos de Educação e Formação, Turmas de Percurso
Curricular Alternativo e, mais recentemente, grupos de alunos em Currículo
Funcional, procurando assim que todos os alunos concluam com sucesso a
escolaridade obrigatória.
Esta oferta educativa diferenciada tem, na EB 2,3, a seguinte dimensão:
Total de alunos da EB 2,3 (2006/2007) Ens. Regul. C. Ed.Form. PCA Cur. Func.
943 796 85% 82 8% 65 6% 8 0,8%

Estas experiências revelaram-se muito positivas contribuindo de modo decisivo


para diminuir os níveis de abandono e insucesso escolares.
Uma maior qualidade do trabalho que nos propomos fazer implica a remoção
de 2 principais constrangimentos, a saber:
• Desde há 8 anos que solicitamos à DREL a construção de um Bloco
Oficinal que garanta maior segurança e melhor qualidade no trabalho que
realizamos. Esta necessidade foi entendida: a construção do Bloco está
autorizada, o projecto feito e orçamentado também há vários anos.
Pensamos que a fase de concurso também está concluída.
Acreditamos que, no próximo ano lectivo, o trabalho já esteja concluído,
permitindo-nos cumprir, com maior rigor, esta Formação diferenciada.

61
• Estas áreas profissionalizantes/vocacionais necessitam de professo-
res/técnicos com formação diversificada, capazes de corresponder aos
interesses/necessidades dos nossos alunos.
O Concurso Nacional de Professores nem sempre permite responder da

melhor forma às nossas necessidades. Pensamos que este problema


está ultrapassado com a nova legislação (Oferta de Escola) sobre
contratação de professores para estas formações.

CURSOS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO


Coordenador: Professor João Lopes

Esta Oferta Diferenciada, existente em Vialonga desde 1998, ganhou grande


prestígio entre os alunos e encarregados de educação que pensamos ser
atribuível à qualidade do trabalho que temos realizado, com elevados níveis de
satisfação e sucesso dos nossos alunos.
Todos os anos a procura é superior à nossa capacidade de oferta. Não só um
número razoável dos nossos alunos manifesta vontade de transitar do ensino
regular para esta formação profissionalizante, mas também jovens de outras
escolas do nosso Concelho e de outros da nossa proximidade.

As propostas de candidatos começam a ser elaboradas a partir de início do 2º


período pelos directores de turma, em cooperação com os alunos e
encarregados de educação.
Com o objectivo de conseguirmos conciliar os interesses/competências dos
alunos com as ofertas existentes na escola (ou noutros centros de formação)
os professores das áreas técnicas, juntamente com os Serviços de Psicologia e
Orientação, organizam, desde há 3 anos, testes de orientação vocacional.

A experiência mostra – expressa no elevado número de candidatos - que esta é


uma oferta indispensável no nosso Território. Também os resultados

62
comprovam que a temos realizado com qualidade, não obstante os
constrangimentos atrás referidos.
Esta qualidade é visível nas Provas de Avaliação Final (PAF) que têm de ser
realizadas, desde há 2 anos, terminada a Formação em contexto de escola e
na apreciação feita pelos parceiros com quem estabelecemos protocolos para
realização de estágio em contexto real de trabalho.

Pensamos que é importante dar novos passos que nos permitam, de forma
sistemática, acompanhar o percurso destes alunos, terminado o 9º ano.
Mantemos contactos informais com muitos deles e, apesar de não existir ainda
um observatório com dados quantitativos, sabemos que:
• Alguns, terminada a formação, ingressaram no mercado de trabalho, já em
muitos casos nas áreas em que fizeram formação.
• Muitos continuaram a sua formação, ingressando em Cursos Profissionais
ao nível do Ensino Secundário
• Poucos regressaram ao ensino regular e estão matriculados no Ensino
Secundário
• Outros estão um pouco perdidos, com dificuldade em organizar o seu
Projecto de Vida

Pretendemos organizar um programa de “Acompanhamento/Monitorização de


alunos após conclusão do 9º ano” com o objectivo de conhecermos os
resultados do nosso trabalho e, podermos, sempre que necessário, ajudar os
nossos ex-alunos na organização do seu percurso de vida.

Também consideramos que devemos reforçar o apoio dado a estes jovens,


nomeadamente através daquilo que designamos “Serviço de Apoio à Formação
Profissional”.

Para finalizar, propomos que a Direcção Geral de Formação Vocacional


promova uma discussão sobre a duração dos cursos de Nível 2 Tipo 2.

63
Actualmente com a duração de 2 anos, integram alunos com uma muito
diversificada formação escolar (podem ingressar desde alunos com o 6º ano
concluído até àqueles retidos no 8º ano).
Parece-nos que o modelo anterior – em que a formação tinha a duração de 3
anos – permitia melhor trabalho em todos os domínios e não originava uma
carga curricular tão pesada.

PERCURSOS CURRICULARES ALTERNATIVOS DE 2º E


3º CICLOS
Coordenadora: Professora Maria Graciete Fonseca

Fundamentação do Projecto

Consideramos que esta é, desejavelmente, uma medida transitória nos


percursos escolares , dirigida a alunos com graves problemas de
aprendizagem/integração na escola.
Acreditamos que medidas educativas como:
• Alargamento do pré-escolar
• Oficina de Língua Portuguesa dirigida a crianças para quem o Português
é 2ª Língua
• Maior diferenciação das aprendizagens desde os primeiros anos de
escolaridade

64
• Escolarização da população adulta
• …
a tornem desnecessária.

No momento actual é uma solução indispensável no combate ao abandono


escolar e sucesso educativo.
Uma experiência de 8 anos com estas crianças/jovens – na maioria dos casos
sinalizadas como “de risco” – permiti-nos afirmar que este trabalho tem
cumprido os objectivos previstos.
O caminho feito desde que iniciam o trabalho – com elevado deficit de
motivação, comportamentos desajustados e gravíssimas dificuldades de
aprendizagem – até à sua conclusão torna visível a importância do trabalho
realizado pela equipa de professores “voluntária” que, desde o trabalho de
constituição da turma até à conclusão do 9º ano:

• Colabora na selecção dos alunos, com base na legislação sobre estes


percursos
• Prepara um projecto de trabalho articulado para os vários anos de
escolaridade
• Organiza a Formação Vocacional, procurando que ela seja diversificada ao
longo do percurso educativo dos alunos
• Promove alterações curriculares, ajustando-as aos interesses/ne –
cessidades do grupo turma
• Individualiza as aprendizagens
• Organiza o estágio profissional que deve ser realizado ao longo do 9º ano,
em contexto real de trabalho, com recurso a parceiros do sector empresarial
ou de serviços, de acordo com os interesses manifestados pelos alunos

65
Este trabalho é realizado pela equipa pedagógica, em reuniões semanais. E
esta situação remete-nos para a importância, em todas as modalidades de
aprendizagem, da construção de equipas pedagógicas fortes, com tempo para
trabalhar cooperativamente.

Pretendemos, e enquanto se manifestar necessário a existência desta oferta,


melhorar a sua qualidade, nomeadamente solicitando autorização para que a
equipa pedagógica seja reforçada com um professor de 1º ciclo, recurso
importante nas situações em que o principal obstáculo à aprendizagem é a falta
de competências básicas do 1º ciclo, nomeadamente o domínio da técnica de
leitura e escrita.
Também pretendemos, com estes alunos, aplicar os programas de
“Acompanhamento/Monitorização de alunos após conclusão do 9º ano” e
“Serviço de Apoio à Formação Profissional”.

Avaliação do projecto

É feita no decurso do trabalho pela equipa pedagógica. Sempre que necessário


serão feitas as alterações para ultrapassar / melhorar e ajustar os objectivos
delineados de forma a alcançar as competências pretendidas.

PERCURSOS CURRICULARES ALTERNATIVOS NO 1º


CICLO
Coordenador: Professor Norberto Augusto dos Santos Albuquerque e Silva
Função: Professor Titular de Turma

A constituição do Agrupamento de Escolas de Vialonga tornou visível um


problema grave. Verificámos que:
• Havia um razoável número de crianças inscritas no 1º ciclo que não
efectuavam a sua matrícula no 2º ciclo
• Muitas destas crianças, apesar de matriculadas, tinham um gravíssimo
absentismo

66
• Permaneciam anos seguidos na escola, sem conseguirem adquirir as
competências essenciais do 1º ano

Estas crianças são todas de etnia cigana e residem em 2 áreas de Vialonga:


Cabo e Granja.

Pensamos que era necessário encontrar uma solução para este grave
problema.
Recorremos à actual legislação sobre Percursos Curriculares Alternativos e que
prevê estas soluções para o 1º ano.
Seleccionámos um grupo de crianças que estavam nas condições atrás
descritas. Inicialmente 11 (com idades compreendidas entre os 9 e os 14 anos)
são no momento actual 18 o que originou um pedido já feito à DREL para
desdobramento da turma.
Criámos uma equipa de professores e desafiámo-los para apresentarem um
projecto centrado nas seguintes questões:
• Combate ao abandono escolar
• Promoção de aprendizagens diferenciadas capazes de motivar

crianças/jovens
• Desenvolvimento de competências sociais

Concluída esta fase do trabalho iniciámos reuniões com os encarregados de


família (na maioria dos casos apenas as mães, porque os pais estão presos) a
quem apresentámos o projecto.
Assegurámos que ia ser feito um trabalho de qualidade com os seus filhos.
Concedemos que teriam direito a pequeno almoço e almoço.
Estabelecemos as seguintes condições:
• passariam a ir à escola todos os dias
• cumpririam as regras sociais comuns a todos os alunos da escola

67
O projecto foi aceite e o trabalho iniciado na EB 1 do Cabo.

É tarefa claramente difícil. A primeira prioridade está centrada na aquisição de


competências sociais: relações inter-pessoais, higiene, alimentação, o estar
(nomeadamente no Refeitório – trabalho em que são acompanhados pelo
professor titular de turma e pela professora de Apoio Educativo) …
A par deste trabalho estão a ser trabalhadas as competências curriculares,
tarefa desenvolvida cooperativamente pela equipa pedagógica constituída por:
• Professor titular da turma
• Professor de Apoio Educativo
• Professor de Música
• Professor de Expressão Plástica
• Professor de Educação Física
• Professor de Técnicas Comerciais
• Professor de Expressão Dramática
• Profissional da área da costura

Nas actividades da sala de aula é utilizado o método global da leitura e da


escrita, contextualizado nas suas vivências, assim como a área da Matemática.
As actividades feitas pelos outros professores são integradas nessa actividade

principal, adaptadas ao trabalho que está a ser realizado nesse dia na sala de
aula.

Há um grupo de alunos que, no período da tarde, tem uma Oficina de Costura.


Procuramos sensibilizar um grupo de rapazes para que, também no período da
tarde, se integrem nas actividades oficinais do Curso de Serralharia Mecânica

68
Temos consciência de que o sucesso deste trabalho depende da constituição
de parcerias em particular com a Câmara Municipal, Junta de Freguesia,
Centro de Saúde, Segurança Social e Centro de Emprego.
As condições de vida destas 2 comunidades, em Vialonga, constituem um
verdadeiro atentado à dignidade humana e saúde pública.
Pensamos que cada um de nós deve assumir as suas responsabilidades
sociais.
O Agrupamento compromete-se a:
• Envidar esforços no sentido de estas crianças passarem a ter acesso à
educação pré-escolar
• Acompanhar, atentamente, o trabalho de todas as outras crianças,
pertencentes a esta minoria étnica, matriculadas nas nossas escolas para
evitar que se perpetuem situações de abandono e insucesso escolares
• Sensibilizar o corpo do docente para a importância da diferenciação
pedagógica, em todas as situações, mas particularmente com crianças com
dificuldades de aprendizagem
• Articular o nosso trabalho com o Centro de Saúde com o objectivo de
prevenir/tratar situações que possam ser causa destas dificuldades.

