You are on page 1of 60

1

Aula 1

Embalagem: histórico e funções básicas

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1. Analisar o campo da antropologia no âmbito das ciências sociais, seu objeto de estudo e seus
métodos;

2. Definir homem, cultura, raça, etnia, evolução humana, etnocentrismo e relativismo cultural;

3. Discutir o papel dos mitos, das religiões e da ideologia como sistemas culturais e suas
funções como ferramentas educativas.

Bibliografia

Fique atento aos livros que servirão de base para o conteúdo das aulas, bem como para sua
consulta:

DELORS Jacques. A Educação para o século XX1. Porto Alegre: ARTMED Editora, 2001. 206 p.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. 1ª. Ed. 13ª. Rio de Janeiro, LTC, 2008. 323 p.

LUDKE, M. E ANDRÉ, M.E.D.A. Pesquisa em Educação – abordagens qualitativas. São Paulo:


EPU, 1986.

PILETTI, Nélson. Sociologia da Educação. 18ª. Edição. São Paulo: Ática, 2007. 264 p. (Série
Educação)

Plano de ensino

Ver PDF salvo

Mapa Conceitual

Ver PDF salvo


2

A disciplina situa-se no campo de conhecimentos da Sociologia e da Antropologia, busca


compreender práticas sociais e culturais e seus reflexos nos processos educacionais, sendo
capaz de discutir a relação entre diversidade cultural e as práticas nas instituições educativas a
partir da interface Antropologia e Educação. Trata-se de uma disciplina do Núcleo Básico de
formação docente das licenciaturas.

Introdução

- Fala-se com frequência os termos culto e inculto.

- O que é cultura? Não há definição exata do que seja.

- Serão analisados Homem, raça, etnia e evolução humana.

Material didático

- Ler capitula Cultura e socialização do livro Sociologia ativa e didática de Pedro Scuro Net
editora Saraiva.

- Ler capitulo 3 e 4 do livro Cultura, um conceito antropológico de Roque de Barros Laraia


editora Jorge Zahar.

- Ler capitula Uma descrição densa... e o capitulo O impacto do conceito... do livro A


Interpretação de culturas de Clifford Geertz editora LTC.

Objetivo desta aula

- Analisar antropologia no âmbito das ciências sociais.

- Definir homem, raça, cultura, etnia, evolução humana, etnocentrismo e relativismo cultural.

Aprenda Mais

Ler o texto Cultura de Srour de Robert Henry, disponível na biblioteca virtual da disciplina.

ATENÇÃO

Esta disciplina envolve a realização de uma Atividade Estruturada, que objetiva ampliar sua
reflexão e seu estudo sobre ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS DA
EDUCAÇÃO.

Você encontrará mais informações sobre esta atividade na Biblioteca da disciplina

Aula 1

Antropologia e cultura

A Antropologia, como um saber científico formulado pelo homem sobre o próprio homem, é algo
recente, que remonta ao início do século XIX, na Europa. Em seus primórdios, preocupava-se
com o “Outro”, mas a análise era feita sempre a partir dos valores e perspectivas europeus.
3

Homem

- Homem é um animal portador de cultura. Tem o domínio da linguagem e do fogo, usa


ferramentas, institui a família, proíbe o incesto, inventa mitos, rituais, religiões e ciências.

- Se os outros animais agem orientados pelos instintos, o animal humano ofusca os instintos
através do desenvolvimento da cultura.

Cultura

- A palavra tem origem no vocábulo latino colere e possuía denotação de cultivo das plantas, de
cuidado com os animais e a terra, cuidado com as crianças e com sua educação, cuidado com
os deuses, com os ancestrais e seus monumentos.

- Segundo Chauí (2004), cultura também podia significar cultivo do espírito, como a criação de
obras de arte e a criação de obras da ciência e da filosofia.

SAIBA MAIS

- De acordo com Lakatos e Marconi, “não há indivíduo humano sem de cultura exceto o recém-
nascido e o homo ferus; um porque ainda não sofreu o processo de endoculturação, e o outro,
porque foi privado do convívio humano” (1999: p. 131).

- Num texto de 1952, intitulado Culture: a critical revew of concepts and definitions, A. L. Kroeber
e C. Kluckhohn fizeram a análise de 160 definições em inglês concebidas por antropólogos,
sociólogos, psicólogos, psiquiatras e outros.

Evolução

- No século XIX, o pensamento social foi muito influenciado pela Teoria da Evolução das
Espécies de Charles Darwin.

- Vários foram os pensadores que viam nas sociedades um movimento semelhante ao


observado nos organismos.

Etnia x Raça

- Segundo o Dicionário de Ciências Sociais, Etnia é na literatura antropológica, um grupo social


que se diferencia de outros por sua especificidade cultural. Esse conceito liga-se aos conceitos
de grupo étnico e de cultura e, muitas vezes, é usado como sinônimo de grupo étnico.

- A Biologia, reconhece a limitação do termo RAÇA e admite que a classificação racial no tipo
físico é arbitrária. Características físicas não revelam diferenças a ponto de podermos dizer que,
biologicamente, os seres humanos pertencem a raças diferentes.

- Do ponto de vista sociológico, raça é “uma população em que os membros compartilham


características físicas herdadas”. Essas características os identificam socialmente.

- Da mesma forma que ocorre com a definição biológica, a definição de determinada raça do
ponto de vista social depende de um critério de escolha da sociedade.
4

- Segundo Dias, não podemos afirmar que existe raça pura porque os humanos possuem uma
origem comum e as diferenças visíveis são resultantes das adaptações ocorridas ao longo do
tempo.

Determinismo Geográfico

- É relacionado ao aspecto geográfico, ou seja, o ambiente físico determina a cultura e, por isso,
a diversidade cultural é dada pela diversidade geográfica.

- Esta tese existe desde a antiguidade.

- No seculo XiX se desenvolveu com força e pregava que o clima determinava a dinâmica do
progresso.

- Devido ao Brasil ter um clima quente, surgiu a crença de que é impossível fazer ciência nos
trópicos e de que este país seria um país subdesenvolvido, inspirando mais a preguiça, a
lascívia e o ócio.

- Para os antropólogos essas doutrinas nada têm de correto, pois pode-se observar que uma
das características da espécie humana é a capacidade de romper as suas limitações.

Etnocentrismo

- É quando o ser humano, ao enxergar o mundo através de sua Cultura, passa a considerar o
seu modo de vida o mais correto e mais natural.

- Pode ter efeitos positivos tais como a valorização de sua cultura ou pode ser negativo como,
por exemplo, xenofobias e preconceitos de classes.

Relativismo Cultural

- Existe uma tendência em abandonar os juízos de valor no que diz respeito às diferentes
culturas.

- Não existe, em termos de cultura, nem melhor nem pior, nem mais nem menos, nem superior
nem inferior.

- Existem diferenças no modo de pensar e de agir entre as diversas culturas.

SAIMA MAIS

O topless, tratado como caso de polícia em Ipanema é amplamente praticado nas areias de
Ibiza, na Espanha.

Achamos estranho o costume das mulheres da Birmânia de colocar anéis para alongar os seus
pescoços, mas consideramos normal aplicar próteses de silicone para aumentar certas partes do
corpo.
5

Relação entre cultura e educação

- Produção exclusivamente humana, é fundamental que os mais velhos transmitam seu saber
para os mais novos, isto se dá pela educação.

- Nem sempre a transmissão cultural é feita nas escolas, ela também é concebida em casa,
tribos, bate papos, etc.

Mito, Religião e Ideologia como sistemas culturais e ferramenta educativa.

- De acordo com Chaui, mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa e no caso dos
gregos, eles acreditavam nesta narrativa, considerando-a verídica.

- Atualmente, mito se refere mais a algo divino, sagrado, algo inquestionável.

- O Dicionário de ciências sociais atribui de forma antropológica a palavra mito a uma narrativa
que se refere aos deuses e a natureza, ao universo e ao homem.

- O mito narra a origem do mundo de 3 formas distintas:

1 - Encontrando o pai e a mãe das coisas.

2 - Buscar rivalidade ou aliança nos seres, pois isso faz surgir alguma coisa.

3 - Encontrar recompensas ou castigos vindos dos deuses.

Chaui afirma que o mito possui 3 funções:

1 - Explicativa - Explica o presente por alguma ação passada cujos efeitos persistiram no tempo.
Como exemplo, a autora cita a crença de que uma constelação existe porque no passado
crianças fugitivas e famintas morreram na floresta e foram levadas ao céu por uma deusa que as
transformou em estrelas.

2 - Organizativa - Organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de poder, de sexo


etc.), legitimando e garantindo a permanência de um sistema complexo de proibições e
permissões.

3 - Narra uma situação passada que é a negação do presente e que pode servir para compensar
os homens de alguma perda ou para assegurar que um erro do passado foi corrigido no
presente, oferecendo uma visão estabilizada e regularizada da natureza e da vida comunitária.

- Segundo a autora, o mito tem caráter educativo, pois sempre tem algo a nos ensinar pela sua
narrativa.

Saiba mais

De acordo com Meksenas (2000), há um mito muito difundido entre alguns índios do Brasil, no
qual a origem da noite é atribuída à atitude de um grupo que, não obedecendo às tradições do
seu povo, quebrou um coco proibido. Dali fugiu a noite, escurecendo toda a mata. Os deuses,
sentindo piedade dos demais índios, devolveram-lhes a claridade do dia, mas com a condição
6

de que agora seria sempre intercalada com um período noturno, para que todos se lembrassem
do ocorrido.

Não nos preocupando em saber se realmente a existência da noite pode ser explicado por esse
mito ou pela ideia científica do movimento do globo terrestre, o que importa é saber que esse
mito acaba sendo educativo porque ele fixa uma norma social: os perigos que podem aparecer a
um grupo quando não se respeitam certas tradições ou o cuidado que devemos ter com o
desconhecido. (p. 21)

- Apesar de a nossa sociedade valorizar o pensamento científico, não podemos dizer que os
mitos ficaram no passado.

- De acordo com Chauí, o pensamento conceitual e o pensamento mítico podem coexistir na


mesma sociedade. Para ela, A predominância de uma ou outra forma do pensamento depende,
de um lado, das tendências pessoais e da história de vida dos indivíduos e, de outro, do modo
como uma sociedade ou uma cultura recorrem mais à uma do que à outra forma para interpretar
a realidade, intervir no mundo e explicar-se a si mesma. (2004, p. 164)

Religião

- A religião é um vínculo entre o mundo profano (a natureza) e o mundo sagrado, isto é, a


natureza habitada por divindades ou um mundo separado da natureza (Chauí, p. 253).

- O antropólogo se interessa pelo papel da religião na sociedade, mas não é papel da


antropologia fazer julgamentos de valor sobre o conteúdo das religiões.

Saiba mais

- Se a maioria das instituições sociais tem sua origem em necessidades materiais, a religião se
dirige às indagações sobrenaturais do ser humano. Questões como ‘Qual a minha missão nesse
mundo?’ ‘De onde viemos?’ ‘O que ocorre depois da morte?’ são respondidas pelo discurso
religioso.

- A religião tem função explicativa como o mito. Ela fornece explanações, por exemplo, de como
surgiram o mundo, a natureza, os animais e os homens.

- Ela possibilita uma certa estabilidade social ao gerar paz de espírito e segurança aos
indivíduos. Além disso, fornece normas que garantem a sobrevivência social. Acreditar em seres
dotados de poderes sobrenaturais inspira respeito, temor e veneração, fazendo com que os
indivíduos cumpram as regras.

Ideologia

- Conjunto de convicções e conceitos que pretende explicar fenômenos sociais complexos com o
objetivo de orientar e simplificar as escolhas sócio-políticas que se apresentam a indivíduos e
grupos.

- A ideologia tem estreita ligação com a educação, pois alguns autores de influência marxista
percebem a escola como um local onde se reproduzem as falsas consciências com o objetivo de
manter o status quo.
7

Síntese

- Nesta aula você entrou em contato com a definição, o objeto de estudo e os métodos da
antropologia.

- Atentou para o fato de que existem diversas definições de cultura.

- Conheceu as definições de homem, raça, etnia, evolução humana, etnocentrismo e relativismo


cultura.

- Compreendeu como o mito, a religião e a ideologia podem ser considerados como elementos
de educação e de coesão social.

Aula 1 - Vídeo

Ver PowerPoint e PDF

- Conceito - Expressa uma determinada teoria acerca de um fato ligado a ciências sociais.

- Cultura em antropologia é modo de vida.

- Ver artigo Você tem Cultura? Do Roberto Damatta, as diferenças que os antropólogos veem
Cultura.

- Ver vídeo A Origem do Homem no youtube

- Não se atribui comportamento a raça. (determinismo biológico)

- Ver fórum temático


8

Aula 02
9

- O ser humano é um animal que produz mitos, religiões, ideologias, enfim, cultura. Na tentativa
de entender as coisas ao nosso redor, produzimos uma vasta gama de conhecimentos como o
filosófico, o religioso, o de senso comum etc.

- A sociedade ocidental produziu uma forma específica de explicar o mundo, chamada de


ciência, ou seja, uma forma racional, objetiva, sistemática, metódica e refutável de formulação
das leis que regem os fenômenos.