A C O M PA N H A M E N T O E M O N I T O R I Z A Ç Ã O
de alunos após conclusão do 9º ano,

69
particularmente aqueles que realizaram percursos
diferenciados

Coordenadoras:
Rosário Conceição – Paula Tiago

SITUAÇÃO PROBLEMA 1 – Inexistência de estudos do percurso escolar/


profissional dos alunos após conclusão do 9º ano, em especial os que
realizaram percursos diferenciados neste agrupamento

SITUAÇÃO PROBLEMA 2 – Inexistência de acompanhamento/monitorização


de alunos após conclusão do 9º ano, em especial os que realizaram percursos
diferenciados neste agrupamento

OBJECTIVO GERAL:
▪ Acompanhamento/monitorização de alunos após conclusão do 9º ano, em
especial os que realizaram percursos diferenciados.

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS:
▪ Fazer levantamento do percurso escolar e profissional dos ex-alunos dos
percursos curriculares alternativos, projecto currículo funcional e cursos de
educação e formação;
▪ Conhecer o grau de sucesso dos percursos curriculares, projecto currículo
funcional e cursos de educação e formação na inserção escolar e profissional;
▪ Explorar a influência da realização de percursos diferenciados na vida
escolar/profissional e pessoal dos ex-alunos que os frequentaram;
▪ Constituir uma base de dados que possibilite divulgar as diferentes ofertas
educativas, formativas e de emprego, de acordo com a tomada de decisão de
cada ex-aluno que realizou um percurso diferenciado;
▪ Promover o contacto com jornais, revistas, Internet, Centro de emprego e
estimular o seu emprego como fontes de informação e instrumentos de
orientação escolar e profissional;
Incentivar uma postura activa e autónoma quanto às pesquisas de informação,
sua exploração e integração;

70
71
PLANO DE ACÇÃO
A – Estratégias/Acções a realizar

1- Estudo longitudinal sobre o percurso escolar e profissional dos ex-


alunos que concluíram o 9ºano

Actividades
1.1-Construção/aplicação de questionários
1.2-Consulta das listagens dos ex-alunos
1.3-Análise dos resultados obtidos nos questionários
1.4-Saber a opinião dos ex-alunos sobre a importância dos percursos
diferenciados na sua vida pessoal/escolar e profissional

2- Divulgação dos resultados obtidos

Actividades
2.1- Criação de um pequeno livro sobre os resultados obtidos

3- Estabelecer protocolos com várias entidades de forma a incentivar


percursos escolares de prosseguimento de estudos na continuidade
das áreas dos cursos ministrados no agrupamento

Actividades
3.1- Reuniões com as escolas secundárias do concelho de V. F. Xira, o IEFP e
o Centro de Emprego

4 - Estabelecer protocolos com várias entidades de forma a


proporcionar a divulgação da sua oferta de emprego e de formação nas
áreas dos cursos ministrados no agrupamento

Actividades
4.1- Reuniões com as várias entidades

72
5- Construção de uma base de dados sobre as diferentes ofertas
educativas, formativas e de emprego no concelho de Vila Franca de
Xira

Actividades
5.1-Elaboração de listagens
6- Sessões de orientação escolar e profissional

Actividades
6.1-Actividades promotores de técnicas de procura de emprego

B- POPULAÇÃO ALVO
Ex-alunos do 9º ano, particularmente aqueles que realizaram percursos
diferenciados e alunos do projecto currículo funcional

C- RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS


Alocação de um psicólogo a meio tempo - cerca de 500 € /mês
Verba para consumíveis – 150 €
Verba para a construção do livro – 200 €

D- CALENDARIZAÇÂO
1º ano de execução:
• Estudo longitudinal sobre o percurso escolar e profissional
dos ex-alunos que concluíram o 9ºano
2º e 3º anos de execução:
• Divulgação dos resultados obtidos
• Estabelecer protocolos com várias entidades de forma a incentivar
percursos escolares de prosseguimento de estudos na continuidade
das áreas dos cursos ministrados no agrupamento

73
• Estabelecer protocolos com várias entidades de forma a proporcionar
a divulgação da sua oferta de emprego e de formação nas áreas dos
cursos ministrados no agrupamento
• - Construção de uma base de dados sobre as diferentes ofertas
educativas, formativas e de emprego no concelho de V. F. Xira
• Sessões de orientação escolar e profissional

E – CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

Construção do livro
Quantidade de protocolos estabelecidos
Construção da base de dados
Número de sessões de orientação escolar e profissional efectuadas

F – PARCERIAS

IEFP
Centro de emprego
Escolas secundárias do concelho de V.F,Xira
CERCI
AIPNE

74
SERVIÇO DE APOIO À FORMAÇÃO
PROFISSIONAL

Coordenador: A designar

Tendo em conta a diversidade de oferta educativa existente na Escola E.B. 2,3


de Vialonga, na qual se inserem os Cursos de Educação e Formação,
Percursos Curriculares Alternativos e Currículo Funcional, e que são
frequentados por jovens com uma grande heterogeneidade de problemas que
vão das dificuldades de aprendizagem acentuadas a problemas
comportamentais, parece-nos importante um reforço do apoio ao SPO na área
da formação profissional.
O processo de orientação e selecção dos alunos para as diferentes ofertas
formativas é feita pelo SPO, mas para além dessa selecção é importante que
inicialmente o aluno possa ter um contacto efectivo com os cursos que a escola
oferece para ser feita uma opção mais consciente por parte do aluno; é
também essencial que exista uma boa articulação com os directores de turma
para que estes possam informar melhor os seus alunos e os respectivos
encarregados de educação das diferentes opções formativas para o seu
educando.
Como estas ofertas formativas têm uma grande carga horária de componente
prática e um estágio profissional que visam uma melhor e mais fácil integração
profissional torna-se imprescindível o levantamento do tecido empresarial da
área de influência da nossa escola para sabermos quais as necessidades em
termos de emprego e assim adaptar as ofertas da escola às necessidades dos
empregadores, bem como a criação de protocolos para estágio e articulação
com as empresas/instituições que trabalham com a nossa população (jovens).

Por tudo isto, parece-nos que seria importante um complemento ao trabalho


realizado pelo SPO com os seguintes objectivos:

75
• Após o processo de orientação dos alunos e ponderado a melhor
alternativa de integração deste, sempre que solicitado pelo director de
turma será feito um acompanhamento mais individualizado e
ponderados futuros apoios.
• Despiste pré-vocacional em colaboração com o SPO para alunos dos
Percursos Alternativos, Cursos de Educação e Formação e Currículo
Funcional;
• Apoio à colocação dos alunos no local de estágio em colaboração com o
Director / Coordenador de Turma;
• Estabelecimento de protocolos de estágio entre a escola e as diversas
entidades do Concelho;
• Inventariação dos cursos de formação (Centros de Formação
Profissional / Escolas Profissionais);
• Levantamento do tecido empresarial com vista a permitir uma
adequação da oferta formativa da escola às necessidades do meio
laboral;
• Apoio às visitas de estudo.

O Serviço de Apoio à Formação Profissional terá sempre como princípio de


acção:
• Articulação com o SPO;
• Articulação com os professores de Apoio
• Articulação com os Coordenadores de Turma;
• Articulação com os professores de 1º Ciclo;
• Articulação com o Centro de Emprego de Vila Franca de Xira;
• Câmara Municipal e Junta de Freguesia;
• Articulação com o GAAF.

Recursos
Para desenvolver este projecto de apoio ao SPO torna-se importante a
contratação de um Psicólogo.

76
Avaliação
A avaliação será feita ao longo do ano por todos os professores / técnicos
envolvidos. Caso seja necessário serão feitas as alterações para ultrapassar /
melhorar e ajustar os objectivos delineados de forma a alcançar os objectivos
pretendidos.

RECURSOS SOLICITADOS PARA TODO O PROJECTO

• Bloco oficinal;
• Técnicos de diferentes áreas profissionais;
• Professor 1º ciclo;
• Terapeuta da fala;
• Psicólogo.

Subjacente a todo este projecto está a necessidade de material de apoio para o


bloco oficinal e para cada técnico poder desenvolver o seu trabalho.

77
R E D E D E C O M P U TA D O R E S

Coordenador:
Orlandino Silva

Objectivo

Pretendemos criar uma rede de computadores que abranja todo o


agrupamento de escolas. Esta rede será implementada em duas fases.
A primeira fase consiste em alargar a rede por cabo existente no edifício do
bloco A a todos os outros blocos que constituem a escola e implementar a rede
wireless no interior de todos os blocos.
Na segunda fase pretende-se que todas as escolas que fazem parte deste
agrupamento estejam ligadas em rede.
A responsabilidade deste projecto fica a cargo do Professor Orlandino Silva e
da empresa que vai instalar esta rede.

Calendarização
Visto que este projecto se vai realizar em duas fases iremos ter dois momentos
de implementação.
A primeira fase do projecto será implementada no início do ano civil de dois mil
e sete (2007).
A segunda fase do projecto será implementada no final do ano civil de dois mil
e oito (2008) ou início do ano civil de dois mil e nove (2009).

78
Plano de Acção

Identificação do Problema
Com este projecto pretendemos tornar funcional a sala móvel e a plataforma de
ensino/aprendizagem (Moodle), através do acesso à Internet. Com a
implementação da rede vai ser possível aceder á base de dados de gestão dos

alunos através de um terminal instalado em cada sala de aula, com a


funcionalidade de registar os sumários e as faltas dos alunos.

A sala móvel é constituída por catorze portáteis e um projector, adquiridos no


âmbito do projecto do CRIE, que se deslocam por todas as salas de aula,
disponíveis para todas as disciplinas e para uso exclusivo dos alunos.

Primeira fase do projecto


Nesta escola temos uma rede de computadores no edifício do Bloco A que
serve toda a parte administrativa, Biblioteca e duas salas de aula. Nesta rede
está instalado um servidor com uma base de dados (PAAE) que faz a gestão
dos alunos e dos vencimentos de todos os funcionários e Professores.
Pretendemos melhorar esta rede e alargá-la a todos os blocos que constituem
a escola e no interior de cada bloco instalar rede wireless.

79
Esta imagem dá-nos uma visão geral do que pretendemos fazer numa primeira
fase do projecto. Nesta imagem podemos ver todos os edifícios que constituem
a escola interligada por uma rede wireless entre si. Esta rede vai servir Internet
a todos os blocos (como pode ser constatado na imagem anterior) e, ao
mesmo tempo, servir a base de dados que faz a gestão os alunos. A portaria da
escola vai estar ligada a um dispositivo de controlo de Alunos, Funcionários e
Professores no que diz respeito à entrada e saída das instalações. Nesta rede
será criado um domínio privado para acesso a base de dados (PAAE).

Segunda fase do Projecto


Na segunda fase do projecto pretendemos alargar esta rede a todas as escolas
do agrupamento. Este agrupamento é constituído por seis escolas do 1º Ciclo e
por três jardins-de-infância.

80
É importante para o agrupamento que as escolas estejam ligadas entre si por
uma rede que forneça uma base de dados de gestão dos alunos.
Recursos Financeiros

Para a implementação da primeira fase do projecto, foi consultada uma


empresa a qual orçamentou o projecto em 15 000€.
Acresce a este valor cerca de 4 000 € para aquisição de 1 servidor.
No que diz respeito à segunda fase do projecto, não nos é possível apresentar
um orçamento visto que este apenas será implementado daqui a dois anos.
Devido à constante evolução das novas tecnologias, apresentaremos o
respectivo orçamento a posteriori com uma data mais próxima da sua
realização.

Resultados Esperados
Com esta rede de computadores pretendemos promover, por parte dos
professores, a utilização de novas tecnologias, como suporte aos processos de
ensino/aprendizagem.
Com esta rede temos a possibilidade de passar de um sistema tradicional de
educação para um sistema que auxilie a prática pedagógica do professor e
ajude a aprendizagem do aluno.

81
O registo de sumários e as faltas dos alunos nos terminais de acesso à rede no
início de cada aula possibilita a diminuição de tarefas dos Directores de Turma
e, ao mesmo tempo, liberta-os para um melhor acompanhamento dos alunos.
Esta rede vai permitir desenvolver competências básicas na utilização das
novas tecnologias, para actividades lectivas na realização de tarefas on-line.