- Na sociedade ocidental, a ciência é a principal construção da realidade, considerada por muitos


críticos como um novo mito por pretender ser a única promotora e critério de verdade.

- A Sociologia é considerada uma ciência nova, pois foi criada no século XIX, na França, por um
pensador chamado Auguste Comte (1798-1857).

- Algumas transformações políticas, econômicas, culturais e sociais ocorridas desde meados do


século XV contribuíram muito para a criação dessa ciência. A primeira delas foi o Renascimento.

- E o momento classificado por muitos estudiosos como a ruptura entre o mundo medieval e o
mundo moderno urbano, burguês e comercial.

- De acordo com Costa, existiam diversas visões do Renascimento:

1 - Existem pensadores que avaliaram positivamente aquele momento, ressaltando que as


mudanças propiciaram o desenvolvimento do comércio, da navegação e dos contatos com
outros povos, bem como o crescimento urbano e o recrudescimento da produção artística e
literária.

2 - Existem historiadores que perceberam aquela época como momento de grande turbulência
social e política. As características marcantes do período foram a falta de unidade política e
10

religiosa, os conflitos entre as nações que se formavam, as guerras intermináveis e as


perseguições religiosas, na tentativa de conservar um mundo que agonizava.

3 - Havia, segundo Costa, um clima de fim de mundo visível nas obras artísticas da época, como
na Divina Comédia de Dante Alighieri e no Juízo Final de Michelangelo. Para além dessas
contradições, o fato é que, a partir de então, o homem ocidental passa a ter uma nova postura
em relação à natureza e ao conhecimento.

- O fim do Teocentrismo e das explicações religiosas sobre os fatos possibilitou que


aparecessem questões mais imediatistas e materiais, cujo foco principal era o homem.

- Ao abandonar as explicações sobrenaturais, os indivíduos passaram a utilizar a indagação


racional e o método científico através da observação e experimentação.

- Foi no século XVI que ocorreu o movimento de Reforma Protestante.

- De acordo com Quintaneiro, ao contestar a autoridade da Igreja como instância última na


interpretação dos textos sagrados e na absolvição dos pecados, a Reforma colocou sobre o fiel
essa responsabilidade e, instituindo o livre exame, fez da consciência individual o principal nexo
com a divindade.

- Para Quintaneiro, “O espírito secular impregnou distintas esferas da atividade humana.


Generalizou-se aos poucos a convicção de que o destino dos homens também depende de suas
ações. Críticas à educação tradicional nas universidades católicas levaram à substituição do
estudo da Teologia pelo da Matemática e da Química.” (2002, p. 13)

- No século XVII, surge o Racionalismo e fortalece a ideia de que o homem produz a história e
não a Divina providência. Essa concepção fundamentava a ideia de que a sociedade podia ser
compreendida porque, ao contrário da natureza, ela é obra dos próprios indivíduos.

- O pensamento filosófico desse século contribuiu para a popularização do pensamento


científico.

- Segundo Francis Bacon, a Teologia perdeu o posto de norteadora do pensamento.

- A autoridade, que exatamente constituía um dos alicerces da teologia, deveria, em sua opinião,
ceder lugar a uma dúvida metódica, a fim de possibilitar um conhecimento objetivo da realidade.

- A autoridade, que exatamente constituía um dos alicerces da teologia, deveria, em sua opinião,
ceder lugar a uma dúvida metódica, a fim de possibilitar um conhecimento objetivo da realidade.

- Outro movimento que contribuiu para a criação da Sociologia foi o Iluminismo, que teve início
no século XVIII entre os pensadores franceses e ideólogos da burguesia.

- É em meio a esse cenário de efervescência intelectual, política e social que observamos dois
eventos históricos importantes: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, também
conhecidas como Revoluções Burguesas.
11

- Revolução Industrial -> É um fenômeno histórico ocorrido na Inglaterra, por volta do meado do
século XVIII, que trouxe profundas alterações no mundo do trabalho, desagregou a sociedade
feudal, ao reordenar a sociedade rural e abolir a servidão, e consolidou a civilização capitalista.
É nesse momento que nasce o proletariado, isto é, a classe dos trabalhadores livres
assalariados, e se exacerbam os problemas urbanos.

- Revolução Francesa -> A burguesia, que já tinha o poder econômico, queria um Estado que
assegurasse sua autonomia em relação à Igreja e que protegesse e incentivasse a empresa
capitalista.

- No século XIX, os pensadores burgueses já não mais desejavam que as ideias revolucionárias
iluministas continuassem animando o homem comum, pois, como a burguesia havia chegado ao
poder, deveria lutar para mantê-lo.

- Apesar da industrialização e urbanização crescentes na França, a situação do proletariado era


extremamente precária, pois os trabalhadores viviam na miséria e eram sempre ameaçados pelo
desemprego, o que acabou intensificando as crises econômicas e a luta de classes naquela
sociedade.

- Aquele era o momento de abandonar os ideais iluministas e fundar uma nova ciência para
“reorganizar” e “higienizar” a sociedade.

- Dito de outra forma, a Sociologia nasceu dos interesses burgueses em manter a ordem social e
a estabilidade, ligando-se aos movimentos de reforma conservadora da sociedade.

- A preocupação passou a ser a de fazer com que os indivíduos aceitassem a ordem existente,
deixando de lado a sua negação.

- Auguste Comte é considerado o pai da Sociologia, também conhecida como Física Social.

- De acordo com Tomazi, Comte rompeu logo cedo com a tradição de sua família monarquista e
católica, transformando-se em um republicano com ideias liberais, desenvolveu atividades
políticas e literárias que lhe permitiram elaborar uma proposta para solucionar os problemas da
sociedade de sua época.
12

- Vivendo no período imediatamente posterior à Revolução Francesa, preocupou-se em


organizar a sociedade que, em sua opinião, estava caótica.

- Comte, propôs uma reforma completa da sociedade, começando pela “reforma intelectual
plena do homem”. Ao modificar a forma de pensar do homem, por consequência, as instituições
se transformariam.

- O sociólogo, estudando os fenômenos sociais com o mesmo espírito que animava os


astrônomos, os físicos, os químicos e os biólogos, deveria fornecer os resultados de suas
pesquisas aos homens de Estado, para que esses evitassem ou atenuassem as crises sociais.

- Para firmar a Sociologia como ciência, Comte utilizou as ciências naturais como modelo, pois
essas já tinham credibilidade no meio científico.

- No Brasil, o Positivismo de Comte exerceu forte influência entre os homens que proclamaram a
nossa república. O lema da Bandeira Nacional, Ordem e Progresso, é a maior prova disso.

OBSERVAÇÃOES:

1- ILUMINISMO -> Movimento que buscava modificar a sociedade e transformar as antigas


formas de conhecimento.

2- REVOLUÇÃO FRANCESA -> Revolução que marcou a luta política da burguesia contra as
classes que dominavam o mundo feudal.

3- RENASCIMENTO -> Ruptura entre o mundo medieval e o mundo moderno urbano, burguês e
comercial.

4- CIÊNCIA-> Principal forma de construção da realidade.

5- REVOLUÇÃO INDUSTRIAL -> Revolução que gerou profundas alterações no mundo do


trabalho, desagregou a sociedade feudal e consolidou a civilização capitalista.

6- POSITIVISMO -> Exerceu forte influência entre os homens que proclamaram a nossa
república.

Síntese da Aula 02 –A Sociologia como Ciência Social

1 - Nesta aula, você atentou para o fato de que a Ciência é uma criação da cultura ocidental.

2 - Deu-se conta de que o surgimento da Sociologia não foi um fato isolado, pois está atrelado a
acontecimentos históricos importantes, como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.

3 - Conheceu o Positivismo de Auguste Comte.

Aula 02 – Vídeo

Ver PowerPoint

- Ciência é uma forma racional de explicar o mundo.

- O movimento humanista estabelece a racionalidade como pensamento do mundo ocidental.


13

- Na Idade media a religião interferia constantemente na sociedade.

- O movimento renascentista do século XIV busca a razão, a compreensão, fugindo da


explicação divina.

- No século XVII há o processo de revolução cientifica, um novo impulso na busca da


racionalização.

- Francis Bacon, Galilei, Isaac Newton são alguns destes pensadores.

- Ver o filme O NOME DA ROSA. A história se passa num castelo ou mosteiro italiano do sec.
XIV que retrata fatos misteriosos que lá ocorrem, as mortes são atribuídas a fatos sobrenaturais,
mas o personagem de Sean Connery busca a razão para explicar os fatos.

- Para as igrejas havia o teocentrismo, tudo girando em torno da terra, o homem como uma
criação divina.

- Galileu usa a razão para mostrar que a terra girava em torno do sol e é condenado a morte na
fogueira, mas não morre, sua pena é alterada para pena domiciliar ate sua morte.

- Ou seja, neste caso a razão confronta a teologia, o divino.

- A Revolução francesa tem no iluminismo sua base teórica.

- O Iluminismo do século XVII se apresenta como uma critica ao período anterior de forma
exagerada, como se a idade media fosse a idade das trevas.

- Leonardo Da Vinci é um exemplo de cultura, conhecimento na idade media.

- Ocidente -> religião judaica crista, cidades estado.

- No iluminismo o homem deveria passar a buscar respostas para as questões que, até então,
eram justificadas somente pela fé, sem que deixassem de acreditar em Deus.

- A Revolução Francesa é o conjunto de acontecimentos que, em 1789,alteraram o quadro


político e social da França. Em causa estavam o Antigo Regime, marcado pela autoridade da
nobreza e do clero. Foi influenciada pelos ideais do iluminismo e pela independência americana.
No mundo ocidental marca o início da chamada idade contemporânea.

- A Revolução Industrial teve inicio na Inglaterra em meados do século XVIII, expandiu-se pelo
mundo a partir do século XIX. Ela marca o início da mecanização dos sistemas de produção,
que consistiu na substituição da energia humana pela energia motriz no processo de fabricação
de mercadorias.

- A teoria positivista pode ser considerada como um tipo de cientificismo, que tenta explicar e
compreender a sociedade humana, como se suas leis fossem derivadas das chamadas ciências
naturais. Por esta razão, Comte também definia a nova disciplina como Física Social.

- Será muito popular no século XIX, se encaixando na sociedade europeia e sua expansão.

- Considera a Europa mais evoluída do que as demais, uma mostra de etnocentrismo.


14

- Uma característica era sobre a percepção da sociedade de uma forma cientifica, como por
exemplo, as ciências naturais ou exatas. E seu raciocínio.

- Traz as ferramentas das ciências naturais para o campo da sociologia, ou física social.

- Segundo Conte, há 3 estados da sociedade:

1 – Teológico -> Concepções místicas e no pensamento religioso.

2 – Metafisico -> Construções teóricas de natureza filosófica.

3 – Positivo -> Convicções e deliberações da ciência.

- Mas na pratica estes estágios não existem.


15

AULA 03

Objetivos da aula - Émile Durkheim e o Funcionalismo

1 - Caracterizar a concepção de ciência que orientou Émile Durkheim na sistematização da


sociologia;

2 - Definir o conceito de fato social, identificando as suas características e como o sociólogo


deve estudá-lo;

3 - Definir representações coletivas, consciência coletiva e solidariedade social.

- Nesta aula, vamos estudar a contribuição que Émile Durkheim deu para uma visão sociológica
da educação. Durkheim, Max Weber e Karl Marx são chamados autores clássicos da Sociologia,
porque forneceram as linhas mestras de explicação da realidade social que fundamentaram
grande parte das obras elaboradas por autores posteriores.

- As explicações sobre os fenômenos sociais diferem segundo os autores. Émile Durkheim,


autor que mais produziu estudos sobre o tema da educação, propõe uma explicação
funcionalista; já Weber opta por uma Sociologia compreensiva e Karl Marx vai em direção à
dialética, conforme você verá nas próximas aulas.

- Emile Durkheim (1858-1917) foi quem sistematizou a Sociologia.

Sociologia como ciência positiva

- O século XIX foi marcado por várias mudanças importantes. Uma delas é o fato de alguns
pensadores, inclusive Émile Durkheim, terem se dedicado à fundação de uma nova ciência, cujo
objetivo era dar conta das coisas da sociedade, abandonando a arte política e a simples
especulação.

- Durkheim tratou de definir a Sociologia, seu objeto de estudo, seu método de trabalho e seus
conceitos fundamentais. Transformou temas como o Direito, a Educação, a Religião, o Suicídio e
a Moral em objetos de análise sociológica.

- Preocupado com os problemas de seu tempo e convicto de que a sociedade europeia passava
por um período de anomia (Ausência de regras morais claramente estabelecidas), Durkheim
sentia a necessidade de construir as novas formas sociais e, na sua concepção, a Sociologia
tinha importante papel nesta tarefa, pois apenas ela estava habilitada a restaurar a noção de
unidade orgânica (Durkheim via a sociedade como um organismo constituído por órgãos que
devem se integrar garantindo um funcionamento harmônico. Para tanto, nenhuma das partes
pode agir como se fosse o todo, sob pena de fazer adoecer o corpo social) da sociedade.