Avaliação

A avaliação do projecto será feita no final de cada ano lectivo, recorrendo a


questionários a preencher pelos professores e alunos, onde vão manifestar a
importância desta rede de computadores no processo de novos métodos de
ensino/aprendizagem.

82
Valorizar o Território,
combatendo
a guetização

83
Valorizar o Território
• Educação Artística, pag. 79

• Núcleo de Teatro, pag. 86

• Grupo de Violinos, pag. 90

• Orquestra de Vialonga, pag. 91

• Teia Musica, pag. 93l

• Musicoterapia, pag. 97

• Educação Física – Desporto Escolar, pag. 106

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

Coordenador: Carlos Batalha


Subcoordenador Expressão Dramática: Maria João Mesquita
Subcoordenador Núcleo de Teatro: Ângela Ferreira
Subcoordenador Musicoterapia: Edna Pinto

1. Identificação do problema

Tendo em conta a multiculturalidade do meio envolvente à escola e os hábitos


e perfis sociais contrastantes da população, a escola presta um papel
insubstituível no desenvolvimento individual, social e cultural da comunidade,
no combate à marginalidade e exclusão social. Apesar de próxima da cidade de
Lisboa, Vialonga assume contornos de gueto, tendo a população residente
escassas oportunidades de acesso a eventos artísticos/culturais, não só devido
a factores económicos, pois a grande parte da população escolar é subsidiada

84
e proveniente de famílias carenciadas, mas porque a oferta cultural na vila é
muito escassa.
A Cultura entendida como uma dimensão da cidadania torna-se um elemento
básico para a coesão e inclusão social e gera ao mesmo tempo confiança e
auto-estima não só nos indivíduos mas também nas comunidades. Deste
modo, julgamos fundamental a inclusão da vertente artística no Projecto TEIP.
Uma inclusão que incida em diferentes faces da expressão artística, neste
caso, através da expressão musical e dramática, proporcionando experiências
múltiplas e férteis a crianças que muitas das vezes nunca assistiram a um
concerto ou peça de teatro durante as suas vidas. Nas propostas abaixo
enunciadas pretende-se também abarcar todas as idades neste projecto, desde
o pré-escolar ao 3º ciclo, e levando a restante comunidade escolar a participar,

mais ou menos directamente. Esta vertente pretende assim dinamizar, quase


arriscaríamos, revolucionar a vida cultural na escola e freguesia, ressaltando
que a diversidade cultural é uma condição fundamental para a existência
humana e as suas expressões constituem factor valioso para o avanço e bem
estar da humanidade em geral.

2. Plano de Acção:

Como referido, o Plano de Acção nesta vertente cultural do projecto, baseia-se


nas áreas artísticas da Expressão Dramática/ Teatro e Música. Daqui surge a
implementação de vários projectos ou medidas, a saber:

Inclusão da Expressão
Dramática no 1º ciclo

Expressão Dramática/Teatro Núcleo de Teatro

Inclusão da Expressão
Música Musical no Pré - Escolar

Grupo de Violinos

85
Musicoterapia

Projecto Teia Musical

Programa Geração
Oportunidades

Expressão Dramática/Teatro

A Expressão Dramática torna-se uma área privilegiada na expressão artística


uma vez que assume um carácter fortemente globalizador, contemplando as
dimensões plástica, sonora, da palavra e do movimento em acção. Como
prática de grupo, a Expressão Dramática desenvolve a partir dos
conhecimentos, experiências e vivências individuais que os alunos detêm a
aquisição e compreensão de novas aprendizagens através da exploração de

conteúdos dramáticos. Para além disto pode proporcionar uma participação


mais activa da família na vida escolar através de uma participação efectiva na
concretização dos projectos, ou apenas estando, acompanhando as
actividades desenvolvidas. As práticas dramáticas desenvolvem também
competências criativas, estéticas, físicas, técnicas, relacionais, culturais e
cognitivas, não só ao nível dos seus saberes específicos, mas através da
mobilização e sistematização de saberes oriundos de outras áreas do
conhecimento ou de hábitos culturais, factor que nos parece determinante num
contexto multicural como o de Vialonga.
O projecto do Núcleo de Teatro tem dado uma dinâmica à vida artística da
escola de alguns anos a esta parte, bem como a oferta de escola no 3º ciclo.
Neste sentido sugerimos como plano de acção a integração e implementação
desta área artística desde o 1º ciclo do ensino básico, materializando-a numa
formação co-adjuvada com uma carga horária de 2 horas semanais.
Por outro lado torna-se também urgente a criação de um espaço que veicule as
condições necessárias no Agrupamento de Escolas de Vialonga para

86
apresentação das criações e representações que daqui irão advir, por forma a
que o trabalho desenvolvido pelos alunos e professores nesta área seja
apresentado com a qualidade original nas apresentações à restante
comunidade escolar.

Música

A Expressão e Educação Musical integra-se na Educação Estética e Cultural a


que todo o cidadão deve ter direito e livre acesso. Constitui um elemento
essencial num Sistema Educativo que se propõe oferecer uma formação
equilibrada, onde as artes aparecem com objectivos próprios e,
simultaneamente, relacionados com as demais áreas curriculares5. As
competências artístico-musicais desenvolvem-se através de processos
diversificados de apropriação de sentidos, de técnicas, de experiências de
reprodução, de criação e reflexão, de acordo com os níveis de
desenvolvimento das crianças e dos jovens. Neste sentido, como acima
referido, o plano de acção para a Música irá incidir em diversas vertentes,

começando pela sua implementação desde o pré-escolar com a disciplina de


Expressão Musical, julgando nós pertinente uma carga horária de 2 horas
semanais por sala. Numa outra vertente e observando o quadro
comportamental “desviante” de alguns dos nossos alunos, bem como daqueles
que apresentam necessidades educativas especiais, consideramos a inclusão
da valência de musicoterapia nos currículos deste alunos como um factor
determinante para o seu sucesso. A proposta que delineamos passaria pela
inclusão desta valência no currículo dos alunos com necessidades educativas
especiais e dos alunos das turmas de percursos curriculares alternativos, em
sessões de duas horas semanais.

O programa GERAÇÃO OPORTUNIDADES proposto pela Escola de Música


do Conservatório Nacional e o projecto TEIA MUSICAL da Iniciativa
Comunidade Virtual de Educação Musical são iniciativas que vêm também de
5
Lei de Bases do Sistema Educativo (1986) e Decreto-Lei nº 6/2001 (Revisão Curricular do EB)

87
encontro aos objectivos que delineamos para este projecto e que
consequentemente julgamos determinantes incluir. O primeiro, baseado no
sucesso da iniciativa das Orquestras Infantis e Juvenis de Venezuela, tenta
enquadrar jovens provenientes de zonas com clivagens culturais acentuadas e
com fracos recursos económicos, da qual a população de Vialonga é espelho,
através de uma prática artística consequente. Este projecto irá ser
implementado ao nível do 1º ciclo e pretenderá criar uma orquestra com 80
alunos das escolas do Agrupamento.
O projecto TEIA MUSICAL é como referimos uma iniciativa que julgamos
determinante, estimulante e como que motor para o desenvolvimento das
práticas artísticas no agrupamento, pois irá criar uma forma de divulgação
através da produção de cds áudio, da música que é feita na escola, mas
também auxiliando a prática dos professores de Educação Musical nas escolas
do nosso país.

3. Estimativa de Custos

Tratamento acústico do Palco e sala de espectáculos:

Para uma adequada apresentação das produções musicais e cénicas na


escola, revela-se fundamental criar condições no espaço para que as mesmas
possam ser divulgadas à comunidade escolar de forma adequada, num espaço

88
preparado para o efeito. Deste modo enumeramos os recursos e medidas que
consideramos pertinentes, após termos consultado a opinião de peritos:

Material/Medidas Preço aproximado


Material necessário para o tratamento
(A aguardar orçamento)
acústico da sala
6 pares de microfones – Behringer -
STUDIO CONDENSER MICROPHONES 360 €
C-2
4 microfones Shure PG 48 dynamic
200 €
Microphone vocal
2 Microfone bounderie – AKJ - C 542 BL
600€
2 Colunas Behringer de 400 watts:
600€
EUROLIVE B215A
Mesa de mistura Behringer: XENYX
2442-FX Mixer, USB 24-Bit Multi-FX-
345€
Processor

Leitor de cds duplo – Gemini- CD-200


/Double CD Player Cue, Pitch, Loop 300€

Equalizador Behringer - DEQ 1024


Ultragraph Digital 200€

Rack 200€
Sub total 2805€

Implementação de Expressão Dramática no 1º ciclo

Horas semanais para Horas semanais no


Número Turmas
cada sala total
52 2 104

Gravação de cd áudio com os alunos do no âmbito do Projecto CVEM –

89
TEIA MUSICAL

Produção (gravação, mistura e


1500 €
masterização do cd)
Custos de fabrico de 1000 CD (em
jewel case, embrulhado em papel
1000 €
celofane, com inlet de 4 páginas a
cores)
Custos administrativos com a SPA -
emissão de licenças de fabricação e 500 €
reserva de direitos de autor
Sub total 3000 €
Implementação do projecto a 3
9000€
anos

Ensino da Música no Pré-escolar

Horas semanais para Horas semanais no


Número de salas
cada sala total
7 2 14

Instrumentos Necessários

Pandeiretas, Reco-reco, triângulos, bombo, bloco de dois sons, guizeiras,


Maracas, clavas, pau de chuva, tamborins, Bongós
A aguardar orçamento

Implementação da valência de Musicoterapia

Horas semanais para Horas semanais no


Número Turmas
cada sala total
96 2 18

Instrumentos necessários:

6
8 – Currículo Alternativo + 1 Necessidades Educativas Especiais

90
Tambores, Bongós, Djambé, Xilofones soprano, contralto e baixo, Congas,
metalofones soprano, contralto e baixo, Jogo de Sinos, Tamborins,
Pandeiretas, Pau de Chuva, Maracas, Caixa-Chinesa, Clavas, Reco-Reco

A aguardar orçamento

AVALIAÇÃO:

A avaliação dos projectos e medidas acima descritos será feita através de


relatórios anuais por parte do coordenador e sub-coordenadores referidos que
deverão discriminar o progresso e cumprimento das actividades/medidas
propostas.

N Ú C L E O D E T E AT R O
Coordenadores:

91
Ângela Ferreira, Paulo Antunes, Sandra Filipe

CARACTERIZAÇÃO / SITUAÇÃO ACTUAL


A Escola E.B. 2, 3 de Vialonga, inserida numa vila pertencente ao concelho de
Vila Franca de Xira e a poucos quilómetros de Lisboa, compreende uma
população estudantil que mistura gentes de Cabo Verde, Angola, Moçambique,
São-Tomé, Guiné-Bissau e mais recentemente alunos provenientes da Europa
de Leste e Brasil.
Vialonga é, pois, uma “ amálgama” de costumes, hábitos e perfis sociais
antagónicos que dão uma certa peculiaridade ao seu modus-vivendi que é, no
entanto, um fenómeno de importância crescente na sociedade e nas escolas
portuguesas, de que a nossa é um bom exemplo.
Assim se compreende também que seja uma das Escolas mais subsidiadas do
Concelho, pois a maior parte dos alunos vem de um meio económico de fracos
recursos, o que provoca por vezes um quadro comportamental “desviante”
muitas vezes superado pelo esforço dos professores, participantes
empenhados em mudanças de atitudes, mentalidades e valores.
Neste sentido, e porque acreditamos que a Expressão Dramática pode partilhar
das intenções da finalidade geral da educação que é o desenvolvimento global
da personalidade da criança, foi criado um Núcleo de Teatro que desde há 10
anos tem trabalhado para um desenvolvimento harmonioso e global das
competências e atitudes dos alunos, através de actividades que os levem a
exprimir, comunicar, sentir, e experimentar, aprender e conhecer mais e melhor
o mundo em que vivem, as pessoas com quem vivem ou vão viver.
Instrumento cultural, educativo e social, o teatro poderá certamente enriquecer
o projecto “ Educação para a vida” dirigido aos jovens. E tanto melhor
contribuirá para a sua realização pessoal quanto “mais actividades deles exigir,
quanto mais espontâneo for o seu envolvimento na tarefa e a sua alegria na
participação prestada”.
É muito importante que se desenvolva no jovem o desejo de criar obra
verdadeiramente sua, para que os outros a apreciem, tanto no plano artístico,
como no trabalho quotidiano.
Empenhado numa actividade que se lhe afigure atraente, em que a
componente cognitiva se esbate entre as tarefas de carácter mais prático e
aparentemente simples que será levado a fazer, para o que muito contribui a
sua própria experiência de vida, certamente que se sente realizado, tanto mais
que não é avaliado nos parâmetros habituais. O gosto pelo trabalho bem feito
depende da apreciação dos outros, mas depende acima de tudo da entrega, da
responsabilidade e do espírito de grupo que se cria e que se consegue
estabelecer também, um elo enorme de solidariedade e cumplicidade entre os
elementos do grupo.
O teatro é, desta forma, uma arte que proporciona cinco ingredientes
fundamentais para o prazer na aprendizagem, a saber: acção, criatividade,
actividade lúdica, espontaneidade e trabalho de grupo.