- Dessa forma, a preocupação com a moral e a manutenção da ordem social foi constante em
seu pensamento, o que resultou em críticas, aceitas por uns e questionadas por outros, que o
caracterizaram como um sociólogo conservador, avesso mesmo às mudanças, interessado em
ensinar aos homens a obedecer à ordem vigente.
16

- Consciente de que a França atribuía um peso muito grande ao senso comum (consciência
coletiva difusa), Durkheim procurou criar uma nova ciência elaborada na universidade. Muito
preocupado com a objetividade (um importante critério de cientificidade), o autor advertia que, a
exemplo de cientistas de áreas como a Biologia e a Química, o sociólogo não devia fazer
concessões às opiniões baseadas no senso comum.

A nova ciência positiva: a Sociologia

- Durkheim tinha como objetivo criar uma ciência positiva, autônoma (sobretudo em relação à
Biologia e à Psicologia) e diferente das outras.

- Para tanto, esforçou-se em definir as suas bases, seu objeto de estudo e seu método, mas
teve que recorrer ao exemplo de outras ciências já formadas, como a Biologia, a Química e a
Física.
17

- Leis Naturais -> Aqui a palavra lei deve ser entendida em seu sentido científico e não no
sentido jurídico ou legislativo. De acordo com Cervo e Bervian, “Duas são as principais funções
da lei científica: resumir grande quantidade de fatos e de fenômenos e possibilitar a previsão de
novos fatos e fenômenos.” (CERVO, Amado e BERVIAN, Pedro. Metodologia Científica. São
Paulo: Prentice Hall, 2002. p. 54). Leis naturais seriam leis invariáveis que independem, por
exemplo, da vontade humana. Alguns exemplos dessas leis são: a água ferve a 100 graus; o
calor dilata os metais etc.

- Concepção -> Apesar de esta concepção ter dominado durante muito tempo, Durkheim mostra
que alguns pensadores como Aristóteles, Montesquieu e Condorcet viam a sociedade como algo
natural, porém, estas ideias não tinham muito fôlego a ponto de fazer vingar uma ciência social
orientada para o estudo das leis naturais que regem a sociedade.

- Leis necessárias -> É importante ter em mente a ideia de necessário como algo que não
poderia ser diferente daquilo que é. A chuva é necessária porque não pode deixar de acontecer,
por mais que eu queira que faça sol. Comer é necessário porque não posso deixar de me
alimentar, sob risco de morrer de inanição.

Os Fatos sociais

- Em As Regras do Método Sociológico, Durkheim afirma que o objeto de estudo da Sociologia é


o fato social.

As 3 regras são:

1 - Exterioridade: os fatos sociais agem sobre os indivíduos independentemente de suas


vontades particulares. São maneiras de pensar, de agir e sentir que existem fora das
consciências individuais.

Antes de nascermos, as regras morais, os costumes e as leis já existiam e, a despeito de nossas


vontades, continuarão existindo. Por exemplo, um devoto, ao nascer, já encontra prontas as
18

crenças e as práticas da vida religiosa. Da mesma forma, o sistema de moedas que utilizamos
para fazer as transações comerciais e as práticas seguidas nas diferentes profissões funciona
independentemente do uso que cada indivíduo faz delas.

Durkheim ressalta que, embora a exterioridade seja condição necessária, não é condição
suficiente para transformar os fenômenos em fatos sociais.

2 - Coercitividade: para que o fato seja considerado social, deve também exercer algum poder
de coerção sobre os indivíduos. Nem sempre a coercitividade é sentida quando me conformo
com ela, mas se tento resistir, sinto seu peso. Em outras palavras, quando eu infrinjo uma regra,
sofro algum tipo de punição. O grau de coerção do fenômeno torna-se evidente pelas sanções a
que o indivíduo é submetido ao ir contra o fato social. As sanções podem ser de dois tipos:
legais ou espontâneas.

As sanções legais (o eleitor que não votar pode ser punido pela lei eleitoral) ocorrem quando, ao
“violar as leis do direito, estas reagem contra mim de maneira a impedir meu ato se ainda é
tempo; com o fim de anulá-lo e restabelecê-lo em sua forma normal se já se realizou e é
reparável; ou então que eu o expie se não há outra possibilidade de reparação” (As Regras do
Método Sociológico, p. 2). As sanções espontâneas (pensem em um homem usando saia no
Brasil), por outro lado, ocorrem quando deixo de seguir as convenções “mundanas”.

A educação possui um papel relevante na conformação do indivíduo à sociedade em que vive,


fazendo com que, depois de algum tempo, as regras se internalizem e se transformem em
hábitos.

3 - Generalidade: todo fato social é geral, mas, não podemos dizer que todo fato geral é social.
Para ser assim considerado, ele precisa ser coletivo (isto é, mais ou menos obrigatório). Daí
decorre que este tipo de fenômeno deve ser estudado apenas em suas manifestações coletivas,
como as crenças, as tendências e as práticas do grupo tomadas coletivamente, pois a sociedade
não é o mero agregado dos comportamentos individuais. As tendências da moda e o idioma
servem aqui como bons exemplos.

Regra de estudo dos fatos sociais

- Depois de definir e caracterizar os fatos sociais, Durkheim se dedica a elaborar os principais


passos, o método para o seu estudo.

1 - Diz respeito às regras relativas à observação dos fatos sociais. O principal e mais importante
passo é encarar o fato social como coisa (É importante, salientar que o autor não entende o fato
social como coisa material. No Prefácio à Segunda Edição de As Regras do Método Sociológico,
ele utiliza o termo “coisa” em contraposição à “ideia”, ou seja, é aquilo que só pode ser
entendido por intermédio da observação e da experimentação). Assim, surgem dois corolários
(Corolário é a consequência direta de uma proposição demonstrada).

- O primeiro corolário consiste em afastar todas as noções prévias para estudar o fato social,
pois os valores e sentimentos pessoais nada têm de científicos e possibilitam a distorção dos
fenômenos. Dito de outra forma, os preconceitos, simpatias e caprichos do pesquisador devem
ser afastados de suas análises.
19

- O segundo corolário consiste em definir os fatos que serão estudados. Logo no início da
pesquisa devemos considerar os caracteres mais exteriores do grupo de fenômenos, pois, por
serem mais imediatamente perceptíveis, são estes que nos levarão aos menos visíveis e
profundos, porém, mais explicativos. Isto pretende fornecer ao método sociológico o seu caráter
objetivo.

2 - Diz respeito às regras relativas à distinção entre o normal e o patológico. Para Durkheim, é
muito importante saber o que é normal e o que é patológico em uma sociedade. Para
classificarmos um fato devemos nos basear em uma espécie, um tipo social determinado, em
uma fase determinada de seu desenvolvimento. As condições de saúde e de doença não podem
ser definidas de forma abstrata e nem de maneira absoluta.

Para Durkein o que seria normal e Patológico?

- No início do terceiro capítulo de As Regras do Método Sociológico, Durkheim afirma que os


fenômenos normais são “os que são como deviam ser”, e os patológicos são aqueles que
“deveriam ser diferentes do que são”.

- Dito de outra forma, normal é tudo o que é comum a todos ou quase todos. Em contrapartida, o
patológico é tudo ou quase tudo que se apresenta de forma excepcional.

Saiba mais

- Durkheim alerta para o fato de o sociólogo se expor a erros quando não toma as devidas
precauções metodológicas quanto à distinção entre normal e patológico. Uma falha desse tipo
seria classificar o crime como algo patológico.

- É necessário, entender que o autor concebe crime como “um ato que ofende certos
sentimentos coletivos dotados de energia e de nitidez particulares” (1972: p. 58), não se
restringindo ao sentido jurídico.

- Se, à primeira vista, o crime parece patológico, após uma análise meticulosa pode-se afirmar
que o crime é normal e isso se deve a dois motivos. Em primeiro lugar, porque é universal, isto
é, acontece em todas as espécies sociais e em todos os estágios de desenvolvimento. Em
segundo lugar, porque reforça sentimentos contrários, de repulsa ao agressor e aos fatores que
o motivaram a cometer o crime.

- Há ainda outro aspecto muito importante: em alguns casos, o criminoso é visto como agente de
mudança e a ausência do crime tornaria a sociedade estática. Isso permitiu ao autor concluir
que, além de normal, o crime é necessário e tem a sua utilidade.

Consciência coletiva e representações coletivas

- Em A Divisão do Trabalho Social, Durkheim afirma que enquanto seres socializados possuímos
simultaneamente, uma consciência individual e uma consciência coletiva.

- A consciência coletiva é o nível mais profundo da realidade social. É a soma de crenças e


sentimentos comuns à média dos membros de certa comunidade, constituindo um determinado
sistema que possui vida própria, persiste no tempo e une as gerações. É, em outras palavras, o
20

sistema de Representações coletivas (crenças, mitos, tradições religiosas e politicas e


linguagem) presente em determinada sociedade.

- Para Durkheim, não são os indivíduos que geram a consciência coletiva, ao contrário, é a
consciência coletiva que molda as consciências individuais. A força que a consciência coletiva
exerce sobre os indivíduos varia com o tipo de sociedade dependendo do seu estágio de
evolução.

Solidariedade Social

- Em sua tese de doutorado A Divisão do Trabalho Social, Durkheim propõe-se a investigar a


função da Divisão do Trabalho.

- O autor se preocupou em analisar, à luz da Morfologia Social, a evolução das sociedades e a


coesão social que dela resulta, que o fez concluir que as sociedades caminham, natural e
necessariamente, do estado mecânico em direção ao estado orgânico, apresentando uma
solidariedade característica para cada um desses estágios.

1 – Sociedade Mecânica: São aquelas de tipo pré-capitalista, muito “simples”, dotadas de forte
consciência coletiva, onde a divisão do trabalho se baseia principalmente nos critérios de sexo e
idade.

Nesse tipo de sociedade, a identificação entre os indivíduos se dá por meio da família, da


religião, da tradição e dos costumes. A autoridade coletiva é absoluta e a consciência coletiva é
tão forte que se sobrepõe à consciência individual. A solidariedade social de tipo mecânica é
gerada pelas semelhanças entre os indivíduos que, partilhando os mesmos sentimentos e
valores, diferem pouco entre si.

2 – Sociedade Orgânica: São mais extensas, mais complexas. Por possuírem estruturas
econômicas avançadas, exigiam uma divisão do trabalho não mais baseada em sexo e idade,
mas, na diversidade de funções que torna os indivíduos interdependentes.

Se nas sociedades mecânicas a consciência coletiva gerava uma irresistível coesão social, nas
sociedades orgânicas a divisão do trabalho social tem por função criar a solidariedade social,
pois a complexidade da vida e a ausência de semelhanças acabam por aproximar as pessoas,
fazendo com que se completem.

Em sociedades com forte divisão do trabalho, as relações sociais se baseiam na especialização


de tarefas (Durkein exemplifica o relacionamento homem e mulher, sçao diferentes mas ambos
se completam num todo). Assim, a educação tem caráter duplo, pois, ensina aos novos
membros valores, crenças e conhecimentos que devem ser gerais à massa da sociedade e, por
outro lado, fornece conhecimentos específicos da área profissional em que a pessoa deverá
atuar.

Resumo

1 - Dedicou-se à fundação de uma nova ciência, cujo objetivo era dar conta das coisas da
sociedade, abandonando a arte política e a simples especulação. ÉMILE DURKHEIM.
21

2 - É a consequência direta de uma proposição demonstrada. COROLÁRIO

3 - Segundo Durkheim é o objeto de estudo da Sociologia. FATO SOCIAL

4 - Estava habilitada a restaurar a noção de unidade orgânica da sociedade. SOCIOLOGIA

5 - Ausência de regras morais claramente estabelecidas. ANOMIA

Sintese da Aula

1 - Nesta aula você conheceu a biografia de Émile Durkheim.

2 - Atentou para a concepção de Sociologia de Émile Durkheim.

3 - Deu-se conta de que, para Durkheim, a Sociologia é a ciência que estuda os fatos sociais e
que o sociólogo deve ter cuidados e critérios metodológicos para estudá-los.

Aula 03 – Vídeo

- Ver PowerPoint

- Caracterizas do pensamento de Durkheim, há a influencia positivista, caminhando no sentido


próximo de influencia biológica, como se buscasse referencia a biologia, conhecimento que
prevê os processos sociais, na época era muito forte tal pensamento.

- A Teoria de Durkheim que leva em conta o lado da vida social, algo que não pode ser tocado,
algo espiritual, influencia a antropologia em sua criação e desenvolvimento efetivo no século XX.

- Durkheim cita uma espécie de “reino social”. Este reino moral seria o espaço no qual se
processariam as representações coletivas.

- Se pudéssemos definir Durkheim em uma frase seria “O sociólogo das instituições”.

- Augusto Conte e suas 3 leis de estado.

- Teológico (visão mística da realidade) -> Metafisico (abordagem racional filosófica das coisas)-
> Positivo (principio de racionalidade apurada que lembra o pensamento cientifico, afirmações
com base na solidez das praticas cientificas, uma estrutura do positivismo).

- Durkheim, assim como outros sociólogos, imagina ser capaz de identificar as leis naturais da
sociedade humana, ou explicar o funcionamento da sociedade humana.

- Durkheim afirma que o objeto de estudo da Sociologia são os fatos sociais. Eles seriam
aqueles modos de agir, pensar e sentir que exercem sobre os indivíduos uma coerção externa
(modo de vida) e que possuem existência própria. Para este autor os fatos sociais deveriam ser
percebidos como coisas.

- O sociólogo tem dois movimentos para o entendimento do estudo, um deles esta associado a
compreensão de estudo o outro está ligado a explicação de seu estudo, de sua pesquisa, tal
explicação é algo complexa, difere das ciências exatas por exemplo onde tal estudo é feito em
laboratório.
22

- As ferramentas de entendimento são os conceitos, as teorias,

- As instituições são fatos sociais, igrejas, escolas, estado, etc.

- Possuem regras, condutas, punições que são dados a certos processos que não se
enquadram em uma determinada estrutura social vigente.

- No caso do estado é algo explicito esta em forma de lei no aspecto jurídico.

Características e definições de fatos sociais *dinâmicos em sua historia e nunca são os


mesmos)

- Exterioridade: Os fatos sociais agem sobre os indivíduos independentemente de suas


vontades particulares. São maneiras de pensar, de agir e sentir que existem fora das
consciências individuais. Antônio Conselheiro é um exemplo de criação de fato social. O
cachorro para nós um animal domestico, para os orientais uma dieta.

- Poder de coerção: Para que o fato seja considerado social, deve também exercer algum poder
de coerção sobre os indivíduos. (mitos, crenças, religião).

- Generalidade: todo fato social necessariamente possui um caráter de generalidade, ou seja,


precisa ser percebido de modo coletivo.

- Consciência coletiva: É o modo como a sociedade vê a si mesma e as demais, através de suas


lendas, mitos, concepções religiosas, crenças morais etc... Em outras palavras, seria o sistema
de representações coletivas presente em determinada sociedade. Durkheim considerava a
consciência coletiva superior a consciência individual. Hoje há a influencia do meio e a reciproca
na sociedade.

- Segundo Durkheim, o pesquisador deve assumir uma postura de distanciamento e neutralidade


em relação aos fatos estudados, ou seja, deve abandonar as suas pré-noções etnocêntricas.
Estes, por sua vez, devem ser medidos e observados de forma objetiva. “Os fatos sociais devem
ser encarados como coisas (distanciar deles para serem vistos como objetos de pesquisa, algo
como a neutralidade na pesquisa).”

- A solidariedade é algo como forma de cooperação entre os indivíduos para Durkheim, no


sentido literal do termo.

- Há a solidariedade mecânica (impositiva, mais voltada a sociedades mais antigas, como as


indígenas ou primitivas, divisão entre sexo, há a semelhança de vestimentas, de crenças,
costumes, algo automático), e a solidariedade orgânica (complexa, mais social, voltada ao
desenvolvimento de uma sociedade industrial, há o aumento da divisão de trabalho, a visão
coletiva é fraca neste meio, pois há uma certa independência de funções entre os indivíduos,
não há a visão de pessoas idênticas, há a tendência forte ao individualismo). Há a tendência em
transformar a sociedade em cada vez mais individualizada, pessoas menos inseridas em um
contexto como grupo.
23

Aula 04

Introdução:

Como vimos antes, para Durkheim considera a educação como tendo um papel importante e
fundamental na preparação do individuo para a vida em sociedade.

Nesta aula, veremos que Durkheim se dedicou a estudar a educação, como fato social (talvez o
principal deles).

Objetivos da aula:

1 - Descrever a concepção de educação elaborada por Durkheim.

2 - Demonstrar porque o autor percebe a educação como instrumento de socialização.

3 - Discutir a ideia de que a educação deve vir para conformar o individuo a determinado meio
moral.
24

- Nesta aula, você vai entender a concepção de educação formulada por Durkheim e saber o
que o levou a estudar a educação como um fato social, talvez o principal deles

A Educação:

- Na concepção de Durkheim, a educação tem um papel fundamental na preparação do


indivíduo para a vida em sociedade. Por esse motivo, ele se dedicou a estudar a educação como
um fato social.

- De acordo com Émile Durkheim, “os sistemas educativos são o conjunto de práticas e
instituições que se organizaram lentamente ao longo do tempo, que são solidárias com todas as
outras instituições sociais e que as exprimem, que, por consequência, não podem ser mudadas
mais facilmente do que a própria estrutura da sociedade”. (p. 46)

- “É inútil pensarmos que podemos criar os nossos filhos como queremos. Há costumes com os
quais temos de nos conformar; se os infringimos, eles vingam-se de nossos filhos. Estes, uma
vez adultos, não se encontrarão em condições de viver no meio de seus contemporâneos, com
os quais não estão em harmonia. Quer tenham sido criados com ideias muito arcaicas ou
prematuras, não importa; tanto num caso como noutro, não são do seu tempo e, por
conseguinte, não estão em condições de vida normal. Há pois, em cada momento do tempo, um
tipo regulador de educação de que não nos podemos desligar sem chocar com as vivas
resistências que reprimem as veleidades das dissidências”. (Durkheim, Emile, Educação e
Sociologia. 47)

- Movido pela sua convicção de que as sociedades evoluem e devem ser estudadas em
determinado estágio de seu desenvolvimento, Durkheim utiliza como método de estudo a
observação histórica para mostrar que os sistemas de educação têm poder coercitivo, pois, em
cada momento há um tipo regulador de educação do qual os indivíduos não podem escapar sem
resistências e que restringem os anseios daqueles que são discordantes.

- Além de exercer coerção sobre os indivíduos, a educação também não é uma criação
individual, pois os costumes e as ideias que determinam o tipo de educação reguladora são
produzidos pela coletividade e manifestam as suas necessidades.

- Quando nascemos, a maior parte de seu conteúdo já está pronto, é fruto das gerações
passadas. Segundo Durkheim, a partir de uma perspectiva histórica, pode-se perceber que a
formação e o desenvolvimento dos sistemas de educação dependem da religião, da organização
25

política, do grau de desenvolvimento das ciências, do estado da indústria etc. Só à luz das
causas históricas eles se tornam compreensíveis.

- Ao definir mais precisamente a educação, Durkheim conclui que há algumas condições para
que ela realmente exista, ou seja, é necessário que haja uma geração de adultos, uma geração
de jovens e, que a primeira exerça uma ação sobre a segunda.

O sistema educativo, em qualquer sociedade, possui duplo aspecto, ou seja, é,


simultaneamente:

1 – Uno: Porque se configura como a base comum. É composto pelos sentimentos, valores,
ideias, prática, que devem ser inculcados em todas as crianças, sem distinção, seja qual for a
categoria social à qual pertençam. É, resumidamente, o que há de comum a todos.

2 – Múltiplos: Depende dos meios, das classes sociais, das profissões.

- “Cada profissão, com efeito, constitui um meio sui generis que reclama aptidões particulares e
conhecimentos especiais, onde reinam certas ideias, certos usos, certas maneiras de ver as
coisas; e, como a criança deve ser preparada tendo em vista a função que será chamada a
desempenhar, a educação, a partir de certa idade não pode mais continuar a ser a mesma para
todas as pessoas às quais ela se destina” (2001, p. 50).

- Segundo Durkheim, cada sociedade formula determinado ideal de ser humano, ou seja, é a
sociedade que determina o que esperar do indivíduo, seja do ponto de vista intelectual, físico ou
moral. Em outras palavras, seremos aquilo que a sociedade espera que sejamos.

- Assim, se até certo ponto esse ideal é o mesmo para todos os cidadãos, há um momento em
que os indivíduos devem se diferenciar, segundo os meios sociais particulares em que estão
inseridos.

Para o autor, a parte básica da educação é constituída por esse ideal, ao mesmo tempo, uno e
diverso, que tem por função suscitar na criança:

1 - Certo número de estados físicos e mentais, que a sociedade à qual pertence considere
indispensável a todos os seus membros;

2 - Certos estados físicos e mentais, que o grupo social particular (casta, classe, família,
profissão) considere indispensáveis a todos os que o formam.

- É a sociedade, em seu conjunto, e cada meio social, em particular, que determinam o ideal a
ser realizado.

- Durkheim ressalta que a homogeneidade é importante, pois é a base onde os sistemas de


educação específicos se fundamentarão. A educação a perpetua e reforça, fixando na criança
certas similitudes essenciais, exigidas pela vida coletiva.

- É a heterogeneidade que torna a cooperação possível. A educação assegura a persistência


dessa diversidade necessária, o que permite especializações.
26

- “Se a sociedade chegou a um grau de desenvolvimento em que as antigas divisões em castas


e em classes não podem mais manter-se, prescreverá uma educação mais una em sua base.
Se, no mesmo momento, o trabalho está mais diversificado, provocará nas crianças, sobre um
primeiro fundo de ideias e de sentimentos comuns, uma mais rica diversidade de aptidões
profissionais. Se vive em estado de guerra com as sociedades envolventes, esforça-se por
formar os espíritos com base num modelo fortemente nacionalista; se a concorrência
internacional toma uma forma mais pacífica, o tipo de educação que procurará realizar é mais
geral e mais humano”. (2001, p. 52)

- É necessário observar alguns temas importantes na teoria do autor, que foi fortemente
influenciado pelo darwinismo social e, por isso, estava totalmente convencido de que, como os
organismos, as sociedades também evoluíam. Segundo ele, as sociedades passariam do
estágio mecânico para o estágio orgânico.

- As sociedades mecânicas eram sociedades simples, nas quais a divisão do trabalho ocorria
através dos critérios de sexo e idade e, onde os indivíduos praticamente não se diferenciavam,
compartilhando as mesmas crenças e regras morais, ligados por laços de parentescos. Contudo,
na evolução, as sociedades foram se tornando mais complexas.

- O aumento no nível de desenvolvimento deu origem à exigência de maior especialização do


trabalho. Os indivíduos deixaram de se identificar por meio da religião, das regras morais e dos
costumes. Nas sociedades orgânicas o que aproxima os homens é a interdependência gerada
pela especialização de funções. É a divisão do trabalho social que gera a coesão, a
solidariedade social.

- Em sociedades com forte divisão do trabalho as relações sociais se baseiam na especialização


de tarefas. Assim, a educação tem caráter duplo, pois, ensina aos novos membros valores,
crenças e conhecimentos que devem ser gerais à massa da sociedade e, também, fornece
conhecimentos específicos da área profissional em que a pessoa deverá atuar. Saiba mais.

- A formação que um futuro médico recebe é diferente daquela recebida pelo futuro engenheiro,
que difere também da dispensada ao futuro advogado. Não podemos hoje, em nossa sociedade,
conceber que só se formem ou engenheiros, ou advogados ou médicos. Advogados precisam
dos serviços dos engenheiros, que precisam dos cuidados dos médicos e, assim por diante.

- É isso que garante a nossa coesão social: a especialização em uma área e o fato de ser leigo
nas outras faz com que os profissionais de um campo dependam de outros profissionais.

- Durkheim utiliza o exemplo da paixão que ocorre entre o homem e a mulher que, por serem
diferentes, se complementam, formando um todo.

- Ler texto da figura abaixo:


27

Dessa definição acima vista na figura podemos assumir que a educação é a socialização
metódica das novas gerações. Cada membro da sociedade possui em si dois seres:

1 - O ser individual, que se constitui dos estados mentais que dizem respeito apenas ao próprio
indivíduo e à sua vida pessoal;

2 - O ser coletivo, ou seja, o sistema de ideias, sentimentos, hábitos, que exprimem em cada
indivíduo o grupo ou os grupos diferentes dos quais ele faz parte (crenças religiosas, crenças e
práticas morais, tradições nacionais e profissionais, opiniões coletivas etc.).

- O objetivo da educação é constituir o ser coletivo em cada um de nós, pois o ser social não
nasce com o homem, não se apresenta na constituição humana primitiva, como também não
resulta de nenhum desenvolvimento espontâneo.

- Ao contrário, foi a sociedade, na medida em que se formou e se consolidou, que tirou de dentro
de si essas grandes forças morais, diante das quais o indivíduo isolado sente a sua fraqueza e
inferioridade.

- A educação deve criar no homem um ser novo: o ser social.

- Os indivíduos agem de acordo com as necessidades sociais e a sociedade impõe aos homens
uma tirania muito forte. Mas, segundo Durkheim, os próprios homens desejam que isso ocorra
porque o ser novo, que a ação coletiva cria em cada um de nós por intermédio da educação,
representa o que há de melhor no homem, o que há de propriamente humano em nós.

- Na verdade, o homem só é homem porque vive em sociedade. Para comprovar essa


afirmação, Durkheim mostra o desenvolvimento da moral, o desenvolvimento intelectual e o
desenvolvimento da linguagem, coisas que só podem acontecer na vida em sociedade.
28

- O Estado é a instituição social mais importante que tem influência sobre a educação, tendo
mais peso que a família, segundo Durkheim. Não poderia ser de outra forma, dado o caráter
coercitivo atribuído pelo autor à educação.

- A importância do Estado cresce à medida que assume uma função coletiva e busca a
educação da criança na sociedade em que vive. Caberia a esse órgão esclarecer os princípios
essenciais, fazer com que sejam ensinados nas escolas, cuidar para que as crianças não os
ignorem e os respeitem.