92
Além disso, liberta a palavra e a expressão corporal, desenvolvendo a
autonomia e a alegria.
As práticas do núcleo têm posto em acção a totalidade da pessoa
/aluno/criança, uma vez que solicitam tanto o físico como a afectividade ou o
intelecto, e recorrem a todas as formas de expressão.
Assim, ao longo da sua existência, o núcleo, anualmente renovado pela força
das circunstâncias, (alunos que concluem o 3º ciclo) tem abraçado projectos
que envolvem peças inéditas ou de clássicos (Shakespeare ou Dickens)
representando-os no final de cada ano lectivo, na escola, para toda a
comunidade, num espaço próprio que tem vindo a crescer, juntamente com o
trabalho e o empenho do grupo: O palco, o camarim e o guarda-roupa.
Foi neste espírito de partilha que decidimos fazer parte dos “ Aprendizes do
Fingir”, Projecto da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que envolve
várias escolas do concelho com Núcleos de Teatro e que todos os anos dão a
conhecer os seus trabalhos num festival realizado em Maio, numa sala de
teatro da comunidade.
Para além dos Aprendizes, o núcleo participa, sempre que solicitado, em
iniciativas que visam celebrar o “ Dia do Teatro”, o “ 25 de Abril”, o Natal e
outras efemérides.
Com este trabalho esperamos ajudar os alunos a ser os actores do seu próprio
destino sobre o grande palco do mundo e há fortes razões para crer que toda a
gente ganhará com isso, até mesmo o teatro.

OBJECTIVOS:

Para a sociedade do futuro, a escola tem de formar espíritos flexíveis e


empreendedores. Uma pedagogia da expressão pode ajudar e favorecer o
desabrochar dos jovens que passam na escola uma considerável parte do seu
tempo, através de actividades lúdicas que permitam uma aprendizagem global
(cognitiva, afectiva, sensorial, motora e estética). Assim, para clarificar os
objectivos e permitir uma avaliação dos resultados privilegiámos os seguintes
itens:

• Despertar o prazer do trabalho em equipa;


• Favorecer a socialização do aluno;
• Optimizar as relações alunos/professores;
• Construir formas de comunicação diversificada;
• Optimizar as capacidades de comunicação e intervenção;
• Desenvolver a expressão (oral e corporal);
• Proporcionar a extensão dos conteúdos curriculares;
• Valorizar a escola;
• Ocupar tempos livres;
• Estreitar o contacto escola/ família/meio;
• Promover leituras;
• Melhorar a dicção e a leitura;
• Possibilitar o desenvolvimento dos alunos como pessoas e como
cidadãos europeus;

93
• Transmitir valores (solidariedade, responsabilidade);
• Desenvolver a capacidade de auto-crítica e a autoconfiança e auto-
estima;
• Despertar vocações artísticas e/ou técnicas;
• Contactar com as técnicas do teatro;
• Estimular o imaginário e a criatividade;
• Proporcionar uma abordagem cultural;

Alguma fundamentação:
• A expressão oral
O jogo verbalizado e as dramatizações permitem uma adaptação do aluno às
mais variadas situações de fala e comunicação, assim como as discussões e
debates desenvolvem a argumentação e favorecem a escuta, a atenção ao
outro e a aceitação da diferença.
• Corporal
A expressão dramática, pelo desempenho dos corpos no espaço, o movimento,
a abordagem rítmica, o desenvolvimento dos reflexos, permite construir,
modificar e apurar o esquema corporal.

• A Comunicação
O atelier de expressão dramática é um lugar de práticas colectivas, de
encontros com o outro, de interacções entre indivíduos. Neste contexto,
desenvolvem-se simultaneamente as aptidões individuais e o sentido da acção
colectiva. Ao prazer de participar, junta-se o da descoberta do outro, da
permuta e da partilha. Além disso, propicia a possibilidade de gerir relações
complexas e reconciliações que preparam para a vida social.

• A auto-confiança
É a trabalhar neste domínio que o professor/educador pode ter algumas
possibilidades de modificar os dados dos insucessos escolares, melhorando a
comunicação inter individual e restaurando a autoconfiança que muitas vezes
falta a alguns.
Um dos resultados esperados por estas práticas no meio educativo é um
melhor bem-estar, um conhecer melhor, um compreender melhor.

• A abordagem cultural
A exploração da linguagem dramática, a transposição do real, a abordagem
dos textos dramáticos e não dramáticos, a colaboração com os profissionais do
espectáculo, a descoberta de espectáculos vivos, são abordagens culturais
indispensáveis a uma verdadeira educação artística.
Ao abrir-se à diversidade das artes, a escola proporciona às crianças um
acesso ao património artístico e cultural.

PARTICIPANTES: Alunos, professores, Encarregados de Educação,


Funcionários e outros.

94
RECURSOS: Biblioteca, Sala de Convívio, Palco, Camarim, Guarda-roupa,
aparelhagem de som, mesa de luz, matéria - prima para elaboração de
cenários, adereços e outros.

ACTIVIDADES:

• Colaboração nas actividades da escola e da autarquia;


• Ensaios semanais das peças escolhidas;
• Pequenas dramatizações e hapennings;
• Representação de uma peça de teatro no Natal e final de ano;
• Visitas a teatros;
• Idas ao teatro;
• Participação na iniciativa “ Aprendizes do Fingir “;
• Participação noutras iniciativas para as quais a escola e o Núcleo
sejam solicitados.
• Reuniões periódicas com Técnicas da Câmara ( Aprendizes);
• Acções de Formação para alunos do núcleo e professores;

CUSTOS:

A apresentar posteriormente

CONCLUSÃO
Ao longo deste nosso percurso, tivemos o privilégio de constatar que os
caminhos da pesquisa, da imaginação, da invenção, da criação artística,
conduzem às aprendizagens fundamentais.
O adulto/ professor descobre uma nova abordagem pedagógica, um outro tipo
de relação com as crianças/ alunos. No grupo cada um se exprime, se
interroga, escuta e é escutado; o interesse e a curiosidade despertam.
Muitas vezes cada um encontra o seu lugar, recupera a confiança em si
próprio, empenha-se e liberta-se das angústias do insucesso escolar, pondo

em prática a dinâmica da valorização e do sucesso.


É gratificante quando se ouve dizer “ aprendemos muito com o teatro”.

GRUPO DE VIOLINOS

95
Projecto iniciado no ano lectivo de 2005/2006, na EB 1 nº 2 de Vialonga, escola
com uma população genericamente carenciada, tem sido “bandeira” de um
Território pobre, sem oportunidades de acesso à cultura.
Esta experiência tem sido seguida com particular atenção pelo Ministério da
Educação (que a viabilizou, em conjunto com a Centralcer, e que a deu a
conhecer na Revista Noesis de Setembro), e tem tido direito a “tempo de
antena” na televisão. Também a comunicação escrita local sobre este projecto
tem feito algumas reportagens.

Inicialmente eram 21 crianças do 1º e 2º ano. A estas juntaram-se, este ano,


mais 12.

Sobre a importância deste projecto falam os rostos das crianças que nele
participam. Também as que as escutam ficam fascinadas.

Não sabemos se, mais tarde, algumas destas crianças nos irão deliciar com os
sons dos seus violinos em salas de espectáculos. Uma coisa temos certa: esta
será uma extraordinária experiência que perdurará na sua vida.

96
ORQUESTRA DE VIALONGA

Programa GERAÇÃO OPORTUNIDADES

É também tempo de nos interrogarmos: será que a música – ou a

dimensão artística na Educação – não terão uma importância decisiva no

sucesso educativo?

Esta questão levantámo-la acerca do Projecto do Grupo de Violinos. Voltámos


a colocá-la quando, decorrido mais de um ano sobre esse projecto,
pretendemos crescer e dar Novas Oportunidades à Música e aos nossos
alunos.
Estamos a falar do projecto “Orquestra de Vialonga, apresentado há um ano à
Direcção Regional de Educação.
Para a sua concretização a Fundação Calouste Gulbenkian dispôs-se a
financiar uma parte da aquisição dos instrumentos. A Câmara Municipal está
disponível para organizar o espaço necessário no Centro Comunitário.

Este projecto ganhou, entretanto, novas dimensões.


Inicialmente destinado a cerca de 20 crianças das nossas escolas do 2º ano do
1º ciclo, vai integrar, no seu primeiro ano de realização, 60 crianças a que se
juntarão mais 20 no ano seguinte.

Inspirado na experiência das Orquestras Infantis e Juvenis de Venezuela,


também centrado em bairros periféricos, irá contribuir, fortemente, para
introduzirmos uma dimensão artística na formação dos nossos alunos.

Estamos certos que este é um caminho importante para melhorar o sucesso


educativo dos nossos alunos e garantir o indispensável acesso à cultura em
zonas de risco de exclusão social de que Vialonga é um caso.

O Projecto

Numa primeira fase serão crianças dos 7 anos que frequentarão o programa
durante 4 anos.
Será no entanto ministrado às crianças de 5 e 6 anos, através as disciplinas
específicas de música ou nas actividades de enriquecimento curricular uma
sensibilização à música e ao programa.
Assim teremos 60 crianças no 1º ano exclusivamente instrumentistas de
cordas, que aumentará para 80 crianças no 2º e restantes anos com a
introdução dos instrumentos de sopro e percussão.

97
Esquema das Aulas Semanais - ocupação efectiva de 10 horas semanais:

Formação Musical 1 hora semanal (turmas de 10 alunos


Aula de Instrumento em Grupo - por 2 horas semanais
naipes
Aula de Naipe 2 horas por semana
Aula de Orquestra 3h por semana
Aula de Movimento 2 h por semana

Orçamento

Compra de Valor
Quantidade SubTotal Total
Instrumentos unitário
Violinos 30 180€ 5400€
Violetas 12 180€ 2160€
Violoncelos 10 680€ 6800€
Contrabaixos 8 1200€ 9600€
Flautas 3 824€ 2472€
Oboés 2 1559€ 3118€
Clarinetes 3 579€ 1737€
Trompas 2 3421€ 6842€
Trompetes 2 600€ 1200€
Trombones 2 1335€ 2670€
Bombardinos 2 1961€ 3922€
Tímpanos 2 1690€ 3380€
Marimba 1 3188€ 3188€
Pratos 1 189,75€ 189,75€
Pequenas 500€
percussões
Total dos instrumentos 47 487,75 €
Professores e
1º ano 2º ano 3º ano
Coordenação
Formação Inicial:
50 h x 20€ 2 000 €
2 formadores
Coordenação
3000€ 3000€ 3000€ 9 000€
Pedagógica/Artística
Professores de
1890€ 1890€ 1890€ 5 670€
Formação Musical
Professores de
11340€ 17640€ 17640€ 46 620€
Instrumento
Professores de
4410€ 5670€ 5670€ 15 750€
Orquestra e naipe
Workshops 13500€ 6840€ 6840€ 27 180€
Total 153 707,75

98
TEIA MUSICAL

Comunidade Virtual de Educação Musical

Responsáveis:

Abel Arez
Carlos Batalha
Octávio Inácio

1. INTRODUÇÃO

“Como arte performativa a música adquire sentido no âmbito da realização de


práticas artísticas em diferentes contextos e espaços, com fins, pressupostos e
públicos diferenciados. Pela sua natureza, a realização de projectos artísticos
diversificados constitui terreno propício para o desenvolvimento de actividades
de trabalho interdisciplinar, individual e em grupo”
In Livro de competências Essenciais

O projecto “Teia musical” é uma iniciativa da CVEM (Comunidade Virtual de Educação


Musical) e pretende com a contribuição dos alunos construir um recurso pedagógico
de apoio aos docentes de Educação Musical do ensino básico.
Como vem descrito no livro de competências essenciais do ensino básico a realização
deste projecto artístico irá proporcionar aos alunos do Agrupamento de Escolas de
Vialonga uma oportunidade única de interpretar e gravar obras originais de
compositores portugueses em estúdio com o apoio de músicos e técnicos
profissionais. Pretende-se assim que se crie como que uma teia, dando uma
oportunidade de o aluno contribuir com a sua voz e perícia instrumental para um
recurso que será útil para os professores leccionarem Educação Musical a outros
alunos nas escolas. Pretende o presente documento caracterizar mais

99
pormenorizadamente este projecto elucidando a respeito do processo de
desenvolvimento do mesmo.