- Durkheim era taxativo e afirmava que tudo que é educação deve estar em certa medida
submetido à ação do Estado.

- Durkheim percebia a ausência de unidade moral em sua sociedade, e a presença de muitas


concepções divergentes, por isso se preocupava com a escola e com os professores.

- “A escola não pode ser pertença de um partido, e o professor falta aos seus deveres quando
usa a autoridade de que dispõe para arrastar os seus alunos nos trilhos de seus próprios ideais,
por mais justificados que lhe possam parecer” (2001, p. 61).

- Para a ação educativa ser bem sucedida na transformação de um ser associal, como o bebê,
em uma personagem bem definida que desempenhe um papel útil na sociedade, o educador
deve agir como um hipnotizador.

- A criança, como o hipnotizado, está numa situação de passividade. Como a vontade infantil
ainda é rudimentar, ela é facilmente sugestionável e acessível aos exemplos, e propensa à
imitação.

- O professor exerce sobre seus alunos uma ascendência baseada na superioridade de sua
cultura e de sua experiência. O educador deve ter, também, serenidade.

- Leia quadro abaixo:


29

- Como o objetivo da educação é formar um ser novo, constrangendo o indivíduo e subjugando o


egoísmo individual, não é possível formar o ser social através de brincadeiras e do prazer.

- É preciso então que o educador, com sua autoridade e sua ascendência moral, desperte o
senso de dever na criança.

- Para isso, o professor deve acreditar e valorizar a sua missão, pois ele é a voz de uma grande
pessoa moral: a sociedade.

Síntese da Aula 04 – Émile Durkheim: Educação e Sociologia:

1 - Nesta aula você conheceu a concepção durkheimiana de Educação.

2 - Analisou o ponto de vista do autor de que a Educação é um elemento de socialização.

3 - Relacionou a definição de fato social com a ideia de educação.

4 - Avaliou a importância da educação para a manutenção da moral social.

RESUMO:

- Segundo Durkheim, o objetivo da educação é criar e desenvolver o ser social, pois esse não
aparece de forma natural nos seres humanos.
30

- No que diz respeito à concepção de educação formulada por Durkheim, NÃO podemos dizer
que existe uma forma ideal, válida para todos os lugares e para todos os tempos.

- De acordo com Durkheim devemos educar as nossas crianças de acordo com o meio moral em
que elas viverão.

- O professor, para Durkheim deve suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados
intelectuais e morais reclamados pela sociedade no seu conjunto e pelo meio moral a que a
criança, particularmente, se destine.

Aula 04 – vídeo

- Ver PowerPoint.
31

- A ideia de influencia do coletivo sobre as praticas individuais, característica de Durkheim

- Solidariedade para Durkheim é cooperação, trabalho em equipe.

- Há a solidariedade Mecânica (indígenas) e a orgânica (nosso modelo atual), esta mais


positivista são definições de Durkheim.

- Na orgânica, complexa, existe um processo do surgimento do individualismo bem forte,


marcado por um principio bem ameaçador para a própria sociedade.

- Anomia é a falta de ética, norma jurídica e moral dentro das relações sociais.

- Quanto se apresenta de maneira intensa em determinada formação sociocultural, o


individualismo ameaça a consciência coletiva. Sem ela não há como manter a continuidade das
relações sociais, o que geraria um quadro de anomia. É neste sentido que, para Durkheim, a
escola funcionaria como um instrumento de reforço da consciência coletiva.

- É na escola que aprendemos coisas que nos mantem num espaço maior além da família.

- Numa sociedade em que o individualismo, acirrado pela diferenciação social e pelas práticas
do mercado, compete com a consciência coletiva, a educação assume o significado de
educação moral. Assim, ela seria de vital importância para a manutenção da coesão social, na
concepção de Durkheim.

- Ou seja, a educação é como cimento que mantem a sociedade unida.

- O estado nação se caracteriza por vários aspectos tais como momentos de criação ligados a
eventos grandiosos.

- A educação para Durkheim seria o processo pelo qual os indivíduos aprendem a ser membros
da sociedade. Consequentemente, as práticas de educação adequadas, para este autor, seriam
aquelas próprias ao meio moral compartilhado por cada um.

- Para Durkheim a educação não é só passar liçoes, mas também preparar o individuo a
ingressar determinado meio moral.

- Numa sociedade complexa existem muitos meios morais, conforme as diferenças de classe,
região, grupos sociais e religiosos e mesmo profissões.

- Aprender a ser um engenheiro ou um médico, para Durkheim, não significa apenas fazer
plantas e cálculos, ou aprender anatomia humana. Ao ingressar nas universidades os indivíduos
aprendem, também, como médicos e engenheiros estabelecem suas relações sociais próprias. A
escolha da profissão passaria a ser uma maneira particular de se ingressar em determinado
meio moral.
32

- No entanto, por mais específicos que sejam os meios morais para os quais somos educados,
sempre existirão crenças e valores básicos, que se apresentam como comuns a todos. (...) Não
seria possível existir sociedade sem isto (Rodrigues, Alberto T. Sociologia da Educação, pg.33).

- A sociedade ideal não está fora da sociedade real, é parte dela (...) porque uma sociedade não
está simplesmente constituída pela massa de indivíduos que a compõem, pelo solo que ocupam,
pelas coisas que utilizam, pelos movimentos que efetuam, mas, antes de tudo, pela ideia que
ela faz de si mesma (Durkheim, As formas elementares da vida religiosa, pg. 434).

- A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se
encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver na
criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais pela sociedade política, no seu
conjunto, e pelo meio moral a que a criança particularmente se destine (Durkheim, Educação e
Sociologia).

- A educação nos ensina em que mundo estamos, nos ensina a trilhar nosso caminho.

Para saber mais sobre o tema discutido leia:

Galter, Maria Inalva e Manchope, Elenita C. Pastor. A Educação em Émile Durkheim. Disponível
em

http://www.histedbr.fae.unicamp.br/art12_12.htm

Aula 05
33

- O alemão Karl Marx influenciou de modo significativo o pensamento ocidental, tanto no século
XIX quanto no século XX.

- Ao nos referirmos a ele como um dos clássicos do pensamento sociológico, o fazemos por
reconhecer a forte influência que o seu trabalho exerce, ainda hoje, sobre as obras de muitos
autores.

- A obra de Marx também teve influência sobre a construção do primeiro regime socialista a ser
instituído na história recente da humanidade. Esta experiência se daria na Rússia, em 1917, ano
em que o partido bolchevique, liderado por Lênin, no comando de um movimento revolucionário
instituiria naquele país um projeto socialista de inspiração marxista.
34

- A partir daí, a Rússia passou a se chamar União das Repúblicas Socialistas Soviéticas –
URSS, ou como se costumava dizer ao nível do senso comum, União Soviética.

O Socialismo pelo mundo:

- América -> No continente americano é a vez de Cuba, que sob o comando de Fidel Castro,
passa a fazer parte do mundo socialista em 1960.

- África -> Durante as guerras de libertação nacional, Angola e Moçambique também fazem
opção por uma ordem socialista.

- Europa -> No início do século XX, o mundo assiste a uma grande expansão do chamado
socialismo real, nas mais diversas regiões. Com fim da Segunda Guerra Mundial e sob a
influência soviética, verifica-se a expansão do socialismo pela grande maioria dos países do
leste europeu como Polônia, Bulgária, Hungria, Romênia dentre outros.

- Ásia -> Em 1949 é a vez a da China que, em uma revolução camponesa comandada por Mao
Tse Tung também inclui esta nação na órbita do mundo socialista.

- Outros países asiáticos, como Coréia do Norte e Vietnã, sob o comando de partidos
comunistas, passam a hastear a bandeira vermelha do socialismo marxista-leninista nas
décadas de 1950 e 1970, respectivamente.

- Todo este quadro no cenário geopolítico mundial mostra a importância do marxismo para o
mundo contemporâneo.

- Na verdade, esta bipolaridade entre os dois modelos socioculturais — o ocidental, marcado


pela presença do capitalismo e da economia de mercado, e o socialismo — traria muitas
consequências para as relações entre as diferentes nações do mundo, dentre as quais se pode
destacar a própria guerra fria.

- No meio intelectual, o marxismo também faria sentir a sua presença ao longo de todo o século
XX.

- Com a participação de seu amigo e colaborador Friedrich Engels, Marx tinha, como objeto de
sua pesquisa, a sociedade capitalista do século XIX. Suas teses e princípios teóricos eram
baseados no materialismo dialético.

- Neste sentido, para Marx, as contradições não seriam situações anômalas presentes na
sociedade, mas ao contrário, fariam parte de sua própria essência.

- A identificação destas contradições no interior da sociedade concentraria o foco da análise


marxista no modo como o trabalho social é organizado. A análise da história humana com base
nos princípios da dialética materialista levaria Marx a identificar as contradições de interesses
existentes entre as principais classes sociais, como o principal fator de motivação das mudanças
sociais.
35

- Para Marx, esta “luta de classes” seria o principal combustível para as transformações nas
sociedades humanas. Este modo de pensar a sociedade daria origem a um novo conceito
elaborado por Marx, que seria o materialismo histórico. Na prática, uma aplicação da dialética
materialista ao estudo da história humana.

- Na perspectiva marxista, o trabalho social não funciona apenas como um intermediário das
relações entre sociedade e natureza, mas também como o intermediário nas relações
estabelecidas pelos homens entre si.

- A qualidade das ferramentas ou forças produtivas utilizadas pelos indivíduos, somada aos tipos
de relações estabelecidas no processo produtivo caracterizaram, na concepção marxista, o
modelo de sociedade com o qual se estaria lidando.

- A partir da visão de Marx, foi possível se identificar alguns tipos de sociedades ou modos de
produção.

1 – Feudal -> O feudalismo predominou na Idade Média, cujo antagonismo de classes seria
identificado entre os nobres, donos das terras e os servos que, ao ocuparem estas terras, se
viam obrigados a prestarem serviços aos primeiros.

2 – Capitalista -> O predomínio do capitalismo é no período contemporâneo. Nesta nova fase da


organização social, as relações de produção ou o modo como os indivíduos se relacionavam
para organizar e programar o trabalho social seriam desenvolvidos com base num processo de
remuneração assalariada da mão de obra. Eram os operários que, desprovidos da propriedade
das fábricas e dos meios de produção, “vendiam” aos burgueses, donos destes
estabelecimentos, o único bem que possuíam que seria a sua força de trabalho. Assim, neste
modo de produção, como afirmava Marx, as principais contradições seriam aquelas existentes
entre a burguesia — dona dos meios de produção — e o proletariado, que compreenderia os
operários e trabalhadores de um modo geral.

3 – Escravista -> O escravismo predominou na chamada Antiguidade Clássica (Grécia e Roma),


momento em que as principais contradições se dariam entre os escravos e seus senhores.

- É importante destacar que, a cada um desses modos de produção corresponderiam diferentes


níveis de desenvolvimento das forças produtivas e diferentes formas de organização do trabalho
social ou das relações de produção.

- São justamente as diferentes posições dos homens com relação às formas de propriedades
presentes numa sociedade, ou modo de produção, que irão definir as diferentes classes sociais
existentes. A transformação de um tipo de sociedade para outro, ou de um modo de produção a
outro, se dá por meio dos conflitos abertos entre a classe dominante e as classes exploradas
num determinado período.

- Assim, de acordo com Marx, a história humana é uma história das lutas entre as classes.
36

RESUMO.

Síntese da Aula.

1 - Nesta aula você conheceu as bases do pensamento sociológico marxista.

2 - Os principais conceitos elaborados por Marx e Engels como o materialismo dialético, o


materialismo histórico e o conceito de modo de produção.

3 - A ideia da luta de classes como aquele princípio das contradições que motivariam as
mudanças na história das sociedades.

4 - Marx identifica os modeos de produção na história da Europa, são eles:

- Escravista, Feudal, Capitalista.

5 - Para Marx, os principais fatores das transformações sociais são:

- Conflitos abertos entre a classe dominante e as classes exploradas.

6 - Marx percebe o papel das classes sociais da seguinte forma:

- É a luta constante e aberta entre as classes sociais que serve como motor para a
transformação da história.

Aula 05 – Vídeo.

- Ver PowerPoint.

- Marx influenciou muitos autores através dos anos.

- Estes autores avançam sobre a teoria marxista.

- Seu amigo Engels o ajuda em muitas de suas obras.

- Marx fez uma espécie de analise antropológica do capitalismo antes mesmo da antropóloga se
firmar.
37

- Marx teve influencia grande na historia do mundo ocidental idealizando o regime formado na
URSS em 1917.

- Houve uma expansão forte do ideal marxista através do socialismo em varias partes do mundo.

- As bases teóricas do Marxismo são frutos daa filosofia dialética grega.

- Esta pro sua vez é uma maneira de pensar a realidade, suas contradições, fazendo parte da
própria realidade.

- Tais contradições levam as transformações.

- Os gregos atenienses dedicavam seu tempo às artes, filosofia ou politica, uma vida de homem
livre.

- Na Grécia, trabalho era como escravidão, não fazendo parte de seu estilo de vida.