2. COMUNIDADE VIRTUAL DE EDUCAÇÃO MUSICAL

O projecto Comunidade Virtual de Educação Musical (CVEM) teve o seu início em


Outubro de 2005 no âmbito de uma investigação de mestrado em Ciências da
Educação – Informática Educacional da Universidade Católica Portuguesa, realizada
por Carlos Batalha, docente da Escola EB 2,3 de Vialonga. Foram identificados
diversos constrangimentos que afectam directamente a prática do professor de
Educação Musical do ensino básico português, como o isolamento nas escolas, a
acomodação, as poucas oportunidades de trabalho colaborativo e reflexão sobre
questões relacionadas com a prática pedagógica, os escassos recursos educativos
disponíveis e a necessidade de formação a diversos níveis. O projecto CVEM tenta
dar uma resposta a este conjunto de entraves proporcionando a todos os docentes
envolvidos oportunidades de partilha de recurso, discussão negociação de ideias
sobre prática lectiva da educação musical.
Com o apoio em termos de alojamento e auxílio técnico por parte da Escola Superior
de Educação de Lisboa, nomeadamente por Mário Relvas, docente desta instituição, a
CVEM beneficia da qualidade do interface moodle na concretização do seu trabalho.
Das inúmeras actividades desenvolvidas até aqui nesta comunidade podemos
destacar as profícuas discussões nos fóruns e no chat semanal da comunidade, os
tutoriais disponibilizados relacionados com variado tipo de software musical, a
construção colaborativa de planificações diárias e portfólios sobre temáticas
específicas e um enorme conjunto de recursos disponibilizados pelos participantes,
desde testes, fichas de trabalho, ficheiros áudio, vídeo, webquests entre outros.
Esta comunidade conta até à data, com mais de 170 professores de Educação Musical
inscritos de nacionalidade portuguesa e brasileira e de três moderadores
responsáveis, docentes de Educação Musical, que apoiam o trabalho de todos os
envolvidos Abel Arez, Carlos Batalha e Octávio Inácio.
Um dos objectivos deste projecto é também a criação de recursos pedagógicos de
qualidade que possam apoiar os professores na sua prática lectiva, nomeadamente a
gravação de produções áudio originais compostas pelos membros da CVEM, de onde
resulta o projecto “Teia Musical” já referido. Foi neste sentido que este projecto decidiu
contactar as escolas por forma a que os alunos possam dar uma contribuição no
desenvolvimento destes materiais pedagógicos com a sua voz e musicalidade e por
sua vez proporcionando-lhes a oportunidade de trabalho com criadores, técnicos e

100
músicos profissionais, sobrelevando o que vem referido nas orientações curriculares
para a música, nomeadamente na realização e produção e participação em projectos
artísticos diferenciados.

3. PROCESSO (Duração, Público Alvo...)


 O Projecto TEIA MUSICAL terá a duração de cerca de seis meses, culminando com
o final do ano lectivo 2006/2007 e destina-se aos alunos do 2º e 3º ciclos do ensino
básico.
 Será seleccionada uma turma da escola para cada canção do cd, sendo a mesma a
interpretá-la e a gravá-la.
 Os instrumentos utilizados na interpretação das canções por parte dos alunos serão
os que a escola disponibilizar.
 Os professores responsáveis pelas turmas ficarão encarregues de ensaiar as
respectivas canções aos alunos, bem como a parte instrumental de
acompanhamento nos instrumentos da sala de aula.
 Serão entregues cerca de 300 cópias dos cds gravados à escola o que permite um
retorno de todo o custo que a escola teve com o projecto, sendo os restantes cds
destinados ao projecto CVEM.

4. PRODUTO

Com este projecto “Teia Musical” pretende-se criar um CD áudio resultante da


selecção de temas musicais originais compostos por membros da CVEM, cantados e
tocados por crianças em idade escolar, envolvendo-os directamente no processo de
criação de um recurso educativo de qualidade.
Para além das faixas áudio com os diferentes temas, serão incluídos no CD as
partituras, sugestões de exploração, e faixas de trabalho para cada tema o que
permite uma maior autonomia do professor no acompanhamento do processo de
aprendizagem dos alunos.

5. OBJECTIVOS DO PROJECTO

 Optimizar as relações alunos/professores;


 Desenvolver a musicalidade e o controlo técnico-artístico;
 Registar em suporte áudio peças musicais diferenciadas
 Valorizar o trabalho desenvolvido pelos alunos;
 Promover o nome da Instituição Escolar através da participação num projecto de
construção de recursos educativos originais de qualidade;

101

 Criar um recurso pedagógico útil para os professores de Educação Musical do


ensino básico.

6. CALENDARIZAÇÃO

1ª Fase – Selecção de repertório e escolha das turmas a envolver no projecto:


Até 15 de Janeiro de 2007

2ª Fase – Ensaio das peças musicais seleccionadas:


De 16 de Janeiro a 23 de Março de 2007

3ª Fase – Gravação das peças musicais:


De 10 de Abril a 10 de Maio de 2007

4ª Fase – Masterização das gravações, edição e entrega dos CD’s nas escolas
De 11 de Maio até 11 de Junho de 2007

7. PREVISÃO DE CUSTOS DO PROJECTO

Produção (gravação, mistura e


1500 Euros
masterização do cd)
Custos de fabrico de 1000 CD (em
jewel case, embrulhado em papel
1000 Euros
celofane, com inlet de 4 páginas a
cores)
Custos administrativos com a SPA -
emissão de licenças de fabricação e 500 Euros
reserva de direitos de autor
Total de custo do projecto 3000 Euros

102
MUSICOTERAPIA

Necessidades Educativas Especiais

Este Projecto tem como público-alvo alunos com:


- Deficiência mental moderada
- Perturbações da relação e da comunicação.
- Perturbações do desenvolvimento
- Perturbações ao nível da atenção / concentração
- Perturbações do comportamento (agressividade)
- Perturbações da aprendizagem (atraso no desenvolvimento mental)
- Perturbações afectivas e do humor (angústia, ansiedade, depressão)
- Alterações no desenvolvimento e utilização da linguagem
- Perturbações linguísticas gerais (desenvolvimento da fala atrasado)
- Alterações da comunicação
- Problemas de expressão
- Perturbações auditivas e visuais
-Dificuldades motoras ou neuro-musculares.
- Diminuição do tónus muscular (hipotonia)
- Perturbação da relação e comunicação:
• Perturbação ou ausência de comportamentos de reciprocidade e antecipação;
• Perturbação ao nível expressivo e de interpretação das nuances entoações /
inflexões do discurso oral e seu contexto;
- Perturbação da percepção e integração / coordenação sensorial:
• Incapacidade para discriminar a expressão emocional do rosto;
• Incapacidade para organizar a informação sensorial;
- Perturbação da actividade simbólica:

103
• Incapacidade e limitação ao nível do jogo simbólico e imaginativo, adequado
ao seu nível etário;
• Padrão de interesses, comportamentos e actividades limitadas,
estereotipadas, compulsão de repetição através de rotinas, rituais.
Objectivos Terapêuticos da Musicoterapia

• Efeitos Fisiológicos:
- Resposta muscular e motora.
- Aumento do tónus muscular
- Fortalecimento da musculatura
- Reforço do posicionamento correcto do corpo
- Regulação do ritmo cardíaco
- Regulação do ritmo respiratório
- Regulação da actividade hormonal
- Consciencialização do esquema / imagem corporal
- Consciencialização da interacção corporal com o outro
- Consciencialização da sincronia do movimento
- Aumento da amplitude do movimento
- Consciencialização da expressão corporal de sentimentos
- Melhoramento das deficiências da fala
- Resposta da actividade eléctrica do cérebro
- Estimulação sensorial (visão / audição)
- Relaxamento
• Efeitos Psicológicos.
(de ordem afectiva, cognitiva e comportamental)
- Facilitação dos processos cognitivos (atenção / concentração /
memória)
- Facilitação da verbalização / comunicação
- Verbalização de emoções
- Canalização de sentimentos e emoções
- Mobilização da expressão corporal e do movimento
- Promoção do prazer e bem-estar
- Promoção da auto-estima

104
- Despertar a motivação
- Facilitação da aquisição de informação académica
- Orientação espacial e temporal
- Redução da ansiedade
- Regularização do humor
- Controlo da agressividade
- Promoção de sentimentos de auto-realização
- Desenvolvimento da criatividade

• Efeitos Psico-Sociais

- Expressão de si próprio e escuta do outro


- Estabelecimento do contacto e escuta do outro
- Aumentar / melhorar a socialização
- Coesão grupal
- Abertura de canais de comunicação
- Integração em actividades sociais
- Desenvolvimento de competências sociais e de relacionamento
interpessoal
- Organização de rotinas e ritmos de vida

Contexto de Intervenção:

• Reabilitação
• Pedagogia

Plano de Intervenção:

• Duração do Projecto: um ano lectivo (mínimo)


• Periodicidade: uma /duas vezes por semana
• Entre 45 minutos e 1 hora

Acções a desenvolver:

105
Técnicas Receptivas de Musicoterapia
• Técnicas de relaxamento por indução musical.

• Técnica de escuta em grupo, seguida de verbalização.

Selecção musical para controlo da agressividade, com a participação do


paciente, de acordo com ele (ISO musical).

Selecção de música gravada para actividades de escuta e verbalização de


sentimentos.

Programas de relaxamento para controlo da agressividade.

A escuta musical ajuda a estruturar o movimento, o gesto, o grafismo e


depois a comunicação verbal; a tomar contacto com a vida afectiva, através
da verbalização de sentimentos; ajuda a diminuir e conter a agressividade,
angústia.

Técnicas Activas de Musicoterapia


• Tonning vocal
• Recriação ou criação de canções
• Improvisação vocal e instrumental, individual ou em grupo.
• Execução musical
• Expressão corporal com suporte musical

- Trabalho vocal “tonning vocal”, para libertar tensões e controlara a


agressividade.
- Música como acompanhamento para guiar e estruturar as actividades
motoras.
- Sincronização rítmica do movimento.

106
-Tocar instrumentos musicais exercita os músculos e melhora as
capacidades motoras; reforça o posicionamento do corpo e melhora a
amplitude do movimento.
- Relaxamento musical activo pelo movimento, libertação através do
movimento e do controlo da respiração, das tensões acumuladas.
- Actividades de comunicação e interacção rítmica.
- Trabalho com canções.
- Canções com associação de movimentos.
- Jogos de espelho.
- Jogos musicais de imitação.
- Percussão corporal rítmica.
- Diálogos musicais rítmicos.
- Jogos e contos musicais.

Cantar canções com ritmos simples e iguais; tempo lento (mas com
agilidade suficiente para incitar a acção); melodia simples e repetitiva; com
poucas palavras;
Exposição clara da canção, delimitando frases, clara pronunciação
de palavras pelo terapeuta.
Apresentação das ideias principais da canção e palavras através de
recursos audiovisuais.
Cantar, recriar canções (completar letras, criar letras alusivas a um
tema, mudar letras), musicar afectos, improvisar.

A improvisação instrumental, tendo os instrumentos um papel


intermediário na expressão de sentimentos e na gestão de conflitos
interiores, e sendo estes também facilitadores da relação criança /jovem-
terapeuta.
A improvisação em grupo, quer vocal, quer instrumental, pode
promover o desenvolvimento e treino de competências sociais, de
relacionamento inter-pessoal e abertura de canais de comunicação.

Formação dos grupos

107
Após a classificação geral por nível de desenvolvimento, teremos a
avaliação cognitiva para poder organizar os grupos segundo o tempo mental de
cada um; a partir dessa organização, devem ser feitos subgrupos para que se
observe como cada criança está afectivamente.
É benéfico misturar crianças com mais dificuldades com outras com
menos; fazer com que o grupo melhor “puxe” o que está com mais dificuldade,
mas com o cuidado de nunca juntar um grupo com muitas dificuldades com
outro que esteja muito bem.
Formulação de Objectivos

É de grande importância ter sempre formulados os objectivos. Estes


objectivos têm que ser sempre progressivos.
É importante que haja a possibilidade de progressão. Os
musicoterapeutas devem ter sempre claros os objectivos, para se poder
estimular os potenciais de cada criança.
O primeiro objectivo é fazer uma ficha. Em seguida é estabelecer a
relação terapêutica, pois, sem ela, o terapeuta não consegue trabalhar com a
criança.
Os outros objectivos surgem no decorrer das sessões, com a progressão
do trabalho com o paciente.

Estimular a expressão do paciente é de suma importância numa sessão


de musicoterapia. Se ele tem problema de comunicação e fala mal, o
musicoterapeuta deve fazer com que se expresse através da música,
corporalmente, sonoramente e pelas canções da sua preferência; pode
trabalhar as palavras da letra dessas canções. Poderá, também, trabalhar o
aspecto afectivo, funcional e o rítmico da música; assim, estimulará o paciente
para uma expressão corporal, como a dança, conseguindo, desta forma, que
ele se movimente. Poderá, ainda, ampliar o seu vocabulário, fazendo com que
articule palavras novas, como as da letra de uma música conhecida.

“É maravilhoso ver que a música como estímulo, no momento certo e


adequado, tem a capacidade de retirar estas pessoas deste mundo de

108
incapacidades onde elas estão rotuladas; neste momento, ficam livres deste
estigma da deficiência mental.” (Uricoechea, 2003).

Recursos Humanos:

• Equipa Multidisciplinar (musicoterapeuta, terapeuta da fala, terapeuta


ocupacional, psicólogo, professores).

Recursos materiais:

- Instrumentos
• Tambores
• Bongós
• Djambe
• Xilofones soprano, contralto e baixo
• Congas
• Metalofones soprano, contralto e baixo
• Jogo de Sinos
• Tamborins
• Pandeiretas
• Pau de Chuva
• Maracas
• Caixa-Chinesa
• Clavas
• Reco-Reco
• Bloco de dois Sons
• Castanholas
• Guizeira
• Teclado
• Guitarra Clássica

109
• Flauta de Bisel
• Equipamento de som
• Microfones
• Manta / tapete
• Almofadas

Caracterização do espaço / local de actuação:

• A sala
- Boa iluminação
- Com armários (para guardar o material)
- Cadeiras e mesas

Meios de avaliação do projecto

Antes do processo
• Questionários

Durante o processo

• Registo áudio/vídeo
• Grelhas
• Escalas

A avaliação é um dos aspectos mais importantes de toda a terapia, pois


é o meio através do qual se constata a evolução do paciente.

110
Diário Clínico das sessões: consiste em anotar o mais importante em
cada sessão, os objectivos, a técnica utilizada, as composições escutadas, as
reacções de cada paciente e tudo o que se deva ter em conta para a sessão

seguinte. Estas observações são muito importantes, pois a sessão seguinte


deve ser planeada de acordo com o ocorrido na sessão anterior.
O diário é muito importante pois ajuda o terapeuta a recordar detalhes
importantes na evolução do paciente, uma vez que há um processo
psicoterapêutico centrado no paciente.

Grelha / folha de avaliação, feita pelo musicoterapeuta de acordo com as


características de cada paciente ou grupo. Esta folha ou grelha deve conter:
nome do paciente, diagnóstico, objectivos da sessão, condutas observadas,
estados emocionais observados e o que os motivou, interacções, técnicas,
composições musicais, atitudes do paciente face ao terapeuta ou ao grupo,
objectivos conseguidos, e / ou objectivos que se devem modificar.

111
EDUCAÇÃO FÍSICA
DESPORTO ESCOLAR

Coordenadora do projecto – Professora Tânia Batista


Equipa de trabalho – Professores do grupo de Educação Física: Alexandra
Ramos, Ana Gomes, Carla Nascimento, Filipe Luís, José Paulo oliveira, Luís
António, Odete Oliveira, Ana Serafim.

O êxito das aprendizagens escolares depende, em grande parte, da qualidade


do ensino, isto é, da competência do professor em criar condições de sucesso
para os alunos. Importa ainda referir que a melhoria das condições de trabalho
nas escolas está directamente ligada com a melhoria da qualidade do ensino e
dos resultados obtidos pelos alunos, logo com a diminuição do insucesso
escolar.

112
As actividades físicas e desportivas devidamente orientadas e realizadas em
locais adequados são hoje em dia uma questão de formação, de saúde e de
cidadania, isto é:
- estimulam e desenvolvem as capacidades motoras, sócio - afectivas e
cognitivas das crianças e jovens;
- contribuem para a manutenção de estilos de vida activos que se adquirem
pelos hábitos, atitudes e práticas desportivas desenvolvidas na escola;
- proporcionam a todas as crianças e jovens uma diversidade de actividades
físicas e desportivas a que algumas dificilmente teriam acesso fora da escola;
Para além dos espaços exteriores, as escolas necessitam de espaços cobertos
adequados às características dos alunos, para a prática das actividades
curriculares de Educação Física e do Desporto Escolar. O desenvolvimento
deste projecto tem por base a construção de infra-estruturas que permitam
independentemente do seu uso comunitário uma efectiva e generalizada
implantação da actividade desportiva ao nível da escola. Só a Escola pode
garantir igualdade de oportunidades para a prática desportiva a todas as
crianças e jovens.

Identificação do problema
- A escola não dispõe:
• de infra-estruturas desportivas cobertas minimamente capazes
de assegurar o apoio a uma prática desportiva de âmbito
curricular e extra curricular.
• de um espaço adequado para a realização da modalidade de
patinagem.
O Polidesportivo exterior e balneários adjacentes necessitam de
reestruturação, pequenas obras de reparação da rede e caixa de saltos.

Publico alvo
Comunidade educativa da Escola Básica 2.3 de Vialonga
População Escolar do Agrupamento de Escolas de Vialonga
População em geral.

113
Objectivo Geral
Maior desenvolvimento das Actividades Físicas e Desportivas na escola,
através da:
- construção e apetrechamento de espaços cobertos adequados, conforme
sugestão em anexo;
- construção de um ringue de patinagem;
- reorganização do polidesportivo exterior com pintura das marcações de
campos, arranjo da rede de protecção e substituição da areia da caixa de
saltos.

Objectivos específicos
- Proporcionar à comunidade escolar um local adequado para a prática das
actividades físicas curriculares e extra – curriculares;
- Melhoria das condições de segurança na realização das aulas curriculares de
Educação Física e do Desporto Escolar, evitando-se as saídas e deslocações
para fora da Escola;
- Criação de um núcleo de Desporto Escolar por Professor;
- Integração dos alunos do 1º ciclo do Agrupamento nas actividades de
Desporto Escolar;
- O pavilhão seria prioritariamente utilizado pela escola durante o seu período
de funcionamento, reservando-se a utilização pela comunidade não escolar,
através da criação de núcleos de actividades físicas, fora daquele período;
- Rentabilização dos espaços e equipamentos durante a semana e mesmo ao
fim -de-semana, dando resposta às necessidades da população,
colectividades, associações;
- Ocupação dos tempos livres das crianças e jovens através da realização de
actividades saudáveis e do seu agrado, diminuindo-se assim comportamentos
de risco que surgem quando não existe nada para fazer;
- Organização de eventos desportivos a nível concelhio.

Plano de Acção
Fase 1 – Construção dos espaços cobertos e do ringue de patinagem;
reestruturação do polidesportivo descoberto;
Fase 2 – Apetrechamento dos espaços cobertos;

114
Fase 3 – Reestruturação dos Núcleos de Desporto Escolar;
Fase 4 – Elaboração do regulamento de utilização dos espaços desportivos
escolares em horário pós-escolar;
Fase 5 – Abertura dos espaços desportivos escolares à população para a
prática de actividade física devidamente orientada;
Fase 6 – Incentivo para que os alunos do Desporto Escolar participem em
competições a nível local, regional e nacional.

Calendarização
Fase 1 e 2 – Ano civil 2007
Fase 3, 4 – Inicio do ano lectivo 2007/2008
Fase 5 – Ano civil 2008
Fase 6 – Ano lectivo 2007/2008

Recursos necessários
- Empresa de construção civil para a construção e reestruturação dos espaços;
- Materiais fixos e móveis para apetrechamento dos espaços;

- Professores da escola envolvidos no projecto;


- Auxiliar de Acção Educativa / Funcionário para fazer horário pós-escolar;

Orçamento
A verba prevista para a implementação deste projecto é de 6500 euros + (A)
+(B)

Construção dos espaços cobertos – (A) (até ao momento não se conseguiu orçamento)
Reestruturação do polidesportivo, pintura de campos – 500 euros
Arranjo da rede – 1000 euros
Apetrechamento dos espaços – 5000 euros
Contratação de funcionário – (B)

Parcerias
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Junta de Freguesia de Vialonga

115
Associações Culturais e Desportivas

Resultados esperados
- 100% de utilização dos espaços para as aulas curriculares de Educação
Física e actividades dos núcleos de Desporto Escolar entre as 8h15 e as
18h30, aumentando os factores de sucesso nas aprendizagens que
caracterizam as actividades físicas;
- 40 % da população escolar inscrita nas actividades de Desporto Escolar;
- 10% dos alunos do 1º ciclo inscritos nas actividades do Desporto Escolar;
- Utilização das instalações em horário pós-escolar (após as 18h30) e fim-de-
semana para aulas, treinos e dinamização de actividades desportivas, por
colectividades, associações, grupos de jovens organizados, entre outros.

Actualmente existem grupos organizados com formador que utilizam o


polidesportivo descoberto da escola, sempre que as condições climatéricas o
permitem, em horário pós-escolar. Existem também professores interessados
em deslocarem-se à escola para realizarem actividades de carácter voluntário
com os alunos ao nível da modalidade de Andebol.

Com a construção de instalações cobertas a percentagem de utilização


aumentaria, ficando a comunidade escolar e envolvente consideravelmente
beneficiada.

Avaliação
- Intervenientes no processo de avaliação – Comunidade escolar;
Encarregados de Educação; Entidades que usufruirão dos espaços.
- Instrumentos de Avaliação – Observação e registos de ocupação dos
espaços; registos de assiduidade dos alunos inscritos no Desporto Escolar;

116
117
Salas de Educação Física
Memória descritiva
Objectivo:
Construção de ginásio
com várias salas.
Localização:
Espaço de Educação
Física, junto aos balneários
Construção:
Edifício de cerca de
800 m2 com quatro salas
para actividade física e
arrumos, com cobertura
metálica e construção de
alvenaria de tijolo
rebocado e pintado a tinta
de areia, com vãos
exteriores de alumínio e
interiores em madeira, com
pavimento em soalho de
madeira flutuante. Criação
de acesso directo ao
exterior, para utilização
pela população.
Estimativa de Custo:
300 000€. (trezentos mil
euros).