- Heráclito de Éfeso apresenta tais indícios de dialética na Grécia pré-socrática.

- Nada é estático para Heráclito.

- Hegel no século XIX, reestrutura a questão da dialética, trazendo as reflexões para a análise
da sociedade humana.

- Quase todos os pensadores alemães bebem desta ideia de Hegel.

- Para Hegel, o movimento do pensamento, que ele encarna com o nome de ideia, é o criador da
realidade. Esta não seria mais do que a manifestação objetiva e concreta das ideias.

- Para Hegel as contradições humanas se apresentavam primeiro em nível de pensamento e


depois na vida material, ou seja, primeiro se abstrai e depois torna concreto.

- Praxis, ação consciente da sociedade.

- O Materialismo histórico é a base da teoria marxista.

- A ideia de ver a sociedade a partir de um olhar sobre o modo como o trabalho é organizado
nesta sociedade.

- Para Marx, ver a sociedade era levar em conta o modo de como o trabalho era organizado.

- Na época de Marx, havia os anarquistas, os utópicos, ou seja, projetos de reforma para o


capitalismo.

- Na história podemos distinguir alguns modos de produção como o escravismo na antiguidade,


o feudalismo, o capitalismo e o socialismo. Os modos de produção de uma sociedade dependem
do estágio das forças produtivas e do desenvolvimento das relações de produção.
38

- Para Marx, a sociedade evolui dos modos de produção existentes.

- O conceito de forças produtivas refere-se aos instrumentos e habilidades utilizados na


produção material, possibilitando o controle da natureza. Seu desenvolvimento é cumulativo.

- A ideia de relações sociais de produção implica em diferentes formas de organização da


produção, da distribuição, da posse e da propriedade dos meios de produção; bem como as
suas garantias legais, constituindo-se dessa forma no substrato para a estruturação das classes
sociais. De forma sintética, seriam as relações estabelecidas pelos indivíduos entre si e com o
grupo, para a organização do trabalho social.

- Ver o filme Tempos Modernos de Charles Chaplin.

- A presença de diferentes classes sociais nos diversos modos de produção, com interesses
muitas vezes antagônicos, levou Marx a considerar a luta de classes como o fator de motivação
das transformações da história humana. No capitalismo a duas classes predominantes são a
burguesia e o proletariado.

- Para Marx, esta “luta de classes seria o motor da história”. Este modo de pensar a sociedade
representaria a base do materialismo histórico, que corresponde a aplicação da dialética
materialista ao estudo da história humana.
39

Aula 06 – A Teoria Marxista e as Práticas de Educação.

Ao final desta aula, você será capaz de:

1 – Analisar as relações entre a teoria marxista e a dinâmica cultural da sociedade;

2 – Demonstrar como se dão as relações entre os valores morais, as crenças, os princípios


ideológicos e a base material da sociedade, na concepção de Marx;

3 – Definir o conceito de alienação e suas relações com o projeto de educação sugerido por
Marx.

Na concepção de Marx, as ideias que os indivíduos incorporam, na sociedade capitalista,


implicam numa visão imprecisa ou falsa da realidade. Isto acontece na medida em que a
consciência que os trabalhadores constroem sobre o seu próprio modo de vida tende a ser
profundamente influenciada pelos valores das elites burguesas.

Numa posição diferente daquela assumida por Durkheim, Marx não percebe as representações
coletivas como produto do conjunto da sociedade. Para ele, estas ideias — às quais chamou de
ideologia — são o fruto de um processo de dominação, que leva as classes oprimidas a
perceberem o mundo com as lentes de seus opressores, processo este denominado de
alienação.

Esta aula aborda o projeto de educação de Marx, que busca superar esta ausência de
consciência, ou seja, um projeto que possa construir indivíduos integralmente desenvolvidos e
emancipar os trabalhadores do seu processo de alienação.

Na concepção marxista, a partir da lógica do pensamento dialético, haveria uma reciprocidade


de influências entre a consciência e as condições materiais da vida em sociedade.

1 - Indivíduo <-------------------------------- 2 - Meio social


1 – Por um lado, o mundo das ideias é influenciado de forma determinante pela realidade
material

2 – Por outro lado, esta mesma base material da sociedade pode ser transformada pela ação
consciente dos indivíduos.

A particularidade da concepção de Marx está no fato de ele perceber este grande conjunto das
ideias representado pelos valores e crenças predominantes, no caso da sociedade capitalista,
como o fruto de um processo de dominação das elites burguesas. Como consequência, por
terem perdido o controle sobre a organização da produção, os trabalhadores teriam perdido,
também, a possibilidade de construir uma visão adequada sobre a sua própria realidade. Eles
40

perceberiam o mundo a partir dos valores da burguesia, como se esta fosse a única forma
possível de trabalhar e viver.

Burguesia x Proletariado.

Segundo Marx, no capitalismo existem os burgueses, proprietários dos meios de produção


(Fábricas e empresas de modo geral) e aqueles que vendem o único bem que possuem, ou
seja, a sua força de trabalho, em troca do pagamento de salário. Estes seriam os proletários,
classe que representaria a maioria da sociedade. Para eles, o modo de vida estabelecido na
sociedade capitalista parece algo natural. É como se trabalhar em troca de um salário fosse uma
espécie modo de vida que sempre existiu e sempre existirá.

Um conceito fundamental, na concepção marxista, é o de alienação.

O trabalho na sociedade capitalista é considerado como algo sobre o qual o próprio trabalhador
não possui nenhum controle. Ou seja, um operário numa determinada linha de montagem
executa muito bem a sua função, por exemplo, encaixar amortecedores na carroceria do veículo,
sem ter a menor ideia sobre o procedimento para construir, de modo completo, um automóvel.
Este saber lhe foi expropriado num processo histórico, juntamente com os meios de produção.
Este mecanismo é definido por Marx como alienação.

A organização do trabalho social na sociedade capitalista, segundo Marx, possuiria, portanto,


uma considerável diferença em relação ao que era feito na sociedade feudal.

Naquele período, em que predominavam as oficinas artesanais nas vilas e pequenas cidades, o
Mestre Artesão era ao mesmo tempo executor e organizador do processo produtivo (Naquele
período, em que predominavam as oficinas artesanais nas vilas e pequenas cidades, o Mestre
Artesão era ao mesmo tempo executor e organizador do processo produtivo).

Essa situação difere profundamente daquela presente na sociedade capitalista, na qual o dono
da fábrica, que organiza e planeja a produção, não é quem executa o trabalho (Por exemplo,
não vemos os executivos das grandes montadoras de automóveis encaixando as peças dos
veículos na linha de montagem).

No modelo civilizatório marcado pela presença do capitalismo, a fragmentação das atividades


profissionais é a marca registrada. A divisão entre aqueles que realizam trabalhos
exclusivamente intelectuais e a grande maioria que executa tarefas manuais e repetitivas, sem a
exigência de uma elaboração mais complexa é, de fato, a regra.

A causa da consciência distorcida construída pela grande maioria dos trabalhadores acerca do
seu próprio modo de vida, é justamente esta divisão qualitativa do trabalho.

Marx considerava esta situação, além de injusta, a causa de todo o processo de alienação
presente na sociedade de sua época, a Europa do século XIX.

Para resolver este problema, além da ação de conscientização das massas pelos integrantes do
partido comunista (que ele considerava o partido revolucionário da causa dos trabalhadores)
Marx imaginou um projeto de educação que pudesse compensar estas diferenças.
41

Marx e Engels percebiam as práticas de educação escolar como uma importante ferramenta que
poderia ser utilizada, tanto para perpetuar o processo de alienação e de dominação existente na
sociedade capitalista, quanto para emancipar os trabalhadores desta realidade.

É fundamental que você procure deslocar o pensamento para o século XIX e tente imaginar
como viviam as pessoas nas cidades industriais naquele momento, para poder entender o
raciocínio de Marx com relação ao seu projeto educacional.

Em algumas citações de O Capital, sua obra mais importante, Marx relata algumas visitas a
escolas localizadas em cidades na Inglaterra, cujas condições de ensino eram tão precárias, que
só poderiam servir como espécie de engodo, para a nova legislação inglesa de 1844, que
determinava que as crianças ao serem contratadas pelas fábricas deveriam estar devidamente
matriculadas em algum estabelecimento de ensino.

Sugerido para solucionar o problema educacional, o projeto de Marx certamente seria alvo de
certa estranheza nos dias atuais. Para ele:

Projeto Educacional de Marx.

As escolas deveriam formar indivíduos integralmente desenvolvidos, isto é, que ao longo da sua
formação dividissem seu tempo entre o trabalho manual, as atividades intelectuais e o lazer;

As crianças de até 12 anos deveriam passar ao menos 2 horas por dia trabalhando de modo a
combinar o trabalho braçal com prática intelectual. Esta jornada de trabalho associada à
educação deveria ser elevada até um período de 6 horas por dia, quando a criança completasse
16 anos.

O Projeto Educacional de Marx pode ser representado pela equação abaixo.

Projeto Educacional de Marx = Educação Intelectual + Educação Profissional + Educação Física

Para Marx era fundamental que todos os indivíduos combinassem educação intelectual,
educação profissional e educação física, na sua formação. Só assim, todos se tornariam
indivíduos integralmente desenvolvidos, capazes de desenvolver diferentes tarefas e atividades
sociais. Ele considerava injusto que alguns indivíduos trabalhassem apenas com a mente,
desenvolvendo seu intelecto, enquanto outros passassem toda a vida presos a atividades
manuais repetitivas e embrutecedoras, no que se refere ao espírito humano.

Mesmo para os membros da burguesia, a educação fragmentada era considerada por Marx
como prejudicial, na medida em que o indivíduo se via desprovido daquilo que ele considerava
como conhecimento tecnológico.

É importante ressaltar que este projeto de educação sugerido pela teoria marxista se
apresentava para a realidade europeia no século XIX.

Neste momento o acesso a escola, mesmo num sentido tradicional, era restrito a um pequeno
número de crianças originárias das classes mais favorecidas.

Além disso, a possibilidade de automação do processo produtivo, como conhecemos hoje, era
algo inconcebível em termos tecnológicos. Sendo assim, na visão de Marx, a ideia de que todos
42

pudessem, ao longo de seu dia, compartilhar todas as funções existentes na sociedade, tanto as
mais enaltecedoras quanto as mais laboriosas, se apresentava como a alternativa mais justa.

Relembrando:

1 – Prática de educação escolar.

Ferramenta que pode ser utilizada, tanto para perpetuar o processo de alienação e de
dominação existente na sociedade capitalista, quanto para emancipar os trabalhadores desta
realidade.

2 – Burguesia.

Proprietários dos meios de produção.

3 – Proletários.

Donos da força de trabalho, que é “vendida” em troca do pagamento de salário.

4 – Alienação.

Mecanismo no qual o trabalhador não possui nenhum controle sobre o trabalho que
desempenha.

Síntese da aula.

Nesta aula você conheceu:

1 – Os conceitos de ideologia e de alienação do trabalho desenvolvidos por marx.

2 – A ideia da educação como instrumento de alienação ou emancipação.

3 – A proposta de ensino que forma indivíduos de uma educação intelectual, tecnológica e física.

4 – O significado do conceito de alienação para Marx é o processo histórico no qual o saber foi
expropriado do trabalhador juntamente com os meios de produção.

5 – A principal ligação entre educação e alienação é que a educação, na sociedade capitalista,


ao separar a concepção e a execução do trabalho, é uma das formas de reproduzir a alienação.

6 – O projeto da educação ideal para Marx é a combinação de educação profissional, educação


intelectual e educação física.

Aula 06 – vídeo.
43

- Ver PowerPoint.

Aula 07.

Um importante conceito que é a base a partir da qual a sociologia weberiana pode ser
estruturada é o conceito de ação social.

Ação social, segundo Weber, é todo tipo de conduta humana relacionada a outros indivíduos e
dotada de um sentido subjetivamente elaborado.

Para Weber, a sociedade não seria um organismo com uma espécie de complementaridade
entre as suas partes, como postulava Durkheim, nem tampouco uma espécie de prisão para as
classes menos favorecidas, como imaginava Marx.

Para ele, a sociedade se apresentava como uma grande teia formada por diversos tipos de
ações sociais. A identificação do sentido subjetivo dessas ações, ou seja, do tipo de
racionalidade que as motiva e que leva a este ou àquele comportamento é o que define a
sociologia weberiana como compreensiva.
44

De um modo diferente daquele empregado por seus contemporâneos, Weber rompe de forma
mais sistemática com o cientificismo de influência positivista, muito presente nas obras de
pensadores do século XIX, como Émile Durkheim.

Um traço marcante do pensamento weberiano é a sua ruptura radical com a lógica do


cientificismo positivista.

Auguste Comte definia a sociologia como a física social. Segundo ele, a lógica de pesquisa
desta disciplina seria destinada a conhecer os processos sociais, para poder prever os seus
desdobramentos.

Ao contrário, Weber, ao perceber a sociedade como uma teia constantemente renovada de


ações sociais, afirma ser esta realidade hipoteticamente infinita e que apenas um fragmento de
cada vez pode ser objeto de conhecimento sistematizado, no sentido da pesquisa científica.