118
Ringue
Memória descritiva
Objectivo:
Construção de um ringue para
a prática de patinagem
Localização:
Nas traseiras do bloco “C”
Construção:
O pavimento, por ser
executado num espaço já
consolidado, será composto
por uma betonilha afagada a
“helicóptero” e delimitado por
gradeamento em ferro,
devidamente pintado, e com
protecção em madeira ao nível
do chão
Estimativa de Custo:
15 000€. (quinze mil euros)
Utilizando alguns recursos
humanos da escola, na
execução do gradeamento,
com a colaboração de
professores e alunos dos
C.E.F.

119
Educar para a Cidadania

• Clube Europeu, pag 115

• Património, pag. 118

120
CLUBE EUROPEU

Coordenadora:
Joana Moreira – Nuno Santos – Maria Anjos Fonseca

Há já alguns anos que a escola EB 2,3 de Vialonga se encontra envolvida em


projectos europeus, nomeadamente os do Plano Comenius – Acção 1. O
interesse por este tipo de iniciativas é óbvio pois permite à escola envolver-se
em parcerias transnacionais em que existe a possibilidade de envolver alunos,
professores, instituições e a comunidade educativa, de um modo genérico.
Para enquadrar as iniciativas da escola a nível europeu, foi criado no final do
ano lectivo de 2005/2006 o Clube Europeu da EB 2,3 de Vialonga, nos moldes
em que é proposto pelo GAERI. Este Clube encontra-se essencialmente
vocacionado para o trabalho da dimensão europeia na educação.
O Clube Europeu será um centro dinamizador de actividades no domínio da
educação europeia, surgindo na escola de acordo com as condições
disponíveis e disponibilidade desta. Actualmente o Clube possui 8 vertentes de
abordagem prioritárias: os Projectos Europeus – Comenius; a inventariação de
informação sobre a Europa na escola e participação em Concursos; a
participação no Projecto Europeu e-Twinning, a apresentação/harmonização
gráfica das iniciativas do Clube; a participação no Projecto NEAC; a
participação no Projecto e-pals; a promoção de actividades de sensibilização
da comunidade educativa e iniciativas relativas à valorização do património.
Assim, pensam a Comissão Europeia e o Clube Europeu da EB 2,3, é possível
reforçar a dimensão europeia na educação, através da promoção da
cooperação transnacional entre as escolas.

O Projecto e-Twinning tem como objectivo promover a Dimensão Europeia na


escola recorrendo aos blogues e à Internet como ferramentas fundamentais.
Os alunos do sétimo ano criarão os blogues e utilizá-los-ão como forma de
comunicação com o intuito de melhorar as relações entre os estudantes da
União Europeia, utilizando, para isso, o inglês. Será dado particular destaque à

121
criatividade, que funcionará como uma janela cultural entre Portugal e o resto
da Europa.

Os projectos Comenius 1 possuem a seguinte nomenclatura:

• Projectos de Escola Comenius

Envolvendo a participação de um mínimo de três países, é dirigido à escola,


devendo esta integrar as actividades do Projecto na rotina curricular da escola
e na comunidade educativa. Estas actividades são escolhidas a partir de
interesses comuns da equipa do Projecto. A mobilidade proposta é 4 a 6
professores por ano do Projecto e 2 a 4 alunos no mesmo período.

• Projectos de Línguas Comenius

Este tipo de Projecto envolve somente duas escolas europeias e prevê o


desenvolvimento de conhecimentos de uma determinada língua através das
actividades propostas no Projecto que serão de interesse comum. Privilegia-se
o uso de línguas pouco comuns na União Europeia. A mobilidade propõe um
intercâmbio de cerca de 10 alunos, durante um mínimo de 14 dias,
acompanhados de professores para a execução das actividades propostas.

• Projectos de Desenvolvimento Escolar

Este Projecto propõe uma parceria com um mínimo de três países e uma
duração máxima de três anos consecutivos. Os trabalho a desenvolver,
propondo uma abordagem multidisciplinar em equipa, deve privilegiar à
direcção da escola e ao pessoal educativo o intercâmbio de experiências e
informações e a concepção conjunta de métodos e estratégias relativas a
questões do ensino e gestão. Mais do que em qualquer um dos anteriores,
este projecto prevê a participação de associações, empresas e autarquias. A
mobilidade proposta é 4 a 6 professores por ano do Projecto e 2 a 4 alunos no
mesmo período.

Presentemente a escola tem três projectos em fase de apreciação de


candidatura ou aprovados. A saber:

122
. Projecto CINEVIA – Projecto de Língua (coordenado pela EB 2,3 e parceria
com a Govan High School da Escócia) | Comenius Acção 1 (aprovado e
financiado);
. Projecto ARS LONGA, FILM BREVIS – Projecto de Escola (coordenado por
uma escola estónia e envolvendo escolas belga, holandesa, romena, italiana,
grega, polaca, francesa e portuguesa) | Comenius Acção 1 (aprovado e a
aguardar financiamento da Agencia Nacional);
. Existe ainda um Projecto Comenius – Acção 2.1 a aguardar informação sobre
a sua aprovação.

A adesão à rede europeia ELOS (a Europa como ambiente de aprendizagem


nas escolas | Europe as a learning environment in schools), coordenado em
Portugal pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors, encontra-se
planificada para o presente ano lectivo, se possível, ainda antes do fim do ano
civil. Este projecto envolve 11 países (Alemanha, Espanha, Irlanda, Itália,
França, Holanda, Lituânia, Malta, Noruega, Polónia, Portugal, Reino Unido) e
conta com o apoio directo da Comissão Europeia por meio da acção Comenius
3.

O objectivo deste projecto é o de conseguir um nível elevado de educação, o


qual inclui necessariamente a realidade da União Europeia e a preparação dos
alunos para o papel fundamental que podem e devem desempenhar enquanto
cidadãos europeus, inserindo-os num ambiente de aprendizagem Europeu e
Internacional.

123
PAT R I M Ó N I O

Coordenadora:
Helena Raínho

Vialonga é uma vila integrada no Concelho de Vila Franca de Xira. Zona


predominantemente ligada à actividade agrícola, até meados do século
passado, tem vindo a sofrer uma forte pressão imobiliária e rapidamente os
solos férteis deram lugar a numerosos prédios onde vive uma população
desenraizada, sem referências e desconhecedora da História e riqueza
Patrimonial de Vialonga.
A par desta nova população, ainda existe uma grande percentagem de pessoas
cujas famílias aí residem há várias gerações e que ainda mantêm uma vivência
diária muito partilhada, onde os espaços de convívio como pequenos jardins,
centros comunitários, bem como as relações de vizinhança são uma realidade
ainda muito viva.
A população escolar de Vialonga é pois composta por estas dois grandes
núcleos de pessoas.

OBJECTIVO

Partindo desta realidade e na perspectiva de que a escola deve proporcionar e


incentivar o conhecimento do Património Local/Regional de modo a contribuir
para a construção de uma identidade de pertença bem como o
desenvolvimento da consciência cívica dos alunos a favor da defesa, da
protecção e valorização da paisagem cultural, revela-se pertinente realizar todo
um conjunto de actividades que mobilizem e dinamizem a relação escola-meio,
envolvendo e articulando vários parceiros locais, como autarquias, museus,
empresas, técnicos, associações culturais, alunos, professores e pais.

124
ACTIVIDADES

- Visitas de estudo,
- Levantamento e inventariação do património material e imaterial
- Acções de intervenção no meio (nomeadamente divulgação de trabalhos
sobre o património, limpeza e restauro do património imóvel, reabilitação de
espaços de interesse patrimonial abandonados ou esquecidos)
- Realização de actividades culturais nos espaços de interesse patrimonial da
Freguesia
- Realização de encontros com habitantes da Freguesia que possam partilhar
vivências de como era a vida quotidiana no passado recente
- Digitalização de fotografias que reproduzam o trabalho no campo, actividades
artesanais, tradições culturais, vestuário etc.
- Encontros com especialista no âmbito do Património
- Contacto e, se possível, acções de formação com artesãos locais, técnicos do
Museu Municipal e empresas locais (Vilafranquense, empresa de construção e
restauro de edifícios)

- Recuperação e reabilitação de um dos moinhos da Freguesia, onde se


poderia instalar um pequeno núcleo museológico com utensílios, fotos,
vestuário e posters informativos sobre a actividade agrícola na Freguesia ao
longo dos tempos,

(O presidente da Junta de Freguesia de Vialonga mostrou-se muito interessado


e disse que a hipótese de concretização desta ideia era viável, visto que vão
ser construídas duas urbanizações em Vialonga e que uma das contrapartidas
exigidas pela Junta à empresa imobiliária era precisamente a reabilitação de
um ou dois moinhos que estão localizadas nessas urbanizações).

Conhecer, valorizar e preservar a memória é também um modo de resistir à


uniformização cultural tão prontamente assimilada pelos jovens.

125
Articular Escola / Família

126
• Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família, pag. 121

GABINETE DE APOIO AO ALUNO E À


FA M Í L I A ( G A A F )

Coordenadora: Madalena Cordeiro

Diagnóstico da situação/problemática

A criação de gabinete de apoio ao aluno e à família (GAAF) no Agrupamento de


Escolas de Vialonga resulta da necessidade de promover uma melhor
formação parental e um maior envolvimento e responsabilização das famílias
no processo educativo dos filhos com vista a melhorar o sucesso das
aprendizagens e a construção de um projecto de vida das crianças e jovens.

Uma parte significativa dos alunos que frequentam os Jardins de Infância e


Escolas deste agrupamento são provenientes de famílias de diversas Etnias,
com baixo grau de escolaridade e com acentuadas carências sócio-
económicas. Estes factores reflectem-se nas baixas expectativas da família
relativamente aos resultados escolares dos filhos e no fraco incentivo à escola
e ao sucesso das aprendizagens. Por outro lado, parte dos alunos revela falta
de interesse em relação à escola, problemas de comportamento/
aprendizagem, baixa expectativa relativamente ao seu próprio percurso escolar
e nalguns casos verifica-se a tendência para o absentismo e abandono escolar.

A Comunidade de Vialonga, onde residem as famílias e jovens, tem sofrido um


grande desenvolvimento com a construção de novas zonas e áreas
residenciais com melhores condições de habitabilidade e lazer. Estes factores
têm vindo acentuar ainda mais as desigualdades e as desvantagens sociais
dos grupos étnicos minoritários que vivem em condições precárias. Por outro
lado, verifica-se uma falta de oferta cultural e desportiva fora do contexto
escolar, falta de dinamização e rentabilização dos espaços existentes e falta de

127
articulação entre as várias entidades no sentido de melhorar as condições de
vida (habitação, saúde, higiene e alimentação) dos grupos desfavorecidos.
A Intervenção com os alunos e com as famílias exige o envolvimento de todos
os agentes educativos (professores, coordenadores, directores de turma,
serviços de psicologia e orientação, auxiliares), exige o reforço de recursos
humanos na área do serviço social, psicologia e animação sócio-cultural e
implica uma articulação estreita entre a escola e a Comunidade na mobilização
de recursos necessários e na criação de uma rede social de apoio que
possibilite a operacionalização das respostas adequadas a cada aluno e cada
família.
A caracterização da situação e a identificação das problemáticas permitem-nos
criar dois grupos-alvo de abrangência de intervenção do GAAF – a família e os
alunos. Definimos assim o plano de acção a desenvolver no triénio 2006-2009,
identificando os objectivos, metas a atingir, os recursos necessários e o
processo de avaliação do projecto.

Objectivos
A Criação do Gabinete de apoio ao aluno e à família tem como objectivos:
• Promover o sucesso das aprendizagens
• Promover a relação escola /família/ aluno
• Reforçar competências familiares
• Responsabilizar e envolver a família no processo educativo dos
filhos
• Identificar situações problemáticas e encaminhar ajudando a
família a encontrar soluções
• Promover a inclusão social das crianças/jovens e suas famílias
• Promover redes de suporte na comunidade
• Prevenir situações de risco e de exclusão
• Prevenir o abandono e o absentismo escolares
• Prevenir situações de gravidez na adolescência

Estratégias

128
A implementação do plano de acção implica um conjunto de estratégias
diversificadas a desenvolver com os alunos e com as famílias, de forma
coordenada entre os vários intervenientes – professores, coordenadores,
directores de turma, serviços de psicologia e orientação, técnicos, conselho
executivo, conselho pedagógico e outros agentes da comunidade.

A desenvolver com os alunos


 Humanização do espaço escolar
 Acompanhamento e atendimento ao aluno (observar, escutar,
dialogar e apoiar de modo informal/formal)
 Animação dos recreios
 Visitas domiciliárias
 Orientação escolar e profissional em articulação com SPO
 Apoio psicológico
 Encaminhamentos
 Educação sexual e planeamento familiar (com a colaboração do
Centro de Saúde – unidade de apoio familiar)

A desenvolver com as famílias

 Atender as famílias (levantamento de preocupações e


necessidades)
 Orientar e capacitar as famílias para encontrar soluções para
resolução dos seus problemas
 Envolver e responsabilizar as famílias no processo educativo dos
filhos e na construção do seu projecto de vida
 Aumentar o nível de escolaridade e a formação profissional das
famílias
 Desenvolver acções de formação parental de acordo com as
necessidades
 Potenciar as interacções familiares

129
 Encaminhar para as possíveis soluções dentro da escola e da
comunidade (Seg. social, formação e emprego, colectividade,
ACIME)
 Envolver a comunidade local no sentido de melhorar a qualidade
de vida das famílias (habitação, saúde, higiene, alimentação)
 Apoio psicológico
 Mediação familiar
 Visitas domiciliárias

Metas
Estabelecemos algumas metas a atingir com os alunos e com as famílias, ao
longo dos 3 anos do projecto:
 Identificar as situações de risco social das famílias dos alunos
referenciados nas escolas do Agrupamento.
 Atender e encaminhar os casos mais problemáticos:
1º ano – 20%
2º ano – 30 %
3º ano – 50 %
 Aumentar a resposta a nível do pré-escolar com a abertura de
novas salas de Jardim-de-infância:
2006/2007 – 2 salas no cabo de Vialonga
. 2007/2008 – 1 sala na Granja de Alpriate
2008/2009 – 3ª salas no Cabo de Vialonga
 Finalização do 1º ciclo até aos 11 anos.
 Aumentar a frequência escolar das crianças de Etnia Cigana,
nomeadamente as raparigas.
 Finalização do 2º ciclo até aos 13 anos.
 Continuar com a oferta dos Cursos de Educação e Formação, ao
nível do 3º ciclo.
 Proporcionar a frequência/conclusão da escolaridade obrigatória a
todos os pais que o desejem.
 Desenvolvimento de acções de formação parental:

130
2007/2008 - Cuidados básicos de alimentação e higiene
2008/2009 – Construir os afectos
- Ajudar o seu filho na escola
- Promoção de estilos de vida saudável

Recursos

A implementação do projecto requer a mobilização e o envolvimento dos


recursos humanos existentes nas várias escolas do agrupamento (educadores,
professores, coordenadores, directores de turma, auxiliares, professores de
educação especial e apoios educativos, psicólogos do SPO), bem como dos
parceiros das várias instituições da comunidade (centro de saúde, autarquia,
segurança social, CPCJ, GNR, IPSS, associações, empresas locais). Para
além dos recursos existentes no agrupamento e na comunidade, a viabilidade
do projecto implica a contratação de técnicos da área do serviço social, da
psicologia clínica e educacional, mediação social e animação sócio-cultural.
Nesse sentido, identificamos alguns dos recursos necessários para a
implementação do GAAF.

Recursos Humanos

2 técnicos de serviço social


2 psicólogos
1 mediador de etnia cigana
3 animadores

Recursos materiais

1 Gabinete/espaço de atendimento/reunião equipado

Orçamento previsto para a contratação dos técnicos

131
2 Psicólogos 2000€ Mês
2 Técnicos de serviço social 2000€ Mês
1 Mediador de etnia cigana 600€ Mês
3 Animadores 1800€ Mês
Total 6400 € Mês

Avaliação
A avaliação será feita no final de cada período nas diversas escolas, nas
reuniões de avaliação de turma e nas reuniões de equipa do GAAF. A
implementação do projecto exige uma monitorização dos serviços e uma
avaliação de todo processo de implementação e eficácia do projecto. No final
de cada ano lectivo serão apresentados os resultados da avaliação com a
divulgação de dados qualitativos e quantitativos – relativos ao número de casos
atendidos e ao grau de sucesso da intervenção. Perante os resultados da
avaliação serão reformulados os objectivos e definidas novas estratégias de
intervenção.

Serão ainda definidos os seguintes critérios de avaliação:

- Percentagem de alunos atendidos


- Percentagem de famílias atendidas
- Número de salas de educação pré-escolar criadas
- Articulações estabelecidas
- Número de acções de formação desenvolvidas

132
133
Promover
a Formação
ao longo da vida

134
Promover a Formação ao Longo da Vida

• Centro de Novas Oportunidades, pag. 129

135
CENTRO DE NOVAS OPORTUNIDADES
CRVCC E EFA

Coordenadora:
Anabela Brito

PLANO ESTRATÉGICO DE INTERVENÇÃO

IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA:

o Os adultos possuem saberes e competências adquiridos ao longo da vida


que nunca foram formalmente certificados (aprendizagens que decorrem da
experiência de vida, da experiência profissional e de acções de formação
diversas não certificadas).

o Esses saberes e competências são por vezes incompletos, não


estruturados e sistematizados.

Público-alvo:

o Adultos – Auxiliares de acção educativa, funcionários administrativos,


desempregados, trabalhadores no activo, principalmente no âmbito
geográfico do Agrupamento.

OBJECTIVOS:

o Colocar o CRVCC ao serviço de toda a população;


o Contribuir para a elevação dos níveis de educação e formação da
população adulta;
o Facilitar o acesso dos adultos a planos de formação/educação, a
desenvolver pelo Centro;

136
o Desenvolver planos de formação centrados em quadros de competências
certificáveis;

o Conceber e construir planos de educação/formação adequados às


populações alvo;
o Flexibilizar e diversificar trajectos formativos, no quadro dos princípios da
Agência Nacional de Formação de Adultos;
o Promover uma rede local de formação e educação de adultos,
articulando entidades e valências de formação profissional;
o Divulgar a formação de adultos como serviço público de
educação/formação.

ESTRATÉGIAS:

- Na comunidade –
o Divulgação
o Processo de diagnóstico local
o Promoção e divulgação do CRVCC
o Estabelecimento de redes de parcerias

- Junto do público-alvo –
o Divulgação
o Acolhimento
o Orientação
o Acompanhamento

o Criação de Cursos EFA

ACTIVIDADES:
o Quantificação das necessidades através de diagnóstico local.
o Acolhimento
o Identificação de competências

137
o Informação e aconselhamento
o Formações complementares

o Validação e certificação de competências


o Provedoria – Cursos EFA...

PARCERIAS:

o Associações diversas
o Casa do Povo
o Centro de Emprego
o Empresas
o Junta de Freguesia
o Segurança Social

INTERVENIENTES:

o Adultos
o Coordenador
o Profissionais de RVCC
o Formadores
o Administrativo

RECURSOS:

o Sala própria
o Dez computadores

ORÇAMENTAÇÃO:
o 10 000€

138
RESULTADOS ESPERADOS:

- 1º ano -
o Ver concluída a implementação do Centro de Novas Oportunidades
o Inscrever 40% do público-alvo
o Criar cursos EFA que respondam às necessidades

- 2º e 3º anos-
o Inscrever o público-alvo restante
o Ter o público anteriormente identificado em processo de RVCC
o Emitir Carteiras Pessoais de Competências, pelo processo de RVC e
Formação

AVALIAÇÃO:

o Cumprimento dos critérios da Carta de Qualidade


o Cumprimento dos objectivos
o Grau de aproximação face aos resultados propostos

139
Estimativa de Custos
Materiais
Projecto Humanos Custos /Equipam Custos Obras Custos
1 Oficina de Língua Portuguesa 2 profes 1º ciclo 42000,00 1 computador (1º ciclo) 1000,00
2 professores 2º ciclo 42000,00 1 impressora (º ciclo) 150,00
1 expositor 150,00
1 Gravador de voz 350,00
material didác diverso 600,00
Subtotal 84000,00 2250,00
2 Ensino Experimental das Ciências Formaç Professores 1200,00 Mobiliário 11300,00
18 Computadores 13000,00
3 impressoras 300,00
3 projectores video 3600,00
12 microscópios 10800,00
3 ecrãs murais 270,00
Material didáctico 14680,00
Subtotal 1200,00 53950,00
3 Currículo Funcional Mobiliário 3000,00 Espaço 50000,00
Prática Oficinal 6000,00
Equip. informático 3500,00
Subtotal 12500,00 50000,00
4 Acompanhamento/monitorização… psicólogo -1/2 horário 6979,00 consumíveis 350,00
Subtotal 6979,00 350,00
5 Serviço de Apoio à Formação… GAAF
Prof 1º ciclo / EB 23 21000,00
Psicólogo BOficinal ..
Subtotal 21000,00
6 Rede Computadores Rede 15000,00
servidor 4000,00
Subtotal 19000,00
7 Educação Artística
7.1 Teatro (Percursos Alternativos) 3 prof expres dramát 42000,00 Mat acústico …
material som 2805,00
7.2 Teia Musical 1/2 prof mús pré esc 7000,00 gravação (1 ano) 3000,00
7.3 Musicoterapia (Perc Alternativos 1/2 prof música 7000,00 instrumentos 400,00
7.4 Grupo de violinos 1 prof violino 14000,00
7.5 Orquestra de Vialonga (1º ano) b) Professores 36140,00 instrumentos 47487,75
Subtotal 106140,00 53692,75
8 Ed Física - Desporto Escolar Ginásio 300000,00
ringue 15000,00
Subtotal 315000,00
9 GAAF 2 psicólogos 27910,00 mat avali psicológica 2500,00
2 técn serviço social 27910,00
1 mediador 9. 800
3 animadores 29400,00
Subtotal 85220,00 2500,00
10 CRVCC 10 computadores 10000,00
Subtotal 10.000,00

140
11 Outros custos:
Perita intervenção… 0,00
Deslocações 2500,00
Visitas de estudo 2500,00
Subtotal 5000,00
Total 304539,00 159242,75 365000,00

a) Os recursos humanos foram contabilizados para 1 ano


b) Existe o acordo de financiamento com a Fundação Calouste Gulbenkian de 11 768 euro

141
INTRODUÇÃO.................................................................................................................2
Melhorar Níveis de Aprendizagens.................................................................................29
Oficina de Língua Portuguesa, pag. 30........................................................................29
Ensino Experimental das Ciências, pag. 42.................................................................29
Currículo Funcional, pag. 51.......................................................................................29
Ofertas Diferenciadas, pag. 57 ..................................................................................29
Cursos de Educação Formação, pag. 57.................29
Percursos Curriculares Alternativos – 2º e 3º ciclos, pag. 60........................29
Percursos Curriculares Alternativos – 1º ciclo, pag. 62...........................................29
Acompanhamento/Monitorização dos Alunos após conclusão do 9º ano de
escolaridade, pag. 65...................................................................................................29
Serviço de Apoio à Formação Profissional, pag. 70....................................................29
Rede de Computadores, pag. 73..................................................................................29
Valorizar o Território.......................................................................................................84
Educação Artística, pag. 79.........................................................................................84
Núcleo de Teatro, pag. 86............................................................................................84
Grupo de Violinos, pag. 90..........................................................................................84
Orquestra de Vialonga, pag. 91....................................................................................84
Teia Musica, pag. 93l...................................................................................................84
Musicoterapia, pag. 97.................................................................................................84
Educação Física – Desporto Escolar, pag. 106............................................................84
Educar para a Cidadania................................................................................................120
Clube Europeu, pag 115............................................................................................120
Património, pag. 118..................................................................................................120
Articular Escola / Família..............................................................................................126
Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família, pag. 121...................................................127
Promover a Formação ao Longo da Vida......................................................................135
Centro de Novas Oportunidades, pag. 129................................................................135
Estimativa de Custos.....................................................................................................140

142