Para a sociologia weberiana a sociedade concebida como esta totalidade, ou um “todo”


monolítico seria algo absolutamente incompreensível “pela simples razão de que este todo
reside na interação entre as partes e não é possível conhecer todas elas ao mesmo tempo,
porque são muitas e porque se renovam a cada dia.” (Rodrigues, 2006: p. 61).

É na simples escolha de uma das partes deste todo para ser estudada, que se encontram
envolvidos os valores do pesquisador.

A escolha de um caminho para a pesquisa envolve um tipo de racionalidade e,


consequentemente, também se caracteriza como uma ação social.

Com o objetivo de qualificar estas ações sociais, Weber desenvolve o conceito de tipos puros ou
tipos ideais, sabendo que estas construções não espelhariam de forma fiel a realidade. Elas se
45

apresentariam como pontos de referência, a partir dos quais seria possível se estabelecer níveis
de comparação com o mundo concreto, funcionando, na prática, como um importante método de
investigação para as ciências sociais.

Todas as ações praticadas em sociedade implicam em um determinado nível de racionalidade,


por parte do sujeito que as executa. Justamente a partir do seu caráter mais ou menos racional,
Weber estabelece uma classificação para as ações sociais, segundo o princípio dos tipos ideais.

Ação racional com relação a fins: São aquelas cujo sentido subjetivo envolve os meios
adequados para se atingir determinados objetivos, previamente estabelecidos. Ex.: uma
pesquisa científica, um projeto econômico, fazer um curso de graduação etc.

Ação social afetiva: São aquelas cujo sentido subjetivo envolve os meios adequados para se
atingir determinados objetivos, previamente estabelecidos. Ex.: uma pesquisa científica, um
projeto econômico, fazer um curso de graduação etc.

São aquelas cujo princípio racional não se vincula tanto ao objetivo a ser alcançado, mas à
afirmação de determinados valores. Ex.: participar de uma manifestação em defesa da natureza
ou em prol dos direitos humanos, ou entrar para a universidade porque a família considera este
um ponto importante.

Ação social regular ou tradicional: São aquelas cujo sentido subjetivo se constrói com vistas à
observação de costumes ou tradições. Ex.: o casamento religioso ou o batismo dos filhos em
determinada igreja, para quem não é praticante daquela crença. Ir para a universidade porque
todos na família assim o fizeram etc.

Para finalizar esta aula, vale ressaltar que a afirmação de que Weber considerava as situações
descritas como tipos ideais, construídas para simples efeito de comparação é porque elas não
representam a realidade num sentido fiel, mas sim para efeito de aproximação.

Um rapaz pode ingressar na universidade para se graduar em Medicina, o que seria uma ação
social racional com relação a fins. Entretanto, ao se matricular escolhe uma turma da manhã
com o intuito de reencontrar uma ex-namorada. Além disso, todos na família são médicos e isto
o faz sentir na obrigação de dar continuidade a esta cultura familiar. Neste caso, seriam
misturadas à ação racional outras de caráter afetivo e tradicional.

Relembrando:

Ação social afetiva. São aquelas cujo sentido subjetivo racional se mistura a uma forte carga
emocional, muitas vezes comprometendo a própria análise da racionalidade em questão.

Ação social racional com relação a fins. São aquelas cujo sentido subjetivo envolve os meios
adequados para se atingir determinados objetivos, previamente estabelecidos.

Ação social racional com relação ao regular ou ação social tradicional. São aquelas cujo sentido
subjetivo se constrói com vistas à observação de costumes ou tradições.
46

Ação social racional com relação a valores. São aquelas cujo princípio racional não se vincula
tanto ao objetivo a ser alcançado, mas à afirmação de determinados valores.

1 – O sentido do conceito de ação social para a sociologia weberiana é que todo tipo de conduta
humana relacionada a outros indivíduos e dotada de um sentido subjetivamente elaborado.

2 – A principal relação entre ação social e sociologia compreensiva é a identificação do sentido


subjetivo das ações sociais, ou seja, do tipo de racionalidade que as motiva e que leva a este ou
aquele comportamento é o que define a sociologia weberiana como compreensiva.

3 – Os tipos ideais não expressam, de maneira fiel e completa, a realidade social por que elas se
apresentariam como pontos de referência, a partir dos quais seria possível estabelecer níveis de
comparação com o mundo concreto.

Síntese da aula.

Nesta aula você conheceu:

1 – O pensamento sociológico de Max Weber.

2 – Os conceitos de ação social e o princípio da sociologia compreensiva.

3 – Os tipos puros ou tipos ideais de ação social.

Aula 07 – Vídeo.

- Ver PowerPoint.
47

Aula 08.

Introdução.

Nesta aula estudaremos a história humana, que segundo Max Weber, poderia ser definida como
um processo crescente de racionalização das relações sociais. O agir em sociedade pressupõe
determinadas normas, que se enraízam e institucionalizam. Na medida em que as relações
sociais se tornam mais complexas, maiores os desafios para se estabelecer níveis de consenso
que possam abrigar as diferentes relações sociais.

Com o estabelecimento do Estado Moderno e as formas de dominação legítima que lhe são
correspondentes, a efetivação da autoridade nacional passa a depender de um quadro
administrativo profissional e hierarquizado, o que Weber definia como burocracia.

Neste momento o exercício da autoridade passa a depender, de forma crescente, da


legitimidade estabelecida pelo direito racional. É justamente a partir da necessidade de formação
deste quadro de funcionários, que se submetem à autoridade por meio de princípios cada vez
mais racionais, que as práticas de educação assumem importância crucial para a análise
desenvolvida pela sociologia weberiana.
48

A história humana, segundo Max Weber, poderia ser definida como um processo crescente de
racionalização das relações sociais.

O agir em sociedade pressupõe determinadas normas, que se enraízam, institucionalizam e em


seguida assumem a forma de leis.

Na medida em que as relações sociais se tornam mais complexas, maiores também se tornam
os desafios para conciliar os diferentes interesses em jogo.

É neste sentido que Weber imagina a sociedade humana como inserida num processo contínuo
de aprimoramento da subjetividade ou racionalidade, que envolve as relações sociais.

Este movimento implicaria no crescente abandono de concepções místicas e tradicionais, no


que se refere à constituição dos diferentes princípios de autoridade, incluindo-se aí o próprio
Estado.

Para explicar este movimento, Weber constrói novamente uma tipologia, num sentido ideal,
destinada a analisar as diferentes formas de dominação legítima. Segundo este autor, existiriam
três tipos puros ou ideais de dominação legítima.

Dominação legal: É baseada nas tradições e mais diretamente relacionadas às monarquias


absolutistas do período conhecido como idade moderna.

Dominação carismática: É baseada no carisma do líder e geralmente se caracteriza por períodos


de ruptura institucional.

Dominação racional legal: É baseada na racionalidade e nas disposições legais, como no caso
do Estado Moderno. Essa dominação é relacionada ao Estado de Direito e à presença de uma
burocracia em termos administrativos.

É neste momento que a sociologia weberiana atribui um significado relevante para as práticas de
educação.

É importante que você entenda bem estes conceitos:

Para Weber, a educação é o modo pelo qual os indivíduos são preparados para exercer funções,
relacionadas à nova realidade caracterizada pela racionalização da vida, tanto na administração
do aparelho de estado, quanto nas empresas capitalistas.

Segundo a sociologia weberiana, as práticas de educação passariam a se caracterizar por um


conjunto de conteúdos voltados para o treinamento de indivíduos, a fim de que se tornassem
aptos a desempenhar variadas funções tanto no Estado, quanto nas empresas. Neste sentido, a
própria condução do processo político se daria em moldes mais racionais.

A sociedade capitalista, segundo Weber, teria desenvolvido práticas de educação cujo objetivo
seria treinar o indivíduo, ao invés de simplesmente cultivar o seu intelecto.
49

Educar de modo a desenvolver um sentido mais racional, nas diferentes relações sociais passou
a ser fundamental para o Estado na sociedade capitalista, uma vez que este “novo” homem não
deveria mais obediência a princípios místicos e sobrenaturais, mas sim ao direito racional.

Para refletir sobre a sociologia da educação, Weber constrói alguns conceitos como o da
Pedagogia do Cultivo e o da Pedagogia do Treinamento.

Pedagogia do cultivo: É um conjunto de práticas destinadas a formar um tipo de indivíduo culto,


o que implica transformações no seu comportamento interior e exterior. Este processo assumiria
o sentido de uma “qualificação cultural” no sentido de uma educação de caráter abrangente, o
que traria implicações no sentido do status e da própria qualidade de vida do indivíduo. Nas
sociedades pré-industriais estas práticas estariam restritas às elites sociais e intelectuais.

Pedagogia do treinamento: São as práticas de educação dominantes do Capitalismo. Segundo o


autor, com a racionalização da vida social e a crescente burocratização do Estado moderno, a
educação deixa gradualmente de ter como objetivo a “qualidade da posição do homem na vida”
e passa a se constituir num projeto especializado com o objetivo de formar peritos e
especialistas com vistas ao mercado de trabalho. Weber percebia com certa melancolia esta
relação com o conhecimento, que poderia ser percebida como uma espécie de “depressão
intelectual”.

Para Weber, a Pedagogia do Treinamento, imposta pela racionalidade da sociedade capitalista,


se apresentava como um forte obstáculo ao desenvolvimento do talento e da própria realização
pessoal dos homens, de um modo geral.

Esta era uma racionalidade que mantinha uma relação utilitarista com o conhecimento,
destinada apenas à obtenção de poder e dinheiro.

Síntese da aula.

Nesta aula você conheceu:

1 – O pensamento sociológico de Max Weber em sua relação com as práticas de educação.

2 – Os conceitos de Pedagogia do Cultivo e Pedagogia do Treinamento.

3 – A tipologia weberiana relacionada às práticas de dominação legítima.

Relembrando:
50

1 – Sobre a pedagogia do cultivo é correto afirmar que Weber definiu-a como um conjunto de
práticas destinadas a formar um tipo de indivíduo culto, o que implica transformações no seu
comportamento interior e exterior.

2 – Os tipos de dominação legítima estabelecidos por Max Weber são Tradicional, Racional-
legal, Carismática.

3 – Para Weber, as práticas de educação na sociedade capitalista são voltadas para o


treinamento, cujo objetivo é formar peritos e especialistas, com vistas ao mercado de trabalho,
ou seja, pedagogia de treinamento.
51

Aula 09.
52

O comunista italiano Antonio Gramsci nunca publicou um livro, mas encontramos suas ideias em
periódicos de partidos políticos e da imprensa e, sobretudo, nos famosos Cadernos do Cárcere,
produzidos durante a sua prisão durante o governo fascista de Mussolini.

É importante ressaltar que Gramsci sofreu muita influência de Karl Marx, porém, foi adiante, pois
atualizou a teoria de Marx para analisar as sociedades capitalistas da Europa na primeira
metade do século XX.

Em sua obra, Gramsci faz distinção entre Oriente e Ocidente. Essa não é apenas uma distinção
geográfica, mas, política.

Por Oriente ele entendia os países onde o Estado (instituições do governo) é poderoso e a
Sociedade Civil (empresas, mercados, clubes, visões do mundo, etc.) é fraca, dotada de pouca
organização e de pouca capacidade de fazer frente ao Estado.

Por Ocidente ele entendia aqueles países em que a sociedade civil é estruturada, múltipla,
organizada, e compartilha com o Estado a administração da vida social. São os países de
capitalismo avançado, cujo mercado interno é forte e a vida política é plural.

Ao contrário do Oriente, no Ocidente o poder encontra-se diluído entre o Estado e a Sociedade


Civil. Sendo assim, não é suficiente que os grupos políticos revolucionários se voltem apenas
contra o Estado. É preciso empreender uma “revolução no cotidiano” a partir de uma política
feita na sociedade. Para chegar a tal intento, não basta o uso da força, é necessário alcançar a
consciência das pessoas. É preciso ganhar a “batalha das ideias”.

Entenda a diferença entre os pensamentos de Marx e Gramsci.


53

Marx afirmava que o proletariado deveria abolir a exploração econômica de uma classe sobre a
outra, eliminando a propriedade privada dos meios de produção.

Para Gramsci, eliminar a propriedade privada dos meios de produção não seria suficiente, pois
precisariam lutar também contra a “apropriação privada, ou elitista, do saber e da cultura”.

De acordo com Gramsci, era necessário desfazer a separação entre “intelectuais” e “pessoas
simples”, porque apenas aqueles tidos como intelectuais ocupavam postos de administração do
Estado e da sociedade civil, concentrando mais poder.

Para este autor, a luta pela hegemonia, ou seja, o processo lento e complexo pelo poder político
nas sociedades complexas, não é vencida através do golpe de Estado ou pelo êxito nas
eleições. É necessário convencer as pessoas, conseguir um consenso social em torno de suas
concepções. Nesses termos, ele considerava o convencimento mais adequado do que a força.

No processo da hegemonia pelo poder político, os intelectuais têm um papel muito importante,
pois são eles que organizam a cultura.

Para eliminar as desigualdades e as injustiças, é necessário fazer uma “reforma intelectual e


moral”. Contudo, lutando pelo poder existem aqueles grupos que querem manter a sua
hegemonia e aqueles que buscam uma nova hegemonia. Esses grupos representam as diversas
classes e frações de classes que disputam o poder na sociedade.

Nos momentos em que a disputa se torna mais acirrada, há uma tendência de polarização entre
os interesses dos que desejam mudar e os dos que querem manter seu poder.

Blocos históricos

A partir de alianças internas, as classes dominantes e as classes dominadas acabam se


organizando em blocos, chamados por Gramsci de “blocos históricos”.

Cada bloco tem seus próprios intelectuais que brigam para organizar a cultura de determinado
contexto histórico a partir de seus interesses.

Segundo Gramsci, existem dois tipos de intelectuais, o intelectual orgânico que tem como função
fazer com que todos na sociedade adotem as ideias e concepções da classe dominante e os
intelectuais tradicionais, que em outros tempos, também, podem ter desempenhado o papel de
intelectuais orgânicos na medida em que representassem os interesses daquelas que seriam as
classes dominantes, em modos de produção anteriores.

A questão das características do sistema escolar se torna importante para Gramsci, porque o
intelectual é formado na escola.

Através da análise do sistema escolar italiano de sua época, Gramsci notou que a ciência havia
se misturado à vida cotidiana de uma maneira inédita na história e as atividades práticas, como
a construção de casas, a cura das pessoas e as artes, foram transformadas em atividades
complexas e especializadas.

Esse movimento de Gramsci teve como consequência a criação de um sistema educacional


híbrido, no qual há dois tipos de escola: a “humanista” e a especializada.
54

Escola humanista: Fornece uma formação “clássica” (baseada nos valores da cultura greco-
romana) que deve desenvolver nos indivíduos uma cultura geral, dando a cada indivíduo, nas
palavras de Gramsci, “o poder fundamental de pensar e se orientar na vida”.

Escola especializada: Fornece uma formação específica dos diferentes ramos profissionais ou
baseadas na necessidade de operacionalizar os conteúdos específicos. Essa distinção, na
concepção de Gramsci, tem um conteúdo de classe. A formação geral obtida na escola
“humanista” é dada aos filhos das classes dominantes, formando os seus próprios intelectuais
orgânicos.

Com o desenvolvimento industrial e a urbanização, o perfil da formação desses intelectuais se


transformou.

Ao lado da escola “clássica”, desenvolveu-se uma escola técnica (profissional, mas não manual)
que substituiu à clássica, pois era mais adequada à formação dos intelectuais orgânicos das
classes dominantes.

Para Gramsci, a abolição das escolas desinteressadas é sinal de elitismo e de exclusão das
classes trabalhadoras de uma formação de qualidade, e que a expansão do ensino ocorria de
forma caótica, pouco organizada e sem politicas orientais.

A partir dessas constatações, Gramsci elaborou a sua própria politica educacional.

De acordo com Rodrigues (2007), a nova escola deveria ser organizada assim:

“Em primeiro lugar, uma escola unitária, que corresponderia aos níveis do Ensino Fundamental e
do Médio, que teria um caráter formativo e objetivaria equilibrar de forma equânime o
desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente e o desenvolvimento das
capacidades do trabalho intelectual. A partir dessa escola única, e intermediado por uma
orientação profissional, o aluno passaria a uma escola especializada voltada para o trabalho
produtivo”. (p. 80)
55

Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron - A reprodução: elementos para uma teoria do sistema
de ensino (1970)

O sociólogo francês Pierre Bourdieu baseou-se nas concepções de Émile Durkheim e no


Estruturalismo para fazer a sua análise sobre a educação contemporânea. É importante saber
que, para o Estruturalismo de Bourdieu, os sujeitos sociais são vistos como marionetes das
estruturas dominantes.

Em 1970, Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, sob a influência de Durkheim, Karl Marx,
Max Weber e com o intuito de construir uma teoria sobre o sistema escolar, partem do princípio
de que toda e qualquer sociedade estrutura-se como um sistema de relações de força material
entre grupos e classes (De acordo com Rodrigues, a tese central desta obra era que toda a ação
pedagógica é uma violência simbólica).

Para Bourdieu e Passeron, a força material, ou seja, o capital econômico é a base que
determina a força simbólica ou capital cultural. O papel deste é reforçar, por dissimulação, as
relações de força material.

Dito de outra forma, a classe que possui o capital econômico produz e reproduz o capital cultural
e faz isso escondendo (dissimulação) o seu caráter de violência simbólica (dominação cultural).

A violência simbólica pode se manifestar de várias maneiras: formação da opinião pública pelos
meios de comunicação de massa, discurso religioso, artes plásticas e literatura, propaganda e
moda, educação familiar, sistema escolar etc.

É assim que Bourdieu e Passeron consideram a ação pedagógica como a imposição arbitrária
da cultura dos grupos ou classes dominantes aos grupos e classes dominados. A utilização da
autoridade pedagógica é fundamental para que se exerça essa imposição, criando no educando
um habitus.
56

A função da educação é a de reprodução das desigualdades sociais. Pela reprodução cultural, a


educação contribui para a reprodução social.

Despossuídas de força material (capital econômico) e força simbólica (capital cultural), as


classes dominadas não escapam dessa imposição. Segundo Saviani, para Bourdieu e Passeron,
a educação, não se configura como um fator de superação da dominação, mas, ao contrário,
constitui-se como um elemento reforçador da mesma. Toda tentativa de usá-la como instrumento
de superação da dominação é apenas ilusão. É a forma pela qual ela dissimula e, por isso,
cumpre eficazmente a sua função de dominação.

Karl Mannheim

Karl Mannheim também recebeu influências dos clássicos. Segundo Rodrigues, Mannheim
retomou a formulação de Max Weber sobre os tipos de educação e tem por objetivo fornecer um
programa para a mudança da educação.

Na sua concepção, era necessário regenerar a sociedade e o homem através de uma educação
sadia. Para tanto, era preciso criar uma pedagogia, a partir da compreensão dos diferentes tipos
históricos de educação (construídos por Weber), que educasse o homem moderno sem tirar dele
as possibilidades oferecidas por uma educação mais integral. Na sua visão, era um erro separar
a pedagogia do cultivo e a pedagogia do treinamento.

De acordo com Mannheim, a sociedade regenerada estava ligada ao advento da democracia


moderna. A modernidade, para ele, não tinha apenas custos ou ameaças à liberdade, mas trazia
também esperanças e valores sociais solidários, abertos. A principal ajuda que a moderna
democracia era capaz de oferecer consistia na possibilidade de que todas as camadas sociais
viessem a contribuir com o processo educacional. Nesse sentido, duas ciências são
fundamentais: a psicanálise e a sociologia.

Psicanalise: É responsável por um novo padrão de vida pautado pela saúde mental e pela
libertação das repressões adquiridas na formação do homem.

Sociologia: Era vista como a disciplina capaz de sintetizar as contribuições de todas as camadas
sociais para o processo educacional. A Sociologia devia, então, servir de base à Pedagogia.
Assim, Mannheim defendia uma sociedade essencialmente democrática, uma democracia de
bem-estar social dirigida pelo planejamento racional e governada por cientistas.

Conforme Rodrigues (2007), “Em suma, Mannheim era um homem de seu tempo, em busca de
um programa de estudos em sociologia da educação que possibilitasse a formulação de projetos
educacionais que ampliassem o horizonte do homem, que superasse as divisões em blocos
políticos e ideológicos, que não o satisfaziam”.

Relembrando:

1 – Escola Humanista: Fornece uma formação “clássica”, que deve desenvolver nos indivíduos
uma cultura geral, dando a cada indivíduo, nas palavras de Gramsci, “o poder fundamental de
pensar e se orientar na vida”.
57

2 – Escola Especializada: Fornece uma formação específica dos diferentes ramos profissionais,
ou baseadas na necessidade de operacionalizar os conteúdos específicos.

3 – Ocidente: São aqueles países em que a sociedade civil é estruturada, múltipla, organizada e
compartilha com o Estado a administração da vida social.

4 – Oriente: São aqueles países onde o Estado é poderoso e a Sociedade Civil é fraca, dotada
de pouca organização e de pouca capacidade de fazer frente ao Estado.

5 – Sobre a Sociologia da Educação no século XX, é certo declarar que recebeu influência dos
autores clássicos e transformou-se em um tema de grande importância para os autores do
século XX.

6 – A respeito da concepção de educação elaborada por Pierre Bourdieu e Jean-Claude


Passeron, é correto afirmar que ela não se configura como um fator de superação da
dominação.

7 – São características da nova escola proposta por Antonio Gramsci uma escola unitária,
pública, correspondente aos níveis fundamental e médio, de caráter formativo e que
possibilitasse desenvolver capacidades para o trabalho intelectual e para o trabalho manual e
uma escola especializada voltada para o trabalho produtivo.

8 – Para Karl Mannheim, a Sociologia deveria servir de base à Pedagogia por que a Sociologia é
a disciplina capaz de sintetizar as contribuições que todas as camadas da sociedade são
capazes de fornecer para o processo educacional nas modernas sociedades democráticas.

Síntese da aula.

Nesta aula, você pôde:

1 – Conhecer as ideias de Bourdieu, Gramsci e Mannheim, grandes clássicos da Sociologia da


Educação, bem como suas influências no pensamento do século XX.

2 – Estudar como Bourdieu discute os esquemas reprodutores da sociedade, Gramsci a reforma


intelectual e moral, e Mannheim o planejamento racional da sociedade.

Aula 09 – Vídeo.

- Ver PowerPoint.
58

Aula 10.

Introdução.
59

Refletir sobre o papel da educação em uma sociedade marcada pela multiculturalidade é algo
recente no mundo ocidental e, de modo particular, na América Latina.

Na verdade este é um processo que não surge a partir de questões exclusivamente


pedagógicas, uma vez que sua origem está relacionada a questões de natureza política,
ideológica e cultural, decorrentes, em muitos casos, a conflitos étnico-culturais.

O que pode ser percebido, como consequência inclusive de nossa herança colonial, é que as
relações étnicas nas sociedades contemporâneas da América Latina apresentam-se como
reflexos de estruturas de dominação e disputa pelo poder político.

Neste sentido, mesmo constatando a presença de uma realidade social marcada pela
multiculturalidade, é possível identificar um sentido homogeneizador na cultura escolar, o que
estabelece uma desconexão entre esta e a cultura da sociedade, num sentido mais
generalizado.

A cultura escolar, de um modo predominante, se apresenta como engessada, no sentido da


reprodução de um único discurso, que seria aquele dos segmentos mais elitizados da
sociedade. Desta forma criam-se verdadeiros aparteids socioculturais, ou processos de
guetificação.

De modo conclusivo, fica evidente que a simples consciência do caráter multicultural da


sociedade não estabelece, por si só, uma perspectiva mais democrática no que se refere às
relações entre os diferentes grupos étnicos.

A construção de um sentido intercultural para as relações sociais envolve o diálogo e uma


concreta inter-relação, entre as diferentes realidades culturais.

Neste sentido, é preciso:

1 – Que se abandone a perspectiva etnocêntrica, que tem caracterizado as relações sociais, por
exemplo, na sociedade brasileira;

2 – Que o “outro” seja percebido apenas como diferente e não como algo “menor” em função da
diferença.

Sintetizando, a perspectiva intercultural para a educação envolve uma efetiva relação dialógica
entre os diferentes segmentos sociais e grupos étnicos.

Para isto, é fundamental a existência de um espaço democrático, em que se possa fomentar a


solidariedade e o respeito à diferença nas relações entre as diversas etnias.

É importante construir, ao nível das políticas educacionais, a valorização da diversidade cultural,


garantindo a todos, em igualdade de condições e de forma digna, o direito à educação.

É relevante enfatizar, também, que esta perspectiva intercultural para a educação não pode ser
reduzida a algumas atividades realizadas de modo esporádico.

Este projeto deve assumir um sentido generalizado e abrangente, ao nível da cultura escolar e
da cultura da escola, envolvendo todos os atores e todas as dimensões do sistema de ensino.
60

Relembrando:

1 – A realidade social brasileira, segundo Vera Candau, seria marcada por um processo de
multiculturalidade, que não encontraria correspondência nas práticas pedagógicas da diferentes
instituições de ensino. Nesse sentido a realidade multicultural brasileira construiu de modo
espontâneo um conjunto de práticas interculturais para a educação.

2 – A partir da leitura do texto de Vara Maria Candau, Interculturalidade e Educação Escolar, é


possível afirmar que um projeto de educação intercultural possuiria as seguintes características:

- A educação intercultural é vista como uma prática social em íntima relação com as diferentes
dinâmicas socioculturais presentes numa sociedade concreta.

- Os projetos pedagógicos interculturais compreendem o reconhecimento e a valorização da


diversidade cultural com igualdade de direito a todos, no que se refere às práticas de educação.

- As práticas de educação intercultural têm como característica marcante um questionamento


das tendências etnocêntricas.

Síntese da Aula.

Nesta aula você conheceu:

1 – O caráter multicultural das sociedades latino-americanas.

2 – A construção de uma perspectiva intercultural na cultura escolar e na cultura da escola.

Aula 10 – Vídeo.

- Ver PowerPoint.